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- Música Das Sombras - adaptação do livro homônimo. (Fic concluída)

sábado, 18 de setembro de 2010

Vem comigo, amor - Capítulo 33

NÃO HÁ SEGREDOS EM FORKS

- Bella, como você sabe que esta casa é a ideal? – Ed franziu a testa enquanto caminhávamos.
- Não sei, mas de cara, gostei dela. – sussurrei de volta.
A varanda da casa era muito ampla, em formato de U, tomando toda a frente da casa e também um pouco de ambos os lados. Ali seria o lugar ideal para os bebês brincarem, seu piso de linóleo cor de areia da praia fazia um suave contraste com as grades e as paredes de madeira pintadas de branco.
- O linóleo deste piso, Sra. Fields, é o que há de melhor. – o corretor começou a explicar - Tem certificado de qualidade e garantia permanente do fabricante. Otis mandou reformar todo o piso da casa há três meses. Por ser feito de material orgânico, o linóleo é antialérgico e anti-mofo por natureza, não é à toa que ele é muito usado em hospitais e centros de saúde. Será ideal para quando as crianças nascerem. – ele sorriu para mim – Bem, vamos conhecer a casa por dentro.
O Sr. Morse abriu a porta da frente e eu me deparei com uma minúscula sala. Por dentro, as paredes não eram de madeira e sim com um revestimento de massa na cor bege, o piso, também de linóleo era cor de palha e havia duas janelas enormes na mesma parede, deixando o ambiente muito iluminado. Mesmo assim, aquela sala era muito pequena.
- Sra. Fields, esta casa possui três salas! – talvez ele tenha visto a expressão em meu rosto – Os ambientes são pequenos, mas são todos muito bem integrados, tenho certeza que a senhora vai gostar.
Eu sorri e assenti pra ele. Edward soltou minha mão e caminhou até a janela que tinha vista para o jardim da casa. Mais uma porta foi aberta e entramos noutra minúscula sala, mas dessa vez eu me encantei. Havia uma rústica lareira em pedra, o chão era na cor mogno e só havia uma pequena janela do lado esquerdo. ‘Essa vai ser a sala de TV’, pensei e sorri. Pela minha visão periférica, Edward parecia gostar também. A lareira funcionava como o começo do corredor da casa. Seguindo pela direita, chegamos à sala de jantar. E ...
- Ah! Meu Deus! – minha voz subiu umas oitavas – Que móveis lindos!
A sala de jantar era composta de uma rústica mesa de jantar com seis cadeiras e um pequeno armário com portas de vidro, no lado esquerdo uma janela enorme tomava a parede, no lado direito funcionava a pequena cozinha e havia uma porta que dava acesso à área de serviço.
- Esses móveis são dos Pringles, mas eles não se incomodam em alugar a casa com tudo que tem dentro. – o Sr. Morse apontou para a cozinha – Veja, Sra. Fields, a cozinha está completa.
O que separava a sala de jantar da cozinha era uma meia-parede e dois degraus, já que o chão era elevado. Ah! Mas que cozinha perfeita! O teto era rebaixado e tinha vigas de madeira, deixando o ambiente muito charmoso. O fogão, a geladeira, a lavadora de louças, o microondas, os armários, as luminárias, tudo era novo, perfeito e lindo! Inclinei um pouco a cabeça e franzi a testa ao me deparar com uma pequena mesa, no canto de uma parede, parecia uma ...

- Oh! Isso era uma surpresa que Otis estava preparando para a esposa. – ele apontou para a mesinha – Os dois se conheceram no verão de 1978, ela era garçonete da lanchonete onde Otis tomava café da manhã todos os dias. 
- Seria uma linda surpresa ... – eu e Ed sorrimos – Por um instante eu me senti mesmo numa lanchonete ... é bonita, tem um ar retrô!
- Venham ver a área de serviço! – o corretor abriu a porta seguinte – Ela está completa também!
OMG! OMG! OMG!
Caraca! Isso me lembrou Alice! A área de serviço já estava toda equipada. Não era muito grande, mas havia uma enorme estante branca que tomava toda a parede e fazia um perfeito contraste com uma das paredes pintada de verde. Já tínhamos a lavadora e a secadora de roupas também!
- Edward, está perfeito! – eu sussurrei e ele me abraçou - Você tá gostando?
Ele se limitou a sorrir e assentir com a cabeça. O corretor nos fez subir uma escada de ferro em formato de caracol e assim conhecemos o pequeno sótão. Eu ainda não sabia o que fazer com aquele espaço, mas ele tinha pequenas janelas em seu teto reclinado. O lugar estava limpo e arejado, de uma das janelas eu podia avistar a praça. Eu adorei aquela praça!
- Agora, vamos conhecer os quartos e os banheiros.
Banheiros! Que bom, será que eu e Edward teríamos a nossa suíte? Fizemos o caminho de volta e chegamos a um minúsculo lavabo, nele havia uma parede de mosaico muito bonita e o suave degradê em tons de bege e verde deixaram o ambiente muito charmoso. Percebi mais um cômodo onde fizeram a cominação de branco, bege e verde. Talvez essa fosse a idéia de quem estava reformando e decorando a casa para os Pringles. O que achei mais interessante é que a parede por trás do vaso era revestida de um tipo de porcelanato com uma textura parecida com couro marrom café.  A porta seguinte nos mostrou um quarto pequeno.
- Este quarto é o menor. – o corretor assinalou – Mas seu armário embutido é muito espaçoso e foi reformado.
‘Então esse será o quarto dos bebês’ pensei. O armário branco ficava na mesma parede da porta e eu o abri constatando que seu espaço interno era mesmo muito bom. O pequeno corredor da casa tinha na verdade, um armário embutido na parede, também reformado. Outra porta foi aberta e eu gostei do que vi.
- Este banheiro, embora pequeno, foi muito bem planejado. Aliás, um escritório de decoração de Seattle se encarregou da reforma tanto do banheiro como do lavabo.  – o Sr. Morse começou sua explanação - A bancada em mármore é menos profunda que as convencionais e assim se ganha mais espaço ... O espelho também se encarrega de deixar o ambiente um pouco maior. O boxe possui ducha dupla, a cor suave das paredes combina com o restante da casa. Na banheira, as pastilhas de vidro verde são apenas enfeite. O que protege as paredes desse banheiro da umidade é uma camada de tinta epóxi brilhante e 100% resistente ao mofo!
- Este banheiro é lindo, Sr. Morse! – sorri.

A última porta era do outro quarto que ficava no final do corredor, este era um pouco maior e havia um pequeno closet branco. Mas de fato não havia suíte alguma ...
- Aqui, Sra. Fields, o piso de linóleo foi revestido de resina, que é um material que dispensa qualquer tipo de cera, além de refletir a luz, fazendo com que o espaço pareça maior.
- Esse revestimento não torna o chão escorregadio?
Edward, que até então estava meio calado, se manifestou. E é claro que ele tinha que se preocupar com a minha segurança e a dos filhos! ‘Ah meu Deus, meu marido é tão ... maravilhoso’
- Oh! Não Sr. Fields! A resina apenas deixa o linóleo um pouco mais liso e fácil de limpar. É um revestimento seguro, não se preocupe. – o corretor juntou as mãos e esfregou-as freneticamente – Bom, essa era a casa que eu tinha em mente para vocês. E lhes sou sincero, foi a melhor que consegui, considerando que a Sra. Fields havia me pedido uma casa de um único pavimento e não muito grande.
- Gostamos muito da casa. – Ed olhou pra mim e eu assenti - Mas o senhor ainda não informou o preço ...
- Bem ...
Os lábios do homem tremeram um pouco e fiquei apreensiva, Edward me abraçou pela cintura enquanto esperávamos o corretor despejar o valor do imóvel.
- Nesta área da cidade, onde todas as casas têm as mesmas dimensões, um imóvel como este custa U$ 800,00 por mês. – respirei aliviada, isso tava dentro do orçamento – Mas ...
‘ARGH! Se ele ultrapassar os U$ 1.000,00 nós não vamos poder ficar’ pensei.
- Como os Pringles vão alugá-la com a cozinha e a área de serviço totalmente equipadas e como os banheiros, o piso e o revestimento da casa foram reformados, eles estão pedindo U$ 900,00 por mês.
Olhei pra Edward tentando captar a decisão em seus orbes verdes, ele assentiu milimetricamente para mim (naquela nossa linguagem única) e eu sorri.
- Se resolvermos ficar com a casa, em que termos será feito o contrato de locação? – Ed falou sem mostrar hesitação.
- Bom, nós trabalhamos aqui com contratos anuais e o reajuste contratual acompanha os índices da inflação. Entretanto, Otis pediu para que eu informasse ao futuro inquilino que ele está disposto a dar um desconto de 10% em cada mensalidade de receber um adiantamento de seis meses. – o corretor nos deu um sorriso amarelo – É que ele ficou um pouco endividado com a reforma ...
- Seis meses. – Ed olhou pra mim enquanto falava – Seria U$ 5.400,00 menos U$ 540,00, o total a pagar ... U$ 4.860,00 ...
Dessa vez, quem assentiu discretamente fui eu. Com os U$ 540,00 do desconto, nós poderíamos comprar algum móvel ou eletrodoméstico ...
- A casa é nossa, Sr. Morse! – Ed apertou a mão do corretor.
- Vocês realmente estão adquirindo um ótimo imóvel. Esta é a Julia Way, uma rua muito calma e a vizinhança é agradável. O Hospital fica a menos de 10 minutos de uma agradável caminhada, então a Sra. Fields não terá problemas de deslocamento quando for fazer suas consultas. – ele sorriu afetuosamente para nós – E o banco, Sr. Fields, também não fica longe daqui.
- Como ... ?
- Ah! Em Forks não há segredos. – ele gargalhou – Todos já sabemos que o senhor irá trabalhar com o Harry ...
‘Caraca! Que povo fofoqueiro’, pensei. Edward foi contratado a menos de duas horas e todo mundo já sabe?!
Voltamos à imobiliária, Ed assinou o contrato e saímos de lá com as chaves do imóvel e a promessa de fazer o depósito do dinheiro na conta designada pelo Sr. Morse na próxima segunda-feira. Ao entrarmos na pick-up, Ed me abraçou com carinho.
- Você gostou mesmo da casa, Ed? – sussurrei.
- Se você gostou, eu gostei ...
- Não, amor! Assim não vale ... – fiz biquinho e ele sorriu.
- Vale sim, Bella! – ele segurou meu rosto com ambas as mãos – Você será a pessoa quem passará maior parte do tempo naquela casa. É natural que ela lhe agrade acima de tudo! Mas eu confesso que gostei muito de lá, acho que vai ser bom para os gêmeos também ...
Ele aproximou mais os nossos rostos e me beijou com intensidade. Sua língua me invadiu ao mesmo tempo em que o fogo da paixão incendiava meu corpo, suas mãos enlaçaram minha cintura e as minhas faziam um passeio gostoso pelo seu tórax musculoso, descendo pela barriga sarada e chegando até o ‘eddie’. Edward gemeu em minha boca, mas não cessou o beijo e eu tratei de aproveitar ... Mesmo por cima da calça dele, eu apertava de leve o meu ‘eddie’ que já estava se avolumando ...
- Será que ... em Forks ... é proibido ... transar dentro do carro? – ele perguntou entre beijos.
- Hum ... aposto que aqui ... nem tem delegacia ... – subi em seu colo, capturei seus lábios novamente e pus uma de minhas mãos por dentro de sua calça – E depois, a gente já ... transou num avião ...
Quando o ar nos faltou, Ed nos separou um pouco e sorriu travesso.
- Não quero ir para a cadeia. – falou zombeteiro.
- Ah! Imagina só, amor: 30 dias de detenção, eu e você! – sorri maliciosa e mordi o lábio.
Ele gargalhou muito.
- Bella, eu seria um homem morto ... do jeito que você anda fogosa ...
 Fiz biquinho, ele sorriu e me abraçou.
- Que tal você se comportar com uma boa menina. Ai a gente volta pro motel e eu vou ter o maior prazer em apagar esse teu fogo!
- Com uma mangueira beeemmm grande?!
Tá, eu não sei de onde saí com essa! Edward arregalou os olhos diante da minha declaração nada sutil e eu também sorri muito. Depois corei, claro!
Naquele fim de tarde caia uma forte chuva em Forks, mas a temperatura era agradável. Fizemos amor escutando o barulhinho bom da chuva contra o telhado. Edward me fez estremecer de prazer por duas vezes e acho que na segunda, devo ter revirado os olhos!
- Aaahhh ... – esse foi o meu gemido rouco e abafado depois de me entregar duas vezes ao meu marido.
Ainda ficamos deitados, bem abraçadinhos sob o edredom, naquele gostoso estado de abandono que é infligido aos amantes, até que meu estômago rosnou de fome. Tomamos banho juntos e decidimos ir jantar no restaurante da Martha.  Como a temperatura havia caído muito no começo da noite, Edward vestiu jeans claro e um suéter preto de lã. Eu vesti uma legging grafite, um suéter cinza claro e um cachecol de crochê cheio de quadradinhos coloridos, fiz uma trança em meus cabelos e passei um gloss nos lábios.
Já no restaurante, reconheci os rostos de muitas pessoas que sorriam e acenavam para nós. Escolhemos uma mesa e Maggie se aproximou.
- Boa noite, Sr. e Sra. Fields!
- Boa noite, Maggie! – sorri pra ela enquanto Ed sorriu de volta e a cumprimentou com um aceno.
- O que tem de bom para o jantar, Maggie? – Ed perguntou.
- Temos sopas, guisados e massas. – ela lhe estendeu o cardápio – Mas eu sugiro que vocês experimentem a sopa à moda da casa. É um caldo verde com couve e tirinhas de carne acompanhado de torradinhas de alho.
Acatamos a sugestão de Maggie e ela desapareceu como num passe de mágica, afinal no restaurante havia outras pessoas para serem atendidas.
- A sopa daqui é muito boa. – o homem de cabelos grisalhos que estava sentado na mesa ao lado, se inclinou e falou para nós – A propósito, sou Peter Greeves, chefe de polícia local.
- Eu sou Charlotte Greeves! – a mulher loira e de olhos azuis claros que estava com ele se inclinou também – Sejam bem-vindos à Forks! Fiquei muito feliz em saber que serão nossos vizinhos ... A casa do Otis é muito bem conservada ...
- É um prazer conhecê-los! – Edward parecia surpreso – Eu sou Edward Fields e esta é minha esposa, Isabella Fields.
Cumprimentamos o simpático casal e eu fiquei curiosa.
- A senhora mora naquela rua?! – perguntei.
- Sim! Você reparou na casa amarela do lado da sua? – assenti com a cabeça – Pois bem, querida, eu vi quando chegaram hoje à tarde! Seremos vizinhas! Quando pretendem se mudar?
‘Forfokianos devem se comunicar por telepatia.’ Pensei e sorri.
- Bem nós precisamos comprar algumas coisas ainda ...
Eu fui bastante evasiva, sou uma garota de NY e não estou acostumada a sair por aí contando minha vida pra todo mundo como fazem os forfokianos!
- Então venham conhecer meu trabalho. – ela me estendeu um cartão de visita – Eu tenho uma loja especializada na compra e venda de móveis usados de boa qualidade. Nós também restauramos móveis antigos e vendemos objetos de decoração.
Peguei o cartão e agradeci, Maggie voltou com a comida e o casal nos deu privacidade. Ao olhar para o lado, percebi que eles também saboreavam o mesmo tipo de sopa. Um silêncio agradável preencheu nossa mesa enquanto nos encarregávamos de esvaziar nosso prato. Edward deveria estar tão faminto quanto eu ... também, depois de tudo o que fizemos à tarde (...)! A lembrança de Edward me amando com tanta fome, carinho e desejo me inundou novamente, senti uma sutil umidade em minha calcinha e corei.
- O que foi?! – ele prestava atenção em mim.
- Eu me lembrei de nós hoje à tarde. – sussurrei e sorri.
Ele afagou meu rosto e também sorriu.
- Eu te amo, Sra. Fields!
A porta do restaurante de Martha possui um pequeno sino e quando alguém entra, aquele barulhinho nos chama a atenção. O guizo foi ouvido, mas eu não me importei muito, até quer ouvi aquela voz irritante, seguida de umas gargalhadas. Eu e Edward olhamos ao mesmo tempo, Mike Newton entrava no restaurante acompanhado de um casal de meia idade. E como era de se esperar, aquele pateta veio em nossa direção.
- Não acredito! – Edward sibilou e fechou a cara.
Algo me dizia que aquele encontro não terminaria bem.
..........................................
*POV EDWARD*
Aquilo já estava ficando ridículo! Mike Newton parecia uma sombra, uma praga que surgia de repente e acabava com o meu bom humor. Ele vinha em nossa direção naquele seu andar preguiçoso, parecia uma lagartixa, comprida e pálida rastejando, mas enquanto isso, seus olhos vagavam de mim para Bella, alternando olhares de luxúria para minha esposa e de deboche para mim. Instintivamente, minhas mãos se fecharam em punhos sobre a mesa.
- Ora, ora, ora ... Mas que feliz coincidência! – ele sorriu afetado para nós – Isabella! Quero que você conheça meus pais!
Puta que pariu, esse cara quer morrer. Ele me ignorou e falou como se Bella estivesse sozinha na mesa! Um rosnado de ódio se formou em meu peito. Por um instante eu quis ser um leão da montanha, despedaçaria o miserável em segundos!
- Karen Newton, minha mãe. – ele apontou para uma senhora ao seu lado – E Abraham Newton, meu pai.
Vi tudo vermelho na minha frente, eu queria matá-lo!
- Boa noite, Sr. e Sra. Newton. – o tom frio na voz de Bella revelava seu mal estar – Eu sou Isabella Fields e este é o meu marido, Edward Fields. – ela apontou para mim.
- Marido?! – a mulher guinchou - Micaiah Newton! Você veio tagarelando para nós a respeito de uma mulher casada?!
MICAIAH?  Espera aí, eu não estava entendendo nada, franzi a testa.
Nesse instante o pai do Newton, um homem bem mais alto que ele, forte e de cara amarrada, apertou o braço do filho e falou baixo com ferocidade.
- Micaiah, você nos disse que almoçou com uma jovem muito bonita ...
Espera aí, de novo! Almoçou? Olhei espantando para Bella que fez uma cara de quem ia chorar ... Respirei fundo e tentei não surtar.
- Disse que tinha conhecido uma garota fantástica. – o aperto no braço dele se intensificou e eu percebi que o Newton estava quase molhando as calças de tanta dor – E agora você nos envergonha diante dessa jovem casada e de seu esposo?!
- Mas pai ...
- Eu ainda não terminei, seu sem-vergonha! Você acha isso certo? Se insinuar para uma mulher casada? Responda?
- Não ... – sua voz saiu abafada como um ganido.
Eu não estava acreditando no que via. Parecia cena de filme! Mike ou Micaiah, seja lá qual for seu nome, estava levando bronca do pai bem ali, na nossa frente! Pela minha visão periférica percebi que Bella estava atônita e mãe do ‘sem-vergonha’ estava com muita vergonha. Meu lado menos nobre estava adorando a cena!
- Peça desculpas! Peça desculpas a essa senhora e a este digníssimo esposo!
- De-desculpe Sr. e Sra. Fields ...
- E repita comigo: não devo cobiçar a mulher do próximo ...
Newton-pai fez Newton-filho repetir o mantra umas três vezes e depois olhou para mim e para Bella, respirou fundo e se acalmou.
- Desculpem este meu filho insolente. – seu olhar era de súplica – Micaiah não vai mais lhes importunar. – ele estendeu a mão para mim – Além de pai desse aqui – ele apontou para Micaiah – Eu sou o reverendo da Igreja Fundamentalista do Fundamento Sagrado (n/a: Inventei este nome. Espero realmente que NÃO haja uma igreja com esse nome) e proprietário do Newton’s, um dos supermercados da cidade.
- Desculpem esta falha de nosso Micaiah. – a mulher falou com uma voz gentil – E no futuro, esperamos vê-los em nosso estabelecimento comercial, ou quem sabe em nossa comunidade cristã.
- Desculpas aceitas. – respondi e percebi que Bella mirava a toalha da mesa, completamente constrangida.
O casal e seu filho-problema se despediram de nós ... Bella ainda fitava o tecido quadriculado da toalha, a expressão de seu rosto era indecifrável ... Medo de meu ciúme, vergonha, nervosismo? Não entendi o que se passava com ela, eu apenas olhava seu lindo rosto ... O silêncio foi quebrado.
- Ah! Vamos lá, gente! Não deixem os Newton estragarem o jantar de vocês ... – o Sr. Greeves esticou a cabeça e sussurrou para nós.
Eu e Bella olhamos ao mesmo tempo para o chefe de polícia que se esticou mais e depois virou um pouco a sua cadeira para poder nos encarar. Ao seu lado, sua esposa apenas assentia para nós.
- Sra. Fields, por favor, não fique assim ... – ele insistiu – Mike tem o péssimo hábito de ser inconveniente com as mulheres bonitas e seus pais têm o péssimo hábito de piorar tudo ...
- Quer dizer então ... – Bella foi interrompida pela Sra. Greeves.
-Você não é a primeira, querida! – ela sorriu afetuosamente – Por isso não fique chateada! Mike já é uma figura conhecida na cidade!
- Caramba! – Bella murmurou.
- E quanto ao nome dele? – perguntei – MICAIAH?!
- Oh! É uma longa história ... – Sr. Greeves falou.
- Conte-nos! – Bella pediu.
- Façamos um trato! – a Sra. Greeves propôs – Nós contamos se a futura mamãe aí terminar o seu jantar ...
- Perdi a fome ... – Bella murmurou.
- Bella, você precisa comer! – falei gentilmente para ela, não queria que ela pensasse que eu estava muito chateado por ela ter almoçado com aquele babaca – Por que vocês não se juntam a nós? – me dirigi aos Greeves – Nós podemos terminar o jantar todos juntos enquanto conhecemos um pouco a história dos Newton.
O casal sorriu para mim e começou a se levantar da mesa, cada um segurando o próprio prato. Por um instante me senti a própria ‘fifi fofoqueira’, mas a minha pele pinicava de tanta curiosidade. Entretanto havia outros motivos para eu solicitar a companhia dos Greeves. Primeiro, eu estava puto da vida por Bella ter almoçado com aquele verme, mas não queria, de forma alguma, conversar com ela enquanto estivesse meio fora de mim. Já aprendi a lição. Eu+ciúme+nervosismo=Bella magoada. E essa é uma equação que não quero usar novamente. Segundo, Mike só pode ser maluco! Então preciso saber se ele pode ser um risco para minha esposa e filhos.
- Os Newton não são maus. – o Sr. Greeves falou – Nós não queremos que vocês tenham a pior impressão deles!
- O problema está na forma com que educaram o coitado do Mike. – a Sra. Greeves fitava o vazio enquanto falava – Eles tem uma religião muito ... severa ... Mike foi criado a ferro e fogo! Tudo para os Newton é pecado! Imaginem que o pobrezinho, aos 10 anos de idade foi mandado para uma espécie de chácara da igreja, pra fazer um tipo de retiro espiritual só porque os pais souberam que ele estava aprendendo a surfar ...
- Ele não freqüentou a escola ... sua educação foi em casa ... não fez faculdade ...
- Ele me disse que é formado em Administração de Empresas ...
Bella falou num sussurro e eu senti o ódio queimando em mim. Aquele ser desprezível ousou contar a ela detalhes de sua vida.
- Não, querida! - a mulher falou – Mike, ou Micaiah, que é seu verdadeiro nome, fez um curso de administração eclesiástica. Seus pais disseram que era pra ele aprender a administrar a igreja ... Ele estudou esse curso estranho na sede da igreja deles em Salt Lake City ...
- O problema, não é a religião deles! – o Sr. Greeves explicou – Mas é a forma com que eles tratam o filho ... Se os pais desaprovam uma criança, a ponto de magoá-la, nada a convencerá de novo de seu próprio valor. Não há como consertar os danos causados na infância ... Mike é uma vítima ...
Enquanto ele falava, eu e Bella terminávamos de comer. Percebi que aquela minúscula cidade era muito pitoresca, tudo ali era uma lição de vida.
- Newton é um pai tirano e, ao mesmo tempo, brutal e ineficiente em cuidar do próprio filho. Mike sempre foi tratado com inferioridade, para seu pai, a infância é um estado desonroso do qual não se pode fugir por alguns anos. Ele considera uma tapa ou qualquer castigo físico imposto a Mike um sinal de afeto e zelo.
- Mike cresceu fazendo coisas erradas somente para desagradar aos pais. – a Sra. Greeves acrescentou – Ele não é uma má pessoa no sentido de ser nocivo a qualquer um de nós. Ele só faz mal a si mesmo, vive inventando histórias e finge ser o que não é.
- Ele me disse que tem 28 anos, fez faculdade e que terminou um noivado recentemente ...
O Sr. Greeves gargalhou e depois ficou sério de repente.
- Meu Deus! Desculpem ... – ele corou – Mike está delirando muito!
- Ele tem 33 anos, o pai o obrigou a estudar para ser pastor e a ex-noiva dele, Abigail Newton, que era sua prima, fugiu de casa em 2003, três dias antes do casamento. – a Sra. Greeves tinha um olhar de pena – Depois todo mundo ficou sabendo que ela estava morando em Las Vegas com um segurança de boate ...
- Caramba! – Bella repetiu a palavra.
- Mike fantasia muita coisa na cabeça dele. – o Sr. Greeves fez um sinal de desaprovação – Mas lhes asseguro que ele não é um perigo para a sociedade. E mesmo assim, ele sabe que eu não admito bagunça em Forks ...
Bella deu um bocejo discreto e sorriu.
- Peter, acho que já prendemos esse lindo casal por tempo demais! – a mulher sorria – Acho que mamãe e bebê estão cansados ...
- São bebês! São gêmeos! – Bella falou satisfeita.
- Oh! Meus parabéns! – o homem disse.
-Vocês já sabem o sexo?!
- Não, senhora! Só estou na 13ª semana.
- Ah! Vocês podem me chamar de Charlotte! – ela sorriu – Faz com que me sinta mais jovem ...
- Se é assim, me chamem de Peter, como todos me chamam nessa cidade! – o homem sorriu – Podemos chamá-los pelo primeiro nome?
Eu e Bella apenas assentimos e sorrimos. Nos despedimos do casal de vizinhos e saímos de lá de mãos entrelaçadas. A pick-up estava estacionada a alguns metros da entrada do restaurante, estava escuro, pois não havia o brilho das estrelas no céu nublado. O vento era forte contra nossos rostos, eu abracei Bella e caminhamos rapidamente até o carro.  Ela estava calada, estranhamente calada e evitava olhar em meus olhos. Mas eu sabia que estava atenta a mim. O curto trajeto do restaurante até o motel foi feito em silêncio e só quando chegamos ao quarto eu resolvi quebrá-lo.
- Amor, o que foi?! – segurei seu rosto em minhas mãos, mas ela desviou o olhar – O gato comeu sua língua? – tentei brincar.
- Oh! Edward, por favor! – ela falou exasperada – Pare de fingir!!!
- Fingir o que, Bella?! – ergui seu queixo, forçando-a a me olhar nos olhos.
- Fingir que não está chateado comigo! – percebi o brilho de lágrimas em seus olhos – Vamos lá, pode falar ... eu sei que mereço ... – sua voz estava magoada.
- Shii ... Princesa, não, não fique assim! – desci uma de minhas mãos à cintura dela e a puxei mais para mim – A raiva já passou. – ela suspirou e pareceu relaxar um pouco – Eu não com raiva de você, mas queria que você tivesse me dito que aquele cachorro tinha almoçado com você ...
- Eu ... esqueci ... – havia verdade em seus olhos – Assim como me esqueci de contar que Alice ligou, que Emmett e Rose estão na Itália, que tenho consulta com a obstetra na próxima terça-feira ... Quando você chegou, contando as novidades do novo emprego, eu me esqueci de contar como tinha sido o resto do meu dia.
- Tá tudo bem, amor. – falei com carinho.
- Mas então, por que isso aqui?! – ela tocou em minha testa franzida – Eu pensei que você ia ficar possesso de ciúmes ...
- Ciúmes?! Sim, com certeza. Acho abominável o olhar daquele verme pra cima de você. – levei sua mão aos meus lábios e beijei-a – Mas, nesse momento o que mais me preocupa é a insanidade de Mike Newton. – respirei fundo antes de fazer um pedido – Bella, prometa que não vai se descuidar. Não hesite em parecer grosseira ou mal educada aos olhos de Mike. Evite a companhia dele, por favor.
- Prometo. – ela sussurrou.
Abracei-a e depositei beijos cálidos em seu pescoço enquanto sussurrava.
- Que tal você me contar, em detalhes, como foi a sua manhã, enquanto tomamos um banho quente? – ela sorriu – Vai nos ajudar a relaxar. Amanhã teremos uma longa jornada até Olympia ...
O banho foi maravilhoso, a todo o momento nos tocávamos e fazíamos carinho um ao outro. Vestimos moletons quentinhos, liguei o aquecedor e programei o despertador do celular para nos acordar às seis da manhã. Deitamos bem abraçadinhos em cochinha, meus lábios não deixavam o corpo de minha esposa, sempre beijando sua bochecha e pescoço ... ela sorriu algumas vezes ...
Bella ainda parecia processar o incidente Mike em sua cabeça, eu demorei a pegar no sono ... Fiquei a imaginar se ela estava com medo dele.
- Eu te amo, Sra. Cullen. – sussurrei com meus lábios colados em seu ouvido.
*FIM DO POV EDWARD*
............................................
No sábado, eu e Edward pegamos a estrada em direção a Olympia. Entramos num Shopping Center e como tínhamos em mente exatamente o que comprar, até que foi rápido. Eu entrei numa loja de moda gestante, com Edward em meus calcanhares e adorei tudo que vi. Mas a vendedora foi muito atenciosa e honesta ao me explicar que era melhor comprar poucas peças, já que eu não estaria grávida para sempre. Pensei melhor e decidi comprar roupas de tamanhos diferentes, que coubessem em mim até o fim da gestação, afinal, Olympia não era logo ali na esquina. O trajeto de carro até lá durou três horas! As calças jeans eram maravilhosas! Todas tinham um caimento perfeito. O jeans macio com elastano e cós em suplex me deu uma sensação de liberdade e de movimento. Com aquelas calças eu poderia combinar várias blusas, batinhas, suéteres ... As opções de batinhas e vestidinhos com recortes abaixo do busto e os mini vestidos de malha, lã e flanela eram lindos! Escolhi alguns e assim poderiam ser usados com legging por baixo (como eu já estava fazendo antes). Ainda no shopping vi muitas grávidas com roupas no mesmo estilo que as minhas. Essas peças realmente parecem ter sido criadas para favorecer a silhueta de uma gestante! A cada peça que eu provava, Edward sorria e assentia ... Ele até escolheu sozinho umas blusas pra mim. Ainda comprei algumas peças de lingerie e uma camisola nova ... Já estava perto de completarmos um mês de casados ... Uma idéia fervilhava em minha mente!
- Amor, eu tive pensando. – falei e mordi o lábio – Já temos a casa. A cozinha e a área de serviço estão equipadas ... a sala de jantar também está ... – ele me olhava desconfiado – Quero me mudar pra lá o mais rápido possível.
Ele trocou as sacolas da mão direita para a esquerda, franziu a testa e seus lábios se tornaram numa linha fina.
- E a gente ia dormir no chão? – arqueou as sobrancelhas.
Meu estômago rangeu de fome e eu me aproveitei dessa vantagem pra poder conseguir o que queria. Seguimos até a praça de alimentação do shopping, escolhemos um restaurante e fizemos os pedidos. Enquanto a comida não chegava, tratei de atacá-lo.
- Amor ...
Fiz voz dengosa e a melhor ‘carinha de gatinho do Shrek’ que pude, mordi o lábio inferior e pisquei os olhos algumas vezes. Funcionou! Os orbes verdes de meu marido se prenderam aos meus.
- Edward, eu acho que devemos nos mudar logo. – fiz uma pausa, esperando sua negação expressa, mas ele ficou calado – Vai ser mais fácil pra eu decorar a casa e comprar cada móvel já estando dentro dela. Assim eu vou poder planejar melhor cada cômodo ...
- Mas Bella ...
- Ed, num mundo perfeito, eu teria disponibilidade para ir àquela casa todos os dias. Nós contrataríamos um decorador, um arquiteto, um designer ... e só entraríamos na casa quando ela estivesse pronta. – suspirei – Mas eu não posso ir lá sozinha porque você não me deixa dirigir e ...
- Bella, nós já discutimos isso! – ele suspirou - Não quero que você dirija.
- Eu sei. Eu já concordei com isso. – respirei fundo – Mas você precisa estudar e trabalhar, não pode ficar me levando de um lado pro outro a toda hora. Quanto mais rápido nos mudarmos, mais rápido a casa ficará pronta.
- Então veja o que vai ser necessário para garantir o mínimo de conforto. – sorri pra ele – Mas tem uma condição. – seu tom de voz era sério, do tipo muito sério – Se eu imaginar que você está arrastando móveis pela casa ...
- Não sou maluca, Edward. – tentei passar segurança pra ele – Mamãe era obstetra, eu tenho noção do que posso e não posso fazer.
- Você sabe que eu só falo isso para o bem vocês, não é?
Sorri pra ele e assenti. Almoçamos rapidamente e saímos às compras de novo. Na loja de eletrônicos, enquanto Edward escolhia um notebook, eu prestava atenção a uma oferta anunciada num cartaz. Era mais uma daquelas ofertas-relâmpago: TV de plasma, home theater e aparelho de som. Cinco minutos depois, eu já acertava tudo com o vendedor, economizamos U$ 350,00 com essa oferta. Deixamos os produtos na loja para pegarmos depois e seguimos até uma grande loja de departamentos. Eu escolhi a loja ideal porque sei que eles distribuem listas de enxoval de noiva para os clientes. Peguei uma lista e me guiei por ela. Rapidamente, escolhi jogos de cama, toalhas de banho, toalhinhas de cozinha ... Edward me ajudava a escolher as cores e estampas de quase tudo! Na mesma loja, compramos uma cama box king size, anotamos o endereço da casa para que fosse entregue dali a dois dias. Quando já estava na fila para pagar pelas compras, lembrei-me de um detalhe importante.
-Amor, vai lá no setor de ferramentas e pega uma fita métrica. – ele apenas assentiu e voltou rápido.
- Pra que você vai querer isso, Bella?
- Preciso medir o tamanho das janelas da casa pra poder comprar cortinhas ...
Ele não me deixou terminar. Seu abraço me aqueceu por completo e por um instante, eu me esqueci de tudo.
- Eu te amo. – ele sussurrou – Eu te amo por você se empenhar tanto em construir um lar para nós ...
Segurei seu rosto em minhas mãos, fiquei na ponta dos pés e o beijei com paixão.
- Eu te amo porque te amo. – falei quando cessamos o beijo.
A noite já havia caído quando saímos de Olympia e a viagem de volta para Forks foi silenciosa. A carroceria da pick-up estava cheia de tudo o que compramos, exceto a cama que viria pelo serviço de transporte da loja. Devo ter cochilado porque quando percebi, Edward afagava meu ombro.
- Acorda, bela adormecida ...
Estávamos em frente à nossa linda casa branca. Edward desceu do carro, me ajudou a descer e começou a descarregar as sacolas. O casal Greeves acabava de chegar em casa, eu não pude não ver o chamativo carro de polícia estacionando em frente à casa amarela, ao lado de nossa casa.
- Olá Edward! – Peter acenou para nós e gritou – Olá Isabella!
Acenamos de volta pra eles e sorrimos. O casal desceu do carro e caminhou até nós.
- Já estão se mudando? – Charlotte perguntou.
- Oh! Não. Ainda não. Só estamos deixando algumas coisas aqui. – respondi.
- Deixe-me ajudá-lo, Edward. – Peter falou.
Os dois levaram para dentro da casa quase todas as sacolas e caixas (o notebook e as roupas iriam conosco). Eu entrei na casa junto com Charlotte e comentei com ela que estava me mudando pra lá dali a alguns dias, mesmo sem ter todos os móveis. Ela me fez prometer que lhe pediria ajuda quando fosse comprar móveis e objetos de decoração e que lhe faria uma visita em sua loja de móveis usados. Com a sua ajuda, eu medi as janelas da casa e anotei tudo num caderninho. Ela ainda me disse que escolhi uma boa loja de departamentos em Olympia e que lá eu poderia comprar as cortinhas, os eletro portáteis, os itens de cozinha e tudo o mais se que se precisa numa casa. De volta ao motel, eu e Edward estávamos tão exaustos que pedimos o jantar no quarto, tomamos banho e dormimos logo em seguida. O domingo foi meio parado. Edward estudou muito e eu fiquei navegando na net. Descobri a loja virtual da loja de departamentos em Olympia. Comprei uma infinidade de coisas para a casa: liquidificador, ferro de engomar roupas, aspirador de pó, aparelho de jantar, faqueiro, conjunto de panelas ... UFA! É muita coisa ... A segunda-feira também não foi diferente, fomos  ao banco pra fazer o depósito do aluguel da casa e da compra do carro. Lembrei que a tia de Alice ia depositar dinheiro em nossa conta, referente às roupas e demais objetos de nossos pais que foram vendidos no brechó. Eu quase tive um treco quando vi o valor: U$ 11.587,00.
CARACA! Mas depois lembrei que nossos pais usavam roupas de qualidade, roupas de grife ... Sapatos, bolsas, acessórios, tudo era de primeira qualidade ...
Senti um bolo na garganta ao me lembrar deles ... Ainda dói. É uma dor que não passa, mas com o tempo a gente aprende a administrá-la.
Na terça nós fomos ao Forks Hospital e conhecemos a minha nova obstetra, Angela Weber. Uma mulher jovem e bonita, dona de longos cabelos negros e de um sorriso tímido. Ela analisou meus antigos exames e me conduziu à sala de ultrassonografia. Edward me ajudou a vestir uma bata feiosa e a me deitar na cama
- Você já está entrando na 14ª semana, Isabella. – ela sorriu enquanto preparava o aparelho – Seus bebês já devem ter em torno de 10 cm e pesam, aproximadamente, 25 gramas. – ela sorria, eu sorria e pela minha visão periférica, vi Ed sorrir também - Agora ... vamos lá ...
Ela ligou um aparelhinho , colocou gel em minha barriga e ...
- Oh! Meu Deus! – guinchei – Edward! Doutora ... isso .. isso ...
- São os coraçõezinhos deles! – ela sorriu – Escutem ...
Edward tinha uma das mãos entrelaçada à minha e apertou-a com força. Nós ouvimos aqueles lindos batimentos por mais algum tempo ... Eram música para mim ... Eu ouviria aquilo por toda a eternidade!
- Acredito que na próxima consulta, saberemos o sexo deles. – a médica sorriu ao terminar o exame – Agora vou deixá-la à vontade para a mamãe se vestir. Em 15 minutos o resultado da ultra ficará pronto e eu te vejo em meu consultório.
Edward ajudou com as minhas roupas e ainda tinha aquele sorriso bobo nos lábios. Nós não dizíamos nada, na certa ele estava, assim como eu, se esforçando para memorizar o som do coração dos nossos filhos. De volta ao consultório, a médica fez as recomendações de sempre, elogiou meu peso, perguntou como eu estava me alimentando, me mandou continuar usando cremes hidratantes no corpo e etc. e tal. Na próxima consulta poderíamos, finalmente, saber se viriam meninos ou meninas.
Depois do almoço nós fomos à loja de Charlotte, na verdade era um imenso galpão. Assim que ela nos viu, veio nos receber com um sorriso enorme e nos levou para um pequeno tour por todos os espaços. Eu me encantei com uma cadeira de balanço muito rústica, toda em madeira, ela ficaria perfeita ao lado daquela lareira de pedras em nossa sala. Em seguida vi um móvel de madeira escura muito bonito e simples, nele poderíamos colocar a TV. Charlotte viu minha expressão.
- Esse móvel é antigo, tem mais de 30 anos, foi feito com madeira nobre.
- Ficaria perfeito na minha sala. – olhei pra Edward e ele assentiu – Quando custa?
- Ele custa U$ 500,00, mas não precisamos falar em dinheiro agora. – ela sorriu – Vi que você também gostou daquela cadeira de balanço ali.
Eu apenas assenti pra ela.
- Quando meus clientes compram mais de uma peça, eu costumo negociar um desconto. A propósito, a cadeira e este móvel ficariam perfeitos juntos!
- Foi o que pensei. – sorri – Imaginei colocá-lo na sala de TV.
- Ah! E que tal aquela mesinha de centro ali, junto com a mesinha lateral? – ela apontou para os móveis.
Eram duas mesinhas em madeira pura, suas cores combinavam em tudo com a sala da lareira. Eu já podia vê-las em minha casa.
- Edward. – sussurrei – O que você acha de comprarmos alguns móveis usados? – de repente ele não poderia gostar da idéia.
Ele me abraçou e sussurrou discretamente.
- Amor, o fato de serem usados não é problema. Eu quero que eles sejam de qualidade, que você goste deles e que caibam em nosso orçamento.
- Entendi. – me estiquei e dei um selinho nele, depois virei meu corpo para falar com Charlotte – Se nós quiséssemos levar a cadeira de balanço, o móvel e as mesinhas ... Quanto custaria tudo?
Mordi o lábio enquanto esperava por uma resposta.
- Venham até meu escritório.
Seguimos Charlotte por entre vários móveis, a todo instante, algum empregado a fazia parar para receber instruções, ou então ela parava para cumprimentar algum cliente. No meio do caminho, estanquei ao me deparar com um sofá e duas poltronas, eles pareciam novos, ou semi-novos ...
- Este conjunto de sofá? – ela se virou – Ele vai ser restaurado?
- Oh! Sim. Ele está em bom estado de conservação. A antiga dona o usou por menos de 01 ano e nos vendeu na semana passada. – enquanto ela falava, eu me sentava nele – O enchimento é de espuma ortopédica e os assentos e encostos são removíveis.
- O que vai ser restaurado neles?! – Edward perguntou ao se sentar ao meu lado.
- Vamos acrescentar mais uma camada de espuma ortopédica e colocar um novo forro com tecido anti-mofo, anti-ácaro e impermeável. – ela falou automaticamente.
- E ele estará a venda por ... ? – perguntei.
- Algo em torno de U$ 800,00.
Edward olhou sugestivamente pra mim e eu tive certeza que ele achou aquele sofá tão confortável quanto eu. Já no escritório de Charlotte, ela nos entregou algumas amostras de tecido para o sofá e me sugeriu usar em tecido diferente para as poltronas.
- A sua sala terá um estilo country e descontraído ao mesmo tempo.  - sorri e acatei a sua sugestão – Falta muito para terminar de mobiliar a casa?
- Agora falta menos! – Edward falou divertido.
- O quarto só tem a cama e o closet ... Aliás, todos os armários da casa são reformados e ficaram perfeitos. – suspirei.
- Ah! Mas é isso! – a voz de Charlotte subiu umas oitavas – A loja de móveis planejados que Otis contratou para fazer os armários fica em Aberdeen! Eles têm ótimos projetos, bons preços e profissionais dedicados.
- Aberdeen fica onde? – Ed perguntou.
- Fica a meio caminho de Olympia. Lá vocês terão muitas opções de compras também ... Eu vou lhes dar o endereço de algumas lojas de lá.
- Obrigada, Charlotte, você e seu esposo têm sido muito atenciosos conosco. – sorri gentilmente para ela.
- Oh! Não há de quê. Todos que se mudam para Forks devem ser bem recebidos! – ela sentou numa cadeira, atrás de uma mesa e começou a fazer contas num caderninho – Desculpem, sou antiquada, não gosto de computador.
Depois de alguns minutinhos, perdida nos próprios pensamentos, ela sentenciou seu preço. Compramos o sofá, as duas poltronas, a cadeira de balanço, o móvel de madeira escura e as duas mesinhas de centro por U$ 2.050,00. Charlotte prometeu entregar tudo na sexta-feira, dia 19.
Tudo estava se arranjando bem. Foi uma semana muito ocupada, Edward estudava muito pra poder terminar seu curso de finanças e eu me empenhava em comprar. A casa, aos poucos, criava vida, aos poucos, ela se tornava o nosso cantinho ... Fomos a Aberdeen e numa loja compramos os móveis da primeira sala: um sofá de tecido amarelo, um chaise da mesma cor, uma estante muito estilosa ... A sala ficou linda!

O que mais gostei ao trabalhar nas duas salas da nossa casa, é que tinham estilos totalmente diferentes! Quem entrasse na casa, encontraria uma salinha bem decorada, com leves objetos e com um ar bem moderno. A segunda sala, a que eu fiz de sala de TV, depois de receber todos os móveis da loja de Charlotte e mais alguns objetos de decoração, ficou uma graça. O ambiente aconchegante e quente era muito acolhedor, aquele sofá fofinho, a chuva do fim de tarde e um bom DVD eram um convite!

O projeto do quarto foi muito bem feito. O pessoal da loja nos sugeriu colocar espelhos na porta do closet e assim dar a impressão de que o cômodo era maior. Uma parede seria coberta com papel de parede palha de seda, com tratamento anti-mofo e anti ácaro, na cor caramelo, instalado com cola de contato. Compramos um móvel baixo, dois criados mudos e uma poltrona. Eles prometeram deixar o quarto pronto no dia 26 de março, na véspera de nosso ‘um mês de casados’.
No sábado, 20 de março, nos mudamos em definitivo para a nossa casa. Tudo estava bem encaminhado até que percebi que não tínhamos comida! Na geladeira só tinha água e gelo! Estourei numa ruidosa gargalhada, ao forrar a cama (que estava no quarto pequeno, por enquanto) com um lindo edredom.
- O que foi, amor?! – Edward entrou no cômodo e me olhou espantado.
- Amor, não temos NADA pra comer! – gargalhei mais e ele arqueou as sobrancelhas – E eu já estou com tanta fome que seria capaz de comer as paredes ...
- Vamos almoçar num restaurante e depois podemos ir ao supermercado.
Por motivos óbvios, escolhemos ir à Thriftway em vez de ir a Newton’s, os dois únicos supermercados de Forks ficam em lados opostos da cidade. A Thriftway não era muito longe de casa, apenas algumas ruas ao sul. Edward pegou um carrinho na entrada do supermercado e entramos, imediatamente, vários olhares convergiram para nós. Mesmo com toda atenção extra das pessoas, era bom estar dentro de um supermercado, era uma atividade de pessoas normais. A nossa vida já não era normal há muito tempo ... Respirei fundo e sorri resignada. Peguei a listinha de compras que havia feito em casa e comecei a me movimentar, em Boston, eu fazia as compras da casa, então aquilo era fácil. Lembrei que dali a alguns meses, quando os bebês nascessem, Edward teria essa tarefa pela frente. À medida que escolhia os produtos e comparava os preços, ensinava a ele tudo o que podia.
- Edward! – escutamos uma voz grave atrás de nós.
- Harry! – Ed se virou, sorriu e lhe estendeu a mão – Esta é minha esposa, Isabella.
- Oh! Muito prazer! – apertei sua mão.
- Igualmente. - sorri tímida.
- Aceitem um conselho. – o homem sussurrou – Aqui é só para emergências. Da próxima vez que quiserem encher o carrinho, a Newton’s  tem os melhores preços. Mas é uma pena que eles não abram a loja aos sábados ... é contra a religião deles ...
- Obrigado pela dica, Harry. – Ed falou.
O futuro chefe de Edward se despediu de nós nos desejando tudo de bom na nova cidade. ‘Forfokianos, além de bons telepatas são muito hospitaleiros’ pensei.
Em casa, Edward me ajudou a guardar as compras nos armários e na geladeira. Enquanto ele tomava banho, preparei café bem forte (ele queria estudar depois do jantar) e resolvi não inovar muito no cardápio, cozinhei rapidamente algumas batatas e depois enrolei-as em fatias de queijo mussarela, embrulhei em papel alumínio e coloquei-as no forno pra assar um pouco, cobri bifes com molho marinado e cozinhei arroz branco. Arrumei a mesa do melhor jeito que pude, afinal aquela era a primeira refeição que fazíamos na nossa casa! Antes de comermos, Edward fez uma rápida oração. Mesmo cansados, tivemos um jantar muito agradável.
Não vi a que horas Edward foi dormir, eu sabia que ele tinha muuuita coisa pra estudar. Só sei que acordei cedo na manhã de domingo e meu amor ressonava tranqüilo ao meu lado. A nossa primeira noite sobre a nova cama não teve aquela comemoração, mas o nosso quarto não estava pronto ... Ainda. No domingo, Edward não saiu da frente do notebook, seu relatório final estava quase pronto. Eu me ocupei em arrumar a casa, falar com os bebês e não pensar muito no fato que ficaria sozinha quando Edward fosse trabalhar no dia seguinte.
‘Calma, Bella, você sabia que isso iria acontecer’ meu lado corajoso dizia. ‘Mas você vai ficar sozinha, numa casa nova, numa cidade nova’ a outra voz gritava em minha mente.
A segunda-feira finalmente chegou, renovando todos os meus medos ... Acordei cedo, separei as roupas de Edward, tomei um banho, preparei o café. Ed partiu para o trabalho e a minha máscara de forte se desfez assim que ele entrou no carro e saiu ... Fiquei ali, na varanda, olhando para a rua vazia, as lágrimas já estavam quase rolando em meu rosto ... Os bebês chutaram, devem ter dito: ‘não seja boba, mamãe, o papai volta.’
Dentro de casa eu poderia me ocupar de várias coisas ... A cozinha era o lugar ideal para ocupar o corpo e a mente. A campainha tocou, era Charlotte.
- Bom dia, querida. – ela sorriu – Eu estava esperando seu marido sair de casa ... Não queria incomodar vocês ...
- Bom dia, Charlotte! – convide-a a entrar – Venha conhecer minha casa mobiliada!
Sorrimos muito e ela gostou de tudo o que viu, depois fomos à cozinha onde eu lhe servi uma xícara de café.
- Eu também vim aqui pra lhe dar as referências do meu faxineiro. – ela falava com naturalidade – Sidclayton é um ótimo empregado!
- Faxineiro?!
- Sim, suponho que você não irá fazer a faxina dessa casa sozinha!
- Não ... Eu realmente não posso limpar isso tudo sozinha ... Mas você disse faxineiro?
- Sim, ele é homem! Quer dizer, meio-homem ...
Franzi a testa, imaginei se Charlotte estaria bêbada numa manhã de segunda-feira!
- Ele é gay, Isabella! – ela gargalhou da minha cara de espanto – Oh! Mas não se preocupe, é uma pessoa maravilhosa. Muito trabalhador, honesto, educado ...
- Ele está na sua casa agora?
Eu realmente precisaria de alguém pra me ajudar com as tarefas da casa. Naturalmente nós não poderíamos pagar uma empregada porque quando os bebês nascessem, uma babá teria de ser contratada. A solução seria contratar uma diarista ... Será que Edward se importaria se eu contratasse um faxineiro gay?
- Sim! Você quer conhecê-lo?
Assenti para ela, minutos depois, eu recebia em minha sala um homem alto, moreno de pele cor de canela, seu rosto era muito feminino, como se ele tivesse feito aplicações de botox e algumas cirurgias plásticas. Ele tinha seios!!! Seus cabelos castanhos eram longos, num corte bem feminino e suas roupas eram andróginas.
- Muito prazer, Sra. Fields! – ele me estendeu a mão e nos cumprimentamos, sua voz era anasalada e tinha um sotaque desconhecido – Eu sou Sidclayton Silva.
- Muito prazer, Sr. Silva. Sente-se.
- Oh! Por favor, me chame de Sidclayton ou Sid, tanto faz ...
- Sidclayton ... esse seu sotaque ...
- Ah! Sou brasileiro ...
- Puxa, você veio de longe, hein? – ele sorriu – Mas me diga, há quanto tempo você faz faxinas?
- Há mais 25 anos! Comecei a ajudar na faxina de casa e a cuidar de meus irmãos menores desde muito cedo ... Eu sou o mais velho de 11 irmãos!
Onze?!
- Moro nos Estados Unidos há 15 anos, não sou imigrante ilegal e não tenho passagem pela polícia ...
- Quanto você cobra?
- U$ 9,50 por hora.
O preço estava bom. Em Boston, eu pagava a Sue U$ 12,00 por hora ... Acertei com Sidclayton pra ele vir duas vezes por semana, em esquemas de meia-diária e ele me deu uma listinha de material de limpeza para comprar. Eu sabia que Edward não gostaria muito dessa idéia no começo, mas seu preconceito bobo iria acabar se Sidclayton fosse um bom profissional.
O almoço já estava quase pronto quando Edward ligou e eu soltei um gritinho de susto. Esqueci que a casa tinha uma linha telefônica! Havia um aparelho na cozinha (pregado na parede) e outro sem-fio (novo) na sala de TV. Ele me avisou que em 30mim chegaria para almoçar! Adorei a idéia de almoçar com meu amor. O banco ficava a menos de dez minutos de casa e Edward tinha 1 hora de almoço! Perfeito! Assim nos veríamos, depois do almoço ele poderia descansar um pouco e ainda economizaríamos dinheiro!
Como já era esperado, ele chiou com a idéia do faxineiro gay, mas depois da primeira faxina, admitiu que a casa ficou impecavelmente limpa em apenas cinco horas. Sidclayton viria todas terças e sextas-feiras, trabalharia por meio-dia, sempre no horário da manhã.
A primeira semana passou voando e a sexta feira, 26 março chegou. A loja em Aberdeen, onde encomendamos o projeto do quarto, mandou meia dúzia de funcionários para arrumar tudo. Quando Ed veio para o almoço, não o deixei ver nada no quarto novo. Queria fazer uma surpresa ... Tudo tinha saído como planejado ... O quarto novo, a camisola nova, o jantar delicioso que eu terminava de fazer ...
Queria passar as primeiras horas do dia 27 de março, quando completávamos um mês de casados, fazendo amor com meu marido.

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