Fanfics da Annablue

Onde achar as Fanfics da Annablue:



- Vem Comigo, Amor

http://www.twilightbrasil.net/fanfics/viewstory.php?sid=4171

http://www.fanfiction.com.br/historia/68149/Vem_Comigo_Amor


- Paradise

http://www.fanfiction.com.br/historia/120648/Paradise



- Música Das Sombras - adaptação do livro homônimo. (Fic concluída)

terça-feira, 1 de março de 2011

Vem comigo, amor - Capítulo 56

Desde Quando


POV BELLA

De volta à sala de estar, Will (como o pai de Jasper gosta de ser chamado) e Lilian nos explicaram que a família Mansen possuía aquela fazenda há muitos anos. Mas só depois da aposentadoria de Will (ele era agente do FBI assim como seus filhos), eles resolveram trabalhar na área de agricultura. Seu negócio era cultivar frutas sem nenhum aditivo químico e vendê-las no lucrativo mercado de ‘comidas naturebas’, mas a fazenda ainda tinha alguns cavalos, cabras, porcos, galinhas e sei-lá-mais-o-quê.
- Mas vocês também negociam animais? – Ed perguntou.
- Um pouco. – Will sorriu ao responder – Os cavalos são nossos e vez ou outra a gente compra um filhote puro sangue pra revender depois. Das cabras a gente toma o leite e come a carne do bode. Já comeram churrasco de bode? Hum... é uma delícia!
- É uma carne muito saudável também! – Lilian completou.
- Os porcos e as galinhas na verdade são da cooperativa da cidade. Nós apenas alugamos o espaço para eles ficarem, muitos fazendeiros daqui fazem isso. – Will completou - A cooperativa tem tratadores e veterinários para cuidar dos animais e levá-los no tempo certo para o abate.
- Assim que se acomodarem e descansarem, nós vamos levá-los para conhecer tudo! – Lilian sorria enquanto fazia festinha com os meninos – Não é, bebês lindos?! – ela se derretia para eles – Quem é quem, Marie?
- Thomas é o que está no colo de Tony. – falei, apontando para meu filho e marido que estavam sentados ao meu lado – E Anthony é este rapazinho aqui. – coloquei meu bebê em pé no sofá.
Lilian estava sentada numa poltrona, mas veio para o imenso sofá onde nós estávamos.
- Ooohhh... Mas eles são tãããooo lindos... E se parecem tanto com o pai! – ela demorava nas palavras, fazendo caras e bocas para os meninos.
Eles adoraram aquilo. Anthony se jogou para ela de imediato e Thomas, que estava no colo de Ed, se jogou para mim, mas ele só estava de passagem, e depois se jogou para Lilian, ficando os dois no colo dela. Will ficou encantado com os meninos e também levantou de sua poltrona e se ajoelhou diante da esposa, passando a brincar com meus gêmeos. Os meninos prontamente deram atenção a ele e se jogaram em seus braços também! Os Mansen não contaram conversa, se levantaram com meus bebês nos braços e ficaram andando pela sala com eles, mostrando vários objetos aos dois, mas pararam diante de um enorme aquário, já que os meninos ficaram encantados com os peixinhos nadando. Depois saíram com os meninos em direção à varanda, mostrando a eles tudo o que podiam. Da sala, a gente podia ouvir o risinho de sinos deles!
Aquela cena era emocionante... Senti um nó na garganta e um aperto no peito, meus olhos estavam úmidos. Imaginei que se meus pais e sogros estivessem vivos, eles agiriam com meus filhos da mesma forma. Senti Edward apertar minha mão e me puxar para o calor de seu peito num abraço bem gostoso, por fim, ele sussurrou.
- Eu sei, eu sei... também lembrei deles...
Nosso contato foi quebrado quando ouvi um pigarrear alto e passos pesados virem em nossa direção. O pigarro foi de Mirna, a governanta, nossos olhares se cruzaram e, por uma fração de segundos, eu não a achei tão sorridente e fofinha como tinha achado antes. Os passos eram de Juan Carlos que voltava à sala e se esparramava numa cadeira balanço.
- Mirna, tem mais daquele suco de uva? Lá fora tá um calor desgraçado. – ele falou com um pouco de sotaque espanhol.
Ela apenas assentiu e foi à cozinha, voltando logo em seguida com uma jarra de suco. Nesse meio tempo, percebi que meu marido e Juan Carlos se olhavam com cautela. Mirna serviu suco ao mexicano e veio em nossa direção, oferecendo mais suco, nós aceitamos e enquanto ela nos servia, comentou.
- Finalmente estamos conhecendo vocês! – ela se virou para Juan Carlos – Não é mesmo, Juan? – ele respondeu com um aceno de cabeça – Sim, porque na última semana nós trabalhamos como loucos aqui. Os Mansen estavam viajando ainda, mas nos ligavam a cada trinta segundos para saber se os móveis e roupas que Rose e Jasper haviam comprado tinham chegado.
- Foi um corre-corre medonho. – Juan Carlos murmurou.
- Suponho, então, que vocês vão ficar aqui por muito tempo, não é?
A governanta no imprensou contra a parede, mas fomos salvos pelo gongo quando uma empregada apareceu na sala de estar. Ela era muito jovem, talvez até mais jovem que eu, baixinha, seios fartos, formas arredondadas, morena e dona de olhos negros muito vivos.
- Mirna, Mirna, Mirna! – ela cantarolava, mas estacou assim que nos viu na sala, na verdade, ela empacou quando pôs os olhos no meu marido, sorriu sem graça, não tirou os olhos dele e murmurou – O ... pe-peixe já está no ponto...
Meu Deus do céu!
A cena foi muito cômica. A empregada limpou as mãos no avental nervosamente, passou as mãos nos cabelos presos num coque alto, sentou numa poltrona em frente a nós e murmurou.
- Oh... Vocês são os sobrinhos do Sr. e Sra. Mansen? – nós assentimos com a cabeça – Minha Nossa Senhora! – ela levou a mão à boca – Beleza é de família mesmo... Sim, porque Rosalie é muito linda e Jasper então...
- Rubí! – Mirna a repreendeu com severidade, fazendo-a corar violentamente e ficar de pé num pulo – Estes são o Sr. Carmichel e a Srta. Didier.
- Mu-muito prazer! – ela estendeu a mão para nós – Rubí Gomez, sua criada!
- O prazer é meu, Rubí e pode me chamar apenas de Marie... – sorri, fazendo-a corar mais ainda – Seu nome é muito bonito, faz jus a suas bochechas coradas!
- Gracias, señorina...
- Prazer em conhecê-la, Rubí. – Ed sorriu – E pode me chamar de Tony.
- Sim, senhor e prazer em conhecê-los! Senõrina, você é muito bonita, parece estrela de cinema... Não, não, vocês dois parecem príncipes da família real...
OMG... Segurei o riso! Como aquela jovem era engraçada e atrapalhada, mas igualmente terna e alegre! Gostei muito dela e acho que vamos nos dar muito bem!
- Chega, Rubí! – Mirna falou com uma voz firme, fazendo-a se sobressaltar – Volte para a cozinha e prepare a salada...
A moça assentiu fervorosamente e fez uma mesura engraçada para mim e Edward, saindo desajeitadamente para a cozinha. Mas ela girou em seus calcanhares e se voltou para mim.
- Oh! Sim, eu já ia me esquecendo! – ela deu uma tapinha na própria testa – A Sra. Mansen pediu que eu fizesse uma sopinha de carne e legumes para seus bebés. Eles gostam de sopinha de carne não é?
- Gostam sim. – sorri e assenti – Mas se não for muito incômodo, você poderia passar a sopa no liquidificador? Eles só gostam se sopinha cremosa.
- Sim, sim! Agorinha mesmo, señorina, e não se preocupe, eu cozinhei batatas, cenoura, chuchu, espinafre e brócolis junto com pedacinhos macios de carne e usei um tempero bem suave.
- RUBÍ!– a governanta interveio e aquilo me deu nos nervos, senti vontade de defender a cozinheira.
- Tenho certeza que eles vão adorar seu tempero, Rubí. – falei com bastante clareza – Muito obrigada, é muita gentileza de sua parte.
Ela sorriu mais uma vez, fez outra mesura engraçada com a saia de seu uniforme e voltou apressada para a cozinha.
- Vocês não responderam a minha pergunta. – Mirna se voltou para nós – Vão ficar quanto tempo conosco?
- Tempo suficiente, Mirna. – Lilian falou assim que entrou na sala com Will e meus filhos em seus braços – A hospitalidade da família Mansen não tem prazo para terminar... – percebi seu tom de voz severo.
A governanta ficou surpresa, se empertigou, sua boca se contorceu numa pequena careta e depois ela sorriu com uma falsa doçura.
- Naturalmente, Sra. Mansen. – ela pegou a bandeja – Com licença... – e saiu da sala.
O clima pesado foi rapidamente quebrado quando Juan Carlos se levantou da cadeira.
- Sr. Mansen, vou à cidade agora para buscar Guadalupe. O senhor vem comigo?
- Não, não, Juan. – Will entregou Thomas para mim e se dirigiu a Edward – Eu e Tony precisamos conversar agora.
Meu marido assentiu e o seguiu até o escritório, enquanto Lilian sentou com Anthony ao meu lado.
- Com licença. – Juan Carlos falou e saiu da sala.
- Guadalupe, ou Lupe, como gosta de ser chamada, é a moça que eu pré-selecionei para ser a babá dos meninos. – eu olhei para Lilian sem entender muito – Ela tem apenas 18 anos, mas a conheço desde criancinha e é uma garota adorável e responsável, mas a palavra final é sua, claro.
- Mas... mas, Lilian, nós não estamos em... – guinchei – condições financeiras para contratar uma babá agora e...
- Não, não! – ela negou com a cabeça e com um gesto de mão – Não vamos falar disso! Nossos homens estão conversando sobre essas coisas chatas agora! – ela apontou para a porta do escritório de Will – Vamos aproveitar esse tempinho que temos juntas e vamos conhecer o seu sobrado, Marie!
Agarrados a mais biscoitinhos de manteiga, os meninos pareciam muito à vontade na nova casa e subiram comigo e Lilian para conhecer o nosso cantinho. A enorme casa dos Mansen, na verdade uma mansão, possuía vários cômodos e conforme Lilian me explicou, foi necessária erguer apenas uma parede de gesso e colocar uma porta no final do imenso corredor para que o sobradinho onde vamos morar ficasse pronto e separado dos demais cômodos da casa.
- É muita gentileza sua alterar as estruturas de sua casa para nos receber. – falei enquanto passávamos pela sala de jogos.
- Oh, querida, - ela sussurrou – eu sei de TUDO o que vocês passaram. – ela fez uma pausa e suspirou – Além do mais, toda família precisa de privacidade.
- Obrigada, Lilian. – falei emocionada.
Estacamos diante de uma enorme porta dupla cor de marfim, ela pegou minha mão e a colocou sobre a maçaneta da porta.
- O novo lar de vocês... – ela disse.
Deus do céu! Que sala linda! Ela tinha as paredes pintadas com um amarelo cremoso, como... como um sorvete de creme mesmo! O teto era branco, os móveis eram uma mistura de madeira clara e escura e havia um sofazinho de dois lugares de tecido dor de areia, uma poltrona de balanço, uma TV e um mini-som.
- Você gostou, Marie? - Lilian me olhava cheia de expectativas.
- É linda!
- Veja o detalhe da lareira. – ela apontou para o canto esquerdo da sala – Ela é alta e não oferece nenhum risco aos bebês! E por falar em bebês, - ela apontou para o espaço vazio atrás do sofá – compramos este cercado aqui, assim eles vão poder brincar sossegados!
- OMG... – me derreti – Estão vendo só, bebês? - fui até o cercado com eles – Vocês já ganharam brinquedinhos novos!
Eles olharam para mim e sorriram!
- Venha, Marie, vamos conhecer o resto da casa! – Lilian falou.
Entre a lareira e a parede onde ficava a TV, começava um pequeno corredor e quando abri a primeira porta, meu queixo caiu, o quarto era lindo. Havia uma enorme cama de casal de madeira clara, ladeada por duas mesinhas num tom um pouco mais escuro. Próxima à janela, uma charmosa escrivaninha escura fazia conjunto com uma cadeira revestida com um tecido cor de areia, o mesmo tecido das cortinas. As paredes do quarto também eram amarelas e o teto, branco. O mais interessante foi a simples decoração do ambiente. Havia pratos antigos nas paredes, dois abajures de cristal nas mesinhas laterais à cama e um lindo vaso com gladíolos brancos e rosas brancas sobre a escrivaninha.
- Este quarto é lindo... – murmurei enquanto girava pelo ambiente.
- Boa parte desses móveis pertenceu à vovó e vovô Mansen. – Lilian confidenciou – Espero que você não se incomode com isso.
- Claro que não! – sorri – Eles tiveram um casamento feliz?
- 53 anos de muita felicidade e tiveram o único filho, o meu Will! – ela sorriu – Eram sogros maravilhosos!
- Então, - fui para perto dela e sussurrei - eu e meu marido teremos sorte!
Quando eu já ia sair do quarto, ela segurou meu braço.
- Faltou ver o closet!
Foi aí que eu reparei na outra porta que havia lá. Entramos e eu me espantei com o tamanho dele. Mas suspirei resignada, eu e Edward havíamos trazido pouquíssimas roupas, ia sobrar muito espaço ali.
- Rose e Alice ficaram de mandar suas roupas na próxima quarta-feira via FedEx. – ela sorriu – Ah! Eu simplesmente adoro aquela minha nora! Meu Jasper é um novo homem agora! E não vejo a hora de conhecer meu genro e...
- Roupas? – guinchei – Roupas? Quer dizer que eles foram até Forks para pegar nossas roupas?
- Oh! Não, querida! – ela falou enquanto saíamos do closet – Eles vão mandar roupas novas mesmo!
Eu não entendi bem o porquê de roupas das novas, mas deixei quieto. A porta seguinte era de um pequeno e charmoso banheiro, com chuveiro e tudo o mais, só que uma linda banheira retrô ficava na parede oposta, ladeada por janelas cobertas de persianas. Quando me aproximei da banheira, tive uma surpresa. Havia duas cadeirinhas de bebê ali dentro!
- Ah! Estávamos em NY quando Jazz nos disse que receberíamos vocês e os gêmeos. – ela sorriu e acariciou a bochecha de Anthony que estava em seu colo – Rose nos disse que eles já tinham oito meses de vida, então a vendedora de uma loja de departamentos nos indicou essas cadeirinhas de banho!
Lilian me explicou que aquelas cadeirinha para banheiras eram para os meninos tomarem banho na banheira de adultos. Sorrindo, ela se lembrou que Jasper e Rose, por volta dos seis meses de vida, faziam do banho uma hora de festa, alagando tudo ao redor, pois usavam banheirinhas convencionais de bebê.
- Ah! Mas esses anjinhos aqui também costumam fazer a mesma coisa! – sorri me lembrando que Sid sempre enxugava o chão depois de cada banho dos meninos.
- Então, com essas cadeirinhas, você pode até encher a banheira de brinquedos e inclusive tomar banho junto com eles. A vendedora da loja nos disse que essas cadeiras são ótimas para que tem gêmeos pois você pode dar banho neles ao mesmo tempo!
- Você teve uma excelente idéia, Lilian! Muito obrigada, mesmo!

http://i879.photobucket.com/albums/ab360/annablue26/Houses_Places/sobrado2.jpg 

- Agora, Anthony, - ela olhou para o bebê em seus braços e para o outro que estava comigo – e Thomas, vamos conhecer o quartinho de vocês!
Voltamos ao corredor e a última porta era a do quarto deles, de repente, meu coração ficou acelerado. OMG... Senti um nó na garganta ao me lembrar do antigo quartinho deles que era tão lindo e havia sido feito com tanto carinho... Minha tristeza foi espantada pelo quartinho amarelo mais lindo do mundo!


OMG... Uma das paredes era forrada por um papel amarelo e branco, as outras eram apenas amarelas, os móveis eram brancos e havia muitos brinquedinhos nas estantes, os berços eram lindos, brancos e dispostos lado a lado, assim como o quartinho deles de Forks! Senti meus olhos lacrimejarem e minhas penas tremeram, havia uma poltrona ali, onde eu sentei com Thomas no meu colo. Rapidamente tentei disfarçar as lágrimas, Lilian percebeu meu estado e sentou no braço da poltrona.
- Marie? O que foi, filha? Você não gostou? A gente pode mudar tudo!
- Não, não! – neguei rapidamente – Eu... eu só estou emocionada, sabe? – ela assentiu minimamente – Esse quartinho é lindo, perfeito e é a prova de que apesar de tudo, nós temos pessoas maravilhosas em nossas vidas. – tentei sorrir em meio às lágrimas – Pessoas que não deixam que pessoinhas inocentes, - apontei para meus filhos – sofram mais ainda.
- Oh! Querida! – ela me abraçou, colocando os meninos entre nós – Rose tinha razão, você é adorável, meiga, gentil, forte e muito determinada em seguir em frente.
Pra tentar espantar a tristeza, Lilian se levantou e ergueu Anthony, mostrando a ele os aviõezinhos que estavam pendurados no teto.
- Olha, Anthony! – ele ergueu os bracinhos para tentar alcançar os brinquedos.
Fiz o mesmo com Thomas e justo nessa hora, o vento entrou pela janela, fazendo os aviões balançarem, arrancando risinhos de alegria de meus filhos! Lilian se afastou um pouco e abriu uma porta dupla que tinha ao lado de um dos berços.
- Espero que você das roupinhas que Rose e Alice escolheram pra eles!
Meu queixo caiu! Tinha muitas roupinhas ali, sapatinhos, camisetas, camisas de botões, bermudas, calças compridas, jogos de berço e de banho e quase tudo ainda estava com etiquetas!
- Aí tem roupa para até o segundo ano de vida deles! – Lilian falou.
- São lindas! – meus dedos percorreram os cabides rapidamente – Mas... mas, dois anos?
- As orientações de Jasper para nós, foram que a gente criasse um ambiente que proporcionasse a vocês o máximo de conforto para o longo prazo. – ela se aproximou mais de mim e sussurrou – Parece que agora eles conseguiram coisas suficientes para a justiça processar aqueles crápulas.
- Deus do céu! – guinchei – Verdade?
- Sim! Will está conversando com Tony sobre isso agora! A conversa incluiria você também, mas como Lupi ainda não chegou, seria difícil conversar e cuidar dos gêmeos. – ela sorriu – Esses anjinhos têm muita energia!
- Ah! Tem mesmo, você ainda não viu nada! – sorri concordando.
De volta à sala de estar, percebemos que nossos maridos ainda estavam conversando no escritório e Lilian me chamou para a sala de TV.
- Bem, eu e Will tomamos a liberdade de fazer um playground para os meninos aqui também. – ela apontou para um imenso cercado cheio de brinquedos que estava no canto da sala de TV. Os meninos sorriram ao ver o espaço colorido e começaram a apontar para os brinquedinhos, nós os colocamos lá e imediatamente eles começaram a brincar!


Depois eles olharam para mim e estenderam suas mãos gordinhas, me chamando.
- Ma-ma!­ – disseram em coro e sorriram, eu entrei no cercado e comecei a brincar com eles.
Enquanto isso, Lilian nos assistia, sempre sorrindo e acenando para os meninos, eles acenaram também e eu comecei a ensiná-los a chamar pelas pessoas. Eu repeti várias vezes a frase ‘vem cá’, os dois olharam fixamente para os meus lábios e depois Anthony disse:
- Cá... cá... – demorando bastante nas sílabas.
- Acá. – Thomas falou somente isso, mas com bastante ênfase e em alto e bom som.
Lilian ficou espantada com o aprendizado deles e confesso que eu também fiquei, então ela entrou no cercado e se sentou ao lado deles. Enquanto brincávamos, recebi vários ‘beijos’ babados de meus filhos e meu coração se derreteu todo para eles... E como se pudessem entender que todos aqueles brinquedos, as roupas, a casa e tudo o mais eram hospitalidade dos Mansen, eles engatinharam até Lilian, se apoiaram nela para ficar de pé e beijaram (babaram) seu rosto. Foi uma cena linda de se ver! E se eu fiquei emocionada, ela ficou mais ainda porque na mesma hora os abraçou e lhes deu muitos beijinhos estalados, arrancando risinhos deles.
Nossas brincadeiras foram interrompidas pela chegada de Juan Carlos à sala, acompanhado de uma garota muito novinha, magricela, pele bronzeada, cabelos e olhos negros. Ela parecia muito tímida e quase se escondia atrás dele.
- Ah! Lupi, você chegou! – Lilian exclamou – Veja! – ele apontou para os gêmeos – Estes aqui são os bebês de que lhe falei e esta aqui é a mãe deles, a Srta. Marie Didier. – a garota sorriu, mas parecia nervosa – Vou deixá-las conversando um pouco.
Lilian ficou onde estava e eu saí do cercado e fui me sentar no sofá, Lupi me seguiu. Pela minha visão periférica, percebi Juan Carlos sentado no chão, do lado de fora do cercado, brincando e ‘conversando’ com meus filhos. Se Edward visse aquilo, não iria gostar nada... principalmente porque os meninos sorriam e acenavam para ele.
- Então, Lupi, qual é a sua experiência com crianças? – fui direto ao assunto.
- Eu cresci cuidando de meus irmãos mais novos, Srta. Didier. – ela falou baixinho.
- Pode me chamar apenas de Marie. – ela assentiu - Quantos irmãos você tem?
- Ah, quando eu digo irmãos, me refiro às outras crianças do orfanato. – ela deve ter visto a surpresa em meus olhos porque tratou de se explicar – A Igreja de Sainte-Louise de Marillac, aqui mesmo em Julian, tem um orfanato e eu moro lá desde os meus dois anos de idade. Mas como eu completei 18 anos na semana passada, eu preciso realmente arranjar um lugar para ficar. Foi quando a Sra. Mansen comentou com o padre que precisaria de uma babá para os filhos de seus sobrinhos e ele perguntou a mim se eu queria o emprego.
Ela falou tudo num fôlego só e ficou me olhando por alguns segundos, a expectativa e o nervosismo eram palpáveis. Várias coisas se passaram em minha cabeça. Ela era muito jovem e não tinha experiência como babá... Mas depois lembrei que Edward há pouco mais de um ano não tinha experiência em nada e Harry Miller, o gerente do banco em Forks, lhe deu um voto de confiança.
Às vezes, as pessoas só precisam se alguém para lhes estender a mão...
- Você ainda estuda, Lupi?
Eu já estava disposta a contratá-la, mas se ela ainda estudasse, isso poderia ser um problema.
- Não, não! – ela sorriu e eu vi orgulho em seus olhos – Eu já me formei no ensino médio porque fiz parte de uma turma avançada da Julian High School!
Turma avançada? Bom, muito bom, então ela é inteligente...
- E no momento, o meu objetivo é trabalhar muito, juntar grana por uns dois ou três anos pra poder financiar a faculdade! – ela sorriu amplamente – Eu já tenho quase a metade do valor necessário das taxas do primeiro ano. Meu sonho é fazer Direito, Marie!
OMG... Sorri para ela. Direito. De repente, eu me senti muito solidária àquela garota e, em meu coração, torci fervorosamente para que ela consiga ingressar na faculdade. Estendi a mão para ela e sorri de novo.
- Vamos até o cercado, se os meus filhos gostarem de você, o emprego é seu!
- Oh! Oh! Oh! Obrigada! – ela apertou minha mão e depois a beijou – Deus a abençoe, obrigada...
Os meninos não estranharam a companhia de Lupi e a incluíram na brincadeira rapidamente. Logo de cara, percebi que ficaram à vontade e sorriram muito quando ele cantou umas canções infantis em espanhol. Depois Lilian levou Lupi para conhecer seu quarto e lhe mostrar as outras dependências da casa. Quando dei por mim, percebi que Juan Carlos olhava fixamente para mim.
‘Encosto’, pensei com sarcasmo.
- Seus filhos são muito bonitos, Marie. Eles se parecem com o pai, mas são muito bonitos.
- Se isso foi um elogio, obrigada. – não consegui disfarçar a pontinha de sarcasmo na minha voz.
Ele sorriu baixinho, veio até nós e se sentou no chão novamente, bem próximos a nós, mas do lado de fora do cercado.
- Você deve mesmo ser muito apaixonada por ele porque...
Não o deixei terminar de falar, quis logo dizer a maior de todas as verdades em minha vida.
- Eu amo o Tony mais do que a minha própria vida. – falei num tom de voz baixo e contido, mas cheia de convicção.
- Bom, muito bom. – ele falou como se não desse importância ao que falei – Mas se ele te amasse tanto quanto...
- Esta conversa está meio sem sentido, Juan Carlos. – fui ríspida – Embora este assunto não lhe diga respeito, eu posso lhe afirmar que meu relacionamento com meu noivo é sustentado por um grande, verdadeiro e recíproco amor.
- Então porque ele ainda não casou com você? – ele ergueu uma sobrancelha e falou altivamente.
- Hãn? – perguntei incrédula.
- Um homem de bem casaria com você assim que descobrissem a gravidez. – ele fez uma pausa e eu não pude retrucar, aquilo me pegou de surpresa – Um homem de bem resolveria logo essa situação diante as leis de Deus e dos homens antes que os filhos nascessem. É assim que Deus ordena e...
Me empertiguei, mas me controlei e mantive o tom de voz baixo.
- Deus também diz: ‘não julgue, para não ser julgado’. – respirei fundo – Por isso, não admito que você julgue o meu noivo. Você não sabe... você não imagina... você não faz idéia de nada...
Acho que ele viu ferocidade em meu rosto e em minhas palavras, porque seus olhos se arregalaram, ele murmurou um ‘desculpe’ e voltou a sentar na poltrona onde estava.
Tentando controlar minha raiva, eu comecei a brincar com os meninos, mas volta e meia eu me sentia sendo observada por aquele fofoqueiro-moralista. Para a minha sorte, entraram na sala Edward, Will e Lilian. Tá, não foi tanta sorte assim, porque meu marido deve ter percebido o clima tenso na sala e estreitou os olhos em direção ao mexicano-metido.
- Marie, porque você não leva Tony para conhecer o sobrado de vocês? – Lilian olhou para o relógio – O almoço vai ser servido daqui a uma hora, tirem um tempinho para vocês e descansem um pouco.
Eu apenas olhei para ela e assenti, entreguei Thomas a Edward e peguei Anthony nos braços. Como se quisesse demarcar seu território, Edward roçou seus lábios levemente nos meus e depois sorriu torto. Aquilo foi o bastante para fazer meu coração disparar, seguimos para a escada, nossas mãos livres estavam entrelaçadas.


POV EDWARD

Will me levou a um típico escritório com móveis country: muita madeira e um imenso sofá de couro marrom. Ele me convidou a sentar no sofá e me ofereceu um pouco de licor, rejeitei a bebida, ele se serviu e sentou ao meu lado.
- Tony, você entende porque está aqui não é?
- Sim. Jasper nos ligou na madrugada do dia 1º de maio e nos disse que o sistema do serviço de proteção a testemunhas havia sido invadido e que nossas identidades falsas estavam acessíveis.
Então ele fez um ‘resumo da ópera’, dizendo que seus filhos, genro e nora haviam ido à Itália e depois à França para poder deixar em segurança um membro da família Volturi que estava disposto a se entregar e cooperar, testemunhando contra a própria família. Meu queixo caiu com essa notícia e caiu também quando eu soube que o FBI estava trabalhando em conjunto com a Interpol, por isso as coisas estavam caminhando tão rápido. Também fiquei sabendo que um tal de Viktor Kasalavich, o maior contrabandista de armas do mundo, estava preso na Rússia e também iria testemunhar no caso Volturi.
- Puxa vida, eu nem poderia imaginar que Jasper e Emmett tivessem que viajar até a Rússia! – murmurei boquiaberto.
- Tony, eu acho que o FBI nunca se deparou com uma investigação tão complexa quanto esta. – ele fez uma pausa – Quando isto tudo acabar, se Deus quiser, nosso país será outro!
- Eles deram alguma previsão de quando vai acabar? – perguntei esperançoso.
- Falta bem pouco, um tantinho assim. – ele fez um gesto, juntando o dedo indicador e o polegar – Para a justiça federal oferecer denúncia contra os King e os Volturi, depois disso, é só esperar o julgamento.
- Eles já descobriram que foram os mandantes e os executores dos assassinatos de meus pais e sogros? – falei com a voz embargada e os olhos úmidos.
- Ao que parece, a ordem partiu Alec Hartman, o segundo homem mais forte do FBI...
- Já ouvi falar desse homem. – falei vagamente – Jasper nos disse que ele era muito poderoso no FBI, mas que era corrupto.
- Corrupto até o último fio de cabelo. – Will completou – Aquele filho da puta estava no encalço de Bentley Chenney, o Ben amigo de seu pai de Charlie Swan. Quando ele ficou sabendo que Chenney tinha uma cópia do dossiê, deve ter colocado seus capangas para seguir todas as outras pessoas que tiveram contato com ele. Foi assim que conseguiram chegar a seus pais e sogros. 
- Mas eles foram mortos por motoqueiros...
- Dois ex-presidiários contratados por Alec para fazer o serviço, mas já estão presos de novo.
- Mas Alec será indiciado pelos assassinatos deles não é?
- Vão sim. – ele sorriu um pouco – Todos vão pagar caro. – ele fez uma pausa – Quanto a você e Marie, eu tenho algumas recomendações a fazer.
O discurso foi curioso. Deveríamos deixar nossa pick-up encostada na garagem da casa e usar a moto de Jasper e o carro de Rosalie, porque se tivéssemos o azar de sermos multados, naquele carro comprado no falso nome de Rennè, as coisas poderiam se complicar. Nos próximos dias receberíamos muitas roupas novas e uma cabeleireira amiga de Lilian viria até à fazenda para mudar um pouco o nosso visual.
- Entenda, depois que tiverem com roupas novas e um corte de cabelo diferente, não haverá perigo algum de passearem, de vez em quando, pela cidade. – ela sorriu – Sempre se apresentando como Tony e Marie, os sobrinhos dos Mansen.
- Ok. – assenti fervorosamente.
- E quando perguntarem no que você trabalha, desculpe, mas eu inventei uma história meio constrangedora. – ele fez uma careta – Vocês dois estão envolvidos numa longa disputa familiar por herança e estão com suas contas bancárias vazias, então estão passando uns tempos com os tios até tudo se resolverem.
- Tudo bem. A gente pode conviver com isso.
- Nada de usar telefone fixo para falar com Jasper e Rose, eles sempre nos telefonam, mas me disseram com vocês por uma linha segura do FBI. – assenti fervorosamente – Aqui em casa não há grampo nos telefones, mas devemos nos precaver. – ela fez outra pausa como se quisesse se lembrar de algo – Ah! Tem mais. Jasper deixou bem claro que vocês estão oficialmente fora do programa de proteção a testemunhas e não devem, sob hipótese alguma, movimentar suas antigas contas bancárias. Vocês têm algum dinheiro?
Senti minha boca seca e fiquei meio nervoso.
- Pouco mais de $ 100 mil.
- Guarde com você. – ele colocou uma mão sobre o meu ombro – Aqui será tudo por nossa conta, das fraldas descartáveis de seus filhos a cada prato de comida. E nem pense em recusar! Vocês são nossos hóspedes!
- Eu... eu nem sei o que dizer...
- Não diga nada. – ele me abraçou e eu me senti nos braços de um pai – Além de saber que estou fazendo o certo, eu me sinto prestando um serviço ao meu país. – ele falou solenemente.
Depois de tanto ‘assunto sério’ na minha cabeça, eu sai do escritório de Will disposto a passar um tempinho de qualidade com minha esposa e filhos. Minha cabeça estava latejando um pouco e eu só queria uns beijinhos de Bella pra ver se melhorava. Mas quando cheguei à sala de TV, a cabeça quase explodiu. Aquele lazarento do Juan Carlos estava olhando fixamente para Bella, ela fingia não perceber enquanto brincava com os meninos, mas eu pude sentir seu desconforto. O que aquele cocô latino queria com ela? Os olhos dele a devoravam de um jeito que somente EU poderia fazer!
‘Com que direito...? Por que ele...? Será que...?’
As perguntas dançavam freneticamente em meu cérebro e mal eu formulava uma, outra pior se formava. Ah! Como eu queria torcer o pescoço daquele leso e dizer que ele não tinha o direito de olhar para a minha mulher daquele jeito! Respirei fundo e contei até 10... mil na esperança de refrear o instinto assassino e somente consegui aplacar essa fúria, substituindo-a pela culpa: Bella deve ter sentido o mesmo em relação à Tanya. Só me dei conta da presença dos Mansen ao meu lado quando Lilian sugeriu que Bella fosse me mostrar o nosso sobrado.
Numa atitude infantil, me aproximei de minha esposa e filhos e, para demarcar meu território, beijei os lábios de Bella levemente, mostrando àquele bostinha que aquela mulher era minha.
‘Entendeu, seu cocô-man, ela é minha!’, olhei para ele de novo.
Subimos as escadas da mansão e antes de desaparecer completamente das vistas de Juan Carlos, olhei para ele num tom de desafio e pensei:
‘Toma, seu tabacudo’ e juro que tive muuuita vontade de lhe dirigir um sorriso sarcástico.
Depois de percorrermos um extenso corredor, entramos no nosso ‘apartamento’ e confesso que gostei muito de tudo. A sala, os quartos, o banheiro... tudo parece ter sido preparado especialmente para nós. Bella me falou da nova babá e eu lhe contei, sem esconder nada mesmo, o que Will tinha conversado comigo. Fomos para a sala de TV e colocamos os meninos dentro do cercado, nos sentamos no chão, bem pertinho deles e eu tomei coragem para perguntar uma coisa à Bella:
- Amor, você parecia muito desconfortável lá na sala dos Mansen. Juan Carlos te importunou com algo?
- Não, Ed... – ela respondeu rápido demais e desviou o olhar.
- Bella...
- Amor, eu... eu não quero que você se chateie com nada. – ela fez uma pausa – É besteira mesmo, ele é um boboca!
- Bella... – envolvi seu rosto em minhas mãos e lhe dei um selinho – Eu tentei te poupar das malucas investidas de Tanya Denalli e isso... isso quase acabou conosco. – olhei bem dentro de seus olhos chocolate – Não cometa o mesmo erro que eu, sei que posso lidar com a verdade.
- Tem razão. – ela envolveu meu rosto em suas mãos também e passou a depositar muitos selinhos nele – Aquele desmiolado só quis insinuar que você não me amava o suficiente porque, - ela mordeu o lábio inferior, fez uma caretinha e estendeu sua mão direita – aparentemente nós somos noivos. Ele quis dizer que se você me amasse, teria se casado comigo antes dos meninos nascerem!
Respirei aliviado, o mexicano, apesar de comer minha mulher com os olhos, não era (ou pelo menos ainda não tinha sido) sacana o suficiente para lhe passar uma cantada. Mesmo assim, eu vou ficar de olho naquele leso.
- Embora isso não seja de sua conta, ele não está errado. – falei por fim.
- Mas. Isso. Não. É. Da. Conta. Dele. – Bella falou pausadamente e fez biquinho – E eu não admito que julguem você, ninguém sabe como tem sido a nossa vida e ninguém tem o direito de...
Calei minha esposa com um beijo calmo, apaixonado, cheio de ternura e gratidão. Meu peito estava inflado de tanto amor e veneração que eu sinto por essa mulher fantástica! Porque, quando ela se depara com a chance de me torturar e de me pagar na mesma moeda, todos os males que eu lhe causei por causa de Tanya, ela tem a reação oposta e me presenteia com a verdade. Quando o ar nos faltou, sussurrei:
- Eu te amo, esposa...
- Assim como eu te amo, esposo.
Devido ao adiantado da hora, nós quatro tomamos banho juntos no chuveiro, os meninos gostaram muito e fizeram festinha com os jatos de água. Trocamos de roupa e fomos almoçar com os Mansen, conheci a nova babá, uma garotinha simpática, tímida, magricela e sorridente e o almoço poderia ter sido ótimo, mas foi apenas bom porque Juan Carlos estava presente. Argh! Juro que tive vontade de atirar na cabeça dele a sopinha feiosa que meus filhos comiam com tanto gosto!
À tarde, os meninos dormiram bastante já que a manhã foi muito agitada e eles não ‘pregaram o olho’, igualmente cansados, eu e Bella imitamos os nossos anjinhos e dormimos na nossa nova cama. Acordamos por volta das quatro da tarde, tomamos um banho para espantar a preguiça e mais uma vez nos vi morando na casa dos outros, mesmo com a privacidade que tínhamos naquele nosso cantinho, ainda assim era diferente. Fomos à cozinha, era hora de preparar um lanchinho para os meninos. E enquanto a babá raspava pêra e maçã num pratinho para eles, eu e Bella nos familiarizávamos com a cozinha. Rubí nos explicava onde ficava tudo, enquanto Mirna estava sentada numa cadeira, catando feijão sobre a mesa. De vez em quando, ela erguia o olhar para nós. É impressão minha, ou ela estava de cara feia?
No jantar, Juan Carlos nos acompanhou também à mesa, relutante, eu admiti que o administrador desfrutava de grande apreço dos Mansen, sendo tratado como alguém da família. Eu não teria raiva dele, ele parecia ser um bom sujeito, mas o jeito que ele olhava para a razão da minha existência, fitando-a com aqueles olhos pidões, me dava nos nervos. Depois do jantar, os Mansen nos levaram para outra sala de estar, onde Rubí nos serviu uma xícara de café. Na verdade aquilo era uma sala de música, havia um imponente piano de cauda e um lindo violão sobre um móvel. Aproximei-me do violão e dedilhei levemente.
- Você toca, Tony? – Will perguntou.
- Sim.
- Ele toca piano também! – Bella fez propaganda e sorriu.
- Ah! Que bom! Agora temos três pianistas na família! – Lilian sorriu enquanto pegava Thomas dos braços da babá – Rosalie, Juan Carlos e Tony! – ela se virou para o administrador – Juan, toque algo para nós... uma balada romântica!
Ele se levantou da poltrona onde estava, foi até o piano, estralou os dedos e começou a dedilhar uma canção.



Ya no duele porque al fin ya te encontre
Já não dói, porque enfim já te encontrei

Hoy te miro y siento mil cosas a la vez
Hoje te vejo e sinto mil coisas de uma vez

Mira si busqué, mira si busque
Veja se busquei,veja se busquei

Tengo tanto que aprender
Tenho tanto que aprender

Todo lo que tengo es tu mirar
Tudo o que tenho é teu olhar


Como é que é? Apurei meus ouvidos, mas foi em vão, já que meu espanhol era impecável. Esse lazarento está OLHANDO para Bella, cantando essa música e dizendo essas palavras melosas (palavras que somente EU poderia dizer)?! Sim, ele estava. Acho que rosnei. Não, não, eu rosnei mesmo, porque Bella, sentada ao meu lado, se aproximou mais de mim, grudou sua boca em meu ouvido e sussurrou um ‘shii... tenha calma’. Para me refrear, a abracei pelos ombros e Anthony, que estava em seu colo, sorriu para mim e se aninhou mais entre nós dois, entrelaçando sua mão gordinha em dois dedos meus.



Desde cuando te estaré esperando
Desde quando estarei esperando você

Desde cuando estoy buscando
Desde quando estou buscando

Tu mirada en el firmamento, estás temblando
Teu olhar no firmamento, estás tremendo

Te he buscado en un millón de auroras
Te busquei em um milhão de auroras

Y ninguna me enamora como tú sabes
E por nenhuma me apaixono como sabes

Y me he dado cuenta ahora
E me dei conta agora

Puede parecer atrevimiento
Pode parecer atrevimento

Pero es puro sentimiento
Mas é puro sentimento

Dime por favor tu nombre
Diga por favor teu nome


Thomas percebeu o aconchego de Anthony em nossos braços e veio ‘nadando’, de colo em colo (Lilian, babá e Will) até se aninhar em nós, ao lado de seu irmão. Nem bem se passou dois minutos, Dom fuleiro ainda miava sua música e os meninos adormeceram em nossos braços. Bella sussurrou em meu ouvido:
- Amor, vamos aproveitar que eles dormiram e vamos sair daqui. – ela falou com doçura e beijou a pontinha da minha orelha.
Com gestos de mãos, a gente se despediu dos Mansen e subimos com nossos filhos no colo, tendo a babá em nosso encalço. No novo quartinho deles, os colocamos nos berços, eu verifiquei se a nova babá eletrônica estava funcionando e os deixamos ali.
- Señorina, de que horas os meninos costumam tomar o mingau? Eu posso ajustar o despertador para...
- Não, não precisa, Lupi. – Bella a interrompeu – Pode ter sua noite de descanso, eu mesma faço isso!
A babá olhou perplexa para Bella e assentiu minimamente, depois murmurou um ‘buenas noches’ e saiu. Já em nosso quarto, eu deveria estar com uma cara medonha, deitei na cama e apoiei a cabeça nos braços, olhando para o teto, remoendo a raiva que o lazarento me fez. Mal percebi que Bella já tinha trocado de roupa, ela usava apenas um curtíssimo baby doll azul marinho, e somente quando senti o colchão afundar com o peso de seu corpo e seu sussurro sedutor em meu ouvido, foi que eu relaxei um pouco.
- Desde quando a gente se deixou abater por pessoas que tentam ficar entre nós?
Bella beijava o lóbulo de minha orelha enquanto falava, provocando arrepios em meu corpo e fazendo meu amigão crescer e prestar continência.
‘Desde Tanya Denalli’ eu ia falar, mas me chutei mentalmente a tempo. Definitivamente eu precisava esquecer o episódio.
- Vamos fazer amor... – ela me deu um selinho e começou a tirar a camisa que eu usava – Vamos deixar os ‘desde quando’ daquele boboca prá lá...
Como se fosse a primeira vez, meu coração batia descompassado e todo o meu corpo ansiava pelo doce, quente e maravilhoso encontro com minha mulher. Rapidamente nos desfizemos nas peças de roupas, nossas bocas e mãos nos exploravam ao mesmo tempo em que pequenos gemidos preenchiam o ambiente. Como um viajante sedento, eu buscava os beijos molhados de Bella, como um viciado, eu me inebriava com o seu cheiro, como um devoto, eu venerava seu corpo.
- Aaahhh... Ed... – ela murmurou ofegante quando sentiu meus lábios em sua intimidade, explorando, bebendo e sugando daquele jardim de delícias.
Já não podendo mais me conter, posicionei-me sobre ela, me preparando para mergulhar de vez nela e iniciar aquela luxuriante jornada rumo ao êxtase. Penetrei-a devagar, desfrutando de cada pedacinho de seu interior, mas o desejo era imenso. Rapidamente as estocadas ficaram firmes e ritmadas, Bella erguia os quadris e se chocava contra mim numa dança sensual. O nosso prazer veio ao mesmo tempo, como uma onda gostosa de inquietação e mistura seguida por um desfalecer de corpos satisfeitos.
- Eu te amo! – sussurramos em coro e adormecemos abraçadinhos.



POV BELLA

Meu relógio biológico me despertou às três e meia da manhã, tomei um banho, vesti o baby doll e um robe por cima dele e desci, rumo à cozinha para fazer os mingaus de meus filhos. Ainda bem que Rubí me mostrou onde ficava tudo ali naquela linda e enorme cozinha, principalmente onde ficavam as comidas dos bebês (Lilian havia reabastecido a despensa com comidinhas para meus filhos). Absorta na minha atividade, nem me dei conta da chegada de mais alguém até que ela arrastou uma cadeira e se sentou.  Sobressaltada, eu quase me queimei com água fervida, mas me esquivei a tempo.
- O-oi, Mirna, - gaguejei – você me assustou.
Ela não falou nada de imediato e começou a preparar uma xícara de chá para si, depois voltou a sentar na mesma cadeira. Eu já me preparava para lavar a pouca louça que sujei, quando ela abriu a boca.
- Não quero minha cozinha bagunçada.
Puta que pariu! Aquilo me enervou! Argh! Fiquei tão possessa que fiz uma coisa muito feia: devolvi a espoja de prato para o seu lugar e deixei dentro da pia a panelinha suja com mingau de aveia e colher que eu usei para mexê-la. Coloquei as mamadeiras no isopor e murmurei um ‘boa noite’ para ela, quando eu ia passando, ela segurou com bastante força em meu braço.
- O Sr. Mansen é filho único, ele não tem sobrinhos. – ela rosnou – A Sra. Mansen nunca trouxe seus parentes pobretões do norte para cá. – ela fez uma pausa – Para mim, você e seu noivo são dois aproveitadores...
Meu corpo se sobressaltou de novo com a chegada de outra pessoa à cozinha e o ressoar de sua voz de trovão.
- E para mim, você já passou dos limites, Mirna. – olhei para trás e vi Will fazendo uma cara muito feia e cruzando os braços – Solte o braço de Marie!
Como se tivesse levado um choque, a governanta soltou meu braço e ficou estática na cadeira, reencontrei minha voz, expliquei a Will que estava preparando o mingau de meus filhos, pedi licença e sai da cozinha. Mas eu ainda o ouvi dizer: ‘que isto nunca mais se repita’. Com o coração aos pulos, voltei ao quarto e vi que Ed estava acordado, contei a ele tudo, ele ficou puto da vida e quando percebemos, já passava das quatro horas e os meninos não tinham acordado. Fui até lá e vi que estava tudo bem, depois fomos dormir. Acordamos às cinco e meia da manhã com os dois chorando de fome, tomaram o mingau e foram dormir de novo, fizemos o mesmo.Na noite seguinte foi a mesma coisa e eu percebi que finalmente os meus anjinhos estavam abandonando a refeição noturna!
Na quarta-feira de manhã, uma minivan da FedEx foi até a fazenda e descarregou cinco caixas enormes, duas para Edward e três para mim. Fiquei encantada com o meu guarda-roupa novo e enquanto arrumava tudo no closet, com a ajuda de Lupi, ia até a sala desfilar para meu marido que brincava no chão com os filhos. A cada pirueta minha, me imaginando numa passarela, Edward batia palmas, assoviava e sorria. Lupi também sorria e levava as mãos à boca, os meninos sorriam e davam gritinhos, embora não entendessem muita coisa. Só sei que meu novo guarda-roupa californiano era a coisa mais linda e colorida do mundo!


Naquela mesma tarde, recebemos a visita de uma cabeleireira. A ordem era para nos deixar um pouco diferentes, então Edward decidiu que deixaria a barba por fazer, de vez em quando, e aceitou a sugestão da cabeleireira.
OMG... Seu cabelo cortado só o fez ficar mais gato, mais sedutor e charmoso.
Comigo a coisa foi mais complicada. Eu não queria pintar os cabelos de preto, não queria ficar loira (Edward não gosta de loiras) e não queria corta o cabelo (ele ama meu cabelão). E agora?
- A gente pode repicar seu cabelo, sem mexer no cumprimento final, mas fazendo algumas camadas. – a cabeleireira sugeriu – E podemos pintar seu cabelo com um loiro morango...
Fiz careta e ela me mostrou uma mexa de cabelo falso pintado com a cor sugerida.
- Você tem um cabelo castanho acobreado, não vai ficar tão diferente assim...
- Ok. Pode fazer. – cruzei os dedos e torci para meu marido não chiar com a novidade.
Mãos à obra. A cabeleireira trabalhava e conversava amenidades comigo quando Lilian pediu licença e entrou no meu quarto, elogiando a cor que escolhi.
- Posso fazer uma maquiagem em você? – a cabeleireira perguntou – Estou testando uma nova técnica para deixar os olhos bem marcados e você tem os olhos perfeitos para isso.
Eu apenas assenti e ela trabalhou com afinco e quando finalmente terminou, eu parecia uma adolescente, doida para reencontrar o namoradinho e saber se ele gostou do meu novo visual. Achei meu gato brincando com os meninos no jardim. Quando ele me viu, nossos olhares se cruzaram e ele fez aquele biquinho lindo enquanto eu me aproximava.


- Linda... – ele sussurrou e me abraçou.
- Que bom que você gostou. – desfiz nosso abraço e dei uma voltinha – Ela prendeu meu cabelo, mas veja, - soltei – ele continua do mesmo tamanho!
Ele sorriu torto e me abraçou, nos girando um pouco e só paramos quando ouvimos os risinhos dos meninos e da babá.
- Linda, linda, linda! – ele me dava selinhos enquanto afagava meus cabelos – Você está muito sexy com esse cabelo... – sussurrou essa última parte e mordeu o lóbulo de minha orelha.
Os dias que se seguiram foram muitos gostosos, tomamos banho de piscina, passeamos com os meninos pelos jardins da casa e por entre os pés de uva, maçã e mangas...


Provamos as deliciosas mangas da Califórnia e tive a impressão de estar comendo um pedacinho do sol! As frutas eram macias, suculentas e muito doces, os meninos, aos poucos provavam um pedacinho de cada fruta e aprovavam todos os sucos que lhes eram servidos. Provamos as melancias pequenas e sem caroço que eram plantadas na fazenda, muitos doces e suculentas também!
Num fim de semana, fomos à missa, ao supermercado, ao mercado de pimenta da cidade e fizemos companhia a Lilian na feira pública de Julian, a barraquinha da fazenda vendia todos os sábados frutas e verduras sem nenhum aditivo químico. Os meninos adoraram o passeio e eram um atrativo a mais para nossa barraquinha, já que todo mundo parava para admirar a beleza de meus pequenos!
O sol da Califórnia só era eclipsado pelos olhares cumpridos de Juan Carlos pra cima de mim, ou quando ele aparecia em alguma parte da fazenda, vestindo poucas roupas e sorrindo lindamente para quem quisesse ver. Tá, tá, eu sei, ele é muito bonito, mas é só isso!



POV EDWARD

Nossa vida, turbulenta como um avião em tempestade, parecia estar nos eixos novamente. Os dias iam se passando, os meninos estavam felizes com o novo lar, os avós de mentirinha, a nova babá... Meus filhos cresciam num piscar de olhos e aos nove meses de vida, já estavam dando os primeiros passos segurando em nós ou em alguns móveis. Eles gostavam de passear pelo imenso quintal, ver os animais, ver as flores... tudo era novidade!
Dentro de casa, a gente os estimulava a dar os primeiros passos, mas sem cobrar muito. A cada um ou dois passinhos, eles eram presenteados com muitos aplausos, beijinhos e abraços. Os brinquedos eram melhor usados agora, eles já brincavam com uns bloquinhos de montar e adoravam jogar as pecinhas dentro da caixa só para derrubá-la no chão de novo!
Numa tarde de Junho com muito sol e calor, eu e Bella passeávamos com os meninos quando Lupi nos alcançou dizendo que alguns porquinhos haviam nascido e que os meninos iriam gostar de ver os filhotinhos. Fomos até lá e confesso que até eu achei os bichinhos bonitos!
O movimento do calendário trouxe o décimos mês de vida de meus filhos. Anthony e Thomas agora estavam mais e mais ágeis em seus movimentos, fazendo os nossos cuidados com eles se redobraram. Até já tínhamos flagrados os dois se apoiando no sofá e dar dois passos em direção à poltrona e depois fazer o caminho de volta.
Para a alegria de Bella e a minha principalmente, eles não mamavam mais, até porque o leite de Bella acabou. Sorri de felicidade ao saber que aqueles seios lindos, macios e redondinhos eram só meus de novo! A alimentação dos pequenos ficou mais abrangente, agora eles já comiam feijão, milho cozido e qualquer outra coisa molinha e mastigável. Atenção redobrada de novo, para que eles não pusessem nada ‘não comestível’ na boca.
Nessa fase de vida, constatei minhas suspeitas em relação à personalidade deles. Anthony era o gêmeo tímido, curioso, inteligente e amoroso, Thomas era o gêmeo barulhento, mais curioso ainda e igualmente inteligente e amoroso. Nós tínhamos dois tagarelinhas em casa que nos acordavam (pela babá eletrônica) com muitos ‘mama’ e ‘papa’ ou então diziam frases inteiras naquela linguagem própria deles.
Meu vigésimo segundo aniversário chegou. O dia 11 de Julho caiu numa segunda-feira e percebi que minha linda esposa fez o que pode para me dar um dia diferente. E ela conseguiu! Almoçamos com todos na fazenda e à tarde, pegamos o carro de Rosalie e fomos a Escondido, uma cidade a cerca de uma hora de Julian. Passeamos um pouco pelo Shopping Center, fomos ao cinema e assistimos a uma comédia (adorei o cinema porque fazia uma eternidade que eu não ia num). Já era quase noite quando estávamos saindo da cidade, mas nos deparamos com um motelzinho, bem pequeno e simples. Olhei sugestivamente para Bella, ela arqueou a sobrancelha e mordeu o lábio inferior em resposta. Ligamos para a fazenda para avisar que ‘jantaríamos no shopping’ e fomos para o tal motel.
Fizemos amor numa cama estreita, num quarto pequeno, com cortinas escuras e com um ventilador esquisito na parede e um espelho no teto. Entre beijos, gemidos e abraços, a fantasia correu solta entre nós!
- Amor, viaja comigo... – Bella ronronou e começou a falar entre beijos – Eu sou uma espiã americana, você é russo... Deveríamos ser inimigos, mas nos conhecemos em Havana, no auge da guerra fria...
- Tem outra coisa no auge aqui... – encostei meu sexo ereto na entradinha dela, fazendo-a gemer.
– Mas decidimos deserdar, trair nosso país... porque desde o dia que nos conhecemos, – num único movimento ela ficou sobre mim, juntou nossos corpos e sussurrou – não conseguimos mais parar de fazer amor.