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- Música Das Sombras - adaptação do livro homônimo. (Fic concluída)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Vem comigo, amor - Capítulo 40

Corujando

*POV EDWARD*
Quando vivenciamos na própria pele determinadas experiências, mudamos de idéia sobre algumas coisas.
Eu sempre achei que os recém-nascidos eram meio estranhos. Para mim, eles eram, tipo, uns pequenos Ets: coisinhas de cabeça grande e sem pescoço, pernas curtas, braços e tronco compridos, olhos e bochechas inchados. Enfim, os bebês, assim que nascem e mesmo alguns dias após o parto, são umas coisinhas meio esquisitas mesmo. Eu disse os bebês porque meu Anthony e meu Thomas são os bebês mais lindos desse mundo ... Sim, com certeza, meus filhos fogem a essa regra! Não é à toa que eles eram os mais lindos do berçário ...
Em nossa primeira tarde em casa, não me canso de contemplá-los, se eu pudesse, passaria o dia todo velando o sono de meus anjinhos. Mas não posso! Ao meu lado, a razão da minha existência ... (oops ... agora tenho três razões da minha existência) está ressonando tranquilamente. Deitada com o corpo recostado ao meu, Bella aproveitava para descansar enquanto eles dormem. Daí, eu fico olhando para a esquerda, onde no bercinho móvel eles dormem e para a direita, onde minha esposa está. Desisti de cochilar, afastei gentilmente o corpo de Bella e me sentei na cama. Meus olhos estavam grudados nos gêmeos.
 (n/a: escute a música enquanto lê o texto)

Um sentimento de amor incontrolável e irrestrito se apossou de mim ... de repente, meu coração não conseguiu se conter ...
Passei várias semanas sonhando com a paternidade, mas eu não sabia que ser pai é se sentir completo, embora antes eu nem soubesse que existia um vazio em mim. Só sei que não dá mais pra viver sem Anthony e Thomas ... Parece inapropriado dizer ‘tenho dois filhos’, gosto mais da idéia de ‘sou pai de dois filhos’. Eu não os tenho: ELES ME TÊM POR COMPLETO. Acabo de me assumir um pai-babão e por que não dizer, bobão? Já que agora tudo mudou de perspectiva para mim ...
Sei tão pouco ainda sobre o ofício de ser pai, mas to na área! Quero ser um perito em trocar fraldas, passar pomadinha em bumbum e embalar berços! Mas, acima de tudo, quero ser PhD em amar meus filhos. Não quero perder um minutinho sequer de suas vidas. A idéia é registrar tudo em álbuns e DVD’s, mas principalmente, registrar tudo na mente e no coração. Quero ser o herói deles e seu melhor amigo ... Quero contar historinhas de ninar, ensinar a rezar, ensinar a amar ...
Só fico me perguntando se darei conta do recado ...
Dois corpinhos idênticos, duas vidinhas que começaram no mesmo instante! Dois coraçõezinhos batendo como as asas de um beija-flor ... Dois anjinhos que vieram do céu para tornar a minha vida mais feliz, para fazer do nosso lar um reino mágico, onde a prioridade é ser feliz e o nosso único dever é amar. Se antes já era maravilhoso chegar em casa, agora, com Anthony e Thomas será melhor ainda. Estou ansioso pelo primeiro sorriso sem dentes deles ... com certeza será um sorriso tão lindo quanto o da mãe e fará meu coração bater muito descompassado. Também não vejo a hora de eles fazerem festa quando me virem chegar do trabalho! Sei que vou babar ao ver aquele lindo e descoordenado balançar de bracinhos e pernas dentro do berço. Quando chegar a fase do guh-guh-dah-dah, vou tentar decifrar o idioma deles e tentar ‘conversar’ também ...
Anthony e Thomas, vocês turbinaram meu mundo, sabiam? Tudo está diferente! Isso é maravilhoso e assustador, sabiam? É meio desconcertante amar tanto esses dois pedacinhos meus. Eu sinto vontade de colocá-los em meus braços e protegê-los de TUDO, fugir com meus filhos para um lugar quente, feliz, seguro .... Esse mundo existe? Não, não existe. Eu acho que isso resume a angústia de ser pai.
O que eu posso fazer então? Cuidar de meus pequenos, ensinar-lhes as lições da vida, mostrar exemplos e dar exemplos. Amar acima de tudo. Escutar mais, falar menos. Brincar, sorrir, me espojar na areia, me sujar na lama com eles ... Quero aquecer meu coração com meus filhos e incutir em seus corações o valor de um Cullen. Quero contar-lhes as histórias de nossa família, contar de onde viemos, como eu conheci a mãe deles e como a nossa família começou. Quero explorar cada momento, fazer de cada instante um tempo precioso. Assim, quando eu não puder mais estar ao lado deles, meus filhos poderão caminhar com as próprias pernas.
Não sei o que me deu agora, mas me percebi chorando. Um choro mudo que não me invadiu na hora do parto, mas que chegou agora para me dizer que ser pai não é simplesmente fazer um bebê. Ser pai é ser enredado por intensos e confusos sentimentos. É amor e medo, sonho e angústia, ternura e força, tudo ao mesmo tempo.
Quero ser o melhor pai do mundo. Isso até parece pretensioso, mas quero que Anthony e Thomas olhem para mim da mesma forma que eu olhava para Carlisle. Um dia, quando eu tinha cinco anos, eu acho, olhei para papai e disse: ‘você é o melhor pai do mundo’. Ele sorriu, me pegou em seus braços e sussurrou: ‘é porque eu tenho o melhor filho do mundo’.
Eu sei que essa jornada não vai ser fácil. Mas valerá a pena fazê-la, vou tentar ...
“Obrigado, Deus, minha família está aqui”, fiz uma rápida oração em pensamento e sai do quarto. Eu precisava pôr a louça do almoço na lavadora e ligar para Jenny, sem contar que eu precisava bolar algum cardápio comível para o jantar ...
Cerca de trinta minutos depois a babá chegou e se prontificou a fazer o jantar. Achei a idéia dela ótima! Aproveitei para dar uns telefonemas, avisei a Kate que já estávamos em casa, também telefonei para Sidclayton e Charlotte. Por fim, como se houvesse um imã me atraindo, voltei para o quarto e vi a cena mais linda do mundo: minha Bella sentada na cama e meio que debruçada sobre o berço, olhando para nossos bebês. Ela estava tão absorta que só notou minha presença no quarto alguns segundos depois.
- Oi, amor! – com um gesto, ela me convidou a sentar a seu lado.
- São dois anjinhos lindos ... – sorri abobado.
Bella entrelaçou nossas mãos e beijou meus lábios levemente.
- Dormi muito?
- Cerca de duas horas. – com a outra mão livre afaguei seu rosto – Jenny já chegou, ela está na cozinha preparando o nosso jantar.
- Que bom! Edward, você já ligou para o banco?
- Falei com Kate quase agora. – respirei fundo – Infelizmente, princesa, a licença paternidade é de apenas cinco dias úteis. Terei de voltar ao trabalho na sexta-feira.
Ela sorriu antes de falar.
- Temos sorte. Não é toda empresa que concede esse prazo aos papais ...
- Não? Pensei que todas as licenças eram iguais.
- Edward, nossas leis trabalhistas não garantem esse direito ao pai. Isso varia de empresa para empresa! (n/a: nos Estados Unidos não há licença paternidade assegurada por lei)
- Então temos sorte mesmo!
Envolvi seu rosto em minhas mãos e beijei-a com delicadeza, eu me sentia tão feliz e realizado, queria que aquele beijo dissesse a Bella todo o meu sentimento por ela. Quando o ar nos faltou, sussurrei.
- Te amo.
- Eu te amo mais.
Um dos bebês começou a chorar muuuito e ... Caraca! Que choro alto! Eu me perdi. Afinal, quem era quem? Olhei aturdido para Bella e ela sorriu antes de responder.
- Esse é Thomas, amor!
Com um gesto, ela pediu que eu pegasse o bebê e não passou despercebido a mim que Bella havia colocado os dois no mesmo compartimento do bercinho móvel. Eu só queria saber o porquê disso ...
- Co-como você sabe quem está chorando? – fiquei tão espantado que gaguejei – E por que os dois estavam dormindo juntinhos?
Bella se acomodou melhor na cama e eu coloquei o bebê cuidadosamente em seus braços. Ela abriu os primeiros botões de sua blusa, puxou a ‘tampa’ do sutiã de amamentação e ofereceu um seio ao bebê. O garotinho não fez cerimônia nenhuma, começou a ‘comer’ com vontade!
- Nos primeiros dias, vai ser melhor para eles se ficarem dormindo juntos, afinal, passaram quase nove meses dividindo a minha barriga. – ela falava enquanto acariciava a cabeça de Thomas – A troca de calor entre eles funciona como um calmante, acho que serve como uma forma de transição também, já que aqui fora o mundo é diferente. – Bella pegou o bracinho de Thomas, erguendo-o um pouco - Eu pedi à enfermeira que não tirasse as pulseirinhas de identificação deles e ela até fez mais por nós. Veja na minha bolsa. – levantei da cama e fui até a poltrona onde a bolsa dela estava – Aí dentro tem uma agendinha e um saquinho com várias dessas pulseirinhas. A cada banho deles eu vou trocar as pulseiras até me acostumar com cada um e aprender a diferenciá-los.
Olhei para minha esposa e sorri.
- Ótima idéia! Mas acho que você não precisa mais das pulseiras. Esse aí é mesmo o Thomas!
- Sim! O choro dele é sempre o mais estridente e se você reparou bem, quando ele chora, mexe bastante os bracinhos e as pernas. Anthony quando chora, faz uma caretinha e leva às mãozinhas ao rosto. – Bella olhava embevecida para o bebezinho em seus braços – As pulseiras são só para nos dar segurança.
Como se quisesse confirmar as palavras da mãe, Anthony começou a chorar. Tentei a captar as diferenças logo a partir daquele momento. Seu choro começou baixinho e evoluiu, cerca de dez segundos depois, para algo bastante barulhento. Já o de Thomas começou alto pra caramba! E era verdade, Thomas se contorceu em meus braços quando o tirei do berço, Anthony apenas choramingava, franzia a testa e colocava as mãozinhas no rosto, fazendo o tipo ‘estou muito desconsolado’ ...
- Ei, Anthony! – sussurrei e captei um pouco da atenção dele, ele parou de chorar e me olhou nos olhos, como se soubesse quem eu era – É o papai, filho ...
Nossa conversa durou poucos segundos, a fome o nocauteou e ele voltou a chorar. Sentei na cama ao lado de Bella e ajudei-a a acomodar os dois bebês, ‘destampei’ o outro seio e logo nosso Anthony estava se saciando também. A mim, não passou despercebido que a cena de minha esposa amamentando nossos filhos era uma cena muito bonita.
- Amor, que horas são? – Bella sussurrou.
- São 4hs e 15min.
- Ok. Daqui a pouco a gente tem que anotar naquela agenda a hora que os bebês mamaram. – olhei pra ela buscando uma explicação – As anotações vão me ajudar a não confundir a hora das refeições de cada um e a verificar se eles sujaram as fraldas. No berçário, Thomas sempre era o primeiro a chorar antes das mamadas e também era o primeiro a sujar a fralda ...
Bella fez uma careta ao terminar a frase.
- Sujar a fralda com o número 2? – acho que fiz careta também.
- Exatamente. Mas a enfermeira disse que eles só faziam isso uma vez ao dia. Mas hoje ainda não fizeram ...
Ficamos ali, conversando com os bebês enquanto eles se alimentavam. Era engraçado ver como os dois abocanhavam cada seio de Bella, mamavam um pouquinho e depois soltavam o bico e pegavam de novo. Acho que se passaram uns dez minutinhos e Thomas se sentiu satisfeito, Bella o entregou a mim.
- Amor, ele precisa ficar ‘em pé’, apoiado em seu ombro, segure bem na coluna e na cabeça dele com uma mão, a outra mão deve apoiar o bumbum. – fiz o que ela pediu, mas eu estava com medo de machucar o bebê – Agora, com os dedos dessa mão que está apoiando a cabecinha dele, faça uma massagem circular e muuuito suave nas costas dele.
Hesitei um pouco enquanto Bella me olhava atenta, esperando que eu fizesse a tarefa. Respirei fundo ... não era tão difícil assim. Depois me lembrei do curso de pais e adquiri mais confiança.
- Isso é para eliminar gazes, não é? – sussurrei para Bella.
- An-ham ... – ela sorriu satisfeita ao ver que eu dava conta do recado.
Fiquei fazendo a massagem em Thomas, enquanto isso, conversava com meu pequeno. Ele ficou quietinho, como se entendesse o que eu falava.
- E aí, ele já arrotou? – virei o rosto para Bella e sorri.
- Na verdade, ele fez outra coisa ...
Sorrimos um pouco e Bella, enquanto fazia Anthony arrotar (e ele arrotou mesmo), me deu uma aula sobre ‘gases e arrotos’ dos recém-nascidos.  O resumo de tudo é que os gases podem fazer com que o bebê se sinta satisfeito antes de ingerir a quantidade suficiente de leite, e também podem provocar desconforto e dor, por isso as massagens eram tão importantes. Essa troca de conhecimento entre nós dois foi muito produtiva, enquanto os meninos estavam no aconchego de nossos braços, percebi que eu e Bella conseguimos acumular uma boa bagagem de informação fazendo aqueles cursos de pais.
Mais uma vez, Thomas interrompeu nossa conversa e começou a fazer força e a ficar com o rostinho vermelho. Ai meu Deus! Isso é aquilo, com certeza ...
- Vamos deixá-lo terminar ... – Bella falou – E acho que Anthony tá fazendo a mesma coisa! – ela mordeu o lábio inferior e eu olhei para Anthony em seus braços, ele também estava com o rostinho vermelho.
- Será que é difícil trocar fraldas? – perguntei meio desconfiado.
- Acho que a gente só precisa de prática ... difícil é ver o que está na fralda ...
- E cheirar ... Argh! – quando deduzi que Thomas havia terminado, fui até a cozinha, com ele em meus braços e chamei Jenny para nos ajudar.
Minutos depois, a babá entrou no quarto carregando o trocador de fraldas (uma espécie de colchonete onde se coloca os bebês deitados), uma garrafa térmica, um pote plástico, umas fraldas de pano e a nécessaire dos meninos. Ela sorriu solidária para nós antes de falar.
- É tudo em dose dupla! – ela colocou aquelas coisas sobre a cama – Ah! Meu Deus ... como eles são lindos e têm os olhos verdes do pai ...
A babá se derreteu ao ver meus bebês e disse o óbvio: que eles eram lindos!!! Sim, com certeza são lindos mesmo! Não me canso de repetir isso.
- Bom, vamos à troca de fraldas. – ela assumiu um tom profissional enquanto estendia o trocador sobre a cama, cobrindo-o com uma fralda de pano – Em primeiro lugar, o ato de trocar fraldas nada mais é que um ato de higiene. Eles têm que ficar limpos, sequinhos e confortáveis. – ela pegou Thomas de meus braços, colocando-o sobre o trocador, ele não gostou, chorou um pouquinho.
- Por que ele ta chorando? – perguntei ainda desconfiado.
- Na certa, porque não gostou de sair dos braços do pai e também porque ele está todo sujinho ... Bem, preste atenção ao que eu faço, Sr. Fields.
Olhei para ela e assenti, Bella se aproximou mais e começou a observar também. A babá colocou Thomas sobre o trocador, tirou a fralda suja e observou o que ele fez.
- Vejam a consistência. – olhei pra ela espantado - Bebês que se alimentam somente com leite materno fazem essas ‘coisas’ pastosas e meio amareladas parecidas com mostarda. Graças a Deus, não fedem tanto ...
- Precisamos mesmo olhar? – perguntei e fiz uma nota mental de não colocar mostarda em meu hambúrguer, nunca mais.
- Sim, é importante saber identificar, para o caso do bebê ficar com diarréia ou prisão de ventre.
A babá dobrou a fralda suja e pediu que eu a colocasse no lixo, em menos de um minuto voltei ao quarto. Cheguei a tempo de vê-la colocando a água morna da garrafa térmica no pote plástico. Ela sentiu a temperatura da água com as costas da mão e me pediu para fazer o mesmo, assim eu saberia identificar a temperatura certa. Depois pegou um chumaço de algodão, umedecendo-o com a água e limpou o ‘negocinho’ de Thomas e com outro chumaço, o bumbum dele.
- Primeiro devemos limpar o órgão genital, depois o bumbum. Sempre nessa ordem. Não é preciso usar sabonete. – ela esclareceu e depois pegou uma fralda de pano para enxugá-lo – Por enquanto, sabonete só durante o banho.
Jenny pegou a bisnaga de pomada para assaduras e espalhou uma generosa camada dela no ‘negocinho’ de Thomas e no bumbum, depois, pegou a fralda descartável e colocou-a no menino com uma agilidade impressionante.  Quando dei por mim, meu anjinho estava vestido com a mesma calça comprida que usava antes e já estava em meus braços. Levantei da cama e comecei a conversar com ele enquanto andava pelo quarto.
- Agora, Sra. Fields, é a sua vez de trocar a fralda do outro bebê. – Bella olhou para mim atônita e eu lhe dei um sorriso de estímulo.
Meio hesitante, Bella pegou Anthony e repetiu as ações da babá. Eu me postei atrás dela, prestando atenção aos seus movimentos delicados. Tudo era feito com muito carinho, ela conversava com Anthony enquanto o limpava, ele até ficou mais calminho que Thomas. As coisas só ficaram tensas na hora de colocar a fralda descartável. Na primeira tentativa, a fralda se soltou; na segunda, ficou folgada; na terceira, Anthony perdeu a paciência e começou a chorar. Bella ficou desesperada e começou a falar com ele.
- Calma, calma, bebezinho ...
Jenny teve que ajudar Bella a prender a fralda do jeito correto. Anthony, depois de ficar limpinho e vestido, se calou, Bella pegou-o nos braços e ele se aninhou nela de uma forma preguiçosa e linda.
- Puxa vida, Jenny, essas fraldas descartáveis são muito difíceis de colocar! – Bella exclamou.
- Oh! Tudo é uma questão de prática! Mas a senhora fez tudo certinho ...
- Jenny, todas as trocas de fraldas devem ser dessa forma? – perguntei.
- Quando for só xixi, o processo será um pouco mais rápido. Mas eu aconselho sempre limpá-los com algodão e água morna, secá-los bem com uma fralda de pano e passar a pomada para evitar assaduras.
- No curso de pais, nos disseram que o ideal é trocar a fralda após cada mamada ... por causa das assaduras. – Bella falou.
- No primeiro trimestre, amor. Depois as trocas poderão acontecer num intervalo maior. – completei.
- Que ótimo! – a babá sorriu – Se no meu tempo existisse esse curso de pais ... – ela se aproximou de mim e beijou a cabeça de Thomas e fez o mesmo com Anthony – Agora, vou deixá-los sozinhos. Qualquer coisa, estou na cozinha.
Rapidamente, os meninos adormeceram nos nossos braços, Bella colocou Anthony no bercinho e eu fiz o mesmo com Thomas. Ainda passamos uns bons trinta segundos olhando para eles e suspirando.
- Tão lindos ... – Bella sussurrou e me olhou desconfiada – Edward, será que todos o pais são assim?
- Assim como?
- Como nós. Eu não consigo parar de olhá-los e para mim, eles são a coisa mais linda e perfeita do mundo.
Abracei-a delicadamente pela cintura e beijei sua testa.
- Talvez sim. Mas, talvez não. Duvido que haja filhos mais lindos que os nossos, por isso é natural que estejamos assim tão encantados por eles. (n/a: será que Edward é um papai coruja?)
Bella sorriu e também me abraçou pela cintura.
- Preciso caminhar um pouco. – ela falou – A médica disse que caminhar pela casa, desde que eu me sentisse disposta, faria bem a mim.
- Mas, mas será que podemos deixá-los sozinhos?
- Edward, eles estão dormindo! – Bella sorriu, mas deve ter visto algo em meus olhos porque rapidamente ela completou – Vamos fazer assim, vá até a estante do quarto deles e pegue a babá eletrônica. Se eles chorarem a gente vai escutar.
Fiz o que ela pediu e fiquei me perguntando se eu não estava ficando neurótico, superprotetor, maluco ... Sei lá, são tantas as emoções novas que surgem! Quando eles estavam na barriga de Bella, eu já os amava intensamente, mas de certa forma os dois estavam bem protegidos. Aqui fora é diferente! Eu fico pensando em mil possibilidades, em menos de seis horas, desde que chegamos em casa, eu verifiquei, três vezes se havia formiga no berço (embora não haja formigas em casa) e já encostei minha orelha próximo ao narizinho deles umas mil vezes só pra ter certeza de que estão respirando. Será que to ficando doido?!
- Edward?! – Bella me tirou dos devaneios neuróticos – Ta tudo bem, amor?
Percebi que já estava de volta ao nosso quarto, respirei fundo e sorri.
- Ta sim.
Colocamos a babá eletrônica próxima ao berço e saímos do quarto. Trinta segundos depois e eu já queria voltar para lá, com muito custo reprimi esse desejo avassalador. Bella queria ir até a varanda da casa para ler os recadinhos que nossos amigos e vizinhos deixaram nas fitas azuis. Fizemos isso e até que foi legal, alguns recados eram muito normais, outros, engraçados demais. Mas todos nos desejavam muitas felicidades nessa nova etapa. Fiquei admirado com a iniciativa de Sidclayton e de Jenny, eles devem ter percorrido metade da cidade em busca das pessoas que escreveram essas mensagens!
Naquela noite, Jenny preparou arroz branco, batatas gratinadas com queijo e carne assada, para beber, tomamos suco de uva.  Eu e Bella fizemos questão que a babá jantasse conosco, afinal, não era obrigação dela cozinhar e ela só fazia isso por consideração a nós. Imaginei então que ela não gostaria de chegar em casa tarde da noite e ainda ter de cozinhar.
Depois do jantar, eu me encarreguei de arrumar a cozinha e pôr a louça na lavadora enquanto Jenny dava a Bella algumas dicas para a primeira noite dos gêmeos em casa. Por volta das sete horas da noite, Peter e Charlotte vieram nos visitar. Foi uma visita rápida e gostosa, eles não ficaram imunes aos encantos de meus filhos. Ficaram sussurrando “Oh! Como são lindos!” e “Que fofuras!”, mas depois saíram do quarto para não acordar os meninos. Bella entregou a Charlotte uma lembrancinha, dessas que as pessoas recebem quanto visitam os bebês. Era um pote cheio de mini sabonetes e enfeitado com dois menininhos. Até que era bonitinho e criativo!

Pouco antes das nove da noite eu e Bella estávamos exaustos e pretendíamos cair na cama, literalmente. Os bebês choraram para mamar, depois esperamos que arrotassem e trocamos as fraldas. Quando eles finalmente dormiram de novo, ajudei Bella a tomar banho e a vestir o pijama. Eu parecia um zumbi quando fui tomar banho, a água quente relaxou meus músculos e eu quase peguei no sono ali mesmo. Quando voltei ao quarto, Bella já devia estar no 11º sono e os bebês também. Beijei de leve a cabecinha de cada filho, deitei com cuidado na cama, beijei a testa de Bella e me distanciei ao máximo de seu corpo. Afinal a cesariana ainda estava muito recente e eu tinha medo de me mexer e machucar o local da cirurgia.
Acordei!
Que é que isso, meu Deus?!
Os bebês choravam a plenos pulmões! Sentei na cama meio desnorteado, dez segundos depois, Bella se sentou totalmente descabelada e atordoada.
- Ed ... pega eles ... – ela murmurou e já foi desabotoando a blusa do pijama.
Levantei meio trôpego e peguei um (confesso que não sei nem quem era) e entreguei-o a Bella, o monstrinho se calou assim que começou a mamar. Fiz a mesma coisa com o outro e ... silêncio absoluto ...
- Edward ... que horas são? – Bella parecia um zumbi, tadinha.
- Onze e meia. – bocejei e anotei na agenda a hora da mamada.
Aquilo se repetiu às duas e meia da manhã e às cinco e meia também. Após cada mamada, colocávamos os meninos para arrotar, trocávamos as fraldas e conversávamos com eles até que dormissem. Confesso que me senti exausto. Cuidar de recém nascido é mais cansativo que passar a noite numa balada ...
Depois da ‘maratona’ eu acordei por volta das sete da manhã e meu corpo estava moído ... Putz!  Arrumei coragem, levantei da cama, tomei um banho frio pra ver se acordava de vez, troquei de roupa e fui para a cozinha preparar umas omeletes com queijo e cereal com leite. A amamentação deixa Bella muito faminta, sem contar que ela precisa mesmo se alimentar bem, por isso o café tinha que ser reforçado. Bella acordou e tomamos café juntos, ela estava meio calada naquele começo de manhã, deduzi que era cansaço. Depois ela decidiu tomar banho e para meu azar, os meninos desataram a chorar enquanto ela estava no banheiro.
Peguei os dois de uma vez só e comecei a cantar um musiquinha doida, era um tal de ‘nana neném ... nana neném’ pra lá, ‘nana neném ... nana neném’ pra cá que não funcionava nada. Mas bastou Bella sair do banho, trocar de roupa e oferecer-lhes os seios, que os monstrinhos pararam de chorar na mesma hora.
- Meus monstrinhos ... tão esfomeadinhos ... – murmurei – Coisinhas lindas do papai ...
Bella me observava brincar com os bebês. Ela só olhava mesmo, estava calada. Olhei em seus olhos chocolate e tentei decifrar o que se passava ali.
- O que foi, amor?! – perguntei gentilmente e senti uma pontada de medo quando ela desviou o olhar.
- Nada. – ela olhou para o teto e suspirou.
- Bella, fale comigo. – me acomodei melhor ao seu lado e direcionei seu rosto para mim – Nada de guardar segredos, princesa. – beijei sua testa.
- Eu to cansada, Edward ... – ela choramingou e vi seus olhos úmidos – Não consegui dormir direito ...
- Shii ... princesa, não chore. – respirei fundo e tentei buscar as melhores palavras – Foi difícil mesmo, mas você foi ótima! – percebi que Anthony já tinha parado de mamar e peguei-o em meus braços para que arrotasse – Bella, as coisas serão assim por um bom tempo ... Mas nós vamos conseguir dar conta. Ok? – ela assentiu minimamente – Você e eu. Toi et moi, Bella. – me inclinei um pouco e beijei seus lábios.
Deixei Anthony sobre a cama e fui ao quarto deles para pegar o ‘kit troca-fraldas’. Enquanto Bella fazia Thomas arrotar, eu troquei a fralda de Anthony, entreguei-o a Bella e fiz o mesmo com o outro bebê. É uma mão de obra imensa ... Depois de alimentados e limpos, os meninos dormiram. Quando percebi, Bella estava deitada na cama, me deitei também, aninhando-a em meu peito.
- Obrigada. – ela sussurrou e beijou meu queixo.
Sorri um pouco antes de responder.
-Até que não fui muito desajeitado em trocar as fraldas.
- Não to falando disso. – inclinei meu rosto para ela – Obrigada por entender meu desabafo ... Eu ... confesso que me senti envergonhada por me sentir cansada de cuidar de meus filhos ...
- Bella, amor, não precisa se envergonhar. – com uma mão afaguei seu rosto – Tudo ainda é muito recente, princesa. Você passou quase doze horas em trabalho de parto, passou por uma cesariana, deu a luz a gêmeos que choram a cada três horas e precisam ser trocados em igual período. Você é uma supermãe ... e eu tenho muito, muito orgulho de você.
- Eu te amo, Ed. – ela me abraçou e se aninhou mais ainda contra mim.
- Assim como eu te amo. – acariciei seus cabelos – Agora, durma um pouquinho.
Em menos de cinco minutos Bella bateu o recorde e pegou no sono! Meu Deus, minha esposa deveria estar muito cansada mesmo! Levantei da cama e comecei a ‘cuidar da vida’, na verdade eu estava muito inquieto com uma coisa: a nossa situação atual. Se tivéssemos nossa vida de volta, se os Volturi não tivessem roubado nossa vida, se pudéssemos ser quem somos, a essa hora, nossos filhos estariam dormindo tranquilamente em nossa mansão. Cada bebê teria sua própria babá, teríamos uma dúzia de empregados, se assim fosse necessário! Talvez Bella não se sentisse tão esgotada física e emocionalmente ...
Suspirei resignado e fui até o jardim, a idéia era ligar o carro de Bella um pouquinho para poder esquentar o motor. Assim que cheguei ao jardim, percebi que Jenny estacionava seu carro em frente à nossa casa, cerca de dois minutos depois, Sidclayton estacionava sua bicicleta também. O dia estava mesmo começando ... Sai do carro e fui cumprimentá-los, instrui a ambos que passassem longe do quarto porque Bella precisava dormir um pouco. Jenny assentiu e entrou na casa, mas eu fiz Sidclayton parar, precisava falar com ele.
- Talvez nós precisemos de um terceiro dia de faxinas por uns tempos, pelo menos até os meninos crescerem um pouco mais. Você tem disponibilidade?
- Bem ... eu trabalho de segunda a sexta. Nas terças e sextas eu venho para cá, às segundas-feiras eu vou para a casa dos Greeves, às quartas, para a casa dos Winslet e às quintas, para a casa de Irina Loweinsk . Só restou o sábado, Sr. Fields, porque nos domingos, eu descanso.
- Você tem disponibilidade para vir aos sábados? – perguntei esperançoso.
Na minha cabeça, eu achava que Bella iria gostar da idéia de mais um dia de faxina. Sidclayton era uma pessoa muito competente em seu trabalho, de modo que Bella não precisaria se preocupar tanto com os afazeres da casa. Nosso orçamento só ficaria um pouquinho mais restrito, mas o sacrifício valeria à pena. Eu faço tudo por ela, sempre, e não agüentaria ver minha esposa passar por um esgotamento físico-emocional.
- Tenho sim.  – o faxineiro respondeu – O senhor quer que comece já nesse sábado?
- Sim, eu quero. – sorri e hesitei um pouco – Mas será que poderia ser na parte da tarde?
- Poderia. – ele respondeu desconfiado.
- É que no horário da tarde, eu me tranco no sótão para estudar ... E nesse período, Bella ficaria sozinha com os bebês já que a babá, aos sábados só trabalha meio expediente.
- Sem problemas, Sr. Fields.
O novo acordo foi facilmente selado entre nós, então o faxineiro entrou em casa e começou a fazer seus trabalhos de sempre. Naquele mesmo dia, quando contei a Bella essa novidade, ela pereceu muito satisfeita.
O resto de meus dias de licença paternidade se deu da mesma forma. Muitos choros, mamadas, trocas de fraldas e períodos intercalados de sono para eu, Bella e os bebês. Confesso que ser acordado a cada três horas já tava me deixando meio maluco ... mas eu tinha que segurar as pontas.
Não me passou despercebido que Bella começou a usar aquele body pós-cirúrgico parecido com um maiô. Caraca! Assim que ela vestiu aquilo, vi seu rosto ficar azul por falta de oxigênio!
- Bella, isso não ta muito apertado? – perguntei preocupado.
- Não. – ela fez um enorme sacrifício para poder falar – Daqui a pouco, eu me acostumo ...
Pelo menos uma coisa ficou evidente. Uma não, duas: seu abdome estava bem menos inchado e ela estava se esforçando MUITO a voltar ao corpo de antes. Senti uma onda de orgulho e uma pontada de desejo por minha linda mulher ...
Uma coisa interessante e que se mostrou para mim num grande desafio, foi o primeiro banho dos bebês em casa, no final da manhã da terça-feira. Eu assisti a tudo extremamente tenso, embora Jenny se mostrasse muito competente e atenciosa em sua função. Minha desculpa foi: vou registrar o momento. Me agarrei à máquina fotográfica e tentei ficar longe do olhar de Bella, se ela visse medo em meu rosto, talvez ficasse apavorada também. Mas ela prestou atenção às ações de Jenny enquanto banhava Anthony e fez um excelente trabalho com Thomas. Meus medos bobos de pai me impediram de agir. Talvez, quando o pedacinho do cordão umbilical cair e quando os meninos crescerem mais um pouquinho, eu encare a hora do banho. Por enquanto, eu ajudo nas outras coisas, menos no banho!
Somente uma coisa me deixou triste e intrigado. Na terça-feira à noite, Jasper, Alice, Rose e Emmett nos telefonaram, fizeram uma teleconferência e nos deram uma notícia que deixou meu coração apertado. As investigações do Caso Volturi começaram a assumir uns contornos mais definidos e, nas palavras de Jasper, ‘agora é concentração total’. Por motivo de segurança, bom senso e produtividade, eles vão parar de nos ligar com tanta freqüência. Os celulares prateados agora só vão servir para o caso de vida ou morte, literalmente. Engoli em seco aquelas palavras, mas acho que eles têm razão. Embora tenha ficado muito triste, eu confio em nossos amigos. Fazer o que, não é?
Algumas pessoas vieram nos visitar no decorrer da semana: Kate, Irina, Tia, Benjamin e Joshua, Sr. Hobbes, Samuel, Emily e Claire, Mark, sua esposa e o filhinho deles também vieram. As visitas fizeram bem a Bella, que fez questão de distribuir muitas lembrancinhas. Não me passou despercebido que ela mandou fazer dois tipos de lembrancinhas. Para as visitas que tinham filhos, ela distribuiu um kit de sabonete infantil e esponjinhas para banho em formato de menininhos gêmeos.

Já as visitas sem crianças, ganhavam aquela caixinha com mini sabonetes.
Também no decorrer da semana, Jenny nos incentivou a fazer os meninos dormirem em vários locais diferentes da casa. Confesso que na hora não gostei muito da idéia, mas depois entendi tudo. A intenção era fazer os bebês se acostumarem a todos os ambientes da casa e a se acostumarem com os sons do dia a dia, tipo o barulho da TV, das conversas, o toque do telefone ... essas coisas. Então durante o dia, eles dormiam no próprio quarto e em berços separados, ou então no carrinho e ainda no bebê conforto. Eles não reclamaram, dormiram bem e todos os lugares.
Chegou a sexta-feira, o dia que eu teria que retornar ao trabalho. Acordei cedo, embora estivesse ‘caindo de sono’, preparei o café da manhã, tomei um banho e troquei de roupa. Meio relutante, acordei Bella e tomamos o café da manhã em meio ao silêncio que invade as pessoas que não conseguiram ‘matar o sono’. Acho que essa é a realidade para todos os pais: dormir pouco.
Os meninos acordaram, eu e Bella voltamos ao quarto, sorrimos para eles.
- Feliz ‘uma semana de vida’ ... parabéns pra você ... – Bella começou a cantar suavemente para os bebês.
Beijei-os com devoção e agradeci a Deus pela primeira semaninha de vida deles. Ajudei Bella a amamentá-los, fazer arrotar e trocar fraldas, depois os colocamos no carrinho. Bella voltou à cozinha e eu fiquei conversando um pouquinho com eles.
- Anthony, Thomas ...
Meu Deus! Eles dirigiram seus pequenos orbes verdes para mim e me fitaram com intensidade. Peguei em suas mãozinhas e me pus a ‘conversar’.
- O papai hoje vai ter que ir trabalhar ... É, é isso aí. O papai trabalha num banco, sabiam? É um bom lugar pra se trabalhar e o mais importante, meus filhos, é que é trabalho honesto. Sim, honestidade é uma coisa muito boa ... Bom, como eu ia dizendo, a gente só vai se ver no almoço. Então, tomem conta da mamãe. Ela é nossa princesa. Ok?
Eles não desviaram seus olhinhos de mim e depois de um tempinho, bocejaram em sincronia ... lindos ...
- Vou nessa, meus amores. – me inclinei sobre eles e beijei a cabecinha de cada um – Eu te amo, Anthony. Eu te amo, Thomas.
Sair de perto deles foi difícil, muito difícil. Só quem tem um filho saberia do que eu to falando. Mas é para o bem deles, ser pai também é ser responsável. Passei pelo espelho da sala e parei bruscamente. Puxa vida, me olhei e não gostei do que vi. Minhas olheiras estavam tão profundas que eu parecia aquele vampiro do filme ...
- Por que a careta? – Bella me abraçou por trás – Você ta lindo ...
Virei meu corpo em sua direção e a abracei.
- To com olheiras de vampiro.
- ‘Venha me beijar, meu doce vampiro ...’
Bella cantou um trecho de uma música conhecida e eu não resisti. Ataquei aqueles lábios róseos e doces com muita fome e tesão. Ela me deu a passagem necessária e nossas línguas se encontraram num beijo deliciosamente erótico. Ela enroscou seus dedos em meus cabelos e eu contornei sua cintura cada vez mais definida, puxando seu corpo para mim. Quando Bella sentiu o volume de minha excitação contra sua barriga, gemeu em minha boca. O ar nos faltou e tivemos de cessar o beijo.
- Ah ... Bella ... - ronronei em seu ouvido.
- Eu to com saudades ... – ela murmurou e enterrou a cabeça em meu peito.
- Eu também. – beijei seus cabelos – Falta pouco, princesa. – afastei nossos corpos um pouco e olhei em seus olhos chocolates.
 - 40 dias ... – ela fez uma careta e mordeu o lábio – Droga de resguardo!
- Eu sei esperar, eu te amo.
- Eu te amo. – ela ficou na ponta dos pés e me deu um selinho.
Antes que pudesse fazer uma besteira, me despedi dela e entrei no carro. No banco, todos vieram me cumprimentar e estavam ávidos para ver as fotos. Claro que, como pai coruja que sou, levei um DVD onde pus todas as fotos dos meninos, para que todos pudessem ver como meus filhos são lindos ...
Quando olhei o calendário sobre a mesa de trabalho, quase tive um treco. Era o dia 03 de setembro! Exatamente dez dias antes do aniversário de Bella. Fechei os olhos e tentei puxar oxigênio para o cérebro. Há um ano, comemorávamos seu aniversário de vinte anos nos jardins da mansão Swan. Rennè havia feito um jantar à beira da piscina, havia alguns amigos, havia felicidade ... Lembro que eu e Bella fizemos amor intensamente naquela noite ...
Não que não haja felicidade em nossas vidas agora. Somos felizes por temos um ao outro, temos nossos filhos ... Mas já não temos quatro pessoas maravilhosas ao nosso lado ... Eu precisava pensar em algo, tentar fazer daquele dia um dia alegre. Eu só não sabia como. Tentei pedir ajuda, peguei o telefone e ela atendeu no primeiro toque.
- Alô? Charlotte? É Edward Fields.
- Sim, Edward?
Em apenas cinco minutos de conversa, minha vizinha tão gente boa me deixou tranqüilo e disse que já tinha em mente o que fazer: um jantarzinho simples nos jardim de casa. Respirei aliviado e fiquei me perguntando se Alice não seria uma parente distante Charlotte, as duas sabem como fazer festas ...
No domingo, eu tinha uma missão importante: fazer a feira de casa. Acordei cedo, me despedi de Bella e nos meninos e fui ao Newton’s com uma lista numa mão e o celular na outra (para o caso de eu ter que perguntar algo a Bella). Até que sobrevivi, depois de TRÊS HORAS, consegui completar a lista e encher o carrinho. Também comprei um caderno, uns marca-textos, umas canetas ... Afinal, minhas aulas na faculdade à distância começariam dali a dois dias.
Enquanto estava na fila para pagar pelas compras, eu me sentia um homem feliz e realizado. Quem disse que adianta alguma coisa assumir a pose de vítima? Olhando por um ângulo, eu sou um cara atolado de problemas até o pescoço. Nem meu sobrenome eu posso assinar! Mas olhando por outro lado, eu tenho a mulher mais doce do mundo e que me ama de verdade. Sou pai de dois meninos lindos e saudáveis, que crescem e engordam a cada dia. Tenho amigos, bons vizinhos e um bom emprego ...
- Bom dia Sr. Fields! – a funcionária do supermercado falou – Como vai a família? Parabéns pelos gêmeos!
- Bom dia! Estamos bem ... Obrigado! – sorri.
‘Estamos mais que bem’, completei em pensamento.
......................
*POV BELLA*
(n/a: escute a música enquanto lê a tradução dela, é linda)

‘Se eu pudesse, protegeria os teus olhos da tristeza
E te daria coragem num mundo de compromissos,
Sim, eu faria.

Se eu pudesse, te ensinaria todas as coisas que eu nunca aprendi
E te ajudaria a atravessar a ponte que eu queimei
Sim, eu faria.
Se eu pudesse, tentaria proteger tua inocência do tempo
Mas a parte da vida que eu te dei, não é minha
Eu te vi crescer e, portanto, podia te deixar partir.

Se eu pudesse, te ajudaria a atravessar os anos de fome
No entanto, eu sei que nunca posso chorar suas lágrimas
Mas eu choraria, se seu pudesse.

Se eu vivesse um momento e um lugar onde você não quiser estar
Você não teria que percorrer esta estrada comigo
O meu passado não terá que ser o seu caminho!

Se eu soubesse, tentaria mudar o mundo em que te trouxe
Mas não há muito o que eu possa fazer
Mas faria, se eu pudesse ...

Oh! Querida ... a mamãe quer te proteger
E ajudar a minha bebê nos anos de fome
Porque você faz parte de mim
E se alguma vez, você precisar de um ombro para chorar
Eu sou alguém com quem você pode falar
Eu estarei lá ... eu estarei lá
Eu não mudei o teu mundo, mas mudaria
Se eu pudesse’

- Mamãe! – acordei sobressaltada e com o coração muito acelerado.
Senti meus olhos úmidos e imediatamente, uma cascata de lágrimas me invadiu. Eu sonhei com Rennè, com sua doce e melodiosa voz cantando pra mim uma linda canção de ninar. Demorei um pouco a me situar e me dei conta que estava em minha casa, em Forks.
Em meu sonho, eu era uma criancinha. Mamãe me embalava em seu colo, nos balançando na cadeira de balanço de meu quarto. Ela cantava, sorria, me acariciava ... Eu adormecia em seus braços ...
‘Que saudades de você, mamãe’, murmurei tão baixo que acho que ninguém poderia me ouvir. Agradeci aos céus por Ed não estar mais deitado ao meu lado, ele ficaria aflito se me visse chorando.
Respirei fundo, enxuguei as lágrimas e sorri ao me virar e contemplar aquelas duas figurinhas dormindo no bercinho.
‘A mamãe agora sou eu’, pensei e me inclinei um pouquinho pra poder vê-los melhor.
Tão lindos ... tão meus ... tão Edward ...
Percebi que os dois são a cópia do pai quando bebê. Quem dera tivéssemos todos os nossos álbuns de fotos agora, as pessoas se espantariam quando vissem a semelhança dos três. Edward tem uma foto com dias de vida em que ele está assim mesmo: um pouquinho de cabelo talvez loiro, talvez bronze e olhinhos verdes. Por falar nele, pela minha visão periférica, eu vi na soleira da porta nos olhando. Convidei-o a sentar ao meu lado e conversamos um pouquinho até que os bebês acordaram para mamar.
Aquela era a ‘primeira refeição’ que eles faziam em casa! Depois os colocamos para arrotar e trocamos duas fraldas fedorentas ... Por sorte, Jenny já tinha chegado e nos ensinou como trocá-las. Até que fiz o processo direitinho, só me enrolei na hora de colocar a fralda descartável. Mas aí eu pensei: se dê um desconto, Isabella, você está começando agora.
Com a barriguinha cheia e o bumbum limpinho, os dois caíram no sono de novo. Eu estava bem disposta e queria a caminhar pela casa, mas Ed me surpreendeu. Ele simplesmente não queria deixar os meninos dormirem sozinhos no quarto! Eu vi medo em seus olhos, então sugeri que colocássemos a babá eletrônica próxima ao berço. Não posso censurá-lo. Acho que esse é o medo que assola todos os pais. Desde o primeiro minuto de vida de meus filhos eu tenho sentido isso. A impressão que eu tenho é que nenhum lugar é melhor para eles do que a segurança de meus braços. Já verifiquei se estavam respirando, se estavam bem aquecidos, se o pedacinho do cordão umbilical estava cicatrizando ... Já cheirei meu leite pra saber se tinha um bom cheiro pra eles! Será que to ficando maluca?
Antes do jantar, eu e Edward fomos ler as mensagens que nossos amigos deixaram para nós. Fiquei muito emocionada com aquelas palavras deixadas nos cartões. Uma em especial tocou o meu coração, era do Rev. Weber (pai da Dra. Angela Weber):
“Herança do Senhor são os filhos;
E o fruto do ventre é uma expressão de sua bondade divina”
Confesso que fiquei emocionada ao ler essas singelas palavras. Apesar de simples, elas eram muito verdadeiras. Acho até que deveriam ser de algum trecho da Bíblia. Eu sempre achei que meus filhos eram um presente de Deus para mim e para Edward. O nosso amor é tão lindo e maravilhoso que os frutos dele realmente não poderiam diferentes. Senti um par de mãos me envolverem e uma doce e rouca voz sussurrando ao meu ouvido.
- O jantar já está pronto, Sra. Cullen. – ele beijou meu pescoço – Vamos?
Jenny se ofereceu para cozinhar e nós a convidamos para ficar para o jantar. Depois da refeição, Ed arrumou a cozinha e colocou a louça na lavadora. Jenny me arrastou para o quarto e ... ela parecia uma mãe, dando-me conselhos.
- Sra. Fields, a primeira noite de recém-nascidos em casa pode ser meio desesperadora. – ela sorriu – Eles devem acordar a cada duas horas, três, se vocês tiverem sorte. Aceite meu conselho: durma sempre que eles estiverem dormindo, porque quando acordarem vão requerer atenção exclusiva.
- Mas, mas não dizem que os recém-nascidos costumam dormir bastante? – perguntei.
Ela sorriu e tocou em meu braço antes de responder.
- Minha querida, eles dormem muito. Mas precisam se alimentar em curtos intervalos de tempo. E junto com as mamadas, vêm as trocas de fraldas ...
- Entendi, Jenny ... Vou dormir muito pouco!
- Isso mesmo. – ela se inclinou sobre os gêmeos e beijou o bracinho de cada um. – Boa noite, qualquer coisa é só me ligar.
Pouco depois de Jenny sair, Peter e Charlotte vieram nos visitar. Foi aí que eu me lembrei das lembrancinhas que havia comprado para entregar às pessoas que viessem visitar os meninos. Charlotte ficou encantada com a caixinha de mini sabonetes coloridos, na tampa da caixinha havia dois menininhos gêmeos bem bonitinhos.
A visita foi rápida (graças a Deus, porque eu estava exausta). Não eram nem nove horas da noite quando ‘eu já estava chamando Jesus de Genésio’, precisava dormir urgentemente. Mas os meninos choraram para mamar de novo e quando terminamos todo o processo, eu tomei um banho e desabei, nem vi quando Edward foi dormir.
Acordei alvoroçada, ‘um bebê chorando incomoda muita gente, dois bebês incomodam muito ma-is’.
- Ed ... pega eles ... – eu devo ter dito isso.
Aquela cena merecia ir para aquele site de vídeos incríveis. Edward pegou Thomas, o menino estava se esgoelando, todo vermelhinho de tanto chorar. Assim que lhe ofereci um seio, ele se calou na mesma hora! NA MESMA HORA MESMO!!!
Com Anthony foi a mesma coisa ... Tão lindos, ali mamando e acolhidos em meus braços. Mesmo com muuuito sono, eu não poderia ficar com raiva deles. Nunca! Jamais! Eles só estavam com fome, uma necessidade básica precisava ser saciada. Eu me senti e feliz e poderosa por ser a melhor pessoa na face da terra em poder suprir as necessidades de meus filhos.
- Edward ... que horas são? – perguntei com a voz embargada.
- Onze e meia. – tadinho, meu marido parecia um zumbi.
Ainda fomos acordados duas vezes naquela madrugada. O processo todo era exaustivo porque além de mamar, eles precisavam de carinho e atenção também. Acho que aquela foi a noite mais mal dormida da minha vida! Eu não queria reclamar, são meus filhos! Não posso reclamar, mas me sentia tão cansada!
No dia seguinte a cama já estava vazia quando acordei. Assim que levantei, dei uma olhadinha nos meninos e vi que dormiam sossegados. Fiz minha higiene matinal e fui à cozinha onde Ed já estava preparando nosso café. Nosso diálogo se limitou a um simples ‘bom dia’ e um leve selinho. De nós dois, eu não saberia dizer quem estava mais cansado. Tive a infeliz idéia de ir tomar banho e foi justo nessa hora que Anthony e Thomas começaram a competir para ver quem chorava mais alto. Meu Pai do céu! Eu não podia me apressar no chuveiro, afinal minha cesariana ainda era muito recente. Vai que eu escorregava, hein?
Minha cabeça começou a latejar de dor pela noite mal dormida e pelo choro incessante. Comecei a chorar também. Deus, será que eu sou uma mãe má? Eu amo meus filhos, com todas as minhas forças eu os amo. Mas eu não poderia imaginar que seria tão cansativo ...
Na pressa para me enxugar e voltar ao quarto, acabei magoando meus seios que estavam extremamente doloridos. Vi estrelas, murmurei um ‘ora porra’ e segurei as lágrimas. Edward ficaria preocupado se me visse chorando. Os meninos se calaram assim que sentiram meus mamilos em suas boquinhas, parecia passe de mágica!
- Meus monstrinhos ... tão esfomeadinhos ... Coisinhas lindas do papai ...
Edward começou a conversar com os meninos enquanto eu assistia aquela linda cena.
- O que foi, amor? – ele olhou em meus olhos e perguntou, não consegui sustentar seu olhar.
- Nada. – guinchei.
- Bella, fale comigo. – ele segurou meu rosto e beijou minha testa – Nada de guardar segredos, princesa.
- Eu to cansada, Edward ... Não consegui dormir direito ...
Pronto! Falei de uma vez!
- Shii ... princesa, não chore. Foi difícil mesmo, mas você foi ótima! – ele pegou Anthony de meus braços, fazendo-o arrotar – Bella, as coisas serão assim por um bom tempo ... Mas nós vamos conseguir dar conta. Ok? – tentei acreditar nisso – Você e eu. Toi et moi, Bella.
Em outras palavras, Edward disse as palavras mágicas: eu estou com você. Na verdade, isso é tudo o que importa, nós estamos juntos para criar nossos filhos.
Deixei que ele cuidasse dos meninos um pouquinho. Ele com certeza percebeu que eu precisava de ‘um tempo’. Com muita desenvoltura, Ed trocou os meninos e colocou-os no berço. Deitei na cama, ele fez o mesmo e me puxou para si. Inspirei profundamente contra seu pescoço antes de falar.
- Obrigada. – beijei seu queixo e o fiz sorrir.
-Até que não fui muito desajeitado em trocar as fraldas. – ele falou.
- Não to falando disso. Obrigada por entender meu desabafo ... Eu ... confesso que me senti envergonhada por me sentir cansada de cuidar de meus filhos ...
- Bella, amor, não precisa se envergonhar. – sua mão afagou meu rosto – Tudo ainda é muito recente, princesa. Você passou quase doze horas em trabalho de parto, passou por uma cesariana, deu a luz a gêmeos que choram a cada três horas e precisam ser trocados em igual período. Você é uma supermãe ... e eu tenho muito, muito orgulho de você.
- Eu te amo, Ed. – ele me fez ganhar o dia com aquilo.
- Assim como eu te amo. Agora, durma um pouquinho.
Edward começou a fazer um cafuné em meus cabelos e a cantarolar uma canção de ninar. Apaguei.
Quando os meninos me acordaram, Ed me contou a novidade: Sid virá aos sábados também! Quase pulei no pescoço de meu marido de tanta felicidade! Eu sei que o nosso orçamento ficará um pouquinho mais apertado, mas eu precisava de mais ajuda.
Depois do cochilo eu parecia outra. Troquei de roupa e resolvi usar o body. Caraca! Fiquei sem ar! Aquilo era muito apertado! Mas tanto Emily quanto Tia disseram que a sensação inicial era essa mesmo, mas que depois passava. Tomara que passe ... Até Ed notou que eu estava quase desmaiando!
Chegou a hora que eu tanto temia: o banho dos gêmeos. OMG ... Meu Deus, eles são tão pequenininhos ... Deu um medo danado de machucá-los! Edward fugiu da raia, ele realmente estava com medo. Deixei passar, ele pegou a máquina fotográfica e a desculpa de registrar ‘o primeiro banho dos bebês’. Mas Jenny me ajudou muito.
O processo foi complicado: dois bebês pequenos e molinhos e uma mãe de primeira viagem ...
Prestei atenção ao que Jenny fazia em Anthony. A primeira coisa a fazer é checar a temperatura da água, que deve sempre estar morna. Fiz isso e captei a temperatura certa. Observei bem seus movimentos ao virar o menino de um lado para o outro e vi que ela massageava suavemente cada pedacinho do corpo do meu filho. Entendi que o principal é deixar o bebê bem perto de mim e segurar bem a cabeça. Pensei que meu Anthony ia abrir o berreiro, mas constatei que a água morninha era relaxante para ele ... Depois, vi Jenny enxugar bem o corpo e as dobrinhas da pele dele e vesti-lo rápido. Lembrei que recém-nascidos sentem muito frio.
Quando o banho terminou, meu bebê estava vestindo o lindo macacão azul e calçando meias brancas. Tão lindo, fofo e cheiroso!
- Agora é a sua vez de banhar Thomas, Sra. Fields. – Jenny falou.
Minha Nossa Senhora! Bateu um frio na barriga ...
Olhei para Edward em busca de algum conforto, ele se limitou a sorrir para mim, incentivando-me.
Com muito, muito cuidado, peguei Thomas e comecei a despi-lo. Durante todo o banho fiquei conversando com ele e sorrindo, ele pouco chorou. Imitei todos o passos de Jenny e no final, meu filho estava limpinho, cheiroso e lindo, vestindo um macacão amarelo e meias laranjas.
- Consegui. – sussurrei.
Naquela noite, pouco depois do jantar, Alice, Rose, Jasper e Emmett ligaram para nós. O choque foi grande. Eu chorei, Alice e Emmett também. Nós vamos passar a nos falar bem menos, para bem da investigação e da nossa segurança. Droga!
- Bella, amanhã vai aparecer na conta de vocês o valor de U$ 22.802,00. – Alice sussurrou com a voz embargada – É o dinheiro dos ... das coisas que foram vendidas na loja da tia Mandy. Essa é a última parcela.
- Ok. Alice, obrigada.
- Como vão os meninos?
- Oh! Eles estão ótimos, lindos, saudáveis e chorões ... – tentei brincar.
- Puxaram à mãe ... – ela tentou se recompor.
- E à tia-madrinha ...
A conversa com Jasper e Rose não foi regada a lágrimas, mas só porque os dois se seguraram bastante. Eu fiz o mesmo. Mas quando Emmett abriu a boca ...
- Bella ... Ah! Bella, por favor, tire fotos dos ogrinhos em dobro: uma pra vocês, outra para mim. – ele falou em meio a soluços.
- Pode deixar, Emmett. – solucei.
- Bella, nós ainda vamos batizá-los, não é?
Não consegui falar, foi Edward quem respondeu.
- Claro, Emmett. Vocês serão, para sempre, os padrinhos deles. Não poderia haver padrinhos melhores.
Depois que nos despedimos deles, Edward me abraçou. Suas mãos tentavam me consolar, afagando minhas costas.
- Shii, Bella. – ele sussurrava – Você não deve se desgastar tanto. Eu também vou sentir falta deles, mas é para nosso bem, amor.
- E-eu sei ... – gaguejei.
Nos dias seguintes, recebemos muitas visitas e isso foi bom para mim. Ajudou a espantar a tristeza pelo afastamento de nossos amigos.
A vida seguiu seu rumo.
Na sexta-feira, os meninos fizeram uma semana de vida.
- Feliz ‘uma semana de vida’ ... parabéns pra você ... – comecei a cantar para eles.
Edward voltou a trabalhar ... Bateu uma saudade dele! Ah! Mas eu tinha nossos filhos pra me consolar! Eles estavam ficando tão parecidos com o pai ... Era maravilhoso ficar olhando pra eles, corujando meus meninos ...  Não resisti, peguei a máquina e bati uma foto deles.

Anthony: 1 semana de vida

Thomas: 1 semana de vida


Não demorei muito tempo para me acostumar com a nova rotina. Depois que aprendi a lidar com o sono e o cansaço, comecei a ficar menos estressada. Passei a seguir o ritmo dos meninos ...
A cada dia eu estava menos gorda, e dos quinze quilos que engordei até o fim da gravidez, eu já havia emagrecido oito. Sim, religiosamente eu me pesava todos os dias na balança do banheiro. Afinal, tenho marido ‘lindo, tesão, bonito e gostosão’ e não vejo a hora de poder brincar com ele de novo ...
‘Ta tudo dando certo’, pensei comigo mesma e sorri enquanto passeava pelo jardim de casa e tomava um solzinho. Apesar dos atropelos desses primeiros dias, meu resguardo estava indo bem. Houve um momento em que eu pensei que estava deprimida, mas foi só sono acumulado.
Com o nascimento de meus filhos, as mudanças foram bruscas mesmo. O alívio e a alegria de vê-los lindos e saudáveis não acabou, mas foi acrescido de um profundo sentimento de compromisso e responsabilidade. Quando olho para os dois, tão pequenos e frágeis, tão dependentes de mim, sei que para o resto da minha vida, a prioridade vai ser eles.
Tirei de letra a amamentação, embora meus seios tenham ficado doloridos nos primeiros dias, eles mamam com muita regularidade. Sobrevivi à primeira noite, quando surtei e achei que não estava sendo uma boa mãe. Tive medo, sim! Medo de não conseguir corresponder às necessidades de meus bebês. Também tive crise de consciência por me sentir cansada ...
Mas tive Edward, meu amor, meu amigo, meu porto seguro. Em nenhum momento, ele me deixou sozinha ... Cada dia de nossas vidas, triste ou feliz, cada pequena dificuldade ou lágrima servem para confirmar que meu Ed me ama. Não que o amor necessite de provas! Mas as circunstâncias do dia-a-dia nos levam a provar nosso que amor está mais forte a cada dia.
Eu li e ouvi relatos de várias mulheres que se sentiram desapontadas com seus maridos após o nascimento dos filhos. Muitas se queixavam de não receber carinho, atenção, compreensão. Algumas diziam que a paixão e o romantismo não existiam mais. Outras diziam que seus maridos eram indiferentes aos bebês.
Edward não é perfeito, mas é quase.
Além de cuidar dos meninos e de me ajudar emocionalmente, já percebi suas espiadelas enquanto eu estou trocando de roupa ou só estou usando lingerie. Ele ainda me deseja ... A prova disso foi o beijo que me deu quando voltou a trabalhar. Seu corpo desejou o meu, meu corpo ardeu de vontade por ele.
Nem mesmo sabendo que eu iria à primeira consulta do pediatra dos gêmeos acompanhada da babá, ele quis ficar de fora. Na segunda-feira, ele não veio almoçar, compensou o horário, saiu do banco mais cedo e veio nos buscar em casa. Aquela era a primeira vez que eu e os meninos saíamos de casa, fiz questão de escolher roupas bem bonitas para nós. Anthony estava usando um macacão de flanela azul marinho com listras vermelhas, gorrinho e sapatinhos vermelhos. Thomas ficou lindo num conjuntinho de calça comprida e casaquinho verde com desenhos de bichinhos, gorrinho e sapatinhos verdes. Eu me sentia mais bonita e mais em paz com meu corpo a cada dia, escolhi uma calça legging preta e um vestido curtinho, florido e com detalhes cor de rosa. Fiz um coque, deixei alguns cachos caírem pelo pescoço e pus apenas gloss rosa nos lábios.
- Bella, você ta linda. – Ed entrou no quarto e me abraçou por trás – Uma tentação ...
Seus lábios quentes começaram a beijar meu pescoço de um jeito tão sensual que deveria ser considerado crime. Quando percebi nossas respirações entrecortadas e que meu juízo já estava quase indo embora, separei nossos corpos.
- Amor ... a consulta ...
Ele sorriu torto, daquele jeito que me faz delirar e entrelaçou nossas mãos. Na sala, Jenny e os meninos esperavam por nós. Em menos de dez minutos chegamos ao hospital e nos dirigimos ao bloco de consultórios médicos. O pediatra dos meninos seria o Dr. Molina, o mesmo que esteve presente na hora do parto. Quando chegou a nossa vez, eu me surpreendi, não sabia que o médico era tão jovem e ... bonito! O cara era alto, devia ter uns trinta anos, moreno, cabelos e olhos pretos e um sorriso cativante. No dia do parto todo mundo tava de verde e usando máscaras, por isso me admirei.
- Boa tarde! – ele sorriu ao nos receber em sua sala.
- Boa tarde. – eu, Ed e Jenny murmuramos em coro.
A consulta foi demorada. Ele puxou meus meninos de um lado para o outro. Anthony reclamou um pouquinho, Thomas ‘cantou o hino nacional’ a plenos pulmões.
- Edward, Thomas está me matando de vergonha ... – sussurrei.
- Devíamos ter escolhido uma médica. – ele sussurrou de volta – Talvez se uma mulher pusesse as mãos no ‘negocinho’ dele, ele não reclamasse tanto.
- Engraçadinho ...
Mas eu nem podia tirar a razão de Thomas, o médico revirava o menino de um lado para o outro. Ele mediu o tamanho da cabeça, examinou olhos, ouvidos, coração, órgãos genitais, bracinhos e pernas, formato do abdome e os reflexos.
No final das contas, o médico disse que os meninos estavam ótimos e que já tinham engordado 500 gramas cada um. Ele nos parabenizou por sermos pais de primeira viagem tão atenciosos e preparados. Alguns daqueles créditos eram para Jenny também, fiz questão de dizer isso.
- Os créditos também vão para a mamãe. – o médico sorriu para mim – A senhora está em plena forma, Sra. Fields. Vejo que o pós-parto só a deixou mais bonita ainda.
Meu Deus! O médico continuou me encarando! Corei, eu sei que corei. Droga! Por que eu coro nas horas erradas?!
Senti Edward tensionar o corpo ao meu lado e senti o peso de seu braço sobre meu ombro.
- Mas alguma coisa, doutor? – Ed falou seco – Eu estou me referindo a recomendações médicas.
Puta que pariu! Edward usou a voz cortante como aço reservada para esses momentos.
O médico piscou os olhos várias vezes, deu um sorriso amarelo e se despediu de nós estendendo a mão para Ed. Meu marido deixou a mão do médico suspensa no ar, pegou a bolsa dos meninos e murmurou um ‘boa tarde’.
- Edward, precisava disso? – sussurrei.
Andávamos pelo corredor do consultório, Thomas dormia em meus braços e um pouco à nossa frente, Jenny carregava Anthony.
- Aquele filho da puta! – foi a resposta que meu marido rosnou.
- Amor, você sabe que eu sou sua. Não é? – tentei fazer uma voz doce pra ver se quebrava a raiva dele.
Ele enlaçou minha cintura, se inclinou um pouco e sussurrou.
- Eu sei disso. Me promete uma coisa? – seu sorriso travesso me disse que ele já estava menos chateado.
- O quê?
Ele nos fez para de andar, me abraçou como pôde (Thomas estava entre nós) e falou com a voz rouca.
- Daqui a alguns dias, quando eu estiver dentro de você, você diz isso de novo?
- Isso o quê, Ed? – sussurrei de volta.
- Que você é minha. – ele mordeu o lóbulo da minha orelha e eu me senti úmida.
- Eu sou sua, só sua ... – ronronei e beijei seu pescoço.
Por um instante nos esquecemos onde estávamos. Só sei que depois me dei conta que Jenny nos olhava de longe e tenho certeza que ela pensou que não estávamos respeitando o resguardo. Corei de novo.
Quando as aulas da faculdade à distância começaram, percebi que meu marido se sentiu num dilema. Às sete horas da noite, em ponto, sua aula via satélite começaria. Faltavam apenas dez minutos e Ed estava muito esparramado no sofá da sala de TV olhando os gêmeos que estavam no carrinho ... Tomei uma atitude. Fui à cozinha, enchi a uma garrafa térmica com café, depois fui ao quarto, peguei seu caderno e entreguei-os a ele.
- Ta na hora, amor! – fui com ele até a escada que dava acesso ao sótão – Boa aula!
- Obrigado, amor. – ele me beijou - Te amo.
- Eu te amo mais. – falei quando ele subia a escada.
As aulas de Edward eram de terça à quinta-feira, três horas de aula por dia, das sete às dez da noite. Entre esse período, sempre havia uma mamada dos meninos. Foi difícil fazer tudo sozinha. No primeiro dia, Ed desceu as escadas correndo assim que ouviu o berreiro dos meninos. Ele viu minha cara de meio desespero meio cansaço e quis ficar pra ajudar. Recompus minhas feições, fiz cara de paisagem e o despachei de volta ao sótão.
- Obrigada, amor! – sorri - Pode voltar. Nós três estamos nos dando bem aqui.
Ele me olhou desconfiado e assentiu. Nos dias seguintes, eu fui ficando mais ágil e os meninos foram se acostumando à rotina do papai universitário.
O calendário se movimentava como sempre e então, o dia treze de setembro chegou.
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NOTAS FINAIS DO CAPÍTULO
Obrigada a minhas queridas leitoras que resolveram me seguir do Nyah até aki =] Vamos ver se dia 17 a gente consegue se encontrar por lá!
Bjs e deixem seus reviews!