Não Existem Palavras Para Isso!
*POV EDWARD*
Semana pós semana da gravidez de Bella, eu tenho amadurecido a idéia de que a gravidez de um pai é tão ou mais especial que a da mãe. Se alguma mulher pudesse ler meus pensamentos agora, diria que eu estou maluco ou que sou idiota por achar que ser pai é mais importante do que carregar um filho no ventre por nove meses. Mas não se trata de saber quem é mais importante, o pai ou mãe. O meu argumento é que ser pai é uma coisa muito sublime porque a gravidez da mulher é absolutamente sensorial e física. A gravidez de um pai é tão somente emocional, por isso é tão difícil estar grávido! Somente um cara que ame muito a mulher e o filho que ela carrega poderia me entender nesse momento ...
As últimas semanas de nossa gravidez foram difíceis. Eu me via sempre num grande dilema, muita matéria pra estudar de domingo a domingo e uma esposa muito barriguda, linda e cansada para mimar. Durante a semana, à noite, eu desfrutava ao máximo da companhia de Bella e dos bebês durante o jantar, mas depois eu TINHA que estudar e minha esposa acabava dormindo primeiro que eu. Eu não podia culpá-la, afinal ela se sentia muito pesada e cansada. Eu também não podia me culpar, estudar técnicas bancárias, raciocínio lógico e matemática financeira poderia salvar meu emprego dali a alguns meses.
Quase todas as noites, depois que me deitava, eu ficava contemplando a minha Bella dormindo. Às vezes ela estava num sono profundo e tranqüilo, às vezes estava visivelmente desconfortável com aquele barrigão ... Ela mexia de um lado para o outro na esperança de que os três de acomodassem bem. Numa noite, eu resolvi pegar uma almofada e colocar embaixo da barriga dela enquanto ela estava deitada de lado. Foi um santo remédio! Bella e os bebês encontraram uma boa posição para o sono.
Em linhas gerais, posso dizer que nossa gravidez foi muito boa. ‘Eles tiveram muita sorte’, alguém poderia pensar, mas gosto da idéia de que existe um Deus (seja lá qual for o nome que você dê a ele) que está cuidando de mim e de minha família. Embora tenhamos passado por alguns sustos, dúvidas e dores, nossa família continua, nossos meninos estão a caminho ...
Sim, meus filhos estão chegando! E com eles, uma nova onda de amor, paz e felicidade para a família Swan-Cullen.
Só de pensar nisso, eu sinto um frio na barriga e um aperto no coração. Ser pai é a maior, a mais importante e a mais complexa missão da minha vida. Antes de Anthony e Thomas, eu pensava que Bella me completava totalmente, mas bastou ela me dizer que teríamos um filho (quando pensávamos que só era um bebê) que a minha vida, meus sonhos, meus sentimentos e perspectivas se transformaram ... aumentaram ... se adequaram à nova vida que fizemos.
No começo, essa coisa de ser pai só ficava no campo das idéias. Uma sementinha pequenininha crescia dentro dela, eu não sentia nada, apenas amor, orgulho e alegria sendo gerados em meu peito. Depois, pudemos ver a barriguinha dela crescendo e seus seios aumentando, então meu sentimento de pai foi crescendo junto. O desejo de ver um pedacinho meu, uma prolongação de minha vida e da vida da mulher que eu amo, me fazia mais e mais pai. Amadurecendo meus pensamentos sobre a paternidade, eu quase tive um treco quando soube que eram gêmeos! Num piscar de olhos, me senti pai duas vezes! Quando Anthony e Thomas mexeram pela primeira vez, dentro da barriga de Bella, meu coração bateu mil vezes mais rápido. Aquelas eram as duas pequenas vidas que eu ajudei a gerar ... aquele foi o primeiro contato deles conosco ... naquele instante, o sonho e a idéia de ser pai, se tornaram mais e mais palpáveis.
Sem querer aumentar a polêmica, evolui meus pensamentos e decidi que maternidade e paternidade devem caminhar juntos. Desde a concepção de nossos filhos até o fim de nossos dias, quero estar ao lado de Bella, testemunhando e participando de cada momento de nossos filhos. Eu sei que ao longo dos tempos o papel do pai tem mudado muito dentro da estrutura familiar, por isso eu quero ser um pai como o meu pai foi para mim ... Carlisle ... uma memória doce e difícil ... Mas é nele quem me espelho todos os dias para ser um bom esposo e pai. Minhas primeiras memórias de meu pai são dele me carregando no colo, brincando de aviãozinho. Eu me sentia o máximo voando com ele pelo jardim de casa. Noutras vezes, eu me sentia protegido no calor de seus braços fortes. Às vezes me sentia constrangido ao levar bronca. Mas sempre me senti amado, respeitado e cuidado pelo cara que me deu a vida ... Carlisle ... o cara que estaria sorrindo à toa se soubesse que seria avô, duas vezes.
Senti lágrimas escorrerem de meu rosto e agradeci aos céus por Bella estar no quarto trocando de roupa. Eu larguei mais cedo do banco e vim em casa buscá-la para mais uma consulta de pré-natal. Nós já estávamos na 33ª semana e a Dra. Weber fazia questão de acompanhar Bella semanalmente. Recompus minhas emoções e fui até o quarto, percebi Bella se olhando no espelho ... linda ... imensa. Mas ela parecia não gostar de seu corpo naquele momento. Deve ser estranho mesmo, ver tantas mudanças em tão poucos meses. Tratei de elogiá-la pra poder banir qualquer paranóia de sua cabeça. No começo ela não acreditou na sinceridade de meus elogios, depois, fingiu acreditar. A consulta médica foi super tranqüila, Bella fez mais uma ultra-som e eu me encantei com a imagem de meus filhos.
À medida que nossa gravidez evoluiu, nosso relacionamento caminhou no mesmo sentido. Tantas coisas tivemos que mudar em nossas vidas só por causa de dois pequeninos que estavam prestes a nascer! Ah! Mas todas as experiências foram fantásticas, desde as novas formas de amar a minha linda-barriguda esposa, até a compra dos móveis e roupinhas dos bebês. Contratar uma babá também foi uma experiência nova e de repente, eu me vi, cheio de constrangimento, perguntar ao Peter se a Jenny tinha passagem pela polícia.
Outra grande evolução foi nas calcinhas de Bella. Caraca! Um dia eu abri uma das gavetas dela do closet e me deparei com uma calcinha preta e de renda transparente ... Ah ... meu membro deu sinal de vida só de imaginá-la com aquela minúscula peça. Ao lado dela, uma das ‘calçolas’ de grávida e, meu Deus, era enorme! Não que Bella não tenha sido uma grávida sexy, ao contrário, ela estava linda e sensual, só ganhou 15 quilos até o fim da gravidez. Mas eu ansiava por ter o corpo da minha esposa de volta ao normal. Isso era outra coisa que me fez pensar muito. Se, na pior das hipóteses, Bella ficar gorda após o parto? Bom, isso não será o fim do mundo. Se bem que eu já vi que ela comprou um daqueles bodies que as mulheres usam após o parto. Na verdade, ela comprou um body preto que mais parece um maiô e outro que é como se fosse um espartilho. Não, com certeza a minha Bella vai voltar a ter o corpinho de antes!
A mudança desagradável das últimas semanas foram as dores de coluna de Bella e seus pés inchados. Eu só não me via mais desesperado por deixá-la sozinha e ir trabalhar, porque Jenny, a babá, começou a trabalhar antes mesmo dos meninos nascerem. Eu já sabia que o dia do parto estava chegando, a barriga de Bella estava muito baixa, meus nervos estavam abalados. Tratei de me preparar. Decorei o número do telefone do hospital e do celular da Dra. Weber, pesquisei em vários sites da internet o que um pai poderia fazer na hora do parto e ... respirei fundo.
Com a perspectiva de uma cesariana a qualquer momento, porque os dois meninos estavam sentados, eu comecei a pensar no lado prático de nossa vida pós-parto. Bella precisaria de um carro. Eu não poderia deixá-la em casa com duas crianças e sem qualquer meio de transporte. Liguei para o Sr. Cameron, o dono da agência de veículos em Port Angeles onde comprei nossa pick-up, e expliquei-lhe que precisávamos de uma minivan boa, bonita e barata (aprendi essa história de BBB com Alice). Depois de muitas conversas e de uma viagem a Port Angeles (escondido de Bella), eu escolhi uma DODGE CARAVAN SE, prata, ano 2004 e que me custou U$ 8.000,00. Mas eu combinei com o Sr. Cameron que não buscaria o veículo na agência até meus filhos nascerem. Eu queria fazer uma surpresa para Bella e de boa vontade, o bom comerciante aceitou meu pedido. Ainda em Port Angeles, passei numa papelaria e comprei dois adesivos para carros, daqueles bem chamativos, pra colocar no carro de Bella e na minha pick-up. Eu queria dizer a todo mundo que nossos filhos estavam chegando ...
De volta a Forks, comentei com Charlotte sobre a compra do carro e ela se prontificou a ir buscar o veículo quando os meninos nascerem.
- O bom da surpresa é o impacto que ela causa, Edward! – a vizinha falou empolgada - Eu não gosto de hospitais, enquanto Bella estiver internada, eu não irei visitá-la. – ela sorriu sem graça – Então, eu aproveito e vou buscar o carro, assim, quando ela chegar em casa, verá a surpresa!
E o segredo do carro novo ficou entre mim e Charlotte.
Por falar em surpresa, o pessoal do banco quase me levou às lágrimas! Na minha cabeça e na minha planilha de orçamento doméstico os cifrões que eu gastaria com fraldas descartáveis já estavam me dando nos nervos. Não que eu pretendesse ser um pai muquirana, mão-de-vaca, pirangueiro ... Eu só era um pai com um orçamento limitado! E quando vi num blog sobre crianças que um bebê, nos três primeiros meses de vida, gasta em média oito fraldas por dia, eu quase surtei. Eu pensava que aquelas coisas de plástico, gel e elástico serviam para absorver o xixi! Mas depois entendi que a pele de um bebê é muito sensível e a demora na troca das fraldas poderia acarretar assaduras. Estremeci com o pensamento de assaduras nos meus filhos! Deve ser uma sensação, no mínimo, incômoda. Então meus colegas de trabalho, liderados por Irina e Kate, compraram uma caixa gigante com 1.152 fraldas tamanho P! Foi um presente e tanto! Pelos meus cálculos, eu e Bella economizamos quase U$ 300,00 e no nosso caso, qualquer dinheiro é dinheiro! (n/a: gente, nos Estados Unidos fralda descartável é MUUUITO mais barata que aqui no Brasil)
Na noite do dia 26 de Agosto eu estava muito inquieto. Minha intenção era preparar um café da manhã especial para Bella. A data era muito importante: seis meses de casados. Seis meses de pura felicidade, companheirismo, amor. Nossa vida sempre foi assim, mesmo com tantas dores e tropeços dos últimos tempos, Bella sempre foi a minha maior alegria. Então esse meio-ano de casados deve ser lembrado e comemorado. No dia seguinte, acordei cedo e fiz o meu melhor na cozinha. Tentei me lembrar dos filmes de ‘romance água com açúcar’ que Bella às vezes me obriga a assistir e arrumei uma bandeja com comida. No final, eu até me espantei com o bom resultado! Pra incrementar tudo, fui ao jardim e peguei uma rosa vermelha para presentear minha amada. Quando cheguei no quarto, ela já estava acordada.
- Feliz meio-ano de casados, amor! – sorri para ela enquanto entrava carregando a bandeja de café da manhã.
Ela sorriu e se acomodou melhor na cama, tomamos café ali mesmo. Mas eu não pude deixar de perceber as mudanças nas feições de Bella, parecia que ela estava sentindo alguma coisa. Seria dor?! Resolvi deixar quieto porque ela havia me prometido que avisaria se sentisse qualquer tipo de desconforto ou contração. Jenny já havia chegado, qualquer coisa, Bella avisaria a ela. Depois do café, eu tirei a bandeja da cama e coloquei sobre o móvel baixo do quarto, com cuidado, ajudei Bella a ficar de pé e a abracei.
- Eu te amo, Sra. Cullen. – minha voz não passava de um sussurro – Esses seis meses de casados têm sido maravilhosos.
Beijei-a com paixão e devoção. Senti meu coração disparar como se aquele fosse nosso primeiro beijo ... E de certa forma, era. Com Bella, um ano, dez anos, seis meses sempre vão ter o gostinho da primeira vez, porque a nossa paixão e o nosso amor se renovam a cada amanhecer.
- Eu te amo, Sr. Cullen. – seu sussurro era quente contra meus lábios – Ser a sua esposa é maravilhoso.
Fui tomado por mais uma onda de emoção. Peguei suas delicadas mãos e beijei cada um de seus dedos, beijei seu anel de compromisso e sua aliança de casamento. Ela fez o mesmo comigo e beijou com devoção a minha aliança. Ainda ficamos abraçadinhos, curtindo nossa bolhinha de amor e paz. Mas eu tinha que ir trabalhar, separei nossos corpos e só então percebi que a barriga de Bella estava muito baixa. Parecia que de um dia para o outro, a barriga tinha descido mais ainda (como se aquilo fosse possível).
‘Acho que os bebês estão se apressando’, esse pensamento me assaltou enquanto eu escovava os dentes. Eu me dei conta de que logo, logo aquela linda barriga não estaria mais ali. Voltei ao quarto com um sorriso travesso nos lábios e um desejo infantil.
- Amor, sabia que eu tenho ótimos dons artísticos? – falei e já fui pegando o creme dental para desenhar na barriga de Bella.
- Edward! – ela começou a rir, acho que eu fazia cócegas nela.
Fiz dois smiles e tirei uma foto da barriga dela com a câmera de meu celular.
- Sorria Anthony, sorria, Thomas! – falei por fim.
Depois de minha tosca pintura, me despedi de minha esposa com um beijo e um abraço. Fui até a cozinha e conversei rapidamente com Jenny.
- Mas ela se queixou de alguma dor, Sr. Fields? – a babá questionou.
- Bella quase sempre não se queixa. – sorri torto – Ela faz de tudo para me poupar. Por isso, ligue para mim se algo acontecer, por favor.
A babá apenas assentiu para mim. Entrei no carro e fui para o banco, mas meu coração ficou com Bella, Anthony e Thomas. Alguma coisa me dizia que aquele dia seria diferente ...
Eu mal havia entrado no banco, cumprimentado meus colegas e ligado o meu computador, quando Jenny ligou para meu celular e informou que a bolsa de Bella havia rompido.
Demorei uns cinco segundo para processar a informação ...
‘Meu Deus’, meu coração perdeu uma batida e voltou a bater milhões de vezes mais acelerado. Encerrei a ligação, na pressa pra me levantar da cadeira, acabei derrubando-a e atrai a atenção de Kate.
- Está tudo bem, Edward? – a voz dela estava distante, minha mente estava cheia de ‘Bella e os bebês’ – EDWARD?!
Saí do transe, quando dei por mim, já estava andando apressado pelo corredor, gritei por sobre o ombro.
- A bolsa de Bella rompeu! Meus filhos vão nascer!
Não sei se Kate falou mais alguma, não parei para esperar por uma resposta. Desci os dois lances de escada como se estivesse fugindo de um incêndio, corri até o estacionamento, entrei na pick-up e saí de lá cantando pneus. Minha atitude era meio exagerada, depois eu me dei conta disso, mas eu não conseguia agir de outra forma. Ainda bem que Peter e Benjamin estavam na delegacia, se não, eles poderiam me multar por ter avançado o sinal vermelho e por perturbar o pacato trânsito de Forks! Uma freada brusca na frente de casa deve ter alertado Bella que eu já havia chegado, corri como um doido até a porta.
- BELLA!!! – me xinguei mentalmente por haver gritado, eu precisava ter CALMA. – Amor, você está bem? Calma, calma, vou ligar pra Dra. Angela ... – murmurei e tentei agir.
Percebi que Bella chorava.
Puta que pariu! Puta que pariu ... Não! Eu não devia pensar nessa palavra ‘parir’ ... Droga, minhas mãos estavam tremendo ... Bella ditou o número da médica e tomou o celular da minha mão. Minha esposa falou em meio a arquejos, ela parecia sufocada.
- Doutora? – tenho certeza que ela suprimiu um gemido – Sou eu, Isabella Fields. A bolsa ... rompeu.
A médica mandou que seguíssemos para o hospital. Eu ajudei Bella a levantar do sofá e quase a suspendi quando descemos os degraus da varanda, Jenny caminhava silenciosa atrás de nós e carregava as malas de Bella e dos bebês.
- Sr. Fields, eu posso dirigir?
- NÃO! – fui desnecessariamente grosseiro com a babá.
- Ed, deixe a Jenny dirigir. – Bella falou com a voz branda, mas cheia de autoridade.
- Mas Bella ...
- Amor, você tá muito nervoso. – ela tinha razão.
Cedi e não perdi tempo, joguei a chave do veículo para a babá e ajudei Bella a entrar nele, corri para entrar pelo outro lado.
- VAMOS, VAMOS! – a babá parecia uma lerda, meu Deus!
Pelo espelho, vi quando ela fez cara feia e ligou o motor. Ao meu lado, Bella gemia e se contorcia, eu me sentia um nada naquela hora, queria poder fazer algo por minha esposa além de apenas segurar sua mão.
- Amor, oh meus Deus ... Bella, tá doendo muito?! – falei o que me veio à cabeça.
Um gemido agudo e espessas lágrimas foram a resposta de Bella. Surtei geral depois daquilo.
- Respira, Bella ... respira ...
Ela gritou de verdade, tipo a plenos pulmões mesmo e agarrou minha mão com muito mais força. Aquilo me matou.
- Princesa ... – eu quase chorava – Amor, tá doendo muito? Respira, respira, respira ...
Na vã tentativa de ajudar minha esposa, acabei enervando-a mais ainda.
- Porra, Ed ... tá doendo pra caralho ...
Bella gritou exasperada e eu fiquei atônito por uns bons dez segundos. Cai na real e percebi que eu estava atrapalhando, respirei fundo e falei baixinho.
- Desculpe, princesa ... Eu te amo, Bella.
- Eu te amo, Edward. – ela segurou minha mão com força.
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Em condições normais, eu teria me xingado mentalmente e pedido desculpas a Ed por ter gritado com ele. Mas que dor danada era aquela? Se meus meninos estavam sentados, porque eles me faziam sentir tanta dor? Será que não podiam esperar, sentadinhos e calminhos pela cesariana?!
Milhões de pensamentos malucos passaram pela minha cabeça, desde nunca mais transar sem camisinha, obrigar Edward a fazer vasectomia ou contratar uma barriga de aluguel se eu quisesse ter filhos de novo ... Claro que a minha insanidade era alimentada pela dor! Respirei fundo e tentei me acalmar, lembrei das aulas de yoga, dos exercícios respiratórios.
Assim que chegamos ao hospital, uma enfermeira muito tranqüila me esperava na porta com uma cadeira de rodas. Edward me ajudou a sentar nela e seguimos para o elevador, na direção do segundo andar, onde ficava o centro obstétrico e o berçário. Ainda na recepção, eu procurei pela Dra. Angela mas a enfermeira disse que ela viria logo. Esse logo demorou bastante, Edward preencheu minha ficha de internamento e eu fui encaminhada para um quarto. Lá a enfermeira me deu uma camisola verde horrorosa, me ajudou a deitar na cama e deu uma ‘ferroada’ na minha mão pra colocar um maldito soro em minha veia.
- Aaaiii ... – murmurei, parecia que meu braço todo estava gelando por dentro.
- Isso não é nada se comparado a dor do parto. – a enfermeira falou zombeteira – Não se preocupe, é só um remedinho pra você não sentir tanta dor, querida.
‘Não se preocupe ... Pimenta no fio-fó dos outros é refresco, não é?’, não expressei meu pensamento por muito pouco.
Meus desaforos mentais foram interrompidos pelo toque mágico de Edward na minha testa. Ele acomodou melhor o meu travesseiro e beijou de leve a minha face, foi nessa hora que percebi que Jenny estava ali conosco, tadinha ...
- Jenny ... vá para casa. – guinchei – Tire o dia de folga ...
- Isso, Jenny. – Ed sorriu torto – Aproveite a folga porque quando os meninos nascerem ...
E então Ed fez uma coisa que não deveria ter feito, ele tocou em minha barriga, alisando-a de leve.
- Tira a mão! – gritei – Eles mexem mais ... aaaiii ...
Não se foi por causa de meu grito, mas a babá assentiu fervorosamente e disse que iria passar na capela do hospital para rezar por nós antes de sair. Assim que ela se foi, olhei para Ed muito envergonhada.
- Amor, de-desculpe.
- Tudo bem, princesa. – ele parecia triste e baixou o olhar.
- Edward. – consegui falar com clareza – Pega aquela cadeira ali e senta aqui ao meu lado.
Ele fez o que pediu e sentou a uma boa distância de mim. Balancei a cabeça em sinal de desaprovação e ele arrastou a cadeira para ficar mais perto. Estendi-lhe a mão que estava sem o soro e ele segurou-a com firmeza, virei meu rosto em sua direção.
- Ed, essa é a mais excruciante e desconhecida dor que já senti na vida. – ele aproximou nossos rostos e seus olhos verdes me hipnotizavam e acalmavam ao mesmo tempo – Lembra quando eu descrevi pra você a dor de perder a virgindade? – ele assentiu – A sensação horrível de parecer ser rasgada ao meio? – ele assentiu de novo – É daquele jeito, só que mil vezes mais aguda.
Ele franziu a testa e seus olhos estavam marejados, respirou fundo antes de falar.
- Existe alguma coisa que eu possa fazer por você?! – seu sussurro era bom.
- Não sei. – suspirei – Fique comigo, segure minha mão, não pergunte se tá doendo ... E me perdoe se eu gritar com você de novo.
- Eu te amo, Bella. – seu polegar acariciava as costas da minha mão – E amo nossos filhos também.
- Eu te amo, Ed.
A Dra. Angela entrou no quarto.
- Bom dia, família! – ela sorriu para nós – Muito bem! Vejo que o papai está fazendo direitinho o seu papel. Isso mesmo, Sr. Fields, nessa hora, o seu apoio é muito importante para Isabella. – ela chegou mais perto e tocou em minha barriga – Precisamos fazer o exame de toque.
Ai meu Deus! Segurei a mão de Edward com força e ele retribuiu meu aperto. Depois de a médica ajeitar minhas pernas naqueles dois suportes e me cobrir com o lençol, tudo foi muito rápido, quase não tive tempo de corar de vergonha.
- Só dois centímetros ... – a médica murmurou.
- Is-isso é mal? – gaguejei.
- Não, Isabella. – ela sorriu um pouco – De qualquer forma, faremos a cesariana mesmo.
- Doutora, essa dor tá me matando. Vamos logo então!
- Oh, minha querida, ainda precisaremos esperar um pouco. – olhei pra ela sem entender muito – Seu marido preencheu a ficha hospitalar e relatou que sua última refeição foi às 8hs da manhã. Temos que esperar até as 8hs da noite pra te levar ao centro cirúrgico.
- Tudo isso?! – guinchei e comecei a chorar.
Edward tentou falar alguma coisa mas se deteve, apenas afagou meus ombros em sinal de solidariedade.
- Ma-mas doutora ... não tem problema em esperar tanto assim? A bolsa já rompeu ...
- Uma cesariana é uma cirurgia como outra qualquer. O jejum de 12 horas é imprescindível. Mas não se preocupe, depois que a bolsa estoura, o prazo máximo para uma cesariana é de até 48 horas!
A médica falou isso como se fosse a coisa mais normal do mundo e eu surtei! 48 horas sentindo aquilo tudo?! Quem agüenta uma coisa dessas?! Enquanto ela falava, verificava minha temperatura e pressão arterial.
- Você está sentindo dor de cabeça ou tontura? – neguei com a cabeça – Então, está tudo bem com você e seus filhos. – ela tocou meu braço e sorriu – Mais alguma dúvida?
- Isso aqui. – apontei para o soro.
- Ah! Isso é soro e uma medicação para dor.
- Doutora, isso não tá fazendo efeito. – franzi a testa - Ainda sinto uma cólica muito chata e uma dor que passeia pelo meu quadril, de um lado para o outro.
- Pode ter certeza que isso está fazendo efeito, Isabella. – sua voz gentil e paciente me deu mais segurança – E por favor, não se preocupe, o nível das dores não vai aumentar.
- Doutora, a cesariana vai acontecer hoje mesmo? – Edward falou.
- Acredito que sim. Por que a pergunta? – a médica questionou.
- Bem ... – Ed parecia hesitante, virou seu rosto para mim e sorriu torto – Hoje estamos fazendo seis meses de casados. Pensei que seria um bom dia para os meninos nascerem, assim, a cada dia 27 teremos vários motivos para comemorar!
OMG ... Eu nem tinha pensado nisso ... Meu Deus, como eu amo meu marido!
- Entendo ... Isabella irá para o centro cirúrgico por volta das 21 horas, vamos trabalhar para que seus filhos nasçam antes da meia-noite.
- Obrigado. – a voz de meu marido estava cheia de emoção.
- Isabella, agora vou deixá-la em boas mãos. – ela apontou para Edward – Se as cólicas e as dores persistirem, não se aflija. É assim mesmo! De tempos em tempos, uma enfermeira virá aqui para verificar sua pressão arterial e sua temperatura. Se você sentir algo, por favor mande me chamar.
- Doutora ... a pressão dela ... – Ed sussurrou.
- Está em 13 por 9.
- Está alta. – ele foi categórico.
-Está administrável, Sr. Fields. Não se preocupe e não vamos deixar a mamãe preocupada, não é?
Ed apenas assentiu pra ela. A médica se despediu de nós e saiu do quarto.
Um silêncio esquisito pairou sobre nós. Eu estava com muita dor e Edward deveria estar com medo de abrir a boca e levar outro grito meu. Aos poucos eu fui me acostumando ao padrão irritante da dor, talvez o remédio estivesse mesmo fazendo efeito ... De repente, eu só sentia nossas mãos entrelaçadas e sua outra mão acariciando meus cabelos bem de leve ...
- Ed ... – murmurei.
- Hum ... – senti seus lábios sobre meus cabelos.
- Eu queria ... que os bebês ... seguissem pelo caminho certo. – relevei boa parte de meus medos – Queria um parto normal ... mas não queria sentir dor.
- Shii, Bella. – seu sussurro era quase uma canção de ninar – Vai dar tudo certo, amor ... – não, ele realmente cantarolou uma canção de ninar para mim.
Eu devo ter dormido.
- Edward?! – abri os olhos bem devagar.
- To aqui, amor. – sua mão tocou a minha levemente.
Virei meu rosto na direção da sua voz e sorri, depois franzi a testa.
- Amor ... sonhei com você. – ele aproximou nossos rostos antes de falar.
- Como foi o sonho?
- Foi bom. – sorri de novo – Havia tanta paz ... Você tocava piano pra mim, estávamos numa espécie de galpão, um galpão enorme. Você tocava uma música num lindo piano de calda ...
- Quem sabe esse sonho não se realiza?! – seu sorriso torto me enfeitiçou e seu hálito quente acariciou meu rosto.
- Beije-me, Edward. – sussurrei.
Ele se inclinou levemente sobre mim e seus lábios roçaram os meus num beijo muito cauteloso ... não valeu. Com a mão sem o soro, puxei-o pela camisa e aprofundei nosso beijo, forçando passagem pela boca dele, fazendo nossas línguas de encontrarem.
- Eu te amo, Bella. – Ed falou quando o beijo cessou.
- Como eu te amo.
Ele me ajudou a me acomodar melhor na cama, depois eu senti um leve chute dos bebês. Lembrei do soro, das cólicas, de tudo.
- Que horas são? – perguntei.
- Duas.
- Ainda?! – murmurei – Dormi muito, não foi? – ele assentiu – Você almoçou?
- Fiz um lanche rápido enquanto você dormia. Sidclayton veio aqui pra saber de você e ele ficou no quarto enquanto eu comia alguma coisa na lanchonete do hospital.
- Sid é muito atencioso ...
- É mesmo.
Uma enfermeira entrou no quarto, verificou minha temperatura e minha pressão arterial. Percebi quando Edward olhou atentamente para o tensiômetro, na certa, queria ver por ele mesmo a quantas estava minha pressão. A enfermeira sorriu para nós dois, disse que eu estava me saindo uma ótima parturiente e que já, já eu estaria com meus meninos nos braços.
‘Não vejo a hora’, pensei.
As horas se arrastavam ... Comecei a sentir muita dor de novo, comecei a me enervar de novo! A novidade era que eu sentia uma dor que me puxava em direções opostas, realmente era como ser cerrada ao meio. Não pude reprimir as lágrimas, mas desisti da idéia de gritar, não ia mesmo adiantar nada. O desespero mudo de Ed era palpável, ele olhou para o relógio e teve coragem de falar.
- Falta pouco, amor. Já passa da sete da noite.
- Edward ... eu to com dor de cabeça ...
Ele me olhou de lado, percebi sua preocupação, depois ele apertou no botãozinho da cabeceira da cama para chamar uma enfermeira. Minutos depois, a mesma enfermeira entrou no quarto.
- A pressão, verifique a pressão dela, por favor.
- Mas eu verifiquei há trinta minutos. – a mulher falou com a voz monótona.
- VE-RI-FI-QUE A-GO-RA – Ed usou sua voz cortante como aço, aquela que indica que ele não está para brincadeiras.
A mulher obedeceu de pronto e deve ter se sentido intimidada, ao perceber o homem alto e imponente inclinado sobre ela pra poder ver o resultado no aparelhinho de medição.
- 14 por 9. – ele rosnou – Avise à Dra. Weber, agora!
Quando a mulher saiu, ele beijou minha testa.
- Vai ficar tudo bem, amor.
A Dra. Angela entrou no quarto, seu semblante era sério, pensei até que ela ia dar uma bronca em Ed por ter destratado a enfermeira.
- Sr. Fields, Tess me disse que verificou a pressão de Isabella. 14 por 9, não é? – ele assentiu para a médica – Parabéns pela sua iniciativa! – ela se aproximou de mim e tocou em meu braço – Isabella, nós vamos começar a te preparar para o parto. As doze horas ainda não se completaram, falta pouco. Mas não queremos que sua pressão suba. Uma enfermeira virá para aqui para te ajudar, ok?
Assenti para ela.
- O papai vai querer assistir ao parto?
- Sim! – a voz de Ed era calma e decidida.
Outra enfermeira entrou no quarto e já foi dizendo que ia fazer uma depilação em mim, eu corei e só não surtei porque tenho um marido maravilhoso.
- Não precisa. – Ed falou – Nas quatro últimas semanas, eu mesmo a ajudava na depilação. Ontem mesmo eu fiz isso. A senhora quer ver?
‘NÃO! Ai que vergonha!’
A enfermeira murmurou um com licença e olhou ... virei um tomate.
- Parabéns querida! Você não tem um marido, tem uma mina de ouro em casa! – ela se virou para Edward – O papai agora precisa ir se trocar para poder assistir ao parto.
Edward assentiu, se inclinou e beijou meus lábios bem de leve.
- Te amo, Bella.
- Eu te amo mais.
E aquela foi a única hora que ele se afastou de mim. Fui levada para outra sala, que eu deduzi ser o centro obstétrico, sala de cirurgia ... ou sei lá o quê. Mandaram eu sentar na maca, era um homem quem falava comigo, deveria ser o anestesista. Procurei aflita pela Dra. Angela, mas todo mundo estava de verde, com toucas e máscaras no rosto.
- Estou aqui, Isabella. – reconheci a voz de minha obstetra – Agora, procure relaxar. Este é o Dr. Bishop, seu anestesista. Ele vai aplicar a anestesia em você, o ideal é que você relaxe. Tudo não passa de uma leve picada, a agulha é muito fininha.
E foi mesmo! Parecia uma sensação refrescante se espalhando pelas minhas costas! O soro na mão doeu muito mais. Me deitaram e colocaram um pano sobre minha barriga. Minha visão foi capturada por Edward entrando no centro cirúrgico, todo de verde, parecendo outro médico ... Mas seu olhar penetrante em mim era inconfundível.
Senti minhas pernas formigarem um pouco e me dei conta que aquilo era o efeito da anestesia. O médico perguntou várias vezes se eu estava sentindo as pernas. Diante das minhas negativas, ele olhou sugestivamente para a Dra. Angela. Minha hora estava chegando ... Olhei para meu lado direito, meu marido, minha rocha e fortaleza, estava ali. Acho que ele sorria, seus olhos estavam marejados.
Senti uma coisa mexendo em mim, não doía mas era estranho ... Quase me apavorei ao sentir um leve cheiro de carne queimada. Era o bisturi elétrico! Agradeci a Deus, fervorosamente por alguém ter inventado a anestesia! A sensibilidade estranha permaneceu, o anestesista avisou que eu sentiria mexerem em minha barriga, mas não haveria dor. O mexe-mexe em mim continuou, o anestesista se inclinou um pouco sobre mim e empurrou minha barriga. Logo depois, eu escutei o choro mais lindo do mundo, senti Edward apertar minha mão com força assim que nosso bebê chorou a plenos pulmões.
- ANTHONY! – minha voz estava embargada pela emoção.
Pouco tempo depois de outro estica-e-puxa, outro choro ... este era mais estridente ainda.
- THOMAS! – foi a vez de Edward falar.
Meus filhos foram colocados sobre mim rapidinho ... nem deu pra vê-los muito bem. Só vi que eram lindos e que estavam cheio de uma coisinha branca e melequenta sobre o corpo. Assim que eles foram colocados sobre meu peito e nós três sentimos a troca de calor, o choro diminuiu um pouco. Alguém bateu uma foto nossa. Eu tinha lido em algum lugar que aquele primeiro contato físico da mãe com o recém nascido era muito importante, pois passava segurança para o bebê ... Alguém os tirou de mim, eles choraram mais e quando eu ia protestar, Ed sussurrou.
- Eles precisam ser limpos e examinados, amor.
Edward não saiu de perto de mim, os médicos ainda ficaram lá, fechando minha cirurgia. Logo depois, trouxeram meus meninos para que eu os olhasse melhor, Edward segurou os dois, colocando-os em cima de mim. Mas foi tão rápido ... Outra foto foi tirada, era uma enfermeira muito solícita quem fazia isso.
Queria poder segurá-los para sempre. Ed notou minha aflição e afagou meu ombro.
- Amor, você precisa ir para a sala de recuperação agora. E os meninos precisam ir para o berçário.
- Vai com eles, amor ...
Sussurrei, aflita, eu não queria que meus filhos ficassem com desconhecidos. Edward apenas assentiu para mim, beijou minha testa e saiu acompanhando a enfermeira que levava meus bebês. Não sei o que me deu naquela hora, era um misto de amor, medo e desejo atroz de proteger minhas crias ... Foi então que eu entendi que aquilo era ser mãe.
Fui levada para a sala de recuperação. Lá havia duas outras mulheres também, mas as nossas camas eram separadas por biombos brancos. A enfermeira que me acompanhou, perguntou como eu estava me sentindo e se eu conseguia mexer as pernas numa boa. Apesar do imenso cansaço físico, eu me sentia bem, na verdade, eu estava elétrica, doida para ter meus filhos de volta.
Fiquei ali, olhando para o teto branco ... sem Ed, sem meus bebês ... devo ter cochilado.
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*POV EDWARD*
Depois que ouvi o chorinho de Anthony e o de Thomas, algo se transformou em mim ... Quando peguei meus dois filhos nos braços, ainda na sala de cirurgia, quando olhei para aquelas duas coisinhas miudinhas, tive a certeza de que eles vieram ao mundo para se tornarem o meu mundo ...
Eles choravam, eram fortes! Eram fortes como um Cullen, acima de tudo! Eu chorava ... um atropelo de emoções me invadiu. Eu tive certeza que minha vida nunca mais seria a mesma a partir daquele momento, tudo parecia um sonho!
Coloquei os bebês sobre Bella, para que ela pudesse ver os filhos também. Uma enfermeira bateu algumas fotos nossas, mas depois os meninos tiveram que ser entregues ao pediatra para fazerem os exames iniciais. Bella reclamou e eu tentei tranqüilizá-la. Minutos depois, eles voltaram, enquanto isso, eu fiquei ao lado de minha esposa. Eles já estavam envoltos em mantinhas, eu os peguei e novamente os coloquei sobre Bella. Mais fotos foram tiradas e os bebês foram levados, para o desespero de Bella.
- Amor, você precisa ir para a sala de recuperação agora. E os meninos precisam ir para o berçário. – falei antes que ela pudesse surtar.
- Vai com eles, amor ... – sim, ela ia surtar se eu não fosse.
Me despedi dela com um beijo na testa e segui a enfermeira que levava meus filhos. O nosso destino era o berçário, pelo vidro da janela, eu acompanhei todos os procedimentos sobre meus filhos. Os dois choravam sem parar ...
‘Um Cullen sente falta da sua Swan’, pensei e sorri abobado. Tudo o que eles queriam era a mãe ...
Ao contemplar meus filhos, a minha continuação nessa terra, percebi que minha gravidez emocional chegava ao fim. Agora, começava a nova fase. A fase em que eu cuidaria deles com o máximo de dedicação. Eu não seria a mãe, óbvio, mas eu me dedicaria a eles como se fosse a mãe. Nada dessa história de que pai apenas põe comida na mesa, eu seria um pai presente ... Uma figura de amor, proteção e confiança para meus meninos ... meus ... meus filhos!
A enfermeira acenou para mim, indicando que sairia do berçário com eles. Fiquei esperando na porta.
- Eles vão para a primeira mamada agora! – ela sorriu gentilmente.
- Minha esposa já está no quarto?
- Oh! Não, ela ainda está na sala de recuperação.
- Posso ir junto?! – fiquei ansioso.
- Infelizmente não. Na sala há outras mulheres também. – ela deve ter visto a decepção em meu rosto – Por que o senhor não aproveita e vai para casa? Use esse tempinho livre para tomar um banho, trocar de roupa, comer alguma coisa ... Assim quando sua esposa voltar para o quarto, os quatro poderão se reunir!
Beijei rapidamente a cabeça de meus filhos e segui a orientação da enfermeira. Eu não via a hora de estar com a minha família ...
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Alguém tocou gentilmente em meu braço, era a Dra. Angela. Uma enfermeira estava ao seu lado e era segurava meus filhos.
- Como você se sente, Isabella?
Não me importei com a pergunta.
- Dá aqui meus filhos, por favor? – supliquei.
A enfermeira se inclinou um pouco e me ajudou a amparar os dois. Lindos ... idênticos, tinham bem pouquinho cabelo e, meu Deus! Acho que aqueles cabelinhos seriam cor de bronze como os de Edward! Assim que os dois se perceberam em braços diferentes, abriram os olhinhos: verdes?! Sim! Os olhos deles pareciam ser verdes ... como os de Edward!
Sorri emocionada, quatro olhinhos verdes me fitaram com curiosidade. Depois o da direita deu um lindo bocejo como se tivesse meio entediado, já o da esquerda começou a choramingar um pouquinho.
- Viemos te ajudar com a primeira mamada deles. – a médica sorriu – É importante que recém nascidos mamem na primeira hora de vida.
Meio sem jeito, abri a parte de cima da camisola, a médica e a enfermeira me ajudaram no processo e assim que um dos bebês encostou a boquinha em meu seio, ele abocanhou levemente ... foi uma sensação mágica ...
Olhei bem para ele (eu ainda não sabia quem era quem), vi escrito na sua pulseirinha Edward Thomas Fields ... meus olhos ficaram marejados.
O outro bebê, Anthony, demorou um pouquinho para se situar e choramingou, irritado por não conseguir mamar. A médica segurou um pouco o meu mamilo e encostou a cabecinha dele ali, então ele mamou.
Foi lindo! Por um momento eu me senti a própria mãe natureza, distribuindo a seiva da vida para minhas crias. Um silêncio sagrado preencheu aquele ambiente, tudo era paz e felicidade. Meus olhos percorriam atentamente, o corpinho de meus filhos, tentando memorizar cada pequeno detalhe. Olhei atentamente para a pulseirinha de Anthony e vi que seu nome estava correto: John Anthony Fields.
Com cuidado, eu me inclinei um pouco e beijei a cabecinha de Anthony, que estava em meu braço direito e de Thomas, que estava no esquerdo. Meus filhos ... lindos, cheirosinhos ... meus ... tão pequenininhos ...
(n/a: escutem a música enquanto lêem o texto)
Do nada, comecei a recitar uma antiga oração em forma de canção de ninar que conheço desde criança. Lembrei de quando era criança e mamãe me levava às missas de domingo, eu ouvia sempre essa música.
“Dá-nos tua benção
E tua proteção
Dá-nos teu amor
Vem nos envolver com teu manto
Com teu olhar
Com tuas mãos a nos embalar
Canção de ninar
E a noite se vai
E no coração a mais linda paz
Bem no coração a paz tão real
E logo vêem o dia...
Dá-nos tua benção
E tua proteção
Recebe o louvor
Nome dulcíssimo
Maria”
E tua proteção
Dá-nos teu amor
Vem nos envolver com teu manto
Com teu olhar
Com tuas mãos a nos embalar
Canção de ninar
E a noite se vai
E no coração a mais linda paz
Bem no coração a paz tão real
E logo vêem o dia...
Dá-nos tua benção
E tua proteção
Recebe o louvor
Nome dulcíssimo
Maria”
Ainda rezei um Pai Nosso, agradecendo a Deus pelo meu parto, pela boa saúde de meus filhos e pela segurança de nossa família. Como meus filhos eram lindos!!! Perfeitos ... meus ... dois pedacinhos de mim.
“Não existem palavras para isso, meu Deus. Obrigada!”
Meus meninos mamavam um pouco e depois soltavam o peito quase que ao mesmo tempo, depois abocanhavam de novo e soltavam. Ficaram nesse pega-e-solta por uns dez minutinhos, eu acho. Depois eles se sentiram satisfeitos, eu mudei a posição deles e eles simplesmente dormiram em meus braços.
A enfermeira fez um movimento pra poder pegar um deles e depois o outro. Não gostei disso.
- Pronto. A mamãe precisa descansar agora.
- Mas ...
- Isabella, você acabou de passar por uma cirurgia. Daqui à uma hora, você irá para um quarto. Lá, você e os bebês ficarão mais à vontade. Ok?
Apenas assenti para ela.
- Agora descanse. – a médica sorriu – Daqui a pouco, esses garotões vão abrir o berreiro de novo pra mamar!
E então eu fiquei olhando a enfermeira levar meus filhos de mim. Deu uma dor danada em meu peito, parecia que estavam levando uma parte de mim, e de certa forma era isso mesmo. Suspirei.
Acho que o cansaço físico me derrubou, dormi feito uma pedra e quando acordei, percebi que uma enfermeira mexia em minha cama. Ela perguntou como eu estava me sentindo, se já sentia minhas pernas e minha bunda. Tentei me mexer na cama, esperei sentir dor e não senti. Mexi para um lado e depois para o outro, sempre bem devagar. Depois fui para o quarto, Edward já estava lá. Nós olhamos e sorrimos! Meu marido já estava de roupa trocada e de cabelos meio molhados, ele de ter ido em casa.
- Oi, amor. – ele esperou que me transferissem da maca para a cama e só então beijou minha testa.
- Oi, amor. – sorri.
Depois que ficamos sozinhos, ele puxou uma cadeira, sentou ao meu lado e entrelaçou nossas mãos.
- Parabéns, querida. Você foi fantástica! Nossos filhos são lindos! – havia na voz de Edward uma devoção que eu nunca tinha percebido antes.
- Você os viu? – ele assentiu – Os olhos, são verdes!
Uma enfermeira entrou no quarto carregando uma bandeja, nela havia uma tigela com caldo de carne e um copo de suco de uva. Foi só quando vi a comida que percebi que estava faminta! Enquanto eu comia, Ed se pôs a falar dos meninos
- Sim, os olhos são verdes! – ele estava emocionado – Bella, eles nasceram com 49 cm, cada um. Anthony nasceu às 21hs e 43min, com 2,050 Kg e Thomas nasceu às 21hs e 56min, com 2,100 Kg ... Lindos ...
Depois de ‘jantar’, eu me senti muito, muito cansada. Devo ter dormido feito uma pedra. Na manhã seguinte, acordei primeiro que Ed, tadinho, ele estava mal acomodado no sofá-cama do quarto.
Minutos depois, uma enfermeira entrou e Ed acordou com a movimentação. Era a hora de eu tomar um banho (eu tava precisando mesmo), mas tive medo de levantar da cama ... A enfermeira me incentivou, dizendo que se eu não sentia dores, já era um bom sinal. Com muito cuidado, ela e Edward me ajudaram a ficar de pé e não senti dor nenhuma. Andei um pouco por dentro do quarto mesmo, sempre segurando em Edward. Depois ele me ajudou a tomar banho e a vestir um pijama. Não sei sobre todas as cesarianas, mas a minha, até então, estava ótima! Tomei café da manhã, comi com vontade, não sei de onde veio tanta fome. Meus filhos vieram para mamar, Edward tirou várias fotos nossas ... O sábado e o domingo foram desse jeito.
Edward pegou o celular prateado e ligou para Alice. Por sorte, Jasper, Rose e Emmett estavam com ela. Nós seis nos emocionamos muito, até Jasper estava com a voz embargada ... Os bebês estavam conosco nessa hora e choramingaram um pouco, Emmett desatou a chorar do outro lado da linha assim que ouviu o chorinho deles!
Eu só estranhei o meu corpo, eu estava muito inchada ainda, parecia que tinha outro bebê ali dentro! Mas a médica disse que era normal e que dali a dois dias eu poderia usar o body pós-cirúrgico que havia comprado. No domingo nós recebemos flores e alguns cartões de felicitações, mas sabiamente todos disseram que iriam nos visitar em casa. Achei melhor assim, afinal hospital não é hotel. Ainda no domingo, eu comecei a caminhar pelo corredor o hospital e fui até o berçário, meus filhos estavam lá ... lindos! Anthony dormia muito tranqüilo, estava embaladinho numa manta branca. Já Thomas estava envolto na manta verde e estava acordado, tipo pensando na vida.
- A enfermeira disse que Thomas é o mais reclamão. – Ed apontou para o filho e sorriu torto – Ela disse que ele sempre é o primeiro a chorar.
- Vai ver que ele é mais exigente ... – Ed me abraçou com ternura e eu recostei meu corpo no dele, ficamos ali, vigiando nossos filhos até eu me cansar de ficar de pé.
Na segunda-feira de manhã, os meninos fizeram o teste do pezinho. Eu chorei junto com eles ... uma enfermeira ‘sem-coração’ espremia o pezinho de cada um deles na maior calma do mundo.
- Eu paguei por um teste mais completo, amor. – Ed sussurrou para mim – O nosso seguro saúde não cobria o ‘Teste do Pezinho Expandido’, que é um conjunto de exames capaz de detectar mais de 45 doenças que podem atingir os bebês nos primeiros dias de vida. As amostras de sangue vão para um laboratório na Universidade de Berkeley, na Califórnia. Vamos receber o resultado via FedEx daqui a cinco dias.
Depois que a sangria terminou e Ed assinou alguns papéis, os meninos mamaram e pararam de chorar, ambos dormiram em meus braços de novo. Ed se aproximou de nós e beijou a cabecinha de cada um.
- Também fiz outra coisa sem te consultar. – olhei para ele atônita – No mesmo laboratório há um banco de cordão umbilical. Mandei congelar os cordões deles! É uma coisa cara, mas vale à pena. Os cinco primeiros anos já estão pagos ... Você sabe, as pesquisas com células-tronco estão avançando.
- Fez muito bem, amor. – ele me deu um selinho.
Finalmente eu recebi alta! Não via a hora de chegar em casa ... Depois que a Dra. Angela assinou minha liberação, ela tirou uma tira de pano branca de dentro de uma sacola que estava em sua mão.
- Vamos pôr o sling? – ela falou.
- Hãn?! – eu já sabia o que era, mas tinha medo de usar.
- Sling é uma faixa de tecido resistente. – a médica estendeu a peça sobre a cama - Ele deve medir 2,20 m de comprimento e 1 m de largura e numa das extremidades dele são afixadas duas argolas.
Edward estava carregando Thomas e se aproximou para ver o sling, a médica continuou a explicação.
- Sling é apenas um pano, mas essa forma de carregar os filhos existe há milhares de anos e vem de comunidades antigas ao redor do mundo. O objetivo é o de manter o bebê no colo e ter liberdade de movimento. – a médica pegou Anthony de meus braços e o entregou a Edward, depois ela começou a amarrar o sling em mim – Aqui, seus bebês poderão mamar em paz, aqui dentro é confortável, porque o bebê se sente ainda dentro do útero. O sling agrega valor ao relacionamento mamãe-bebê, porque o contato da pele e a troca de calor proporcionam carinho e aconchego.
Quando dei por mim, ela estava colocando meus dois filhos ali. Eu e Edward prestamos atenção a tudo. Os meninos choraram um pouquinho, a movimentação da médica acabou por acordá-los. Engraçado ... quando eles choram, ficam bem vermelhinhos! Minutos depois, quando se sentiram colados a mim, eles foram se acalmando e ... Caraca! Dormiram! Edward aproveitou e bateu outra foto.
- O papai também deve usar sling! – a médica falou e Edward assentiu.
Saímos dali muito felizes, na verdade, estávamos extasiados. Eu levava os bebês no sling e Edward levava nossas malas. O silêncio entre nós era fruto da imensa felicidade ... Aquela era nossa família! Qual não foi a minha surpresa, ao ver que no banco de trás da pick-up já havia as duas cadeirinhas dos bebês.
- Enquanto você estava na sala de recuperação, eu fui em casa, tomei um banho e instalei as cadeirinhas aí. – Ed sorriu para mim – Graças a Deus fizemos aquele curso de pais. As cadeiras estão bem colocadas.
- ‘Obrigado, papai’ – fiz uma voz infantil enquanto tirava os bebês do sling – ‘Você é muito atencioso com a gente.’
Depois de amarrar bem os filhos no banco de trás, Ed me ajudou entrar no veículo e em menos de dez minutos chegamos em casa. Lá, eu me espantei com o que vi. As árvores estavam enfeitadas com fitas azuis, na varanda de casa havia muitas fitas azuis também. Mas não foi só isso, havia um carro estacionado no jardim, na verdade era uma minivan prateada e tinha também uma ... cegonha?
- A decoração foi idéia do Sidclayton e da Jenny. – Ed sorriu torto – A cegonha foi presente de Charlotte, ela mandou fazer com madeira reciclada e o carro é um presente de Anthony e de Thomas pra você.
Eu estava estática, assim que Ed parou o carro, eu me virei pra ele e beijei-o com paixão.
- Eu te amo, Edward. Amo, amo, amo ...
Pegamos os bebês, com o máximo cuidado de não acordá-los e assim que chegamos à varanda, percebi que nas fitas azuis estavam grudados alguns cartões com lindas mensagens onde havia a assinatura de nossos vizinhos e amigos, fiquei emocionada ... Já no quarto, colocamos os anjinhos no bercinho que Jasper havia comprado, eu olhei para minha cama e me senti exausta.
- Descanse um pouco, Bella. – Ed me ajudou a deitar. – Vou preparar uma coisa pra gente comer.
Apenas assenti pra ele, deitei na cama e tentei relaxar. Mas quando ia pegar no sono, meu amor entrou no quarto carregando uma bandeja de comida.
- Fiz omeletes com queijo e cogumelos e suco de laranja.
Almoçamos ali mesmo, no quarto. Depois ficamos abraçadinhos na cama, eu estava encostada no peito de Edward, ouvindo as batidas de seu coração, uma de suas mãos afagava meus cabelos. Nossas mãos entrelaçadas simbolizavam o quanto nossas vidas sempre foram unidas. E agora, com dois filhos, os laços eram de carne e sangue ... eram eternos ...
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NOTAS FINAIS DO CAPÍTULO:
A música é Canção de Ninar, cantada pela Comunidade Grão de Trigo – Essa é uma Comunidade Católica lá de Fortaleza, no Ceará.
Agradeço a todas as leitoras e peço q deixem seus reviews e comentários. Bjs e até a próxima =]









