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- Vem Comigo, Amor

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- Paradise

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- Música Das Sombras - adaptação do livro homônimo. (Fic concluída)

terça-feira, 30 de abril de 2013


22. Tempestade

POV JASPER

E aí, num dia qualquer...
Eu tinha chegado mais cedo que o pessoal da banda porque realmente não tinha porra nenhuma pra fazer em casa e o estúdio era um lugar reconfortante.
Estúdio.
Bem na verdade era só uma casa que eu usava como ponto de ensaio, mas era o lugar onde eu mais gostava de estar em Paradise.
Enquanto afinava meu violão, fui surpreendido por um desvairado que batia, batia não, dava socos, na porta dos fundos. Suspirei. Devia ser Chris, o baterista da banda, sem noção desse jeito, só mesmo ele. Mas me enganei, a figura que avançava na minha direção era uma pessoa que eu jamais poderia imaginar ter algo para fazer ali. Sendo ela quem era – chata pra caralho – e eu quem sou – um sarcástico inveterado -, eu sabia que ‘nossos santos nunca se deram bem’.
- Rose!? – falei espantado quando ela entrou no meu estúdio de música improvisado parecendo uma tempestade – Ta doida, mulher!?
Ela estava fora de si, ofegante e temerosa... e me pareceu, mesmo grávida, ter uma força maior que a minha ao me arrastar para o lado e fechar a porta com rapidez. Seus olhos ferozes, o suor brotando em sua testa, o rosto excessivamente corado, as mãos trêmulas sobre o ventre... tudo aquilo fez o meu corpo retesar e meus sentidos ficarem em alerta.
- Você precisa me ajudar...
- Rose? – minha voz não passava de um sussurro – O que houve?
De imediato ela não disse não, apenas se lançou sobre mim e eu a abracei meio sem jeito. E cara... ela chorou um choro mudo, seu abraço era apertado e urgente, mas ao mesmo tempo sem jeito e inseguro. Alguma dentro de mim se convulsionou e eu acho que até aquele dia eu nunca consegui sentir algum tipo de afeto pela minha prima. Não sei... deviam ser nossos genes se cumprimentando... ‘olá, sou o gene imaculado Hale’... ‘olá, sou o gene destrambelhado Mansen’
Devagar, arrastei a Rose para o sofá e ainda abraçada a mim, ela chorou por um tempo que parecia uma eternidade, ensopando uma manga da minha camisa. Só sei que quando dei por mim, eu estava – desajeitadamente – afagando suas costas e cabelos. Suspirei e desejei de todo o coração poder ajudá-la.
- Jazz... – ela disse sem me olhar nos olhos – Pelo amor de Deus, me ajude. – uma pausa longa se seguiu a isso, talvez ela estivesse reunindo coragem – Eu e meus filhos corremos um risco de vida muito grande.
- Risco de vida!? – afastei seus ombros para poder olhar em seus olhos – Rosalie, o que está acontecendo? – falei pausadamente.
E então a minha prima despejou em mim toda a sua historia. Mas teve um pequeno detalhe, nos primeiros 10 minutos de narrativa saquei o meu celular e liguei para o pessoal da banda. Sim, a conversa ali era mesmo séria.
Rose me contou com riqueza de detalhes tudo o que vinha acontecendo aos Hale desde que Adam Macabeus entrou na vida deles. E cara... esse Macabeus era muito, muito perigoso!
Fiquei sabendo como era a vida na fazenda da igreja, as revelações de uma mulher chamada Corine, sua morte supostamente natural, as desconfianças de Rose em relação ao marido e sogro, a vida idílica e quase alienada dentro da fazenda, a primeira esposa de Macabeus... o flagrante de assassinato no celeiro, o forte tapa que ele deu na minha esposa...
Deus do céu, nessa hora eu vi tudo vermelho na minha frente. Tudo bem que nunca gostei da Rose, mas ela era minha prima e tava grávida!
- Rosalie Hale, - falei solenemente, minhas mãos ainda envolviam seus ombros – por que você veio me pedir ajuda?
- Ah, não... – os olhos dela se encheram de lágrimas, sua voz era suplicante – Jasper, por favor, por favor, não diga que não vai me ajudar!
- Shii... calma. Eu não disse isso! – vi um lampejo de esperança em seus lindos olhos azuis – Eu só preciso saber por que você acha que pode confiar em mim.
Ela congelou de repente, seus olhos fixos nos meus.
- Jazz... eu estou perdida. Meus pais não merecem confiança e estão tão perdidos quanto eu. Você sempre foi inteligente e bem relacionado aqui e no continente, você fez Direito, deve conhecer as pessoas certas. Digo, as pessoas certas na polícia... Tenho certeza que se eu não fizer nada, não verei meus filhos crescerem.
Absorvi com cuidado as palavras de minha prima, vasculhando em seus olhos se poderia haver ali algum traço de mentira. Mas só achei medo e desespero. O que era pior! Uma pessoa desesperada pode fazer muita coisa ruim.
- Por Deus, Jasper! Sei que você nunca morreu de amores por mim, eu... eu nunca dei razão para você se afeiçoar a mim... Mas veja, - ela pegou uma de minhas mãos e colocou em seu ventre – tenho outra vida aqui e mais duas vidinhas inocentes em casa. Eles são filhos do Adam, mas também são meus e eu os amo mais do que a minha própria vida.
Meu coração estava dividido.
Eu sabia que aquilo tudo poderia mesmo ser verdade, mas sabia que Rose nunca teve muito escrúpulo e em toda a sua vida ela nunca deu um ponto sem nó. Mas... e se o Macabeus estivesse mesmo por trás daquilo tudo? Se bem que ele não teria motivos para inventar crimes contra si mesmo!
Teria!?
Mas e se Tim Hale estivesse confabulando com a filha para, juntos, darem algum golpe no Macabeus?
Ah, vai saber! Quando a pessoas não tem vergonha na cara e fazem tudo por dinheiro, a gente fica mesmo meio desconfiado.
- Adam ainda não desistiu de comprar as terras dos Cullen. - ela sussurrou – Tenho medo que ele comece uma guerra aqui em Paradise...
- Guerra?
- Eu acho que eles escondem muitas armas no porão do templo. – sua voz parecia sufocada.
- E quanto ao tal dossiê que o cara que foi assassinado disse que tinha? – questionei.
- O irmão Deam Grey - ela relembrou o nome -. Bom, nos dias que se seguiram, eu não ouvi mais nenhum comentário sobre esse suposto dossiê. Se ele existia mesmo, acho que não foi difícil para meu marido recuperá-lo.
- Rose, não diga a ninguém sobre a nossa conversa. – ela assentiu fracamente – Entendeu Rosalie!? Não conte isso nem mesmo a você mesma! Prometa! Jure!
- Eu juro! – ela assentiu com vigor.
- Mas fique sabendo que vou ter contar tudo a papai, afinal ele ainda é o delegado desta ilha. – ela concordou – E para... manter as aparências, continue me tratando do mesmo jeito. Ok?
- Ok. Mas e se eu precisar falar com você? Se eu descobrir mais alguma coisa?
Pensei por alguns instantes. Ela não podia usar a internet com segurança, não tinha seu próprio telefone celular e não deveria falar comigo em público... Tava difícil!
- Vamos fazer assim: Isobel Morgan é enfermeira no hospital, sempre que você precisar entrar em contato, peça para ela falar comigo.
- Posso confiar nela?
- Pode. Isobel me deve uns favores, hoje mesmo vou falar com ela.
Depois que Rose foi embora eu fiquei feito um doido, andando de um lado para o outro dentro do estúdio.
‘O que vou fazer!?
Pensei aturdido e me deparei com a constatação de que eu sempre fui o primo zuado, o mais fodido de todos, aquele que só queria saber de farra e mulher... Abri uma garrafa de conhaque e fiquei pensando na vida.
Por quê!? Por que uma bomba dessas foi justamente cair em cima de mim!?
‘Porque ela já não tem mais ninguém, seu idiota!’, meu subconsciente respondeu à pergunta não verbalizada.
‘Ah, vá dar a bunda’, respondi pra ele.
‘Boa idéia, afinal... a bunda é sua!’, ele retrucou e depois estreitou o olhar para mim antes de continuar... ‘Não se trata apenas de Rosalie e dos Hale metidos, se trata da segurança dos Cullen, seus primos. Investigue.’
‘Não sou delegado’, retruquei com petulância.
Não é delegado, mas quase concluiu o curso de formação, você sabe... Você tinha chance, se não tivesse trepado com a sua instrutora da Academia de polícia...’
‘Eita, mulher gostosa, aquela... fogosa’ sorri com malícia.
‘Foco, Jasper! Você pode ajudar seu pai a investigar’, ele me persuadiu novamente.
‘Investigue você’... grunhi em pensamento e me encolhi com as lembranças da cara dos meus pais quando contei que havia ‘desistido’ da carreira de delegado.
‘Não posso ir sem você, seu merda, estou preso ao seu corpo’ Ok. De repente eu me vi numa versão moderna de ‘O médico e o monstro’, sendo que eu é que me sentia o monstro.
‘Tá legal. O que devo fazer?’, arqueei uma sobrancelha e me surpreendi ao perceber que meu subconsciente tinha a cara do Grinch! Sim, eu estava discutindo com um monstrinho verde, mal humorado, cheio de rugas na cara e que, de alguma forma, era o meu eu interior.
Viadagem pura!
‘Vá procurar seu pai. AGORA, JASPER MANSEN!’
...
- Filho, essa é uma história e tanto. – meu pai balbuciou enquanto esfregava a barba rala sobre o queixo – Devemos ser discretos na investigação.
- Posso partir para Utah amanhã mesmo, pai. – falei com uma convicção que até então desconhecia – Mas não diga nada a mamãe, não diga nada a ninguém.
Acertei mais algumas com papai, dentre elas que mamãe deveria ficar no escuro por enquanto. Dona Olivia era muito chegada a um bom filme de suspense e com certeza confundiria realidade com ficção! Depois fui ao hospital para falar com Isobel, ela me recebeu de cara amarrada.
- O que eu ganho com isso, Mansen!? – ela me olhou com cara de desdém, mas seus olhos varreram meu corpo com lascívia.
- Um beijo e um abraço... – foi pouco, ela estirou o dedo médio para mim.
- Ah, por favor, meu docinho... – ronronei – Pelos velhos tempos! Nós até podemos sair uma noite dessas, tomar umas cervejas e tals...
- Ah, Jasper, toda vez que você surge, as promessas falsas vem junto!
- Isobel, - toquei em seu braço – dessa vez é muito importante, acredite em mim.
Algo no meu tom de voz a fez me escutar e ela me prometeu que ficaria de olho todas as vezes que Rosalie aparecesse no hospital. Sai dali com a sensação de dever cumprido, fui para casa e procurei nos sites de companhias aéreas uma passagem baratinha para Salt Lake City. Eu já estava no quarto, arrumando uma pequena mala – e meu inseparável violão – quando ouvi minha mãe matracando ao telefone com alguém.
‘Aaaaaahhhhhhhh meus sobrinhos e minha sobrinha estão terminando os estudos no continente e daqui a umas semanas voltam para a nossa ilha. Eu sinto a falta deles e...’
Um arrepio insano percorreu o meu corpo, por um instante, senti uma grande urgência em meu peito. Meus instintos me diziam que o perigo estava próximo.
Instintos?
Isso é coisa de mulherzinha...
...
Cheguei à Salt Lake City num fim de manhã, fazia 38ºC e eu achava que ia derreter! Eu me sentia num forno, suando em bicas... ainda no aeroporto, resolvi não perder tempo, aluguei um carro e segui para o Condado de Jastha, ao norte do Great Salt Lake.
A viagem foi muito solitária, estranha até! A rodovia I-5 cortava o ‘meio do nada’, com campos verdes de ambos os lados, intercalados por faixas de deserto. À minha esquerda estavam fascinantes montanhas de picos nevados, à direita somente um campo meio verde, meio arenoso e de vez em quando um carro ou caminhão aparecia na estrada. Uma hora depois cheguei à Brigham City, a principal cidade do condado, alguns dos seus 17 mil habitantes estranharam a minha intempestiva chegada. Procurei um motel e foi difícil conseguir um quarto sem dar maiores explicações.
- O moço ta aqui a negócio ou a lazer!? - uma senhora magrinha e franzina preenchia minha ficha.
- Pode-se dizer que... a lazer... – ela estreitou os olhos – Gosto de ecoturismo!
- Humf... – ela bufou com desdém e me entregou a chave do quarto.
Depois de matar a fome e tirar um cochilo, parti a procura de um bar ou restaurante, um lugar onde eu pudesse me socializar com o povo. Três quarteirões depois, achei uma boa comida, uma vitrola de ficha com jazz dos anos 60 e uma garçonete falante. Flertei com a garota, que não devia ter nem 20 anos, e fiquei sabendo que o tal Detetive Foster (que Rosalie havia mandado procurar) havia morrido num acidente de carro há cerca de um ano atrás.
Meus planos de repente mudaram, na verdade, eu fiquei sem planos!
Conversar com a Srta. Sorriso – Kimberly, era seu nome - parecia ser a única coisa a se fazer, de modo que esperei que seu expediente acabasse para tomar uns drinques com ela. Foster tinha sido um policial por longos 20 anos até que no último verão ele sofreu um acidente de carro e morreu de forma trágica. Rapidamente puxei conversa sobre religião, Kimberly deu um sorriso amarelo e disse que havia sido criada nos moldes rígidos da igreja local, mas que havia desistido de ‘seguir os passos para o céu’.
- São muitas regras... – ela sorriu como quem se desculpa.
- Entendo. E os líderes aqui são... muito rigorosos? Fanáticos!? – indaguei enquanto mordia a azeitona do meu drinque, tentando soar indiferente.
Ela suspirou e se inclinou sobre a mesa, como se quisesse me contar um segredo.
- Aqui há muitos barris de pólvora... – ela engoliu em seco – Igrejas tradicionais não são o problema! - sua testa se vincou – O problema são as congregações neo-ortodoxas que surgem todos os dias.
Ela fez uma pausa e sua boca se retorceu num pequeno sorriso.
- Essas igrejas ‘aleluiadas’ são muito radicais e disputam entre si... na política, nos negócios, na vida das pessoas!
- Deve ser sufocante, não!? – arqueei uma sobrancelha e sorri, tentando fazer graça – Como elas brigam? Gritando mais alto nos microfones de seus púlpitos?
- Você já ouviu falar em ‘lei do silêncio’? – ela olhou ao redor - Inclusive até já falei demais... Meu sonho é ir embora daqui, to juntando uma grana, quero ir para Los Angeles... – ela suspirou e de repente percebi que minha companhia não falaria mais nada sobre o assunto.
No dia seguinte fui à delegacia e me passando como um velho amigo do Detetive Foster, tentei saber sobre as circunstancias de sua morte. Primeiro perguntei, casualmente, ao oficial – um moreno, carrancudo e de corpo atarracado - na recepção da delegacia e então percebi que duas coisas aconteceram ao mesmo tempo. Primeiro, o oficial estreitou os olhos e sua boca se contorceu minimamente; segundo, a escrivã, uma senhora ruiva, na casa dos 50 anos, levantou o olhar rapidamente, seus olhos ficaram marejados. O oficial rosnou uma ordem para que eu esperasse o delegado O’Nell. Uma hora depois o delegado mandou me chamar, fui escoltado pelo oficial da recepção – que me lançava um olhar de esguelha. Eu pensei que iria ser recebido na sala do delegado, mas na verdade fui empurrado para a sala de interrogatório, fria, úmida, sem janelas... apenas uma mesa e duas cadeiras, todas de alumínio e grudadas ao chão.
A porta se abriu num rompante e eu reprimi o impulso de pular da cadeira. Um homem alto, forte e de olhos apertados... seu cabelo era grisalho e a testa era vincada de muitas rugas... entrou a passos lagos, deu um soco na mesa e gritou.
- QUEM É VOCÊ? E NO QUE LHE INTERESSA SABER DO DETETIVE FORTER!?
Tive que usar todo o meu autocontrole para não estragar o disfarce.
- Meu nome é Jasper Mansen, senhor, e eu só queria rever um velho amigo do meu pai... estou de passagem pela cidade...
- DE PASSAGEM, HEIN!? E O QUE VOCÊ FAZ DA VIDA!?
- Sou músico, senhor...
­O homem pareceu relaxar e sentou na cadeira em frente à minha, seu olhar se estreitou tanto que ele parecia estar de olhos fechados.
- Músico... que tipo de coisa você toca!?
- Violão, guitarra, baixo, piano... essas coisas... – dei de ombros, não entendendo a pergunta dele.
- Qual o estilo musical?
- Blues, jazz, soul, country...
- Olhe... escute, perdoe meus maus modos, ando com os nervos à flor da pele. – sua voz se tornou suplicante – O que você acha de cantar no próximo fim de semana? Eu pago bem, pago por hora, pago até adiantado!
De repente uma ideia se formava na minha mente.
- E para quem... exatamente... eu iria tocar? – perguntei despreocupadamente.
- Ah, para a alta sociedade do condado! – ele falou afetadamente – Oficiais de polícia, médicos, políticos... gente muito influente...
Reprimi o riso, o homem se gabava como se a festa fosse um encontro de diplomatas!
- E quanto exatamente eu ganharia?
Ele tirou do bolso um cartão com seu nome e telefone impressos e no verso do papel escreveu a quantia. Não era muito, mas resolvi atuar... Assoviei e sorri, mas disse que ligaria para ele naquela tarde para confirmar, já que supostamente eu estava de férias e aquela festa iria me atrasar um pouco.
Quando deixei a delegacia, senti um olhar nas minhas costas, quando me virei, meu olhar se cruzou com a escrivã ruiva. Ela me encarava com olhos tristes. Naquela mesma tarde liguei para o delegado e confirmei minha participação artística. Também liguei para papai e contei-lhe o meu pequeno progresso, não deixei de relatar que o delegado ficou muito, muito nervoso quando perguntei do detetive Foster. Depois peguei meu violão e comecei a ensaiar várias músicas, eu tinha apenas dois dias para montar um repertório decente. Durante o dia eu ensaiava e à noite eu sempre pegava a Kimberly no restaurante quando terminava seu turno... Tocar&Trepar... Parecia um bom estilo de vida... Mas eu não podia me desviar do foco!
No sábado, o delegado foi até o motel onde eu estava hospedado e me entregou um conjunto completo de smoking.
- Cuidado, Sr. Mansen, isso foi cortesia da Tinturaria Golish e se o senhor danificar a roupa vou descontar de seu pagamento.
- Pode deixar senhor! – prestei continência e ele esboçou um sorriso.
O jantar seria no salão nobre da prefeitura, então à tarde fui até lá, o delegado disse que o piano estava afinado, mas eu precisava ver por mim mesmo.  Uma secretária da prefeitura me mostrou onde ficava o salão e me deixou à vontade depois, conferi o instrumento, realmente me certificando que ele estava em ordem. Penduradas nas paredes do salão havia várias fotos de pessoas, pessoas comuns, cidadãos locais... Fotos coloridas e em preto e branco, recortes de jornais... Algumas eram datadas de 1898, quando a cidade ainda era uma pequena vila no meio do nada. Uma foto me chamou a atenção e ela era bem recente, aquele rosto me era muito familiar.
- Admirando as fotos!? – uma voz rouca ecoou pelo salão vazio.
Quando me virei, ela estava lá, a escrivã da delegacia, a ruiva de olhar tristonho.
- Meu nome é Nancy Groove e eu realmente quero saber por que o senhor veio procurar o Detetive Foster. – ela sussurrava – Quem é o senhor?
Fugi de sua pergunta com outra pergunta.
- Este homem aqui? A senhora o conhece? – apontei o dedo indicador para a grande foto.
- Adam Macabeus, - sua boca se retorceu, era como se ela cuspisse o nome - e esse ai, o mais velho, ao lado dele é Caleb Macabeus, seu pai.
- Eles moram aqui? – indaguei.
- Não! – ela falou exasperada – Eles fazem parte da ‘família de fundadores’ da cidade, os Macabeus são muito influentes nessa região. Mas há 20 anos atrás uma briga entre irmãos e suas poderosas igrejas os fez se dividir. Caleb e seu filho se mudaram, levando toda a congregação deles para um rancho... uma enorme propriedade... no vale das Montanhas de Oquirrh.
- Montanhas de Oquirrh... – repeti debilmente.
- Ao sul do Great Salt Lake, no condado de Tooele. - ela explicou.
Tentei mudar de assunto, eu não sabia se poderia confiar nessa mulher.
- O que há nas antigas minas de ouro de Promontory? – apontei, despreocupadamente para um mapa pendurado na parede.
A mulher arregalou os olhos e isso me fez continuar.
- Foster uma vez me disse que o lugar era muito interessante... para um turista como eu...
- FOI!? – sua voz subiu umas oitavas e ela assentiu minimamente, um minuto de silêncio se fez entre nós.
- Olhe, meu rapaz, - ela agarrou meu braço com força – as minas de Promontory agora só são pilhas e pilhas de pedra. Elas foram demolidas e suas entradas foram lacradas pela prefeitura. Foster só achou a própria destruição por lá...
Quando abri a boca para falar, ela me silenciou com um olhar.
- Não perca seu tempo aqui, seja o que for que esteja procurando, você não vai achar... Pessoas poderosas vivem aqui e elas manipulam tudo, até a verdade.
- O que a senhora realmente está tentando me dizer...
- Eu e Foster estávamos juntos há mais de 10 anos, ele era um bom homem, policial honesto... Mas ele começou a investigar pessoas poderosas da cidade, de repente ele ficou obcecado, achando que muitas igrejas eram apenas fachada para encobrir vários crimes...  – ela sussurrava tudo num fôlego só – Então ele morreu num acidente de carro... os freios do carro novo falharam...
Estreitei o olhar mais ainda, a mulher estava prestes a se debulhar em lágrimas.
- Saia da cidade, não procure por respostas que não terá! – ela soluçou – Não aqui!
- Quando a senhora diz ‘não aqui’...
- Em Salt Lake City... uma jornalista... Erick sempre estava em contato com ela.
- Erick?
- Erick Foster.
- Salt Lake City é grande demais... – murmurei.
Nancy me passou um pedacinho de papel com o nome e o endereço da jornalista, li, dobrei-o em mil partes e escondi num bolso da carteira. Agora eu tinha realmente por onde começar.
A noite de sábado e sua festa entediante passaram num borrão de imagens, assim que me vi livre de todos, arrumei as malas e peguei a estrada.
...
Noutro hotel mais-ou-menos decente, já em Salt Lake, desfiz as malas, tomei um banho e não perdi tempo. Graças ao GPS do carro não foi difícil achar o endereço da jornalista. O prédio antigo e de tijolos vermelho-desbotado ficava numa rua movimentada do centro da cidade, interfonei para o apartamento 11 e uma voz esganiçada respondeu.
- VÁTOMARNOCUSEUFILHODAPUTAIMPRESTÁVEL!
Levei um susto.
Porra!?
- Boa tard... – tentei.
- BOATARDEÉOCARALHO! – a voz parecia tomar fôlego – SE EU DEPENDENSSE DE VOCÊ PARA VIVER, JÁ ESTARIA MORTA E ESTURRICADA NO CHÃO, SEU IMBECIL.
- Madame!? Perdão...
- MADAME? Madame? – fez-se um minuto de silêncio espectral - Qu-quem está aí?
- Meu nome é Jasper Mansen, madame, e eu preciso falar com a Srta. Alice Brandon.
- Aaahhh, pare de me chamar de madame, como se eu fosse uma matuta peituda. – sua voz suavizou, ela parecia sorrir – Como você sabe meu nome? Meu endereço? O que quer de mim?
- Erick Foster, madam... – me contive a tempo – Eu vim por causa dele.
Pelo que percebi, houve um momento de hesitação enquanto a voz esganiçada processava a ideia. Por fim, ela deu um longo suspiro e antes de responder.
- Não te conheço, não confio em você, me encontre no Cyber Café do Shopping Salt Lake daqui à uma hora. – outro momento de hesitação – Vou estar usando uma jaqueta do Arizona Wild Cats.
- Ok.
Na hora marcada, cheguei ao tal Cyber Café e meus olhos varreram a mesa, procurando alguma mulher com uma jaqueta do Arizona Wild Cats. Não foi difícil de achar, ela era baixinha, parecia uma boneca, magra e com mãos pequenas. Seu cabelo era curto, preto e cortado de uma forma meio repicada. Ela era linda... De perfil pude contemplar seu nariz afilado e sua boca miúda, embora seus lábios fossem cheios, sensuais. Ela gesticulava enquanto falava e de repente imaginei aquelas mãos pequenas e aquela boquinha miúda contornando e chup... Meu grande amigo criou vida lá nos países baixos.
Porra, Jasper, foco.
Mas Alice Brandon não estava sozinha, um homem moreno, com traços latinos estava sentado com ela, me aproximei com cautela.
- É isso mesmo, Jared, depois do bolo que você me deu, - ela fungava e assoava o nariz de uma forma nada educada – eu não espero mais nada de você.
- Mas docinho... – o cara miou.
- Docinho é escambau, - ela levantou o olhar e rapidamente me viu – De mais a mais... você chegou tarde demais.
Meio aturdido, eu assistia àquela cena jocosa sem conseguir acreditar muito na lógica dos fatos. O cara me encarou com um olhar homicida e se levantou, quase derrubando a cadeira. A mulher sentada à mesa tinha um ar petulante, seu olhar acompanhou o cara por um longo tempo e quando ela teve a certeza de que ele não poderia mais nos ouvir, sua atenção se voltou para mim... com má vontade.
- Jasper Mansen? - ela modulou a voz – Sente-se e me diga de uma vez do que se trata.
A mulher estava me dando nos nervos. Que criaturinha chata era aquela? Bonita, quero dizer, linda, mas chata e mandona.
- Eu... err... boa tarde.
E de repente me vi, pela primeira vez na vida, inseguro diante de uma mulher. Ela apenas arqueou uma de suas sobrancelhas – e que sobrancelhas lindas ela tinha - e bebericou do que estava na sua xícara.
- O que você está tomando? – tentei puxar assunto.
- Chá verde com mel e hortelã. Aceita? – imediatamente, ela fez sinal para uma garçonete - May?
- Oi Alice! - a jovenzinha veio saltitante.
- Traga o de sempre para mim, estou morta de fome. E você?
Agora ela estava falando comigo, eu acho.
- Apenas um cafezinho, por favor.
- Puro ou com leite? Cappuccino? Ao Latte? - a jovem May batia aqueles lindos cílios em minha direção enquanto arreganhava aquela boca cheia de dentes perfeitos pra mim e sorria...
O monstro em mim imaginou-a arreganhando outra coisa e lá nos países baixos, o meu amigão pulou de novo.
- Ah, tenha mais dignidade, May e pare de flertar com os clientes! - Alice urrou e a garota corou, atingindo o tom morango-maduro.
Quando ficamos sozinhos novamente, tentei começar um diálogo.
- Srta. Brandon, eu, na verdade, não conhecia Erick Foster. – ela assentiu minimamente, sua testa de vincando numa ruguinha de preocupação – Mas conheço Adam Macabeus e...
A mulher de repente ficou pálida na minha frente, seus olhos se arregalaram e seus lábios tremeram levemente.
- Não sei do que você está falando! – ela despejou e tentou se levantar, segurei em seu braço.
- Por favor, me escute. - sussurrei – Não quero lhe fazer mal, confie em mim.
Nossos olhares se encontraram por uma fração de segundo, e foi como se eu pudesse enxergar dentro da alma dela. Foi uma sensação muito boa e diferente.
- Muita gente já morreu, Sr. Mansen. – ela sussurrou.
 - Erick Foster, por exemplo. - respondi - Ele estava investigando algo sobre os Macabeus, não é? – ela assentiu minimamente – Onde está o dossiê que ele tinha?
- Eu, não sei de dossiê algum. – ela se esquivou.
- Ah, sabe sim!  - rosnei – Olha, por favor, confie em mim. Eu tenho medo dos Macabeus tanto quanto você, sei do que ele é capaz, sei da história de Sarah Goldman e...
- Sarah? Sarah Goldman!? – a voz dela subiu umas oitava.
- Sim, você sabe?
- Ela era minha meio-irmã... – Alice murmurou.
- Sua irmã?
- Sara era filha do 1º casamento de meu pai, eu pouco me lembro dela. – sua voz se tornou distante, como se ela entrasse num túnel do tempo – Eu era uma menina de 6 anos de idade quando meu pai sofreu um ataque cardíaco e morreu em decorrência do desaparecimento de Sarah. Seu corpo nunca foi encontrado, seu marido, Adam Macabeus foi tido como principal suspeito do crime, já que ele herdara um seguro de vida de $ 600 mil. As investigações na época não avançaram muito e o caso foi arquivado, mas em Astoria, nossa cidade, lá em Oregon, o desaparecimento de Sarah virou lenda urbana.
- O Macabeus... ele nem chegou a ser processado?
- Não. – ela lamentou – Tempos depois ele se mandou da cidade, desapareceu, evaporou. Peguei o rastro dele há 2 anos quando descobri a congregação na fazenda próxima às montanhas de Oquirrh. Mas ele mudou, deve ter feito muitas cirurgias plásticas, está mais jovem... – de repente seus olhos ganharam foco novamente – Aquele bastardo tem quase 50 anos, sabia!?
- Ele realmente não parece ter isso tudo... – minha mente foi longe – Imagino que Rosalie não saiba disso.
- Rosalie? Que Rosalie!?
- Minha prima e... atual esposa de Adam Macabeus.
- É O QUÊ!?
...
Acabei passando uma semana em Salt Lake City.
E acabou que eu e Alice passamos a nos dar muito bem. Não tão bem como eu gostaria... mas eu sempre fui um cara paciente.
Mary Alice Brando era formada em relações públicas, apaixonada por fotografia e repórter free lancer. Sua vocação investigativa foi, sem dúvida alguma, instigada pelo desaparecimento da irmã. Mas foi lamentável saber que não tínhamos quase nada que pudesse servir de acusação forte o suficiente para colocar Adam Macabeus na cadeia.
- DEVE HAVER ALGUMA COISA! – ela falou exasperada na nossa última tarde de reunião.
- Não há. – minha voz estava cansada. – Não há. Só temos relatos, nada que comprove, nem mesmo um indício sequer.
- Não vou desistir.
Ela falou com petulância, seu lábio inferior – cheio e rosado, sem dúvida alguma delicioso - se projetando para frente, como se ela fosse uma menininha.
- Vou com você.
Eu ouvi. E não ouvi.
Parecia um sonho, mas no sonho ela diria as palavras num tom de voz meigo e gentil e completaria a frase com um ‘para onde você for’.
Argh... com certeza eu devia estar virando mulherzinha... tinha muita meiguice dentro de mim.
- Perdão!?
Pigarreei. A voz tinha saído abafada demais.
- Vou com você. – ela repetiu, como se explicasse o óbvio – Vou com você para Paradise, preciso ver isso com meus próprios olhos.
...
Fiou acertado que Alice fotógrafa profissional e irmã de uma colega de faculdade. O disfarce era seguro e fácil de manter. Mas até agora essa tem sido a única coisa fácil nisso tudo.
Já se passaram muitos e muitos meses, nossos primos já voltaram do continente, o bebê de Rosalie já nasceu e Adam Macabeus parece prosperar em nossa ilha.
Rose nunca mais fez contato comigo e isso me inquietava bastante.
Por falar em bebê, Bella está em final de gravidez, o bebê está previsto para o final de mês. Estamos em março, finzinho de um inverno bem gelado e difícil.
Tudo parece meio agourento, principalmente porque sabemos que Macabeus está tramando algo. Todos nós estamos fazendo um grande esquema de vigilância, sem que Bella saiba é claro! Ah, mamãe também não sabe, mas coopera maravilhosamente bem. Hoje mesmo, ela acordou cedinho e começou a cantarolar pela casa, alegre porque iria passar o dia inteirinho com Bella, já que Emmett e Edward passarão o dia todo em mar aberto.
Mas aquele dia também parecia agourento porque os ‘crentes’ da igreja do Macabeus estavam fazendo uma espécie de celebração na praça central da cidade. De vez em quando a voz macia e condescendente do marido de minha prima rompia o silêncio da congregação. Adam usava três microfones e berrava para quem quisesse ouvir alguns trechos da Bíblia. Reconheci que se tratava do livro de Jó, eu só não lembrava o capítulo.
“E sucedeu um dia, em que seus filhos e suas filhas comiam, e bebiam vinho, na casa de seu irmão primogênito, que veio um mensageiro a Jó, e lhe disse: Os bois lavravam, e as jumentas pastavam junto a eles; E deram sobre eles os sabeus, e os tomaram, e aos servos feriram ao fio da espada; e só eu escapei para trazer-te a nova.”
- OS PECADORES RECEBERÃO O CASTIGO DE JÓ! – gritava a multidão de fiéis na praça, quando Macabeus terminava de ler um trecho.
“Estando este ainda falando, veio outro e disse: Fogo de Deus caiu do céu, e queimou as ovelhas e os servos, e os consumiu, e só eu escapei para trazer-te a nova. Estando ainda este falando, veio outro, e disse: Ordenando os caldeus três tropas, deram sobre os camelos, e os tomaram, e aos servos feriram ao fio da espada; e só eu escapei para trazer-te a nova.”
- OS PECADORES RECEBERÃO O CASTIGO DE JÓ!
“Estando ainda este falando, veio outro, e disse: Estando teus filhos e tuas filhas comendo e bebendo vinho, em casa de seu irmão primogênito, eis que um grande vento sobreveio dalém do deserto, e deu nos quatro cantos da casa, que caiu sobre os jovens, e morreram; e só eu escapei para trazer-te a nova.”
- OS PECADORES RECEBERÃO O CASTIGO DE JÓ!
Era reunião era pacífica, mas era estranha. Todos estavam ali, plantados de joelhos, desde as 5hs da manhã, rezando em silencio e às vezes gritando palavras de ordem. As pessoas pareciam... bonecos, marionetes sem vida, sem opinião, sem emoções. Até mesmo Rosalie e as crianças estavam ali, de longe também pude avistar tia Lilian e seu marido.
Da janela do bar eu olhava tudo aquilo enquanto tomava um pouco de conhaque, tentando acalmar meus nervos. A reunião da igreja não era ilegal, mas a barulheira chateava bastante! Sem contar que aquela frase ‘O pecadores receberão o castigo de Jó’ aguçava meus sentidos de uma maneira estranha. Era com se houvesse algo, nas entrelinhas, a ser entendido.
Eu me vi tentando decifrar um enigma quando meus pensamentos foram interrompidos pelo toque do celular, era meu pai, sua voz parecia insana.
- JASPER, VENHA DEPRESSA ATÉ HOSPITAL! – senti um estalo agudo na cabeça – Sua mãe foi encontrada na praia por pescadores, desacordada e com um pequeno ferimento na cabeça.
- O QUÊ!? COMO ELA ESTÁ? – gritei.
- Está viva... mas... Bella está desaparecida... ela foi sequestrada.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Paradise - Capítulo 21


21. Mar Sem Fim

POV EDWARD

Um filho...
Naquele começo de noite quando voltamos para casa, Bella enfeitou a sala de jantar com umas coisinhas de bebê e nos deu a linda notícia de que seríamos PAIS!
Eu fiquei meio bobo, meio ausente de mim mesmo... e muito feliz! Emmett parecia criança, sorrindo a cada cinco segundos. E Bella, bem ela estava radiante, gloriosa, iluminada...
O saboroso jantar foi degustado em meio a sorrisos e palavras de carinho e nós três chegamos à conclusão que felicidade maior não pode haver.
- Eu acho que teremos uma princesinha... – suspirei enquanto ajudava Bella a tirar a mesa.
- Engraçado... eu sonhei com um menino lindo como vocês dois! – ela apontou de mim para Emm.
Meu irmão, por sua vez, permaneceu calado, terminando de bebericar o suco de laranja. Bella o cutucou com o cabo de uma colher.
- Eu!? Me incluam fora dessa... Não vou desempatar nada! – ele sorriu – Menino ou menina, ou talvez ambos... Não importa! O que importa é que serei pai.
Depois que lavamos a louça e arrumamos a cozinha, Bella e Emm se empoleiraram no sofá para assistir a uma comédia na TV, mas eu não lhes fiz companhia. Empolgado e ansioso (inseguro, talvez) comecei a fuçar na web uns sites sobre gestação e bebês... acabei comprando uns livros sobre filhos.
Não sei, não sei mesmo se todos os caras são assim, mas quando soube que seria pai, imaginei todo um cenário. Eu sendo um bom pai, um cara que realmente ajuda em casa. Bella orgulhosa de mim e nosso bebê sendo bem cuidado e amado.
Na hora de dormir, a gente parecia três crianças na cama! Quem conseguia relaxar e pegar no sono se a felicidade era tão grande? Mas, mesmo com toda a agitação, minha princesa acabou hibernando, afinal os hormônios das grávidas costumam ser implacáveis. E quase perdemos a hora no dia seguinte, acordamos a mil por hora, ansiosos para a consulta de pré-natal.
- EDWARRRRRRRD, - Emm esmurrava a porta do banheiro – sai logo daí, mulherzinha – ele zuou – não quero me atrasar para a consulta.
- Porra, Emm, to fazendo a barba!
- MENINOS NÃO BRIGUEM! – Bella ralhou de brincadeira e gritou logo em seguida – AAHHH MERRRDA!
- O QUE FOI!? – abri a porta do banheiro num rompante, Emm já estava lá ao lado dela, afagando seu rosto.
- Minhas roupas... – ela girou em seus calcanhares e continuou.
- Eu já tinha percebido que estava meio gordinha, mas isso já é ridículo... – ela segurava três calças jeans – Não consigo entrar em nenhuma!
Resmungando alguma coisa ininteligível, ela escolheu um vestido colorido e de alcinhas, meio soltinho... sim, aquele caberia nela por muito tempo!
- Bella, amor – aproximei nossos corpos e a abracei – querida, uma gestação de oito semanas já transforma bastante o corpo da mulher, seus seios já estão maiores, isso podemos ver... E você os percebeu mais... ahn, como vou dizer...
- Pesados? – Emm completou.
- Um-hum. – ela murmurou e assentiu com a cabeça.
- E seu útero? Algum desconforto? – continuei.
- Alguma coisa como se fosse cólica menstrual. – ela falou – Mas pensei que era a menstruação mega-atrasada que ainda iria dar o ar de sua graça... Será que tem algo errado comigo? OU COM O BEBÊ!? – a voz dela subiu umas oitavas.
- Não! – Emm se apressou em dizer - Isso ai deve ser o útero crescendo. Como todo músculo, ele deve ficar dolorido com a... ééérrr... expansão?
- Ok. Ok. Já estou me sentindo uma vaca... em expansão.
Bella falou emburrada e fez biquinho, nós desatamos a rir e por fim, ela nos acompanhou.
Já estávamos no carro, Bella abraçada a Emm enquanto eu dirigia. O sol lá fora estava lindo, a brisa do mar entrava em minhas narinas e aquela sensação de felicidade era muito gostosa e diferente. Enquanto pensava com os meus botões ouvir Bella gemer.
- Princesa? – olhei de soslaio, era estava com os olhos marejados.
- O que foi, bebê? – Emm beijou o topo de sua cabeça.
- COMO POSSO? COMO POSSO SER MÃE!?
- ÃNH? – eu e Emm falamos em coro.
- EU NÃO ME LEMBRO DE TER TIDO UMA MÃE, NÃO SEI COMO É CARINHO DE MÃE, NÃO SEI COMO SER MÃE...
Era isso mesmo que eu estava ouvindo? Bella estava tento um surto de insegurança? Desespero? Estacionei a pick-up no acostamento da estradinha e respirei fundo. Ela já estava sentada no colo de Emmett, a mim só restou envolver suas mãos, beijando-as gentilmente. Quando meu irmão pareceu querer falar alguma coisa, fiz sinal para que continuasse calado. Nossa esposa precisava chorar em paz.
Passados alguns minutos, a gola da camisa de Emm estava um pouco úmida, a respiração de Bella estava mais estável e ela já não chorava copiosamente.
- Des-desculpem... – envergonhada, ela escondeu o rosto contra o peito de meu irmão.
- Amor, se acalme. – ele sussurrou.
- Bella, as coisas estão indo rápido demais e é natural que nós fiquemos assustados. – falei gentilmente, ela se virou para me encarar – Mas acho que isso tudo, - limpei uma lágrima teimosa e me inclinei para beijar sua testa – é só insegurança. Não existe nenhuma razão para que você não seja uma boa mãe.
- Mas...
- Bebê, - Emm continuou – nosso pai sempre dizia o seguinte: ‘uma boa esposa e mãe, antes de qualquer coisa foi uma boa filha’. Nós não conhecemos o Charlie, mas de tudo o que vimos entre você e Rennè, não podemos imaginar uma filha mais amorosa e dedicada. – ele fez uma pausa e esticou a mão para afagar o nosso bebê na barriga dela – Tenho certeza de que ele ou ela será muito feliz.
- Ai, meu Deus... – ela tentou sorrir – Eu tenho sorte por ter vocês dois... Tenho muitos chiliques!
- Não seja boba, Bella – tentei ralhar, mas falhei ao sorrir torto.
Ganhamos a estrada novamente, Emm ligou o rádio e começamos a cantar desafinadamente uma música de KOL. Enquanto dirigia, eu pensava... Será que teremos um chilique por dia até o bebê nascer? Deus nos ajude!
Mal estacionei o carro na frente do centro médico, as pessoas começaram a nos cumprimentar ainda na calçada.
- Bom dia Cullens, parabéns pelo bebê!
- Sra. Cullen, parabéns pela gravidez!
- Para quando é o herdeiro?
Nossos vizinhos, amigos e conhecidos nos saudavam, compactuando com a nossa alegria e rapidamente chegamos à conclusão que a ‘rádio tia Olivia’ tinha trabalhado desde cedo. Na sala de recepção havia umas grávidas com barrigões enormes, Bella se sentou e acariciou o ventre ainda pequenino.
- Começar o pré-natal ainda no terceiro trimestre contribui para que o bebê nasça saudável. – assinalei e ela assentiu minimamente, depois esboçou um sorriso.
- Meninos, daqui a pouco eu estarei muuuito redonda...
Emmett foi chamado para assinar uma documentação na recepção e pouco tempo depois já estávamos no consultório da Dra. Rachel.
- Garotos! – ela nos abraçou ao mesmo tempo, como quando a gente era criança – Parabéns! Ontem tive a chance de conhecer a senhora Cullen. – ela se afastou e afagou o rosto de Bella.
- E aí? Prontos para a primeira ultrassom?
- SIM! – falamos de uma vez.
A médica nos deu privacidade na sala de exames, Bella se despiu e... olhando com mais atenção pude perceber que ela estava mais gostosa. Para mim, seus quadris já pareciam mais largos, os seios mais volumosos e redondinhos... mesmo por baixo do sutiã os mamilos estavam... suculentos... Fiquei de pau duro! Sentei na cadeira e coloquei a bolsa de minha esposa no meu colo para poder disfarçar meu estado.
Emmett ajudou Bella a se deitar e se postou em pé do seu lado esquerdo, permaneci na cadeira e grudei os olhos na tela do monitor, mas uma de minhas mãos estava entrelaçada a de Bella. Rachel espalhou gel no aparelhinho e rapidamente começamos a visualizar umas coisas que não davam pra entender nada.
- Aqui, mamãe... seu útero... – Rachel parecia concentrada, tentando identificar as imagens.
Bella murmurou um ‘um-hum’, Emm parecia uma estátua e eu estava, mais uma vez, fora de mim... perdido naquelas imagens estranhas, tentando a todo custo identificar nosso bebê. Mas quando a médica girou o aparelhinho mais um pouco nós pudemos ver uma figurinha.
- OOOHHH... – dissemos em coro.
- O bebê está com 18 milímetros da cabeça ao bumbum. – a médica falou – Puxa vida, ele vai ser grande como os papais! – sorrimos - E está tudo bem com ele... – ela fez uma pausa – Vejam... aqui... esses prolongamentos aqui... são os bracinhos e as perninhas!
- OMG... – Bella ronronou.
E na mesma hora o nosso bebezinho se mexeu, mas foi uma mexida tão sutil que achei que minha imaginação estava me pregando uma peça.
- MEXEU!? – eu e Emm falamos em coro.
A médica sorriu antes de falar.
- Sim... fetos de oito semanas já mexem bastante.
- OMG... Não vi! – Bella choramingou – Não vi nadinha! Ah, isso não é justo, viu!
- Não tem problema, mamãe. - a médica falou – Poderemos gravar num DVD e vocês levam para casa!
- Doutora, por que eu não senti meu bebê mexendo? – Bella levantou as sobrancelhas e quando terminou de falar, o bebê mexeu de novo.
- OMG... EU VI! EU VI... AAAHHH... MEU BEBEZINHO LINDO...
Sim. Bella estava fora de si. Era engraçado!
- Isabella, o feto ainda está muito pequeno por isso você não percebe.
E naquela hora, nosso bebê mexeu de novo... tão lindo!
- Caraca! – Emm balbuciou – Coisinha mais linda, G-ZUIS... Mas doutora, a cabeça é assim mesmo tão grande!?
- EMMETT! – Bella falou e fez cara feia.
- Ô amor, ele não falou por mal. – tentei acalmar a fera e depois falei merda – Veja que bebê mais lindo... Parece uma mini tartaruga de casco para cima tentando se virar...
- EDWARD!
A médica desatou a rir e depois assumiu a postura profissional novamente, explicando que naquela fase a cabeça do bebê é bem grande em relação ao resto do corpo devido ao crescimento do cérebro. Ainda explicou outras coisas sobre o desenvolvimento do coração, a formação dos dedinhos dos pés e as orelhas... Tudo era tão lindo, perfeito e divino que eu só podia me dar conta era mesmo ‘o milagre da vida’.
Ao final da consulta Bella recebeu orientações de alimentação e controle do peso, glicose, pressão arterial, além de um livrinho sobre gestação e o DVD com as imagens de nosso filhote. Emm perguntou sobre como deveria ser nossa vida sexual (fiquei constrangido, Bella corou) e a médica disse que poderíamos fazer tudo o que não fosse desconfortável para a mamãe. Dali a umas semanas a gente ia voltar para uma nova consulta.
Parecendo três crianças traquinas, caminhando (quase quicando) pelo hospital, sorrindo e acenando para todos, cai na real que nossa empolgação era DEMAIS por uma imagenzinha tão pequena. O detalhe é que a imagem era do nosso filho! Espantado, me dei conta que dali por diante, tudo o que se referisse ao nosso bebê tomaria proporções GIGANTESCAS. Já era muito amor, muito cuidado, muita felicidade...
Até que chegamos ao estacionamento e meus músculos se retesaram de imediato. A gigantesca SUV preta estava lá, Adam Macabeus ajudava Rose a descer do veículo, nossa prima estava no final da gestação (eu acho) porque sua barriga estava enorme. Rose sorriu timidamente para nós e acenou discretamente, depois abaixou a cabeça. Não sei por que, achei que seu gesto foi sincero... Macabeus, por sua vez, fez uma cara de nojo.
Nenhum de nós três comentou a reação dele.
O assunto foi rapidamente superado quando o estômago de Bella roncou audivelmente.
- Humm... que fome... – ela murmurou.
- O bebê deve ta meio ‘revolts’, querendo rangar! – Emm falou e sorriu.
Decidimos ir almoçar no restaurante porque logo em seguida Bella queria fazer umas compras e eu e Emm tínhamos negócios a tratar com os Volturi. O lugar estava quase vazio já que ainda nem era meio dia, mas, numa das últimas mesas pudemos ver nosso primo Jazz e aquela turista... Como era mesmo o nome dela? Ah, Alice Brandon...
Fomos cumprimentar os dois e qual não foi a minha surpresa quando eles foram pegos de surpresa!
Ambos olharam para nós e rapidamente esconderam umas coisas que estavam sobre a mesa. Percebi que havia um mapa náutico na mesa e vários papéis rabiscados com anotações.
Tanto Jasper como Alice nos parabenizaram pelo bebê e timidamente nos convidaram para almoçar com eles. Mas achei que só tinham feito isso por educação. Declinamos o convite e nos despedimos deles com outro convite (feito por Bella) para que fossem jantar em nossa casa qualquer dia desses. Quando demos as costas e nos afastamos um pouco, ouvi Jazz sussurrar: ‘não devemos mais nos encontrar aqui’.
Como Bella e Emm pareciam não ter ouvido o comentário, fiquei na minha, mas fiz uma nota mental de depois perguntar a Jazz se ele e a turista estavam tendo um tipo de romance. Isso é muito típico de meu primo!
- Aaahhh que fome... – Bella suspirou e sorriu enquanto pegava o cardápio – Vou pedir uma salada verde com morangos e um guisado de carne com legumes...
Quando a comida chegou, rapidamente nos dedicamos a matar a fome e falar dos planos para aquela tarde. Meu irmão foi o primeiro a quebrar o silêncio.
- Bebê, vamos te deixar na Nolan’s e vamos nos encontrar com os Volturi. – ele sorria, mas falava com seriedade – Você, por favor, seja uma boa garota e nos espere lá depois das compras...
- Ok. – ela murmurou e se concentrou na comida.
A tarde passou rápida, os negócios com a empresa e o fim do arrendamento com os Volturi estavam oficialmente concluídos. Quando voltamos a Nolan’s, Bella já estava nos esperando, munida com quatro sacolas de compras, bebericando um chá gelado e conversando com Charlotte, a dona da loja. Já na pick-up, ela disse uma coisa que causou arrepios nos pelos de minha nuca.
- Encontrei com Rosalie na loja...
- O QUÊ? - a voz de Emm subiu umas oitavas.
- Ela importunou você? – perguntei desconfiado.
- Não, não... Ao contrário! – Bella arqueou as sobrancelhas e parecia surpresa – Ela... ela... me abraçou e... na hora fiquei um pouco assustada, mas...
Bella fez uma pausa, pareceu editar as palavras e continuou:
- E depois ela disse que desejava toda a sorte do mundo parta nós e que nosso bebê nascesse cheio de saúde. E ainda acrescentou com bastante ênfase que estava orando a Deus todos os dias para que nenhum mal nos acontecesse.
- Que coisa esquisita... – Emm murmurou.
- Esquisito mesmo! – Bella fez uma pausa – Rosalie parecia assustada, nervosa, como se soubesse que estava sendo vigiada... Ela... Ela esperou que eu saísse do provador de roupas para poder falar comigo sem que ninguém percebesse.
- Bella, - o tom de voz de Emm era autoritário – não quero você de conversinha com a Rose. Não confio nela.
Ela fechou a cara, talvez não pelas palavras, mas pelo tom de voz que ele usou. Como um pedido de socorro, ela me lançou um olhar.
- Eu concordo com ele. – falei.
- Não sou nenhuma criança. – sua resposta foi dura.
Ela ficou emburrada (com aquela boquinha gostosa projetada para frente) até chegarmos em casa.
O crepúsculo já pintava o céu com seus tons mágicos quando estacionei a pick-up ao lado do Land Rover de Bella, próximo à entrada dos fundos da casa. Faminta (novamente) Bella entrou apressada cozinha adentro, tendo Emmett grudado em seus calcanhares. Quanto a mim... parei para admirar o céu e a paisagem privilegiada de nossa prainha. O cheiro do mar era uma coisa revigorante... Eu precisava daquele perfume para colocar meus pensamentos em ordem. Minhas narinas inflaram... inspiraram... uma vez... duas vezes e...
O cheiro!
Alguma coisa estava errada.
Farejando aquele odor diferente, contornei a varanda da casa até chegar à porta principal. O cheiro ficou terrível, como se fosse um golpe no meu estômago, senti uma repulsa nauseante na mesma hora. Ali, encostada à soleira da porta havia uma caixa embrulhada com papel de presente.
- Quem diabos ia deixar...
Falei enquanto abria a caixa rapidamente e o que vi, quase me fez vomitar.
Deus do céu!
O cheiro de peixe estragado tinha me feito pensar que aquilo era obra de algum desavisado, sem noção, que achava que peixes não estragavam fácil. Mas me enganei.
O conteúdo da caixa era o corpo de uma boneca de pano com as dimensões de um bebê de verdade. Mas sobre o pescoço havia a cabeça de uma moréia (um dos peixes mais feios que já vi) desajeitadamente amarrada ao corpo.
Com as mãos trêmulas e em estado de alerta, levei a caixa comigo até a pick-up, peguei o celular e liguei para Emmett. Por sorte Bella estava entretida demais com um pote de doce e o DVD da ultrassom e não prestou atenção à nossa conversa. Apressado, contei tudo a meu irmão e disse-lhe que segurasse Bella dentro de casa. Ainda liguei para Tio Ernest, ele pediu que eu vasculhasse a caixa a procura de algum bilhete, recado ou coisa parecida.
- Não tem nada aqui dentro. Mas sei que foi o Macabeus. – rosnei ao telefone para meu tio.
- Edward, não há provas! – ele tinha a voz inflexível.
- Que se danem as provas, tio! – fui desnecessariamente grosseiro com ele – Estamos falando da segurança da minha família... é a minha mulher e o meu filho que estão tentando atingir... – minha voz parecia sufocada nessa última parte.
- EDWARD! – Jazz tomou o telefone do tio e berrou – Porra, cara, sei que não é fácil, mas tenha calma. – ele fez uma pausa, esperando mesmo que eu me acalmasse – Nós ainda não podemos fazer nada com o Macabeus, não temos provas, mas isso não quer dizer que não estejamos de olho...
- Jazz, tenho medo pela Bella e o nosso filho...
- Eu sei, eu sei... – ele parecia cansado – Edward, preciso que você e Emmett confiem em mim. Ok? Vocês não estão sozinhos nessa, mas peço que não se envolvam com o Macabeus. Se você e Emm fizerem algum movimento precipitado, ele poderá se retrair e daí nunca teremos a chance de pegá-lo.
- Jazz, você fala como se soubesse de mais alguma coisa... – falei enquanto caminhava com a caixa até o ponto mais afastado de nossa prainha e a jogava ao mar.
- Ed, por favor, confie em mim. – ele disse encerrando o assunto.
Daquele dia em diante eu e Emmett não baixamos a guarda um minuto sequer, mas para o bem de nossa Bella não contamos nada a ela. Não queríamos que a preocupação fizesse mal a ela e ao nosso bebê.


POV EMMETT

À medida que os dias passavam e a gente ia se acostumando com o bebê e Bella ia se acostumando com as mudanças de seu corpo a gente ia tentando levar uma vida normal.
Mas não era fácil.
Não era fácil saber que Adam Macabeus nutria um ódio gratuito por minha família, não era fácil saber que os Hale – Nossos parentes, puxa vida! – ambicionavam nossas terras e estavam dispostos a tudo para conquistá-la.
Às vezes eu me pegava pensando nessas coisas e me sentia tão... tão fraco, tão perdido e desesperado!
Desesperado porque havia duas grandes rachaduras na minha armadura e eu não sabia qual delas era mais visível: Bella e nosso bebê. Sim, meu coração batia por eles, minha vida estava ligada a eles...
Já estávamos nas nossas terras, na estradinha principal que dava acesso a casa, mas ainda não podíamos vê-la. Estávamos cercados pelos oito pinheiros que há anos atrás foram plantados por papai e mamãe, eles formavam nossa muralha verde. Era fim de tarde e voltávamos de uma consulta do pré-natal, agora nosso filhotinho já tinha dezesseis semanas de vida e, cá pra nós, estava a coisa mais cuti-cuti do mundo.
Nessa última utrassom, a gente pensava que ia dar pra saber o sexo do bebê, mas não teve jeito. Ele ou ela manteve as perninhas fechadas e não quis mostrar suas intimidades!
A Dra. Rachel disse que ele tava com 12 cm e pesava mais ou menos 83 gramas... Uma coisinha tão linda, mas tão linda, que dava vontade chorar! Os cabelinhos dele já tavam começando a nascer e eu imaginei se ele herdaria os cabelos cor de chocolate da mãe, ou quem sabe, seus olhos chocolates, gentis e quentes. A médica também disse que o bebê já podia ouvir, achei isso tão incrível!
Mas de repente fiquei preocupado!
O pensamento era totalmente bobo, mas fiquei imaginando o que o bebê sentiria se soubesse que o Macabeus não gostava dele. Meus músculos se retesaram e eu envolvi o volante da Lucille com tanta força que os ossos quase saltavam dos nós dos meus dedos.
- Emm, pare o carro. – Bella ordenou.
- Hãm... o que foi, bebê? – perguntei aturdido.
- EMMETT CULLEN, - ela esbravejou – por que você estava fazendo aquela cara de preocupado enquanto dirigia? Por que, diabos, você e Edward estão tão estranhos, tão tensos, tão... sei lá... escondendo alguma coisa de mim?
Ela tinha razão.
Depois daquela boneca numa cabeça de peixe, eu e Edward tivemos uma conversa séria com tio Ernest e Jasper. Mesmo meu tio sento o delegado da ilha, a gente tinha muito medo, porque, afinal de contas, ninguém conhecia o Macabeus. Ele era um forasteiro perigoso. Tio Ernest nos garantiu que a força policial da ilha (não era lá grande coisa, apenas 10 policiais) estava incumbida em manter o Macabeus e sua gente na linha. Tia Olivia vivia sempre lá em casa, cuidando de Bella na nossa ausência. Jasper prometeu cuidar dela ‘como se ela fosse minha irmã’, ele jurou.
Mas, Deus do céu! Que aperto era aquele que invadia meu peito?
- Bella...
Suspirei e a puxei para o meu colo, sentada de frente para mim, para que eu pudesse olhar em seus olhos chocolate. Devo admitir que o simples roçar de sua pélvis sobre o meu jeans fez meu pau se animar, reprimi a animação com muito custo e continuei com meu teatrinho.
- Nós não estamos escondendo nada de você. – falei num tom casual.
- Eu não nasci ontem. – ela baixou o olhar – Não me passou despercebido que vocês nunca me deixam sozinha e nem mesmo a tia! A coitada deixa de estar na casa dela, cuidando da família dela pra ser minha babá e...
- Bella. – cortei sua fala - O problema é: moramos numa parte afastada da ilha, não temos empregada. Por isso pedimos à tia Olivia para te fazer companhia quando a gente não estivesse por perto.
- Eu... sei... – ela suspirou e seu tom de voz parecia derrotado – Às vezes eu acho que se tivesse aceitado aquela proposta de emprego na creche da ilha vocês dois ficariam mais sossegados para ir trabalhar, afinal eu não seria um estorvo em casa e...
- Bella, pare com isso. – segurei seu rosto em minhas mãos com delicadeza – Você nunca será um estorvo! Eu e Edward ficamos felizes e emocionados com a sua decisão de não trabalhar fora enquanto o bebê for muito pequenino.
- Eu só tava pensando em ter um tempinho de qualidade com ele. – ela falou defensivamente.
- E nós ficamos orgulhosos pela sua coragem. – falei cheio de convicção – Nos dias de hoje não é toda mulher que tem a coragem que você tem em se distanciar do mercado de trabalho para poder se dedicar à maternidade.
 - Oh, Emm – os olhos dela estavam marejados – eu te amo tanto, meu amor!
Seus lábios se chocaram com os meus numa fúria apaixonada, nossas línguas iniciaram uma dança quente e erótica enquanto Bella rebolava sugestivamente em meu colo. Suas mãos desceram pelo meu peito, desabotoando minha camisa, eu puxei as alças de seu vestido e arranquei seu sutiã, inclinei seu corpo levemente para trás e abocanhei um mamilo, arrancando um gemidinho rouco de minha esposa. Ela também estava insana de desejo, suas mãos percorriam e arranhavam minhas costas, voltando para meu pescoço e puxando-me para si. Bella se ergueu e não deu tempo de tirar sua calcinha, tive que rasgá-la... ela foi muito rápida em abrir o zíper do meu jeans, minha ereção saltou em suas mãos.
Como se não houvesse ‘amanhã’, Bella se ergueu um pouco e depois sentou em mim, arrancando um gemido rouco meu enquanto ela ronronava alguma coisa ininteligível. Suas cavalgadas e minhas estocadas firmes era pura delícia... Ah, não tem como descrever a sensação de estar dentro dela... Tudo era tão quente e macio e apertado... Como se aquele fosse o lugar onde eu sempre devesse estar... E enquanto divagava nessas coisas, eu só queria entrar mais, explorar mais... e mais... mais quente... mais ofegante... mais tudo e mais nada ao mesmo tempo...
Em meio a tudo isso nossos lábios se encontraram num beijo fugaz, as mãos de Bella seguravam meus ombros com firmeza, minhas mãos passeavam por suas costas e alternavam em seus quadris, firmando-a, sustentando-a em cima de mim.
Bella tinha o controle de tudo, ora rebolando, ora se movendo de um lado para o outro e para cima e para baixo... Fazendo com que o meu desejo de devorá-la - comê-la, tê-la todinha e deliciosamente - apenas aumentasse. Muito mais duro, senti seu interior se contraindo até que ela me beliscou e me abocanhou de um jeito que era dolorosamente gostoso. Ela se derramou em mim na mesma hora em que meu gozo explodiu dentro dela... e ausência de pensamentos invadiu minha mente.
Puro instinto.
Ofegantes, suados e lânguidos nos entregamos àquela sensação arrebatadora e nos ‘deixamos estar’. Ela inclinou seu delicioso corpo sobre mim e ficamos paradinhos, tentando controlar a respiração, mais ainda tinha coisa que eu precisava fazer. Sei que era uma mania minha, mas ela adorava. Deitei-a delicadamente sobre o banco da Lucille e levantei seu vestido, ela riu em antecipação.
- Hoje invertemos a ordem das coisas não foi meu ursão? – ela falou zombeteira.
- Hum... hum... – falei sem olhá-la nos olhos, minha atenção voltada para seu sexo.
Ah, ele estava lindo, molhadinho ainda e com aquele cheiro delicioso de prazer... Separei suas pernas com carinho e me meti ali dentro, beijando suas carnes macias e rosadas, explorando sua fendinha, saboreando-a com a língua e com o olfato.
‘Coisa linda’... eu pensava e isso só fazia meu pau ganhar vida de novo!
Gemendo e arquejando, Bella apenas rebolava embaixo de mim, pedindo mais e mais... até que ela não agüentou e me deu seu mel, coisa que sempre aceito de bom grado. Ofegante e feliz por deixá-la feliz, me inclinei sobre ela, com cuidado para não machucá-la e pousei minha cabeça em seu ventre. Ela desceu suas mãos e começou a afagar meus cabelos com carinho. Depois de um tempo que parecia ser uma eternidade, ela soltou uma risadinha.
- O que foi? – ergui meu rosto.
Antes que ela pudesse responder, seu estômago roncou audivelmente e logo terminamos o caminho até chegar em casa.
...
- Emmett, não vamos preocupar a Bella com isso.
Edward falou pela enésima vez quando íamos para a empresa numa manhã de outono. Tia Olivia estava de folga e foi para nossa casa fazer companhia à Bella. Ainda estávamos naquele esquema de revezamento que consistia em não deixar nossa esposa sozinha.
- Eu sei que não devíamos contar a ela todos os detalhes. – assinalei – Mas... não sei... ela sabe que estamos escondendo algo.
- De uma coisa podemos ter certeza: o Macabeus não tem nos importunado.
- Por hora. – falei e me espantei com o tom sombrio em minha voz.
Já na empresa, as preocupações cederam espaço aos negócios porque estávamos com um projeto inovador e um tanto ousado para pesca local. Reunimos os pescadores no galpão principal da empresa e comecei a palestra. Confesso que estava nervoso, convencer um bando de pescadores pouco instruídos e bem mais velhos que nós não seria nada fácil.
‘Bom dia a todos’ – comecei inseguro.
‘Sempre tivemos orgulho de nossa profissão, embora nossas famílias estejam em terra firme, sabemos que o coração de um pescador bate mais forte quando ele está no mar.’
Eu andava de um lado para outro, tentando olhar nos olhos de todos eles e sentir (talvez) se estavam ou não me entendendo. Os rostos serenos de nossos empregados e o assentimento a cada palavra proferida foi um estímulo para que eu continuasse.
‘Porém, ao longo dos anos temos percebido o quanto a pesca em nosso litoral tem se tornado difícil. A degradação do meio ambiente nos mares, aliada à ganância da grande indústria pesqueira tem transformado os oceanos em desertos explorados até a completa exaustão. Nossos mares estão escassos de peixes!’
Olhei mais uma vez para os rostos deles.
‘E quando falo de problemas ambientais, não pensem que isso é coisa que só vai acontecer daqui a 50 ou 100 anos. Acredito que todos vocês já perceberam que a cada ano as toneladas de pescado estão diminuindo.’
Todos assentiram.
- E o que devemos fazer, Emmett? – a voz ruidosa veio de lá de trás.
- Ótima pergunta, Old Bill. – respondi ao velho pescador – Vamos renovar o nosso negócio. Queremos...
- Menino, Emmett, - a voz rouca de Samuel-barba-branca ecoou – eu sou um velho do mar e já vivi muitas coisas. – os outros pescadores davam espaço ao Samuel enquanto ele avançava para chegar mais perto – Praticamente nasci num barco, me criei nele e graças à pesca sustentei meus 5 filhos... Já tenho quase 70 anos... não sei se consigo fazer parte dessa história de renovação aí de vocês...
- Samuel, - Ed usou sua melhor voz, enquanto caminhou até o velho e envolveu seus ombros caídos – você é uma pessoa muito sensata, cresci vendo meu pai escutando seus conselhos. Mas me diga uma coisa, como andam os negócios nos mares daqui?
- Ah, mal, muito mal. – ele alisava a enorme barba branca enquanto se lamentava – Nossas redes não voltam tão cheias quanto antigamente.
- É VERDADE! – Tom Smith, um pescador muito habilidoso concordou – Nunca esperei ficar rico da pesca, mas a cada dia ta mais difícil sobreviver com o que o mar nos dá.
- Então vocês devem concordar conosco que alguma coisa deve ser feita! – exclamei.
- Não podemos ficar de braços cruzados enquanto vemos nossa profissão se acabar. – Edward me ajudava – Queremos que vocês escutem com atenção o que temos para lhes propor.
E ai o meu irmão usou uma eloqüência que eu nem sabia que ele tinha!
Com clareza e objetividade, Edward apresentou aos pescadores o nosso projeto de fazer uma cooperativa de pescadores, onde TODOS seriam donos do negócio e TODOS seriam responsáveis pela sustentabilidade ambiental dos nossos mares.
- Mas Edward e o que vamos fazer quando não for o tempo da pesca? – Tom inquiriu – Seu pai e os Volturi pagavam um salário base no período de pesca proibida.  Se entrarmos nessa cooperativa, vamos dividir com vocês não apenas os lucros, mas também os prejuízos!
- É!
- É ISSO MESMO!
Muitos deles se exaltaram e falaram de uma vez.
- Exatamente! – Edward respondeu e eles olharam com incredulidade para meu irmão – Mas nós pretendemos mudar nosso negócio e não pretendemos demitir nenhum de vocês!
- Não estou entendendo bulhufas... – Corey Marshall resmungou – Uma hora vamos fazer parte de uma cooperativa, outra hora vamos continuar sendo empregados de vocês...
- Vejam bem, caros senhores, - Ed continuou – a empresa de pescados Cullen vai se transformar numa aquicultura. Ou seja, nós vamos produzir os peixes, os camarões e as lagostas em cativeiro, em fazendas marinhas. Vamos trabalhar com inseminação artificial de peixes e explorar a produção dos crustáceos 12 meses por ano. Nossa empresa vai buscar a produção lucrativa, a preservação do meio ambiente e a exploração sustentável das espécies.
- Isso tudo parece complicado... – Samuel esfregou a barba branca enquanto pensava alto.
- Mas nós vamos dar treinamento adequado a todos! – assegurei rapidamente – Ora, rapazes, vamos lá! Não estamos falando grego! As fazendas serão dentro do mar... Vocês vão usar a experiência que tem e nós vamos lhes ensinar o que for necessário.
- Precisamos uns dos outros. – Edward ajudou – Enquanto for tempo de pesca, nos lançaremos em mar aberto e pescaremos conforme a lei. Dividiremos os lucros desse tipo de pescado porque estaremos juntos na cooperativa. E durante todo o ano vocês serão nossos colaboradores nas fazendas marinhas e receberão um salário justo de acordo com as atividades que desempenharem.
- E quanto aos barcos? Não temos barcos! Todos os barcos são de vocês. – Tom Smith falou e não pude perceber um tom de descrença em sua voz.
- Nossa frota é nova. E sabemos quanto custa, a preço de hoje, cada barco. – lembrei – Vocês poderão comprar seus barcos, se assim desejarem. Parcelaremos em até 12 meses a venda e até lá, nós ficaremos responsáveis pelos impostos e taxas de licenciamento das embarcações.
À medida que avançávamos na conversa, os pescadores foram se empolgando e nós ganhamos a confiança de todos. Nosso plano era muito bom e com a ajuda de Deus daria certo. Terminamos a reunião com um sorriso bobo no rosto, eu só me lembrava de papai.
- Sabe, Ed – murmurei enquanto entrávamos na pick-up – Acho que hoje seria um dia muito feliz para Carlisle.
- Sim! – meu irmão sorriu – Papai sempre quis que esses pescadores se sentissem mais dignos, mais valorizados.
- Ele mesmo tendo começado do nada, sempre deu valor a todas as pessoas. Papai estaria mesmo muito orgulhoso de nós.
Suscitar a memória de nosso pai fez com que cada um de nós ficasse envolto nos próprios pensamentos. Eu tratei de imaginar que papai ficaria bobo com a notícia de ganhar um neto e claro, ele adoraria nossa esposa. Rapidamente chegamos em casa e meu coração perdeu uma batida quando vi os carros de tio Ernest e de Jasper estacionados.
Será que tinha acontecido alguma coisa!?


POV BELLA

Tia Olivia estava se esforçando mesmo, mas nem ela conseguia disfarçar o desconforto.
- Oh, querida você está caprichando mesmo! – ela me incentivava enquanto me ensinava a tricotar.
- Hum... tia, – suspirei alto – não sei não... Enquanto os sapatinhos que você ta fazendo estão super fofos, os meus parecem uma bola esquisita de lã...
- Oh, querida! – ela gargalhou – Daqui a pouquinho você pega a prática!
Um minutinho de silencio e outro suspiro meu! Tia Olivia levantou o olhar rapidamente e depois seus lábios se curvaram um pouquinho para baixo. Talvez eu tivesse ferindo seus sentimentos.
‘Droga’, praguejei em pensamento. A tia não tinha culpa de meus maridos estarem loucamente protetores e de eu estar sendo prisioneira em minha própria casa. O fato de morar numa das extremidades da ilha, o fato de não termos empregada, o fato de meus maridos estarem muito envolvidos com a empresa e a nova cooperativa, o fato de eu ter escolhido não trabalhar por causa do bebê... o fato de eu querer fazer xixi quase sempre e ter um apetite de mamute... Puxa vida! Eram muitos fatos... E nada era culpa da tia!
Balancei a cabeça para ordenar as ideias e tentar arrumar alguma mais útil para fazer.
Tricô? Não!
Eu tava odiando essa porra com as agulhas maiores que meus braços!
- Ô tia, - falei com jeitinho – eu realmente não estou gostando do tricô. Por que nós duas não vamos para a cozinha, aprontar o jantar, conversar e dar boas risadas?
- Oh, excelente! Excelente ideia!
Ela sorriu com alívio, talvez porque considerasse que seu sobrinho-neto merecia melhores sapatinhos que aqueles que eu estava fazendo. Nós ainda não sabíamos o sexo do bebê, então eu o considerava um menino.
- Deixa eu ver uma coisinha... – abri a geladeira – Tia por que não fazemos comida mexicana hoje?
- Comida mexicana, meu bem? – ela falava sem me olhar, enquanto pegava alguma coisa na dispensa – Nunca comi comida mexicana!
- Ah, então hoje a cozinha é por minha conta! – me virei e sorri, só a idéia de cozinha já me deixava feliz – Vou fazer enchilhadas de frango.
- Enchilhadas? – ela falou e seu olhar perdeu o foco, talvez porque ela estivesse imaginando o que seria aquele prato.
- Ah, é só uma coisinha que aprendi com a minha avó Marie.
Não quis me gabar, dizendo que as minhas enchilhadas eram deliciosas, a tia assentiu minimamente e se sentou numa cadeira enquanto me via dominar a cozinha. Ainda bem que havia escolhido fazer aquele prato trabalhoso, isso manteria minha mente ocupada enquanto eu conversava futilidades com a tia e tentava me livrar daquela sensação de desconfiança.
Enquanto eu cortava pedaços de frango e os colocava numa panela para ferver, o telefone tocou e a tia foi logo atender. Liguei o pequeno rádio que ficava na bancada da cozinha, mas o deixei num volume baixo. Eu queria saber quem estava ligando e quando percebi, fiz uma careta em desaprovação. Era Jasper.
Meu ‘primo’ Jasper ligava TODA TARDE para saber como eu estava, se tinha comido, se tinha bebido água, se tinha regado as plantas... Isso para não dizer que ele ou o tio Ernest sempre passavam por aqui no começo da manhã. Eu até poderia achar que eles vinham NOS visitar. Que nada! Me cumprimentavam rapidamente e marchavam com meus maridos para a prainha, tinham bons dez minutinhos de conversa e depois iam embora. Aquilo me dava nos nervos!
No rádio começou a tocar uma canção suave, era quase como uma  cantiga de ninar... tentei relaxar ao som da música, ao mesmo tempo em que me concentrava em cortar uma cebola em cubinhos. Uma canção de ninar, sorri comigo mesma. Sim, às vezes eu me sentia como se fosse um bebê, já que todos se empenhavam em cuidar de mim. Meu sorriso era meio amargo.
Eles, os Mansen, são nossa família e são adoráveis, todos eles... Eu já amava a todos, não amava? Então por que eu ficava tão irritada com o excesso de atenção deles?
‘Ora, Isabella, você é mesmo uma menininha muito petulante’... a voz estridente da minha madrasta Sue ecoou das minhas remotas lembranças. Corei de vergonha. Logo eu, que há anos atrás achava que era sozinha no mundo, filha de pais divorciados e viciados, órfã de amor e atenção... Eu deveria mesmo corar por ter um pensamento tão ingrato.
- TIA! – falei alto o suficiente para que ela me ouvisse - Por favor, convide o tio e o Jazz para vir comer comida mexicana com a gente. – ela sorriu e assentiu para mim – AH, PEÇA PARA O JAZZ TRAZER A SRTA. BRANDON TAMBÉM!
Dessa vez, aumentei o volume da voz para que meu primo pudesse me ouvir! Meu primo... as duas palavras combinavam comigo! EU que sempre tive uma família escassa, agora não poderia reclamar. Eu não tinha esse direito. Não mesmo!
Toda a minha família só estava preocupada com o meu bem estar e com o bem estar do bebê. Instintivamente levei uma das mãos à barriga e acariciei o ventre volumoso.
Agora, com vinte semanas de gestação, meu bebezinho teimoso insistia em não abrir as perninhas na hora da ultrassom! Já era a segunda vez que ele nos trollava desse jeito! E enquanto eu sonhava com um lindo menininho parecido com os pais, Edward sonhava com uma menina e Emmett se mantinha firme na neutralidade.
Esbocei um sorriso enquanto cortava as pimentas vermelhas em tirinhas finas... meus olhos lacrimejaram e eu sabia que aquilo não era somente por causa das pimentas.
Só de pensar no meu filhotinho eu ficava assim...
Mas como não ficar? Nessa ultima ultrassom ele estava tão lindo! Grande e forte como os papais, medindo 17cm e pesando 290gr. ‘Um bebezão’, a médica dizia!
E todas as noites, Emmett e Edward se revezavam em ler poesias infantis para o nosso bebê. Esse era o momento sublime de nosso dia! Na cama, antes de dormir, eu ficava toda boba, aninhada em um marido e ouvindo a doce voz do outro... Geralmente eu ganhava também uma relaxante massagem nas pernas e nos pés e quando o sono não me derrubava, amava meus maridos. Cá pra nós, gravidez dá um tesão danado! Triste de mim se eu não tivesse uma Anaconda bem grande e um Theo muito vigoroso para me fartar...
- Pronto!
A tia entrou na cozinha e me surpreendeu pensando em pervisse, dei um pulinho de susto, corei e ela riu baixinho.
- Te assustei? Desculpe minha querida... Ah, eles ligaram para dizer que a bebê da Rosalie nasceu! – ergui as sobrancelhas com a linda surpresa – Mamãe e bebê passam bem!
- Que bom, graças a Deus! – eu não mais motivos para odiar a Rosalie, eu podia até não amá-la, mas jamais odiar.
– Aaahhh, finalmente vou poder conhecer melhor a Srta. Brandon! – tia Olivia girou pela cozinha - Você já viu como ela é bonita? Minha futura nora... Tenho certeza que os filhos deles dois serão lindos demais...
Comecei a rir enquanto via a tia sonhar acordada, depois engatamos uma conversa animada sobre o enxoval do bebê, cores de papel de parede e boas marcas de fraldas descartáveis e quando dei por mim, mais um dia em nossa linda Paradise tinha se passado.
Enfim, o longo processo de fazer as enchilhadas terminou e a tia assumiu o meu lugar na cozinha para preparar uma saladinha verde. Marchei para o banho, lavei meticulosamente os meus cabelos, massageei minha barriga com carinho e fiz aquilo que eu mais gostava de fazer quando não tinha ninguém me olhando.
- Oi, meu bebezinho... – arrulhei – Hoje a mamãe fez comida mexicana, mas não se preocupe, não exagerei na pimenta, você vai gostar. – sorri – Ah, hoje também é um dia muito especial para a nossa família! Papai Edward e papai Emmett foram conversar com os pescadores... Eles estavam nervosos, sabia? Mas tenho certeza que deu tudo certo! Você tem dois pais muito maravilhosos, sabia bebezinho? Em todo o mundo, você jamais poderia ter melhores papais do que eles. Os papais te amam, bebê... a mamãe te ama também...
Mal terminei de vestir um vestidinho solto e colocar um bolerinho de veludo por cima do corpo, vi o tio Ernest estacionar o carro na frente da nossa casa. E nem bem se passaram dois minutos, o carro de Jasper apareceu na estradinha principal. Desci as escadas sorridente, eu queria fazer dessa noite um jantar em família feliz e agradável.
Tia Olivia já estava na varanda quando eu cheguei para receber os convidados, eu mordi e lábio inferior e estreitei o olhar. Puxa vida! Alice Brandon era mesmo uma mulher linda, graciosa até... Por um momento me senti mal pelas vezes que a destratei... ‘Preciso me redimir’ murmurei em pensamentos!
Assim que nos cumprimentamos, entramos e tentei ser uma boa anfitriã para a turista.
- Seja bem vinda, Srta. Brandon! – sorri e lhe estendi a mão.
- Ah, apenas Alice, Sra. Cullen! – gostei do seu aperto de mão, em seguida, ela afagou minha barriga.
- Apenas Isabella... ou Bella... – sorri timidamente.
Esse deveria ser o momento de nossa apresentação! Porque eu passei a ter alguma afeição por ela naquele momento.
- Sua sala é muito linda, Bella. – ela olhou ao redor – E a vista para a prainha, mesmo à noite, é de tirar o fôlego.
- Obrigada!
Ouvi o barulho reconfortante da Lucille e pedi licença a todos, segui para a varanda com um sorriso bobo na cara... meus amores estavam chegando!
Sinceramente, eu duvidava que algum dia fosse superar aquilo! Toda vez que meus olhos batiam em Edward, meu coração perdia uma batida e quando eu avistava Emmett, as batidas recomeçavam como o ribombar de um tambor de guerra. O sangue latejava por todos os lados do meu corpo, me deixando em alerta e altamente consciente da presença dos meus amores. Mesmo sem o contato físico, meu corpo zunia numa eletricidade estranha, uma força que me arrastava e me impelia para meus homens.
Sim, eu era uma esposa apaixonada!
Alguma coisa maculava o rosto dos meus maridos, deixando-os preocupados, mas bastaram cinco segundos para que meu sorriso (eu acho) desmanchasse aquela aflição.
- Bella... – os dois disseram em coro e me abraçaram.
Inspirei profundamente, tentando captar o perfume de cada um. Ambos tinham o cheiro salgado do mar, mas cada marido tinha suas particularidades. Edward me lembrava o perfume de uma manhã de primavera... mel e flores de laranjeiras... Emmett tinha um cheiro mais tranqüilo, parecia como o cheiro de amêndoas e das folhas marrons de outono...
- Ah, que saudade! – sussurrei enquanto os puxava firmemente para mim.
Nosso momento fofinho foi interrompido pelo pigarrear alto do Jasper, sim, ele nos espionava sem o menor escrúpulo!
- Dá pra vocês se pegarem mais tarde? – ele chegou junto e socou os primos – To tentando fazer bonito com a Alice esta noite e preciso que o jantar seja servido logo. – ele falou zombeteiro.
- Mas olha! – Ed disparou.
- Quanta presunção, seu mané! – Emm zoou – Você já imaginou se ela só veio pela comida!?
Jasper fez uma careta e todos sorrimos, entramos e assim que meus maridos captaram o cheiro do jantar, sorriram para mim.
- Enchilhadas, amor? – Ed me abraçou por trás enquanto andávamos.
- Hum... adoro! – Emm parecia entusiasmado.
Todos na mesa... não pude deixar de perceber a cara de desconfiada que a tia fazia para as minhas enchilhadas. Reprimi o riso a muito custo! O nariz dela quase se contorceu para o cheiro dos pimentões! Ah, mas quando todos provaram, foi um tal de ‘hum, que delícia’ ou ‘puxa vida, vou repetir’... Quase fiquei vaidosa!
A conversa rolou até bem tarde da noite e quando dei por mim, estava fazendo um pequeno tour pela casa, de ‘braço dado’ com Alice!
- E aqui, - falei orgulhosa, enquanto entrávamos num cômodo vazio – vai ser o quarto do bebê!
- Realmente, sua casa é muito linda! – ela sorria e parecia emocionada, quase como se reprimisse o choro – E parece que todos esses móveis possuem a identidade de vocês... É como... é como se todos vocês estivessem predestinados a essa mobília, essa casa... essa ilha...
Eu não conseguia entender aquela reação e fiquei meio constrangida, o minutinho se silencio foi esquisito, depois ela pareceu se recompor.
- Oh, me desculpe! – suas mãos estavam erguidas – Você deve me achar uma louca! Mas é que tenho vivido viajando para toda a parte pelos últimos cinco anos, sempre sem me prender a lugar algum. E encontrar pessoas como vocês e os Mansen, gente que realmente ama o pedacinho de chão onde moram... Isso me deixou meio... emocionada demais.
- Tudo bem! – sorri, incapaz de continuar imune ao jeitinho dela.
...
Os dias passavam com as marés, sempre constantes, mas ao mesmo tempo diferentes e gostosos.
No Dia de Ação de Graças tivemos uma linda celebração na casa dos Mansen e confesso que fiquei muito feliz por Alice e Jasper estavam juntos. Bem, não se podia dizer que eles estavam namorando, mas pareciam muito conectados. Nosso primo estava feliz... na verdade, ele estava diferente. E eu nem preciso dizer que tia Olivia estava radiante.
- É o poder do amor! Veja, minha filha. – ela dizia para mim enquanto observava as mudanças no filho – Ele está tão calminho e responsável...
O Natal coincidiu com as minhas vinte e oito semanas de gestação e tivemos uma linda ceia em nossa casa com a presença dos Mansen e de Alice. Na empresa, eu ajudei meus maridos a fazer um café-da-manhã com os pescadores e suas famílias. Foi um momento gostoso! Confraternizar com eles me fazia sentir parte da empresa também! E confesso que foi muito bom conhecer melhor as esposas e as crianças da grande família.
Naqueles dias mágicos de dezembro eu me sentia linda, a barriga estava redondinha, minha pele estava ótima, sem manchas ou acne – coisas que aparecem em algumas gestantes. Agora, meu pré-natal acontecia duas vezes por mês. Não que houvesse algo de errado comigo ou com o bebê, mas eu já estava entrando no último trimestre da gestação e o acompanhamento era necessário.
O parto seria normal. Eu tinha escolhido assim e pedia a Deus que desse tudo certo! O enxoval, todo colorido, já estava praticamente pronto e já havia um estoque de fraldas descartáveis num dos armários do corredor onde eu estava naquela tarde, arrumando os pacotes em pilhas sobrepostas.
Sentada no chão, com as pernas cruzadas feito índio e tentando me manter ocupada, não percebi que estava naquela posição por não sei quanto tempo. De imediato, não dei atenção ao formigamento nas minhas pernas, até que tentei me levantar do chão sozinha. Não consegui. Edward estava no quintal, lavando meu carro, Emm tinha ido à cidade... Não tinha ninguém num raio de 30 metros que pudesse me acudir! Com dificuldade, me estiquei, peguei o celular que estava no chão e o movimento me fez sentir uma câimbra muito forte na panturrilha esquerda. Gemi de dor. Disquei o número e ele atendeu no primeiro toque.
- BELLA?
- Ed? – arquejei – Amor... vem aqui em cima...
- To indo! – ele falou apressado.
Cerca de dois minutos depois, um marido sem fôlego adentrou no corredor, os olhos esbugalhados e a testada vincada de preocupação. Estiquei as mãos para ele como se fosse um bebê chorão e com cuidado, ele levantou a ‘mamãe-elefante’, me fazendo esticar as pernas e me levando para o quarto logo em seguida. Desabei na cama como uma melancia cansada! Edward começou a massagear minhas pernas e pés, espalhando óleo de amêndoas e me fazendo um carinho gostoso...
Quando dei por mim, estávamos nus na cama, ele me beijando de um jeito que deveria ser considerado crime, sua língua fazendo um estrago em minha boca e no meu autocontrole... Marido gostoso, G-zuis! Edward estava impiedoso comigo, seus lábios varreram meu corpo, me deixando ardendo de desejo... meu pescoço e colo, meus seios... aaahhh... os mamilos rijos... minha respiração entrecortada... os pensamentos embaralhados quando seus lábios chegaram ao meu sexo... Fui no céu e voltei!
A mente vazia e ao mesmo tempo cheia... meu sexo ainda latejando enquanto ele sugava o gozo. Eu arquejava, o ar chegava com dificuldade em meus pulmões e tudo o que eu conseguia dizer era ‘ooohhh... Ed’
Ele deitou ao meu lado e me abraçou com carinho, uma de suas mãos me fazia um cafuné gostoso, comecei a acariciar suas costas.
- Te amo! – falamos ao mesmo tempo e sorrimos.
Ele inspirou profundamente contra os meus cabelos.
- Ah, Bella... sou tão feliz, meu amor!
Sorri baixinho, uma de minhas mãos afagava seu cabelo bronzeado e macio.
- Você, nosso bebê, Emm, nossa ilha... - ele continuou enquanto afagava meu ventre – Querida, eu me considero um cara de sorte.
- OMG... – ronronei – Edward, eu te amo tanto!
Abracei meu marido com fúria e desejo, passei uma de minhas pernas sobre seu corpo e o beijei. O amor quente e insano misturou nossos corpos, nos unindo intimamente. Preenchida por ele, eu ficava literalmente alucinada e entregue aos meus instintos mais primitivos. Eu cavalgava... e gemia... e sorria... Grunhidos roucos e abafados enchiam o quarto, até que nós dois chegamos ao limite. Os gozos se misturaram e eu cai molenga sobre o corpo de meu amante-amado, trocamos duas ou três palavras de carinho. Até eu cair novamente... nas profundezas de um sono sem sonhos.
...
Edward e Emmett não queriam me deixar sozinha em casa, mas a tia ligou e disse que não estava se sentindo bem e que não poderia vir passar o dia comigo.
‘Oba! Sem babá’, pensei.
- Meninos, por favor! – abri a porta, praticamente os expulsando de casa – Vocês precisam trabalhar!
Os dois fizeram biquinho.
- Ora, vamos! Não vou parir hoje... – acariciei a barriga – Trinta e duas semanas não são tempo suficiente e este Cullenzinho aqui é um garoto esperto, virá na hora certa...
- Ou, garota esperta! – Ed me corrigiu.
A contra gosto os dois se despediram de mim naquela manhã gelada e janeiro, depois de trocentos beijinhos e abraços. Quando fechei a porta (tendo o cuidado de passar todas as trancas possíveis) me dei conta de TRINTA E DUAS SEMANAS!
- Puta que pariu! – murmurei – OMG... Ah, bebê, desculpe o palavrão... Mas que droga! A mamãe aqui tem negligenciado a decoração do seu quartinho só porque não sabemos se você é menino ou menina...
Sentei no sofá meio atordoada, depois me deitei e fiquei olhando para o teto.
Rosa... azul?
Eu amo azul!
E se íamos mesmo ter um menino... meu coração dizia que sim... por que não fazer TUDO AZUL!?
Porque Edward já me fez prometer que eu não faria um quarto todo azul! E Emmtt me jurar que se fosse mesmo uma menina, ela não se vestiria como uma bonequinha 100% rosa!
Ah, esses maridos me faziam prometer cada coisa!
De repente houve um ‘click’ na minha mente. Um quarto com decoração azul, mas sem ser todo azul. Se, talvez eu colocasse outras cores fofas, o azul poderia passar sem ser tão ostensivo. Sorri, gostei daquilo!
Decidida a fazer meus neurônios funcionarem, marchei para a cozinha e bebi um copo de leite, porque até pensar me dava fome. Sentei numa cadeira e olhei ao meu redor... buscando inspiração... foi quando fui capturada pela paisagem através da janela: nossa prainha e o mar. Na porta da geladeira havia um foto que eu tinha tirado de Emm e Ed no Cullen’s, o barco da família, a fundo, paisagem da baia de Saint Claire... Paradise... Respirei fundo e me dei conta que queria que o quartinho de nosso filho fosse decorado com coisas nossas, para que ele amasse aquela ilha tanto quanto seus pais.
 - O SÓTÃO! – dei um pulo da cadeira e andei a passos largos.
Se tinha um lugar cheio de coisas antigas, coisas que pertenciam a Edward e Emmett, esse lugar era o sótão. Subi as escadas com cuidado, e me deparei com um monte de coisas espalhadas de qualquer jeito. Embora o ambiente estivesse limpo e arejado, era possível avistar uma velha bola de vôlei ao lado de um castiçal de cerâmica!
Andei de um lado para o outro e vi umas coisas interessantes: um armário pequeno com portas de madeira entalhada e pintado de um branco desbotado, um espelho com uma linda moldura de madeira (uma nova pintura daria um jeito), dois pequenos remos de madeira... Analisando ainda outros objetos, fui fazendo uma lista mental de tudo o que me poderia ser útil. Até que deparei com um quadrinho muito simplório, nele estava escrita uma frase que poderia ser um ditado popular qualquer.
Se você não está descalço, então está agasalhado.

Li a frase novamente, li de novo... entortei a cabeça para um lado, para o outro lado...
É ISSO! – gritei em pensamento.
- Ah, meu filho... – arrulhei – Agora eu já sei! A decoração de seu quarto vai se inspirar em sua linhagem Cullen... Felicidade, simplicidade, Paradise...
Eufórica, achei um enorme cesto de vime e nele coloquei todos os pequenos objetos que eu pude carregar. Com a cabeça fervilhando de ideias, desci do sótão e liguei o computador, comecei a caçar cores de papel de parede, ao mesmo tempo em que telefonava para Percy (marceneiro da ilha) e lhe perguntava em quanto tempo ele poderia reformar um uns móveis antigos para mim.
- Sra. Cullen, posso passar ai depois do almoço? Só assim poderei ver exatamente do que se trata.
- CLARO QUE SIM! – exclamei animada.
Com a adrenalina jorrando em meu sistema, me convenci que faria uma surpresa aos meus amores, o quartinho de nossa cria seria como uma viagem no tempo para eles... Na minha mente, tons pastéis se misturavam ao azul do céu num quartinho fofo e aconchegante... Quando Emm e Ed vieram para o almoço, perceberam em meu rosto algo diferente.
- Amor você está tão corada... – Ed falou enquanto degustava o picadinho de carne.
- Ah, deve ser por conta do frio...
E estava mesmo frio! Aquele inverno gelado nos mares do Maine eram de matar.
- Cuidado com as correntes de ar, bebê. Não queremos que você fique gripada. – meu outro marido não cansava de ser fofo.
Sozinha novamente, arrumei a cozinha e voltei frenética para o quarto do bebê, olhando novamente aqueles objetos, frutos do meu pequeno saque. Havia uma estrela do mar de verdade, outra de cerâmica e uma variedade de conchas de cores e formatos mágicos. Sorri e me encantei com a miniatura de um farol, uma cadeirinha de praia de brinquedo... uma caixinha de madeira enfeitada com uma estrela do mar...
- Há muitas estrelas! – murmurei para o bebê – Nada mais justo já que você será meu pequeno sol.
Percy Ulster era mesmo um marceneiro muito prestativo, despois de ir sozinho ao sótão e descer, um por um, os móveis que eu havia pedido, ainda me deu várias ideias de como restaurá-los e me prometeu trazer tudo em duas semanas.
- Vejá lá, Percy, minha gravidez já está muito adiantada, por favor, não demore!
...
- AH, BELLA! – Edward choramingava enquanto eu vendava seus olhos com um lenço escuro.
- HAHAHA... SE FUD... – Emm começou a zuar do irmão, mas parou no meio da palavra quando viu outro lenço destinado a ele – Bella, o que é isso?
Eu reprimia o riso enquanto via meus maridos fazerem biquinho e reclamarem com duas crianças birrentas. Peguei nas mãos deles e comecei a guiá-los até o quartinho de nosso bebê. Tudo tinha ficado tão lindo!
Paercy havia cumprido o prazo de duas semanas e com mais duas semanas, eu e tia Olivia havíamos feito toda a decoração. Confesso que estava orgulhosa de nosso trabalho, mas ansiosa para receber o veredicto de meus maridos. Abri a porta e os empurrei para dentro.
- Pronto, podem olhar... – falei insegura e mordi o lábio – Sejam bem-vindos ao quarto de nosso bebê!
Edward e Emmett puxaram as vendas e olharam ao redor, olharam de novo e falaram em coro.
- BELLA?!
OMG... Os meus maridos pareciam gostar de tudo! Eles me puxaram para um abraço triplo muito gostoso. Inspirei os perfumes de meus homens e sorri de felicidade... o cheiro da primavera, o cheiro do outono... naquela manhã de inverno, saudando o quartinho de nosso bebê, nosso solzinho particular.
- Ah, que bom que vocês gostaram! – falei emocionada, sentindo um bolo na garganta, lágrimas teimosas escapavam de meus olhos.
- Como podíamos não gostar? – Emm sorria – AH, veja Edward! Nossos antigos remos!
Ed varreu o quarto e sorriu ainda mais bobo. Os olhos de Emm acompanharam os do irmão e um minutinho de silencio se passou. Acompanhei seus olhares, sem entender direito porque se fixaram naquela parede.
- Emm... – Ed apontou - O quadro que ficava no quarto de papai quando ele era criança...
- ‘Se você não está descalço, então está agasalhado’... – Emm falou solenemente.
Percebi que meus maridos ficaram nostálgicos de repente e me praguejei em pensamento por trazer-lhes antigas recordações.
- AH! O quadro que mamãe pintou quando era criança...
Emm recompôs a voz enquanto apontava para um minúsculo quadro disposto ao lado de um farol de cerâmica, do lado esquerdo da parede. A pintura era bastante infantil mesmo, apenas um barco à vela, uma estrela do mar e o nome ‘Paradise’.
Edward estava tão absorto nos próprios pensamentos que não conseguiu falar nada, sua boca se abriu, mas ele estava mudo.
- Meninos... – guinchei – Eu, eu, só queria fazer uma surpresa e se vocês não...
- Amor? – Ed selou meus lábios com um dedo – Como não gostar? – ele sorriu meu sorriso torto favorito e beijou minha testa – Você trouxe para o quartinho de nosso bebê as melhores recordações de nossa infância.
- O quadro que mamãe pintou, o quadro de papai... nossos remos – Emm enumerava o que via – Meu Deus! O espelho de mamãe...
- O espelho de sol! – Ed se derreteu quando viu o espelho perto do bercinho.
Gastamos o que me pareceu uma eternidade, meus maridos vasculhando cada pedacinho, cada detalhe do quarto e eu me fartando de felicidade e amor.
‘A vida é mesmo uma delícia! Não é meu bebê?’ – acariciei meu ventre e sorri.
...
Era março. E Paradise se despedia do inverno, bom, mais ou menos!
Nunca vou esquecer a madrugada de 4 de março por vários motivos, ela começou quentinha na cama comigo rodeada por meus maridos lindos e carinhosos e ganhando um chutinho de nosso bebê, ainda sem nome. Mas a temperatura ainda ia esfriar, bastante, afinal,a quele era o inverno no Maine.
- Trinta e oito semanas... Parabéns meu amorzinho. – Emm sussurrou e beijou minha barrigona.
- Ei princesa, bom dia meu amorzinho. – Ed ronronou.
- Hum... pode ser um príncipe, não se esqueça! – sorri.
- Só sei que ele ou ela continua sem nome... – Emm fez uma careta.
- Não mesmo! – guinchei – Lembram que nós três concordamos com ‘Ethan’?
- Ah, foi mesmo! Ethan é um lindo nome. – Emm falou orgulhoso.
- Mas é uma menina, sei disso!
Pois é... Eu não sabia onde Edward arrumava tanta convicção!
- Bom, eu... – mordi o lábio e corei, aquela idéia que tive era apenas uma coisa boba.
- O QUÊ? – os dois disseram em coro.
- Nada. – selei os lábios.
- Quem nada é peixe! – Emm zuou.
- Bella? Vamos lá, amor, eu não sei ler mentes! O que foi? – Ed me pressionou.
- Bem, eu... tava um dia desses brincando com os nomes de nossas mães e pensei em... Renesmee...
- RENESMEE!? – os dois disseram em coro e eu me encolhi na cama.
- OH! – Ed afagou minha barriga – Renesmee... oi minha princesinha...
- Renesmee... – Emm sussurrou e sorriu seu sorriso de covinhas.
Após o café da manhã, meus maridos foram trabalhar MUITO, MUITO CEDO mas foram com a promessa de trazer um lindo peixe para o jantar. Sim, naquele dia eles iriam para mar aberto com os pescadores. Era uma espécie de inauguração de novas redes de pescas, redes com certificado de preservação ambiental e também um dia de treinamento para os pescadores. Pelo pouco que eu entendi, o equipamento era diferente. O dia seria longo sem meus amores!
Mas tia Olivia chegou disposta para ficar comigo o dia inteiro e me fazer não morrer de saudades dos meus amores. Enquanto nós duas cozinhávamos o almoço e pintávamos mil cenários para o possível romance Jasper&Alice, de repente me senti muito mais cansada que nos outros dias.
Trinta e oito semanas não são pouca coisa!
O bebê já estava formado, muito lindo, pesando quase três quilos e medindo mais ou menos 45cm, então a qualquer momento eu poderia entrar em trabalho de parto.
- Bella? – tia Olivia pareceu se alarmar ao me ver segurando na bancada da pia da cozinha.
- Ah... – respirei com força – Foi só uma dor...
Ela me ajudou a ir para o sofá e depois me serviu um copo com água.
- São as contrações, eu acho... – ela sorriu – Seu útero deve estar se preparando. Dói muito?
- Sim... é meio que desconfortável e começa nas costas...
A tia se inclinou e beijou minha testa. Bocejei alto e ela sorriu novamente.
- Que tal um cochilo, minha querida?
E mal a tia tinha terminado a frase, minhas pálpebras foram se fechando... Eu queria sonhar, sonhar com o meu bebezinho.
...
Um chorinho baixo ecoou pela sala e eu sabia que não estava sonhando porque aquele não era o choro lindo do bebê nos meus sonhos se sempre. Demorei a me orientar e quando abri os olhos fiquei paralisada, eu nem conseguia respirar.
Três pares de olhos me fitavam. Olhos pálidos, cheios de um magnetismo cruel e diabólico. Arrepios varreram meu corpo e como que por instinto, a criança em meu ventre me chutou.
- Acordou vagabunda? – um deles, o mais alto, loiro e magro e também o mais jovem, me encarava com curiosidade.
Sufoquei o grito que estava na minha garganta quando percebi que naquele olhar havia também uma coisa parecida com... luxúria!? ‘Deus do céu’ meu clamor em pensamento foi interrompido pelo choramingo da tia.
- Por favor, por favor não...
Quando meus olhos vagaram para ela, vi que ela estava amarrada numa poltrona, seu rosto estava meio desconfigurado – como se ela tivesse levado umas tapas - e havia um profundo corte em seu braço. Aquela cena fez a adrenalina explodir em meu sistema.
- TIA! – guinchei.
- Calma... calma... – o homem gordo e careca falou, este parecia mais velho que os outros - Não precisa gritar benzinho.
- Meu Deus, tia... – me forcei a sentar no sofá.
O terceiro homem, este era moreno, de cabelos escuros e de estatura média, com feições latinas, tentou me ajudar a sentar. Assustada, me encolhi com o seu toque.
- Hahaha... parece uma coelhinha assustada... - o loiro alto falou.
- Calem a boca. E vamos logo com isso...
- NÃO! NÃO! POR FAVOR VÃO EMBORA, ROUBEM TUDO, LEVEM TUDO, MAS DEIXEM MINHA SOBRINHA EM PAZ! - a tia entrou em pânico e começou a gritar.
O gordo careca sacou uma arma de sua cintura e deu uma coronhada nela, ela gritou e desmaiou em seguida. Eu não sabia o que fazer, mas algo em mim me dizia que gritar seria muito, muito pior. O homem com feições latinas me fez levantar do sofá e não me passou despercebido quando ele foi até o cabide e pegou meu casaco de inverno. O loiro alto começou a arrastar a tia desmaiada enquanto seguíamos para os fundos da casa.
- Não faça nenhuma gracinha, benzinho. – o gordo falou – Ou então eu vou estourar os miolos da sua querida tia.
Chocada, eu apenas assenti com a cabeça enquanto era arrastada, eu já não sentia meus pés, minhas penas, meu corpo.
Ali, no píer de nossa prainha estava uma lancha e dentro dela um quarto homem, este infinitamente mais assustador, porque este rosto, eu reconhecia.
Sufocando o pânico em minha garganta, eu tentava respirar – pelo meu bem e o bem do meu bebê – e pedia a Deus pelas nossas vidas. O barulho do motor da lancha me fez encolher de medo... Eu me virei e vi aquele conhecido par de olhos me fitando com ódio e rancor, nauseada, eu me senti muito perto da morte.
Olhando para o infinito, o mar sem fim, lembrei de meus amores.
‘Edward, Emmett... me perdoem... eu amo vocês’