AZUL
- Por favor, Isabella! Tente se acalmar ... Nós só estamos tendo uma conversa de mulher pra mulher. – a Dra. Angela falava com sua voz tranqüila.
Minhas mãos tremiam um pouco e eu já chorava densas lágrimas. Agradeci aos céus por Edward não estar presente, ele tinha saído do quarto há poucos minutos para ir até a recepção do Hospital assinar alguns papéis de minha alta hospitalar.
- De-desculpe, doutora. – gaguejei – É que eu me sinto muito culpada ... Se eu não tivesse me estressado tanto, o sangramento não teria ocorrido.
A Dra. Angela se aproximou da cama e sentou-se na cadeira próxima, respirou profundamente antes de falar.
- Não há por que se desculpar. – ela sorriu – E também não há por que chorar. Eu só disse a você o óbvio, não existe nada de errado com a sua gravidez! Vocês três estão perfeitos ... O problema está em seu emocional, Isabella ... Eu não vou te forçar a nada, eu mal conheço você, não espero ser sua confidente. Mas preciso que você me diga umas coisas.
Caraca! O sangue fugiu de minhas veias! O que a médica iria me perguntar? E o mais importante: eu poderia lhe responder?
- Você tem passado por muitas situações de estresse durante a gravidez. – aquilo não era uma pergunta, apenas assenti com a cabeça – Você e seu marido são novos na cidade e não conhecem muita gente. Ele passa o dia inteiro no trabalho e você passa o dia inteiro em casa ... Você se sente sozinha ... Mas você não quer contar a ele como tem se sentido só.
- Doutora, a senhora não me perguntou nada e acertou em tudo. – falei baixinho – Às vezes eu tenho medo de não conseguir dar conta de tudo e ...
- Isabella, eu sou alguns anos mais velha que você e às vezes também tenho medo de não dar conta de tudo! – ela sorria gentilmente – Eu tenho uma filhinha, Agatha, ela tem cinco anos! Quando eu estava grávida dela, nós morávamos em Cincinnati, no estado de Ohio onde Erick, meu marido fazia um curso de especialização em cardiopediatria. – ela suspirou – Eu me sentia muito sozinha naquela cidade, eu quase entrei em depressão. Seu quadro clínico ontem me fez lembrar minha gestação. – ela tocou em meu braço – Eu tive sangramento e um risco real de aborto.
- A senhora fez algum tratamento? A senhora que me indicar algum tratamento? – perguntei aflita.
- Sim! – ela sorriu e me entregou uns panfletos que estavam em sua mão – Há dois anos desenvolvemos aqui em Forks o Programa Pais & Filhos. Esse é um trabalho pioneiro em cidades tão pequenas quanto a nossa, mas seu destaque tem sido tão grande que outras secretarias municipais de saúde têm imitado o nosso projeto. Cidades como Port Angeles, Hoquiam e Aberdeen já contam com serviços semelhantes que têm ajudado a diminuir a incidência de abortos espontâneos, nascimento prematuro e depressão pós-parto. O programa também tem ajudado a integrar mais o pai na atividade de cuidar do filho. O futuro papai tem a oportunidade de assistir palestras e fazer cursos e assim participar mais na tarefa de cuidar do próprio filho.
Enquanto ela falava, me apresenta os panfletos com várias atividades terapêuticas. De imediato uma coisa me chamou à atenção, yoga para gestantes.
- Doutora, a senhora já fez yoga? – franzi a testa.
- Sim! Eu ainda faço yoga, duas vezes por semana! – sua voz ficou entusiasmada.
- Todas essas atividades são oferecidas aqui mesmo no hospital?
- Nós temos um anexo do hospital que funciona como Unidade de Terapias. É um complexo que oferece atendimento de psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e algumas terapias alternativas, tais como o yoga. Todo o projeto voltado para as gestantes é feito nesse prédio. – a médica sorriu timidamente – Tomei a liberdade de verificar que o seu seguro saúde lhe dá cobertura para fazer todas essas atividades.
- A minha casa não fica tão distante daqui ... – pensei em voz alta.
- Uma agradável caminhada de dez minutos fará muito bem a você e aos meninos ... – ela tocou em minha barriga e se levantou da cadeira – Pense nisso, Isabella. Agora eu preciso ir. Tenho uma cesariana daqui a uma hora e ainda preciso fazer um lanchinho rápido. Nós nos vemos na sexta-feira.
A médica caminhou até a porta e eu senti a necessidade de dizer algo.
- Obrigada, doutora! – ela se virou e sorriu – A senhora me ajudou muito ... – ela acenou um adeus e saiu do quarto.
Eu juntei todos os panfletos e coloquei-os na minha bolsa, em casa eu os leria com calma. Já passava das onze da manhã, eu tinha tido uma boa noite de sono, não tive mais nenhum sangramento (graças a Deus!), me alimentei bem, tomei um banho relaxante e já tinha conversado com meus meninos naquele dia. Eles mexeram assim que eu despertei, na certa queriam me dar bom dia e dizer que estavam bem. Olhei através das persianas da janela, o dia estava muito bonito, o sol aparecia tímido no céu, mas não havia muitas nuvens. Ouvi três batidas na porta e ela foi aberta devagar, era Edward.
- Pronta para ir? – em três passadas ele se aproximou de mim e me abraçou pela cintura.
- Sim ... – dei um selinho nele – To morrendo de saudades de nossa casa, de nossa cama ...
- Cinco dias! – ele beijou minha testa – Estamos de dieta por cinco dias ... – ele tentou ser brincalhão.
Meu sorriso se desmoronou. A Dra. Angela havia receitado repouso, boa alimentação e nada de sexo por cinco dias ... fazer o quê?
- Desculpe, amor ... – murmurei – Você entende, não é?
- Bella, você se esquece que eu estudava medicina?! – ele envolveu meu rosto em suas mãos – Eu entendo, eu concordo, eu agüento ... eu te apoio em tudo, princesa. Não pense bobagens, por favor!
Eu apenas sorri pra ele e assenti. Eu realmente tinha muita sorte em ter Edward em minha vida. Ele é único! De fato é o meu milagre pessoal. Peguei minha bolsa, Edward pegou com uma mão a bolsa de viagem que trouxe com minhas roupas e a outra mão ele entrelaçou na minha. Nos corredores do hospital alguns funcionários sorriam e acenavam pra nós, mais uma vez constatei que os forfokianos eram um povo agradável! Na pick-up, Ed me ajudou a entrar e a colocar o cinto de segurança ... OMG ... Foi hilário!!! Edward dirigia a 20 km/h!
- Amor, sou eu quem está de repouso, não o carro! – falei divertida enquanto acariciava seus cabelos cor de cobre.
Ele sorriu e depois gargalhou. Acompanhei sua explosão de humor.
- É mesmo, Bella! – ele ainda sorria – Desse jeito serei multado por atrapalhar o ‘congestionado’ trânsito de Forks!
Ao chegarmos em casa, percebi que Peter e Charlotte estavam no jardim da casa deles tomando um banho de sol. Eles acenaram para nós e vieram em nossa direção. Charlotte me abraçou com carinho.
- Querida, graças a Deus que vocês estão bem. – ela tocou em minha barriga.
- Richard Downey não vai mais aprontar daquele jeito. – eu e Edward olhamos para Peter, não entendemos nada – Rick é o garoto dos Downey, um pirralho de 14 anos que pegou a moto do pai às escondidas e começou a fazer besteiras pelas ruas de Forks!
- Aquele garoto na moto só tinha 14 anos? – Ed estava boquiaberto.
Peter assentiu antes de falar.
- Os Downey foram multados e Rick foi condenado a fazer trabalho social voluntário no asilo da cidade por uma semana. – Peter sorriu satisfeito.
Realmente, aquele garoto foi muito irresponsável mesmo! Fiz uma nota mental de nunca deixar meus filhotes andarem de moto.
- Isabella, suponho que vocês ainda não almoçaram. – Charlotte falou – Então eu tomei a liberdade de cozinhar para nós quatro. Imagino que vocês estejam muito cansados e que você deva ficar de repouso ...
- Charlotte nós não queremos incomodar ... – falei meio hesitante.
- Que é isso, querida! Não é incômodo. Preparei uma saladinha verde, peito de frango grelhado, arroz com ervilhas e suco de abacaxi. – ela sorria pra nós – Talvez vocês queiram entrar em casa agora e se acomodarem. Vou preparar tudo e Peter vai levar pra vocês.
- É muita gentileza de vocês. Obrigada. – Edward sorriu para nossos vizinhos.
- Ah! Quase me esqueci de dizer. Eu falei com o Sr. Ortega hoje de manhã, ele disse que virá amanhã cedo. Acho que o jardim ficará lindo! – Charlotte falou toda entusiasmada e eu me lembrei que havia pedido a ela que arranjasse um jardineiro pra mim.
- Obrigada mais uma vez, Charlotte! – sorri pra ela.
Nos despedimos dos vizinhos e caminhamos (bem devagar) pela grama do jardim em direção à casa. Na entrada da varanda há três pequenos degraus, diante deles eu tive uma amostra do que viria a seguir por vários e vários dias.
- Ah! Droga! – Ed praguejou.
- O que foi, amor?
- Eu não contava com essa escada! – ele fez cara feia.
- Escada?! - ele apontou para os degraus – Amor, isso só são três degrauzinhos!!!
- Isso é uma ‘escada pequena’ ... e você não vai subir nela.
Comecei a rir diante da carinha de preocupação dele. Edward não perdeu tempo, franziu a testa e estreitou seus lábios numa linha fina, depois, com muito cuidado, ele me carregou nos braços até chegamos à soleira da porta da sala. Fiquei imaginando o que Emmett diria (o quanto riria de Ed) quando visse a cena.
- Se Emmett visse isso ... – sorri baixinho.
- Quando Rosalie ficar grávida, ele vai ver como é! – Ed falou divertido e beijou minha testa – Ah! Nada de chegar na cozinha também! Lá tem escada e ...
- Dois degraus, amor! Na cozinha tem apenas dois degraus ...
Edward fechou os olhos e segurou aponte do nariz com o polegar e o indicador, depois falou com uma voz muito cansada.
- Nem meio degrau, Bella! Por favor ... eu fiquei apavorado ontem. Um sangramento pode não ser nada, mas também pode ser muita coisa. O que aprendi na faculdade foi o suficiente pra me deixar preocupado ... – a voz que saia de seus lábios era um misto de apelo e desabafo – Às vezes ter muito conhecimento nos deixa paralisados, com medo de dar um passo em falso e fazer alguma besteira. Eu não quero ser controlador e nem paranóico ... Mas o que começa com um cuidado superficial, pode terminar numa grande negligência.
Enquanto Ed falava, cada palavra me atingia com pontadas de culpa e dor. Embora eu me sentisse bem e soubesse que ele estava EXAGERANDO MUITO, resolvi deixar quieto e fazer o que ele quisesse. Seriam apenas cinco dias de martírio, na sexta-feira eu teria uma nova consulta com a Dra. Angela, até lá eu esperava que meu marido se acalmasse. Abracei-o com ternura e beijei a pontinha de seu queixo. A barba dele estava por fazer, mas aquele simples toque áspero em meus lábios fez a minha libido disparar. Tentei ignorar meu desejo.
- Tudo bem, amor. – ele abriu os olhos e me encarou – Prometo não descumprir sua prescrição médica. – falei zombeteira e ele sorriu – Por cinco dias, apenas! – seu sorriso se desfez numa careta.
- Não me obrigue a te amarrar na cama ... – ele tentou falar sério, mas falhou ao sorrir torto.
- Desde que você esteja lá e nu, de preferência, cumprirei de bom grado a minha pena! – mordi o lábio e sorri maliciosa.
Ele respirou fundo e tentou segurar o riso, me abraçou e afundou seu rosto no vão de meu pescoço. Suas mãos contornaram a minha cintura (com cuidado) e juntaram nossos corpos. Senti a sua potente ereção contra minha barriga e arfei, Ed sorriu baixinho antes de falar.
- Eu também sei ser mau, amor. – seu hálito quente em meu ouvido me fazia delirar – Que tal uma greve de sexo se você não se comportar?!
Olhei pra ele espantada!!! Edward sorria torto com uma cara miseravelmente sacana e triunfante! Eu abri a boca pra falar, mas quem disse que eu encontrei as palavras?! A única coisa que me veio à cabeça foi ‘idiota ...’
- Quando eu falo em greve, é greve para depois dos cinco dias de jejum. – ele explicou.
Abria boca de novo e ... nada ...
- Eu tenho que jogar com as armas que disponho ... – uma de suas mãos acariciou minha barriga – É para o bem de vocês três!
Desisti de falar. Franzi a testa, estreitei os olhos e meus lábios se tornaram uma linha fina e rígida. Sentei no sofá (com muito cuidado), estiquei as pernas sobre o centro de madeira, liguei a TV e fiquei olhando fixamente para a tela, ele gargalhou ao me ver de cara feia. ‘Idiota’, pensei de novo. A campainha da porta tocou e Ed foi atender, minutos depois voltou carregando uma cesta de vime passou por mim e murmurou ‘nosso almoço’. Não respondi, ainda estava com o gosto amargo da derrota em minha boca. Comecei a prestar atenção ao que passava na TV: um documentário sobre cavalos-marinhos. Uns peixinhos feios e esquisitos que viviam em mares tropicais. O narrador começou a falar sobre a reprodução deles:
‘A reprodução ocorre na primavera quando os ovos postos pela fêmea são fertilizados pelo macho que os guarda em uma bolsa na base de sua cauda. Depois de dois meses, os ovos se abrem e o macho sofre violentas contrações para expelir os filhotes.’
‘Caraca! Os machos é quem ficam grávidos ...’ pensei. Imediatamente pus as mãos na minha barriga e fiquei imaginando como seria se Edward ficasse grávido e não eu! Será que ele iria continuar sexy? Será que ele teria mais enjôos do que eu? Desejos esquisitos? Estrias? Será que ele iria gostar quando os bebês chutassem sua barriga? Sorri baixinho com essa idéia maluca, mas na mesma hora me lembrei do dia anterior. Se fosse ele a ficar grávido e não eu, eu teria ficado maluca, apavorada, com medo de que algo de ruim lhe acontecesse. E foi aí que eu percebi que ele só estava sendo pai ... marido ... cuidadoso ...
Edward preencheu o meu campo de visão ao entrar na sala de TV com uma enorme bandeja de comida. Ele estava sério, muito concentrado no que fazia, havia uma pequena ruguinha em sua testa.
- Que tal um pic-nic na sala? – ele sorriu torto ao depositar a bandeja de comida sobre a mesinha lateral – A gente pode ver TV enquanto almoça.
- A gente pode ver o DVD de nosso casamento ... de novo ...
- Pela quarta vez em ... uma semana! – Ed sentou ao meu lado, me deu um selinho e começou a fazer meu prato.
Quando terminou de nos servir, ele pegou o DVD do casamento e minutos depois estávamos assistindo, mais uma vez àquelas lindas imagens. O almoço foi silencioso, havia somente o som dos garfos contra os pratos e os sons que vinham da cerimônia de nosso casamento. Como uma boba eu senti meus olhos marejados (pela quarta vez) quando vi Edward entrando naquele lindo salão de festa, sorrindo para todos os convidados, enquanto se postava diante do altar à minha espera. Não pude deixar de admitir que eu fiquei uma noiva bonita ...
Eu tinha terminado de comer e nem me dei conta, somente quando Ed pegou o prato vazio sobre o meu colo e o colocou sobre a bandeja foi que percebi o quanto estava absorta no DVD do casamento. Senti um par de mãos me abraçando e me arrastando para o aconchegante corpo másculo. Seus lábios sorriram contra minha têmpora.
- A noiva mais linda que eu já vi ... minha Bella ...
Virei meu rosto em direção ao dele e nos beijamos. No começo foi até calmo, depois me dei conta que já estava em seu colo, nossas línguas dançavam sensualmente, uma de suas mãos desceu até a minha coxa e as minhas estavam espalmadas em seu peito. A mão boba em minha coxa começou a passear demais ... Minha respiração foi ficando ofegante, minhas mãos desceram por sua barriga tanquinho e ... ‘Merda de jejum!’, gritei na minha mente. Cessei o beijo e afastei nossos corpos um pouco.
- É melhor eu ir tomar um banho ... – desviei meu rosto do dele e olhei fixamente para os botões em sua camisa – Acho que estou precisando de moletons fofinhos e umas horas de sono.
Ele não moveu um músculo sequer, ergueu meu queixo e começou a dar beijinhos em meu pescoço, mandíbula e lábios. Meu corpo começou a reagir ao ‘efeito Edward’, resolvi parar.
- Não, Ed ... – sussurrei.
Eu tenho certeza que não fiz mais do que sussurrar, mas aquilo foi o bastante para deixá-lo chocado. Ele ficou calado por uns instantes, apenas me olhou atônito, ajeitou meu corpo sobre o sofá, se levantou e pegou a bandeja.
- Vou pôr a louça na lavadora. – falou bruscamente e desapareceu da sala.
Fiquei apatetada, sentada no sofá e olhando para a TV onde um lindo casal de noivos dançavam uma valsa ao som do tema de Romeu&Julieta. Sai de meu torpor, desliguei a TV e me dirigi ao banheiro, tomei um banho quente, vesti roupas confortáveis e deitei na cama. Respirei fundo. Reconheci que a vida de casado não é fácil ... às vezes uma besteirinha pode ser o suficiente para tirar a paciência de um e mergulhar o outro num lamaçal de culpa. Mas quem era a vítima ali? Quem eram o agressor e o agredido? Enquanto minha mente se envolvia nessas sérias questões, meu corpo se revirava inquieto sobre o lençol.
‘Ah! Charlie às vezes me tira do sério com esse ar rabugento dele!’ – lembrei de mamãe conversando comigo certa vez sobre seu relacionamento com papai – ‘Mas eu sei que também tenho minha parcela de culpa. Na maioria das vezes a gente não briga, apenas deixa que o estresse e o cansaço tomem conta da situação. Nessas horas, Bella, o melhor que eu posso fazer é refletir se o motivo justifica uma briga. Conversar também é bom, quando ele quer, é claro!’
- EDWARD! – falei alto o suficiente para que ele pudesse me ouvir – Eeeeedward ...
Chamei mais alto ainda. Ouvi passos pelo corredor da casa e percebi sua presença no quarto. Ele parou a três passos da cama, segurava uma toalha de prato.
- Oi Bella. O que foi? – sua voz era controlada, não era a voz descontraída do dia a dia.
Engoli em seco antes de falar. Sentei na cama.
- Edward, você já terminou com a louça? – minha covardia não permitiu que eu fosse direto ao assunto.
- Já. – seus olhos questionadores me sondavam.
- Então vem cá, amor. Senta aqui comigo. – ele hesitou um pouco, mas fez o que pedi - Eu quero me desculpar com você.
Seu olhar ressentido não me ajudou muito. Segui em frente.
- Acho que você interpretou mal quando pedi que parasse de me beijar. – ele tentou falar, mas eu não dei chance – Já que estamos de dieta, supus que beijos como aquele seriam uma tortura pra você. Eu ... não queria que você ficasse ... Como posso vou dizer ...
- Em combustão?! – ele virou mais o rosto pra mim e com uma mão acariciou meus lábios – Está desculpada, Bella. Desculpe também. Eu pensei que você tinha me rejeitado porque eu estava sendo irritantemente superprotetor.
Sentei em seu colo e ele me abraçou.
- Amor, fomos vítimas do mal entendido e do estresse. – envolvi seu rosto em minhas mãos – Mas eu também quero me desculpar por ter escondido uma coisa de você. – seus olhos se estreitaram, cheios de dúvidas – Eu só fiz isso pra te poupar e ...
- O que foi, Bella?! – a tensão voltou.
- Eu tenho me sentido muito sozinha aqui em Forks. – respirei fundo – Dia após dia quando você vai trabalhar eu fico angustiada aqui. A casa é aconchegante, confortável, segura, mas eu me sinto muito solitária. Tem sido difícil. – engoli em seco.
- O que você quer que eu faça, Bella?! – seu olhar transmitia preocupação.
- Você não pode fazer nada. Foi por isso que não te contei ... Então talvez eu tenha acumulado tudo isso e ... ao menor sinal de estresse e medo, meu emocional reagiu e eu tive o sangramento.
- Mas você não pode continuar desse jeito! Deve haver uma saída.
- Eu já sei do que preciso. – dei um selinho nele – O hospital oferece uma grande variedade de terapias e decidi participar do programa de gestantes. – levantei de seu colo e peguei minha bolsa sobre a poltrona do quarto.
- Que programa é esse?
Voltei para cama e deixei que os folhetos lhe respondessem. Os olhos de Edward percorreram alguns deles e se fixaram em um em especial.
- Gostei desse aqui, Bella. – ele começou a ler – ‘Palestras para Gestantes e Casais: São encontros semanais abertos e gratuitos onde se discutem os temas que envolvem o ciclo da gravidez, parto e pós-parto. Toda terça-feira, às 19hs.’
- Eu tava pensando em fazer yoga, massagem Shantala, curso de preparação para o parto e o curso de cuidados com o bebê.
- Vai ser bom ... – ele sorriu torto – Mas não vai ser cansativo? A Dra. Weber pode ...
- Foi ela quem me aconselhou a fazer tudo isso, amor! – sorri pra ele – Lá mesmo no anexo do hospital eu poderei fazer todas essas atividades e sempre no horário da tarde. Nós já pensamos em tudo! A Dra. Angela disse que caminhadas até o hospital me fariam bem, então você não precisaria bancar meu motorista ... De manhã eu posso me ocupar de preparar o almoço e o jantar e no horário da tarde eu poderia ocupar o corpo e a mente.
- Ela está certa. – ele me beijou – Vai ser bom. Eu só queria poder ter percebido isso antes, poderíamos ter evitado ...
- PSIU! – colei seus lábios – Nada de culpa, Edward! Você não é vidente. Nós dois já temos muitas responsabilidades e não dá pra você preencher todas as lacunas da minha vida! Assim como eu não posso fazer o mesmo com você. – ele apenas assentiu - O que interessa é que estamos fazendo o nosso melhor.
- O que interessa é que eu te amo ... – ele sorriu.
- Assim como eu te amo. – colei nossas testas e lhe dei um beijinho de esquimó.
Edward bocejou e isso me lembrou que estávamos muito cansados devido à noite de sono numa pequena cama.
- Que tal um cochilo? – perguntei, ele apenas sorriu e assentiu.
Deitamos bem abraçadinhos e num passe de mágica, apaguei. O resto do domingo foi bem lerdinho, Ed fez omeletes para o jantar e até que ficou gostoso. Na segunda-feira Charlotte me apresentou ao Sr. Ortega, um homem de meia-idade muito sorridente e tímido, expliquei-lhe como queria cuidar do jardim e ele me deu a idéia de fazer na parte de trás da casa, começando pela varanda dos fundos, um segundo jardim.
- Aqui eu poderia colocar uma pérgula de madeira, Sra. Fields. – o homem apontou para o local – Ficaria muito bonita, toda branca, combinando com o resto da casa. Mesmo essa varanda sendo na área de serviço, quando o verão chegar será um bom local para a família aproveitar os dias de sol.
Eu concordei com ele, acertei o orçamento do serviço e pedi-lhe que escolhesse plantas que não crescessem muito e não dessem muito trabalho. Em duas semanas meu jardim ficaria pronto.
Na hora do almoço, Ed chegou trazendo comida do restaurante da Martha. Durante toda a semana, nossos almoços e jantares foram comprados prontos. O café-da-manhã era preparado por meu mais-que-atencioso marido.
Na terça-feira Sidclayton veio fazer a faxina e, seguindo as orientações de Edward, ele não me deixou fazer NADA.
- Sra. Fields, eu não sou dedo-duro, mas se a senhora inventar de subir os degraus da cozinha ou arrastar qualquer cadeira, eu juro que telefono para o Sr. Fields!
- Edward te pediu isso?! – falei incrédula – Não acredito, Sid!!!
Ele gargalhou enquanto limpava o chão do banheiro, não resisti e sorri também. À noite, eu e Edward fomos para a nossa primeira palestra de pais no anexo do hospital. Chegamos às sete da noite em ponto, havia uma mulher na entrada da sala com uma prancheta, anotando o nome de cada casal. Na verdade ela anotou nossos nomes, endereço, tempo de gestação e o sexo dos bebês. Sentamos ao lado de uma mulher muito grávida, sua barriga era enorme, linda. A palestra começou, o tema era Amamentar (com destaque para as três primeiras letras). Uma médica falou por 50min sobre a importância do leite materno, como preparar os seios, como evitar rachaduras nos mamilos, etc. Tudo foi muito interessante, percebi que Ed prestou bastante atenção também. A Dra. Angela estava lá, mas eu ainda não a tinha visto. Quando a palestra terminou, ela pegou o microfone e informou que teríamos um intervalo de 20min. Todas as pessoas se levantaram e nós também fizemos o mesmo, eu tava morrendo de vontade de fazer xixi. Encontrei o banheiro feminino ao seguir duas grávidas que conversavam animadamente. Senti um pouquinho de inveja delas, queria conversar também. Assim que saí do banheiro, Ed estava conversando com dois homens e qual não foi a minha surpresa ao perceber que as mesmas grávidas que eu estava seguindo, também conversavam com meu marido.
- Bella, vem aqui, amor! – Ed sorria pra mim, ele me abraçou pela cintura quando me aproximei – Quero que conheça umas pessoas. Este é Samuel Uley, meu colega de trabalho lá do banco, esta é sua esposa, Emily Uley. – estendi a mão para eles – Estes aqui são Benjamin e Tia Winslet. – Ed apontou para o outro casal – Eles moram na nossa rua!
Depois de alguns apertos de mão e palavras como, ‘muito prazer’ e ‘bem-vindos à Forks’, eu me dei conta que estávamos (finalmente) interagindo com outros casais como nós. Foi uma sensação muito boa! Emily e Samuel são da tribo Quileute e formam um bonito casal! Emily era uma mulher bonita, alta, seus cabelos eram longos e lisos, negros como as penas de um corvo. Seu bebê estava previsto para nascer em junho, era uma menina e se chamaria Claire. O outro casal não era índio. Benjamim era baixinho e gorducho, loiro e de olhos castanhos. Não sei por que, mas ele me lembrou o Barney do desenho animado dos Flintstones! Tia era quase do meu tamanho e também era loira, seus cabelos eram muito lisos e curtinhos num corte chanel bem simples. Os Winslet seriam pais de um menino, mas eles ainda estavam escolhendo o nome.
- Benjamin é o subdelegado da cidade, Bella. – Ed esclareceu.
- Isso mesmo, eu trabalho com Peter há dois anos! – o homem loiro nos disse.
- Isabella, por que não deixamos os rapazes aqui enquanto vamos até a lanchonete tomar um suco? – Tia propôs.
- Ok. – falei meio tímida.
- Ah! Vamos aproveitar para ver se tem novidades no bazar. – Emily falou.
- Bazar?! – perguntei.
- Sim, ao lado da lanchonete funciona um bazar com peças de artesanato. Há muitas coisinhas para bebês, tipo mantas, chapéus, sapatinhos ...
- Legal. – franzi a testa – Estou entrando na 17ª semana e preciso cuidar o enxoval dos bebês.
- São gêmeos?! – Tia perguntou.
- Dois meninos, Anthony e Thomas! – falei toda orgulhosa.
- Caramba, então você precisa mesmo se apressar com o enxoval. – Emily falou enquanto escolhia o suco – Você sabe que poderá ter um parto prematuro não é?
- Sim, eu sei. Eu já me preparo par essa possibilidade.
- Mas não precisa ter medo, Isabella. – Tia falou gentilmente – Minha irmã teve um bebê prematuro. Basta seguir as orientações médicas e tudo vai dar certo.
Sorri pra ela e assenti. Afinal de contas, tudo já vem dando certo há muito tempo, as duas nem poderiam imaginar o quanto, de um jeito ou de outro, as coisas estavam se acertando. Pagamos por nossos sucos e seguimos até umas mesinhas onde havia um pequeno bazar com muitas coisinhas para bebês e gestantes. Meus olhos caíram sobre dois sapatinhos de crochê azul. Não resisti e comprei os dois.
Emily sugeriu que eu fizesse uma lista com tudo o que eu já tinha e tudo o que eu precisava comprar. Tia me aconselhou a não comprar TUDO em dobro. Como os bebês crescem rápido, ela disse que eu poderia usar as mesmas roupas nos dois bebês. Nós três marcamos de fazer compras para os bebês em Aberdeen no final de semana seguinte, mas eu teria que falar com a Dra. Angela na sexta-feira, só pra saber se eu estava de ‘alta médica’.
- Acho que só as fraldas terão que ser em dose dupla! – Emily falou divertida.
A palestra seguinte foi com um psicólogo e o tema foi muito interessante: Você ainda é você! – Não perca o interesse em seu parceiro só porque seu filho nasceu e você vive 24hs por dia em função dele! Essa palestra foi até melhor que a primeira, ouvimos relatos bem interessantes e humorados de vários casais que quase se separaram após o nascimento de seus bebês.
- Foi bom, não foi? – Ed sorria pra mim enquanto entrávamos no carro.
- Não só a palestra, mas também ter conhecido Emily e Tia. – falei satisfeita – É bom conversar com outras grávidas! – peguei a minha bolsa e mostrei a ele os sapatinhos que comprei – Olha, amor! Não são lindos?
- São. Mal posso esperar para vê-los usando esses sapatos.
- Decidi fazer o enxoval deles todo na cor azul. – sorri pra Edward – O que você acha?
- São meninos. Azul é legal.
- Eu sei que é muito previsível fazer um enxoval de meninos na cor azul, mas é que não imagino outra cor!
- Eu gosto de azul, você ama azul ...
- Um quartinho com detalhes em azul ...
O resto da semana foi normal. Eu me sentia melhor a cada dia, mas havia prometido a Edward que me comportaria. Na sexta à tarde, eu tinha minha consulta com a Dra. Angela, então Ed não veio almoçar em casa pra poder compensar o horário de trabalho. Fizemos uma rápida refeição no restaurante do hospital e seguimos para minha consulta de pré-natal. Estava tudo bem comigo e com os bebês, a médica me liberou da dieta e conversou com Edward sobre as atividades do curso de Pais & Filhos. Já em casa, tive uma surpresa. Um furgão do FedEx parou na frente de casa.
- Entrega especial para Anthony Fields e Thomas Fields. – o entregador disse numa voz monótona.
- Hãn?! – perguntei desconfiada.
- Edward Fields mandou entregar isso. – o homem carregava uma caixa de papelão.
- Só instante, moço.
Fechei a porta ligeiro e liguei pra Edward, ele atendeu no primeiro toque e me explicou que havia sim comprado uns presentinhos pros bebês pela internet. Ele queria nos fazer uma surpresa. Já de volta ao jardim, peguei a caixa e assinei um recibo. Muito curiosa, assim que entrei, abri a caixa e pensei alto.
- OH! Meu Deus ... Que lindos!!!
Edward havia comprado dois bodies azuis com sapatinhos, dois macacões e dois pares de meia. Tudo do Yankees, o nosso time de beisebol de NY!!! Fiquei muito emocionada e comecei a falar com eles.
- OMG ... Bebês?! Vocês nem imaginam os lindos presentes que o papai comprou ...
Pra minha felicidade ficar maior ainda, Alice me ligou e nos pôs numa teleconferência com Rose. Dessa vez eu tinha muito a falar, elas ouviram preocupadas sobre o quase acidente e ficaram muito felizes por serem as futuras madrinhas de Anthony e Thomas!
- Eu vou ser madrinha de quem, Bella?! – Alice quase gritava e eu podia ter certeza que ela estava quicando naquele momento.
Pensei um pouquinho e respondi.
- Vamos fazer o seguinte: quando vocês se conhecerem, vamos deixar que escolham.
- Bem pensado, Bella. – Rose falou.
As duas me relataram que ‘o trabalho’ estava indo bem e que eu não deveria me preocupar com nada. Sabiamente eu não falei pra elas sobre Emily e Tia. Deduzi que as duas, principalmente Alice, ficariam com ciúmes! Na semana seguinte eles me ligariam novamente.
No sábado, eu e Edward pegamos a estrada em direção a Aberdeen onde Tia e Benjamin, Samuel e Emily combinaram de nos encontrar para comprar peças de enxoval de bebê. Nossos maridos andavam devagar, atrás de nós, arrastando carrinhos de compras, enquanto nós três passeávamos por uma enorme loja que vende desde berços a luvinhas de bebê. Na mesma loja peguei um folheto que sugeria o ‘enxoval econômico para bebês’. Porra! A lista era enorme, tinha duas páginas!
- Essa lista é exagerada, Isabella. – Tia sorriu ao ver minha cara de espanto – De tanto ver minhas irmãs e cunhadas fazerem enxovais, eu sei o que comprar.
Rapidamente Tia pegou uma caneta e começou a riscar um monte de coisas.
- Isso é ‘o supérfluo do supérfluo do supérfluo’ – ela falou zombeteira – Só compre se quiser gastar!
- Ah! Gastar é tudo o que não posso ... Vão ser muitas fraldas descartáveis!!!
Num único dia comprei muita coisa, acho que quase todas as roupinhas necessárias para dois bebês. Nós seis almoçamos num pequeno restaurante e depois fomos à loja de móveis. Lá eu e Edward fomos atendidos por uma vendedora atenciosa que nos mostrou vários projetos de quartos para gêmeos. Mas naquele dia nós só pegamos alguns orçamentos, ainda era Abril, estávamos com tempo de sobra.
Adorei a minha primeira aula de yoga! Aprendi que os exercícios para gestantes ajudam na preparação física e espiritual para o parto e a chegada de um bebê. Além de ser muito relaxante, eu fiz novas amizades. Aprendi a melhorar a postura corporal e a respiração, recebi aulas de relaxamento e de meditação. Durante aquelas aulas eu me sentia estar me preparando para ser uma a futura mãe fisicamente, mentalmente e emocionalmente. À medida que a minha barriga ia crescendo, a coluna ia protestando. Então durante as aulas a professora procurava nos mostrar como aliviar os desconfortos e possíveis dores da gestação, ela sempre enfatizava que enquanto acalmamos a mente, estamos fortalecemos o corpo e o espírito para esse período único da vida de uma mulher.
Já nas aulas do Curso de Mães eu aprendi muitas coisas fundamentais. A principal era que na primeira gestação tudo provoca a maior ansiedade, além de curiosidade e receio pelo desconhecido. Assisti a palestras com Enfermeira Obstetra, Nutricionista, Fisioterapeuta, Pediatra, Anestesista, Dermatologista e Psicóloga. Quando chegava em casa eu sempre comentava com Ed tudo o que tinha chamado minha atenção, sem contar que ele sempre lia o material que eu trazia. Também tive aulas práticas sobre técnicas de relaxamento, banho do bebê e amamentação.
O curso de massagem Shantala foi uma delícia! Esse curso eu e Edward fizemos questão de fazermos juntos, todas as quartas-feiras à noite. Aprendemos que a Shantala é uma massagem de origem indiana para o equilíbrio físico, emocional e energético do bebê. A massagem era muito útil para aliviar cólicas, regular o sono e estreitar os laços com a mãe e com o pai. A massagem deve ser feita diariamente, a partir do 2ª mês de vida e deve seguir uma seqüência e uma direção certa. Foi por isso que aprendemos tudo passo a passo. Comprei uma boneca de silicone do tamanho de um bebê, nela fazíamos os exercícios práticos.
- Essas aulas são muito boas mesmo. – Ed disse no final de uma delas – É uma pena que nem todas as grávidas venham acompanhadas de seus esposos.
- É mesmo. O contato pai-bebê também é fundamental. – eu dei um selinho em meu marido – Eu e os bebês somos um trio de sorte!
- E você acha que eu perderia a oportunidade de interagir com meus bebês? – ele tocou a pontinha de meu nariz e sorriu.
Nas aulas seguintes, a professora sempre explicava que o toque e o carinho durante a massagem provocam um aumento da auto-estima e conseqüentemente da imunidade do bebê. Como a massagem deve ser feita diariamente é importante manter um ritmo e procurar seguir um horário, eu e Ed decidimos que faríamos as massagens nos gêmeos sempre à noite antes deles dormirem.
O tempo perece voar quando estamos de bem com a vida! Nem mesmo Mike Newton parecia nos incomodar quando fomos fazer feira no supermercado de sua família. Na verdade, Micaiah ou Mike, nem olhava pra nós ... O chefe de Ed estava certo, os preços no Newton’s eram muito mais baratos que no outro supermercado. A cada mês eu ensinava a Ed como fazer a feira de nossa casa e sempre estávamos atentos a promoções de fraldas descartáveis.
- Estamos aprendendo tudo direitinho, não é, princesa? – Ed me abraçou por trás e sussurrou enquanto estávamos na fila do supermercado – Acho que estamos nos saindo bem.
- Sim! –virei meu rosto em sua direção e sorri – As nossas contas têm fechado no azul, não entramos no cheque especial e temos até conseguido poupar um pouquinho.
- Vamos precisar comprar um carro pra você quando os bebês nascerem ...
- E contratar uma babá ...
Os meses passaram num piscar de olhos! Minha gravidez estava muito tranqüila (graças a Deus), eu engordei um pouco, mas estava no peso ideal. Eu não perdia uma aula de yoga e também dos outros cursos que havia planejado fazer. De segunda à quinta, as minhas tardes eram preenchidas com muitas atividades. Pela manhã, eu e Edward fazíamos caminhada na pista de cooper da praça perto de casa. À noite, eu e Ed sempre dávamos um jeitinho de procurar novas posições para o amor ... Uma barriga de 24 semanas de gravidez gemelar ainda não tinha sido capaz de diminuir nosso fogo! Aos poucos as visitas a Aberdeen foram diminuindo porque o enxoval de Anthony e Thomas estava praticamente pronto. Só faltava terminar o quarto.
Eu fui convidada para o chá de bebê de Tia e o de Emily também. As duas reuniões foram muito divertidas, conheci outras grávidas da cidade ... Elas até me perguntaram por que eu não iria fazer o chá de bebê dos meninos. Mas ao olhar aquelas convidadas eu me dei conta que na minha casa não estariam presente as futuras madrinhas, nem Vic, Leah ou até mesmo Jess ... As avôs corujas também não ... Reprimi o choro e as lágrimas. Tentei falar com naturalidade e disse que não havíamos pensado nisso antes.
O primeiro chá de bebê foi o de Claire. Emily estava muito linda, exibindo seu barrigão de quase oito meses num lindo vestido amarelo. Eu ainda não tinha ido à sua casa e me espantei o quanto as casas da reserva de La Push eram simples, porém muito confortáveis. No final da primeira rua da reserva havia uma casa de madeira pintada de vermelho e com portas e janelas brancas. Toda a casa estava envolta de um estreito jardim cheio de margaridas laranja e amarelas, dando ao lugar uma aparência alegre. O quartinho de Claire era todo cor de rosa, a decoração tinha como tema pequenas bailarinas. Duas semanas depois, Tia abriu as portas de sua casa amarela para o chá de bebê de Joshua. Finalmente ela havia escolhido o nome de seu filho! No final da festa todas as convidadas haviam pintado a barriga de Tia porque ele não acertou quase nenhum presente que levamos!
Na primeira semana de Junho eu tive outra consulta de pré-natal, naquele dia eu ria fazer uma ultra-som em 4D. Eu e Edward ficamos boquiabertos com a qualidade da imagem, sorríamos abobados, enquanto a Dra. Angela nos mostrava nossos bebês.
- Doutora, isso parece uma foto! – falei pasma.
Ela sorriu antes de responder.
- É tecnologia de ponta! – ela se gabava - Estão vendo como eles estão grandes? O comprimento céfalo-nádegas está em torno de 19 cm, e o peso de cada um, em torno de 550g. Você já está entrando no terceiro trimestre de gestação, daqui pra frente haverá ganho de peso para cada bebê, além do amadurecimento de seus órgãos.
- Doutora, sobre a possibilidade de um parto prematuro ... – Ed estava com uma mão entrelaçada à minha, prestava atenção ao monitor onde seus filhos apareciam, mas não estava alheio à conversa.
- Isso deverá acontecer, Sr. Fields. – a médica nos olhava com seriedade – Mas o ideal é que aconteça após a 32ª semana e se Isabella conseguir levar até a 35ª, melhor ainda.
- Por que a 35ª é tão importante?! – perguntei desconfiada.
- Nesse período, seus gêmeos terão algo em torno de 2 kg e mais de 40 cm. É também nesse estágio que os pulmões dos bebês já produzem o surfactante numa quantidade suficiente. Essa é uma substância fabricada pelo próprio organismo e atua nos alvéolos pulmonares de forma a permitir a respiração. Você está me acompanhado, Isabella? – assenti com a cabeça e ela continuou - Quando não há a presença do surfactante os alvéolos diminuem de tamanho, ao ponto de causar a impossibilidade de respirar. Bebês prematuros com menos de 28 semanas de gestação não contém o surfactante em seus pulmões e por isso eles são muito mais vulneráveis.
- Vou fazer o meu melhor! – falei.
- Mas nada de estresse, mamãe! – a médica falou – Lembre-se que você leva dois bebês ao invés de um. É natural que daqui a um tempo, seu organismo se prepare para o parto prematuro.
- Vou passar das 35 semanas, doutora. Por Deus eu vou chegar lá! – senti Ed apertar mais a minha mão enquanto eu falava.
Naquela mesma semana, Emily deu a luz. Claire nasceu com quase 3 kg e mais de 50 cm! O parto foi normal! Caraca! Meu G-ZUIS!
Deu um frio na espinha quando vi o tamanho da menina ... Imaginei dois bebês quase daquele tamanho ‘passando por mim’ e deu até vontade de chorar! Ah! Mas Claire era uma bebê linda, sua pele meio avermelhada indicava que logo, logo ela adquiriria a corzinha dos pais. Ela tinha uma vasta cabeleira preta bem arrepiadinha, olhinhos muito pretos e uma boquinha rósea muito linda.
- Emily ela é tão linda!!! – falei toda derretida quando fui visitá-las em casa.
Agora restávamos eu e Tia que estava a cada dia maior e mais redonda! Eu seguia pelo mesmo caminho, embora ainda não tivesse nem 30 semanas de gestação ... Fui mais uma vez a Aberdeen com Edward num sábado de Junho porque nós precisávamos comprar os móveis do quartinho dos bebês naquela mesma loja onde pegamos o orçamento inicial. Naquele dia nós passamos numa joalheria porque eu havia levado comigo duas jóias muito importantes.
- Por que vamos numa joalheria, Bella? – Ed me perguntou bastante curioso.
- Lembra daqueles broches de ouro branco e amarelo que eu comprei na Martinica?
- Aqueles em formato de anjinhos?
- Esses mesmos. Vou mandar gravar os nomes dos bebês. Um broche para Anthony e outro para Thomas!
- Boa idéia. Vão ficar lindos.
A vendedora anotou os nomes dos meus filhos e nos mandou passar lá após as três da tarde. Fomos à loja de móveis planejados, eu encomendei os berços, a cômoda e uma estante, também contratei os serviços de uma decoradora. A cadeira de balanço que comprei para colocar no quarto deles era simplesmente maravilhosa. Toda em couro sintético branco e com detalhes em azul marinho, ela era muito confortável e faria um bem danado à minha coluna quando eu fosse amamentar.
Passamos numa loja de roupas, onde comprei algumas camisolas feiosas, no melhor estilo camisolas da vovó, para levar para o hospital.
- Essas camisolas são um terror. – falei fazendo careta.
- Pois eu gostei muito delas. – Ed sorriu torto.
- Você só pode estar brincado, Ed!
- De jeito nenhum! Essas camisolas são perfeitas para quando você estiver no hospital. – ele franziu a testa e me abraçou – Não quero nenhum marmanjo olhando para o que é meu ...
- Ed eu vou para um hospital e não para um clube! – tentei reprimir o riso.
- Se os enfermeiros e médicos fossem todos eunucos ... Não! Nem mesmo se fosse assim ... – ele falou mais para si mesmo do que pra mim.
De volta à joalheria, pegamos os anjinhos e voltamos para casa. No anjinho de ouro branco estava escrito Anthony e no anjinho de ouro amarelo, Thomas. No rádio do carro tocava uma música bem lentinha e acho que acabei cochilando.
Dali a algumas semanas seria o aniversário de Edward. É, o dia 11 de julho estava se aproximando ... E com ele viriam o 21º aniversário de meu marido e o 1º aniversário que ele passaria sem os pais ... Eu queria fazer alguma coisa para que o seu dia fosse marcado por alegrias e não por tristes recordações. Pensei e pensei, mas nada parecia muito apropriado.
Numa quinta-feira de manhã o pessoal da loja de móveis chegou junto com a decoradora para preparar o quartinho dos bebês. No final de um dia bastante movimentado, quando eu tive que faltar a uma aula de yoga, meu queixo caiu. O quarto ficou MARAVILHOSO! Uma faixa de papel de parede com desenhos de peixinhos foi colocada no alto da parede, em um tom diferente do restante. Assim dava a impressão de que o quarto é um pouco maior. As paredes foram cobertas com um papel que imitava madeirite pintada de branco, proporcionando uma sensação de amplitude. Escolhi colocar prateleiras na parede sobre a cômoda-trocador onde coloquei alguns brinquedos que comprei e alguns produtos de higiene a serem usados nas trocas de fraldas. As cortinas até o teto tinham a função de ampliar o ambiente, escolhi tecidos leves, e quase transparentes para garantir uma boa iluminação no ambiente.
Numa manhã sexta-feira quente de fim de Junho eu estava na varanda dos fundos da casa tomando um chá gelado e curtindo a paisagem de meu lindo jardim enquanto fazia a lista dos preparativos do aniversário de Edward.
Mas eu não estava completamente só, Sid estava fazendo faxina e Sansão, o pastor alemão dos Greeves era uma visita constante ao meu quintal. No começo Ed não gostou nada de ver aquele enorme cachorro ali, mas depois se convenceu que o animal era muito manso e só gostava de cheirar as flores! Isso mesmo! Aquele cachorro era um amor de pessoa ...
- Sra. Fields, seu marido chegou! – Sid falou alto o suficiente para que eu pudesse ouvi-lo.
- Ok, Sid. Diz pra ele que eu to aqui na varanda dos fundos ...
Minutos depois meu amor apareceu diante de mim, lindo, maravilhoso, meu milagre pessoal ... Mas Ed estava meio aéreo, envolto em pensamentos, ele sorriu, mas seu sorriso não era tão autêntico.
- O que foi Ed? – minha voz subiu umas oitavas.
Ele se ajoelhou de frente pra mim e segurou em minhas mãos, beijando-as.
- Novidades lá no banco.







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