NERVOS & AVESTRUZ
Na sexta feira eu acordei cedo, melhor dizendo, a minha bexiga me acordou cedo. Mas eu não achei ruim, Ed ainda dormia e assim eu pude organizar umas coisas com calma. No dia anterior, eu havia pedido ao serviço de lavanderia do motel que levassem algumas peças de roupas nossas para que fossem engomadas. Todas estavam tão amassadas que pareciam papel crepom! Eu abri o pequeno guarda-roupa e fiquei tentando escolher a calça e a camisa perfeita para Edward usar na sua entrevista de emprego. Tudo o que eu mais queria era que ele se desse bem. Eu não tenho o costume de escolher as roupas que ele usa, mas num dia como hoje, eu estaria lhe prestando um favor. Separei uma calça cinza grafite de tecido grosso e com corte de alfaiataria. Achei que seria a calça ideal para se trabalhar num banco, nada muito informal ou formal demais, afinal, Edward é jovem e não é nenhum gerente pra ter que usar terno e gravata. Escolhi uma clássica camisa de tecido e de mangas compridas, cor de branco gelo e com listras pretas. O sapato teria que ser um oxford preto, combinando com as meias cor de chumbo. (n/a: sapatos oxford são sociais, aqueles com cadarço de amarrar e são de couro) Como estamos em Forks, separei uma jaqueta preta de couro e o guarda-chuva, claro!
Primeira entrevista do primeiro emprego ... Deve ser apavorante mesmo! O pior de tudo que meu Ed vai trabalhar num lugar onde ele nunca se imaginou antes. Desde criança Edward sonha em ser médico, na verdade eu também nunca o imaginei fazendo outra coisa que não fosse exercer a medicina. Mas quem disse que as coisas são sempre do jeito que a gente quer? E quem disse que sempre sabemos o que é melhor para nós? Respirei fundo e fiz uma rápida oração em pensamento, entreguei a Jesus essa ansiedade que eu estava sentindo.
Isso foi uma coisa que aprendi com o Sr. Jones, o pai de Alice. Ele sempre falava de Deus e de Jesus conosco de uma forma que não queria nos fazer mudar de religião, ele só queria nos apresentar a um Deus bondoso, atencioso e que nos ama muito. Ele sempre dizia: ‘Bella, quando o sentimento for difícil demais de você carregar sozinha, convide Jesus a entrar em seu coração e dividi-lo com você.’ Confesso que no começo, isso parecia não fazer sentido e não funcionar, mas depois eu me sentia melhor a cada pequena oração ...
- Bom dia, amor. – Ed bocejou e me tirou dos meus pensamentos – Caiu da cama?
Virei meu corpo para olhá-lo, sorri, dei dois passos até a cama e beijei sua testa.
- Bom dia, minha vida! Eu tava separando sua roupa de hoje, pra entrevista ...
Ed fez uma careta e um lindo biquinho, depois cobriu o rosto com o travesseiro e murmurou.
- Avestruz ...
- Hãn?! – puxei o travesseiro de seu rosto.
- Eu queria ser uma avestruz! – ele falou tão rápido e tão baixo que eu quase não entendi, segurei o riso antes de responder.
- Amor ... – beijei seus lábios bem de leve – Eu não estou casada com uma avestruz! Eu me casei com um homem! – dei outro beijinho – Eu me casei com um Cullen! – olhei em seus olhos e sussurrei essa parte.
- Ah! Bella, é que ... – ele fez uma pausa – Ah! Deixa pra lá!
- Deixa pra lá, nada! – envolvi seu rosto em minhas mãos – O que foi, amor?!
Ele fez biquinho de novo antes de responder e olhou para o teto.
- Eu ... é ... deve ser os nervos ...
- Edward, vai dar tudo certo, amor! Agora venha, levante essa sua bundinha linda da cama e vá tomar um banho!
Levantei da cama e puxei-o comigo, ele sorriu torto pra mim e me abraçou, depois entrou no banheiro. Minutos depois, meu amor aparece na minha frente, enrolado numa toalha e com os cabelos ainda molhados. Meu G-zuis amado, que coisa mais linda era aquela?! A visão daquele peito tão bem esculpido e daquela barriguinha sarada me fez ... hiperventilar ... Eu to grávida, meu Pai, não posso me ‘emocionar’ tanto! Sorri pra ele e mordi o lábio, devo ter corado também. Pigarreei e balancei a cabeça várias vezes, tentando afugentar alguns pensamentos ‘pervos’ que invadiam minha mente àquela hora da manhã.
- O que foi?!
Ele sorriu torto e arqueou as sobrancelhas, na certa ‘leu’ meu pensamento!
- Na-nada! Eu separei essas roupas pra você usar hoje. O que você acha? – peguei o cabide com a camisa e outro com a calça.
- Perfeitas! – Ed se aproximou, me abraçou e sussurrou ao meu ouvido – Aliás, você é perfeita!
Gemi e ele sorriu baixinho. Não me arrisquei a beijá-lo. Corríamos o risco de ele se atrasar para entrevista de emprego e isso deve ser no mínimo, péssimo!
- Amor, vou tomar um banho agora, tá? – desfiz nosso abraço, mas Ed segurou meu braço gentilmente.
- Cuidado, Bella! E deixe a porta do banheiro apenas encostada.
Sorri pra ele e assenti. Depois do susto que passei quando escorreguei na banheira e quase cai de barriga, feito um pingüim, Edward ficou preocupado. Na maioria das vezes tomamos banho juntos e quando não, a cada cinco segundos, ele me chama, só pra ter certeza de que estou viva e inteira ...
Depois do banho, passei o hidratante que previne estrias no corpo. Enquanto minhas mãos percorriam cada pedaço de pele, reparei que meus seios estão maiores e os mamilos mais sensíveis ainda. Ao passar a mão pela barriga, senti que estava um pouco dolorida e na hora fiquei alarmada, tentando me lembrar se tinha levado alguma pancada. Mas depois relaxei porque me lembrei do que li num dos livros: o abdome pode ficar um pouco dolorido, já que o útero está esticando, fazendo a musculatura e a pele da barriga também se esticarem. Também me lembrei de passar protetor solar à prova d’água no rosto. Embora estejamos em Forks onde chove a toda hora, pelo menos 10% dos raios UVA e UVB do sol atravessa as nuvens. E na gravidez, é comum surgirem manchas de sol nos rostos das grávidas! Vesti minhas lingeries especiais e vesti, novamente, um vestidinho solto. Eu estava ficando sem opções de roupas ... Eu não entrava em nenhuma calça jeans ou de tecido, não entrava em saias, bermudas ... Enquanto não tivéssemos tempo de ir numa loja e comprar novas roupas, eu tinha que me virar com os vestidinhos soltos, as calças legging e a minha criatividade. Aquele vestido que peguei era muito curto e sem mangas, era um vestido de verão. Então peguei uma legging preta, pus o vestido florido por cima, uma jaqueta jeans e calcei meu all star, deixei os cabelos soltos e me olhei no espelho. ‘É, ficou legal’ pensei e sorri, mas ao olhar pra Ed, meu queixo caiu e eu quase me arrependi de ter escolhido aquela roupa pra ele. Meu marido estava simplesmente muito gato! Ele sorriu torto pra mim e pegou em minha mão. Meu estômago roncou e seguimos para tomar o café da manhã. Aquele motel, apesar de ser um lugar simples, tratava os hóspedes muito bem e a comida era ótima, no melhor estilo ‘comida caseira’.
- Amor, a minha entrevista é as nove e acho que não vai demorar muito. – Edward franziu a testa – Eu não gosto da idéia de te deixar sozinha e ...
- Edward! – interrompi – Eu não vou ficar sozinha! – sorri e apontei para a minha barriga – Além do mais, vou começar a fazer uma listinha, ou melhor, uma lista enorme de tudo o que vamos precisar comprar para a nova casa.
- É mesmo ... vai ser caro ...
- Não vai, não! – segurei seu rosto em minhas mãos – Milhões de americanos conseguem viver bem com menos dinheiro que nós! É tudo uma questão de prática e aquele livro é muito didático, tenho aprendido muito.
- É mesmo! – ele inclinou o rosto e beijou minha mão – Obrigado por agüentar um marido tão ...
- Rabugento?! – ele me olhou surpreso e eu não agüentei, comecei a rir da cara dele.
- Bom, eu tinha em mente estressado, reclamão ... – ele ficou sério – Bella, prometa que vai ficar bem enquanto eu estiver fora. – eu assenti e ele olhou para o relógio – Já são 08h35min, ainda tenho que escovar os dentes, vamos?
Já no quarto, eu peguei um caderninho e uma caneta e me estirei na cama, Ed já tinha escovado os dentes e me dado as mesmas recomendações de antes. Ele inclinou seu rosto sobre o meu e me beijou com intensidade, quando o ar nos faltou, ele colou nossas testas.
- Eu te amo, Sra. Fields! – seus olhos verdes me invadiam – Você é a minha vida!
- Te amo, Edward. Boa sorte!
Eu me levantei da cama e o acompanhei até a porta, nos despedimos com outro beijo, um abraço apertado e murmurei outro ‘boa sorte’ pra ele. Tranquei a porta, peguei os dois celulares (o prateado do FBI e o outro ‘normal’) e voltei para a cama. Assim que me deitei, senti um leve reboliço na minha barriga e me lembrei que ainda não tinha falado com meus filhos naquele dia.
- Oi, meus amores! Bom dia! – acariciei minha barriga – E aí, o que estão achando de Forks? – outro cutucão – Sim, sim, a mamãe também tá gostando muito daqui. – um movimento mais intenso – O que? Ah! O papai de vocês saiu, mas não fiquem tristes, ele já, já volta ...
Aaahhh! Dei um enorme bocejo e sorri, depois os bebês pararam de mexer e eu deduzi que eles estavam tirando um cochilo. Eu já estava na 13ª semana de gestação, a cada semana, eu e Edward nos maravilhávamos com o desenvolvimento saudável da minha gestação. Somos, sem sombra de dúvidas, uma família abençoada, então cada dia, era motivo para comemorar! Depois de tantos estresses, perigos, dores e lágrimas ... nossos bebês permanecem firmes e fortes em meu útero. Não vejo a hora de saber o sexo deles.
Aaahhh! Outro bocejo! Que cama fofinha e ...
Ai, que barulhinho irritante! Abri os olhos meio desorientada e dei um pulo que me fez sentar na cama ao me deparar com o celular prateado vibrando e tocando ao meu lado. Ai, meu Deus! Meu coração parecia uma lebre e minha mão tremeu um pouco, olhei no display e li ‘A. Brandon’, respirei quase aliviada e atendi.
- Alô. – minha voz estava embargada ainda pelo sono.
- BELLA?! – ufa .. era Alice mesmo – Que voz é essa?
- Oi Alice!!! – abri um largo sorriso – Ah! Que saudades de você! Não se preocupe, eu só tava tirando um cochilo e ... Ah! Como eu sinto a falta de vocês ...
Choraminguei um pouco.
- Bella, Bella, não fique triste. Ok? Nós também sentimos muito a falta de vocês dois. Mas e aí? Como é Forks? Como estão os bebês? Cadê o Edward? Vocês já alugaram uma casa? Já compraram um bom carro e ... ?
Sorri comigo mesma ao imaginar a baixinha quicando de tanta curiosidade enquanto me inundava de perguntas. Ouvi Jasper murmurar: ‘Calma, Alice!’ e depois ouvi sua gargalhada.
- Alice! – guinchei – Forks é uma cidade linda, chove o tempo todo mais é um lugar lindo onde o verde é ... mais verde! – sorrimos – Os bebês já mexem bastante e ...
- OMG! OMG! OMG! – a baixinha gritou – Jazz, os bebês já estão mexendo!!! – ouvi ela murmurar algumas outras coisas para o namorado - Fala mais, Bella!
- Edward foi ao banco para a entrevista de emprego. Estamos comprando um ótimo carro e o corretor de imóveis ainda está procurando uma boa casa para nós. Pronto. É isso!
- Bella, na segunda feira você checa na sua conta corrente se a grana da tia Mandy já foi depositada. Ok? Ah! Sim, antes que eu me esqueça, Emmett e Rose mandaram um beijo, eles estão na Itália agora.
- Itália?!
- Sim, eles estão fazendo uma parte daquele trabalho lá.
- Mas tá tudo bem com eles? Não é perigoso?
- Pare de se preocupar, Bella! Nós estamos indo muito bem, o trabalho tem evoluído satisfatoriamente e do jeito que vai, logo, logo terminará.
- OMG! Ah! Alice! – guinchei e sorri – Será que ele termina antes dos bebês nascerem? – eu estava eufórica com a declaração dela.
- Bella ... – ouvi Alice suspirar – As coisas não são assim. Existem trabalhos como o nosso que duram anos ... – senti meu sorriso morrer – Mas nós temos sorte porque ‘deus’ e ‘nossa senhora’ estão muito empenhados em nos ajudar. Então, nada de desânimo. Ok? Nós temos tido muitos progressos, de verdade!
- Entendi, Alice. – suspirei também.
- Bom, eu tenho que desligar agora. Não ligue pra nós, a menos que seja muito importante. Na próxima semana, um de nós liga pra vocês. Beijo.
- Beijo.
Depois eu fiquei juntando as peças das palavras de Alice. Deus deveria ser M, o chefão do FBI, nossa senhora deveria ser Zafrina Miller, a chefe do serviço de proteção a testemunhas e o trabalho seria o Caso Volturi. Senti um desagradável arrepio na nuca ao me lembrar desse nome e instintivamente pus as mãos em meu ventre, num gesto de proteção.
O outro celular tocou e eu avancei sobre ele, imaginando que fosse Edward quem ligava. Era um número de desconhecido, hesitei e mordi o lábio antes de atender.
- Pronto. – tentei fazer uma voz diferente.
- Sra. Fields? – uma mulher falava.
- Sim?! Quem fala?
- Sra. Fields, aqui é Gillian, enfermeira do Forks Hospital. Só estou ligando para agendar a sua consulta de pré-natal. – relaxei de imediato – Nós temos um horário para terça-feira, às 7h30min. Tudo bem para a senhora?
- Sim está ótimo.
- Traga todos os seus exames e tente chegar um pouco mais cedo para preencher alguns formulários.
- Ok. Ah! Qual é o nome do médico que vai me acompanhar?
Mordi o lábio de novo, eu torcia para que fosse uma médica.
- Dra. Angela Weber. – uma pausa – Até a terça, Sra. Fields, tenha um bom dia.
- Obrigada.
Respirei aliviada ao saber que seria atendida por uma mulher! Olhei para o relógio na parede e vi que já passava das dez da manhã. Então eu havia cochilado mesmo. Edward ainda não tinha ligado, tomara que esteja tudo bem com ele. Bateu uma saudade enorme de meu marido, levantei da cama, catei um lanchinho no frigobar e finalmente peguei o caderninho para escrever a lista de coisas que iríamos comprar.
Fogão, geladeira, lavadora e secadora de roupas, liquidificador ... Bom, os eletrodomésticos, nós poderíamos comprar pela internet num bom site de compras que não cobre frete e ofereça descontos para pagamento à vista. Enxoval de cama, de banho ... isso vai ser fácil de providenciar. Utensílios de cozinha e móveis teriam que ser comprados pessoalmente, são o tipo de coisa que preciso olhar antes de comprar. Suponho que em Forks não haja muitas opções de lojas, teremos de ir a Port Angeles, ou talvez, Seattle. Peguei o mapa do estado de Washington e comecei a ver na contracapa dele que as maiores cidades do estado são Seattle, Tacoma e Olympia. Refiz os planos e decidi que Edward e eu teríamos que visitar essas três cidades num verdadeiro tour de compras! De Forks à Olympia, gastaríamos três horas de viagem de carro, mais meia hora, chegaríamos a Tacoma, desta até Seattle, o trajeto duraria em torno de 40 minutos.
Caraca! Contornaríamos quase todo o estado ... mas as condições das estradas são boas e nós não temos outra opção mesmo! Até porque, quanto maior o centro de compras, melhor poderemos pesquisar preços e negociar descontos! É isso mesmo! Estou seguindo quase à risca as lições do livro de orçamento familiar! O celular normal vibrou de novo, em tirando de meus pensamentos orçamentários ... Ah! Era da corretora de imóveis.
- Alô?!
- Sra. Fields?! Aqui quem fala é Jordan Morse, o corretor de imóveis da Forks Real Estate.
- Sim, Sr. Morse. E aí, achou alguma casa?
- Achei a casa perfeita para vocês! – meu coração deu um galope – Mas eu preciso que a senhora e o seu esposo estejam aqui no meu escritório hoje à tarde. Depois de vocês, eu tenho mais dois casais interessados no imóvel.
- A que horas?
- Às 15hs. Ok?
- Ok. Até lá, então.
Caraca! Cadê Edward que não aparece? Já era quase meio-dia e nada dele ligar. Resolvi por nós dois e disquei o número de seu celular, torcendo para não atrapalhar em nada. Ele atendeu no primeiro toque.
- Bella?! – sua voz era baixa, contida e alarmada – Tá tudo bem?!
- Tá, amor. Calma.
- Ah! Ok. Olha, eu já ia mesmo te ligar. É que o Sr. Miller, o gerente do banco me convidou para almoçar com ele e ...
- Tudo bem, amor! – sorri e acho que ele ficou menos tenso – Não se preocupe. Mas eu liguei pra visar que temos hora marcada com o corretor às 15hs. Ele disse que achou uma ótima casa.
- Tudo bem. Nós vamos. – ele fez uma pausa e sussurrou mais ainda - Princesa, você vai ter que almoçar sozinha hoje ... Te amo. Preciso desligar agora.
- Vai lá. Também te amo.
Peguei uma bolsa pequena, coloquei nela minha carteira e os dois celulares. Peguei uma capa de chuva e sai do quarto, a minha intenção não era almoçar no restaurante do motel. No dia anterior, nós havíamos almoçado num pequeno restaurante próximo do motel e eu gostei muito de lá. Parecia um trailer gigante, a comida era ótima e as pessoas também. A chuva estava fina e em menos de dez minutos, cheguei ao Martha’s home cooking. Assim que entrei, a gentil garçonete que nos atendeu no dia anterior veio me cumprimentar.
- Olá, Sra. Fields! Gostaria de ver o cardápio?
Fiquei espantada! A mulher já havia decorado meu nome! Sorri pra ela e assenti. Tentei ler seu nome no crachá.
- Oi, Maggie! – ela sorriu para mim – Sim, obrigada.
Escolhi brotos de feijão branco, tirinhas de carne com legumes e uma salada de grão de bico, além de um copo de suco de uva. A comida chegou logo, enquanto Maggie me servia, minha boca salivava e eu já sentia o prazer antecipado de saborear uma boa refeição. Eu estava sentada de costas para a porta e quando dei a primeira garfada, senti que meus dentes trincaram no aço do garfo ao ouvir aquela voz de pateta de novo.
- Isabella?! Ah! Minha linda é você!
Puta que pariu! Eu só olhei para ter certeza que era Mike Newton quem caminhava na minha direção ... E eu não tinha reparado antes, mas como ele é alto! Sei lá, não é feio, mas é ... estranho ... me faz lembrar o Professor Girafales, só que loiro e de olhos azuis!
- Posso te fazer companhia?!
Ele vasculhou rapidamente o pequeno ambiente restaurante, talvez para se certificar de que Edward não estivesse comigo e depois seus olhos pedintes esperavam por uma resposta minha.
‘Avestruz!’ foi o que pensei. Queria me esconder de Mike Newton, com certeza Edward não iria gostar de saber que almoçamos juntos. Mas seu pedido me pegou de surpresa, além do mais, só estávamos almoçando e num lugar apinhado de gente.
- Tudo bem, Sr. Newton! – resolvi manter o tom formal.
- Oh! Por favor, pode me chamar de Mike!
- E você pode me chamar de Sra. Fields. Ok?
Mike apenas sorriu e assentiu, mas eu tive certeza absoluta que ele não acataria meu pedido.
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*POV EDWARD*
Bella me ajudou muito! Sinceramente, não sei o que seria de mim sem ela. Eu me sentia uma criança chorona com medo do primeiro dia de aula! Tudo o que eu mais queria era me esconder! Enquanto tomava banho, me xingava em pensamentos: ‘Edward você é um homem ou um rato?! Nem um, nem outro, eu me sinto uma avestruz, preciso urgentemente de um buraco no chão para esconder minha cabeça!’
Quem pensa que o homem, num relacionamento, sempre tem a palavra final está estupidamente enganado. Homens e mulheres são igualmente inseguros, sentem as mesmas pressões e estão sujeitos às mesmas falhas. O que muda é que, numa sociedade machista, a outra face da moeda é que o homem é considerado ‘o cabeça’, o líder da família, o cara que põe a comida no prato da esposa e dos filhos, a pessoa que não pode falhar porque todos contam com ele. O ruim disso tudo é que muitos homens não agüentam a pressão e acabam explodindo de vez ou se fechando hermeticamente numa máscara fria e insensível. Comigo e Bella não é assim (graças a Deus) nosso relacionamento sempre foi muito transparente, mas a desvantagem disso é que não é fácil fingir ou disfarçar meus sentimentos pra ela. Não tinha como eu negar que estava super nervoso para a entrevista de emprego e ela percebeu. Bella me disse várias palavras de incentivo, fez questão de separar minhas roupas (até que fiquei apresentável), fez de tudo para eu me sentir melhor.
Mas eu não estava! Ela até me chamou de rabugento! Na hora foi engraçado, seu sorriso, ao fazer piada da minha situação foi contagiante. Mas eu tinha outro motivo para ficar tenso, não queria que minha esposa grávida ficasse sozinha numa cidade estranha. Não havia nada que eu pudesse fazer, como diz o ditado ‘o que não tem remédio, remediado está’. Depois de tomarmos café da manhã, deixei Bella no quarto e parti rumo ao Bank of the West. Eu mal entrei na pick-up e cinco minutos depois já estacionava o veículo na frente do banco, que ficava na mesma avenida do motel. Lembrei do corretor que estava procurando uma casa para nós, seria muito cômodo se ele encontrasse uma casa nas imediações do banco. Respirei fundo, desliguei o motor do carro, ocupei minha mente com palavras de ânimo e uma rápida prece a Deus. Cruzei a porta dourada da agência bancária e me deparei com alguns caixas eletrônicos, havia uma porta giratória com detector de metais, deixei meus pertences na caixa ao lado e entrei. Um segurança estava ao lado da porta giratória, um homem alto, forte, moreno e de cara fechada.
- Bom dia. – ele apenas assentiu com a cabeça e me observou recolher meus pertences da caixa de acrílico – Eu sou Edward Fields e tenho hora marcada com o Sr. Harry Miller.
- A sala do Sr. Miller fica no segundo andar. – ele apontou para as escadas.
- Obrigado.
Girei meus calcanhares e subi as escadas, três minutos depois cheguei a uma pequena recepção. Nela havia uma jovem senhora, loira e de cabelos curtinhos sentada atrás de uma mesa, ela estava ao telefone e não me viu se aproximar. Deduzi que ela era a secretária do Sr. Harry Miller.
- Bom dia. – falei quando ela terminou a ligação e ergueu a cabeça.
- Bom-bom dia ...
Meu Deus?! O que foi? A mulher me olhou como se eu estivesse nu ou se tivesse me esquecido de vestir a calça ... Não tenho certeza mas acho que corei.
- Eu sou Edward Fields e tenho hora marcada com o Sr. Harry Miller.
- Ah ... sim ... o Harry ...
Eu já estava prestes a perguntar se aquela mulher estava passando bem, parecia que ela tinha tido uma súbita queda de pressão ... ou então ela era mesmo ‘devagar’. O telefone em sua mesa tocou, despertando-a do transe.
- Oi Harry. – uma pausa – Ainda não. Ok. – outra pausa – A propósito, o Sr. Fields está aqui, ele disse que tem hora marcada.
Ela pôs o telefone no gancho e me encarou por uns cinco segundos a mais do que uma pessoa em seu estado normal o faria, depois piscou os olhos várias vezes.
- Harry disse que você pode entrar. – ela apontou para a porta no lado esquerdo de sua mesa.
- Obrigado. – bati na porta de leve e abri-a.
Ao entrar no escritório, um senhor de meia-idade, olhos pretos, pele acobreada e cabelos grisalhos sorria para mim. Ele saiu de trás de sua mesa e deu dois passos até mim. Percebi que Harry era um cara um pouco gorducho, baixinho e usava um terno elegante.
- Bom dia, filho! – ele estendeu a mão – Zafrina me ligou no mês passado e me falou de você ...
Sorri para ele e assenti. Em vez de me convidar para sentar numa cadeira em frente à sua mesa, fez sinal para que eu sentasse no sofá de couro marrom, ele sentou numa poltrona clara em frente a mim.
- Então? O que posso fazer por você, Edward?! Posso te chamar de Edward, não é?!
Puta merda! Aquela pergunta dele me pegou desprevenido. Alice disse que Zafrina havia conseguido um emprego pra mim no telemarketing de um banco. ‘Calma Edward’, pensei.
- Sim, o senhor pode me chamar de Edward. – ele sorriu.
- Certo, certo, filho. – ele se inclinou para frente – E você pode me chamar de Harry. Ah! Só um instante.
Harry se levantou da poltrona e se dirigiu à mesa, pegou o telefone e murmurou algo que não entendi.
- Então, Edward, o que posso fazer por você? – ele repetiu a pergunta ao se sentar novamente na poltrona.
- (...)
Quando eu abri a boca pra dizer o que eu não fazia a menor idéia, fui salvo pelo gongo. A secretária entrou trazendo uma bandeja de café.
- Edward, esta é Kate Graham, minha secretária e amiga de infância. – ele se virou para a mulher que o servia – Kate, você já sabe quem é ele.
- É um prazer conhecê-lo. – dessa vez ela não me encarou, parecia até estar envergonhada enquanto me entregava uma xícara de café.
- Igualmente, Sra. Graham. – em seu dedo anelar esquerdo havia uma discreta aliança dourada.
A mulher fez uma enorme careta quando Harry bebeu café preto.
- Harry! Cuidado com a cafeína! Você tem que beber menos café ...
- Por Deus, Kate! Você parece a Molly!
A secretária sorriu e balançou a cabeça em sinal de desaprovação, se despediu de nós e saiu. Harry bebeu outro gole de café e antes que repetisse a pergunta pela terceira vez, tratei de falar. Optei pela verdade.
- Harry, eu não conheço Zafrina Miller. Alguns amigos meus a conhecem e foi através deles que fiquei sabendo que ela havia arranjado um emprego para mim no setor de telemarketing do banco.
- Oh! Mas essa vaga já foi preenchida! Desculpe, filho. Zafrina demorou muito a mandar você aqui. – ele se moveu na poltrona e pareceu perdido nos próprios pensamentos.
Meu. Deus. Do. Céu. Senti uma forte pontada na minha cabeça e pensei: to fudido.
- Você trouxe seu currículo?
- Não ... eu, na verdade nem tenho nenhum.
- Certo. – Harry se inclinou mais na cadeira e começou a sussurrar – Filho, eu sei porque você está em Forks. – fiquei alarmado – Calma, Edward! Eu sei que minha irmã me pediu para fazer o possível para te ajudar. Graças a Deus, Zafrina me polpa dos detalhes de seu trabalho. – ele se recostou na poltrona novamente – Fale-me de você, de sua formação escolar, do que você sabe sobre finanças e serviços bancários.
‘Muito fudido’ pensei e senti minhas pernas tremerem.
- Harry, preciso ser honesto com você. – respirei fundo – Antes de vir pra cá, eu cursava o segundo ano da faculdade de medicina. Tudo o que eu sei sobre serviços bancários é o que qualquer cliente sabe. Mas eu posso aprender, não sou um gênio, mas costumava tirar boas notas na escola.
- Algo mais?! – o rosto dele tinha uma expressão insondável.
Resolvi apelar.
- Olha, Harry, eu preciso muito de um trabalho. Eu acabei de me casar e minha esposa está grávida de gêmeos. Não quero que pense que isso seja razão suficiente para você empregar alguém despreparado como eu, mas isso é razão suficiente para eu aprender o que for preciso aprender. – falei tudo num fôlego só – Eu falo fluentemente três idiomas e ...
- Fluentemente? – assenti com a cabeça – Quais?
- Espanhol, italiano e alemão, mas eu tenho noções de francês também.
- Muito bom! – ele sorriu e eu parei de tremer - Warum haben Sie Deutsch? (n/a: Por que você escolheu alemão?)
- Meine Mutter gesprochen, und ich beschloss, zu lernen. Es ist eine faszinierende Sprache. (n/a: Minha mãe falava e eu decidi aprender também. É um idioma intrigante.)
- Ok. Estou convencido. Vamos fazer o seguinte. – ele se levantou da poltrona e começou a andar enquanto falava – Você vai digitar rapidamente o seu currículo, use o computador da Kate para isso. Eu vou tomar algumas providências.
Levantei da cadeira e assenti, caminhamos até a porta de seu escritório.
- Kate? – ela levantou o olhar e nos fitou – Ajude Edward a fazer um currículo básico. Enquanto isso, eu vou fazer uma ligações importantes para o escritório de negócios em Seattle.
A gentil secretária me cedeu seu lugar e eu comecei a digitar meus dados pessoais numa tela do Word, ela estava de pé, atrás de mim, lendo tudo.
- Sr. Fields, espere um pouco, nós temos um modelo de currículo padrão. – ela se inclinou um pouco, pegou o mouse e abriu outro arquivo – Pronto. Agora é só inserir seus dados pessoais nessa página aqui.
Pelo que percebi, naquele currículo estava escrito que eu tinha cursado até o ensino médio e que falava espanhol. Também estava escrito que eu fiz o curso on-line de Finanças corporativas, técnicas bancárias e serviços bancários. Aquilo era um curso de 360 horas, ministrado pela Escola de Finanças da Bolsa de Valores de New York.
- Sra. Graham, eu nunca fiz esse curso.
- Você pode me chamar de Kate. – ela sorriu – Não fez, mas fará, anote o endereço do site e comece a estudar. Boa sorte.
- Obrigado.
- Sr. Fields ... – ela parecia sem graça – Desculpe pelo meu comportamento logo cedo. Eu sou uma mulher muito feliz no casamento, mas você me deixou atônita. Você é muito bonito, deveria seguir carreira de modelo ou ator de Hollywood. – ela fitava o vazio enquanto falava - E você tem a idade de meu filho e ...
- Tá tudo bem, Kate. Ah! Você pode me chamar de Edward. – sorri pra ela – Mas você é jovem para ter um filho de 22 anos!
Ela sorriu mais ainda.
- Engravidei aos 20 anos! Meu Christian está na faculdade agora!
- Minha esposa também está grávida. São gêmeos!
- Oh! Parabéns, Edward! Vocês já sabem o sexo?
- Ainda não. Ela só está na 13ª semana, mas serão gêmeos idênticos.
O telefone tocou e ela atendeu rapidamente.
- Edward, Harry está te chamando.
Entrei novamente na sala e Harry fez sinal para que eu me sentasse na cadeira em frente à sua mesa. Ele estava ao telefone com alguém. A ligação durou uns cinco minutos e eu não consegui prestar atenção ao teor da conversa de tão nervoso que estava.
- Conseguimos algo melhor que telemarketing para você, filho. – Harry me olhava nos olhos – Você vai trabalhar com a Kate. Há meses ela vem me importunando, dizendo que precisa de um assistente. O serviço é muito fácil, embora seja intenso, você basicamente vai ser um auxiliar de escritório. Vai trabalhar quarenta horas por semana e seu salário inicial anual vai ser de U$ 48.000,00. O banco ainda oferece seguro saúde para o empregado, o cônjuge e filhos menores de 18 anos. O pessoal do RH vai te esclarecer como tudo funciona.
Ô meu Deus! Obrigado meu Pai! Eu quase chorei de tanta emoção. Eu tinha vontade de ligar pra Bella na mesma hora e contar as novidades, na verdade, eu queria que ela estivesse ao meu lado, dividindo aquela boa notícia comigo.
- Obrigado, Harry.
- Ok. Agora preciso saber mais a seu respeito, Edward. Faça um breve resumo de sua vida nesse momento.
Eu fiz o resumo da vida de Edward Fields. Um cara desempregado, 22 anos (a idade falsa que consta nos meus novos documentos), casado, futuro pai de gêmeos. Contei que estávamos procurando casa para alugar, mas que ainda não tínhamos um móvel sequer e etc. e tal ...
- Então, vamos fazer o seguinte. – Harry olhou para o relógio – Vamos almoçar juntos no restaurante onde costumo comer. Assim a gente pode trocar umas idéias. Eu nasci aqui em Forks, posso te dizer mais ou menos como essa cidadezinha verde funciona.
O meu celular tocou e eu fiquei meio constrangido em atender, mas era Bella, me dizendo que o corretor de imóveis havia ligado pra falar a respeito de uma casa. Eu me desculpei com ela, dizendo que não poderíamos almoçar juntos e desliguei rapidamente.
- Desculpe, Harry. É que a minha esposa ficou sozinha no motel onde estamos hospedados.
- Não se preocupe, Edward. A minha mulher quando estava grávida também me enchia de preocupações.
Sorri para ele e saímos do banco logo em seguida. O nosso destino era o restaurante de comida árabe que ficava a menos de 100 metros do banco. A caminhada foi tranqüila, não chovia naquela hora. Tudo parecia bem, eu já tinha um emprego e minha família já tinha seguro saúde. Com sorte, a casa indicada pelo corretor seria boa para nós.
*FIM DO POV EDWARD*
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- Mas o que é tão difícil para você entender, Mike? – as idéias estúpidas dele eram tão ridículas que chegavam a ser engraçadas.
- Eu não consigo entender como uma garota jovem e linda como você resolveu se casar tão cedo e com o primeiro cara que apareceu na sua frente!
A princípio, a companhia de Mike Newton durante o almoço tinha sido até agradável. Ele me contou que havia nascido e crescido em Forks, era filho único, tinha 28 anos, era formado em administração de empresas pela Universidade Estadual de Utah. Depois de se formar, ele abriu uma loja de material esportivo em Salt Lake City em sociedade com a noiva, mas o noivado acabou e ele resolveu desfazer a sociedade e voltar para Forks. Seus pais eram donos de um dos dois supermercados da cidade, o Newton’s e Mike decidiu entrar para os negócios da família.
- Mike, eu me casei por amor! – ele tinha um olhar cético – No mesmo dia que fui pedida em casamento, descobri que estava grávida. Eu e Edward somos namorados desde sempre e não imagino a minha vida sem ele ...
- Você sofre da falta de opções ... Talvez se você tivesse tido a chance de conhecer outros caras mais experientes e com outra visão do mundo, você pensaria diferente ...
Puta que pariu, de novo! Mike Newton já estava me dando nos nervos.
- O índice de divórcios entre jovens casais aumentou 16% na última década. Se o casal tem menos de 25 anos, filhos pequenos e uma renda anual inferior a U$ 100 mil, a taxa sobe para 39%. Na maioria dos casos são os parceiros que abandonam suas esposas. – ele falou tudo num fôlego só – Eu não estou dizendo que seu marido vai te abandonar, mas ...
- Você. Não. Sabe. Nada. Sobre. Meu. Marido. – sibilei entredentes e devo ter lançado um olhar homicida para o idiota porque ele arregalou os olhos.
Um silêncio desagradável se estabeleceu em nossa mesa. Eu ainda o encarava com um olhar nada amistoso e ele fazia cara de paisagem pra mim.
- O almoço estava de seu agrado, Sra. Fields? – levantei o olhar e percebi que Maggie estava de pé, ao lado de nossa mesa.
- Sim, Maggie, tudo estava uma delícia.
- E você Mike? – ela sorriu zombeteira – Não está importunando a Sra. Fields, não é?
- Claro que não!!! – ele sorriu.
ARGH! Idiota!
- Bom, eu já vou indo. – levantei da mesa e peguei a comanda onde estava discriminado o valor a pagar pela refeição – Com licença, Mike. Até logo, Maggie.
O miserável também se levantou, se despediu rapidamente de Maggie e me seguiu. Resolvi ignorá-lo enquanto aguardava na fila para fazer o pagamento do almoço. As pessoas no restaurante pareciam conhecer Mike desde sempre e todos o cumprimentavam animadamente. Julguei que ele não era uma cara mal, apenas chato e inconveniente. Quando chegou a minha vez, ele se ofereceu para pagar, mas é lógico que não aceitei. Alex, o funcionário do caixa não tinha troco para me dar e eu tive que esperar ele receber o pagamento de Mike, os dois pareciam ser amigos de infância.
- Você ainda pega onda, Mike?
- Às vezes.
- Por que não vem conosco amanhã. A previsão do tempo vai estar boa e as ondas serão perfeitas ... como nos velhos tempos. – o funcionário olhou para mim – Sra. Fields, eu pedi que Martha trouxesse seu troco. Ok?
Assenti para ele.
- Talvez eu vá. – Mike respondeu.
- A Sra. Fields já teve a oportunidade de conhecer La Push? - Alex me perguntou.
- La Push?! O que isso significa? – perguntei desconfiada.
- La Push é ... La Push ... – Mike falou numa voz completamente afetada.
(n/a: eu não poderia deixar de colocar essa fala na minha fic ashuashuashua)
- Hei, Mike! Que voz de viado é essa cara? – Alex falou e eu não resisti, comecei a rir – Não ligue para o Mike, Sra. Fields. Ele é doido mesmo. La Push é a reserva dos índios Quileutes, fica a uns 20 minutos daqui. O lugar é muito bonito, além de reserva indígena é uma reserva florestal também e as praias são lindas, perfeitas para o surfe ou para um simples passeio. Tenho certeza que a senhora e seu esposo apreciarão muito o lugar.
Martha, a dona do restaurante chegou com algumas notas de dólares e umas moedas, entregando-as a Alex.
- Obrigada pela dica, Alex.
Ele sorriu, entregou meu troco e se desculpou pela demora. Eu me despedi rapidamente dele e de Mike e sai do restaurante. Já de volta ao motel, peguei a chave de meu quarto e me encaminhei para lá. Eu me sentia cansada ... Escovei os dentes, vesti moletons fofinhos e resolvi tirar um cochilo, programei o despertador do celular para que acordar às 14hs. Se Edward ainda não tivesse chegado, eu teria que ligar pra ele de novo ...
Não sei se dormi muito, mas acordei com o celular tocando e vibrando sobre o criado mudo. Atendi meio grogue, era Edward dizendo que já estava a caminho, sorri, eu estava morrendo de saudades dele. Minutos depois, o amor da minha vida me saudava com um beijo quente e cheio de carinho.
- Eu tenho um emprego, Sra. Fields! – os olhos de Edward eram de um tom de verde que exibia toda a sua felicidade – Você e os bebês já têm seguro saúde.
- Parabéns, amor! – abracei-o com carinho – Eu sabia que você conseguiria!
Edward me contou tudo o que tinha acontecido na entrevista e do pânico que sentiu quando o Sr. Miller falou que a antiga vaga já tinha sido preenchida. Mas no final, tudo deu certo!
- Quando você começa?
- Ah! O Harry disse que eu tirasse essa semana para estudar e resolver tudo o que eu puder a respeito de nossa moradia. Ele deixou bem claro que teremos que viajar até as maiores cidades para comprar tudo o que um lar necessita. Também me poupou de viajar até Port Angeles para pagar pelo carro. Com um único telefonema, ele ligou para o Sr. Cameron, que por sinal é amigo dele e combinou que na próxima segunda-feira eu vou até o banco apenas para fazer um depósito na conta corrente dele e pagar a primeira prestação do carro.
- Mas isso é ótimo, Ed! Você vai estudar? – ele assentiu – O quê?
- Vou ter fazer um curso on line de 360 horas! É sobre finanças, após a conclusão do curso, eu envio o meu relatório via web para a instituição e eles enviam de volta pra mim, um certificado digital. – Edward falou um fôlego só – Eu preciso entregar esse certificado digital, via e-mail, para o RH do banco na segunda-feira, 22 de março.
- Caramba ... você só tem 10 dias pra fazer isso ... Co-como você vai assistir 360 horas de aula?
- Não são 360 horas na prática. – ele sorria torto e afagava meu rosto – Eu preciso ler uma apostila enorme, fazer as lições via web, no final de cada capítulo, devo fazer uma resenha e ao final do curso, devo apresentar um relatório de no mínimo 20 páginas.
- Ah! Só isso?! Que fácil ... – murmurei.
- Não é o fim do mundo, mas vou precisar comprar um notebook amanhã mesmo. – assenti pra ele – Já que não precisaremos ir a Port Angeles, o que você acha de irmos a Olympia ou Tacoma, talvez até Seattle, amanhã?
- Acho ótimo! Preciso comprar algumas roupas, Edward. Urgente! – apontei para minha barriga ele sorriu, depois se ajoelhou e começou a beijá-la.
- Bebês? É o papai? – outro beijo – Eu estava morrendo de saudades de vocês e ...
OMG! Eu me derreto toda quando Edward conversa com eles ...
O celular dele tocou, interrompendo seu ‘diálogo’ com nossos filhos (ou filhas). Pelo teor da conversa, percebi que era o corretor. Mas ainda estava cedo, me perguntei se ele havia desistido da casa.
- Bella, o Sr. Morse está querendo saber se podemos ir agora. – assenti para ele.
No carro percebi uma enorme apostila jogada sobre o banco, aquela devi ser a ‘tarefa’ da semana de Edward.
- Harry pediu a sua secretária que imprimisse isso aí pra mim. – Ed suspirou – Pra que eu não perdesse muito tempo em começar a estudar.
-Foi muita gentileza dele ...
- Foi mesmo.
Chegamos à imobiliária e o Sr. Morse nos aguardava, ansioso. Seguimos no carro dele em direção à área noroeste da cidade, onde as casas são todas iguais, de um único pavimento, como eu havia pedido.
- A casa estava sendo reformada pelo dono, Otis Pringles, um grande amigo meu. Ele a esposa moram em Vancouver, no Canadá e Otis pensava em voltar para Forks. Mas a esposa o ameaçou com um pedido de divórcio caso Otis resolvesse trazê-la pra cá. – o corretor sorriu – Então, a casa está novinha em folha, a cozinha e a área de serviço estão totalmente equipadas e ...
Enquanto o corretor falava, eu torcia para que a casa fosse mesmo a ideal. Entramos numa rua muito bonita, limpa, havia lindas casas de um lado e de outro, algumas eram brancas, outras amarelas, azuis, rosas, verdes. Todas tinham a fachada de madeira e eram muito charmosas. A rua era enorme e no final dela, eu podia avistar uma grande praça, um jardim muito verde e uma pista de cooper. Havia pessoas caminhando, crianças brincando ... imaginei meus bebês naquele jardim.
O Sr. Morse estacionou o carro em frente à última casa da rua, ela ficava do lado esquerdo, tinha uma grama muito verde, havia um enorme arbusto de jasmim na entrada dela. Era branca e linda!
Saímos do carro e entrelacei minha mão na de Edward. Meu coração estava acelerado, eu ainda não tinha vista a casa por dentro, mas me afeiçoei a ela de imediato.
- Amor? – sussurrei e ele se inclinou para me ouvir – Achamos a nossa casa!
