Inesquecível
Isabella estava decidida a se casar naquele mesmo dia.
A cerimônia se realizou em frente à lareira do grande salão. E para o total desespero de Alice, não houve nenhuma pompa nem esplendor dignos de uma Princesa de St. Noah e de um poderoso Laird das Highlands.
— Por Deus, Isabella! — Alice sussurrou exasperada enquanto trançava os cabelos da noiva e os enfeitava em tempo recorde com minúsculas flores brancas — Você é uma Princesa! Que tipo de cerimônia será essa?
— O tipo de cerimônia que trará Finney’s Flat para Edward.
Alice suspirou e em menos de dois minutos terminou de pentear a cunhada. O bliaut que Isabella usava naquela manhã era azul da cor do céu e caia perfeitamente sobre seu belo corpo, por cima daquele traje, Alice pôs um xale novo, feito com o tartan do Clã.
— Mesmo com um vestido tão comum, você está uma noiva linda! — a cunhada abraçou a noiva e falou com a voz bastante embargada pela emoção — Edward a fará muito feliz!
Minutos depois, Isabella desceu as escadas. Em suas mãos havia um pequeno e simples buquê com flores coloridas do campo, Seus guardas haviam lhe dado esse singelo presente. Em menos de cinco minutos, Paul e Embry colheram todas as flores bonitas que encontraram pela frente. Emily, com bastante destreza, amarrou-as com uma pequena fita azul.
A cerimônia realizou-se rápida e silenciosamente. Embora fosse quase impossível que alguém pudesse ver o grande salão do exterior do castelo, Isabella insistiu em que baixassem todas as tapeçarias para cobrir as janelas que davam para o pátio e as com vista para o jardim dos fundos e para o lago que havia mais à frente. A Princesa não ia se arriscar a que o mensageiro ou o Bispo ou qualquer outra pessoa má intencionada, como Tanya, pudessem ver o que estava acontecendo.
Assim que os pés da noiva tocaram o chão do grande salão, Emmett pegou em sua mão e a guiou até o noivo. Já que o marido de sua prima era o único parente que se encontrava presente, recaiu sobre ele o dever de entregá-la a Edward e dar permissão para que o casamento se realizasse. Jasper e Alice, Emily e Sue, além dos guardas reais de Isabella foram as outras testemunhas.
Isabella não acreditou que pudesse ficar nervosa, mas aparentemente estava, já que quando o Padre lhe disse que colocasse a mão sobre a de Edward, tremia como se tivesse acabado de levar um tremendo susto. O sacerdote começou sua prece, e repentinamente o impacto do que ela estava fazendo a afligiu. Seus joelhos quase cederam e ela mal podia respirar. Seu coração martelava furiosamente contra o peito. Naquele momento e para sempre, ela estava se tornando esposa de Edward.
Aturdida, ela observou Edward colocar uma parte de seu tartan sobre suas mãos unidas. Ao pronunciar seus votos, ele levantou a cabeça e a olhou nos olhos. Mas, mesmo que sua vida dependesse disso, Isabella poderia compreender nenhuma palavra do que o noivo havia dito. De tão nervosa que estava ela tinha esquecido todo o gaélico que tinha aprendido em sua vida. Logo chegou a vez dela, muito aturdida, sussurrou seus votos na língua de sua mãe. O padre Erick a deteve e lhe pediu que começasse de novo.
— Princesa, não entendo o que está dizendo. — lhe explicou.
Nem ela.
Ela sabia que tinha prometido algo a Edward. Só que não podia recordar o que era. Havia dito que o amaria e o respeitaria? Ou pensou ter dito isso? E lhe havia dito que seria fiel e sincera? Esperava ter dito das palavras certas, mas não estava segura. Talvez até podia ter lhe prometido limpar seus estábulos pelo resto de sua vida!
Desconcertada, Isabella olhou para o sacerdote. Já que o rosto dele não tinha um olhar espantado, ela tomou aquilo como um bom sinal.
“Agora e para sempre, até que a morte os separe.”
As preces chegaram ao fim e a benção foi dada. Quando Edward a atraiu para seus braços, ela estava tensa como uma tábua, mas, assim que ele baixou a cabeça e a beijou, ela voltou à vida. A proximidade dele a fez estremecer e o carinho de seu beijo derreteu todos os medos que sentia.
— Eu os declaro marido e mulher. — O padre Erick fez o anúncio, manifestando sua aprovação com um radiante sorriso.
As felicitações não foram ditas aos gritos, mas sim foram sussurradas. Cada um dos guardas fez uma profunda reverência a sua Princesa e a seu novo marido e logo, ante a insistência de Isabella, foram ao pátio a reunir-se à celebração do Clã. Jasper e Emmett cumprimentaram a noiva com um respeitoso beijo na mão e Alice arrebatou a cunhada dos braços de Edward o tempo suficiente para lhe dar um abraço.
— Devemos brindar a este casamento! — disse Jasper.
—Talvez em outro momento. — respondeu Isabella.
Ela agarrou o sacerdote pelo braço e o puxou levando-o para as escadas enquanto lhe dava instruções do que devia dizer ao mensageiro:
— Por favor, o senhor dirá ao mensageiro que nos casou hoje, mas não lhe dirá…
Edward a deteve.
— Pode deixar que eu cuido disso. Não há necessidade de pressa. — disse rodeando-a com o braço e aprisionando-a pela cintura.
Ela não concordou, pois havia dito ao mensageiro que daria provas de seu casamento. Certamente, ele suspeitaria se o fizessem esperar muito tempo.
Isabella inclinou a cabeça.
— Como queira.
Jasper caiu na risada e quando Emmett lhe perguntou o que era tão divertido, Jasper lhe explicou rindo muito:
— Para Isabella, “como queira” significa que ela não está de acordo e que fará exatamente o oposto. Ela pensa que com essas palavras pode aplacar a ira de Edward, mas todos nós já entendemos o significado do que ela quer dizer.
Emmett assentiu.
— “Sim” significa “não”, e “não” significa “sim”? — ele deu um soco no ombro de Edward — Pelo menos ela tenta lhe acalmar. Minha esposa simplesmente não dá ouvidos ao que digo.
Emmett não parecia estar contrariado com a teimosia de sua esposa. De fato, parecia feliz com ela.
— Laird Cullen, quer que eu vá fora e fale com o mensageiro? — perguntou Erick.
— O senhor ficará aqui. — ordenou Edward.
— Mas quando eu for falar, o senhor me dirá o que devo dizer?
— Dirá a verdade. — disse Edward — Mas não mencionará quando aconteceu a cerimônia.
O cenho franzido do Laird ainda tinha o poder de fazer o Padre Erick tremer dentro de suas botas, por isso o sacerdote assentiu fervorosamente.
Jasper insistiu em fazer um brinde, ele correu à adega e retornou com uma jarra de vinho. Servindo a cada um deles com uma taça cheia, desejou ao casal uma vida longa e feliz.
— E como disse Isabella, a um casamento perfeito. — brincou.
Isabella estava confundida. Um casamento perfeito? Ela havia dito algo a respeito de que seu casamento seria perfeito?
— Edward, eu prometi isso quando pronunciei meus votos? — perguntou de cenho franzido — Se o fiz, sinto muito. Nosso casamento não será perfeito, e não posso prometer que não haverá problemas. Veja o ardil a que recorri no dia de nosso casamento! Não menti ao mensageiro, mas o despistei. E também fiz com que o Clã fosse meu cúmplice nesse engano. Você não se pergunta o que farei de errado no dia de amanhã?
Se ela tinha esperado que Edward tivesse compaixão de sua aflição, estava enganada já que ele achou gacioso o fato de ela se sentir culpada.
— Engano? Problemas? Você acabou de se tornar uma Cullen! — riu.
Beijou-a outra vez e logo ficou sério.
— Agora me dirá que presentes de casamento você deseja ganhar. No dia de seu casamento, não recusarei nada.
Ela não teve que pensar muito nisso.
— Eu gostaria que construísse uma capela para o Padre Erick e que prometa que ela estará concluída dentro de um ano. Deverá ter um belo altar e bancos fortes.
O Padre Erick estava comovido por sua consideração e generosidade. Edward não pareceu nada surpreso.
— Será feito. Que mais deseja?
Novamente respondeu sem demora:
— A tradição para mim é muito importante. — disse — Portanto eu gostaria que me desse o mesmo presente que meu pai deu a minha mãe.
Ele esperou que ela lhe dissesse o que era, mas isabella não disse nenhuma palavra mais.
— Quando saberei qual é esse presente? — apressou-a.
— No devido tempo.
O mensageiro estava esperando junto ao Bispo pela volta de Isabella. Seu rosto empalideceu quando viu Edward avançando a passos largos para ele.
— Lady Cullen me disse que o senhor requer uma prova que demonstre que ela é minha esposa. Ela lhe disse que estamos casados, não é?
— Sim, Laird … quer dizer, Laird ... podia ser que possivelmente…
O homem estava pálido como um defunto e não falava coisa com coisa.
— O senhor sabe a sorte que tem por ainda estar respirando? Deveria estar morto por ter insinuado que minha esposa mentiu. Foi isso o que pensou?
— Não, não! Eu acreditei! Possivelmente outra pessoa pensou isso …
— Minha esposa não mente. — a voz do Laird tinha adquirido um tom cortante como o mais duro metal.
— Sim, Laird. Ela só diz a verdade.
Isabella se aproximou de Edward e fixou o olhar no mensageiro sem ver ninguém mais. Não sabia se Tanya ainda estava entre a multidão que os observava, mas tinha a esperança de que ela já tinha partido e que não causasse mais problemas.
O Padre Erick se adiantou.
— Posso garantir que o Laird Cullen e Lady Cullen estão casados. Sou o sacerdote que lhes ministrou o santo sacramento. Ouvi-os trocar os votos e benzi sua união. — fazendo um gesto dramático para o céu, disse: — Que me parta um raio neste mesmo instante se estou mentindo.
Levantou os olhos ao céu e esperou, logo fazendo um gesto afirmativo com a cabeça, disse:
— Deus sabe que estou dizendo a verdade, e também todo o povo.
O Bispo desejava retornar à Abadia antes do anoitecer para poder dormir em sua própria cama em lugar de fazê-lo no duro chão. Por isso, ele se apressou em dizer:
— Darei testemunho de que o padre Erick diz a verdade. E com isto o assunto deveria considerar-se resolvido para a alegria de todo o mundo.
O mensageiro estava convencido.
— Estou de acordo. Devido a este casamento, agora o Laird Cullen possui Finney’s Flat.
— Nosso Laird também possui o tesouro de St. Noah! — disse Erick, sorrindo aliviado para Isabella.
O sacerdote não pensou que houvesse necessidade de explicar o significado de sua declaração. Todos que olhassem para Isabella poderiam ver que ela era um tesouro.
O complemento do sacerdote fez Isabella ficar corada.
— Não há tesouro, Padre. Meu marido terá que se contentar com a terra.
— Assim que for possível — disse o mensageiro —, farei que enviem arautos a cada um dos Clãs para anunciar que foi comprovado que a Princesa Isabella é inocente das acusações feitas contra sua honra, que seu casamento é válido e que Finney’s Flat é agora do Laird Cullen.
— O senhor pode proclamar isso? — perguntou Erick.
— Em nome do Rei William, eu posso.
Poucos minutos depois o mensageiro e o Bispo partiram, e Isabella nunca havia se sentido tão feliz em ver alguém partir. Agora podia relaxar. Ou era isso que pensava.
Uma preocupação partiu, e outra a atacou.
Essa era sua noite de núpcias!
O Clã Cullen estava se dispersando lentamente. Tinham muito que celebrar. Seu Laird tinha retornado vitorioso de seu encontro com seus inimigos, os Newton; suas posses agora incluíam Finney’s Flat; e seu amado Laird tinha se casado. Como o Padre Erick não deixava de recordar-lhe realmente eram abençoados. Quando se aproximou o pôr-do-sol, a celebração começou a declinar. As mesas e os bancos retornaram ao castelo, e todos voltaram para suas casas fatigados, mas felizes.
Jasper e Edward acompanharam Emmett aos estábulos já que também era hora de que voltasse para seu Clã.
— Não se esqueça de que a história com os Newton ainda não acabou. — advertiu Emmett. — Para cada um que matamos outro se levanta. Multiplicam-se como ratos. Logo terão um novo Laird, e será tão bastardo como o Mike.
— Eu sei. — disse Edward tranqüilamente.
— Você é nosso aliado, Emmett. — lhe recordou Jasper. — Também irão atrás de você, tenha cuidado.
— Terei. — respondeu.
O cavalariço se aproximou de Emmett e entregou seu cavalo.
— Sua dívida está saldada. — ele disse ao Edward — Mas agora acredito que contraiu outra.
— Qual seria a dívida? — perguntou Edward desconfiado.
— Eu lhe dei Isabella. — Emmett falou brincalhão.
— Você forçou-me a tomá-la. — disse Edward com secura. — Mas estou agradecido.
— Há uma forma fácil de me compensar.
— Qual poderia ser?
— Me conceda a mão em casamento de uma de suas filhas para um de meus filhos.
— A igreja não permitirá. — disse Jasper. — Está aparentado com Isabella.
— Só por afinidade. O tio de minha esposa não é parente sangüíneo. A união arrumada seria válida e sua filha dará a meu filho com um rico dote.
Edward pôs-se a rir.
— Deixe adivinhar, Finney’s Flat?
— Sim, Finney’s Flat.
— Seu plano se apóia na eventualidade de que minha esposa me de apenas filhas.
— Preciso refrescar sua memória. — disse Emmett num tom zombeteiro. — Minha Rosalie já me deu o pequeno Henry e já está grávida de novo! Mas você não pode se deitar com Isabella por quanto? Cinco meses?
— Tinha pensado esperar todo esse tempo, mas…
— Pensado? E que acontecerá com sua reputação?
— A notícia de sua inocência se divulgará, e se o inglês estava dizendo a verdade, farão um proclama. — respondeu Edward.
— E você crê que isso acontecerá logo? — perguntou Emmett. — Edward, você havia dado a ela seis meses.
Edward respondeu, resignado:
— Se isso for o que Isabella deseja, eu concordo.
Emmett e Jasper puseram-se a rir.
— Ele pensa que poderá te conter durante tanto tempo? Por Deus! Isabella é quase tão linda como minha esposa! — disse Emmett.
— É obvio que posso esperar. Tenho mais disciplina que qualquer um de vocês.
Edward se encaminhou de volta ao castelo. Jasper e Emmett o observaram afastar-se.
— O que você acha? — perguntou Emmett.
— Meu irmão tem muita força de vontade e é muito disciplinado. Dou-lhe ao menos uma noite antes que mude de opinião.
— Eu dou uma hora.
A espera era um suplício.
Para Isabella parecia que já tinha passado a metade da noite desde que se banhou numa tina com água perfumada. Sue já tinha tirado a tina de seu quarto, e Emily já tinha colocado lenhas na lareira.
Alice já tinha trazido a manta nova, feita com o tartan do Clã e já tinha forrado a cama. Isabella tinha tecido este presente para Edward e naquela noite, eles se deitariam sobre o lindo e macio presente.
A cunhada abraçou Isabella, desejou-lhe muitas felicidades e saiu do quarto.
E então ela se viu sozinha.
Cada minuto parecia uma hora, mas o cabelo ainda gotejava, por isso ela sabia que não podia ter passado tanto tempo desde que terminou o banho. Mas, parecia uma eternidade.
Isabella vestia uma camisola branca … feita com um fino e fluido tecido adornado com fios dourados. Nervosa, ela alisou uma dobra da camisola e se sentou em frente ao fogo para escovar o cabelo. O quarto estava aquecido e depois de um dia tão longo e frenético, ela deveria ter estado exausta. Mas não estava! Estava bem acordada e quase em estado de pânico.
Onde estava Edward?
Ele havia dito que não podia esperar para tê-la. E o casamento acabou acontecendo antes do que ele esperava, mas agora já estavam casados!
Será que ele tinha mudado de opinião?
A cada ruído, seu estômago se comprimia por causa da ansiedade. Enquanto continuava escovando o cabelo, ela tentou pensar em algo menos preocupante. Esse dia tinha sido agradável, e o bolo de carne que tinha comido no jantar estava bastante saboroso.
Por que ele demorava tanto? Eram as exigências do Clã tão mais importantes que ela, inclusive na noite de núpcias?
Oh, como desejava acabar com essa agonia!
Sua mãe tinham lhe contado o suficiente sobre o ato físico que ocorria entre um homem e uma mulher. Mas era inevitável que ela não sentisse medo. Rennè não mentiria, Isabella sabia que sentiria dor.
Ela decidiu compará-la a seu dedo deslocado. Quando tinha nove anos de idade, Isabella tinha caído de um muro de pedra que estava subindo. Seu dedo mindinho tinha feito um estranho ruído, como um estalo, e se tinha torcido em um ângulo estranho. Doía-lhe como se a tivesse picado um ninho de vespas, mas seu pai sabia o que fazer. Enquanto Samuel a segurava firmemente, seu pai fez saltar a recolocou o dedinho no lugar, e a dor se foi imediatamente. O tempo todo ela sabia o que ia acontecer e temeu, mas uma vez terminado, já não teve que se preocupar com a dor.
Pelo que sua mãe tinha lhe dito, o ato conjugal era muito parecido: medo, dor, esquecimento.
Quando seu braço começou a doer, deixou a escova. Seu cabelo estava lindo e brilhante, descendo em longas mechas sobre suas costas. Ela olhou fixamente para o chão e tentou de concentrar-se em algo agradável. Um pouco da água de seu banho derramou da tina, olhou-as fixamente enquanto se desvaneciam lentamente.
Edward teria se esquecido dela?
“Pense só coisas agradáveis”, recordou a si mesmo. Não havia absolutamente nenhuma necessidade de enervar-se.
Edward tinha ficado feliz quando lhe deu de presente o sal, e surpreso até. Subitamente, Isabella se deu conta de que se esqueceu de lhe dizer que havia mais sal a caminho, e que no próximo ano teria mais que suficiente para abastecer seu Clã por um longo tempo. Também poderiam trocar sal por grão ou alguma outra coisa que o Clã precisasse.
Seu coração perdeu uma batida.
Ela era tão insignificante para ele?
Isabella sentiu que estava a pondo de chorar.
Talvez Edward só estava sendo amável quando lhe disse que a desejava. E ela se jogou em seus braços. Mas não, ele não faria tal coisa. Edward era franco e brutalmente honesto. Não mentiria só para ser amável. Não perdia muito tempo pensando nos sentimentos de uma mulher. Ela duvidava que alguma vez ele tivesse feito isso.
Os olhos se encheram de lágrimas, e ela sabia que se não se concentrasse, choraria. Isabella raramente chorava, mas quando o fazia, demorava um longo tempo para parar. Choraria por cada dor e desengano que tivesse sofrido e isso demoraria muito. Desde que tinha deixado Phoenix, sua lista de desenganos tinha crescido bastante, e achava que teria que chorar durante uma semana inteira para terminar com todos eles.
Concentrar-se em assuntos prazerosos não estava funcionando. Então, ela precisava zangar-se.
Como Edward se atrevia a tratá-la dessa forma? Então suspirou porque não estava funcionando. O homem lhe tinha dado seu sobrenome e seu amparo, e não tinha pedido nada em troca. Não, não podia conjurar muita ira. Era grosseiro de sua parte fazê-la esperar, mas não era cruel.
Passou a pensar no mensageiro do rei. Tinha-a feito passar pelo purgatório com esse pergaminho e suas suspeitas. Não obstante, só estava seguindo as ordens do Rei William, e, para ser honesta, era um indivíduo simpático. Não podia culpar ao mensageiro nem desprezá-lo por repetir as palavras que lhe tinham sido ditadas.
Tanya! Que megera era essa mulher! Que olhar tão depreciativo ela tinha para Isabella! Será que ela pensava que tudo o que tinha que fazer era anunciar que ia se casar com Edward para que seu sujo passado ficasse para trás? Sim! Tanya era uma megera!
Aquilo funcionou!
Já não havia nenhuma só lágrima nos olhos do Isabella. Se nesse instante Tanya entrasse no quarto, era provável que Isabella pegasse sua escova e a golpeasse com ela. A imagem fez Isabella sorrir.
Pronto! Sentia-se muito melhor.
Ouviu passos se aproximando no corredor.
Edward.
Oh, Deus! Ele finalmente vinha até ela.
Ela se levantou num pulo, logo voltou a sentar-se, e voltou a levantar. Seria melhor ficar de pé ao lado da lareira, ou deveria sentar-se ao lado da cama? Edward gostaria que ela estivesse debaixo da manta?
Isabella decidiu esperar junto à lareira. Também decidiu que era importante se lembra que devia respirar. Estava ficando zonza de tanto prender a respiração.
Medo … dor … esquecimento.
Edward bateu à porta, esperou um segundo, logo a abriu e entrou. Quando a viu ficou completamente paralisado.
Ela era uma visão maravilhosa. A suave luz que emitida pelas brasas atrás dela fazia que sua camisola ficasse translúcida. Ele podia ver a forma perfeita de seu corpo. Cada curva estava realçada por um matiz dourado: seus seios macios, sua cintura estreita, seus quadris proporcionais, e as longas pernas. Ela era a imagem da perfeição, e lhe parecia mais tentadora que se tivesse estado de pé sem absolutamente nada sobre o corpo.
Ele não a deixaria nem nessa noite nem em todas as outras!
Isabella tinha as mãos aos lados de seu corpo, e o olhou fixamente nos olhos dele.
Ela conhecia aquele homem!
Então, por que estava tão assustada? Edward nunca lhe faria mal. O temor se afastou lentamente. Sim, conhecia-o bem.
Edward tinha faixa de tartan sobre o peito nu. Sob a luz fraca da lareira ele parecia muito mais alto e mais musculoso. Ela fixou seus olhos nele, olhando tudo. Seu marido tinha o cabelo molhado, e ainda tinha gotas de água no peito, indicando que tinha ido ao lago para banhar-se, como faziam muitos outros membros do Clã. A cor de seus verdes olhos … a firme linha se seu queixo … seus ombros largos …
Sim, ela desejava aquele homem.Decidida, deu um passo para ele.
— Sabe o quanto atraente você é? — sussurrou suavemente.
Edward respondeu-lhe com voz rouca:
— Não reparo em tais coisas. Quando você me conhecer melhor…
Ela deu outro passo em sua direção, com os olhos fixos nos seus. Edward não foi capaz de se lembrar do que dizia. Ao aproximar-se, ela fazia chegar às narinas dele um suave aroma de flores. Ele não conseguia pensar em mais nada que não fosse o desejo intenso de tocá-la. Ela o excitava-o como nenhuma outra mulher poderia fazê-lo.
— Eu conheço você, Edward.
Com a ponta dos dedos delineou a cicatriz que começava na ponta do ombro e seguia para baixo do braço.
— Seu corpo me conta sua história.
Ele permaneceu quieto enquanto ela o rodeava tocando-o, acariciando-o.
— Você é um guerreiro. — sussurrou enquanto seus dedos lhe roçavam os ombros, fazendo a pele dele se aquecer sob seu toque — Você é um protetor.
Isabella ficou na ponta dos pés e suavemente lhe acariciou o lado do pescoço e voltou a sussurrar:
— Conheço você.
Os olhos de Edward nunca abandonaram os dela enquanto lentamente lhe tirava a camisola. Suas bochechas se ruborizaram, mas ela não escondeu seu corpo. Ele a envolveu nos seus braços e a beijou ferozmente. Seu corpo era maravilhosamente suave, sua pele era sedosa e cálida. Delicadamente, ele acariciou os lábios dela com os seus e logo necessitou de mais. Ele a encheu de beijos até ambos se sentirem consumidos no calor da paixão.
Levou-a para cama, deitando-a gentilmente sobre a manta. Ele tirou o tartan rapidamente e a cobriu com seu corpo. Isabella ofegou quando sentiu a pele nua de Edward contra a sua.
Edward desejava conhecer cada polegada de seu corpo. Perdeu-se nos lábios dela, e logo beijou seu pescoço, inalando seu doce aroma. Sentiu seu coração pulsando debaixo do dele, e quando lhe beijou a base do pescoço, ela começou a tremer. Desceu os beijos para acariciar os seios e beijar o vale que se formava entre eles. Deslizou-lhe as mãos pelas costas, pela curva da espinha dorsal.
Isabella amava a sensação de sua pele contra a dele. Quando os beijos se fizeram mais intensos, envolveu-lhe os braços ao redor do pescoço. A cada carícia, a necessidade de Edward crescia.
Edward deslizou-lhe os dedos entre as coxas dela, fazendo-a tremer. Mas seu medo não lhe permitiu rechaçá-lo. Inquieta, começou a se esfregar nele sem parar. A forma que ele a acariciava estava deixando-a louca. Ela desejava mais e então a doce tortura logo se tornou insuportável. Arranhou-lhe os ombros com as unhas, exigindo mais prazer.
Edward ofegou e gemeu de satisfação diante do selvagem gesto da esposa. Ele já ardia de tanto desejo e a suave tortura contra suas costas, o enlouqueceu mais ainda. Ele tentou ser delicado. Num único movimento, abriu as pernas dela e a penetrou.
Isabella gritou de dor e curvou seu corpo contra o dele, mas Edward a acalmou com doces palavras e carícias.
— Calma, minha princesa ... Vai passar ...
Com uma de suas mãos, ele acariciava o rosto dela. A dor foi rapidamente esquecida, e quando Edward começou a mover-se dentro dela, lentamente ao princípio, Isabella elevou os quadris para impelir-se contra ele, gemendo de prazer. Os embates de seus corpos suados se tornaram mais poderosos, menos controlados.
Ela então sentiu uma onda de prazer.
— Edward!
Isabella gritou o nome do marido enquanto chegava ao clímax, e o apertou com força no instante em que ele encontrava sua própria liberação e despejava seu líquido dentro dela.
— Bella ... — ele balbuciou o apelido que sempre quis dar a ela.
Por um longo momento nenhum dos dois se moveu, exceto por suas respirações ofegantes, o quarto estava em silêncio. Isabella pensou que seu coração ia explodir. Amar Edward tinha sido a experiência mais aterrorizante e maravilhosa que tinha vivido.
Ela sabia tê-lo satisfeito. Embora Edward não houvesse dito com palavras, seu tato era suficiente. Quando reuniu forças, Isabella rolou para o lado e ele a envolveu em seus braços. Edward beijou-lhe a testa e a abraçou. Ela apoiou a cabeça contra seu ombro e pôs a mão sobre seu coração.
Amava aquele homem.
Isabella não sabia que era possível experimentar tão delicioso prazer.
Feliz de permanecer em seus braços, com a mão ainda apoiada no peito, sobre coração de seu amado, ela ficou olhando fixamente para a lenha crepitando na lareira. Pensou que ele estava dormido e tentou puxar a manta para cobri-los, mas Edward a apertou com mais força. Ela se aninhou mais perto dele, sorriu, suspirou, e fechou os olhos.
— Edward?
Ele bocejou.
— Sim?
— Por que você me chamou de Bella?
— Eu ... bem ... — parecia tímido — Eu simplesmente queria lhe dar um apelido carinhoso.
Ela sorriu antes de responder.
— Eu gosto de ser chamada assim. Antes de você, somente meu pai e minha mãe me chamavam pelo apelido ...
Ele a apertou mais contra si e afagou seus cabelos.
— Edward?
— Sim?
— Por que você deu um soco em Jasper? Você lembra disso?
— Lembro. Ele não podia seguir caminhando, e se tivéssemos que carregá-lo se sentiria humilhado.
— Então nocautear seu irmão foi um ato de bondade.
— Eu diria que sim.
Sua mente flutuou de um pensamento a outro. Ela permaneceu em silencio por vários minutos e logo falou:
— Há mais sal a caminho. Esqueci de lhe dizer isso, mas quando chegarem os últimos baús terá o suficiente para encher o depósito.
— É um bom presente. — ele disse. — Aqui o sal é mais valioso que o ouro.
Quase imediatamente, ela saltou para outra questão.
— E assim poderemos negociar sal com outros Clãs em troca de outro mantimento qualquer.
Ele sorriu na escuridão. Sua esposa era muito inteligente.
— Durma, Bella. Você precisa descansar.
— Só uma última pergunta, se não se importar. A estátua de St. Noah de minha mãe será retirada do pátio de Phoenix e a trarão aqui. É uma tradição em nossa família. Você se importa? É bastante grande.
— Não me importo. Desde que ela não fique em nossa cama, eu não me importo. Agora durma.
— Você não deveria me dar um beijo de boa noite? — brincou.
— Bella, você não se dá conta de como me provoca? Aproveite para dormir enquanto está relaxada.
Mas enquanto lhe dizia o que deveria fazer, Edward a girava para pô-la de costas e beijar seu pescoço. Mas uma vez o corpo de ambos se acendeu. Ele não foi paciente com ela dessa segunda vez. Ambos já sabiam do que gostavam. Fizeram amor de uma forma menos contida. Quando ele se afundou nela, Isabella envolveu as pernas ao redor dele. Ele gemeu, e começou a mover-se, fazendo-a gritar presa num delicioso e sufocante êxtase. Ela se saciou primeiro ele achou sua liberação logo a seguir. Esta segunda vez foi ainda melhor.
Embora Edward achasse que sua mulher pudesse estar dolorida, ela parecia tão em chamas quanto ele. Por isso, houve uma terceira vez ...
Exausta e saciada, Isabella fechou os olhos. Edward se ergueu sobre os cotovelos e a olhou.
— Agora, você deve dormir. — ordenou.
Ele girou um pouco para um lado e a atraiu para si, de forma que as costas dela ficassem pressionadas contra seu peito.
Isabella suspirou e sorriu satisfeita. Naquela noite, ela tinha toda a intenção de obedecê-lo.
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NOTAS DO CAPÍTULO
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Anna