The Runaways
POV BELLA
Eu dormia um sono sem sonhos, tranqüilo, revigorante... Mas aos poucos fui despertada por um Edward aflito e um toque de celular. Meu cérebro processou rapidamente a informação de que o celular normal estava desligado, então só poderia ser o importantíssimo celular prateado que estava tocando. Um jato de adrenalina percorreu meu corpo e eu fiquei de pé numa velocidade sobre-humana.
Grogue, eu atendi ao telefone de forma abrupta e meus ouvidos se encheram de terror. Alguém, de algum modo, conseguiu invadir o sistema do Marshall Service e agora TODAS as pessoas protegidas estavam desprotegidas! Meu cérebro me forçava a pensar, minhas pernas me forçavam a se dobrar ao meio, me jogando no chão, meu coração não bombeava sangue para as minhas veias, bombeava fogo. Meu corpo todo queimava e tremia... Eu queimava de medo por meus filhos e tremia diante das terríveis possibilidades que o destino poderia reservar aos meus bebês.
- FOCO, BELLA! – Alice me trouxe à realidade.
Depois de ouvirmos as instruções de Jasper, os práticos conselhos de Emmett e as palavras de incentivo de Rose e Alice, eu e Edward ainda ficamos congelados no tempo, nos olhando nos olhos. Quando vi que meu marido chorava, eu me dei conta que também chorava. Ele me abraçou e afagou minhas costas com carinho, tentando me consolar. Mas rapidamente o abraço foi desfeito e com nossas mãos entrelaçadas, Ed me disse uma coisa que aqueceu meu coração.
- Amor, você se lembra de quando estávamos em Zion e eu fiquei muito chateado um dia, dizendo que eu nunca sonhava com nossos pais e que eles nunca me mandavam nenhuma mensagem? – eu assenti meio confusa – Pois bem, eu sonhei com eles essa noite. Eles diziam que nada iria nos machucar e que... – ele fez uma pausa – Quando as coisas parecessem piorar, é porque na verdade elas estavam se resolvendo. –assenti esperançosa – Você acredita nisso, amor? – assenti de novo – Diga Bella, você acredita nisso?
Ele queria que eu falasse, mas eu tinha medo de abrir a boca e começar a gritar, já que o pânico tomou conta de mim.
- Sim, Edward, eu acredito. – minha voz saiu firme e em pensamento eu agradeci a Deus por isso.
- Então vamos ter fé juntos. Nada de mal vai nos acontecer, eu prometo. – ele sussurrou.
- Eu to com medo... – sussurrei e baixei a cabeça.
Edward envolveu meu rosto em suas mãos e me deu um selinho antes de falar.
- Eu também estou com medo. – seu olhar era triste – Mas devemos nos mexer. Você deve juntar comida, água, roupas, remédios dos meninos, enfim, tudo o que vamos precisar. Só o necessário Bella, ainda não sabemos para onde vamos, então vamos fingir que estamos atravessando o país. – assenti fervorosamente – Enquanto isso, eu vou recolher todas as fotos, o dinheiro, os documentos, o notebook, os pendrives, DVDs, jóias, o mini-cofre e os celulares, além de desligar o telefone fixo da tomada.
- Emmett disse que a gente evitasse acender as luzes da casa, eu vou ligar apenas abajur e lanternas. – ele assentiu antes de responder.
- Bem lembrado, amor.
Na cozinha, eu peguei a garrafa térmica e percebi que ela estava cheia de café. Justo nessa hora, Ed passou por mim em direção ao sótão.
- Você fez café? - perguntei
- Sim. - ele disse sem parar de andar – Errei a quantidade e fiz uma garrafa cheia.
Quando ele terminou de falar, já tinha passado por mim. Eu achei bom, só assim levaríamos café conosco! Peguei a garrafa térmica dos meninos e a deixei em cima da mesa para não me esquecer de levá-la cheia de água fervida, para fazer os mingaus deles. Enquanto a água fervia, eu preparava no microondas duas outras mamadeiras de mingaus e as coloquei no recipiente de isopor, já que os meninos acordariam para comer por volta das 4hs da manhã. Ainda separei mais seis mamadeiras já com a mistura de cereal e leite dentro, depois era só colocar água quente na hora de fazer cada mingau.
Abri o freezer e paguei vários cubos de gelo e coloquei-os dentro da caixa térmica para poder manter a temperatura de alguns alimentos: iogurte, suco de caixinha, duas caixas de leite longa vida, dois litros de água, maçãs, peras, uvas, queijo, presunto e requeijão. Lembrei da cesta de vime de pic-nic, nela eu coloquei os biscoitos de maisena nos bebês, a lata de cereal do mingau, a lata de leite, biscoitos doces e salgados para mim e para Ed, barrinhas de cereal, pão de caixa, talheres, os talheres dos bebês e dois copos.
Depois de ter arrumado tudo isso, carreguei-os um por um para a primeira sala, deixando tudo em cima do sofá. Lá, eu vi o cantinho de brincar dos meus filhos e senti um aperto no peito, lembrando que ali era o lugar da casa preferido deles nos últimos dias. Entrei no espaço e juntei meia dúzia de seus brinquedos preferidos e coloquei-os numa sacola junto das outras coisas. Vi o carrinho deles e o dobrei em duas partes, decidida a levá-lo, pois ainda precisaria muito dele.
Edward apareceu na sala carregando o notebook e um envelope, deixando o seu conteúdo sobre o sofá, ao lado das comidas.
- O que tem no envelope, amor? - perguntei.
- Meus três pendrivers e todos os recadinhos que você pendurou naquela luminária que me deu de presente de aniversário de casamento. – ele sorriu torto - Os recados eram muito pessoais, tinha nossos nomes neles, achei melhor arrancar tudo.
- Você fez bem. Que horas são?
- São 2hs e 30min. Ainda estamos bem de tempo. – ele disse.
Saímos juntos da sala, nossas mãos estavam entrelaçadas.
- Logo, logo vai amanhecer. – suspirei
- E quando isso acontecer, estaremos longe daqui. – ele sussurrou.
Já no nosso quarto, Ed entrou no closet e começou a arrumar um monte de coisa numa mala média. Enquanto isso, eu peguei duas malas grandes e coloquei ali, aleatoriamente, várias roupas íntimas nossas, camisetas diversas, dois jeans e uma jaqueta para cada um de nós, pares de meias, um par de sapatilhas para mim e um sapatênis para Ed, além de três conjuntos de moletons para cada um de nós. Meu cérebro ainda processava a informação de que caberia mais coisa ali dentro. Mas eu estava tão nervosa, que não tinha paciência de arrumar melhor as peças de roupas.
Também separei as roupas que deveríamos vestir antes de pegar a estrada. Para mim calça jeans, tênis all star, camiseta, camisa de flanela e uma jaqueta. Na minha mochila, eu ainda coloquei dois pares de óculos escuros para nós, minha nécessaire e um sling para os meninos. Para Edward eu separei calça jeans, camiseta, camisa de mangas compridas, tênis, um casaco e um boné.
Fui ao banheiro e tomei um banho rápido, quando terminei, Ed entrou no banheiro e tomou um banho em tempo recorde. Nesse meio tempo, eu escovei os dentes e tirei do armário do banheiro os nossos objetos de higiene pessoal, colocando-os numa mala de mão. Antes de sair do banheiro (para dar ao meu marido um pouco mais de privacidade), falei.
- Amor, eu separei roupas para você vestir. – ele apenas assentiu – Depois que eu me vestir, vou arrumar uma mala para os meninos e preciso que você prepare algo pra gente comer.
- Não to com fome, Bella. – ele murmurou.
- Nem eu. – suspirei – Mas precisamos nos alimentar.
Ele não respondeu, apenas assentiu. Quando eu já tinha terminado de me vestir, Ed entrou no quarto enrolado numa toalha e enquanto se vestia, olhava para as roupas em cima da cama.
- Bella, você não acha que separou roupa demais pra gente vestir? Estamos na primavera e...
- Vamos nos descascar assim como as cebolas. – murmurei – Inevitavelmente vamos parar em algum posto de gasolina, loja de conveniência ou qualquer outro lugar. A cada parada, a gente despe um pouco, primeiro a jaqueta, depois uma camisa, até que fiquemos só de camiseta. Como os fugitivos fazem nos filmes...
- Como fugitivos... – ele repetiu.
- Amor, ainda falta muita coisa para você guardar? – perguntei.
- Não. – ele apontou para uma mala média, escorada na parede e uma mochila sobre ela – Na mala estão o mini-cofre, com as jóias, os documentos e cartões de crédito com nossos nomes Fields, as certidões de nascimento dos meninos, além dos DVDs, fotos, os celulares desligados e $100 mil. Na mochila, eu coloquei $ 30 mil, minha carteira, nossos documentos falsos e os celulares prateados.
- Ok. – falei já sentindo um nó na garganta – Vou fazer as malas dos meninos enquanto você termina de se vestir e depois prepara alguma coisa pra gente comer.
Nervoso, meu marido se vestia rapidamente e de vez em quando passava as mãos nos cabelos, indicando seu estresse. Já no quarto dos meninos, eu agradeci aos céus por Jenny ter feito uma arrumação no guarda roupa deles. Nas duas primeiras gavetas tinha tudo o que os meninos usavam no dia a dia, ou seja, as roupinhas, pijaminhas, meias, chapéus e tudo o mais que ainda cabia neles. Os sapatos estavam na primeira prateleira no guarda roupa, as mantas e lençóis na segunda e nos cabides, tudo o mais que eles ainda usavam. Aleatoriamente, eu joguei TUDO aquilo numa mala grande e até senti dificuldade de fechá-la. Nas bolsinhas de mão eu coloquei os remédios, a nécessaire e duas mudas de roupas, além de fraldas de pano. Enquanto separava tudo, eu chorava silenciosamente, aquele quartinho tinha sido feito com tanto carinho... Tudo ali tinha a cara de meu Anthony e de meu Thomas...
‘Foco, Bella’, as palavras de Alice ecoaram em minha mente e eu recompus minhas feições. Numa sacola grande, eu separei três pacotes de fraldas descartáveis e torci para que elas bastassem. Depois lembrei que os meninos sairiam de casa em plena madrugada e o vento frio poderia deixá-los doente, então vesti neles casaquinhos, touquinhas de lã e meias, mas ainda separei duas mantas para cobri-los quando saíssemos na madrugada.
Já na cozinha, eu e Edward comemos pão, ovos fritos e queijo em silencio, um silêncio sufocante. Ainda rezamos um Pai Nosso, pedindo a Deus que protegesse a nossa família, depois nos beijamos e nos abraçamos, trocando calor e força. Ele olhou em seu relógio de pulso e sorriu torto.
- O tempo está ao nosso favor, amor, conseguimos arrumar tudo em 1h e 35min.
POV EDWARD
Depois que eu juntei todos os documentos, percebi que era um risco andar portando duas identidades diferentes, então guardei tudo o que se referia aos Fields, inclusive as certidões de nascimento dos meus filhos, no mini-cofre. Desconsolado, eu enxugava as teimosas lágrimas que banhavam minha face, enquanto dobrava cuidadosamente os únicos documentos que meus filhos possuíam. Documentos que meus pequenos Cullen não podiam ao menos usar!
Ainda peguei o envelope amarelo onde papai e Charlie havia colocado os documentos falsos para nós. Mary Caroline Carmichel... Aquele era o nome falso que mamãe usaria... Enquanto olhava para a linda foto de minha mãe, não agüentei o peso de meu corpo, cai de joelhos e chorei, me dobrando diante da dor e do medo.
‘Calma, Edward’, disse para mim mesmo e me levantei.
Daquele dia em diante, meu nome seria Richard Anthony Carmichel e o de Bella, Marie Beatrice Didier. Vai ser difícil chamá-la de Beatrice... Já Rennè, se estivesse viva, teria o nome de Catherine-Marie Didier... Enquanto eu olhava para a foto de Rennè, uma idéia se passava pela minha cabeça. Naquela foto, ela estava muito parecida com Bella, então no momento certo, eu só teria de convencer minha esposa a fazer o que eu disser.
Já que Emmett mandou a gente trocar de carro, não tinha mesmo jeito, eu teria de falar com Bella e convencê-la a fazer isso. Lembrei de uma frase estúpida de Maquiavel: os fins justificam os meios... E pela segurança de minha família, eu estava disposto a ultrapassar certos limites da lei.
Depois que eu e Bella separamos tudo o que levaríamos, tomamos banho, trocamos de roupa, comemos alguma coisa e fomos pegar nossos filhos no quarto. Eles já estavam devidamente agasalhados, mas mesmo assim, Bella ainda separou duas mantas para cobri-los.
Enquanto Bella esperava na sala, com os meninos em seu colo, eu peguei uma lanterna e sai para a noite fria de Forks. Minha pick-up não estava exatamente na frente da casa, então eu tive que tirá-la do lugar e estacioná-la praticamente colada na varanda, assim eu carregaria TUDO mais rápido. Trabalhando numa velocidade de fugitivo, eu coloquei as malas e o carrinho dos meninos na carroceria do veículo e num piscar de olhos, ajudei Bella a acomodar nossos filhos adormecidos em suas cadeirinhas. Já as cestas com comida, as bolsinhas dos meninos e as nossas mochilas iriam dentro do veículo conosco.
Eram 3hs e 45min da manhã quando deixamos os limites de uma silenciosa e nublada Forks e rapidamente pegamos a rodovia ladeada de florestas. O carro tinha um silêncio esmagador, a tensão era tanta que eu tinha medo de abrir a boca e começar a chorar e sabia que Bella sentia o mesmo. Depois de algumas curvas, a estrada seguia paralela à praia, a vista era bonita e eu me sentia me despedindo do verde, acolhedor e úmido estado de Washington. Um lugar tão verde, mais tão verde, que suas florestas não perdiam as folhas durante o inverno, um lugar onde a vida persistia. Quando viemos morar aqui, numa das épocas mais difíceis de nossas vidas, essa metáfora do verde persistente me ensinou a ter uma esperança igualmente persistente, esperança que estava em prova naquele momento. A estrada mudou de paisagem novamente e à nossa direita havia um imenso paredão rochoso.
Com os primeiros e tímidos raios de sol, os meninos acordam chorando um pouquinho, mas Bella deu as mamadeiras e eles comeram em paz. Pelo espelho, eu vi minha esposa fazendo malabarismo, se esticando para segurar as duas mamadeiras e quando ela fez um movimento, indicando que tiraria o cinto de segurança, eu protestei.
- Nem pense nisso, Bella. – sussurrei – Se estique, mas não tire o cinto. A estrada está deserta, mas eu não quero correr riscos.
- Ok, você ta certo. – ela sussurrou enquanto segurava as mamadeiras – Ainda bem que eles estão tão sonolentos que dormirão logo em seguida.
Depois de alguns minutos de silêncio, tentei puxar conversa.
- Como você está se sentindo?
- Perdida...
- Eu sei. – franzi a testa – Mas nós vamos conseguir, Bella. No sonho, mamãe e papai me passavam muita confiança...
- Por falar em sonho, - ela me cortou – ainda em NY, eu sonhei com esse momento de agora.
- Hãn?
- Em NY, mesmo antes de saber que estava grávida. – ela falou num sussurro – Numa das noites que passamos escoltados por Alice e Jasper, eu sonhei que estávamos numa estrada, dirigindo, dirigindo... E em meu coração, - ela já tinha a voz embargada – eu sabia que temíamos por nossas vidas, mas, além disso, existia um amor maior, uma coisa mais poderosa, um amor tão grande, mas tão grande que eu sabia que sem esse amor eu não poderia viver. Eram nossos filhos, Edward, eles estavam em meu sonho, muito antes de eu saber que estavam em minha barriga... E agora... eu, eu estou com tanto medo...
- Eu sei. – sussurrei – Também sinto a mesma coisa.
Então Bella começou a chorar baixinho, enquanto se inclinava sobre nossos filhos já adormecidos, beijando seus rostinhos e banhando-os de lágrimas, lamentado por nós, lamentando por eles... Seria uma cena muito difícil de ver: uma mãe sofrendo por seus filhos. Mas no meu caso, a dor era excruciante, pois ali estavam minha esposa e meus filhos! Por mais que Jasper e Emmett dissessem que nós não éramos os alvos, eu estava morrendo de medo e me agarrava ao volante do carro, dirigindo com toda a atenção e pressa, como se daquilo ali dependesse a nossa vida.
Os minutos se passaram lentamente, eu dei tempo a Bella, deixei que ela chorasse seus medos em paz. Funcionou. Com a voz mais estável, ela puxou conversa comigo.
- Eu só não me sinto pior, porque antes de sairmos de Forks, deixamos o aluguel pago, as diárias de Sid e o salário de Jenny em dia... – ela sussurrou – Vou sentir falta deles...
Percebi que Bella estava começando a ficar chorosa de novo e resolvi mudar se assunto, peguei minha mochila que estava no banco da frente, ao meu lado e passei para ela.
- Veja aí dentro, amor. – falei – Nossas novas identidades... Vai ser estranho te chamar de Beatrice...
Ela deu um sorriso fraco enquanto abria a mochila e olhava seus documentos.
- Então é melhor me chamar de Marie, porque eu não vou te chamar de Richard! – ela arqueou as sobrancelhas – Definitivamente, você não tem cara de Richard!
- Eu sei. – sorri torto – É melhor me chamar de Anthony, então. Não, não, - me corrigi – Tony, me chame de Tony, assim nosso Anthony não ficará confuso.
- Marie e Tony... – ela sussurrou e se esticou, colocando sua mão direita sobre meu ombro – Tony e Marie...
Coloquei minha mão direita sobre sua mão e me lembrei de uma coisa. Seria difícil abordar o assunto, mas era preciso.
- Amor, a partir de agora, nós teremos de tirar as alianças...
- Hãn?!
- Veja, você é uma Didier, eu sou Carmichel... Seria estranho você não ter meu sobrenome...
- Mas Edward, muitas mulheres se casam e não mudam de nome! – ela fez um biquinho em forma de protesto.
- Eu sei, princesa, mas antes mesmo de explicarmos isso, as pessoas perguntarão. Será mais fácil e levantará menos suspeitas se nos passarmos por noivos. – fiz uma pausa, esperando seus protestos, como ela estava calada, eu continuei – Nada mudará, amor! Seremos os noivos mais apaixonados da vizinhança, - ela sorriu e eu sorri – e pais dos gêmeos mais lindos do mundo!
Ela se esticou de novo, afagando meu ombro direito e meu pescoço.
- Eu te amo, Edward Carmichel Anthony Fields Richard Cullen... meu namorado, noivo, marido... isso não importa, eu te amo mesmo assim...
Comovido com a declaração de amor de minha esposa, eu peguei sua mão, beijando-a levemente.
- Eu também te amo, princesa! – sorri – Agora, pegue seu anel de compromisso e o coloque na mão esquerda, já a aliança de casamento irá para a mão direita.
- É melhor fazer isso agora, antes que a gente se esqueça... – ela suspirou - Edward! Quer dizer, Tony, olhe o nível de gasolina. – ela apontou para o painel do carro.
- Caraca! – murmurei – Assim que passarmos por um posto de gasolina teremos de reabastecer!
Cerca de uma hora depois, quando o sol já tomava seu lugar no céu, chegamos a Rochester, mas não entramos na cidade. Encostamos num posto de gasolina na rodovia e enquanto Bella foi ao banheiro e depois comprava um mapa, eu enchia o tanque e conversava com um caminhoneiro. Ele me explicou que por ser 1º de Maio, feriado, eu não encontraria muitas revendedoras de carro abertas, mas em Salmon Creek, dentro de nosso caminho pela rodovia I-5 S, eu encontraria uma revendedora que fazia o saldão do trabalhador, vendendo veículos seminovos com bons descontos.
- Quer que eu dirija agora? – minha esposa perguntou quando voltei para o carro.
- Não precisa, amor.
- Mas Ed, você deve estar cansado.
- Não. – usei aquele tom de voz que não admite argumentos.
Ela olhou em meus olhos e suspirou enquanto entrava no carro e murmurava alguma coisa. Eu segurei o riso ao ver seu biquinho tão sexy.
Com o mapa, Bella me assegurou que estávamos no caminho certo e por volta das oito da manhã, depois de atravessarmos uma rodovia no meio das densas florestas de Washington, chegamos a tal cidade. Não foi difícil localizar a Blanchet Car’s já que havia uma enorme placa e muitos balões coloridos na frente dela. Mas ainda estava fechada e só abriria suas portas às oito e meia da manhã. Paramos no posto de gasolina ao lado, os meninos acordaram de vez e Bella os amamentou, depois trocamos suas fraldas encharcadas de xixi. Colocamos nossos óculos escuros, puxamos os capuzes dos casacos dos meninos, para proteger seus rostinhos, e saímos da pick-up dispostos a esticar as pernas. Entramos na loja de conveniência, compramos água, Bella usou o banheiro e depois foi a minha vez de esvaziar a bexiga.
Às oito e meia em ponto a loja abriu, eu percebi que só havia vendedores homens ali e precisei arrumar coragem para explicar um plano maluco a Bella.
- Amor, você vai lá e vai ter que comprar o carro no nome falso de Rennè. – sussurrei ao seu ouvido, fingindo abraçá-la.
- Como? – ela também sussurrava.
- Apenas tente, pense numa boa desculpa. – suspirei – Vai ser mais seguro para nós se o carro registrado num sistema nacional de veículos estiver no nome de uma pessoa que não existe...
Escutei quando ela engoliu em seco.
- Desculpe, Bella. – suspirei – É grosseiro da minha parte falar de Rennè dessa forma, mas eu quero que você olhe bem para a sua foto e a foto dela nos documentos que temos. – ela abriu a mochila e olhou – Você vê o quanto estão parecidas nessas fotos? – ela assentiu – Exceto pela cor dos olhos e dos cabelos, vocês estão muito parecidas...
- Ok, amor, eu entendi. – ela fez uma pausa – Você não vai comigo?
- Vou com os meninos no colo, mas nós não vamos te acompanhar tão de perto. Acho que um de nós conseguirá melhores resultados... Você vai mostrar seus documentos, mas diz que quer dar um carro de presente à sua mãe. Escolha uma pick-up tão grande quanto esta, que tenha no máximo dez anos de uso e custe até $ 15 mil. – ela tentou protestar, mas eu não deixei – Nós vamos estar em contato visual o tempo todo, quando você achar o veículo ideal, peça para o vendedor abrir o capô e finja estar olhando o motor. Eu vou estar bem atrás de você, olhando tudo. O dinheiro está no bolso interno da mochila, separado em montinhos de $ mil dólares.
- Ok.
Ela beijou meus lábios levemente, beijou os meninos e saímos da loja de conveniência, depois que ela se distanciou um pouco da gente, os dois a chamaram ao mesmo tempo.
- Ma-ma...
Ela girou em seus calcanhares, sorriu e acenou para nós. Encantados por ela, nós três sorrimos.
- Pois é, meninos, - sussurrei – a mamãe é linda mesmo...
Para confirmar minha declaração, dois dos funcionários da loja olharam para Bella, medindo-a de cima a baixo. É claro que minha esposa não notou nada! Isso é mesmo bem típico dela! Bella nunca percebeu direito o quanto ela é encantadora e sexy e o quanto desperta interesse nos homens. Quando tento lhe dizer isso, ela diz que é impressão minha e que só produz esses efeitos em mim que sou apaixonado por ela!
Bom, não importa! O que importa é que agora eu estou me mordendo de ciúmes! Mas vai ser por uma boa causa... ela vai conseguir comprar um carro no nome de Rennè (assim espero).
POV BELLA
Edward havia me pedido para fazer uma coisa maluca, mas era para nossa segurança. Suspirei resignada e atravessei a pequena calçada que separava o posto de gasolina onde estávamos da loja de revenda de carros. Assim que pisei na loja, um jovem, muito jovem, tipo mais novo que eu, vestido com um uniforme de vendedor me olhou dos pés à cabeça e me cumprimentou com um pouco mais de entusiasmo do que o normalmente necessário. Ele tinha o rosto arredondado, ainda com os traços da infância, mas seu corpo musculoso indicava que ele havia dedicado muitas horas numa academia de musculação. Seus cabelos loiros e olhos cor de mel o faziam parecer uma criança travessa.
Senti minha pele esquentar e sabia que estava corada. Aquele garoto cheio de hormônios olhava para mim como se eu estivesse nua... Seus olhos brilhantes e cheios de luxúria me deixaram desconcertada. Seu ‘bom dia’ e seu ‘no que posso ajudá-la’ eram muito doces. Por ser bem mais alto que eu, ele se inclinava para falar comigo, seus lábios quase tocavam meu ouvido e ele ainda se esforçava para fazer uma voz sexy.
- Bom dia. - sorri sem graça – Estou precisando comprar uma pick-up.
- Então a senhorita veio ao lugar certo! – ele abriu um sorriso tão escancarado, que eu pensei que seu rosto iria se partir. – Tenho exatamente o que você precisa... A propósito, eu sou Dawson Linch.
Pela minha visão periférica, eu percebi Edward a uma pequena distancia de nós. Ele disfarçava olhar alguns carros enquanto brincava com os meninos em seus braços, mas eu sabia que ele podia ouvir nossa conversa.
- Eu sou Isa-Is... – disfarcei minha confusão com uma tossida – Marie Didier. – sorri – E estou interessada numa pick-up grande como aquela ali.
Apontei para um Dodge Dakota, cabine dupla, vermelha e idêntica à nossa, mas a carroceria desta era fechada. Olhei discretamente para trás e vi que Ed estava sério, as sobrancelhas juntas, mas ele fez um sinal minimamente com a cabeça, assentindo para a minha escolha. O garoto colocou um braço sobre os meus ombros, me guiando para onde o veículo estava, eu quase surtei com seu gesto e quando olhei novamente para Edward, ele fez um sinal com a mão, me mandando prosseguir.
- Bem, Srta. Didier... – o garoto ronronou – essa pick-up é uma Dodge Dakota vermelha cabine dupla, ano 2004. – ele falava entusiasmado – Seu preço promocional, somente para hoje, é de $ 13.000,00. Mas apesar dela ter sete anos de uso, pertenceu a uma única dona, a Sra. Montgomery, e ela sempre foi muito cuidadosa com seus veículos. Você poder ver, - ele abriu a porta do veículo – que a pick-up tem poucos quilômetros rodados.
Aparentemente o veículo era muito bom e pela minha visão periférica eu vi Ed olhando todos os detalhes dele. Com um mínimo mover de lábios, ele apontou para o capô e eu entendi seu recado.
- Sim, estou vendo. – disfarcei a empolgação e falei com desdém – Mas $ 13.000,00... Não sei... Vamos ver como ele esta por dentro?
O garoto piscou os olhos várias vezes e assentiu para mim e pouco tempo depois, eu me inclinava sobre o motor do veículo, fingindo entender do assunto. Mas Edward precisava vê-lo e eu teria que distrair o garoto, então eu pensei: se vou para o inferno, vou abraçada ao capeta!
- Mas me diz uma coisa, Dawson, - falei puxando o garoto pelo braço, de forma a dar espaço a Edward – você jura que esse veículo não vai me dar problema?
- Juro, Srta. Didier...
- Marie... você pode me chamar de Marie...
Caraca! O garoto engoliu em seco e piscou os olhos, depois pareceu se recompor e sorriu abobado.
- Como eu ia dizendo, esse veículo é excelente!
Busquei o olhar de Edward e quando dei por mim, percebi que a revendedora já estava lotada, cheia de clientes e inclusive um casal também estava de olho no mesmo veículo que nós. Meu marido assentiu minimamente para mim e eu falei um pouco mais alto (querendo confirmar sua escolha).
- Ok, Dawson, eu fico com o carro!
- Ótima escolha, Marie! – o garoto vibrou – Você está adquirindo um ótimo veículo e com um preço excelente!
Olhei mais uma vez para trás e Ed sorriu minimamente para mim, mas ele olhou para seu relógio de pulso, me apressando a fechar logo a compra.
- Venha, vamos formalizar a compra dentro do escritório!
Argh! O garoto colocou uma das mãos nas minhas costas e eu já me preparava para me esquivar daquela mão boba, mas por sorte ele não ousou percorrê-la em meu corpo. Dentro do pequeno, mas confortável escritório, eu me sentei numa poltrona. E de repente me deu um tique nervoso, eu balançava a perna freneticamente, já imaginando como abordar o assunto.
- Então, bem... Dawson, - eu engoli em seco, enquanto o garoto pegava uma cópia de contrato dentro de uma pasta – na verdade eu gostaria de presentear minha mãe com esta pick-up. – ele ergueu o olhar e sorriu para mim – Por isso eu gostaria de já colocá-la no nome dela. – falei com uma falsa naturalidade – Veja como ela é linda, Dawson, eu pareço muito com ela, não é?
Abri a mochila e lhe dei minha carteira de habilitação e a identidade falsa de mamãe, no nome de Catherine-Marie Didier.
- Sim, - ele sorriu – você se parece muito com sua mãe.
Ele fez uma pausa, enquanto olhava para nossas fotos e depois franziu a testa.
- Marie... eu sinto muito. – ele parecia desapontado – Mas eu não posso fazer isso.
‘Deus do céu! Vou ter que seduzir esse garoto.’, pensei e me envergonhei dos próprios pensamentos. ‘Senhor, me ajude’, rezei. Eu nunca seduzi ninguém nessa vida, a não ser Edward! Tomara que este garoto não perceba meu truque barato!
- Oh! Meu Deus... eu to perdida, Dawson! – guinchei - E só você pode me ajudar! – fingi cara de choro e o garoto se inclinou um pouco na minha direção – Você viu aquele cara lá fora, me rondando e segurando os dois bebês?
‘Me perdoa, Edward’, pensei. O garoto fechou a cara antes de responder.
- Sim, eu vi.
- Ele é meu noivo, - mostrei a aliança - (‘me perdoa Edward’), na verdade, ex-noivo e aqueles são nossos filhos. - fiz cara de sofrimento - Eu fugi com ele há dois anos atrás e, digamos, pegamos emprestado o carro da mamãe para ir a Las Vegas nos casar. Nós nunca casamos, tivemos os bebês, o relacionamento não deu certo e agora ele ta me devolvendo para minha mãe (‘me perdoa Edward’). – Como eu sei que ela ficou possessa quando roubei seu carro, eu queria dar um carro a ela, dar de verdade, sabe, no nome dela e tudo o mais, por isso queria fazer a surpresa e...
- Você esta se separando mesmo dele? – os olhos de Dawson brilharam.
- Sim, – ronronei... – eu mereço ser feliz, sabe (‘me perdoa Edward’), mereço alguém que me entenda, que me ame...
Parecia estar dando certo, o garoto piscava os olhos várias vezes e sorria para mim. Para ajudá-lo, eu também pisquei os olhos e mordi o lábio inferior, já que Ed sempre me disse que eu ficava muito sensual fazendo isso.
- Ah! Sim, entendo... mas me diz, Marie, para onde você ta indo?
‘Pensa, Bella, pensa’... Lembrei de ter olhado o mapa várias vezes e disse por fim:
– Stevenson, às margens do rio Hood!
- Ah! É bem pertinho daqui, fica há apenas uma hora de carro! – ele sorriu jubiloso e eu fiquei impaciente – A gente bem que podia se ver qualquer dia desses... – ele corou e baixou o olhar.
- Sim, claro! (‘me perdoa Edward’) – fiquei mais impaciente e nervosa – E ai? Você me ajudar a fazer as pazes com mamãe? – ronronei – Seria tão bom voltar para casa numa boa...
- Bem, Marie, eu quero muito te ajudar. – ele parecia hesitante – Mas você tem que me prometer guardar segredo. – assenti fervorosamente - E também precisa assinar o contrato igual à assinatura da sua mãe.
‘Meu São Pinóquio, protetor dos mentirosos!’
Tremi nas bases, afinal eu nunca tinha falsificado a assinatura de ninguém!
- Ah! Mas isso não é problema! – menti - Desde os 13 anos, eu consigo falsificar a assinatura da mamãe!
Sorri, mas foi um riso histérico! O garoto riu também e na hora de assinar a minha mão tremeu, mas vi que a assinatura era fácil de fazer e por fim, eu consegui. Fiz o pagamento e estendi a mão para ele, mas o garoto pegou a mão, beijando-a com devoção. Quando voltei para o estacionamento, já com a chave da pick-up na mão, vi que Edward estava no estacionamento do posto de gasolina, já dentro de nosso antigo carro. Minhas pernas estavam tremendo e eu suava frio, liguei o veículo e fui até Edward, emparelhando nossos veículos.
Os meninos estavam dormindo nas cadeirinhas, e meu marido estava sério, muito sério, com aquela cara que ele faz quando está ‘puto da vida’.
- Você conseguiu comprar o carro no nome de sua mãe? – ele sussurrou.
- Sim. - falei sem olhar em seu rosto.
- Ok. – ele fez uma pausa - Bella, tem um shopping há 5 minutos daqui. – ele falou numa voz contida – Você me segue, vamos para lá trocar de veículo de uma forma discreta.
Eu assenti e esperei que ele saísse. Naqueles cinco minutos eu me praguejei de várias formas, me recriminando por ter me oferecido para o garoto. O mau humor de Ed deveria ser por causa disso.
POV EDWARD
É, ver minha mulher fazendo doce pra outro cara não foi lá uma coisa muito agradável, mas foi por uma boa causa. Bem, apesar disso, o meu ego sobreviveu...
E enquanto eu via Bella jogando charme para o ‘mamão high school’, apurava meus ouvidos para ouvir a conversa de dois caras próximos a mim. Um deles falava do recente roubo de carro no estacionamento da B. Kirk Departament Store e o outro recriminava o sistema de vigilância da loja, alegando que as câmeras eram ‘só de enfeite’ e que na verdade não filmavam nada.
Aquela era a loja que eu precisava!
Sai de perto dos caras e cheguei próximo a um casal de idosos, perguntando onde ficava a tal loja. Eles me explicaram o caminho e ainda me disseram que aquela loja tinha preços absurdamente altos. Sorri e assenti, saindo da revendedora e voltando para a pick-up com os meninos. Como Bella demorou um pouquinho mais do que o que eu gostaria, ninei os meninos e assim que dormiram, eu os coloquei nas cadeirinhas.
Por fim, Bella saiu da revendedora já dirigindo o nosso novo veículo, ela parecia tensa e eu me xinguei mentalmente por ter exposto minha esposa àquela situação ridícula. Perguntei se ela tinha conseguido comprar o carro no nome da mãe, e para a minha felicidade, ela disse que sim.
- Bella, tem uma loja de departamentos há 5 minutos daqui. Você me segue, vamos para lá trocar de veículo de uma forma discreta.
Ela apenas assentiu para mim e esperou que eu saísse. Eu tive certeza que ela estava realmente muito chateada comigo e de certa forma, ela tinha mesmo razão.
Assim que entrei no estacionamento da loja, procurei uma área pouco movimentada e longe das câmeras de segurança (só por garantia mesmo). Um minuto depois, Bella estacionou a pick-up vermelha ao meu lado. Sem trocar muitas palavras, transportamos os meninos de um veículo para o outro, depois as cestas de comida e por fim as malas que estavam na carroceria. Levei a chave da pick-up prata comigo (eu a jogaria na beira da estrada) e saímos dali na pick-up vermelha em menos de cinco minutos.
Ao ver o triste semblante da minha esposa, eu me recriminei mais ainda por ter feito aquela proposta a ela. Mas assim que pegamos a rodovia I-5 S, tentei puxar conversa.
- Amor, você fez um ótimo trabalho hoje! – sorri, tentando puxar conversa – Eu estou orgulhoso de você!
Ela assentiu com a cabeça, mas sem me olhar e fingia procurar comida dentro da cesta de pic-nic. Ela parecia chorosa. Cruzamos os limites do estado de Washington, entrando e vez em Oregon às 10hs da manhã. E outra vez, estávamos numa rodovia ladeada por árvores gigantescas.
- Bella? – ela me olhou nos olhos enquanto descarregava sua tensão numa barrinha de cereal com chocolate – Estamos bem, amor?
Ela começou a chorar silenciosamente, enquanto balançava a cabeça, dizendo que ‘não’ e mordia nervosamente uma maçã. Antes que minha esposa surtasse, até porque tínhamos mais umas quatro horas de estrada até Hilt, na Califórnia, eu resolvi me antecipar.
- Amor, me desculpe, eu sei que deve ter sido difícil para você ter que mentir, mas foi a nossa melhor alternativa e...
- Não, não! - ela negou fervorosamente e falou com a voz de choro – Esse não é o problema. O problema é que eu menti... disse àquele cara que nós éramos ex-noivos, que estávamos nos separando e que eu estava voltando para a casa da minha mãe... Ah! Edward, me desculpe, eu tive mesmo que dizer isso!
- Bella, tá tudo bem, amor! – falei com sinceridade – Eu lamento por ter exposto você, mas fiz tudo de caso pensado. – ela prestou atenção às minhas palavras - Eu já tinha notado antes mesmo de falar com você que na revendedora só tinha vendedores homens. – dei um sorriso amarelo – Então seria mais fácil VOCÊ convencê-los a comprar um carro no nome de sua mãe.
Ela abriu a boca para falar alguma coisa, mas fechou-a logo em seguida, eu continuei.
- Se só tivessem vendedoras, eu mesmo teria ido lá! - ela arqueou as sobrancelhas - Ah! Amor, não dá para negar que somos bonitos. Você sabe disso, Bella... Se precisasse, eu eeerrr... bem, eu jogaria charme p/ qualquer vendedora, desde que conseguisse sair dali com um carro no nome de mamãe ou no nome de Rennè.
Meio espantada, ela esticou a mão e afagou meu ombro, pescoço e rosto. Eu sorri e me inclinei para o toque dela, me sentindo perdoado e compreendido.
-Às vezes... às vezes eu tenho medo da gente se perder... – ela murmurou - Tenho medo de nos esquecermos quem somos, no que acreditamos... Você vê, Edward? Vê quanta coisa errada a gente andou fazendo?
Ai meu Deus! Ela começou a chorar de novo!
- E o pior de tudo, - ela continuou – é que eu não me arrependo de nada! Por você e pelos nossos filhos, eu faria TUDO de novo!
- Eu sei, Bella. – fiz uma careta – Estamos numa situação um pouco complicada e nosso instinto de sobrevivência nos faz agir assim.
- An-hãn... – ela balançou a cabeça, assentindo e parecendo mais calma.
- Que tal se você cochilar um pouquinho, hein? – perguntei – Daqui a pouco os meninos vão acordar e absorverão boa parte das suas energias.
Ela bocejou antes de falar.
- Liga o rádio num volume baixo... pra ver se eu consigo relaxar...
Fiz o que ela pediu e no rádio começou a tocar uma musica de U2, uma de nossas músicas preferidas. Bella encostou a cabeça no vidro de carro e parecia relaxar, eu cantei a música bem baixinho, me concentrando na estrada e na letra da música.
Estávamos juntos nisso. Graças a Deus, estávamos juntos! Isso é o que me dava força: o amor de Bella. Por ela e por nossos filhos, eu faria qualquer coisa que fosse preciso. Qualquer coisa. Mas eu pedia a Deus, de todo o coração, que a gente conseguisse chegar a Hilt, na Califórnia, sem ter que fazer mais coisas erradas.
POV BELLA
Quando eu acordei, tive uma certa dificuldade de abrir os olhos. Eles estavam doloridos e secos pelas lágrimas que derramei e deveriam estar vermelhos também. Eu não tinha mais sono e minha visão demorou a se acostumar àquela luz cinza. Confusa, eu pensei já ter chegado ao nosso destino, pensei que já era noite, mas me enganei. O céu estava escuro, mas era dia, meio-dia. Uma forte chuva, daquelas que fazem o dia ficar cinza, forçou Edward a dirigir bem devagar.
- Onde estamos? – sussurrei.
- Oregon. – ele respondeu sem tirar os olhos da estrada.
- Amor, essa chuva ta muito forte, por que você não para no acostamento? Ta difícil ver o que se passa lá fora.
- Não posso, Bella, não podemos nos atrasar.
- Eu sei, mas é perigoso dirigir assim. – suspirei – Ainda bem que essa pick-up tem carroceria fechada. Mas ainda assim, devemos parar. Dirigir desse jeito é um perigo.
Só para confirmar minhas palavras, havia uma grande movimentação logo mais à frente. Veículos da polícia e do corpo de bombeiros bloqueavam a pista, mandando todos os veículos parar. Alguns carros davam meia-volta e outros estacionavam no acostamento da rodovia. Quando chegou a nossa vez de sermos abordados pela polícia, Ed sussurrou.
- Lembre nossos nomes.
Um policial bateu no vidro do carro, meu marido abriu a janela na mesma hora.
- Bom dia, oficial. – Ed falou com uma voz contida.
- Bom dia, documentos, por favor. – o homem falou enquanto olhava para dentro do veículo – Estão de mudança?
- Na verdade, vamos passar uns dias na casa de meu irmão. – Ed falou enquanto lhe entregava seus documentos.
- A pista está interditada no momento. – o oficial devolveu os documentos de meu marido – Vocês terão de dar meia volta ou esperar que os bombeiros limpem o trecho da pista que foi coberto por diesel. Um caminhão tanque tombou a uns 100 metros daqui, espalhando combustível e há risco de uma explosão.
- O senhor saberia informar se eles vão demorar muito? – perguntei.
- Cerca de uma hora. – ele olhou para Edward – Enquanto isso, sugiro que você descanse um pouco, parece que não dorme há dias...
- Sim, senhor, obrigado. – Ed falou e voltou a fechar o vidro.
Enquanto Ed encostava o veículo no acostamento, eu preparava um sanduíche de pão, queijo e presunto para ele e lhe oferecia também um suco de laranja de caixinha.
- Obrigado, amor, mas não to com fome. – ele falou.
- Não quero saber se você está com fome. – falei cheia de autoridade – Apenas coma e tente descansar.
- UAU... Adoro quando você fica mandona. – ele piscou um olho para mim e sorriu torto.
Menos de dez minutos depois, Edward estava ressonando no banco da frente. Os meninos AINDA dormiam (eles sempre ficam preguiçosos quando chove), mas acordariam logo, então preparei duas mamadeiras de mingau enquanto tomava um pouco de café. Depois que acordaram e comeram, Anthony e Thomas estavam cheios de energia, então eu fiquei brincando com eles. E mesmo a nossa farra no banco de trás não foi capaz de acordar Edward. OMG... Tadinho de meu marido, ele estava exausto mesmo!
Meu celular prateado tocou e como se pudessem entender a gravidade da situação, meus bebês ficaram quietinhos enquanto eu falava com a ‘tia Alice’. Ela me perguntou onde estávamos, eu fiquei exultante por falar com ela, mas lhe expliquei do acidente. Com calma, ela me disse que o atraso não seria problema e que iria entrar em contado com Benício Rosas, o primo de Jasper. Mas ela havia me ligado para dar uma boa notícia: embora o sistema do Marshall Service tenha sido invadido, até aquele momento, ainda não se tinha notícia de ninguém tivesse ido atrás dos ‘Fields’ lá em Forks. E aquilo só servia para comprovar a teoria de Jasper, que não havia ninguém no nosso encalço e que eles (esses eles deveriam ser os Volturi) estavam atrás da pessoa importante que perderam. Meu coração perdeu uma batida e voltou a bater com tudo! Essa era mesmo uma boa notícia! Mas Alice ainda deixou claro que MESMO ASSIM, já não era seguro permanecer em Forks. Depois de repetir as mesmas recomendações de antes, ela deixou um beijo para nós e encerrou a ligação.
A chuva passou, as nuvens deram lugar ao sol e um carro de bombeiros passou por nós, no sentindo inverso da pista, vários carros começaram a seguir adiante e eu tive que acordar Edward.
- Amor... – balancei seu ombro bem de leve – A pista já foi liberada.
Ele despertou rapidamente e esfregou os olhos, na mesma hora, lhe ofereci num copo um pouco de café. Ele sorriu torto antes de beber o líquido quente.
- Dormi muito?
- Cerca de 40 minutos!
Os meninos começaram a participar da conversa com seus ‘bu-a-babu’ e incontáveis besourinhos. Ed ligou o rádio e a gente seguiu, corujando nossos filhos e sorrindo com eles.
Cerca de duas horas depois, já passava das três da tarde, nós cruzamos o limite do Oregon e vimos a placa mais linda dom mundo. Eu me sentia entrando na terra prometida quando li em voz alta aquela inscrição: Bem vindo à Califórnia.
- Califórnia. Graças a Deus. – Ed sussurrou.
- CALIFÓRNIA! CALIFÓRNIA! CALIFÓRNIA! – eu cantarolei para os meninos, fazendo-os sorrirem muito e baterem palminhas.
Pouco mais de meia hora, chegamos à estação rodoviária de Hilt. Edward contornou o lugar duas vezes até que vimos um carro da polícia, dentro dele havia um homem jovem, com uns trinta e poucos anos e de pele morena, ele usava um exótico lenço vermelho amarrado ao pescoço, no melhor estilo dos personagens de bang-bang do John Wayne.
- Edward, - sussurrei – só pode ser aquele cara ali.
Meu marido olhou para o homem e assentiu quando viu que ele também usava botas de cowboy. Mesmo assim, senti a boca seca quando ele veio andando em direção ao nosso veículo. Dei um pulinho no banco quando ele bateu no vidro, mas meu corpo relaxou quando ele abriu a boca e eu vi seu dente de ouro.
- Bom dia, Richard Carmichel! – ele sorriu para Edward – Bom dia, Srta. Marie Didier... – ele se dirigiu a mim – Oh! Esses daí devem ser os afilhados de meus primos Jasper e Rose!
Deus do céu! Eu estava lívida no banco de trás, a adrenalina fez meu corpo ficar rígido! Mas depois que ele provou ser quem era, eu me senti mole feito um prato de papa!
- Bom dia, Benício Rosas! – Edward falou e sorriu para ele.
- Chega pra lá! – ele abriu a porta da pick-up – Daqui para frente, eu dirijo e você descansa!
Assim que saímos da estação rodoviária da cidade, o xerife pareceu relaxar.
- Desculpem ter saído de Hilt com tanta pressa, mas temos muito chão pela frente. – ele sorriu – Naquele carro de trás, - eu olhei para trás – está a suboficial Patricia Trevor, e os dois nas motos ali na frente, são Andrew Candy e Lorenzo Rúas, policiais de minha delegacia.
Ele fez uma pausa, esperando que a gente falasse alguma coisa e depois continuou.
- Sei que devem estar muito cansados, mas agora tentem relaxar, estão seguros.
- Obrigado. – Ed falou – Jasper falou com o senhor sobre nós?
- Falou. Disse que vocês são pessoas de bem e que são praticamente da família. Ele pediu que eu cuidasse de vocês por uns dias enquanto tio William volta de viagem.
- O pai de Jasper e Rose? – perguntei meio confusa.
- Sim! Ele e tia Lilian estão viajando e devem voltar na semana que vem. – ele olhou para mim pelo espelho – Vai dar tudo certo, Srta. Didier, quando chegarmos, minha mulher vai preparar um bom lugar para vocês.
Deduzi que ficaríamos na casa dele.
- Obrigada, é muita generosidade de sua parte. – falei.
- Não há de quê. Se são importantes para Jasper e Rose, são importantes para mim também. – ele fez uma pausa – Daqui até lá são quase treze horas de viagem, devemos parar algumas vezes, para esticar as pernas, comer alguma coisa e fazer a viagem ser menos enfadonha. Tudo bem para vocês?
Eu e Edward apenas assentimos e um silêncio agradável preencheu o carro. Os meninos tomaram mingau e cochilaram, eu e Edward os imitamos e a viajem foi tranqüila. Mas levamos umas quinze horas para cruzar a Califórnia, pois paramos em três cidades. Durante esse percurso, Benício Rosas e meu marido se revezavam na direção. A noite chegou, a madrugada também e por volta das seis horas da manhã do dia 02 de Maio, chegamos ao nosso destino final: um deserto.
- Estamos em Coachella Desert. – o xerife explicava – Mais especificamente em Cathedral City, onde eu moro e sou o chefe de polícia. – ele falava enquanto percorríamos as ruas desertas da cidade.
Nossa pick-up dobrou numa rua e depois noutra e finalmente estacionamos na frente de uma modesta casa de um único pavimento. De dentro da casa saiu uma mulher jovem, morena, olhos pretos, cabelos pretos longos e lisos. Ela tinha um sorriso iluminado no rosto e usava um vestido colorido. Assim que a pick-up estacionou, ela se aproximou de nós.
- Buenos dias! – ela nos saudou rapidamente para logo em seguida se pendurar no pescoço do xerife.
Depois de um curto beijo, Benício nos apresentou a Selena, sua esposa. Ela apertou nossas mãos e sorriu muito para nós, enquanto apontava para um trailer ao lado da casa.
- Ali, por favor, levem a bagagem de nossos ‘primos’ para o trailer. – ela falava com os policiais que nos escoltaram.
- Marie, nossa casa é mui pequena e temos três niños... – ela sorriu se desculpando – por isso, preparei o trailer para vocês!
- Obrigada! – eu disse aturdida.
Assim que os policiais despacharam nossa bagagem, se despediram cordialmente de nós e partiram.
- Esse trailer é dos meus sogros eles, mas eles só vem aqui no verão. – Benício esclareceu – Ele é pequeno mais é muito confortável.
Eu e Edward tiramos os meninos (adormecidos) de dentro da pick-up e entrelaçamos nossas mãos enquanto olhávamos para nosso novo lar: um trailer.
Eu não queria ser pessimista ou mal agradecida, mas no momento eu não podia pensar muita coisa. Em meu coração, eu sempre soube que qualquer lugar seria maravilhoso, desde que eu tivesse Edward ao meu lado. Mas eu nunca imaginei viver fugindo de uma organização criminosa e nunca imaginei ter que expor meus filhos a tanta confusão... Engoli o choro e apertei a mão de meu marido com mais força, e como se pudesse ler meus pensamentos, ele também apertou minha mão com força.




