Três dias depois do aniversário de Edward, Tia entrou em trabalho de parto e foi levada para a maternidade do Forks Hospital. Benjamin ficou muito nervoso e acabou desmaiando no corredor do hospital! Também, eles tiveram um susto e tanto ... Joshua deu trabalho pra nascer! As contrações de Tia estavam aumentando cada vez mais e ela já estava com oito centímetros de dilatação ... um bom tempo depois de muitas dores e gritos, ela alcançou os tão ‘sonhados’ nove centímetros necessários.
E então a ficha foi caindo aos poucos pra mim ... Porra! Nove centímetros é muita coisa ... Será que depois ‘as coisas’ voltam mesmo ao tamanho normal? Lembrei da reportagem dos cavalos-marinhos, quando os machos dão à luz seus filhotes. Nunca antes, eu havia desejado tanto que Ed fosse um deles ...
Pois bem, voltando ao parto de Tia, tudo ia bem e o bebê se movia na direção certa, mas de uma hora pra outra, o colo do útero dela parou a dilatação. Eu nem sabia que isso poderia acontecer ... A medicina não atribui uma causa específica a esse ‘fenômeno’. Então o parto virou uma emergência, Benjamin, que assistia a tudo, enquanto segurava a mão de Tia, foi ‘convidado’ a sair da sala de parto. Ele ficou confuso e aflito mas saiu numa boa, porém quando viu Tia ser levada para o centro cirúrgico, ele simplesmente desmaiou ... Passado o susto, a cesariana foi tranqüila, Joshua nasceu grande, forte e saudável. Ele é um lindo bebê carequinha, de olhos azuis e de bochechas bem rosadas!
Depois do parto de Joshua, Edward ficou mil vezes mais preocupado e estressado ... OMG! Tadinho ... ele espalhou vários cartazes pela casa para um possível caso de emergência.
Eu achei engraçado quando vi um cartaz na porta da geladeira, preso por um ímã e mais uma meia dúzia deles espalhados pelos móveis e presos por fita adesiva. Até no espelho do banheiro e do lavabo Edward espalhou suas ‘instruções’! Mas pra ser sincera, eu achei muito fofa a atitude dele.
Numa tarde, enquanto trocava de roupa, para ir ao hospital, para mais uma consulta de pré-natal, eu me espantava com as mudanças de meu corpo: eu estava imensa e cansada ... Apesar da minha boa condição física, devido às caminhadas e às aulas de yoga, a minha coluna já doía muito. Minha barriga estava tão grande, por causa da gravidez de gêmeos, que eu nem conseguia ver a minha ... Mas não era só a estética que me incomodava. Nessa fase da gravidez, o organismo retém mais líquido e a circulação sanguínea é mais lenta, por isso meus pés estavam inchados. Mais do que isso, eu parecia o Kiko! Minhas bochechas estavam muito arredondadas também! Eu parecia um barril vestido ...
Naquela semana, eu e Ed não fizemos amor nenhuma vez. Ele estava estudando muito e dormindo muito tarde. Todas as noites eu ia deitar cedo, porque meu sono já estava bastante conturbado. Qualquer posição que eu ficasse, a barriga atrapalhava. De um jeito, eu não respirava direito, de outro, minha coluna latejava ... Além disso, eu acordava pelo menos umas três vezes durante a noite pra fazer xixi. Juntando tudo isso, fazia tempo que eu não via o meu ‘eddie’ ... Será que ele ficaria ‘feliz’ se me visse nesse estado mega-arredondado?
PIOR! Será que o meu ‘eddie’, por acaso, mesmo sem querer, ficou ‘feliz’, essa semana por ter visto alguma mulher, tipo, alta, curvilínea, linda, sexy ...
Ai meu Deus! Respira, Isabella, respira ...
- Por que a caretinha, amor? – Ed entrou no quarto, sem que eu percebesse e me abraçou por trás – Você está linda!
Sorri antes de responder.
- Bondade sua.
Ele não esperou muito. Gentilmente, virou meu corpo para poder ficar de frente pra ele e levantou meu rosto com delicadeza.
- Não é bondade. – seus olhos eram cautelosos e sinceros – Você é linda. – eu ia protestar, mas ele continuou – Para mim, você é linda ...
Eu não disse nada, apenas abaixei meu olhar. Edward respirou fundo.
- Bella ... o que foi?
- Nada.
- Amor, você não está dizendo a verdade. – suas mãos envolveram meu rosto – Eu entendo se você não quiser falar, mas eu sei que tem algo te incomodando. – ele roçou seus lábios nos meus – Eu te amo.
- Também te amo. – resolvi deixar quieto e esbocei um sorriso – Vamos?
Em menos de dez minutos, chegamos ao hospital.
Aquela era a 33ª semana de gestação, meus bebês já tinham em torno de 40cm e pesavam pouco mais de 1,5 kg. Anthony e Thomas já estavam completamente formados, seus corpinhos cresciam e engordavam proporcionalmente. Eles até já podiam distinguir a luz da escuridão!
Mas havia uma coisa que me preocupava. O primeiro gêmeo a sair (que seria Anthony) estava sentado. Thomas também estava sentado, mas por ser ‘teoricamente’ o segundo a nascer, a posição dele estava correta. Nessa fase avançada da gestação, os dois já deveriam ficar na posição correta, que é o primeiro de cabeça para baixo e o segundo, sentado. Dificilmente meu Anthony daria uma cambalhota para ficar no ‘lugar certo’, por isso, a Dra. Angela, após tirar mais um ultra-som em 4-D, me alertou para a possibilidade de uma cesariana.
- Lindos ... – murmurei ao ver a nítida imagem de meus filhotes.
- São bem dotados. Puxaram ao pai ... – Ed murmurou todo presunçoso me fazendo corar e recebendo um olhar malicioso da enfermeira que auxiliava a médica.
A obstetra conversou bastante comigo e com Edward sobre a cesariana, nos esclareceu várias dúvidas e nos passou bastante confiança, embora eu estivesse muuuito nervosa ... Minha ansiedade só foi eclipsada pela alegria de saber que meus bebês estavam bem. Agora só faltavam duas semanas para eu completar as 35 semanas, quando os pulmões dos meus meninos estariam ‘prontos’. Com 35 semanas e 1 dia, eles poderiam nascer com mais segurança.
Naquele dia, a consulta médica se encerrou com um ‘tour’ pela maternidade e pelo berçário do hospital, conhecemos as instalações e vimos o quanto a UTI NEONATAL é bem equipada (mas, se Deus quiser, não iremos usá-la). Tendo médicos em nossas famílias, eu e Ed aprendemos e ser exigentes e perceptivos a vários aspectos de um atendimento hospitalar.
- Um milhão de dólares pelos seus pensamentos, Bella ... – nossas mãos estavam entrelaçadas e ele massageava as costas da minha mão com seu polegar.
Respirei fundo antes de responder. Contei uma meia-verdade.
- O parto ...
- Vai ficar tudo bem, Bella. – ele parou de andar, se inclinou e beijou minha testa – Eu posso imaginar seu medo, mas vai dar tudo certo. – ele franziu a testa e confessou – Queria ser eu em seu lugar ...
Não dei resposta, apenas sorri. Percebi que Ed estava tão estressado quanto eu, se eu surtasse, ele surtaria em dobro ...
- Que tal se a gente fosse jantar no restaurante da Martha? – Ed olhou pro relógio - A essa hora, aquela sopa deliciosa já está sendo servida. Eu acabei nem almoçando hoje ...
- Edward! – falei exasperada – Você tinha me prometido que iria almoçar!
Já que a minha consulta médica daquele dia era num fim de tarde, Ed não tinha vindo almoçar em casa pra poder compensar sua saída antecipada.
- Princesa, eu acabei esquecendo. – ele sorriu torto – Na verdade, nem tinha trabalho pra fazer na hora do almoço ... Comecei a estudar ... e quando percebi, o expediente já tinha recomeçado.
- Amor, você não pode pular as refeições. – falei num tom mais brando – Vamos, então?
Aquele restaurante parece mais um ponto de encontro de vizinhos, muitas pessoas que moravam em nosso quarteirão costumavam jantar lá diariamente. Todo mundo se conhece, se cumprimenta, eu gosto disso ... Uma das vantagens de se morar numa cidadezinha, era essa: quase todo mundo é seu vizinho. O jantar foi muito agradável, acho que eu precisava sair de casa, ver gente, sorrir ... De volta pra casa, Ed dirigia tranquilamente enquanto eu o fitava ... Eu não estava num bom dia, definitivamente, não estava.
‘O que faz um cara tão lindo como ele, meu Deus, se prender a uma garota tão comum, como eu?’
Eu sei, eu estava numa crise, minha auto-estima não estava em seus melhores níveis ... Eu me sentia gorda, inchada e cansada. Agradeci a Deus, fervorosamente, porque Ed nunca tinha me dado motivos pra duvidar de sua fidelidade. Se houvesse qualquer tipo de ruptura em nosso relacionamento, causado por traição ou a simples ameaça dela, do jeito que eu estava sensível no fim da gestação, eu nem sei o que seria de mim ... Alheio às minhas neuras, Ed estacionou a pick-up na frente de casa, me ajudou com o cinto de segurança, desceu rapidamente e me ajudou a descer também.
- Que tal um banho de banheira, amor? – ele falou com sua voz sedutora.
- Eu adoraria. – e era verdade, eu queria muito a companhia dele.
Edward pediu que eu esperasse um pouco, enquanto ele preparava a água.
- Assista TV um pouquinho, eu volto logo. – ele beijou minha testa e saiu da sala.
Minutos depois, Ed voltou com um sorriso travesso nos lábios. Ele não falou nada, sentou ao meu lado, desligou a TV, tirou um lenço do bolso da calça e vendou meus olhos.
- Edward!
- Shii ... – ele aproximou os lábios do lóbulo da minha orelha e sussurrou – Isso é um seqüestro.
Eu apenas sorri, deveria ser um sorriso pervertido, aquele hálito quente em minha orelha mandou pequenos choques de prazer para o meu corpo, me fazendo arrepiar. Ed começou a me despir lentamente, era uma tarefa que ele fazia sem pressa ... e todos os meus outros sentidos eram aguçados pela falta da visão. Eu hiperventilei quando senti sua respiração contra meu pescoço, enquanto tirava minha blusa e o sutiã. Mas meu corpo deve ter entrado em combustão quando ele me pôs de pé e começou a tirar minha legging, suas mãos apertaram de leve a minha bunda e depois passearam pelas minhas coxas. Mesmo por cima da calcinha, Edward beijou minha intimidade, eu arfei. Ele tirou essa última peça de roupa minha e depois se afastou um pouco de mim. Eu continuei imóvel, os segundos se passaram, eu corei e falei por fim.
- Ed?
Ele não respondeu, mas juntou se corpo nu ao meu e eu pude sentir sua excitação contra mim.
- Ah, Bella ... Senti sua falta.
Ele me abraçou, suas mãos passeavam por minhas costas e desciam até minha bunda, apalpando-a com força. Eu estava ‘no escuro’, mas o abracei com carinho e senti que beijava seu peito musculoso , minhas mãos faziam um gostoso passeio por suas costas.
- Isso, Bella, aaahhh ...
Percebi que meu marido estava tão sedento de carinho quanto eu. Ele se inclinou e procurou meus lábios, sua fome era grande, assim como a minha. Nossas línguas se encontraram num abraço urgente, o ‘eddie’ ficou mais duro e meu sexo, molhado. Quando o ar nos faltou, Ed nos guiou até o banheiro, minhas narinas foram assaltadas por um cheiro muito gostoso. Ele tirou o lenço de meus olhos e vi um banheiro à luz de mini-velas perfumadas, uma banheira cheia com sais de banho e sob o deck dela, uma caixinha.
- Ed ... amor, que lindo!
-Eu quero te dar um banho erótico, Sra. Cullen. – seu sussurro me fez gemer.
Seu abraço por trás fez com que seu sexo empurrasse minha bunda. Eu, embora grávida, continuo perva, empinei minha bunda e rebolei um pouquinho, fazendo meu marido apalpar minhas coxas e gemer de prazer. Aquilo foi bom, fez eu me sentir sexy e desejada. Edward começou a beijar meu pescoço e ombro e foi me guiando até a banheira. Ele entrou primeiro, se apoiou bem e me ajudou a entrar. Uma de suas mãos segurou a minha com firmeza, a outra, segurou forte o meu outro braço.
A água estava quentinha e ... rosa?
- Amor, essa água? – perguntei curiosa.
- Está com sais de banho feitos com pétalas de rosas. – ele falou enquanto nos fazia sentar, eu me escorei contra seu peito – Achei que merecíamos um banho relaxante.
Virei minha cabeça para olhá-lo, ele sorria torto.
- Esse cheiro é muito gostoso mesmo. – arfei e perdi a linha do raciocínio quando senti suas mãos na parte interna de minhas coxas.
- Eu senti falta disso. – ele beijou meu pescoço – E disso. – suas mãos apalparam meus seios e desceram até meu sexo – E disso.
- Oh Ed ... – falei ofegante.
As carícias continuaram em meio a pequenos gemidos. Edward pegou uma esponjinha rosa, colocou sabonete líquido nela e me deu um banho muuuito gostoso. Aos poucos, eu me percebi nada cansada ou sonolenta. Aliás, eu estava excitada, quente, assim como ele. E quando eu pensei que tudo estava perfeito, Ed se esticou um pouquinho e pegou a caixinha que estava sobre o deck da banheira.
- Comprei uma coisinha pra nós dois. – ele me deu a caixinha – Abra.
Abri a caixa e ... olhei, olhei de novo, inclinei um pouco a cabeça pra poder ver melhor, franzi a testa e depois percebi o cheiro daquilo.
- Amor, são de comer?
- São sim! – ele sorriu malicioso – Quer provar um?
- Só como se você comer! – devolvi seu sorriso malicioso.
- Hum ... delícia. – falei depois que ele colocou um pedacinho do chocolate em minha boca.
Quando eu fui colocar um pedacinho na boca dele, ele se desviou e beijou meus lábios.
- Assim fica melhor. – Ed falou depois do beijo.
E então começamos um joguinho, antes de comer o chocolate seguinte, a gente ficou brincando de imitar o que os casais faziam na barrinha de chocolate (isso, claro, dentro das minhas limitações de grávida). Mas às vezes a gente dava risada daquelas figuras engraçadas do Kama Sutra.
- Ah! Essa aqui não vale! – peguei uma barrinha – Tem uma, duas, três ... quatro pessoas!
- É um swing de chocolate!
- Mas amor, falando sério. Adorei a surpresa! – beijei seus lábios de leve – Obrigada.
Ele sorriu.
- Ontem eu fui a Port Angeles com Kate e enquanto ela entrou num restaurante pra encomendar o serviço de buffet para o banco, eu entrei na sexy shop do lado. Vi esse kit de banho sensual e gostei da idéia, mas quando vi a caixinha de chocolate, me convenci que seria ... interessante.
Depois de um banho relaxante e de chocolates bastante provocantes, Ed passou um óleo de massagem sobre meu corpo, fazendo pequenos e lentos movimentos. Por onde ele passava, minha pele ardia de desejo, seu jogo de sedução daquela noite terminou num sexo muito gostoso.
Preocupado com o meu barrigão, meu marido inovou mais uma vez. Ele me fez deitar de lado e colocou uma almofada sob minha barriga para deixá-la apoiada e confortável. Seus lábios começaram a me beijar com volúpia, enquanto suas mãos acariciavam meu corpo. Quando estávamos prontos, ele se deitou atrás de mim, do mesmo jeito que a gente dorme de conchinha e me penetrou. Percebi que eu estava muito confortável daquele jeito enquanto Ed ditava os ritmos das estocadas. Uma de suas mãos segurava meu quadril e às vezes apalpava minha bunda. Pouco tempo depois, nos saciamos e dormimos abraçadinhos naquela mesma posição.
No dia seguinte era sábado, Ed acordou cedo, primeiro que eu. Depois do café, enquanto ele lavava a pick-up, eu tomava um banho de sol no jardim e conversava com os gêmeos. De repente, ele entrou em casa e voltou com um dos brinquedos dos bebês, pediu que eu fizesse uma pose e bateu a foto.
- Você está linda, quero guardar essa foto pra sempre. – ele beijou minha testa – Eu te amo, esposa.
- Eu te amo. – beijei seus lábios e entrei em casa.
Dali a pouco tempo, Samuel chegaria e os dois teriam o dia inteiro de estudo. Enquanto eu cozinhava o almoço e o jantar (de uma vez só, pra poder descansar durante a tarde), Alice ligou para o meu celular prateado. Minha nossa, como eu fiquei feliz! Todos estavam reunidos no apartamento de Rose em NY e eu conversei com os quatro. Chamei Ed e ele desceu do sótão apressado para falar com nossos amigos. Eles nos contaram que tudo corria como o planejado, que estavam tendo muitos progressos e que, apesar de tudo, deveríamos nos alegrar.
Eles sempre fazem isso ... injeção de ânimo em mim e em Ed ...
Rose disse que eu esperasse uma encomenda deles para seus afilhados. O furgão do FedEx deveria chegar na segunda-feira com uns presentinhos para os meninos. Nos despedimos de nossos amigos com um bolo na garganta, tanto eu como Ed sentimos muita falta deles. Mas esse é um mal necessário ... Afinal, estão trabalhando para nos devolverem nossa vida.
E como prometido, os presentes chegaram. As madrinhas mandaram para cada um dos meninos um conjuntinho de talheres de prata da Tiffany, com os nomes deles gravados em cada peça ... muito, muito chique! Deu até pena de desembrulhar aquelas lindas caixas azuis com fitas brancas.
Emmett escreveu um cartãozinho que acompanhava dois kits de perfume, xampu e sabonete de uma boa marca de produtos de bebê e duas caixas com cadeiras de balanço para bebês. Quando Ed chegou do trabalho, ele montou as cadeirinhas, ficaram lindas!
Jasper é sempre muito pragmático e preocupado com o bem-estar dos outros. Por isso, ele mandou um berço móvel para os gêmeos! Ainda bem que ele se lembrou disso porque havia passado despercebido por mim o fato de que nos primeiros meses, será mais cômodo para nós que os bebês fiquem em nosso quarto. Eles vão mamar, dormir e chorar (não necessariamente nessa ordem) muito durante a noite ...
Durante aquela semana, eu tinha uma missão importante, mas que fui deixando pra depois, pra depois ... e agora, eu tinha que resolver. Contratar uma babá. Forks, essa minúscula cidade que eu gosto tanto, é tão mínima que não tem uma agência de empregos grande. A maioria das necessidades de mão de obra local é para os setores de turismo, hotelaria e comércio. Entrei no site da instituição várias vezes, mas só achava pessoas querendo trabalhar eventualmente como baby-sitter, e em sua maioria, eram adolescentes dispostas a faturar um dinheirinho extra.
- Mas isso parece brincadeira. – pensei alto, ao olhar para a tela do notebook – Ninguém quer trabalhar!
Sid, que limpava a janela da sala de jantar, onde eu estava com o notebook sobre a mesa, virou o rosto pra mim.
- A senhora falou comigo, Sra. Fields?
- Ah! Não, Sid, eu pensei alto.
- Algum problema? – ele perguntou solícito.
- Eu ainda não consegui nenhuma candidata a babá. – bufei – Ninguém quer trabalhar de babá nessa cidade!
- Babás não são muito necessárias aqui. – ele me olhou nos olhos enquanto falava – Forks é uma cidade tão pequena, que todo mundo mora perto de algum parente que possa tomar conta de seus bebês. Além disso, muitas mães trabalham meio expediente e assim podem deixar os bebês num dos dois berçários da cidade.
- Não quero deixar meus filhos em berçários. – murmurei contrariada – Pelo menos, não enquanto forem tão pequenininhos ...
- Mas não era sobre isso que eu falava, Sra. Fields. – ele fez uma pausa – Com a agência, a senhora não vai conseguir uma babá. A senhora vai precisar de um método mais antigo de seleção.
- Método mais antigo? – arqueei as sobrancelhas.
- Sim. A senhora lembra como me contratou? – ele sorriu e eu acenei com a cabeça – Isso mesmo: propaganda boca-a-boca. Comece a dizer às pessoas que precisa de uma babá, daqui a pouco, uma candidata vai aparecer.
- Mas Sid, isso é seguro?
- Numa cidade grande, não. Mas em Forks, onde todo mundo se conhece há várias gerações, a senhora não terá dificuldade em descobrir sobre a vida da babá.
‘Foforkianos telepatas’, pensei e sorri.
Naquele mesmo dia, na hora do almoço, eu comentei com Ed a idéia que Sid me deu. Meu marido achou boa a sugestão e disse que também iria procurar indicações com seus colegas de banco, já que alguns deles já tinham filhos.
Charlotte me mandou uma garota, no dia seguinte, sobrinha de um dos empregados do galpão de móveis. Brenda era muito novinha, apenas 18 anos, parecia ser gentil e dizia gostar de crianças, disse que tinha ajudado a mãe a cuidar de seus irmãos mais novos e que sua família morava em Oregon, mas agora morava com seu tio em Forks. Aparentemente, eu gostei dela, mas achei que ela era muito nova pra cuidar de dois bebês. Se bem que eu era pouco mais de dois anos mais velha que ela ... Eu também era jovem, tecnicamente, pra ser mãe. E quando eu digo tecnicamente, é porque às vezes eu me sinto como se tivesse uns trinta anos! Não vejo isso de uma forma negativa, só que eu já tenho tantas obrigações e responsabilidades, que nem pareço ter só20 anos! Anotei o telefone da garota e disse que ligaria no final de semana pra dar a resposta.
Tia me mandou a antiga babá de seu sobrinho, Helga, uma senhora alta, forte, com um sotaque de algum lugar do leste europeu. Dessa, eu não gostei ... ela era muito séria. Por incrível que pareça, nos nossos cinco minutos de conversa, eu não me senti a vontade em minha própria casa.
- A senhora vai tirar quanto tempo de licença maternidade? – Helga me perguntou, depois que eu perguntei tudo o que eu queria sobre ela.
- Eu não estou trabalhando. – respondi com naturalidade.
- Pois devia trabalhar! – ela falou num tom reclamão – A senhora é jovem, forte e saudável ... seu marido deve se matar de trabalhar pra poder bancar essa casa!
Puta que pariu! A mulher parecia uma sogra! Na mesma hora, reformulei o pensamento. Esme não era assim! Helga poderia ser uma sogra-megera! Eu a despachei logo, prometendo ligar no final da semana.
Eu estava desanimada. Já era quinta-feira e nada de uma boa candidata a babá! Mas então, o telefone tocou, era Edward dizendo que conseguiu referências da babá do filho de Mark, seu colega de trabalho. O menino já estava com três anos de idade, seus pais o deixariam na pré-escola por meio período e ele passaria o resto do dia na casa dos avôs maternos que já estavam aposentados. Anotei o nome da babá e Ed disse que ela ligaria pra mim pra marcar uma entrevista.
Em menos de trinta minutos, o telefone tocou novamente, era Jenny, a nova candidata. Gostei do tom de voz dela, gostei de sua conversa. No dia seguinte, ela veio de manhã, enquanto Sid limpava a casa, eu conversava com uma mulher muito gentil. Jenny deveria ter uns 40 anos, alta, loira e de cabelos curtinhos, observei que seus cabelos e suas roupas estavam limpos, assim como suas unhas que também eram bem curtinhas. Ela disse que na casa de Mark, cuidava do menino, preparava as refeições dele, contava histórias, brincava com ele ... no final, ela estava com os olhos marejados. Ela cuidava do garotinho desde que ele nasceu e sentiria muito a falta dele. Quando perguntei sobre suas experiências de trabalho anteriores, ela foi muito honesta e me falou de sua vida pessoal para que eu pudesse entender tudo.
“Eu moro em Beaver, a 15 minutos daqui. Nasci lá e prá lá voltei depois do divórcio. Jeremy e eu nos casamos muito jovens e fomos fazer a vida em Los Angeles. Lá, eu tinha dois empregos enquanto ele terminava a faculdade de direito. No ano em que ele se formou, eu fiquei grávida e ele foi contratado por uma importante firma de advocacia. Dois anos depois, nossa segunda filha nasceu, nossa situação financeira melhorou e ele começou a ter um caso com a secretária. Quando ele pediu o divórcio, Jenna tinha 5 anos de idade e Joan, 3 anos.
O divórcio foi difícil. Jeremy foi implacável, ele conseguiu a guarda das crianças e fez o juiz entender que uma pensão de U$ 800,00 seria suficiente pra mim. Meses depois eu comecei a beber. Eu bebia muito, todos os dias ... Jeremy conseguiu que um juiz declarasse que eu não tinha condições nem de visitar minhas filhas nos fins de semana. E então eles se mudaram de Los Angeles para Miami.”
Meu coração ficou apertado enquanto ouvia aquela mulher despejar sua triste vida para mim. Mas uma coisa não me passou despercebido. Ela era alcoólatra?!
“Eu sentia muito a falta das meninas, eu bebia todos os dias e chegava ao trabalho completamente embriagada. Romy, a sogra de Mark, tinha sido madrinha de meu casamento. Ela ficou sabendo da minha situação e saiu daqui de Forks até Los Angeles pra me convencer a voltar pra casa. Em Beaver, eu fui morar na casa de minha irmã mais nova. Até hoje eu moro lá. Mas eu precisava de um emprego pra poder ajudar nas despesas da casa. Comecei a freqüentar os Alcoólicos Anônimos e arranjei um emprego de porteira numa escola. Quando o neto de Romy nasceu, surgiu a necessidade de uma babá. O salário era o mesmo que eu ganhava na escola, eu sempre gostei de crianças e achava que deveria retribuir a Romy todo o bem que ela me fez. Minha experiência como mãe, me fez ser uma boa babá. E agora, eu não vejo outra profissão para mim.”
A mulher terminou de falar e fez-se um minuto de silêncio bastante desagradável. Eu não sabia o que dizer.
- Sra. Fields, eu já estou limpa há 5 anos. Ainda freqüento o A.A. toda semana e não tenho intenção de voltar a beber. Hoje eu não vou beber, é o que eu digo todos os dias. – ela me estendeu um papel – Aqui estão os telefones de minha irmã, da casa de Romy e da casa da filha dela, a mãe do menino. Esse outro telefone aqui é o da escolinha onde trabalhei como porteira.
- Ok, Jenny, eu devo ligar pra você amanhã à tarde.
Depois que a mulher saiu, Eu fiquei pensando um pouquinho e resolvi fazer uma coisa ‘feia’. Liguei para Charlotte e perguntei se ela conhecia Jenny. A história da babá foi confirmada e Charlotte ainda acrescentou que a mulher era muito determinada e corajosa, que tinha dado a volta por cima, etc e tal. Fiquei mais animada e liguei para a casa dela, falei com seu cunhado e sua irmã, liguei para a sogra e a esposa de Mark e por fim, liguei para a escolinha. Durante o jantar, eu conversei com Ed sobre Jenny, ele me ouviu atentamente e disse que Mark já havia dito aquilo tudo a ele, mas que nós deveríamos ficar tranqüilos porque na casa dele nunca houve problema algum.
Depois do jantar, Edward pegou o violão e fez uma serenata para mim e os meninos. Era uma noite quente de verão, eu já estava na 34ª semana de gestação e os meninos se remexiam bastante enquanto ouviam a voz do papai, aquilo me fazia rir.
- Calma, Anthony. Calma, Thomas. – eu acariciava a minha barriga – É só o papai que está cantando e ... AAAIII ...
Senti uma contração muito forte, gritei, me contorci e apertei uma almofada que estava ao meu lado no sofá. Edward se levantou num pulo, largou o violão e se sentou ao meu lado.
- Bella! Bella, amor ... tá na hora? – seu olhar aflito me deixava mais aflita ainda.
- Ai ... não. – arfei – Foi só uma contração isolada.
Naquela manhã, eu tinha tido outra consulta com a obstetra. A partir da 30ª semana de uma gestação de gêmeos, ela queria ver a grávida semanalmente. Por isso as minhas visitas eram constantes. A Dra. Angela havia me explicado que àquela altura da gestação, por serem dois bebês, a minha barriga já tinha descido o suficiente para me fazer sentir contrações diariamente. Eu só deveria ficar alerta para a diminuição do intervalo delas. Intervalos cada vez menores indicavam que eu estava me aproximando do dia do parto. E quando as contrações viessem a cada vinte minutos, era hora de ir para o hospital.
- Bella ... – ele me olhou desconfiado.
- Amor, eu tive uma contração dessa há uma hora atrás. – toquei no rosto dele – Está tudo bem.
- Princesa, tá tudo bem mesmo? – ele se inclinou e colou nossas testas, uma de suas mãos tocou minha barriga.
- Tá, Ed. Doeu só um pouquinho.
Mentira minha, foi uma dor miserável. A minha coluna latejou por causa da contração. Ele se inclinou um pouquinho e beijou minha barriga.
- Anthony, Thomas? Cuidado aí dentro, ok? Nada de fazer a mamãe sofrer. – ele colou a orelha na minha barriga, como se estivesse escutando alguém, depois ergueu a cabeça e sorriu pra mim – Eles pediram desculpas, amor. Disseram que por hoje não fariam mais traquinagens.
- Vem cá, seu bobo! – Ed se acomodou ao meu lado e me beijou nos lábios.
- Bella, você deve me prometer uma coisa. – seu tom de voz era solene – Você deve me avisar quando vierem mais contrações.
Eu assenti com a cabeça antes de responder.
- Mas eu aviso sempre.
- Princesa, você faz uma forte contração parecer uma simples coceira! – ele arqueou uma sobrancelha.
- Eu só não quero te preocupar, amor ...
- Mas você deve dizer o que está sentindo. – sua voz era imperiosa de novo.
- No momento, eu sinto um grande amor, carinho e admiração por meu marido. – beijei seus lábios de novo – E um pouquinho de dor nas costas também!
Ed me levou para o quarto, já estava um pouco tarde e o sono estava me vencendo. Nos deitamos abraçadinhos, de conchinha, ele começou a acariciar meus cabelos e eu fui relaxando, relaxando ... mas despertei com uma idéia fixa na cabeça.
- Ed?
- Hum ... – senti seus lábios em meu pescoço.
- Amor, se algo acontecer comigo ...
- Bella, pelo amor de Deus ...
- Edward, se algo acontecer comigo – assumi um tom de voz firme e virei meu corpo para encará-lo – Eu quero que você não desista. – minha voz estava embargada, ele tentou falar, mas eu tampei sua boca com minha mão – Não desista de você, de sua faculdade de medicina, não desista do programa de proteção do FBI, não desista de ser um bom pai para nossos meninos ...
Com facilidade, ele tirou a minha mão de sua boca e falou numa voz suplicante.
- Por favor, Bella, pare ... – vi lágrimas em seu rosto e me calei – Não vai acontecer nada com você. Deus sabe que eu não conseguiria ...
Eu tinha que continuar, precisava falar mais.
- Edward! – segurei seu rosto em minhas mãos – Nós não temos o controle sobre nossas vidas. Tanto é assim que hoje temos uma vida bem diferente do que há um ano atrás. Eu só quero que você não se perca ... e que cuide dos meninos.
- Ok. – ele colou nossos corpos e afagou meu rosto – Agora, durma, meu amor. Não pense bobagens.
- Prometa, Edward. – olhei em seus olhos.
- Prometo. – ele beijou meus lábios – Agora não fale mais nisso.
Acomodei meu corpo no dele e aos poucos fui pegando no sono enquanto ele cantarolava uma canção de ninar.
No dia seguinte, liguei para Jenny e acertei tudo com ela, dali a uma semana, ela começaria a trabalhar conosco. Optei por trazê-la mesmo antes dos meninos nascerem, assim eu poderia observá-la melhor. Acertei seu salário e depois me dei conta que o salário mensal de Edward, a partir de agora, só seria suficiente para pagar o aluguel da casa, as diárias do Sid e o salário da babá. Agradeci a Deus por termos o auxílio aluguel e a renda mensal do programa de proteção de testemunhas.
Na segunda-feira, quando Ed voltou pra casa no horário do almoço, havia uma enorme caixa de papelão, toda enrolada com fitas azuis na carroceria da pick-up.
- Que papagaiada é aquela, amor? – apontei para caixa assim que ele estacionou o veículo.
- Presente do pessoal do banco para os gêmeos! – seu sorriso ia de orelha a orelha - Essa caixa contém 24 pacotes de fralda. Cada pacote contém 48 unidades, totalizando 1.152 fraldas tamanho P.
- CARAMBA ... – assisti, atônita, Ed carregar a imensa caixa – E são da melhor marca de fralda!
- Amor, eu fiquei tão feliz quando cheguei ao banco hoje! – eu mal conseguia ver Edward, escondido atrás da imensa caixa – Nós vamos passar uns três meses sem comprar fraldas!
- Só isso?! – perguntei – Caraca! São 1.152 fraldas!
- Bella, você lembra que a gente viu naquele blog de gestantes, que um bebê até o terceiro mês de vida, usa em média, 8 fraldas por dia?
- An-ham ...
- Então, os gêmeos consumirão 480 fraldas por mês! Em três meses ... serão 1.440!
- Nós tínhamos apenas 360 delas ...
Edward colocou a caixa no chão da sala e me abraçou.
- Temos muita sorte ...
Depois do almoço, ele me ajudou a arrumar as fraldas no armário embutido que fica no corredor. Todo o estoque de fraldas está lá.
Eu fiquei comovida com o gesto de carinho dos colegas dele ... Ed me disse que todos consideraram sua festa de aniversário um sucesso, disseram que nossa casa era linda e que eu era uma ótima anfitriã. Sem querer, ele deixou escapar pra alguém que eu não tinha feito chá de fraldas, então Kate e Irina convocaram todos a participarem da compra do presente dos meninos!
Numa tarde de ócio (eu já tinha feito todos os cursos de gestante) e de dor nas costas, naveguei na web e parei num site de significado de nomes. Eu já sabia do significado do meu nome, que é uma variação de Isabel, que significa consagrada a Deus. Descobri que Edward significa próspero guardião. Fiquei feliz com o significado do nome do meu amor, além de tantas coisas, ele também é meu guardião! Fui em busca dos nomes dos meninos. John é um nome bíblico e quer dizer Deus é bondoso. Meus olhos ficaram marejados, porque eu tenho constatado, todos os dias, que Deus é bom comigo e com Edward. Anthony é a forma inglesa de Antonio (origem grega) e quer dizer inestimável, ou seja, valioso ... Sem querer, eu dei a ele um nome que retrata o que ele é pra nós: um sinal de que ele é valioso e de que Deus é bom. Já Thomas, que é a forma de inglesa de Tomas (origem aramaica), quer dizer gêmeo! E mais uma vez eu me vi encantada porque não poderia ter escolhido nomes melhores para eles. O meu segundo filho diria ao mundo que ele era próspero, protetor e gêmeo ...
Mais uma sexta-feira chegou, eu passei a gostar muito das sextas-feiras quando eu alcançava mais uma semana de gestação. Agora era a semana 35! Respirei aliviada, os pulmões de meus meninos já poderiam respirar também ... De manhã fui para a consulta médica, só rotina mesmo, já que as dores na coluna não cediam, pelo menos as contrações eram esporádicas. No sábado, enquanto Ed e Samuel estudavam, eu aproveitei pra preparar a minha mala e a malinha dos bebês, deixei tudo arrumado, tudo pronto ... porque eu sei que quando a hora chegar, Edward vai surtar ...
No domingo, 22 de Agosto, o sol brilhava majestoso no céu. Aquele era um dia convidativo para se fazer um passeio, eu me sentia muito bem, nada de dores ... Resolvemos fazer um pic-nic em La Push. Preparei uns sanduíches naturais, fiz uma salada, Edward fez suco de abacaxi com hortelã, separamos algumas frutas, água, pratos e talheres descartáveis. Coloquei tudo numa vasilha térmica. Somente a perspectiva de ter um dia diferente, longe de tantas obrigações e afazeres, trouxe um novo ar para nós! A nossa rotina tinha se fixado em poucas coisas. Ed estava muito focado em duas tarefas: estudos e trabalho de parto ... Eu só via uma coisa na minha frente: O PARTO ... Precisávamos de oxigênio!
Em La Push, na First Beach, há uma área reservada, com mesas e bancos de madeira. É um lugar ideal para se fazer pic-nics e programas em família. Tivemos sorte em conseguir uma ótima mesa sob a sombra de imensas árvores centenárias!
Depois do almoço, Edward resolveu dar um mergulho no mar. Eu estava mais preguiçosa e optei por caminhar na beira da praia, deixando meus pés serem molhados pela água. Ele ainda relutou em me deixar ‘sozinha’, mas eu insisti em dizer que havia outras pessoas na praia, que ele poderia me ver a cada mergulho e que eu não iria me afogar na areia! Meio a contragosto, ele entrou no mar. Meio a contragosto, eu dividi o corpo maravilhoso de meu marido com outras mulheres que o viram apenas de sunga preta ... Meu G-ZUIS, enquanto Edward andava, sua linda bundinha chamava a atenção do mulherio que passava. Ainda bem que ele estava de costas pra nós, senão ... outra coisa iria chamar a atenção delas! Eu juro que escutei uma mulher arfar quando viu meu marido naqueles trajes!
Tentei me recompor ... Enquanto eu andava, acariciava a minha barriga e conversava com os gêmeos.
- Bebês, vocês estão acordados?
Acariciei o lado esquerdo da minha barriga e senti o chute. Sorri, abobada e acariciei o lado direito com a outra mão. Senti outro chute!
- OMG! Meninos, vocês vão passar o resto do dia chutando a mamãe?!
Eles mexeram de novo, dessa vez parecia que estava se acomodando dentro de mim. Fiquei imaginado Anthony se afastar um pouco, dentro do meu útero, para dar espaço a Thomas ... Enquanto olhava o mar diante de mim, imaginei meus dois bebês dentro do meu mar particular, flutuando na minha barriga. Imaginei seus coraçõezinhos batendo em sincronia, seus dedinhos se mexendo e acenando um para o outro, os olhinhos piscando, mesmo dentro da escuridão ... Senti meus olhos marejarem de tanta emoção ... Será que seus cérebros já se davam conta de que eram irmãos?! Imaginei que sim! De uma forma, ou de outra, deveria haver uma ligação especial, e por que não dizer, mágica entre gêmeos. Às vezes, eu me pegava pensando que ambos desfrutavam da companhia e do calor do outro. Eu me punha a imaginar que ali dentro de minha barriga, um mundinho particular, quente e seguro, era o lugar onde coisas especiais aconteciam. Imaginava que eles conversavam entre si e trocavam idéias enquanto esperavam, pacientemente pelo dia do parto, quanto então o meu útero ficará pequeno demais para os dois. De certa forma, eu já torcia para que aquele dia chegasse logo, queria ver meus meninos ...
Jenny chegou cedo na segunda-feira e se prontificou a me ajudar na cozinha. Gostei da iniciativa dela, cozinhar tava ficando meio difícil. Naquela madrugada eu havia acordado pra fazer xixi e relutei em voltar para cama. Cada vez que eu me deitava, até achar uma posição boa, eu tinha a sensação de falta de ar. Deduzi que o barrigão estava empurrando demais o meu diafragma.
- Sra. Fields, posso sugerir uma coisa? – Jenny olhou para os meus pés e perguntou.
- Sim, pode.
- Deixe que eu prepare uma solução de água morna e sal. A senhora pode imergir seus pés numa bacia com essa mistura, o alívio vai ser imediato. – eu olhei pra ela sem entender – É para o inchaço nos seus pés, senhora.
Assenti para ela e disse onde havia uma bacia plástica na área de serviço. Minutos depois, ela entrou na sala com meu ‘remédio’. Jenny estava certa, meus pés doloridos agradeceram a terapia. Ela ainda me disse que Ed podia fazer o mesmo, todas as noites antes de eu me deitar, assim seria mais fácil conseguir dormir. Aquela foi só uma das grandes vantagens que percebi ao contratar Jenny. Outra coisa importante que ela falou foi que os gêmeos não deveriam dormir somente no bercinho móvel que Jasper havia comprado.
- Sugiro que a senhora os ponha no quarto deles durante o dia e à noite, no bercinho móvel do seu quarto.
- Por quê? – indaguei curiosa.
- Eles precisam se acostumar com todos os ambientes da casa. Assim, quando tiverem que ir de vez para o próprio quarto, não vão estranhar a mudança.
A babá ganhou mais pontos positivos comigo. Seus conselhos práticos seriam muito úteis para uma mamãe de primeira viagem como eu.
Naquela semana, eu percebi que tudo estava pior ... minha condição física estava deplorável! Sentar e levantar exigiam muito de mim, na verdade, eu precisava de um guindaste. Eu me esforçava pra fazer cara de paisagem quando Edward estava por perto, a carinha de aflição dele ao ver minhas caretas de dor, partia meu coração. Então eu desisti de caminhar na praça, tudo o que eu fazia era caminhar pelo jardim de casa e por apenas 10 minutos, três vezes ao dia, era tudo o que eu agüentava. Também me esforcei para não deixar de fazer os exercícios de respiração e relaxamento que aprendi nas aulas de yoga. Um sono avassalador tomou conta de mim, porque as dores nas costas, a falta de posição para dormir e a ansiedade impediam que eu tivesse uma boa noite de sono. Resolvi cochilar na cadeira de balanço do quartinho dos meninos. Todas as tardes eu sentava naquela confortável cadeira e colocava um banquinho com almofada na minha frente pra poder apoiar as pernas. Depois dos cochilos eu me sentia bem melhor.
Edward resolveu preparar a banheira, todas as noites, para um banho morno relaxante. Ainda dentro da água, eu tomava uma xícara de chá de camomila, hortelã ou qualquer outro chazinho gostoso ... O propósito de meu marido era que eu conseguisse relaxar e dormir.
Charlotte e Peter apareceram várias vezes durante a semana. Minha barriga já estava tão baixa, que todos esperavam que eu desse à luz a qualquer momento.
Sexta-feira, 27 de Agosto de 2010: o dia mais lindo de todos os meus dias ...
- Feliz meio-ano de casados, amor! – Ed falou brincalhão enquanto entrava no quarto com uma linda bandeja de café da manhã.
Eu já havia acordado e ainda me espreguiçava na cama quando me dei conta que fazíamos mesmo seis meses de casados. Ele me presenteou com uma rosa vermelha e tomamos o delicioso café da manhã ali mesmo no quarto. Assim que acordei, comecei a sentir pequenas cólicas, eram apenas pontadinhas, não doíam muito. Se eu fosse daquelas mulheres que têm cólica menstrual, talvez pudesse fazer comparações, mas eu raramente as tinha. Também senti outra coisa, uma dor que começava de um lado do quadril e ia avançando até a outra extremidade ... essa era uma dor muito chata. Deixei quieto porque Edward já estava arrumado para ir trabalhar e também porque a dor não persistiu. Depois do café, ele colocou a bandeja sobre o móvel baixo e me ajudou a levantar, nos abraçamos.
- Eu te amo, Sra. Cullen. – sua voz estava rouca e emocionada – Esses seis meses de casados têm sido maravilhosos.
Nossos lábios se encontraram num beijo singelo e cheio de significados, senti meu coração disparar de tanta felicidade.
- Eu te amo, Sr. Cullen. – sussurrei – Ser a sua esposa é maravilhoso.
Edward então fez uma coisa que há muito tempo não fazia. Beijou cada um de meus dedos, beijou o anel Toi Et Moi e beijou a minha aliança de casamento. Imitei seu gesto, beijei suas duas mãos.
Depois de um tempinho, ele foi escovar os dentes pra poder ir trabalhar, eu continuei no quarto, separando uma muda de roupa para vestir após o banho. Meu marido entrou no quarto com um sorriso travesso no rosto e o tubo de creme dental nas mãos, olhou pra mim e falou zombeteiro.
- Amor, sabia que eu tenho ótimos dons artísticos?
Ele pegou o creme dental, colocou no dedo e começou a pintar minha barriga.
- Edward! – guinchei e não consegui controlar o riso, seu dedo fazia cócegas em mim.
Ele fez um círculo, outro círculo e depois ... tirou uma foto na minha barriga!
- Sorria Anthony, sorria, Thomas!
Ele sorriu satisfeito e eu me dei conta que dali a algum tempo eu teria três meninos travessos pela casa! Após pintar o sete, Ed se despediu de mim com um beijo e um abraço, me avisou que Jenny já havia chegado e que estava na cozinha.
Resolvi tomar meu banho antes que eu piorasse, a dor no quadril tinha voltado. A água quente do chuveiro me fez relaxar, até que a dor tinha cedido um pouco ... Depois foi tudo muito rápido, senti uma dor tão forte percorrendo meu quadril que tive de me segurar na torneira do chuveiro pra não cair. Respirei fundo, uma, duas, três vezes ... outra pontada, dessa vez indolor e forte ... um líquido quente e esquisito começou a escorregar entre minhas penas. Parecia xixi, muito xixi. ‘Ai, meu Deus ... a bolsa!’
Tentei me controlar. A Dra. Angela havia dito que se a bolsa rompesse, eu não deveria entrar em pânico, deveria ir para o hospital com calma. Liguei o chuveiro novamente e me limpei daquela água nojetinha, me enxuguei, enrolei meu corpo na toalha e sai do banheiro. Eu pretendia elevar a voz normalmente e chamar por Jenny numa boa, mas uma forte contração me fez gritar. Porra! Parecia que eu ia me dividir em duas ...
- JEEEEENNY ...
Ela apareceu no corredor como um raio, seus olhos estavam arregalados.
- O que foi, Sra. Fields?!
- A bolsa ... aaaiii ... dores ...
Ela era muito eficiente mesmo. Não falou nada, segurou meus braços com firmeza e me guiou até o quarto, me ajudou a vestir o vestido que eu já tinha separado, me ajudou com a calcinha (eu juro que na hora nem lembrei de ficar constrangida), pôs um chinelinho de dedo em mim e falou com calma.
- Espere aqui sentada. – ela pegou o celular – Vou ligar para seu marido e pegar a malinha dos bebês.
Eu não respondi, apenas ofeguei e reprimi um grito. Em pouco tempo ela voltou com duas malinhas dos meninos, abriu meu closet e pegou minha mala.
- Sra. Fields, agora eu vou levantá-la da cama com bem calma, bem devagar. A senhora acha que consegue?
Olhei pra ela e assenti. Meu Deus ... levantar foi difícil. Chegar até a primeira sala foi uma verdadeira procissão! Sentei no sofá e comecei a chorar. Eu não sei o porquê do choro ... Queria mamãe ali ao meu lado, queria papai segurando a minha mão e me dizendo que a dor ia passar. Queria Esme e Carlisle torcendo por mim e ansiando pelo nascimento dos netos ... Queria Edward ...
Ouvi a pick-up de meu marido cantar pneus na frente de casa, ele pisou nos degraus com força e abriu a porta num rompante. Ele estava muito espantado.
- BELLA!!! – como um raio, ele se ajoelhou diante de mim – Amor, você está bem? Calma, calma, vou ligar pra Dra. Angela ...
Percebi que Ed estava tremendo, ele tinha sérias dificuldades em conseguir localizar o número do telefone da médica na agenda do celular. Respirei fundo e ditei pra ele o número correto, antes que ele pudesse gaguejar e surtar, tomei o telefone de sua mão.
- Doutora? – falei em meio a arquejos – Sou eu, Isabella Fields. A bolsa ... rompeu.
Ela foi rápida e objetiva, mandou que eu fosse para o hospital imediatamente. Edward me ajudou a levantar e praticamente me içou quando descemos os degraus, atrás de nós, Jenny carregava as malas.
- Sr. Fields, eu posso dirigir? – a babá perguntou.
- NÃO! – ele gritou, visivelmente nervoso.
- Ed, deixe a Jenny dirigir. – falei com calma.
- Mas Bella ...
- Amor, você tá muito nervoso. – ele franziu a testa e assentiu.
Enquanto a babá acomodava as malas na parte da frente, Ed me ajudou a entrar no veículo e correu para entrar pelo outro lado.
- VAMOS, VAMOS! – ele falava freneticamente.
A mulher não respondeu, respirou fundo e ligou o motor. Edward apertava nervosamente a minha mão, eu apenas gemia.
- Amor, oh meu Deus ... Bella, tá doendo muito?!
Olhei para o meu marido sem acreditar! Aquilo era pergunta pra se fazer? Eu me contorcendo de dor e ele perguntando se estava doendo?! Meu gemido agudo e as lágrimas que escorriam de meu rosto foram a resposta necessária.
- Respira, Bella ... respira ...
Senti uma pontada muito forte, era a pior dor da minha vida. Agarrei a mão de Edward com força e gritei.
- Princesa ... – seu olhar era de dor também – Amor, tá doendo muito? Respira, respira, respira ...
E quanto mais Edward falava e me mandava respirar, mais eu surtava.
- Porra, Ed ... tá doendo pra caralho ...
Ele me olhou espantado mais uma vez e acariciou meu rosto.
- Desculpe, princesa. – seu sussurro me deixou melhor – Eu te amo, Bella.
- Eu te amo, Edward. – segurei sua mão com força.
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NOTAS FINAIS DO CAPÍTULO:
Meninas, obrigada por me acompanharem aqui nesse blog! Acabei de postar no TBF, mas como vcs sabem, lá os capítulos precisam ser validados. Lá eu ñ consigo postar fotos, por isso eu mando apenas os links.
Espero que tenham gostado do capítulo e espero muitos comentários também =]
Bjs e até a próxima.
Anna





