9 Hesitação
A chegada de Isabella aos portões de entrada da Abadia de Arbane foi seguida de uma grande alegria.
O Abade tinha dado ordens de que o convocassem assim que ela chegasse, e quando soube da chegada da caravana, saiu apressadamente de seus aposentos, atando o cinto ao redor de seu estômago rechonchudo e gritando quase sem fôlego pedindo comida e bebida.
Fazendo uma grande reverencia para a Princesa, gaguejou.
— É uma honra, é uma grande honra lhe oferecer nossa humilde hospitalidade, Lady Isabella. Sim, realmente sentimos muito, mais muito honrados.
O Abade segurou-lhe a mão e a apertou. Não a soltou até que ela deu um forte puxão para trás para recuperar a mão. Isabella apresentou seus guardas ao Abade e disse:
— Agradeço por me conceder um aposento e também pelo alojamento à minha guarda pessoal, igualmente lhe agradeço por permitir que meu casamento seja celebrado aqui.
— Estamos muito felizes por ter essa honra. Já faz algum tempo que todo mundo está fazendo os preparativos para o sagrado matrimônio, e pensar que agora só falta uma semana para o grande dia ... Esta união certamente nos assegurará um pacífico e duradouro vínculo entre nossos dois nobres países. — o Abade estalou os dedos, fez gestos a um criado para que se apressasse a fazer os preparativos — Lady Isabella deve estar com fome e com sede. Venham para dentro. Preparamos uma rápida refeição para você e seus soldados. Imagino o quanto estão longe de casa, já que não se separam de seu lado nem por um minuto. Não é certo?
— É certo, mas me alegra muito contar com a companhia, a proteção e a fidelidade deles.
Uma jovem muito bonita se apressou a aproximar-se e entregou um buquê de flores para Isabella. Ela o pegou e lhe deu agradeceu, sorrindo quando a mulher fez uma rápida e desajeitada reverência.
— São muito bonitas, obrigada! — ela falou em voz alta enquanto a mulher desaparecia.
— A viagem lhe foi agradável, Milady? — perguntou o Abade.
Isabella fez um grande esforço para conter o riso, e ficou se perguntando o que pensaria o velho Abade se lhe dissesse a verdade a respeito de sua viagem. Ela já estava dentro da Abadia a várias horas, mas o Abade não podia saber isso. Isabella e seus guardas haviam tornado a montar em seus cavalos e tinham dado um passeio através do bosque para poder contornar a Abadia, aproximar-se de seus muros e entrar pela porta principal. A viagem tinha levado uns poucos minutos, mas já que guardavam o segredo de Jasper Cullen, só pôde dizer:
— Foi por de mais prazerosa, mas eu gostaria de trocar meu vestido antes de saborear a refeição.
A capa escondia as manchas do sangue de Jasper. Mas como a temperatura ainda era quente, o Abade poderia pensar que Isabella se sentia doente para usar uma peça de roupa tão grossa.
— Sim, como queira, Milady. O irmão Anselm está lhe esperando para mostrar o caminho de seus aposentos. Espero que sejam de seu agrado.
— Tenho certeza que estarei extremamente confortável.
— Todos começamos a nos preocupar quando vimos que passava o tempo e vocês não chegavam. Nós os esperávamos faz horas.
— Sinto muito ter causado tantas preocupações. Os arredores da Abadia possuem lindas campinas, detive um pouco e acho que perdi a noção do tempo.
O Abade pareceu ficar satisfeito com a resposta. Tomou-a pelo braço e começou a caminhar.
— Já faz alguns dias que começaram a chegar os convidados, a maioria está montando seus acampamentos fora do mosteiro. Como era de se esperar, quase todos são Inglaterra, mas alguns vêm de lugares tão longínquos como a França e Espanha, todos trouxeram presentes para celebrar essa tão feliz ocasião. Entretanto, o contingente proveniente do St. Noah, a pátria de sua família materna, foi o que trouxe o presente mais maravilhoso de todos. É uma encantadora estátua de seu santo padroeiro. Pediram-nos que a mantivéramos na sacristia de nossa capela para que estivesse segura até o dia de seu casamento, e estou certo de que o Laird Black vai querer pô-la em um lugar de honra em sua própria capela. Durante o banquete desta noite, Milady poderá ver alguns dos outros presentes …
Isabella apenas sorria e assentia enquanto o Abade continuava conversando animadamente sobre os presentes, os convidados e os festejos. Era evidente que a Abadia nunca tinha presenciado uma celebração como aquela, e ela sentiu-se feliz por contribuir com a alegria daquele santo homem. Os dois tinham acabado de entrar na praça principal quando o Abade se deteve e apontou a um homem que cruzava em seu caminho.
— Milady deve ser apresentada ao Laird Newton. Ele, também, é um hóspede, mas vai partir dentro de pouco tempo. Laird — o Abade o chamou, levantando a voz. — Venha conhecer Lady Isabella, ela finalmente chegou.
O homem se virou e caminhou para eles com um sorriso que parecia ser inocente, mas somente parecia. Isabella sentiu um súbito mal estar enquanto aqueles opacos olhos azuis a fitavam com ... Interesse e astúcia? Enquanto o Laird caminhava a passos largos, matinha um porte orgulhoso, como se fosse o ‘dono do chão que pisava’. Seu cabelo era loiro e ondulado cabelo penteado para trás. Isabella estranhou um pouco o fato de Laird não possuir uma única cicatriz de batalha no rosto. Laird Newton era um homem bonito ... sua beleza a fazia imaginar que ele levava uma vida sem grandes preocupações.
Ele fez-lhe uma reverência.
— Oh! Eu tinha ouvido dizer que a Princesa era bonita, mas devo admitir que só ouvi mentiras. Lady Isabella é linda!
— Agradeço-lhe o elogio, Laird Newton.
— O senhor deve estar informado de que Lady Isabella dentro em breve se casará o Laird Black e que a cerimônia acontecerá aqui na Abadia. — disse o Abade.
— É claro que sei — respondeu o Laird Newton — Jacob Black é meu amigo — disse a Isabella —, e a pedido seu assistirei à celebração do casamento. Será um grande dia para ambos os países. Devolver o Vale … quero dizer Finney’s Flat… a um highlander trará paz entre os Clãs, já que o Laird Black usará suas novas terras de modo inteligente. Estou ansioso para a chegada do grande dia. — ele voltou a fazer outra mesura — Até lá então… — disse, e se retirou.
O Abade esperou até que ele estivesse fora da vista e logo disse:
— O Laird Newton surpreendeu a todos com um grande ato de generosidade. Trouxe-nos uma carroça cheia de grãos de suas plantações. Nunca antes um Newton tinha sido tão generoso, e ficamos bastante surpresos e agradecidos. O Laird está se tornando um homem atencioso para as obras de Deus ... Ah, aqui está o Padre Anselm. Ele ensinará o caminho para seus aposentos.
Os dois cômodos reservados a Isabella estavam na ala maior da abadia. Eram surpreendentemente confortáveis e espaçosos e eram ligados por uma porta de comunicação dos dois lados. As criadas estavam muito ocupadas tirando as roupa de Isabella do baú para prepará-las. À noite haveria um banquete e Lady Isabella deveria usar um vestido muito elegante. Isabella manteve a grossa capa envolta de seu corpo até que ficasse sozinha. Não estava segura do que fazer com o sangue que tinha em seu vestido cor de nata, e não podia encontrar um motivo plausível que explicasse como tanto sangue tinha aparecido ali. Ela decidiu dobrar o vestido várias vezes, de modo a esconder a enorme mancha e depois o colocou no fundo de um de seus baús.
Mais tarde naquela noite, depois que as criadas haviam se retirado, Embry e Jared levaram Isabella até a cela de Jasper para que a Princesa pudesse ver com seus olhos o estado do pobre homem. O Padre Berty e o Padre Erick estavam ambos ali, envolvidos em uma acalorada discussão. Não é que aqueles homens de Deus fossem covardes, mas no que dizia respeito aos Clãs do norte, todo cuidado era pouco. Na mente daqueles santos homens surgiam imagens do Laird Cullen enfurecido, chutando todas as portas da Abadia em busca de seu irmão. Mas também sentiam compaixão pelo jovem guerreiro deitado no catre ao seu lado, seu rosto inocente, seu cacheados cabelos loiros, as pequenas sardas em seu nariz ... Jasper parecia uma criança adormecida, essa imagem fazia os dois Padres vacilarem entre o pavor de enfrentar Laird Cullen e a necessidade de ajudá-lo.
Assim a presença de um Cullen à beira da morte, nas dependências da Abadia era um pesadelo moral: dever cristão e medo duelavam naquele momento. Os dois Padres estavam sendo testados, ambos sentiam que receberam uma alma de coelho assustado numa época em que os homens deveriam ter almas de leões. A presença de Jasper Cullen exigia deles uma pratica de fé.
— Ele já acordou? — ela perguntou em sussurros para não incomodar o paciente.
Pafre Berty lhe sorriu.
— Não, ainda, mas gemeu um pouco, e tenho o bom pressentimento de que Jasper Cullen logo despertará.
— Ou não. — disse o Padre Erick, franzindo o cenho. — É certo que ele ainda não está fora de perigo, não é verdade Berty?
O Padre médico estreitou os olhos antes de falar
— Alguém aqui deve ter fé, Erick.
— Se Jasper morrer, Edward Cullen destruirá este lugar, seja ele sagrado ou não. Para ele, isso não tem a menor importância. Por isso o Laird Cullen Deve ser informado de que seu irmão está aqui. Se tivermos sorte, virá para levá-lo antes que Jasper morra.
— Se ele morrer! — falou Berty exasperado — Mas não acredito que isso vá ocorrer. Porém estou de acordo de que Laird Cullen deva ser informado que Jasper está aqui. Acho que você deveria partir na primeira luz da manhã.
— De forma alguma, Berty! Ficarei feliz de me encarregar de suas tarefas com o doente enquanto dure sua viagem para as terras dos Cullen. — respondeu Erick.
— Oh, não! Sou muito velho e fraco para fazer uma viagem tão difícil. — sussurrou.
Padre Erick rosnou.
— Nem é muito velho nem está muito fraco. Mas está é assustado, Berty. Sim, é isso!
— E você, não está?
— É claro que estou. De fato, estou muito mais assustado que você — alardeou em voz baixa. — E sou mais velho dois anos, razão pela qual você deveria ir realizar serviço, e eu deveria ficar. Meu coração não suportaria presenciar a dor que sentirá o Laird Cullen ao saber da má sorte de seu irmão.
Antes que o Padre Berty pudesse elaborar uma nova objeção, Erick se voltou para Isabella.
— Já faz uma hora que estamos discutindo a respeito disto — lhe disse franzindo o cenho.
A expressão no rosto da Princesa era de incredulidade. Ela não poderia imaginar por que os dois homens poderiam ter tanto do Laird Cullen.
— Não entendo a hesitação de vocês. A meu ver o Laird Cullen se sentiria alegre ao saber que seu irmão está vivo e sob cuidados médicos.
— Talvez — concordou Padre Berty. — Mas o que acontecerá se Jasper morrer antes que Edward Cullen consiga chegar aqui, depois que Erick lhe tenha dito que Jasper está com vida? O que aconteceria a nós esse caso?
— Quer dizer depois de que você lhe disser que Jasper está com vida. — disse Padre Erick zangado.
— Penso que vocês estão apenas inventando problemas — disse Isabella gentilmente — Mas de fato, este Edward Cullen deve ser informado. Certamente a esta altura está muito preocupado com o paradeiro de seu irmão. Se alguém a quem eu amasse desaparecesse, não sei o que eu faria.
Embora discutissem o assunto em voz baixa, Isabella sentia que deviam sair ao corredor para não incomodar Jasper.
— Ele não pode nos ouvir, Princesa — disse Berty — Ainda está profundamente adormecido.
Padre Erick seguiu Isabella ao corredor e fechou a porta atrás de si.
— Prometo-lhes, milady, que Berty e eu solucionaremos isto. Não se preocupem. Um de nós se assegurará que Edward Cullen seja informado do paradeiro de seu irmão.
— Meus guardas me pediram que lhes perguntasse se gostariam que os ajudassem a cuidar de Jasper durante as próximas noites. Ele não deve ficar sozinho.
Erick se sentiu feliz e aliviado pela oferta.
— Eu apreciaria muito sua ajuda. O Padre Berty e eu lhe prometemos não contar a ninguém como Jasper chegou até aqui, mas também decidimos que seria melhor que não mencionássemos a presença de Jasper para ninguém. Haveria muitas perguntas e surgiriam muitas especulações. Manteremos sua presença em segredo durante o maior tempo possível. Por isso, não podemos pedir a nenhum dos outros Padres que nos ajudem a cuidar dele porque se assim revelaríamos o segredo.
Padre Berty se aproximou.
— O Padre Erick me disse que ele não sabe o que aconteceu com Jasper ou quem o infligiu essa severa surra, mas ele e eu lhe prometemos que quem quer que seja não terá outra oportunidade de lhe fazer mal enquanto estiver abrigado aqui. Com a ajuda de seus guardas, teremos certeza de que ele ficará a salvo.
— Eu gostaria de poder ser de mais ajuda e tomar um turno para cuidar dele, mas me dou conta…
Jared, que se aproximava interrompeu-a.
— Não seria apropriado, Princesa.
— Não seria apropriado que você esteja na cela de um homem, não importa se ele está dormindo ou não. — disse Berty.
Isabella não discutiu, porque sabia que tinham razão. Voltando-se para o Padre Erick, disse-lhe:
— E um de vocês irá à fazenda Do Laird Cullen?
Ele encolheu os ombros antes de responder.
— Sim ... Um de nós irá.
— Entenda, Milady. Quem quer que vá não retornará. — disse Berty resignado.
Padre Erick estava assentindo para mostrar que estava de acordo, quando Berty lhe tocou o ombro.
— Sentirei sua falta, Erick.
Isabella já estava farta daquela conversa, da hesitação e da covardia dos padres. Ela suspirou na tentativa de não mostrar sua irritação e falou com calma.
— É uma viagem muito perigosa?
— Não exatamente. — respondeu Berty.
— Então leva muito tempo chegar lá?
— Não muito. — respondeu Erick.
— Não é chegar lá o que nos inquieta, Lady Isabella. É sair dali com vida o que nos mantém preocupados.
Isabella ainda achava que seus temores a respeito dos Cullen eram exagerados. Não podiam ser tão espantosos como insinuavam os sacerdotes.
— Pretendem ir logo? — pressionou ela.
— Muito em breve ... — Erick lhe deu uma vaga resposta.
A definição de breve para o monge era diferente da de Isabella. Levou três dias inteiros com suas noites também para reunir a coragem necessária para partir. Àquela altura Jasper tinha melhorado o suficiente para que Erick se sentisse seguro de que sobreviveria, mas o monge ainda se mostrava bastante apreensivo. Principalmente quando sabia que devia levar as notícias ao Laird Cullen, seguia seu triste caminho tendo dúvidas de que iria retornar à Abadia de Arbane.
O Padre Erick foi cavalgando em uma montaria emprestada, mas seu destino não era o território do Cullen. Depois de considerar cuidadosamente o assunto, decidiu ir ver o Laird McCarty, leal aliado dos Cullen. Padre Erick tinha a ingênua idéia de que seria mais fácil falar com Emmett McCarty e que era menos provável que reagisse fisicamente contra ele ante a notícia de que o irmão de Laird Cullen tinha sido severamente espancado.
Quanto mais se aproximava da terra dos McCarty, mais violentos se tornavam seus tremores até que temeu tremer tanto que cairia do cavalo. Mas Deus teve piedade dele. Enquanto estava descansando à sombra de um enorme carvalho nos limites do território dos McCarty, avistou um cavalo com um cavaleiro aproximando-se estrada abaixo.
Agora o Padre tinha um dilema nas mãos. Não sabia se o cavaleiro era amigo ou inimigo. Deveria tratar de esconder-se? Não, o cavaleiro já o tinha visto. Erick rezou uma prece e decidiu esperar o melhor.
Mas era o Barão Charlie quem cavalgava em sua direção. Fez o sinal da cruz como amostra de agradecimento, e assim que o Barão esteve a uma distância para ouvi-lo gritar, Erick o chamou. Lembrou-se que já se conheceram na Abadia, por volta de dois anos atrás. Sem mencionar à filha do Barão, Erick lhe perguntou se tinha estado com os McCarty.
— Pareceu-me que o Barão vinha de lá.
— Sim, estive lá. — respondeu Charlie.
— O senhor conhece bem os McCarty?
— Somos parentes distantes e, apesar de ter ido até lá apresentar meus respeitos e de não me demorar mais que uma noite, ocorreu uma tragédia. Um dos guerreiros desapareceu. Os homens estiveram ausentes procurando-o e esperava-se que estivessem de volta ontem, mas se atrasaram por uma terrível tormenta de chuva a noite anterior. Assim tive que esperar que o Laird McCarty retornasse para casa.
— Poderia ser o nome do guerreiro Jasper Cullen? — perguntou o Padre brandamente.
— SIM! Quer dizer que o senhor sabe o que aconteceu?
— Eu o vi. — disse. — Foi trazido à abadia, a pobre alma estava muito ferida.
O barão ficou mudo. Erick tomou vantagem do momento e pensou rápido.
— Mesmo sendo inglês, o senhor alcançará um bom lugar no céu se retornar e der ao Laird McCarty estas notícias para que possa transmiti-la ao Laird Cullen.
Enquanto o Barão Charlie digeria a informação dada tão imprevistamente, o Padre Erick deu a volta e esporeou o lombo do cavalo pondo-a a trote para começar a descer a montanha.
— Espere — gritou o barão. — Não pode ir-se sem … Jasper está vivo?
Erick deu uma palmada no traseiro do cavalo para que acelerasse o passo. E sem olhar atrás, gritou por sobre o ombro.
— OH, Deus, espero que sim!
Enquanto retornava pela mesma estrada, a caminho da casa de McCarty, Charlie refletia sobre a natureza daqueles homens. Os Lairds que viviam nas Highlands do norte eram um grupo complicado. Eram conhecidos por serem imprevisíveis, irracionais e rudes. Também em algumas ocasiões, eram conhecidos pela sua selvageria. Não obstante, se o Barão Charlie acusasse a algum deles de ter estes defeitos, provavelmente pensaria que o estava elogiando.
Sim, eram um grupo peculiar, e na opinião de Charlie ninguém era mais peculiar ou teimoso que o Laird Emmett McCarty. Emmett não se sentia constrangido em deixar Charlie saber que o detestava intensamente pelo fato de ser inglês, apesar de serem aparentados. Emmett tinha explicado muito claramente que devido à casualidade de sua esposa ser meio-inglesa e também prima de Charlie, não podia sair por aí dizendo que odiava a todos os ingleses, mas somente a alguns.
O grosseiro Laird também havia dito a Charlie que desejava que este se mantivesse afastado de sua propriedade, entretanto Charlie estava seguro que se acatasse o desejo do Laird e não lhe apresentasse seus respeitos quando passasse pela região — e todos os Lairds das Highlands se inteirassem de que ele tinha passado por ali — então Emmett consideraria o deslize como um grave insulto e não teria outra opção além de retaliar.
O barão só tinha ido de visita uma vez, justo depois que Emmett se casou com Lady Rosalie. Seu tio Morgan lhe tinha pedido que fosse comprovar como estava Rosalie. Morgan, o irmão mais novo do pai de Charlie, era um ancião solitário e rabugento, que não podia acreditar que Rosalie estivesse contente de viver nas Highlands entre os selvagens McCarty. Para surpresa de Charlie, comprovou que Lady Rosalie não só estava contente, mas sim era bastante feliz. Ela não poderia ter sido mais amável com ele, e sua bondade foi uma recompensa mais que suficiente pela hostilidade de seu marido.
Embora nunca o admitisse para Emmett, Charlie estava impressionado com ele e sua esposa. Não viviam em um grande castelo, pelo contrário viviam em uma cabana pequena, não muito maior que o lar do mordomo de Charlie. Era evidente que nem Emmett nem Rosalie se preocupavam em impressionar seus visitantes, pois viviam mais concentrados em assuntos mais importantes. O único dever de Emmett era o de proteger a sua esposa e o seu Clã. O dever de Rosalie, ao menos no momento, era proteger o bebê que levava no ventre e cuidar do pequeno Henry que já tinha dois anos de idade. Evidentemente, que Lady Rosalie desejava assistir às bodas de sua prima Isabella, mas no momento em que disse a Emmett que ele ia ser pai de novo, sair da fazenda do marido era assunto fora de questão.
O sacerdote que tinha interceptado Charlie, lhe dando a notícia a respeito do Jasper Cullen tinha atuado como se tivesse sendo perseguido pó uma matilha de cães selvagens. Depois de ter cuspido rapidamente as notícias, incitou seu cavalo a correr rapidamente e logo tinha desaparecido entre as árvores.
Charlie se dirigiu novamente para a fazenda dos McCarty, mas Emmett não se alegrou ao ver que retornava. Certamente não estava com humor para suportar outra visita social de seu parente inglês.
O Laird tinha uma visão intimidadora enquanto se aproximava de Charlie feito uma fera. Alto e cheio de músculos, tinha o cabelo preto, olhos muito azuis, cicatrizes de guerra, e um cenho tão escuro como a noite. Seu comandante, um feroz guerreiro chamado Felix, seguia as pisadas de seu Laird. Logo mais dois guerreiros se uniram a eles.
Charlie passou a mão, nervosamente pelo seu cavanhaque e, ainda montado, esperou que Emmett chegasse junto a ele. A saudação do Laird não foi agradável, mas Charlie tampouco esperava que fosse.
— Pensei que tinha me livrado de você, Barão.
Charlie ignorou o insulto.
— Jasper Cullen está na Abadia de Arbane.
Sua declaração desmanchou a expressão de escárnio que havia no rosto de Emmett.
— Ele está vivo?
O Barão relatou rapidamente o que havia dito o monge, e quando tinha terminado, Emmett perguntou:
— E que diabos quer dizer “espero que sim”? Jasper está vivo ou não está.
— Acho que o Padre quis dizer que Jasper estava vivo até a última vez que o viu. — sugeriu Charlie. — Você informará isso ao Laird Cullen?
— Sim.
Emmett agradeceu à contragosto o recado dado e rapidamente se afastou de Charlie, dando por terminada a visita. Ficou a ladrar ordens a seus homens por alguns minutos e seguiu rumo à fazenda dos Cullen. Iria com Edward à abadia. Não tinha a menor duvida de que Edward Cullen não se deteria por nada até descobrir quem tinha feito isso a seu irmão. Se Deus se mostrasse misericordioso, Jasper Cullen estaria vivo quando chegassem à Abadia.
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