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- Música Das Sombras - adaptação do livro homônimo. (Fic concluída)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Vem comigo, amor - Capitulo 42

O Patriota

*POV ALICE*
Há dias que o meu Jasper não dormia bem. Tadinho, de nós quatro ele era o mais apático e taciturno.
Jasper é sempre ‘muito Jasper’. Ele tem a característica de arrastar todas as responsabilidades de TUDO e de TODOS para si. Às vezes ele sofre muito por causa disso, é como se meu amor pudesse sentir todas as emoções das outras pessoas, principalmente as emoções negativas. E o nascimento dos gêmeos só trouxe emoções opostas para nós.
Se por um lado nos alegramos com o milagre da vida e o poder do amor, por outro lado, nos enchemos de preocupação pela segurança dos Cullen.
Eu sou fã de carteirinha de Edward e Bella! Que criaturinhas mais fortes eles são! De uma hora pra outra uma onda ‘King-Volturi’ aparece na vida deles e assalta tudo. Eles tiraram de Edward e Bella seus pais, seus amigos, suas vidas, seus sonhos ... E até mesmo sua fortuna, pode-se assim dizer. Apesar de sabermos que um respeitável escritório de advocacia está administrando os bens dos Swan-Cullen, eles não podem usufruir de um único centavo sequer.
Isso é, no mínimo, revoltante!
Uma pessoa que sofre tantas perdas e de uma única vez, tem que ser muito forte para não surtar ou se tornar numa criatura cruel e mesquinha. E é nessa hora que o poder do AMOR entra em cena. O que seria de Edward sem a Bella? Ou da Bella sem o Edward? Sinceramente, a cada dia eu acredito mais e mais que aqueles dois se completam, se amam e se merecem.
- No que você tanto pensa, baby? – Jazz me abraçou por trás e beijou meu pescoço – Espero que seja em mim ...
- Nos bebês.
Menti, eu não queria deixar Jazz mais preocupado ainda. Naquela noite de domingo nós tínhamos saído para jantar e depois fomos ao cinema. Optamos por um fim de semana típico de um casal comum e eu não queria estragar o clima. Já estávamos em casa, passava das dez da noite.
- Eles devem ser lindos mesmo! – Jazz sorriu – Afinal, os pais são bonitos ...
Virei meu corpo para ele e fingi contrariedade.
- Quer dizer então, que você acha a Bella bonita? – arqueei uma sobrancelha.
- Não mais do que você, minha fadinha. – ele me puxou para si e beijou meus lábios com paixão.
Quando o ar nos faltou, Jasper beijou e mordiscou o lóbulo da minha orelha e depois sussurrou.
- Fadinha ... minha fadinha ...
O beijo recomeçou calmo e quente, mas depois evoluiu para a insanidade e a volúpia dos apaixonados. Nos amamos intensamente naquela noite e eu adormeci feliz nos braços de meu amor, ali, envolvida em Jasper eu me esquecia de tudo ao meu redor.
Mas o amanhecer trouxe consigo as preocupações e os medos da realidade. Quando abri os olhos me percebi sozinha na cama. O lado onde Jasper dormiu estava amassado, mas estava frio. Ele já deveria ter acordado há um bom tempo e com certeza estava na varanda, remoendo nosso parco avanço nas investigações do Caso Volturi.
Acertei em meu palpite, Jazz estava perdido em pensamentos, encostado na sacada da varanda, contemplando mais um começo de dia. Tomamos café da manhã juntos e depois cuidamos de afazeres domésticos, Jazz desapareceu da cozinha e eu deduzi que estava lendo o jornal.
Eu estava pondo roupas sujas na máquina quando ele apareceu muito espantado na área de serviço e me perguntou se eu não queria visitar um tio dele.
Tio? Que tio?
Jasper me levou até a sala, me mostrou a carta e me contou que havia ligado para seu pai e conversado sobre o tal de Terence Feldman que estava na carta de cobrança. PUTZ! Que história maluca ...
Rapidamente nos decidimos em ir até o asilo e tirar história a limpo. Montamos um pequeno disfarce, ligamos para Rose e Emmett e pegamos a estrada.
Não havia nenhum asilo ou velhinho abandonado ...
O ‘tio Terence’ ou TJ foi uma mudança radical em nossas vidas! Quanta coisa aprendemos com ele! Quanta informação ele nos passou!
Eu sempre soube que espionagem internacional, investigações paralelas e agências secretas existiam. Mas não ao nível do que ficamos sabendo. Para mim, aquilo tudo era apenas fruto da indústria cinematográfica ...
O tio começou a falar assim que Jasper ligou o gravador.
“Em 1964, eu era um jovem contador recém formado e sem nenhum dólar no bolso. Ingênuo e idealista, eu era membro ativo do Partido Conservador, onde depois de formado trabalhei no escritório de contabilidade do partido. Mas minha ideologia política me fazia trabalhar em qualquer coisa que fosse necessário, por isso, várias vezes eu servia de mensageiro do Senador Adam King. Eu era ‘seu homem de confiança’. Nessa época, eu já morava em Dallas, no Texas, onde até hoje funciona a sede do partido.
Pois bem, numa noite eu tinha uma missão especial. Minha tarefa era entregar documentos ao então Deputado Federal pelo estado do Texas, Francesco Volturi, o pai de Marcus, Caius, Aro e da finada Sulpícia Volturi.
Sulpícia, como vocês já devem saber, era a mãe de Jane, Renata e Bree, as esposas-sobrinhas de Caius, Aro e Marcus.
As ordens tinham sido claras, eu teria que entregar um grosso envelope diretamente nas mãos do Deputado Volturi. Envelope este que despertou a minha curiosidade. Puxei a sua aba e vi a grossa encadernação que estava dentro dele. Na capa havia um pequeno título: Relatório G. Tonkin.
Aquele era um período de recesso parlamentar e o Deputado não estava na capital federal, por isso me dirigi à residência da família Volturi num dos bairros mais luxuosos da cidade. Quando cheguei e me identifiquei fui despachado para uma casa anexa à mansão, que eu entendi depois que se tratava de um gabinete do parlamentar. A casa era grande, com mobília de escritório, várias mesas, máquinas datilógrafas, máquinas copiadoras e pessoas andando de um lado para o outro. Já passava das dez da noite, mas vários assessores do Deputado estavam lá e trabalhavam num ritmo frenético, o barulho das máquinas datilógrafas era incessante. Fui atendido pela secretária particular do Deputado, uma ruiva alta, bonita, metida num terninho cinza, usando óculos de casco de tartaruga e um coque elegante na cabeça. A mulher me disse que o Deputado não estava no seu gabinete. 
Quando eu disse que era o mensageiro do Senador King, ela arregalou os olhos e pareceu espantada, mas rapidamente se recompôs. Sua atenção caiu sobre mim e sobre o envelope que eu carregava debaixo do braço, ela pediu que eu sentasse e mandou que me servissem café. De longe, vi quando ela pegou o telefone e falou por menos de 30 segundos com alguém. Voltou caminhando a passos firmes e em seu rosto havia um belo sorriso.
- Sr. Feldman, acabei de falar com o Senador King. Ele me pediu que disponibilizasse um motorista para levá-lo à residência dos Bington. Houve um contratempo e não pudemos avisá-lo que o Deputado Francesco Volturi não estaria aqui. Ele foi convidado para jantar na casa do Presidente.
Eu apenas assenti com a cabeça e segui a mulher por um extenso corredor até que chegamos a um saguão e de lá adentramos numa garagem subterrânea.
Eu entrei num carro sedã preto e de vidros escuros, um motorista bastante sisudo guiava o veículo. Aos poucos nos afastamos da cidade e seguimos por uma auto-estrada até que chegamos na área mais rica de um subúrbio de Dallas onde mansões despontavam suntuosamente. O motorista se identificou e entramos, fui deixado onde havia uma pequena sala de espera. Poderia ser uma longa espera, mas eu já estava acostumado com isso. Os poderosos sempre nos fazem esperar muito tempo ...
O jantar havia sido preparado para o Deputado Volturi e o Secretário de Defesa dos Estados Unidos, tendo o Presidente da República, Richard Bington, também texano e leito pelo Partido Conservador, como anfitrião.
Um homem alto, forte, com cabelos grisalhos nas têmporas entrou na sala e sentou ao meu lado. Seu terno era escuro, a camisa era cinza e a gravata era azul. Ele era mais ou menos vinte anos vais velho que eu e carregava uma espécie de valise. Seu olhar distinto e seu ar especulativo estudavam minha confiança, sua postura calma de quem está habituado a mandar e ver suas ordens seguidas, despertaram sentimentos contraditórios em mim. Eu poderia dizer que o homem me estudava com muito cuidado. Não havia soberba ou arrogância em seu olhar, apenas curiosidade. Seus olhos azuis como o céu lançavam sobre mim um tipo de vigilância ‘educada’.
Após vários minutos, eu me apresentei. ‘Sou Terence Feldman, mensageiro do Senador King’, eu disse, cuidadosamente acrescentando um ‘Boa noite, senhor’.
Eu já sabia quem ele era, mas mesmo assim, a boa educação o mandou se apresentar.
‘Francesco Volturi’, disse ele.
O Deputado pegou o envelope e me entregou a valise que estava em suas mãos, dizendo que eu deveria entregá-la nas mãos do Senador Adam King. A valise estava muito pesada. Naquela mesma madrugada, fui à mansão dos King e terminei minha missão.
Uma semana depois uma notícia sacudiu o país: ‘Embarcações americanas são atacadas por torpedeiros vietnamitas’.
Vocês sabem do que eu estou falando, não sabem? Se já se esqueceram das aulas de história, aqui vamos nós.
Em 02 de Agosto de 1964, um destróier americano, numa missão de espionagem na costa do Vietnã do Norte, disparou e danificou barcos torpedeiros que se aproximavam dele no Golfo de Tonkin. Dois dias depois, um segundo ataque de lanchas torpedeiras contra embarcações americanas foi noticiado.
Mas não se iludam com que aparece nos jornais, as reais circunstâncias desses ataques ainda são obscuras.
Esse segundo ataque levou a uma retaliação aérea americana e apressou o Congresso a aprovar a Resolução do Golfo de Tonkin, que deu ao Presidente da República plenos poderes para conduzir operações militares no sudeste asiático sem uma declaração de guerra formal.
Isso foi o que bastou para que nosso país entrasse de cabeça na guerra dos vietcongues.
Um contrato bilionário foi fechado entre o governo dos Estados Unidos e as ‘Indústrias Volturi’, esse era o nome que eles adotavam naquela época.
Os detalhes da guerra em si não interessam a nós nesse momento. O que nos interessa são as cifras astronômicas que ela trouxe às famílias Volturi e King.
Entre 1965 e 1968, o Vietnã foi sacudido por uma ofensiva campanha de bombardeios. Somente nesse primeiro ano, um milhão de toneladas de mísseis, foguetes e bombas foram despejados sobre as vilas e plantações de arroz dos miseráveis e famintos vietnamitas. Todo esse arsenal foi produzido dentro das fábricas Volturi.
Os custos da guerra foram terríveis para ambos os lados. O saldo de soldados americanos mortos foi alarmante. Mas quem se importava com isso?
O Presidente Bington foi reeleito e o Senador King deixou o congresso e tornou-se Governador do Texas. Suas campanhas foram bancadas pelos Volturi que seguiam firmes, fortes e bilionários, esbanjando poder tanto no Congresso como na sua fábrica de armamentos, obtendo lucros cada vez maiores.
Em 2003, uma investigação dirigida pelo serviço secreto britânico juntou documentos que revelaram que não houve nenhum ataque a barcos americanos no dia 04 de Agosto de 1964.”
Jasper interrompeu a narrativa de TJ para fazer uma pergunta.
- Serviço secreto britânico? O MI-6?
- MI-6, o Military Intelligence, Section 6 é um órgão governamental responsável por captar informações e dirigir as atividades de espionagem britânica. As atividades do MI-6 são conduzidas, em princípio, no exterior, atuando globalmente para promover e defender a segurança nacional e o bem-estar econômico do Reino Unido.
- Eu sei o que significa MI-6. – Jasper falou exasperado – Mas não entendo ...
- Por que os agentes da rainha meteram o bedelho onde não foram chamados? – TJ interrompeu Jasper e lançou a pergunta pertinente.
- A troco de quê eles investigaram isso? – dessa vez fui eu quem perguntou.
- A troco de fazer com que a Grã-Bretanha não embarcasse conosco na ofensiva contra o Iraque em 2003. – TJ respondeu e sorriu sarcasticamente – Mas é claro que isso não deu certo.
- Por quê? – perguntei.
- Alice, você não deveria me fazer uma pergunta dessas. – ele arqueou as sobrancelhas – Quem são os principais parceiros da Volturi Holding S.A. no Reino Unido?
Pensei um pouco e não soube responder.
- Margareth Parker-Brown. – ele falou – A esposa do então Primeiro Ministro Liam Duncan é a sócia majoritária do escritório de advocacia mais prestigiado de Londres, escritório este que tem os Volturi como seus clientes mais ilustres. Os Volturi não se associam a pequenos, só gente de alto escalão trabalha com eles ou para eles ...
- O que aconteceu com a investigação do MI-6? – Jazz perguntou.
- Um acordo diplomático entre os dois países fez com que os documentos nunca chegassem a público. E assim ... todos entraram na dança lucrativa da guerra.
- Como você soube desse acordo? – Jazz inquiriu – Afinal, em 2003 você já estava ‘morto’, não é?
- Oficialmente morto. – ele sorriu – Tenho minhas fontes, Jasper. Ao longo dos anos os Volturi fizeram uma penca de inimigos que estão dentro e fora de seu círculo de relações. São pequenas rachaduras em sua super estrutura. – TJ fez uma pausa, talvez ponderando o que diria a seguir - Juntos, faremos com que seu império de guerra e poder caia de uma vez, é só uma questão de tempo.”
Ele respirou fundo, fechou os olhos lentamente e continuou seu relato.
“Aquela foi a primeira de muitas missões que eu participei envolvendo os King e os Volturi ao mesmo tempo. Era uma época que despertava em mim uma considerável ansiedade sobre o meu futuro. Eu queria ser útil ao meu país. Acreditava no partido, acreditava nos King, queria trabalhar e vencer na vida. Não imaginava que houvesse acordos obscuros e vis destinados a tirar a vida de jovens soldados e encher as contas bancárias daqueles safados.
Eu achava que uma guerra acontecia, não imaginei que pudessem fabricá-la.
Não vou me estender ao detalhes, eles são irrelevantes. Mas as coisas aconteceram de modo semelhante na Guerra Irã-Iraque, na Guerra do Golfo em 1990 e na invasão americana ao Iraque em 2003.
Vamos recapitular os fatos.
Adam King foi Secretário de Defesa na década de 80 quando eclodiu o conflito Irã- Iraque. Vocês, com certeza sabem que Saddam Hussein era aliado americano nessa época. Todo o armamento iraquiano foi comprado diretamente das indústrias Volturi. Em 1990, Royce King I era o Presidente quando ordenou que tropas americanas interviessem no conflito do Golfo Pérsico e ajudassem o Kuwait a vencer a ofensiva iraquiana. Royce King II, aquele filho da puta, caipira e ignorante, foi o canalha que ordenou a invasão ao Iraque em 2003.
O padrão era sempre o mesmo: inventar um pretexto para a guerra.
O conflito Irã-Iraque foi o único que não nasceu das obscuras reuniões de poderosos da Casa Branca. Mas o dirigente iraquiano era um forte aliado americano e trocou petróleo por armas durante quase uma década. Os outros dois conflitos foram pré-fabricados por meio de informações falsas. Falsos relatórios, falsas ameaças, falso terrorismo ... A opinião pública é facilmente manipulada por qualquer coisa desse tipo, principalmente após o ’11 de Setembro’.
Eu poderia fazer um discurso patriótico para vocês e dizer que a força que me impulsiona é o amor pelo meu país. Mas vocês querem saber a verdade?
Foda-se a América.
Eu quero vingança.
Meu filho, meu único filho, Carl, morreu aos 23 anos. Ele se matou com um tiro no peito, no meu escritório e usou minha arma.”
TJ respirou fundo e tentou controlar a respiração.
“Eu me mudei para Washington em 1968, e comecei o curso de Direito na George Washington Law School. Também nesse ano eu entrei para a Academia do FBI. Trabalhei em vários escritórios, de leste a oeste do país, antes de ser nomeado Chefe da Divisão de Investigações em 1980. Nesse meio tempo, casei. Eu e Cassie tivemos o nosso Carl dois anos depois de casados. Foi um tempo feliz.
Em meados da década de 90, eu já estava atolado até o pescoço nas transações dos Volturi e dos King. A esta altura, eu já sabia que sabia demais e que não poderia me livrar facilmente daquilo tudo. Não participei de nada ilegal, mas fui omisso em saber de tanta coisa errada e fingir que não sabia de nada. E ganhei muitos ‘presentes’ dos King para continuar sendo fiel a eles.
Cassie não concordava com aquilo, ela vivia me pedindo para abandonar a militância ao partido e me dedicar apenas à carreira do FBI. Aos poucos, fui cedendo aos apelos de minha mulher e tentei me afastar dos King. Mas não fui idiota, deduzi que sofreria danos caso os King percebessem meu desinteresse por eles, ao longo dos anos, eu vi que a mão implacável daquela família era muito poderosa contra aqueles que se rebelavam.
As retaliações vieram com força total. De uma hora para outra, a corregedoria do FBI caiu em cima de mim e apareceram várias acusações contra mim. Nenhuma delas foi comprovada, mas desestabilizaram minha vida de uma forma tão intensa que Cassie entrou em depressão e Carl apareceu na minha frente, do nada, como um jovem depressivo e viciado em cocaína.
Meu filho foi internado duas vezes numa clínica de reabilitação. Ele já estava melhor quando veio para casa, para passar o feriado de páscoa conosco. Seu olhar era triste e vazio, um tiro no peito o tirou de nós duas horas após chegar em casa.
Quero vingança.
Responsabilizo os King e os Volturi pela reviravolta na minha vida e a desgraça da minha família. Sou um homem morto, após o suicídio de Carl, eu e Cassie nos divorciamos. Quando percebi que estava sendo seguido e quando a casa onde morava em Baltimore foi consumida por um incêndio aparentemente causado por um curto circuito, eu resolvi que estava na hora de morrer para o mundo.
Mas não morri de imediato. Passei longos meses reunindo informações, me inteirando de vários fatos, fazendo contato com pessoas no mundo inteiro, reunindo pessoas e informações que pudessem incriminar de uma vez por todas os Volturi e os King.
Como eu disse, há uma rede de pessoas envolvida nessa operação extra-oficial.”

- Por quê? Eu não entendo ... – sussurrei meio aturdida.
- Alice, você não lê jornais, minha querida? – TJ falou afetuosamente e seguiu com seu relato.

“Os países do continente africano aumentaram suas despesas militares em mais de 80% entre 1998 e 2008. Boa parte dessas armas são velhas, mas a maioria delas provém das mais modernas indústrias bélicas dos países desenvolvidos vendendo armas de última geração ao mercado africano.
Esse imponente arsenal é constituído, sobretudo de armas leves e modernas, que alimentam a criminalidade nas grandes cidades e a guerrilha tribal. Operações comerciais sem escrúpulos trocam diamantes e petróleo africano por armas importadas da França, Rússia e Estados Unidos. Os Volturi têm, sozinhos, 48% do mercado africano e estamos falando de um mercado que movimenta milhões de dólares por ano.
Freqüentemente, as compras de armas pelos países africanos são uma reação a situações de tensão regional. O Marrocos, em 2007, comprou dos Estados Unidos aviões caça F-16 depois que aviões russos foram vendidos à vizinha Líbia. O investimento bélico na região está em franco crescimento, enquanto Marrocos e Tunísia compram armas americanas, dos Volturi, é claro, a Argélia é cliente dos franceses e a Líbia, dos russos. O chineses ainda estão tentando entrar nesse bolo ...
A Interpol luta para desestruturar o comércio desenfreado de armas na África. Em 2008, nós quase conseguimos nosso primeiro sucesso. Mas Gerard de Valmont foi interceptado por italianos membros da máfia siciliana e parceiros dos Volturi.”
- Gerard de Valmont? – Jasper perguntou – Em 2008?
- Sei onde sua mente chegou, Jasper. – TJ sorriu – Gerard era um espião argelino que trabalhava a serviço do governo francês. Ele passou quase dois anos trabalhando na investigação sobre tráfico ilegal de armas na Europa, uma rota pelo Mediterrâneo, ligando a África à Europa, e reuniu várias provas contra os Volturi. Ele foi assassinado em Florença, em Agosto de 2008, mas antes disso conseguiu se livrar das provas. Infelizmente, ele não arranjou um bom destino para elas.
- Felix Cudmore! – falei perplexa.
- Isso mesmo, Alice! Bingo! – TJ exclamou – Acredito que num momento de desespero, ao pressentir a morte chegar, Gerard repassou às provas para o primeiro americano civil e com aparência honesta que viu pela frente.
- Mas aquilo foi uma irresponsabilidade ... Felix e sua família, Tyler, Ben, os Swan e os Cullen estão mortos por causa disso. – sussurrei.
- Não podemos mudar o passado, Alice. – TJ falou.
- Vamos transformar o futuro então. – sorri fracamente para ele.
- Isso mesmo, garota! – TJ socou o ar, sorriu satisfeito e voltou ao seu relato.

“Dentre tantas informações que eu preciso repassar pra vocês, a mais importante é que oficialmente eu não existo, mas só vou descansar quando os Volturi e os King estiverem arruinados.
Tenho importantes aliados dentro do MI-6 e da Interpol. São pessoas de confiança que estão dispostas a me ceder informações privilegiadas sobre as atuações dos Volturi ao redor do mundo. Nós atuamos numa espécie de parceria, trocando informações.
Não sou idiota, se eu pudesse, já teria feito justiça com as próprias mãos. Com prazer, eu me encarregaria de torcer o pescoço de cada um deles. Esse é um sonho impossível. Por isso quero ajudá-los nessa investigação, essa é a melhor chance para mim.
Não se preocupem, não vou decepcioná-los. Sigam meus passos e vocês sempre estarão à frente dos Volturi”

E assim, TJ encerrou o primeiro de muitos relatos. Depois ele nos serviu uma xícara de café e nos deu ordens urgentes.
A pior de todas era ter que nos afastar de Edward e Bella. Parar de manter contato regularmente com eles, para de telefonar e mandar presentes. Não pude resistir a isso. Era para a segurança de todos nós que devíamos obedecer.
Depois de várias recomendações, nos despedimos do ‘tio’ e ele disse que manteria contato conosco. Aquela tinha sido a manhã mais sinistra da minha vida. Terence Feldman era uma mistura de arrogância e simplicidade, perigo e segurança, certeza e vulnerabilidade.
O caminho de volta até Washington tinha sido silencioso. Jasper dirigia atento à estrada e perdido nos próprios pensamentos e eu, contava as respirações para tentar conter as lágrimas. Eu já sofria por antecipação, pensando em como seria difícil me despedir de Edward, Bella e os bebês.
Mas não era só isso que preenchia meus pensamentos. TJ havia nos dado ordens expressas. Rose e Emmett não podiam ficam em NY enquanto eu e Jasper estávamos em Washington DC. Era perda de tempo e de recursos ficarmos separados, mas também não era seguro nem viável que ficássemos os quatro no apartamento de Jasper ou no meu.
No dia seguinte, Emm e Rose chegaram à Washington, carregando ‘mala e cuia’.
Naquele mesmo dia, telefonamos para os Cullen. Foi uma conversa desastrosa, Emmett chorou, eu chore, Bella chorou. Jasper se viu triste e aflito por me ver naquele estado. Meu amor me consolou da única maneira que ele podia, me pôs nos braços, me carregou para a cama e me ninou até que as lágrimas secassem de meus olhos e exausta, eu caísse no sono.
Após discutirmos sobre várias cidades próximas, nos decidimos por Annapolis, a capital do estado de Maryland, não só porque ela fica a apenas 50 minutos de Washington, mas também porque é uma cidade com boas rotas de fuga. A cada dia, nos sentíamos mais e mais vulneráveis e acuados.
Depois de uma semana procurando por uma casa grande, eu e Rose mudamos de idéia e alugamos duas casas pequenas, lindinhas, coloridas e conjugadas, ambas estavam mobiliadas. Seria como morar na mesma casa, mas os casais teriam a privacidade necessária à sanidade de qualquer um. Afinal de contas, em apenas 30 segundos Emmett consegue tirar a já escassa paciência de Jasper! Eu e Rose não queríamos que nada atrapalhasse nosso trabalho.
Logo de cara, nos afeiçoamos à pequena cidade de menos de 50 mil habitantes, muito colorida, charmosa e acolhedora. Morávamos na parte alta da cidade, nossa rua começava na parte baixa e evoluía ladeira acima. Da janela de meu quarto, no final da Dover Streett, eu podia ver o azul do oceano Atlântico.

Depois de devidamente instalados, nos reunimos na casa amarela (a de Rose e Emmett) e escutamos aquela gravação de TJ. A sala era minúscula, eu me sentei no chão e encostei-me ao sofazinho laranja onde Rose estava sentada, Jazz sentou numa poltrona verde.
- Podemos começar? – perguntei.
- ‘Peraí’, cunhadinha ... – a voz estrondosa de Emm soou da cozinha – To chegando ...
A figura bizarra de meu cunhado apareceu na sala. Ele carregava uns sacos de batata frita, uma tigela de pipoca, duas cocas e duas cervejas.
- Pro lanche. – ele despejou tudo sobre a mesinha de centro.
Pela minha visão periférica vi quando Jazz revirou os olhos, seu pigarrear alto nos chamou a atenção e nos concentrou novamente. Então, eu liguei o gravador.
Após devorarmos o lanche preparado por Emmett e escutarmos aquele relato por duas vezes, decidimos seguir TJ e tudo o que ele pudesse nos passar. Mesmo assim, não foi um consenso.
- Eu não confio nele. – Jazz falou seco.
- Por que não, cara? – Emmett perguntou – O velho sabe das coisas ...
- Jasper, TJ era amigo de papai. – Rose ponderou – E foi ele quem entrou em contato com você ...
- Por isso mesmo, Rose! Qual o interesse dele nisso tudo?
- Vingança. – falei.
- OK. Ele quer vingança, mas lembrem-se que o velho já não tem mais nada a perder. – Jasper sentenciou – Ele pode estar apostando alto demais.
- Esse é um risco que temo de correr. – Emmett falou sério e nos encarou, um a um – Não temos escolha. Avançamos pouco, M é muito burocrata, ele perde muito tempo com formalidades e diplomacia. E enquanto isso, perdemos tempo também. – ele respirou fundo antes de falar – Por mim, ficamos com o velhinho ...
- Por mim também. – Rose falou.
- Eu também acho. – dei minha opinião.
- Certo, ficamos com o velhinho. Mas eu vou ficar de olho nele. – Jasper falou.

..............................

*POV ROSALIE*
Eu estava na cozinha de meu minúsculo apartamento, preparando panquecas com queijo e mel para mim e para Emmett enquanto pensava na vida.
Quem diria que há um ano atrás eu vivia sozinha, cozinhava somente para mim (quando cozinhava) e fazia as refeições em pé, ao lado da pia, num estado de torpor e indiferença ...
“Deus, obrigada por me dar o Emmett” fiz uma minúscula prece de agradecimento. “Ele é muito mais do que eu pedi e não podia imaginar que uma pessoa tão diferente de mim pudesse me completar tanto”
- Bom dia, minha ursinha! – um par de mãos grandes e quentes me tocou gentilmente nos ombros.
Girei em meus calcanhares para poder olhá-lo.
- Bom dia meu amor! – sorri, fiquei na ponta dos pés e lhe dei um selinho.
- Hum ... Rose que cheirinho bom! – ele afagou a barriga e sorriu.
Preparamos nossos pratos, colocamos em bandejas e seguimos para a sala. Emm ligou a TV e assistimos desenho animado enquanto comíamos. Esse é um péssimo hábito que Emmett tem, ele raramente faz as refeições à mesa porque a-do-ra assistir desenhos enquanto come! Certa vez lhe confrontei em relação a isso e ele fez carinha do gatinho de Shrek e me confidenciou que quando era criança, seu avó era muito rígido (ele foi criado pelos avós maternos) e não permitia que os netos assistissem desenho animado. O velho dizia que aquilo deturpava a mente das crianças! Velho doido, hein?
Pois é, então meu Emm jurou para si mesmo que quando crescesse assistiria todos os desenhos que quisesse! E ele cumpre a promessa ao pé da letra. Emmett assiste desde ‘Mickey Mouse’ até o ‘Homem-Aranha’ e se deixar, ele ainda vê ‘As meninas super-poderosas’.
Ah! Mas eu não ligo! Só de ver a carinha de felicidade dele, seus lindos olhos azuis brilhando e as covinhas em seu rosto a cada doce gargalhada, eu me sinto feliz e realizada.
Acho que o amor é assim mesmo ... se realiza nas pequenas coisas ...
O toque estridente do telefone dispersou meus pensamentos e como eu estava de boca cheia, mastigando um pedaço de pão, foi o Emm quem atendeu.
- Quem incomoda?
Meu Deus! Como ele é palhaço!
Caraca! Não sei o que deu no meu namorado! Imediatamente ele se levantou do sofá e sentou de novo, adotando uma postura rígida.
- Não, senhor! Que é isso ... Jamais! Não, o senhor nunca incomoda!
Emmett estava visivelmente nervoso e desconcertado, parecia que iria se engasgar. Eu estendi a mão para pegar o telefone, mas ele continuou falando ainda.
- Sim, senhor! – uma pausa – Claro, senhor! Não se preocupe, senhor! Bom dia para o senhor também ...
Finalmente ele estendeu o telefone para mim e murmurou muito baixo.
- É o seu pai ...
Entendi imediatamente a situação embaraçosa dele e segurei o riso a muito custo.
- Oi paizinho!
Papai só ligou pra dizer um ‘Oi’ e pra dizer que me ama e que está morrendo de saudades de mim. Disse que eu tomasse cuidado com a minha segurança, perguntou se eu estava feliz com o Emmett e me fez prometer que contaria a ele se meu namorado me magoasse.
- Rose, o palhaço tá cuidando bem de você?!
- PAI! – falei exasperada.
- Responda minha pergunta, florzinha ...
- Sim, papai. – sorri – Muito bem ...
- E você o ama?
- Sim.
- Está feliz?
- Como jamais poderia imaginar ... – sussurrei.
- Acredito em você! – acho que ele sorria – Mas me avise se ele pisar na bola. Meu kung-fu ainda funciona ...
Papai gargalhou do outro lado da linha e eu tive que rir também. Mamãe pegou o telefone e conversamos um pouquinho, depois o sinal de outra ligação começou a tocar em meu ouvido e eu tive que me despedir dela. Era Jazz quem ligava.
As notícias eram estranhas, fiz sinal para Emmett, ele se colou a mim e juntos escutamos aquela história do ‘tio Terence’. Alice e meu irmão decidiram viajar até Essex e averiguar por eles mesmos o que realmente estava acontecendo. Na hora senti um frio na barriga e queria ir com eles, mas o bom senso e manual de treinamento do FBI diziam que metade da equipe devia ficar preparada para uma possível ação de resgate.
As novidades foram grandes! Eu e Emm arrumamos as malas e pegamos a estrada até Washington D.C. onde nos hospedamos no apartamento de Alice. Com muito pesar nos despedimos de Bella e Edward por telefone e lhes explicamos que para a segurança de todos, deveríamos nos afastar. Dizer adeus foi difícil. Eu quase chorei, mas quando vi o Emm chorando, me recompus e tentei consolá-lo.
Para espantar a tristeza, eu e Alice nos debruçamos sobre o mapa. Nossa missão era encontrar uma nova cidade para morar, uma cidade que não ficasse há mais de uma hora da capital federal.
Escolhida a cidade, percorremos ruas e ruas acompanhadas de um corretor de imóveis até achamos as casas perfeitas para nós. No melhor estilo BBB de Alice (boa, bonita e barata) nos instalamos em duas casas confortáveis, mobiliadas e charmosas num bairro calmo de Annapolis.
Meu coração batia descompassado quando Emm estacionava o carro em frente à casa amarela (nossa primeira casa, pode-se assim dizer). Rapidamente tiramos nossas malas de dentro do veículo e quando eu ia entrar na casa, uma menininha muito linda e de cabelinhos loiros como campos de trigo, correu até mim e sorriu. Ela deveria ter uns quatro anos e parecia ser muito sapeca.
- Bom dia! – sua voz era muito infantil e fofa – Você é a nova vizinha?
- Sim! – afaguei seu cabelo e me ajoelhei – Qual é o seu nome bonequinha?
- Melanie, mas todo mundo me chama de Mel. E o seu?
- Rosalie, mas todo mundo me chama de Rose.
Uma mulher se aproximou de mim e se apresentou como Jordan Nelson, mãe da pequena Mel, ela me deu as boas vindas e levou a menina consigo. A pequena caminhava de braço dado à mãe, mas a cada meio metro ela se virava e acenava para mim com a sua pequena mãozinha.
- Se você quiser, podemos fazer uma dessa agorinha! – mal percebi o Emm ao meu lado.
– Ela muito lindinha não é? – respondi e quando olhei para o porta-malas do carro, ele estava vazio – Amor, você já guardou nossas coisas?
Emmett assentiu e seus lábios ser curvaram num sorriso travesso. Sem que eu esperasse, ele me carregou no colo enquanto entrávamos na casa.
- Emmett! – dei um gritinho e sorri.
- É para dar sorte! – ele gargalhou e me pôs no chão da sala.
Aquela primeira semana passou voando.
Nós escutamos os relatos de TJ e discutimos várias vezes sobre aquelas informações, tentamos juntar fatos e provas, documentos e fotos. Elaboramos uma linha de trabalho baseada nas palavras de TJ e só precisávamos expô-la a M, mas sem citar o nome ‘Terence Feldman’, só assim conseguiríamos trabalhar bem.
Na sexta-feira, eu Alice fomos ao supermercado do bairro para fazer umas comprinhas (a minha geladeira parecia um aquário, só tinha água) e nos socializar com a vizinhança. Para todos, nós éramos profissionais liberais que trabalhavam em casa, prestando consultoria via web para empresas. Não sei de onde Alice tirou aquela história, mas funcionou, todo mundo acreditou de cara, principalmente porque dissemos prestar consultoria a respeito ‘comércio internacional’.
Nossos carrinhos já estavam cheios e esperávamos na fila para pagar pela comida. Alice discutia comigo, afirmando que morango tinha mais calorias que kiwi e que deveríamos fazer uma torta de ameixa para o jantar quando seu celular prateado tocou. Retesei todos os meus músculos, ela atendeu num murmúrio.
- Sim? – uma pausa – Ok.
Eu nem precisei perguntar, ela tratou de falar logo.
- Temos novidades, Rose. As compras vão ficar pra depois.
Em menos de cinco minutos chegamos e passamos direto para a casa de Alice onde Jasper e Emmett esperavam por nós, seus rostos exibiam semblantes preocupados. Assim que os olhos azuis de Emmett pousaram nos meus eu vi medo, cuidado e amor ...
- Temos uma dupla missão. – Jazz falou e se postou ao lado de Alice.
Emmett me abraçou pela cintura e me fez sentar no sofá.
- Falem logo! – guinchei.
- M nos telefonou e precisa de mim e de Emmett. – Jasper respondeu.
- E TJ quer falar com você e com Alice. – foi a vez de Emm se explicar.
- O que aconteceu, afinal? – Alice falou impaciente.
- M disse que Vladmir Kasalavich foi preso na República Tcheca. – Jasper cuspiu de uma vez só.
- VLADMIR KASALAVICH?! – eu e Alice dissemos em coro.
- O próprio. Ao que parece, uma operação conjunta das polícias russa, tcheca e alemã conseguiu enjaular o cara. – Emmett explicou – A imprensa ainda não sabe de nada. As autoridades estão escondendo a prisão a sete chaves até que ele chegue ao território russo, afinal é lá onde ele deve ser processado, julgado e cumprir pena.
- M gostaria que ele fosse extraditado para cá. – Jasper completou.
- Sim, isso seria fantástico. Imagine o quanto o depoimento dele poderia implicar os Volturi e os King? – Alice pensou alto – Mas a vida dele correria um sério risco ...
- Por isso nós vamos a São Petersburgo. – olhei para meu namorado perplexa e ele segurou em meu rosto antes de falar – Precisamos colher o depoimento dele, ursinha.
-São Petersburgo? Na Rússia? – engoli em seco.
- Só por alguns dias, ursinha. – ele respirou fundo – É necessário ...
Tentei me recompor e rapidamente mudei de assunto.
- E qual é a outra missão? – desviei meu olhar dos orbes azuis de meu amor.
- TJ tem novidades, ele quer conversar com você e com Alice. – Jasper falou – Não sei o que aquele velho quer, mas eu não gostaria que vocês fossem lá sozinhas.
- Vocês não podem nos acompanhar? – Alice perguntou.
- Não, baby. – Jasper beijou o topo da cabeça dela – Devemos embarcar para Roma amanhã à tarde e de lá, pegaremos outro vôo para São Petersburgo.
O resto do dia foi dedicado a preparar as malas de nossos rapazes, eu tentava em vão esclarecer meus pensamentos e não ser pessimista. Mas a verdade é que meu coração estava muito apertado e meu estômago contraído de tanto nervosismo. Minha cunhada deveria estar no mesmo estado de nervos que eu, a baixinha passou o resto do dia calada. Jantamos juntos e nos despedimos cedo, afinal o dia seguinte seria longo. Fiz das tripas coração para não surtar, enquanto Emmett tomava banho, eu já estava de camisola e escovava meu cabelo. Meu reflexo no espelho era só preocupação ...
- Por que essa ruguinha na testa? – Emm estava parado na porta do quarto e me olhava com carinho.
- Oi amor! – sorri – Não é nada ...
Em duas passadas ele me alcançou e me abraçou com carinho.
- ‘Quem nada é peixe’ – ele falou zombeteiro e me beijou com paixão.
Quando o ar nos faltou, eu sussurrei.
- Eu te amo, Emmett.
- Eu te amo, Rose. - sua voz rouca e sedutora aqueceu meu coração.
Delicadamente, ele me guiou até a cama e nos deitou sobre ela. Seu corpo quente, másculo e viril cobriu o meu, rapidamente nos livramos das poucas peças de roupas e nos amamos com calma. Eu queria armazenar em minha mente cada pedacinho de seu corpo e acho que ele tinha a mesma intenção, porque nossos corpos se entregaram ao calor da paixão até que exaustos nos entregamos ao sono.
O sábado começou agourento, cheio de nuvens encobrindo o céu. Comecei meu teatro assim que Emm acordou, porque eu não queria que ele visse meu medo. Almoçamos cedo e pegamos a estrada rumo ao aeroporto de Washington. No banco de trás, Alice e Jasper mal falavam, apenas se tocavam, suas mãos ficaram entrelaçadas durante todo o trajeto.
Já no aeroporto, procuramos pelas instruções de M no setor de guarda-volumes. No armário V-28 havia uma mochila com as passagens, dinheiro e mais um monte de coisas que os rapazes iriam precisar. Não fizemos uma grande despedida no melhor estilo ‘namorados’, afinal estávamos em serviço, éramos agentes federais. Despedidas apropriadas fizemos em casa ...
- Você acha que Kasalavich vai cooperar? – Alice quebrou o silêncio assim que entramos no carro, no caminho de volta para casa.
- Não sei. – suspirei – Reza a lenda que ele é inimigo dos Volturi.
- Engraçado ...  Eles deveriam ser parceiros de crime. Você não acha? – Alice falou sarcasticamente – Os maiores fabricantes de arma de fogo e o maior contrabandista de arma de fogo ...
- Alice, Kasalavich ou ‘o senhor da guerra’, como você preferir, perdeu espaço no mercado negro de armas graças ao novo padrão de comércio dos Volturi. – esclareci os fatos.
- Tomara mesmo que ele queira se vingar ...
No domingo pela manhã fomos à Essex, visitar o ‘tiozinho’. Fomos recebidas por um velho alto, forte, cabelos grisalhos e sorriso debochado nos lábios.
- Minha nossa senhora! Lilian era muito bonita quando jovem, mas você, Rosalie, conseguiu superar sua mãe ...
TJ me disse assim que chegamos em sua casa, rapidamente nos convidou a entrar e nos indicou o sofá, ele sentou na poltrona em frente a nós.
- Aceitam uma cervejinha? – ele pegou duas latinhas de dentro de um isopor cheio de gelo e nos ofereceu – Hoje é um dia para comemorar, não acham?
Eu e Alice agradecemos, mas dispensamos a cerveja.
- Qual o motivo da comemoração? – inquiri.
- Vladmir Kasalavich!
- Mas ... mas ... Como o senhor sabia? – perguntei.
- Eu sei tudo, jovem Lilian. Eu sei tudo ...
Alice pigarreou alto e eu me perguntei se ela tinha ciência de estar imitando o Jasper.
- O senhor nos chamou aqui. Qual é o motivo? – a baixinha falou.
- Assuntos femininos!
Eu olhei do velho para Alice e dela pra ele. ‘Esse velho é biruta’ pensei.
- Jane Volturi tem vários amantes, Renata é depressiva e Bree é hipocondríaca.
- Hãn? – eu e Alice dissemos em coro.
- Falei grego? - ele rebateu.
Houve um minuto desconcertante de silêncio enquanto eu tentava absorver aquele jorro de informações.
- Vamos lá, deixa eu explicar melhor ... – TJ recomeçou – Bree é só uma garotinha assustada que casou com o tio 25 anos mais velho. Renata parece gostar de Aro, mas morre de medo de morrer e gostaria muito que ele abandonasse os ‘negócios da família’. Jane é uma sádica, ela ama o poder e se pudesse, dirigiria todos os negócios da família à mão de ferro.
- Quem te contou isso tudo? – falei exasperada - E não me venha com essa de ‘eu sei tudo’.
- Gregorio D’alessandro é o padre confessor de Renata. Das três, ela é a única católica fervorosa ...
- Padre? Falso padre, não é? – Alice questionou.
- Bem, digamos que o Greg é um religioso a serviço da lei ... – TJ se esquivou da resposta – Mas, o mais importante, é que ele tem sempre notícias delas e graças a ele, estamos prestes a arranjar o novo amante de Jane.
- Esse padre é ou não é um policial? – perguntei diretamente.
- Gregorio é italiano e usa esse disfarce para trabalhar a serviço de seu país. É só o que eu posso lhes dizer.
- E o novo amante de Jane? Ele também é italiano? – perguntei.
- É francês, mas tem passaporte canadense. Seu disfarce é de fotógrafo e ele já está quase lá ... Na cama de Jane, quero dizer!
- O senhor acha que poderemos ter informações valiosas com esse padre e o amante? – Alice questionou.
- Greg já nos antecipou vários surtos psicóticos de Renata. A cada recaída, Bree fica desesperada. As duas irmãs são muito unidas e sofrem muito, acreditem, elas são vítimas da própria família. – TJ fez uma careta – Nossa expectativa e fazê-las se entregar a polícia e depor no caso. Apesar de não estarem envolvidas com nada ilegal, aparentemente, as duas poderiam testemunhar contra seus maridos-tios.
- E quanto a Jane? – Alice perguntou.
- Com essa daí, o buraco é mais embaixo ... A mulher não é de brincadeira! Por isso o seu amante terá um papel fundamental nisso tudo.
- Se apenas Jane participa ativamente dos negócios da família, por que perder tempo com as outras duas? – Alice perguntou.
- Porque os Volturi são uma família tradicional. Se mexermos no seio familiar deles, desestruturaremos todo o resto ... Aro é Senador pelo estado do Texas, imaginem o escândalo que seria se todos soubessem que sua jovem e bela esposa já tentou cortar os pulsos três vezes? E se viesse à tona que ela pulou de uma varanda no primeiro andar porque tinha visto o demônio voando pelas cortinas da sala?
- Caraca?! – murmurei.
- A cada problema emocional da esposa, Aro abdica de uma fatia de poder dentro das operações ilegais da empresa. E quem pega esse bolo todo é Caius, o marido de Jane e o mais sanguinário dos irmãos. Caius é ganancioso e sem nenhum escrúpulo. Não que bandido sejam decentes, mas Caius extrapola todas as barreiras da ‘ética dos criminosos’. Quase ninguém, no submundo do crime, quer fazer negócios com Caius. E graças a ele, Vladmir Kasalavich tem um ódio mortal pelos Volturi.
- Então Caius está cavando a sepultura deles? – Alice arqueou uma sobrancelha.
- Pode-se dizer que sim! – TJ sorriu satisfeito.
- O mal por si só, se destrói. – pensei alto.
- Mas no nosso caso, vamos dar uma ajudazinha pra ele. Não é, menina Lilian?
TJ sorriu pra mim enquanto me chamava pelo meu segundo nome, fazendo uma alusão a minha mãe.
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NOTAS FINAIS DO CAPÍTULO

Olá meninas =]
Ta aí o 'tio' se explicando p/ todo mundo ... rsrsrsrsrs
Deixem comentários aqui, no NYAH ou no TBF ... Façam uma autora feliz!
Bjs da Anna =]
Nova postagem assim q possível