Felicidade
Quando Edward estava a caminho da construção, deu meia-volta e decidiu conversar com Sue, Harry e Emily. “Inferno” ele pensou, “isso não vai ser fácil”.
Na cozinha, Emily e Sue conversavam animadamente sobre os preparativos do jantar. A filha queria preparar pato assado, mas a mãe lhe sugeriu um rocambole de carne com legumes.
— Tem razão, mamãe. — Emily sorriu — Vou sugerir a Lady Cullen o rocambole...
A jovem já se preparava para sair da cozinha, quando o Laird entrou pela porta e chamou-lhes a atenção.
— Nosso Laird deseja algo? — Sue perguntou.
— Sim. — ele puxou uma cadeira e sentou-se — Emily, vá chamar seu pai. Eu preciso falar com vocês três.
Sue olhou bem nos olhos de seu Laird, eles estavam meio cinza, ela pressentiu que algo estava errado. Quando criança, Edward tinha uns olhos verdes muito claros e cristalinos, mas quando ele chorava, seus orbes assumiam um tom meio acinzentado. Já homem feito, uma tempestade cinza sempre prenunciava más notícias ou guerras.
— O Laird não trás boas notícias. — ela sussurrou e puxou uma cadeira, sentando-se ao lado dele.
Edward apenas assentiu minimamente com a cabeça e resolveu esperar que a família toda estivesse reunida. Alguns minutos depois, Harry e Emily chegaram à cozinha. Edward respirou fundo e começou a falar sobre Leah.
— Vocês tem tido notícias de Leah? — ele perguntou.
Em questão de segundos, Edward viu diferentes emoções naqueles rostos. Emily corou e baixou a cabeça, ela parecia envergonhada. Sue ficou com os olhos marejados de lágrimas e sua boca se contorceu, ela parecia sentir dor. Havia fúria nos olhos de Harry, ele parecia irado.
— Ela nos envergonhou meu Laird. Envergonhou nossa família... — murmurou Harry.
— Sim, é verdade. — Edward concordou.
— Tenho certeza que Leah foi iludida por algum homem esperto, vivido. — Sue falava com a voz embargada — Ela se arrependeu...
— Também isto é verdade. — Edward assentiu — Uma pena que tenha sido tarde demais.
— Mas deve haver algum jeito. — Emily intercedeu — Mesmo que as pessoas falem mal dela, ela não precisa ficar casada com um homem tão mal.
— Como? Casada? Do que, afinal, vocês estão falando? — Edward se inclinou um pouco para frente e falou exasperado.
— Estamos falando sobre Leah... — Harry respondeu atônito.
— Enquanto estava no Clã Clearwater, ela conheceu um galês e... se entregou a ele, ficou grávida e...
— Fugiu com ele... ficamos sabendo que ela está infeliz e se arrependeu. — Emily completou.
— Quem lhes contou isso? — Edward inquiriu.
— Um mensageiro me interceptou há dois dias, quando eu estava caçando. — Harry explicou — E como eu não sei ler, trouxe o pergaminho e o Padre Erick o leu para nós.
— Este mensageiro mentiu. — Edward falou — Infelizmente a verdade é outra...
O Laird tentou ser sucinto, mas não escondeu a verdade daquela família. Quando chegou ao final, narrando a morte de Leah, Sue e Emily estavam aos prantos, Harry estava arrasado.
— E agora, meu Laird? O que será de nós? — Harry perguntou aflito — Nossa filha era uma traidora...
— Nos perdoe, meu Laird... — Sue implorou.
— Vocês não precisam ser perdoados por mim, não fizeram nada de errado. — Edward se levantou — Eu só queria que soubessem da verdade.
Após a difícil tarefa, Edward precisava de ar fresco, ele foi ao estábulo e pegou seu cavalo. Numa cavalgada revigorante, Edward percorreu seu Clã, sendo cumprimentado por todos. Ele se sentia um homem feliz, completo, tinha um ótimo Clã, onde as pessoas eram felizes e o respeitavam. Em sua casa, tudo ia bem e até mesmo o pai de sua esposa não lhe pareceu um inglês tão arrogante. Jasper e Seth eram seus melhores amigos e ainda havia Emmett, um amigo para todas as horas. Isabella era sua amada esposa, linda... Com orgulho, Edward dizia para si mesmo que havia se casado com uma mulher de verdade, não uma boba e frágil mulher. Isabella era culta, sábia, tinha um bom coração e caráter. E ainda por cima, ela lhe daria um filho... Um filho...
Perdido em tantos pensamentos, Edward se deu conta que o crepúsculo despontava no céu, ele deu meia volta e voltou para casa, o jantar seria servido logo.
Naquela noite, depois do jantar, Edward teve uma nova oportunidade de conversar com o Barão Charlie. Aos olhos de Isabella, seu marido e pai pareciam mais entrosados, Jasper também se metia na conversa, falando sobre caçadas e guerras. Alice e Isabella conversavam sobre a pequena Hannah e mais novo Cullen que estava a caminho.
— Vai ser um menino... — Alice tocou no ventre da cunhada.
— Co-como você sabe? — Isabella perguntou.
— Não sei, eu apenas sinto isso...
As duas amigas começaram a rir e depois de mais algum tempo, Isabella bocejou. Ela parecia exausta.
— É melhor você se recolher. — Alice sugeriu — Quando estamos esperando um filho, sempre temos sono...
— Parece que não durmo há dias...
Isabella se despediu da cunhada, atravessou o salão e chegou ao trio, interrompendo a conversa deles. Num átimo, Edward se levantou da cadeira e beijou o rosto da esposa com carinho. Ela desejou boa noite ao cunhado, ao pai e sussurrou ao ouvido do marido:
— Gostaria que você não se demorasse tanto aqui...
Edward lançou à esposa um meio-sorriso, aquele meio-sorriso que sempre encantava Isabella. Já no quarto, enquanto escovava seus longos cabelos castanho-avermelhados, Isabella refletia sobre sua vida. “Obrigada, Deus”, ela pensou, “eu sou feliz”.
Minutos depois, um Edward sedento de amor entrou no quarto. Ele ofegou e sorriu ao ver a esposa vestida numa finíssima camisola azul, em duas passadas, Edward chegou junto à esposa e abraçou-a com carinho.
— Esta camisola é muito bonita, Lady Cullen. — as mãos dele percorreram as costas da esposa — Mas eu prefiro você sem ela.
As mãos de Isabella já estavam enroscadas aos cabelos cor de bronze do marido. Ela sorriu com satisfação e ronronou.
— Então tire-a de mim...
O casal se amou com paixão, calor e luxúria até que seus corpos suados, após se renderem às delícias, descansaram entrelaçados. Eles permaneceram em silencio por uns poucos minutos, e logo ela sussurrou:
— Você se agradou de meu pai?
— Não o conheço o suficiente para que me agrade. É um homem sisudo. Não gostou de ver arranhões em seus braços e pensou que eu era o responsável por aquilo. Mas quando lhe contei sobre o rapto e ele soube que Caius era o responsável, já não pôde me culpar.
— Contei a ele sobre nosso filho.
Edward riu.
— Sim, ele me disse que ficou muito feliz…
— Edward você se lembra que na hora do almoço, Sue me chamou?
Ele bocejou e assentiu com a cabeça.
— Ela estava recolhendo os pedaços da estátua de St. Noah que eu quebrei e algo chamou sua atenção. — Isabella se apoiou num dos cotovelos pra poder olha no rosto do marido — Havia uma coisa brilhante dentro da estátua.
— Havia? — Edward perguntou sem interesse algum.
— Estava cheia de ouro.
— Estava o quê?
— Ouro. — ela sussurrou — A estátua estava cheia de ouro. Quebrei outra só para ver o que havia dentro, e também tinha ouro.
A reação de Edward foi muito parecida com a dela, ele ficou pasmado.
— Então, verdadeiramente havia um tesouro.
Isabella lhe repetiu a história que sua mãe tinha lhe ensinado. Quando terminou, disse:
— Agora, que eu sei que dentro de cada estátua há ouro, me dou conta do quão inteligente era o Rei Phillip. Os Cruzados mataram seus leais súditos porque os obrigava a pagar pedágio para atravessar suas montanhas. O Papa acreditava que o país estava cheio de pagãos, então o que foi que fez o rei? Consagrou seu país a um santo e lhe trocou o nome, de Forks para Saint Noah. Logo, o Rei enviou ao Papa uma pequena quantidade do ouro arrecadado. Os Cruzados não se atreveriam a machucar seu povo novamente e um ataque a St. Noah seria como um ataque ao Papa.
— Por que o Rei manteria o ouro escondido durante todo esse tempo?
— Minha mãe contou a meu pai que o Rei era um homem sábio. Ele deduxiu que uma grande riqueza também provocaria uma grande cobiça. Seus camponeses eram felizes sem ouro.
— E a cobiça corromperia sua forma de vida.
— Sim.
Edward sorriu.
— Sim, ele foi um homem muito inteligente ao usar seu santo favorito para que lhe ajudasse a salvar seu país.
— A história ainda não acabou. Perguntei a meu pai, e ele me disse que o que eu suspeitava era certo — ela esticou-se e lhe sussurrou ao ouvido — Não existe nenhum Saint Noah.
— Ele inventou-se um santo… — disse Edward, depois de um longo silencio.
— Mas ele salvou seu povo da única forma que sabia — Isabella defendeu seu antepassado — Mesmo assim, eu me pergunto o que pensariam os líderes da igreja se soubessem. Esse segredo deve ficar entre nós, Edward.
— Sim, isso é certo. — Edward assentiu com a cabeça e jurou solenemente.
— Atualmente, o Rei William é o governante de St. Noah, e, por Deus, ele não obterá o nosso tesouro. Eu o manterei a salvo, e — ela tocou em seu ventre — Nosso filho ou filha ouvirá a história, e seguirá com a missão de proteger o tesouro.
Edward tocou gentilmente no ventre da esposa.
— Nossos filhos e filhas. — ele sorriu — Se for da vontade de Deus, este será o primeiro de muitos filhos.
— Sim, este será o primeiro... — ela se esticou e beijou o marido com carinho.
Aninhada ao peito do marido, Isabella já estava quase adormecida quando Edward começou a rir.
— Agora entendi porque vocês nunca põem as estátuas dentro das igrejas.
— É uma tradição.
— Começada por um rei que sabia que seria uma blasfêmia.
Ela bocejou e se aconchegou mais ao corpo do marido.
— Deixarei que nossos filhos e seus futuros filhos se preocupem com a tradição e a igreja.
— Mas devemos ensiná-los a guardar o segredo — ele disse enquanto, delicadamente, fazia com que Isabella se deitasse de costas — E eu farei minha parte, — Edward intercalava palavras e depositava beijos nas costas e pescoço da amada, provocando pequenos arrepios e choques de prazer nela — amor, para garantir que você tenha muitos filhos e filhas.
NOTA FINAL DO CAPÍTULO
Gente, eu errei, este é o último capítulo. Amanhã teremos o epílogo. Bjs e deixem seus comentários.