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- Música Das Sombras - adaptação do livro homônimo. (Fic concluída)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Música das Sombras - Capítulo 28

Terror

Isabella tinha desaparecido.
Tudo aconteceu numa curva fechada perto do sopé da montanha. Michael estava cavalgando na frente dela, e Isabella ficou sozinha por não mais do que trinta, mas esse foi todo o tempo necessário.
Michael pensou que ela estava bem atrás dele, pois podia ouvir os cascos de Rogue soando contra as pedras. Ele sabia que a Princesa tinha diminuído a marcha como era seu costume antes de fazer cada curva. De um lado havia um precipício com rochas soltas na borda, se ela apressasse a marcha, Rogue podia se desequilibrar. Do outro lado havia uma enorme pedra. Árvores emaranhadas e espinhosas cresciam em ângulos perpendiculares pelo caminho, e pareciam tentáculos torcidos estirando-se sobre a trilha. A vegetação era tão densa que abafava qualquer tipo de som.
Isabella e o guarda estavam conversando amigavelmente.
— Acho que o Laird vai mandar ampliar esta estrada. — lhe disse — Assim, Lady Cullen não terá se preocupar que seu cavalo possa escorregar.
Esperando uma resposta, Michael olhou por sobre seu ombro. Rogue ainda estava detrás dele, mas Isabella tinha desaparecido. Saltando de seu cavalo, o guerreiro a chamou aos gritos: — Lady Cullen!? Lady Cullen!?
Não houve resposta. Pensando que ela poderia ter caído, Michael voltou para a curva correndo e voltando a gritar:
— Está ferida? Lady Cullen onde a senhora está?
E tampouco obteve resposta. Michael gritou para o sentinela que estava do outro lado do penhasco:
— Você pode ver Lady Cullen?
O guerreiro não podia ouvi-lo, mas os dois sentinelas que patrulhavam a colina atrás dele o ouviram e deram o alarme. Os gritos sobressaltaram  Rogue e o assustado animal se virou e partiu como um raio em direção ao topo da colina.
Frenético, Michael deslizou para baixo da encosta para ver se sua senhora tinha caído. Isabella não estava ali. Depois de voltar a subir, usou sua espada para cortar alguns dos matagais, agarrando-se à esperança de que sua senhora, de alguma forma, tivesse ficado presa entre os espinhos e que logo o chamaria para pedir ajuda.
— Ela não está aqui ... Oh! Deus! Nossa Princesa não está aqui! — Michael gritou, com a voz tomada pelo pânico.
Em questão de minutos a área estava tomada por guerreiros Cullen, todos procurando por Isabella. Jasper e Seth, os melhores rastreadores do Clã, tomaram cada um, um pedaço da estrada para procurar rastros.
Michael tinha rastreado a maior parte do caminho e abrira boa parte dos espinheiros, por isso havia pouca evidência de onde e como alguém pudesse ter chegado até Isabella. Jasper afastou-se na direção da encosta até onde o terreno se nivelava, ele fez uma curva brusca no  desgastado atalho que se abria para a esquerda onde o caminho tinha uma extensão maior de terra do que rochas. Ele esperava encontrar pegadas ali, caminhou uma boa distância e quando olhou para trás, chamou Seth, que tinha estado procurando no outro lado da encosta, saiu correndo.
— Eu diria que foram ao menos quinze homens — estimou Jasper.
Ele baixou a vista para a terra que tinha sido pisada por rastros de pés e cascos de cavalos.
— Acredito que eram mais. — disse Seth.
Jasper andou na direção contrária. As pisadas faziam uma curva na direção da mata que subia para o penhasco.
— Parece que alguns deles se separaram do grupo aqui.
Seth o seguiu enquanto rastreava os ramos quebrados e cortados. Jasper se deteve o chegar ao topo que estava por cima da curva fechada que havia no caminho.
— Aqui foi onde se esconderam — disse — Eles estavam esperando que Isabella passasse abaixo deles.
— Quem quer que fosse, tinha absoluta certeza que Lady Cullen passaria por aqui. — falou Seth com grande tristeza — Sinto dizer, mas acho que temos um traidor entre nós.
— Este miserável morrerá em minhas mãos, pode ter certeza. — falou Jasper com a voz carregada pelo ódio.
— Olhe! — disse Seth enquanto se agachava e tirava algo preso em um ramo espinhoso.
O guerreiro levou à mão um pedaço de tecido quadriculado. Era o tartan do Clã Cullen.
— Como sempre, Isabella usava um chalé com as cores de nosso Clã. — Jasper falou com tristeza — Você deve organizar grupos de guerreiros para que procurem por esses bastardos, quere que cavalguem a toda velocidade e procurem em todos os lugares. Todos os lugares, Seth.
O guerreiro assentiu com vigor partiu de imediato.
À Jasper coube a missão de ir até a propriedade do Laird Sinclair para dar ao Edward a horrível noticia. Aquela era a missão mais difícil de sua vida, ele sabia que o coração do irmão iria sangrar quando soubesse do ocorrido.

Isabella despertou com uma aguda dor de cabeça, ela abriu os olhos e tentou entender que estava acontecendo. Ela olhou ao redor e viu que estava num quarto desconhecido, assim como numa cama que jazia não era sua. O teto do quarto era baixo e estava tão perto que, se estivesse sentava, poderia tocá-lo com a mão. Ela deduziu que estava num sótão. O ar cheirava a mofo e ranço. O que quer que fosse aquele prédio, não tinha sido usado por um longo, longo tempo. Os pedaços de palha do colchão lhe arranhavam as costas, e sobre o rosto podia sentir a aspereza da manta que alguém tinha atirado sobre ela. Ela sentiu uma espetada no braço e tentou se coçar, quando abaixou a mão, tinha uma mancha de sangue nos dedos. Então viu os arranhões que tinha no braço.
Lentamente sua mente se esclareceu. Rogue. Ela estava montando Rogue. E havia outro animal. Não, não. Ela pensou que o ruído que tinha ouvido era provocado por um animal à procura de comida. E também tinha ouvido um farfalhar. Depois, uma dor excruciante. 
No piso inferior, ela ouviu o ranger de uma porta se abrindo, e o sussurrar de gente entrando no prédio. Imediatamente Isabella ficou bem acordada. Ela gostaria de ter podido correr até a beira do sótão para poder olhar para baixo, mas temia que a vissem ou a ouvissem.
E também não estava segura de quantas pessoas havia no andar inferior até que escutou suas vozes, dentre elas, a voz de uma mulher. A porta do sótão estava entreaberta, ela se concentrou em ouvir.
Isabella conhecia aquela voz ...
— Será melhor que você reze para que ela desperte, Leod, porque se não, ele vai te matar e te enterrará justo em cima dela. Nunca vi ninguém tão estúpido!
— Eu só fiz o que você me mandou a fazer — protestou Leod — Você disse que a deixasse sem sentido rapidamente antes que tivesse oportunidade de gritar e que logo a entregasse a ele para que a transportasse, e isso foi o que eu fiz, Leah.
Oh! Deus querido ... Leah ... Não! Como ela poderia fazer isso conosco? Pensou Isabella em profundo desespero.
— Deixei-a sem sentido apenas. Não me importa quanto você se zangue, eu fiz todo o trabalho. Enquanto os outros estavam nos esperando aqui, fui em quem carregou a mulher nas costas, por meio de tantos pedregulhos e espinhos. Tenho a pele das mãos e dos braços arranhados por espinhos. Também tenho cãibras nas pernas. Você não deveria gritar comigo porque eu fiz todo o trabalho sozinho.
— Sei que fez, mas não deveria ter usado o estilingue nela.
Isabella estava nauseada. Aquela era mesmo a voz de Leah ... a antiga empregada do castelo Cullen e filha da doce e querida Sue.
— É o que eu uso para apanhar passarinhos.
— Uma mulher não é um pássaro, Leod. — Leah falou com rispidez.
— Tem razão. Neste momento, eu estou diante de uma mulher mais amarga que a morte. — ele falou com sarcasmo.
— Você poderia ter quebrado o pescoço a ela.
— Usei uma pedra pequena para que isso não acontecesse.
— Certamente espero que ela desperte. Ele não gostará de ver sua prometida quase morta.
Prometida? Isabella arfou em profundo desespero. Quem é ele?
— Pus um capuz nela. Aquele lindo rostinho está intacto. — Leod falou.
— Tínhamos que ter levado Andrew conosco, assim você não precisaria feri-la.
— De que nos serve o garoto? É tão franzino, que parece que tem dez anos, e tão inexperiente que não nos serviria de nada.
Isabella ouviu o som da porta se abrindo novamente e, tanto Leah quando Leod se calaram. Alguém chegou.
— Como ela está? Já acordou?
Isabella fechou os olhos, tentando aquietar seu palpitante coração. Deus do céu! Era ele!
Ela ouviu as botas pisando nas tábuas que formavam a escada, e enquanto o homem se aproximava, ela ficou absolutamente quieta. Ele já sabia quem era, pois reconheceu aquele cheiro repugnante e azedo.
— Por que ela ainda está dormindo. — ele sacudiu-a.
— Está dormindo, apenas. — Leah sussurrou.
Isabella passou de uma atordoada incredulidade à raiva em menos de um segundo. Por que estava Caius ali? O que ele ainda queria dela? Por que Leah resolveu trair seu próprio Clã? Mas não havia tempo para tentar entender os motivos, em vez disso, ela precisava encontrar uma forma de escapar.
— Tem certeza de que ela está dormindo? — demandou Caius, e antes que Leah pudesse responder, disse: — Ela falou alguma coisa antes de adormecer?
— Ela está viva — disse Leah — Mas não está acordada.
— Mande Leod levá-la para baixo. — ordenou Caius.
— Mas ela ainda não está acordada — lhe recordou Leah.
Isabella escutou um ruído, parecia ser uma tapa, e logo: — Sim, senhor. Vou mandar Leod levá-la
O homem subiu ao sótão e levantou Isabella da cama e carregou-a escada abaixo.
— Peguem a cadeira e ponham-na ali. — ordenou Caius — Leah, traga corda e amarre-a.
Isabella continuou fingindo dormir enquanto era empurrada e amarrada. Sua cabeça pendia para frente, e o cabelo cobria seu o rosto. Ela abriu os olhos minimamente e sabia que Caius estava frente a ela. Sentia seus malvados olhos fixos nela, podia ouvir seus ofegos, e aspirou seu asqueroso cheiro de azedo e perfumes fortes.
Leod atou uma corda ao redor da cintura de Isabella, esticando bem as pontas atrás da cadeira. Logo envolveu outra corda ao redor de seus punhos e atou com um nó duplo.
— Está bem atada — ele disse — Não pode se soltar.
Ela apalpou os nós com os dedos e pensou que aquilo poderia ser um truque. Certamente ele sabia que ela era capaz de desfazer os nós. Será que ele estava tentando provar que ela estava acordada? Ou era realmente tão estúpido? Teve sua resposta quando o homem se afastou.
— Tragam um copo com água — ordenou Caius.
Quando o teve na mão disse:
— Saiam. Os dois.
— Ele quer estar a sós com ela. — zombou Leah.
— O que ele vai fazer com ela atada à cadeira? — perguntou Load.
— Saiam e fiquem fora até que eu lhes chame! — gritou Caius.
Assim que a porta se fechou, Caius agarrou Isabella pelo cabelo e lhe atirou a cabeça para trás. Lançou-lhe a água no rosto.
Ela gemeu e lentamente abriu os olhos. Caius tinha seu horrível rosto frente a ela.
— Acorde, Isabella! Acorde!
Leah saiu da sala, mas resolveu escutar atrás da porta e olhar pelo buraco da fechadura da mesma. Caius não havia lhe dito que era o noivo inglês de Isabella? Se isso era verdade, por que ele lhe machucou deliberadamente?  Por que ele colocou a palma da mão sobre o rosto dela para lhe empurrar a cabeça contra o encosto da cadeira?
Leah sentiu o amargo gosto do remorso na boca. Aquele bastardo inglês havia mentido para ela ...
Como um louco, Caius se ajoelhou em frente à Isabella e muito gentilmente lhe acariciou o cabelo do com a ponta dos dedos.
Seu contato provocou ânsia de vômito nela.
Ele arrastou uma cadeira e se sentou de frente a ela. Abraçando os joelhos com as mãos, estudando-a com curiosidade.
— Não quero te fazer mal, Isabella.
Ela não lhe respondeu. Viu que ele tinha uma expressão desequilibrada nos olhos.
— Quero te fazer uma pergunta, isso é tudo. — disse afavelmente — Quando tiver me dado uma resposta satisfatória, poderá ir para casa. Só uma pergunta e uma reposta. Você vai cooper, não é?
Ela não respondeu. Ele inclinou a cabeça e a estudou, aguardando. Logo, repentinamente, deu-lhe uma bofetada com o dorso da mão.
— Está pronta para responder minha pergunta?
Ela negou-se a responder. Ele voltou a golpear.
— Onde está o ouro? — ele gritou.
Antes que ela tivesse tempo de reagir, ele disse:
— Quero o tesouro de St. Noah. Onde ele está?
Leah ainda ouvia tudo de detrás da porta. Ela finalmente se convenceu que havia sido usada por aquele que fingia se lamentar pela perda da noiva. Caius nunca teve qualquer compromisso com Isabella ...
— O tesouro não existe. — Isabella disse, preparando-se para receber outra tapa.
Mas Caius não a golpeou.
— Sim, existe. Fui a St. Noah e descobri que o Rei não enviou o ouro ao Papa. Ele o escondeu.
— Se isso for verdade, então o Rei levou o segredo para o túmulo.
Caius balançou um dedo diante dela.
— Não, não! O segredo passou de geração em geração. Sua mãe sabia, não é verdade? E disse o segredo a você.
— Não, ela não poderia ter me dito isso, porque o tesouro não existe.
Irado, Caius voltou a bater em seu rosto, nesse momento, Leah entrou na sala.
— Seu bastardo mentiroso! — ela gritou — Você me disse que queria de volta a sua noiva! — ela gritou mais alto — Você não disse que estava interessado no ouro!
Antes que Leah pudesse terminar de falar, Caius a golpeou duramente, jogando-a ao chão e cortando seu lábio inferior. Mas Leah não se deu por vencida, num salto ficou de pé e tirou do cinto de seu vestido um pequeno punhal.
Caius sorriu demoniacamente e com um gesto de mão, chamou-a para si. Não houve lute. Rapidamente, Caius tomou o punhal da mão da mulher e cravou-o em suas costas. Isabella assistiu aquela cena terrível em grande estado de choque.
— Leod! — Caius gritou e imediatamente o homem entrou na sala — Leve este animal daqui. — ele apontou para o corpo sem vida de Leah.
Menos de um minuto depois do assassinato, Caius voltou a se sentar na cadeira onde estava e voltou a falar calmamente.
— Não acho que compreenda inteiramente minha situação, Isabella. O tesouro me liberará do Rei. Agora os outros Barões me vêem como o lacaio real. Só tenho inimigos e mais nada a perder.
Isabella pensou que ele desejava que ela sentisse lástima por ele.
— Pensei que seria muito simples pedir sua mão em casamento. Tinha ouvido as histórias sobre o tesouro escondido, mas não acreditei até que o Rei me envio a St. Noah para assegurar-se de que seu administrador não o estivesse traindo. No palácio vi várias moedas de ouro com meus próprios olhos. Disseram-me que as conservavam como lembrança, mas que o resto tinha sido enviado ao Papa.
Ele sorriu com sarcasmo.
— Mas ninguém podia dizer quanto ouro havia no princípio. Quanto mais gente eu interrogava, mais me convencia de que o Rei Phillip tinha guardado a maior parte do ouro para si mesmo. E então conheci um ancião que tinha visto… o ouro pilhas e pilhas de ouro que simplesmente desapareceu. Aonde o ouro foi, Isabella?
— A cobiça faz que você se comporte de maneira irracional. O ouro não existe — ela disse.
Ele suspirou dramaticamente.
— Sim, existe. Depois de tudo o que tenho feito ... sim, ele existe.
— Não posso dizer isso porque não sei onde está.
— Então você admite que ele existe. — Caius agia como se acabasse de enganá-la para que confessasse.
Ela sacudiu a cabeça.
— Não.
Ele sentou novamente na cadeira, cruzou uma perna sobre a outra e começou a balançar indolentemente um pé, para frente e para trás.
 Passou um longo minuto em completo silêncio. Logo seu temor se converteu em terror.
— Você ama seu pai? — pergunto-lhe.
Ela deixou escapar um grito agudo.
— Onde ele está? O que você fez com ele?
— O que lhe tenho feito eu? Nada, ainda. Seu pai não viajava com tantos homens para se proteger de uma emboscada. Assim, ele facilitou as coisas. Estive observando-o enquanto partia através do território Cullen e soube exatamente onde atacar. Não se preocupe, ele ainda está com vida, embora sua condição está se deteriorando. Diga agora onde está o ouro e deixarei seu pai viver.
Quando não respondeu imediatamente, Caius disse:
— Acha que posso estar mentindo? Como sei que o Barão Charlie estava a caminho daqui? É muito fácil conseguir uma prova. Enviarei alguns de meus homens onde ele está. Se cortarem-lhe a mão direita e lhe trouxerem seu anel com o selo dos Swan, você saberá.
— Não! — gritou — Você não se atreveria a matar a um barão.
— Não? Por que não? Já matei a um Laird.
— Black? Matou ao Laird Black?
Ele encolheu os ombros.
— Não podia permitir que ele vivesse e se casasse com você. Eu tinha que poder falar com você sobre o ouro. Para Mike Newton não importava o que eu fizesse com você, contando que ele obtivesse Finney’s Flat. Vivo, aquele bastardo provou que não me era de nenhuma utilidade mas, agora que está morto, foi de grande ajuda já que nos encontramos numa cabana perdida dentro da fazenda Newton. Seu Clã está tão confuso que não tem nem idéia de que estamos aqui.
— Meu marido virá me buscar. — Isabella sussurrou.
— Primeiro ele terá que te encontrar, e eu me assegurei de que meus homens partissem em todas direções para cobrir os rastros. Quer perder a seu pai e seu marido?
— Não.
— Então me diga onde está o ouro e diga rápido. Não podemos ficar aqui sentados durante dias intermináveis. Dessa forma seu marido certamente nos encontrará, e eu terei que matá-lo.
— Vou dizer.
O ofego de Caius soou como um grunhido:
— Sim, sim, me diga.
— Está em Phoenix — ela mentiu — E bem escondido.
Ele riu.
— O ouro está em Phoenix e seu pai…
— Mamãe não podia dizer a ele. Eu sou a única que sabe onde está. O tesouro pertence à família real de St. Noah.
— Deverá me dizer exatamente onde ele está, já que Phoenix é quase do tamanho de um pequeno país. Está escondido no castelo?
— Não, está enterrado.
— Onde? — demandou.
Caius tinha o rosto distorcido com uma expressão selvagem, tão grande era sua obsessão pelo ouro.
— Devo-lhe mostrar isso. É a única forma. Como lhe disse, a propriedade é imensa.
— Então iremos a Phoenix.
— Se meu marido souber, irá nos seguir, e não deixarei que o mate. Você deve enviá-lo na direção oposta.
— Como lhe faço chegar às notícias?
Isabella falava com cautela, seu plano estava indo bem.
— Meu marido sabe ler e escrever.
— Mas como …
— Eu poderia lhe escrever uma mensagem lhe dizendo que escapei e que agora estou a salvo com meu pai. E pediria que ele fosse para me buscar.
— Os Newton! — Caius disse, assentindo. — Dirá a seu marido que foram eles que a raptaram.
Quando Caius terminou de lhe dizer o que devia contar, pensou que a idéia de enviar essa mensagem tinha sido sua. Ele chamou Leod para que conseguisse algo com que escrever, passou uma hora antes que o homem retornasse com tinta e um pedaço de pergaminho.
Isabella escreveu exatamente o que tinha sido acordado, mas antes de assinar com seu nome, levantou a vista para olhar para Caius.
— Não quero que matem ao mensageiro antes que ele tenha a oportunidade de dar a mensagem a meu marido. Não há algum jovem que possa enviar? Não tão jovem para que não tenha idade para montar e não tão velho que aparente ser um homem. Meu marido não matará um jovem rapaz
— Sim. — disse Caius. — Farei que Andrew leve o pergaminho. Agora, termine logo de escrever.
Enquanto Caius andava nervosamente, de um lado para o outro, Isabella acrescentava suas palavras finais à mensagem: “Por favor, venha depressa e juro que farei tudo como queira”.

domingo, 28 de novembro de 2010

Vem comigo, amor - Capítulo 45

Um Homem De Família

Depois do dia cansativo de provas em Seattle, minha vida voltou quase ao normal. Kate estava muito ocupada com os preparativos da confraternização de Natal do banco e eu, como sou seu auxiliar-imediato, andava muito ocupado também. Mas em meio ao corre-corre das festas de fim de ano, eu e Samuel recebemos uma boa notícia. O resultado da prova objetiva do concurso interno dizia que eu tinha feito 90% de acertos e ele, 93%. Fiquei muito feliz! Agradeci a Deus numa rápida e sincera oração e liguei para Bella para dar a notícia.
Na quarta-feira, dia 22, tivemos a nossa confraternização no Martha’s, um dos restaurantes preferidos de todos os funcionários do banco. A dona do restaurante fez um bom acordo conosco e assim alugamos o espaço por uma noite. Depois de horas e horas de arrumação, eu nem acreditei no que fiz junto com Kate e alguns ajudantes de uma loja de decoração de Port Angeles.


No hall do restaurante, Kate mandou pendurar uma enorme guirlanda de azevinho, cheia de luzes e enfeites, ficou muito bonito e a ideia era fazer com que todos que passassem por ali, logo mais à noite, se beijassem.
- Tem certeza que as pessoas não vão ficar constrangidas com a brincadeira, Kate? – perguntei receoso.
Ela gargalhou antes de responder.
- Claro que não, Edward! Como você sabe, beijar alguém debaixo de arbusto de azevinho é sinônimo de compromisso. Mas há vários tipos de compromissos assim como existem vários tipos de beijos. Herdamos essa tradição da cultura romana e com os romanos também aprendemos que existem três categorias de beijo.
- Existem? – perguntei.
- Sim. O osculum é um beijo na bochecha, o basium é um beijo nos lábios, tipo um selinho e o savolium é o beijo profundo dos apaixonados. – ela sorriu arteira – Isabella vai ganhar qual beijo à noite?
- O savolium, com certeza!
A festa foi muito bonita e alegre. A banda que contratamos tocava músicas suaves de natal misturadas com blues, jazz, country music e baladas românticas. Bella estava linda, vestida com um charmoso vestido cor de rosa e aquecida com uma jaqueta de couro. Os meninos estavam bem estilosos, com casaquinho vermelho e branco e touquinha de Papai Noel. O jantar estava uma delícia e ao final da festa, percebi que tudo tinha sido perfeito, ou melhor, quase tudo. Donna Conroy, aquela criaturinha esquisita, não tirava os olhos de minha família. Não sei se Bella percebeu, mas a mulher olhava meio feio para ela. Esquisito.
Véspera de Natal na casa dos Greeves: eu não estava muito animado, afinal, tinha acordado pensando em meus pais e sogros. A saudade era imensa. Mas eu não queria deixar Bella triste, principalmente porque aquele era o primeiro Natal que passávamos com nossos filhos. Mas acabou que Peter e Charlotte fizeram uma ceia muito bonita, singela e animada. Ainda tivemos a companhia de Jenny, Sr. Hobbes, Sidclayton e Paolo, seu namorado.
O dia 25 seria especial, ou melhor, ele sempre seria especial por três maravilhosos motivos: aniversário do menino Jesus, aniversário de namoro meu e de Bella e ‘aniversário’ de Anthony e Thomas, afinal, nossos filhos tinham sido fabricados há exatamente um ano!
Onze anos de namoro! Onze anos de felicidade ...
Fui acordado pela minha doce e linda esposa ... Minha eterna namorada.
- Bom dia minha vida! – acho que ela sorria, eu estava de olhos fechados – Feliz Natal! – ela encheu meu rosto de selinhos, me fazendo sorrir – Feliz 11 anos de namoro!
Abracei-a com carinho e inverti a posição de nossos corpos, ficando por cima dela. Meu corpo se acendeu de desejo, mas apenas beijei sua testa.
- Feliz Natal! Feliz aniversário de namoro, amor. Eu te amo, minha Bella ...
Nossos olhares se encontraram e por alguns segundos, paramos no tempo. Tudo que eu via naquela imensidão de chocolate era como se fosse uma pequena retrospectiva de nossa vida. Havia paixão, alegria, sorriso, amor, esperança ... tudo junto e misturado. Ela me beijou com desejo, penetrei minha língua em sua boca, buscando mais de minha Bella. Muito cedo ficamos com falta de ar e cessamos o beijo, nossas respirações estavam ofegantes e me lembrei de nossos pegas no corredor da escola quando éramos adolescentes. Bella tinha a mesma expressão de doce luxúria ... Linda ... Sorri com a lembrança, ela sorriu também.
Trocamos presentes. Dei a ela uma sexy camisola da Victoria Secret e ganhei um relógio de pulso com uma mensagem gravada na parte de trás: ‘Edward, feliz onze anos de namoro. Eu te amo. Para sempre sua, Isabella’
Fiquei muito emocionado com a inscrição, senti um nó na garganta e um ímpeto de abraçá-la. Giramos várias vezes no quarto, parecíamos duas crianças felizes numa manhã de Natal.
Bella havia preparado um lindo café da manhã com pães, muffins, frutas e flores, panetone e mais um monte de coisas gostosas. Depois do café, os meninos acordaram para mamar, lhes entregamos seus presentinhos e também tiramos fotos em família.
Um banho quente e romântico à tarde (enquanto os meninos dormiam) foi o cenário que Bella preparou para nós. Na água havia sais de banho, muita espuma e um casal loucamente apaixonado que trocava carícias e juras de amor, intercalados com sussurros e gemidos. Minha Bella estava a cada dia mais linda e gostosa. Quase quatro meses depois do parto, eu poderia dizer que seu corpo não era o mesmo de antes, ERA MELHOR! Seus seios maiores e redondinhos eram um verdadeiro convite (pena que estavam emprestados aos gêmeos), suas coxas e bunda tinham ganhado um pouquinho mais de carne e eu gostei MUITO disso. Minha ‘bellinha’ ainda era a mesma, rosadinha por fora, quente, molhada e apertadinha por dentro ... Ah! Que delícia!
Nossa noite de Natal em família foi muito linda. Não houve jantar especial, não houve festa e nem convidados. Mas foi tudo perfeito. A noite estava fria, nevava um pouco e o vento lá fora parecia cantar uma suave melodia. Para outra pessoa, aquele poderia ser um ‘programa de índio’, mas nós quatro nos sentamos na frente da TV e assistimos desenhos animados de Natal. Acendi a lareira, fiz pipoca de micro-ondas, colocamos os meninos no colo e nos enrolamos num grosso edredom, bem abraçadinhos no sofá. Estava passando os créditos de um filme quando Bella falou.
- Amor, eu descobri que amo mais ainda o Natal! – me inclinei em sua direção e beijei sua testa.
- Mais ainda?
- Há exatamente um ano atrás nossa família começou. – ela sorria enquanto olhava para os gêmeos.
- É mesmo! – beijei cada filho e me inclinei um pouco para falar com eles – Anthony, Thomas, vocês sabiam que foram feitos hoje?!
- Edward! – ela corou e falou exasperada, os meninos sorriram – Não fale essas coisas pra eles!
- É sério, meninos! – falei solenemente – O papai teve a brilhante ideia de levar a mamãe para a Martinica. – engraçado, os dois me encaravam como se pudessem me entender – E no dia 25 de Dezembro, depois de uma noite de muito amor, nós fizemos vocês dois! – suas boquinhas sem dentes me deram um lindo sorriso – Vocês são o melhor de nós dois ...
Pouco tempo depois, os meninos caíram no sono. Os levamos para o quarto, acomodando cada um no próprio berço. Eles já dormiam separados, afinal estava crescendo e ganhando peso ...
Como já passava das oito da noite e estava muito frio, seria improvável que recebêssemos qualquer visita. Então, como um bom e responsável chefe de família, percorri a casa, me certificando que todas as portas e janelas estavam fechadas. Não que houvesse ladrões em Forks, era por causa do frio mesmo!
Quando voltei à sala, Bella me surpreendeu.

- Fondue!? – falei surpreso.
- Comprei pronto! – ela sorriu timidamente – Mas eu cortei as frutas e o queijo!


Bastou um simples gesto de minha esposa para nos fazer entrar no clima de romance. Como Bella preparou o fondue sobre a mesinha de centro, sentamos ali mesmo no chão, sobre o fofo tapete, de frente para a lareira. O frio não dava trégua, então nos enrolamos no edredom. Abri a garrafa de vinho tinto e começamos a comer pedacinhos de queijo e frutas melados num delicioso chocolate quente e cremoso. De vem em quando nos beijávamos, sentindo o gosto de chocolate um no outro.
- Te amo, Sra. Cullen. – olhei em seus olhos e falei.
- Te amo, Sr. Cullen. – os olhos de minha esposa brilhavam.
Recomeçamos o beijo e dessa vez foi muito mais quente. Lentamente Bella foi deitando sobre mim, e sem cessar o beijo, abracei-a com força, minhas mãos entraram por baixo de seu moletom, percorrendo suas costas com ansiedade e desejo. Ela ofegou e chupou o lóbulo de minha orelha, me tirando completamente do sério. Pouco a pouco, nossas peças de roupas foram sendo tiradas, mas apesar do frio, nossas peles estavam febris de desejo. Inverti nossas posições, com uma mão peguei algumas almofadas e acomodei Bella melhor sobre o tapete, depois puxei o edredom sobre mim, deixando-nos aquecidos ali dentro. Voltei a beijar os lábios de minha esposa, nossas línguas se encontraram com crescente desejo, uma de minhas mãos percorria a lateral de seu corpo enquanto as mãos dela arranhavam minhas costas.
- Ah! Bella ... – gemi ofegante quando o ar nos faltou e eu desci meus lábios para beijar o gostoso vale entre seus seios.
Ela arqueou o corpo para frente, levantou um pouquinho o quadril e sentiu minha ereção contra sua barriga. Ela gemeu e eu sorri de felicidade, afinal, Bella me desejava tanto quanto eu a desejava. Desci uma de minhas mãos pela sua barriga, virilha e cheguei a sua intimidade. Massageei sem pressa a minha ‘bellinha’, arrancando suspiros e gemidos de minha esposa, quando senti sua umidade, me ajoelhei no chão, coloquei outra almofada sob seu quadril e a penetrei. Bella deu um gritinho de prazer e sorriu, sorri também, a sensação de estar dentro dela era única e maravilhosa.
O edredom escorregou, mas não estávamos mais com frio. Uma onda de calor, desejo e amor percorreu nossos corpos, mandando pequenos choques elétricos para nós e a cada investida minha dentro dela, a chama entre nós só fazia aumentar.
- Ah! Ed ... amor ... mais ... – ela gemia palavras soltas, às vezes fechava um pouquinho os olhos e mordia o lábio inferior.
Linda ... Minha ...
Eu estocava com força, vigor e um desejo desenfreado. Eu tinha certeza que nossa química nunca iria acabar, porque não só nossos corpos se completavam com perfeição, também havia sentimento ali. Sim, Bella tinha sido feita especialmente para mim! E eu não poderia estar dentro de outra mulher que não fosse ela ... E jamais sentiria por outra o que eu sinto por ela.
- Aaahhh ... Bella ... – era tanto desejo que eu não encontrava as palavras certas.
Ficamos naquele vai e vem gostoso até que eu percebi a intimidade de minha esposa me envolvendo com força, instintivamente, meu membro ficou mais rígido dentro dela.
- Olhe nos meus olhos, Bella. – falei entre arquejos, ela obedeceu e me fitou com intensidade – Agora, amor. Vem comigo.
Explodimos de prazer, eu me liberava dentro dela ao mesmo tempo em que ela mordeu o lábio inferior e gemeu meu nome. Cai ofegante sobre minha esposa, no contato de nossos corpos, constatei que o martelar de nossos corações se misturava, assim como nosso suor. Ficamos assim por um bom tempo.
Depois eu deitei ao lado dela, puxei o edredom para nós e nos abraçamos. O silêncio gostoso dizia que ainda estávamos absortos um no outro, inebriados pelo prazer, encantados com nosso amor. Um amor maravilhoso!
Sabe, eu sempre achei nosso amor um grande mistério. Não no sentido de ser negativo, mas no sentido de ser transcendental. Algo inexplicável, que extrapola o meu entendimento!
Mas quem disse que precisamos entender o amor?
Precisamos sentir o amor, viver o amor.
- Bella, eu te amo para sempre, esposa. – sorri e beijei seus lábios levemente.
- Assim como eu te amo, esposo. – ela se colou mais em mim – E o para sempre ainda é pouco para mim.
Lembrei daquela música de Nat King Cole: Quando eu me apaixonar será para sempre ... Quando eu der meu coração será para sempre ...

Caraca! Que frio! No final de Dezembro, a neve começou a cair pra valer sobre Forks.
No dia 27, eu acordei meio nervoso, afinal o resultado final das provas sairia naquele dia. Ainda era cedo, mas eu não consegui ficar na cama. Antes que pudesse acordar Bella, me arrastei até o banheiro, tomei um banho e como nem eram seis da manhã, vesti moletons quentes. Fui ao quarto dos meninos e beijei a cabecinha de cada filho.
- Quatro meses! – sussurrei – Feliz desaniversário, meus amores!
Também sai logo dali e resolvi presentear minha esposa com um café da manhã na cama. A data era significativa: dez meses de casados! Ajeitei numa bandeja torradas, omelete, geléia, queijo, presunto, café, leite e suco de laranja. Ainda tinha meio panetone dentro de um pote de plástico, fiz umas fatias bem bonitinhas e coloquei-o numa pequena travessa.  Quando cheguei ao quarto, Bella ainda dormia, coloquei a bandeja sobre o móvel baixo que ficava na parede oposta à cama e me sentei ao lado de minha esposa. Inclinei meu corpo um pouco e comecei beijar o rosto dela, ela sorriu e eu sabia que estava acordada.
- Acorda, Bella adormecida ...
- Hum ... Meu príncipe ... – ela sussurrou dengosa e abriu os olhos.
- Feliz desaniversário de casamento, amor. – beijei seus lábios levemente.
- Oh! É hoje ... Dez meses! – ela sentou na cama e coçou os olhos.
Levantei e peguei a bandeja, colocando-a sobre a cama, ao nosso lado.
- Pra você, amor! – sorri pra ela.
- Para nós! – ela me corrigiu.
Tomamos café num clima bem gostoso de celebração e paixão, mas como tudo o que é bom dura pouco, a hora passou voando e eu tive que ir trabalhar. Quando estacionei a pick-up, fui saudado por um Samuel nervoso que descia de seu Sentra meio velho.
- Cara, é hoje ... – ele sussurrou.
- Nem me lembre ... – suspirei – Será que eles vão divulgar o resultado ainda pela manhã?
- Acho que sim. Uma lista geral deve ser divulgada no site. – ele falou – E cada candidato aprovado receberá um e-mail com todas as suas notas detalhadas.
Nos despedimos e cada um seguiu seu rumo. No segundo andar do prédio, um Edward meio-nervoso, meio-agitado cumprimentou Kate e ligou o PC.
Meus dedos tamborilavam sobre a mesa, enquanto a máquina estava sendo ligada, fiquei naquela impaciência toda até que finalmente entrei no site do banco e constatei que ainda não havia resultado algum.  Rapidamente concentrei minha atenção no trabalho e o tempo foi passando, antes das nove, Harry chegou, nos desejou bom dia e completou.
- Edward, venha à minha sala, por favor.
Assenti e comecei a segui-lo. Ele fechou a porta atrás de nós, deixou sua pasta sobre o sofá e estendeu a mão para mim.
- Parabéns, filho! – seu sorriso era enorme e o aperto de mão evoluiu para um abraço – Bem vindo ao time de Gestores de Negócios!
A ficha caiu.
EU PASSEI!!! Gritei em minha mente.
- Eu passei? – perguntei quase sem acreditar.
- Claro, Edward! – ele desfez o abraço, mas ainda sorria – Isso é muito bom pra você, já que estamos sendo vendidos. É mais um ponto a seu favor.
- Eu tinha olhado no site do banco quase agora ...
- Oh! Eles vão divulgar a lista às 9hs. Mas eu sabia que você tinha chances, você é inteligente e esforçado.
- Obrigado, Harry.
- De nada.
Sai da sala de meu chefe quase pulando de tanta alegria. Eu passei! Queria contar pra todo mundo, mas primeiro eu queria dizer a minha esposa. Afinal, Bella era minha ajudante nessa empreitada toda.
Quem fazia café forte para que eu não tivesse sono? Quem corrigia meus trabalhos da faculdade e os enviava por e-mail para cada professor? Quem nunca reclamou da minha ausência depois do jantar ou da falta de tempo para ficar com meninos? Quem agüentou meu nervosismo e mau humor? Minha Bella fez tudo isso por mim.
Entrei no site do banco novamente e vi meu nome numa lista em ordem alfabética, Samuel também estava ali. Recebi um e-mail com as minhas notas das provas: nota 9,00 nas provas objetivas; 8,5 em redação; excelente em conversação de espanhol; conceito ótimo na dinâmica de grupo. Li tudo novamente, só para ter certeza que era eu mesmo.
- Kate, preciso ir em casa. – ela me olhou surpresa e assentiu – Volto em 15 minutos.
Eu nem entrei em casa, na varanda mesmo eu disse à Bella a boa notícia. Eu quase explodia de felicidade e queria dividir tudo com ela! Mas ainda havia uma coisa: torcer para que o banco não quisesse me transferir de Forks para outra cidade.
- Não pense nisso, vai dar tudo certo. – Bella tentou me tranqüilizar assim que expressei meu medo.
-Tem razão. – sorri - Agora preciso ir, só vim te dar a notícia pessoalmente. – beijei sua testa – Ah! Samuel também foi aprovado.
- Que bom! – ela sorriu.
Abracei minha esposa e logo voltei ao trabalho.
Os Uley haviam nos convidado para passar o Réveillon com eles na Reserva Quileute em La Push. Confesso que agradeci aos céus pelo convite. Eu temia que o primeiro Ano Novo sem os nossos pais transformasse a nossa noite em algo bastante melancólico. É claro que nos lembramos de nossos pais, não só deles, mas de todos os nossos amigos também. Porém ficar em casa e se afundar na tristeza não iria resolver nada. Nossa pequena-sobrevivente-família não mereceria isso.
O tempo esfriou rapidamente e começou a nevar, quase desistimos de ir a La Push, mas quando a neve deu uma trégua, pusemos os meninos na pick-up e pegamos a estrada. Chegamos um pouco cedo à casa dos Uley, mas foi melhor assim, os meninos e a pequena Claire ficariam com uma baby sitter enquanto estivéssemos na festa. Bella queria conhecer com certa antecedência a jovem que tomaria conta de nossos pequenos. Optamos por deixá-los na casa dos Uley, há menos de duzentos metros do galpão onde seria realizada a festa porque consideramos que seria uma tortura expô-los a barulho, música alta e grande fluxo de pessoas. Bebês gostam de sossego e seus horários não podem ser desrespeitados.
Não podíamos imaginar que uma festa de Réveillon indígena pudesse ser tão agradável e igual a qualquer outra. Na certa, eu e Bella quebramos mais alguns paradigmas em nossas mentes, desfazendo algumas idéias pré-concebidas.
- Nossa ... – sussurrei para ela, enquanto dançávamos – Eu não esperava esse tipo de festa e nem esse tipo de música.  
- E o que você esperava? – ela arqueou a sobrancelha – Festa da fogueira e dança da chuva?
- Quase isso! – sorrimos e dançamos até que resolvessem servir o jantar.
Por falar em jantar, que comida gostosa! Comemos salmão defumado com arroz selvagem e cogumelos ... Nunca tinha provado um salmão com gosto tão peculiar.  Faltando cinco minutos para a meia-noite, cumprimentamos os Uley e alguns quileutes que estavam próximos e voltamos para a casa de Samuel e Emily. Queríamos começar 2011 ao lado de nossos filhos. Encontramos os dois dormindo no carrinho, a pequena Claire dormia num bercinho móvel ao lado deles e a babá estava vendo TV.
Fizemos contagem regressiva, brindamos com champanhe e tentamos espantar a tristeza de nossos corações. Muitos fogos de artifício anunciaram 2011, eu abracei minha esposa e sorri em meio a lágrimas teimosas que eu tentava deter.
- Feliz 2011, amor. – sussurrei com a voz embargada, pois era impossível não me lembrar de mamãe e papai, Charlie e Rennè.
- Feliz ano-novo. – ela também chorava.
Ficamos abraçadinhos por um bom tempo, a chuva de fogos de artifícios aumentou lá fora, nos beijamos com paixão, desejando que 2011 começasse bem mais feliz que 2010. Os meninos foram despertados com o barulho dos fogos, mas ainda bem que não estavam assustados. Pegamos nossos anjinhos no colo, beijamos nossos filhos, desejando a eles um ano-novo de paz, saúde e amor. Eles ainda estavam com sono e rapidamente voltaram a dormir.
Ainda voltamos para a festa, dançamos mais e nos divertimos até quase 3hs da manhã. A neve parou de cair e resolvemos voltar para Forks. A estrada estava silenciosa, havia poucas pessoas nas ruas.
- Eu gostei muito da festa. – Bella sussurrou, pois meninos dormiam em suas cadeirinhas no banco de trás.
- Eu também. Os quileutes sabem se divertir. – bocejei.
- Cansado? – ela afagou meu rosto.
- Imensamente.
Assim que chegamos, os meninos acordaram para mamar e depois voltaram a dormir. O sono também nos venceu, dormimos abraçadinhos de conchinha, debaixo de um cobertor bem quentinho.
- EDWARD, NÃO!
- O que foi?! – acordei desorientado.
Bella estava suada, espantada e ofegante. Ela se jogou em mim, chorando em grande desespero. Seu corpo todo tremia, como se ela estivesse tendo espasmos. Eu ainda não tinha entendido quase nada.
- Bella ... shii ... o que foi, amor? – eu afagava suas costas, tentando acalmá-la – Um pesadelo?
- Oh! Edward ... – ela choramingou – Foi ... foi horrível ...
Puxei-a mais para mim, colocando-a em meu colo e comecei a enxugar suas lágrimas com as pontas de meus dedos. Depois de alguns minutos, ela pareceu melhorar.
- Quer me contar o que foi? – tive medo de perguntar e ela chorar mais ainda, mas eu precisava tentar.
- Uma ... uma coisa, uma medusa, eu acho. – ela sussurrou e soluçou - Uma mulher com serpentes amarelas na cabeça ... ela ... ela ... tirava você de nós ... Eu chorava, os meninos choravam, a gente te chamava mas ...
- Shii, amor! – abracei-a de novo – Ninguém vai me tirar de você e dos meninos. Ouviu? – ela assentiu com a cabeça – Não tem mitologia ou feitiço capaz de me fazer deixar vocês. Eu te amo, Bella e amo nossos filhos também.
Segurei-a firmemente aninhada em meu colo, sua respiração pareceu se estabilizar e eu comecei a cantar para ela. Eu queria que Bella esquecesse o sonho, mas confesso que fiquei preocupado. Já faz um bom tempo que eu aprendi a respeitar as verdades ocultas por trás dos sonhos de Bella, embora aquilo não fizesse sentido para mim.
Eu jamais a deixaria. Eu jamais deixaria nossos filhos.
- Eu estou aqui, meu amor. – sussurrei para uma Bella quase adormecida, ela sorriu.
Aos poucos, fui nos deitando novamente na cama, ela parecia dormir, mas foi só eu me afastar um pouquinho, para que Bella segurasse firme em meu moletom.
- Não ... Ed ...
- Eu estou aqui, amor. – abracei-a de novo – Com você, Bella.
Ela sorriu novamente e finalmente dormiu em paz.
Ainda fiquei quebrando a cabeça com seu pesadelo e deduzi que Bella havia ficado impressionada com o olhar de inveja da Donna no dia da festa de confraternização. Argh! Criatura detestável aquela! Lembrei-me do dia que levei o álbum de bebê dos gêmeos para mostrar as fotos deles ao pessoal do banco. Eu estava entrando na copa, Donna conversava com Margot, a copeira, elas falavam de mim, de minha família. Fiquei atrás da porta e escutei um pouquinho. Enquanto Margot falava que os meninos eram lindos, Donna sugeria que eu me casei tão jovem SÓ porque Bella estava grávida. Eu não gostei do jeito que ela falou de minha esposa.
Mas Bella não tinha com o que se preocupar, meu amor por ela sempre foi a maior coisa do mundo.
O cheirinho de ano-novo se misturava ao clima de fé e esperança. Um novo recomeço, uma nova chance de fazer melhor ... Cada virada de ano me trazia essa sensação de novidade.
E por falar em novidade, nossos meninos estavam cheios delas! Aos quatro meses de vida, eles nos surpreendiam todos os dias. Numa tarde de domingo, eu tava assistindo um jogo de beisebol na TV quando Bella me chamou.
- ED! Vem ver isso ...
A voz vinha de nosso quarto, em menos de trinta segundos cheguei lá. Bella estava na cama com os meninos, havia um monte de brinquedinhos coloridos ao redor deles.
- O que foi, amor? – os bebês viraram a cabeça na direção da minha voz e sorriram.
- Amor, eles estão rolando. – ela falou toda orgulhosa.
- Rolando? – não entendi, mas ela assentiu e sorriu – Rolando feito ... cachorrinhos?!
- EDWARD!
Ela olhou feio para mim, a comparação foi meio infame, mas eu segurei o riso, ela me mataria se eu sorrisse. Desconversei e me ajoelhei no chão, de frente para a cama, apoiei o meu queixo no colchão, ficando bem pertinho dos meninos. E dessa vez, quem se impressionou fui eu. Eles estavam deitadinhos de bruços, quando me viram ali, na mesma altura que eles, levantaram a cabeça e os ombros, usando seus bracinhos como apoio.
- Anthony ... Thomas ... vocês ... Vocês fizeram ‘mini-flexão de braços’? – sussurrei abobado.
Minha cara deve ter sido muito engraçada, porque os dois começaram a rir.
- OMG ... Papai, a gente já faz mini-flexão há mais de uma semana. – Bella falou com voz infantil.
- Sério?! – olhei para ela espantado.
Bella sorriu com vontade e os meninos riram de novo. Comecei a brincar com eles, mexendo em suas barriguinhas e qual não foi o nosso espanto?! Assim como Bella eles também sentiam cócegas!!!
- OMG ... Eles puxaram a mim! – ela falou orgulhosa – Também sentem cócegas!
Como todo Cullen é inteligente e sabe se sair de uma situação difícil, eles começaram a rolar para frente e para trás, tentando escapar das cócegas. Fiquei abobado de novo!
O jogo na TV foi completamente esquecido. Passamos um bom tempo ali, brincando com nossos pequenos e comemorando cada coisinha nova que faziam. Coisas do tipo brincar de esconde-esconde eram uma festa para eles. A gente pegava uma fralda de pano e escondia nossos rostos, quando nos mostrávamos de novo, eles sorriam e davam gritinhos. Quem diria que isso é divertimento? Um papai coruja, com certeza!
Também observamos que eles já brincavam sozinhos um pouquinho. Sentados em suas cadeirinhas de balanço, eles mordiam seus brinquedos e chocalhos, sorriam e emitiam seus barulhinhos estranhos. O problema era: um litro de baba por hora! Sim, as gengivas já estavam coçando, dali a alguns meses: dentes.
Mas as novidades não eram apenas me casa. O Bank Of West estava em processo de mudança, estava sendo comprado pelo Bank Of America. O clima de tensão era palpável, afinal poderia haver demissões e eu não era o único cheio de neuras por ali. Pra tentar acalmar os nervos, o presidente o banco, o Sr. Jack Jordan, marcou uma reunião por vídeo conferência com TODOS os funcionários do Bank Of West para o dia 10 de Janeiro, depois do expediente.
Para tentar acalmar os nervos em Forks, Harry marcou uma reunião para aquele mesmo dia, ANTES do expediente começar. Acordei super cedo naquela segunda-feira e cheguei ao banco às 6hs e 30min da manhã. A reunião começaria às 7hs, mas Margot prepararia um café da manhã coletivo. A idéia tinha sido de Kate, eu era seu ajudante e tinha que estar lá também.
A reunião foi bem informal e aconteceu na copa mesmo, puxamos as cadeiras e nos sentamos ao redor das mesinhas. Harry segurava uma enorme xícara de café com leite numa mão e um muffin de chocolate na outra. Ele pigarreou alto para chamar nossa atenção.
- Bem gente, como todos já sabem, Jack-manda-chuva vai falar hoje. – ele sorriu – E para poupar nossos nervos, vamos conversar um pouquinho.
Eu prestava atenção a cada palavra e expressão facial de Harry, embora ele não estivesse tão preocupado, eu estava apreensivo. Algo em mim dizia que mudanças drásticas estavam a caminho.
- Para começo de conversa, vamos parabenizar Edward Fields e Samuel Uley, os novos Gestores de Negócios do Bank Of West!
O pessoal nos parabenizou, aplaudiu e assoviou. Pela minha visão periférica, vi quando Riley olhou feio para Samuel.
- Bom, nossa reuniãozinha é apenas para compartilhar experiências. Quero deixar claro que uma fusão de empresas é algo bastante comum hoje em dia, mas que mexe muito com o psicológico dos funcionários.
- Mas isso não é uma fusão, não é Harry? – Irina o interrompeu – Afinal, nosso banco foi vendido. É uma aquisição.
- Eles querem que pensemos em fusão. – Harry falou sarcástico – Assim vai doer menos ...
- Eles quem? – perguntei.
- O conselho de acionistas do Bank Of America, nossos compradores. – Harry suspirou – Vamos deixar as nomenclaturas de lado e vamos ao que interessa. Como eu ia dizendo, numa fusão ou aquisição, o choque de culturas empresariais é maior do que se imagina e pode acabar comprometendo o processo de associação empresarial, caso não seja bem conduzido pela área de RH. Muitos empregados acham que fusão é como passar a dividir o mesmo barco com o inimigo.
- Dormindo com o inimigo! – Kate pensou alto e todos nós sorrimos.
- Pela minha experiência de vida, quero destacar algo para vocês, principalmente os mais jovens. – ele olhou diretamente para mim e sorriu - Nesses tempos de incerteza, manter o foco no trabalho e no desempenho é o grande diferencial. Vocês não podem se abalar e nem perder o ânimo. – os olhos dele pousaram em cada um de nós à medida que falava – Fusão não é apenas sinônimo de incertezas e demissões. Haverá oportunidades de crescer dentro do banco, estejam atentos às oportunidades. Seja quem for seus futuros chefes, ajam com naturalidade, solidariedade e profissionalismo, evitem atitudes infantis.
- Você vai sair daqui? – perguntei meio aflito.
Senti angústia. Harry exercia uma figura paterna para mim, não queria perdê-lo também.
- Ainda não sei Edward. – ele estava sério agora – Mas sei de algumas novidades e gostaria de repassar logo para vocês. Assim ninguém vai ser pego de surpresa. – ele fez uma pausa – Irina ...
Ela sorriu e se levantou da cadeira antes de falar.
- Bem gente ... eu ... vou morrer de saudades de todos vocês aqui. Mas, finalmente consegui minha transferência para Seattle!
- Aaahhh .... – dissemos em coro num misto de surpresa, alegria e tristeza.
Todos cumprimentamos nossa colega, afinal era unanimidade: ela era muito querida por todos.
- Vai ser bom pra mim. – ela sorriu – Vou poder fazer uma pós-graduação e ...
- Vai ficar mais perto do Collin ... – Kate falou zombeteira e todos rimos.
Collin era o namorado de Irina, ele era professor em Seattle e os dois só se viam nos finais de semana.
- Quem sabe agora esse casamento não sai? – Margot completou, fazendo Irina corar.
- Para o lugar de Irina, uma nova Gerente virá da sede do banco. – Harry completou - Eu não a conheço, mas sei que se chama Tanya Denalli, ela chegará na próxima segunda-feira e vai pessoalmente montar sua equipe de trabalho.
Tanya Denalli ... aquele nome não me era estranho ... Ah! Lembrei, a loira da entrevista de espanhol. Mas aquela mulher não era ... Diretora? Ela foi ‘despromovida’? Isso era estranho.
- Isso quer dizer que temos chances de ser demitidos? – Mark perguntou aflito.
- Não, isso só quer dizer que agora temos três Gestores de Negócios.
- Quatro. – Donna interrompeu Harry bruscamente – Eu posso até estar trabalhando na Unidade de Pessoas Físicas, mas tenho formação para ser Gerente de Negócios. – ela completou ressentida.
Há três meses ela estava trabalhando com Riley porque uma de suas funcionárias estava de licença maternidade.
- Desculpe, Donna, eu me esqueci. – Harry falou sem se importar muito e continuou – Nossa necessidade era de apenas dois Gestores de Negócios, mas como o banco está crescendo e a economia local também, talvez precisemos de mais gente. Quem sabe Edward e Samuel não precisem ser transferidos de Forks. – ele olhou sugestivamente para mim, pois sabia mais ou menos de minha situação de testemunha da Justiça – Porém, se alguém tiver o desejo de mudar de agência, a hora é essa. É só me dizer, será mais fácil transferir quem quer ser transferido.
- Eu não gostaria. – Mark falou.
 - Eu iria para uma cidade maior. – Samuel disse.
Os outros disseram suas opiniões. Eu fiquei calado, Harry já sabia a resposta. O resto do dia passou rápido, na hora do almoço eu avisei a Bella que chegaria mais tarde à noite, porque teríamos a reunião por vídeo-conferência. Na hora marcada, chegamos à sala de reuniões e nos sentamos de uma maneira bem formal e tensa. Afinal, do outro lado da tela estaria o presidente do banco, ele nos veria e nós o veríamos.
- Todo mundo botou perfume? – Kate falou zombeteira – A gente vai aparecer na TV deles!
Todo mundo sorriu, por alguns minutos a tensão se evaporou. Harry pediu que desligássemos os celulares, mas eu deixei os meus (o normal e o prateado do FBI) no modo silencioso. Qualquer pessoas entenderia SE eu pudesse explicar as razões da minha intensa vigilância em minha família.
A transmissão começou. Um senhor de meia-idade, usando um terno elegante se apresentou como Jack Jordan, presidente do banco. Tentei captar as suas palavras de seu discurso.
“A fusão do Bank Of West e o Bank Os America é fruto de uma intensa negociação de 13 meses. A partir de hoje, o America é dono de 75% do West e a Holding Banks Of America terá um ativo de U$ 650 bilhões de dólares. Para nós é um motivo de orgulho fazer parte desse conglomerado financeiro.Somos um pequeno banco e precisamos de apoio para crescer e operar com mais agressividade na costa oeste. Para os nossos correntistas não haverá grandes mudanças, exceto pelas mudanças nas cores dos caixas eletrônicos.  No longo prazo, esperamos ganhar projeção em todo o país, de leste a oeste,  trabalhando em escala nacional e competindo com qualquer outro banco. A meta é: em cinco anos ter agências da Califórnia à Flórida. Não queremos que vocês fiquem preocupados com as mudanças, não haverá demissões e sim um rearranjo de nossas equipes de trabalho. Nossa fusão não é fruto de crises internas ou externas, mas é fruto do desejo de crescer e se fortalecer no mercado financeiro. Por isso, queremos contar com nossos 5.378 funcionários, queremos que vocês trabalhem com afinco para que nosso banco continue sendo um dos melhores bancos do país.”
Assim que o velho terminou de falar, todo mundo bateu palmas e assentiu fervorosamente. Fiz o mesmo, mas foi ridículo! Ele murmurou um ‘boa noite’ e a transmissão terminou. Em menos de quinze minutos, eu já estava em casa, durante o jantar, contei a Bella tudo o que aconteceu.
- Vou sentir saudades da Irina. – ela suspirou, enquanto colocava a louça suja na lavadora – Eu pensava que ela ia ser sua chefe.
- Eu também. – falei enquanto enxugava uma panela – Mas ela está feliz, afinal ficará mais perto do namorado. – sorri torto.
- Bom para ela. – Bella sorriu – Eu não agüentaria ficar longe de você.
- Não? – larguei a panela e abracei-a por trás – Nem eu ... – beijei seu pescoço, fazendo-a se arrepiar.
Eu nunca tinha visto tanta neve na minha vida! A avenida principal da cidade estava toda branca.

A temperatura estava em torno de -8ºC, mas os ventos intensos davam uma sensação térmica de -14ºC. Argh!
Em nossa casa não faltava lenha e a lareira era usada diariamente. Bella não descuidava de nada, os meninos viviam agasalhados, ela tomava muito suco de laranja e ingeria tudo o mais que pudesse ter vitamina C. Assim, seu leite seria forte e os meninos teriam menos chance de gripar. Sopa era o prato do dia, todos os dias no jantar! E quem queria comer outra coisa? Depois de um dia de trabalho, uma sopinha de batata e bacon era tudo de bom!
Aquela semana passou ligeiro, chegou o dia 17, Tanya Denalli chegaria naquele dia. Eu estava ansioso, afinal ela seria minha chefe. Mas algo dentro de mim me deixava inquieto, atribui o sentimento a saudade que sentiria de Irina. Afinal eu ACHAVA que ela seria minha chefe!
A mulher entrou em grande estilo no banco, usando uma elegante saia preta longa, uma blusa cinza de mangas compridas e meia calça grossa. Ela já era alta, mas usando aquelas botas de saltos altíssimos, ficou maior ainda. Percebi que Riley olhou pra ela como se ela estivesse nua. Achei grosseria da parte dele. Ela era bonita, é verdade e mesmo SE fosse meu tipo de mulher, eu não olharia daquele jeito tão desconcertante. Acho que ela percebeu os olhares dele, porque estreitou um pouco os olhos, acho até que não gostou.
Ela passou a manhã toda reunida com Harry em seu escritório. À tarde, ela se reuniu comigo, Samuel, Donna e Mark. Fiquei nervoso, com medo de ser transferido.
-Boa tarde. – ela sorriu – Sou Tanya Denalli e fui designada para Forks. Espero que tenhamos muito sucesso em nossa empreitada, esse será um ano de muitas conquistas ...
Por que será que eu estou sempre achando que essa mulher está ME encarando? Será que meu nariz tá melado? Baixei o olhar e fingi anotar algo na agenda.
- Devemos aproveitar as oportunidades e ganhar terreno nos negócios. – ela continuou – A Península de Olímpia está vivendo um boom econômico e temos que garantir o espaço de nosso banco. Nossa meta para 2011 é manter as atuais empresas clientes e conquistar TODAS as novas empresas que estão chegando aqui.
Mais uma vez eu percebi um ‘ar felino’ naquela mulher. Eu não sabia se isso era uma qualidade ou um defeito.
- As empresas locais devem nos ver como uma mão amiga, um aporte financeiro para seu crescimento, um incentivo para seus novos negócios. Queremos emprestar dinheiro a eles. – ela voltou a me encarar – Devemos dar a eles o que eles querem e receber em troca a exclusividade de suas operações financeiras.
Ela fez uma pausa, parecia nos avaliar.
- Por isso, preciso de todos vocês. – eu quase pulei da cadeira de tanta felicidade – A antiga gestora fez um bom trabalho. – ela abriu uma pasta – Temos muitos dos empreendedores locais como clientes. Percebi que eles confiam no banco.  – ela voltou a nos encarar – Mas eu quero mais. Por isso, eu conto com você, Mark. – ele assentiu – Donna, Samuel e ... Edward.
Por que diabos ela me encarava tanto?
- Alguém quer acrescentar alguma coisa? – houve um minuto desconcertante de silêncio – Eu quero: que cidade fria!
Ela se encolheu, fingindo tilintar de frio e nós sorrimos. Ela sorriu também. Mas por que aquele sorriso parecia ser tão bem ensaiado?
Os dias seguintes foram frenéticos para mim. Mudei de sala, agora eu ocupava uma mesa na imensa sala do primeiro andar do banco, junto com Mark, Donna e Samuel. O escritório privativo era de Tanya. O resto da semana foi de adaptação para mim, eu prestava atenção a tudo, lia muito e estudava como agir em meu novo cargo. Por enquanto não havia muito trabalho. Havia conselhos e lições que Mark e Tanya passavam para nós.
Aos pouco, o gelo foi sendo quebrado. Percebi que nossa nova chefe era muito solícita e gentil. Acho até que fui um pouco rigoroso em meu julgamento inicial. A pobrezinha talvez até nem estivesse me encarando tanto. Talvez fosse puro nervosismo, afinal, nós meio que tínhamos nos conhecido naquela entrevista de espanhol.

- Sua família? – ela me perguntou na sexta-feira, enquanto olhava para uma foto minha e de Bella com os bebês.
- Sim! – sorri orgulhoso – Esta é Isabella, minha esposa. Estes são nossos filhos, Anthony e Thomas.
- Oh! Eles são lindos. – ela sorriu.
- Sim, são mesmo! E a cada dia estão mais e mais fofos. – corujei – Nesta foto, eles estão com dois meses, mas agora já estão com quase cinco, estão bem pesadinhos e ... – parei abruptamente – Desculpe, Tanya! Quando começo a falar de minha família, não paro mais ...
- Que é isso, Edward! – ela sorriu e puxou uma cadeira – Eu adoro crianças! Você tem outras fotos deles?
Peguei o celular e mostrei várias fotos nossas. Ela elogiou, dizendo que Bella sabia cuidar muito bem dos meninos, que eles eram bem coradinhos e fortes e que estávamos de parabéns.
Neve para todos os lados impediu muita gente de sair de casa no sábado, mesmo assim eu precisava comprar umas coisas no Triftway (o Newton’s não abria aos sábados por causa da religião deles). Bella queria frutas e verduras frescas e não tinha tido tempo de comprá-las no dia anterior. Quando passei pela frente do Martha’s, quase não reconheci sua fachada devido a tanta neve que havia lá!

Peguei um carrinho e comecei a colocar nele o que havia na listinha de Bella: abóbora, brócolis, tomate, cebola, alho, uva, maçã, laranja ... Êpa! Que preço absurdo é esse? Peguei o celular.
- Bella, as laranjas estão custando os olhos da cara. – sussurrei – Ta quase 50% mais caro que no Newton’s. Você ia usá-las para alguma receita especial?
- Só para sucos mesmo. – ela fez uma pausa – É melhor trazer limões, então ...
- Ok. Até daqui a pouco, beijo.
- Beijo.
Fiquei orgulhoso de mim! Quando nos casamos eu não sabia preço de quase nada. Agora, sabia preços de feijão a pomadas pra assaduras! Um homem de família ... pensei ... Um homem de família feliz! Completei e continuei com as compras.
- EDWARD! – eu conhecia aquela voz.
Quando me virei, me deparei com uma Tanya muito agasalhada, empurrando um carrinho. Ela sorriu e veio na minha direção.
- Oh! Mas que mundo pequeno! – ela completou.
- Cidade pequena. – corrigi – Afinal, só temos dois supermercados.
- É mesmo! – ela sorriu, acho que esperava que eu puxasse mais assunto – Sua esposa está por aqui? – ela olhou ao redor.
- Não. A babá dos meus filhos está gripada e não veio trabalhar. – expliquei – Bella está em casa com eles agora.
- Entendi. – ela fez uma pausa – O tempo está bastante frio mesmo! Aprendi com papai que este é o tempo ideal para uma degustação de vinho e queijo. Eu tenho em casa uma garrafa de Cabernet Sauvignon francês, da safra de 1996 e vim aqui comprar os queijos ideais para acompanhá-lo. – ela apontou para o carrinho – Vou levar camembert, roquefort e brié. Logo mais à noite serão o menu ideal à beira da lareira. – ela sorriu – Que tal?
- Acho que você acertou nos queijos. – respondi de imediato.
- Não, eu estou perguntando de você não gostaria ... Você e sua esposa, de ir lá em casa para degustarmos o vinho juntos.
- Oh! Obrigado pelo convite. – fiquei meio sem jeito – Mas como a babá está doente, nós não temos com quem deixar os gêmeos.
- Ah! Tudo bem ... – ela pareceu decepcionada – Quem sabe outro dia, não é?
Assenti e me despedi dela rapidamente, Bella esperava por mim e queria aquelas verduras para preparar o almoço. O pessoal de Forks era acolhedor e comunicativo, mas Tanya era ... Sei lá! Convidativa? Não encontrei a palavra certa. E também não senti vontade de aceitar seu convite. Eu tinha coisas melhores pra fazer com Bella num sábado à noite DEPOIS que os meninos fossem dormir ...
O domingo começou com mais neve. No rádio, a polícia e o serviço de resgate dos bombeiros pediam que as pessoas ficassem em casa. Houve acidentes nas estradas, pois as pistas estavam muito lisas e a visibilidade era péssima. No começo da noite faltou energia em quase toda a região, Charlotte ligou para o celular de Bella para dizer que de La Push à Beaver não havia eletricidade. Peter pediu que ela nos avisasse e que ficássemos MESMO em casa.
Como não havia eletricidade, não haveria aquecimento nos quartos e seria humanamente impossível dormir sem os aquecedores. O jeito foi improvisar.
- Bella, os meninos vão congelar se ficarem no quarto. – falei depois de um jantar à luz de lanterna.
 – Vamos levá-los pra nossa cama. – ela falou.
Fizemos isso, mas não deu certo. Mesmo com os dói entre nós, estava muito frio ainda.
- Não vai dar pra dormir desse jeito. – murmurei.
- Ainda é cedo, amor. – ela sorriu.
- Eu sei, mas tenho medo de dormir com eles entre nós. – suspirei – Posso acabar machucando os dois. – fiz uma pausa – Já sei. – levantei da cama – Vamos acampar na sala!
- Vamos?! – ela perguntou desconfiada.
- Volto já. – me inclinei e dei um selinho nela – Vou lá fora pegar mais lenha.
Peguei uma capa de chuva enorme e a vesti rapidamente. Os feixes de lenha estavam embaixo de uma grossa lona, no jardim dos fundos, eu carregava uma lanterna grande e não enxergava um palmo à frente de meu nariz. Em duas viagens, coloquei lenha suficiente na área de serviço, tranquei a porta e as levei para a sala. Tirei a capa de chuva e voltei ao quarto, Bella estava sentada na cama. Os meninos dormia ainda ... mas quando o frio os acordassem, o choro seria intenso.
- Trouxe lenha, vou acender a lareira. – ela assentiu e eu sai do quarto.
Voltei pouco tempo depois, pegamos os meninos e os colocamos no carrinho. O jeito era os dois dormirem no carrinho e próximos à lareira. Quanto a mim e à Bella, nos arranjaríamos no chão mesmo! Ela forrou três edredons sobre o tapete, pegou nossos travesseiros e outro cobertor pesado para nos cobrir.
Deitamos abraçadinhos. Mas cadê o sono?
- Amor, você tá dormindo? – ela perguntou.
- Não.
Ela esticou a mão e pegou seu MP3 player que estava sobre a mesinha de centro. Pegou um fone e colocou em meu ouvido e outro fone no ouvido dela.


- Eu amo esse tango, sabia? – ela sorriu e se aninhou mais a mim.
- Sabia. – beijei sua testa – Ele é muito romântico.
- Mamãe dizia que tango era a dança mais sensual do mundo ... Nós nunca dançamos tango ...
- Nunca, até hoje. – sorri e nos fiz ficar de pé – Dance este tango comigo, Sra. Cullen.
Ela sorriu e assentiu.
Comecei a fazer uns passos que eu achava ser tango, ela enroscava as pernas nas minhas, eu colava nossos rostos e a levava de um lado para o outro.
- Será que isso é mesmo tango? – ela sorriu.
- Não sei, mas é sensual. – puxei mais o corpo dela para mim e sorri.
- Muito sensual ...
Nossos lábios se encontraram com paixão, buscando calor. De um beijo ardente numa noite de nevasca, tudo evoluiu para amor sobre edredons.
Uma parte bem pequena de meu cérebro registrou que embora os meninos estivessem ali, o carrinho deles estava de costas para nós. Eles não nos veriam.
Mas eu vi Bella iluminada pelo fogo da lareira, gemendo e chamando meu nome. Vi e senti sua pele se arrepiando de desejo e se aquecendo de luxúria a cada toque meu. Senti seu calor me envolvendo assim que entrei em seu corpo. Vi seu sorriso de doce entrega e gozo. Vi seus olhos chocolates se fecharem quando ela se entregou ao sono em meus braços. Vi tudo isso e me senti feliz.
Na manhã seguinte, todo mundo no banco só falava da intensa nevasca, todos tinham histórias pra contar. Tanya apareceu com um semblante abatido, parecia que ela não dormia há dias. Donna perguntou se ela estava bem.
- Não. – ela tinha uma voz cansada – Não preguei os olhos esta noite! Descobri que não tinha lanternas ou velas em casa e muito menos lenha para acender a lareira. Passei a noite morrendo de frio, assustada com os uivos dos lobos.
- Lobos? Onde você mora? – Samuel perguntou.
- Em Beaver, à beira do Lago Pleasant. – ela respondeu.
- Puxa, ali só tem mansões isoladas. – Mark concluiu.
- Isolada é a palavra! – ela falou – Nunca me senti tão isolada em toda minha vida.
Ela pediu licença e entrou em sua sala.
Fiquei sensibilizado com sua situação.
É difícil começar a vida numa cidade nova, sem conhecer nada, nem ninguém. Engoli em seco. Agradeci a Deus por ter minha família.
Bella, Anthony e Thomas faziam de mim o homem de família mais feliz do mundo.