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- Música Das Sombras - adaptação do livro homônimo. (Fic concluída)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Música das Sombras - Capítulo 23

Segundas Intenções
A cerimônia de casamento aconteceria dentro de duas semanas. Esse era o máximo de tempo que Edward estava disposto a esperar. Apesar dos protestos de Alice, sua cunhada, ele pensava que quatorze dias era tempo mais que suficiente para preparar a celebração.
Sue e Emily estavam frenéticas, mas Alice estava histérica!
Tudo devia estar perfeito para o Laird e sua noiva, principalmente porque Alice amava Edward como a um irmão e considerava Isabella sua melhor amiga. Por isso, ela passava os dias dando ordens a Sue e a Emily.
Sue deveria recrutar outras empregadas para limpar apropriadamente o castelo enquanto que Emily e suas ajudantes começariam a preparar suas receitas especiais para o jantar do casamento. Haveria faisão recheado e fatiado; porcos recheados; galinhas, é óbvio — quatro dúzias seriam suficientes — bolos de carne; e bolos de morangos. Quase todas as receitas levariam mel e o melhor vinho seria servido.
— A Princesa será uma noiva linda, deslizando pela escada com suas jóias, vestindo seus ornamentos!  — disse Sue. — O Padre Erick lhes ouvirá dizer os votos lá fora, no pátio. Haverá bonitas flores adornando seu cabelo e mais flores serão espalhadas formando um círculo ao seu redor e de nosso Laird, e do sacerdote também. O Padre pensa que a cerimônia deveria se realizar na Abadia de Arbane. Como ele explicou, Milady é uma Princesa de St. Noah e deveria ter bodas reais, mas nosso Laird não quis ouvir falar disso. Ele não explicou por que, mas Emily e eu pensamos que é porque sabe que seu Clã irá querer assistir à celebração.
— Eu concordo com Edward. — Isabella falou — Quero me casar aqui, em meio às pessoas de nosso Clã.
— Será um grande dia! — predisse Emily — E chegará mais rápido do que a Princesa imagina!
Mas, mesmo os melhores planos não podem dar certo ...
Isabella recebeu boas notícias de seu pai. O Laird McCarty veio à propriedade Cullen para lhe dizer que tinha recebido uma mensagem do Barão Charlie.
— Seu pai está bem. O rei não o puniu, nem confiscou suas propriedades. Ele sabe que você está vivendo com o Clã Cullen, e quer que saiba que logo virá aqui para vê-la e lhe explicar o que aconteceu nesses últimos dias.
— Há mais notícias! — acrescentou Emmett, olhando a Edward. — Seu pai acredita que você retornará para a Inglaterra com ele.
— Mas ele sabe que eu fui banida. Por que meu pai pensaria que eu poderia voltar a viver na Inglaterra? — ela perguntou.
Emmett não tinha resposta para isso.
Pouco mais de uma hora depois, enquanto Edward e Emmett discutiam os problemas que o novo Laird Black estava suscitando com seu próprio povo, um dos guerreiros Cullen que estava de guarda na ponte levadiça se aproximou da grade do pátio para anunciar que um mensageiro do Rei William solicitava permissão para falar com Lady Isabella.
— O emissário do Rei viajou com um Bispo, outros três homens do clero, e alguns criados. — disse o guerreiro — Eles insistem em que a Princesa irá querer ouvir o que têm a dizer e trazem consigo um pergaminho real e um presente para Lady Isabella.
— E quanto aos soldados? — perguntou Edward — Um mensageiro real também vem acompanhado por soldados. Não é?
— Sim, Laird. Doze no total. Já deixaram as armas no chão para demonstrar suas boas intenções.
Edward zombou.
— Os ingleses não têm boas intenções.
O Laird ia negar a permissão para cruzarem a ponte levadiça, mas Emmett o incitou que reconsiderasse o pedido.
— Você não está curioso em saber o que têm a dizer? E se você não gostar do que escutar, sempre pode… — Emmett se deteve quando se deu conta de que Isabella estava escutando.
Edward deu a ordem: os soldados permaneceriam fora, mas os outros podiam entrar.
O grito para que baixassem a ponte ecoou para os guardas.
— Isabella, vá para dentro. — disse Edward.
— Como queira.
Na verdade, ela queria ficar. E sentia tanta curiosidade quanto Emmett em descobrir o que tinha a dizer o mensageiro real, mas não podia opor-se a Edward diante de seu aliado e amigo. Além disso, sabia que protestar não serviria de nada. Quando Edward tomava uma decisão, não havia nada que o fizesse mudar de opinião.
Embora não fosse dada nenhuma ordem, os guerreiros Cullen se alinharam de ambos os lados do desgastado atalho que ia da ponte levadiça até o pátio do castelo. A maioria estava armados e preparados para qualquer eventualidade. Isabella pensou que estavam atuando de maneira muito precavida, talvez até exagerada. Que dano podia fazer um mensageiro, alguns homens do clero, e um punhado de criados? Nenhum dos sacerdotes nem os criados estavam armados, e o mensageiro não se atreveria a levar uma espada. Fazê-lo seria um grave insulto ao Laird e um pretexto para procurar a própria morte.
Samuel acompanhou Isabella até o grande salão do castelo e lhe explicou o que ocorria à medida que subiam as escadas.
— O Laird acredita que a comitiva tenha vindo para lhe buscar, Princesa. A comitiva é tão grande e tão bem organizada, que seu noivo desconfia que o Rei tenha a intenção de que Milady retornasse com eles. O Clã sabe que há soldados ingleses esperando do outro lado das muralhas, mas existem rumores de que o mensageiro traz ordens reais. Pode ser que tenham trazido uma ordem para que retorne à Inglaterra. Mas os Cullen estão fazendo com que percebam que não deixarão que lhe levem daqui sem acontecer uma guerra.
— Esses homens entraram desarmados e são poucos.  — Isabella franziu o cenho e falou preocupada.
— Mas podem muito bem avisar aos soldados que estão esperando do outro lado das muralhas o que ocorreu aqui hoje, e esses soldados o informarão ao Rei William.
 — Ultimamente, temos presenciado muitos enganos. Como podemos ter certeza que o mensageiro realmente vem de parte do Rei William?
— Devemos presumir isso e estar preparados. — respondeu Samuel com seriedade — O Laird Cullen não vai abdicar facilmente da Princesa.
— Nem eu dele. — Isabella sussurrou quase para si mesma.
Justo quando Samuel ia abrir a porta, Jasper a abriu e saiu. Cumprimentou Isabella com um gesto de cabeça e logo cruzou o pátio para se postar ao lado de seu irmão.
Os irmãos Cullen formavam uma visão aterradora. Edward estava de pé em meio aos guerreiros. Jasper e Seth estavam a sua direita, Emmett a sua esquerda. Paul e Jared se uniram à fileira ao lado de Seth. Embry foi para o lado oposto para situar-se junto a Emmett.
— Vá tomar seu lugar com outros. — Isabella disse a Samuel — Ficarei aqui dentro e não desobedecerei às ordens de Edward.
Samuel assentiu com a cabeça e se voltou para fazer o que ela tinha lhe ordenado.
A porta mal tinha se fechado atrás dela quando se abriu novamente e o Padre Erick entrou correndo, olhando para os lados como se estivesse sendo perseguido por uma matilha de cães selvagens.
— O Bispo veio! — ele disse — E por Deus! Eu não estou vestido adequadamente para recebê-lo!
Apressado, o Padre pôs-se a subir os degraus em direção ao grande salão, mas logo se recordou das boas maneiras e se deteve de súbito, para cumprimentar a Princesa. Depois ele saiu correndo em direção ao seu quarto, embora não tivesse tempo de trocar a batina, pelo menos poderia limpar a poeira das mãos e do rosto.
Isabella passeou pelo salão, andando nervosamente de um lado para o outro, esperando que alguém fosse lhe levar notícias. Subitamente, ela foi surpreendida por uma indesejável visita.
Como todos estavam ocupados, prestando atenção aos mensageiros ingleses, Tanya entrou facilmente no castelo, pela porta da cozinha, se esgueirando pelos corredores, se arrastando como uma cobra.
— Espero que agora, você se vá daqui! — a voz anasalada e irritante da loira preencheu a sala — O Rei William sempre acha seus criminosos, Isabella.
A Princesa estava de costas para a voz, mas a reconheceu de imediato. O que será que Tanya queria com ela? E, o mais importante: como ela ousava entrar no castelo?
O coração de Isabella batia descompassado, ela respirou fundo e rapidamente de recompôs, girou em seus calcanhares e encarou a loira gélida por alguns segundos antes de responder.
— Não sei do que você está falando. — a voz sóbria de Isabella irritou sua oponente.
— Ora, ora, não seja ridícula! Sua, sua ... prostituta!
Isabella já estava com os nervos à flor da pele por causa do iminente confronto que poderia estourar no pátio. Ela não precisava de mais ninguém para tirar seu tão escasso sossego. Por um instante, a Princesa viu tudo vermelho a sua frente e seu rápido julgamento decidiu descontar toda a sua tensão em Tanya.
— Você pediu por isso, sua vaca! — seu sussurro baixo não foi percebido por Tanya.
Isabella estava a menos de meio metro da mesa onde há poucos minutos atrás, Edward e Emmett tomavam vinho em taças de barro e comiam fatias de carne assada. A Princesa não pensou duas vezes, se valeu do que tinha ali mesmo.
— PROSTITUTA É VOCÊ!
Ela jogou a jarra de vinho aos pés de Tanya, fazendo-a pular, gritar e se encostar na parede.
— A única prostituta aqui é você que se deitou com o Barão Stewart enquanto ainda era noiva de Edward!
Com uma pontaria incrível, Isabella jogou uma, depois outra taça em Tanya. A primeira delas acertou seu ombro, se espatifando ali, molhando-a com o rubro líquido e fazendo com que a loira gritasse de dor e susto. Mas a segunda taça fez um estrago pior ainda. Isabella mirou com calma, respirou fundo e fez com que a taça voasse lentamente até que pousou na têmpora esquerda de Tanya, fazendo com que um corte profundo acima do cílio, manchasse seu rosto com sangue.
A mulher começou a chorar e a gritar assim pôs as mãos sobre o ferimento e se viu banhada em sangue. Histérica, ela começou a gritar ameaças, insultos e palavras de baixo escalão.
A paciência de Isabella se foi de vez.
— CALE-SE!
A pequena adaga que estava sobre a mesa e que tinha sido usada para cortar as fatias de carne foi jogada ao ar. Mais uma vez a perícia da Princesa foi usada, mas Isabella não queria feri-la mortalmente, apenas assustá-la, de modo que o metal passou longe de Tanya, prendendo-se na volumosa saia de seu vestido.
Isabella só queria mostrar-lhe que poderia acertar, se quisesse.
— Vou contar até dez para você sair daqui! — ela deu vários passos em direção a Tanya — E você tem até o pôr do sol para sair da fazenda. É isso ou terei de me reportar a Edward e lhe contar sobre essa visitinha que você me fez!
A mulher soluçava e se encolhia contra a parede a cada palavra proferida por Isabella.
— Até o pôr do sol. Você entendeu, Tanya? — a mulher não respondeu logo — VOCÊ ENTENDEU?
— Si-sim ... — um murmúrio fraco saiu dos lábios dela.
— Muito bem! — Isabella sorriu triunfante — Um, dois, três, quatro ...
Tanya suspendeu sua volumosa saia, apressou o passo e voltou pelo mesmo caminho que havia usado.
Assim que Isabella se viu sozinha na sala novamente, se deixou cair numa cadeira, suas pernas estavam trêmulas e sua respiração, ofegante. ‘Deus, não me mande para o inferno por causa disso’, ela pensou.
Um pouco depois do incidente, o Padre Erick se uniu a ela.
— Devo ficar com Milady até que me chamem. Nosso Laird não permitirá felicitações até que o mensageiro tenha explicado o propósito de sua visita.
— Se eu pudesse, ficaria junto à janela para poder ver o que está ocorrendo. — disse Isabella — Mas as pessoas que estão lá fora também poderiam me ver, e não seria apropriado.
— Sim, é verdade. — concordou o religioso.
— E seria errado tentar escutar o que dizem, mas se o senhor ficasse um pouco mais perto da janela, poderia ouvir alguma parte da conversa. Não vejo nenhum mal, caso o senhor quisesse tomar um pouco de ar fresco …
Erick sorriu e assentiu.
— Não, calor que não é mal nenhum! E certamente eu necessito de um pouco de ar fresco ...
O sacerdote se colocou ao lado da janela com a esperança de que não pudessem vê-lo.
— Oh! Cheguei bem a tempo para ver a comitiva! — ele informou — Vêm com muita pompa e esplendor. O Bispo está vestido com ricos ornamentos e montado num cavalo gentil. Não é um homem jovem, mas tampouco é tão velho.
— E o mensageiro?
— Vem a pé e traz um rolo de pergaminho debaixo do braço. Suas roupas são pouco notórias, e devo dizer que parece meio tipo nervoso, já que continuamente lança rápidos olhares para a esquerda e para a direita. Acredito que o pobre homem acha que a qualquer momento alguém se lançará sobre ele. — Erick riu enquanto acrescentava — E isso bem poderia ocorrer. Lembro-me ter sentido o mesmo assim que cheguei aqui.
— O que me diz de outros? — perguntou Isabella impaciente.
— É uma comitiva e tanto. Primeiro, vem o Bispo, e logo depois, o mensageiro, em seguida, os monges, um de cada vez, e ao final os criados. Reconheço alguns rostos. Na verdade, alguns são da Abadia.
Isabella se levantou da cadeira e voltou a andar. Ela aproximou-se do Padre, na esperança de poder espiar furtivamente. Mas o sacerdote gesticulou para que ela se afastasse.
— O Bispo pode ver diretamente através desta janela, Lady Isabella. Não deixem que lhe vejam.
— Então me diga que está acontecendo agora.
— O Bispo ainda está sobre seu cavalo, mas se deteve. Um criado está adiantando-se para tomar as rédeas e ajudar ao Bispo.
Erick fez o sinal da cruz e uniu as mãos como se estivesse rezando. Logo explicou:
— O Bispo decidiu dar sua bênção. Ele tinha esperança que os Lairds se inclinassem ante ele, mas estava equivocado. Nenhum deles se moveu.
O Bispo não pareceu ofendido porque Edward e outros não caíssem de joelhos. O criado ficou a seu lado e sustentou as rédeas, mas o Bispo não desmontou.
O mensageiro se adiantou. Presumindo que o guerreiro que estava em meio dos homens de rosto de pedra era o Laird Cullen e dirigiu-se a ele.
— Sua Alteza, o Rei William da Inglaterra, envia uma mensagem a Lady Isabella. Ela está aqui?
— Sim, está. — respondeu Edward — Mas, primeiro, você me dará a mensagem do Rei, e eu decidirei se poderá falar com Isabella.
O mensageiro concordou rapidamente. Limpou a garganta, endireitou os ombros e deu um passo à frente. Então começou seu discurso ensaiado como convinha a um arauto, com uma voz forte e ressonante para que as pessoas ao redor o ouvissem.
— Houve uma terrível injustiça com Lady Isabella. Ela foi desprezada e perseguida injustamente. Sua Alteza agora sabe e tem provas irrefutáveis de que Milady é inocente. O Rei quer que esse fato seja de conhecimento público que o Barão Charlie de Phoenix será honrado e respeitado pela atenta vigilância sobre sua filha. De hoje em diante, Lady Isabella, um tesouro para a Inglaterra, será chamada Princesa Isabella de St. Noah e protegida do Rei da Inglaterra.
O mensageiro fez uma pausa esperando resposta. A qual não demorou para chegar.
— Todos aqui presente sabemos que Lady Isabella é inocente. Não necessitamos que seu Rei nos diga isso. — disse Edward.
— O Rei William se sentirá satisfeito em saber que o senhor e outros viram a verdade através das mentiras traiçoeiras que foram ditas e equivocadamente acreditadas por muitos. Ele quer provar sua sinceridade.
— E como ele fará tal coisa? — perguntou Edward
O mensageiro exibiu o pergaminho para que todos pudessem ver que o selo estava intacto.
— Para provar sua sinceridade — ele repetiu — E com a esperança obter o perdão por esta grande injustiça, Sua Alteza Real por este ato confere à Princesa Isabella, a posse das terras conhecidas como Finney’s Flat. A assinatura ao lado do selo real serve como promessa solene de que a terra em questão nunca mais voltará a pertencer à Inglaterra. O Rei também pôs por escrito que Deus tem permissão para fulminá-lo, caso não cumpra com sua palavra.
O mensageiro deu outro passo adiante e exibiu o pergaminho ao alto com ambas as mãos. Edward o recebeu e o entregou a Jasper.
— Por que estes sacerdotes viajam com você? — perguntou-lhe.
— Como ajuda, Laird Cullen — o mensageiro respondeu — Tínhamos esperança ... sincera esperança ... que o senhor escutasse a mensagem do meu Rei sem ferir seus mensageiros.
Edward lançou um rápido olhar para Emmett antes de falar novamente com o mensageiro.
— Se a mensagem me deixasse descontente, nem todos os padres do mundo poderiam salvá-lo do meu punho.
O mensageiro engoliu em seco, e o Bispo, tendo escutado o que o Laird acabara de dizer, abençoou a todos outra vez, fazendo o sinal da cruz repetidas vezes e miando umas palavras em latim.
— Mas o senhor ficou aborrecido, Laird? — perguntou o mensageiro.
— Não. E não tenho o costume matar mensageiros, mesmo quando as notícias não sejam de meu agrado. Vocês não são bem-vindos aqui, mas poderão ficar o tempo para que seus cavalos descansem.
O mensageiro chegou a sentir as pernas bambearem de tanto alívio que sentiu.
— Eu lhe agradeço, Laird, mas ainda tenho desculpas a pedir, e preciso informar mais alguns detalhes. Sua Alteza deseja escutar que a Princesa Isabella o perdoou. Ela deve pronunciar as palavras ante a mim para que eu as possa transmitir a meu Rei.
— Então meu Clã também deve ouvir as desculpas de seu Rei. — Edward fez um sinal a Seth, que gritou palavras de comando.
Em poucos minutos homens, mulheres e crianças rodearam o pátio e permaneceram em silêncio, observando.
— Vão chamar Isabella. — Edward ordenou aos guardas da Princesa.
A porta foi aberta bruscamente, Paul e Jared deram o recado de Edward a Isabella. Lá fora, a expectativa era grande, todos os olhos se voltaram para a grande porta de carvalho, por onde ela passaria.
E então Isabella deu passo para a luz do sol. Um dos soldados criados fez soar a trombeta de arauto enquanto o mensageiro dizia:
— Salve a Princesa Isabella! — e logo se deixou cair de joelhos e inclinou a cabeça. Os visitantes da Abadia também se ajoelharam para mostrar seu respeito.
Atônita, Isabella olhou para Edward. Ela não sabia bem o que fazer, em sua cabeça não era apropriado que aqueles homens se ajoelhassem. Edward percebeu o espanto da noiva. Ele sorriu milimetricamente para ela e lhe estendeu a mão, para que ela se fosse postar ao seu lado.
Ela não desapontou, aprumou os ombros e caminhos passos decididos. Jasper se afastou um pouco para que ela pudesse ficar junto a Edward.
— A Princesa deve lhes dar permissão para que fiquem de pé. — Samuel a instruiu com um sussurro.
Isabella corou de constrangimento.
— Podem se levantar.
Em seguida, ela surpreendeu a todos quando deu instruções ao mensageiro.
— Vocês devem se curvar para o Laird Cullen, pois, por generosidade dele, estão em terras que lhe pertencem, mas não se ajoelhem para mim. Se o Laird quiser que se ajoelhem, ele os fará saber.
Um murmúrio de aprovação se espalhou pelos membros do Clã Cullen.
Edward deu permissão ao mensageiro para que falasse, e o mensageiro repetiu seu ensaiado discurso. Quando terminou ‘os vivas’ foram ensurdecedores. O mensageiro esperou que o ruído se dissipasse e logo perguntou:
— Posso dizer a Sua Alteza Real que Milady o perdoa?
Isabella estava a ponto de responder ao mensageiro lhe dizendo que sim, que perdoava ao rei, mas algo a fez se calar. Seria este outro truque?
— Vou pensar. Terá sua resposta antes de partir.
O mensageiro pareceu chocado ao não obter seu imediato perdão, mas acatou sua vontade.
— Esperarei sua resposta.
Edward tomou a mão de Isabella e falou gentilmente.
— Você já era aceita e respeitada por este Clã, mas agora é verdadeiramente.
— Laird, devemos celebrar! — disse Seth — Já que agora temos uma Princesa e Finney’s Flat.
Edward concordou, mas não queria que nenhum dos forasteiros entrasse em sua casa, nem sequer o Bispo. Como o dia tinha uma temperatura agradável e não havia nuvens de chuva à vista, ordenou que levassem mesas e bancos para fora e que tirassem um barril de cerveja da adega.
O Bispo finalmente desceu de seu cavalo, e ele e seus monges foram acomodados nas mesas. Ainda receosos dos visitantes ingleses, os Cullen se mostraram reticentes a dar a boas-vindas ao mensageiro e seus homens.
Isabella se mostrava ainda mais cautelosa que os Cullen. Mantinha um olho atento sobre o mensageiro enquanto se abria caminho entre a multidão reunida. Distraída, apenas emprestava atenção à conversa que se desenvolvia ao seu lado até que ouviu Edward elogiar o Padre Erick. Com cada palavra que dizia, o sacerdote parecia fazer-se mais vaidoso.
— Laird, talvez logo queira construir uma capela para o Padre Erick — sugeriu Isabella.
— Talvez. —  ele respondeu.
— Logo a estátua de São Noah chegará e o Abade guardou para Milady— disse o Bispo — Possivelmente irão querer dar à capela o nome de seu santo. Nunca ouvi falar dele. — admitiu — Mas muitos foram santificados antes de minha época. Sabe quantos milagres ele realizou?
Isabella não tinha nem a menor idéia.
— São Noah era um homem bom e santo. Estou seguro de que os guardas reais poderão nos dizer a quantidade de milagres. — Disse o Padre Erick ao notar a dúvida da Princesa.
Quando o Bispo foi procurar água fresca, ela sussurrou ao Erick:
— Sinto-me envergonhada por ter me esquecido de tantas coisas referentes a São Noah. Eu também pedirei a meus guardas que me ensinem.
O Padre Erick avistou Sue levando uma bandeja de comida.
— Sim, sim. — ele disse, desprezando a conversa a respeito dos Santos. — A comida está servida!
Isabella deu uma olhada ao seu redor espantada ao ver as mulheres Cullen carregando enormes bandejas cheias de bolos de carne, pão e aves de caça. Uma das mulheres cruzou o pátio com outra bandeja maior ainda. Todo mundo contribuía com o melhor que podia.
Ela olhou ao seu redor procurando Edward, mas ele tinha desaparecido. Quando se dispôs a procurá-lo, seu caminho foi obstruído por pessoas que desejavam felicitá-la. Quando finalmente conseguiu deslizar-se para o lado do castelo, procurou um lugar tranqüilo. Isabella necessitava de tempo para pensar. Havia algo lhe corroendo as idéias. Embora o anúncio do mensageiro fosse uma boa notícia, havia algo ali que não estava certo. Alguma coisa estava mal explicada, mas ela não sabia o que era.
Edward a encontrou sentada em uma pedra.
— Isabella, o que está fazendo aqui?
— Pensando.
Ele estreitou-a em seus braços, beijou-a, e tentou fazê-la retornar à festa.
 — Acredito que pode haver algum tipo má intenção por parte do Rei William, mas não me dou conta do que possa ser. — ela disse.
— Prometo que vou ler cuidadosamente o pergaminho, e se você quiser, pedirei a Jasper e a Emmett que também o leiam. — Edward lhe assegurou — Você tem razão em não confiar nele.
Quando Edward foi procurar Emmett e Jasper, encaminhando-se para dentro do castelo, Isabella voltou para a festa. Sue a forçou a sentar-se e saborear alguns dos pratos. Como tinha preparado um dos bolos de carne, a cozinheira insistiu Isabella comesse uma generosa porção.
As conversas giravam em torno dela. Todos estavam muito felizes pelo fato de que os Cullen seriam donos Finney’s Flat. Poderiam triplicar suas colheitas! O entusiasmo do povo a fez sorrir. Mas ela continuava encarando o mensageiro com um olhar cético.
Por que o Rei ia lhe dar Finney’s Flat? Será que os Barões Aro e Caius estavam envolvidos neste assunto?  Ela suspeitava que sim. Sim! Se houvesse má intenção, os Barões estavam metidos nisso. O Rei dizia que Finney’s Flat era um presente. Mas da primeira vez que ela tinha ouvido a respeito das terras, iam ser seu dote. Mas e agora? Qual poderia ser a razão? Certamente não seria a ‘imensa’ generosidade do Rei. Ele não conhecia o significado dessa palavra.
Ele queria seu perdão. Isso era fato.
Subitamente, Isabella soube exatamente o que tinha o Rei em mente. Deu um soco na mesa, atraindo a atenção de todos, logo ficou de pé e saiu como um raio em direção ao mensageiro.
A multidão que festejava pôde não ter notado o comportamento de Isabella, mas todos viram seus guardas correr em sua direção. Quando chegaram onde o mensageiro descansava, Paul já estava ao lado dela.
— Levante-se. — ele ordenou ao mensageiro.
As risadas se aplacaram e o silêncio caiu sobre a multidão.
— Tenho algumas perguntas para você. — Isabella demandou — Você retornará diretamente para se reportar ao Rei William?
— Não, primeiro irei à Abadia. — respondeu o mensageiro, dando uma olhada a seu redor, para os rostos assombrados que o olhavam fixamente — Ficarei ali uma noite ou duas  e logo continuarei minha viagem.
— Também haverá Barões esperando ouvir pelas notícias leva?
— Sim, Princesa, estou seguro estarão esperando.
— Possivelmente esses Barões sejam Caius e Aro?
— Não sei, todos esperam ansiosamente ouvir que Milady perdoou o Rei William. — franzindo o cenho, acrescentou — E esse também é o motivo pelo qual eu estou esperando.
A multidão se aproximou mais.
— Sei o que pretendem o Rei e seus Barões. — ela disse, sua voz elevando-se pela ira — Se aceitar o perdão real, também estarei aceitando seu governo sobre mim novamente. Não é verdade? Voltarei a ser uma súdita de seu Rei.
Quando o mensageiro falou, olhou para o chão.
— Não posso mentir, e por isso lhe direi que Finney’s Flat será o dote que Milady dará ao homem que o Rei escolher para que seja seu marido.
— Mas ... se não aceitar sua desculpa, então Finney’s Flat retornará ao Rei?
— Não estou seguro disso Milady, mas talvez haja essa possibilidade.
Se um miolo de pão tivesse caído no chão, teria feito um barulho maior que todo o Clã.
— O Rei não considerou que eu poderia já estar casada?
— Sim. E se assim estivesse, então Finney’s Flat pertenceria a seu marido, e o Rei não interferiria mais.
Isabella olhou a seu redor e levantou a voz para proclamar em alto e bom som:
— HOJE, ME CASEI COM LAIRD CULLEN E FINNEY’S FLAT PERTENCE AGORA AO MEU ESPOSO.
— Com o Laird Cullen? — perguntou o mensageiro que tomou sua afirmação por uma verdade.
— Sim — respondeu. — Finney’s Flat pertence a ele.
Tanya estava por perto, ela girou em seus calcanhares e avançou dois passos em direção a Isabella. A Princesa não se intimidou, olhou fixamente nos olhos azuis da mulher, que retrocedeu vários metros. A fúria que ela viu nos olhos castanhos de Isabella a assustou, e a fez temer que pudesse golpeá-la novamente.
— Eu já estava noiva do Laird Cullen. A cerimônia aconteceu hoje, ao amanhecer, e Finney’s Flat pertence ao Laird Cullen. — repetiu — É por isso que esta bonita celebração e este rico banquete estão acontecendo.
Um murmúrio de assentimento percorreu a multidão, tornando-se cada vez mais alto até que o som se fez ensurdecedor.
Quando o som se aplacou, Isabella voltou a falar.
— Querem uma prova? Esperem aqui, e a trarei.
— Nós sabemos que Milady se casou hoje e que Finney’s Flat pertence a nosso Laird. — gritou Seth a plenos pulmões.
— Sim! — gritou outro soldado.
Isabella se deteve frente ao mensageiro.
— Mas penso que você quer uma prova.
O mensageiro assentiu.
— Devo ser capaz de dizer com certeza ao Rei William que Milady está casada. — ele podia sentir o calor da fúria da multidão por isso, gritou: — E então Finney’s Flat será do Laird Cullen.
Paul correu diante de Isabella e abriu a porta para ela.
— A prova está lá dentro? — ele pergunto, sorrindo.
— A prova não, mas o marido sim. — ela sorriu e respondeu.
Seguida por seus guardas, Isabella subiu correndo as escadas, mas deteve-se para ficar mais apresentável alisando o bliaut e ajeitando uma mecha de cabelo detrás da orelha.
— Está pronta para se casar hoje, Princesa? —perguntou Samuel.
Ela assentiu.
No salão, Edward acabava de terminar de ler o pergaminho. Estava entregando-o a Emmett enquanto Jasper e o Padre Erick, com taças nas mãos, esperavam sua vez.
Isabella tomou um profundo fôlego e entrou em salão.
— Edward, pode me conceder um minuto de seu tempo?
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NOTAS FINAIS DO CAPÍTULO
GENTE, no próximo post haverá o casamento e a noite de núpcias (ebaaa!!!!!!!). A fic está já chegando ao fim ... Bjs e deixem comentários.
Anna =]