O Anúncio
Para Jessica Stanley, uma jovem aldeã do Clã Dunbar, as fofocas eram tão saborosas como os doces biscoitinhos de manteiga. Ela ficava com água na boca e adorava ser a primeira a saber dos últimos acontecimentos e não se importava se as histórias que repetia eram verdadeiras ou falsas. Contá-las era tudo o que Jessica queria. E quando chegava ao final de seus contos, Jessica sentia tamanha excitação que seu rosto corava, suas mãos suavam e sua respiração se convertia em curtos ofegos. Ela considerava que fofocar, era tão bom como o sexo. E às vezes até melhor. (n/a: discordo veementemente!)
Jessica raramente espalha histórias a respeito do bom trabalho de alguém ou de sua boa sorte. De que servia isso? Não havia nada de emocionante em histórias bem sucedidas! Segredos pecaminosos, intrigas sexuais e traições sempre eram mais interessantes, tudo o que envolvesse o pecado da luxúria, era muito mais excitante.
Numa noite qualquer, durante o jantar, seu irmão Nell comentou o que tinha ouvido sobre o incidente ocorrido na Abadia de Arbane.
Jessica comeu vários biscoitos enquanto escutava a história, logo comeu tudo enquanto arrancava de seu irmão cada possível detalhe que lhe pudesse ter escapado. Quando Nell tinha terminado de relatar o que tinha ouvido, Jessica estava zonza de tanta excitação e se empanturrou com o último biscoito na boca.
Antes do meio-dia do dia seguinte todo mundo no Clã Dunbar sabia sobre Isabella. Logo Jessica, atordoada pelo poder, estendeu sua língua ferina para além dos limites de seu Clã. Depois de assar duas travessas de biscoitos doces, os levou a Hilda sua prima em segundo grau, que estava casada com um Boswell. Não deixou a fazenda dos Boswell até que se assegurou que todos no Clã se inteiraram do infame incidente.
Além de difundir fofocas malignas, o outro ponto fraco de Jessica era que gostava de aumentar os fatos. Depois de contar uma história trinta ou quarenta vezes, já não sentia o mesmo frenesi. Seu coração não se disparava, e não lhe suavam as palmas das mãos. A intriga se convertia em história antiga, então ela começava a acrescentar umas poucas mentiras pequenas que ela mesma inventava. Nada muito ultrajante, é claro. Só o suficiente para apimentar o conto. Afinal, que mal podia haver nisso?
Duas semanas depois suas mentiras chegaram até o Clã Cullen.
Isabella sentiu a diferença na atmosfera. Mulheres que habitualmente lhe sorriam quando passavam a seu lado agora evitavam olhá-la. Viravam a cabeça para o outro lado e mudavam de direção. Antes mesmo que ninguém lhe dissesse, ela já sabia que todos tinham se informado das terríveis acusações que sofrera. E pela forma com que todos estavam se comportando, ela também soube que acreditavam nessas acusações. Alice também havia percebido a mudança das pessoas e sofreu solidariamente, elas não comentaram o fato.
Depois de um longo dia de caça, Edward voltou para casa e encontrou Seth esperando-o em frente aos estábulos. A expressão que o comandante trazia no rosto indicou a Edward que ele tinha más notícias. Seu primeiro pensamento foi dirigido a Isabella. Teria ocorrido algo com sua noiva?
Antes mesmo de desmontar, ele perguntou:
— Isabella está bem?
Seth sabia que seu Laird não se dava conta de quão reveladora era essa pergunta.
— Está bem. Não sofreu nenhum dano.
A segunda pergunta de Edward foi igualmente reveladora.
— O que ela aprontou agora?
— Nada que eu saiba. — Seth lhe assegurou.
Edward desceu do cavalo e atirou as rédeas ao chefe do estábulo enquanto se dirigia a Seth.
— Não tentou fugir outra vez?
Seth sorriu.
— Não, pelo menos hoje não. — antes de continuar, Seth levantou a vista ao céu — Mas o sol ainda não se pôs. Ela ainda tem algum tempo..
Isabella estava tendo problemas para adaptar-se em seu novo lar. Cada dia acontecia algo novo. Na semana passada ela tinha tentado sair da fazenda duas vezes. E por duas vezes, Edward a havia trazido de volta. Ela insistia em dizer que não estava fugindo. Sua primeira desculpa foi que desejava cavalgar até de Finney’s Flat. A segunda desculpa foi que queria caçar, ou seja lá o que for.
— Lady Isabella só necessita de tempo para entender as regras do Clã. — disse Seth, tentando defendê-la.
Edward zombou do comentário.
— Ela conhece as regras. O problema é que ela não dá a mínima, isso já tive por duas vezes que deixar de fazer o que estava fazendo para correr atrás dela.
— Posso acrescentar que me ofereci para ir em sua procura, assim como o fizeram vários outros guerreiros.
— Ela é minha responsabilidade e portanto, meu problema. Não deixo minhas responsabilidades com outras pessoas.
Seth sabia que essa não era a razão. Embora Isabella só tenha estado com eles a apenas quatorze dias, Edward já se tornara bastante possessivo e ciumento. Ele não gostava que ninguém mais estivesse perto dela. Apenas tolerava seus guardas. Na sua opinião, eles eram totalmente inúteis. Só respondiam ante a Isabella e só obedeciam suas ordens. Edward acreditava que tinha agüentado seu comportamento durante muito tempo, embora tivesse que admitir, a contra gosto, que cuidavam bem dela.
— Nenhum de nós considera Lady Isabella um problema. Os homens, assim com as mulheres também gostam dela, já que sempre tem uma palavra amável e um sorriso para todos que encontra.
— Por acaso ela atrai demais a atenção dos homens?
— Sim, atrai. — Seth admitiu — Embora sem intenção. Edward, você já notou o quanto ela é bonita?
Exasperado, ele respondeu:
— É claro que notei.
— Os homens também notaram. Gostam de olhar para ela.
Edward ficou tenso.
— Pois então dobrarei sua jornada de trabalho. Se trabalharem duro do amanhecer até o pôr-do-sol, não terão tempo de olhá-la.
— Você fala como um homem ciumento.
Pelo olhar que recebeu de Edward, Seth compreendeu que não deveria ter formulado o pensamento em voz alta.
— Faz muitos anos que sou seu amigo. — recordou Seth — Eu não tinha a intenção de te irritar, só estava sendo sincero. Os rumores que correm são que você vai se casar com ela, mas se me permite fazer uma sugestão, penso que deveria fazer o anúncio o mais rápido possível a todo o Clã.
— Sou um homem ocupado. — grunhiu Edward.
Edward sabia que aquilo era uma desculpa esfarrapada. Deveria ter contado a seus guerreiros que tinha a intenção de tomar Isabella como esposa desde o dia em que a havia trazido para casa com ele, mas em vez disso passou as duas últimas semanas tentando manter-se afastado dela, dizendo a si mesmo que tinha outras obrigações muito mais importantes.
Ele podia ter tirado algum tempo para ela. Edward não era o tipo de pessoa que evitava as tarefas desagradáveis. Ele tinha uma dívida pesada sobre sua cabeça que ficaria saldada assim que se casasse com ela. E como odiava estar em dívida com alguém, deveria estar se sentido ansioso para se casar. Então, por que motivo não estaria?
Resignado, ele entendeu a razão. Ninguém, absolutamente ninguém, o dominava. Ele não se submetia a ninguém, não devia satisfações a ninguém, não se reportava a ninguém. Ele não pertencia a ninguém ... Até o dia em que conheceu Isabella ...
Ao mesmo tempo em que desejava manter-se afastado dela para que pudesse conservar seu eu, Edward deseja unir-se a ela de todas as formas possíveis. Desejava muito mais que seus lábios doces ... ele desejava possuir, amar e gozar naquele corpo para sempre ... desejava ser completamente dela, até se perder em Isabella.
Eram tantas emoções contraditórias, que tudo aquilo embaralhava sua mente e seu coração. Então, ele finalmente tinha admitido a verdade: Isabella era uma mulher perigosa. Não gostava da forma como o fazia se sentir, virando sua mente de cabeça para baixo. Tudo tinha começado com um beijo. O maldito beijo tinha despertado emoções que, há muito tempo, ele imaginava não existirem. Para Edward, até então, amor era uma coisa imaginária! Até a forma que Isabella sorria era perigosa. Se Edward permitisse, ela o transformaria num idiota apaixonado, mas ele havia jurado que de nenhuma maldita forma deixaria que outra mulher o fizesse de tolo, nunca mais.
— Espero que faça o anúncio logo, Laird. – Seth o tirou de seus pensamentos,
Edward respondeu rispidamente.
— O que eu devo informar?
Enquanto fazia a pergunta, avistou dois cavalos atados ao galho de uma árvore, e pelas marcas que tinham nos lombos, sabia a quem pertenciam.
— Que diabos os Boswell fazem aqui?
— Espalhando mentiras.
— Como assim?
— As mentiras a respeito de Lady Isabella chegaram ao nosso Clã, e dois homens do Clã Boswell são os responsáveis. Kinnon Boswell disse que tinha que falar com sua prima Rebecca, que como você Sabe, ela está casada com um de nossos guerreiros. Disseram aos vigias da torre que era um assunto urgente, por isso lhes permitiram a entrada, mas foram à casa de Rebecca. Parece que tanto ele como seu amigo estavam decididos a ver Lady Isabella.
— Conseguiram vê-la? —Edward perguntou, furioso.
— Não. — Seth garantiu.
Edward relaxou.
— Então, pode ser que consigam sair daqui com vida.
Seth continuou com seu relatório.
— Eu estava no campo oeste treinando com os soldados mais jovens quando um dos guardas de Isabella se aproximou de mim e me disse que havia um problema.
— Que guarda?
— Jared.
— Ao menos um deles está aprendendo a seguir a hierarquia de comando. — Edward disse, ríspido — O que ele disse?
— Perguntou-me se somos aliados dos Boswell, e quando perguntei por que queria saber, ele explicou que estava a ponto de matar dois deles.
— E você permitiu?
— Não, mas eu juro, Laird, que quando ouvi o que estavam dizendo a respeito de Lady Isabella, desejei matá-los. Quando você chegou, eu estava a ponto de jogá-los daqui para fora.
— Onde esta Isabella agora?
— Na grande sala do castelo.
— Encontre os Boswell. — Edward ordenou — E os traga para mim. Quero que me digam o que estiveram dizendo a respeito de Isabella.
Depois de dar a ordem, Edward seguiu caminhando. Tinha pressa para ver Isabella antes que ela se inteirasse do assunto dos Boswell. Ela tinha sofrido muitas angústias. Não precisava sofrer mais.
Maldição, isto tudo era culpa dele. Já deveria ter se casado com ela. Essa era a única forma segura de deter as calúnias. Ninguém ousaria dizer uma palavra contra sua esposa … a não ser, é claro, que quisesse morrer.
Enquanto se aproximava do pátio, Edward avistou Isabella. Ela estava de costas para ele e estava falando com alguém. Ao se aproximar mais, Edward viu os Boswell de frente a ela. Edward soltou uma praga e apressou o passo. Os homens pareciam tão entusiasmados no que estavam dizendo, que não repararam nele. Nem escutaram Jared e Embry aproximando-se deles pelas costas. Os guardas estavam correndo em direção aos dois homens, mas se detiveram quando Isabella levantou levemente a mão lhes fazendo um sinal.
Kinnon notou seu gesto. Aproximou-se um passo e lhe perguntou:
— O que a Princesa está fazendo?
Ela sorriu enquanto respondia.
— Salvando suas vidas.
Brady, o mais novo deles, não tinha entendido, mas Kinnon era mais esperto. Virou-se de repente e ficou cara a cara com Jared. Imediatamente se virou para Isabella e com voz tremula, disse:
— Nós só estávamos contando o que todo mundo está dizendo de você. Pensei que iria quer saber. Não podem nos matar por isso, podem?
— Eles não podem, mas eu posso. — disse Edward.
Se o Laird não estivesse tão furioso, provavelmente teria achado graça na reação dos Boswell ao escutar sua voz. Com a intenção de encontrar uma saída, tombaram um no outro.
Isabella temeu que Edward pudesse cumprir sua ameaça matando os Boswell, e não desejava que isso acontecesse. Kinnon e Brady eram dois jovens tolos que não tinham nada melhor que fazer com seu tempo além de viajar todo esse caminho para ver sua reação ante suas histórias, mas não deveriam morrer por causa de sua ignorância.
Embora devessem sofrer um pouco por serem tão estúpidos.
— Laird, estou muito feliz que esteja em casa — ela caminhou em sua direção e disse com a voz doce — Venha escutar as histórias que os Boswell estão me contando. O senhor certamente se divertirá.
O rosto de Kinnon parecia ter sido queimado pelo sol, enquanto que o de Brady parecia ter perdido toda a cor. Assemelhava-se a um cadáver. Para falar a verdade, também cheirava como um.
— Duvido que me divirtam. — disse Edward.
Ele enlaçou a cintura dela, puxou-a para si e a beijou enquanto os Boswell o olhavam com os olhos arregalados. Em seguida, Edward se virou para eles.
— Podem me contar o que nadaram falando da minha futura esposa, Lady Isabella?
— Futura… — Kinnon engoliu em seco.
— Esposa? — disse Brady — Não sabíamos. Do contrário …
— Do contrário não teriam difamado Lady Isabella? É isso o que querem dizer? — perguntou Edward.
Ele estava tão furioso que apenas podia conter a vontade de estrangular os tolos porque Isabella estava bem ao seu lado. Para se conter, ele apertava a cintura de Isabella, e só quando ela o beliscou, ele se deu conta do que estava fazendo e afrouxou seu aperto.
— Queríamos ver como ela é. Tínhamos ouvido dizer que ela enfeitiça os homens e queríamos ver com nossos próprios olhos. — explicou Kinnon.
— Só estávamos repetindo as histórias que ouvimos. — disse Brady, com uma voz tão aguda que quase parecia um grito de mulher.
Jared e Embry se aproximaram tanto de Kinnon e Brady, que os dois podiam sentir as respirações deles contra seus pescoços. Os guardas estavam esperando que Edward desse o sinal para se livrarem das pestes.
Isabella entendeu que os Boswell já tinham recebido suficiente castigo.
— Kinnon e Brady me convenceram que sou uma mulher assombrosa. Parece que dei a luz a quatro meninos, fora do casamento e todos no período de um ano — explicou ela — E todos filhos de pais diferentes. — ela começou a rir antes de acrescentar— Devo ser uma pessoa terrivelmente afetuosa.
— As histórias são falsas. — gaguejou Kinnon — Agora nos damos conta disso. Não é verdade, Brady?
Seu amigo assentiu energicamente.
— Sim, sabemos. Sabemos sim!
— Se nos deixarem partir, prometemos não voltar a dizer nenhuma palavra a respeito de Lady Isabella, nunca mais. A não ser, é claro, para elogiá-la. — se apressou a acrescentar — Daqui para frente, ela só receberá elogio de nossa parte.
— Jared, Embry, vocês podem ir. Isabella, vai para dentro — ordenou Edward.
Isabella desejava lhe perguntar o que ia fazer, mas sabia que seria impróprio questioná-lo diante de estranhos. Certamente, ele não iria matá-los, não é?
Ela se afastou devagar. Os Boswell haviam dito coisas terríveis e até mesmo recitaram palavras sujas e obscenas, ela percebeu seus olhares obscenos e risadas maliciosas. Mesmo sabendo que não devia, Isabella sentiu pena deles.
Edward notou que ela caminhava a passos lentos e decidiu que teria que falar com ela a respeito da obediência. Quando ele dava uma ordem, esperava que a cumprissem imediatamente. E com presteza. Ela obviamente não sabia isso. Era meio inglesa, recordou a si mesmo, e possivelmente é por isso que era tão teimosa.
Voltou sua atenção para os Boswell, que tremiam dentro das botas.
— Quando vocês acordarem, devem ir ao seu Laird, e lhe dirão o que ocorreu hoje aqui. Se não lhe contam cada palavra do que disseram a Lady Isabella, eu ficarei sabendo. Também devem lhe contar que a única razão pela qual os deixei viver é porque minha futura esposa achou graça do ocorrido.
Brady assentiu.
— Diremos a nosso Laird cada palavra. — jurou.
Kinnon coçou o queixo.
— Laird, o senhor disse quando acordarmos? Nós vamos passar a noite…
Ele nunca terminou a pergunta. Edward se moveu tão rápido, que nem Kinnon nem Brady tiveram tempo de reagir. Num segundo estavam de pé, e no seguinte estavam esmagados contra o chão.
Jared manifestou sua aprovação com um gesto da cabeça, enquanto Embry sorriu.
Edward olhava fixamente os Boswell enquanto ordenava:
— Amarrem os malditos em seus cavalos e os tirem de minhas terras.
Edward caminhava de um lado para o outro, furioso. Como os Boswell se atreviam, ou qualquer um que fosse, a caluniar Isabella? Qualquer um que a conhecesse saberia que era uma mulher inocente, doce e amável. Deveria havê-los matado, decidiu. Mas Isabella teria se sentido transtornada com isso, embora certamente teria melhorado o humor dele.
Ele deteve-se abruptamente. Quando foi que isso aconteceu? Quando os sentimentos dela se tornaram importante para ele?
Edward tentou tirar Isabella de seus pensamentos. Tinha trabalho a fazer. Foi até à forja e passou uma hora discutindo com o ferreiro a respeito de modificações que queria fazer às laminas das espadas e logo caminhou para o topo da montanha com vista para o campo onde seus guerreiros treinavam. Os mais jovens estavam sendo treinados naquela hora. Tinham escudos, mas nenhum deles o usava adequadamente. De fato, uns poucos estavam usando-os como arma enquanto que suas espadas penduravam, estavam imóveis ao lado do corpo.
Aqueles jovens não deveriam estar treinando com nenhuma das armas ainda, concluiu Edward. Eram muito inexperientes. Seth estava lhes gritando instruções, mas não estava obtendo os resultados desejados. Quando um dos jovens cometeu o engano de sorrir, Seth prontamente o derrubou de um golpe. Por que seria que os inexperientes eram sempre os mais arrogantes? Em um campo de batalha seriam um transtorno, e os guerreiros experientes teriam que protegê-los e lutar com o inimigo ao mesmo tempo. A distração poderia ser mortal.
Samuel e Paul se aproximaram até ficar junto a Edward.
— Jared nos contou o que aconteceu com os homens do Clã Boswell — disse Samuel.
Edward ignorou o comentário. Então Paul disse:
— Por que não os mataram? Eu o teria feito.
— Nossa Princesa teria se sentido infeliz se os tivéssemos matado — explicou Samuel. — Acredito que é por isso que ainda continuam com vida.
Os três permaneceram calados enquanto observavam os exercícios no campo. Um jovem guerreiro deixou a espada cair.
— Pelo amor de Deus! — murmurou Edward. — Deveria deixar que se matassem uns aos outros. Assim me veria livre deles.
— Primeiro teriam que aprender a lutar com as mãos. Não deveriam estar brigando com armas. — sentenciou Paul expressando em voz alta sua crítica.
Edward assentiu. As armas podiam converter-se em muletas, e se o guerreiro se visse desarmado, estaria indefeso frente ao inimigo a não ser que possuísse outras habilidades. Em nome de Deus, o que Seth estava para deixá-los usar espadas? Ao final do dia teriam feridas por todos lados.
Nesse momento havia mais de cem membros do Clã no campo, e esse número não incluía os principiantes sem treinamento. Seth não podia estar em cinco lugares ao mesmo tempo, e Edward se deu conta que devia delegar mais responsabilidades a outros guerreiros dignos e experimentados. Mas ele duvidava que alguém quisesse se encarregar dos principiantes. Edward tinha começado a descer a montanha quando lhe ocorreu uma inesperada solução.
— Samuel, acho que já é hora de você e os outros guardas ganharem sua estadia aqui.
— O que o senhor têm em mente?
— Ainda não vi suas habilidades no campo. Amanhã treinarão com alguns de meus guerreiros. Se me parecer que estão à altura da tarefa, ajudarão a treinar os mais jovens.
Edward não teve que olhar Paul para saber que ele estava sorrindo. No dia seguinte, ele teria a chance de apagar um pouco daquela expressão de arrogância daquele rosto.
Desde que havia chegado à fazenda Cullen, há duas semanas, Isabella tinha estado de bom humor, até aquele dia em que tinha saído para tomar um pouco de ar fresco e tinha conhecido os Boswell. Kinnon e Brady se deliciavam em compartilhar as histórias que tinham escutado a respeito dela. As histórias eram tão absurdas que ela não pôde fazer outra coisa que não fosse rir.
Porém, depois do caso passado, o humor já havia desaparecido. Como podia alguém se alegrar em contar coisas horríveis a respeito de outra pessoa? Não havia desculpas para semelhante crueldade. Isabella pensava nesse triste fato enquanto subia as escadas e entrava na grande sala. Seu estado de espírito se tornou bastante sombrio e ele segurou as lágrimas a muito custo.
Embora não fizesse sentido, ela decidiu jogar a culpa de sua infelicidade em Edward. Ela estava vivendo com os Cullen há duas semanas e se seu Laird já tivesse dito a seu Clã que estava planejando se casar com ela, a esta altura a notícia já teriam se espalhado a outros Clãs, e os Boswell não se atreveriam a insultá-la.
Mas ele não havia dito a ninguém, certo? Só havia uma conclusão que ela podia tirar a partir de seu silêncio. Edward não desejava se casar com ela, e estava tão assustado, que não podia se obrigar a dizer as palavras. Ele nem sequer gostava de estar no mesmo ambiente que ela. Além dos sermões que costuma lhe fazer sobre alguma coisa que não considerava apropriada, ele ainda não tivera uma conversa decente com ela. Contra sua vontade, uma lágrima triste escorreu em sua face.
— Não fique assim, irmãzinha. — Alice a surpreendeu, afagando seus ombros — Os Boswell são tolos.
— Eu não me incomodo com eles ...
— Eu tinha certeza que não. — Alice pegou a mão de Isabella e a conduziu, sentaram num banco de madeira perto da janela, onde as duas deixavam suas cestas de bordado — É Edward, não é?
Isabella apenas assentiu enquanto recomeçava seu bordado.
— Você precisa ser mais paciente com ele, Isabella. — ela olhou para Alice sem acreditar nas palavras da amiga — Ele tem muitas responsabilidades com Laird, é um homem extremamente pragmático, gosta de tudo a seu modo e se esconde nas suas muitas obrigações para disfarçar o amor e a atração que sente por você.
— Eu sei que ele é muito ocupado ... — ela murmurou tristonha.
— Não é só isso. — Alice fez uma pausa e começou a sussurrar — O amor é um sentimento desconhecido no coração de nosso Laird. Ele já te quer bem, mas ainda não sabe ou tem medo de demonstrar isso pra você.
— Alice ... ele ... ele nem anunciou ao Clã que sou sua noiva ...
— Eu sei. — ela falou seca — Jasper vai conversar com ele a respeito disso.
— Jasper? Ele está melhor?
— Forte como um cavalo! — a figura imponente de Jasper cruzou a grande sala.
Isabella ficou tão surpreendida e contente em vê-lo, que por um instante se esqueceu de sua tristeza.
— Jasper ... Bom Deus, você se recuperou! — Isabella exclamou.
— Bom dia, Isabella — ele disse fazendo uma mesura com as mãos — Vejo que você e minha doce esposa já são amigas!
— Sim, claro que sim! Afinal nós seremos irmãs! — Alice se apressou em responder ao marido.
— Será que eu posso me juntar a vocês? — elas apenas assentiram.
O irmão de Edward se esparramou numa das duas cadeiras altas que estavam ao lado do banco. E Isabella notou que Jasper não fez caretas quando se sentou. Obviamente os cortes que tinha na parte posterior das pernas já estavam curados. Ele ainda tinha algumas feridas nos joelhos, mas para sorte de Jasper, não haviam tocado em seu rosto. De fato, ele parecia estar em muito boa forma.
— Alice me contou tudo a respeito de você. — ele disse, sorrindo.
— Como pode ser que eu já esteja aqui a tantos dias e esta seja a primeira vez que o vejo?
— Não quis ver ninguém até que estivesse mais forte. Estive escondido num quarto.
— Está se sentindo melhor?
A preocupação dela lhe pareceu genuína.
— Sim, Alice é uma esposa muito atenciosa. — ele olhou para Isabella e estudou seu rosto durante vários segundos, depois perguntou — Como pode ser que você me pareça tão familiar? Sei que nunca nos conhecemos, pois eu me recordaria de seu rosto ...
Jasper fez uma pausa, enquanto forçava sua mente a se lembrar, por fim, desistiu e acrescentou: — Os guardas que vieram com você cuidaram de mim enquanto eu dormia. Devo agradecer a você por permitir tal coisa.
— Eles não precisaram de minha permissão, e são eles que você deveria agradecer.
— Sim, têm razão.
Isabella gostou do futuro cunhado. Ao contrário de seu irmão, Jasper era fácil mais tranqüilo e afável, além de ser bastante charmoso. Deveria ser por isso que Alice o amasse tanto, por seu sorriso fácil e sua atitude. Ele também era muito brincalhão e a fez rir lhe contando as travessuras que ele e Edward faziam quando eram meninos. Passar a tarde com Alice e Jasper foi o momento mais prazeroso que tinha tido desde sua chegada à propriedade dos Cullen. O melhor de tudo foi que Jasper nunca mencionou o motivo pelo qual ela estava ali, e por essa razão, ela ficou muito agradecida.
Até àquele dia, a única companhia de Isabella durante as refeições era o Padre Erick. Alice estava muito ocupada cuidando do marido e da filha e Edward fugia da presença da noiva. Mas nessa noite todos estavam reunidos à mesa. Edward se sentou na cabeceira da mesa, Jasper, no lado oposto, Alice à direita do marido e Isabella à direita do noivo. O Padre Erick se espantou quando viu todos à e olhou espantado para os dois guerreiros antes de tomar uma cadeira ao lado da de Isabella. A sala estava em silêncio até que Sue e Emily entraram levando travessas de pão amanhecido, arenques, bacalhau, carneiro, e carne seca. Por último, Sue levou à mesa enormes filões de pão preto recém assado. Recém-tirados do forno, o aroma do pão encheu a sala. Pisando forte e destilando todo o seu ódio contra Alice, melhor dizendo, contra Alice e Isabella, Leah entrou na sala carregando uma bandeja com água e vinho. Ela não podia entender como duas forasteiras poderiam se tornas as senhoras daquele castelo e daquele Clã. Para Leah, os Cullen tinham um gosto duvidoso para escolherem suas esposas.
Decidida a puxar assunto com Edward, Isabella perguntou:
— Laird, como foi a caçada hoje?
— Como previsto.
Ela esperou que ele continuasse a resposta, mas não parecia interessado. Alice lançou à amiga um olha solidário e aceitou a parte de pão que o Padre Erick lhe ofereceu. Os homens comiam em silêncio, enquanto Alice se perguntava quando Edward iria acatar sua sugestão.
Finalmente, Isabella falou.
— Que planos o senhor tem para amanhã?
— Por que o pergunta? — Edward perguntou desconfiado.
— Era só curiosidade. — ela respondeu desanimada.
O Padre Erick começou a contar uma história divertida, e Isabella baixou a vista para a mesa. Esmigalhou o pão em mil de pedacinhos fazendo com que se espalhasse por sobre a mesa. Pensando que ninguém tivesse percebido, ela juntou os pedacinhos e os colocou sobre a bandeja.
Depois que o sacerdote tinha terminado sua história, ela se virou para Edward e perguntou:
— A temperatura está fria para esta época do ano?
— Não.
Isabella se sentiu frustrada. Nada estava funcionando. Certamente devia haver um assunto que prendesse a atenção de Edward. Ela fez uma pergunta a respeito da construção do novo anexo. Jasper estava falando em voz baixa com o sacerdote, mas ouviu sua pergunta dela e se inclinou para frente para responder. Isabella suspirou frustrada e estendeu a mão para alcançar outra fatia de pão, mas Edward a deteve, pondo a mão em cima da dela. Sua voz foi suave como um sussurro.
— Por que esta noite você está tão nervosa comigo?
Esta noite? Ela sempre ficava nervosa quando estava com ele. Mas por quê? Não havia razão para esse sentimento, a não ser, é claro, que fosse uma reação puramente física, o que não fazia nenhum sentido. Por que, afinal, ela teria se apaixonado por um homem tão difícil, bruto, reclamão e autoritário? Isabella decidiu que havia alguma coisa errada com com ela, para desejar um homem tão rude e cheio de defeitos.
— Isabella, me responda.
Ela se empertigou, mas se esforçou para não lançar ao noivo palavras muito amargas.
— Devo responder ao senhor com uma só palavra, como as que vêm me respondendo? — ela arqueou uma sobrancelha e sussurrou — Estive tentando manter uma conversa decente com o senhor.
Jasper os interrompeu, alheio aos problemas de comunicação dos noivos.
— Edward, você ficou sabendo alguma coisa sobre Black?
— Há rumores, mas nada consistente ainda.
Jasper olhou do sacerdote para Isabella enquanto explicava.
— O Laird Black foi assassinado.
— Sabemos. — disse o Padre Erick. — Lady Isabella ia se casar com o Laird.
— É mesmo. Ouvi sobre o casamento antes de deixar a propriedade de meus sogros, não muito antes de ser emboscado.
— Ouvi dizer que os Black estão brigando entre si para ver quem vai ser o próximo Laird. Seth acredita que haverá uma guerra entre eles. — Edward completou.
Pelos próximos dez minutos os irmãos os dedicaram a debater a respeito de quem deveria assumir a liderança do Clã Black.
— Será que vão descobrir quem matou o Laird Black? — perguntou Isabella.
— Não descansaremos até encontrar ao culpado. — disse Jasper.
— Nós? — inquiriu o Padre Erick.
— Os Lairds McCarty, Sinclair, Maitland e Cullen — respondeu Jasper — Todos já se reuniram para compartilhar informação.
Isabella tinha esperanças de que se fizesse justiça para o Laird Black.
— Nenhum homem deveria morrer com uma faca nas costas. — ela murmurou.
— É um ato de covardia. — concordou Edward.
Ela olhou fixamente para a mão dele repousando sobre a sua. Aquela mão era o dobro do tamanho da dela e era quente, maravilhosamente quente. Como podia um simples toque lhe agradar tanto? Será que ela estava tão faminta de carinho que aquela sutil proximidade dele lhe provocasse tamanha reação? Provavelmente ele nem sequer se dava conta do que estava fazendo. Desapontada consigo mesma, ela desviou o olhar e ficou a escutar o Padre Erick falar da vida na Abadia.
A cada oportunidade que tinha, Erick fazia um ou dois comentários a respeito dos benefícios de ter uma capela para o Clã. Deu vários exemplos, pensando que estava sendo sutil.
Isabella caiu na risada.
— Padre, acredito que talvez deveria simplesmente pedir a nosso Laird que lhe construísse uma capela.
— A nosso Laird? — perguntou Jasper.
Ela levantou os ombros e olhou para Edward.
— Parece ser que agora o senhor é o Laird do Padre Erick… e o meu também. Não é?
A expressão de Edward era inescrutável quando respondeu.
— Sim.
Jasper franziu o cenho.
— Estou perdendo de algo? É verdade? — perguntou — Está pensando em construir uma capela para o sacerdote?
— Possivelmente. — Edward respondeu.
— Aqui há almas que precisam ser salvas — o Padre disse.
— Construir uma capela salvará nossas almas? — perguntou Edward, sorrindo.
— Seria um passo na direção correta. Seu Clã deveria ser encorajado a entrar nela, ficar de joelhos, e rezar para que Deus perdoasse seus pecados.
Em um instante a conversa tomou outro rumo.
— Edward, o Padre não foi capaz de me dizer como fui desde Finney’s Flat até a abadia.
— Você poderia ter caminhado. — sugeriu Erick.
— Não, impossível.
O Padre Erick suspirou.
— Já lhes expliquei que não posso contar.
— Mas sabe a verdade, não sabe? — perguntou Edward.
— Vocês encontraram o homem que feriu Jasper? — Isabella aflita, temendo o rumo da conversa.
— Se o tivesse encontrado, você saberia.
— Mas o senhor não deixará de procurar, não é? — ela perguntou.
— Não, não vou. — Edward falou decidido.
— Ainda tem que responder minha pergunta, Padre. — disse Jasper — O snehor sabe como cheguei à abadia, não é? Por acaso estava perto de Finney’s Flat quando eu fui capturado?
— Não podem pensar que este pobre sacerdote tenha algo que ver com … — Isabella perguntou
Edward apertou a mão dela gentilmente.
— Não, não pensamos que ele esteja envolvido. — sua voz era gentil — Mas temos esperanças de que ele possa ter visto os homens que tentaram matar Jasper.
— Quando Jasper chegou a nós eu estava na Abadia — disse Erick.
— Sei que está escondendo algo e quero saber do que se trata — demandou Edward.
A mente de Isabella disparou. Ela ainda esperava encontrar um momento a sós com Edward para lhe dizer que tinha sido ela que tinha disparado contra o atacante de Jasper e que seus guardas o tinham transportado até a Abadia de Arbane, mas agora ele estava pressionando.
— Devo dizer … — começou.
O olhar intimidador que Edward lançou a ela fez com que desistisse de continuar falando.
— Isabella, estou falando com o sacerdote. Chegou a hora da verdade.
O Padre Erick parecia encolher-se na cadeira, com medo da ira do Laird.
— Então, Padre, o que vai dizer? Dirá ou teremos que recorrer a medidas um pouco mais duras? — perguntou Jasper.
Isabella se levantou com a velocidade de um raio, derrubando a cadeira com a pressa.
— Não posso acreditar que os senhores pedem ao Padre Erick que conte algo que não pode.
— Que não pode? Ou que não quer? — perguntou Jasper.
— Que não pode — disse bruscamente, olhando-o com fúria — Não permitirei que intimidem o Padre Erick. Ele é um homem de Deus. Ele já explicou mais de uma vez que não pode dizer nada. Deixem-no em paz!
Antes que alguém pudesse responder a sua explosão, Seth apareceu nas escadas, dizendo:
— Estão todos prontos, Laird.
Edward se estirou e levantou a cadeira de Isabella.
— Venha comigo, Isabella. — ordenou enquanto a tomava pela mão e a puxava para que o seguisse.
Ele não lhe explicou onde a estava levando, mas ela ficou feliz em sguí-lo. Um momento a sós com ele lhe daria a oportunidade de explicar o que tinha acontecido em Finney’s Flat.
Estavam a meio caminho para a entrada quando Edward gritou sobre seu ombro:
— Jasper, Alice, Padre, venham também.
Todos o obedeceram.
Na porta havia um guerreiro. Quando os viu vir, fez uma reverência para Isabella e Alice e abriu a porta. Ela pensou que aquele gesto era muito esquisito. Ele deveria ter mostrado respeito ao Laird e seu irmão, não a elas.
Uma rajada de ar frio roçou o rosto dela. Edward soltou o braço de Isabella e saiu. Deteve-se no degrau superior e fez gestos para que ela se unisse a ele.
A luz dourada do entardecer se derramava sobre muito rostos que a observavam. O pátio estava repleto todas as pessoas Clã, e havia mais deles cobrindo as colinas que estavam mais à frente.
Isabella estava tão chocada que mal pode se controlar. Parecia haver um milhão de homens e mulheres olhando-a fixamente. Tentou normalizar a respiração. Ninguém sorria, ela percebeu de imediato. Oh, não, os Boswell teriam chegado a todas aquelas pessoas? Ela tentou afastar o horrível pensamento. Mas por que pareciam todos tão sombrios? Como estavam todos muito próximos, ela não podia ver se traziam pedras nas mãos.
Aproximou-se de Edward. Seu braço tocou o dele. Olhando para baixo, ela sussurrou:
— Edward ... eu ... estou com medo. Eles sabem de tudo ...
— Isabella …
Ele fez uma pausa. Não podia zangar-se com ela. É claro que ela esperaria o pior. Ele ainda não havia lhe dito o que ia fazer, e sabe que depois do que tinha passado nas últimas semanas, ela tinha toda razão para sentir medo. Ele se inclinou e sussurrou em seu ouvido:
— Você acha que eu deixaria que alguém machucasse você? Agora me pertence, Isabella.
Edward se voltou para seu povo, levantou a mão e disse:
— Depois de pensar muito, Lady Isabella finalmente aceitou tornar-se minha esposa. Sou um homem de sorte por me casar com uma Princesa tão cheia de vida, bonita e inocente. Vocês devem recebê-la e honrá-la assim como me honram.
A multidão eclodiu em saudações e gritos. Agora todos sorriam. Edward apertou-a nos braços, levantou seu queixo e a beijou. Mas não aprofundou o beijo, afinal estavam diante de todo o povo.
Ela ficou totalmente indefesa e ... feliz! Ele a beijou por tempo suficiente para que ambos ficassem querendo mais e, quando se afastou, ela tremeu. Ao redor dela os ruídos aumentaram e, em sua cabeça, havia apenas um pensamento: ninguém a apedrejou.
Não muito longe dali, Leah ouviu tudo com atenção enquanto lavava a louça na cozinha. A notícia a pegou de surpresa, ela se esqueceu que lavava uma faca, a palma da sua mão se abriu num enorme talho, gotas de sangue sujaram seu avental, ela chorou com ódio.