Crime e Castigo
— Você tem certeza que são os mesmos homens, Isabella? — perguntou Edward.
— Sim.
Isabella não podia adivinhar o que Edward estava pensando. Ela sussurrou:
— Quer que eu lhe diga seus nomes? Lembro de todos.
— Isso não será necessário. — ele fitou os olhos castanhos da noiva — Agora vá para dentro, Isabella, e fique lá.
Ela estava espantada com o controle mostrado por ele, porque sabia que a raiva devia estar lhe corroendo as veias, mas Edward não deixava transparecer nada.
Ao perceber que o comandante do Laird deveria se inteirar dos fatos, Paul se apressou em ir à procura de Seth. Enquanto Jared e Embry escoltavam a Princesa para dentro do castelo, Isabella se arriscou a olhar para trás por sobre seu ombro. Ela então viu Edward caminhar em direção aos homens condenados. Com os olhos cheios de terror, aqueles homens retrocederam e se encolheram entre as carroças, em seguida, se depararam com várias dúzias de guerreiros Cullen armados, que apareceram das colinas atrás deles.
A porta se fechou atrás dela, Isabella subiu a escada que levava para o grande salão. Não ouviu nenhum som do lado de fora — tudo estava muito silencioso — e nenhum dos guardas lhe permitiu olhar através da janela. Pouco tempo depois, se não fosse por Alice, que entrava no grande salão com a pequena Hannah nos braços, Isabella se consumiria de tanta aflição.
— Olá, Isabella. — a cunhada sentou-se no cadeirão ao seu lado — Vim lhe fazer companhia, deduzi que você ainda não está acostumada a ...
— Guerra? — Isabella completou.
Alice sorriu antes de responder.
— A ter um noivo guerreiro, era o que ia dizer. — Alice suspirou pesadamente e pousou seus olhos na filha — Quando meu Jazz foi para o primeiro combate, depois que nos casamos, eu chorei dia e noite ...
— Não vou chorar. — Isabella tentava se fazer de forte.
— Não pense bobagens. Os guerreiros Cullen são muito bem preparados.
Isabella sorriu para a cunhada e afagou-lhe o braço.
— Obrigada por me fazer companhia, Alice. Muito obrigada.
Logo as duas se puseram a conversar e a brincar com a menina que estava crescendo bonita e saudável a cada dia. Mas apesar dos esforços de Alice para distraí-la, Isabella sentia-se cada vez mais apreensiva sem notícias de Edward.
Ao anoitecer Samuel entrou na sala. Ele estava sozinho.
— Princesa, já puseram seus baús no depósito.
— Obrigada. Amanhã, talvez eu dê uma olhada neles. Por acaso, você sabe se Edward já voltou?
— O Laird saiu da fazenda. Duvido que volte ainda esta noite.
— Milady, seu jantar está servido na mesa. — anunciou Sue — Lady Alice jantará com a Princesa?
— Sim, Sue, obrigada. — Alice respondeu.
Isabella apenas assentiu para a empregada, sua atenção estava voltada para Samuel.
— O Laird reuniu um grupo de guerreiros e saiu da fazenda. — disse Samuel.
Aquilo foi tudo que o guerreiro falou e ela teve a certeza que ele não lhe diria mais nada. Mas Sue abriu a boca. Isabella soube de mais coisas pela empregada do que por qualquer um de seus guardas.
— Um bom número de membros do Clã partiu com nosso Laird e com Jasper. Os forasteiros que trouxeram seus baús também foram com eles. Do modo que as coisas se desenrolaram, duvido que aqueles homens quisessem ir, mas não se pode dizer não ao Laird, não é?
— Chega Sue. — Alice ralhou com a empregada — Por favor.
A mulher corou e assentiu, murmurou um ‘com licença’ e saiu do salão. Era evidente que Sue não sabia quem eram os forasteiros nem o que tinham feito, e Isabella e Alice não tinham a intenção de lhe dizer.
Após o jantar, Isabella foi para a cama cedo. O sono ainda não lhe havia chegado até alta madrugada. Na manhã seguinte, ela acordou cedo e quando ouviu uma batida na porta do quarto, seu coração bateu descompassado, em seu íntimo, ela queria que fosse Edward.
— Sou eu, Alice. — o sorriso desapareceu do rosto da Princesa.
— Bom dia ...
Alice entrou no quarto da cunhada sem qualquer cerimônia.
— Bom dia. Venha comigo, Isabella. Quero te mostrar algo.
A Princesa assentiu e vestiu um roupão por cima da camisola, pois ainda era muito cedo. As duas mulheres caminhavam pelos corredores do castelo tendo Embry em seus calcanhares.
— Aqui. — Alice os fez parar em frente a uma enorme porta de carvalho. — Este quarto de costura pertenceu a Lady Elizabeth, a mãe de Edward e Jasper. Agora, ele é seu. Pelo que eu soube, nossa sogra passava o tempo tecendo tartans (n/a: tartan é aquele tecido xadrez usado pelos escoceses) para o marido.
— Esse tear é lindo. — Isabella ficou espantada, porque apesar de antigo, o equipamento parecia em bom estado — Você sabe usá-lo?
— Sei sim. — Alice sorriu.
— E por que não o usa?
Alice arregalou os olhos antes de responder.
— Oh! Não, não. Ele é seu, Isabella. Por direito, ele é seu.
— A partir de hoje, ele é nosso.
As duas cunhadas selaram o pacto num abraço fraterno. Ao percorrer o cômodo com os olhos, Isabella viu um pedaço de pano sobre uma cadeira.
— Aquele é tartan de nosso Clã, não é Alice?
— Sim, ele tem quadrados verdes, como os olhos de Lady Elizabeth e quadrados azuis como os olhos do Laird Gerard, nosso sogro. — Alice falava com orgulho.
— Suponho que agora, o verde representa os olhos de Edward e o azul, os olhos de Jasper.
Edward não retornou ao castelo durante cinco longos dias e noites. Nesse meio tempo, as duas cunhadas se dispuseram a tecer fios, consolidar sua amizade e rezar pelo retorno de seus homens. E quando finalmente Edward retornou, não anunciou sua chegada. Uma manhã Isabella desceu as escadas e lá estava ele, de pé na sala. Ela estava tão surpreendida de vê-lo, que quase tropeçou no último degrau. Nervosamente alisou o vestido e ajustou o cinto que descansava sobre seus quadris. Seguindo os sábios conselhos de Alice, Isabella esteve impecavelmente arrumada naqueles dias, sempre usando um vestido mais bonito que o outro. Sua cunhada lhe havia explicado que Edward gostaria de vê-la bonita, além disso, quando os Cullen iam para uma guerra, suas mulheres tinham a obrigação de ‘tocar a vida’ normalmente. Especialmente naquela manhã, Isabella usava um vestido azul meia-noite que fazia um lindo contraste com sua pele marfim, em seus quadris havia um cinto feito com o tartan do Clã que ela mesma havia tecido e nos cabelos, uma bonita fita do mesmo tecido.
— Você voltou! — ela disse e não conseguiu disfarçar a felicidade.
Edward se virou para o som daquela melodiosa voz e seus olhos verdes a devoraram com fome. ‘Maldição’, ele praguejou em pensamentos. Ele se deu conta que não se passou nem um minuto que não sentisse saudades dela. Tinha sentido saudades de seu sorriso, seu cenho franzido, de quando ela mordia o lábio inferior quando ficava nervosa, de seu rosto corado e acima de tudo, tinha sentido saudades de beijá-la.
Mas ele não era muito adepto às palavras doces.
— Voltei. — Edward não conseguia se concentrar em mais nada, a não ser naquele corpo que tanto desejava — Fiquei sabendo que você passou os dias trancada na sala de costura.
— Quem te contou?
Ela desfez a distância entre os dois, ficando a apenas meio metro do noivo. Isabella ficou nervosa, pois estava preparando um presente para Edward e não queria que ninguém lhe estragasse a surpresa.
— Sue me disse que você ficou trancafiada ali por tempo demais. — Edward estava de cenho franzido — Não quero que fique doente, só isso. — respondeu ríspido.
— Eu não estava trancafiada. Alice me fez companhia durante esse tempo. — argumentou Isabella.
‘Deus querido, não, isso não poderia estar acontecendo, poderia?’ Seu noivo não a via há vários dias, ela estava morrendo de saudades e tudo o que ele fazia era criticá-la?!
— Vejo que você está usando as cores do Clã. — ele disse.
— O tantan de nosso Clã é muito bonito. — ela disse com doçura, derrubando todas as barreiras de seu Laird.
Ele sorriu torto. Aquilo foi tudo o que ela precisava. Isabella ficou nas pontas dos pés e deu-lhe um beijo na boca. Um beijo rápido, mas um beijo. Dando um passo para trás, ela fitou os orbes verdes do noivo e disse:
— Bem-vindo ao lar, meu Laird.
Mas como sempre, Edward não achou aquele beijo adequado. Ele tomou-a nos braços, se inclinou e tomou seus lábios com fome e ferocidade. Sua língua quente e úmida invadiu a boca dela, buscando espaço, carinho e aceitação. Isabella correspondeu ao beijo, suas mãos se enroscaram nos cabelos cor de bronze do noivo e seu coração bateu descompassado.
‘Deus, como os cabelos dele são macios! E sua boca é quente! E esse cheiro ... Ah! Essas mãos ...’ Os pensamentos explodiam na mente da Princesa, assim como em seu corpo explodiam silenciosas e inquietantes sensações.
‘Diabo’ ele praguejou. Se já estivessem casados, ele a levaria para o quarto, tiraria seu vestido lentamente e faria amor com ela até caírem exaustos de prazer. ‘Foco, Edward’ ele recobrou o juízo e cessou o beijo.
— Está feliz de estar em casa? E se está, deveria me dizer isso. É a forma correta de fazer as coisas.
— Sim, estou feliz de estar em casa. Agora responde a minha pergunta. O que você tanto fazia trancada na sala de costuras?
— Tecia. Só isso.
— Esteve preocupada com algo?
— Tenho algo com que me preocupar? Com o que eu poderia me preocupar? — ela respondeu ironicamente — Talvez, com o meu pai, já que não tenho notícias dele? Ou talvez, eu poderia me preocupar porque meu noivo se ausentou por dias intermináveis? — ela cruzou as mãos no peito.
— Você se preocuparia comigo? — ele sorriu esperançoso.
Ela lhe deu um pequeno soco no peito.
— Claro que sim! — ela respirou profundamente antes de continuar e não conseguiu segurar o riso — Sim, eu estava preocupada com você, mas só um pouquinho ...
— Mentira, Isabella, e você não mente muito bem.
— Fiquei aflita, Edward. — começou a dizer — Eu temia …
— Eu já voltei. — ele disse com a voz branda.
Edward envolveu a cintura de Isabella, puxando-a para si.
— E estou feliz por estar aqui. — a voz dele era baixa e rouca — Eu a quero muito, Isabella ...
— Vo-você me quer? — ela perguntou atônita.
— Demônios, sim! — ele falou exasperado e sorriu.
Ela assentiu, e lhe devolveu um sorriso muito satisfeito. Mas seu rosto corou, ela baixou o olhar.
Edward ergueu seu rosto e a olhou nos olhos.
— Eu nunca deixarei de te querer, Isabella.
Ela não sabia o que dizer, o que provavelmente não teve muita importância, porque não lhe deu muito tempo de fazer outra coisa além de ficar boquiaberta.
A boca de Edward cobriu a dela novamente, e sua língua avançou para dentro, demandando uma resposta. Ela envolveu os braços ao redor do pescoço dele e se moveu impaciente contra aquele corpo másculo enquanto a boca dele se inclinava sobre a dela uma e outra vez. O beijo se tornou luxuriante. Edward se sentiu muito excitado. Ela o tinha por completo em suas mãos como nenhuma outra mulher já teve, e Edward sabia que se não se detivesse naquele momento, perderia todo o controle.
Quando ele terminou o beijo abruptamente, o coração de Isabella palpitava com força. Ele agradeceu aos céus pela ingenuidade e pureza da noiva, se ela soubesse exatamente para onde olhar, talvez se assustasse com o volume de sua excitação.
Uma voz masculina dispersou os noivos.
— Laird, peço que me desculpe, mas temos mais problemas com o elevador de carga.
O pedreiro estava diretamente detrás dele. Edward, não se virou e o dispensou com um gesto de mão.
— Isabella, você não me perguntou o que aconteceu depois que eu me ausentei
— Se eu perguntasse, você me responderia?
— Não.
— Então é melhor que não pergunte. Não acho que queira escutar o que aconteceu àqueles homens. Acho que poderia ter pesadelos.
— Durma tranqüila. — ele disse — Não os enterrei vivos.
— Ainda bem. — ela suspirou. — Mas o que lhes aconteceu? Permitiu que vivessem?
— Não.
Sabia que não devia perguntar tanto, mas não conseguiu se conter.
— Pôde descobrir quem os envio para capturar Jasper?
Antes que pudesse lhe responder, outros dois membros do Clã entraram na sala, solicitando sua atenção. Edward os ignorou, mas Isabella não foi capaz.
— Seu Clã precisa de você.
— Sim, é verdade.
— Você deve ir.
Ele assentiu.
— Sim, é melhor eu ir.
Mas quando ele passou por ela, seu coração ficou apertado de repente. Tudo o que ele queria, era estar com ela. Num movimento brusco, ele entrelaçou sua mão a dela.
— Mande selar meu cavalo — ordenou a um dos homens que o esperava e disse ao outro: — Até hoje à tarde não escutarei nenhum problema. Deixe isto bem claro a todos os que estão esperando.
Isabella se afastou do caminho para deixar passar um membro do Clã que levava um saco de grão sobre o ombro. Ele a cumprimentou e se virou para Edward.
— Quer que eu ajude a transportar os baús de Lady Isabella para o piso superior?
Edward olhou para os baús empilhados no chão, num canto da sala.
— Você tem coisas demais. — ele criticou.
Isabella riu.
— Será que todo mundo pensa que estes baús estão cheios apenas de vestidos?
O homem que carregava os grãos assentiu antes de falar.
— Talvez os ingleses necessitem de mais coisas que nós.
— E os Cullen não devem julgar as coisas sem conhecer os fatos. — ela rebateu — Se tiverem um momento eu gostaria de abrir um de meus baús.
— Com que propósito? — perguntou Edward.
— Abre um e olhe você mesmo.
Ela tinha despertado sua curiosidade.
— Qual você quer que eu abra?
— Você escolhe.
Edward tirou um dos baús da pilha e se surpreendeu pelo peso.
— Danen, segure do outro lado. — ele ordenou.
— As roupas inglesas pesam mais que um baú cheio de pedras. — grunhiu Danen.
— Roupa não pesa tanto, nem mesmo roupa inglesa. — rebateu Edward.
O baú tinha quatro fechaduras. Edward abriu todas, logo levantou a tampa. Dentro havia sacos estufados.
Isabella sugeriu que usasse a adaga para cortar o tecido, e quando o fez, derramaram-se grãos de sal.
Edward estava atônito.
— Você trouxe sal ... — o Laird falou boquiaberto.
— Sim! — ela sorriu para ele — O sal era um de meus presentes para o Laird Black, e agora é seu.
— Sal é mais valioso que muitas jóias — gaguejou Danen e seus olhos brilhavam— E muito necessário. Não é verdade, Laird?
Edward assentiu.
— Todos os baús estão cheios de sal?
— Todos menos um. Você gostou? — Isabella perguntou numa ardente expectativa e mordeu o lábio inferior.
— Sim, muito. — ele sorriu para ela — Mas se alguém soubesse o que havia dentro destes baús, nunca teriam chegado aqui.
Ele fechou as fechaduras e saíram do depósito. Um ajudante do estábulo guiou o cavalo de Edward através do pátio. O imponente animal, Negro, como o chamavam, era um cavalo magnífico. Ele tinha o dobro do tamanho de Rogue, mas Isabella duvidava que sua disposição fosse dócil. Edward a levantou para colocá-la sobre Negro, logo subiu atrás dela e tomou as rédeas.
Isabella gostou de sentir aqueles fortes e musculosos braços circundando-a, ela instintivamente se inclinou sobre o peito de Edward e simplesmente deixou-se estar naquele contato tão íntimo.
— Aonde vamos? — ela perguntou.
Uma mulher que carregava uma cesta se apressou a alcançá-los.
— Laird, se tiver um minuto. Só preciso falar uma palavra sobre…
— Mais tarde.
Ele apertou mais cintura de Isabella com um braço e a sustentou firmemente contra ele enquanto esporeava o cavalo para que avançasse. Isabella não podia imaginar o que se passava na cabeça de Edward. De repente, ele não estava fugindo dela para encarregar-se das obrigações do Clã. Não! Agora, ele parecia estar fugindo do Clã para estar com ela.
Quando cruzaram o fosso, Edward esporeou Negro que correu como o vento. Não se detiveram até chegarem ao topo de uma colina com vista para um lindo vale por onde serpenteava um pequeno riacho. Ele desmontou e a segurou, ajudando-a a descer. Suas mãos pousaram sobre a cintura dela por tempo demais, a respiração de ambos ficou entrecortada.
Edward balançou a cabeça tentando espantar pensamentos impróprios
— Venha se sentar um pouco comigo. Precisamos conversar. — disse Edward.
Seu tom de voz a preocupou.
— São más notícias? É por isso que queria estar a sós comigo, para que eu não o envergonhasse ao chorar na frente do seu Clã?
— Isabella, você nunca poderia me envergonhar. — ele falou docemente.
Ela se sentou sob a sombra de uma árvore e arrumou a saia para que cobrisse os tornozelos.
— Desculpe. — ela sussurrou — Tenho aprendido a esperar o pior.
Edward sentou-se em frente a ela e segurou seu queixo com a palma da mão.
— Trouxe-a aqui para que não fossemos interrompido, o que, você certamente percebeu, ocorre com bastante freqüência.
— Ocorre porque você não delega. Você devia fazer isso. Se desse a Seth e a outros, incluindo a seu irmão, mais responsabilidades, não só diminuiria a carga de atribuições que recaem sobre seus ombros, mas também demonstraria que tem confiança neles. Você não é o único que pode tomar boas decisões, Edward.
— Não a trouxe aqui para que me critique. — ele falou exasperado.
— Você já ouviu falar em crítica construtiva? — ela arqueou uma das sobrancelhas — De qualquer forma, isso não importa. Você pensará no que eu te disse?
Ele se acomodou melhor, encostado no tronco da árvore.
— Pensarei. — disse, estirando as longas pernas para frente, e logo cruzou um pé sobre o outro.
‘Ele parece relaxado’, ela pensou, mas os leões, também ficam assim antes de atacar.
— Se fosse boas notícias, você já teria dito.
— Não é bom nem ruim. O que descobri é o seguinte: os homens que trouxeram seus baús nunca teriam vindo ao nosso Clã se soubessem que alguém os tinha visto em Finney’s Flat. Tive a oportunidade de interrogá-los exaustivamente.
Ela não pediu que ele explicasse o que queria dizer com “oportunidade”.
— E responderam a suas perguntas?
Era possível que ela pensasse que lhes tinha dado uma escolha? É claro que tinham respondido a suas perguntas, Edward não lhes deu alternativas.
— Todos insistiram em dizer que nunca souberam o nome do homem que os contratou. Só o líder sabia.
— Gordon. Ele era seu líder, e eu o matei. — ela toucou-lhe o joelho para consolá-lo — Sinto muito
— Sente muito sobre o quê?
— Por que você nunca irá descobrir quem os envio atrás de Jasper.
— Newton os enviou.
— Mas como…
— Vou explicar tudo se você prometer não me interromper. — ele esperou que ela concordasse e logo disse: — O Barão Caius fez com que levassem seus baús à abadia. E Quase imediatamente depois que saiu de lá, ele e seus soldados começaram a procurar por você. Assim como o outro Barão.
— Aro? — até dizer o nome daquele verme a repugnava — Ambos são demônios!
— Pelo que entendi, ambos estiveram seguindo pistas, tentando encontrá-la. Caius ouviu rumores que talvez você estivesse aqui, comigo, e precisava assegurar-se disso antes de agir. Que melhor maneira ele teria que enviar seus baús com homens que logo lhe relatassem o acontecido?
— Mas ele não os enviou ao Abade?
— Sim, Caius recomendou isso. Mas estou certo que o Abade pensou que estava fazendo um favor. O problema foi encontrar homens que os trouxessem. Caius não podia enviar ingleses. Nunca teriam chegado tão longe, e se por acaso ou sorte o conseguissem, nunca teriam conseguido voltar para reportar-se a ele.
— Mas como… — ela se deu conta de que o estava interrompendo novamente e se deteve.
— Os homens que Gordon contratou não sabiam que Newton estava lhes pagando, mas Newton sim sabia quem eles eram. Gordon lhe deu seus nomes.
— Como obteve essa informação?
— É incrível o que um homem pode se lembrar quando o pressionam. O que se chamava Hamish me disse que ouviu que Caius e Newton tinham chegado a algum tipo de acordo. Chamou-o de pacto. Caius sabia que o Rei William não a entregaria a ele, e por isso a prometeu a Newton. Ele obteria Finney’s Flat, e em troca Caius poderia vê-la quando quisesse. Imagino que ambos tinham a intenção de dividir você.
Isabella se sentiu nauseada.
— Não pensei que estes homens pudessem me enojar mais do que já o fizeram, mas agora você me diz que tinham intenção de ... de ... me dividir? Como uma esposa? Oh, Meu Deus …
Ela tentou levantar-se, mas Edward a puxou gentilmente, aproximando-a de seu lado e quase a fazendo sentar em seu colo.
— Outro dos forasteiros admitiu que chegou a ouvir Caius cochichando com um de seus confidentes. Sim, Caius a queria em sua cama, Isabella, mas também queria certa informação que pensa que você esconde.
Edward pensou que era estranho que Isabella não lhe perguntasse se tinha alguma idéia de que tipo de informação pensava Caius que ela poderia ter.
— Você sabe o que ele é quer, não é? — perguntou.
— Sim.
— Isabella?
Ela encostou-se contra ele.
— Ele quer o tesouro de St. Noah.
Pacientemente, ela contou-lhe a lenda como tinham contado a ela em inumeráveis ocasiões.
— Diziam que o Rei Phillip de St. Noah não enviou todo o ouro ao Papa, mas que o escondeu em algum lugar da ilha. Também se acredita que o tesouro é tão vasto, que quem quer que o encontre terá o poder de governar ao mundo. Ninguém jamais o encontrou, mas é uma história interessante e que sobrevive há muito tempo.
— Então por que Caius crê em sua existência? — ele perguntou.
— Não sei.
— E por que ele pensa que você sabe onde está o tesouro?
— Há algumas pessoas que acreditam que o Rei transmitiu o segredo a sua filha, e que ela a sua vez o passou a sua filha…
— Sua mãe te falou alguma vez do tesouro?
— Ela contou-me todas as histórias. E pensava que a cobiça era o motivo pelo qual alguns acreditassem na existência desse tesouro. Eu penso da mesma forma.
— E o povo de St. Noah? — ele perguntou. — As pessoas acreditam no mito?
— Alguns sim, outros não. O povo não é tão ambicioso e tem poucas necessidades. A pesca e a caça lhes proporcionam comida suficiente, e têm bastante lenha para esquentar seus lares. Vivem uma vida simples, mas feliz.
— Em outras palavras, o povo não cobiça o ouro.
Ele tinha envolvido a cintura dela com um braço, e ela acariciava seu outro braço com a ponta dos dedos enquanto pensava na pátria de sua mãe. Seu toque era leve como uma pluma, mas tinha um poder imenso sobre ele. Aquele gesto quase o deixava inebriado.
— Agora é minha vez de fazer perguntas, Edward. Você disse que Caius precisava ter certeza de que eu estava vivendo com você antes de atuar. O que significa isso? Você sabe quais são as intenções dele?
Edward sacudiu a cabeça.
— Ainda preciso descobrir o que aquela mente pervertida planeja. Mas eu juro que farei, Isabella.
— Ele me baniu em nome do Rei William, você se lembra? E Aro se uniu a Caius para me condenar. — ela fez uma pausa, tentando juntar os fatos — E ainda assim, você diz que eles saíram da Abadia e logo começaram a me procurar? — ela percorreu com os dedos a cicatriz que ele tinha na mão e imediatamente se lembrou de um assunto — Como você soube que eu era inocente? Você disse que sabia que Jane tinha mentido.
Ele virou seu rosto para ela e fitou seus olhos castanhos.
— A lua. — Edward sorriu gentilmente — A mulher disse que a lua estava brilhante e que por isso pôde ver você, mas naquela noite choveu, Isabella. Choveu muito, não houve lua. Eu sei disso porque estava procurando Jasper e a noite estava muito escura para continuar. Tivemos que esperar até o amanhecer.
— Não acredito que o monge tenha mentido. Acho que ele me viu quando fui ao quarto onde Jasper estava para saber de seu estado de saúde.
— Eu também acho isso.
Os dois caíram num aconchegante silêncio. Depois, ela tentou matar a curiosidade.
— O que você fará com Newton?
— Vou matá-lo. — respondeu calmamente.
— Então irá guerrear contra o Clã Newton? — ela perguntou, e antes que Edward pudesse responder, acrescentou apreensiva: — O que aconteceria se Caius somasse seu exército ao de Newton?
— Não se preocupe com Caius nem com Aro. — ele respondeu — Nenhum deles poderá fazer mal a você.
Se isso era verdade, então por que Isabella sentia tanto medo?
Enquanto isso, num lugar bem distante dali, o Rei William estava passando uma temporada no castelo de Newell, onde pretendia se recuperar da fracassada campanha contra os galeses. Caius tinha ido ao encontro de seu Rei tirano e controlador e já estava preparado para ser confrontado com o mau humor de seu Rei. Um grande número de Barões do Rei William havia ficado tão enfurecido pelos ataques de seu Rei que ameaçaram revoltar-se contra ele. Essa era a principal causa do mau humor real.
Aro também tinha sido convocado ao castelo de Newell, para que desse sua versão sobre o desastroso ocorrido na Abadia de Arbane, e Caius só podia imaginar as mentiras que seu inimigo contaria.
Caius permitiu que Jane lhe acompanhasse. Confiante de que sua sobrinha seria discreta, ele se acostumara a dividir suas preocupações com ela sua. Afinal, a existência de Jane nessa terra dependia somente da boa disposição de seu tio, e ela não faria nada para o prejudicar. Ao contrário, a sobrinha cuidava muito bem dele. Ocupava-se de cada uma de suas necessidades e se assegurava de que os criados cuidassem da casa de acordo com sua vontade. Caius nunca entrava em uma sala sem aquecimento nem levantava uma taça vazia. Ela sabia quais comidas ele gostava e quais não gostava. Caius também sabia que algum dia deveria se casar, mas ainda assim planejava conservar Jane perto para que continuasse cumprindo suas ordens.
Ela tornou-se ainda mais solícita desde o dia que Caius permitiu que o acompanhasse à Abadia de Arbane, mal podendo disfarçar seu entusiasmo. Mas sabia o porquê. Caius soube que Aro também estaria no castelo de Newell. Oh, que tola ela era ao pensar que alguma vez teria um futuro com o inimigo de Caius! Na Abadia de Arbane quando Jane tinha acusado Isabella de comportar-se como uma prostituta, a princípio Caius se sentiu irritado pelo espetáculo, mas logo se deu conta de que aquilo podia ser usado em seu benefício.
— Você está ansiosa por voltar a ver o Barão Aro? — perguntou-lhe Caius durante a viagem.
— Na verdade, eu estou.
— Jane, ele nem sequer fala com você.
— Fala sim! — ele insistiu — Nas ocasiões apropriadas.
—Você perde tempo suspirando por ele.
Ela escondeu um sorriso.
— Existem rumores de que logo estaremos casados.
Caius encolheu de ombros com indiferença.
— Então ele terá que abrir mão de Lady Isabella. Já era hora. Nunca poderia tê-la.
— Penso que agora ele não tem mais interesse nela. — Jane disse.
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Como você poderia saber isso, Jane?
— Fofocas. — ela disse abruptamente — O senhor já teve notícias dos homens que me disse que ter enviado numa missão? O meu tio parecia preocupado por não terem retornado imediatamente.
Caius havia dito a Jane que tinha contratado alguns homens para que se encarregassem de um assunto em seu nome, mas não havia dito qual era a missão.
— Não, não tive nenhuma notícia. E já se passou tempo suficiente para que retornassem. É como se eles tivessem se evaporado, assim como Alistair desapareceu.
Jane sabia que Alistair temia Caius. Tinha visto o grande e feio homem ao lado de Caius e ela sabia o empregado seria até capaz de matar se essas fossem as ordens de seu tio. Jane tinha ouvido que Alistair tinha dado uma forte tapa no rosto de Lady Isabella naquela fatídica noite na Abadia. Ela só lamentava que Alistair não tivesse desfigurado o rosto da Princesa. Jane não sentia nenhum remorso pela desgraça que sua mentira tinha causado.
— Quando foi a última vez que viram Alistair? — ela perguntou ao tio, tentando parecer preocupada.
— Estávamos fazendo umas buscas nas colinas ao oeste da Abadia. Ele estava cavalgando ao meu lado, e num minuto, tinha desaparecido.
— O que estavam procurando, tio?
— Isso já não importa mais. Ah, finalmente chegamos! Quando estivermos na presença do Rei William, você ficará calada como um camundongo. O sol já quase tem se pôs. Duvido que tenha minha audiência com ele aconteça ainda hoje.
Caius estava muito equivocado. O Rei queria falar com o Barão no instante em que chegasse. A Caius nem sequer foi permitido lavar as mãos para se livrar da poeira da estrada.
Jane seguiu seu tio ao salão principal, mas se manteve próxima à porta de entrada. Permaneceu tão perto das cortinas que, se quisesse, poderia se esconder atrás delas sem ser notada.
O salão era três vezes maior e mais luxuoso que o salão do castelo de Caius e ostentava duas lareiras, uma em cada lado. O Rei estava sentado atrás de uma longa mesa coberta com uma toalha branca tão comprida que chegava a arrastar no chão.
Sua Alteza vestia um traje escarlate, idêntico à cor do vinho que derramou sobre a toalha branca quando golpeou a taça contra a mesa e se levantou.
O Rei William não era um homem bonito. Apesar da estatura média, tinha uma barriga proeminente, mas para Jane, ele parecia um gigante. Ela acreditava que o Rei era tão poderoso quanto Deus, já que com uma ordem podia destruir um país inteiro. William já tinha demonstrado ao mundo que não temia o Papa. De fato, ele se beneficiava do fato de ter sido excomungado pelo Papa e seguia confiscando as riquezas das igrejas por todos os cantos da Inglaterra. Diziam que o Rei William era capaz de roubar a pureza de um santo.
O estrado sobre o qual se achava William o fazia parecer muito mais alto que Caius, que fez uma reverência e logo se ajoelhou frente a ele. William acabava de dar permissão ao Barão para que se levantasse quando se abriram as portas e o Barão Aro entrou. Vinha seguido de uma mulher que devia ter a mesma idade de Jane. Ricamente vestida num elegante traje e coberta de brilhantes jóias ao redor do pescoço, a mulher ‘ruiva como o cabelo do demônio’, assim Jane pensou, tinha um andar elegante. Não parecia ser parente de Aro, mas bem, Jane não se parecia em nada com seu tio. Talvez a mulher fosse uma prima, ou inclusive, como a própria Jane, uma sobrinha.
Entretanto, a mulher era muito arrogante. Não se escondia nas sombras, mas também se ajoelhou junto a Aro e esperou que William fizesse gestos a ambos para que se levantassem.
William falou primeiro com Aro.
— Vejo que você recuperou a sanidade e resolver atender minha ordem. — o Rei disse, apontando com a cabeça para a mulher que permanecia de pé junto a Aro.
— Lady Renata, vá para seus aposentos e se instale. — Aro bateu palmas e imediatamente apareceram dois criados para mostrar o caminho à dama.
Uma vez que a elegante mulher estava fora de vista, William abandonou suas boas maneiras.
— Você tem idéia dos problemas que me causou? — o Rei rosnou com ferocidade.
— Fiz o que Vossa Majestade gostaria que eu fizesse. — Aro se encolheu levemente enquanto falava.
— Agora me conte o que aconteceu. — ordenou o rei — E sou eu que decidirei se o que fez foi correto ou não.
Rapidamente, Aro relatou o que tinha ocorrido na abadia.
— Ninguém estava mais surpreso que eu quando me inteirei de que Lady Isabella tinha se comportado como uma prostituta. Eu sabia que Vossa Majestade iria querer castigá-la, e pretendia trazê-la ante o meu Rei para que decidisse seu destino.
— Agora é sua vez, Caius. — bradou William.
O Barão explicou o que tinha ocorrido depois que o assassinato de Black foi descoberto, e quando estava terminando de narrar sua versão dos fatos, disse:
— Não acreditei que iria querer perder seu tempo com uma prostituta. Eu sabia o que precisava ser feito.
— E você pode, por favor, me dizer o que precisava ser feito?
— Eu a bani. Em seu nome, tirei tudo o que lhe pertencia. Isabella já não tem Rei, nem país, nem família que possa cuidar dela. Foi expulsa e condenada a viver foragida. Penso que seu castigo é pior que uma rápida execução. O senhor não concorda?
William esfregou o queixo.
— Concordo. — disse finalmente — Embora ache difícil acreditar que a linda filha do Barão Charlie arruinou a si mesma ... Vou montar cerco em Phoenix e matarei seu pai, por não ter cumprido com o dever de proteger a inocência da filha. Uma prostituta ... Isabella agora não tem nenhum valor para mim.
O Rei levou sua taça à boca e tomou um longo gole. O vinho gotejou por sua barba e ele usou o dorso do braço para limpar o queixo.
— Possivelmente agora você também, Caius, tenha superado sua paixonite por Isabella. Aro já superou e sugiro que você faça o mesmo.
Caius virou-se para Aro.
— Por que você está com esse sorriso afetado?
— Vou me casar com Lady Renata dentro de dois meses. Ela me trará um ótimo dote. Ó-TI-MO DO-TE. — sibilou Aro.
Jane cobriu a boca para conter um grito. Não, não isso não podia ser verdade! Aro ia se casar com ela? Mas ele tinha prometido que se casaria se Jane lhe fizesse aquele pequeno favor!
Quando Caius deixou o salão, acompanhado do Rei William, Jane não os pode seguir. A pobre e viu criatura permaneceu imóvel nas sombras e olhou fixamente para Aro, que tinha ficado para trás.
Aro tinha visto Jane escondendo-se junto à janela e decidiu que esse era o momento adequado para esclarecer algumas coisas com ela de uma vez por todas. Precisava assegurar-se de que ela não lhe causaria nenhum problema. E se tivesse que ameaçá-la, ele não hesitaria em fazer. Caminhou para a mesa, subiu e se serviu uma taça de vinho do Rei. Ele nem mesmo se incomodou de olhar em seu rosto quando disse:
— Jane, saia de detrás das cortinas, precisamos conversar.
Ela tinha as pernas enrijecidas como varas quando cruzou o salão.
— Quem é Lady Renata? — Jane perguntou.
— É minha futura esposa. Você ouviu a conversa. Logo estarei casado com ela.
— Mas você não a ama. Você disse que me amava e que se casaria comigo. Disse isso naquela noite, não se lembra?
— Fale mais baixo — Aro disse bruscamente e percebeu que a mulher já estava perdendo o controle — Quer que o Rei William a ouça? Você poderia ser trancafiada na prisão pelo resto de seus miseráveis dias por causa do que fez.
— Eu fiz? — Jane gritou — NÓS fizemos!
Aro lhe deu uma forte tapa no rosto.
— Já mandei que se calasse! E você sabe muito bem o que fez. Destruiu a vida de Lady Isabella com suas mentiras. Você sua acusadora!
Jane cobriu a bochecha com a mão, embora fosse insensível à dor.
— Você me disse o que fazer e prometeu que se casaria comigo se dissesse exatamente o que tínhamos combinado.
— Nunca me casarei com você. — Aro disse com arrogância — Você me dá nojo, Jane. Além de feia como uma bruxa, você é a sobrinha de Caius.
Ela começou a soluçar.
— Mas você prometeu…
Ela segurou na manga da camisa dele, mas Aro a empurrou.
— Fique longe de mim.
— Eu menti por você ... — Jane sussurrou.
— É verdade. — ele admitiu — Mas agora ninguém saberá a verdade, não é assim?
— Por quê? Por que você fez isso comigo? Por que queria destruir Lady Isabella?
— Porque eu sabia que não podia tê-la, e queria me assegurar de que Caius também não a tivesse. Você pode imaginar o que eu planejava fazer depois? Ia encontrá-la a e levá-la para meu castelo. Eu a usaria todas as noites. Imagine só, Jane. Eu a tocaria, acariciaria, adoraria…
Jane tentou esbofeteá-lo, mas ele riu enquanto se esquivava o ataque.
— Que criatura patética você é… e tão simplória. Eu sabia que Caius teria alguma surpresa, e ele não me decepcionou. Chegou com uma nova ata reluzente assinada pelo Rei. Ah! Mas eu estava preparado. Tinha você. Sim, você seria minha surpresinha se todo o resto do meu plano falhasse. E ao meu sinal, você expôs Isabella, tal e como eu tinha lhe ordenado. Se eu não podia ter Isabella por meio do casamento, conseguiria tê-la de outra forma.
— Direi o que você fez a todo mundo! — Jane ameaçou Aro, seu amor Sua miséria se converteu em fúria.
— Não, você não irá querer dizer o que você fez. Irá? Se disser a alguém que destruiu Lady Isabella com suas mentiras, todos a condenarão.
Jane lançou um olhar mortal para Aro. Ele não se intimidou e continuar a falar. Mas mal sabia Aro que a sua presunçosa confissão se converteria em sua cabal condenação.
— Eu disse a você que poderia ser necessário que mentisse para eu poder obter Finney’s Flat e trocá-la por ouro, para que você e eu pudéssemos viver uma vida rica e feliz juntos. Quão estúpida você é! Acaso não pensou que o Rei William reclamaria a terra de volta? Ah, posso ver em seus olhos que na hora, você não tinha pensado nisso. Mas para ser sincero, eu já sabia que você não pensaria. Afinal, se você foi estúpida ao ponto de entregar-se a mim, por pensar que eu a amava, por que não teria acreditado em tudo que te contei?
— Se queria tanto Isabella, por que vai se casar com esta mulher, Renata? — soluçou Jane.
— Renata é rica. — admitiu Aro. — E me será muito útil. E algum dia, retomarei as buscas por Isabella. Não me dou facilmente por vencido. Seu tio deveria saber isso.
— Direi ao Rei William que você me obrigou a mentir.
Ele sorriu afetadamente.
— Ele não acreditará em você.
— Você tem certeza de que não acreditarei, Aro?
O Barão se sobressaltou de tal forma ao ver sua Alteza de pé na soleira da porta, que deixou cair a taça.
— Vo-vossa Majestade interpretou mal a nossa conversa. — gaguejou Aro — Eu posso explicar …
— Silêncio! — gritou o rei.
Ele fez gestos a dois guardas.
— Se assegurem de que o Barão Aro permanecerá calado enquanto eu falo com esta mulher.
Jane estava aterrorizada, mas o ódio que sentia por Aro superou seu desejo de salvar a si mesmo. Ela tinha a cabeça inclinada, mas pela sua visão periférica viu quando o rei subiu os três degraus e se sentou no trono.
— Se ajoelhe frente a mim e me conte a respeito da mentira — lhe ordenou.
Ela jogou-se no chão e o confessou tudo, rogando clemência no final. William estava furioso. Mandou chamar Caius e fez Jane repetir a história. Jane não podia olhar para seu tio, tão grande era sua vergonha e seu temor.
— Levem-na para fora de minha vista. — ordenou o Rei, e os soldados se equilibraram sobre ela.
— Tenha piedade, por favor. O que acontecerá comigo? Para onde irei? — gritou Jane.
William fez gestos aos soldados para que esperassem e olhou Jane friamente.
— Em algum momento se preocupou com o que ocorreria a Lady Isabella? Perguntou-se aonde ela poderia ir?
Jane apontou ao Aro.
— Ele me obrigou mentir.
Chorando e aos berros, Jane foi tirada do salão arrastada. Quando a porta se fechou atrás dela, William estudou os Barões.
Nem Caius nem Aro pronunciaram uma palavra. Aguardaram ouvir a decisão de seu Rei. Caius preocupava-se que o Rei pudesse culpá-lo pela conduta de Jane e Aro estava preocupado de que pudesse confiscar suas terras.
— Certamente ambos são conscientes dos problemas que enfrento ultimamente. Por causa da excomunhão, os nobres se viram liberados do juramento de lealdade que me tinham dado. Há um ambiente de mal-estar e se fala de conspiração. Devo permanecer em guarda dia e noite. Agora um de meus mais poderosos Barões, Charlie de Phoenix, conspirará contra mim por sua culpa, Caius, por ter banido a sua filha em meu nome. Certamente neste momento, Charlie está reunindo forças.
— Mate-o e poderá se esquecer dessa preocupação. — sugeriu Aro.
— Tolo! Idiota! — esbravejou o Rei — Charlie tem muitos amigos influentes que se sentirão tão ultrajados como ele. Todos se unirão a ele para lutar contra mim. E você sugere o quê? Que eu mate a todos? E você e Caius me pagarão por seus impostos?
— O senhor sabe que não podemos. — disse Aro.
— Tenho inimigos que ajudam o Rei Felipe da França. Eles querem minha coroa. Não necessito de mais problemas. Onde está Lady Isabella neste momento? Ainda está viva?
— Acredito que ela está vivendo com um Clã nas colinas do norte. Trata-se de um grupo muito primitivo. — Caius falou.
— E você sabe se algum homem a reclamou para si?
— Não, mas que importância isso teria? O senhor poderia forçá-la a voltar para a Inglaterra. — disse Caius.
William negou com a cabeça.
— Seus idiotas! — o Rei esbravejou de novo — Ao anunciarem a todos que Isabella estava banida, vocês tiraram o poder que eu podia ter sobre ela. Quando proclamou que ela não tinha pátria, também proclamaram que Isabella não responderia mais a mim.
— Mas mesmo assim o senhor poderia forçá-la…
— Silêncio!
William considerou o problema durante vários minutos antes de tomar uma decisão.
— Primeiro tenho que fazer as pazes com o Barão Charlie antes que ele reúna seus aliados contra mim. Vou enviar-lhe uma mensagem dizendo que descobri a verdade a respeito da inocência de sua filha. Darei a Isabella Finney’s Flat. Se ela não estiver casada, encontrarei um marido apropriado para ela.
— E se já estiver casada? — perguntou Caius.
— Então Finney’s Flat será meu presente de casamento para ela.
— O Laird Newton a tomará por esposa agora que ficou provado sua inocência. — disse Caius.
O Rei ficou de pé.
— Suponho que não tomou parte nesta trama de mentiras traiçoeiras, Caius. Você continuará sendo meu humilde servo. Quanto a você, Aro, acredito que deveria ter um tempo para pensar em seus crimes. — o Rei fez gestos a seus guardas — Levem-no.
Enquanto Aro era escoltado para fora do salão, Caius ficou em seu caminho. Aro olhou para seu inimigo com ódio.
— Isto não está terminado, Caius. — sibilou ele.
Caius sorriu afetado.
— Terminou! Sim, terminou. — Caius se aproximou do inimigo e aos sussurros, acrescentou: — E eu venci.
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Notas Finais do Capítulo
É isso. Espero que tenham gostado do capítulo e não se esqueçam de deixar comentários. Bjs e até a próxima =]