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- Música Das Sombras - adaptação do livro homônimo. (Fic concluída)

domingo, 19 de setembro de 2010

Música das Sombras - Capítulo 14

Veredicto

A terrível acusação de Jane foi seguida de um silêncio condenatório que durou apenas o suficiente para que todo mundo ali pudesse espantar seu espanto. Logo a multidão irrompeu em explosões de ira e ultraje. Em poucos minutos todos tomaram posições, a favor ou contra Isabella.
A Princesa não podia mover um músculo sequer. Como ela podia reagir  a tamanho absurdo? Aquilo não tinha cabimento!
— Ouçamos o que ela tem que dizer. — Aro agitou as mãos e pediu à multidão que se calasse.
A voz do Caius tremia de fúria.
— Sim, que todo mundo faça silêncio. Ouvirei o que Jane tem a dizer. —sua sobrinha estava arruinando todos os seus planos cuidadosamente orquestrados, mas nesse momento todos os olhos estavam voltados para ela, e Caius não podia ignorá-la. — Jane, por que diz algo assim de Lady Isabella?
Timidamente Jane levantou a vista e viu que todo mundo estava aproximando-se dela.
— Porque é verdade. — respondeu humildemente.
— Fale mais alto. — disse Aro — Diga por que fez essa ultrajante afirmação.
Jane levantou levemente a voz e repetiu:
— Porque é a verdade.
Os murmúrios se estenderam entre a multidão.
— Como sabe disso? — Aro perguntou friamente.
— Eu a vi. — disse Jane.
Os murmúrios se fizeram mais fortes.
— Continue, nos diga o que viu — ordenou Caius.
Naquela hora Jane achou fácil derramar lágrimas verdadeiras. Seu tio  estava apertando o braço, lhe muita dor.
— Na noite passada, quando cheguei à Abadia recolhi-me muito cedo porque estava muito cansada da viagem. Mas por volta da meia-noite despertei com um ruído no corredor. Abri a porta para ver do que se tratava. — Jane apontou para Isabella. — Ela estava sorrateiramente, dobrando uma esquina. Eu sabia que não devia fazer, mas senti curiosidade e a segui. Fiquei bem para trás porque não queria que ela me visse.
— Como podia ver o caminho na escuridão? Acaso a Princesa levava uma tocha?
Antes de continuar, Jane hesitou por alguns segundos e logo disse rapidamente.
— A lua brilhava. Não havia necessidade de levar uma vela.
Ainda no andar superior, Emmett e Edward assistiam a tudo boquiabertos. O Padre Erick estava ao lado deles e disse:
- Não me recordo de ter visto esta dama ... Não me recordo dela ...
Jane esforçou-se para se livrar do aperto de seu tio, mas ele não a soltava. Na verdade, apertou-a mais forte.
 — Aonde Lady Isabella foi? — Newton perguntou.
— Ela parou em frente a uma porta e bateu levemente. Escondi-me atrás de uma coluna. A porta se abriu, e depois de olhar para um e outro lado, ela entrou.
— E a senhora viu quem abriu a porta? — perguntou Aro.
Jane baixou a vista outra vez.
— Era um homem.
— E você conhece este homem? — perguntou seu tio.
— Não! — disse Jane — Mas eu o tinha visto quando cheguei aqui. Acredito que era o representante da França.
Aro chamou seus seguidores, falando alto para que todos pudessem ouvir.
— Encontrem-no! Tragam-no aqui!
Um deles respondeu imediatamente.
— Não está mais aqui. Ele e seus acompanhantes se foram ontem.
— Se estava escuro, como você pôde reconhecer ao homem? — Newton perguntou impaciente — Talvez fosse seu pai, possivelmente nem era um homem, e sim uma criada.
Mike estava procurando alguma explicação possível. Se as acusações de Jane fossem consideradas verdadeiras, todo seu plano seria destruído. Ele já podia sentir o Vale Newton escorregando entre seus dedos.
 Ao olhar para Aro, Jane ganhava força.
— Era um homem! — Jane declarou enfaticamente e apontou para Isabella novamente — E o que ela estava fazendo lá a deixou impura.
Newton estudou a reação da multidão ante as notícias ofensivas. Quando olhou para cima, viu Cullen e McCarty, suas expressões eram muitas sérias enquanto observavam tudo. Sua mente voou. Quanto teriam ouvido? Uma vez mais, sua reputação e sua autoridade estavam em jogo. Se ele queria sair desta situação com sua dignidade e seu plano intactos, devia pensar rapidamente.
Olhou para Jane com uma falsa compaixão quando disse:
— Tenho certeza que suas intenções são nobres, mas talvez tenha se equivocado, minha jovem. É possível que você possa ter confundido o que viu?
— Não foi um engano! — disse Jane desafiante — A vi quando saiu do quarto de um homem, ela tinha o cabelo solto e o vestido desamarrado. O homem veio até a porta, e não vestia túnica nem camisa.
Isabella estava tão chocada pelas absurdas denúncias, que ficou perdeu a voz. Entretanto, ante esta última e repugnante alegação, não pôde permanecer em silencio.
— Isso é mentira! — ela gritou — Não sei por que esta mulher está dizendo essas coisas, mas nada do que disse é verdade.
— É verdade! — gritou Jane em resposta — Eu a vi, e estava se entregando a um homem.
Um rugido cresceu entre os espectadores. Newton levou vários minutos para acalmá-los e fazer-se ouvir.
— Parece que é sua palavra contra a de Lady Isabella. — disse a Jane.
Quase todo mundo na multidão acordou. Somente umas poucas pessoas conheciam a sobrinha do Barão Caius, assim para a maioria suas palavras tinham pouca credibilidade.
De repente, um homem que estava atrás do Barão Aro elevou a voz.
— A mulher diz a verdade!
Todo mundo olhou para a direção da voz. Um jovem monge com a cabeça coberta por um capuz e os braços dobrados por dentro das mangas de sua batina avançou lentamente.
— O que está dizendo!? — perguntou Newton. — Quem está dizendo a verdade? O que você sabe deste assunto?
O monge não estava acostumado a ser objeto de tanta atenção, ele hesitou por um momento antes de responder.
— Lady Jane diz a verdade. Sei disso porque eu também vi Lady Isabella.
O círculo se ampliou para que todos pudessem ver e ouvir o monge, este deu um passo hesitante para frente e logo se deteve como se subitamente se desse conta da magnitude de suas ações.
— Vi a Princesa … — começou.
— Prossiga! — exigiu Aro impacientemente.
— Há três dias, era meia-noite e acabava de sair da capela depois de minha hora de adoração e vi alguém que se dirigia apressadamente para os dormitórios onde se alojavam uns poucos convidados. Ao princípio só vi uma figura escura, mas quando passou debaixo da luz da tocha que iluminava a janela da capela, reconheci Lady Isabella. Lady Jane não está mentindo.
— É uma prostituta! — gritou alguém que estava atrás de Aro.
— Não serve para casar com ninguém! — gritou um membro do Clã Black.
Antes que passasse muito tempo, dúzias de vozes iradas se uniram para condená-la.
Isabella estava paralisada. Sentia-se como se acabassem de atirá-la a um precipício e os lobos estivessem esperando-a no fundo para destroçá-la. Tinha sido julgada e condenada.
Ela tentou encontrar entender tanta loucura. Como podia estar acontecendo isto? Como podiam essas pessoas estar dizendo tais coisas dela? Jane devia estar demente para fazer semelhantes acusações ridículas. Mas e o monge? Por que concordava com Jane? Que motivo teria para confirmar que Isabella tinha cometido esses atos vis? Jasper! Deus querido, era Jasper! Talvez o monge a tinha visto quando estava a caminho do quarto do homem doente. Mas ela nunca estava sozinha quando deixava seus aposentos. Ao menos um de seus guardas sempre a acompanhava, mas se ele se adiantou e o monge tivesse olhando justo no momento que ela estava passando, poderia ter entendido que ela estava sozinha. Essa era a única explicação possível!
Se Isabella tentasse se defender, se tentasse dizer a verdade, ninguém acreditaria que simplesmente estava visitando um homem doente e que nada impróprio tinha ocorrido. Duas pessoas a tinham acusado. E isso era o suficiente para provar sua culpa.
— Não têm nada a dizer a seu favor? — gritou Caius para Isabella.
Ela se recusou a responder. A multidão indignada já tinha dado seu veredicto.
A Princesa tinha dado sua palavra de que não diria a ninguém a respeito de sua participação no resgate de Jasper, e mesmo se não o tivesse prometido, qual seria a reação da multidão se soubessem que ela era responsável pela morte de um homem em Finney’s Flat? Nesse caso quem se voltaria contra ela e seus guardas? Não podia fazer nem dizer nada que pusesse fim a esse pesadelo. As lágrimas britaram em seus olhos, mas ela não deixaria que caíssem por suas bochechas. Não responderia às calúnias que esta gente estava lançando contra ela.
A fúria do Barão Caius com sua sobrinha cessou e soltou seu braço. Agora compreendia os motivos de Jane para falar. Só estava tratando de salvá-lo da humilhação que certamente lhe viria quando a verdade a respeito de Lady Isabella aparecesse. Embora o monge tivesse permanecido em silêncio e nunca tivesse pronunciado uma palavra sobre seu pecado, certamente o Laird Newton teria se enfurecido quando descobrisse que sua noiva não era virgem. Jane poderia não ter escolhido o momento mais apropriado para falar, mas só estava tratando de protegê-lo.
A agitação pelo futuro de Isabella tinha mudado subitamente. Há poucos momentos quatro homens disputavam por sua mão, mas tudo mudou com esta revelação. Agora, quem entre eles a aceitaria? Quem tomaria uma prostituta por esposa?
Caius estava enfurecido. Era tudo verdade, tudo! Isabella era uma prostituta! Ela o havia enganado. Ela enganava a todos lhes fazendo acreditar que era pura. Sua aparência tornava muito fácil a tarefa de enganar a um homem. O rosto angelical e esses olhos ... Ah! Esses fascinantes e inocentes olhos castanhos … Como ela era muito linda! Que homem pensaria que ela não era pura? 
Ele tinha sido idiota ao desejá-la! A quantos homens ela teria se entregue? Caius olhou para Aro na intenção de saber como estava recebendo as notícias. Um olhar frio parecia ter congelado em seu rosto. Tinha a boca aberta como se estivesse a ponto de falar, mas não pronunciava nenhuma palavra.
Embora houvesse dito algo, não teria sido ouvido devido por causa dos rugidos de Newton. O Laird alardeava seu bom nome e a vergonha que Isabella traria a ele. A cada declaração, ele olhava para o andar superior. Ele esperava que os Highlanders que o observavam aplaudissem sua negativa de se casar com Isabella?
— Agora ela não tem nenhum valor! — disse Aro quando Newton fez uma pausa para respirar. — O Rei William não lhe dará um dote. Você já não pode ficar com Finney’s Flat, Newton. O mesmo vale para você, Monroe.
— Pensam que ainda a quero? — Monroe cuspiu o chão a frente de Isabella. — O diabo que a carregue! — ele se virou e se afastou, quando passou ao lado de Newton disse: — É toda tua, Newton, contanto que não se importe para a zombaria que farão ao saberem que se casou com uma prostituta! Mas você ouviu o barão. Pode ter a prostituta, mas não terá Finney’s Flat.
Newton nunca tinha se sentido tão humilhado, dirigiu sua ira para Caius.
— Você sabia que ela era uma prostituta quando fez o trato comigo? Sabia, não é? – sibilou entredentes.
Caius lhe respondeu, indignado.
— É obvio que não sabia! Acreditava que era pura, como todo mundo. Sabia que você queria Finney’s Flat. Já estava chamando a terra Vale Newton inclusive antes que fizéssemos o trato, e eu queria…
Deteve-se no meio da frase antes que falasse acidentalmente sobre o tesouro. Além do mais, Newton não queria que ninguém soubesse dos detalhes de seu acordo, ele levou Caius para uma parte mais afastada do pátio. Lá de cima, Edward acompanhou os passos dos dois, ele queria poder escutar o que aqueles dois vermes tanto cochichavam. Desceu alguns degraus e se posicionou atrás de uma coluna.
— Você exigiu que eu o deixasse vê-la cada vez que a desejasse, mas se negou a explicar o motivo. Exijo saber se você é um dos homens a quem ela já se entregou. Estava planejando continuar se deitando com ela? Ela era sua amante?
Cada palavra que escutava fazia Edward ficar mai encolerizado e enojado. Por que aqueles homens tão idiotas a ponto de não perceberem a verdade?!
Caius não se importava com as palavras de Newton, ele só pensava no seu o ouro. A chocante conduta de Isabella tinha afastado qualquer outro pensamento que Caius pudesse ter. Ele já não a queria, mas ainda estava decidido a ter o tesouro! Sua mente disparou procurando a solução ... Se tinha intenções de descobrir onde estava escondido o tesouro, precisava ter acesso a Isabella, mas se a levasse de volta ao Rei William, ele a perderia! Possivelmente o Rei ficaria tão furioso que ordenaria sua execução, e se essa notícia lhe chegasse num dia de bom humor, o mais provável era que ele a usasse até que se aborrecesse dela e logo a entregaria a algum de seus subordinados. De qualquer das duas formas, Caius não teria oportunidade de vê-la.
Aro não estava tão preocupado. Embora tivesse preferido ter Isabella como esposa, estava disposto a convertê-la em sua amante. Sua obsessão não requeria uma cerimônia pública. Se Isabella fosse banida, estaria a sua mercê, e ele poderia tê-la quando e como quisesse. Tudo o que tinha que fazer era esperar que Caius desistisse dela.
Caius também tinha idealizado um plano, e sabia exatamente o que faria. Devia agir rapidamente enquanto Isabella ainda estava em estado de choque. Temia que ela reagisse vingativamente ou que talvez tratasse de escapar para obter o amparo de seu pai. Não podia deixar que isso acontecesse.
— Penso que é uma perda de tempo levar a mulher de volta a Inglaterra para esperar a volta do Rei William. Já que falo em seu nome, decidirei seu destino agora.
— Não a matará! — gritou Aro.
Jane levou a mão ao peito.
— Por que você se preocupa o que vai lhe acontecer? — gritou — É impossível que ainda a queira.
— Não pode fazê-la se calar, Caius? Ninguém quer escutar mais nada dela.
— Cale a boca, Jane! — ordenou Caius — Aro tem razão, você já disse o bastante.
— Estou falando sério, Caius! — advertiu Aro — Não podemos matar Isabella.
Caius sorriu dissimuladamente a seu adversário.
— Não, não a matarei. Quero que sofra pelo resto de sua vida, por mais curta que esta possa ser.
Então dedicou toda sua atenção a Isabella e deu um passo para ela. A multidão abriu espaço.
— Com o poder outorgado a mim pelo Rei William, a partir de hoje você está banida.
A aglomeração vibrou com o castigo. Alguns aplaudiram, outros gritaram sua aprovação. Caius esperou que todo mundo se calasse antes de continuar.
— Entende o que significa isto, Isabella? De agora em diante, você é uma proscrita. Não tem casa, nem país, nem rei, nem título. O Rei William e seus leais súditos já não reconhecerão sua existência. Você não é nada!
— Ela deve explicações ao Rei? — gritou alguém.
— Não, não deve, já que não tem mais rei — respondeu Caius.
— E o Barão Charlie? — perguntou Aro — Você não se preocupa com o que fará quando se inteirar que sua filha foi banida?
— Quando ele souber, será muito tarde.
Aro tentava desesperadamente ocultar sua alegria. Isabella seria forçada a ir para a estrada, e planejava segui-la. Uma vez que estivesse o suficientemente longe da abadia e ninguém pudesse vê-la, Aro a levaria. Tinha muitos homens para emboscar e esmagar seus guardas. Ninguém saberia e nem se importaria com o que tinha acontecido com ela, e se Aro quisesse, poderia encarcerá-la no porão de seu castelo e mantê-la ali pelo tempo que quisesse.
Caius tinha as mesmas intenções.
— Jane, vá e diga a meus criados que se preparem para partir. — ordenou em voz muito baixa.
Ela assentiu e se apressou a fazer o que lhe mandou. Mas quando passou por Isabella, diminuiu o passo e levantou a cabeça para que só a Princesa pudesse ver seu sorriso diabólico.
Que razão perversa tinha a mulher para mentir? Qual era seu propósito? E o que pretendia o monge? Por que ele tinha validado as mentiras de Jane? O que ele ganhava com isso?
Emmett não tinha respostas! A única coisa que sabia era que em menos de dez minutos, os dois Barões tinham destruído a vida de Isabella. Eles a tinham difamado e desonrado, tinham roubado seu futuro, e envergonhado e humilhado seu pai. Tanto o Barão Charlie como sua filha sem dúvida sofreriam a fúria do Rei William, já que ela não tinha mais nenhum valor. Emmett sabia que existia uma boa possibilidade de que confiscassem as terras de Charlie. William era conhecido por tomar o que era de outros, inclusive esposas e filhas e com sua mente deturpada e seu imprevisível temperamento, também existia a possibilidade mandasse executar Charlie para dar exemplo.
E Isabella? O que faria com ela?
— Estamos vendo os ingleses em sua total depravação. — disse Edward enojado.
— Isabella é inocente. — o Padre Erick tinha lágrimas nos olhos, tão grande era sua dor. — Ela é boa e gentil. — insistiu. — Se vocês soubessem …
O sacerdote se deteve bem a tempo. Estava a ponto de falar que, se Edward e Emmett soubessem o quão longe Isabella tinha ido para proteger Jasper e salvar sua vida, saberiam com certeza que ela nunca faria algo que desonrasse o sobrenome de sua família.
— Se soubéssemos o quê? — perguntou Edward.
— Se a conhecessem ... — acrescentou precipitadamente. — A Princesa é inocente dessas terríveis acusações.
Edward se virou para o sacerdote.
— Já sabemos que é inocente.
— Sim, sabemos. — concordou Emmett.
— Sabem? Como ... ?
Emmett suspirou.
— Sim, sabemos. — repetiu — Mas no momento, a verdade não importa, todos já a condenaram.
— Sim, foi o que fizeram. — Erick estava apertando as mãos enquanto olhava para Isabella e sussurrou — Se a levarem de volta a Inglaterra e a entregarem ao Rei William lhe acontecerão coisas terríveis. Esse homem lascivo é capaz de atos ruins, e me deixem lhes dizer algo, quando tiver terminado com ela, ele…
O Padre não pôde continuar. O futuro de Isabella era muito horrível para falar dele. Emmett entendeu o recado, sua mente também voava para terríveis possibilidades. Ele precisava fazer algo pela prima de sua esposa.
— A mulher que a acusou… — começou a dizer Emmett.
— Jane. — disse Erick. — Os ouvi dizerem seu nome.
— Ela mente. — disse Edward.
Erick mostrou sua concordância com um assentimento.
— Ela terá que responder a Deus por isso.
— Mas e o monge? — perguntou Emmett — Por que concordou com suas mentiras?
— Não sei.
— Conhece esse monge, Padre? — perguntou Emmett.
— Sim. É jovem e está ansioso por servir, e acredito que é um homem honesto. Não posso imaginar porque disse que viu Isabella. Deve ser um engano, vou procurá-lo e lhe pedirei que me diga exatamente que acredita que viu.
— O dano já está feito. — disse Emmett.
Os ombros de Erick se encolheram.
— Sim. Arruinaram a vida de Isabella. Deveriam envergonhar-se de um ato tão vil.
A mente de Edward se revirava. Ele tinha ido à Abadia para ter notícias dos raptores de seu irmão, havia presenciado uma reunião de estúpidos ingleses e a perverso julgamento de uma dama que ele sabia ser inocente. Mas ele ainda tinha seu objetivo principal em mente.
— Padre?
— Sim, Laird Cullen?
— Quando eu for embora da Abadia, você virá comigo.
Erick sentiu o súbito impulso de atirar-se do parapeito do primeiro andar. Deu um passo para trás, calculou a distância para os degraus e logo encontrou um pouco de coragem. Não fugiria. Apenas recusaria educadamente.
— Estão me convidando a servir a seu Clã…
— Se deseja pensar que é um convite ... – Edward falou calmamente.
— E se eu declinar o convite? — o sacerdote tragou com força.
— O senhor não fará isso.
O nó que o Padre tinha na garganta lhe dificultava a fala, e lhe custou todo autocontrole que possuía para olhar o Cullen nos olhos. Rezando para que na verdade o laird tivesse ido à abadia em busca de um sacerdote e não, como Erick temia, para exigir vingança por seu irmão, disse com voz rouca:
— Estarei feliz de ir com você.
Emmett pôs-se a rir.
— Agora quem está mentindo? Seu rosto o denuncia.
Envergonhado, Erick admitiu.
— Sim sinto medo, mas farei o melhor que possa para servir ao Clã Cullen.
— Vá pegar o que desejar levar com você. — ordenou o Laird Cullen.
Emmett esperou até que o sacerdote estivesse fora de vista antes de falar.
— Ouvi dizer que quando um padre encontra um lar em algum Clã, é impossível livrar-se dele. Tenho o pressentimento que você ficará com esse padre até o fim de sua vida.
Se Erick tivesse escutado a predição de Emmett, não estaria de acordo. Quanto mais rápido pudesse concluir seu dever e fugir dos Cullen, melhor seria. Ele não desejava irritar com a demora, por isso correu todo o caminho de volta a sua cela para empacotar a água benta, os azeites, a estola, e o resto de suas posses. Mas Erick também tinha outro pensamento, com Lady Isabella em apuros, ele devia deixar de lado seus próprios medos. Ele teria que pensar uma forma de ajudá-la.
Chegou a pensar que ela devia estar preocupada com os guardas que a estavam esperando. Não seria bom para eles que se envolvessem nessa monstruosa perseguição. Quatro guardas e uma mulher fazendo frente a cem homens exasperados… não, não. Os guardas deviam permanecer do outro lado das portas até que este espantoso julgamento estivesse concluído. Logo, com a ajuda de Deus, poderiam ajudar Isabella a encontrar refúgio longe desta gente terrível. Erick se dirigiu para as portas principais. Um guerreiro Cullen o seguia e bloqueou o caminho.
— Deve retornar com o Laird Cullen. — disse enquanto tomava os dois sacos cheios com os pertences de Erick.
— Peço que tenha paciência. — replicou Erick — Devo dar ordens aos guardas de Lady Isabella para que fiquem aqui esperando. Ela não desejaria que eles entrassem na abadia, pelo perigo de se iniciar uma batalha. Só levará um minuto.
O guerreiro concordou com um rápido gesto de cabeça. Samuel estava com o cavalo de Isabella justo à porta. Quando avistou Erick com o Highlander se aproximou deles.
— Isabella se reunirá com vocês logo. Vocês já arrumaram a bagagem dela? — perguntou o Padre Erick.
Samuel negou com a cabeça.
— Temos algumas poucas coisas. Suas criadas empacotaram os baús. Nossos planos eram pegá-los mais tarde está noite. Por que a pergunta?
O padre odiava mentir, mas justificou o pecado dizendo a Deus que só estava protegendo os guardas e Isabella de uma multidão desejosa de sangue.
— Ela queria que eu os informasse que os planos mudaram. Em uns poucos minutos se reunirá com vocês dirá tudo. Pede apenas que fiquem aqui e a esperem.
Samuel não tinha razões para duvidar do sacerdote, já que sabia que Isabella fez amizade com Erick. Enquanto Erick corria para retornar ao muro, o membro do Clã Cullen que o acompanhava falou:
— O senhor mentiu para esse homem. Por que?
— Para protegê-lo e aos outros. A Princesa desejaria isso. — acrescentou — Não desejaria que eles tentassem interferir nessa guerra, já que estariam em minoria.
Quando chegaram ao andar superior, o Padre Erick limpou a garganta para chamar a atenção do Laird Cullen e disse:
— Laird, não posso ir até me assegurar que Lady Isabella estará a salvo destes monstros. Com sua permissão, irei e me ficarei ao lado dela.
Antes que Edward pudesse responder, Erick endireitou os ombros e se voltou para Emmett.
— Laird McCarty, o pai de Isabella não está aqui para defender sua honra, e você é seu único parente. Deve ajudá-la!
— Não me diga quais são meus deveres, padre. — o voz de Emmett foi dura. — Conheço minhas obrigações.
— Sim, é obvio que sim. — disse, assentindo vigorosamente.
Descartando Erick, Emmett observou a multidão que havia abaixo. Caius e Aro estavam fustigando-os até deixá-los frenéticos.
— Edward, eu a levarei comigo para casa. Ali posso protegê-la.
— Mantê-la a salvo não restaurará sua honra. — disse Edward com tristeza.
 Emmett estava de acordo.
— Ela merece mais do que isso.
— Seu pai… Não é como esses barões? É?
— Se fosse, eu não permitiria que ele entrasse em minhas terras — respondeu Emmett — Ele é inglês, mas é um homem justo.
— Mande mensageiros que o façam saber que sua filha ficará em sua fazenda, e ele virá buscá-la.
— Não é tão simples assim. O Barão Charlie terá que reunir seus vassalos e preparar-se para a guerra. Se o rei confiscar suas propriedades…
— Ele estaria arruinado.
— Sim. — concordou — Isabella necessita de um protetor forte. É a prima de minha esposa. É de supor que eu a protegerei, mas isso não provará sua inocência.
— E desde quando você se importa com o que pensam os outros?
— Não me importo! — rebateu — Mas se Isabella fosse a minha esposa, eu mataria qualquer homem que se atrevesse a denegrir sua honra.
— Eu faria o mesmo. — disse Edward.
— Mas ela não tem marido que defenda sua honra.
— Não, não tem. – Edward suspirou com muita tristeza.
— Acredito que talvez você devesse levá-la para sua casa.
Franzindo o cenho, Edward disse:
— E que isso adiantaria? Que diferença faria se eu lhe oferecesse amparo em lugar de você? Você é tão poderoso como eu.
— Eu não posso me casar com ela.
As palavras ficaram no ar por um longo momento antes que Edward respondesse. Ele sabia exatamente o que Emmett queria. Embora Edward tivesse achado em Isabelle toda a fonte da graça, da beleza e da elegância, Emmett lhe pedia algo fora de cogitação.
— Você está pedindo muito.
— Você tem débito comigo. Peço algo que não é absurdo.
— Casamento? Não! Esse assunto está fora da questão.
Emmett encolheu os ombros.
— Para mim faz sentido. Se você se casar com ela, todo mundo saberá que crê em sua inocência. Você não se casaria com uma prostituta. É respeitado e temido pela maioria dos outros Clãs. Poderia restabelecer sua honra lhe dando seu sobrenome.
— Não, Emmett. Você terá que pensar em outra solução. — respondeu Edward enfaticamente.
Emmett não se deteve. Ele já havia percebido o quanto Edward se mostrava atraído pela moça e também sabia que seu amigo tomaria a decisão mais honrada.
— Sugere que poderia haver outro Laird mais poderoso que você que ainda não tenha encontrado esposa?
— Não estou sugerindo nada, McCarty. Até porque não estou procurando esposa. – falou exasperado - Este é um problema que você tem que resolver, não eu.
— Uma esposa em troca de seu irmão. Você salva a vida dela como eu ajudei a salvar a de seu irmão.
Edward apertou a mandíbula com força, ele odiava se sentir coagido.
Um guerreiro McCarty avisou.
— Lairds, Lady Isabella está saindo. Abriram os portões da Abadia.
Emmett olhou o grande pátio justo no momento em que um homem se adiantava e cuspia o chão em frente à Isabella. Edward viu outro homem abrindo caminho a empurrões entre a multidão enquanto Isabella caminhava para as portas. O homem a chamou aos gritos, mas ela o ignorou e continuou caminhando. Então a agarrou por um braço, sacudiu-a, e lhe uma forte tapa no rosto. Se ele não tivesse firmemente agarrada pelo braço, ela teria caído no chão.
 Edward já havia tomado sua decisão. Ele estava a caminho das escadas com Emmett pisando no seu calcanhar, enquanto gritava a um de seus homens:
— Descubram quem é este bastardo.
Todos os guerreiros, tanto os McCarty como os Cullen, entenderam a ordem. O Padre Erick não. Não tinha visto o que tinha ocorrido no piso inferior.
— De quem está falando? O que ele quer? — perguntou o sacerdote a um dos guerreiros Cullen.
O homem não diminuiu sua marcha.
— O Laird quer saber quem bateu em Lady Isabella.
— Alguém a golpeou? Oh Deus querido! — respondeu Erick — Mas por que quer ele …?
Seth, o último guerreiro a sair respondeu.
— O Laird Cullen quer saber o nome do homem que vai matar.

Ela estava vivendo um pesadelo. Uma hora atrás ela era Lady Isabella, filha do Barão Charlie de Phoenix e da Princesa Rennè de St. Noah. Era amada, feliz e tinha um futuro promissor. Agora Isabella era odiada, tratada como uma leprosa, e não tinha futuro algum.
Era muito para assimilar, sua face ardia devido à forte tapa que havia levado ... Nesse momento o que importava era sua sobrevivência, ela tinha que encontrar um lugar seguro para ela e seus guardas. E embora não tivesse um destino em mente, deseja afastar-se o máximo possível dos odiosos Barões e seus seguidores. Então talvez fosse capaz de entender o que aconteceu.
Primeiro precisava de tempo para se acalmar e aquietar seu acelerado coração. Ela mal podia respirar. Havia estranhos gritando palavrões enquanto passava. A humilhação e a vergonha eram insuportáveis. Ela precisava de toda sua concentração para não demonstrar nenhuma emoção. Não apressou o passo — embora Deus soubesse que desejava correr — e não permitiu que caísse nenhuma só lágrima, porque se fizesse qualquer das duas coisas daria satisfação à raivosa multidão. O orgulho era tudo o que tinha, ela não deixaria que o levassem também.
O rosto latejava devido à forte tapa que tinha recebido. Ela tinha visto a mão vir em sua direção, mas o homem brutal com o feio semblante impregnado de ódio, não a tinha deixando escapar. Felizmente foi capaz de inclinar-se e diminuir o impacto. Ele tinha o dobro de seu tamanho e peso. Se não tivesse se movido, certamente teria doido mais.
— Não a machuque! — tinha gritado Caius um segundo antes que o o atacante lhe batesse o rosto.
A tapa a tinha feito cambalear para trás, mas rapidamente se endireitou e continuou caminhando. Embora confusa, ela ainda ouviu os gritos do barão. Machucá-la? Que ordem absurda! Caius, Jane e Aro já tinham destroçado sua reputação e tinham atacado sua condição. Tinham-na desgraçado por completo. Aos olhos de todos, ela já não existia, e não pertencia a nenhuma pátria. Que diferença haveria se também a machucassem?
O Abade a esperava na porta. Ele a abriu, inclinou a cabeça e lhe sussurrou:
— Que Deus a proteja, Princesa.
Será que ele acreditava nas mentiras? Tinha lágrimas nos olhos, mas não podia saber se eram lágrimas de compaixão ou de vergonha.
Assim que saiu, Isabella ouviu a enorme porta fechar-se atrás dela, e logo o áspero som do ferrolho foi ouvido. Samuel deixou escapar um grito quando a viu. Saltou de seu cavalo e correu para ela enquanto Embry, Jared e Paul tiravam as espadas preparando-se para brigar.
Ela sabia que seu rosto devia estar horrível. O lugar onde a tapa foi dada ainda latejava e já devia estar vermelho, no dia seguinte estaria roxo.
— Princesa, o que aconteceu? — perguntou Samuel, espantado.
— Estou bem. — respondeu com a voz surpreendentemente forte — Mas devemos ir. Agora.
— Está machucada! — o rosto do Paul ficou vermelho de fúria enquanto brandia a espada em direção às portas fechadas da abadia. — Quem lhes fez isto? Vamos matá-lo!
— Não, não voltarão a entrar na Abadia. — ela ordenou.
Embry tirou sua túnica e a molhou com a água de seu cantil de couro. Inclinando-se para frente na montaria, estendeu o tecido molhado a Isabella.
— Dói? — perguntou-lhe.
— Não. — lhe assegurou — Contarei tudo a vocês, mas por favor, devemos sair daqui agora.
Ao escutar a urgência que denotava sua voz, não questionaram a ordem. Samuel a içou até o lombo de Rogue, e lhe entregou as rédeas. Ele achou que ela queria alcançar a de seu pai, e tomou a direção ao sul.
— Não! — gritou ela — Devemos ir para o norte.
— Não quer ir para seu pai…? — começou a dizer Jared.
— Vocês não entendem! Se os Barões mudarem de opinião e decidirem me levar para o rei… seu rei — ela se corrigiu — Irão nos procurar no sul. Nunca nos encontrarão se nos escondermos no bosque.
— Mas por que…? — começou a dizer Samuel.
— Não me façam perguntas agora! — disse exasperada — Quando estivermos longe daqui, explicarei tudo.
Samuel assentiu.
— Vamos para o norte.
Paul era o último da procissão e foi o primeiro a sentir a terra tremer sob ele. Os Highlanders se aproximavam da colina onde estavam. Ele chamou os outros que estavam cavalgando na frente dele.
Quando se voltou e viu os guerreiros que se aproximavam, Isabella sentiu pânico, pensando que seus inimigos a estavam perseguindo. Mas quando chegaram mais perto, reconheceu os dois homens que os lideravam: McCarty e Cullen. Eles pareciam selvagens, ferozes, orgulhosos … e perigosos. Edward Cullen era uma visão magnífica: um relâmpago, belo à distância, mas assustador e enigmático de perto.
O som de cascos dos cavalos era ensurdecedor.
— Deixem que passem.
Isabella gritou a seus guardas e guiou Rogue para a esquerda para dar espaço aos Highlanders que avançavam, mas eles pararam. Em vez disso, se movimentaram para os lados e rodearam Isabella e seus guardas. Presos naquele círculo de guerreiros desceram uma colina e subiram à próxima.
Qualquer pessoa que estivesse olhando do alto dos muros da Abadia só veria os membros de um Clã voltando para casa. Isabella e seus guardas estavam completamente encobertos.
Qual seria a intenção deles? Ela estava tão aliviada e agradecida por se afastar dos Barões, que não ia se preocupar com os motivos dos Highlanders. Além disso, já tinha visto o Padre Erick entre eles. Com uma careta no rosto, o pobre sacerdote parecia estar indo ao matadouro. Viraram para o noroeste. Quando chegaram perto de Finney’s Flat, a umas boas duas horas de distância da Abadia, ela ouviu um dos homens gritar que estavam em território McCarty. Rogue estava muito cansado e Isabella não ia pressionar seu cavalo a ir mais longe sem lhe dar um descanso.
Quando ela parou abruptamente se surpreendeu que os Highlanders não a tivessem pisoteado. Eles se interromperam a marcha e antes que ela tivesse a oportunidade de desmontar, estavam no chão rodeando-a. Seus guardas ficaram atentos, preparados para o que pudesse vir. Tinham as mãos aos lados, mas sua postura não era de descanso. Sabiam que se dessem a entender de querer pegar as espadas, seria seu último ato de vida. Os guerreiros das Highlands os matariam para proteger seus Lairds, da mesma forma que os guardas lutariam até a morte por sua Princesa.
Isabella estava preocupada com a vida de seus guardas já que sabia que não desistiriam, sem importar quantos homens tivessem que enfrentar.  Ouviu um dos Highlanders dar a ordem de recuar. Ela esperava que o que tinha ouvido fora o selvagem McCarty, mas quando os guerreiros se apartaram, viu que o que tinha falado não era seu primo. Era o outro Laird, o homem glorioso e desumano que tinha saudado seu irmão há muito tempo perdido com o soco.
Ele era grande e sua aparência era feroz, mas havia algo mais que a surpreendia a respeito dele. Até se poderia dizer que era atraente, se gostasse de do tipo vigoroso, imperfeito e com algumas cicatrizes. Não, ela nunca se imaginou atraída por esse tipo. Mas se havia algo que definitivamente ela gostava em sua aparência, era a cor de seu cabelo. Não era loiro, não era ruivo ... Parecia ser uma sutil mistura das duas cores. As madeixas emolduravam um rosto severo e inflexível, que a fazia lembrar um viking das histórias de tempos passados. Certamente devia ser tão mesquinho e bárbaro.
Edward Cullen se deteve quando estava apenas a um pé de distância de Samuel. Os dois homens mediram um ao outro, logo Edward ordenou:
— Saia de meu caminho.
Samuel não se moveu nenhuma polegada. Edward era ao menos uns trinta centímetros mais alto e muito mais musculoso, mas o guarda não cedeu. Não aceitava ordens de nenhuma outra pessoa que não fosse a Princesa Isabella. Embry e Paul se deslocaram para junto de Samuel, enquanto Jared ficou à frente da Princesa.
Emmett se uniu a Edward e Isabella disse:
— Eles não têm intenção de nos fazer mal.
Uma parte dela realmente acreditava que isso era verdade e que os Highlanders os tinham seguido para ajudá-los e não para machucá-los. Mas depois do horror desse dia, tudo era possível.
— Abram espaço e me deixem falar com ele. — ordenou ela.
 Seus guardas se afastaram, mantendo vigilância sobre os Highlanders.
— Que língua está falando? — Emmett fez a pergunta em gaélico.
Ela lhe respondeu também em gaélico.
— É o idioma da pátria de minha mãe, St. Noah.
Seu domínio do idioma era excelente. Emmett deduziu que o seu pai a teria ensinado. Sua esposa, Rosalie, poderia tomar lições com Isabella. Ainda havia ocasiões em que seus homens faziam caretas quando ela lhes falava em gaélico.
Voltando-se para Edward, Emmett falou:
— Ela não é totalmente inglesa, só a metade.
Edward não conseguia ver o motivo pelo qual Emmett considerava que esse fato era importante. Para ele, Isabella podia ser meio inglesa, toda inglesa ou nada inglesa. A resposta de Edward foi um evasivo encolhimento de ombros.
Emmett caminhou para Isabella. Quando seus guardas reagiram, olhou-os ferozmente. Seus guerreiros também se sentiram ofendidos e avançaram.
— Já basta! — gritou Isabella, levantou a mão e repetiu a ordem — Já basta!
Como estava falando gaélico, para Emmett e Edward foi evidente que não tinha dado a ordem a sua escolta a não ser aos guerreiros. A confiança demonstrada divertiu Emmett e irritou Edward. Os homens retrocederam somente depois de receber um sinal de seus Lairds.
— Sabe quem somos, Lady Isabella? — perguntou Emmett.
Ela assentiu.
— Vocês são o selvagem … quero dizer, vocês é meu primo, o Laird McCarty. Ouvi histórias a respeito de você. — o comentário não alterou seu semblante — Eram histórias muito impressionantes a respeito de sua sagacidade e sua força.
Emmett entrelaçou as mãos atrás das costas.
— E quem lhe contou essas histórias?
— Meu pai. O Barão Charlie.
— Então as histórias são verdadeiras. – Emmett deu um sorriso de canto -  Ele não mentiria.
Isabella sabia que ia ter que reconhecer a presença do outro Laird, e quando finalmente se virou e encontrou o olhar penetrante de Edward Cullen, sentiu-se tomada de várias emoções. Um calafrio percorreu seu corpo e um desconhecido calor assaltou seu coração ... Era bom e estranho sentir aquilo.
— Também sei quem é você.
A resposta de Edward foi arquear levemente uma sobrancelha. Ele estava muito absorto na imagem daquela linda mulher pra poder falar algo. Ela não se intimidou.
— É o Laird Cullen, e têm uma forma muito peculiar para cumprimentar seu irmão.
 Edward não entendeu o que ela queria dizer.
— E como foi que cumprimentei o meu irmão?
— Com um soco.
Ah! Então tinha observando Jasper quando o deixaram na porta da Abadia.
Por um breve segundo Isabella viu um brilho de afetividade nos olhos dele. Foi o suficientemente para que ela se desse conta que ele não era um completo ogro.
 O Padre Erick abriu caminho a empurrões entre os membros do Clã e fez uma reverência a Isabella e logo se voltou para falar com Edward.
— Laird Cullen, estes são os bons homens que protegeram seu irmão enquanto esteve na abadia recuperando-se de suas feridas, eu só desejo me assegurar de que o senhor não tenha esquecido.
Edward pensou que depois de tudo o sacerdote tinha um pouco de coragem. Erick tinha se atrevido a lhe recordar que tinha uma dívida de gratidão com estes homens. Edward odiava dever algo a alguém. As dívidas sempre ficavam muito caras antes de ser pagas.
Ele não agradeceu aos guardas, mas fez um gesto com a cabeça como forma de reconhecimento pelo que tinham feito. Os outros McCarty e Cullen, ao escutar o que disse o sacerdote, também relaxaram em suas posições.
— Alguém tentou chegar até meu irmão quando estavam montando guarda? — perguntou aos quatro.
Isabella começou a responder negativamente, mas decidiu que devia deixar que eles falassem por eles mesmos.
— Samuel, alguém tentou ferir Jasper enquanto você ou outros estavam protegendo-o?
Ele hesitou antes de responder, logo assentiu com um rápido movimento de cabeça.
— Na primeira noite vieram dois homens.
— O que foi que disseram? — perguntou Emmett a Isabella.
Isabella estava tão surpreendida pela resposta do guarda que ignorou Emmett.
— Por que você não me disse isso?
— Não pensamos que fosse necessário lhe dizer, Princesa. — disse Jared.
— A Princesa pediu que o protegêssemos, e foi isso o que fizemos — disse Samuel.
Emmett e Edward tinham esperado o suficiente para obter uma resposta.
— Diga-nos o que eles disseram. — ordenou Edward.
Rapidamente ela se desculpou e pediu a Samuel e aos outros que falassem diretamente com os Lairds. Samuel se voltou para Edward e disse em gaélico:
— Laird Cullen, a primeira noite que fizemos guarda, vieram dois homens à procura de seu irmão.
Se os Lairds se surpreenderam de que os guardas de Isabella também falassem habilmente seu idioma, não o demonstraram. Edward cruzou os braços e esperou que dessem mais explicações.
— Estavam vestidos como monges, mas levavam facas nas mangas — disse Jared.
— Jared e eu estávamos de guarda — explicou Paul.
— Esperamos até termos certeza que tinham a intenção de assassinar seu irmão. — disse Jared.
— E o que fizeram quando se deram conta de suas intenções? — perguntou Emmett.
— Os matamos. — respondeu Paul com franqueza.
Edward assentiu.
— Eles falaram? Escutaram seus nomes? — perguntou.
— Mencionaram de onde eram ou quem os tinha enviado? — perguntou Emmett.
— Não. — respondeu Jared. — Falavam seu idioma, mas de forma diferente da que vocês falam.
— Descreva esses homens — ordenou Emmett.
Jared disse que os dois homens tinham o cabelo comprido e barba, que eram fortes, mas não muito altos.
Depois que terminaram, Paul acrescentou:
— Tinham a aparência comum.
— Não tinham marcas na pele nem nas arma. — explicou Jared.
— Meu irmão dormiu durante toda a briga? — perguntou Edward.
Paul se sentiu ofendido pela pergunta.
— Não houve briga. Não lhes demos tempo para brigar.
— Então, foi um ataque surpresa. — disse Emmett, assentindo com aprovação.
— Não — disse Jared — Eles nos viram chegar.
Edward admirou seu orgulho.
— O que fizeram com os corpos?
— Não podíamos deixar Jasper desprotegido, assim mantivemos os corpos em um canto de sua cela até que Samuel e Embry vieram nos render — disse Paul. — Logo, Jared e eu tiramos os corpos da Abadia e os jogamos no ravina. Ainda estava escuro, tenho certeza que ninguém nos viu.
— Jogamos terra sobre eles, mas a esta altura é provável que os animais tenham chegado a eles.
As perguntas continuaram, mas Isabella não estava prestando atenção. Ainda estava admirada pela confissão de seus guardas, eles tinham matado dois intrusos. Ela definitivamente, não pensava poder suportar mais nada. Estava esgotada ... tudo o que desejava fazer era encontrar um lugar tranqüilo e sentar-se por alguns minutos. Seu mundo estava desmoronando ao seu redor, e ela necessitava de tempo para pôr em ordem os horríveis eventos do dia antes de tentar fazer algum plano.
Compreender esses horríveis eventos levaria muito, muito mais tempo.
Quando pareceu que por fim tinham terminado as perguntas dos Lairds, chamou Samuel.
— Podemos falar com você? — perguntou.
Isabella conduziu Samuel longe dos outros para que não os escutassem, mas para estar absolutamente segura, falou no idioma do St. Noah.
— Por que não me informou dos atacantes?
— Sinto muito, Princesa, mas pensei que se seus corpos fossem encontrados, estaria mais segura se não tivesse conhecimento deles.
— Reconheceu-os? Poderiam ter estado em Finney’s Flat?
— Todos nós demos uma boa olhada, mas achamos que não. A Princesa foi a única viu os rostos de todos eles.
— A descrição que Jared acaba de dar aos Lairds não se parece com nenhum dos homens que vi. Ainda assim, pensei que talvez nos tivessem seguido até a abadia.
Samuel negou com a cabeça.
— Isso não é possível. Paul recuou uma e outra vez para assegurar-se que não estivessem nos seguindo, ele os teria visto.
— Então como esses homens souberam que Jasper estava ali?
— Alguém deve tê-lo visto, ou a nós levando-o para dentro. É difícil manter segredos em um lugar tão grande com tantos estranhos entrando e saindo.
— Sim, isso é certo, mas agora está a salvo, não é verdade? E isso é tudo o que importa.
— E você Princesa? Pelo machucado que vejo, devo assumir que não está a salvo. Diga-me o que aconteceu.
Embora envergonhada, ela confessou a Samuel o que tinha acontecido no pátio da Abadia. Não pôde olhá-lo nos olhos quando repetiu os feios nomes que lhe tinham gritado, e sua voz se quebrou quando falou do monge que tinha confirmado a história de Jane.
Samuel chegou à mesma conclusão que ela, e disse:
— Deve tê-la visto quando estava a caminho para ver Jasper.
Dos quatro guardas, Samuel era o mais pragmático, e em uma crise, o mais sereno, mas não pôde conter sua ira.
— Nosso dever é lhe manter a salvo, Princesa, e deliberadamente você nos ocultou os fatos. Se tivéssemos sabido o que estava ocorrendo dentro da abadia…
Ela o interrompeu.
— Eles teriam matado todos que tentassem de me defender. Eu não podia permitir isso.
Frustrado, Samuel respondeu.
— É nossa responsabilidade defendê-la.
Paul, Jared e Embry se aproximaram correndo. Embry parecia horrorizado quando disse:
— Samuel, você levantou a voz à Princesa Isabella?
— Quando escutar o que ela acaba de me dizer, compartilhará minha fúria. Houve homens que se atreveram a lhe caluniar!
Quando um descontente, impaciente e irritado Laird Cullen se aproximou deles, Isabella se livrou de ter que reviver o pesadelo uma vez mais.
— Ainda tenho que descobrir como meu irmão chegou à abadia. No tempo que estiveram ali, escutaram algo a respeito? 
Isabella respondeu:
— Por favor, Laird, tenham em mente que poucas pessoas sabiam que ele estava lá. Talvez Jasper possa recordar algo. Sugiro que perguntem a ele.
Edward voltou sua atenção aos quatro guardas.
— Meu irmão me disse que tentou lhes falar. Por que nenhum de vocês lhe respondeu? Jasper pensou que não o entendiam, mas já ficou claro para mim que entendem gaélico, quero saber por que não falaram com ele.
Embry olhou para Samuel. Quando este lhe deu permissão com um rápido assentimento, disse:
— Porque não quisemos falar com ele.

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