21.
Mar Sem Fim
POV
EDWARD
Um filho...
Naquele começo de noite quando voltamos para
casa, Bella enfeitou a sala de jantar com umas coisinhas de bebê e nos deu a
linda notícia de que seríamos PAIS!
Eu fiquei meio bobo, meio ausente de mim
mesmo... e muito feliz! Emmett parecia criança, sorrindo a cada cinco segundos.
E Bella, bem ela estava radiante, gloriosa, iluminada...
O saboroso jantar foi degustado em meio a
sorrisos e palavras de carinho e nós três chegamos à conclusão que felicidade
maior não pode haver.
- Eu acho que teremos uma princesinha... –
suspirei enquanto ajudava Bella a tirar a mesa.
- Engraçado... eu sonhei com um menino lindo
como vocês dois! – ela apontou de mim para Emm.
Meu irmão, por sua vez, permaneceu calado,
terminando de bebericar o suco de laranja. Bella o cutucou com o cabo de uma
colher.
- Eu!? Me incluam fora dessa... Não vou
desempatar nada! – ele sorriu – Menino ou menina, ou talvez ambos... Não
importa! O que importa é que serei pai.
Depois que lavamos a louça e arrumamos a
cozinha, Bella e Emm se empoleiraram no sofá para assistir a uma comédia na TV,
mas eu não lhes fiz companhia. Empolgado e ansioso (inseguro, talvez) comecei a
fuçar na web uns sites sobre gestação e bebês... acabei comprando uns livros
sobre filhos.
Não sei, não sei mesmo se todos os caras são
assim, mas quando soube que seria pai, imaginei todo um cenário. Eu sendo um
bom pai, um cara que realmente ajuda em casa. Bella orgulhosa de mim e nosso bebê
sendo bem cuidado e amado.
Na hora de dormir, a gente parecia três crianças
na cama! Quem conseguia relaxar e pegar no sono se a felicidade era tão grande?
Mas, mesmo com toda a agitação, minha princesa acabou hibernando, afinal os
hormônios das grávidas costumam ser implacáveis. E quase perdemos a hora no dia
seguinte, acordamos a mil por hora, ansiosos para a consulta de pré-natal.
- EDWARRRRRRRD, - Emm esmurrava a porta do
banheiro – sai logo daí, mulherzinha – ele zuou – não quero me atrasar para a
consulta.
- Porra, Emm, to fazendo a barba!
- MENINOS NÃO BRIGUEM! – Bella ralhou de
brincadeira e gritou logo em seguida – AAHHH MERRRDA!
- O QUE FOI!? – abri a porta do banheiro num
rompante, Emm já estava lá ao lado dela, afagando seu rosto.
- Minhas roupas... – ela girou em seus
calcanhares e continuou.
- Eu já tinha percebido que estava meio gordinha,
mas isso já é ridículo... – ela segurava três calças jeans – Não consigo entrar
em nenhuma!
Resmungando alguma coisa ininteligível, ela
escolheu um vestido colorido e de alcinhas, meio soltinho... sim, aquele
caberia nela por muito tempo!
- Bella, amor – aproximei nossos corpos e a
abracei – querida, uma gestação de oito semanas já transforma bastante o corpo
da mulher, seus seios já estão maiores, isso podemos ver... E você os percebeu
mais... ahn, como vou dizer...
- Pesados? – Emm completou.
- Um-hum. – ela murmurou e assentiu com a
cabeça.
- E seu útero? Algum desconforto? – continuei.
- Alguma coisa como se fosse cólica menstrual. –
ela falou – Mas pensei que era a menstruação mega-atrasada que ainda iria dar o
ar de sua graça... Será que tem algo errado comigo? OU COM O BEBÊ!? – a voz
dela subiu umas oitavas.
- Não! – Emm se apressou em dizer - Isso ai deve
ser o útero crescendo. Como todo músculo, ele deve ficar dolorido com a...
ééérrr... expansão?
- Ok. Ok. Já estou me sentindo uma vaca... em
expansão.
Bella falou emburrada e fez biquinho, nós desatamos
a rir e por fim, ela nos acompanhou.
Já estávamos no carro, Bella abraçada a Emm
enquanto eu dirigia. O sol lá fora estava lindo, a brisa do mar entrava em
minhas narinas e aquela sensação de felicidade era muito gostosa e diferente.
Enquanto pensava com os meus botões ouvir Bella gemer.
- Princesa? – olhei de soslaio, era estava com
os olhos marejados.
- O que foi, bebê? – Emm beijou o topo de sua
cabeça.
- COMO POSSO? COMO POSSO SER MÃE!?
- ÃNH? – eu e Emm falamos em coro.
- EU NÃO ME LEMBRO DE TER TIDO UMA MÃE, NÃO SEI
COMO É CARINHO DE MÃE, NÃO SEI COMO SER MÃE...
Era isso mesmo que eu estava ouvindo? Bella
estava tento um surto de insegurança? Desespero? Estacionei a pick-up no
acostamento da estradinha e respirei fundo. Ela já estava sentada no colo de
Emmett, a mim só restou envolver suas mãos, beijando-as gentilmente. Quando meu
irmão pareceu querer falar alguma coisa, fiz sinal para que continuasse calado.
Nossa esposa precisava chorar em paz.
Passados alguns minutos, a gola da camisa de Emm
estava um pouco úmida, a respiração de Bella estava mais estável e ela já não
chorava copiosamente.
- Des-desculpem... – envergonhada, ela escondeu
o rosto contra o peito de meu irmão.
- Amor, se acalme. – ele sussurrou.
- Bella, as coisas estão indo rápido demais e é
natural que nós fiquemos assustados. – falei gentilmente, ela se virou para me
encarar – Mas acho que isso tudo, - limpei uma lágrima teimosa e me inclinei
para beijar sua testa – é só insegurança. Não existe nenhuma razão para que
você não seja uma boa mãe.
- Mas...
- Bebê, - Emm continuou – nosso pai sempre dizia
o seguinte: ‘uma boa esposa e mãe, antes
de qualquer coisa foi uma boa filha’. Nós não conhecemos o Charlie, mas de
tudo o que vimos entre você e Rennè, não podemos imaginar uma filha mais
amorosa e dedicada. – ele fez uma pausa e esticou a mão para afagar o nosso
bebê na barriga dela – Tenho certeza de que ele ou ela será muito feliz.
- Ai, meu Deus... – ela tentou sorrir – Eu tenho
sorte por ter vocês dois... Tenho muitos chiliques!
- Não seja boba, Bella – tentei ralhar, mas falhei
ao sorrir torto.
Ganhamos a estrada novamente, Emm ligou o rádio
e começamos a cantar desafinadamente uma música de KOL. Enquanto dirigia, eu
pensava... Será que teremos um chilique por dia até o bebê nascer? Deus nos
ajude!
Mal estacionei o carro na frente do centro
médico, as pessoas começaram a nos cumprimentar ainda na calçada.
- Bom dia Cullens,
parabéns pelo bebê!
- Sra. Cullen, parabéns pela gravidez!
- Para quando é o herdeiro?
Nossos vizinhos, amigos e conhecidos nos
saudavam, compactuando com a nossa alegria e rapidamente chegamos à conclusão
que a ‘rádio tia Olivia’ tinha
trabalhado desde cedo. Na sala de recepção havia umas grávidas com barrigões
enormes, Bella se sentou e acariciou o ventre ainda pequenino.
- Começar o pré-natal ainda no terceiro
trimestre contribui para que o bebê nasça saudável. – assinalei e ela assentiu
minimamente, depois esboçou um sorriso.
- Meninos, daqui a pouco eu estarei muuuito
redonda...
Emmett foi chamado para assinar uma documentação
na recepção e pouco tempo depois já estávamos no consultório da Dra. Rachel.
- Garotos! – ela nos abraçou ao mesmo tempo,
como quando a gente era criança – Parabéns! Ontem tive a chance de conhecer a
senhora Cullen. – ela se afastou e afagou o rosto de Bella.
- E aí? Prontos para a primeira ultrassom?
- SIM! – falamos de uma vez.
A médica nos deu privacidade na sala de exames,
Bella se despiu e... olhando com mais atenção pude perceber que ela estava mais
gostosa. Para mim, seus quadris já pareciam mais largos, os seios mais
volumosos e redondinhos... mesmo por baixo do sutiã os mamilos estavam...
suculentos... Fiquei de pau duro! Sentei na cadeira e coloquei a bolsa de minha
esposa no meu colo para poder disfarçar meu estado.
Emmett ajudou Bella a se deitar e se postou em
pé do seu lado esquerdo, permaneci na cadeira e grudei os olhos na tela do
monitor, mas uma de minhas mãos estava entrelaçada a de Bella. Rachel espalhou
gel no aparelhinho e rapidamente começamos a visualizar umas coisas que não
davam pra entender nada.
- Aqui, mamãe... seu útero... – Rachel parecia
concentrada, tentando identificar as imagens.
Bella murmurou um ‘um-hum’, Emm parecia uma
estátua e eu estava, mais uma vez, fora de mim... perdido naquelas imagens
estranhas, tentando a todo custo identificar nosso bebê. Mas quando a médica
girou o aparelhinho mais um pouco nós pudemos ver uma figurinha.
- OOOHHH... – dissemos em coro.
- O bebê está com 18 milímetros da cabeça ao
bumbum. – a médica falou – Puxa vida, ele vai ser grande como os papais! –
sorrimos - E está tudo bem com ele... – ela fez uma pausa – Vejam... aqui...
esses prolongamentos aqui... são os bracinhos e as perninhas!
- OMG... – Bella ronronou.
E na mesma hora o nosso bebezinho se mexeu, mas
foi uma mexida tão sutil que achei que minha imaginação estava me pregando uma
peça.
- MEXEU!? – eu e Emm falamos em coro.
A médica sorriu antes de falar.
- Sim... fetos de oito semanas já mexem
bastante.
- OMG... Não vi! – Bella choramingou – Não vi
nadinha! Ah, isso não é justo, viu!
- Não tem problema, mamãe. - a médica falou –
Poderemos gravar num DVD e vocês levam para casa!
- Doutora, por que eu não senti meu bebê
mexendo? – Bella levantou as sobrancelhas e quando terminou de falar, o bebê mexeu
de novo.
- OMG... EU VI! EU VI... AAAHHH... MEU BEBEZINHO
LINDO...
Sim. Bella estava fora de si. Era engraçado!
- Isabella, o feto ainda está muito pequeno por
isso você não percebe.
E naquela hora, nosso bebê mexeu de novo... tão
lindo!
- Caraca! – Emm balbuciou – Coisinha mais linda,
G-ZUIS... Mas doutora, a cabeça é assim mesmo tão grande!?
- EMMETT! – Bella falou e fez cara feia.
- Ô amor, ele não falou por mal. – tentei
acalmar a fera e depois falei merda – Veja que bebê mais lindo... Parece uma mini
tartaruga de casco para cima tentando se virar...
- EDWARD!
A médica desatou a rir e depois assumiu a
postura profissional novamente, explicando que naquela fase a cabeça do bebê é
bem grande em relação ao resto do corpo devido ao crescimento do cérebro. Ainda
explicou outras coisas sobre o desenvolvimento do coração, a formação dos
dedinhos dos pés e as orelhas... Tudo era tão lindo, perfeito e divino que eu
só podia me dar conta era mesmo ‘o milagre da vida’.
Ao final da consulta Bella recebeu orientações
de alimentação e controle do peso, glicose, pressão arterial, além de um
livrinho sobre gestação e o DVD com as imagens de nosso filhote. Emm perguntou
sobre como deveria ser nossa vida sexual (fiquei constrangido, Bella corou) e a
médica disse que poderíamos fazer tudo o que não fosse desconfortável para a
mamãe. Dali a umas semanas a gente ia voltar para uma nova consulta.
Parecendo três crianças traquinas, caminhando
(quase quicando) pelo hospital, sorrindo e acenando para todos, cai na real que
nossa empolgação era DEMAIS por uma imagenzinha tão pequena. O detalhe é que a
imagem era do nosso filho! Espantado, me dei conta que dali por diante, tudo o
que se referisse ao nosso bebê tomaria proporções GIGANTESCAS. Já era muito
amor, muito cuidado, muita felicidade...
Até que chegamos ao estacionamento e meus
músculos se retesaram de imediato. A gigantesca SUV preta estava lá, Adam
Macabeus ajudava Rose a descer do veículo, nossa prima estava no final da
gestação (eu acho) porque sua barriga estava enorme. Rose sorriu timidamente
para nós e acenou discretamente, depois abaixou a cabeça. Não sei por que,
achei que seu gesto foi sincero... Macabeus, por sua vez, fez uma cara de nojo.
Nenhum de nós três comentou a reação dele.
O assunto foi rapidamente superado quando o
estômago de Bella roncou audivelmente.
- Humm... que fome... – ela murmurou.
- O bebê deve ta meio ‘revolts’, querendo rangar!
– Emm falou e sorriu.
Decidimos ir almoçar no restaurante porque logo
em seguida Bella queria fazer umas compras e eu e Emm tínhamos negócios a
tratar com os Volturi. O lugar estava quase vazio já que ainda nem era meio
dia, mas, numa das últimas mesas pudemos ver nosso primo Jazz e aquela
turista... Como era mesmo o nome dela? Ah, Alice Brandon...
Fomos cumprimentar os dois e qual não foi a
minha surpresa quando eles foram pegos de surpresa!
Ambos olharam para nós e rapidamente esconderam
umas coisas que estavam sobre a mesa. Percebi que havia um mapa náutico na mesa
e vários papéis rabiscados com anotações.
Tanto Jasper como Alice nos parabenizaram pelo
bebê e timidamente nos convidaram para almoçar com eles. Mas achei que só
tinham feito isso por educação. Declinamos o convite e nos despedimos deles com
outro convite (feito por Bella) para que fossem jantar em nossa casa qualquer
dia desses. Quando demos as costas e nos afastamos um pouco, ouvi Jazz
sussurrar: ‘não devemos mais nos
encontrar aqui’.
Como Bella e Emm pareciam não ter ouvido o
comentário, fiquei na minha, mas fiz uma nota mental de depois perguntar a Jazz
se ele e a turista estavam tendo um tipo de romance. Isso é muito típico de meu
primo!
- Aaahhh que fome... – Bella suspirou e sorriu
enquanto pegava o cardápio – Vou pedir uma salada verde com morangos e um
guisado de carne com legumes...
Quando a comida chegou, rapidamente nos
dedicamos a matar a fome e falar dos planos para aquela tarde. Meu irmão foi o
primeiro a quebrar o silêncio.
- Bebê, vamos te deixar na Nolan’s e vamos nos
encontrar com os Volturi. – ele sorria, mas falava com seriedade – Você, por
favor, seja uma boa garota e nos espere lá depois das compras...
- Ok. – ela murmurou e se concentrou na comida.
A tarde passou rápida, os negócios com a empresa
e o fim do arrendamento com os Volturi estavam oficialmente concluídos. Quando
voltamos a Nolan’s, Bella já estava nos esperando, munida com quatro sacolas de
compras, bebericando um chá gelado e conversando com Charlotte, a dona da loja.
Já na pick-up, ela disse uma coisa que causou arrepios nos pelos de minha nuca.
- Encontrei com Rosalie na loja...
- O QUÊ? - a voz de Emm subiu umas oitavas.
- Ela importunou você? – perguntei desconfiado.
- Não, não... Ao contrário! – Bella arqueou as
sobrancelhas e parecia surpresa – Ela... ela... me abraçou e... na hora fiquei
um pouco assustada, mas...
Bella fez uma pausa, pareceu editar as palavras
e continuou:
- E depois ela disse que desejava toda a sorte
do mundo parta nós e que nosso bebê nascesse cheio de saúde. E ainda
acrescentou com bastante ênfase que estava orando a Deus todos os dias para que
nenhum mal nos acontecesse.
- Que coisa esquisita... – Emm murmurou.
- Esquisito mesmo! – Bella fez uma pausa – Rosalie
parecia assustada, nervosa, como se soubesse que estava sendo vigiada... Ela...
Ela esperou que eu saísse do provador de roupas para poder falar comigo sem que
ninguém percebesse.
- Bella, - o tom de voz de Emm era autoritário –
não quero você de conversinha com a Rose. Não confio nela.
Ela fechou a cara, talvez não pelas palavras,
mas pelo tom de voz que ele usou. Como um pedido de socorro, ela me lançou um
olhar.
- Eu concordo com ele. – falei.
- Não sou nenhuma criança. – sua resposta foi
dura.
Ela ficou emburrada (com aquela boquinha gostosa
projetada para frente) até chegarmos em casa.
O crepúsculo já pintava o céu com seus tons
mágicos quando estacionei a pick-up ao lado do Land Rover de Bella, próximo à
entrada dos fundos da casa. Faminta (novamente) Bella entrou apressada cozinha
adentro, tendo Emmett grudado em seus calcanhares. Quanto a mim... parei para
admirar o céu e a paisagem privilegiada de nossa prainha. O cheiro do mar era
uma coisa revigorante... Eu precisava daquele perfume para colocar meus
pensamentos em ordem. Minhas narinas inflaram... inspiraram... uma vez... duas
vezes e...
O cheiro!
Alguma coisa estava errada.
Farejando aquele odor diferente, contornei a
varanda da casa até chegar à porta principal. O cheiro ficou terrível, como se
fosse um golpe no meu estômago, senti uma repulsa nauseante na mesma hora. Ali,
encostada à soleira da porta havia uma caixa embrulhada com papel de presente.
- Quem diabos ia deixar...
Falei enquanto abria a caixa rapidamente e o que
vi, quase me fez vomitar.
Deus do céu!
O cheiro de peixe estragado tinha me feito
pensar que aquilo era obra de algum desavisado, sem noção, que achava que
peixes não estragavam fácil. Mas me enganei.
O conteúdo da caixa era o corpo de uma boneca de
pano com as dimensões de um bebê de verdade. Mas sobre o pescoço havia a cabeça
de uma moréia (um dos peixes mais feios que já vi) desajeitadamente amarrada ao
corpo.
Com as mãos trêmulas e em estado de alerta,
levei a caixa comigo até a pick-up, peguei o celular e liguei para Emmett. Por
sorte Bella estava entretida demais com um pote de doce e o DVD da ultrassom e
não prestou atenção à nossa conversa. Apressado, contei tudo a meu irmão e
disse-lhe que segurasse Bella dentro de casa. Ainda liguei para Tio Ernest, ele
pediu que eu vasculhasse a caixa a procura de algum bilhete, recado ou coisa
parecida.
- Não tem nada aqui dentro. Mas sei que foi o
Macabeus. – rosnei ao telefone para meu tio.
- Edward, não há provas! – ele tinha a voz
inflexível.
- Que se danem as provas, tio! – fui
desnecessariamente grosseiro com ele – Estamos falando da segurança da minha
família... é a minha mulher e o meu filho que estão tentando atingir... – minha
voz parecia sufocada nessa última parte.
- EDWARD! – Jazz tomou o telefone do tio e
berrou – Porra, cara, sei que não é fácil, mas tenha calma. – ele fez uma
pausa, esperando mesmo que eu me acalmasse – Nós ainda não podemos fazer nada
com o Macabeus, não temos provas, mas isso não quer dizer que não estejamos de
olho...
- Jazz, tenho medo pela Bella e o nosso filho...
- Eu sei, eu sei... – ele parecia cansado –
Edward, preciso que você e Emmett confiem em mim. Ok? Vocês não estão sozinhos
nessa, mas peço que não se envolvam com o Macabeus. Se você e Emm fizerem algum
movimento precipitado, ele poderá se retrair e daí nunca teremos a chance de
pegá-lo.
- Jazz, você fala como se soubesse de mais
alguma coisa... – falei enquanto caminhava com a caixa até o ponto mais
afastado de nossa prainha e a jogava ao mar.
- Ed, por favor, confie em mim. – ele disse
encerrando o assunto.
Daquele dia em diante eu e Emmett não baixamos a
guarda um minuto sequer, mas para o bem de nossa Bella não contamos nada a ela.
Não queríamos que a preocupação fizesse mal a ela e ao nosso bebê.
POV EMMETT
À medida que os dias passavam e a gente ia se
acostumando com o bebê e Bella ia se acostumando com as mudanças de seu corpo a
gente ia tentando levar uma vida normal.
Mas não era fácil.
Não era fácil saber que Adam Macabeus nutria um
ódio gratuito por minha família, não era fácil saber que os Hale – Nossos
parentes, puxa vida! – ambicionavam nossas terras e estavam dispostos a tudo
para conquistá-la.
Às vezes eu me pegava pensando nessas coisas e
me sentia tão... tão fraco, tão perdido e desesperado!
Desesperado porque havia duas grandes rachaduras
na minha armadura e eu não sabia qual delas era mais visível: Bella e nosso
bebê. Sim, meu coração batia por eles, minha vida estava ligada a eles...
Já estávamos nas nossas terras, na estradinha
principal que dava acesso a casa, mas ainda não podíamos vê-la. Estávamos
cercados pelos oito pinheiros que há anos atrás foram plantados por papai e
mamãe, eles formavam nossa muralha verde. Era fim de tarde e voltávamos de uma
consulta do pré-natal, agora nosso filhotinho já tinha dezesseis semanas de
vida e, cá pra nós, estava a coisa mais cuti-cuti do mundo.
Nessa última utrassom, a gente pensava que ia
dar pra saber o sexo do bebê, mas não teve jeito. Ele ou ela manteve as
perninhas fechadas e não quis mostrar suas intimidades!
A Dra. Rachel disse que ele tava com 12 cm e
pesava mais ou menos 83 gramas... Uma coisinha tão linda, mas tão linda, que
dava vontade chorar! Os cabelinhos dele já tavam começando a nascer e eu
imaginei se ele herdaria os cabelos cor de chocolate da mãe, ou quem sabe, seus
olhos chocolates, gentis e quentes. A médica também disse que o bebê já podia
ouvir, achei isso tão incrível!
Mas de repente fiquei preocupado!
O pensamento era totalmente bobo, mas fiquei
imaginando o que o bebê sentiria se soubesse que o Macabeus não gostava dele.
Meus músculos se retesaram e eu envolvi o volante da Lucille com tanta força que os ossos quase saltavam dos nós dos
meus dedos.
- Emm, pare o carro. – Bella ordenou.
- Hãm... o que foi, bebê? – perguntei aturdido.
- EMMETT CULLEN, - ela esbravejou – por que você
estava fazendo aquela cara de preocupado enquanto dirigia? Por que, diabos,
você e Edward estão tão estranhos, tão tensos, tão... sei lá... escondendo
alguma coisa de mim?
Ela tinha razão.
Depois daquela boneca numa cabeça de peixe, eu e
Edward tivemos uma conversa séria com tio Ernest e Jasper. Mesmo meu tio sento
o delegado da ilha, a gente tinha muito medo, porque, afinal de contas, ninguém
conhecia o Macabeus. Ele era um forasteiro perigoso. Tio Ernest nos garantiu
que a força policial da ilha (não era lá grande coisa, apenas 10 policiais)
estava incumbida em manter o Macabeus e sua gente na linha. Tia Olivia vivia
sempre lá em casa, cuidando de Bella na nossa ausência. Jasper prometeu cuidar
dela ‘como se ela fosse minha irmã’, ele jurou.
Mas, Deus do céu! Que aperto era aquele que
invadia meu peito?
- Bella...
Suspirei e a puxei para o meu colo, sentada de
frente para mim, para que eu pudesse olhar em seus olhos chocolate. Devo
admitir que o simples roçar de sua pélvis sobre o meu jeans fez meu pau se
animar, reprimi a animação com muito custo e continuei com meu teatrinho.
- Nós não estamos escondendo nada de você. –
falei num tom casual.
- Eu não nasci ontem. – ela baixou o olhar – Não
me passou despercebido que vocês nunca me deixam sozinha e nem mesmo a tia! A
coitada deixa de estar na casa dela, cuidando da família dela pra ser minha
babá e...
- Bella. – cortei sua fala - O problema é:
moramos numa parte afastada da ilha, não temos empregada. Por isso pedimos à
tia Olivia para te fazer companhia quando a gente não estivesse por perto.
- Eu... sei... – ela suspirou e seu tom de voz
parecia derrotado – Às vezes eu acho que se tivesse aceitado aquela proposta de
emprego na creche da ilha vocês dois ficariam mais sossegados para ir
trabalhar, afinal eu não seria um estorvo em casa e...
- Bella, pare com isso. – segurei seu rosto em
minhas mãos com delicadeza – Você nunca será um estorvo! Eu e Edward ficamos
felizes e emocionados com a sua decisão de não trabalhar fora enquanto o bebê
for muito pequenino.
- Eu só tava pensando em ter um tempinho de
qualidade com ele. – ela falou defensivamente.
- E nós ficamos orgulhosos pela sua coragem. –
falei cheio de convicção – Nos dias de hoje não é toda mulher que tem a coragem
que você tem em se distanciar do mercado de trabalho para poder se dedicar à
maternidade.
- Oh, Emm
– os olhos dela estavam marejados – eu te amo tanto, meu amor!
Seus lábios se chocaram com os meus numa fúria
apaixonada, nossas línguas iniciaram uma dança quente e erótica enquanto Bella
rebolava sugestivamente em meu colo. Suas mãos desceram pelo meu peito,
desabotoando minha camisa, eu puxei as alças de seu vestido e arranquei seu
sutiã, inclinei seu corpo levemente para trás e abocanhei um mamilo, arrancando
um gemidinho rouco de minha esposa. Ela também estava insana de desejo, suas
mãos percorriam e arranhavam minhas costas, voltando para meu pescoço e
puxando-me para si. Bella se ergueu e não deu tempo de tirar sua calcinha, tive
que rasgá-la... ela foi muito rápida em abrir o zíper do meu jeans, minha
ereção saltou em suas mãos.
Como se não houvesse ‘amanhã’, Bella se ergueu
um pouco e depois sentou em mim, arrancando um gemido rouco meu enquanto ela
ronronava alguma coisa ininteligível. Suas cavalgadas e minhas estocadas firmes
era pura delícia... Ah, não tem como descrever a sensação de estar dentro
dela... Tudo era tão quente e macio e apertado... Como se aquele fosse o lugar
onde eu sempre devesse estar... E enquanto divagava nessas coisas, eu só queria
entrar mais, explorar mais... e mais... mais quente... mais ofegante... mais
tudo e mais nada ao mesmo tempo...
Em meio a tudo isso nossos lábios se encontraram
num beijo fugaz, as mãos de Bella seguravam meus ombros com firmeza, minhas mãos
passeavam por suas costas e alternavam em seus quadris, firmando-a,
sustentando-a em cima de mim.
Bella tinha o controle de tudo, ora rebolando,
ora se movendo de um lado para o outro e para cima e para baixo... Fazendo com
que o meu desejo de devorá-la - comê-la, tê-la todinha e deliciosamente -
apenas aumentasse. Muito mais duro, senti seu interior se contraindo até que
ela me beliscou e me abocanhou de um jeito que era dolorosamente gostoso. Ela
se derramou em mim na mesma hora em que meu gozo explodiu dentro dela... e
ausência de pensamentos invadiu minha mente.
Puro instinto.
Ofegantes, suados e lânguidos nos entregamos
àquela sensação arrebatadora e nos ‘deixamos estar’. Ela inclinou seu delicioso
corpo sobre mim e ficamos paradinhos, tentando controlar a respiração, mais
ainda tinha coisa que eu precisava fazer. Sei que era uma mania minha, mas ela
adorava. Deitei-a delicadamente sobre o banco da Lucille e levantei seu vestido, ela riu em antecipação.
- Hoje invertemos a ordem das coisas não foi meu
ursão? – ela falou zombeteira.
- Hum... hum... – falei sem olhá-la nos olhos,
minha atenção voltada para seu sexo.
Ah, ele estava lindo, molhadinho ainda e com
aquele cheiro delicioso de prazer... Separei suas pernas com carinho e me meti
ali dentro, beijando suas carnes macias e rosadas, explorando sua fendinha,
saboreando-a com a língua e com o olfato.
‘Coisa linda’... eu pensava e isso só fazia meu
pau ganhar vida de novo!
Gemendo e arquejando, Bella apenas rebolava
embaixo de mim, pedindo mais e mais... até que ela não agüentou e me deu seu
mel, coisa que sempre aceito de bom grado. Ofegante e feliz por deixá-la feliz,
me inclinei sobre ela, com cuidado para não machucá-la e pousei minha cabeça em
seu ventre. Ela desceu suas mãos e começou a afagar meus cabelos com carinho.
Depois de um tempo que parecia ser uma eternidade, ela soltou uma risadinha.
- O que foi? – ergui meu rosto.
Antes que ela pudesse responder, seu estômago
roncou audivelmente e logo terminamos o caminho até chegar em casa.
...
- Emmett, não vamos preocupar a Bella com isso.
Edward falou pela enésima vez quando íamos para
a empresa numa manhã de outono. Tia Olivia estava de folga e foi para nossa
casa fazer companhia à Bella. Ainda estávamos naquele esquema de revezamento
que consistia em não deixar nossa esposa sozinha.
- Eu sei que não devíamos contar a ela todos os
detalhes. – assinalei – Mas... não sei... ela sabe que estamos escondendo algo.
- De uma coisa podemos ter certeza: o Macabeus
não tem nos importunado.
- Por hora. – falei e me espantei com o tom
sombrio em minha voz.
Já na empresa, as preocupações cederam espaço
aos negócios porque estávamos com um projeto inovador e um tanto ousado para
pesca local. Reunimos os pescadores no galpão principal da empresa e comecei a
palestra. Confesso que estava nervoso, convencer um bando de pescadores pouco
instruídos e bem mais velhos que nós não seria nada fácil.
‘Bom dia a todos’ – comecei inseguro.
‘Sempre tivemos orgulho de nossa profissão,
embora nossas famílias estejam em terra firme, sabemos que o coração de um
pescador bate mais forte quando ele está no mar.’
Eu andava de um lado para outro, tentando olhar
nos olhos de todos eles e sentir (talvez) se estavam ou não me entendendo. Os
rostos serenos de nossos empregados e o assentimento a cada palavra proferida
foi um estímulo para que eu continuasse.
‘Porém, ao longo dos anos temos percebido o
quanto a pesca em nosso litoral tem se tornado difícil. A degradação do meio
ambiente nos mares, aliada à ganância da grande indústria pesqueira tem
transformado os oceanos em desertos explorados até a completa exaustão. Nossos
mares estão escassos de peixes!’
Olhei mais uma vez para os rostos deles.
‘E quando falo de problemas ambientais, não
pensem que isso é coisa que só vai acontecer daqui a 50 ou 100 anos. Acredito
que todos vocês já perceberam que a cada ano as toneladas de pescado estão diminuindo.’
Todos assentiram.
- E o que devemos fazer, Emmett? – a voz ruidosa
veio de lá de trás.
- Ótima pergunta, Old Bill. – respondi ao velho
pescador – Vamos renovar o nosso negócio. Queremos...
- Menino, Emmett, - a voz rouca de
Samuel-barba-branca ecoou – eu sou um velho do mar e já vivi muitas coisas. –
os outros pescadores davam espaço ao Samuel enquanto ele avançava para chegar
mais perto – Praticamente nasci num barco, me criei nele e graças à pesca
sustentei meus 5 filhos... Já tenho quase 70 anos... não sei se consigo fazer
parte dessa história de renovação aí de vocês...
- Samuel, - Ed usou sua melhor voz, enquanto
caminhou até o velho e envolveu seus ombros caídos – você é uma pessoa muito
sensata, cresci vendo meu pai escutando seus conselhos. Mas me diga uma coisa,
como andam os negócios nos mares daqui?
- Ah, mal, muito mal. – ele alisava a enorme
barba branca enquanto se lamentava – Nossas redes não voltam tão cheias quanto
antigamente.
- É VERDADE! – Tom Smith, um pescador muito
habilidoso concordou – Nunca esperei ficar rico da pesca, mas a cada dia ta
mais difícil sobreviver com o que o mar nos dá.
- Então vocês devem concordar conosco que alguma
coisa deve ser feita! – exclamei.
- Não podemos ficar de braços cruzados enquanto
vemos nossa profissão se acabar. – Edward me ajudava – Queremos que vocês
escutem com atenção o que temos para lhes propor.
E ai o meu irmão usou uma eloqüência que eu nem
sabia que ele tinha!
Com clareza e objetividade, Edward apresentou
aos pescadores o nosso projeto de fazer uma cooperativa de pescadores, onde
TODOS seriam donos do negócio e TODOS seriam responsáveis pela sustentabilidade
ambiental dos nossos mares.
- Mas Edward e o que vamos fazer quando não for
o tempo da pesca? – Tom inquiriu – Seu pai e os Volturi pagavam um salário base
no período de pesca proibida. Se entrarmos
nessa cooperativa, vamos dividir com vocês não apenas os lucros, mas também os
prejuízos!
- É!
- É ISSO MESMO!
Muitos deles se exaltaram e falaram de uma vez.
- Exatamente! – Edward respondeu e eles olharam
com incredulidade para meu irmão – Mas nós pretendemos mudar nosso negócio e não
pretendemos demitir nenhum de vocês!
- Não estou entendendo bulhufas... – Corey
Marshall resmungou – Uma hora vamos fazer parte de uma cooperativa, outra hora
vamos continuar sendo empregados de vocês...
- Vejam bem, caros senhores, - Ed continuou – a
empresa de pescados Cullen vai se transformar numa aquicultura. Ou seja, nós
vamos produzir os peixes, os camarões e as lagostas em cativeiro, em fazendas
marinhas. Vamos trabalhar com inseminação artificial de peixes e explorar a
produção dos crustáceos 12 meses por ano. Nossa empresa vai buscar a produção
lucrativa, a preservação do meio ambiente e a exploração sustentável das
espécies.
- Isso tudo parece complicado... – Samuel
esfregou a barba branca enquanto pensava alto.
- Mas nós vamos dar treinamento adequado a
todos! – assegurei rapidamente – Ora, rapazes, vamos lá! Não estamos falando
grego! As fazendas serão dentro do mar... Vocês vão usar a experiência que tem
e nós vamos lhes ensinar o que for necessário.
- Precisamos uns dos outros. – Edward ajudou –
Enquanto for tempo de pesca, nos lançaremos em mar aberto e pescaremos conforme
a lei. Dividiremos os lucros desse tipo de pescado porque estaremos juntos na
cooperativa. E durante todo o ano vocês serão nossos colaboradores nas fazendas
marinhas e receberão um salário justo de acordo com as atividades que
desempenharem.
- E quanto aos barcos? Não temos barcos! Todos
os barcos são de vocês. – Tom Smith falou e não pude perceber um tom de
descrença em sua voz.
- Nossa frota é nova. E sabemos quanto custa, a
preço de hoje, cada barco. – lembrei – Vocês poderão comprar seus barcos, se
assim desejarem. Parcelaremos em até 12 meses a venda e até lá, nós ficaremos
responsáveis pelos impostos e taxas de licenciamento das embarcações.
À medida que avançávamos na conversa, os
pescadores foram se empolgando e nós ganhamos a confiança de todos. Nosso plano
era muito bom e com a ajuda de Deus daria certo. Terminamos a reunião com um
sorriso bobo no rosto, eu só me lembrava de papai.
- Sabe, Ed – murmurei enquanto entrávamos na
pick-up – Acho que hoje seria um dia muito feliz para Carlisle.
- Sim! – meu irmão sorriu – Papai sempre quis
que esses pescadores se sentissem mais dignos, mais valorizados.
- Ele mesmo tendo começado do nada, sempre deu
valor a todas as pessoas. Papai estaria mesmo muito orgulhoso de nós.
Suscitar a memória de nosso pai fez com que cada
um de nós ficasse envolto nos próprios pensamentos. Eu tratei de imaginar que
papai ficaria bobo com a notícia de ganhar um neto e claro, ele adoraria nossa
esposa. Rapidamente chegamos em casa e meu coração perdeu uma batida quando vi
os carros de tio Ernest e de Jasper estacionados.
Será que tinha acontecido alguma coisa!?
POV BELLA
Tia Olivia estava se esforçando mesmo, mas nem
ela conseguia disfarçar o desconforto.
- Oh, querida você está caprichando mesmo! – ela
me incentivava enquanto me ensinava a tricotar.
- Hum... tia, – suspirei alto – não sei não...
Enquanto os sapatinhos que você ta fazendo estão super fofos, os meus parecem
uma bola esquisita de lã...
- Oh, querida! – ela gargalhou – Daqui a
pouquinho você pega a prática!
Um minutinho de silencio e outro suspiro meu!
Tia Olivia levantou o olhar rapidamente e depois seus lábios se curvaram um
pouquinho para baixo. Talvez eu tivesse ferindo seus sentimentos.
‘Droga’, praguejei em pensamento. A tia não
tinha culpa de meus maridos estarem loucamente protetores e de eu estar sendo
prisioneira em minha própria casa. O fato de morar numa das extremidades da
ilha, o fato de não termos empregada, o fato de meus maridos estarem muito
envolvidos com a empresa e a nova cooperativa, o fato de eu ter escolhido não
trabalhar por causa do bebê... o fato de eu querer fazer xixi quase sempre e
ter um apetite de mamute... Puxa vida! Eram muitos fatos... E nada era culpa da
tia!
Balancei a cabeça para ordenar as ideias e
tentar arrumar alguma mais útil para fazer.
Tricô? Não!
Eu tava odiando essa porra com as agulhas
maiores que meus braços!
- Ô tia, - falei com jeitinho – eu realmente não
estou gostando do tricô. Por que nós duas não vamos para a cozinha, aprontar o
jantar, conversar e dar boas risadas?
- Oh, excelente! Excelente ideia!
Ela sorriu com alívio, talvez porque
considerasse que seu sobrinho-neto merecia melhores sapatinhos que aqueles que
eu estava fazendo. Nós ainda não sabíamos o sexo do bebê, então eu o
considerava um menino.
- Deixa eu ver uma coisinha... – abri a
geladeira – Tia por que não fazemos comida mexicana hoje?
- Comida mexicana, meu bem? – ela falava sem me
olhar, enquanto pegava alguma coisa na dispensa – Nunca comi comida mexicana!
- Ah, então hoje a cozinha é por minha conta! –
me virei e sorri, só a idéia de cozinha já me deixava feliz – Vou fazer enchilhadas
de frango.
- Enchilhadas? – ela falou e seu olhar perdeu o
foco, talvez porque ela estivesse imaginando o que seria aquele prato.
- Ah, é só uma coisinha que aprendi com a minha
avó Marie.
Não quis me gabar, dizendo que as minhas
enchilhadas eram deliciosas, a tia assentiu minimamente e se sentou numa
cadeira enquanto me via dominar a cozinha. Ainda bem que havia escolhido fazer
aquele prato trabalhoso, isso manteria minha mente ocupada enquanto eu
conversava futilidades com a tia e tentava me livrar daquela sensação de
desconfiança.
Enquanto eu cortava pedaços de frango e os
colocava numa panela para ferver, o telefone tocou e a tia foi logo atender. Liguei
o pequeno rádio que ficava na bancada da cozinha, mas o deixei num volume
baixo. Eu queria saber quem estava ligando e quando percebi, fiz uma careta em
desaprovação. Era Jasper.
Meu ‘primo’ Jasper ligava TODA TARDE para saber
como eu estava, se tinha comido, se tinha bebido água, se tinha regado as
plantas... Isso para não dizer que ele ou o tio Ernest sempre passavam por aqui
no começo da manhã. Eu até poderia achar que eles vinham NOS visitar. Que nada!
Me cumprimentavam rapidamente e marchavam com meus maridos para a prainha,
tinham bons dez minutinhos de conversa e depois iam embora. Aquilo me dava nos
nervos!
No rádio começou a tocar uma canção suave, era
quase como uma cantiga
de ninar... tentei relaxar ao som da música, ao mesmo tempo em que me
concentrava em cortar uma cebola em cubinhos. Uma canção de ninar, sorri comigo
mesma. Sim, às vezes eu me sentia como se fosse um bebê, já que todos se
empenhavam em cuidar de mim. Meu sorriso era meio amargo.
Eles, os Mansen, são nossa família e são
adoráveis, todos eles... Eu já amava a todos, não amava? Então por que eu
ficava tão irritada com o excesso de atenção deles?
‘Ora, Isabella, você é mesmo uma menininha muito
petulante’... a voz estridente da minha madrasta Sue ecoou das minhas remotas
lembranças. Corei de vergonha. Logo eu, que há anos atrás achava que era
sozinha no mundo, filha de pais divorciados e viciados, órfã de amor e
atenção... Eu deveria mesmo corar por ter um pensamento tão ingrato.
- TIA! – falei alto o suficiente para que ela me
ouvisse - Por favor, convide o tio e o Jazz para vir comer comida mexicana com
a gente. – ela sorriu e assentiu para mim – AH, PEÇA PARA O JAZZ TRAZER A SRTA.
BRANDON TAMBÉM!
Dessa vez, aumentei o volume da voz para que meu
primo pudesse me ouvir! Meu primo...
as duas palavras combinavam comigo! EU que sempre tive uma família escassa,
agora não poderia reclamar. Eu não tinha esse direito. Não mesmo!
Toda a minha família só estava preocupada com o
meu bem estar e com o bem estar do bebê. Instintivamente levei uma das mãos à
barriga e acariciei o ventre volumoso.
Agora, com vinte semanas de gestação, meu
bebezinho teimoso insistia em não abrir as perninhas na hora da ultrassom! Já
era a segunda vez que ele nos trollava desse jeito! E enquanto eu sonhava com
um lindo menininho parecido com os pais, Edward sonhava com uma menina e Emmett
se mantinha firme na neutralidade.
Esbocei um sorriso enquanto cortava as pimentas
vermelhas em tirinhas finas... meus olhos lacrimejaram e eu sabia que aquilo
não era somente por causa das pimentas.
Só de pensar no meu filhotinho eu ficava
assim...
Mas como não ficar? Nessa ultima ultrassom ele
estava tão lindo! Grande e forte como os papais, medindo 17cm e pesando 290gr.
‘Um bebezão’, a médica dizia!
E todas as noites, Emmett e Edward se revezavam
em ler poesias infantis para o nosso bebê. Esse era o momento sublime de nosso
dia! Na cama, antes de dormir, eu ficava toda boba, aninhada em um marido e
ouvindo a doce voz do outro... Geralmente eu ganhava também uma relaxante
massagem nas pernas e nos pés e quando o sono não me derrubava, amava meus
maridos. Cá pra nós, gravidez dá um tesão danado! Triste de mim se eu não
tivesse uma Anaconda bem grande e um Theo muito vigoroso para me fartar...
- Pronto!
A tia entrou na cozinha e me surpreendeu
pensando em pervisse, dei um pulinho de susto, corei e ela riu baixinho.
- Te assustei? Desculpe minha querida... Ah,
eles ligaram para dizer que a bebê da Rosalie nasceu! – ergui as sobrancelhas
com a linda surpresa – Mamãe e bebê passam bem!
- Que bom, graças a Deus! – eu não mais motivos
para odiar a Rosalie, eu podia até não amá-la, mas jamais odiar.
– Aaahhh, finalmente vou poder conhecer melhor a
Srta. Brandon! – tia Olivia girou pela cozinha - Você já viu como ela é bonita?
Minha futura nora... Tenho certeza que os filhos deles dois serão lindos
demais...
Comecei a rir enquanto via a tia sonhar acordada,
depois engatamos uma conversa animada sobre o enxoval do bebê, cores de papel
de parede e boas marcas de fraldas descartáveis e quando dei por mim, mais um
dia em nossa linda Paradise tinha se passado.
Enfim, o longo processo de fazer as enchilhadas terminou
e a tia assumiu o meu lugar na cozinha para preparar uma saladinha verde.
Marchei para o banho, lavei meticulosamente os meus cabelos, massageei minha
barriga com carinho e fiz aquilo que eu mais gostava de fazer quando não tinha
ninguém me olhando.
- Oi, meu bebezinho... – arrulhei – Hoje a mamãe
fez comida mexicana, mas não se preocupe, não exagerei na pimenta, você vai
gostar. – sorri – Ah, hoje também é um dia muito especial para a nossa família!
Papai Edward e papai Emmett foram conversar com os pescadores... Eles estavam
nervosos, sabia? Mas tenho certeza que deu tudo certo! Você tem dois pais muito
maravilhosos, sabia bebezinho? Em todo o mundo, você jamais poderia ter
melhores papais do que eles. Os papais te amam, bebê... a mamãe te ama
também...
Mal terminei de vestir um vestidinho solto e
colocar um bolerinho de veludo por cima do corpo, vi o tio Ernest estacionar o
carro na frente da nossa casa. E nem bem se passaram dois minutos, o carro de
Jasper apareceu na estradinha principal. Desci as escadas sorridente, eu queria
fazer dessa noite um jantar em família feliz e agradável.
Tia Olivia já estava na varanda quando eu
cheguei para receber os convidados, eu mordi e lábio inferior e estreitei o
olhar. Puxa vida! Alice Brandon era mesmo uma mulher linda, graciosa até... Por
um momento me senti mal pelas vezes que a destratei... ‘Preciso me redimir’
murmurei em pensamentos!
Assim que nos cumprimentamos, entramos e tentei
ser uma boa anfitriã para a turista.
- Seja bem vinda, Srta. Brandon! – sorri e lhe estendi
a mão.
- Ah, apenas Alice, Sra. Cullen! – gostei do seu
aperto de mão, em seguida, ela afagou minha barriga.
- Apenas Isabella... ou Bella... – sorri
timidamente.
Esse deveria ser o momento de nossa
apresentação! Porque eu passei a ter alguma afeição por ela naquele momento.
- Sua sala é muito linda, Bella. – ela olhou ao
redor – E a vista para a prainha, mesmo à noite, é de tirar o fôlego.
- Obrigada!
Ouvi o barulho reconfortante da Lucille e pedi licença a todos, segui
para a varanda com um sorriso bobo na cara... meus amores estavam chegando!
Sinceramente, eu duvidava que algum dia fosse
superar aquilo! Toda vez que meus olhos batiam em Edward, meu coração perdia
uma batida e quando eu avistava Emmett, as batidas recomeçavam como o ribombar
de um tambor de guerra. O sangue latejava por todos os lados do meu corpo, me
deixando em alerta e altamente consciente da presença dos meus amores. Mesmo
sem o contato físico, meu corpo zunia numa eletricidade estranha, uma força que
me arrastava e me impelia para meus homens.
Sim, eu era uma esposa apaixonada!
Alguma coisa maculava o rosto dos meus maridos,
deixando-os preocupados, mas bastaram cinco segundos para que meu sorriso (eu
acho) desmanchasse aquela aflição.
- Bella... – os dois disseram em coro e me abraçaram.
Inspirei profundamente, tentando captar o
perfume de cada um. Ambos tinham o cheiro salgado do mar, mas cada marido tinha
suas particularidades. Edward me lembrava o perfume de uma manhã de
primavera... mel e flores de laranjeiras... Emmett tinha um cheiro mais
tranqüilo, parecia como o cheiro de amêndoas e das folhas marrons de outono...
- Ah, que saudade! – sussurrei enquanto os
puxava firmemente para mim.
Nosso momento fofinho foi interrompido pelo
pigarrear alto do Jasper, sim, ele nos espionava sem o menor escrúpulo!
- Dá pra vocês se pegarem mais tarde? – ele
chegou junto e socou os primos – To tentando fazer bonito com a Alice esta
noite e preciso que o jantar seja servido logo. – ele falou zombeteiro.
- Mas olha! – Ed disparou.
- Quanta presunção, seu mané! – Emm zoou – Você já imaginou se ela só veio pela comida!?
Jasper fez uma careta e todos sorrimos, entramos
e assim que meus maridos captaram o cheiro do jantar, sorriram para mim.
- Enchilhadas, amor? – Ed me abraçou por trás
enquanto andávamos.
- Hum... adoro! – Emm parecia entusiasmado.
Todos na mesa... não pude deixar de perceber a
cara de desconfiada que a tia fazia para as minhas enchilhadas. Reprimi o riso
a muito custo! O nariz dela quase se contorceu para o cheiro dos pimentões! Ah,
mas quando todos provaram, foi um tal de ‘hum, que delícia’ ou ‘puxa vida, vou
repetir’... Quase fiquei vaidosa!
A conversa rolou até bem tarde da noite e quando
dei por mim, estava fazendo um pequeno tour pela casa, de ‘braço dado’ com
Alice!
- E aqui, - falei orgulhosa, enquanto entrávamos
num cômodo vazio – vai ser o quarto do bebê!
- Realmente, sua casa é muito linda! – ela
sorria e parecia emocionada, quase como se reprimisse o choro – E parece que
todos esses móveis possuem a identidade de vocês... É como... é como se todos
vocês estivessem predestinados a essa mobília, essa casa... essa ilha...
Eu não conseguia entender aquela reação e fiquei
meio constrangida, o minutinho se silencio foi esquisito, depois ela pareceu se
recompor.
- Oh, me desculpe! – suas mãos estavam erguidas
– Você deve me achar uma louca! Mas é que tenho vivido viajando para toda a
parte pelos últimos cinco anos, sempre sem me prender a lugar algum. E
encontrar pessoas como vocês e os Mansen, gente que realmente ama o pedacinho
de chão onde moram... Isso me deixou meio... emocionada demais.
- Tudo bem! – sorri, incapaz de continuar imune
ao jeitinho dela.
...
Os dias passavam com as marés, sempre
constantes, mas ao mesmo tempo diferentes e gostosos.
No Dia de Ação de Graças tivemos uma linda
celebração na casa dos Mansen e confesso que fiquei muito feliz por Alice e
Jasper estavam juntos. Bem, não se podia dizer que eles estavam namorando, mas
pareciam muito conectados. Nosso primo estava feliz... na verdade, ele estava
diferente. E eu nem preciso dizer que tia Olivia estava radiante.
- É o poder do amor! Veja, minha filha. – ela
dizia para mim enquanto observava as mudanças no filho – Ele está tão calminho
e responsável...
O Natal coincidiu com as minhas vinte e oito
semanas de gestação e tivemos uma linda ceia em nossa casa com a presença dos
Mansen e de Alice. Na empresa, eu ajudei meus maridos a fazer um café-da-manhã
com os pescadores e suas famílias. Foi um momento gostoso! Confraternizar com
eles me fazia sentir parte da empresa também! E confesso que foi muito bom
conhecer melhor as esposas e as crianças da grande família.
Naqueles dias mágicos de dezembro eu me sentia
linda, a barriga estava redondinha, minha pele estava ótima, sem manchas ou acne
– coisas que aparecem em algumas gestantes. Agora, meu pré-natal acontecia duas
vezes por mês. Não que houvesse algo de errado comigo ou com o bebê, mas eu já
estava entrando no último trimestre da gestação e o acompanhamento era
necessário.
O parto seria normal. Eu tinha escolhido assim e
pedia a Deus que desse tudo certo! O enxoval, todo colorido, já estava
praticamente pronto e já havia um estoque de fraldas descartáveis num dos
armários do corredor onde eu estava naquela tarde, arrumando os pacotes em
pilhas sobrepostas.
Sentada no chão, com as pernas cruzadas feito
índio e tentando me manter ocupada, não percebi que estava naquela posição por
não sei quanto tempo. De imediato, não dei atenção ao formigamento nas minhas
pernas, até que tentei me levantar do chão sozinha. Não consegui. Edward estava
no quintal, lavando meu carro, Emm tinha ido à cidade... Não tinha ninguém num
raio de 30 metros que pudesse me acudir! Com dificuldade, me estiquei, peguei o
celular que estava no chão e o movimento me fez sentir uma câimbra muito forte
na panturrilha esquerda. Gemi de dor. Disquei o número e ele atendeu no
primeiro toque.
- BELLA?
- Ed? – arquejei – Amor... vem aqui em cima...
- To indo! – ele falou apressado.
Cerca de dois minutos depois, um marido sem
fôlego adentrou no corredor, os olhos esbugalhados e a testada vincada de
preocupação. Estiquei as mãos para ele como se fosse um bebê chorão e com
cuidado, ele levantou a ‘mamãe-elefante’, me fazendo esticar as pernas e me
levando para o quarto logo em seguida. Desabei na cama como uma melancia
cansada! Edward começou a massagear minhas pernas e pés, espalhando óleo de
amêndoas e me fazendo um carinho gostoso...
Quando dei por mim, estávamos nus na cama, ele
me beijando de um jeito que deveria ser considerado crime, sua língua fazendo
um estrago em minha boca e no meu autocontrole... Marido gostoso, G-zuis! Edward
estava impiedoso comigo, seus lábios varreram meu corpo, me deixando ardendo de
desejo... meu pescoço e colo, meus seios... aaahhh... os mamilos rijos... minha
respiração entrecortada... os pensamentos embaralhados quando seus lábios
chegaram ao meu sexo... Fui no céu e voltei!
A mente vazia e ao mesmo tempo cheia... meu sexo
ainda latejando enquanto ele sugava o gozo. Eu arquejava, o ar chegava com
dificuldade em meus pulmões e tudo o que eu conseguia dizer era ‘ooohhh... Ed’
Ele deitou ao meu lado e me abraçou com carinho,
uma de suas mãos me fazia um cafuné gostoso, comecei a acariciar suas costas.
- Te amo! – falamos ao mesmo tempo e sorrimos.
Ele inspirou profundamente contra os meus
cabelos.
- Ah, Bella... sou tão feliz, meu amor!
Sorri baixinho, uma de minhas mãos afagava seu
cabelo bronzeado e macio.
- Você, nosso bebê, Emm, nossa ilha... - ele continuou
enquanto afagava meu ventre – Querida, eu me considero um cara de sorte.
- OMG... – ronronei – Edward, eu te amo tanto!
Abracei meu marido com fúria e desejo, passei
uma de minhas pernas sobre seu corpo e o beijei. O amor quente e insano
misturou nossos corpos, nos unindo intimamente. Preenchida por ele, eu ficava
literalmente alucinada e entregue aos meus instintos mais primitivos. Eu
cavalgava... e gemia... e sorria... Grunhidos roucos e abafados enchiam o
quarto, até que nós dois chegamos ao limite. Os gozos se misturaram e eu cai
molenga sobre o corpo de meu amante-amado, trocamos duas ou três palavras de
carinho. Até eu cair novamente... nas profundezas de um sono sem sonhos.
...
Edward e Emmett não queriam me deixar sozinha em
casa, mas a tia ligou e disse que não estava se sentindo bem e que não poderia
vir passar o dia comigo.
‘Oba!
Sem babá’, pensei.
- Meninos, por favor! – abri a porta,
praticamente os expulsando de casa – Vocês precisam trabalhar!
Os dois fizeram biquinho.
- Ora, vamos! Não vou parir hoje... – acariciei
a barriga – Trinta e duas semanas não são tempo suficiente e este Cullenzinho aqui é um garoto esperto,
virá na hora certa...
- Ou, garota esperta! – Ed me corrigiu.
A contra gosto os dois se despediram de mim naquela
manhã gelada e janeiro, depois de trocentos beijinhos e abraços. Quando fechei
a porta (tendo o cuidado de passar todas as trancas possíveis) me dei conta de
TRINTA E DUAS SEMANAS!
- Puta que pariu! – murmurei – OMG... Ah, bebê,
desculpe o palavrão... Mas que droga! A mamãe aqui tem negligenciado a
decoração do seu quartinho só porque não sabemos se você é menino ou menina...
Sentei no sofá meio atordoada, depois me deitei
e fiquei olhando para o teto.
Rosa... azul?
Eu amo azul!
E se íamos mesmo ter um menino... meu coração
dizia que sim... por que não fazer TUDO AZUL!?
Porque Edward já me fez prometer que eu não
faria um quarto todo azul! E Emmtt me jurar que se fosse mesmo uma menina, ela
não se vestiria como uma bonequinha 100% rosa!
Ah, esses maridos me faziam prometer cada coisa!
De repente houve um ‘click’ na minha mente. Um
quarto com decoração azul, mas sem ser todo azul. Se, talvez eu colocasse
outras cores fofas, o azul poderia passar sem ser tão ostensivo. Sorri, gostei
daquilo!
Decidida a fazer meus neurônios funcionarem,
marchei para a cozinha e bebi um copo de leite, porque até pensar me dava fome.
Sentei numa cadeira e olhei ao meu redor... buscando inspiração... foi quando
fui capturada pela paisagem através da janela: nossa prainha e o mar. Na porta
da geladeira havia um foto que eu tinha tirado de Emm e Ed no Cullen’s, o barco da família, a fundo,
paisagem da baia de Saint Claire... Paradise... Respirei fundo e me dei conta
que queria que o quartinho de nosso filho fosse decorado com coisas nossas,
para que ele amasse aquela ilha tanto quanto seus pais.
- O
SÓTÃO! – dei um pulo da cadeira e andei a passos largos.
Se tinha um lugar cheio de coisas antigas,
coisas que pertenciam a Edward e Emmett, esse lugar era o sótão. Subi as
escadas com cuidado, e me deparei com um monte de coisas espalhadas de qualquer
jeito. Embora o ambiente estivesse limpo e arejado, era possível avistar uma
velha bola de vôlei ao lado de um castiçal de cerâmica!
Andei de um lado para o outro e vi umas coisas
interessantes: um armário pequeno com portas de madeira entalhada e pintado de
um branco desbotado, um espelho com uma linda moldura de madeira (uma nova
pintura daria um jeito), dois pequenos remos de madeira... Analisando ainda
outros objetos, fui fazendo uma lista mental de tudo o que me poderia ser útil.
Até que deparei com um quadrinho muito simplório, nele estava escrita uma frase
que poderia ser um ditado popular qualquer.
Se
você não está descalço, então está agasalhado.
Li a frase novamente, li de novo... entortei a
cabeça para um lado, para o outro lado...
É ISSO! – gritei em pensamento.
- Ah, meu filho... – arrulhei – Agora eu já sei!
A decoração de seu quarto vai se inspirar em sua linhagem Cullen... Felicidade,
simplicidade, Paradise...
Eufórica, achei um enorme cesto de vime e nele
coloquei todos os pequenos objetos que eu pude carregar. Com a cabeça
fervilhando de ideias, desci do sótão e liguei o computador, comecei a caçar
cores de papel de parede, ao mesmo tempo em que telefonava para Percy
(marceneiro da ilha) e lhe perguntava em quanto tempo ele poderia reformar um uns
móveis antigos para mim.
- Sra. Cullen, posso passar ai depois do almoço?
Só assim poderei ver exatamente do que se trata.
- CLARO QUE SIM! – exclamei animada.
Com a adrenalina jorrando em meu sistema, me
convenci que faria uma surpresa aos meus amores, o quartinho de nossa cria
seria como uma viagem no tempo para eles... Na minha mente, tons pastéis se
misturavam ao azul do céu num quartinho fofo e aconchegante... Quando Emm e Ed
vieram para o almoço, perceberam em meu rosto algo diferente.
- Amor você está tão corada... – Ed falou
enquanto degustava o picadinho de carne.
- Ah, deve ser por conta do frio...
E estava mesmo frio! Aquele inverno gelado nos
mares do Maine eram de matar.
- Cuidado com as correntes de ar, bebê. Não
queremos que você fique gripada. – meu outro marido não cansava de ser fofo.
Sozinha novamente, arrumei a cozinha e voltei
frenética para o quarto do bebê, olhando novamente aqueles objetos, frutos do
meu pequeno saque. Havia uma estrela do mar de verdade, outra de cerâmica e uma
variedade de conchas de cores e formatos mágicos. Sorri e me encantei com a
miniatura de um farol, uma cadeirinha de praia de brinquedo... uma caixinha de
madeira enfeitada com uma estrela do mar...
- Há muitas estrelas! – murmurei para o bebê – Nada
mais justo já que você será meu pequeno sol.
Percy Ulster era mesmo um marceneiro muito
prestativo, despois de ir sozinho ao sótão e descer, um por um, os móveis que
eu havia pedido, ainda me deu várias ideias de como restaurá-los e me prometeu
trazer tudo em duas semanas.
- Vejá lá, Percy, minha gravidez já está muito
adiantada, por favor, não demore!
...
- AH, BELLA! – Edward choramingava enquanto eu
vendava seus olhos com um lenço escuro.
- HAHAHA... SE FUD... – Emm começou a zuar do
irmão, mas parou no meio da palavra quando viu outro lenço destinado a ele –
Bella, o que é isso?
Eu reprimia o riso enquanto via meus maridos
fazerem biquinho e reclamarem com duas crianças birrentas. Peguei nas mãos
deles e comecei a guiá-los até o quartinho de nosso bebê. Tudo tinha ficado tão
lindo!
Paercy havia cumprido o prazo de duas semanas e
com mais duas semanas, eu e tia Olivia havíamos feito toda a decoração.
Confesso que estava orgulhosa de nosso trabalho, mas ansiosa para receber o
veredicto de meus maridos. Abri a porta e os empurrei para dentro.
- Pronto, podem olhar... – falei insegura e
mordi o lábio – Sejam bem-vindos ao quarto
de nosso bebê!
Edward e Emmett puxaram as vendas e olharam ao redor,
olharam de novo e falaram em coro.
- BELLA?!
OMG... Os meus maridos pareciam gostar de tudo!
Eles me puxaram para um abraço triplo muito gostoso. Inspirei os perfumes de
meus homens e sorri de felicidade... o cheiro da primavera, o cheiro do outono...
naquela manhã de inverno, saudando o quartinho de nosso bebê, nosso solzinho
particular.
- Ah, que bom que vocês gostaram! – falei
emocionada, sentindo um bolo na garganta, lágrimas teimosas escapavam de meus
olhos.
- Como podíamos não gostar? – Emm sorria – AH,
veja Edward! Nossos antigos remos!
Ed varreu o quarto e sorriu ainda mais bobo. Os
olhos de Emm acompanharam os do irmão e um minutinho de silencio se passou.
Acompanhei seus olhares, sem entender direito porque se fixaram naquela parede.
- Emm... – Ed apontou - O quadro que ficava no
quarto de papai quando ele era criança...
- ‘Se você não está descalço, então está
agasalhado’... – Emm falou solenemente.
Percebi que meus maridos ficaram nostálgicos de
repente e me praguejei em pensamento por trazer-lhes antigas recordações.
- AH! O quadro que mamãe pintou quando era
criança...
Emm recompôs a voz enquanto apontava para um
minúsculo quadro disposto ao lado de um farol de cerâmica, do lado esquerdo da
parede. A pintura era bastante infantil mesmo, apenas um barco à vela, uma
estrela do mar e o nome ‘Paradise’.
Edward estava tão absorto nos próprios
pensamentos que não conseguiu falar nada, sua boca se abriu, mas ele estava
mudo.
- Meninos... – guinchei – Eu, eu, só queria
fazer uma surpresa e se vocês não...
- Amor? – Ed selou meus lábios com um dedo –
Como não gostar? – ele sorriu meu sorriso torto favorito e beijou minha testa –
Você trouxe para o quartinho de nosso bebê as melhores recordações de nossa
infância.
- O quadro que mamãe pintou, o quadro de
papai... nossos remos – Emm enumerava o que via – Meu Deus! O espelho de
mamãe...
- O espelho de sol! – Ed se derreteu quando viu
o espelho perto do bercinho.
Gastamos o que me pareceu uma eternidade, meus
maridos vasculhando cada pedacinho, cada detalhe do quarto e eu me fartando de
felicidade e amor.
‘A vida é mesmo uma delícia! Não é meu bebê?’ –
acariciei meu ventre e sorri.
...
Era março. E Paradise se despedia do inverno,
bom, mais ou menos!
Nunca vou esquecer a madrugada de 4 de março por
vários motivos, ela começou quentinha na cama comigo rodeada por meus maridos
lindos e carinhosos e ganhando um chutinho de nosso bebê, ainda sem nome. Mas a
temperatura ainda ia esfriar, bastante, afinal,a quele era o inverno no Maine.
- Trinta e oito semanas... Parabéns meu
amorzinho. – Emm sussurrou e beijou minha barrigona.
- Ei princesa, bom dia meu amorzinho. – Ed
ronronou.
- Hum... pode ser um príncipe, não se esqueça! –
sorri.
- Só sei que ele ou ela continua sem nome... –
Emm fez uma careta.
- Não mesmo! – guinchei – Lembram que nós três
concordamos com ‘Ethan’?
- Ah, foi mesmo! Ethan é um lindo nome. – Emm
falou orgulhoso.
- Mas é uma menina, sei disso!
Pois é... Eu não sabia onde Edward arrumava
tanta convicção!
- Bom, eu... – mordi o lábio e corei, aquela
idéia que tive era apenas uma coisa boba.
- O QUÊ? – os dois disseram em coro.
- Nada. – selei os lábios.
- Quem nada é peixe! – Emm zuou.
- Bella? Vamos lá, amor, eu não sei ler mentes!
O que foi? – Ed me pressionou.
- Bem, eu... tava um dia desses brincando com os
nomes de nossas mães e pensei em... Renesmee...
- RENESMEE!? – os dois disseram em coro e eu me
encolhi na cama.
- OH! – Ed afagou minha barriga – Renesmee... oi
minha princesinha...
- Renesmee... – Emm sussurrou e sorriu seu
sorriso de covinhas.
Após o café da manhã, meus maridos foram
trabalhar MUITO, MUITO CEDO mas foram com a promessa de trazer um lindo peixe
para o jantar. Sim, naquele dia eles iriam para mar aberto com os pescadores. Era
uma espécie de inauguração de novas redes de pescas, redes com certificado de
preservação ambiental e também um dia de treinamento para os pescadores. Pelo
pouco que eu entendi, o equipamento era diferente. O dia seria longo sem meus
amores!
Mas tia Olivia chegou disposta para ficar comigo
o dia inteiro e me fazer não morrer de saudades dos meus amores. Enquanto nós
duas cozinhávamos o almoço e pintávamos mil cenários para o possível romance
Jasper&Alice, de repente me senti muito mais cansada que nos outros dias.
Trinta e oito semanas não são pouca coisa!
O bebê já estava formado, muito lindo, pesando
quase três quilos e medindo mais ou menos 45cm, então a qualquer momento eu
poderia entrar em trabalho de parto.
- Bella? – tia Olivia pareceu se alarmar ao me
ver segurando na bancada da pia da cozinha.
- Ah... – respirei com força – Foi só uma dor...
Ela me ajudou a ir para o sofá e depois me
serviu um copo com água.
- São as contrações, eu acho... – ela sorriu –
Seu útero deve estar se preparando. Dói muito?
- Sim... é meio que desconfortável e começa nas
costas...
A tia se inclinou e beijou minha testa. Bocejei
alto e ela sorriu novamente.
- Que tal um cochilo, minha querida?
E mal a tia tinha terminado a frase, minhas
pálpebras foram se fechando... Eu queria sonhar, sonhar com o meu bebezinho.
...
Um chorinho baixo ecoou pela sala e eu sabia que
não estava sonhando porque aquele não era o choro lindo do bebê nos meus sonhos
se sempre. Demorei a me orientar e quando abri os olhos fiquei paralisada, eu
nem conseguia respirar.
Três pares de olhos me fitavam. Olhos pálidos,
cheios de um magnetismo cruel e diabólico. Arrepios varreram meu corpo e como
que por instinto, a criança em meu ventre me chutou.
- Acordou vagabunda? – um deles, o mais alto,
loiro e magro e também o mais jovem, me encarava com curiosidade.
Sufoquei o grito que estava na minha garganta
quando percebi que naquele olhar havia também uma coisa parecida com...
luxúria!? ‘Deus do céu’ meu clamor em
pensamento foi interrompido pelo choramingo da tia.
- Por favor, por favor não...
Quando meus olhos vagaram para ela, vi que ela
estava amarrada numa poltrona, seu rosto estava meio desconfigurado – como se
ela tivesse levado umas tapas - e havia um profundo corte em seu braço. Aquela
cena fez a adrenalina explodir em meu sistema.
- TIA! – guinchei.
- Calma... calma... – o homem gordo e careca falou,
este parecia mais velho que os outros - Não precisa gritar benzinho.
- Meu Deus, tia... – me forcei a sentar no sofá.
O terceiro homem, este era moreno, de cabelos
escuros e de estatura média, com feições latinas, tentou me ajudar a sentar.
Assustada, me encolhi com o seu toque.
- Hahaha... parece uma coelhinha assustada... - o
loiro alto falou.
- Calem a boca. E vamos logo com isso...
- NÃO! NÃO! POR FAVOR VÃO EMBORA, ROUBEM TUDO,
LEVEM TUDO, MAS DEIXEM MINHA SOBRINHA EM PAZ! - a tia entrou em pânico e
começou a gritar.
O gordo careca sacou uma arma de sua cintura e
deu uma coronhada nela, ela gritou e desmaiou em seguida. Eu não sabia o que
fazer, mas algo em mim me dizia que gritar seria muito, muito pior. O homem com
feições latinas me fez levantar do sofá e não me passou despercebido quando ele
foi até o cabide e pegou meu casaco de inverno. O loiro alto começou a arrastar
a tia desmaiada enquanto seguíamos para os fundos da casa.
- Não faça nenhuma gracinha, benzinho. – o gordo
falou – Ou então eu vou estourar os miolos da sua querida tia.
Chocada, eu apenas assenti com a cabeça enquanto
era arrastada, eu já não sentia meus pés, minhas penas, meu corpo.
Ali, no píer de nossa prainha estava uma lancha
e dentro dela um quarto homem, este infinitamente mais assustador, porque este
rosto, eu reconhecia.
Sufocando o pânico em minha garganta, eu tentava
respirar – pelo meu bem e o bem do meu bebê – e pedia a Deus pelas nossas
vidas. O barulho do motor da lancha me fez encolher de medo... Eu me virei e vi
aquele conhecido par de olhos me fitando com ódio e rancor, nauseada, eu me
senti muito perto da morte.
Olhando para o infinito, o mar sem fim, lembrei
de meus amores.
‘Edward,
Emmett... me perdoem... eu amo vocês’