EVOLUÇÃO
E então a nossa vida começava a entrar nos eixos ...
No banco eu trabalhava com afinco, sempre prestando atenção em tudo o que Kate me ensinava. Logo na primeira semana, eu aprendi a dinâmica de meu trabalho que consistia em auxiliar Kate em tudo o que ela fazia. Como ela era uma espécie de faz-tudo, eu me tornei o faz-tudo-junior do banco.
‘Edward, quando você puder, arquive esses memorandos, por favor?’ ou ‘Edward você poderia me ajudar a fazer a lista para o coffe-break da próxima sexta-feira?’ ou ainda ‘Edward será que você podia ligar para alguma floricultura de Port Angeles e encomendar uma coroa de flores?’, Irina me fez esse pedido inusitado.
- Coroa de flores? – perguntei.
- Sim, a mãe de Fred Gilmore, um de nossos mais importantes clientes, faleceu ontem à tarde. – ela suspirou – Eu tenho uma importante reunião com alguns microempresários da cidade e não estou com tempo de fazer isso.
- Tudo bem, Irina, pode deixar.
- Ah! Edward, escolha uma coroa bonita, discreta, com flores brancas e mande escrever alguma mensagem.
- Mas qual mensagem? – franzi a testa.
- Por favor, por favor Edward! – ela implorou juntando as duas mãos – Pense numa mensagem para mim. Eu estou tão nervosa com a reunião que terei daqui a pouco que não consigo pensar em mais nada!
- Pode deixar. Vou procurar no Google uma frase bonita ...
Irina deu três pulinhos e bateu palmas antes de falar, aquela cena me fez lembrar Alice.
- ÊÊÊÊÊ ... Obrigada! – ela saiu saltitando pelo corredor.
Com um longo suspiro, eu comecei a minha busca pelo site até encontrar uma frase decente para expressar ‘os pêsames’. Numa outra ocasião eu tive que ir até Port Angeles para pegar um vestido que a Sra. Miller, esposa de Harry, havia encomendado numa loja ... Depois de uma hora de viagem, eu ainda tive que esperar a vendedora encontrar a bijuteria certa para combinar com um vestido cor de fúcsia! Juro que nunca tinha visto antes essa tal de ‘cor de fúcsia’ e quando a vi, me dei conta que ela era da cor da asa de um besouro!
- Tenha cuidado! O tecido desse vestido é muito delicado! – a vendedora, alta, magra como um espaguete e de voz anasalada falou pra mim com um ar de reprovação – Isso é seda chinesa! Muita seda chinesa!
- Coitados dos bichos-da-seda ... se fuderam! – murmurei mal humorado enquanto segurava o cabide com o vestido.
Também teve um dia que eu estava usando a copiadora para copiar vários formulários que seriam entregues aos funcionários, eu já estava terminando tudo quando Riley chegou.
- Falta muito pra você terminar? – ele sorriu, mas eu considerei aquele sorriso falso e debochado.
- Não.
- Bom, eu estou com pressa. Faça duas cópias pra mim e deixe em cima da minha mesa. – ele me entregou um portfólio e saiu.
Ainda passei uns trinta segundos segurando o material que ele me deu antes de ser tirado do transe.
- Manda esse puto se fuder, Edward! – Mark entrou na sala da copiadora e sussurrou pra mim.
- Hãn? – arregalei os olhos.
- Eu não pude deixar de ouvir o que Riley falou pra você. – Mark apontou para o portfólio na minha mão – Aqui no banco, você só se reporta a Kate e a Harry. Eu e o resto do pessoal só podemos lhe pedir favores. Entendeu? – eu apenas assenti – Se você der asas a Riley, ele vai te fazer de secretário particular dele!
- Mas se eu não ...
Eu queria sim, mandar Riley se fuder, mas eu precisava de meu emprego!
- Se você não fizer, você não vai ser prejudicado. – ele suspirou – Agora, se você quiser fazer ... Riley vai virar freguês!
- Ele é muito prepotente. Mas eu não quero me indispor e ...
Fomos interrompidos pelo barulho do salto alto de um sapato feminino, era Kate.
- Edward, eu estou saindo mais cedo porque tenho consulta com o dentista. Você já terminou com os formulários? – assenti para ela – Ótimo! Volte para sala, pode ser que Harry precise de você.
Vi naquela ocasião a oportunidade de confirmar o que Mark havia me dito.
- Kate, Riley mandou que eu tirasse duas cópias desse portfólio aqui.
- Riley perdeu as mãos, por acaso?! – ela falou zombeteira e arqueou as sobrancelhas – Deixe que Riley faça seu próprio trabalho, Edward!
Deixei o material dele sobre a copiadora e voltei para minha sala. Daquele dia em diante, ele não me pediu mais nada.
E assim eu aprendia lições importantes sobre o clima do meu ambiente de trabalho. Kate era uma pessoa alegre, espontânea, sincera e que tinha a maior boa vontade e paciência comigo. Às vezes eu olhava pra ela e me lembrava de minha mãe ... Esme era tão atenciosa e paciente com os médicos residentes assim como Kate é comigo. Harry era como aquele tio gente boa que todo mundo tem. Às vezes eu o flagrava olhando pra mim como se sentisse orgulho de mim ... Irina era elétrica, não parava de trabalhar e de sorrir, ela era muito inteligente e esforçada. Mark era um bom sujeito que sempre tinha pequenos conselhos a me dar. Confesso que eu até estranhei um pouco essa atitude dele, mas depois percebi, na prática, que ele estava correto. Gostei de ter conhecido Samuel, apesar de não nos falarmos muito durante o expediente de trabalho, sempre que nos víamos, a conversa era agradável. Ele tinha uma rotina de trabalho muito mais intensa que a minha, pois o movimento de clientes na agência era bem grande. Freqüentemente eu via Samuel atendendo clientes por telefone ou pessoalmente, ele sempre estava tentando vender algo: empréstimo pessoal, seguro de vida, seguro de carro, seguro residencial ...
- A semana tem sido movimentada pra mim ... – Samuel falou quando estávamos no estacionamento do banco num final de dia.
- Muitos clientes? – perguntei.
- Muitos clientes em potencial. Entre oferecer um produto e fechar a venda dele, há uma distância muito grande! – ele suspirou – Tenho que me esforçar mais pra não ficar abaixo da meta ...
- Meta?
- Sim, Edward! Todos perseguimos metas aqui no banco. Como você e Kate trabalham na área-meio, ou seja, nos bastidores, vocês não são tão cobrados como os demais. – ele suspirou de novo – Eu e minha esposa estamos tentando juntar uma grana pra poder financiar a construção da nossa casa.
- Mas vocês não moram na reserva Quileute?
- Sim. Moramos na casa de meu pai, ele está no Canadá agora, mas deve voltar para Forks no final do ano. Até lá, eu quero erguer minha casa lá mesmo em La Push ...
- Eu entendo ... Eu moro numa casa alugada. U$ 900,00 por mês!!!
Ele assoviou em sinal de espanto e o toque de seu celular interrompeu nossa conversa. Era Emily, sua esposa, ela pedia que ele fosse ao supermercado dos Newton porque ficou sabendo que havia fraldas descartáveis em promoção. Aproveitei e liguei pra Bella pra perguntar se ela queria que eu comprasse fraldas também. ‘Compre todas de tamanho P’, foi o que a minha esposa disse. Entrei na pick-up e vi quando Samuel se dirigiu para uma moto vermelha meio velha.
- Hey, cara, eu não sabia que você tinha um moto! – baixei o vidro pra poder falar.
- É mais barato andar de moto todos os dias do que andar carro! – ele falou enquanto vestia uma jaqueta de couro.
O céu anunciou uma pesada tempestade, vários raios iluminaram o começo da noite.
- E quando chove?! – perguntei antes de ligar o motor.
- Eu tomo uma chuveirada a 90 km/h!
Minutos depois das compras eu estava em casa, desfrutando da companhia da minha esposa. O trabalho de Bella em construir um lar bonito e aconchegante para nós foi muito bem executado, as salas, a cozinha, os banheiros ... Tudo ganhou o toque pessoal dela, imprimindo aos ambientes um pouco da nossa identidade. Quando o nosso quarto ficou pronto, Bella preparou um jantar romântico pra comemorarmos. Terminamos a noite fazendo amor sobre lençóis novos, começamos a madrugada do dia seguinte desejando ‘feliz um mês de casados’.
Eu poderia dizer que a vida era boa. Mas de certa forma, ela era mesmo boa! Minha esposa estava tendo uma gravidez de gêmeos muito saudável, ela pouco enjoou e não teve nenhum outro problema que indicasse risco de aborto. Nossos bebês se desenvolviam semana a semana, fazendo com que a barriga de Bella crescesse rapidamente. Ela estava muito redonda e linda a cada dia ...
Mas eu não pude deixar de perceber que Isabella não parecia tão à vontade. Freqüentemente eu a flagrava meio aérea, olhando para o nada ou apenas olhando para sua barriga, geralmente ela se comportava dessa maneira pela manhã, antes de eu sair para o trabalho. À noite, eu encontrava uma outra mulher, muito mais alegre, falante e sorridente. Quando a confrontei algumas vezes, ela se queixou de sono ou simplesmente não disse nada. Mas ela estava linda ... mesmo pela manhã ainda meio descabelada e usando uma camisa minha, ela era linda. Sem que percebesse, tirei uma foto sua com o meu celular.
Logo no começo, eu atribuí aquilo às mudanças de comportamento das grávidas devido à oscilação hormonal. Eu tenho até estudado sobre o assunto num site da internet. Quando um bebê começa a se desenvolver, muitos sentimentos tomam conta da cabeça da mulher: alegria, medo, insegurança e ansiedade, tudo ao mesmo tempo e em alta dosagem. Essa confusão toda se dá devido à brusca alteração dos níveis do estrógeno, que é o responsável pelas características femininas e cujas taxas sobem muito na gravidez, para deixar o organismo da grávida apto para o desenvolvimento da criança. Sem contar que ainda há a progesterona, atuando na adequação do útero para receber o embrião. O corpo acaba atuando muito mais rápido que a mente, daí as oscilações emocionais! Então eu estava preparado para mudanças no comportamento de Bella, sinais de angústia, medo, choro e riso sem causa aparente seriam normais nessa época. Bom, eu achava que estava preparado para mudanças de humor e não para o que vivi ...
Voltávamos de uma missa num fim de tarde de sábado. Parei a pick-up numa esquina, esperando que o sinal de trânsito abrisse quando vi o que iria nos acontecer. Na melhor das hipóteses, Bella ficaria ferida, já os bebês ...
Um cara dirigia uma motocicleta em alta velocidade e pela contramão numa rua transversal a que estávamos. Pelo que percebi, parecia que ele havia perdido o controle do veículo. Ele ia de encontro a um caminhão enorme, carregado com toras de madeira. Tudo não durou nem trinta segundos! O motorista do caminhão freou bruscamente fazendo com que seu longo veículo atravessasse a pista e se chocasse contra um enorme poste. Estávamos embaixo desse poste, no caminho dele ... Eu nem sei se pensei rápido, talvez até tenha sido instintivo, como se a necessidade de sobrevivência falasse mais alto. Mas não era na minha vida que eu pensava, na minha cabeça só havia duas coisas: Bella e bebês.
Dei a partida na pick-up, avancei o sinal vermelho e virei à direita para poder nos livrar do poste. O primeiro estrondo foi medonho. O barulho do concreto do poste se chocando contra o concreto da pista foi ensurdecedor. Mas cada tora de madeira que se chocava contra o chão parecia ser o som de um trovão. Ao meu lado Bella chorava, tremia e se encolhia com o barulho.
- BELLA! BELLA, FALA COMIGO, AMOR!
A princípio ela não falou nada, soltei nossos cintos e a abracei na tentativa de acalmá-la. Pouco tempo depois o choro foi cessando e a respiração dela foi se normalizando.
- O que foi aquilo, Ed? – seu sussurro era entrecortado.
- Um motoqueiro estava na contra mão, ele ia se chocar com aquele caminhão cheio de toras de madeiras. – apontei para o caminhão – O motorista freou bruscamente, mas não conseguiu evitar de bater no poste ...
- MEU DEUS! – ela guinchou – O poste, ele ...
- Ia cair sobre nós, Bella. – ao proferir essas palavras me dei conta de meu nervosismo – Graças a Deus eu consegui entrar nessa rua a tempo. O primeiro barulho foi o da queda do poste bem atrás de nós. Os outros estrondos foram das toras de madeira se soltando do caminhão.
Fitei os olhos chocolate de minha esposa na intenção de medir seu estresse e julguei que ela já estava melhor. Depois afaguei seu rosto e beijei sua testa, enquanto uma de minhas mãos tocava seu ventre. ‘Obrigado, Deus. Estão todos aqui.’
O resto do caminho foi feito em silêncio, eu estava duzentas mil vezes mais atento ao perigoso trânsito de Forks e Bella devia estar concentrada em se ‘desestressar’. Ela decidiu tomar um banho antes do jantar e havia me pedido para eu colocar uma torta de frango para esquentar no microondas. Eu estava a caminho da cozinha quando ouvi seu grito de pavor.
- EDWARD! – girei meus calcanhares e abri a porta do banheiro.
Bella segurava a bancada de mármore com uma mão, como se estivesse se apoiando ali para não cair. Com a outra mão ela segurava sua calcinha branca que exibia uma grande mancha de sangue, muito vivo e brilhoso.
– Nossos bebês! Ah! Edward, veja!
O choro veio rápido, desenfreado e intenso. Bella se esticou para mim e sua mão se fechou em minha camisa. Suas penas fraquejaram no mesmo instante em que a carreguei no colo.
- Não ... Edward ... nossos filhos, não!
Eu não estava pronto para aquilo! Eu não estava pronto para ver minha mulher me implorar por nossos filhos. Afinal de contas, o que eu poderia fazer além de socorrê-la e pedir a Deus que desse tudo certo? Ah! Eu poderia também sofrer e me desesperar como um condenado. Foi o que eu fiz.
Peguei a bolsa de Bella e em menos de cinco minutos estávamos no hospital. Deixei o carro ligado e a carreguei nos braços até encontrar a primeira enfermeira que houvesse em meu caminho.
- Isabella Fields, minha esposa, grávida de gêmeos, 16ª semana de gestação, sangramento ...
Eu jogava as palavras no ar para uma enfermeira de meia-idade que me olhava atônita. Bella desmaiou em meus braços.
- Ajudem!!! – gritei para as outras pessoas que estavam ali – É minha esposa e filhos! – gritei mais ainda.
Rapidamente um enfermeiro veio em minha direção com uma maca onde Bella foi colocada. Depois que meus braços se viram livres dela, eles tremeram convulsivamente, eu tremia da cabeça aos pés e as lágrimas me banhavam.
- Quem é o obstetra dela? – o enfermeiro falou.
- Weber! Dra. Weber – sussurrei enquanto acompanhava o enfermeiro que carregava Bella.
- A Dra. Weber está de plantão hoje. – ele falou com calma e depois se virou para a recepcionista – Localize a Dra. Weber e diga que vamos para o ambulatório B-3. – a mulher apenas assentiu pra ele e pegou o telefone.
Fomos para o ambulatório onde a Dra. Weber já esperava por Bella. Minha esposa foi atendida com muita rapidez. Naquela hora, eu não era Edward, o ex-estudante de medicina. Eu era Edward-o-esposo-pai que desabou numa cadeira enquanto via a esposa desacordada ser habilmente atendida.
Eu apoiei meu rosto nas mãos e tentei raciocinar.
Um sangramento é sempre um sangramento, não importa o tempo da gestação. Eu sabia que deveria trazer Bella para o hospital com a máxima urgência! E demos sorte porque sua obstetra estava de plantão ... Eu tentava normalizar minha respiração, mentalizando que nem todo sangramento é motivo de desespero. Até onde eu sei, em algumas situações, pequenos sangramentos são normais e não representam risco para a gestação e o bebê.
Ah! Mas a quem eu queria enganar? Se o sangue eliminado fosse em pequena quantidade e escuro, seria apenas um sinal de que um pequeno e desimportante vaso tivesse se rompido em seu útero. O problema era aquela considerável quantidade de sangue muito vermelho e brilhoso ... O problema é que meus filhos corriam risco!
‘Por favor, Deus!’, gritei em minha mente.
- A situação já se estabilizou, Sr. Fields. – senti uma mão tocar levemente o meu ombro – O sangramento já parou.
Levantei o rosto e me surpreendi com a minha voz cansada.
- O que a minha esposa tem, doutora?
- Vamos levar sua esposa para um quarto. Lá conversaremos.
Eu apenas assenti e acompanhei a maca que levava Bella, ela ainda estava adormecida. Seu rosto não estava muito pálido, mas havia uma agulha em sua mão, levando-lhe alguma medicação. Depois de devidamente acomodada numa cama, seu rosto adquiriu um ar sereno.
- O que a minha esposa tem, doutora? – repeti a pergunta.
- Isabella teve uma queda acentuada de pressão arterial, por isso ela desmaiou. – a médica falava devagar – Mas o sangramento não tem uma causa específica. Ela se queixou de cólicas?
- Não.
- Dor ou algum sangramento durante ou depois o ato sexual?
- Não.
- Ela caiu ou levou alguma pancada forte na barriga? – neguei com a cabeça – Se estressou com algo?
Suspirei profundamente antes de responder. Desde o dia em que nossos pais morreram que a nossa vida tem sido estressante ... Nós nos amamos, somos felizes, mas temos sofrido muito! Não sei, talvez todos os estresses que Bella vem acumulando por todo esse tempo possam ter desencadeado esse sangramento.
- Doutora, estresse pode causar sangramento em grávidas?
- Estresse pode causar tudo em qualquer pessoa. – ela apontou para o sofá do quarto, onde nos sentamos – Por que você acha que sua esposa está estressada?
Fiz um rápido resumo de tudo. Não menti, mas também não falei nada que pudesse nos comprometer ou revelar nossa real identidade. Por fim, descrevi em detalhes o acidente que quase sofremos.
- Foi uma reação emocional ... Ela e os fetos estão bem. – a médica me olhou nos olhos ao falar.
- Mas por que ela ainda não acordou?
- Ela está descansando. A medicação só é um calmante, entrando em seu sistema e ajudando-a a relaxar. – ela sorriu gentilmente – Mamãe e bebês só precisam descansar um pouco.
Olhei para Bella e suspirei aliviado. A médica nos deixou a sós e pediu que eu avisasse à enfermeira quando Bella acordasse. Peguei uma cadeira de plástico e coloquei-a ao lado da cama de Bella. Segurei a mão que estava sem agulha e acariciei sua barriga. Fiquei velando o sono de minha esposa e de meus filhos por não sei quanto tempo ...
Antes, eu não fazia idéia do que é ser pai ... até que Bella me disse que estava grávida. Antes, eu já havia chorando perdas incríveis, dolorosas demais ... No mesmo dia enterrei pai, mãe, sogros ... Mas eu posso afirmar, com toda a certeza, que a possibilidade de perder meus filhos, mesmo antes de eles nascerem, avançou sobre mim trazendo uma dor excruciante.
Eu nunca me senti tão grávido quanto naquele dia! A minha gravidez não era física, era apenas emocional ... Meu coração estava grávido. Meu coração levava, acolhia e protegia meus dois pequenos filhos ou filhas. Meu coração não suportaria perdê-los ...
Bella se mexeu um pouco na cama e abriu os olhos.
- Bella?!
Ah! Droga, minha voz saiu alarmada demais, pigarreei e tentei de novo.
– Você está sentindo dor?
- Nã-não ...
Ela começou a choramingar, eu peguei suas mãos nas minhas antes de falar. Expliquei-lhe que o sangramento já havia passado e que os bebês estavam bem. Fui salvo pela Dra. Weber que entrou no quarto e confirmou pra Bella o que eu já havia dito. A medicação foi suspensa e depois seguimos para uma sala de exames de ultrassonografia. Bella estava sentada numa cadeira de rodas, eu ao seu lado, segurando sua mão. Uma enfermeira ajudou-a a se deitar na cama e depois saiu da sala. Nossas mãos ainda estavam entrelaçadas, ela estava pensativa. Eu resolvi rezar.
- Edward, você tá rezando?
- Sim. – suspirei e dei um fraco sorriso.
- Vamos rezar juntos?
Ela me pediu de um jeito tão carinhoso e decidido! Eu apenas me inclinei um pouco em sua direção e rezamos o Pai Nosso juntos.
Nos maravilhamos ao ouvir o milagre da vida pulsando nos corações de nossos filhos ... Nos encantamos quando soubemos que eram meninos!
- Meninos, amor! São meninos! – falei muito emocionado, me ajoelhei ao seu lado e desatei a chorar.
- Anthony e Thomas! – Bella falou entre lágrimas também.
- Anthony e Thomas?!
‘De onde ela tirou esses nomes tão rápido?’, pensei. E depois percebi que eram nomes lindos.
– Anthony e Thomas! São nomes lindos! – falei cheio de orgulho.
- Vou deixar vocês à vontade enquanto a mamãe se veste. – a médica falou e saiu da sala.
- Os nomes são lindos, amor! – ajudei-a a vestir a bata do hospital e a sentar na cadeira de rodas – Mas de onde você tirou esses nomes tão rápido? Já havia pensado nisso? – me ajoelhei em sua frente e acariciei sua barriga.
- Rezei muito pra Santo Antonio e São Tomás. Mas não é só isso. Quero fazer algumas homenagens também. O primeiro que nascer vai se chamar John Anthony. Seu antepassado John Alfred que construiu aquele bunker na mansão merece ser lembrado. – eu me emocionei quando ela disse isso – Anthony porque é o seu segundo nome, amor. –O outro bebê vai se chamar Edward Thomas – acho que sorri – Uma homenagem a você e a São Tomás de Aquino.
- São nomes muito apropriados, Bella! – beijei seus lábios – Obrigado por colocar meus nomes em nossos filhos.
Bella ficaria em observação até o dia seguinte, aproveitei que ela estava acordada e mais calma e pedi seu jantar. Depois eu fui em casa e voltei em tempo recorde trazendo uma pequena bolsa de viagem com algumas peças de roupas dela. Somente depois que ela já estava de pijama, me permiti deitar no pequeno sofá-cama. Eu estava liquidado ... moído ...
- Amor, vem deitar aqui comigo ... – Bella falou e eu abri os olhos na mesma hora.
- Bella, essa cama é pequena demais pra nós dois.
- Esse sofá também é pequeno demais. – seu lábio inferior se projetou num lindo biquinho – Eu não gosto de dormir sem você ...
- Tá bom ...
Ela sempre consegue o que quer de mim quando usa esse biquinho!
- Tá vendo?! Nem é tão apertado assim ...
- Boa noite, Bella. – lhe dei um selinho e toquei em sua barriga – Boa noite, Anthony. Boa noite, Thomas.
Ela bocejou e se aninhou em meu peito. Tentei ficar quieto até que ela relaxasse e dormisse. Eu estava (ainda) nervoso demais para conseguir dormir.
Mas, aos poucos, eu fui relaxando no calor irresistível de seu frágil corpo, eu a abraçava com uma feroz necessidade. Era como se Bella fosse o ar, sem ela, eu morreria afogado.
Depois que Bella teve alta hospitalar, eu me redobrei de cuidados com ela. Foram tantos cuidados que cheguei a irritá-la um pouco! Convoquei Peter e Charlotte para me ajudarem a vigiá-la, nossos vizinhos prontamente aceitaram meu pedido. Até mesmo Sidclayton, o nosso faxineiro esteve envolvido na ‘operação’! Na terça-feira, quando ele veio fazer a faxina, Bella ainda estava meio adormecida no quarto.
- Bom dia, Sr. Fields. A sua esposa e os bebês estão melhor?
- Bom dia, Sidclayton. – suspirei – Sim, eles estão bem. Foi só um susto.
- A Sra. Greeves me contou o que aconteceu! – ele franziu a testa – Ontem mesmo eu acendi uma vela agradecendo a São Cosme e a São Damião ...
- Você ...
- São Cosme e São Damião eram gêmeos ... Achei apropriado rezar a gêmeos pedindo por gêmeos ...
- Obrigado, Sidclayton. – fiquei emocionado pela declaração dele – Obrigado por se importar com minha esposa e filhos.
- Não há de quê, Sr. Fields.
Eu estava meio hesitante em lhe fazer o pedido, mas considerei que era por uma boa causa.
- Sidclayton, será que você poderia me fazer o favor de vigiar minha esposa? – ele franziu a testa – A médica recomendou repouso absoluto, mas Isabella é teimosa ...
Ele sorriu um pouco.
- Pode deixar, Sr. Fields. E parabéns pelos meninos!
Agradeci mais uma vez ao faxineiro e parti para o trabalho.
Meninos ... Serei pai de dois meninos! Se eu estivesse em NY eu os levaria para todos o jogos dos Yankees e ... Ah! Mas eu vou levá-los lá um dia! Assim que cheguei ao banco, entrei num site da internet e fiz umas comprinhas para Anthony e Thomas. Eles vão torcer para o Yankees assim como o pai!
Eu e Bella começamos a assistir palestras do hospital de Forks sobre maternidade, paternidade, bebês, partos e etc ... Foi muito importante pra mim e mais ainda pra ela. Fizemos novas amizades, Bella parecia mais feliz. Aos poucos estreitei mais os meus laços com meus meninos. Aprendi que acariciar a barriga de Bella e dizer palavras de carinho era importante para estabelecer uma comunicação física com Anthony e Thomas. Isso se mostrou verdadeiro porque eles sempre mexiam quando ‘conversávamos’. Também aprendi que todo o carinho e afeto que eu fizesse a Bella seria sentido por eles. Meus meninos já percebiam os sons, a mudança de temperatura e de incidência de luz e os movimentos que ocorriam na parte externa próxima à parede abdominal de Bella.
Então freqüentemente eu a convidava para um banho de banheira. Na água quente seu corpo relaxava com a massagem que eu fazia em suas pernas e pés ... Os bebês mexiam ... eu babava ...
As semanas se passavam, Bella parecia mais feliz e autoconfiante. Ela não perdia uma aula dos diversos cursos de grávida que havia se inscrito. Juntos, assistíamos a palestras e fazíamos o curso de massagem Shantala. Nos fins de semana fazíamos compras para o enxoval dos bebês ...
Eu me redobrava de carinhos e cuidados. O sexo continuava maravilhoso entre nós, embora eu tivesse me antecipado a possíveis surtos de baixa estima de Bella (ela poderia se achar menos sexy ou menos sensual). Eu adorava passar o creme hidratante em seu corpo, adorava percorrer com minhas mãos aquela pele alva, quente e macia ... Fazíamos disso um momento erótico que muitas vezes servia de preliminar para o amor ...
Eu sabia que deveria pesquisar mais sobre novas posições sexuais para nós. De forma alguma eu a deixaria desconfortável! Então eu fui à luta! Papai-e-mamãe adaptado, nós dois de lado, ela por cima, eu ajoelhado ... aos poucos nos adaptávamos ao crescimento da barriga.
Mas às vezes a gravidez é um grande teste de paciência para o marido. Principalmente quando a esposa surta de ter desejos estranhos ...
- Bella, eu não vou pedir!
- Mas Edward, eu preciso!
A casa em frente a nossa era habitada pelo Sr. Hobbes, um velhinho muito carrancudo, alto, careca, de cara enrugada e solitário. Ele cultivava rosas ... Rosas vermelhas muito bonitas ... Ouvi dizer que ele participava de uma exposição anual de rosas na Califórnia. Bella inventou que queria comer pétalas de rosas com mel.
- Por favor, Bella, seja razoável. – falei aflito – Eu vou numa floricultura.
- Não! Tem que ser aquelas rosas ali! – ela apontou para o jardim do velho.
Puta que pariu! Respirei fundo, em busca não só de oxigênio, mas de paciência também. Eu teria que ceder àquele capricho dela, só não sabia se o velhinho iria pensar da mesma forma. Atravessei a rua, toquei a campainha do velho uma, duas, três vezes ...
- JÁ VOOOOU ...
Um grito mal humorado de dentro da casa me fez ter vontade de voltar, mas quando olhei para trás, percebi que Bella me vigiava, acariciando sua enorme barriga de apenas 22 semanas de gestação.
- Quem é você? O que você quer?!
O homem abriu a porta e me encarou com uma expressão muito séria.
- Bom dia, Sr. Hobbes. Eu sou Edward Fields, seu vizinho. – sorri, mas ele não sorriu – Eu e minha esposa moramos naquela casa ali. – apontei para Bella que acenou e sorriu para o velho.
Ele cruzou os braços, impaciente.
- Minha esposa está grávida ...
- Eu sei, não sou cego. – ignorei seu comentário sarcástico e continuei.
- E como o senhor sabe, muitas grávidas têm uns ...
- Eu não sei. Nunca estive grávido!
Respirei fundo.
- Muitas grávidas têm desejos de comer umas coisas esquisitas e ... minha esposa está com desejo de comer pétalas de rosas com mel. – o rosto do homem assumiu uma expressão de perplexidade.
- E?
- Ela quer comer pétalas das rosas de seu jardim.
- Minhas rosas não são petiscos ... São rosas campeãs! – o rosto dele se suavizou um pouco - Essas rosas ganharam por duas vezes o campeonato nacional de ... Ah! Você e sua esposa não sabem de nada! – o mau humor voltou – Não sabem o quanto é difícil manter um jardim tão perfeito e impecável ...
‘Fudeu’, eu já me preparava para ir à floricultura.
- Mas o que eu sei sobre a maternidade? – ele suspirou – Eu e a finada Zhara nunca tivemos filhos ... – ele girou nos calcanhares – Espere aí.
Minutos depois ele voltou com um alicate e um par de luvas. Caminhamos até o canteiro de rosas, ele escolheu a maior e mais bonita de todas as rosas e me deu.
- Obrigado, Sr. Hobbes ...
- Espere. – ele cortou o caule da segunda maior rosa – Ouvi dizer que serão gêmeos!
O velho sorriu para mim.
Agradeci fervorosamente pelas duas rosas e da varanda da nossa casa vi quando Bella acenou e sorriu para o velho que se limitou apenas em acenar. Na cozinha, Bella lavou rapidamente as pétalas de rosas e as colocou numa tigela com mel. A mistura parecia deliciosa porque ela comeu com vontade. Argh! Que nojo!
Na manhã de sexta-feira, 11 de junho (um mês antes de meu aniversário) eu praticamente não trabalhei. Harry me convocou para ‘uma conversa’ em sua sala. Eu não fazia idéia do que se tratava.
- Sente-se, Edward. – Harry apontou para o sofá de seu escritório – E aí, como vão as coisas?
Aquela pergunta era muito vaga. Eu não sabia bem o que responder.
- Bem ... acho que estão bem ...
O olhar dele era indecifrável.
- Sua esposa e filhos estão bem? – ele falou gentilmente.
- Eles estão ótimos. – sorri – Os meninos crescem e ganham peso a cada semana.
- E aqui no trabalho, Edward? Como vão as coisas para você?
Ai meu Deus! Por que Harry assumiu um tom tão solene agora?
- Eu acho que tenho feito as coisas direito. – engoli em seco – Kate tem sido muito atenciosa, o salário é muito bom, as pessoas são legais ...
- Todos comentam que você é educado, esforçado e organizado. – ele sorriu, mostrando várias rugas ao redor de seus olhos – Eu não esperava isso de você!
- Hãn?!
- Filho, além do seu serviço de auxiliar de escritório, você já foi a lojas de Port Angeles buscar vestidos de minha esposa, levou meus ternos ao tintureiro, buscou meu cachorro no pet shop, além disso, eu soube que você se encarregou até de comprar uma coroa de flores ...
Quando fiz menção de falar, ele continuou.
- Estou orgulhoso de você, Edward. – ele sorriu – Você não se tornou um imbecil bajulador e nem um frustrado preguiçoso! Nós dois sabemos que esse não era o emprego dos sonhos, mas você está superando as minhas expectativas. – ele suspirou e ficou sério – Entretanto, a partir de Janeiro de 2011, eu não sei se poderei mantê-lo aqui no banco ...
Demorei uns trinta segundo pra poder entender o que ele quis dizer.
- Eu estou despedido, Harry?! –arregalei os olhos.
- Não, Edward! – ele franziu a testa – Despedido não é a palavra certa. Você está vulnerável.
- Eu não estou entendendo aonde você quer chegar.
- Edward, duas coisas muito importantes estão para acontecer. – ele se levantou e se serviu de uma xícara de café e me ofereceu uma também, mas eu estava tão nervoso que não aceitei – Pequenas cidades como Forks atraem grandes empresas. Isso se justifica por várias razões, dentre elas os incentivos ficais e a legislação local. A Paper Magic foi atraída para cá devido à indecente lei de proteção ambiental do estado. Você já ouviu falar da Paper Magic?
- Não. – respondi.
- Ela é a segunda maior empresa de celulose e papel do mundo. – ele falou com desdém – Mas foi banida de Oregon! Sim, o nosso estado vizinho não quis acolher a nova unidade agroindustrial devido a questões ambientais. O pólo industrial daqui já está na última fase de construção, daqui a pouco milhares de pés de eucaliptos serão transformados em papel, gerando mil empregos diretos e cerca de seis mil empregos indiretos.
- Mas o que ...?
- Cidadãos de Forks, La Push, Neah Bay, Neilton, Aberdeen e das outras cidades da região terão muitas oportunidades de emprego. Imagine o quanto isso vai mexer com a economia local!
- Harry o que você quer dizer com ...
- A segunda coisa importante que vai acontecer é que o banco onde trabalhamos será vendido. – ele fez uma pausa enquanto me esperava absorver a informação – O Bank Of America está nas negociações finais para adquirir o nosso banco.
- Por que o banco será vendido? Ele faliu?
- Ah! Não! As ações do Bank of West nunca estiveram tão bem cotadas … Mas nós somos um banco pequeno, filho. Nós não temos condições de brigar com os grandes tigres do mercado financeiro. Precisamos do aporte e da alavancagem financeira necessária para sobrevivermos!
- E ser vendido é bom? – eu ainda não tinha entendido bem.
- É melhor que morrer. Você não acha? – assenti pra ele – A negociação já se arrastava por alguns meses, mas ontem ela foi consolidada. O Bank Of America agora já é dono de 75% daqui, os papéis foram vendido por U$ 932,89 milhões ...
‘Caraca! Edward Cullen tinha muito mais do que isso ... ‘
- Edward, você está me ouvindo? – Harry me trouxe à realidade.
- Desculpe, Harry. É que eu fiquei preocupado agora.
- Entendo ...
- Obrigado por me alertar. – respirei fundo – Você acha que eu devo procurar um novo emprego logo?!
- Não, Edward! – ele falou exasperado – Estive pensando no seu caso. Escute, a educação secundária é normalmente a escolaridade mínima exigida para a maioria das ocupações de escritório e administrativas, ou seja, as atividades que você e Kate desempenham. Mas a gestão empresarial e financeira costuma empregar trabalhadores que pelo menos estejam fazendo o curso de graduação em Administração de Empresas, Ciências Contábeis ou Economia. – ele tomou um gole de café – Além disso, boas habilidades de comunicação e saber falar um segundo idioma são necessárias para todas as ocupações no setor bancário. Quanto a essa última parte você não precisa se preocupar.
‘Que ótimo’, engoli meu sarcasmo.
- Quero que você se matricule numa faculdade, Edward. – ele falou como um pai que dá conselhos ao filho.
- Faculdade?! Aqui em Forks? – perguntei incrédulo.
- Não. – ele se levantou e pegou uma pasta sobre sua mesa – Escolha um desses cursos via satélite – ele me deu papel e voltou a se sentar – Eu fiquei sabendo que o Bank of America não vai fazer muitos cortes de empregos em nosso banco, por isso você deve se aperfeiçoar.
- Mas Harry, em Janeiro do ano que vem eu só terei concluído um semestre de faculdade ...
- E daí? Esses cursos via satélite são considerados de baixa duração, algo em torno de seis semestres ... Quando nossos novos patrões analisarem seu currículo, verão que você faz alguma faculdade. Só isso.
Li rapidamente o que dizia no papel. A promessa era de diploma universitário em apenas seis semestres! Curso à distância, com aulas via satélite, professores conceituados e blá, blá, blá ....
- Edward, não comente com ninguém sobre essa conversa que tivemos. – Harry tocou em meu ombro – A venda do banco ainda não foi anunciada oficialmente.
- Pode deixar, Harry. Obrigado por me avisar.
Sai daquele escritório com a boca seca e as pernas bambas. Logo agora que eu tava tão acostumado ao trabalho ... O salário não era ruim! O seguro-saúde era excelente! Além disso nós tínhamos a ajuda de custo do serviço de proteção a testemunhas, de forma que eu e Bella nem tínhamos precisado ainda mexer no nosso dinheiro que estava guardado no banco.
Eu teria que cursar a faculdade ... Rapidamente me decidi por Administração de Empresas, foi o curso que me pareceu mais interessante. O valor das mensalidades também não era caro, um pouco mais do que o que eu pagava pelo aluguel da casa. Eu abdicaria de três horas por dia, três vezes por semana, entre as dezenove e as vinte e duas horas e me sentaria na frente de um computador para assistir as aulas? Bom, eu tinha que admitir que aquela carga horária era uma piada!
Eu também poderia não fazer nada e esperar pra ver se seria mesmo demitido. Daí eu poderia arranjar um novo emprego que me pagaria bem menos e não daria cobertura de seguro-saúde à minha família.
Decisões ...
Respirei fundo e entrei no site do banco. Na página do RH vi alguns cursos e resolvi me inscrever para todos eles. As aulas da nova faculdade só começariam em Setembro, até lá eu ainda tinha muitas coisas a aprender.
Inicialmente, eu escolhi o curso de Técnicas de Vendas, era um curso on-line de apenas 08 horas que me daria noções de técnica de vendas de serviços bancários. Dali a dois dias eu receberia meus certificado digital e a nota final pela redação.
Os outros cursos rápidos que me interessei eram bastante genéricos, mas eram importantes. Nos dias seguintes eu ainda faria um curso de Excel avançado, noções matemática financeira e estatística, inglês e redação oficial. Tudo o que pudesse agregar valor ao meu currículo eu estava topando fazer. Afinal eu precisava de meu emprego ...
Ainda passeei pelo site do banco e meus olhos faiscaram quando vi a descrição da carreira de Personal Banker. Aquilo sim era muito legal! Samuel era um personal banker. Ele se desdobrava tentando personalizar cada serviço bancário, oferecendo aos clientes o suporte para as suas necessidades de serviços financeiros e de crédito. Apesar de ser um trabalho um pouco estressante, ele me disse uma vez que fora o salário, ainda ganhava comissões pelas vendas. Seu trabalho ainda consistia em avaliar e aprovar pedidos de empréstimos hipotecários. O banco aceitava hipotecas de imóveis e veículos.
Outro cargo que parecia ser muito interessante era o de Gestor de Negócios. Esse era o departamento que Irina dirigia. Lá, o trabalho se assemelha ao do personal banker, sendo que é voltado para pessoas jurídicas e as comissões são bem maiores ...
Eu teria mesmo de cursar um faculdade para pode pleitear uma vaga dessas ... Suspirei ... Cliquei num link e vi algo que me animou muito.
‘Processo seletivo interno para Gestor de Negócios.
Se você cursa ou já concluiu Administração de Empresas, Ciências Contábeis ou Economia inscreva-se para o processo seletivo simplificado. Provas no dia 20/12/2010, na sede do Bank Of West, em Seattle.
Download do formulário de inscrição
Download do conteúdo programático
Essa é a sua chance de ascender profissionalmente’
Eu imprimi o formulário de inscrição e depois o conteúdo programático. Foi nessa hora que meu queixo caiu ... Eu faria provas de inglês, espanhol, informática, matemática financeira, estatística e técnicas bancárias, além de uma dissertação.
‘Impossível ...’ pensei.
Não! Não é impossível! Até lá eu vou ter cursado quase todo um semestre de faculdade, eu sempre tirei boas notas em inglês e espanhol, informática não é um mistério ... Mas e o resto?
A minha cabeça começou a latejar e eu decidi fazer uma pausa para um cafezinho ... E o resto? Quando cheguei à copa Samuel também estava lá, pensando na vida ... Sentei na cadeira ao seu lado e murmurei.
- E aí Samuel? Quais são as novas? – ele me olhou atônito, como se tivesse sido pego se surpresa.
- Em Dezembro do ano passado eu fiz uma prova e por causa de míseros dois pontinhos eu fui reprovado em espanhol ... O pior de tudo é que obtive nota máxima nas outras disciplinas. Este ano vai haver uma nova prova, mas eu não sei se vou fazer. – ele parecia irritado.
- É o concurso interno do banco para Gestor de Negócios? – ele assentiu – E você só foi reprovado em espanhol? – outra afirmativa.
Pensei rápido e lhe fiz uma proposta.
- Se eu te ajudasse nas aulas de espanhol, você me ajudaria em matemática financeira, técnicas bancárias e estatística?
- Mas Edward, você não está pensando em fazer a prova. Está? – assenti pra ele – Mas e quanto à necessidade da graduação?
- Vou me inscrever num curso à distância ... Administração de Empresas. – fiz uma pausa – E aí, Samuel, você topa me ajudar? Serviços bancários nunca foram o meu forte, mas eu estou disposto a estudar muito.
Ele me olhou por uns instantes antes de responder. É, talvez eu estivesse sendo precipitado ...
- Tudo bem, Samuel. Se você não puder estudar comigo não tem problema ...
- Não, Edward. Não é isso. – ele se apressou em dizer – Mas você pensou na possibilidade de passar na prova?
- Com toda certeza!
- Você pensou que talvez, o banco te transfira para outra cidade?
O sangue fugiu de meu rosto.
- Se bem que sair de Forks nem é uma má idéia ... – ele continuou.
- É, sair de Forks não seria problema!
Eu tive que mentir. Quem em sã consciência e vivendo numa situação normal (sem se esconder de bandidos) se prenderia em Forks? Eu iria estudar muito, fazer a faculdade, fazer a prova e ver no que aquilo iria dar. Na pior das hipóteses, eu não passaria na prova. Com muita sorte, eu passaria, mudaria de cargo e ainda ficaria em Forks ... Não posso negar que apesar de tudo, a sorte tem me acompanhado.
- Quando começamos? – Samuel perguntou – Nós poderíamos estudar à noite e nos finais de semana.
- A gente pode começar nesse final de semana, se você quiser.
Ele franziu a testa.
- Por mim, tudo bem. O único inconveniente é que minha sogra e minha cunhada estão hospedadas lá em casa. – ele fez uma careta – A casa já é pequena, temos uma recém-nascida que chora pra caramba e ...
- Eu posso transformar o sótão da minha casa em sala de estudo. – sorri e arqueei as sobrancelhas – Ele está vazio e ninguém irá nos incomodar.
- Perfeito. Então você e sua esposa poderiam passar lá em casa amanhã. Enquanto Isabella visita Emily e Claire, eu te mostro o material didático que tenho.
- Você tem muita coisa?
- Eu cursei Administração de Empresas na faculdade.
De repente me dei conta que boa parte dos meus problemas tinham se acabado.
- Obrigado, Samuel. – apertei sua mão.
- Eu também agradeço, Edward. – ele sorriu – Eu precisava de um incentivo pra estudar.
Olhei para o relógio na parede e vi que já era quase meio-dia.
- Hora do almoço. – me levantei – Preciso ir para casa.
- Edward?! – ele me chamou e eu girei em meus calcanhares – Eu preciso te pedir um favor. – assenti para que ele continuasse – Não comente com ninguém que eu vou fazer essa prova novamente. – quando eu ia perguntar por que, ele explicou – Riley gosta de falar do fracasso dos outros.
- Ele por acaso já fez essa prova? – arqueei as sobrancelhas.
- Não.
- Foi o que eu pensei. Não se preocupe. Eu só vou contar para minha esposa que vamos estudar juntos. – ele apenas assentiu para mim.
No caminho para casa, decidi que não pouparia Bella de nenhum detalhe da minha conversa com Harry. Ela merecia saber. Ela também precisava saber que eu e Samuel teríamos muitas e muitas horas de estudo pela frente.
Ao entrar, me deparei com Sidclayton usando um aspirador de pó no sofá da primeira sala. Ele disse o que eu já sabia, que Bella estava sentada na varanda do jardim dos fundos. Desde que o jardineiro aprontou aquele pedacinho de terra, ela tem apreciado muito o lugar. De fato, ele é lindo, cheio de flores ...
Bella estava sentada numa cadeira de palha de vime e suas pernas descansavam sobre um baquinho. De repente eu hesitei um pouco. Será que ela iria concordar com as minhas decisões?
- O que foi Ed?
Ah! Ela já percebeu que tem algo errado comigo! Tentei parecer despreocupado, me ajoelhei em frente a ela, segurei suas mãos, beijando-as.
- Novidades lá no banco.
- Que tipo de novidades? – uma ruguinha se alojou em sua testa – Você foi despedido?
- Não, princesa! – me levantei e a ajudei a fazer o mesmo – Está tudo bem. Que tal almoçarmos agora? – ela apenas assentiu – Eu estou faminto.
- Mas você não vai me contar o que está acontecendo?
Entrelacei nossas mãos antes de falar.
- Vou lhe contar tudo. – dei um selinho nela – Em troca de um prato de comida! – falei zombeteiro e ela sorriu.
À mesa, almoçamos juntos e eu contei tudo o que Harry me disse, sem esquecer nenhum detalhe. Expliquei e justifiquei a ela todas as minhas decisões. Bella escutava com atenção e assentia. Falei também de meu acordo com Samuel e Bella se mostrou ainda mais compreensiva.
- Sem saber, Samuel também estará se protegendo. – ela sorriu.
- E aí, Bella? Você acha que eu fiz bem?
Ela entrelaçou nossas mãos e se inclinou mais em minha direção.
- Você não poderia ter decidido melhor, Edward. – beijei sua mão – Eu te amo e tenho muito orgulho de você.
- Eu te amo e amo nossos filhos. – minha voz estava embargada pela emoção – O seu apoio significa muito para mim.
Nos despedimos na varanda da casa com um abraço e um beijinho. Do outro lado da rua, o Sr. Hobbes sorriu e acenou para nós enquanto cuidava de seu canteiro de rosas. Retribuímos o aceno e eu entrei na pick-up em direção ao banco.
Livros, aí vou eu ...


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