Natureza
Todo mundo teve um super- herói quando era criança. Eu não tive. Sempre fui uma menina muito calminha e sensível, todos me elogiava e diziam que eu era um anjinho de cachinhos dourados. Meu herói, meu mentor, meu espelho e meu guia foi Hannibal Lecter, o melhor personagem que alguém já criou. Assisti ao filme O Silêncio dos Inocentes quando tinha 11 anos de idade. Meus pais ... Ah! Aqueles divorciados idiotas viviam culpando um ao outro por tudo ... Eles não quiseram me levar ao cinema, disseram que eu não tinha idade suficiente para ver um filme tão forte. Então eu matei aula e paguei uns trocados para que a vadia da bilheteria (aquela que transava com todo mundo no bairro) liberasse minha entrada.
Eu renasci naquele dia. Mas sou melhor do que Lecter, uso minha inteligência e meu poder apenas para me beneficiar, nunca matei ninguém e nunca comi o fígado de ninguém. O problema de Lecter foi justamente esse, essa compulsão que ele tinha em comer as pessoas, eu prefiro fuder (com homens, no plural de preferência). É uma atitude muito mais saudável e gostosa!
Se bem que depois que eu o vi naquele elevador, eu me contentaria com o singular. Suponho ter encontrado a minha cura, com um homem daquele eu seria uma nova mulher. Tenho certeza que nosso encontro não foi por acaso. Eu ainda não sabia nada sobre ele, mas isso era só uma questão de tempo. Assim que olhei em seus olhos verdes, me comprometi de imediato, ele é meu.
Em minha sala, no 6º andar da sede do Bank Of West, eu escutava a Aria de Capo, o tema de Lecter, quando o celular tocou e me desconcentrou de meu novo objeto de prazer. Fiz uma careta quando vi quem ligava.
- O que você quer? – sibilei entredentes.
- Filha? – que voz nojenta – Isso é jeito de falar com sua mãe?
- Você tem trinta segundos para dizer o que quer ... 29, 28, 27 ...
- Eu só queria saber se você vai comparecer ao nosso compromisso. – ela falou com um fiozinho de voz.
- Não. – rosnei – Estou cheia de trabalho pra fazer e não preciso daquele velho.
- Mas filha, a terapia é algo muito bom para você. A sociopatia é um distúrbio ...
Argh! De novo! Essa história de sociopatia é irritante. Não sou doente, sou uma pessoa naturalmente inteligente e perspicaz.
- Terapias são para loucos. Eu não sou louca. – sussurrei, não queria que ninguém escutasse – E depois, aquele velho caquético é um idiota.
- O Dr. Ernest Logan é um dos melhores terapeutas do país! – ela quase gritou.
- Pois então vá você fazer terapia. – falei calmamente – Talvez você queira desabafar com ele ... Contar que abandonou o lar ... Deixou a única filha sozinha ... Ma-ma-mãezinha desnaturada – cantarolei essa última parte.
- Monstro. – ela sussurrou e desligou o telefone na minha cara.
Monstro? Eu?
Ela deixou a casa e eu sou o monstro? Coitada, é uma fraca, uma imbecil, não soube lidar com a derrota. Só porque nos flagrou transando na banheira quando eu tinha 16 anos! O marido dela começou a se insinuar para mim desde que eu tinha 13 anos, aquele tarado. Esse interesse todo dele só serviu para instigar minha curiosidade, eu percebi que ele gostava muito de assistir filmes pornôs quando a mamãe não estava em casa. Um dia, ele me deu U$ 10,00 para que eu assistisse a um filme com ele e pediu que eu ficasse completamente nua. Imitei a atriz do filme, abri as pernas e comecei a rebolar. Ele não sabia se olhava para mim ou para a TV! Descobri que eu tinha poder. Feliz com esse primeiro êxito, eu sempre o deixava passar a mão onde quisesse e sempre passava a mão onde ele pedia, afinal os U$ 20,00 do final de semana estariam garantidos. Inteligente, eu cozinhei o Wesley em banho-maria por quase dois anos. Quando fiz 15 anos minha mamãe querida me deixou viajar com uma amiga e a família dela para Miami. Morávamos em Chicago e não havia amiga alguma.
Coincidentemente, o Wesley-pica-fina (apelido carinhoso que dei a ele) ‘precisou’ viajar a trabalho e seu falso destino era Detroit. Perdi a virgindade com ele num quarto de motel quente, brega e abafado de Miami. Não contei quantas vezes e de quantas formas transamos, só sei que sai dali fudida e bem paga, literalmente. Ganhei U$ 2.000,00 de presente. Hoje em dia reconheço que o cara não era tão bom de cama, mas me ensinou tudo o que uma mulher deve fazer para satisfazer um homem. Fiquei com ele (mas não somente com ele, afinal o cara era mesmo um pica-fina) dos 15 aos 23 anos. Bem, eu precisava cursar uma faculdade, mas quem pagaria por ela? Pica-fina tinha um bom emprego numa rádio de Chicago e não foi difícil pra ele pagar minha graduação. O problema é que o velho ficou absurdamente ciumento e possessivo, estava ficando difícil burlar sua vigilância para tentar conseguir uma transa decente com algum calouro do campus da University of Illinois.
A liberdade definitiva veio com a graduação. Graças a meu charme e determinação, conheci pessoas importantes, trabalhei duro e consegui um ótimo emprego da Bolsa de Valores de Londres. Lá, refinei meus modos, aprimorei minhas metas, escolhi melhor os meus amantes. Conheci Herbert Denalli, um banqueiro inglês 34 anos mais velho que eu, esse era literalmente um pica-fina-mole. Quando nos casamos, eu tinha 26 e ele, 60 anos. Matei o velho, literalmente, mas foi sem querer. Aquele cachorro babão teve um enfarte enquanto tentava me fuder ... Coitadinho, morreu antes de gozar!
Então, aos 28 anos eu estava viúva e rica!!!
Não havia outros herdeiros, o testamento era bastante claro e absolutamente legal. Se houvesse algo sagrado para mim, eu juraria: não matei o Herbert. O velho já estava mesmo com o um pé na cova. É por isso que eu o amo tanto!
Curei meu luto com três go go boys italianos ... ao mesmo tempo.
Depois da viuvez, morei dois anos em Paris, conheci muitas pessoas e lugares. Aprendi com uma velha, minha vizinha e ex-prostituta de luxo (ela tinha sido amante de um Première belga), a aperfeiçoar minha arte.
Em Paris eu me dei conta que precisava me estudar mais e me treinar a assumir um ar de serenidade congelada. Mesmo sentindo ódio, tristeza, fome ou frio, eu precisava adotar uma postura impassível e reprimir a todo custo qualquer expressão facial que denunciasse meus reais sentimentos. Os fracos dizem que o rosto é o espelho da alma e não admito que nenhum idiota possa supor que conhece meus sentimentos.
Assim, minha velha amiga francesa me ajudou. Foi tempo de descobertas para mim, um tempo em que conheci o amor. Mas não mergulhei nas águas turvas desse grotesco sentimento, usei o conhecimento para fugir da armadilha. Eu queria inspirar amor e ao mesmo tempo fingir amor. A maior fraqueza de uma mulher é se deixar arrebatar por paixões, por isso devemos analisar com cuidado todos os atos de luxúria.
Assim que me senti preparada, voltei aos Estados Unidos. Fui à Chicago e procurei minha mãe somente para esfregar na cara dela que eu me tornei uma mulher de verdade e que cheguei aonde cheguei sem precisar dela.
A herança deixada por Herbert foi cuidadosamente aplicada em vários fundos de investimentos, por isso não preciso trabalhar para viver. Mas trabalhar faz bem e me ajudar a ter contato com pessoas interessantes. Adoro o mercado financeiro, é excitante e competitivo assim como uma conquista que termina numa boa transa.
O celular tocou de novo. Droga! Era Jack Jordan, o presidente do banco.
- Oi Jack! – fiz minha melhor voz de serenidade.
- Tanya, você pode vir à minha sala?
- Ok, chefe, chego em cinco minutos.
Mudei para Seattle há três anos e comecei a trabalhar no Bank of West, alcancei rapidamente o cargo de Diretora Financeira e então comecei a encenar meu gracioso teatro para todos. Mas cometi um pequeno deslize, não considerei a idéia de que o amante do passado poderia se tornar em inimigo do presente. E agora eu tinha dois velhos babões diretores querendo a minha cabeça só porque eu havia trocado um pelo outro!
Idiotas ...
Fui ao banheiro (cada Diretor tinha um banheiro privativo na sala), retoquei a maquiagem, ensaiei um sorriso bonito e disse a mim mesma:
- Você é linda! Maravilhosa!
Bati suavemente na porta.
- Jack? – falei com cautela.
- Entre.
Merda, não gostei do tom de voz dele. Caminhei com passos firmes e sentei na cadeira a sua frente.
- Tanya, você decidiu quando vai sair de férias? – ele se inclinou para frente e tentou me persuadir.
Argh! Odeio ser pressionada. Há duas semanas eu fui ‘convidada’ a tirar uns dias de folga, pelo menos até que a raiva do meu último troféu (Stephen, o Relações Públicas do banco) passe. Aquele idiota! Ele cogitou a possibilidade de se divorciar da esposa para poder fica comigo. É um maluco!
- Jack, entenda uma coisa. – falei docemente – Eu não posso me afastar agora, não quando o banco está sendo vendido. Não pretendo tirar férias nem tão cedo.
- Tanya! – ele falou exasperado – Eu gosto muito de você e admiro seu trabalho, não quero lhe prejudicar, mas não posso deixar que essa situação continue. Hoje cedo o Stephen e o Bill quase foram aos socos por sua causa ...
Bill, outro idiota, o acionista do banco, tivemos um rápido e fugaz relacionamento. Ele também achava que seria pra sempre. Pensei rápido e encontrei uma solução
- Jack, você não pode me culpar por isso. – mantive minha voz meiga – Mas eu não quero prejudicar ninguém e tenho o maior respeito pelo banco. Consiga para mim uma transferência, eu não me importo em perder a Diretoria de Finanças. Tenho capacidade para trabalhar em qualquer outra unidade e em qualquer outro lugar.
- Oh! Minha querida Tanya ... – ele falou completamente embevecido – Eu ... eu não achava que você fosse abdicar assim tão fácil de seu lugar na diretoria ...
OMG ... Ele caiu como um patinho ...
- Jack ... Eu ralei muito para chegar até aqui, amo o que faço. Mas eu amo mais ainda o nosso banco, nós somos como uma família. E as pessoas nas famílias se ajudam, não é? Para o bem de todos, eu não me importo em ser transferida.
- Tanya, obrigado. – ele envolveu minhas mãos nas suas – Que tal Olimpya, é uma cidade muito bonita ... nossa agência lá é muito grande e ...
- Não! – cortei de imediato – Eu ainda não me decidi para onde vou.
- Mas ... mas eu preciso providenciar tudo o mais rápido possível ...
- Eu vou pensar e lhe digo no final do dia.
O velho assentiu e selamos nosso acordo com um abraço. Sai dali e marchei para o 4º andar, onde ficava o RH. Enquanto andava, cantava uma música de Lady Gaga.
- P-p-p-poker face, p-p-poker face (c-c-c-cara de blefe ) P-p-p-poker face, p-p-poker face (c-c-c-cara de blefe).
Encontrei o Jimmy sentado em sua escrivaninha devorando um donuts de com calda de chocolate.
- Ta-tanya ... como vai minha deusa? – ele falou de boca cheia.
- Olá Jimmy. – sentei em sua mesa, de frente pra ele – Querido eu estava precisando de um favorzinho seu ...
Ele arqueou as sobrancelhas e sorriu presunçoso.
- Com prazer, minha deusa.
- Quero participar do processo seletivo dos candidatos a Gestor de Negócios. Quero fazer a avaliação de espanhol.
- Tu-tudo bem. Você deve estar na sala de reuniões às 14hs em ponto.
Dei um beijinho naquela bochecha gorda dele e sai dali exultante. Enquanto conversava com Jack, eu me lembrei dos intensos e brilhantes olhos verdes de meu adorável desconhecido do elevador. Ele trabalhava em alguma agência do banco e eu iria para onde ele estivesse. Voltei para minha sala e me deitei no divã de couro, comecei a refinar meus planos. Aquele dono dos olhos verdes teria que passar naquela prova. E na hora da entrevista, eu teria que tirar todas informações possíveis de meu adorável novo brinquedinho.
Senti tanta luxúria e em tão pouco tempo que achava que iria explodir de tanto tesão ... Uma batida na porta me trouxe à realidade. Sentei no divã e fingi ler o jornal, murmurei um ‘pode entrar’ e sorri gentilmente para Nahuel, o garoto do carrinho de correspondências.
- Bo-bom dia, Sra. Denalli. – um fedelho não tirava os olhos de minhas pernas – Trouxe sua correspondência.
Resolvi torturá-lo. Levantei, peguei o envelope e coloquei-o em cima da mesa. Nahuel me entregou o recibo e eu virei de costas, empinei minha bunda pra ele e assinei o papelzinho. Escutei quando ele ofegou.
Puta que pariu! Olhei para o garoto de cima a baixo e vi um crescente volume entre suas pernas. Tadinho ...
Não perdi tempo, eu daria a ele uma coisa e ele me daria outra. Fui até a porta e a tranquei, dei dois passos até o garoto, toquei gentilmente em seu rosto com uma mão e, usando a outra mão, apertei seu membro com um pouco de força.
- Meu honeyboy que tal se a gente resolvesse esse seu probleminha, hein? – sorri e ele assentiu abobado – Você tem camisinha aí na sua carteira?
Ele assentiu de novo, dessa vez com a boca aberta. Ataquei seus lábios com fúria, tinha gosto de chiclete de tutti-frutti, ele me abraçou com força, colando nossos corpos. Sentei na mesa e abracei-o com as pernas, o garoto até que tinha pegada. Tirei seu cinto, abri sua calça, ele se encarregou de se despir, levantei a saia (eu nunca usava calcinha) e peguei o preservativo, colocando-o em seu pênis (ainda bem que era grande). Ele me penetrou com força, ânsia e desejo, controlei nossos movimentos e pouco tempo depois alcançamos o prazer. O garoto estava suado, ofegante e feliz, ele olhava para mim como se não pudesse acreditar no que aconteceu.
- Docinho ... – falei com suavidade – Isso só deve ficar entre nós. Ok? – ele assentiu – Agora, eu preciso de um favorzinho seu. Você faz? – assentiu de novo – Traga para mim, o mais rápido possível, uma cópia da lista completa de todos os candidatos a Gestor de Negócios.
- Mas ... mas Sra. Denalli, como eu vou conseguir fazer isso?
Ah! Não ... Idiota ...
- Docinho ... Eu não quero saber como você vai fazer isso. – abri mais as pernas – Mas tenho certeza que meia hora é tempo suficiente. Quem sabe o que podemos fazer quando nos encontrarmos de novo?
- Vo-vou tentar ...
- Tentar, não, docinho! – ronronei – Você vai conseguir, afinal eu ainda quero saber se a sua chupeta é doce assim como seus lábios.
O sorriso pervertido dele me deu a resposta. Vinte minutos depois eu estava numa ligação com um cliente quando o garoto bateu na porta e entrou com um sorriso vitorioso nos lábios e uma cópia da lista na mão. Encerrei a ligação, tirei o telefone do gancho, fui até a porta e a tranquei, peguei o papel e guardei-o na gaveta. Não trocamos palavras. Empurrei o garoto para que se sentasse na cadeira, peguei uma almofada, coloquei-a no chão e peguei um copinho descartável.
- Docinho, nem pense em pegar em minha cabeça, sei muito bem o que devo fazer e não ouse gritar ou gemer. – ele assentiu ansioso.
Fiquei de joelhos sobre a almofada, tirei sua calça e comecei a acariciar com as mãos um membro ainda meio flácido e pequeno. Pouco tempo depois, um enorme mastro estava em minha boca. Enquanto eu chupava uma coisa que não tinha a menor graça para mim, pensava em meu desconhecido de olhos verdes. Imaginava seu pênis em minha boca e ele gemendo meu nome alucinadamente. Quando o garoto gozou, acumulei seu líquido em minha boca e o cuspi no copo. Se fosse o dono daqueles olhos verdes, eu beberia tudo com satisfação. Levantei, ajeitei minhas roupas e me dirigi ao banheiro para escovar os dentes e me livrar do conteúdo daquele copo.
- Quando sair, feche a porta. – falei para um garoto meio inerte.
Minutos depois, eu estava acessando pastas confidenciais do sistema do banco. Pesquisei nome por nome, no 19º da lista, achei quem eu queria. Em seu arquivo havia uma foto muito recente, até na foto ele era um tesão.
Nome: Edward Fields
Data de nascimento: 11/07/1987
Estado civil: casado
Dependentes: Isabella Fields, John Anthony Fields, Edward Thomas Fields
Agência onde trabalha: Forks
Cargo: Assistente administrativo
- Casado ... – sorri e sussurrei – Isso só fará minha caçada ser muito mais excitante!
A entrevista foi muito interessante. Percebi que quando ele falou na esposa e nos filhos, seus olhos sorriram com muita ternura. Rapidamente refiz meus planos, ele era um homem de família e parecia ser uma pessoa cheia de moral e princípios. Voltei à sala de Jack.
- Forks? – o velho me olhou desconfiado.
- Sim, Jack. – sorri – Pesquisei um pouco e vi que é uma boa cidade, com ótima qualidade de vida e grande perspectiva de crescimento econômico por causa da empresa de celulose e papel que está sendo instalada. Vai ser um desafio novo para mim.
- Minha querida, você adora desafios, hein? – ele sorriu.
Assenti com a cabeça e me forcei a ter um brilho de falsa alegria nos olhos.
- Sim, mas eu tenho uma condição. – falei com cautela – Quero chefiar a unidade de grandes clientes, atendendo pessoas jurídicas.
- Mas a equipe de Forks está completa.
- Transfira alguém. – falei com simplicidade.
- Não sei, Tanya. – ele parecia refletir – Vou ligar para o Gerente Geral de lá e ver o que podemos fazer.
Menos de uma hora depois, enquanto eu estava na minha sala, falando ao telefone com um corretor de imóveis (eu precisava de um lugar para morar naquele fim de mundo chamado Forks), meu celular tocou, era Jack. Me despedi do corretor e atendi ao meu chefe, ele disse que em Forks, a Gerente da Unidade Pessoas Jurídicas, uma tal de Irina não-sei-das-quantas queria ser transferida para a sede do banco. O lugar dela já era meu. Agora, só faltava o meu bom-samaritano (apelido carinhoso que dei ao meu Edward) passar naquelas provas.
- Vamos trabalhar juntos, meu amor ... – sorri enquanto olhava sua foto na tela do meu PC – E seremos muito felizes ...
Naquela mesma noite, enquanto tomava meu uísque, na sala de estar de meu apartamento, eu pensava no meu homem. Se Edward era mesmo um cara tão família quanto aparentava ser, eu teria de chegar devagar. O jogo da sedução não poderia ser tão agressivo. Minha estratégia seria: me tornar amiga dele, conquistar a confiança de sua esposa, minar as bases de seu casamento e conquistar terreno.
Como seria Isabella? Com certeza uma garota muito esperta! Afinal, segurar um homem daquele deveria requerer muita perícia. Mas ela não seria mais esperta que eu ...
No Natal eu fui para Vancouver, para descansar um pouco em meu chalé e continuar refinando meus planos. De volta a Seattle, recebi a feliz notícia que meu adorável Edward passou nos exames, fui à sala de Jack e o fiz prometer que não mexeria na formação dos funcionários de Forks. Eu mesmas queria escolher meus novos Gestores de Negócios. Ele concordou. Liguei para o corretor, pressionei-o para conseguir logo uma casa para mim nos arredores de Forks. No dia seguinte, recebi a resposta: uma adorável mansão de frente para p Lago Pleasant, há menos de vinte minutos de Forks. Solicitei ao banco uns dias de folga para poder providenciar minha mudança.
A casa era perfeita, sua arquitetura moderna e luxuosa me atraiu.
A vista para o lago e o Mount Rainier era de tirar o fôlego.
Havia um jardim interno, uma varanda coberta com fibra de vidro e anexa a ela, uma piscina coberta também. Os fundos da casa tinham outra visão privilegiada para o lago.
Aquilo era o que eu precisava, eu não, nós. Requinte, luxo, sofisticação e discrição para nossos encontros. Um lugar bonito, tranqüilo e aconchegante para os gêmeos crescerem. É claro que eu contrataria uma babá! Não suporto crianças ...
Contratei um batalhão de decoradores, designes e arquitetos. Eu queria aquela casa mobiliada e pronta em menos de 15 dias! Consegui, dinheiro compra tudo!
- A senhora gostou do quarto de seus filhos? – a decoradora perguntou com grande expectativa.
- Não são meus filhos. – falei enquanto meus olhos percorriam o ambiente – Meu namorado tem dois bebês gêmeos e logo, logo estará se divorciando da mãe deles. – falei com doçura – Gostei do quarto, os meninos vão gostar também.
Fomos até a minha nova suíte.
Tudo ficou perfeito, eu me mudei no final de semana seguinte. Forks era um lugar medonho, pequeno e frio. Eu ainda não tinha me apresentado à cidade, faria isso em grande estilo, depois que me apresentasse ao banco.
Finalmente assumi meu novo cargo no dia 17 de janeiro. O lugar era uma calmaria só, por isso quase me desconcentrei de tudo ao meu redor. Edward, meu adorável Gestor de Negócios, estava encantado com seu novo cargo e novo salário. Fui chegando devagar nele, sempre fingindo modéstia e timidez.
Treinei minha cara de anjinho no espelho, ficou ótima!
Sempre fiquei por perto, ajudando meu Edward no que fosse preciso, mas sem parecer muito grudenta. Eu exercia um papel maternal, ajudando-o nas suas novas atividades, anunciando sem palavras, somente com minhas atitudes e sorrisos, que ele sempre podia contar comigo.
Nossas poucas conversas que não giravam em torno do banco, ele abordava palavras abjetas como família, amor, paz, felicidade, Isabella, Anthony, Thomas ... Eu fingia interesse, sorria e elogiava a beleza de sua esposa e filhos.
Alguns dias depois, eu já estava mais entrosada com minha equipe e resolvi fazer um almoço em minha nova casa para conhecer melhor todo mundo. As famílias DEVERIAM vir também. Aquele almoço era para eu me aproximar de Isabella. Eu queria mostrar a ela a minha casa. Ela teria que ver o quarto onde seus filhos viveriam dentro em breve. Eu faria questão que ela entrasse em meu quarto, mostraria a ela aquela deliciosa banheira de hidromassagem.
Quando Edward estivesse comigo, transando naquela cama, me comendo naquela banheira e Isabella estivesse em casa se consumindo de dor, eu queria que ela soubesse EXATAMENTE onde seu marido estava.
O dia do almoço chegou, conheci um monte de gente desinteressante. Uma jovem, muito jovem, de longos cabelos castanho avermelhados e olhos cor de chocolate (ela era exatamente como na foto, patética) segurava um bebê babão. Ao lado dela, meu Edward segurava outro bebê babão. Eles pareciam uma família perfeita ...
Assim que troquei um par de palavras com aquela coisa, percebi que seria muito fácil.
Humilhá-la seria um prazer!
Eu faria aquela inexperiente mulher arder de tanto ciúme, afinal, os ciumentos não raciocinam. Ela enlouqueceria a ponto de me entregar Edward de mãos beijadas.
Isabella não teve o poder de me ameaçar e nem a força para me intimidar.






