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- Paradise

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- Música Das Sombras - adaptação do livro homônimo. (Fic concluída)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Paradise - Capítulo 20

Crime & Castigo

Quando eu fechava os olhos podia voltar ao passado...
‘Rose, minha pequena rosa... você vai tirar a família da lama’ minha mãe me dizia todas as tardes depois que escovava meticulosamente meu cabelo e me dava banho com sais especiais e espalhava hidratante no meu corpo. Eu só tinha oito anos, mas já usava a beleza ao meu favor... Eu amava me sentir admirada, invejada pelas outras garotas e gostava de saber que os garotos mais velhos me achavam linda. Meu cabelo era o mais loiro, o mais brilhante e o mais macio, minha pele era como o pêssego e meus olhos sempre foram safiras azuis iluminadas.
Desde pequenina, eu percebia que papai era o ‘mais pobre de todos’, era assim que eu entendia a vida quando fazia comparações dele com o tio Ernest e o tio Carlisle. Ouvindo os comentários dos meus pais, eu não podia entender como um pescador (tio Carlisle) e um dono de boteco (tio Ernest, antes de terminar a faculdade e virar delegado) podiam ganhar mais dinheiro que papai, que, segundo mamãe, era muito mais inteligente e instruído que eles dois.
‘Alguém lá em cima não gosta de mim’ papai reclamava e apontava para o céu sempre que seus negócios davam errado. E foram muitos! Ele foi sócio do Sr. Percy na marcenaria e não deu certo como gerente financeiro, depois tentou administrar o posto de gasolina da ilha e foi demitido, já trabalhou no setor administrativo do hospital e foi acusado de desviar verba pública. Quando fui crescendo, percebi que papai era um profissional desonesto e certa vez eu o confrontei a respeito das acusações que sofria.
- Rosalie Hale, ou você está com a família ou está contra ela!
Ele falou com uma voz tão endurecida que chorei, trancada no meu quarto, pelo resto do dia. Depois disso eu decidi nunca mais ficar contra as decisões da família. Sou filha única e amo demais a minha mãe e o meu pai e sei que, do jeito deles, fizeram tudo o que podiam por mim. Então de início, fiquei encantada quando conheci – através dos contatos que meus pais tinham em Portland - Royce King II, o filho do empresário mais bem sucedido do estado. Nossos namoro e noivado foram costurados junto com a promessa de Royce King I ser sócio de papai num negócio lucrativo qualquer.
- Ah, quando você se tornar a Sra. King, - mamãe sonhava acordada – vai morar no palácio que sempre mereceu... E vai nos levar conosco, não é querida?
Eu apenas acenava com a cabeça.
Royce, 5 anos mais velho que eu, era tudo o que mamãe e papai sonharam para mim: rico, jovem e lindo... Embarquei no sonho e me encantei por aquele moreno de olhos verdes, o príncipe do conto de fadas que tinha vindo para me resgatar da deprimente Paradise.
Mal completei 18 anos e as duas famílias já falavam em noivado...
A ocasião especial aconteceu seis meses depois que eu o conheci e em meu coração eu achava mais do que natural que ‘duas pessoas apaixonadas’ firmassem logo compromisso. Mas, sendo realista devo admitir: nós não passávamos muito tempo juntos. Royce sempre acompanhava o pai nas viagens de negócios e quando estávamos juntos... bem... era meio... estranho...
Nossos beijos e carícias eram mornos, nunca fizemos sexo! Embora eu já não fosse virgem quando o conheci, ele sempre me assegurou que queria ‘me respeitar’ até o casamento. No começo eu tentei dissuadi-lo dessa idéia absurda, mas depois desisti. Ele gostava de me encher de presentes caros, jóias, roupas e muitas festas lindas... Então fui me envolvendo mais e mais no noivado e me dedicando aos planos de um casamento pródigo. Imaginava minhas amigas morrendo de inveja de mim quando me vissem num apartamento cobertura em Portland e vissem nossos filhos lindos.
Então o sonho encantado se desfez três meses antes do casamento...
Um tablóide de fofocas que investigava um possível desvio de dinheiro do fundo de pensão das Indústrias King passou a investigar a família de perto e descobriu que Royce... meu Royce... era gay...
Meu mundo se acabou naquele dia.
Chorei, me desesperei e passei a maior vergonha... Finalmente as peças se encaixaram na minha cabeça! Então era por isso que todo contato físico entre mim e Royce era tão estranho.
Os meses se passaram e como uma fênix que renasce das cinzas, voltei a tocar a vida. Continuei a faculdade, comecei a estagiar e me afundei em estudo e trabalho. Tentei desviar meu ódio para outras coisas: Isabella passou a ser meu alvo preferido. Toda vez que eu me encontrava com os primos Edward e Emmett, fazia questão de irritá-los, falando mal de sua vagabunda. Confesso que fazia isso mais para deixá-los irados do que para expressar algum conceito moral!
Até que um dia, papai apareceu com uma novidade para mim...
No jantar de ação de graças, há poucos anos atrás, cheguei à ilha disposta a passar o feriadão com a família e qual não foi a minha surpresa quando soube que teríamos um convidado.
- Adam Macabeus, minha filha... – papai falava o nome dele com reverência.
- Que nome esquisito! – falei com desdém.
- Mais respeito, Rosalie! – mamãe foi ríspida – Ele é amigo de seu pai e nosso convidado esta noite.
Não dei importância ao fato até subir para meu quarto e me deparar com um lindo arranjo de rosas, em cima da minha cama havia uma caixa branca enorme, arrematada por uma fita de cetim azul celeste.
- Papai... – murmurei encantada.
Mas quando abri a caixa e li o cartão, fiquei pasma.

‘Para Rosalie, cujos olhos azuis, mesmo em fotos, são os mais lindos que já vi.
Respeitosamente, Adam Macabeus’

WTF? Pensei comigo mesma... O cara nem me conhecia... De imediato senti um arrepio na nuca, seguido de um frio na barriga, mas meus anseios foram interrompidos por uma batida na porta.
- Rose? Querida? Posso entrar? – sua voz estava alterada.
- Oi mãe, pode sim... – murmurei.
- Oh! – ela arrulhou e se sentou ao meu lado, na cama – Estou vendo que você já viu o presente que o Adam mandou e naturalmente as rosas...
- POR QUÊ? – fui ríspida.
- Perdão? Por que o que, meu bem? – ela falou pausadamente.
Dei um pulo da cama e comecei a andar em círculos pelo quarto, agitando as mãos e falando descompassadamente.
- Por que vamos ter um convidado para o jantar? Quem é ele? O que ele quer comigo? Por que me deu presentes? - joguei tudo de uma vez – Ele... ele nem me conhece, mamãe... - apontei para as flores – Ele não poderia saber por si próprio que gosto de rosas.
- Querida, querida, - ela se levantou, envolveu meus ombros em seus braços e me trouxe de volta para a cama – você vai perceber que o Adam é uma boa pessoa... gentil, educado, bem nascido...
- Rico. – minha voz ainda estava ríspida – Já entendi os planos, mamãe.
- Rosalie Hale, - sua voz estava carinhosa, mas seus olhos eram duros – está na hora de você demonstrar o mínimo de gratidão por seus pais... E depois, não seja estúpida, garota, estamos apenas tentando arranjar um bom casamento para você.
Nos enfrentamos com o olhar por vários segundos. Eu não podia acreditar que meus pais estavam fazendo aquilo comigo novamente. Até que mamãe suspirou, afagou meu rosto e eu vi brotar lágrimas em seus olhos. Curvada pelo cansaço, talvez pela derrota, ela beijou minhas mãos e se levantou, já perto da porta, murmurou com a voz suplicante.
- O jantar será servido às oito horas, por favor, use os presentes que o Adam lhe deu e não se atrase, querida...
Bufei e deitei na cama, fechei os olhos por uns segundos e me senti sufocada, depois me lembrei que quando era criança e me sentia assim, corria para o sótão, meu esconderijo, meu ‘lugar de pensar’...
Sem ser notada, percorri o corredor, mas parei quando percebi vozes alteradas vindo do quarto dos meus pais.
- Você não foi tão persuasiva quando eu gostaria, Lilian! – meu pai vociferou.
- E o que, exatamente eu deveria ter dito? - ela retrucou.
- A verdade...
- A verdade? Que o pai dela, para se livrar da cadeia, arrematou a filha num casamento arranjado? – mamãe estava chorando.
- Adam Macabeus será o melhor para nossa família... Essa é a verdade... Coloque isso na cabeça de sua filha, Lilian, ou todos nós estaremos perdidos.
Depois daquela frase agourenta de papai, apressei os passos e subi ao sótão, chorei todas as minhas lágrimas até meus olhos ficaram secos e doloridos. Arranjei coragem, não sei de onde, e desci para tomar banho e me arrumar para aquele maldito jantar.
...
No natal daquele mesmo ano, eu já era a noiva de Adam, religioso, pastor e bisneto do fundador da Igreja Cristã Novo Paraíso, uma pequena comunidade bastante reclusa que habitava as colinas do noroeste de Utah. Adam, apesar de ter aquela cara sisuda e ser 10 anos mais velho que eu, me conquistou com seu charme e suas gentilezas. Não foi difícil me render aquele encanto... talvez porque eu estivesse apaixonada, talvez porque tivesse medo de ver nossa família destruída...
No natal daquele mesmo ano, eu e meus pais fomos para a fazenda da igreja, onde conhecemos os ‘irmãos e irmãs’ e meu futuro sogro, Caleb, chamado de ‘o Patriarca’. A mãe de Adam, Abigail, era falecida e isso foi tudo o que soubemos dela, pelo menos por enquanto.
A viagem foi cansativa, as pessoas ficavam tensas ao nosso redor... e mesmo eu e mamãe tentando nos enquadrar às normas da religião (não usar brincos, maquiagem e tantas outras coisas além de usar somente saia ou vestido), as pessoas olhavam para nós meio... desconfiadas... Percebi que as mulheres não falavam em público quando estavam na presença de seus maridos e nenhuma delas tinha permissão para trabalhar fora.
- Quando nos casarmos, querida Rose, - Adam falava com sua voz gentil – você não irá trabalhar fora. Nada vai faltar a você e aos filhos que teremos... muitos filhos... filhos são bênçãos de Javé...
Javé era o nome que eles davam a Deus...
Devo confessar que eu observava Adam nas mínimas coisas... Desde que nos conhecemos, naquele jantar de Ação de Graças, percebi no alto e charmoso loiro (bem mais loiro que eu), de olhos tão azuis quanto os meus, que ele tinha algo de... misterioso... Isso me instigava...
Depois daquela noite, do jantar de Ação de Graças, rosas e rosas chegavam para mim, todos os dias... Meu apartamento alugado em Orono, onde cursava faculdade, só cheirava a rosas... Nosso namoro a distância era através do MSN e aos sábados, ele me mandava uma caixinha de chocolate suíço. Três meses depois, Adam se mudou para Orono e ficamos noivos... apaixonada, eu não dava atenção ao seu fervor religioso e até passei a gostar das aulas bíblicas que ele me dava. Mas devo dizer que seus beijos e suas mãos, escalando e acariciando meu corpo, me agradavam mais que as lições...
Em dezembro do ano seguinte, no auge do inverno das colinas de Utah nos casamos. A cerimônia foi linda, pela manhã e eu usei um vestido branco muito singelo e elegante. A festa, com direito a churrasco e muita música gospel, só acabou no finalzinho da tarde.
Eu já estava no ‘quarto de núpcias’ da casa grande da fazenda quando a ‘irmã Agatha’ bateu na porta do quarto. Ela era uma linda ruiva de trinta e poucos anos, parecia ser muito simpática e era chamada de ‘a anfitriã do Paraíso’.
- Rosalie, vim prepará-la para a noite de núpcias. – ela sorriu e foi entrando, trazendo uma bolsa consigo.
- O quê? – falei meio sem entender, afinal, Adam sabia que eu não era mais virgem.
- Nós, ‘filhas do Paraíso’, devemos estar lindas e apresentáveis aos nossos maridos...
Ela sussurrou enquanto abriu a bolsa e tirou de lá um enorme estojo se maquiagem, uma linda camisola branca e curta (praticamente só cobria até o comecinho das coxas), toda em tule transparente, uma calcinha fio dental branca que me fez ficar constrangida e um par de sandálias altas, prateadas, cheias de pedrinhas de strass.
- Tudo o que nos é proibido lá fora, - ela apontou para a maquiagem – é permitido dentro do quarto, para satisfazer às fantasias de nossos maridos... Isso tudo foi escolhido pelo seu marido, então você já pode ter uma idéia do que ele vai gostar que você use.
Atônita, sem conseguir dizer um ‘a’, fui levada pela ‘irmã Agatha’ até a banheira. Depois do banho relaxante, ela escovou meus cabelos, fez uma maquiagem muito forte e bonita em mim, parecia mais que eu iria a uma festa... o batom vermelho se destacava... e pediu que eu vestisse as peças de lingerie e calçasse as sandálias prateadas altíssimas.
Depois que a irmã deixou o quarto, eu estava nervosa como se fosse uma virgem, mas nem tive tempo de entrar em pânico sozinha. Outra batida na porta me fez sobressaltar.
- Rosalie? Esposa? – a voz de Adam parecia ansiosa – Posso entrar?
- Cla-claro... – gaguejei.
O que se seguiu a isso me surpreendeu.
Adam usava um robe de seda preto, eu nunca o tinha visto em tão poucas roupas e meus olhos varreram seu corpo, senti luxúria. Ele me olhava de cima a baixo, de todos os ângulos, me fez girar em 360º... várias vezes...
Eu tive a noite de sexo mais prazerosa e delicada que já tinha tido na vida. Adam me deu muitos orgasmos, de várias formas... e me fez fazer nele o que ele gostaria... fiz de bom grado, cada vez que ele gozava, me deixava feliz.
- Sabe, Rose... – ele sussurrou quando já estava perto de amanhecer e nossos corpos já estavam exaustos de tanto prazer – o sexo é uma coisa divina...
Ele me deixou sem palavras e quando finalmente pensei em dizer algo coerente, devo ter caído na inconsciência do sono mais doce que já poderia ter tido.
Talvez aquela tenha sido a única noite, depois do nosso casamento, que pude dormir em paz.
...
O dia seguinte foi bastante movimento e cheio de despedidas. Meus pais fizeram as malas e voltaram para a ilha e me deixaram naquele vale de montanhas com o meu marido e minha nova ‘família’.
- Você deve ficar, - mamãe afagava meu rosto enquanto sussurrava – e aprender tudo sobre a igreja e os costumes. Afinal, você será a matriarca em Paradise... Estude e aprenda o que você puder e tente sempre agradar seu marido.
Eu não iria ficar muito tempo, somente aquele primeiro mês de casamento seria na fazenda, depois iríamos voltar para Orono, já que eu estava de férias e iria terminar a faculdade naquele semestre.
- Não se esqueça, Rosalie, - papai nos interrompeu - a sobrevivência dos Hale está em suas mãos.
Com um beijo na testa, ele se despediu de mim e entrou no carro enquanto mamãe voltava a me abraçar.
- Você está feliz, querida?
- Bem... eu...
- Ah, não se preocupe, o tempo trará coisas boas. – então ela também me beijou e entrou no carro.
O irmão Baruch, o ‘servo de confiança’ (era assim que Adam se referia a ele) foi incumbido de levar meus pais ao aeroporto. Eu e Adam passamos o resto do dia passeando pela fazenda, ora andávamos a cavalo, ora a pé...
Fizemos sexo dentro de uma lagoa, eu não queria fazer isso, primeiro porque ela estava fria, segundo porque eu tinha medo que alguém pudesse no ver. Meu marido me assegurou que ninguém iria nos espionar e me dissuadiu a entrar na água, que realmente estava fria, mas estar nos braços dele de novo e sentir todo aquele prazer foi muito, muito... tudo...
Coisas estranhas aconteceram nos dias seguintes.
Uma das mulheres, Corine, muito linda, jovem (ela tinha a minha idade), cabelos negros e olhos violeta, era a irmã que mais conversava comigo, ela era casada com Baruch, o homem de confiança de Adam. Certo dia, Corine foi até a casa grande disposta a me ensinar a fazer pão de milho, alegando que eu iria agradar meu marido se soubesse fazer o pão. Dispostas a conversar e cozinhar, fomos interrompidas por meu sogro Caleb, que abriu o livro de hinos na cozinha e passou a tarde louvando a Javé enquanto amassávamos o pão. Eu e Corine ficamos mudas e apenas seguimos a receita, conversando automaticamente sobre culinária. No dia seguinte, ela esperou meu sogro e meu marido saírem para tosquiar as ovelhas do rebanho da fazenda e chegou com uma cesta de bordados para me ensinar a fazer ‘ponto cruz’. Nos acomodamos na cozinha e começamos a conversar sobre casamento, quantos bebês que queria ter, se eu estava feliz e etc.  Mas quando ela tirou de sua cesta um tecido de algodão, enrolado nele havia uma carta. Ela fez um sinal com dedo indicador, mandando eu fazer silêncio enquanto lia a carta e ela soltava a voz, cantando um hino em alto e bom som.
‘Ajude-nos.
A maioria de nós, mulheres, não é feliz no casamento, na verdade somos reféns. Nossos maridos não nos respeitam, não nos amam e só pensam no maldito dinheiro, eles ameaçam tomar nossos filhos de nós, muitas até já foram ameaçadas de morte. Algumas das que tentaram fugir não tiveram um final feliz.  Temo por mim e por minhas três meninas.
Adam e Caleb são dois hipócritas e criminosos, sangue inocente mancha as mãos de pai e filho. Até hoje a polícia do Oregon nunca conseguiu explicar o desaparecimento de Sarah, a primeira esposa de Adam. Ele recebeu um seguro de vida milionário.
Nossa esperança está em você, por favor, quando sair daqui, consiga um jeito de falar com o Detetive Foster, no condado de Jastha, diga para ele procurar dentro das antigas minas de ouro, em Promontory.’

- Adam já foi casado!? – minha voz subiu umas oitavas.
Corine fez um sinal, pedindo meu silêncio, depois pegou a carta, rasgou-a em muitos pedacinhos e a queimou na boca do fogão, tendo o cuidado de recolher as cinzas e as misturar com os restos de comida da lixeira. Depois ela me abraçou e sussurrou.
- Sinto muito, Rose...
Nosso abraço foi interrompido com o bater da porta, nos sobressaltamos quando a figura de Caleb entrou e falou asperamente.
- Outra vez aqui, Corine?
- Oh, meu sogro... – falei de improviso – fui eu quem convidou a Corine, ela estava me ensinando a bordar...
- E eu posso ver o que a minha nora bordou?
Tremi nas bases, mas parece que Corine havia pensado em tudo, ela apontou tirou da cestinha dois pedacinhos de pano e falou despreocupadamente.
- Rose é uma aluna esforçada, veja, Patriarca, - ela lhe estendeu os bordados – em uma única tarde ela conseguiu fazer um bordado quase tão bom quanto o meu...
Com as mãos enrugadas e meio trêmulas, ele pegou os dois pedaços de pano e só então eu me dei conta que Corine havia trazido o mesmo bordado em dois tecidos. Num, a figura estava perfeita e no outro estava meio torta e faltando uns pedaços.
- Minha nora precisa treinar mais. – ele falou seco e nos devolveu o pano, girou em seus calcanhares e falou de costas para nós – Corine vá para casa, cuidar de suas filhas. Somente Javé poderia imaginar o mal que seria na vida daquelas meninas se a mãe lhes faltasse...
Assombrada, ela olhou para mim e assentiu minimamente, nos despedimos com um abraço. Aquela foi a última vez que vi Corine.
No dia seguinte, eu e as outras mulheres da fazenda estávamos fazendo as orações matinais debaixo da sombra do grande pé de carvalho quando o irmão Jordan chegou na sua bicicletinha trazendo a notícia de que Corine, esposa de Baruch, havia sido vítima de um infarto naquela madrugada. O marido alegou que não deu tempo de levá-la ao hospital, ela morreu em seus braços... não houve autópsia, o enterro foi naquela mesma tarde. Genna, Brianne e Calista, as filhas de Corine, com idades entre 11 e 8 anos, estavam abraçadas ao pai durante todo o tempo. Ninguém chorava, nem mesmo as meninas. Embora eu sentisse uma grande vontade de chorar, reprimi as emoções, imaginei chorar que fosse pecado...
- Adam, por que ninguém chorou no enterro?
Era tarde da noite, tínhamos acabado de fazer sexo, como sempre fazíamos todas as noites. Quando eu digo TODAS AS NOITES, é ‘TODAS AS NOITES’ mesmo... mesmo quando estou cansada e com sono... Os únicos dias que escapei foram os dias da menstruação, mesmo assim fizemos outras coisas...
- Porque chorar quando um ‘servo’ morre seria um tipo de blasfêmia. O servo foi ao encontro do Criador e isso é motivo de alegria.
Ele falava enquanto beijava meu rosto e por fim, capturava meus lábios noutro beijo lascivo. A noite estava longe de acabar...
O luto por Corine foi sufocante. Parecia que todas as outras mulheres queriam me contar algo, mas ninguém tinha coragem. Percebi que depois disso Adam quase nunca me deixava sozinha e eu, tentando ganhar a confiança dele, o incentivava no sexo (confesso que adorava esses momentos) e me aplicava nos estudos da religião e dos costumes da igreja.
Se eu tinha alguma chance de sair viva daquele casamento, primeiro eu precisava ganhar a confiança dele e voltar a Paradise...
Mas meu coração se dividia... embora eu pressentisse o perigo, minhas neuras se desmanchavam quando aquelas mãos hábeis tocavam meu corpo. E devo admitir, até aquele momento Adam nunca tinha feito nada que pudesse me machucar, ele sempre era atencioso e carinhoso comigo.
...
Já em Orono, eu me concentrava em terminar a faculdade e cuidar do meu marido. Graças a Deus que aquele semestre passou logo e finalmente pudemos voltar para Paradise. Nunca, na minha vida, eu ansiei tanto por voltar àquela ilha...
A nossa casa era grande, recém construída e bastante arejada, mas embora fosse ao lado da casa dos meus pais, eles só nos visitavam quando pediam ‘licença’ ao meu marido. Tentei relevar esse fato.
Papai e Adam começaram uma modesta plantação de blueberry e uma criação de ovelhas nas nossas terras. Os negócios pareciam prosperar, mas não sei por que eles queriam tanto comprar as terras dos Cullen. Rapidamente meu marido intensificou a u animosidade contra os meus primos e Isabella, eram freqüentes as conversas dele e de papai, falando mal dos ‘três sodomitas’ como meu marido gostava de dizer. Os Cullen rechaçaram as propostas de venda da terra e durante os dois anos seguintes ainda continuariam no continente aprimorando os estudos.
Eu tentava não pensar muito nisso, afinal já estava grávida de meu primeiro filho e por incrível que pareça, ainda feliz no meu casamento. Até que um dia, um grupo de irmãos chegaram de Utah, sim eles passariam a morar nas nossas terras dali por diante para nos ajudar nos negócios e na ‘evangelização’ da ilha. A Sociedade Cristã de Paradise foi fundada, um grande templo seria construído, Adam seria aclamado o Patriarca da ilha e eu, sua Matriarca...
O mundo parecia girar ao meu redor e meus instintos tentavam me falar da ‘tempestade’ que viria, mas eu não conseguia pensar em muita coisa que não fosse o meu bebê. Durante o dia eu preparava seu enxoval, cuidava da casa com a ajuda da ‘irmã Celeste’ e descansava, cochilando várias vezes. Porque à noite, mesmo grávida, Adam não deixou de querer fazer sexo... eu também não queria parar... ele era cuidadoso e carinhoso, mesmo com a barriga cada vez maior, ele arranjava um jeitinho de não me machucar e me dar prazer.
Quando Jeremy nasceu, lindo e forte, eu me derreti em tanto amor por aquela pessoinha tão maravilhosa que tinha saído de dentro de mim. Ele era a cara do Adam... Passei dois dias e meio na maternidade, nesse meio tempo meu marido não saia de perto de nós.
Em casa, cuidando do bebê e sendo ‘feliz’ no meu mundinho cor-de-rosa, flagrei uma conversa acalorada de meu marido e meu pai. Eles quase gritavam dentro escritório, resolvi escutar atrás da porta. De tudo o que entendi, papai esbravejava que se eles não conseguissem as terras dos Cullen antes de vencer a hipoteca, perderiam tudo para o banco.
- VOCÊ DISSE QUE TINHA TUDO SOBRE CONTROLE! – papai vociferou.
- Não levante a voz para mim. – Adam tinha a voz controlada, mas feroz.
- Mentiroso, você disse que era rico.
- Eu disse apenas que estava numa situação mais confortável que a sua...
- Você só fez isso para poder ter minha Rose... – papai já choramingava.
Um bater de palmas ecoou de dentro do escritório.
- Muito bem, Tim, você é um velhote inteligente... Eu já lhe disse uma vez, eu consigo tudo o que quero e passo por cima de quem está em meu caminho.
Um arrepio convulsionou meu corpo e meu coração ficou apertado... Do outro lado da casa Jeremy começou a chorar alto e eu me lembrei que já estava na hora do mamar dele.
Enquanto meu bebê se alimentava eu refletia sobre uma série de coisas.
Adam continuava sendo um bom marido para mim e se empenhava em ser um pai carinhoso. Então, por que o meu subconsciente me mandava tantas mensagens de alerta? Fechei os olhos por um instante e imagens de Corine vieram na minha mente, lembrei de suas filhas, lembrei da carta... Detetive Foster... procurar nas antigas minas de ouro em Promontory... Caleb, meu sogro... aquela figura me dava medo.
...
Os negócios foram se expandindo e a nossa comunidade cristã, embora fosse formada exclusivamente da nossa família e dos irmãos que tinham vindo de Utah, era um lugar agradável. Apesar do fervor religioso de nossos maridos e da avidez pelos negócios, eu e as outras mulheres tínhamos algo em comum: o respeito por eles e o amor incondicional pelos filhos.
Agora eu já tinha a pequena Naomi, nossa segunda filha e estava grávida do terceiro filho, outra menina, que se chamaria Abigail, em homenagem a avó. A maternidade havia transformado minha vida. Nunca, jamais eu poderia imaginar que pudesse amar tanto... Jeremy era meu pequeno príncipe, Naomi, minha bonequinha rosada e Abby (com já a chamávamos) viria para ser a cerejinha no topo do sorvete. Meus bebês era adoráveis, muito apegados a mim e eram, antes de tudo, a minha fonte de esperança, amor e força.
O casamento ainda era bom, Adam cumpriu sua promessa, nada faltava a mim e às crianças, ele era um chefe de família responsável e um pai dedicado. O sexo ainda era bom, meu marido pareciam não cansar de mim e ainda não tinha feito nada que Corine descrevera na carta, ele nunca me destratou e nunca me ameaçou. Depois que aprendi as pequenas normas de conduta da religião, nunca tivemos atritos, desde que eu fosse submissa, ele era carinhoso.
Era uma agradável tarde de abril, eu e mamãe estávamos passeando com as crianças quando resolvemos ir até o celeiro para fazer uma surpresa ao ‘papai Adam’. Ele não nos viu, estava de costas para nós e o que eu vi a seguir me deixou chocada. O irmão Dean estava deitado no chão, suas mãos estavam amarradas nas costas e de sua boca escorria sangue. Meu marido apontava uma arma para ele, um tipo de pistola prateada com um cano longo.
Antes que Jeremy ou Naomi pudessem visualizar a cena, mamãe os afastou da entrada do celeiro e com um aceno de mãos me chamou para sair dali.
E quem disse que eu conseguia me mexer?
Dona Lilian então correu para longe, arrastando o pequeno Jeremy e a Naomi em seus braços. Adam ainda não tinha me visto, eu estava atrás de um arbusto, espantada.
- Tra-i-dor... – ele sibilava – Maldito traidor... O que foi que você andou dizendo aos pescadores da ilha?
- Eu, eu não disse nada, eu juro... tudo o que eu queria era que você ficasse longe de minhas filhas... Por Deus, Adam, elas só tem 13 e 14 anos, são crianças... e se alguma delas ficar grávida? Você vai reconhecer a paternidade?
Filho? Grávida?
Deus do céu!
Eu segurava firme nos galhos dos arbustos para não desmaiar, meu coração batia acelerado e a criança dentro de mim me dava vários chutes.
- Claro que vou... – Adam falou e esboçou um sorriso.
- Mentiroso, você vai fazer o que fez com os outros, espalhá-los em orfanatos... E quanto às outras adolescentes que você seduziu e estuprou? Você vai prostituir minhas filhas assim como fez com aquelas meninas, jogando-as nas boates de Los Angeles e Las Vegas, viciando-as em drogas!
- CALE-SE!
- Adam Macabeus, eu tenho um dossiê sobre você e se você não me deixar em paz, entregarei tudo à polícia... Narcotráfico, lavagem de dinheiro, crime fiscal, assassinato de Sarah Goldman...
Meu marido então puxou o gatilho e o que se ouviu a seguir não foi o estampido da arma, mas o meu grito de terror. Abalada, me segurei no arbusto, me escorei na parede do celeiro e revelei meu esconderijo. Adam veio até mim com a expressão transtornada, ele ainda segurava a arma quando me puxou para si e me abraçou, nossos corações batiam acelerado.
- Rose, querida Rose... – ele sussurrava – eu não queria que você visse uma cena tão brutal.
Ele desfez nosso abraço e começou a me olhar com intensidade.
- Eu e o irmão Dean estávamos conversando sobre a Palavra de Javé enquanto ele limpava a arma e ela disparou por acidente.
- Eu... eu... Adam... você, você... matou...
Então depois disso tudo aconteceu muito rápido, num minuto eu estava amparada nos braços do meu marido, noutro minuto eu já estava no chão. O tapa que ele me deu foi tão intenso que me fez girar, tropecei nos meus próprios pés e senti o gosto de sangue na minha boca (eu havia mordido a língua). Ao mesmo tempo, para proteger meu bebê, eu envolvia minhas mãos na barriga, desprotegendo meu rosto.
Cai de lado e machuquei o quadril (antes o quadril do que a barriga) e a lateral do rosto, provocando de imediato, um inchaço na minha bochecha. Ainda no chão, presenciei a entrada dos irmãos Abner e Trent, Adam conversou com eles rapidamente, repassado a história de acidente que eles teriam de contar para todos. Um buraco no meio do celeiro estava sendo cavado, aquela seria a cova do irmão Dean.
- E quanto a ela? – Abner apontou para mim.
- Não será problema. – meu marido falava com rispidez.
- Tem certeza, Adam? – Trent insistiu – Seu amor por belas mulheres quase nos arruinou uma vez.
- CALEM-SE OS DOIS! – Adam berrou, fazendo com que eu me encolhesse no chão.
Depois ele rasgou a bainha da minha saia e começou a limpar o sangue de meu rosto enquanto sussurrava palavras carinhosas.
- Rose, amor... fiquei tão assustado com essa sua queda. – ele tocou na minha barriga, a criança chutou, ele se inclinou e beijou a filha – Pequena Abby... o papai te ama...
Assustada eu mal respirava, até que Adam me ajudou a levantar e me levou para casa. Mamãe viu meu estado e não ousou me fazer perguntas, eu, por algum motivo que até hoje desconheço, não quis contar a ela nada do que aconteceu. Naquela noite eu e Adam não fizemos sexo, ele cuidou dos meus ferimentos, serviu meu jantar na cama e pediu que eu dormisse para esquecer aquele dia difícil.
Os dias seguintes foram atordoados, eu me sentia ardendo no inferno. Todos na congregação lamentavam a morte acidental do irmão Dean e concordavam que suas filhas de 13 e 14 anos deveriam voltar para Utah, onde seriam criadas pela tia-avó na fazenda da igreja. Ninguém parecia desconfiar da versão contada por Adam... aquilo me dava nos nervos.
O assunto foi rapidamente superado porque havia outra coisa que deixava a nossa comunidade alvoroçada: Edward, Emmett e Isabella estavam para voltar para ilha.
‘Pecadores’... era o que todos diziam... ‘devemos varrer o pecado de nossa ilha’ papai e mamãe diziam com fervor. Eu apenas concordava com um aceno de cabeça e quando confrontada por alguém, dizia apenas que devíamos orar pelos pecadores e conquistá-los com o amor de Javé...
- Isso, irmãos, ouçam as sábias palavras de sua Matriarca! – Adam se gabava quando se referia a mim.
Cada vez mais me lembrava de Corine e do fim trágico que ela teve, imaginava quantas coisas horrendas Adam devia ter feito e tremia de medo. Em casa nós tínhamos computador com acesso à internet, eu poderia pesquisar sobre Sarah Goldman, mas não tinha a senha do provedor. Adam dizia que internet demais era pecado, eu só podia ‘navegar’ quando ele estava por perto e quase sempre ele via no histórico por onde eu tinha andado. Geralmente eu só entrava em sites de culinária e sobre bebês... eu havia me tornado uma refém na minha própria casa.
- Deus, me ajuda a criar meus filhos. – essa era a oração que eu fazia todos os dias.
- Filhos são bênçãos! – Adam dizia nos sermões dominicais – Eu e Rose seremos abençoados com muitos filhos ainda... quem sabe doze? Assim como as doze tribos de Israel, na época dos grandes patriarcas...
Esse assunto era recorrente: muitos filhos, muitos filhos... Eu entendia qual era a estratégia de Adam: quanto mais filhos eu tivesse, mais e mais eu estaria presa a ele!
Depois que ele me bateu naquela tarde, freqüentemente eu sentia seus olhos em mim de um jeito diferente. Ele olhava como se quisesse... se desculpar, suas atitudes diziam assim, ele ficou mais carinhoso, mais paciente e um amante cada vez mais ávido em me agradar. Mas meu coração não sossegava, esperei a poeira baixar para poder ter a certeza de que Adam Macabeus seria a desgraça da minha vida.
Muitas coisas começavam a fazer sentido... Sarah Goldman deveria ser a primeira esposa dele, pela conversa que escutei, ele a amou e deveria me amar como amou essa outra mulher. Mas ela estava morta, talvez tivesse sido assassinada. Por quem? Adam? Eram muitas perguntas na minha mente e uma única preocupação: meus filhos.
Eu precisava de ajuda. Em quem confiar? As irmãs? Não, todas elas viviam numa situação igual ou pior que a minha. Mamãe e papai? Também não! Deus do céu...
Então a figura dele começou a preencher meus pensamentos com bastante freqüência. Ele era a única pessoa em quem eu podia confiar. Mas, como chegar até ele sem levantar suspeitas?
Pior... eu ficava pensando... E se ele não acreditar em mim e der com a língua nos dentes? O que será de mim e dos meus filhos!?
Aproveitando que a confiança que Adam tinha em mim parecia inabalável... mesmo depois daquele tapa eu tentava ser a mesma com ele... Deixei as crianças com a irmã Celeste e disse que iria à cidade encomendar umas coisas para o enxoval da Abby. Enquanto dirigia, me certificava de não estar sendo seguida e desaparecia na estradinha à direita que dava acesso ao lugar onde ele gostava de ficar. Nervosa, eu orava a Javé para encontrá-lo lá.
Fui pela porta dos fundos, bati na porta praticamente dando socos e quando ele abriu, não esperei ser convidada. Entrei, fechei a porta atrás de nós e supliquei.
- Você precisa me ajudar...

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Paradise - Capítulo 19

Lar Doce Lar

POV EMMETT

Ansioso.
Eu estava fazendo as malas, arrumando tudo, levando para Paradise não apenas roupas e livros, levando um novo Emmett.
Sai da ilha sendo apenas um garoto, o garoto que terminou o ensino médio, órfão de mãe e que tinha perdido o pai há pouco tempo. Tudo o que eu tinha era meu irmão Edward. E agora? Bem, eu me sinto muito feliz! Continuo tendo meu irmão, sou um cara formado, Engenheiro... pós graduado, cheio de planos profissionais e, casado.
Isabella.
Coisa boa é ter Bella em minha vida e, se alguém me dissesse isso há uns anos atrás eu não iria acreditar. Mas ‘ser casado’ é mesmo uma coisa muito boa. Fico me perguntando por que o Jasper ainda não se amarrou a uma garota!
- No que o meu amor tanto pensa?
Bella entrou na sala de estudos e deve ter me visto fazendo cara de paisagem enquanto embalava ‘trocentos’ livros numa caixa enorme de papelão. Abracei-a pela cintura antes de responder e dei um beijinho na pontinha do seu nariz.
- Em como o meu primo Jasper é um tonto por preferir TODAS e não se amarrar a uma mulher... uma mulher que o faça feliz tanto quanto você me faz...
- OMG... – ela ronronou e ficou na pontinha dos pés, beijando logo em seguida o meu pescoço e buscando meus lábios num beijo profundo e molhado – Eu tenho certeza que ele vai se amarrar à mulher que capturar seu coração...
- Haha... – Ed entrou na sala e falou zombeteiro – to achando que Jazz tem uma latinha de cerveja no lugar do coração!
- Eeeddd! – Bella girou seu corpo sem desfazer o nosso abraço e falou em tom de censura - Não diga isso de nosso primo! – eu e meu irmão gargalhamos – Tenho certeza que a garota ideal está por aí, procurando pelo Jasper...
Meu irmão começou a se contorcer de tanto rir e ao se aproximar, ganhou vários socos levíssimos que a Bella depositava em seu antebraço.
- Aí é que tá o problema, amor... – ele sorria torto – quando essa garota aparecer, ele vai sair correndo, fugindo dela...
HAHAHA
Com essa eu tive que acompanhar meu irmão nas gargalhadas e por fim, Bella se rendeu e achou graça na piada mal feita. Na madrugada do dia seguinte, ainda nem eram duas da manhã, já estávamos no porto de Portland à espera da balsa que nos levaria a Paradise. Apesar de ser verão, fazia frio por ser madrugada e cada um de nós se encolhia num enorme sobretudo e tomava um pouco de café que eu havia levado numa garrafa térmica. Mas Bella estava literalmente dormindo em pé!
Pontualmente às 3hs da matina a balsa chegou, mas passou ainda uns 15 minutos para atracar e nesse meio tempo, cada um de nós entrou em seu próprio carro. Como nós éramos os primeiros da fila poderíamos escolher os melhores lugares no porão de estacionamento da balsa. Vi quando Ed saiu de sua pick-up, ele era o primeiro, e foi correndo até o carro da Bella que estava a minha frente, depois ele veio até mim.
- Emmett, eu fui apenas me certificar se ela poderia dirigir... – ele estreitou os olhos – mas eu não sei não, nunca vi Bella dormir tanto...
- Ela está bem?
- Está. – ele acenou e apontou para a Land Rover – Ela está bebericando café agora e seus olhos pareciam alerta.
Conseguimos entrar na balsa sem nenhuma dificuldade, mas qual foi o meu susto quando a Harley Davidson que me seguia, quase bateu no para choque da Lucille! Tadinha dessa moto, pensei comigo mesmo, ia virar um bagulho quando se chocasse na carroceria da minha Lucille... E tadinha dessa mulher, talvez ela não saiba guiar uma moto atrelada a um reboque. Quando olhei pelo espelho retrovisor, vi que a mulher era magra, baixinha, usando jaqueta e calça de couro preta, botas de salto alto e um capacete tão grande que a fazia parecer um ET.
- Oh, me desculpe! – a mulher tirou o capacete, revelando longas madeixas escuras e um rosto muito bonito.
A quem estou enganando? Ela era linda! Bem, não tão linda quanto a minha Bella...
- Sinto por quase ter batido na sua pick-up, - ela estendeu a mão para mim – a propósito, sou Alice Brandon...
Um pigarrear alto nos dispersou e quando olhei por sobre o ombro da mulher, minha Bella fazia cara de poucos amigos para nós, uma de suas mãos estava entrelaçada a de Edward e a outra estava enfiada no bolso do sobretudo.
- Ah, amor, - em dois longos passos me uni à minha esposa, abraçando-a pela cintura – quero que conheça a Sra. Brandon...
- Senhorita! – a mulher alargou o sorriso e se aproximou de nós, olhando atentamente para Bella, no meio de dois homens.
Vi tudo vermelho na minha frente... a cara da Bella... o sorriso cheio de dentes brilhantes da mulher... ela se aproximando... ela sendo uma senhorita, ou seja solteira...
- Eu estava dizendo a ele que me chamo Alice Brandon. – ela estendeu a mão, percebi que Bella a cumprimentou com má vontade - E também estava me desculpando por quase ter batido na pick-up.
Minha esposa linda e ciumenta ainda estreitava o olhar para a mulher que, percebendo, soube se sair.
- Bem, desejo-lhes uma boa viagem...
Deixamos o estacionamento da balsa em silêncio e subimos até o deck, onde havia um pequeno e confortável restaurante, Bella se acomodou no sofá, eu numa cadeira, Edward em outra. Com as mãos escondendo o rosto, nossa esposa suspirou antes de falar.
- Desculpem... – seu murmúrio foi bem baixinho – sei que sou descompassada no ciúme que sinto de vocês dois e...
- Ta tudo bem, bebê. – afaguei seu braço e arrastei minha cadeira para ficar mais pertinho dela – Eu só tenho olhos e desejo pra você. Mas quer saber de uma coisa? Esse seu ciúme me excita... – peguei na mão dela e sem que ninguém visse, a fiz sentir minha ereção.
Um beijo calmo e gostoso fez meu corpo se acender de desejo de um jeito que fazia meu pau bater em continência, dolorido de tanto tesão preso no jeans.
- Eu te amo... – ela sussurrou.
- Assim como eu te amo.
O estômago de Bella roncou com vontade, fazendo-a corar levemente,  então pegamos os cardápios e escolhemos um delicioso desjejum com ovos fritos, presunto, pão de milho e waffles com geléia de blueberry. Ainda saboreávamos a comida quando presenciamos o rosto de nossa esposa ficar verde, ela colocou a mão na boca e correu em direção ao banheiro.
Corremos atrás, mas não pudemos entrar no banheiro feminino, porém a sorte estava ao nosso lado.
- Por favor! – Edward segurou no antebraço da Srta. Brandon, que saia do banheiro naquela hora.
- Ai, meu braço! – ela choramingou.
- Desculpe, me desculpe... – ele corou de vergonha - por favor, você viu...
- Vi sim e já vinha chamá-los, entrem, o banheiro está vazio, eu fico na porta...
Nem tivemos tempo de agradecer, quando entramos, encontramos Bella sentada, com o rosto quase dentro da privada, despejando ali algo que parecia ser todo o estoque de comida da terra.
- BELLA! – dissemos em coro - AMOR...
 Sim, nem nas horas de pânico eu e Ed conseguíamos dessincronizar as falas.
- Não... não... – ela murmurava – vocês não precisam ver isso...
- Bebê, não seja boba... – me ajoelhei ao seu lado.
- Na saúde de na doença, princesa. – Edward se ajoelhou do outro lado e começou a enxugar o suor da testa dela com um pedaço de papel higiênico.
- Já passou. – ela tentou se levantar, mas nós a ajudamos – Minha bolsa... preciso escovar os dentes...
Edward saiu como um raio, voltando 3 minutos depois com a bolsa dela, enquanto isso, segurei minha bebê abraçadinha a mim, orando a Deus para que ela não tivesse nenhuma doença grave.
Talvez até eu estivesse sendo paranóico, mas já perdi muita gente importante nessa vida e naquela hora me senti um ‘bostinha’, impotente diante do estado de minha esposa.
‘Por favor, Deus, ela não’...
Enquanto Bella escovava os dentes, eu e Edward trocávamos olhares preocupados, depois voltamos para a mesa abraçadinhos à nossa garota. Ela estava sonolenta de novo, bocejou, fez um biquinho e sussurrou antes de apagar geral.
- Meninos... parem de fazer essa cara! – ela sorriu – Isso é só enjôo do mar...
Com um beijinho no topo da cabeça, a acomodei no meu colo, eu e Ed nos sentamos no sofá para que ela se deitasse confortavelmente sobre nós. É, aquela viagem seria longa... Mas, sinceramente, não engoli essa história de enjôo do mar. Não era a primeira vez que Bella viajava de balsa... Devo ter cochilado, porque acordei com a voz fininha da Srta. Brandon.
- Ela melhorou?
- Sim, deve ter sido uma indisposição estomacal. – Edward sussurrou.
- Obrigado. – sussurrei.
- Não há de quê. – ela sorriu – Com licença.
Quando a mulher se retirou e voltou para a mesa onde ocupava, percebi que Edward também não tirava os olhos dela. Ele a estudava tanto quanto eu! Sobre aquela mesa havia um notebook ligado, dois ou três jornais, e, o que parecia ser, material de fotógrafo profissional.
Girei meu rosto para meu irmão e sussurrei para que ele fizesse leitura labial:
- Qual é a dela?
- Não sei. – ele respondeu.
Deixamos passar, não queríamos acordar Bella com a nossa conversa.
Os minutos de silêncio e as horas de sono mal dormidas nos fizeram cochilar, acordamos depois das sete horas por causa do estridente apito da balsa. Bella não acordou de imediato, apenas se remexeu em nosso colo e murmurou umas coisas ininteligíveis.
- Mano, - sussurrei - to achando que uma tsé-tsé mordeu nossa maluquinha...
- Que porra é isso? – ele fez careta e sussurrou a resposta.
- A mosca do sono, muito comum na África.
- Emmett, - ele rosnou mal humorado – Bella nunca foi à África!
- Sim, mas... a mosquinha pode ter vindo pro lado de cá. – murmurei.
- Nem dou resposta. – ele rosnou e eu segurei o riso – Nossa mulher aqui doente e você falando merda...
- OMG... – Bella ronronou e senti todos os músculos de meu corpo retesarem – Não briguem, meninos, - ela se espreguiçou no nosso colo – já estou bem, só foi um breve mal estar.
- Tem certeza? – falamos em coro.
- Sim! – ela sorriu e se acomodou no sofá, no meio de nós e segurou em nossas mãos – Amo vocês.
O minutinho de silêncio que se seguiu foi bastante sufocante para mim.
- Eu prometo que estou bem, assim que chegarmos em casa vou procurar um posto médico. – ela concluiu e se esticou para beijar a pontinha de meu queixo e a bochecha de meu irmão.
Não tivemos tempo de responder ou de protestar para que ela cuidasse melhor da saúde, num salto, Bella se levantou, pegou sua bolsa e sorriu, depois mordeu o lábio inferior e percebi suas bochechas levemente coradas.
- Ai, meu Deus! Beijei vocês sem escovar os dentes!
Num giro ela se encaminhou para o banheiro feminino, eu e Edward a seguimos, como se houvesse um poderoso e invisível ímã que nos unisse àquela mulher. A essa altura do dia, eu já tinha me esquecido da Srta. Brandon, quando ela apareceu – do nada, eu acho – na nossa frente e nos desejou bom dia.
- A esposa está melhor?
- Está. – nem preciso dizer que Edward respondeu junto comigo.
- Eu só ainda... não consegui entender... de quem ela é...
- DOS DOIS!
A voz de Bella estava endurecida e como a Srta. Brandon estava de costas, não pode ver o quanto minha mulher tinha os olhos semicerrados e as sobrancelhas quase juntas. Aquilo parecia que não ia prestar.
- DURMO COM OS DOIS, - Bella estendeu a mão esquerda – SOU MULHER DOS DOIS... VOCÊ ENTENDEU OU QUER QUE EU DESENHE!?
- OH! – a Srta. Brandon girou seus calcanhares e encarou uma Bella furiosa – Desculpe, não quis ser indiscreta...
- Mas foi. – Bella rosnou.
E durante esse ‘street fighter’ todo eu e Edward permanecemos plantados ao chão, meio que sem saber o que fazer, quase sem respirar... Embora eu sentisse todos os meus músculos em alerta, fiquei tão embasbacado com a situação que não consegui fazer porra nenhuma.
- Bom, eu... ééérrr... fiquei curiosa... num lugar tão pequeno quanto Paradise, uma coisa dessas deve ser novidade.
- Não conheço você. Você não é da ilha. – Edward foi categórico.
- Conhecemos todos na ilha, mas você não é de lá. – confirmei.
- Não mesmo. – ela assentiu com a cabeça também – Sou fotógrafa e vou passar uns tempos na ilha observando e fotografando pássaros migratórios.
- E onde você vai ficar? – Edward, a essa altura, já estava impaciente com a cena.
- Ah, um amigo dos tempos de faculdade da minha irmã é nativo da ilha, ele conseguiu uma casa para mim.
- E que nativo é esse? – Edward estava usando aquela voz cortante como aço.
Eu me senti num programa de TV de 2ª categoria onde um agente fajuto do FBI interroga a principal suspeita do crime. Segurei o riso a muito custo, nem meu irmão, nem minha esposa estavam de bom humor e se eu risse era capaz de sobrar pra mim.
- AH, eu anotei o nome dele na minha agenda... – ela começou a revirar a bolsa ENORME que carregava e num gesto de extrema ‘desastração’ derrubou um monte de coisas no chão, se abaixando para recolher tudo na mesma hora – Só um minuto... Aaahhh, como sou desastrada... Achei! Jasper Mansen! Isso mesmo! Ele cursou Direito com a minha irmã na faculdade.
- JASPER!? – eu, Bella e Edward falamos em coro.
- Vo-vocês o conhecem? – ela gaguejou.
- Claro que sim, nosso primo. – falei, tentando amenizar a situação, dei dois passos e cheguei perto de Bella, abraçando-a pela cintura – Ah, desculpe pelo clima tenso, estamos todos cansados da viagem.
- Tudo bem, - a Srta. Brandon sorriu – a culpa é minha, sou muito curiosa.
Depois que fizemos a higiene matinal e a Srta. Brandon desapareceu de nossas vistas, eu e Edward tentamos distrair nossa Bella que nos pareciam mais bipolar do que nunca naquele dia. Fomos para o segundo deck da balsa, a viagem já chegava ao fim e queríamos ‘avistar’ juntos a nossa querida Paradise. O silêncio era gostoso entre nós, abraçados a nossa garota, eu e meu irmão parecíamos absortos nos próprios pensamentos até que ela quebrou o silêncio.
- Ando muito doida... – ela bufou – Sinceramente, essa Srta. Brandon me tira do sério...
Eu não sabia o que dizer e tenho certeza que Edward também estava sem palavras. Embora não tenha achado que a mulher tivesse se insinuado para nós, devo admitir que ela também me dava nos nervos com aquele jeito bisbilhoteiro de ser. Mas fomos salvos pelo gongo quando avistamos Paradise, Bella sorriu de orelha a orelha e nos abraçou pela cintura.
- OLHEM! – a voz dela subiu umas oitavas – PARADISE!
- Em casa. – Edward falou cheio de contentamento.
- Finalmente. – completei a frase.
Bella nos abraçava com força e meu coração batia acelerado por estar voltando pra casa, muitas emoções varreram minha alma naquele momento. Lembrei de papai, Tanya, nossos tios e primo, nossos amigos, os barcos de pesca... fechei os olhos e inspirei o cheiro do mar, lembrando do cheiro dos peixes e lagostas, lembrando de como é ser pescador...
Lar, doce lar.


POV EDWARD

Meu coração batia descompassado.
À medida que a ilha se aproximava de nós, melhor dizendo, nós nos aproximávamos dela, meu corpo todo vibrava de alegria e me arrisco a dizer que poucas pessoas entenderiam meu estado de espírito porque poucos são os que tem um amor assim pela terra onde nasceu.
Somente uma pessoa despertava em mim emoções mais fortes do que Paradise... Bella... Minha princesa, minha esposa e minha maior alegria... Pois então eu era um homem de sorte, pleno, feliz, realizado! Enquanto eu tivesse Paradise e Bella nada mais faltaria a minha vida.
Assim que avistamos o porto da ilha, descemos para o deck de estacionamento e entramos em nossos veículos, a ansiedade era grande.
- EDWARD! EMMETT! – tia Olivia gritou feito uma louca no estacionamento do porto e correu até nós.
- Tia! – falamos em coro e estreitamos a distância entre nós.
Depois que dona Olivia Mansen nos abraçou, nos beijou e disse que estávamos lindos, corados  e etc. e tal, ela foi até Bella e as duas se cumprimentaram num abraço apertado e carinhoso.
- BELLA! MINHA QUERIDA! FINALMENTE! Veja Ernest, - tia Olivia desfez o abraço e se virou para nosso tio que estava nos cumprimentando naquele momento – nossa sobrinha chegou e veja como ela está linda...
- Oh, criança, seja bem vinda, - tio Ernest foi até Bella – dessa vez, para sempre!
- Obrigada ‘tia’- Bella falou timidamente e corou – e ‘tio’. Eu sou uma pessoa de sorte por fazer parte dessa família e...
- Ah, por falar em família, - Emm interrompeu – cadê o Jazz?
- Quando saímos de casa ele estava na cama ainda... – tio Ernest falou em tom de censura.
- CHEGUEI! – Jasper apareceu do nada nos mostrando uma cara de sono – Primos! – ele nos cumprimentou e depois se voltou para Bella – Prima, - ele beijou a mão dela, imitando um floreio engraçado – de hoje por diante, serei seu humilde vassalo...
HAHAHA
Todos desatamos a rir com as palhaçadas dele quando Bella arregalou os olhos e falou espantada.
- Oh, Jasper, você não está se esquecendo de nada?
Ele olhou para baixo e falou zombeteiro.
- Ai, por um momento pensei que estivesse sem as calças!
- A Srta. Brandon! Você não deveria ir buscá-la no píer?
Nosso primo deu uma tapa na própria testa e murmurou.
- Ai, o que é que a Cinthia Brandon foi me arranjar? – ele fez uma careta de nojo – Essa irmã dela deve ser uma solteirona feia dos infernos...
- Hum... Jasper, por que você não vai até lá para ver isso? – Bella falou e deu um sorriso malicioso.
- E depois que hospedá-la onde quer que seja, não se atrase para o almoço. – tia Olivia falou.
- SIM, SENHORA! – ele prestou continência e falou zombeteiro.
Tia Olivia foi com Bella em sua Land Rover para lhe mostrar o caminho, tio Ernest foi com o Emmett e eu segui, levando a maior parte das bagagens, mas fui o primeiro a chegar à nossa casa e me espantei com a beleza do lugar e as reformas que nossa tia tinha feito no imóvel. Aquela casa parecia mais linda do que nunca! Eu não ousei entrar, queria esperar meu irmão e nossa esposa e apenas contemplava o lugar, inspirava aquele cheiro familiar e fazia uma prece a Deus, pedindo para que nossa família fosse muito feliz ali.
- Muito bacana. – só percebi que Emm estava ao meu lado quando ele falou – A casa ta linda.
- Ta mesmo. – olhei para meu irmão – To aqui lembrando nossa infância... de quando a gente achava que o céu mais azul do mundo...
- Era o céu de Paradise! – ele completou a frase na mesma hora em que percebemos o carro de Bella se aproximar, fomos até lá.
- Bella, - ajudei-a a descer – veja, é a nossa casa.
- O nosso lar, Bella, - Emm apontou para a construção – não é o palácio que você merece, mas lá você sempre será a nossa rainha...
- Que coisa piegas, Emmett! – comecei a zuar e dei um soco no braço dele.
- É mesmo! Hahahaha – ele gargalhou.
- PSIU! – Bella pediu – Não estraguem o momento, meninos... – ela entrelaçou nossas mãos enquanto olhava fixamente para a casa e mexia levemente os lábios, deduzi que ela fazia uma oração.
Depois de alguns segundos, Bella se virou e nos abraçou ao mesmo tempo, sussurrando logo em seguida.
- Nossa casa é linda, perfeita.
- Princesa, esta é a Casa Cullen, sempre moramos aqui, ela é parte de nossa história. – falei.
- Quando nossos pais se casaram, ela não era nem metade do que é hoje. – Emm relembrou - Podemos dizer que sentimos orgulho porque no decorrer dos anos, o pai foi fazendo melhorias na casa, deixando-a mais confortável.
- Pretendemos fazer o mesmo. – completei – E você poderá mudar o que achar conveniente.
- Ela é tão linda. – Bella tinha a voz embargada pelo choro – Eu nunca imaginei que moraria numa casa tão acolhedora e tão... tão... com cara mesmo de um lar, um lugar onde as flores crescem no jardim, o terraço é grande, as janelas apontam para o mar...
Juntos, atravessamos o jardim, chegamos até o terraço e percebemos quando Bella tirou uma chave do seu bolso.
- Ah, foi a tia quem me deu... – ela sorriu – e disse que nos daria boa sorte se a dona da casa fosse a primeira a usar a chave...
Ela girou a chave na fechadura e num pequeno ‘click’ a porta se destrancou, Emmett deu dois passos e abriu-a para nós. Num único movimento coloquei Bella no colo, ela deu um gritinho e sorriu logo em seguida.
- EDWARD!
- Amor, somos tradicionais... – sorrimos.
- Puxa vida! – Emm falou embasbacado.
- A tia reformou os móveis... – conclui.
- Que sala linda... – Bella sussurrou.
- Aaahhh... Que bom que vocês gostaram!
A voz de tia Olivia ecoou atrás de nos, ela entrou e começou a percorrer o cômodo.
- Bella, - ela continuou – perdi o Sr. Percy, o melhor marceneiro de nossa ilha, que reformasse o sofá e os móveis, - ela apontou para a mesa – essa mesinha era um dos cantinhos preferidos do seu sogro, ele apreciava tomar chá no fim da tarde e contemplar o mar por esses janelões...
O piso de madeira estava encerado e brilhoso, as cortinas cor de areia combinaram com as poltronas e contrastavam com o sofá azul marinho, as cadeiras da mesa de chá estavam pintadas de azul marinho também... Enquanto a tia falava, minha esposa percorria o ambiente e sorria de contentamento, depois ela sentou numa das poltronas e se espreguiçou.
- Ah que poltrona gostosa, deu até um soninho...
- Oh, por falar em sono, - nossa tia girou nos calcanhares – venham ver o quarto...
Dessa vez foi o Emmett quem carregou a Bella no colo escada acima, ela não protestou, apenas sorriu o beijou e jogou um beijinho no ar para mim logo me seguida. Apressei os passos e cheguei à porta primeiro que todos, abrindo-a para nossa linda esposa poder ver, mas confesso que meu queixo caiu quando vi aquilo tudo.
- Lindo...
Foi tudo o que Bella sussurrou e confesso que também fiquei de queixo caído. O quarto principal da casa (antes ocupado por meu pai e Tanya) estava todo reformado, mas algo ali era estranhamente familiar, eu só não conseguia perceber o quê.
- Tia!? – Emm se virou para ela – A senhora mandou juntar nossas camas?
- Ah, - ela deu um sorriso amarelo e foi então que a ficha caiu para mim – eu fiz isso mesmo! Espero que não se importem... Quando eu falei para o Percy que precisava de uma cama muito, muito grande, ele disse que bastava juntar as duas camas de vocês e fazer reforços na estrutura do móvel que ficaria muito bonito, seguro e estável...
O quarto estava pintado de azul, com detalhes em bege e o teto de um tom de cáqui muito interessante. Os móveis eram poucos e rústicos, todos discretos e combinando com a cama gigante. Toda a atenção naquele cômodo se voltava para a imensa janela que tomava uma parede inteira e era melhor do que qualquer papel de parede, porque nos dava uma privilegiada vista para o mar.
Bella se aproximou da cama e sentou, depois levantou e desforrou um pouquinho o lençol e franziu a testa.
- E esse colchão enorme, tia!? – ela perguntou.
- Ah, encomendei numa empresa especializada em colchões Poe encomenda na Flórida... – ela sorriu.
Tio Ernest apareceu na porta do quarto, ele vestia um avental e segurava uma toalha de prato.
- Crianças, por que não vão se banhar? Tomei a liberdade de invadir a cozinha de vocês e preparar uma peixada deliciosa para o almoço.
- Hum... peixada!? Deus do céu, que fome... – Bella deu um pulo da cama.
- Edward, Emmett, vocês poderiam trazer as malas para cá? – tia Olivia pediu e nós assentimos, - Bella deve querer vestir roupas confortáveis depois do banho.
Para facilitar a vida, deixamos nossa esposa usar o banheiro da suíte, que, diga-se de passagem, estava todo reformado e cada um de nós usou outros banheiros da casa. Vestimos roupas leves, apenas bermuda, camiseta e chinelo, Bella estava linda, usando um vestidinho florido e curto, na altura das coxas, exibindo aquele par de pernas esculpido pela deusa do amor... Seus cabelos castanhos avermelhados estavam soltos, como eu gostava...
Cerca de meia hora depois estávamos na ‘nova’ sala de jantar, os móveis ainda eram os mesmos, mas foram reformados e as paredes estavam pintadas.
- Hum... – Bella murmurou enquanto provava a peixada – Tio, parece que não como há séculos... que comida deliciosa...
E estava mesmo! Cada um de nós se ocupou do próprio prato e começamos a conversar sobre amenidades até que o celular do tio tocou, era Jasper. Ele se desculpou por não ter ido ao almoço, disse que precisou ajudar a Srta. Brandon numas coisas e acabou convidando-a para almoçar.
Eu, Bella e Emm trocamos olhares cúmplices e nossa esposa sorriu um sorriso arteiro, como se nos dissesse ‘sim, ele já está investindo na turista’.
- Amor, depois do almoço nós vamos ver nossos barcos e conversar com os irmãos Volturi a respeito do fim do arrendamento, quer vir conosco? – Emm perguntou à Bella.
Ela bocejou antes de responder.
- Meninos, hoje não. Eu me sinto tão cansada... – ela sorriu e corou levemente – Acho que vou estrear a nossa nova cama sozinha...
- Tudo bem, princesa. – beijei sua mão – Vamos apenas falar de negócios e vai ser meio chato.
- Fique e descanse, chegaremos a tempo de preparar o jantar. – Emm completou.
- Nada disso, crianças. – Tio Ernest falou – Tiramos o dia para cuidar de vocês... Fiquem na cidade o tempo que for necessário, o jantar também fica por nossa conta.
Assim que subimos para o quarto, mal Bella escovou os dentes e caiu na cama, pegou no sono na mesma hora, quando eu e Emmett percebemos, foi até engraçado.
- Puxa, dessa vez nossa maluquinha ganhou o ‘se vira nos trinta’... – ele falou zombeteiro.
Dirigindo a lata velha nos míseros 80 km/h meu irmão nos colocou na estradinha principal e em menos de 20 minutos chegamos ao centro da cidade, onde ficava a casa de Aro Volturi. Os Volturi já presumiam a nossa chegada, tanto que nos esperavam com uma cerveja gelada na varanda. Depois de uma longa e agradável conversa, acertamos todas as formalidades necessárias.
- Estou muito satisfeito, Aro, - falei – pelo que me parece, a contabilidade da empresa está em ordem.
- E os barcos, Caius? – Emm perguntou.
- Estão em perfeito estado, a cada ano cuidamos da manutenção deles, pagamos os impostos e zelamos pelas demais instalações da empresa.
- Tenho certeza que ficarão satisfeitos. – Marcus falou – E para terem certeza disso, vamos até o píer Cullen, há essa hora toda a frota já deve ter voltado do mar.
Realmente, a tarde foi muito satisfatória, porque eu e Emm resolvemos pegar o Esme II e sair para dar um passeio. O mar estava calmo, gostoso, ele pedia para ser navegado e tudo o que eu mais queria naquele momento era deslizar pelas águas macias de Paradise.
- Feliz, irmão? – Emm perguntou enquanto segurava o leme.
- Muito... – sorri – Sabe, mano eu tava aqui pensando... não vou poder abrir a pousada em tão pouco tempo porque isso requer muita grana e eu não estou disposto a mexer nas nossas economias. Pretendo trabalhar na empresa com você, posso ficar com toda a parte administrativa. Mas eu estava pensando numas inovações...
- Eu tenho pensado nisso há muito tempo. – ele me interrompeu – A indústria pesqueira tem mudado muito nesses últimos anos e cada vez as pessoas estão se importando com o tema ‘pesca sustentável’.
- Já ouvi falar sobre isso, acho que foi você quem me falou... – lembrei vagamente.
- Então... Com um rótulo de ‘pesca sustentável’ poderemos até exportar nossos peixes para o exigente mercado de NY, Miami, Boston, ou seja, as maiores cidades da costa leste.
- E como vamos alcançar esse rótulo? – perguntei.
O crepúsculo chegou e meu irmão ainda me explicava sobre as novas práticas de pescaria sustentável, certificados de qualidade, reeducação dos pescadores, uso de redes ecologicamente corretas, respeito às leis ambientais, esperar o tempo de reprodução das espécies e tantas outras coisas. Somente quando a primeira estrela apareceu no céu, decidimos voltar para terra firme.
E de novo, dentro da lata velha pegamos a estrada que dava acesso à praia Cullen quando fomos bloqueados por uma SUV preta, enorme, com vidros escuros. O imponente veículo passou com tudo, Emmett freou bruscamente, fazendo os pneus da velha pick-up rangerem em sinal de protesto.
- Boa noite, primos. – Adam Macabeus nos saudou de dentro da SUV – Espero não tê-los assustado...
Na mesma rapidez com que ele surgiu, desapareceu e de imediato, eu e Emmett não demos importância ao fato.
- Acho que os Hale-Macabeus tão passando bem, aquela SUV deve ter custado uma nota...
Mal meu irmão terminou de falar e conduziu a pick-up para a entrada à esquerda, já na estrada em direção à nossa casa, pendurados nas primeiras árvores de abeto, estavam três corpos.
- EMMETT, VEJA! – outra freada brusca e descemos do carro aos pulos.
Deus do céu!
Não eram corpos, era... espantalhos?
Estava escuro, corri até a pick-up e peguei uma lanterna para poder ter certeza do que estava vendo. Aquilo parecia surreal demais.
Sim, eram espantalhos!
Três bonecos, enforcados e pendurados num galho do abeto, seus corpos eram preenchidos com palha, seus rostos pareciam desfigurados e não me passou despercebido que eles representavam dois homens e uma mulher.
- Meu Deus... – Emmett balbuciou e sua voz parecia sufocada.
Com as mãos trêmulas, ele sacou o celular do bolso e ligou para casa, conversou alguns segundos com a tia, se certificou que Bella estava dentro de casa e só então pediu para falar com o tio.
- Jazz e o tio estão chegando. – ele me disse quando desligou o telefone.
- Emmett, - rosnei – estão nos ameaçando.
- Aquele Macabeus está por trás disso. – ele rosnou e deu um soco na árvore.
Nosso tio e primo chegaram em menos de três minutos, Jasper estava armado.
- PORRA! – Jazz praguejou – O Macabeus vai pagar caro...
- Não temos prova de nada, Jasper, não seja tolo. – o tio falou calmamente enquanto fotografava a cena e tentava ver se achava mais alguma prova.
- Jasper, porque você diz que foi o Macabeus? – perguntei.
- Porque ele andou dizendo... coisas a respeito do casamento de vocês. – Jasper rosnou.
- Sugiro que não falemos sobre isso com Bella e Olivia, não até termos mais informações... – tio Ernest concluiu – Mas não se preocupem, na qualidade de delegado desta ilha, vou investigar.
Passado o susto, recompomos as feições e voltamos para casa. Bella e tia Olivia estavam na cozinha, conversando e sorrindo... Graças a Deus!
- OH! – a voz de nossa esposa subiu umas oitavas quando ela nos viu, se levantou da cadeira e se precipitou em nossa direção, sendo amparada por dois pares de braços ansiosos e saudosos.
- Princesa, que saudade... – sussurrei e beijei o topo de sua cabeça.
- É tão bom poder te abraçar, bebê. – Emm sussurrou.
Ela aceitou de bom grado as nossas carícias, mas depois desfez o abraço e nos olhou desconfiada.
- Está tudo bem?
- Claro! – respondemos em coro.
- Então por que o coração de cada um de vocês está tão acelerado? – ela inquiriu novamente.
- Porque eu te amo. – falei uma verdade para encobrir uma mentira.
- Porque eu também te amo. – Emm também entrou no jogo.
Nossa esposa sorriu, mas seus olhos ainda estavam desconfiados, ela sabia que estávamos mentindo.


POV BELLA

Alguma coisa realmente estava estranha...
Menstruação atrasada, desmaio, enjôo matinal... Eu supondo estar grávida, embalando mil coisas para a mudança e sem tempo de passar num laboratório e fazer um exame de gravidez.
Confesso que fui protelando, os dias foram passando e acabei não contando nada a Edward e a Emmett, me percebi ansiosa... E se eu estivesse grávida? E se não estivesse?
Mas um apetite desenfreado, um sono monstruoso e mais enjôos não me deixavam pensar noutra coisa. Sem contar que meus nervos estavam à flor da pele... Uma tal de Alice Brandon conseguiu tirar meu sossego quando estávamos na balsa, viajando para Paradise. Por falar em ‘viagem e balsa’, num determinado momento, vomitei até meus pensamentos. Foi horrível! Edward e Emmett viram a cena, eu morri de vergonha.
E quando pensei que as coisas estavam ruins de mais, pioraram! Imaginem que a Alice-biscate (tá, parei, ela não parecia uma biscate) teve a audácia de perguntar de quem eu era mulher! Fui curta e grossa - ‘DOS DOIS’ - falei em alto e bom som. Mas depois me arrependi, talvez eu tivesse mesmo exagerando tudo!
E por ironia do destino, a tal da Alice era uma turista, seu único contato na ilha era com nosso primo Jasper. Então um plano maquiavélico se formou na minha mente: talvez Jasper pudesse distraí-la e deixá-la longe de meus maridos...
OMG... Ver Paradise, pisar o chão da ilha, ser abraçada e bem recebida por tia Olivia e tio Ernest foi tão gostoso e tudo isso afastou de mim qualquer tipo de irritação. Eu já amava tanto aquela ilha, que passei a me sentir mais completa no instante em que chegamos!
- Bella, tome isso aqui. – já estávamos no carro, tia Olivia estendeu um par de chaves douradas para mim – Você deve ser a primeira a usá-las. É para dar sorte...
- Essas são as chaves da Casa Cullen? – olhei rapidamente e depois voltei minha atenção para a estrada.
- Sua casa, querida... – sua voz era solene – Desejo que pelas portas de sua casa só entrem amor, saúde e felicidade.
- Amém. – sussurrei.
Quando chegamos em frente à casa, percebi que meus maridos olhavam estáticos para a construção... Também fiquei embasbacada. A casa era linda, cheia de janelas, rodeada por uma varanda, ladeada por jardins, próxima à praia... e parecia, pelo menos para mim, que toda a felicidade do mundo estava ali.
Quando se deram conta da minha presença, meus amores vieram até mim e me tiraram do carro, apontaram para a casa e me disseram palavras de boas vindas misturadas a uma pequena história da ‘Casa Cullen’.
Em pensamento, fiz uma oração, falei com Deus e pedi a Ele que nos cobrisse de amor. Depois, seguimos juntos, caminhamos pelo jardim, pisando naquela grama verde e macia, depois naquele chão batido e coberto de cascalhos, já na varanda, saquei as chaves do bolso e com as mãos meio trêmulas, sussurrei.
- Ah, foi a tia quem me deu... ela disse que nos daria boa sorte se a dona da casa fosse a primeira a usar a chave...
Assim que ouvi o ‘click’ da fechadura se abrindo, fui surpreendida por maridos muito românticos e atenciosos. Enquanto Edward me colocava no colo, Emmett abria a porta para que eu pudesse entrar e me deparar com a sala de estar mais linda e aconchegante que eu já vi.
Duas das quatro paredes da sala eram apenas janelas com vista para o mar e a prainha em nosso quintal, os móveis eram lindos e rústicos e embora a tia dissesse que tudo era antigo, para mim eram novos.
Escada acima, fui carregada por um Emmett todo carinhoso e fiquei boquiaberta com o nosso quarto, lindo, azul como o mar e o céu, com uma cama enorme para nós três. E qual não foi a minha surpresa quando a tia disse que mandou emendar as camas dos meus maridos e fazer delas uma enooorme cama! O colchão foi feito por encomenda e os jogos de cama feitos sob medida também. Adorei essa idéia!
Depois do almoço, quando, diga-se de passagem, eu comi feito um ogro, meus maridos me convidaram para dar uma volta pela cidade, mas o sono me dominou de um jeito que depois que escovei os dentes e cai na cama e cai numa inconsciência linda.

‘A casa agora tinha um cheiro diferente, um cheirinho de bebê, lavanda e roupas secas ao sol. Nosso menino era lindo, uma perfeita mistura de Edward e Emmett, com os cabelos cor de bronze e o sorriso torto de um e os olhos azuis e covinhas nas bochechas do outro... Eu agora me sentia mais que completa, meu coração transbordava de amor pelos três homens da minha vida.’

Acordei com o coração acelerado e os olhos marejados em lágrimas, levei as mãos ao ventre e percebi minha barriga bem lisinha, sem nenhum indício de gravidez.
- Céus, quase anoiteceu. - sussurrei – Dormi muito!
Fui ao banheiro lavar o rosto e no enorme espelho do banheiro fiquei vendo meu reflexo, levantei o vestido, olhei a barriga...
- Preciso cuidar disso amanhã mesmo. – murmurei.
Quando desci fiquei conversando com os tios na cozinha enquanto os dois preparavam o jantar, no finalzinho da tarde Jasper chegou com um sorriso bobo nos lábios e se desculpando pela ausência no almoço.
- A prima deve entender que eu precisava dar assistência à turista...
- Claro, claro, - falei zombeteira – turista bonita, hein?
Ele gargalhou, fazendo-me rir também, depois me lembrei de uma questão importante.
- Jasper, onde ela vai morar?
- Ah, numa casa que tenho no centro da cidade. – ele deu um gole na cerveja que bebia – A casa fica no mesmo quarteirão do meu bar...
- Muito conveniente, hein primo? – sorri e pisquei um olho.
- Eu não to entendendo nada. – tia Olivia franziu a testa e estreitou os olhos.
Nossa conversa foi interrompida quando o telefone tocou, foi quando eu percebi que tínhamos um telefone pregado na parede da cozinha. Pelo teor da conversa, percebi que um dos meus maridos estava do outro lado da linha e perguntava por mim, se eu já tinha acordado e se estava dentro de casa. Depois a tia passou o telefone pro tio e as feições dele mudaram, tive certeza que algo aconteceu porque o tio e Jazz saíram apressados pela porta dos fundos e não nos disseram nada.
Tia Olivia e eu já estávamos colocando a mesa e enquanto ela tagarelava sobre o fim do verão e o outono incrível que teríamos na ilha, meus pensamentos se voltavam para Edward e Emmett. E de repente me senti com falta de ar, o coração parecia mesmo que ia explodir, achei que ia desmaiar... Sentei numa cadeira, fechei os olhos e respirei fundo... pensei no bebê... sim, mentalizei uma criança no meu ventre... pensei no bem estar dele e só isso foi capaz de me acalmar.
O barulho da porta se abrindo fez com que a adrenalina corresse a mil por hora no meu sistema! Quando abri os olhos, meus Cullen entravam pela porta da cozinha e reconheci em seus rostos uma ruguinha de preocupação, embora tentassem disfarçar com doces sorrisos.
- OH! – minha voz não estava no seu estado normal.
A adrenalina entrou em ação novamente, me fazendo correr até meus amores e abraçá-los de uma forma tão intensa, que se eu pudesse, fazia com que entrassem em mim e eu os protegeria de todo o mal e perigo. Mas quando dei por mim, seus braços me envolviam e me protegiam como uma rede. E daquele contato tão íntimo, percebi que não apenas meu coração batia acelerado, os deles estavam descompassados mesmo.
- Princesa, que saudade... – Edward falou baixinho.
- É tão bom poder te abraçar, bebê. – Emmett também sussurrou.
Ambos pareciam angustiados, aquilo só aumentou meu estado de inquietação.
- Está tudo bem?
- Claro! – eles falaram ao mesmo tempo.
Em tantos anos de convivência, aprendi que meus maridos só falam em coro quando estão muito felizes ou muito nervosos. Felicidade não era o sentimento que dominava naquela hora, não mesmo. Alguma coisa tinha acontecido, eles não queriam me contar e eu não iria forçar a barra... Não por hora.
O jantar transcorreu com conversas amenas, somente a tia não tinha sido contaminada por aquele estado de preocupação. Percebi que meus maridos, o tio e o primo partilhavam da mesma ansiedade, mas tentei disfarçar. Os Mansen se despediram de nós por volta das nove da noite e a tia prometeu vir no dia seguinte, quando ela me levaria para conhecer o centro comercial da cidade. Apreciei a idéia, eu queria mesmo era passar no hospital e fazer um exame de gravidez.
Naquela noite, embora eu quisesse fazer amor com meus maridos e estrear a cama ‘nova’, os dois só quiseram saber de me beijar, me abraçar e me ninar. O sono foi chegando, avassalador, como sempre e eu apaguei numa inconsciência sem sonhos.
Acordei com a boca salivando e uma fome que ‘não era de Deus’. Deitada entre meus maridos, passei por cima de um e minha perna bateu no outro... Ainda bem que não acordei ninguém. Assim que fiquei de pé, uma vontade louca de fazer xixi tomou conta de mim. Satisfeita uma necessidade, desci as escadas, a casa toda estava escura, e fui até a cozinha. Acendi a luz, abri a geladeira e olhei para as comidas meio sem saber o que comer, mas meus olhos faiscaram para um pedaço de melancia e um pote de doce de leite. Cada pedaço da fruta era generosamente besuntado pelo doce... comi até me fartar! Depois de cinco segundos, vi bolinhas coloridas voando na minha frente, o enjôo foi tão miserável que não deu tempo de chegar ao lavado. Despejei tudo na pia da cozinha mesmo!
- Argh, Isabella, que nojo... – murmurei.
Depois do meu ‘espetáculo’, fui ao lavabo e lavei a boca e o rosto, voltei à cozinha e limpei a pia com detergente e alvejante. O que fiz foi muito, muito nojento... Concentrada na limpeza, meu corpo todo se sobressaltou quando ouvi passos vindos da varanda. Como a casa toda era rodeada de varanda e o barulho estava muito próximo, deduzi que algo estava perto da cozinha.
Andando na ponta dos pés, fui até a janela e afastei a cortina só um pouquinho para ver o que estava lá fora. Percebi então que já estava amanhecendo, devia ser quase cinco da manhã. De imediato não vi nada, mas depois a minha boca ficou seca.
Deus do céu!
Segurei o grito a muito custo quando vi o vulto de um homem (achei que era um homem) muito, muito alto, ombros largos e mãos enormes. Ele usava uma jaqueta preta com capuz, seu rosto estava meio encoberto e ele... ele voltava para a varanda carregando um pacote.
Tampei a boca para não gritar.
Fosse quem fosse, a casa era muito segura, tanto as portas como as janelas eram bastante reforçadas.
Na mesma rapidez com que veio, o homem se foi.
Aturdida, subi as escadas segurando no corrimão com bastante força, mas cada vez que eu segurava, a madeira escorregava, minhas mãos estavam suadas. Quando cheguei ao quarto, desabei no colchão ao lado de Emmett e com as duas mãos passei a acordar meus maridos com urgência.
- Acordem! – falei enquanto os chacoalhava – Tem alguém rondando a casa...
 Mal terminei de formular a frase, os dois pularam da cama aos berros.
- O QUÊ!? – falaram exasperados.
- Um homem... Eu tava na cozinha e vi um homem lá fora... – falei meio agitada – e ele tava usando um capuz preto e...
- Bella, fique aqui. – Edward ordenou.
- Vamos ver o que está acontecendo. – Emmett concluiu.
Os dois saíram e eu fiquei sentada na cama meio sem conseguir me mexer. Depois de poucos minutos, eles vieram ao quarto.
- Princesa, - Ed me abraçou – não foi nada.
- Foi apenas o Solomon, filho do padeiro. – Emm sorriu se desculpando – Foi nossa culpa, a gente devia ter dito a você que entre as quatro e as cinco da manhã, ele faz as entregas de pão e leite deste lado da ilha.
- Meu Deus... – falei num sopro de tensão.
Meus maridos se sentaram ao meu lado e me abraçaram.
- Nada de mal vai te acontecer, Bella. – Edward falou ao meu ouvido solenemente – Você é a minha vida e eu vou cuidar de você para sempre.
- Nunca vamos te deixar em perigo, bebê. – Emmett falou e capturou meus lábios num beijo calmo e carinhoso.
Mas depois nossos lábios se tornaram urgentes, o beijo se tornou sôfrego, necessitado, desesperado... Quando o nos faltou, colamos nossas testas e nos olhamos com intensidade. Girei meu corpo e busquei o carinho de meu Edward, seus lábios tocaram os meus e eu me perdi novamente, me entregando a outro beijo cheio de significados.
Naquele começo de manhã fizemos amor de uma forma intensa e romântica, tudo o mais fora daquele quarto perdeu o significado. No mundo inteirinho só havia nós três e a beleza de nosso amor.
Tia Olivia chegou perto das nove horas, me despedi de meus maridos e combinamos de estar em casa cedo para o jantar. Eles teriam um dia inteirinho de trabalho na empresa porque as formalidades de fim de arrendamento ainda precisavam ser concluídas e lhes era necessário se inteirar de mais coisas do negócio. Meu dia também seria cheio, eu queria fazer compras, me distrair um pouco e claro, fazer o tal exame.
- O que você quer fazer primeiro, querida? – minha tia falou.
- Podemos passar num posto de saúde? – olhei para ela de soslaio e depois me concentrei na estrada.
- Você está doente, meu bem? – ela ficou alarmada.
- Não, não tia, é que, bem... minha menstruação já está muito atrasada e...
- OH, MEU DEUS! – ai, quase fiquei surda e me espantei, a tia começou a quicar no banco do carona – GRÁVIDA!? VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA!?
‘Tia, sua doida, pare de gritar’, pensei e me controlei.
-Psiu, tia, - falei calmamente – ainda não tenho certeza e ainda não contei nada a Emm e a Ed, pretendo contar se estiver mesmo grávida.
- Ah! – ela fingiu selar os lábios e depois sussurrou – Vamos ao hospital então...
Um sorrisinho bobo invadiu o rosto da tia e volta e meia ela afagava minha barriga, me fazendo rir quando fazia uma voz infantil.
- A tia vai bordar o enxoval...
Daqui a pouco ela fazia de novo.
- A tia vai mandar fazer os móveis mais lindos do mundo...
E assim foi o caminho todo até o hospital! Eu só fazia rir, não me restava outra coisa a fazer.
Assim que chegamos ao Paradise Medical Center, preenchi uma ficha enorme, cheia de perguntas que iam desde o meu teste do pezinho até a fase adulta e marcamos uma consulta com a ginecologista para aquela mesma tarde. Depois, deixamos o carro estacionado na rua e seguimos à pé para o Nolan’s, um enorme empório na principal rua da cidade. Muitas pessoas acenavam para tia e me cumprimentavam com educação, outras paravam e conversavam um pouco. Todos pareciam simpáticos e quando eu me apresentava como a Sra. Cullen as pessoas não me rechaçavam. Algumas até diziam que eu tinha feito um bom casamento.
- Conheço os meninos Cullen desde que nasceram, - uma senhorinha falou – eles se tornaram homens de bem.
Somente aquilo me fez ganhar o dia. É maravilhoso saber que no lugar onde você mora, os seus maridos são pessoas admiradas e respeitadas.
- Tia, - sussurrei quando a senhora se foi – eu jurava que muitas pessoas da ilha iam ser preconceituosas comigo.
- Querida, - ela sorriu – vivemos cercados de água e meio que isolados do mundo, mas não somos ignorantes.
- Não foi isso o que eu quis dizer...
- Eu sei, - ela afagou minhas mãos enquanto andávamos – acredite no que vou dizer, já vimos muita coisa diferente nessas terras... Umas coisas boas e outras ruins, sabemos reconhecer uma coisa ruim quando a vemos de perto.
Enquanto a tia falava, apontava com o queixo para Lilian e Rosalie Hale e eu fiquei pasma. Elas estavam esquisitas, usando roupas compridas, sem maquiagem, parecendo as religiosas fervorosas que vi na formatura. Mas o que me espantou é que Rosalie estava grávida, com um barrigão enorme, Lilian segurava uma bebê que não devia ter mais do que um ano de idade e ali, junto delas, um menininho fofo que não devia ter dois anos andava segurando na saia da mãe. As duas caminharam em nossa direção arrastando as crianças junto.
- Tia, - sussurrei – a Rosalie...
- Sim! – ela me interrompeu – Três filhos em pouco mais de três anos de casamento. Confesso que tenho pena dessa sobrinha.
- Bem vinda à ilha, Isabella – Rosalie falou com azedume.
- Venha visitar nossa comunidade cristã e quem sabe você não resolve abandonar esse caminho de pecado e maldição. – Lilian falou, seus olhos estavam semicerrados, eu senti um arrepio da nuca.
- Ora, ora Lilian, deixe de conversa mole...
Tia Olivia nos arrastou dali e deixou as duas plantadas no meio da rua. Depois de um minutinho de silêncio, ela continuou.
- Sabe Bella, Adam Macabeus não foi uma coisa boa para nossa ilha. – ela ainda sussurrava – As pessoas aqui não gostam dele, ele é presunçoso e vive se metendo onde não deve. Se Lilian e Rosalie eram chatas, depois dele e dessa religião maluca se tornaram insuportavelmente infelizes. Ao que parece, ele tem muito dinheiro e quer abrir um grande negócio, mas as terras dos Hale parecem não bastar para ele. Ele já tentou ser sócio na maioria dos negócios lucrativos daqui, mas ninguém quer conversa com ele.
- Caramba! – falei embasbacada.
- Ninguém, exceto os empregados deles, como você sabe, eles tem uma plantação de blueberry. O que mais chama a nossa atenção é que TODOS esses empregados vieram de fora, da comunidade religiosa dele no interior de Utah... São um bando que não se misturam e eles também fundaram a SCP.
- SCP?
- Sociedade Cristã de Paradise, - ela falou com desdém – a religião deles quer fazer um enorme templo aqui e já arrumaram briga com os católicos da Congregação de Saint Mary e os cristãos da Igreja Metodista.
- Meu Deus, tia!
- VEJA BELLA! – ela interrompeu a conversa tensa e apontou para uma loja enorme - Tudo que precisamos está no Nolan’s, desde pregos e martelos, passando por móveis e eletrodomésticos e que eles não tem na loja encomendam da capital a um preço razoável.
Assim que entramos fomos saudados por Peter e Charlotte Nolan, os donos da loja. Eles me pareceram pessoas muito gentis, me parabenizaram por ser esposa dos Cullen, disseram que conheceram Esme, Carlisle e Tanya e que para eles Edward e Emmett eram como se fossem da família.
- Ta vendo, querida, eu não disse? – tia Olivia sussurrou - O povo da ilha não tem motivos para não gostar de você!
Saímos da loja com algumas sacolas de compras, escolhi alguns objetos de decoração, uns jogos de banho e alguns utensílios de cozinha, fizemos o caminho de volta, deixamos tudo no carro e fomos almoçar no único restaurante da ilha. Um lugar agradável e com deliciosa comida caseira. Mal dei a primeira garfada e vi entrarem pela porta Jasper e a turista, Alice Brandon.
- Tia, - sussurrei – a mulher que está com o Jazz é a turista que te falei.
- Ah, sim! – ela olhou na mesma direção que eu – Tomara que eles se casem e ela o coloque nos trilhos!
Comecei a rir, tudo o que a tia queria era que Jasper se casasse, e quando eles perceberam que olhávamos, acenaram para nós. Mas o almoço deles parecia ser muito mais uma reunião de negócios do que um encontro, havia um mapa sobre a mesa e dois notebooks ligados. Fiquei muito curiosa.
- Vamos ao hospital, querida? – tia Olivia olhou para o relógio e me fez ficar ansiosa.
A consulta foi muito boa e de cara gostei muito da Dra. Rachel, uma senhora de meia idade, loira e de cabelos curtinhos, olhos castanhos e gentis. Quando ela fez as contas e percebeu que eu não menstruava há oito semanas, me deu uma bronca porque eu protelei tanto o exame. Colhi o sangue e voltei para a sala de espera onde a tia me esperava.
- E ENTÃO? – ela quicou da cadeira e me fez rir.
- Ah, ela fez os exames de praxe, perguntou umas coisas e quase me oficializou grávida, mas vamos esperar uns minutinhos...
Tia Olivia suspirou e eu sorri! Ela começou a matracar, graças a Deus ela me fez rir muito contando mil histórias de quando estava grávida e teve vontade de comer doce de morango com churrasco.
- Sra. Cullen? – a simpática enfermeira me chamou e eu tive vontade de dar um beijo na boca dela.
Onde na minha ficha estava escrito Cullen? Eu não era oficialmente casada, mas ela foi muito gentil em me chamar pelo sobrenome de meus maridos. Dessa vez a tia me acompanhou e assim que entramos na sala, a médica sorria de orelha a orelha.
- Parabéns, mamãe! – ela me entregou o papel.
- OH, OH, OOOHHH... – a tia começou a gritar e abraçou a médica.
Eu fiquei meio... fora de mim... Minhas mãos tremiam e meus olhos estavam marejados, minhas contas estavam certas, aproximadamente oito semanas de gravidez. Muito feliz, eu não conseguia descrever meus sentimentos, mas eu já me sentia tão cheia de amor, que seria capaz de tudo por aquele bebezinho. Num flash minha mente foi invadida por imagens... Eu, Edward e Emmett nos amando, eu sendo feliz com a vovó Marie, fotos antigas de quando eu era bebê e minha mãe cuidava de mim... Lilian Hale me chamando de amaldiçoada, instintivamente, coloquei as mãos sobre meu ventre, querendo proteger meu bebê.
- Isabella, - a médica chamou minha atenção – a presença do pai, no seu caso, dos pais, - ela sorriu – é muito importante. Diga a Edward e Emmett que eles estão convidados!
Marcamos uma ultrassonografia para o dia seguinte, quando meu pré-natal começaria oficialmente.
- A senhora conhece meus maridos?
Ela e tia Olivia gargalharam.
- Todos nos conhecemos e tratamos com carinho de quem amamos. – ela afagou meu ventre e falou com a voz embargada – Eu fui amiga de infância da Esme e cuidar da gestação do neto dela vai ser uma alegria pra mim.
Meus hormônios de grávida quase me fizeram chorar.
- Tia, preciso passar na Nolan’s novamente. – falei quando saímos do hospital - Quero fazer uma surpresa para Ed e Emm.
Depois de comprar o que eu queria e aliviar a tensão gastando um pouco de dinheiro, seguimos de volta para casa. O trajeto foi silencioso, tripliquei meu estado de atenção enquanto dirigia, agora eu tinha ‘oficialmente’ um bebê para cuidar e proteger. Mas eu também pensava nos meus maridos e em como iriam reagir à notícia. Ainda bem que a tia respeitou meu silêncio e nos despedimos na frente de casa com um abraço carinhoso. Ela ainda acenou para mim quando entrou no carro e só deu partida quando eu entrei em casa e tranquei a porta.
Assim que me vi sozinha, tomei um banho relaxante, espalhei hidratante pelo corpo, vesti sutiã e uma calcinha confortável e escolhi um vestidinho solto. Desci para a cozinha e comecei a preparar o jantar, nada muito incrementado, apenas uma salada e um filé de pescada ao forno com batatas e azeitonas.
Eu me sentia leve como uma brisa...
Pela janela da cozinha entrava o gostoso cheiro do mar e das flores. Lá fora a natureza exalava vida, tudo era vida ao meu redor! Da janela, eu podia avistar os pescadores voltando do mar com seus barcos abarrotados de peixes, ostras, lagostas e camarões, eu podia ouvir o canto dos pássaros rasgando o céu e podia ver dois esquilinhos escalando uma árvore... Sim, a natureza explodia em vida ao meu redor e também crescia dentro de mim.
Um filho...
Só de pensar nisso, o meu coração fica descompassado!
Como será que eles reagiriam? Será que ficariam felizes? Surpresos? Com medo? Sim, com certeza sentiriam tudo isso, assim como eu senti quando abri o envelope com o resultado do exame. A nossa delicada situação nos faz sentir tudo isso mesmo...
Mas nós vamos conseguir!
Sim, vamos conseguir!
Nós somos fortes, decididos, corajosos... E esse bebê, não será amaldiçoado como algumas pessoas perversas nos chamam. Deus não amaldiçoaria um bebezinho inocente... O Deus em quem eu acredito não faria isso com o fruto de nosso amor.
Enquanto pensava nessas coisas, acariciava meu ventre e sorria.
- Sim, meu bebê... você é o fruto de um grande amor, sabia? E não importa o que dizem as outras pessoas... Você foi feito com amor, muito amor, três vezes amor! – suspirei e enxuguei uma lágrima teimosa que descia pela minha face.
E quem disse que o amor vem em embalagens convenientes?
Assim que o jantar ficou pronto, decorei a mesa com as coisinhas que eu havia comprado de última hora. Nesse exato momento, ouvi o ruído da Lucille, meus maridos chegaram e eu fui recebê-los na porta de casa.
- Oi amores. – sorri e dei um beijinho em Ed, depois Emm passou pela porta e ganhou outro selinho meu.
- Hum que cheiro bom... – Ed falou.
- Tá mesmo! Que fome!
- Por que vocês não vão lavar as mãos? Espero na sala de jantar.
Apressei os passos e fiquei esperando por meus amores, quando eles viram a decoração maluca que fiz, de imediato não entenderam nada. Amarrados nas cadeiras havia uns balões cor de rosa e outros azuis, entre os talheres e pratos havia umas chupetas rosas e azuis, sobre o prato de Edward, um par de sapatinhos cor de rosa e a inscrição ‘papai’ feita com calda de chocolate. No prato de Emmett fiz a mesma coisa, mas o par de sapatinhos era azul...
- BELLA... VOCÊ? NÓS? – Ed gaguejou e apontou de mim para ele e depois para Emmett.
- SIM! – falei emocionada.
- UM BEBÊ? – Emm sussurrou.
- OH, MEU DEUS! – os dois falaram em coro e me abraçaram.
Aquele foi abraço mais terno que recebi dos meus maridos, enquanto beijavam cada pedacinho do meu rosto, os dois afagavam minha barriga. Percebi que nossas lágrimas de alegria se misturavam ao nosso sorriso de júbilo e total estado de graça.
Pois é... quem foi que disse que o amor precisa vir da forma que todo mundo está acostumado a ver?