Fanfics da Annablue

Onde achar as Fanfics da Annablue:



- Vem Comigo, Amor

http://www.twilightbrasil.net/fanfics/viewstory.php?sid=4171

http://www.fanfiction.com.br/historia/68149/Vem_Comigo_Amor


- Paradise

http://www.fanfiction.com.br/historia/120648/Paradise



- Música Das Sombras - adaptação do livro homônimo. (Fic concluída)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Paradise - Capítulo 02

Complicações

POV BELLA

Depois da minha entrada triunfante na universidade, minha popularidade foi a mil!!!
Agora, todos conheciam Isabella Swan, a garota maluca do Cadilac verde desgovernado. Eu, que nunca fui popular na escola ou no jardim da infância, virei a sensação do momento! Aproveitando meus quinze minutos de fama, eu aceitei (de muito relutar, é claro) ser a principal matéria do jornal semanal do campus. A manchete foi ridícula: Apertem os cintos, o piloto sumiu!!! Sim, isso foi uma alusão ao meu acidente... Mas não posso reclamar, conheci o pessoal do jornal e todos eram muitos legais, dentre eles, um casal em especial: Erick York e Angela Weber. Ele é o redator do jornal e ela, sua namorada e minha colega de curso, se tornaram os meus primeiros amigos daqui.
Mas faltava um coisa, ou melhor, duas.
Onde será que estavam os meus anjos? Será que eles eram fruto da minha imaginação, de meu delírio? Enquanto estava no meu quarto do alojamento, arrumando minhas roupas, eu refletia sobre isso. Eu dividia o quarto com Jessica Stanley, uma garota que se achava muito bonita, muito popular e muito interessante.
Jessica era uma criaturinha elétrica, parecia um daqueles bonequinhos movidos a pilha Duracell. Ela era baixinha, tipo, bem mais baixinha que os meus 1,63m, seus cabelos pretos eram longos e ondulados. E nessa primeira semana de convivência, ela me fez o favor de falar pelos cotovelos. Na maioria das vezes eu só sorria e balançava a cabeça enquanto ela se gabava por namorar o capitão do time de futebol da universidade, ou ainda enquanto ela falava que seu avô era deputado federal pelo estado de Vermont, que sua mãe era a presidente da Liga de Mulheres Cristãs do Vermont, que seu pai era dono do maior e melhor haras de Vermont, que sua irmã mais velha era noiva do filho da prefeita de Montpellier, em Vermont...
Eu não tentava acompanhar a conversa. Afinal, o que eu iria dizer? Minha família não tinha prestígio, glamour ou poder, muito menos dinheiro... Na verdade, minha família se resumia a uma mãe viciada e internada...
Resignada, sentei na cama, abri o livro e comecei a estudar. Pouco tempo depois, minha concentração foi quebrada pela chegada de Jessica, ela arrastava sua voz estridente e seu namorado para dentro do quarto, tirando meu sossego e privacidade.
- E aí, Bella? O que ta pegando? – ela perguntou.
Seu namorado, Mike Newton, era um loirinho com cara de safado. Em apenas uma semana de faculdade, antipatizei com o cara. Ele não parava de me encarar, sempre olhando meu corpo com um sorriso debochado e pervertido estampado no rosto. Eu não gostava de suas atitudes.
- To estudando sociologia. – falei e voltei minha atenção para o livro.
- Bella, é noite de sexta-feira! – Jess resmungou – Venha para o pub com a gente... Todos os calouros vão estar lá!
- Obrigada pelo convite, Jess. Prefiro ficar aqui estudando...
Ela deu de ombros e saiu arrastando o namorado. Suspirei e fiquei feliz por estar sozinha novamente, voltei minha atenção para o texto. Meu celular tocou e me desconcentrou novamente e quando eu já ia praguejar, vi que era minha nova amiga.
- Bella, sou eu, Angela! - ela estava eufórica – Consegui o que você pediu! To chegando ai em cinco minutos!
Dei um pulo da cama num rompante. Angela Weber era mesmo uma garota muito legal! O melhor de tudo é que ela era sincera, tranqüila e parecia ser uma boa amiga. Depois da minha entrevista para o jornal, contei a ela os detalhes do quase acidente e de como eu conheci os meus anjos. Triste, contei a ela que os dois haviam me prestado socorro, eu me apresentei a eles, deu meu nome e sobrenome, o número de meu celular e ainda disse que pagaria pelo conserto da pick-up. Mas eles sumiram, e eu não conseguia achá-los em lugar nenhum da universidade. Sem querer parecer intrometida, ela me disse que seu namorado, Erick York, por ser o redator do jornal da universidade, era o cara certo para conseguir qualquer informação sobre qualquer aluno.
Eu estava meio insegura, mordi lábio em sinal de hesitação, mas optei por arriscar. Dei a ela os nomes de meus anjos e pedi que seu namorado levantasse todas as informações possíveis. A minha desculpa é que eu queria pagar pelo conserto do carro, mas a verdade é que eu estava doida, doida por eles...
É, eu estava ficando doida mesmo...
- Bella! Bella! Erick conseguiu! – ela me abraçou, nos fez sentar na minha cama e colocou um grosso envelope amarelo em meu colo – Ta aí, o ‘dossiê anjos’!
- Dossiê anjos?! – perguntei abobada enquanto minhas mãos seguravam nervosamente o envelope.
- Sim! Você não me disse que eles pareciam anjos? – ela sorriu e me deu um beijo na bochecha – Bom preciso ir, o Erick ta me esperando. – ela abriu a porta e se virou para mim – Tem certeza que não quer vir conosco?
Olhei para o envelope e sorri.
- Não, Ang! – minhas mãos já estavam suadas por causa da ansiedade – Eu realmente preciso disso aqui. – mostrei o envelope para ela.
Sozinha novamente, abri o envelope, peguei uma ficha e sorri abobada para a foto de meu anjo de cabelos negros, meu Emmett. Ansiosa, peguei a outra ficha e ofeguei, meu anjo de cabelos bronze era... era... um sonho, meu Edward.
Deitei na cama, acendi a luminária e fiquei olhando para aquelas duas fotos. Meus olhos percorriam um e outro, um e outro, um e outro...

- Aaahhh... – eu gemia alucinadamente e quase desfalecia de tanto prazer.
Os lábios carnudos de macios de Emmett estavam nos meus, nossas línguas dançavam freneticamente e meu corpo todo estava em brasas. As mãos dele percorriam meus seios com volúpia e luxúria, sim, aquelas mãos percorriam o que já era dele. Meu corpo todo era dele e estava pronto para ele. Quando o ar nos faltou, sua boca quente explorou meu pescoço, colo, o vão entre os seios... Ofeguei, gemi e gritei de prazer ao senti-lo beijar e mordiscar meus mamilos. O prazer era indescritível.
Fui tomada por mais prazer, se é que isso era possível! Com a respiração entrecortada, ergui um pouco o meu olhar e o vi ali também conosco. Edward beijava minha barriga, sua língua molhada e quente chegou a minha virilha, suas mãos macias e grandes massageavam as minhas coxas... Eu me perdi num novo frenesi quando sua boca chegou a meu sexo.
Sim, eu me perdi...
Um sentimento maravilhoso tomou conta de mim, ao me perceber sendo lambida e sugada em minha intimidade. Fiquei muito úmida, molhada e explodi em pequenos pedacinhos de alegria, gozo...
Meus anjinhos trocaram de lugar. Edward se apossou de minha boca e suas mãos acariciavam os meus seios. Emmett beijava minha intimidade, sugando o que ainda restava de meu mel.

Acordei espantada, suada e descabelada. O baque surdo do envelope e do grosso livro de sociologia me assustou e eu dei um pulinho da cama. Minhas mãos tremiam e, por sorte eu estava sozinha, Jess ainda não tinha chegado da balada, eu não queria ter que me explicar para ela.
Aquela foi a primeira vez que eu sonhei com os Cullen.
Ainda ofegante, peguei o envelope e juntei as fichas ali dentro, mas um papelzinho me chamou a atenção. Ali estava escrito que os dois eram gêmeos!
- Meu Deus! Isso vai ser complicado...



POV EDWARD

Para evitar que Emm tivesse um AVC, eu perguntei a alguns colegas da faculdade onde havia um bom mecânico na cidade. Então, já na terça-feira, depois da aula, eu levei a coisa (apelido carinhoso que eu dei a pick-up) para que o Sr. Doug desse uma olhada no pequeno amassado.
- Garoto isso é uma peça de museu, sabia?
O mecânico alto e barrigudo desdenhava da pick-up, em sua boca havia um palito de dente e enquanto ele falava rápido, o palito se movia freneticamente. Desviei o olhar, ele tava quase engolindo o palito!
- Sim, senhor. Eu sei. – respondi.
- Sim, senhor. Eu sei. – ele repetiu – De onde você veio para falar comigo nesses modos? – ele arqueou uma sobrancelha.
- Desculpe se fui grosseiro, senhor. – me apressei em dizer – Eu vim de Paradise Island, nasci e cresci na ilha.
 Oh! Isso explica seus bons modos! – ele deu uma tapa nas minhas costas – Ouvi dizer que Paradise é uma coisinha isolada de tudo. Vocês devem viver como no início do século passado, hein?
Enquanto ele falava, trabalhava rapidamente, ajeitando o amassado da lataria da coisa
- Na verdade não, senhor. – sorri – A ilha é pequena, mas a qualidade de vida é muito boa e lá temos tudo o que o resto do país tem: celulares, internet...
- Aposto que vocês não têm assaltos, assassinatos, roubos e corrupção. – ele falou sem me olhar.
- Sim, isso não temos. – sorri satisfeito.
- Garoto, onde você arranjou essa pick-up?
- Pertenceu a meu pai.
- E quando ele comprou, você sabe?
- Em 1985, eu acho. – falei vagamente – Mas não era nova quando ele comprou. Acho que ela era nova na década de 60. – admiti envergonhado.
- Sim, suponho. Mas não fazem mais carros como esse. – ele consertou o amassado e limpou as mãos num pano sujo amarrado a seu cinto – O melhor de caminhonetes como essa, são essas cabines grandes e essas enormes calotas. – o homem explicava – E essa lataria, isso sim é que é solidez! Os carros de hoje em dia não agüentam nem metade do que essa belezinha aqui agüenta!
Depois de pagar pelo conserto, voltei para o campus e fui direto para a biblioteca. Emm ainda tinha aulas no período da tarde, eu não tinha o que fazer, não tinha nem matéria para estudar. Mas eu tinha esperanças de vê-la novamente... Isabella Swan...
Desde o dia anterior eu não conseguia pensar em mais nada que não fosse aquele lindo par de olhos chocolate, aquela boca pequena e rosada, aquele lindo cabelo castanho-avermelhado. Aquela voz doce, mesmo quando ela dizia palavrão, era doce...
Suspirei. Será que eu devia ligar para ela?
Num ímpeto, disquei seu número. Chamou umas quatro vezes e depois caiu na caixa postal. Será que ela tinha namorado? Será que ela iria à festa de sexta-feira no pub perto do campus? A festa de ‘boas-vindas’ era promovida pelos veteranos e todos os calouros eram os convidados especiais.
Eu ia ligar de novo, mas desisti. Lembrei de Emmett. Eu sabia que meu irmão estava interessado nela. Meu Deus! Quando paro pra pensar nisso, sinto dor de cabeça... Resolvi que não ligaria para Isabella até que eu e Emm tivéssemos uma conversa séria.
Pra não pirar mais ainda, percorri as estantes da biblioteca e peguei um livro sobre administração hoteleira. Optei por cursar Administração de Empresas, meu sonho é de me tornar um próspero empreendedor, quero muito voltar à Paradise e retomar os negócios de pescado da família. Quem sabe até construir um pequeno hotel da ilha? Um lugarzinho charmoso que possa atrair turistas na primavera e no verão.
Eu já estava na terceira página do livro quando me dei conta que ele era uma série de relatos de microempresários, contando como foi a experiência de cada em montar pequenos e charmosos hotéis em lugares exóticos. Adorei o livro e já estava pensando em pegá-lo emprestado, mas fui interrompido por uma voz feminina. Voz bonita, mas não a que eu queria ouvir.
- Posso sentar aqui com você?
Ergui o rosto e me deparei com uma ruiva linda, alta e escultural. Seus cabelos eram levemente ondulados e chegavam até o meio das costas, seus olhos eram verdes como duas esmeraldas e seu rosto era perfeito.
- Sim, fique à vontade. – sorri.
Ela sentou, deu uma cruzada de pernas para que eu pudesse ver suas lindas coxas descobertas pela mini-saia, sorriu e colocou um caderno sobre a mesa.
- Sou Heidi MacKenna. – ela estendeu a mão.
- Edward Cullen. – apertei sua mão.
- Eu te vi ontem na aula de Cálculo I, quem era o grandão que sentou ao seu lado?
Ah! Ótimo, ela estava mesmo interessada em Emmett e não em mim. Sorri sem humor algum. Embora eu fizesse Administração e Emm cursasse Engenharia de Pesca, nós tínhamos duas ou três matérias em comum nesse primeiro ano de curso, então optamos por fazer os horários coincidirem.
- Aquele é meu irmão, Emmett.
- Irmão?! Uau... Cullens gatos! – ela falou e eu corei – Não precisa corar, gatinho! – ela acariciou meu rosto, se levantou e me deu um beijinho no cantinho da boca – Te vejo sexta no pub. Não me deixe esperando, gatinho...
Caraca! Ela pegou o caderno e saiu rebolando aquela bundinha empinada. Senti meu pau duro na mesma hora! Mas me dei conta que ela não era minha garota de olhos cor de chocolate...
Finalmente arrumei o que fazer, peguei dois livros na biblioteca e devorei-os com gana. Na quarta-feira, nem sinal de minha louca motorista, quebrei minha promessa e disquei o número de seu celular novamente, mas estava desligado. Emmett parecia muito ocupado também, sempre com a cara num livro, mas vez ou outra, um de nós tocava no assunto ISABELLA. A gota d’água foi na quinta, quando o jornalzinho da universidade foi distribuído. E lá estava ela na primeira página, posando ao lado de seu velho carro amassado. Isabella Swan, 18 anos (um ano a menos que eu e Emm), cursava Pedagogia, era fã de Shakespeare e Jane Austen... linda, perfeita, solteira...
Quando Emm chegou em casa naquele final de tarde, largou em cima do sofá uma pilha de livros e no meio deles, havia um exemplar do jornal. Pela minha visão periférica, vi que ele tinha, não apenas lido a reportagem, como também grifado as partes mais interessantes. Meu coração se preparou para o inesperado e inusitado, mas ainda não era hora de falar disso.
A semana passou rápido, na noite de sexta-feira, eu tomei um banho, fiz a barba, vesti uma roupa bacana e já tava pronto pra balada. Emm também tava todo arrumado, pegamos a coisa e em 20 minutos chegamos ao pub. O lugar tava apinhado de gente, nunca vi tanta gente junta, e havia muito barulho também. Garçons andavam apressados por entre as mesas, havia muita cerveja e uma banda que tocava umas músicas meio gays, ou emo, tanto faz.
Um par de mãos acenava freneticamente para nós, eu não sabia quem era.
- Aquela é Bree. – Emm esclareceu – Uma gostosinha que conheci na aula de Biologia. Vamo lá.
Segui meu irmão, afinal nós não conhecíamos muita gente. Num piscar de olhos, Heidi apareceu, cumprimentou Emm e Bree sentou ao meu lado. Sua conversa ao pé do ouvido era bem gostosa e já tava me deixando animado. Ao meu lado Emm beijava Bree no melhor estilo ‘desentupidor de pia’, mas eu não me sentia tão à vontade com Heidi ainda. A banda começou a tocar uma música lenta e a chamei para dançar, ela sorriu e aceitou. Ter aquele corpo gostoso colado ao meu não era uma má idéia e ela era uma companhia agradável, desde que permanecesse calada! Sua conversa não era tão agradável assim, ela era fútil e só sabia falar de viagens, marcas de carros, roupas e perfumes.
Beijei-a. Só assim ela calou a boca. Foi um beijo calmo, mas depois aprofundamos o contato. Não foi ruim, mas eu fiquei imaginando qual seria o gosto de Isabella. Quando o ar nos faltou, a música parou e saímos da pista, encostamos no bar e pedimos duas cervejas. Emm chegou com Bree e as duas garotas, que pareciam se conhecer, começaram a tricotar uma conversa sussurrada. Percebi que elas olhavam para os caras da banda e fiz sinal para Emm. Saímos dali sem ser notados e seguimos para a parte superior do pub onde nos disseram que havia mesas de sinucas.
O ambiente lá em cima tava mais sossegado. Confesso que sou meio ‘bicho-do-mato’, não gosto de multidões. Pedimos mais duas cervejas e começamos a jogar sinuca. Emm tava tenso, ele tava com aquele tique nervoso de mexer na orelha. Eu também tava tenso e bagunçava ainda mais os meus cabelos revoltos. Começamos a jogar, algumas tacadas depois, meu irmão olha pra mim e começa a despejar a verdade.
- Isabella Swan não sai da minha cabeça. – os olhos azuis dele eram muito sinceros – E... puta que pariu! Eu sei que ela mexeu com você também!


POV EMMETT

Eu me sentia mais e mais próximo de realizar meu sonho profissional: viver da pesca, mas com conhecimento suficiente para tanto. Não havia melhor curso para mim que Engenharia de Pesca! As possibilidades de trabalho eram infinitas, mas eu me concentraria em empreendedorismo. Queria voltar a Paradise e, quem sabe expandir a frota de nossos barcos pesqueiros. A primeira semana de aula foi incrível, engenharia não é mole não! Eu já tinha muita coisa pra estudar...
Mas isso era bom! Bom porque eu ocupava minha mente, bom porque eu pensava menos nela, bom porque eu não via todas as vezes que Edward suspirava por ela. Fiz uma coisa muito feia, fucei no celular dele e vi que ele discou o número dela duas vezes, mas em ambas as ligações não tinham sido atendidas. Eu também liguei para minha maluquinha do Cadilac, mas liguei quatro vezes. Ela não atendeu nenhuma vez, seu celular só vivia desligado. E no final das contas, eu achei isso justo, percebi que não queria seguir adiante com ela sem antes conversar com meu irmão.
Durante a semana a gente sempre falava dela. Tudo era motivo para falar em seu lindo nome! Na quinta-feira, eu peguei um exemplar do jornaleco da universidade e quase babei na reportagem da primeira página. Minha maluquinha era a notícia! Li e reli aquilo umas mil vezes! E quando cheguei em casa, vi que Edward tinha também um exemplar do jornal. Eu sabia que mais dia menos dia, teria que confrontá-lo. Mas não haveria briga, não de minha parte. Eu também sabia que esse assunto teria que ser abordado por mim, porque de nós dois, eu sempre fui o mais falante e transparente. Não que Edward não fosse sincero comigo, não é isso. Ele é meu irmão, meu melhor amigo, minha única família e ele nunca, jamais, faria algo para me ferir.
Mas Edward é muito tímido e reservado, ele se parece demais com papai nesse aspecto, assim como em tantos outros. Tanya dizia que Edward puxou à aparência física de mamãe e ao jeito tímido de papai. Já eu, ela dizia que eu sou despachado como Dona Esme era, mas que eu sou a cara de papai quando era jovem. Sim! Tanya cresceu na ilha e era colega de escola de meus pais. Quatro anos depois que papai ficou viúvo, ela se divorciou de seu primeiro marido e veio morar conosco.
Tanya, que Deus a tenha num bom lugar... Se não fosse por ela, eu jamais teria aprendido a dançar de rostinho colado com uma garota! E por falar em dançar, a sexta-feira já tinha chegado e nós iríamos ao pub perto do campus. Festa! Aí vou eu!
Já no pub, me agarrei com Bree, uma gatinha que tinha conhecido na aula de Biologia. Pela minha visão periférica, vi que Edward estava acompanhado de uma ruiva gostosa. Tudo ia bem, beijar Bree era legal, meu corpo se acendeu de tesão e fiquei duro feito pedra.
Mas que droga! Puta que pariu! A imagem de minha maluquinha de olhos chocolate veio na minha mente com tudo. Interrompi o beijo bruscamente e perdi o interesse pela garota.
Aquilo já tava ficando ridículo!
Vi quando Edward e a ruiva encostaram no bar e fomos para lá. A cara de meu irmão não era das melhores, rapidamente as garotas se livraram de nós e começaram a secar os caras da banda. Saímos dali e fomos jogar sinuca noutra área do pub. Pedimos mais cervejas e conversamos vários assuntos banais.
O clima ficou pesado, Edward sabia que eu sabia que ele sabia que tínhamos algo importante para conversar. Em nome de nossa amizade, respeito e amor entre irmãos, abri o jogo.
- Isabella Swan não sai da minha cabeça. – minha voz estava embargada e meus olhos já estavam marejados – E... puta que pariu! Eu sei que ela mexeu com você também!
Me sentindo culpado, baixei a cabeça e mirei meus próprios pés. Houve um minuto de silêncio.
Edward pegou uma mão, colocando-a sobre meu ombro. Seu aperto me passou confiança, era o mesmo gesto que ele fazia quando éramos crianças e eu fazia alguma coisa errada e ele queria tomar as minhas dores.
- Vamos sair daqui, Emm. – sua voz estava estável – Precisamos conversar sobre isso num lugar mais calmo.
Chegamos em casa em vinte minutos. Sim, casa. Melhor dizendo, um apartamento. Não moramos no campus, depois de fazer muitas contas, percebemos que seria mais econômico alugar um muquifo. Já estamos acostumados a cuidar de nós mesmos e também tem o fato de sermos dois bichos-do-mato, não ficamos muito à vontade com estranhos.
O silêncio mórbido preencheu a sala, sentei no sofá, Edward sentou na poltrona. Nos encaramos, estávamos sérios, mas não havia ódio ou raiva ou qualquer outro sentimento negativo. A seriedade se dava ao fato do assunto ser delicado mesmo! Como a gente ia contornar aquela situação sem magoar um ao outro?
Coube a mim quebrar o silêncio.
- Edward, eu me apaixonei por Isabella. – engoli em seco e continuei – Me apaixonei por aquele corpinho pequeno e macio, me apaixonei pela aquela voz doce, por aquele jeito desbocado dela, me apaixonei por aqueles olhos chocolate.
Mirei meus pés novamente. Ele suspirou alto, levantei meu rosto e o vi fechar os olhos e segurar a ponte do nariz.
- Emmett... Se fosse outra pessoa a me dizer isso, eu iria dizer isso tudo é uma brincadeira de mau gosto. – ele suspirou de novo e abriu os olhos – Mas vindo de você, meu irmão, eu acredito porque você não sabe mentir.
- E agora, mano? – perguntei angustiado – Você também a quer! – ele arregalou os olhos e assentiu – O que a gente vai fazer? – levantei do sofá e falei exasperado – Caralho! Isso é muito complicado!
Edward permaneceu sentado e falou uma grande verdade.
- Nós não somos Caim e Abel, Emm... – ele se levantou e veio ao meu encontro, tocando em meu ombro novamente – Vamos descomplicar isso! 

...................................
NOTAS DO CAPÍTULO
Novo cap na segunda-feira, bjs =]