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- Música Das Sombras - adaptação do livro homônimo. (Fic concluída)

sábado, 18 de setembro de 2010

Vem comigo, amor


Sinopse: Eles não tiveram escolha. Abandonaram seu lar, seus sonhos, seus amigos, sua identidade. Levaram consigo apenas o amor que nutriam um pelo outro.

Classificação: + 18
Personagens: Os personagens principais pertencem a Sthephenie Meyer
Gêneros: Drama, Lemon, Romance, Suspense
Avisos: Heterossexualidade, Violência, Sexo, Linguagem Inadequada


PRÓLOGO

De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.

(William Shakespeare)

Vem comigo, amor - Capítulo 37

ALIANÇAS

Eu tinha acabado de me despedir de Edward e estava entrando na sala de TV quando ouvi o choro abafado de Sid. Ele estava lustrando os móveis e conversando com alguém no celular. Sua voz estava embargada pelo choro e ele não percebeu a minha presença na sala.
- Por favor, Paolo ... Você precisa entender ... – uma pausa - Paolo, à noite a gente se fala ... Eu não posso trabalhar com você me ligando a cada cinco segundos! – outra pausa – Tá, tá bom. Agora me deixa trabalhar.
Ele encerrou a ligação e seus olhos estavam marejados de lágrimas.
- Desculpe, Sra. Fields ...
- Sid, tá tudo bem com você? – eu fiquei realmente preocupada, nunca o tinha visto tão tristonho.
- Ah ... Sra. Fields, a vida não é um mar de rosas ...
As lágrimas começaram a escorrer e ele tentou limpar o rosto. Eu fiquei muito sensibilizada com a situação dele. Sidclayton sempre foi uma pessoa muito carismática, alegre, de bem com a vida ... E de repente, eu o vejo ali, se derramando em lágrimas na minha sala de estar.
- Calma, Sid ... – caminhei em sua direção e toquei em seu braço - Você gostaria de falar sobre isso?
Ele me olhou atônito e depois esboçou um pequeno sorriso.
- Obrigada por se preocupar, Sra. Fields ... Mas eu não quero chateá-la com minhas crises conjugais. Além do mais, não terminei a faxina ainda.
Resolvi não forçar a barra mas eu queria poder fazer alguma coisa por ele.
- Então eu vou até a cozinha, preparar uma xícara de chá para nós dois.
Ele sorriu e assentiu para mim. Minutos depois, um Sid mais controlado passava por mim em direção à área de serviço. Eu o segui com duas xícaras de chá na mão e lhe entreguei uma delas.
- Sente-se melhor agora? – ele deu um gole no chá antes de responder.
- Ui ... tá quente ... Sim, Sra. Fields, eu me sinto melhor. Obrigada mais uma vez.
- A vida não é cor de rosa, Sid. – falei enquanto esperava meu chá esfriar – Todo mundo tem problemas ...
Ele suspirou e pegou as roupas de dentro da secadora. Há semanas atrás, Sid começou a passar ferro nas roupas daqui de casa. É claro que eu tive que aumentar o valor da faxina, mas por conta da gravidez, achei melhor fazer isso. Ele separou várias peças de roupas e então resolveu falar.
- Pois é. Mas bem que a vida poderia sim, ser cor de rosa e enfeitada com glitter pink!
Gargalhamos juntos.
- Sim, seria bom.
- Paolo insiste em querer se casar comigo. – ele despejou tudo de uma vez – Agora mesmo, ele tava me azucrinando para irmos a San Francisco, oficializar a nossa união.
- Paolo é seu ... namorado? – falei meio hesitante e ele apenas assentiu com a cabeça – Mas por que você não quer se casar?
- Sra. Fields, eu ... eu ... bem, eu preciso me abrir com alguém. Se não eu acho que vou explodir! – Sid falou exasperando enquanto fazia amplos gestos com as mãos – A culpa é minha. Eu é que sou o culpado e ... Ah! Meu Senhor do Bonfim ... O Paolo vai acabar se cansando de mim ...
- Sid, tenha calma. – me aproximei novamente dele – Por favor, fale. Talvez assim você se sinta melhor.
- Não, a culpa não é minha ... – ele negou fervorosamente – A culpa é do Luke!
- Luke?! – falei espantada.
E então, enquanto passava ferro nas roupas, Sid começou a me contar a sua história.
- Luke era meu namorado ... O grande amor da minha vida! – Sid sorriu - Eu morava em NY e tinha o sonho de participar dos espetáculos da Broadway ... Isso foi quando eu era mais jovem, mais romântico, mais ingênuo ... Pois bem, conheci Luke em 2001 e nos apaixonamos!
Ele me mostrou uma foto dos dois no celular.
- Formávamos um lindo casal ... O sonho dele era ser ator de Hollywood e o meu, era viver com ele para sempre. Depois de alguns meses começamos a dividir o mesmo apê e juntávamos cada centavo porque o nosso destino era a Califórnia.  Em 2006 chegamos a Los Angeles, eu arranjei um emprego de dançarina numa boate e Luke se dedicava a fazer testes e testes para pequenos papéis em filmes, comerciais de TV ... Eu pagava todas as contas da casa, mas aquela era uma situação provisória. Afinal, ele estava procurando trabalho também.
Sid fez uma pausa e seu rosto se transformou numa careta de dor.
- E então ele conseguiu um trabalho, não era de ator, mas era de figurante. O dinheiro era legal ... Nos mudamos para um condomínio bem bonitinho em St. Monica e tudo parecia perfeito. Meses depois eu o flagrei aos beijos e amassos com um dos nossos vizinhos do condomínio ... Oh! Sra. Fields, eu quis que a terra se abrisse e me engolisse de vez!
- Sinto muito, Sid. – murmurei.
- Ele me deixou por outro mais novo! – a voz de Sid subiu umas oitavas – Luke disse que eu sou uma bicha velha! Uma bicha velha! – ele repetiu e pôs as mãos na cintura – Agora, me diga, Sra. Fields. Me diga se eu não sou uma bicha de 40 anos, lindamente enclausurada num corpinho de 25?
Eu segurei o riso a muito custo. Sid não estava para brincadeiras, ele realmente estava sofrendo, mas a forma com que ele falou foi muito engraçada.
- Tem razão, Sid. Você não aparenta ter 40 anos. Na verdade, você é muito bonito. – falei meio sem jeito – Se você me permite, eu te acho parecido com a Rihanna, mas os seus cabelos são tão bonitos quanto os da Beyoncè.
- A senhora me fez ganhar o dia ... – ele bebeu mais um gole do chá – Mas então, o Paolo está forçando a barra. Ele quer que nos casemos ainda este ano. Por um lado eu não tiro a razão dele, já estamos juntos há três anos.
- Mas você o ama, Sid?
- Sim, eu o amo. Não é aquela paixão arrebatadora dos jovens, mas é um amor maduro ...
- Mas ... – ele me interrompeu.
- Eu tenho medo, Sra. Fields. – ele suspirou – Tenho medo de me decepcionar de novo. Eu ... eu ... não quero que um pedaço de papel estrague a nossa relação.
- Então por que você não conversa com ele? Abra o jogo, fale de seus medos pra ele.
- Será? E se ele me chamar de bicha-velha-medrosa?
- Mas se você não contar, dará razão para que Paolo pense mil coisas ... Ele também deve estar sofrendo, Sid.
- A senhora tem razão ...
Sid ficou até as 16hs, e depois a conversa ficou mais leve. Ele disse que mora num trailer com Paolo e que são vizinhos de um casal de cabeleireiros gay. Os quatro são muito amigos e gostam de sair para baladas juntos. Sid ainda é dançarino mas agora faz parte de companhia de teatro, seu salário não é muito bom, por isso ele faz faxinas para incrementar o orçamento. Paolo é garçom de uma churrascaria em Por Angeles e seu salário também não é lá essas coisas.
No sábado de manhã, eu e Edward fomos ao galpão de móveis usados de Charlotte, já que ele seria agora um marido-pai-estudante, precisaria de uma mesa de estudos. Para nossa sorte havia uma boa escrivaninha, espaçosa para duas cadeiras, já que Samuel também estudaria com Edward e também uma pequena estante. Charlotte nos garantiu que seus funcionários trariam os móveis na terça-feira (depois de restaurados e envernizados). De lá nós fomos à La Push, mas como ainda estava cedo, decidimos almoçar no restaurante do Sr. Quil. Depois fomos à casa de Emily e enquanto Edward e Samuel discutiam seus planos de estudos eu e Emily conversávamos sobre Claire, que estava cada vez mais linda, e também sobre meus gêmeos.
- Empolgado com os estudos? – perguntei quando entrevamos na pick-up na volta para casa.
Ed suspirou antes de falar.
- Vai ser uma longa jornada ...
- Por isso que o primeiro passo é tão importante. – virei meu rosto em direção ao dele e falei com convicção – Você vai conseguir!
- Obrigado, amor.
Mesmo assim eu achei que Edward ainda estava preocupado e eu até posso entender o lado dele. Esse emprego no banco tinha sido uma das melhores coisas para nós, além do salário ser muito bom, o seguro-saúde tinha uma ampla cobertura hospitalar. Mas não adianta sofrer por antecipação, então resolvi mudar de assunto.
- O aniversário de uma pessoa está chegando ... 21 anos ...
Ele sorriu torto antes de responder.
- 23. Na minha carteira de habilitação, eu tenho 22 anos.
- Mas eu estou falando com Edward Cullen agora. – sussurrei.
Naquele fim de tarde, Ed decidiu fazer uma faxina no sótão, embora eu tivesse dito que não havia necessidade disso porque Sid poderia fazê-la quando viesse na terça-feira seguinte. Ele subiu munido com um balde, uma vassoura e produtos de limpeza e passou uns 40min lá em cima. Deduzi que ele queria ocupar o corpo enquanto pensava na vida. Cuidei do jantar e decidi fazer enchiladas de frango. Enquanto eu cortava a salsa verde daquele gostoso prato mexicano, minha boca ficou cheia de água ... Os bebês mexeram dentro de mim e nos pusemos a conversar. Cortei os tomates em tiras e a pimenta jalapenã em tirinhas mais finas ainda. Cortei o frango e o queijo em cubinhos, preparei as tortillas ... E assim eu ocupei as mãos, mas a minha mente estava em Edward, ele estava muito calado lá em cima. O crepúsculo anunciava mais um fim de ciclo ... Olhei pela janela da cozinha e contemplei um milagre divino: um céu rosa e alaranjado. Em mim, dois pequenos milagres chutaram forte, avisando que estavam famintos. Resolvi chamar Edward, fui até a escada caracol que ficava na área de serviço e gritei.
- Amor o jantar já está pronto.
- Eu to descendo agora. – ele não gritou porque já estava mesmo a caminho.
Não consegui segurar o riso, os cabelos de Edward estavam completamente bagunçados. Mas não foi só isso, ele conseguiu quebrar o cabo da vassoura e conseguiu manchar a camisa preta que estava usando com alvejante.
- Edward, você veio da guerra? – falei zombeteira.
- Foi uma guerra mesmo ... – ele fez biquinho – O cabo dessa vassoura é muito frágil. – ele conseguiu a proeza de dividir a vassoura em duas! – e quando tentei abrir o lacre disso aqui – ele apontou para o alvejante – Essa coisa quase espirrou no meu rosto.
- Nunca vi usar alvejante para limpar o chão ...
- Vou me lembrar disso da próxima vez ...
- Mas você limpou?
- Não. – ele me deu um selinho – É melhor deixar o Sidclayton fazer isso.
Então ele só queria ficar sozinho ... Isso é típico dos homens, papai sempre gostava de ficar sozinho em seu escritório. Mamãe dizia que todo homem precisa de sua caverna particular, um lugar onde ele pudesse pensar na vida.
- Que tal um banho, Sr. Cullen. – fiquei de ponte de pé e sussurrei em seu ouvido. – Juntos ...
- Vai você na frente. – ganhei outro selinho – Prometo que vou logo em seguida.
É, meu marido estava meio eremita e eu não quis insistir. Sai do banho enrolada na toalha e Edward estava sem camisa, sentado na poltrona do quarto, muito lindo e gostoso ... envolto nos próprios pensamentos. Ele marchou para o banheiro, eu troquei de roupa e fui para a cozinha colocar a mesa para o jantar. Falamos pouco durante a refeição, mas a enchilada estava tão gostosa e eu estava tão faminta que até não fiz questão de falar.
Depois de me ajudar a arrumar a cozinha e colocar a louça na lavadora, Ed pegou o notebook e nós fomos para a sala de TV. Eu liguei a TV e me deitei no sofá para assistir uma comédia romântica, enquanto ele sentou no chão e colocou o notebook sobre a mesinha de centro. De vez em quando eu olhava para a tela, percebi que Ed tava navegando no site do banco. Quando o filme terminou, eu já estava com muito sono, me espreguicei e acariciei a cabeça de Edward, ele sorriu.
- Amor, vamos dormir?
- Deixa só eu terminar esse exercício aqui. – ele falou concentrado.
- Mas você já tem matéria pra estudar? – perguntei e dei um enorme bocejo.
- Tenho matérias dos cursos on-line que me inscrevi no site do banco. – ele me fez sentar no sofá, sentou ao meu lado, me deu selinho e também bocejou.
- Edward você também está com sono ...
- Bella, eu preciso estudar! – ele franziu a testa - Eu sinto que preciso fazer algo ... sinto que estou ficando para trás se não começar a estudar logo. Daqui a pouco Anthony e Thomas nascem e você vai precisar da minha ajuda. Então eu preciso adiantar as coisas porque em Dezembro eu terei aquela prova do banco e ...
- Edward. – ele não me ouviu.
- ... em Janeiro as coisas podem ser diferentes porque ...
- EDWARD! – falei mais alto e segurei seu rosto em minhas mãos – Amor, de-sa-ce-le-re por favor! – ele me olhou nos olhos – Você precisa de sua sanidade e de seus nervos pra poder estudar em paz. Ok?
Ele assentiu e eu continuei.
- Eu vou fazer uma xícara de café pra você e você vai estudar um pouco. Não que eu ache que você já tenha matéria acumulada, mas é porque eu sinto que você precisa ocupar sua mente. – respirei fundo – Pra que tanta cobrança, amor? – ele tentou desviar o olhar mas eu não permiti – Olhe nos meus olhos, Edward.
- Princesa ... eu não posso perder esse emprego. – sua voz saiu fraquinha como se ele estivesse cansado.
- Mas você não vai perder o emprego. – falei com a voz firme – Amor, nós ainda temos mais de U$ 500 mil guardados no banco. – sussurrei – Mesmo se você ficasse desempregado por um tempo, isso não seria o fim do mundo.
Ele demorou antes de falar e eu vi uma tempestade cinza em seus olhos.
- Às vezes eu sinto uma grande revolta dentro de mim. – sua voz era fria como aço – Será que você não percebe que tudo desapareceu de nossas vidas?
Ela chegou para Edward. A crise de nervos chegou para ele, seis meses após a morte de nossos pais, banhando-o de lágrimas. Eu não podia esperar isso dele., não depois de tanto tempo. Mas me dei conta que ninguém domina o sofrimento humano, as pessoas sofrem de maneiras diferentes e com intensidades diferentes. Meu coração ficou apertado ao vê-lo se encolher em posição fetal com a cabeça em meu colo.
- Bella, eu não queria ser bancário ... eu queria ser médico. – ele tremia um pouco e a única coisa que eu podia fazer era afagar seus cabelos, enquanto ele escondia seu rosto contra minha barriga – Eu não queria morar nessa cidadezinha escondida, não queria essa droga de serviço de proteção de testemunhas, não queria me chamar Edward Fields. Queria poder voltar para NY, queria nossa vida de volta, queria nossos pais, vivos.
Seu choro se intensificou, me fazendo chorar também, embora eu tentasse disfarçar. Depois de alguns minutos, ele virou seu rosto e me encarou, seus olhos estavam um pouco irritados e vermelhos.
– Eu não sou Edward Fields! Esse cara não existe! Nós não existimos, Bella, não somos reais!
Como se quisessem discordar do pai, Anthony e Thomas chutaram. Peguei a mão de Edward e coloquei-a sobre minha barriga, os meninos chutaram novamente.
- Isso aqui é real, amor ... – tentei falar com calma, embora minha voz traísse minhas emoções – Eles não estariam aqui se não fôssemos reais.
- Amor, às vezes eu sinto que vamos desaparecer ... Será que algum dia voltaremos a ser os Cullen de novo? Será que nossos filhos terão nossos sobrenomes? Você não sente que pode desaparecer, deixar de ser você mesma?
- Eu nunca vou desaparecer ... porque eu tenho você comigo. – toquei em seu rosto – E você nunca vai desaparecer, amor. Eu não vou deixar que isso aconteça. – ele se sentou ao meu lado novamente e colou nossas testas – Eu te amo, Edward.
Seus lábios selaram os meus num beijo quente e urgente. Nossas línguas buscaram o consolo para nossos corações sofridos, nos separamos quando o ar nos faltou.
- Toi et moi, Edward.  Nunca duvide disso.
- Você e eu, Bella. Para sempre.
Naquela noite Edward não estudou, levei-o para o quarto, despi seu corpo maravilhoso e fizemos amor. Depois de nos entregarmos ao prazer por duas vezes, dormimos abraçadinhos (não tão abraçados por causa da minha barriga). No domingo, Edward já estava bem melhor. Suas lágrimas e seu desabafo lhe fizeram bem. Ele passou o dia inteiro estudando, eu me ocupei em arrumar o closet dos gêmeos (eu fazia isso aos poucos) e à tarde fui à missa com Charlotte e Peter.
Na segunda-feira, Charlotte veio me visitar após Edward ter saído para o trabalho, eu estava arrumando a cozinha e me preparando para começar a cozinhar, quando a campainha da porta tocou.

- Bom dia Isabella, bom dia Anthony, bom dia Thomas! – Charlotte fazia uma voz infantil porque ela tinha escondido seu rosto com dois bichinhos de pelúcia - Nós somos o Tico e o Teco e viemos para brincar com os gêmeos!
- OMG! Charlotte, são lindos!!! – com um aceno, eu a convidei para entrar e nos sentamos no sofá da primeira sala – Obrigada. – falei depois que acariciei os esquilinhos.
- Que bom que você gostou. – ela sorriu – Mas eu trouxe umas coisinhas que eu mesma fiz. – só então reparei que ela estava carregando uma sacola também – Veja.

Havia quatro duplas de bonequinhos de tricô, vestidos com roupinhas iguais, como se fossem gêmeos!
- São sachês de patchouly. – levei um deles ao nariz e inspirei o perfume suave - Eu mesma fiz os bonequinhos e os enchi com raminhos desidratados de patchouly. Essa planta possui um efeito calmante e relaxante, tenho certeza que o closet dos pequeninos vai ter sempre um aroma agradável.
- Charlotte! Eu ... eu nem tenho palavras para agradecer.
Minha voz ficou embargada pelo choro. Naquele momento, ela parecia tão maternal ... me lembrei de mamãe ...
- Oh! Querida, só não vale chorar! – ela sorriu – Eu sei que seus hormônios de grávida tentam dominar a situação, mas eu não quero ver lágrimas!!! Sorria!!!
Esbocei um sorriso e ela ficou mais tranqüila, depois fomos ao quarto dos meninos onde eu arrumei o Tico e o Teco na estante que fica em frente aos berços e pus os sachês dentro do closet. Levei Charlotte para a cozinha e preparei um suco para nós duas, de repente me lembrei de uma coisa.
- Charlotte, no dia 11 de Julho é o aniversário de Edward e eu queria preparar uma coisa especial para ele. Mas eu ainda não consegui pensar em nada.
- O que você gostaria de fazer? – eu pensei um pouco e ela reformulou a pergunta – Como você gostaria que fosse?
- Alegre. Queria poder reunir nossos novos amigos e os colegas de trabalho dele. Eu poderia servir um almoço ...
- Um churrasco? – ela perguntou.
- Um churrasco ... é seria legal. Mas será que é fácil fazer um churrasco?
- É fácil, prático e a maioria das pessoas gosta de churrasco. – ela fez uma pausa e olhou para o calendário pregado na porta da minha geladeira – Vai ser num domingo ... Julho é verão ... Vai ser perfeito!!!
Ela saltitou e bateu palmas, parecia uma Alice um pouco mais velha ...
- Eu já pensei em tudo ... Já posso até ver a cena! – Charlotte contemplava o nada à sua frente, mas depois ela olhou pra mim – Isso, é claro, se você gostar da minha idéia.
Eu peguei papel e caneta e comecei a anotar as idéias dela. Tudo parecia fazer sentido e eu me dei conta que o churrasco de aniversário de Edward seria um sucesso. Eu só precisaria da ajuda das pessoas certas ...
Na terça-feira, um Sidclayton mais feliz me informou que tinha conversado com Paolo e que os dois tinham se acertado. Os dias seguintes se passaram voando, em parte porque eu estava envolvida nos preparativos do aniversário de Ed, em parte porque eu seguia firme e forte com as minhas atividades dos cursos de grávida. Pela manhã eu ainda fazia minhas caminhadas pela pista de cooper da praça, mas agora Ed não me acompanhava mais. Ele levava algum livro para estudar, sentava num banquinho da praça e começava a ler. De vez em quando ele levantava o olhar e sorria para mim, eu caminhava a passos lentos e havia sempre um grupinho de senhoras que me ultrapassava, elas me faziam sentir uma ‘tartaruga grávida’. Um dia, não pude deixar de ouvir a conversa de umas delas.
- Oh! Mas ele é um pão ... – uma delas sussurrou.
- Sim, ele parece com o meu Patrick quando era jovem.
- Deixe de mentira, Ursula! Patrick nunca foi bonito assim. Se ele fosse metade disso eu não teria desmanchado meu namoro com ele!
Caraca! Como são assanhadas as velhinhas de Forks!!!
- Vocês viram aquele sorriso? E aquele par de olhos verdes?
G-ZUIS! Diminui os passos e deixei que aquele ‘trio assanhado’ ganhasse distância.
- Você anda arrebatando corações experientes, amor. – falei quando voltávamos para casa.
- Hãn?! – ele franziu a testa.
- As três velhinhas de cabelos brancos te elegeram o ‘pão’ da praça. – falei zombeteira.
- Hum ... – ele fez uma pausa – Esses dias têm feito muito calor, acho que amanhã vou fazer cooper sem camisa. - ele sorriu torto.
Dei uma cotovelada em suas costelas.
- Ai, isso doeu. – ele murmurou.
- A intenção era essa. – falei seca.
Edward explodiu numa gargalhada e eu estirei a língua pra ele. Fui abraçada pela cintura (ou a ausência da cintura) e ele sussurrou em meu ouvido.
- Bella, você fica uma delícia com esse ciuminho bobo? Que tal uma rapidinha antes de eu ir trabalhar?
Meu rosto esboçou um sorriso um tanto pervertido, eu corei e assenti. Juntei nossas mãos e ditei um ritmo de caminhada mais rápido. Uma voz nos interrompeu.
- Sra. Fields! – era o Sr. Hobbes que nos chamava, em frente a sua casa, do outro lado da rua.
Mudamos o curso da caminha e eu ainda ouvi Edward murmurar ‘Seja rápida porque eu quero a minha rapidinha’. Fiz cara de paisagem e belisquei o braço dele.
- Bom dia, Sr. Hobbes! Como vai o senhor? – o velhinho tinha ambas as mãos atrás do corpo.
- Bom dia, minhas crianças. – eu sabia que ele falava comigo e com Edward, e não com os bebês – Eu tenho um presente para você, menina.
E então ele mostrou o que tinha nas mãos. Duas rosas, lindas, enormes e mariscadas de branco e rosa, eu nunca tinha visto rosas tão perfeitas.
- Essa é a minha mais nova criação. – ele falou orgulhoso - A Rosa Isabella.
- Rosa Isabella? – questionei enquanto recebia as rosas.
- Sim, criança. Essas são rosas híbridas, são o resultado do cruzamento de espécies diferentes. – ele explicava – Vou levá-las para o campeonato nacional de rosas na Califórnia!
- Obrigada pela homenagem, Sr. Hobbes, eu nem tenho palavras. – virei meu rosto para Ed – Elas não são lindas, amor?
- Sim. O senhor está de parabéns, Sr. Hobbes. Tenho certeza que a Rosa Isabella ganhará o prêmio.
- Eu também! – ele sorria de orelha a orelha – Criança, eu gostaria que você tirasse uma foto com as rosas. Assim eu poderei levar para o campeonato e mostrar quem me inspirou ...
Fudeu! Foto? Isso não parecia ser uma boa idéia, senti Edward retesar o corpo. Se as fotos fossem para meu álbum de família, tudo bem. Mas para um concurso na Califórnia?! Pensei rápido.
- Vamos fazer assim, Sr. Hobbes, eu e Edward vamos pensar numa foto bem bonita ... Ok?
Ele sorriu e assentiu, nos despedimos rapidamente dele e quase corremos para dentro de casa.
- Hey, rosa, que tal um banho juntos? – Ed falou zombeteiro.
Tomamos banho de banheira e também namoramos um pouquinho. Trocamos de roupa juntos e quando dei por mim, tive a idéia para a foto das rosas. Peguei a máquina fotográfica dentro do closet e mandei Edward tirar umas fotos.
- Bella você acha que é seguro mandar fotos suas para a Califórnia?
- Claro que não, Edward. Mas essas rosas logo vão murchar. – fiz uma última pose – Fotografe dos meus seios para baixo, livre meu rosto.
Ele tirou mais quatro fotos, todas ficaram ótimas. Eu escolhi uma para entregar ao Sr. Hobbes.

No sábado, 10 de Julho, eu tirei a tarde para visitar o salão de beleza. Edward estava em casa, estudando com Samuel, enquanto eu e Charlotte visitávamos o Diva’s Coiffure, o salão de beleza de Alejandro e Julian, dos dois vizinhos gays de Sid. Em parte eu queria ficar bonita porque no dia seguinte seria o churrasco de aniversário de Edward, em parte, eu sentia falta de um ‘momento só de garotas’.
Fiz hidratação nos cabelos, escova e chapinha, fiz depilação com cera negra, fiz as unhas dos pés e mãos e dei bastante risada. Charlotte fazia muitas palhaçadas, eu me diverti bastante. Fiz uma nota mental de freqüentar mais o salão de beleza, aquilo era bom para minha sanidade. À noite, eu preparei uma massa com camarões frescos e uma saladinha com tomates e morangos, escolhi uma garrafa de vinho branco e preparei um jantar bem romântico. Quando Samuel foi embora, eu já estava de banho tomado e um pouco mais arrumada do que o normal. Escolhi um vestido indiano bastante colorido e umas rasteirinhas douradas. Liguei o som na sala de TV e quando Edward apareceu na sala de jantar, vestindo uma calça jeans clara e uma camiseta azul marinho ... G-ZUIS ... Eu hiperventilei ...
- Jantar romântico? – ele arqueou uma sobrancelha.
- Sim. – caminhei em sua direção e abracei – Esse é um presente adiantado de aniversário. O outro, eu te dou lá no quarto. – sussurrei em seu ouvido, enquanto peguei uma de suas mãos e a coloquei sobre meu sexo.
Edward arfou antes de responder.
- Tenho certeza que vai ser delicioso ...
O jantar foi muito gostoso, a comida estava deliciosa e o vinho parecia estar perfeito. Eu tomei uma limonada, já que há dias atrás eu havia tomado a vacina antitetânica que as grávidas devem tomar. Ingerir bebida alcoólica ‘cortaria o efeito’ da vacina. Ah ... Mas eu queria tanto provar o vinho! Depois do jantar, Ed ainda se serviu de uma taça de vinho, eu me sentei em seu colo e beijei seus lábios na esperança de provar um pouco da bebida.
- Que vinho gostoso ... – sussurrei.
- Que beijo gostoso ...
Suas mãos me envolveram (tá, elas não me envolveram, porque eu estou muuuito redonda) e ele me beijou com paixão. Nossas línguas dançaram sensualmente e eu já sentia meu sexo úmido de tanto desejo ... Quando o ar nos faltou, lembrei da sobremesa ...
- Amor, você vai querer sobremesa?
Ele sorriu torto e seus olhos percorreram meu corpo com luxúria.
- Estou ansioso ...
- Ed, eu to falando do creme de pêssegos com calda de chocolate!
Gargalhamos juntos e eu coloquei um pouco do creme numa única tacinha para nós. Eu estou, a todo custo, cortando calorias inúteis e evitando comer muitos doces. Essa é uma tarefa muito difícil mais é por uma boa causa ... meu corpo! Eu espero ter o meu corpo de volta o mais rápido possível!
Após a sobremesa, o som da música na sala de TV se tornou convidativo para nós. Começamos a valsar em direção à sala ao som de músicas antigas e românticas. Tudo era perfeito, lindo, como a vida deveria ser. Eu girava e era conduzida pelos braços fortes de Edward e estava tão à vontade ali que só podia ter a certeza de estar no lugar certo. Seus lindos olhos verdes tinham uma felicidade jovem e extravagante, quase hipnótica, que enchiam a casa de luz e amor.  A casa ... o nosso lar e lugar mais secreto e íntimo ... era testemunha de uma noite de verão quente e feliz. Eu nos achava o casal mais bonito do mundo, senti nossos bebês chutarem minha barriga e reformulei o pensamento. Eu nos achava a família mais bonita do mundo.
Dançamos mais um pouco e depois Ed me levou para o quarto. Ele me despiu com calma, seus lábios saboreavam cada pedacinho de meu pescoço e colo, depois me deitou na cama com muito cuidado. Percebi que ele pegou algumas almofadas para me acomodar melhor ali. Nua, percebi o quanto estava ... imensa ... Não gorda, mas imensamente grávida. Ainda bem que meu marido começou a se despir porque eu estava prestes a surtar ... Gravidez é foda, por um lado você se sente linda, lindamente mãe, por outro lado, você se sente um balão ...
Mas por falar em foda ... senti o corpo másculo de meu marido contra o meu e sorri. Ele sussurrou em meu ouvido, provocando arrepios em minha pele.
- Linda ...
Seus lábios começaram a lamber e a chupar o lóbulo de minha orelha e uma de suas mãos acariciava suavemente um de meus seios. Os pensamentos começaram a ficar incoerentes em minha cabeça e tudo o que eu fazia era gemer baixinho.
- Ed ... – sussurrei ofegante.
- O que foi? – seus lábios já estavam em um de meus seios, onde (sabiamente) ele roçava a língua bem de leve sobre meus mamilos.
- Oh ... Ed ...
- O que você quer Bella? – ele afastou os lábios de meu mamilo só um pouquinho.
- Vo-você ... Ah! – grunhi quando senti seus dedos acariciarem minha intimidade.
- Calma ... Uma grávida não pode se estressar tanto ...
Ele falou zombeteiro e eu me apoiei meu corpo sobre os cotovelos para poder encará-lo. Quando eu ia verbalizar meus protestos, ele abriu mais as minhas pernas e seus lábios quentes e macios assaltaram minha intimidade.
-Ah! – gritei de prazer e esqueci o que ia falar.
Sua língua fazia um lindo passeio em minhas carnes sensíveis, afundei naquele mar de prazer ... Minha respiração estava entrecortada e meu coração galopava ... Deus ... Aquilo era perfeito! Uma contração violenta eclodiu de mim, eu me derramei de prazer ao mesmo tempo em que gritava.
- Oh ... Ed ... Aaahhh ...
Meu amor ainda sugou de mim por um bom tempo enquanto meu corpo era assaltado pela explosão mágica do prazer. Os dedos dos pés formigavam, minha boca estava seca, meus olhos marejavam de prazer e amor. Depois Edward se deitou ao meu lado e me abraçou com ternura, seus lábios roçavam levemente os meus cabelos.
- Morangos ... – ele sussurrou – Adoro esse cheiro de morangos em seus cabelos.
- Eu sei. – beijei seu peito e depois busquei seus lábios com a fúria de uma amante.
Quando o ar nos faltou e o beijo cessou, Edward se deitou novamente sobre mim, apoiando seu corpo sobre os cotovelos. Seus lábios beijavam maliciosamente o meu pescoço, colo, seios ... Então ele se sentou de joelhos na cama e me prendeu sob suas pernas. A me contemplar nua, me fez corar ...
- Minha ... esposa, Isabella, mulher ... minha ...
- Sua ... só sua... – sussurrei olhando nos seus olhos.
Sem quebrar o contato visual, Edward pegou as almofadas e colocou-as sob mim, elevando os meus quadris. Eu olhava atenta, curiosa e terrivelmente excitada porque o ‘eddie’ estava muito, muito lindo.
- Amor, você está confortável? – ele perguntou – Sua coluna dói?
- Não, mas ...
- ‘Papai-e-mamãe elevado’ – ele sorriu torto enquanto batizava aquela nossa posição.
Seus lábios beijaram minha virilha e minhas coxas com luxuria, aquele toque era muito quente, gostoso ... Ah! Que tesão! Fechei os olhos e senti uma nova umidade se apossando de meu sexo ao mesmo tempo em que o ‘eddie’ abria passagem por mim. Ofeguei de prazer e abri os olhos. Edward estava de joelhos sobre a cama, suas mãos seguravam minhas pernas, me dando apoio e me fazendo ficar naquela posição. Ele se inclinou um pouco sobre mim, se modo a quase abraçar minha barriga. Ed movia vigorosamente os quadris contra mim, fazendo com que o ‘eddie’ entrasse e saísse várias vezes. Nossos gemidos e arquejos eram quase que sincronizados, eu tentava rebolar meus quadris na tentativa de obter mais prazer ... Como se isso fosse possível! O meu ‘eddie’ gostoso, a cada investida, parecia percorrer espaços desconhecidos de minha intimidade ...
- Mais ... – eu ofegava – Edward, vem ... amor ...
Eu mordia o lábio inferior e fechava os olhos, sentia meus mamilos mais e mais rígidos e já não tinha controle algum sobre nada. Quando senti que estava perto, abri os olhos e percebi que os orbes verdes de meu marido me fitavam. Só tive tempo de esboçar um leve sorriso antes de gritar de prazer e sentir a explosão mútua de nossos gozos.
- Te amo, Bella. – seu sussurro entrecortado era cheio de ternura enquanto ele ainda estava dentro de mim e nossos sexos latejavam.
- Como eu te amo. – também sussurrei sem conseguir me libertar daqueles olhos verdes.
Deitamos abraçadinhos, nus e exaustos pelo prazer ... Inclinei um pouco a cabeça e vi no despertador sobre o criado mudo, que já era meia noite e três minutos.
- Feliz aniversário, Edward, meu amor ... – sussurrei e beijei a pontinha de seu queixo.
- Obrigado, princesa ... – ele sorriu torto e inclinou seu rosto para me beijar.
No domingo, dia do aniversário dele, acordei super cedo, às seis da manhã. Eu fiz minha higiene pessoal, troquei de roupa e fui até o closet dos bebês para pegar o presente de Edward (eu tinha escondido lá), voltei ao quarto, deixei o presente sobre a poltrona e fui à cozinha, preparar um café da manhã especial. A intenção era fazer Ed pensar que não haveria comemoração alguma. Eu tinha que me apressar porque às 7hs e 30min, em ponto, Peter viria para ‘distrair’ Edward. Minutos depois a mesa estava muito bonita, havia um pequeno jarro com alguns jasmins e também havia pães, geléias, queijo, suco de laranja, frutas, café e leite. O som dos acordes do violão me disse que Edward já havia acordado. Fui até o quarto e o vi só de cueca boxer, sentado sobre a cama, ensaiando alguma melodia em seus dedos.
- Bom dia, amor! – parei na porta – Feliz aniversário de novo!
Ele pôs o violão sobre a cama e me chamou com seus braços, me fazendo sentar em seu colo. Seus lábios me beijaram com doçura.
- Bom dia, princesa. – sua voz era rouca e sedutora – Eu adorei o presente. – ele sorriu – É idêntico ao que mamãe me deu ...
- Eu sei. – sorri largamente – Comprei num site de leilão. Sabia que ele foi fabricado no mesmo ano que o seu?
- Sim. Eles são da mesma marca, mesmo modelo e mesmo ano.
- Eu sabia que você sentia falta de seu violão. – suspirei – É claro que este é só uma réplica ... O verdadeiro é mais especial ...
Ele me beijou novamente.
- Por que o outro é mais especial? – Ed arqueou as sobrancelhas.
- Porque o outro foi um presente de Esme. – enumerei os fatos com os dedos – Porque com ele você cantou pela primeira vez pra mim, porque ...
- Agora ... eu ... tenho ... dois ... violões ... especiais ...
Cada palavra sua era intercalada por selinhos em meus lábios.
- Este violão aqui foi presente de minha esposa. – ele apontou para o presente – Com ele, eu vou cantar para você e para meus filhos. Você quer coisa mais especial que isto?
- Sim, você!
Nosso beijo recomeçou, quente, doce e profundo e só parou quando os pulmões protestaram, os bebês chutaram e meu estômago roncou. Sorrimos e separamos nossos lábios.
- Bom dia, papai. Feliz aniversário! – fiz uma voz infantil enquanto pegava uma mão de Edward, colocando-a sobre minha barriga.
- Bom dia, Anthony. Bom dia, Thomas.
Edward se vestiu e entrelaçamos nossas mãos enquanto nos diríamos à sala de jantar. Assim que terminamos de tomar café, a campainha tocou.
- Você está esperando alguém? – ele perguntou.
- Não. – fiz cara de paisagem, ele me deu um selinho e se levantou.
Minutos depois, um Edward meio bicudinho entra na sala de jantar, sua testa estava um pouco franzida.
- O que foi, Ed? – tentei falar com indiferença.
- Peter. – Ed me abraçou e beijou minha testa – Ele machucou o braço ontem e está usando uma tipóia, não consegue dirigir e quer que eu o leve à delegacia.
- Ah ... – foi tudo o que falei.
- Não se preocupe. – ele beiju meus lábios – Volto logo. É só uma carona.
- Ok. Te amo.
- Eu te amo mais.
Esperei uns dez minutos, só foi o tempo de eu arrumar a cozinha e colocar a louça na lavadora. Depois saí sorrateiramente pela porta dos fundos, atravessei o jardim e cheguei à casa de Charlotte. A movimentação toda se concentrava na cozinha, onde Charlotte já estava cozinhando alguma coisa, enquanto Sid cortava coentro sobre uma tábua e um homem, que deduzi ser Paolo, salgava uns cortes de carne.
- Bom dia! – acenei para todos.
- Bom dia, querida! – Charlotte acenou para mim.
- Sra. Fields, este é Paolo.
- Bom dia, Paolo. Como vai? – estendi-lhe a mão e nos cumprimentamos.
- Bom dia, Sra. Fields, prazer em conhecê-la. – ele tinha um sorriso sincero.
Olhei em volta e vi que já tinha muita comida pronta.
- Gente, vocês começaram a cozinhar de que horas? – perguntei.
- Oh! Faz pouco tempo. Às seis da manhã esses mocinhos me tiraram da cama. – Charlotte falou zombeteira.
Um cheiro gostoso e desconhecido invadiu minhas narinas.
- O que vocês estão cozinhando?!
- Feijoada! – Charlotte respondeu – É um prato brasileiro e muito gostoso!
- É uma feijoada light, pode-se assim dizer. – Sid esclareceu – No lugar de muitas carnes gordurosas, eu coloquei lingüiças defumadas, bacon e paio.
- Nunca comi feijoada ... – murmurei.
- É uma delícia, você vai ver! – Charlotte falou com convicção.
- Hum ... minha boca ficou cheia de água! – falei numa crescente expectativa.
- Amor, a sua feijoada vai causar! – Paolo falou para Sid.
Eu ajudei um pouco, cortei algumas frutas, verduras e arrumei alguns guardanapos. E depois voltei para casa para preparar a torta alemã. Eu sabia que essa era a torta preferida de Ed e, modéstia à parte, a minha ficava uma delícia. Depois de pronta eu enfeitei a superfície dela com morangos e a coloquei na geladeira. Enquanto eu preparava a torta, prestava atenção na movimentação do jardim. Charlotte havia convocado dois empregados de sua loja para ajudar a carregar algumas mesas e cadeiras pois o almoço seria servido no jardim dos fundos. O tempo passou rápido e quando dei por mim já eram quase onze horas. Meu celular tocou, era Emily querendo saber se os preparativos estavam em ordem. Eu havia combinado que os convidados podiam chegar após as 11hs e antes das 11hs e 30min. Peter traria Ed de volta para casa nesse horário ... Depois que terminei com a torta, tomei banho e troquei de roupa. Escolhi um vestido solto, florido e curtinho, por baixo dele, vesti uma legging vermelha e calcei sapatilhas azul marinho. Prendi meus cabelos num rabo de cavalo frouxo e usei apenas um gloss cor de boca nos lábios.
Quando olhei o jardim dos fundos, meu queixo caiu. Havia uma mesa com frutas, outra mesa só com pratos, talheres e bebidas e a mesa principal já estava toda arrumada.

Ao lado dessa última, a churrasqueira já estava pronta e Paolo usava um avental e uma touca verde oliva.
- Meu amor fica muito bem de verde. Não é? – Sid apertou gentilmente as bochechas de Paolo e eu não pude segurar o riso.
- Gente, ficou lindo!!! Obrigada ...
- A senhora ainda não viu o principal. – Paolo falou todo orgulhoso – Veja como a gente arrumou as mesas na área lateral da casa.
Girei meus calcanhares e os dois me seguiram e quando vi aquilo tudo, meu queixo caiu de novo.
- Caraca! – foi só o que eu consegui dizer.
Os dois me olharam cheios de expectativas.
- PERFEITO!!! – disse por fim – Vocês conseguiram fazer um ambiente alegre, despojado e informal!

- ARRASOU!!! – Sid e Paolo disseram em coro, se cumprimentaram num high five e se abraçaram.
- Sid, Paolo, obrigada, de coração ...
Charlotte se juntou a nós, meu celular tocou, era Benjamim dizendo que já estava chegando com Tia. Na verdade, ele veio somente pra deixar Tia aqui, ele estava de serviço naquele domingo, mas viria depois para dar um abraço em Ed. Parece que todo mundo resolveu combinar de chegar de uma vez só: Sr. Hobbes, Samuel, Emily, Claire. Minutos depois, os colegas de trabalho de Ed chegaram e Samuel me apresentou a cada um: Harry Miller (que eu já conhecia) e sua esposa, Kate, Irina, Donna, Riley, Mark, Margot, seus respectivos pares e mais algumas pessoas que eu não decorei os nomes. Rapidamente o pessoal se acomodou nas cadeiras, exceto Emily que preferiu ficar com Claire na varanda dos fundos, de vez em quando eu ia lá pra fazer companhia a elas. Sid e Paolo ligaram o som, escolheram umas músicas bem legais e começaram a servir bebidas. Numa das mesas havia um infinidade de mini canapés e petiscos, de modo que cada um se servia à vontade. Rapidamente o pessoal se entrosou e a conversa fluía entre todos. Depois que Claire dormiu, Emily seu carrinho de bebê para meu quarto. Peter ligou dizendo que ele e Ed estariam chegando em cinco minutos. Pedi silêncio a todos e me senti numa cadeira da varanda, quando chegou, chamou meu nome.
- BELLA?!
- To aqui na varanda dos fundos, amor.
Ouvimos os passos despreocupados de Edward e quando ele abriu a porta, todos estavam na varanda.
- FELIZ ANIVERSÁRIO!!! – dissemos em coro.
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*POV EDWARD*
O dia de meu aniversário tinha começado meio esquisito. Quando acordei, Bella já não estava na cama, me espreguicei um pouco e lembrei da noite de amor que tivemos ... Meus olhos perceberam um enorme embrulho sobre a poltrona do quarto, me levantei e desembrulhei o pacote e meu coração bateu mais forte: uma capa de violão! Dentro dela não havia apenas um violão. Não, mesmo! Era um Gibson J200. Meus olhos ficaram marejados ... Vi o ano de fabricação: 1980. Com grande emoção meus dedos percorreram aquelas cordas delicadas ... Mamãe havia me dado no meu aniversário de dez anos um violão idêntico àquele, mesma marca, mesmo modelo, mesmo ano de fabricação. Na época, ela havia comprado o meu numa de lojas de instrumentos musicais no Brooklin, este aqui, não sei onde Bella arranjou ... Respirei fundo, muitas emoções e lembranças tomaram conta de mim ... E só então reparei que havia um cartão de aniversário para mim.
“Querido Edward, feliz aniversário de novo!!!
Eu não tenho palavras para dizer o quanto de amo, te adoro, te admiro, te respeito ... E também não tenho como expressar o que você é pra mim ... Mas eu sei que você sabe! E graças a Deus por isso, porque seria fácil dizer que você é o sol, o meu ar, o chão que me sustenta e o céu que me protege. Seria fácil dizer tudo isso porque, de um jeito ou de outro, eu poderia viver sem eles. Mas sem você eu não posso ... Hoje, eu só tenho a agradecer a Deus porque você existe. Só tenho a agradecer porque eu tenho você e porque você me ama.
O aniversário é seu, mas você é o meu presente.
Desejo muitas felicidades ao melhor namorado, ao melhor marido, ao melhor papai do mundo.
Edward Cullen, eu te amo.
Isabella Cullen”

‘Caramba’, pensei enquanto enxugava lágrimas de meus olhos. Fui até o closet, guardei aquele cartão no nosso minicofre e me encaminhei para o banheiro. Tomei uma ducha rápida, voltei para o quarto e vesti uma boxer qualquer, minha atenção estava naquele violão. Esbocei uns acordes e ao levantar o olhar, percebi que Bella estava na porta do quarto. Ela me desejou bom dia e ‘feliz aniversário’ de novo. Veio até mim e se sentou em meu colo, recebi um beijo bem gostoso e conversamos um pouquinho. Quando vi a mesa posta, percebi que ela tinha acordado cedo para preparar um lindo café da manhã. Eu adorei as surpresas, tanto o violão como o café. Comemos com vontade, afinal tudo estava uma delícia! A campainha tocou e eu fui atender, embora tivesse certeza que não seriam votos de feliz aniversário. Afinal, quem em Forks saberia do meu aniversário? Era Peter, coitado, usando uma tipóia no braço e me pedindo para que eu o levasse até a delegacia porque ele não podia dirigir. Antes que eu pudesse recusar, ele acrescentou.
- Charlotte sofre de enxaquecas terríveis! Hoje ela está muito mal, não pode dirigir.
- Tudo bem, Peter. Só vou avisar a minha esposa.
Voltei para a sala de jantar pisando firme no chão. Não que eu não gostasse dos Greeves, mas naquele dia, tudo o que eu queria era a companhia da minha esposa, dos meus gêmeos e do meu novo violão. Mas eu não poderia recusar o pedido de vizinhos tão legais. Respirei fundo antes de falar, mas Bella foi mais rápida.
- O que foi, Ed?
- Peter. – fui até ela, a abracei e beijei sua testa – Ele machucou o braço ontem e está usando uma tipóia, não consegue dirigir e quer que eu o leve à delegacia.
- Ah ... – ela pareceu não ter gostado muito.
- Não se preocupe. – beijei seus lábios – Volto logo. É só uma carona.
- Ok. Te amo. – ela falou e sorriu.
- Eu te amo mais.
Não fomos no carro de polícia, ainda bem ... Peter estava de folga naquele dia, por isso fomos na minha pick-up. Ele parecia meio sem graça e o caminho foi feito em silêncio, em menos de dez minutos chegamos lá. Flagramos Benjamin jogando paciência no computador da delegacia e na mesma hora, o telefone sobre sua mesa tocou. Ele atendeu e ficou calado por alguns segundos, depois ficou pálido, nervoso e desligou rapidamente.
- Peter, fique aqui um pouquinho ...
- O que foi, cara?
- É Tia, ela acha que o bebê quer nascer hoje!
E para minha perplexidade, Benjamin saiu e deixou a delegacia a cargo de Peter. Eu o olhei atônito, ele se explicou.
- Não se preocupe. Tia fez isso três vezes durante esta semana. Daqui a pouco, Benjamin consegue convencê-la que o bebê não vai nascer hoje.
- Peter, se você quiser, eu venho te buscar depois. É só me ligar.
- NÃO! – ele segurou meu braço – Garoto, por favor eu preciso de sua ajuda. Já que Benjamin não está, preciso que você ajude a encontrar um arquivo importante. – ele estirou o braço com a tipóia.
Puta que pariu!
Eu fiz a melhor cara de paisagem que pude, afinal os Greeves são nossos vizinhos e amigos para todas as horas. Mas será que ele não podia ter escolhido outro dia para machucar o braço, precisar da minha ajuda e ter que procurar um arquivo em meio a vários documentos digitalizados?
Depois do que me pareceu um século e meio de procura, Benjamin voltou, Peter se convenceu que o material antigo não existia mais e me pediu para levá-lo para casa. Ele me agradeceu pela carona e entrou em sua casa, estacionei o carro na frente da minha casa e ... Puxa, quando olhei ao redor da pracinha no final da rua, me espantei com a quantidade de carros que estavam estacionados ao seu redor.
Entrei em casa feliz e contente.
- BELLA?! – chamei alto o suficiente para não assustá-la.
- To aqui na varanda dos fundos, amor.
Apressei os passos e quando abri a porta, a varanda estava cheia de gente.
- FELIZ ANIVERSÁRIO!!! – um coro de vozes encheu o ambiente.
Eu devo ter corado muito, porque as pessoas começaram a rir. Com vergonha e feliz, abracei minha esposa e enterrei meu rosto em seu pescoço. Ela sorria baixinho e suas mãos afagavam minhas costas.
- Obrigado, princesa. – sussurrei.
- Você gostou da surpresa?!
- Muito ... – beijei seu pescoço.
- Então receba seus amigos. – ela falou gentilmente.
Respirei fundo contra seu pescoço, buscando o ar mais puro de todos e desfiz nosso abraço mas entrelacei nossas mãos. Vagamos por entre os amigos, eu fui saudado por todos e até ganhei alguns presentinhos. Bella fez um churrasco e eu não poderia ter imaginado que teria uma festa de aniversário tão alegre e perfeita. Até Riley foi convidado! Mas justiça seja feita, ele até que se comportou bem ...
Pra minha surpresa, Peter tirou a tipóia do braço e eu entendi que ele e Bella tinham armado para me tirarem de casa! A segunda grande surpresa foi saber que aquele delicioso churrasco tinha sido preparado por Paolo o namorado do Sidclayton, ambos estavam presentes, não só ajudando mas também participando da festa. Provei feijoada, um prato brasileiro e gostei muito. O gosto era um tanto forte, mas era gostoso. Também havia umas bebidas brasileiras que Sidclayton também fez, uma delas era a caipirinha, feita com limão e ... aguardente, eu acho ...
Ainda havia suco, refrigerante, cerveja e um coquetel de frutas sem álcool. As carnes do churrasco estavam deliciosas, isso porque Paolo trabalhava numa churrascaria e foi ele quem ‘pilotou’ a churrasqueira. As saladas, os pães, os canapés e petiscos ... tudo estava muito gostoso. Bella conseguiu surpreender a todos quando mandou Sidclayton arrastar a TV para o jardim e foi aí que eu entendi. Não sei como, mas ela arranjou um videokê! A curtição foi geral, todo mundo pagou mico cantando alguma música. Todo mundo, menos Harry, ele cantou uma música muito antiga dos Jackson Five e no final foi muito aplaudido por todos do banco. Molly, a esposa dele, protestou.
- Vocês só podem estar brincando! Foi horrível!!!
Irina, muito espontânea e divertida, falou.
- Mas ele é nosso chefe, Molly! – todos gargalharam – E cantou muuuito bem.
E assim foi pelo resto da festa. Bella foi uma anfitriã perfeita e eu percebi que ela gostou muito de Kate e de Irina, sorri e me dei conta que geralmente nós gostamos das mesmas pessoas. O Sr. Hobbes, um velhinho antes tão anti-social, se mostrou um ótimo contador de piadas, as pessoas se aglomeravam ao redor dele para escutar suas histórias hilariantes.
No meio da tarde, Bella saiu da casa carregando um bolo de chocolate todo enfeitado com morangos. Charlotte colocou uma vela sobre o bolo, todo mundo cantou ‘parabéns pra você’, e fiz um pedido (Deus, que eu, Bella e os bebês possamos voltar para casa logo) e apaguei a vela. Quando comi um pedaço do bolo, percebi que era torta alemã, a minha preferida.
- Foi você quem fez? – sussurrei no ouvido de Bella.
- An-hãn ... – ela murmurou com a boca cheia.
- Tá uma delícia, obrigado. – me inclinei um pouco e beijei seus lábios com ternura.
Algumas pessoas viram a cena e começaram a aplaudir e a assoviar.
Às cinco da tarde, todo mundo já tinha ido para suas casas, todos, exceto Sidclayton e Paolo. Estes fizeram uma limpeza bem superficial pelo jardim, encheram as lixeiras com muito lixo e se despediram de nós. Sidclayton havia prometido que no dia seguinte faria uma faxina extra, para compensar a bagunça da festa.
Meu dia terminou bem. Eu me sentia feliz, eu era Edward Cullen, um cara de 21 anos, de bem com a vida ... Eu tinha a mulher mais maravilhosa do mundo e dois filhos perfeitos crescendo dentro dela.
Isabella, a razão da minha existência, tinha seus olhos chocolates fixos em mim, enquanto eu tocava para ela Yesterday dos Beatles em meu novo violão.