Rendição
Enquanto Edward saía para dar ordens a seus homens, Isabella descia às escadas.
— Bom dia! — ela disse em sua melodiosa voz — Hoje vai ser um lindo dia de sol, não é Edward?
Ele deteve-se e esperou que ela o alcançasse. Sem dúvida, sua noiva era uma visão encantadora. Seu vestido era amarelo e não passou despercebido ao Laird que desde o dia em que ela descobriu o quarto de costura, nunca mais deixou de usar em suas vestes algum adereço feito com o tartan do Clã. Naquela manhã, seu lindo vestido era adornado com um xale que tinha as cores do Clã. Edward respirou fundo e tentou se recompor. Se já estivessem casados, ele sabia exatamente o que faria naquele momento. Edward a pegaria no colo, a levaria de volta à sua cama e depois, com muita calma, tiraria as roupas dela.
Definitivamente, ele não poderia fazer isso sem fazer amor com ela.
“Inferno”, ele praguejou em pensamento. Para ele era impossível agüentar mais cinco meses sem deitar-se com ela, por isso decidiu que assim que retornasse, ordenaria ao Padre que abençoasse a união deles. Emmett havia lhe sugerido que esperasse seis meses para poderem se casar, pois o amigo havia lhe advertindo que se Isabella ficasse grávida imediatamente depois do casamento, alguns poderiam pensar que o bebê era de outro homem. Edward tinha outra solução. Saberia que o bebê era dele e mataria qualquer homem que sugerisse o contrário.
Pensou lhe dizer imediatamente que se casaria com ela assim que ele retornasse, mas logo mudou de opinião. Anunciaria sua decisão enquanto o Padre estivesse preparando a cerimônia.
— Enquanto eu estiver ausente, Jasper tomará conta de tudo. Caso tenha algum problema, fale com Alice ou com ele e ele saberá o que fazer. — Edward disse a Isabella.
— Posso perguntar aonde vai? — disse Isabella.
A pergunta o confundiu. De acordo com o seu entendimento, ele já havia lhe dito quais eram suas intenções. Ela teria se esquecido tão rápido?
— Para a guerra, Isabella.
Ela quase desmaiou.
— Agora? Você está indo para a guerra agora?
— Por que está tão surpresa? Eu lhe disse que iria.
A Princesa agarrou a mão dele e a segurou com força para que ele não escapasse sem lhe explicar tudo.
— Tudo o que você disse foi que iria matar Mike Newton.
— Ah, quer dizer que você se lembra. Agora, solte a minha mão para que eu possa…
— Não! Você não pode ir para a guerra desse jeito, Edward. — Isabella não podia acreditar no que estava ouvindo.
Será que, naquele dia, ele teria se levantado, tomado o café da manhã, reunido seus homens e suas armas, e agora pensava que simplesmente podia cavalgar para a batalha? — Você não está preparado.
— Como assim, não estou preparado?
Será que alguma vez ele tinha ido a uma guerra antes? Claro que não! Era por isso que não sabia o que deveria ser feito.
— Primeiro, você deve declarar guerra. — ela o instruiu — Depois, deve esperar semanas e até meses, se preparando. Terá que fazer armas e carregá-las em uma carroça, terá que empacotar comida para o sustento dos homens durante a batalha, e todo o resto do equipamento necessário deve ser apropriadamente colocado nas carroças e levado para que você tenha todos os confortos essenciais.
Edward não podia acreditar no que ouvia! Sua linda, doce e gentil Isabella estava preocupada com seu bem estar e segurança. Ele conteve o ímpeto de abraçá-la, mas com um braço, rodeou sua cintura, trazendo-a para sai. Quando a noiva terminou de falar, ele segurou o riso e perguntou:
— Então me explique quais são esses confortos tão necessárias para mim.
Ela pensou no que os nobres ingleses levavam com eles quando iam à guerra.
— Você precisa de uma tenda forte para que te abrigar da chuva, e um tapete para pôr dentro da tenda para que quando se levantar da cama não tenha que caminhar descalço no chão frio.
— Quer dizer que devo levar a cama comigo?
— Alguns nobres levam.
— E quanto ao vinho? Quantos barris devo levar comigo?
Ela ainda não havia notado o sarcasmo na voz do noivo.
— Tantos quantos você achar necessário. — ela disse — Há regras que você deve seguir, Edward. Em uma guerra civilizada …
Ele achou muito afetuosa a preocupação da noiva, mas resolveu encerrar o assunto.
— A guerra nunca é civilizada, e você acaba de me descrever como os ingleses se preparam para a guerra. A esta altura, você já deveria ter notado que eu não sou inglês.
— Ainda assim, você deve se preparar.
Edward viu preocupação nos olhos da noiva. Ele facilmente soltou sua mão da dela e a envolveu pela cintura com ambas as mãos, colando mais ainda seus corpos.
— Isabella, eu tenho minha espada, meu arco, e um cavalo forte. Não preciso de mais nada.
— Então, eu rezarei para que termine sua guerra o mais rápido possível e que não venha a passar frio, fome ou sede.
Ele inclinou seu rosto e a beijou profundamente. Quando o ar tornou-se escasso, ela falou ofegante.
— Você vai voltar para mim?
— Sim.
Em se seguida, ele se foi.
Já fazia quatro dias e quatro noites que Edward e seus guerreiros tinham saído da fazenda quando Lady Tanya Stewart, viúva do Barão James Stewart, chegou para visitar sua irmã.
Isabella estava muito curiosa em conhecer a mulher com a qual Edward tinha tido intenções de casar-se. Ela tentou convencer-se que não se importaria se Tanya fosse bonita ou simpática, não sentiria ciúmes dela. Podia até ser que ele a tivesse amado. Mas Isabella não ficaria com ciúmes.
Em sua cabeça, Edward não a amava. Ele aturava sua presença e se esforçava para ser gentil simplesmente por causa de uma estúpida dívida. Isabella tinha a absoluta certeza de que Edward não a amava. Ele não a odiava, de certo, mas não a amava ...
Será que Tanya amava Edward? E como poderia não amá-lo? Ele era um homem atraente, viril, forte, o tipo protetor. E se Tanya o amasse, tanto fazia. Ainda assim Isabella não sentiria ciúmes.
Sim, definitivamente, Isabella não teria razões para hostilizar a mulher. Talvez até a achasse simpática.
Mas não foi isso o que aconteceu. Depois de passar cinco minutos com a mulher, Isabella soube que nunca poderia achá-la simpática. A razão era simples: Lady Tanya era prepotente e, além de tudo, perversa.
Irina apresentou Isabella a sua irmã. Tanya era muito mais alta e magra que a Princesa. Não parecia ter muitas curvas e tinha a aparência de uma estátua. Seu cabelo loiro era tão comprido que tocava a cintura e a cor de sua pele era muito pálida. Longos cílios envolviam seus olhos azuis. Tanya era bonita, e sabia disso.
A mulher jogava o cabelo por sobre o ombro com a parte de trás da mão num gesto largo e ensaiado para atrair a atenção para seus cachos dourados.
— Tanya, esta é Lady Isabella. — disse Irina — Contei a ela que você e o Laird Cullen iriam se casar.
Tanya olhou fixamente para Isabella enquanto perguntava a sua irmã.
— Você também lhe contou que meu marido morreu, e que agora estou livre para me casar com Edward? E contou a ela que eu tenho a intenção de fazer isso?
Lady Tanya não obteve de Isabella a reação que esperava. Ao contrário, Isabella estava tão surpreendida pelo que tinha ouvido que caiu na risada. A Princesa considerou frívolas as palavras daquela mulher e tinha plena certeza que Edward não mentiria.
— Pare de rir! — exigiu Tanya — Eu não disse nada engraçado.
— Eu poderia lhe oferecer minhas condolências pela perda de seu marido, mas ao que parece, você já superou a perda.
Tanya agitou o indicador em direção a Isabella.
— Eu já escutei muito a respeito de você.
— É mesmo? Eu também já escutei muita coisa de você. — Isabella replicou.
— Duvido. Não sou assunto para ninguém. Afinal, eu não sou uma prostituta.
Isabella encolheu os ombros com desdém e essa ação incitou ainda mais a ira de Tanya.
— Edward não se casará com uma prostituta e é isso o que você é.
Isabella sabia que Tanya desejava que ela a enfrentasse, mas não iria dar esse gosto para ela.
— Desfrute de sua estadia na fazenda, Tanya. Mas lembre-se, você sabe muito bem o que fez no passado. — ela percebeu quando Tanya arregalou os olhos — Mantenha-se além dos muros que dão acesso ao castelo. Nós duas sabemos que você não é bem-vinda ao castelo Cullen e embora Edward esteja fora, ele ficaria sabendo se alguma ordem sua fosse desconsiderada.
Assim que terminou de falar, Isabella não esperou por uma resposta da vil mulher, rapidamente se afastou dali.
Naquela tarde, enquanto Isabella tecia mantas na sala de costura, pensou em Tanya e no que lhe havia dito.
Algum dia, depois que se casasse com Edward, ela lhe diria que o tinha salvado de um destino pior que a morte. Sim, ela o tinha salvado de Tanya.
Não muito longe dali, Edward seguia para a guerra. Uma guerra que não foi nem um pouco civilizada. Foi sangrenta e muito dura.
O Laird Cullen não tentou atacar de surpresa. Assegurou-se de que Newton soubesse que se aproximava enviando mensagens aos Clãs dos arredores e o fazendo saber que estava disposto a vingar seu irmão.
Quando as notícias chegaram à fazenda Newton, o Laird reuniu seus soldados para a batalha, mas não teve tempo de chamar seus aliados. Newton jurara que os Cullen nunca poriam um pé em suas terras, por isso, encontraria o inimigo de frente e lhe daria o primeiro golpe.
Mas Mike Newton nunca trocava de estratégia, pensava que o que tinha funcionado no passado poderia facilmente funcionar no presente. Sua brilhante estratégia apenas consistia em atacar e retroceder, sempre desse jeito, numa onda de sucessivos ataques. Embora seus homens não fossem tão bem treinados quanto os guerreiros Cullen, eram em maior número, e Mike sabia que podia mobilizar homens descansados depois de cada ataque. O coração do perverso Laird não lamentava a morte de seus guerreiros, para Mike, eles não passavam de soldados. Ele também tinha outra vantagem: seus arqueiros. Assim que o Laird Cullen descesse pela montanha para cruzar as planícies, não haveria lugar onde seus guerreiros pudessem se esconder, os arqueiros Newton estariam esperando por eles.
Mas Edward contava com a estupidez de Newton.
Nunca passou pela cabeça do Laird Newton que os Cullen pudessem cruzar a planície na escuridão da noite. Afinal, nem sequer os tolos tentariam atravessar o que não podiam ver. Sem luz, os cavalos podiam tropeçar e cair. Mas os Cullen não montaram seus cavalos, guiaram-nos silenciosamente através da planície durante a fria, escura e densa noite. Quando amanheceu, eles haviam se posicionado num extenso círculo atrás das linhas inimigas. Os guerreiros Cullen avançaram com ímpeto, forçando os Newton a entrar em combate ou fugir. A maioria deles fugiu.
Assim que conseguiram encurralar os Newton no vale, lutaram com as espadas e os punhos. Já que os Newton lutaram como os verdadeiros covardes que eram, a batalha foi rapidamente vencida. Um deles até tentou usar outro como escudo contra a espada do Laird Cullen. Edward matou a ambos com um único golpe, a lamina cortou através dos dois corpos justo debaixo de seus corações.
O Laird Edward sempre era o primeiro a entrar em batalha, pois como um verdadeiro general, ele guiava seus homens. Newton sempre era o último, brigando somente quando não corriam um grande risco de ser morto.
Os corpos cobriram o vale como folhas de taboa cobrindo um pântano. Em busca do Laird, cada Newton morto era revirado, mas não o encontraram. Edward se deteve de pé, em meio à carnificina, com a espada gotejando sangue dos Newton, enfurecido porque o Laird Newton tinha escapado.
— Encontrem-no! — rugiu a voz do Laird Cullen.
Newton continuou escondido, mas a caçada continuou afinal ratos não vivem em tocas para sempre. Enquanto isso, a fazenda Newton foi sitiada. Ninguém, homem ou mulher, velho ou criança, poderia entrar ou sair da propriedade. Mas Edward não era um guerreiro desumano, assegurou que não faltasse água ou comida para o povo indefeso. Seus guerreiros entraram triunfantes na fazenda Newton, mas respeitaram os mais fracos.
Enquanto isso, a caçada ao Newton durou três longos dias e noite. Por fim, encontraram-no escondido como um covarde em uma gruta perto do penhasco que se erguia sobre o Lago Gornoch. Com ele, havia dois soldados Newton, com as espadas na mão, fazendo guarda diante de seu Laird.
Num pulo, Seth saltou de seu cavalo e correu o lado de Edward.
— Fique onde está. — ordenou Edward.
Seus olhos estavam fixos em Newton enquanto os dois soldados saíam apavorados, tentando salvar suas vidas.
Agarrando a espada com ambas as mãos, Edward levantou os braços sobre a cabeça.
A última imagem que Mike Newton viu foi uma sombra indistinta que se erguia sobre ele.
O último som que ouviu foi a música da espada de Edward Cullen.
Isabella estava em frente à janela da sala de costura observando um grupo de meninos brigando com espadas de madeira. Ouviu que um deles gritava que era sua vez de ser o Laird Cullen, e logo compreendeu que isso significava que era a sua vez de ganhar. Sempre havia dois ganhadores em seu imaginário campo de batalha, Edward e Jasper. Ela se perguntava se Edward e seu irmão sabiam o quanto eram admirados pelo seu Clã.
Ouvir a risada de crianças alegrou o coração de Isabella. Apesar de Jasper e Alice não terem deixado de lhe dar atenção, ela tinha estado muito melancólica desde que Edward se foi, e fazia muito tempo que ele estava ausente. Estaria seguro? ‘Por favor Deus, cuide bem dele’ ela rezou em pensamento.
Isabella sabia das maldades de que Mike Newton era capaz, já que havia provas de que ele tinha planejado o seqüestro, a tortura e o assassinato de Jasper. Nos últimos dias ela tinha ouvido numerosas histórias sobre o Laird Newton, e cada uma delas pintava a imagem de um tirano que usava os outros para levar a cabo seus sádicos e gananciosos planos. Sua lealdade para com seu Clã só se estendia até o benefício que recebia para si mesmo. Se seus seguidores o irritavam, eram expulsos, ou ainda pior, assassinados. Ele até chegou a usar mulheres e crianças como escudo contra ataques de Clãs vizinhos! Ao colocá-los perto das muralhas da fortaleza, ele fazia questão que seus inimigos soubessem que os primeiros a morrer seriam justamente os mais indefesos.
Enquanto Isabella escutava cada uma destas horrendas histórias, pensava no homem que tinha conhecido na Abadia de Arbane. A generosidade do Laird Newton para com os monges sem dúvida tinha sido parte de seu plano. O Abade tinha sido enganado assim como ela. Quando foram apresentados, Isabella tinha pensado que o homem era amável e gentil, mas agora que sabia da verdade, repreendia a si mesma por fazer julgamentos apoiados apenas nas aparências. Equivocou-se com respeito a ele, e também se equivocou ao julgar Edward. Se tivesse olhado apenas para os modos rudes de seu noivo, nunca teria descoberto a beleza de seu coração.
Suas divagações foram interrompidas por insistentes batidas na porta.
— Princesa? Sou eu, Sue.
— Pode entrar. — Isabella respondeu.
— Desculpe interromper, mas Lady Esme solicita sua presença. — Sue falava em meio a arquejos.
— Sue? Está tudo bem com você? — Isabella questionou preocupada.
A empregada apenas assentiu com a cabeça.
— Pois bem, faça Lady Esme entrar.
— Princesa, Lady Esme não está aqui. Ela está na casa de Kate, uma das mulheres do Clã. A pobrezinha deu à luz esta manhã ...
E de repente, os olhos de Sue ficaram marejados de lágrimas.
— O que aconteceu de errado? Por que você ...
— Kate morreu no parto ... — Sue sussurrou — Venha, Princesa, Lady Esme está muito aflita.
Isabella seguiu a empregada, desceu as escadas, saiu do castelo e caminhou por alguns minutos, tendo sempre Jared com seu guardião. Eles pararam em frente a uma casinha amarela muito simples, limpa e arejada. Algumas mulheres se amontoavam na pequena sala da humilde habitação.
— E agora? O que vai ser desses coitadinhos? — Isabella ouviu um sussurro.
— Por favor, por favor, dêem espaço para Lady Isabella passar. — Sue entrou primeiro na casa, sendo seguida de perto pela Princesa.
Ao chegar ao quarto, as duas mulheres se deparam com uma cama desfeita, muitos lençóis ensangüentados e o corpo inerte de uma mulher. Numa cadeira próxima, Lady Esme estava sentada, estática e com as mãos cobrindo seu belo rosto.
— Esme? — Isabella sussurrou e como não obteve resposta, se aproximou dela e se ajoelhou em sua frente — Você está bem, Esme?
— Oh! Isabella, eu ... eu ... fiz o possível ...
Lady Esme chorou um choro mudo e repleto de lágrimas, sua respiração entrecortada e suas feições de dor e sofrimento eram de partir o coração.
— Calma, Esme. — Isabella falou gentilmente — Nós sabemos que você fez o que pôde.
Isabella correu os olhos pelo quarto e viu um bercinho de madeira entalhada. Ela foi até lá e se admirou ao constatar que havia duas crianças lá.
— Meu Deus ... — Isabella sussurrou — São gêmeos ...
— Órfãos. — Sue acrescentou.
— São um casal. — Esme esclareceu, sua voz já estava um pouco mais controlada — Pobrezinhos ...
— Princesa, o que faremos com essas crianças? — Sue perguntou.
— Onde está o pai delas? — Isabella perguntou.
— Ele se foi há alguns meses.
Sue respondeu apenas isso e Isabella ficou sem saber se o homem havia morrido ou abandonado a esposa.
— Não podemos esperar que o Laird volte, precisamos decidir como cuidar desses bebês. — Esme acrescentou.
— Onde está Jasper? — Isabella inquiriu.
— Saiu para uma caçada e só deve voltar no final do dia. — Sue respondeu.
Isabella pensou por uns instantes e percebeu que as mulheres do Clã esperavam que ela tomasse a decisão para aquele problema.
— Esme, essas crianças não têm mais nenhum parente?
— Não.
A Princesa aprimorou seus planos ao se lembrar que Alice já tinha lhe contado a triste história de Esme, sua gravidez desastrosa e sua posterior esterilidade. Além disso, todos no Clã sabiam que Esme adorava crianças e que Carlisle, seu marido, era um homem de bom coração.
— O que você me diz, Esme, de cuidar dessas crianças como se fossem suas, até que Edward volte e tome uma decisão final?
— Se Milady assim desejar ... — Esme inclinou um pouco a cabeça e respondeu humildemente.
— Esme, isso não é uma ordem. — Isabella segurou seus ombros com ambas as mãos — Não sou seu Laird, eu só estou sugerindo isso. Você gostaria de cuidar dessas crianças?
— Sim! — Esme sorriu exultante — Sim, eu gostaria.
— Pois então está feito! — as duas se abraçaram.
— Kate teve tempo de escolher os nomes dos filhos? — Sue sussurrou.
— Não, não teve. — Esme deu um suspiro longo — Pobrezinha ...
— Então precisamos dar nomes a eles. — Isabella falou — O que você sugere, Esme?
— Coitadinhos, pobrezinhos, quanta infelicidade ... — Sue murmurava sem parar.
— Gwyneth — Esme falou — A menina se chamará Gwyneth, que quer dizer felicidade. Embora seu nascimento seja marcado pela infelicidade da morte da mãe, eu desejo para esta menina toda a felicidade do mundo.
— É um nome muito bonito. — Isabella falou.
— E quando ao menino? — Sue inquiriu.
— Essas crianças tiveram um nascimento difícil ... Mas eles conseguiram sobreviver e são saudáveis. Por isso, o menino se chamará Ethan que quer dizer força. — Esme completou seus pensamentos.
E assim foi feito. Esme levou as duas crianças para sua casa, Isabella designou que duas mulheres que haviam dado à luz a poucos dias, amamentassem os dois pequenos órfãos.
Ao final do dia, Isabella estava exausta e tentou não pensar em Newton e no que devia estar acontecendo com Edward. Porém mais tarde, naquela mesma noite quando estava aninhada sob as mantas, o sono lhe faltou e sua imaginação correu solta. Todo tipo de perigo vinha a sua mente, ela imaginava Edward ferido e completamente sozinho, sem ninguém que o ajudasse.
Seu coração perdeu uma batida e seus olhos ficaram marejados. A possibilidade de que seu Edward pudesse morrer era muito insuportável para ela.
O Clã sentiria e lamentaria a morte de seu Laird. Ela morreria de tanta tristeza.
Inquieta, tentou afastar a preocupação de sua mente, mas isso só a conduziu a outra. Por que não tinha tido notícias de seu pai? Tinha se passado tempo suficiente para que ele tivesse enviado notícias a ela ou aos McCarty. Quanto mais tempo passava esperando notícias, mais se convencia de que Phoenix estava sitiada e que os soldados do Rei William o tinham feito prisioneiro. Isabella sabia que seu pai nunca se renderia.
Havia muita gente sofrendo nesse momento … e tudo devido a uma mentira. Isabella esperava saber, algum dia, o motivo pelo qual a mulher havia dito coisas tão terríveis a respeito dela. Como podia destruir tão alegremente a alguém que nem sequer conhecia? Onde estava sua consciência? Será que Jane sentia algum remorso? Ou como muitos outros faziam, tinha descoberto uma forma de justificar seus atos diabólicos?
Isabella não tinha essas respostas. Pouco a pouco, os músculos de seu corpo foram relaxando e ela adormeceu.
No dia seguinte, após tomar o café da manhã, Isabella e Alice se reuniram no grande salão e começaram a trabalhar em seus bordados. A Princesa precisava se manter ocupada, só assim ela poderia não lamentar que tantas pessoas más a tivessem machucado, só assim ela poderia não pensar tanto em seu pai, só assim ela não pensaria tanto em ... Edward.
E enquanto pespontava uma bainha, ela elevou outra prece a Deus para que cuidasse de seu pai e de Edward.
Sentindo que o ar estava esfriando, a Princesa foi para a janela para baixar a tapeçaria. Antes que o pesado tecido caísse em seu lugar, ela olhou para os campos verdes à sua frente, algo captou sua atenção e ela rapidamente levantou a cortina.
— Oh, Deus querido!
Isabella segurou as saias, abriu a porta e saiu correndo a toda velocidade. Quase quebrou o pescoço ao descer voando as escadas
Alice ficou meio desorientada com a atitude da cunhada.
— Isabella, o que aconteceu?
— Edward ... — foi tudo o que ela disse.
A grande porta de carvalho estava se abrindo quando ela a atravessou para sair. Na pressa, a Princesa tropeçou em seus próprios pés e teria aterrissado de cabeça no chão se não tivesse esbarrado numa muralha.
Edward a salvou de que quebrar o pescoço. Isabella aterrissou sobre seu peito com um golpe surdo. Instintivamente, o Laird rodeou seus braços na cintura da noiva e a abraçou.
Isabella deu um gritinho de susto e levantou a vista, e só então se deu conta de que estava entre os braços de Edward. Ela estava tão feliz em vê-lo, que não sabia onde exatamente começaria a beijá-lo. Decidiu-se rapidamente pelo que estava mais perto, no caso, o peito musculoso do noivo. A Princesa ficou nas pontas dos pés e enroscou seus braços no pescoço dele. Daí, então, ela passou a beijar seu queixo, seu pescoço e seus lábios.
Edward se sentiu extasiado com a recepção da noiva, extasiado e feliz ... Apertou-a contra si apenas o suficiente para deixar que ela entendesse que também estava feliz de vê-la. Pelo menos, ela preferiu acreditar nisso. Quando o ar se tornou escasso a ambos, cessaram aquele beijo apaixonado.
Ela deu um passo para trás.
— Você está bem?
— Sim.
— E a batalha?
— Terminada.
— E o resultado?
— O esperado.
Ela sabia que ele não ia lhe dizer mais nada, e embora pensasse que poderia ter sido um pouco menos comedido com o tema, estava muito feliz de vê-lo para deixar que isso a incomodasse.
Isabella respirou fundo antes de falar.
— Senti sua falta.
Ela tinha esperanças de que ele lhe dissesse que também tinha sentido saudades, mas ele só assentiu rapidamente com a cabeça. E logo em seguida, ele partiu o coração dela.
— Isabella, sei que lhe disse que me casaria com você dentro de seis meses … — começou.
— Sim, e um mês já se passou.
— Não importa quanto tempo passou. Já não posso manter minha promessa.
Emily os interrompeu.
— Laird, preciso de um minuto de seu tempo… — falou enquanto se aproximava, limpando as mãos no avental — O galinheiro foi atacado por uma raposa e minhas pobres galinhas estão tão assustadas que agora não querem pôr ovos.
— Está bem, Emily. Vou pedir que algum dos homens esteja atento às raposas. — respondeu o Laird.
Pela sua visão periférica, Edward viu outras pessoas aproximando — o pedreiro segurando outra corda desgastada nas mãos, o ferreiro com a nova lâmina de espada pronta para ser inspecionada, um jovem guerreiro — todos com problemas urgentes para serem resolvidos.
Edward respondeu várias perguntas e logo fez gestos ao resto para que esperassem para poder terminar de explicar a Isabella o que tinha planejado fazer. Mas ela não estava ali.
— Com todos os diabos … Isabella! — ele gritou.
— Com todo respeito, Laird, mas acredito que sua noiva subiu as escadas e se encaminhou para o quarto — disse Emily — Vi quando ela entrou lá.
— Ah, inferno! — Edward praguejou.
Isabella tinha desaparecido antes que ele terminasse sua declaração, e por isso não entendeu o que ele estava tentando de lhe dizer… que não haveria casamento dentro de cinco meses porque ele já não podia esperar todo esse tempo para levá-la para cama, que o último mês tinha sido uma tortura e ele já não podia continuar desta maneira. Não podia estar no mesmo cômodo que ela sem pensar no que desejava fazer com ela.
E aquilo já estava ficando ridículo!
Se ela subia a escada, ele descia. Quando ela entrava em uma sala, ela saía. Ela não tinha a mais remota idéia do poder que tinha sobre ele, e por isso, ele devia fazer todo o possível para permanecer afastado.
Como ainda era donzela, era impossível que Isabella soubesse como o afetava quando o tocava. Mas depois que estivessem casados, Edward teria tempo de lhe mostrar como ela podia enlouquecê-lo.
Rapidamente, o Laird dispensou as pessoas e se encaminhou ao quarto da noiva, deu três batidas impacientes na porta de bradou:
— Isabella! Posso entrar?!
— Pode.
Edward encontrou sua noiva andando de lado para o outro dentro do quarto, ela estava de cabeça baixa e parecia absorta em pensamento. Não passou despercebido ao Laird que o baú estava aberto, ele teve a impressão que ela estava recolhendo seus pertences. Com um forte empurrão, ele fechou a porta atrás de si e não foi gentil quando a forçou a dar meia volta e encará-lo. Ela tinha lágrimas nos olhos.
— Você não vai partir — disse.
— Como queira.
— O que eu quero dizer é que você não me deixará.
— Mas Edward …
— Já disse que você não me deixará. — sua voz tremia de emoção.
Ela o empurrou com todas as suas forças, mas não pôde movê-lo.
— Não posso ficar aqui! — gritou — Não posso! — as pernas de Isabella fraquejaram e ela ajoelhou-se no chão.
Edward imitou seu gesto. Ambos, ajoelhados e emocionados decidiriam ali os rumos de suas vidas. Tentando atrair a atenção dela, ele segurou em seus ombros, mas quando ia falar, Isabella tomou fôlego e recomeçou.
— Não serei capaz de parar de ficar atrás de você, de te beijar e exigir sua atenção. Sei você que pensa que pode continuar me evitando, mas não pode, Edward. Eu posso ser implacável quando quero alguma coisa. — ela respirou fundo e sussurrou: — E eu quero você.
E ali estava a verdade, para que ele a aceitasse ou a rejeitasse. Isabella ergueu os olhos para ele. Edward tinha ficado absolutamente imóvel. Ela nem sequer tinha certeza de que ele estava respirando. Ela sabia tê-lo chocado ao expressar seus sentimentos. Aquilo era impróprio. Uma dama não deveria admitir que sentia paixão, mas era muito tarde para retirar suas palavras e de todas formas Isabella não queria negar o que havia dito. Ela tomou coragem e continuou:
— Você diz que não pode se casar comigo e aceito sua decisão. Mas se eu ficar, não importará se estamos casados ou não. De qualquer maneira, você não conseguiria fugir de mim.
A fala simplesmente fugira da boca de Edward, mas seu coração já estava rendido. Enquanto ele procurava as palavras certas, acariciou o rosto dela.
— Algumas vezes, não sei o que pensar de você. Você consegue me deixar perplexo. Salvou a vida de meu irmão sem pedir nada em troca. Eu me ofereço para ser seu esposo e você acha que vai arruinar minha vida. Apesar de ter vivido um inferno, nunca deixou de ser gentil. E agora, ao achar que a rejeito, me abre seu coração. Não tenho a mínima idéia de como isso aconteceu, mas não sou capaz de imaginar minha vida sem você. Eu também quero você, e não vou esperar cinco meses para tê-la como esposa. Vamos nos casar imediatamente.
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NOTAS DO CAPÍTULO
Gente, desculpem a demora!
Acabei de terminar o capítulo e já estou postando. Minha vida está muito corrida ... pra variar ... rsrsrsrsrs
Bjs e até a próxima =]
P.S. Deixem comentários, please!
Anna




