18. Talvez
POV BELLA
Sim, eu teria um dia muito longo pela frente...
Como presente de formatura, resolvi me dar um dia num salão de beleza e eu estava, tipo, super nervosa... Borboletas faziam cambalhotas no meu estômago, afinal, eu não era muito de freqüentar salões de beleza nem nada desse tipo. Na adolescência nunca sobrou muita grana pra isso e quando eu pegava nuns trocados, evitava ir no salão do meu bairro... as pessoas olhavam feio para mim, se achavam... sim, se achavam superiores a mim.
Ri comigo mesma, tentando espantar o nervosismo e as tristes recordações, mas eu mordia o lábio inferior a cada cinco segundos! Enfim cheguei ao prédio bonito num subúrbio chique de Orono, estacionei o carro e sai pisando fundo pelo estacionamento.
O sol daquela manhã de primavera era gostoso, no jardim do prédio eu via gérberas de todas as cores, além de uma grande variedade de outras flores, também havia um delicioso perfume de jasmim que me fazia lembrar dela... mamãe...
Rennè faleceu seis meses depois do meu casamento. Sua saúde se agravou rapidamente, mas graças ao dinheiro que eu tinha, minha mãe foi muito bem cuidada e os médicos me fizeram crer que ela não sentia muita dor porque os remédios caros agiam em seu sistema. O que mais me consola é que estive presente quando ela morreu, sim, meu rosto foi a última coisa que aqueles lindos olhos azuis viram antes de se fecharem para sempre.
Mamãe sorria, um sorriso tímido e tranqüilo... eu tentava sorrir em meio às lágrimas e segurava em sua mão, Edward e Emmett também estavam no quarto, mas cochilavam nesse momento. Foi melhor assim... a hora de mamãe foi muito tranqüila e especial para nós duas, uma coisa de mãe e filha mesmo. Dias antes, quando Rennè ainda falava, ela me pediu perdão. Tivemos uma conversa sussurrada quando ela me disse que tudo o que fez, o fato de ter me dado ao papai para que ele me criasse, foi porque me amava muito.
- Bella... – ela falou com dificuldade – deixar você foi meu inferno pessoal aqui nesta terra. Mas acredite, eu fui fraca demais para deixar as drogas e forte demais para abrir mão de você. – ela fez uma longa pausa – Quando você for mãe vai entender... Tem coisas que só o amor de mãe justifica...
Aquelas palavras martelaram na minha cabeça por vários dias. Confesso que eu não conseguia entender a amplitude das palavras... não conseguia entender um amor que abandona, um amor que não cuida... Resignada, eu pensava que talvez, quando fosse mãe, pudesse entender tudo.
- Bom dia. – falei para a recepcionista do salão de beleza e lhe entreguei um recibo.
- AH, bom dia Sra. Cullen!
A moça simpática sorriu para mim e eu alarguei meu sorriso porque cada vez que alguém me chamava de Sra. Cullen, eu sentia uns quase-orgasmos deliciosos! Mas devo confessar que quando fiz as reserva no salão de beleza fiz questão de me apresentar como Isabella Cullen. Embora soubesse que oficialmente eu nunca poderia adotar o sobrenome dos meus maridos, eu gostava a idéia de ser a Sra. Cullen.
- Queira me acompanhar Sra. Cullen.
Ela continuou enquanto eu a seguia e ouvia o roteiro de minha programação: massagem relaxante nos pés, mãos e corpo, manicure, esfoliação e hidratação no corpo, máscara hidratante no rosto, nos cabelos eu teria hidratação, escova, baby liss e um penteado chique, além de uma maquiagem decente no rosto.
O dia da formatura seria um dia muito especial para nós... Tanto eu, Edward e Emmett estávamos nervosos, não tínhamos muitos parentes (na verdade, eu não tinha mais nenhum) mas todos eles, além dos nossos amigos, prometeram comparecer à festa de formatura.
Enquanto mãos habilidosas massageavam cada pontinho tenso de meu corpo, a mente voltava ao passado novamente.
Depois que mamãe morreu, eu passei uma semana em casa antes de voltar a trabalhar na creche e estava arrasada, por dentro e por fora. Perdi peso, olheiras fundas marcavam meu rosto, meus cabelos tinham nós irritantes, eu estava sem motivação para muita coisa. Meus aluninhos queridos percebiam meu estado de torpor e passaram vários dias tentando ser bem comportadinhos. Agradeci aos céus por ter dado àquelas lindas crianças uma sensibilidade tão pura!
- Isabella, posso falar com você? - a Sra. Stell se dirigiu a mim numa sexta-feira quando meu expediente já havia acabado e eu juntava meu material para poder ir embora.
- Sim, pois não. – me espantei com o tom mórbido de minha voz.
Ela se sentou ao meu lado, envolveu minhas mãos nas suas, suspirou e foi direto ao assunto.
- Querida, eu conheço você. – de início não entendi nada – Eu te vi nascer, - ela estendeu a mão e afagou meu rosto com ternura – eu conheci Rennè...
Quando ela falou o nome da mãe, foi como se todo o sangue de meu corpo escorresse para meus pés, devo ter ficado gélida.
- Co-conheceu? – gaguejei debilmente.
- Sim. – ela arrulhou e sorriu – Rennè era um amor de pessoa.
A Sra. Stell fechou os olhos e começou a contar uma história como se estivesse voltando ao passado.
“Conheci Rennè num mês de fevereiro gelado, nevava muito quando eu me apresentei à Clínica de Reabilitação para Dependentes Químicos. Eu ainda era a Srta. Taylor, assistente social recém formada, doida para arranjar um emprego.
E lá estava ela, a linda jovem, loira e com cabelos levemente cacheados, olhos azuis meigos e alegres, sorriso cativante.
- Olá, eu sou a Rennè Swan – ela estendeu a mão para mim e sorriu – paciente em recuperação, feliz e saudável, - ela afagou o ventre – estou grávida e pelo meu bebezinho eu resolvi me internar espontaneamente.
Rennè era um exemplo de paciente em recuperação, participava de todas as sessões de terapia, seguia a dieta recomendada e não criava problemas. Como gestante ela era ainda mais cuidadosa, fazia o pré natal certinho e nos cativava com a perspectiva da chegada de um bebê. Todos os pacientes amavam a jovem grávida e o bebê que ela carregava em seu ventre.
E quando ela soube que carregava uma menina!? Oh, que alegria esse dia foi...
- Isabella, - ela disse – minha filha se chamará Isabella... Bella... bela como a vida é...
Quando o ex-marido soube do paradeiro de Rennè foi à clínica para buscá-la, nós não queríamos que ela deixasse o tratamento. Médicos, enfermeiros, terapeutas e assistentes sociais... todos nós fomos contra a interrupção do tratamento. Mas Rennè e Charlie queriam que a pequena Isabella nascesse num lar... um lar de verdade...
Rennè sempre me mandava cartas ou telefonava, no começo ela parecia feliz, mas depois começou a se queixar da vida. Numa das cartas ela dizia que Charlie costumava beber todos os dias e chegava em casa muito tarde. Às vezes ela me telefonava feliz, como no dia em que Charlie pintou o quartinho da bebê com tinta de cor de rosa e comprou cortinas brancas de renda e uma confortável cadeira de balanço.
No dia do parto ela queria que eu estivesse presente e eu vi nascer aquele lindo bebé, forte, saudável, boquinha rosada, bochechinhas coradas... Isabella... A única menina nascida naquele dia... a rosa do berçário!
Do que vi no primeiro ano de vida da bebê foi uma mãe muito zelosa e dedicada, uma mãe feliz, muito ligada à filha. Mas o pai não era presente e aos poucos Rennè perdeu aquela paixão que sentia por Charlie, o casamento já não funcionava.
Quando você fez três anos de idade, Charlie deu uma surra na Rennè porque ela te deixou numa creche para poder arranjar emprego. Sua mãe fugiu de casa naquela noite e conseguiu, infelizmente, voltar para as drogas.
De todas as más influências na vida de Rennè, havia um peruano chamado Pablo, ele era um dos traficantes mais poderosos da região. Pablo não apenas deu abrigo à Rennè, como lhe deu emprego numa boate como garçonete, a fez voltar para o vício e lhe disse que ela poderia buscar a filha para viver com ela.
Rennè me telefonou, chorou, chorou muito... ela me prometeu inutilmente que não iria se drogar, mas eu... eu sabia que ela não poderia lutar contra o vício vivendo daquele jeito. Mas ela me disse uma coisa importante.
- Não vou buscar a Isabella... Prefiro saber que ela cresce feliz e saudável com um pai razoavelmente bêbado do que ser criada por... por mim...
Depois daquele dia, eu perdi o contato com Rennè por anos e anos e quando a revi ela estava muito mudada. O vício devastou sua vida, mas eu sempre soube que a boa Rennè, a Rennè que amou e cuidou da bebê... a Rennè que desejou Isabella como um sonho lindo, puro e divino ainda estava ali em algum lugar.”
- Isabella, – a Sra. Stell abriu os olhos e me encarou – você foi muito amada... e se Rennè não foi tudo aquilo que você gostaria que ela fosse, eu posso te assegurar que ela foi muito mais do que ela mesma poderia imaginar... Você entende isso, querida?
Eu não tinha condições de falar, lágrimas banhavam meu rosto e um imenso bolo de choro, dor e tristeza se avolumava na minha garganta. Eu apenas assenti com a cabeça.
- Rennè lutou por você, Isabella. – seus olhos não deixavam os meus – E se alguém um dia já te disse que ela te abandonou, não veja as coisas dessa forma... ela abriu mão de você porque te amava muito. – assenti – E Charlie, bem, o que posso dizer dele? Depois eu fiquei sabendo que ele estava cuidando de você, que você freqüentava escola e que sua avó funcionava como... como uma mãe pra você...
Eu permanecia muda, suspeito que naquele momento pensamento algum se prendia em mim.
- Desculpe, querida, - a Sra. Stell continuou – a verdade não é bonita, mas acredito que todos nós a mereçamos.
Quando finalmente consegui falar, eu me senti LIVRE... Livre da dor, do abandono e da tristeza de não ter tido mãe em muitos momentos importantes da minha vida.
As palavras que meus lábios articularam saíram em forma de um trecho da Bíblia e eu que nunca fui muito religiosa, me espantei por constatar que sabia aquela passagem bíblica decorada.
- E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará... – tentei sorrir enquanto enxugava as lágrimas – Obrigada, Sra. Stell, a senhora me ajudou a compreender uma parte da minha vida que vivia sob a cortina da culpa... Eu sempre me culpei...
- Oh, minha querida. – ela me abraçou carinhosamente.
Desde aquele dia a minha dor nunca mais foi a mesma. A dor ressentida e sufocante que a morte de Rennè me trouxe deu lugar à dor tranqüila da saudade. Dor é sempre dor, mas quando nosso coração dói pelo motivo verdadeiro, o sofrimento se torna mais consciente. Fui uma pessoa mais feliz depois da conversa com a Sra. Stell.
E lá estava eu, outra vez no presente, me olhando no imenso espelho do salão de beleza. Sorri encantada. A beldade que eu via ali tinha a pele cremosa e aveludada, sim, a maquiagem estava impecável... Sombras cor de rosa e prata, olhos esfumaçados, blush delicado, batom cor de rosa. Nas unhas havia um esmalte cor de ostra, eu escolhi fazer francesinhas bem discretas. Meus cabelos estavam lindos, macios e brilhosos presos num coque meio-solto, delicadas madeixas cacheadas caiam até meus ombros. Eu me sentia bonita!
Passava das cinco da tarde quando cheguei em casa, o caminho de volta foi feito com cuidado porque de forma alguma e queria estragar a maquiagem, as unhas e o penteado. Para a minha agradável surpresa Edward e Emmett tinha saído (sim, eu não queria que eles me vissem antes de eu estar pronta) para cortar o cabelo e ainda não tinham voltado. Mas nem bem terminei de formular o pensamento, eles chegaram. Corri em direção à porta e a tranquei.
- Bella? – Edward batia na porta do nosso quarto de vestir – Posso entrar?
- Não, amor! – sorri sapeca – Coloquei as roupas de vocês na sala de estudos, não quero que vocês me vejam antes de eu terminar de me arrumar!
Troquei de roupa, vestindo o delicado e caro vestido lilás que meus maridos me presentearam, usei brincos discretos, calcei sandálias prateadas de saltos finíssimos... peguei a bolsa certa para combinar.
Quando abri a porta do quarto e fui até a sala, me espantei! Dois anjos lindos, gloriosos, vestidos com smokings elegantes sorriam e estendiam as mãos para mim.
- Linda. – os dois sussurraram ao mesmo tempo.
Os olhares de ternura e os doces sorrisos de meus Cullen simplesmente me levavam ao paraíso. Os dois se inclinaram e beijaram delicadamente as minhas bochechas e inspiraram contra a minha pele, quase me fazendo perder o equilíbrio naqueles saltos finíssimos.
- Vocês também estão lindos. – falei por fim.
De braço dado com meus homens fui conduzida até a portaria do prédio onde, para minha surpresa, uma luxuosa limusine branca nos esperava.
- EDWARD! EMMETT! – falei abobada – O que... o que...
- Alugamos! – Ed falou.
- Porque hoje é nossa noite especial. – Emm estava radiante – Queremos que tudo seja perfeito.
- Tudo já é perfeito! – falei seriamente, fitando cada um deles – Vocês fazem as coisas serem perfeitas... Amo vocês...
- Também te amo. – Ed beijou minha testa.
- Te amo pra sempre. – Emm levou uma de minhas mãos aos lábios.
Já na limusine, enquanto o motorista nos guiava até o salão de festas onde aconteceria o baile, percebi que Emm tirava de um balde com gelo uma garrafa de champanhe. Ed pegava de uma cestinha de vime três taças lindas e por fim as erguíamos ao alto, num brinde.
- À nossa formatura. – Emm estava eufórico.
- Ao futuro! – Ed bradou e sorriu.
- Ao nosso amor. – sussurrei emocionada, feliz, simplesmente feliz.
POV EDWARD
A festa de formatura foi muito bonita, eu me sentia realizado e ao mesmo tempo emocionado... Papai sonhou muito com este dia!
O nosso pequeno grupo de parentes e amigos veio para nos prestigiar: tia Olivia, tio Ernest, Jasper e uma morena boazuda, ou seja, sua peguete da semana. Além dos amigos de Bella: Rebecca, Billy e o pequeno Seth, Sam e sua noiva Emily. Ocupamos duas mesas do imenso salão de baile e curtimos a noite com muita animação.
- Oh que alegria, que alegria... – tia Olivia bradava – Ver meus sobrinhos e sobrinha formados!
- Hoje seria um dia muito especial na vida de Carlisle. – tio Ernest falou saudoso.
- Sim, seria. – Emm ficou pensativo.
- Então vamos comemorar por eles! – Sam tentou nos animar – Vamos beber, dançar e festejar aos pais por derem dado a oportunidade de os filhos cursarem universidade!
E assim o assunto foi facilmente superado, ao menos em sua superfície.
- Edward? – Bella sussurrou enquanto dançávamos – Você parece distante.
- Oh, princesa, desculpe. – beijei levemente os seus lábios enquanto a girava – Estou tão feliz que gostaria de dividir isso com... papai... Tanya, minha ‘segunda’ mãe e por que não com Esme, minha mãe.
- Sim, eu sei. – ela sorriu levemente e uma de suas mãos afagou meu rosto, esquentando meu corpo e coração – Eu também sinto o mesmo... Acho que papai, vovô Marie e Rennè estariam orgulhosos também.
Os orbes chocolates de minha esposa facilmente me fizeram deixar a dor de lado, me prendi neles onde encontrei consolo e amor, me deixei envolver nos braços de Bella e curti nossa noite.
Emmett também teve seus momentos na pista de dança com a nossa Bella e pelo sorriso deles, percebi que estavam tão felizes quanto eu. O jantar estava delicioso, o clima de ‘sou formando’ contagiava nossos colegas, Alec, meu brother fez questão de vir cumprimentar nossos amigos e parentes, assim com Angela e Ben (amigos de Bella), Derek e Albert, os colegas mais chegados de Emm.
Lá pelas tantas, bem depois do jantar, Seth já dormia o ‘sono dos justos’ no colo do pai... mesmo assim a gente ainda tava no maior pique! Atolamos o pé na jaca... estávamos enchendo a cara e dançado feito uns doidos (até a tia Olivia tomou uns gorós e resolveu sacudir o esqueleto) até que os Hale se aproximaram do nosso grupinho.
- Ih, fudeu... – Emm sussurrou.
- Não diga essa palavra feia, menino. – tia Olivia deu um beliscão nele, nos fazendo rir.
- Boa noite... boa noite...
Tim Hale ciciou como uma cobra, instintivamente tensionei meus músculos e coloquei umas das mãos sobre os ombros de Bella, trazendo-a para o abrigo de meu corpo. Pela minha visão periférica, percebi quando Emmett enlaçou sua mão à de Bella, colocando-as sobre a mesa, à vista de todos... dizendo aos Hale que ela era nossa. Não me passou despercebido que tia Lilian e Rose estavam diferentes... estavam sem brincos, sem maquiagem, sem todos os enfeites que as mulheres usam para se sentirem mais bonitas, embora seus vestidos fossem bacanas, elas estavam menos bonitas que o normal. Também percebi a figura muito alta, loira e super estranha do marido da Rosalie.
Sim, nossa prima havia se casado há seis meses com um cara esquisito, de uma religião estranha, tipo aqueles evangélicos ‘aleluiados’ super fanáticos de cidadezinhas perdidas nos desertos de Utah. Sem querer parecer preconceituoso (e já sendo), o cara era realmente isso. Seu nome era Adam Macabeus! Lembro como se fosse hoje quando Emm se embolou no chão de tanto rir quando ficamos sabendo que Rose, toda cheia de pompa-e-circunstância seria a Sra. Macabeus! Nós não fomos convidados para o casamento porque a religião deles não permitia que ‘impuros’ (quem não fosse da mesma fé) entrasse no templo. Mas mesmo que fôssemos ‘puros’, a gente não ia se descambar para o fim de mundo por causa do casamento de uma garota que não nos quer bem. Não mesmo!
- Queridos parentes, - tia Lilian grasnou e me trouxe ao presente – creio que vocês ainda não conheciam meu novo filho pessoalmente... – ela olhou para Rose e depois para o genro – Eu lhes apresento Adam Macabeus, meu genro. Não sei se vocês sabem, mas minha amada filha e meu querido genro irão morar em Paradise conosco.
- Muito prazer, jovem e seja bem vindo à nossa ilha! – tia Olivia falou com a voz um pouco alegre demais devido às caipirinhas de tangerina que tomou.
Educadamente tio Ernest se levantou e estendeu a mão para o cara, mas este não devolveu o cumprimento e permanecia calado, sisudo, olhando cada um de nós como se fôssemos a escória da terra. A essa altura do campeonato, Jasper já cheio de todos os gorós, levantou uma latinha de cerveja, embolou a língua como um russo e mandou ver.
- Feliz natal!...
Porra, a gente tava em junho! Mas pelo tom de voz forçada dele, percebi que meu primo tava trollando os Hale. Segurei o riso a muito custo.
- Feliz formatura priminha Rose, feliz casamento... Seja bem vindo à família primo... primo... primo... Maca... Macabeus!
A cada palavra proferida por Jazz, o Macabeus ficava mais e mais vermelho, como um pimentão... Seus olhos pareciam injetados em ódio, sim, ele nos odiou.
- BASTA! – Rose falou.
- Rosalie, - seu marido falou num tom baixo e com a voz dura – você não deve elevar sua voz, querida.
O silêncio que se seguiu foi segurando a muito custo porque só de olhar pra cara do meu irmão e vê-lo segurando o riso, eu queria me mijar de tanto rir.
- Caros parentes, - o Macabeus falou – nós já estamos de saída, esta festa já começou a ficar indecente para pessoas de bem como nós. – seu olhar de pedra deve ter causado algum desconforto em Bella, percebi como ela se encolhia sob meu braço – Só viemos até a mesa de vocês para expressar os nossos sinceros protestos de estima e de congratulações pela formatura.
Meu pai do céu! De onde foi que ele tirou esse vocabulário estranho? Ele fez uma pausa e olhou diretamente para mim, Bella e Emmett antes de continuar.
- Ah, também queremos lhes entregar esta proposta de compra, - ele me deu um envelope – temos planos divinos para as suas terras, Cullen. Leia, por favor.
Peguei o envelope com desdém e olhei para Emm, meu irmão balançou a cabeça minimamente, sim, ele já sabia o que eu ia fazer. Rasguei o envelope em dezenas de pedacinhos e os coloquei dentro do arranjo de flores em nossa mesa. Depois olhei para o Macabeus, encarando-o com o toda a potência do meu olhar de desprezo.
- As terras dos Cullen não estão à venda. – falei de uma vez – Também temos planos para elas...
- Planos de pecado. – o desgraçado olhou para minha Bella – Se vocês acham que vão praticar a sodomia nas terras que Deus escolheu para ser o Novo Paraíso, estão enganados... Porque no paraíso...
- No paraíso... – Jasper voltou a falar com a vos de russo bêbado – no paraíso... todo dia eu vou pegar uma virgem...
Então essa foi a gota d’água para Emmett!
Meu irmão explodiu numa ruidosa gargalhada, arrastando todos ao riso mais espontâneo e fazendo os Hale e os Macabeus saírem de perto de nós.
Todos gargalharam, eu apenas sorri, embora tivesse achado muita graça nas palhaçadas do Jazz. Posso até ser preocupado demais, mas eu realmente fiquei desconfiado daquele olhar insano do Macabeus sobre nós... principalmente sobre minha esposa. Desde aquele dia comecei a ficar precavido com o Macabeus, alguma coisa nele me dizia que ele era muito, muito mais do que apenas um homem religioso.
E então terminamos a noite nos comportando como ‘arroz de festa’... só saímos de lá quando o dia já estava clareando. A festa foi muito agradável (tirando a parte dos Hale-Macabeus) e quando chegamos em casa, mal tomamos um banho refrescante e nos jogamos na cama. Bella enroscada em mim e em Emm... nós três apagamos em cinco segundos!
Depois que nossos parentes retornaram à ilha, os dias foram muito movimentados porque estávamos providenciando nossa mudança para Portland, a cidade mais desenvolvida do estado do Maine. Após a graduação engatamos na pós-graduação porque tínhamos pressa... pressa em terminar os estudos e voltar para Paradise.
Lembro do dia quando concluímos esse plano, seis meses antes da formatura, numa noite gostosa de dezembro. Nevava muito lá fora, dentro casa, Bella estava enroscadinha em mim e em Emmett, tínhamos acabado de fazer amor e conversávamos amenidades.
- Eu acho que a gente deveria providenciar logo a pós-graduação. – Bella sussurrava enquanto acariciava o rosto de meu irmão e uma de minhas mãos passeava por seu quadril – Tipo... se a gente não se mexer logo, vamos perder os prazos de inscrições e...
- Por que tanta pressa, princesa? – perguntei despreocupado.
- Não é pressa, amor... – ela se virou e sorriu com doçura – eu apenas quero que nos mudemos logo para Paradise!
- Ah, concordo com você, bebê! Morro de saudades de minha terra. – Emm falou.
- Sim, Paradise é um lugar lindo. – concordei.
- Mas não é só porque Paradise é um lugar lindo, - Bella retrucou – é porque já estamos casados há três anos, - ela olhava de mim para Emm enquanto falava – e eu tenho a necessidade urgente de começar a viver num cantinho que seja nosso. Não sei se vocês vão entender a minha perspectiva, mas morando aqui ou ali, estudando e estudando, dividindo nosso tempo entre salas de aulas e trabalho... eu vivo feliz com você, mas sinto cada vez mais o desejo de viver em nossa casa em Paradise. Desejo pertencer mais ao lugar de vocês... desejo... – ela corou e baixou o olhar, sussurrando logo em seguida - ...desejo aumentar nossa família!
- Aumentar nossa família!? – eu e Emm falamos e coro.
- Filhos? – a voz de meu irmão se elevou e ele sorriu, mostrando as covinhas de seu rosto.
- Nossos filhos... – eu apenas falei abobado, meu coração já se derretia com a idéia.
- Vocês... vocês... – ela gaguejou um pouquinho – ...querem?
- BELLA! – Emm falou em sincronia comigo novamente e começamos a encher o corpo de nossa mulher de beijinhos.
- Filhos, muitos filhos! – Emm falava com alegria.
- Menininhas lindas para mimar... – sonhei em voz alta
Bella apenas sorria, enquanto seu delicioso corpo se remexia ao redor de nós. Fizemos amor novamente... ensaiando para fazer um lindo bebê Cullen.
Desde aquele dia começamos a pesquisar sobre os cursos de pós-graduação. Eu queria fazer um MBA em Administração Hoteleira, Bella ansiava por Psicopedagogia e Emm queria um curso estranho de Aquicultura, já que o sonho de meu irmão era espalhar fazendas marinhas pela costa da ilha. Meu sonho era o de construir um hotelzinho charmoso e lindo na nossa ilha e o sonho de Bella... bem, minha princesa tinha o sonho lindo de ser professora de crianças. Aos olhos de outra pessoa, Bella talvez parecesse simplória demais, mas não era isso! Minha princesa era pura, seus sonhos eram simples como a vida deve ser e delicados como o amor.
Em conjunto, decidimos ir para Portland e cursar pós graduação na University of Southern Maine. Duas semanas depois da formatura nos despedimos de nossos amigos de Orono, formalizamos a demissão em nossos empregos, empacotamos nossos móveis e pegamos a estrada. Era meados de junho quando chegamos à linda cidade costeira, a rua onde iríamos morar era muito tranqüila e estrategicamente próxima ao campus da universidade. O apê novo era muito arejado e espaçoso, passamos três dias arrumando os móveis da melhor maneira possível quando Bella nos presenteou com uma surpresa num envelope branco. Juro que na hora pensei se tratar de um exame positivo de gravidez, meu coração perdeu uma somente com essa idéia.
- Isso aqui é um presente para os meus amores...
Eu e Emm pegamos o envelope ao mesmo tempo e sorrimos quando vimos o conteúdo.
- New York, Bella? – indaguei surpreso.
- SIM! – ela sorria.
- Puxa vida, férias em New York? – Emm parecia criança em manhã de natal.
- Não só férias... – Bella sentou no colo dele e colocou as pernas sobre mim - ...são férias, lua de mel, presente de formatura...
- Eu nunca estive em New York! – de novo, eu e meu irmão falamos em coro.
- Eu também não! – ela gargalhou – Na verdade, eu nunca nem viajei de avião!
Gargalhamos junto com nossa princesa.
Passamos duas semanas de férias-lua-de-mel... New York foi maravilhosa para nós.
POV EMMETT
Passamos dois anos morando em Portland, a maior cidade do Maine, onde vivia 1/3 da população de todo o estado. Era uma cidade grande para mim, podem me chamar de caipira-pescador, eu não ligo, mas confesso que Portland a princípio me deixou meio perdido.
E o que dizer de New York, então!?
Bella nos deu de presente uma viagem de duas semanas para a Big Apple, achei bacana a cidade, gostei de verdade, mas não me imagino morando num lugar tão alvoroçado! O povo lá é meio desesperado, parece mesmo que nunca dorme! O que faria um pescador de lagosta e camarão em NY? Fiz essa pergunta várias vezes a mim mesmo e dou graças a Deus porque sou de Paradise.
Mas Portland não foi ruim para nós!
Morar numa cidade que começou no século 17 como uma colônia de pescadores foi algo que me chamou a atenção logo de cara. A tradição pesqueira do estado era forte e isso só me dava mais prazer em fazer pós-graduação em Aquicultura! Arranjei um trampo, na verdade, um estágio não remunerado na Netunus Seafood, a maior empresa de pescados do país e embora não ganhasse um puto para trabalhar, eu estava aprendendo na prática, tudo o que via em sala de aula.
Minha Bella também estava trabalhando numa pré-escola particular e vivia encantada com os pestinhas que ela chamava de alunos e com o seu curso de Psicopedagogia. E Edward tava trabalhando na rede de hotéis Hilton, conciliando a isso o seu curso de MBA em Administração Hoteleira. Ou seja, ainda éramos um bando de estudantes e proletários!
Alugamos um apartamento que ficava no nono andar de um prédio moderno com vista para a Casco Bay. Era realmente um bom imóvel, onde coube nossos móveis e não nos deu muito trabalho para arrumar. Mas o grande diferencial no prédio era o fato de que cada apartamento possuía três vagas de garagem! Se em Orono cada um precisava ter seu próprio carro, imaginem numa cidade cinco vezes maior!?
Nossa nova rotina nos empurrava para lados distintos de Portland. Agora a gente vivia ocupado demais, estudando demais e o jeito foi contratar uma diarista para dar uma mãozinha na arrumação da casa. A Sra. Benett vinha três vezes por semana, tadinha dela, no começo foi difícil pra ela aceitar nosso relacionamento! Alguns vizinhos também estranharam um pouco mais não criaram muito caso, na verdade, meu amor por Lucille chamou mais atenção do que meu casamento com Bella e o dela com Edward. Um vizinho veio me perguntar de eu não tinha condições de comprar um carro melhor!
Sorri com a lembrança e olhei para o relógio... a tarde enfadonha de sábado já estava chegando ao fim e eu estava meio cansado depois de um dia inteiro de aulas. Respirei aliviado quando estacionei a Lucille na garagem, eu só queria duas coisas: banho e jantar, não necessariamente nessa ordem. Entre uma aula e outra, devo confessar, passei cada minutinho pensando em minha esposa! Que vou fazer? Sou doido por ela. O elevador subia lentamente enquanto meu coração já batia descompassado... olhar nos olhos da minha mulher, mesmo que pela trocentésima vez na vida, ainda me deixaria apaixonado!
Quando cheguei ao nosso andar entranhei ouvir o som de vozes e constatar que a porta do apartamento estava entreaberta. Apressei os passos e quando ia entrar, reconheci a voz de Tim Hale e minhas narinas inflaram na mesma hora.
- Apartamento bonito... você se deu bem, Swan... – ele envenenou a sala.
Fiquei intrigado com o teor da conversa e confesso que quis ouvir a reação da Bella.
- Pra você ver como são as coisas! – sim, minha esposa estava no modo sarcástica.
Isso mesmo, bebê! Bote pra fuder! Pensei comigo mesmo.
- Então o Edward e o Emmett não estão? – ele tinha a voz rude.
- Edward só vai largar mais tarde e Emmett daqui a pouco está chegando. Então, você ainda não me disse o que quer aqui? – Bella não estava interessada no papo.
- Você fala como se isso aqui fosse um lar. – ele falou – Mas na verdade, isso é um antro de pecado e você é apenas uma prostituta sem vergonha...
- COMO É QUE É? – bradei ainda da soleira da porta, fazendo tanto Bella como o Hale saltar de susto.
- QUEM VOCÊ CHAMA DE PROSTITUTA?
Sim, eu fiquei fora de mim! Sacudi o velho pela gola do casaco, encostei-o na parede e usando de uma força que eu nem sabia que tinha, suspendi aquele puto safado no ar.
- Ca-calma, sobrinho! – ele gaguejou.
- Calma uma porra! – dei-lhe um soco no queixo que fez com que um dente caísse no chão e o sangue daquele porco esguichou em meu rosto.
Bater uma vez foi pouco, bati de novo.
- EMMETT! EMMETT! PARE! – Bella gritou – Pare! Você vai matá-lo!
Minha esposa chorava e tentava inutilmente me segurar, embora sua força física fosse mínima, o poder de suas palavras era imenso.
- Oh, Emm... pare... por mim...
Quando Bella falou com a voz embargada pelo choro voltei a mim e respirei fundo, vi meu reflexo nos olhos do Hale... eu parecia um monstro! Larguei aquele monte de bosta e ele foi escorregando, encostado na parede como um maricas e saiu de nossa sala ‘andando’ de quatro. Juro que tive vontade de dar um chute naquela bunda seca e mandá-lo voando para Paradise, mas minha Bella não iria aprovar.
Assim que o safado passou pela soleira da porta, bati-a com muita força, fazendo Bella soltar um gritinho de susto e quando me virei aturdido, ela se jogou em mim com tudo.
- Oh, Emm, desculpe, me desculpe...
Bella me abraçou com urgência, correspondi ao abraço e meu cérebro passou cinco segundos a mais para processar as palavras dela. Afastei nossos corpos minimamente para poder olhar em seus olhos.
- Por que você pede desculpas, bebê?
- Porque eu fui boba e ingênua e deixei aquele idiota entrar aqui. – sua voz parecia amargurada – Eu não queria que vocês brigassem...
- Shii... – ronronei – não foi culpa sua, bebê, mas me diga, por que raios você deixou aquele puto entrar aqui?
- Ele trouxe aquela cesta ali. – ela apontou para a mesa da sala de jantar – E disse que era um presente da Hale-Macabeus, a pequena empresa de produção de blueberry que eles criaram na ilha, ele disse que estão produzindo não apenas as frutas, mas estão vendendo o doce em compota também. – ela fez uma pausa e baixou o olhar – Mas assim que ele entrou, seu tom de voz mudou e ele começou a dizer que as terras dos Cullen tinham que pertencer aos Hale. Ele... ele começou a me destratar e dizer que eu tinha de convencer vocês dois a venderem as terras.
- Desgraçado. – rosnei.
- Eu só queria que as duas famílias passassem a se entender melhor, - ela se lamentava - pensei, talvez, que um pequeno gesto fosse capaz de destruir essa rivalidade e...
Mas que droga, Emmett, por que você não chegou em casa meia hora mais cedo? Arrastei Bella para o sofá e a fiz sentar em meu colo.
- Bebê, deixa eu te contar uma coisa. – toquei em seu rostinho delicado, fazendo-a olhar para mim – Os Hale são e sempre foram alma-sebosa, nenhum deles é capaz de um gesto de bondade sem esperar algo em troca. Eles nunca gostaram dos Cullen, sempre desdenharam de nossa família de pescadores e sempre estiveram metidos em negócios escusos na vã tentativa de mudar de vida. Quando formos morar em Paradise, você vai perceber... ninguém gosta dos Hale porque eles são mau caráter mesmo, entende? Nunca confie num Hale, Bella... nunca.
Ela me abraçou com força, beijou meu pescoço e sussurrou:
- Não vejo hora de viver em Paradise... sinto uma necessidade muito grande de pertencer a algum lugar...
Desfiz nosso abraço e sorri, fazendo-a sorrir também.
- Amo o fato de você amar Paradise. – sussurrei.
- Como eu não podia amar!? – ela deu um meio sorriso e arqueou uma das sobrancelhas – Como eu não podia amar algo que você e Edward amam? – ela envolveu meu rosto em suas mãos – Eu amo tanto vocês dois que não consigo não amar o que lhes faz bem...
Meus olhos se perderam no chocolate dos olhos dela... Levitei de tanto amor nessa hora e quando seus lábios macios, róseos e carnudos entraram no meu campo de visão, passei a levitar de luxúria e tesão.
Beijei minha bebê com amor, carinho e desejo, minha língua invadiu sua boca com a fúria dos apaixonados, procurando sua língua. Bella correspondia ao beijo com ânsia e quando percebi, ela passou uma de suas pernas sobre mim, me envolvendo. Instintivamente nossos sexos começaram a se buscar, mesmo tento tantas roupas entre nós, Bella rebolava sobre mim e eu puxava seu quadril para baixo, querendo que ela sentisse minha ereção.
Quando o ar nos faltou, colamos nossas testas e sorrimos... Mas então minha bebê, franziu a testa e tocou no meu maxilar.
- Aqui está sujo de sangue, você se feriu!?
- Não bebê, foi o sangue daquele mané.
- Sua camisa também está suja. – ela fez biquinho e resmungou enquanto me despia – Venha, Sr. Cullen, vamos tomar um banho?
Apenas assenti enquanto minha linda esposa nos guiava até o chuveiro, a água fria estava deliciosa, mas as mãos de Bella, acariciando e lavando meu corpo estavam melhores ainda. Minha ereção apontava pro alto, em alerta, eu ardia por dentro, doido pra me meter dentro de Bella. Abracei-a com carinho e beijei seus lábios mais uma vez, ela envolveu meu corpo com suas pernas e eu a sustentei, escorando-a na parede. Quando meu pau encostou em sua entradinha, ela gemeu contra a minha boca.
- Bebê? Te machuquei? – falei preocupado, tentando puxar ar para os pulmões.
- Aaahhh...
Ela gemeu quase sem ar e fez uma caretinha, fiquei tenso... não, não, fiquei estressado e quase brochei!
- Amor... – ela ronronou - ...por favor...
Cobri seu corpo com o meu e mordisquei o lóbulo de sua orelha enquanto meu membro ainda apontava na entrada de sua bocetinha.
- O que você quer, Bella?
- Oh, Emm... – ela mordeu meu ombro - ...me fode logo!
Sorri baixinho contra a pele de seu pescoço, eu sempre ficava mais excitado quando ela usava essas palavras na hora do sexo, ergui seu quadril, baixando-o logo em seguida e afundando minha carne na dela. Gememos de prazer enquanto eu investia contra a minha Bella, suas pernas continuavam firmes ao redor de meu corpo e eu ainda a escorava na parede, com cuidado para não machucá-la.
Nossos gemidos eram uma coisa de louco, melhor do que eles somente o prazer de sentir toda a extensão do meu pau entrando e saindo dela... Ah... A cabecinha já estava louca, latejando de tanta vontade de se derramar ali dentro. O calor era sufocante, mas era gostoso morrer sem ar daquele jeito, nossas peles ardiam, se desejavam. Senti o gozo se aproximando, mas me segurei um pouco, Bella ainda pedia mais de mim, ela rebolava, esfregava seus seios em mim, fazendo com que aqueles biquinhos róseos acariciassem meu peito. Mais uma investida e outra, minhas mãos desciam do quadril dela e seguiam para aquela bundinha deliciosa onde eu apertava e beliscava levemente, nossas bocas não se deixavam e nossas línguas dançavam na sincronia de nossos sexos. Até que me meti com tudo dentro de Bella e senti sua boceta me apertar e me mastigar com vontade, ela deu um gritinho abafado e seus braços caíram molengas sobre meu peito, suas pernas quase fraquejaram, mas eu as segurei a tempo... Sim, para ela já tinha sido muito bom... Ergui mais o seu quadril e me meti com tudo dentro dela, explodindo logo em seguida num gozo delicioso, daqueles que me faziam flutuar no espaço. Um grunhido abafado se seguiu a isso e eu encostei minha testa na dela. Sorrimos. Ficamos paradinhos por alguns instantes, recuperando o fôlego, sorrindo como duas crianças travessas!
- Te amo. – sussurramos ao mesmo tempo.
Abraçadinhos, deixamos que a água do chuveiro nos lavasse e eu tenho certeza que a mente de Bella ainda estava como a minha... como uma folha de papel em branco. Não pensávamos, não falávamos, apenas sentíamos nos nossos corpos aquele estado de contemplação que sexo-com-amor provoca nos apaixonados.
POV BELLA
Portland foi uma fase muito gostosa em nossas vidas!
Nos dois anos que moramos lá, aproveitamos a oportunidade para aprimorar os estudos nos cursos de pós-graduação, trabalhar muito para adquirir experiência e para amadurecer os planos de mudança definitiva para Paradise.
Paradise!
Não entendia direito o que se passava no meu coração, mas eu me sentia já pertencendo àquela ilha e passei a contar os dias para a nossa mudança. Seis meses antes de nos mudarmos, tia Olivia e tio Ernest fizeram a gentileza de cuidar da reforma da Casa Cullen para nós.
- Bella, querida, - ela sempre me telefonava – já terminamos a restauração do telhado e do piso, as paredes estão sendo pintadas com tinta anti-mofo da melhor qualidade... Você tem preferência de cores, meu anjo?
- Não tia! – sorri com a alegria na voz dela – Confio no seu bom gosto!
- Oh, querida, não vejo a hora de vocês se mudarem! A vida toda eu sempre quis ter uma filha e daí Deus só me deu meu Jasper... Não que eu esteja reclamando, amo meu filho baladeiro! – nós duas gargalhamos - Depois a Esme engravidou e quando finalmente pensei que ganharíamos uma menininha, os gêmeos nasceram... É verdade que a Rosalie nasceu, mas aquela dali... – tia Olivia deu uma risadinha -...só G-ZUIS na causa... Então não vejo a hora de ter você aqui perto, meu bem...
- Ah tia! – falei abobada – Não fala essas coisas senão eu choro... Eu também gosto muito de você e tenho muita sorte de tê-la em minha vida!
As conversas com tia Olivia sempre eram assim! A mulher transbordava de alegria e amor, sempre preocupada com todos, cuidando de todos. Pelo menos eu podia relaxar quanto à casa, ela estaria pronta no prazo correto.
As monografias dos cursos quase acabaram com nós três... Dividir o tempo entre trabalho, pós-graduação e casamento não foi nada fácil, mas no final, deu certo! Receber o diploma de pós foi tão emocionante quanto o de graduação...
- A nós! – brindamos em casa com champanhe gelado no dia em que oficialmente estávamos pós-graduados.
- A nós! – meus anjinhos repetiram enquanto nossas taças faziam um tilintar alegre.
Decidimos fazer um garage sale para vender muitas coisas que não queríamos levar para a ilha. Na verdade, a gente ia vender quase tudo porque depois de quase seis anos de casamento eu queria mesmo era comprar coisas novas para a casa nova (nova para mim!). Edward achou prudente que trocássemos de carro, a topografia da ilha exigia veículos mais arrojados que um Sentra e um Camry, acatei seu conselho. Ele comprou uma Dodge Dakota cabine dupla cor de prata e eu consegui um lindo e charmoso Land Rover Defender muito charmoso na cor preta. Sempre curti carros utilitários com design meio antigo! Emmett não precisou se desfazer de Lucille, afinal, ela tinha vindo da ilha e já estava habituada ao lugar. Às vezes eu ria comigo mesma, passei a imitar meu marido, me referindo à velha pick-up vermelha como se ela fosse uma pessoa da família!
Numa manhã ensolarada e quente de julho, usamos nossas vagas na garagem do prédio e expomos móveis, eletrodomésticos, objetos de decoração e mais um monte de quinquilharias. O movimento era grande, as pessoas do bairro realmente curtiam um bazar... Mas o calor estava tão intenso, eu suava em bicas e parecia que o ar entrava quente em meus pulmões! Prendi os cabelos num coque alto, tomei muita água gelada, coca-cola gelada, limonada gelada, mas o mal estar só aumentava.
Passava das duas da tarde e o movimento de pessoas foi caindo conforme as melhores coisas iam sendo vendidas. Eu já agradecia aos céus porque o calor diminuía, embora meu mal estar não passasse. Num movimento rápido me levantei da cadeira e... pra que eu fiz isso? Vi tudo como num borrão, minha cabeça rodou, meus pés fraquejaram e não sei que treco me deu... Só lembro de meus anjinhos gritando meu nome e de braços fortes amparando minha queda...
BELLA!
Acordei sonolenta, acomodada no colo de Ed enquanto Emm jogava gotículas de água em meu rosto. Meus maridos tinham olhares de pânico e eu tentei sorrir para não lhes preocupar. Tentei sentir as partes de meu corpo, não percebi nenhum machucado... respirei fundo e não senti mais nenhum mal estar.
- Eu... eu já estou melhor...
- Amor, você passou uns dois minutos desacordada. – Emm ainda estava alarmado.
- Os piores minutos de nossas vidas! - Ed tinha voz turvada pelo medo.
- Amores... eu já estou bem. – olhei ao redor, os poucos clientes nos espiavam meio de longe – O bazar, meninos, - sussurrei – vamos continuar com ele, sim?
- Que se dane o bazar! Vamos agora pro hospital. – Ed falou decidido.
- Não, não, - choraminguei – eu juro que já estou bem. Foi o calor! Ta muito quente hoje... Se me sentir mal, eu aviso.
- Promete, Bella? – Emm inquiriu com seriedade.
- Prometo. Eu juro. – assegurei – Vou passar o restinho da tarde aqui sentadinha, - Ed levantou e eu tomei seu lugar – se sentir algo eu digo.
Meus maridos voltaram suas atenções para os clientes, mas sempre me olhavam, me estudavam e me ofereciam muito líquido. Quieta e sem ter muito o que fazer, comecei a cuidar das coisinhas que ainda faltavam ser vendidas, quando me deparei com um calendário numa gaveta do móvel que estava junto a mim. Estávamos no dia 23 de julho. Fiquei estática. Talvez o sangue tivesse caído para os pés, respirei fundo e pisquei os olhos várias vezes...
23 de julho. Fiz as contas, refiz... será, meu Deus!?
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Notas:
Não sei se vcs perceberam, mas aqui tivemos um avanço de tempo para que as coisas acelerassem um pouco.
Prox post será bonus d presente de natal para minhas keridas leitoras, ele vai ter os detalhes dessa viagem à NY do trio...
Ah, pra quem acompanha/acompanhou VCA teremos o ultimo bonus no natal, como um presente pra vcs!
Gente, meu twitter é AnnablueStein e vcs podem chegar lá p/ saber qndo teremos posts novos. Twitter d minha beta é MireVidi e ela me susbtituirá nas postagens sempre que necessário.
Já falei demais, bjs pra vcs!