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- Paradise

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- Música Das Sombras - adaptação do livro homônimo. (Fic concluída)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Vem Comigo, Amor - Capítulo Bônus

Deserção (Capítulo Bônus)

POV JASPER

No dia 14 de Abril de 2011, saímos de Annapolis em direção a Essex, no estado de Mariland, onde o excêntrico TJ morava. O velho ‘sabe tudo’ queria nos ver com urgência, então deixamos tudo o que estávamos fazendo e pegamos a estrada. Rose dirigia, Emmett ia no banco da frente com ela, eu e Alice no banco de trás.
Estressado e preocupado, como sempre, eu refazia na minha cabeça toda a linha de investigação do Caso Volturi. Após meses de trabalho nós ainda não tínhamos a peça chave que fizesse algum juiz decretar a prisão de nenhum daqueles canalhas. Sim, nós ainda tínhamos Vladmir Kasalavich, ele era o nosso melhor trunfo contra os King e os Volturi.

FLASH BACK
Quase ninguém sabia de nada, mas ‘o senhor da guerra’ havia sido preso numa operação conjunta das polícias tcheca, russa e alemã. O traficante de armas mais poderoso do mundo estava numa prisão tcheca, prestes a ser extraditado ao seu país, a Rússia.
Uma hora após a prisão de Vladmir Kasalavich, mais conhecido como ‘o senhor da guerra’, agentes americanos na República Tcheca informaram ao embaixador americano todas as circunstancias da operação. Os Estados Unidos acusavam ‘o senhor da guerra’ de terrorismo por ter participado de negociações para fornecer armas a grupos terroristas, ordenar a execução de dois oficiais norte-americanos no Egito em 1997 e contrabandear mísseis antiaéreos de fabricação americana. A CIA também tem documentos sigilosos que comprovam ainda que ele tenha fortes ligações comerciais com o ex-presidente da Libéria, Saidd Al-Mash, atualmente julgado e condenado pelo Tribunal Penal Internacional, em Haia, por crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
O cara era uma ‘fofura’ de pessoa e se ele fosse julgado em nosso país seria condenado à prisão perpétua. Em poucos minutos o secretário de Estado norte americano já tentava costurar com o governo tcheco a extradição de Kasalavich. Mas o governo tcheco anunciou no dia seguinte que não estava nos planos dele fazer a extradição, já que a prisão do senhor da guerra implicaria, ‘na ordem natural das coisas’ que ele fosse transferido ao seu país de origem e que lá fosse processado, julgado e condenado. Os tchecos ‘tiraram o fiofó da reta’ ao sugerir que o governo americano tratasse da extradição diretamente com o governo russo.
Antes mesmo de eu e Emmett chegarmos à Rússia, a justiça desse país alegou ao governo americano que a prisão de Vladmir Kasalavich era repleta de complexos trâmites judiciários e que a extradição estava fora de questão por enquanto. Diante da lentidão da justiça russa e do iminente risco de vida que Kasalavich corria (sim, ele tinha inimigos inclusive no governo russo e mesmo estando sob tutela do estado, corria risco de vida... o homem sabia demais), M não teve alternativa, a não ser nos mandar para a Rússia.
Em Setembro de 2010 eu e Emmett tínhamos ido a São Petersburgo para acompanhar de perto as investigações sobre ‘o senhor da guerra’ em seu país. O cara era mesmo uma figura mitológica, procurado em dezenas de países, acusado de tráfico internacional de armas, associação ao terrorismo e lavagem de dinheiro, ele era igualmente protegido por outras dezenas de países, cujos espúrios governos faziam associações criminosas com ele.
A prisão de Vladmir tinha sido uma grande vitória, já que nos últimos anos ele vivia medindo forças com os Volturi na perigosa queda de braço do tráfico internacional de armas. Ao que parece, os Volturi estavam roubando os clientes de Vladmir, fazendo-o perder bilhões de dólares.
Eu e Emmett chegamos a uma linda São Petersburgo numa manhã de primavera. O sol amigo brilhava e as flores enfeitavam os parques daquela cidade histórica e ao mesmo tempo moderna. Mas era difícil se sentir à vontade estando do outro lado do mundo, andando naquelas ruas estreitas de tijolos escuros, freqüentando restaurantes onde os cafés pareciam ser coados em meias sujas e onde as pessoas falavam um idioma absolutamente estranho. Era difícil me livrar do bolo de angústia que invadia meu estômago, fazendo minha garganta inchar, toda vez que eu me lembrava de Edward, Bella e os bebês... Como eu queria ajudar meus amigos! Às vezes eu me pegava tentando ficar no lugar deles, imaginando eu, Alice e nossos filhos naquela situação... era difícil! Sem contar que estávamos prá lá de tensos, a missão era convencer Vladmir a dizer o que sabia... Missão quase impossível!
A polícia russa foi fria, intransigente e indiferente ao nosso pedido. Tudo o que a gente queria era conversar com Vladmir e propor a ele que fosse aos Estados Unidos para testemunhar contra os King e os Volturi. O miserável negou veementemente nos receber e disse que não falaria com os americanos sob hipótese nenhuma. As coisas ficaram tensas quando na nossa terceira tentativa, um oficial russo nos acusou de estar tumultuando os trabalhos da polícia local e quase nos deu voz de prisão. Na verdade ele deu, mas voltou atrás e nos liberou.
Enquanto isso, M trabalhava nos corredores da Casa Branca, buscando apoio, solicitando urgência, pedido sigilo...
Uma inusitada reunião na sala oval da Casa Branca reuniu o Presidente dos Estados Unidos, o Secretário de Defesa, a Secretária de Estado, o diretor da CIA e M, o presidente do FBI. Nessa reunião, sob a autorização do Secretário de Defesa, M precisou abrir o jogo com todos eles e contar em detalhes a Operação Volturi. Mais do que isso, ele precisava convencer a todos que Vladmir Kasalavich precisava ser extraditado.
Outras conversas diplomáticas se seguiram com o governo russo, mas não houve avanço e por fim, eles bloquearam definitivamente a extradição de Kasalavich. Mas dizem que dinheiro compra tudo, depois que alguns assuntos comerciais que estavam parados há meses envolvendo os dois países foram feitos, o governo russo concordou em receber representantes da justiça americana em seu país para tentar conversar com ‘o senhor da guerra’ e colher dele qualquer depoimento ou testemunho que os americanos julgassem necessário.
Mas a extradição estava fora de questão.
Com isso, M precisou correr atrás do poder Judiciário. O empecilho da vez era saber se um depoimento e um testemunho de Kasalavich feito por vídeo conferência ou gravação teriam valor legal no processo que seria instaurado contra os King e os Volturi. Em nome do princípio constitucional da separação dos poderes, o máximo que o Secretário de Defesa pode fazer foi pedir à Suprema Corte que deliberasse sobre o assunto com a máxima urgência possível.
Três dias depois o judiciário expedia uma súmula estabelecendo que nos processos civis e penais dali por diante poderiam compor testemunhos e depoimentos feitos por meio eletrônico de comunicação ou gravação desde que fossem observadas algumas peculiaridades.
O próprio M voou até São Petersburgo para colher o testemunho de Kasalavich.
A queda de braço com a diplomacia russa foi deixada de lado, bastava Kasalavich abrir a boca que tudo estaria gravado em DVD’s. Os russos entenderam que nós já não queríamos ‘o senhor da guerra’ atrás das grades a todo custo e abandonaram sua postura hostil. O reencontro com M me encheu de esperança e fez Emmett ficar mais confiante.
No dia marcado, chegamos ao presídio onde Kasalavich estava e finalmente nos encontramos. Ele era um homem alto e magro, cabelos e barba ruiva, 42 anos, fluente em seis idiomas e dono de pelo menos 10 identidades falsas. Sua postura serena, seu tom de voz macio, sua impecável educação o faziam parecer um professor, médico ou até advogado, menos o cara acusado de usar sua frota de aviões cargueiros e navios mercantes para transportar armas para a África, a América do Sul e o Oriente Médio.
O mais engraçado disso tudo é que muitos de seus aviões e navios já ajudaram as missões de paz das Nações Unidas, da Cruz Vermelha Internacional e da Organização Não Governamental Médicos Sem Fronteiras em vários lugares, principalmente na Guerra da Iugoslávia, na década de 90.
O outro lado da moeda era que o governo americano (diga-se de passagem, nós do FBI) tinha provas contundentes que Kasalavich se associou aos Volturi (antes de eles cortarem relações) durante a Guerra Irã-Iraque e a Guerra do Golfo. As armas das duas organizações criminosas alimentaram os conflitos, fornecendo todo o material bélico dos oponentes.
O que deixou ‘o senhor da guerra’ puto da vida foi que nos recentes conflitos no Afeganistão, em Angola, na República Democrática do Congo, em Ruanda, no Sudão e em Serra Leoa, os Volturi foram com tudo e conseguiram roubar seus clientes. Nesses estados Kasalavich tinha importantes aliados, mas aos poucos estava perdendo prestígio, dinheiro e poder.
Depois de quase duas horas de conversa, o ex-oficial da aeronáutica soviética Vladmir Yuri Kasalavich concordava em testemunhar contra os Volturi, mas não contra Royce King e Royce King II, visto que ele não nunca teve ligação alguma com os renomados ex-presidentes americanos. Mas... tinha que ter um ‘mas’... ‘O senhor da guerra’ exigia em troca que o governo americano retirasse todas as acusações que pesavam contra ele.
M pensou rápido e viu que era pegar ou largar. Um aperto de mão entre mocinho-e-bandido selou o acordo. No dia seguinte, nós três voltamos ao presídio munidos de diversos gravadores e câmeras digitais, para colher seu testemunho.
O material que tínhamos nas mãos era farto, muito farto. Tudo o que fizemos, durante quatorze horas de gravação, foi perguntar a Vladmir Kasalavich sobre fatos, fotos, cifras, contas bancárias, negócios feitos com os Volturi. Ele cooperou e se mostrou bastante tranqüilo, o detector de mentiras não captou alterações em seu discurso. Precisamente, ele apontava os fatos e citava nomes, desde o falecido Francesco Volturi (patriarca da família) até a jovem Jane Volturi, todo mundo tava envolvido. Ele narrava os acontecimentos e se implicava e implicava os Volturi, cada vez mais no poderoso negócio de tráfico internacional de armas. Seu testemunho era uma ponte importante para ligar tantos fatos e pessoas, mas ainda não era o suficiente.

FIM DO FLASH BACK

- Acorda, Jasper? Tá sonhando acordado? – meu cunhando irritantemente feliz me trouxe ao presente.
Quando dei por mim, estávamos em Essex próximos à rua onde TJ morava. Rose virou numa rua e parou o carro diante da casinha amarela onde o velho morava. Descemos do carro em total vigilância, discretamente, cada um de nós segurava a arma escondida sob nossos casacos. Mais uma vez não precisamos tocar a campanhia, o velhote abriu a porta para nós e nos recebeu com um sorriso cauteloso.
Não houve saudações, nós entramos, ele fechou a porta e o seguimos até a cozinha de sua casa. Sobre a enorme mesa quadrada havia um gigantesco mapa da Europa, também havia um notebook, algumas fotos, passagens aéreas e várias anotações numa folha de papel.
- Eu chamei vocês aqui para acertarmos nossa viagem. – ele falou e nenhum de nós abriu a boca – Temos a oportunidade única de trazer um Volturi para o nosso lado.
- O quê? – Rose e Alice disseram em coro.
- Renata Volturi resolveu desertar de vez, trair os seus, abandonar os negócios sujos da família... – ele puxou uma cadeira e se sentou – Enfim, a doidivanas que ‘mudar de vida’, nas palavras de Gregorio. Naturalmente vocês se lembram de Gregorio, não é mesmo?
- O falso padre que é confessor de Renata. – falei – Mas ela vai mesmo renegar a família? – eu ainda estava cético.
- Temos que armar um teatro, Jasper. – ele continuou – Ao que parece, Gregorio apelou para o fervor religioso da mulher, fazendo-a entender que deixaria sua família terrena para se unir a sua família espiritual. Ela acha que vai ser aceita num convento, onde encontrará paz e absolvição pelos seus pecados e de onde esperará tranquilamente pelo dia do ‘juízo final’ – ele fez um sinal de aspas com as duas mãos – quando estará diante de um tribunal para testemunhar contra sua família.
- Ela vai mesmo testemunhar no caso? – Alice perguntou perplexa – Testemunhar contra seu marido, tios e irmãs? Ela também pode ser presa e...
- Ela sente que Deus está mandando-a fazer isso... Além disso, vocês precisam costurar com o FBI a delação premiada dela, pedindo uma redução em sua pena. – TJ falou.
- Isso não é problema. – sentenciei.
- Precisamos aproveitar enquanto ela está ouvindo a voz de Deus. – Rose falou.
- Antes que ela comece a ouvir a voz do diabo... – Emmett zoou, fazendo Rose e Alice sorri.
- O que devemos fazer? – fui direto ao assunto.
- Vamos para Volterra. – TJ explicou.


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Paradise - Capítulo 07


Declarações

POV BELLA

A curta viagem de Orono até Lincoln parecia ter durado uma eternidade. Eu nunca tinha me sentido tão acabada em toda a minha vida, eu se sentia morta, duas vezes morta. Havia dois buracos enormes em meu peito, afinal eu havia decidido arrancar Edward e Emmett de minha vida.
Encolhida numa cadeira do ônibus, eu assistia minha vida passando, escorrendo de mim... Uma vida que em poucos segundos eu pude imaginar como próspera e feliz. Durante o jantar da noite anterior eu me senti pertencer a Edward e a Emmett de uma vez só! Eu me senti plena, completa, amada, desejada... cuidada... Era tanto carinho e tanta atenção juntos que uma pessoa que cresceu ausente de tudo isso só poderia se sentir faminta...
Sim eu tinha fome dos beijos e das carícias de Edward e Emmett, tinha uma necessidade urgente deles em minha vida. Tudo o que eu queria era trazer para mim um pouquinho daquela alegria, daquele brilho... Edward era o mar, seus orbes verdes me faziam sentir flutuando no mar calmo. Emmett era o céu, seus olhos azuis e claros eram o céu que me protegia...
- Oh! Deus... – murmurei e comecei a chorar mesmo.
Foi aí que eu percebi que uma senhora bem velhinha estava sentada ao meu lado. Ela olhou pra mim com uma cara de pena e sussurrou.
- Você está bem? – ela pegou em meu braço – Está tão pálida e tremendo...
Eu balancei a cabeça em sinal de negação, ela suspirou e não falou mais comigo. Desci do ônibus na esquina de casa e fiquei parada no ponto de ônibus por alguns minutos. Como um zumbi, eu me arrastei até a frente da casa que antes era meu lar, mas quando ia tocar a campanhia, ouvi o barulho de louças sendo quebradas e os gritos de Phil e Sue. Àquela hora da manhã eles já deveriam estar bêbados e discutindo. Dei meia volta e quando me preparava para caminhar por aí, sem destino algum, ouvi aquela voz infantil.
- Bella! Bella! Minha namorada... Você voltou...
Sorri antes mesmo de me virar, era Seth, o filhinho de Rebecca, minha amiga de infância. Ela morava na casa ao lado da minha e se tornou minha amiga, mas ela era um pouco mais velha que eu e teve o azar de engravidar aos 15 anos. Hoje em dia eu não acho tão azar assim, até hoje ela está com Jared Clearwater, o pai da criança, e eles parecem viver bem.
- Olá Seth! – me ajoelhei e o abracei na mesma hora que Becca abriu a porta de casa.
- Bella!!! – ela me segurou pelos ombros, me fazendo ficar de pé e me abraçou – Que saudades, amiga! – ela me deu dois beijinhos – Ah! Você nem imagina o furdunço que esse pirralho tem feito desde que você se foi... Ele espalhou na escola que a namorada dele já está na universidade!
Becca gargalhou e eu tentei sorrir, mas falhei miseravelmente.
- Oh-oh... Ta tudo bem, Bella?
Eu comecei a chorar de novo e abracei minha amiga, ela afagou minhas costas enquanto murmurava palavras de consolo e me fez entrar. A casinha simples, pequena e limpa de Becca estava impregnada com o cheiro de pão fresquinho, café, mel e felicidade. Jared mordia um pedaço de pão quando eu entrei e apenas acenou para mim, no rádio tocava uma música country num volume baixinho, vi alguns brinquedinhos do Seth espalhados pelo tapete da sala e me senti feliz por minha amiga ter um lar tão harmonioso.
- Bella, seja bem vinda! – Jared falou depois que engoliu o pão – Sente e coma com a gente!
- É, Bella, senta e come com a gente! – Seth puxou uma cadeira para mim e outra para ele.
- Vai comer de novo, monstrinho? – Jared afagou a cabeça do filho.
- Segunda rodada! – o garoto falou, nos fazendo sorrir.
Becca me fez tomar um copo de suco de laranja, mas eu não consegui comer nada, meu estômago estava revirado. Depois do café da manhã, Jared saiu para trabalhar e eu ajudei Becca a arrumar a cozinha, como Seth estava nos rondando, ficamos conversando amenidades.
- Como vai Sam? – perguntei.
Samuel Uley era o irmão mais velho de Becca, ele também era meu amiguinho quando criança. Na verdade, sempre fomos vizinhos e vítimas do alcoolismo de nossos pais. Meu pai, Charlie, era amigo de bebedeiras de Harry Uley, o pai de Becca de Sam. Como a mãe deles morreu quando Becca tinha apenas seis amos, os dois cresceram praticamente sozinhos, cuidando um do outro. Eu ainda tinha a vovó Marie que cuidava de mim do melhor jeito que podia...
Quando nossos pais estavam caindo de tão bêbados ou simplesmente viravam a noite em farras homéricas, eu sempre convidava Sam e Becca para fazer as refeições comigo na casa da vovó. Sem contar que muitas e muitas noites a gente dormia na casa da vovó, era melhor do que levar surra de pai bêbado...
Charlie era o melhor pai do mundo quando não bebia. Suspirei. Senti saudades dele...
- Ele está bem! – Becca respondeu - O curso de formação da polícia acaba daqui a seis meses! – ela falou com orgulho – Ah! Ele conheceu uma garota e parece que o namoro tá ficando sério!
- Sério?! – exclamei – Que legal!
Terminamos de arrumar a cozinha e Becca despachou Seth para a sala para assistir desenho animado. Depois ela me arrastou para seu quarto e a gente sentou na cama.
- Agora, minha amiga, me conte tudo. – ela sussurrou – O que te fez chorar?
- Ah! Becca, eu me apaixonei...
- Que maravilha, Bella! – ela me abraçou.
- Não! Não! – murmurei – Eu me apaixonei por dois caras ao mesmo tempo!
- Dois caras? – assenti – Ao mesmo tempo? – assenti de novo – Comece pelo começo, amiga...
Engoli o choro e comecei a história desde o dia do acidente, no primeiro dia de aula, passando pelos dias que eu esperei a ligação dos irmãos Cullen e depois pelos dias que almoçamos juntos e fomos à agência de emprego, terminando com o encontro da noite anterior.
- Mas Bella, parece que vocês três estão bem conscientes de tudo! – ela estava surpresa, mas não me criticou – Ninguém está ferindo ou traindo ninguém e...
- Mas Becca, admita, essa situação é estranha! – ela assentiu – As pessoas vão começar a falar, vão nos apontar na rua, dizer que é errado e tudo o mais!
- Partindo do princípio que você quer os dois de uma vez só, - me encolhi quando ela disse isso – e se eles toparem isso, vocês tem que encarar a situação de frente.
- Mas Becca...
- Siga seu coração, Bella. – ela sorriu e afagou meu rosto – No final das contas é ele quem aponta para a direção certa. Mas se lembre de uma coisa, as pessoas que te amam de verdade nunca pensarão mal de você.
Ainda fiquei mais um pouquinho na casa dos Clearwater, brinquei com Seth, conversei sobre banalidades com Becca e me despedi deles prometendo voltar lá em breve. Peguei outro ônibus, fui ao centro da cidade e me dirigi à Clínica St. Rafael, onde mamãe estava internada. Mas não tive sorte, Rennè estava dormindo profundamente já que na noite anterior ela estava muito agitada devido a uma crise de abstinência e os médicos injetaram um calmante nela. Menos de meia hora depois eu já estava em outro ônibus, vagando sem destino pelas ruas de Lincoln.
- Ah! Vovó! Que saudades... eu queria tanto conversar com a senhora agora... – sussurrei.
Num ímpeto, pedi ao motorista que parasse o ônibus, desci apressada e andei cerca de quatro quilômetros até o cemitério da cidade. Parei na calçada do cemitério e comprei umas flores de um vendedor ambulante, flores amarelas, a cor preferida da vovó Marie.
 “Oi vovó, bom dia!”
Falei em pensamento, eu só movia os lábios, quem me visse pensaria que eu estava rezando, assim que me sentei no chão em frente ao túmulo dela, aos poucos, coloquei as flores e depois me lembrei de Charlie.
 “Ah! Oi Charlie...” – falei em pensamento com ele também e coloquei uma florzinha sobre seu túmulo.
Voltei minha atenção para vovó e comecei a conversar com ela. Contei a ela tudo o que estava acontecendo comigo, todas as minhas alegrias, tristezas, dúvidas e certezas. Falei da vontade de ser feliz, do medo de desgraçar a vida de Edward e Emmett, falei do preconceito, do desejo, do amor...
Perdi a noção do tempo, fiquei ali sentada até que senti minhas pernas formigarem, chorei, parei de chorar e chorei de novo.
- Vovó, me dá um sinal... vovozinha... me diz o que fazer... – dessa vez eu murmurei as palavras – Diz pra mim, vovó, se nós três temos chances...
- Bella! – a voz conhecida me fez sobressaltar, era Emmett, dei um pulo do chão.
Meu coração não acreditou naquilo... Meus anjos, Edward e Emmett estavam ali, caminhando na minha direção. Assustada, eu dei dois passos para trás.
-Bella, por favor, espere. – a voz de Edward estava embargada.
- Edward? Emmett? – eles pararam na minha frente – O que... o que vocês estão fazendo aqui?
- Viemos te buscar, meu bebê... – Emmett falou com a voz suave e estendeu a mão para mim.
Eu queria receber sua mão, meu coração pedia por aquilo, mas a minha mente trabalhou contra, fazendo meus músculos travarem.
- Viemos para te levar conosco, princesa. – Edward falou e também estendeu a mão.
A razão e a emoção travaram uma luta ferrenha dentro de mim. Eu sabia, sempre soube que aquela já era uma luta perdida... As escamas caíram de meus olhos, eu resolvi admitir a verdade: Isabella Swan, a garota teimosa de apenas 18 anos já sabia que seu destino estava unido a eles... Eu olhava para aquelas duas mãos e reconhecia o óbvio: eu pertencia aos Cullen.
- Eu estou apaixonado por você, Bella. – Edward insistiu – Venha, não tenha medo.
- Sim, não tenha medo. – Emmett sussurrou – Eu também estou apaixonado por você.
- Oh! Emmett... Edward... – peguei nas mãos deles e os puxei para mim.
Foi maravilhoso! Eu fui abraçada pelos dois... Os lábios de Edward capturaram os meus num beijo calmo e molhado e ao mesmo tempo eu podia sentir Emmett beijando meu pescoço, acariciando meus cabelos... Naturalmente eu beijei meu Emmett também e foi igualmente maravilhoso e quente! Mas senti as mãos de Edward em mim, me acariciando, alisando meus cabelos...
- Ah! Vocês vieram... vocês vieram... – falei quando cessei o beijo com Emmett, lágrimas de felicidade banhavam meu rosto – Temos uma chance, afinal!
- Onde mais nós poderíamos estar, princesa? – Edward falou enquanto entrelaçava nossas mãos.
- Deixamos nosso coração com você, Bella. – Emmett falou solenemente e me deu a mão também – E já não tem mais jeito...
Eu me despedi de vovó em pensamento e saímos dali os três de mãos dadas. Já passava do meio dia quando pegamos a estrada de volta à Orono, enquanto Emmett dirigia, eu estava abraçadinha a Edward, sempre nos tocando e nos beijando. Mas toda vez que um sinal de trânsito nos parava, eu me perdia nos lábios macios, carnudos e quentes de meu Emmett...
- Rapazes, eu... eu... – gaguejei – Nós precisamos conversar... isso... isso que estamos fazendo é...
- Assim que chegarmos em casa, Bella. – Emmett falou calmamente enquanto levava minha mão aos lábios – Almoce com a gente hoje.
- Sim, assim que chegarmos eu vou pedir comida chinesa. – Edward falou – Não, não, eu vou pedir agora.
Ele pegou o celular, discou o número do restaurante e começou a falar os nomes dos pratos pra gente enquanto nós assentíamos, concordando com o menu. Depois ele disse o endereço da casa deles e conversou mais alguma coisa. Eu me aproximei mais de Emmett e sussurrei.
- Vai ficar tudo bem? – ele assentiu e sorriu – Digo, vai ficar tudo bem entre vocês dois? – apontei dele para Edward.
- Agora que te achamos... – Emmett disse.
- E te trouxemos para nós... – Edward completou.
- SIM!!! – eles disseram em coro e nós três sorrimos.


O apartamento não era muito grande, mas era limpo e arrumado, eu me espantei porque dois caras morando sozinhos me davam a idéia de encontrar panelas sujas em cima da cama... Assim que chegamos, o entregador trouxe a comida, enquanto Edward colocava a mesa, eu pedi a Emmett para usar o banheiro.
Nervosa, eu me olhei no espelho e sorri. Lavei o rosto, lavei as mãos... fiz xixi... ‘Ai meu G-ZUIS... eu to no apartamento deles’, pensei e mordi o lábio de tão nervosa que tava. Respirei fundo e sai dali, disposta a dar uma chance para o amor e encontrei meus anjos me esperando na mesa. Edward afastou a cadeira para eu sentar, enquanto Emmett me servia com uma porção de yakissoba e batata frita.
Só nessa hora eu me percebi faminta, após as primeiras garfadas, Emmett resolveu quebrar o silêncio.
- Ficamos loucos, Bella. – ele me olhou nos olhos - Não fuja de novo, bebê...
- Desculpe... – sussurrei envergonhada e baixei o olhar.
- Tivemos medo de te perder. – Edward completou.
- Eu sei, eu sei... Mas é que aconteceram umas coisas e...
Os dois me olharam de uma forma questionadora e eu não hesitei em dizer pra eles o que Jessica disse de mim e o pesadelo terrível que tive com nós três. Enquanto almoçávamos, eles prestaram atenção em mim e eu respirei aliviada quando me percebi que eles entenderam minha situação.
- Mas agora que já está tudo esclarecido, - percebi o tom solene na voz de Edward – e embora a idéia pareça ser bem bizarra, eu quero te dizer, Isabella Swan, que eu, Edward Cullen quero que você me aceite como namorado. – meus olhos se prenderam aos dele – Eu juro que só quero te fazer feliz.
- Oh! Edward... – nos abraçamos e nos beijamos – Sim! Sim!
Instintivamente, eu me virei para Emmett e tive medo de sua reação, mas me derreti quando vi seus olhinhos azuis brilhantes.
- Também quero te fazer feliz, Bella. – ele sorria, mostrando as covinhas de seu rosto – E a bizarrice não terá lugar entre nós – ele entrelaçou nossas mãos – Só haverá respeito, verdade e amor daqui para frente porque eu quero que você me aceite como namorado também.
- Oh! Emmett! – seu abraço apertado e seu beijo macio eram muitos gostosos – Eu quero!
Desfiz o nosso abraço e entrelacei nossas mãos, nós três.
- Não posso mais lutar contra isso... – sussurrei.
- Não lute. – Edward sussurrou.
- E não tenha medo. – Emmett completou.
Voltamos a comer e em nome da verdade, Edward me disse que os dois haviam ido ao meu quarto do alojamento no começo daquela manhã e haviam discutido com Jessica. Meu corpo se encolheu na cadeira diante daquela declaração, pois eu sabia que havíamos arrumado um problema e uma forte inimiga.
- Desculpe, Bella. – Edward parecia constrangido – Meu mau gênio talvez tenha te colocado numa situação difícil, mas – ele baixou o olhar – eu não pude me controlar quando ela te ofendeu.
- Ta tudo bem, Edward. – afaguei seu rosto e olhei para Emmett também – Eu já tinha problemas com Jess antes disso, mas eu fico feliz por vocês terem me defendido.
- A gente deve se preparar para as críticas. – Emmett falou e sua voz parecia preocupada.
- Eu sei. – respirei fundo – Mas eu quero vocês...
Diante da minha declaração, Emmett despejou outra verdade. No dia do acidente, os dois se sentiram atraídos por mim e combinaram entre si que os dois iriam tentar me conquistar, mas o plano inicial era que eu escolhesse um deles. As coisas ficaram um pouco confusas quando perceberam que eu me sentia atraída pelos dois, mas depois do jantar eles perceberam que poderiam levar essa nossa situação numa boa.
- Vocês... já viveram uma coisa assim antes? – perguntei receosa.
- Nunca. – Emmett respondeu.
- Mas eu preciso admitir que o que mais preocupa é que vocês briguem por minha causa, que haja ciúme... eu... eu não quero acabar com a família de vocês. – falei tudo de uma vez.
- Bella, me deixa resumir as coisas. – Edward falou solenemente – Antes de você, minha vida era previsível, tranquila, chata. Mas agora, eu sinto uma coisa nova em meu peito, um calor, uma paixão, uma necessidade urgente e ardente de te amar, de viver cada minuto com você. Eu já tive outras namoradas, já estive apaixonado antes, mas posso dizer que com você, as coisas são diferentes.
- Eu sinto que minha vida encontrou seu eixo natural. – Emmett entrelaçou nossas mãos – Antes eu parecia um satélite doido, orbitando pra lá e pra cá, mas agora... – ele sorriu, mostrando suas covinhas – encontrei você, Bella: meu sol, minha lua e minha única estrela.
- Rapazes... – me derreti para os dois – hoje é o dia mais feliz da minha vida! Eu sou uma garota de muita sorte mesmo! E eu espero fazer vocês dois muito felizes...
Despois de muitas interrupções, acabamos de almoçar. Eu me ofereci para lavar a louça (eles não tinham máquina de lavar), mas eles não deixaram. Emmett lavou tudo e Edward enxugou e guardou no armário cada prato e talher. Eu fiquei encostada no balcão da pia, conversando amenidades e ouvindo as piadas hilárias de Emmett.
- Preciso confessar que o apartamento de vocês é muito organizado. – falei.
- Ah! Crescemos vendo nosso pai cuidando de um barco de pesca, pilotando um fogão, ligando a máquina de lavar, enfim, ele cuidava da casa. – Emmett falou.
- E mesmo quando ele casou com Tanya, continuou ajudando nas tarefas domésticas. – Edward completou – Com o tempo a gente foi aprendendo também. Esse negócio de homem não ajudar em casa é coisa de gente machista.
Gostei muito de ouvir isso, era mais uma prova de que meus anjinhos tinham sido bem criados por seu pai e madrasta.
Involuntariamente, eu dei um grande bocejo e acho que corei de vergonha. A noite mal dormida já estava cobrando seu alto preço sobre meu organismo. E como se bocejo fosse uma coisa contagiosa, Edward me imitou.
- Por que você não descansa um pouco, Bella? – Emmett sugeriu – Pode usar meu quarto ou de Edward, ou quem sabe o sofá da sala de TV. Fique à vontade.
A proposta era tentadora e eu mordi o lábio, indicando minha indecisão. Edward entrelaçou nossas mãos e me levou para a sala de TV, que na verdade era um terceiro quarto do apartamento. Lá havia um enorme e fofo sofá e várias almofadas. Eu tirei o tênis, me despi da jaqueta e deitei meio tímida, meio acanhada. Edward sentou e eu coloquei minha cabeça em seu colo, ele começou a acariciar meus cabelos e a cantar uma bonita canção de ninar.
Acho que devo ter dormido bastante porque quando acordei o céu aparecia na janela com uma cor meio alaranjada. Meu Edward me fitava com um olhar intenso, cheio de amor e... preocupação? Sorri e ele sorriu também, mas seu sorriso era tenso. Sentei no sofá e meio desconfiada, falei.
- Ta tudo bem?
- Ta. – ele me abraçou e foi um abraço bem apertado – Você fica linda quando dorme, sabia?
Sorri e acariciei seu rosto perfeito, ele pareceu apreciar o toque porque fechou os olhos e sorriu.
- Dormi muito?
- Quase três horas. – ele beijou a palma da mão, espalhando arrepios pelo meu corpo.
- Minha nossa! E você ficou o tempo todo aqui sentando? – ele assentiu – Oh! Edward, desculpe. – devo ter corado.
- Tudo bem, princesa. – ele juntou meu rosto em suas mãos – Você teve um sono agitado, eu tentei me levantar, mas você segurou minha mão com bastante força. Foi um sonho ruim?
Estreitei meu olhar e tentei me lembrar do sonho, mas não consegui, por fim me lembrei que eu sempre tive o sono agitado mesmo.
- Não importa. – ele me abraçou de novo – O que importa que você está aqui!
Seus lábios capturaram os meus num beijo quente e profundo, nossas línguas dançavam sensualmente e quando dei por mim, já estava no colo de Edward.  Suas mãos contornavam a minha cintura com posse e aquilo me encheu de tesão. Meu corpo todo ardia de desejo e eu senti que Edward também estava muito excitado. Ouvi passos e meu cérebro captou a presença de Emmett e como se aquilo tudo já fosse normal para mim, não interrompi o beijo com Edward. Senti o sofá afundando ao nosso lado, era meu anjinho quem sentava ali. Quando o ar nos faltou, eu e Edward interrompemos o beijo, ofegantes, nós sorrimos um para o outro. Miguei para o colo de Emmett e ele afagou meus cabelos com carinho, nossos rostos estavam a poucos centímetros.
- Matou o sono, bebê? – ele sussurrou.
Eu assenti com a cabeça e acariciei seus lábios com a pontinha dos dedos. Ele sorriu e mordeu de leve o meu polegar. Não aguentei mais e beijei meu Emmett, perdendo de vez a inibição de beijar um na frente do outro. Meu corpo ardeu de desejo novamente e também não tive como não notar a enorme excitação de Emmett. Ao final do beijo eu já estava sem juízo, sem defesas e nenhum medo de amar os dois. O desejo era tanto que chegava a doer...
- Vim chamar vocês pra comer bolo. – Emmett falou depois que recuperou o fôlego.
- Hum... bolo de que? – perguntei.
- Cenoura com calda de chocolate! Minha especialidade! – ele se gabou.
- Você sabe fazer bolo? – perguntei boquiaberta.
- E Edward também sabe. – ele completou.
- Caramba... – murmurei.
Na cozinha, eu me deliciei com um pedaço de bolo muito fofinho feito pelo meu Emmett e tomei um delicioso cappuccino feito por Edward. O lanche foi muito gostoso, principalmente porque eu tinha os dois comigo.
- Vocês vão me deixar mal acostumada...
- A intenção é essa! – Edward sorriu exultante.
- Merda! – Emmett falou e pulou da cadeira, me assustando – Ed, mano a gente se esqueceu da festa da Rose!
Rose? Que Rose?
Antes que eu pudesse me arder em ciúmes, Edward tratou de explicar.
- Rosalie é nossa prima e hoje é o jantar de noivado dela. – ele fez uma careta – Mas eu nem tô a fim de ir.
- Nem eu. – Emmett completou.
- E eu... – murmurei, afinal eu nem conhecia a garota.
- Já sei, vamos ao parque de diversões! Você gosta, Bella? A roda gigante é incrível! – Emmett falou todo empolgado.
- Gosto sim! – sorri, quando eu era criança, não ia muito a esses lugares.
- E tem a montanha russa. – Edward completou – Eu adoro!
Como já era quase noite, eles tomaram banho e trocaram de roupa, depois me levaram ao alojamento e ficaram me esperando. Por sorte, quando entrei no quarto, Jess não estava. Tomei um banho bem gostoso, vesti um jeans confortável e uma camiseta legal, calcei meus inseparáveis all star, prendi o cabelo num rabo de cavalo, fiz uma maquiagem leve e me senti bonita. Nunca fui muito vaidosa... não até conhecer os Cullen!
Meia hora depois a gente já estava no parque onde tive a segunda melhor noite da minha vida. Comemos algodão doce, assistimos a teatrinho de bonecos, andei no carrossel enquanto Emmett e Edward tiravam fotos de mim. Edward ganhou um ursinho de pelúcia pra mim na barraquinha de tiro ao alvo e meu Emmett ganhou uma almofada em forma de flor na barraquinha de pescaria. Comemos churrasquinho no espeto, tomamos coca cola, contamos piadas bobas e eu me dei conta que a felicidade existe.
Emmett e eu andamos na roda gigante, Edward esperou por nós em terra firme. Foi tão gostoso lá em cima... Fiquei agarradinha a meu Emmett, nos beijamos com paixão e luxúria e quase perdemos a noção de tudo, mas ele se segurou e diminuiu as carícias. Aquelas mãos enormes em meus seios estavam me deixando doidinha...
- Ah! Bella... – ele sussurrou e lambeu o lóbulo da minha orelha.
Já de volta ao chão eu ainda me sentia flutuando... E foi assim também quando andei na montanha russa com Edward. Grudamos nossos corpos, seguramos firme na barra de proteção e gritamos a plenos pulmões a cada curva sinuosa. A adrenalina era contagiante, mas havia mais que isso ali. Havia uma misteriosa eletricidade percorrendo meu corpo cada vez que ele me tocava, foi mágico!
- Eu adorei o passeio, princesa. – ele mordiscou o lóbulo da minha orelha quando saímos do brinquedo e me abraçou.
Quando voltamos para o alojamento, eu estava encostada a Emmett, enquanto Edward dirigia. A saudade já era imensa e eu percebi que meus anjinhos estavam meio bicudinhos e sérios. Tentei quebrar o silêncio e toquei nos lábios dos dois ao mesmo tempo.
- O que esses biquinhos estão fazendo aqui? E aqui?
- Saudade... – Edward murmurou.
- Muita saudade... – Emmett completou.
- Já sei! – tive uma brilhante ideia – Vou levar vocês a um lugar muito especial amanhã! – senti dois pares de olhos em cima de mim.
- Onde?
- Onde?
- SURPRESA!!! – eu me sentia tão feliz naquele momento... queria dar a eles um domingo agradável e conhecia um lugar perfeito.
Meus anjinhos combinaram de me pegar às nove da manhã no dia seguinte, nos despedimos no estacionamento do alojamento aos beijos e abraços. Perdi o fôlego duas vezes e duas vezes senti muitas borboletas em meu estômago. Era muito bom estar apaixonada... duas vezes então, era uma maravilha.
Quando cheguei ao quarto, Jessica não estava. Adorei os minutos de privacidade que tive! Tomei um banho, vesti um pijama fofinho e quando me preparava para sair do banheiro, ouvi alguém chegando. Pelas vozes, eram Jessica e Jane, continuei no banheiro, mas grudei o ouvido na porta.
- Quando essa história se espalhar... – Jessica falou.
- Mas você ainda não tem certeza.
Ouvi passos, alguém entrava no quarto e eu abri a porta do banheiro numa minúscula fresta, era Victoria.
- Mas eu já tenho certeza! – ela falou com uma voz convencida – Há poucos minutos eu acabei de flagrar a Swan se agarrado com dois caras, ao mesmo tempo, lá no estacionamento...
- O quê!? – Jessica e Jane disseram em coro.
Na hora o meu coração começou a bater descompassado, mas eu me dei conta que as coisas seriam assim dali por diante. Me empertiguei, ergui os ombros e abri a porta do banheiro num rompante, assustando as três mocréias que deram um gritinho de susto. Usando um tom de voz firme, decidido e destemido, falei em alto e bom som.
- Isso mesmo, Victoria! – as três arregalaram os olhos – Eu estava me agarrando com os meus namorados! Agora se vocês me dão licença, - abri a porta do quarto e fiz um sinal com a mão – amanhã vocês terminam a fofoca com Jessica. Estou com sono, tive um dia delicioso e amanhã terei um domingo maravilhoso! – me gabei – Preciso recarregar as energias, meninas!
Dei um sorriso cínico para elas que, boquiabertas, não disseram um pio e saíram rapidamente do quarto. Jessica me fuzilou com os olhos e entrou no banho, batendo a porta atrás de si. Num gesto infantil, ergui os dedos médios das duas mãos para ela (mas ela não viu) e ainda estirei a língua!
Feliz e contente, cai na cama, agarrada ao meu ursinho de pelúcia e à minha almofada de flor. O sono já estava quase chegando quando ouvi uma voz conhecida ecoar em meus ouvidos, era vovó:
 “Nós não podemos evitar o amor, Bella”