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- Paradise

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- Música Das Sombras - adaptação do livro homônimo. (Fic concluída)

sábado, 22 de janeiro de 2011

Paradise - Capítulo 06

Strani Amori

POV EDWARD

Assim que a pick-up deixou o estacionamento da universidade, eu virei o rosto rapidamente para Emmett e falei preocupado.
-As coisas saíram de nosso controle.
- Saíram é pouco. – ele murmurou – Fugiram mesmo...
O trânsito das ruas de Orono estava super tranqüilo afinal já era tarde da noite, em menos de dez minutos chegamos em casa.
- Nós... nós... a gente dividiu a garota, Emmett! – falei exasperado – O plano inicial era conhecer Isabella e não ficar com ela ao mesmo tempo!
Já estávamos na sala do apartamento quando nos deparamos com uma incontestável verdade.
- Eu a beijei. – falei – Você sabe disso. – ele assentiu – Você a beijou, eu vi. – ele assentiu de novo – E a gente ficou beijando e acariciando ela durante todo o filme, os dois, ao mesmo tempo! – falei confuso.
- Você odiou isso? – Emm perguntou calmamente – Sentiu ciúmes? Teve vontade de me dar umas porradas? Achou que ela era uma vadia ou coisa assim?
Num único movimento me pus de pé e avancei pra cima de meu irmão.
- Ela não é uma vadia!!! – rosnei.
- Calma, calma, calma... muita calma nessa hora! – ele se esquivou de mim – Eu também bateria num cara que chamasse minha garota de vadia!
Mais controlado, eu sentei no sofá novamente.
- Desculpe, Emm. – corei de vergonha.
- Tá beleza, mano. – ele sorriu, mas depois ficou sério – Agora me responda com sinceridade. Você sentiu ciúmes de mim quando eu a beijei, quando dancei com ela e quando a tomei em meus braços?
Refleti por alguns segundos, relembrei as cenas na minha mente, vasculhei os sentimentos de meu coração e tudo o que encontrei ali foi amor e respeito. Amor por Isabella, respeito pelos momentos que ela viveu com Emmett. Lembro que assisti tranquilamente à dança romântica deles e não tive nenhum pensamento ou sentimento negativo.
- Sinceramente, meu irmão, eu não senti ciúmes... – fechei os olhos um pouco – Foi como... foi como... Não sei explicar direito, mas foi bom ver a garota por quem eu estou apaixonado, feliz. Eu fiquei feliz, Emm, só de ver a felicidade dela. – falei com sinceridade – É claro que eu tive medo de ela te escolher, afinal ela estava bem feliz com você, mas eu respeitaria sua decisão. O detalhe é que quando eu estava com ela, ela ficava feliz também e isso ficou um pouco confuso na hora. Mas eu não podia me libertar dela. E quando a gente ficou beijando e acariciando ela durante o filme todo, aquela parecia a coisa mais natural do mundo. Eu me sentia à vontade de tocá-la na sua frente e me sentia à vontade de te ver fazendo isso com ela. – aturdido, olhei para meu irmão buscando respostas – E agora? Por favor, Emmett, você sempre foi sincero comigo, diga o que diabos está acontecendo!
- É simples. Do mesmo jeito que a gente se apaixonou por ela, ela se apaixonou por nós dois!
- Simples assim!!! – falei com ironia e escondi o rosto nas mãos.
- É complicado pra caralho. – meu irmão falou exasperado – Edward, tente alcançar meu raciocínio agora. – olhei para ele e prestei atenção – Do mesmo jeito que você não sentiu ciúmes de mim, eu também não senti ciúmes de você. Mas tem uma coisa, eu escalpelava qualquer filho da puta que encostasse num fio de cabelo dela. Não é que eu já não tenha ciúmes dela, eu não tenho ciúmes dela com você. – ele frisou bem essa parte e eu assenti – Pelo que eu entendi, Bella não ficou constrangida com nada, é bem possível que ela pare pra pensar depois e ache que tudo é uma loucura, mas é isso que a gente deve impedir a todo custo.
- Impedir que ela pense em? – perguntei.
- A gente deve abrir logo o jogo com ela, falar tudo de uma vez só, contar que queremos namorar com ela. – ele falou freneticamente – Contar que não estamos tendo más intenções e que não estamos dividindo ela por que somos dos sacanas e pervertidos. A gente tem que dizer logo que estamos apaixonados por ela! Que ela é a garota mais maravilhosa do mundo e que sem ela a gente não vive.
- E se ela fugir de nós? – perguntei aflito.
- Por que ela faria isso? – meu irmão perguntou com uma calma de tirar os nervos de qualquer um.
- PORQUE VAMOS PROPOR A ELA UM TRIANGULO AMOROSO!!! – falei exasperado.
- Edward... peraí, mano, se acalme...
- Emm, de onde a gente tirou essa idéia maluca? O plano inicial era deixar que ela escolhesse e não nos envolver com ela ao mesmo tempo.
- Eu não tenho culpa, não sinto culpa, não pude evitar... – ele sussurrou tristonho e baixou o olhar.
-Desculpe, Emm. – toquei em seu ombro – Eu não quero te culpar por nada. Eu também não pude evitar... Eu só não quero que ela sofra!
- Ela não vai sofrer. Não se a gente conversar com ela e abrir o jogo. – ele falou com confiança.
- Mas e se ela fugir de nós? – perguntei.
- Ela não vai fugir... Eu sei, eu senti naqueles olhos chocolates tudo ontem. Havia paixão, encanto, ternura...
- Eu também senti. – sorri ao me lembrar de nossos momentos.
 A verdade, Edward. – Emmett falou cheio de convicção – Bella merece a verdade, ela merece ouvir de nós dois que a queremos para nós.
- Isso... parece ser tão perfeito e ao mesmo tempo tão errado. O que papai diria se ouvisse isso? E Tanya?
- Tanya diria: ‘vocês dois são muito unidos mesmo, sempre dividem as melhores coisas que tem’ – meu irmão falou e sorriu – Papai diria: ‘se eu fosse me importar com o que dizem sobre os Cullen, já teria amarrado uma pedra envolta do pescoço e me atiraria ao mar’.
- É mesmo, papai nos ensinou a seguir três coisas nessa vida:
- Nossos instintos, nosso coração e a direção do vento! – falamos em coro e nos abraçamos.
- Sim, esse era o lema do velho Cullen pescador! – Emmett falou e deu duas tapinhas nas minhas costas – E quem não gostar...
- Que se foda! – falamos ao mesmo tempo e gargalhamos.
Emmett parecia mais tranqüilo e era verdade, meus nervos estavam em frangalhos. O otimismo exagerado de meu irmão não tinha me contagiado. Tomei um banho quente na intenção de relaxar os músculos , fiz um lanche rápido e fui dormir.
Não tive uma boa noite de sono, eu me sentia num barco em alto mar, no meio de uma tempestade... Quando vi que já passava das sete da manhã, levantei da cama e fiz um café bem forte. Enquanto a água quente retirava daquele pó preto a bebida cheirosa e amarga, liguei meu celular. Sorri de orelha a orelha ao ver que Bella havia me mandado uma mensagem de texto, imaginei que ela já estava com saudades.
Meu coração perdeu uma batida e minhas pernas quase cederam quando li o que ali estava escrito:

“Edward e Emmett, quero dizer que a noite passada foi a melhor noite de minha vida. Eu nunca me senti tão feliz e tão completa antes. Cada momento nosso foi mágico e eu queria muito que pudesse ser assim para sempre.
Mas isso é impossível, não é?
Eu não posso condenar vocês!
Não posso escolher um em detrimento do outro. Eu não conseguiria fazer isso. Então eu escolho não magoar, não ferir, não abandonar nenhum dos dois.
Eu estou apaixonada por vocês dois! Ferir um de vocês seria como me ferir também...
Sinto muito. O que eu quero é impossível. Eu quero vocês dois. Três é demais, não é?
Desejo toda a felicidade e todo o amor do mundo para vocês.
Isabella Swan”

- Meu Deus, não! – murmurei.
Aturdido e perdido, abri a porta do quarto de Emm num rompante. Meu irmão ainda dormia profundamente, eu balancei seu ombro com força até que ele falou.
- Porra, Edward... me deixa...
-Acorda, Emm! – falei com a voz firme.
- Que irmão chato, puta que pariu...
Ele resmungou várias vezes e por fim, sentou na cama, esfregou os olhos e me olhou com a cara feia.
- Bella mandou uma mensagem para nós. – entreguei meu celular a ele.


POV EMMETT

Mas que azar do caralho!
Eu tava sonhando com a minha Bella, nós estávamos na praia de nossa casa em Paradise, estávamos caminhando de mãos dadas... Era noite, a lua brilhava sobre nós, nos beijamos, tiramos nossas roupas... Entramos no mar e a água fria entrou em contato com nossas peles febris, febris de desejo. O beijo recomeçou, eu já estava completamente excitado e Bella estava pronta para mim, esfregando seu corpo gostoso ao meu. Estávamos prestes a fazer amor quando o miziguento do meu irmão me acordou.
‘Edward empata foda do caralho’, pensei com amargura. Mas o tom de voz dele me despertou, a coisa deveria ser séria. Nervoso, ele disse que Bella havia mandando uma mensagem para nós e jogou seu celular encima de mim. Com as idéias ainda confusas, eu li e reli a mensagem, dei um salto da cama e liguei meu celular. Li a mesma mensagem, li de novo. Então era isso? Bella havia desistido de nós? Ela havia se dado conta da loucura que era aquilo tudo? Ela estava nos deixando, abrindo mão de nós?
- Ela não nos quer, Emm... – meu irmão tinha a voz embargada.
Perdido nos próprios pensamentos, eu fiquei parado ali, próximo à janela do quarto, segurando o celular e olhando a vida acontecendo do lado de fora. Na praça em frente ao nosso prédio, eu via muita gente fazendo caminhada, já que o dia de sábado tinha começado ensolarado. Vi muitas crianças sorrindo, brincando, vi idosos sorridentes, ouvi o canto dos pássaros... Voltei minha atenção para uma dupla de velhinhos, os dois estavam sentados num banco da praça, me espantei quando percebi que eram irmãos, já que era grande a semelhança entre os dois! Um deles estava jogando farelos de alguma coisa, pão talvez, para os pombos e o outro tinha um olhar perdido e vazio enquanto sustentava o peso das mãos numa bengala.
- Edward, - falei por cima do ombro, eu sabia que ele ainda estava em meu quarto – vem ver uma coisa.
Ele deu dois passos e ficou ao meu lado.
- Ta vendo aqueles dois velhinhos com cara de poucos amigos ali, sentados no banco?
- To vendo. – ele sussurrou.
- Eles são o Emmett e o Edward de amanhã. – olhei para meu irmão e falei – Eles são os irmãos Cullen infelizes e arrependidos, os irmãos que viram há 50 ou 60 anos atrás a mulher da vida deles escapando de suas mãos. – olhei bem nos olhos dele e disparei – Se a gente não trouxer Bella para nossa vida, seremos como aqueles dois velhinhos!
- E o que você sugere que a gente faça?!
- Ir atrás dela, é claro! – peguei meu celular e disquei seu número, mas tava desligado, disquei de novo e fiquei alarmado – O celular dela ta desligado...
- Vamos! – meu irmão falou cheio de determinação – Vamos atrás dela sim!
Com um raio, eu tomei um banho, troquei de roupa e bebi uma xícara de café. Edward já tinha tomado café também, mas não comemos nada, a pressa, a agonia e a dúvida espantaram a minha fome, creio que a dele também. Eu dirigia a Lucille em seu limite de 80 km/h e meu irmão reclamava, dizendo que a coisa era terrivelmente lenta. Chegamos à universidade em 10 minutos, a passos largos chegamos ao alojamento feminino e batemos freneticamente na porta do quarto dela. Ouvimos alguns resmungos em forma de palavrão e uma garota baixinha, descabelada e peituda abriu a porta, sua cara estava muito amassada.
- Bella está? – falei freneticamente.
- Bom dia, - meu irmão se lembrou das boas maneiras – Bella está? Nós precisamos falar com ela.
- Puta que pariu! – a garota rosnou e apontou para uma cama impecavelmente arrumada – A Swan não está, mas eu não admitido esse tipo de coisa aqui no meu quarto. Ok?
Olhei para Edward sem entender nada.
- Que tipo de coisa? – meu irmão perguntou.
- Olha aqui, eu não me importo com o que a Swan faz ou deixa de fazer, afinal, todas precisamos de dinheiro, não é? – ela deu um sorriso sarcástico – Algumas recebem mesada dos pais, como eu. – ela apontou para si, completamente envaidecida – Outras escolhem arranjar um emprego e se sustentar de maneira honesta e outras preferem, bem... preferem o caminho mais fácil. Não é mesmo? – ela deu outro sorriso, dessa vez, bem maldoso – É como eu disse, não ligo para o que a Swan faz, só não quero que seus clientes venham aqui. Esse quarto também é meu!
- Não queríamos importuná-la, senhorita? – meu irmão usou aquela voz cortante como o aço, aquela que indica que ele tá puto da vida.
- Stanley... Jessica Stanley... – ela sussurrou abobada e se derreteu para Edward.
Espera aí? Ela não tinha um discurso moralista na ponta da língua há 10 segundos atrás?
- Sra. Stanley, peço desculpas por tê-la importunado. – ele amaciou a voz e a mocréia se derreteu toda – MAS LAVE ESSA SUA BOCA IMUNDA QUANDO TOCAR NO NOME DE ISABELLA SWAN NOVAMENTE. VOCÊ ENTENDEU?
Caraca! Meu irmão rosnou e se encurvou sobre a baixinha, fazendo-a se encolher contra a parede.
- Isabella Swan é uma pessoa maravilhosa e não merece dividir o quarto com uma cobra de jardim como você. – uau... Ed ainda rosnava, até eu senti medo.
- Ela... ela... é vulgar! – a garota choramingou – Eu vi vocês três ontem!
- Ah! Você viu? – me meti na conversa – Pois é bom você se acostumar com o que viu, porque vai ser assim daqui pra frente! E Isabella Swan não é vulgar. Você é vulgar, mesquinha e maldosa. – rosnei também.
- Vamos embora, Emm. – meu irmão tocou em meu ombro – Bella não está aqui.
- Sim, vamos.
A garota esperou que a gente desse uns três passos e falou num tom desafiador.
- Isabella Swan é uma puta vulgar!
Meu sangue ferveu, eu queria quebrar a cara daquela vadia, mas aprendi que em mulher não se deve bater, mesmo quando ela merece.
- Isabella não é uma puta. – meu irmão girou nos calcanhares e retrucou – Ela é a nossa garota, tenha respeito por ela. E por falar em vulgaridade, Mike Newton, seu namorado é o cara mais galinha do curso de Administração. Não sei como você agüenta o peso de tantos chifres em sua cabeça! – a garota arregalou os olhos – E não se preocupe, eu não vou te chamar de puta, porque para ser uma puta, você teria que ser ao menos bonitinha...
A passos largos saímos do alojamento pisando duro, entramos no carro, mas Edward pegou a direção, deu ré e cantou pneus.
- Mandou bem, mano. – falei cheio de orgulho.
- Mandei mal. – ele sussurrou – Entrei no jogo daquela mequetrefe e agora eu tenho certeza que ela vai descontar tudo em Bella.
Percebi que Edward forçava muito o limitei natural de velocidade da pick-up. Atravessamos a cidade, ele pegou a estrada e nos distanciamos de Orono.
- Pra onde a gente ta indo, Edward? – perguntei.
- Lincoln. Bella é de lá, não é mesmo? Vamos encontrá-la.
-Mas agente não sabe o endereço antigo dela. – murmurei derrotado.
- Não devem existir muitos Swans numa cidade tão pequena como aquela. Com uma lista telefônica a gente resolve isso. – ele falou pausadamente.
- Vamos achá-la... Que Deus nos ajude. – falei cheio de fé.
O resto da viagem foi silencioso, a tensão era grande. Edward dirigia o mais rápido que podia, eu tentava ligar para Bella a cada cinco segundos...
Uma placa nos saudou, já estávamos dentro dos limites de Lincoln! Paramos num posto de gasolina, colocamos um pouco de combustível em Lucille e perguntamos a um velho barbudo que estava abastecendo o carro, se ele conhecia a família Swan. Ele disse que não ela da cidade e não conhecia ninguém. Saímos dali e fomos a um pequeno restaurante que havia do outro lado da rua. Pedimos um café e um sanduíche e começamos a puxar assunto com a garçonete. Ela conhecia os Swan, disse que não via Bella desde o dia que ela foi para a universidade e, meio relutante, nos deu o endereço da antiga casa de Bella. Chegamos lá cerca de meia hora depois.
Eu fiquei de queixo caído e Edward também teve a mesma reação. A casa que um dia já foi azul agora era cinza encardido, vários vidros das janelas estavam quebrados e havia um monte de latas de cervejas vazias espalhadas pelo jardim maltratado e pela varanda da casa.
- Que muquifo... – sussurrei.
Tocamos a campanhia e um cara barrigudo, com aquela típica barriga de quem toma muita cerveja, barbudo e com uma enorme tatuagem no braço, abriu a porta.
- Quem são vocês? O que querem aqui?
- Bom dia, senhor. – Edward falou educadamente.
- O que querem? – ele rosnou.
- Gostaríamos de falar com Isabella Swan. – falei.
- Bella não mora mais aqui, ela está na universidade. – ele arqueou as sobrancelhas – Quem são vocês?
- Somos, bem... somos amigos dela. – falei – Ela saiu sem dizer para onde ia, achamos que ela poderia ter vindo para casa.
- Aquela garota se meteu em confusão? Ah! Eu sabia! – o homem deu um sorriso triunfante e socou o ar – Eu sabia que gastar dinheiro com universidade para ela seria uma perda de tempo! Afinal de contas, pau que nasce torto nunca se endireita... O que poderia resultar do cruzamento de um bêbado com uma drogada?!
Vi tudo vermelho na minha frente, eu queria partir a cara daquele filho da puta, mas Edward me segurou a tempo.
- Vamos embora, Emmett.
Meu irmão praticamente me arrastou dali. Que cara perverso, meu Deus! Ele destacou com prazer que Bella era filha de um bêbado e de uma drogada! Aquele só podia ser o bastardo do padrasto dela.
Quando íamos entrar na pick-up, uma pedrinha acertou meus pés. Olhei para os lados e não vi ninguém, recebi outra pedrinha, olhei novamente e vi um garotinho acenar para nós. Atravessamos o jardim e nos postamos em frente ao garoto moreno, de olhos e cabelos bem pretos.
- Vocês estão procurando por Bella? – ele foi direto ao assunto.
- Sim! – dissemos em coro.
- Bella veio aqui hoje. Sim, ela veio! – ele assentiu fervorosamente – E eu escutei a conversa de vocês dois com o Phil, ele é um cara muito mal...
- Como é seu nome, garoto. – Edward perguntou.
- Seth Clearwater, eu tenho 8 anos! – ele falou cheio de orgulho – E se vocês me pagarem $8,00 eu digo o que sei...
Arregalei os olhos e fiquei pasmo, que criancinha mais esperta era aquela?
- O que você sabe, exatamente... – Edward perguntou.
- Sei que Bella não foi para casa, sei para onde ela foi, o que ela fez, o que ela disse, com quem ela falou e para onde foi depois.
-Porra! Fala logo, mini Sherlock Holmes... – murmurei irritado.
- U$ 8,00 primeiro. – ele estendeu as duas mãos para mim e para Edward - E não diga nomes feios!
Meu irmão abriu a carteira e deu ao garoto o dinheiro, ele contou as notas e guardou-as no bolso, depois olhou para mim sugestivamente.
-Você ainda não pagou...
Dei um meio sorriso e olhei para Edward que também segurava o riso.
- Desisto, não tenho essa grana! – falei para o garoto – Vou ficar na pick-up esperando por ele. Se eu não pago, não escuto!
- Isso mesmo! – ele assentiu – Se não paga, não escuta...
Rindo baixinho, caminhei rapidamente até o veículo, entrei e esperei ansiosamente por meu irmão. Com sorte o garotinho não estava mentindo e teríamos notícias de Bella.


POV EDWARD


- Pronto, Seth, ele já foi, você já pode contar o que sabe. – me ajoelhei e fiquei na mesma altura que o garoto.
- Você promete que não vai contar a ele?
- Eu juro!
O garoto fez um relato detalhado, desde as roupas que Bella usava até o suco de laranja que ela tomou em sua casa. Sim, Bella esteve na casa do Clearwater e conversou com Rebecca, a mãe do menino e Billy, seu pai. Ele disse que Bella estava triste e chorando, enquanto ela conversava no quarto com a mãe do menino, ele ficou escondido atrás da cortina e ouviu tudo. Ouviu Bella confessar para a amiga e antiga vizinha que tinha se apaixonado por dois irmãos, ouviu ela lamentar não ter mais o colo da avó, ouviu ela dizer que sentia perdida. A mãe do garoto apenas disse que Bella ouvisse o coração e não tomasse decisões precipitadas. Depois de muito tempo,Bella deixou os Clearwater e disse que visitaria a mãe na clínica de reabilitação.
O garoto foi muito detalhista, abri a carteira e lhe dei mais dois dólares, ela sorriu e agradeceu, saiu correndo e entrou em casa. Tão rápido quando o garoto, eu entrei na pick-up.
- Ele disse o quê? – Emm perguntou.
Narrei tudo enquanto nos guiava até a Clínica de Reabilitação St. Rafael, do outro lado da cidade. Em menos de 20 minutos paramos em frente a um imóvel branco e com um bonito jardim. Fomos atendidos por uma enfermeira, ela confirmou que Bella esteve ali há menos de meia hora, ela tinha ido visitar a mãe. Mas ao que parece a Sr. Swan não estava acordada e Bella não esperou, saiu logo dali. 
Desanimados, voltamos para o carro. Já eram quase meio dia e a gente ainda não tinha notícias dela. Parados e perdidos nos próprios pensamentos, não tiramos a pick-up do local, ninguém movia um músculo, a gente mal respirava...
Eu refazia na minha mente a narração do menino. Bella tinha se lamentado, dizendo que sentia a falta de sua avó... Como era mesmo o nome da avó de Bella? Ela já era falecida, isso eu sei porque Bella me contou, mas eu tava tentando lembrar o nome... Marie!!! Isso mesmo! Marie Swan!
- No que você ta pensando, Emm?
- Em Bella... – ele suspirou – Pensando que a gente vai vê-la na segunda-feira. Pelo menos isso...
- Já sei onde ela pode estar, mano! – falei esperançoso e tirei a lata velha do lugar.
Paramos no mesmo posto de gasolina de antes e perguntamos a um funcionário de lá onde ficava o cemitério da cidade. Forcei os limites da coisa e me menos de 15 minutos chegamos ao lugar. Era sábado e o cemitério tinha alguns visitantes, à nossa frente, um cortejo fúnebre nos atrasava, nos desvencilhamos das pessoas e chegamos até um coveiro que descansava sob uma árvore. Perguntamos onde ficava o jazigo da família Swan, ele riu com sarcasmo dizendo que jazigos eram para ricos, mas depois assumiu um tom sombrio da voz e disse que a Sra. Marie Swan estava enterrada na rua B-33, cova nº 111, ao lado de seu filho inútil, Charlie Swan.
Seguimos as placas e corremos feito uns doidos, quase atrapalhando a paz dos mortos. Meu coração estava aos pulos quando chegamos ao local, olhamos de um lado para o outro e Emmett apontou para a direção correta.
Os pulos de meu coração se intensificaram quando eu a vi ali, sentada no chão... olhando para o nada a sua frente. Bella estava exatamente com as roupas que o garoto descreveu. Calça jeans, camiseta branca, jaqueta jeans e seu all star preto. Seus cabelos estavam soltos ao vento, ela parecia estar chorando e movia os lábios lentamente. Talvez estivesse rezando.
- Bella! – meu irmão gritou, fazendo-a se assustar e se levantar rapidamente.
-Bella, por favor, espere. – me desesperei quando ela deu dois passos para trás.
- Edward? Emmett? – já estávamos a dois passos dela, mas não avançamos – O que... o que vocês estão fazendo aqui?
- Viemos te buscar, meu bebê... – Emm sussurrou e esticou a mão para ela, mas ela não pegou de imediato.
- Viemos para te levar conosco, princesa. – completei e também lhe estendi a mão.
Ela olhou para nossas mãos freneticamente de um lado para o outro e mordeu o lábio inferior.  Resolvi insistir.
- Eu estou apaixonado por você, Bella. – minha voz estava embargada – Venha, não tenha medo.
- Sim, não tenha medo. – Emmett sussurrou e esticou mais a mão para ela – Eu também estou apaixonado por você.
- Oh! Emmett... Edward... – ela deu um passo à frente, segurou em nossas mãos e nos puxou para si.
O abraço foi perfeito, eu nem me dei conta que Emm também estava ali, mas ele estava. Como um caminho natural que deveria mesmo ser percorrido, eu beijava os lábios de Bella com carinho e devoção, enquanto (eu acho) que meu irmão também a abraçava. Quando cessamos o beijo, ela se virou para ele e o beijou, dessa vez eu me encantei com a maciez de seus longos fios castanho-avermelhados que cheiravam a morangos silvestres.
- Ah! Vocês vieram... vocês vieram... – ela repetia e lágrimas banhavam seu rosto – Temos uma chance, afinal!