O Meu Melhor
POV BELLA
Eu estava no quarto, dobrando alguns cobertores sobre a cama e de repente, reparei na paisagem do lado de fora. Já era Novembro, as densas florestas de Forks, aos poucos perdiam sua exuberância verde e ganhavam o tom sóbrio e aconchegante do marrom. Isso me fez lembrar que precisávamos nos preparar para o inverno rigoroso do extremo norte do estado de Washington. Como nos mudamos em Março e os bebês nasceram em Agosto, eles precisariam de algumas peças de roupas adequadas para um lugar tão frio, úmido e chuvoso onde, evidentemente, devia nevar bastante. Além de roupas para os bebês, eu e Ed precisávamos de botas para enfrentar a neve e alguns casacos pesados, precisávamos também comprar alguns cobertores grossos e pedir que algum eletricista viesse fazer a revisão dos dois aquecedores da casa, um que ficava em nosso quarto e o outro, no quarto dos gêmeos. Mas eu ainda precisava conversar com Ed sobre aqueles equipamentos, eles pareciam ser bastante antigos e eu não descartaria a possibilidade de comprar equipamentos novos. A lareira era outra coisa que ainda não havíamos usado, naturalmente precisaríamos de lenha para ela. Fiz uma nota mental de perguntar a Charlotte onde poderíamos comprar lenha.
Novembro ... Dia de Ação de Graças ... mansão Swan ... jantar em famílias ... eu e Ed no escritório de papai ... pesadelo ... eu e papai conversando na cozinha durante a madrugada ... Felix Cudmore ... investigação pessoal ... angústia ... medo ...
As imagens vinham como flashes em minha mente, gritando para mim tantas memórias recentes, algumas boas, algumas terríveis, senti minhas pernas fraquejarem e me ajoelhei no chão. Em minhas mãos havia um edredom que eu apertava nervosamente entre os dedos. As lágrimas caiam copiosamente em minha face e o ar entrava com dificuldade em meus pulmões.
Não sei por quanto tempo fiquei ali, parada, remoendo minhas dores, mas depois de um certo tempo, senti meus joelhos formigarem. Aquilo não foi o bastante para me fazer sair do torpor ... Deus, como tudo ainda dói! Parece que sempre existirá um buraco em meu peito. Um buraco de saudade, de amar tanto e não poder ter de volta quem já se foi.
Um duplo choro ecoou pela babá eletrônica e me fez sair do transe. Quando me levantei com pressa, senti meus joelhos e costas protestarem devido à má postura. Enxuguei as lágrimas, me olhei no espelho da porta do closet, respirei fundo três vezes e tentei esboçar um sorriso.
Eu não via motivo algum para sorrir e nem sentia vontade para tanto. Mas era Anthony e Thomas quem chamavam por mim e por meus filhos eu sorriria.
- Oi meus amores! – falei com a voz embargada, mas tentei soar alegre – Já estão com fome de novo?
Jenny entrou no quarto, ela carregava uma pilha de roupas dos meninos (roupas que Sid estava passando ferro) e me ajudou a acomodar os dois bebês em meus braços. Ela deve ter visto algo em meu rosto.
- Está tudo bem, Sra. Fields?
Apenas assenti com a cabeça e me encostei na cadeira de balanço, me apoiando em almofadas. Em meus braços, meus pequenos tesouros mamavam tranquilos e eu agradeci aos céus por eles estarem alheios às minhas emoções. Não sei o que deu em mim, foram tantas recordações, tristezas e dores, que parecia que eu tinha sido atropelada por uma manada de elefantes. As lembranças de quase um ano atrás ainda eram vivas, parecia que tinha sido ontem. Naquele jantar de Ação de Graças, papai revelou para mim o que seria a ruína das famílias Swan e Cullen. Sorri amargamente, eu e Edward fomos esmagados por uma manada de infelicidade, atravessamos um vale de dor e à nossa frente, apareceram estradas sinuosas onde, muitas vezes, o medo e a dúvida tentaram nos guiar.
Anthony parou de sugar e tirou o mamilo da boca. Instintivamente, olhei para meu bebê que me encarava com olhinhos verdes, brilhantes e curiosos. Sorri pra ele e balbuciei alguns carinhos, ele retribuiu meu sorriso e voltou a mamar. Menos de um minuto depois, Thomas fez a mesma coisa, só que ele não ficou calado, resmungou uma coisinha e franziu a testa. Conversei um pouquinho e lhe dei meu melhor sorriso ‘a mamãe te ama’, ele sorriu e voltou a comer.
Voltei a fitar o vazio e corrigi meus pensamentos. Porque em meio a tantas situações em que eu e Edward fomos jogados, Deus nos deu nossos filhos ... Nossos ... Baixei os olhos e voltei a encarar meus pequenos, tão meus, tão Edward.
Quem poderia imaginar que eu e Edward seríamos pais antes dos trinta anos? Isso foi completamente fora dos planos! Ah! Mas quem se importa com os planos agora? Eles deixaram de valer alguma coisa desde que toda a nossa vida mudou. Quem poderia imaginar que duas coisinhas tão pequenininhas e indefesas poderiam exercer um papel tão vital em nossa família? Quantas e quantas vezes eu pensei que não iria conseguir suportar a realidade? Igualmente foram as vezes que eu me lembrei que carregava em meu ventre as minhas maiores riquezas.
Engoli o choro e comecei a brincar com os meninos, fazendo biquinho e soltando beijos no ar ou simplesmente sorrindo pra eles. Jenny me ajudou a fazê-los arrotar e ainda trocamos duas fraldas super-fedorentas, depois eu os coloquei no carrinho e os levei até a sala de jantar. Liguei o mini som que ficava na estante e comecei a preparar o almoço. De longe, eu conversava com os meninos e chamava a atenção deles, eles se comportaram bem, brincando com os brinquedos coloridos do carrinho, às vezes resmungavam uma conversinha entre si e depois sorriam.
O telefone tocou, era Emily me convidando para ir à inauguração da Emporium Best Prices, uma rede de lojas de departamentos que estava abrindo suas portas em Port Angeles naquele final de semana. Ela me disse que no sábado, dia da inauguração, todos os produtos da loja estariam com 50% de desconto. Eu estava quase declinando o convite quando me lembrei que seria bom comprar roupas para os bebês, cobertores e botas de neve com desconto. Eu já tinha ouvido falar nessa rede de lojas, seu público alvo eram as famílias de classe média baixa, com filhos pequenos, hipoteca etc. e tal. Port Angeles só ficava à uma hora de Forks, deduzi que poderíamos sair no sábado por volta das oito da manhã.
- Não Isabella! Ta louca? – Emily perguntou, surpresa – Inauguração e descontos de 50% pedem que a gente saia de Forks por volta das seis da manhã?
Enquanto ela falava, eu mexia uma panela e olhava os gêmeos.
- Seis? Pra quê?
- A quantidade de gente na fila pra tentar entrar na loja vai ser muito grande e se a gente sair tarde daqui, não compraremos nada que preste.
- Mas Emily, esse sacrifício todo vale a pena?
- Querida, quando eu estava fazendo meu enxoval de noiva, fui a uma inauguração semelhante em Seattle e consegui comprar toalhas de banho por U$ 2,50!
- Ok. Você me convenceu, mas eu tenho um probleminha. – suspirei – Meus bebês ...
- Ah! Já vi que você não entende quase nada de lojas de departamentos! Lá existe um berçário e, desde que as mães levem as babás e paguem uma taxa única de U$ 5,00, podem deixar os bebês bem tranquilos enquanto fazem compras ...
Eu não poderia dizer a ela que as únicas lojas de departamentos que eu conhecia eram a Bergdorf Goodman e a Lord & Taylor, ambas em NY e destinadas a pessoas com menos restrições financeiras que nós. Então aceitei seu convite, afinal, a ideia de economizar dinheiro me deixou feliz.
A aventura de compras da família Fields começou numa manhã de sábado bem fria e nublada, caia uma fina chuva sobre Forks, por isso Edward insistiu em dirigir. Agasalhamos bem os meninos, passamos na casa da Jenny e pegamos a estrada. Combinamos de encontrar com Emily, Samuel, Claire e sua baby-sitter no estacionamento da loja. A viagem foi tranqüila, os meninos dormiam, Jenny bocejava a cada trinta segundos, eu fazia notas do que comprar, Edward dirigia.
Mas a muvuca começou já no estacionamento da loja, absurdamente lotado, com pessoas impacientes buzinando sem parar. Deixamos os meninos na pick-up com a babá e fomos para duas filas diferentes. Enquanto eu pegava um ticket de compras para mim e outro para Emily, Edward estava na fila do berçário para pegar um ticket para nossos bebês e outro para a bebê dos Uley. Graças a Deus que Emily chegou logo em seguida, eu percebi que duas senhoras olhavam feio para mim porque eu estava guardando o lugar da minha amiga.
- Pensei que vocês não viriam mais. – sussurrei enquanto ela levantava o capuz de seu casaco.
- O carro nos deu um susto na estrada ... – ela sussurrou de volta – Odeio aquela lata velha ... Ah! Obrigada pelo ticket!
No melhor estilo ‘fim do mundo’, as pessoas começaram a se aglomerar na frente da loja. Muitas delas não portavam tickets e só poderiam entrar na loja depois que nós entrássemos. Depois, tipo, uma hora depois que entrássemos! Liguei para o celular de Edward e pedi que ele levasse os meninos para o berçário e que esperasse até as nove, quando todas as pessoas sem ticket poderiam entrar. Daí ele me ajudaria nas compras. Faltando dez minutos para as oito, a chuva ficou mais intensa, mesmo com guarda chuva e capa de chuva, eu me sentia açoitada pelos pingos ... Àquela altura da manhã, meu ego começava a ser açoitado também.
- Hey, belezinha ... – um cara com uma voz nojenta falou – Hey, lindinha, você mesma, de capa amarela e guarda chuva azul. – olhei pra ele por puro reflexo – Aqui dentro tá mais quentinho ...
Um homem enorme, com pinta de lutador de vale tudo, careca, cara de mau, abriu o zíper de seu enorme casaco e me convidou para ficar junto dele! Percebi que ele estava meio bêbado.
- Não ligue pra ele, Isabella. – Emily me advertiu.
Segui o conselho dela e encarei a porta da loja, o cara não se deu por vencido.
- O que foi gostosa? Tá com sono? Tá com frio? – ergui a mão esquerda e nervosamente ajeitei meus cabelos – Ah! A gostosinha é casada! O que foi? Que cara feia é essa? O marido não tá dando conta do recado? Se ele não puder com você, eu posso!
Deus do céu! O homem estava descontrolado, dizendo coisas nojentas e fazendo gestos obscenos. Corei de vergonha e de raiva, baixei meu olhar e tentei me acalmar.
- Hey, cara, respeite a senhora! – um homem falou – Se não ...
- SE NÃO O QUÊ? – o grandalhão gritou.
Em menos de um minuto, três seguranças da loja apareceram e tentaram acalmar os ânimos. Eu nem precisei abrir a boca, a discussão foi entre o bêbado nojento e o homem que falou em minha defesa. Por fim, o bêbado foi expulso da fila e ‘convidado’ a sair das dependências da loja. Minhas pernas tremiam de raiva, constrangimento e medo. Fiquei apavorada, imaginando o que poderia acontecer se Edward visse aquela cena.
Olhei para o relógio, eram quase oito da manhã. Funcionários entusiastas da loja fizeram contagem regressiva, olharam nossos tickets e abriram as portas da loja em meio a muitas salvas de palmas e gritos de ‘Bem-vindos’. Eu estaquei assim que vi um bando de homens e mulheres correndo para pegar carrinhos de compras, parecia o apocalipse. Levei uma cotovelada e um pisão no pé!
- Puta que pariu ... – murmurei.
Emily me despertou ao empurrar um carrinho para mim e quase gritar palavras de ordens.
- Vamos, Isabella! Lembre-se que só temos uma hora!
Assenti e peguei o carrinho. Como a loja era imensa, os corredores eram largos e não foi tão tumultuado como eu pensei. A prioridade eram as roupas dos bebês, então fui até a seção indicada no mapa e consegui comprar casaquinhos, chapéus, edredons para berço, luvas e meias de lã, tênis e botinhas de bebê. Vi uma montanha de fraldas descartáveis de uma marca que eu não conhecia. Havia muitas mulheres comprando, eu arrisquei uma pergunta.
- Você conhece esta marca de fralda? – perguntei para uma mulher que pegava um pacote.
- Sim. – ela respondeu – É boa. Não é a melhor, mas é boa, segura bem o xixi.
- Acho que vou experimentar ...
- Pode comprar. – ela completou – Mas durante a noite, continue usando a outra. – ela apontou para as de melhor qualidade, as mesmas que eu usava nos meninos - Aquelas seguram mais xixi.
Peguei um pacotão tamanho M e vi que ele vinha com 200 fraldas e só custava U$ 20,00. Mudei de ideia e peguei mais três pacotões, afinal o preço estava excelente.
- Hey! Cada cliente só pode levar duas unidades de cada produto da loja. – uma mulher alta, forte e de cara feia me fuzilou com os olhos, fingi não escutar – Você é surda?! – ela investiu contra mim novamente.
- Não.
Peguei o carrinho e dei as costas para ela. Fiquei pensando porque havia tanta gente mal educada no meu caminho naquele dia ... Fui ao setor de calçados e escolhi um par de botas para mim e dois pares para Ed, assim quando ele entrasse na loja, poderia se decidir com qual dos dois iria ficar. Depois escolhi edredons para nossa cama, alguns cobertores e casacos de frio para nós. Quando dei por mim, já eram quase nove horas e Ed poderia entrar para me ajudar. Fui surpreendida por um funcionário da loja.
- Bom dia, senhora, eu sou Peter Groger, subgerente da loja. Talvez a senhora não esteja a par de nossas regras. – ele apontou para os quatro pacotões de fraldas em meu carrinho.
Vi tudo vermelho na minha frente, a megera que havia feito cara feia para mim, estava do lado dele. É obvio que ela tinha me delatado! Vaca ...
- Eu conheço as regras, Sr. Groger. E não se preocupe, não vou infligi-las. – ele pareceu não se convencer – Meu marido está aí fora e vai pagar por dois desses pacotes de fraldas.
- Senhora, o preço com desconto só vale para quem possui os tickets, seu marido terá de pagar ...
- U$ 40,00 por cada pacote!!! – a mulher falou com uma voz de triunfo.
’Vaca’, falei em pensamento e resolvi usar a diplomacia para resolver a questão.
- Tudo bem, Sr. Groger. – suspirei – Eu não conhecia as regras tão bem assim ... O negócio é que sou mãe de gêmeos, tudo é em dobro.
O homem deu um meio sorriso e assentiu. Pegou dois pacotes de fraldas que estavam em meu carrinho e quase sussurrou para mim.
- Sou pai de trigêmeos. – ele jogou um ticket no meu carrinho – Quando seu marido entrar mande ele me procurar no setor de artigos para bebê. Vou esconder esses dois pacotes atrás do meu balcão.
Eu assenti minimamente e sibilei um ‘obrigada’. A mulher olhou para mim com um sorriso vitorioso nos lábios e eu me afastei dela rapidamente. Com a raiva que eu sentia dela, eu seria capaz de esfolar o pescoço da vaca! Quando Edward entrou, já foi reclamando do tumulto, da chuva, do berçário lotado de crianças choronas ... Quando ele ficou sem ar e se calou, eu lhe entreguei o ticket e mandei-o pegar as fraldas com o subgerente. De posse de dois tickets, conseguimos escolher outros produtos com mais calma e assim compramos duas cadeirinhas de papinha para os meninos, dois aquecedores para os quartos e um aspirador de pó para carros. Por volta das onze horas, nós fomos para a fila do caixa, uma fila imensa. A sensação de ‘fim de mundo’ voltou ... Trinta minutos depois, Ed rosnou, dizendo que a fila não andava e que aquela loja era a ‘visão do inferno’. Jenny ligou para meu celular e eu tive que sair para amamentar os meninos, voltei apressada para a fila e finalmente terminamos a maratona. Foi super cansativo, Edward fazia cara feia para tudo e todos, odiando cada minuto que passou na loja, meus pés protestavam, minha cabeça latejava, os meninos estavam meio abusadinhos e estressados, pois o berçário era pequeno e barulhento devido à grande quantidade de crianças que havia nele.
Gastamos U$ 578,50, incluindo o valor do estacionamento e a taxa do berçário. Eu achava que o sacrifício tinha valido a pena.
- Porra de loja! - Ed praguejou enquanto colocava as compras na carroceria da pick-up.
- Não foi tão ruim assim, amor ... – tentei minimizar.
- Fale por você. – ele falou seco e entrou no veículo.
Respirei fundo e contei até dez em pensamento. Eu não iria discutir com ele. Não mesmo. Entrei no carro e rapidamente ganhamos a estrada. Quase virei às costas para Ed, fiquei olhando a paisagem. Em minha cabeça vinham pensamentos negativos do tipo: é horrível ser pobre. Eu me senti uma Jessica Stanley, odiando cada minuto dessa minha vidinha de merda, contando cada centavo para tudo. O salário de Ed não dava para pagar nem metade de nossas despesas! Depois da dedução de impostos e outros descontos, seu salário só pagava o aluguel, a mensalidade da faculdade, seu material didático e as diárias de Sid. Comida, salário da babá, combustível, contas de energia elétrica, telefone, gás e água eram pagos pela ajuda de custo do serviço de proteção a testemunhas. Em Janeiro, quando comunicamos ao Marshall Service que estávamos esperando gêmeos, eles disseram que quando os meninos nascessem, valor da ajuda iria aumentar. Promessa. Os bebês já tinham mais de dois meses e até agora, nada.
E ainda havia o mau humor de Edward ...
Reprimi o choro. Liguei o som do carro e sintonizei aleatoriamente numa estação qualquer. Era uma rádio cristã, percebi pelo tipo de música gospel que tocava. A letra de uma música me chamou a atenção.
(vejam o vídeo)
Pela minha visão periférica, vi que Ed também prestou atenção na música. Senti sua mão direita se aproximando da minha, apertando-a com força.
- Desculpe pela grosseria, amor ... – ele olhou rapidamente para mim e depois voltou a encarar a estrada – Por um momento eu me transformei numa pessoa que não sou.
- Tá tudo bem amor ... – suspirei e cheguei mais perto dele – Foi estressante mesmo, mas eu só queria fazer o melhor para nós.
- Eu sei. – sua voz estava embargada – Eu não duvido disso.
Superamos o momento. Pelo amor em nossos corações, superamos aquele dia difícil e buscamos juntos uma forma de melhorar nossa situação financeira. Depois de muita conversa e pesquisa em sites de bancos, decidimos pegar U$ 300 mil (daquele dinheiro que tínhamos guardado) e colocá-lo num fundo de investimentos do Citibank. O rendimento era de 1% ao mês, o montante de dinheiro não ficaria parado sem nenhum uso e ainda teríamos U$ 2.700,00 (depois da dedução de taxas e impostos) todo mês, para reforçar nosso orçamento. Os outros U$ 130 mil que restavam, seria nosso lastro de segurança. Talvez alguém pudesse achar que éramos estressados demais, ou que fazíamos tempestade em copo d’água. Mas a gente tentava não mexer muito naquele dinheiro, afinal, quando ele acabasse, não haveria de onde tirar mais. E infelizmente não sabíamos muito bem sobre os rumos da investigação do Caso Volturi.
O tempo passou rápido e me vi fazendo os preparativos para nosso jantar de Ação de Graças. Educadamente, recusamos os convites dos Greeves e dos Uley para jantar com eles. Explicamos que aquele seria o nosso primeiro jantar de Ação de Graças em família e queríamos fazer como manda a tradição. Enfrentei longas filas no Newton’s e comprei tudo o que precisava para fazer o jantar. Eu queria dar o melhor de mim para que aquela noite fosse inesquecível ...
Como sempre, o país parou no feriadão. Ed só trabalhou até a quarta-feira, dia 24. Na quinta, ele se encarregou de ficar com os meninos, enquanto eu fazia o almoço (uma macarronada qualquer) e me adiantava em preparar o menu de um jantar tradicional. Como prato de entrada, eu fiz sopa de moranga com queijo gruyére, uma receita de sopa de abóbora que eu aprendi com mamãe e que ela, por sua vez, aprendeu com a vovó Marie. O prato principal seria peru assado com geléia de mirtilos, essa receita era da família Cullen, várias vezes eu vi Esme preparando-a. Como acompanhamento do peru, eu fiz arroz com legumes e purê de batata. Já a sobremesa seria torta de maçã e para beber, um gostoso vinho branco.
A tarde passou voando, a temperatura caiu drasticamente e logo começou a chover forte. Assim que terminei de cozinhar todo o jantar, Ed me ajudou a dar banho nos meninos, vestimos nossos anjinhos com calças compridas azul marinho e camisetas coloridas, por causa do frio, Thomas ainda vestia um casaquinho amarelo e Anthony, um casaquinho vermelho. Tomei um banho rápido, mas lavei os cabelos meticulosamente, pra tirar todo o cheiro de comida que pudesse haver. Enrolada na toalha levei os meninos para o quarto (eles estavam no carrinho). Enquanto eu me arrumava e tomava conta deles, Ed tomava banho.
- Meninos? Anthony ... Thomas ... – chamei-os pelos nomes e eles olharam para mim - E aí? Vocês acham que a mamãe deve usar o vestido verde ou o rosa?
É óbvio que eles não disseram nada! Cada um murmurou uma coisinha qualquer e sorriu!
Escolhi o look mais confortável e elegante: o vestido curto balonê com mangas fofas, todo em veludo verde pistache, uma meia calça grossa preta e scarpins pretos de saltos médios. Para completar, fiz um rabo de cavalo nos cabelos e pus apenas gloss nos lábios. Edward também queria conforto, ele vestiu uma calça de sarja bege e uma camisa de flanela quadriculada, no melhor estilo ‘lenhador chique’!
Parecia uma besteira, talvez fosse puro cerimonialismo, mas fizemos questão de levar os meninos para a sala de jantar. Queríamos a família completa! A mesa já estava posta, bem decorada e bem provida de comida. Eu peguei Anthony nos braços, Ed pegou Thomas e depois ele fez uma linda oração de agradecimento a Deus. Sim, apesar de tudo ... É preciso agradecer ... Não por obrigação ou para fazer bonito, nós sentíamos em nossos corações um desejo muito grande de agradecer a Deus por todas as coisas.
(apenas trilha sonora)
Tiramos algumas fotos, acomodamos os meninos no carrinho, Ed ligou o som num volume baixo e desfrutamos de nosso primeiro jantar de Ação de Graças! A sopa ainda estava quentinha, assim que senti seu cheiro, meu estômago roncou e minha boca salivou.
- Hum ... Bella, que delícia! – Ed sussurrou – Hum ... a sopinha da vovó Marie! – ele sorriu.
- Tá gostosa mesmo. – falei.
Entre colheradas de sopa, garfadas de arroz e peru e goles de vinho, conversávamos com alegria. Os meninos murmuravam alguma coisa e então a gente os incluía na conversa também. Provamos a torta de maçã e, modéstia à parte, estava divina.
- Sou um homem realizado, Bella. – Ed pegou minha mão e se aproximou mais de mim – Dizem que uma mulher conquista seu homem na mesa e na cama ... Você venceu em ambos!
- Seu bobo! – sorri – Eu também me sinto realizada. – olhei dele para nossos bebês.
Dançamos ao som de músicas românticas, a cada giro nosso, os meninos nos acompanhavam com o olhar. Na ânsia de unir mais a nossa família, eu peguei Thomas nos braços e Edward pegou Anthony. E assim dançamos, os quatro, girando lentamente pela sala.
Ao som de What a wonderful world, trocamos beijinhos e juras de amor em família. Amamentamos nossos pequenos, sussurramos para eles palavras de amor e embalamos seus sonhos. Em nosso quarto, naquela mesma noite, desfrutamos das maravilhas de nosso amor.
POV EDWARD
Junto com a expectativa do primeiro jantar de Ação de Graças da família Fields, veio a dor e a saudade. A memória de nossa família Swan-Cullen chicoteava minha alma, fazendo o meu coração sangrar.
‘Deus, será que sempre vai doer tanto assim?’
Eu fiz de tudo para me sentir melhor, e aos poucos, a sensação de perda foi sendo substituída pelo sentimento de alegria e paz: tive os melhores pais do mundo, tentei ser um bom filho. Nada saiu como o planejado, mas eu estou tentando fazer o meu melhor. E foi com esse clima que aproveitamos nosso feriadão.
Bella passou toda a quinta-feira confinada na cozinha ... Ah! Mas a alegria dela era uma coisa linda de se ver! E enquanto ela cozinhava um monte de coisas, eu aproveitava para ter um tempinho de qualidade com os meninos. Brinquei com eles, toquei músicas clássicas e suaves no violão, sorrimos bastante, fiz papel de bobo ‘conversando’ num idioma esquisito, coloquei-os para dormir e por fim fiquei velando o soninho de meus pequenos, encantado, como todo pai deve ser. Fiz isso várias vezes ao dia, Bella só chegava perto na hora de amamentá-los! E até teve uma hora em que eu cai exausto na cama, deitei os dois, lado a lado sobre meu peito, segurei-os com cuidado e cantei para eles a mesma canção de ninar que eu cantava para Bella. Eles dormiram. Acho que devo ter cochilado ...
Fui despertado pelo click da câmera fotográfica do celular.
- Amor, vocês três estavam lindos! – Bella sorriu – Vou guardar esta foto pra sempre!
Nosso jantar foi perfeito. Bella se esforçou para nos proporcionar felicidade e boa comida! Tenho muita sorte mesmo, minha esposa cozinha super bem! Mas a sorte não é só por causa disso. Em algum lugar no meu coração tem espaço para agradecer a Deus (seja lá qual for o nome que você queira dar pra Ele). Mas eu creio na existência de um ser superior, uma pessoa que dirige minha vida e que tem me ajudado a segurar a onda ... Muitas ondas fortes! Em agradecimento a Ele, fiz uma oração antes do jantar. Foi numa noite como aquela que eu me dei conta que, não importa a situação, a gente deve sempre se esforçar para fazer o melhor. Até parece que eu tenho lido aqueles livros doidos de autoajuda, do tipo ‘seja feliz acima de tudo’! Não li nada, nem tenho tempo para isso ... Só sou um cara que está tentando fazer limonadas com os limões amargos que a vida lhe ofereceu.
- Bom dia, Anthony! Bom dia, Thomas! – eu e Bella dissemos em coro no sábado, dia 27, quando eles completaram três meses de vida.
- Feliz aniversário! – eu disse e eles sorriram.
- Amor, eu acho que é ‘desaniversário’! Já que eles só fizeram três meses! – ela falou divertida e pegou Thomas nos braços.
- Feliz desaniversário! – peguei Anthony no colo.
- Oh! É nosso desaniversário de casamento também! – ela falou, ficou na ponta dos pés e me deu um selinho.
- Nove meses! – sussurrei – Te amo, Bella.
- Eu te amo mais. – ela respondeu.
Aos três meses de vida, nossos meninos já tinham entrado de vez na fase oral, aquela fase quando as crianças levam tudo o que podem à boca. Por isso eles viviam com as mãozinhas na boca e até mesmo alguns brinquedos tipo mordedores já tinham sido devidamente babados por eles. Graças ao curso de pais, nós sabíamos que aquilo era normal, era uma forma de o bebê conhecer o mundo à sua volta. A massagem shantala que fazíamos neles estava ajudando muito no desenvolvimento de seus corpos. Eles já tentavam ficar apoiados nas duas pernas quando a gente os colocava de pé! E teve um dia, quando cheguei do trabalho, que os dois estavam no carrinho, sussurrei alguma coisinha para eles e ... Puxa vida, fiquei emocionado! Meus filhos esticaram os bracinhos para mim, me chamando ... Sou pai bobo mesmo, meus olhos ficaram marejados de tanta emoção! As conversinhas deles já eram mais entrosadas, aos poucos percebemos uma mudança na entonação dos murmúrios e balbucios deles. Nosso curso de pais nos ajudou a estimular os meninos. Em momentos de descontração, eu e Bella os colocávamos na nossa cama. Segurando um brinquedo colorido a uma certa distancia de cada filho, a gente percebeu que eles tentavam pegá-los. O sono deles também mudou, se antes eles acordavam duas, três vezes por noite, agora só acordavam uma! Por volta das três da manhã, um lanchinho era sagrado, mas agora era só UM mesmo ... Eu me sentia um novo Edward, já estava dormindo mais!
Começamos a oferecer leitura para os meninos. Por orientação médica, no curso de pais, ficamos sabendo que ler para os filhos é importante para a audição deles. Pesquisas científicas afirmavam que níveis mais altos de inteligência estavam relacionados a quantas palavras uma criança ouve no primeiro ano de vida. Então um bebê bem estimulado com a leitura terá mais chances de ser uma criança com boa escrita, audição e fala. Bella gostava de ler poesias ritmadas e cheias de rimas para eles. Eu preferia ler historinhas infantis, variando o tom de voz e imitando os sons dos objetos. Mergulhamos de cabeça nesse hábito saudável, a leitura se tornou uma rotina em nossa casa, até Jenny entrou na brincadeira.
Ver meus filhos crescendo e se desenvolvendo, me dava ânimo para continuar estudando. A faculdade e as horas de estudo dedicadas à prova do concurso interno do banco exigiam muito de mim, mas por eles, eu estava decidido a fazer o meu melhor.
O calendário correu depressa, impiedoso. Novembro ficou para trás e recebemos Dezembro com muito frio, chuvas fortes e ventos intensos. Mesmo com tanto estresse, reconheci que o dia de compras naquela loja em Por Angeles valeu à pena. Com aquecedores novos, cobertores e roupas adequadas, nossa família estaria preparada para o inverno. Os planos para um lindo Natal eram executados por minha doce esposa, enquanto eu seguia estudando. Confesso que eu estava meio alheio ao clima natalino, mas tentei cooperar. Pacientemente, eu acompanhei Bella ao supermercado para comprarmos algumas iguarias de nossa ceia, também ajudei na escolha da árvore e demais enfeites de Natal. E, como não sou tão insensível assim, me rendi ao clima de festa, comprando um DVD de desenhos animados de Natal da Disney. Os meninos adoraram ‘assistir’ ao DVD, afinal as musiquinhas eram bem alegres! Concentrado e nervoso, eu contava os dias para fazer logo aquela prova. Eu ficava imaginando: um salário anual de U$ 60.000,00 ... um cargo melhor ... mais qualidade de vida para minha família.
Como as provas seriam realizadas em Seattle, na sede do banco, e começariam pontualmente às oito da manhã, eu tinha um problema: de Forks à Seattle eram quase três horas de viagem. Eu não queria passar a noite do domingo em outra cidade, não queria deixar Bella e os bebês sozinhos. Decidi que na madrugada do dia 20, quando os meninos acordassem para mamar, eu sairia de casa por volta das quatro da manhã.
- Não, Edward! – Bella protestou – Não quero que você pegue a estrada de madrugada! Dirigir com esse mau tempo, essa neblina e com a pista escorregadia é um perigo!
- Eu já fui numa oficina, mandei colocar correntes nos pneus de seu carro e na minha pick-up. E eu não quero que você passe uma noite toda sozinha ... – usei aquele meu tom de voz que não admite ser contestado.
Ela respirou fundo e se rendeu, ficou na ponta dos pés e me beijou com doçura.
- Você promete que vai tomar cuidado? – enlacei sua cintura e sorri, assentindo com a cabeça – E que vai voltar inteirinho para nós?
- Prometo! – beijei-a novamente – Bella, você e os meninos são a minha vida. Eu não suportaria passar uma noite sem vocês, principalmente nessa situação que vivemos.
No domingo, Samuel me deu a boa notícia que Embry, seu cunhado, poderia nos levar a Seattle. Assim, não precisaríamos dirigir e poderíamos descansar durante o trajeto. Gostei da notícia. Fui dormir cedo, super cedo. Por via das dúvidas, coloquei o relógio para despertar às três da manhã, mas os meninos nos acordaram. Tomei um banho, fiz um lanche rápido, peguei meu material e coloquei tudo na mochila. Me despedi de minha esposa e filhos com um beijo e um abraço, minutos depois, Samuel e o cunhado chegaram, mas fomos na minha pick-up, era um carro mais novo e veloz.
- Aê, eu sou Embry! – um jovem índio Quileute se apresentou – Esse coisa aí, é casado com minha irmãzinha! – ele deu um soco leve no ombro de Samuel e falou zombeteiro.
- Eu sou Edward. – nos apresentamos e pegamos logo a estrada.
O garoto era legal, dirigia bem e fizemos todo o trajeto num silêncio confortável, aproveitei para tentar relaxar. Eu alternava momentos de cochilo e sonhos. Imaginava minha pequena família Cullen vivendo outra realidade, longe desse pesadelo que tentamos transformar em vida. Imaginava meus filhos vivendo na mansão Cullen, crescendo com conforto e segurança, imaginava Bella terminando a faculdade de Direito e se tornando juíza, imaginava um Dr. Edward Cullen feliz e realizado, ajudando a salvar vidas. Imaginava tudo isso, sempre. E não estava disposto a desistir de nossos sonhos! Meu cochilo foi interrompido quando nos aproximamos da cidade, Seattle era um lugar agitado, bonito e urbano. Rapidamente chegamos ao banco, ao lado do prédio havia uma filial da Starbucks, então resolvemos tomar um café forte e comer alguma coisa. Embry nos desejou boa sorte e disse que estaria de volta às seis da noite, entramos na sede do Bank Of West às 07hs e 30min, nos identificamos e fomos orientados a pegar o elevador, as provas seriam aplicadas no 7º andar.
- Nervoso? – Samuel perguntou.
- Nem um pouco! – respondi.
- Ah! Seu mentiroso! – sorrimos.
A porta do elevador se abriu e entramos, duas mulheres correram em nossa direção, eu apertei o botão e segurei a porta para elas.
- Obrigada!
A loira alta, metida num terninho preto e elegante, agradeceu e sorriu para mim, seu olhar penetrante me deixou desconcertado. Eu apenas assenti com a cabeça. Elas usavam crachás de funcionárias do banco, as letras eram enormes. A mais baixa, a morena, era D. Snoan, a loira alta e bem vestida era T. Denalli, Diretora Executiva de Finanças.
- Vocês vieram fazer a prova? – a loira nos dirigiu a palavra, mas não deixava de me encarar.
- Sim. – respondemos em coro.
- Boa sorte! – elas também disseram em coro e ficaram no 6º andar do prédio.
Na parte da manhã, fizemos provas de inglês, espanhol, informática, matemática financeira, estatística e técnicas bancárias. A sala estava cheia, havia, pelo menos 30 candidatos! Um funcionário do RH distribuiu as provas e deu as orientações para tudo, após quase 4 horas de prova, entreguei meu caderno de questões. Eu e Samuel fomos almoçar, eu estava confiante, tinha consciência de ter feito uma boa prova. Samuel estava mais sério e não falou muito sobre seu desempenho. Às 14hs começaria a segunda etapa do processo seletivo: uma dissertação, uma entrevista em espanhol e uma dinâmica de grupo.
Meu coração batia acelerado, essa segunda parte de exames era muito importante, valia 50% da nota final. Não tive dificuldades para fazer a dissertação, o tema foi fácil, depois nós fomos dividimos em grupos de seis pessoas, seríamos entrevistados em espanhol, por diferentes executivos do banco. Eu cai no grupo 2, Samuel, no 5. Os executivos chegaram, ainda bem que eu estava sentado, minhas pernas ficaram bambas. A executiva de meu grupo chegou, era a mesma que dividiu o elevador conosco naquela manhã. Seu sorriso estonteante e ao mesmo intimidante me deixou desconcertado novamente. Ela parecia uma felina e eu não sabia se isso era um bom ou um mau sinal. A conversa já começou em espanhol.
- Buenas tardes. – ela sorriu para todos, mas voltou a me encarar - Estoy Tanya Denalli. Me gustaría que se presenten diciendo su nombre, lugar y posición que ocupan en el banco.
- Mi nombre es Edward Fields y yo soy el auxiliar administrativo en el banco de Forks.
Os outros candidatos se apresentaram, a mulher parecia anotar alguma coisa numa agenda e passou para a próxima pergunta.
- ¿Por qué quiere ser Gerente de Negocios?
Cada um respondeu um monte de coisas, alguns erravam feio no espanhol e se confundiam com falsos cognatos. Eu tinha certeza de estar indo bem no vocabulário. Chegou a minha vez, respirei fundo e despejei a verdade.
- Quiero crecer el banco. Quiero un buen trabajo y darle a mi familia una buena vida.
- ¿Tiene una licenciatura? – a Sra. Denalli me fez uma pergunta direta.
- Estoy estudiando administración de empresas.
- ¿Qué universidad?
Engoli em seco e fiquei meio desconcertado.
- Escuela de Educación Superior a Distancia en Oregon.
Parece que ela não gostou muito da resposta, arqueou as sobrancelhas e não sorriu. Tentei me explicar, só não sabia se estava me atrapalhando mais ainda.
- Forks es una ciudad pequeña, la única manera de hacer un curso de grado es a través de satélite. Estoy casado y tengo dos bebés gemelos. Esta es la única manera que puedo ir a la universidad.
- Casado y con dos hijos?
Ela perguntou ceticamente e eu assenti com a cabeça. A conversa fluiu para os outros participantes eu fiquei feliz por isso, já estava meio constrangido em ser o centro das atenções.
A dinâmica de grupo foi tranqüila. Eu já tinha lido num site de técnicas de recrutamento e seleção que o melhor para um candidato era ser ele mesmo, agindo com naturalidade. Fiz isso e esperava não ter feito merda! Às seis da noite as luzes da cidade grande já estavam me deixando doido ... Parece que em poucos meses eu me tornei um caipira! Mas eu também tava doido de saudade de Bella, Anthony e Thomas. Embry chegou e resolvemos passar num shopping, o garoto queria comprar um presente para a namorada, eu aproveitei para comprar o presente de Natal de Bella e dos meninos. Não demoramos muito escolhendo os presentes. Assim que entrei no veículo, senti todo o peso do dia. Eu estava exausto, esgotado, morto de fome, liguei para Bella.
- Amor, já pegamos a estrada. – sussurrei.
- Oi, amor! – ela falou eufórica – Como foi?
Bocejei antes de falar.
- Acho que foi tudo bem ...
- Muito cansado?
- Demais. Como vocês passaram o dia? Correu tudo bem? E os meninos?
- O dia foi tranquilo, só sentimos saudades de você. Os bebês estão aqui do meu lado agora, estão no carrinho. Vou colocar o celular no viva voz, fale com eles um pouquinho ...
- Anthony ... Thomas ... é o papai, filhos ...
- OMG ... Ed eles sorriram e estão procurando por você!
- O papai tá chegando ... – bocejei de novo.
- Aproveite pra descansar um pouquinho. – ela sorriu – Ah! Fiz sopa de batata e bacon ...
- Hum ... que fome!
- Descanse agora, Ed. Daqui a pouco a gente se vê! Te amo.
- Também te amo.
Depois de um bom cochilo, chegamos à Forks e eu nunca me senti tão feliz em atravessar aquela ponte sobre o rio Queets. Afinal, do outro lado, numa casinha branca, estavam as três razões da minha existência e eu não via a hora para tê-los em meus braços de novo e me sentir um homem completo outra vez. Samuel compartilhava da mesma ansiedade que eu, ele ligou para Emily duas vezes! Assim que cheguei, saltei da pick-up apressado, assim que escutou o barulho do motor do carro, Bella apareceu na varanda. Abracei minha esposa por longos segundos, inspirei o morango de seus cabelos e sorri, seu corpo quente e macio me fez relaxar.
- Paraíso. – sussurrei.
Na cozinha, Bella serviu um prato de sopa pra mim e me fez companhia na mesa. Depois da leve refeição, eu ainda tinha fome, então ela fritou ovos e eu os comi com pão e queijo e ainda tomei um suco de laranja.
- Quando eles vão divulgar os resultados das provas? – ela perguntou.
- Amanhã irão divulgar o gabarito das provas objetivas. – sussurrei – O resultado final vai sair no dia 27.
- Vai dar tudo certo, amor. – ela tocou em meu rosto com ambas as mãos.
- Espero que sim. – falei meio nervoso, meio esperançoso.
- Você já fez o melhor que pôde. Isso basta.
Abracei minha esposa e beijei-a com paixão, seus lábios, seu corpo, suas palavras, tudo nela conseguia me confortar. Tomei um banho quente, passei no quarto dos meninos, dei um beijinho em cada um (eles dormiam) e tratei de fazer o mesmo. Dormi feito uma pedra naquela noite, nem vi quando Bella acordou para amamentá-los.
POV BELLA
Dezembro começou atípico. Edward estava muito envolvido nos estudos, nervoso e ansioso para fazer a prova do banco, eu estava ocupada com os preparativos para o Natal. Por isso não fiquei ofendida ou chateada quando ele pareceu não se entusiasmar com a árvore de natal e o presépio que eu coloquei na sala.
O cúmulo da displicência dele, foi não notar uma enorme meia que eu pendurei na porta de nosso quarto.
Tadinho de meu marido! Três dias depois ele comentou comigo que a meia era muito bonita!!!
Edward parecia um robô, depois do jantar, ele dava um beijinho em mim e nas crianças e se trancava no sótão para estudar. Nos últimos dias, ele intensificou os estudos de domingo a domingo. Então nós três não tínhamos muito que fazer, a não ser olhar as luzes de Natal que enfeitavam as casas de nossos vizinhos. Forks era uma pequena e linda cidade no inverno, as pessoas entraram no clima natalino, enfeitando suas casas.
O dia da prova finalmente chegou. Ed e Samuel saíram de madrugada para poder chegarem a tempo. Meu coração foi com meu marido, passei o dia inteiro sintonizada nele. Às vezes eu rezava, às vezes só pensava ... mas não consegui me desligar de Edward. Conversei com os meninos, contei a eles que o papai estava longe, mas que voltaria logo. Contei que o papai estava fazendo uma coisa muito importante naquele dia, uma coisa que seria boa para nosso futuro.
Futuro ... senti um arrepio percorrendo o meu corpo, mas não foi por causa do frio. Por uma fração de segundos eu senti medo do futuro, era como se naquele momento, a vida de nossa família estivesse tomando novos rumos. Foi assustador, me senti vulnerável e ameaçada. Os sentimentos estranhos foram rapidamente deixados de lado, afinal eu era mãe de gêmeos e vivia ocupada. Mas não via a hora de reencontrar meu marido.
À noite, me joguei nos braços de Edward num abraço cheio de saudades e constatei que havia imaginado coisas. Ele estava comigo, eu estava em seus braços ...
A semana passou voando! Na terça, Ed ligou para mim, ele estava eufórico, quase gritando no celular, me dizendo que acertou 90% da prova objetiva. Fiquei muito feliz! Mas ainda faltavam as notas da redação, da entrevista em espanhol e a avaliação da dinâmica de grupo. O resultado final só sairia no dia 27. Na quarta feira, dia 22, fomos ao jantar de confraternização do banco. Kate e Ed fizeram um ótimo trabalho, eles alugaram o Martha’s, um dos poucos restaurantes da cidade. A festa foi ótima, o restaurante estava decorado com temas natalinos e foi especialmente preparado para o evento, assim os funcionários e suas famílias desfrutaram de um ambiente bem aconchegante e reservado. Os meninos e a pequena Claire Uley foram às atrações da noite! Todo mundo queria chegar perto de meus filhotes e dizer ‘Oh! Como eles são idênticos!’ e ‘Ah! São lindos!’, mas a melhor de todas as frases era ‘Minha nossa! São a cara do pai!’
Um coisa me chamou a atenção, ou melhor, uma pessoa.
- Kate, quem é aquela mulher baixinha de cabelos escuros? – sussurrei para a amiga de trabalho de meu marido.
- Aquela que fez o permanente mais mal feito do mundo? – Kate sussurrou de volta.
Não tive como negar. O cabelo da mulher estava medonho.
- Ela mesma.
- Donna Conroy. Ela trabalha na agência, no atendimento de pessoas físicas. – Kate falava discretamente.
- Ela está me encarando há um bom tempo.
- Eu notei. – Kate sussurrou – Não se incomode querida, ela faz isso com quase todo mundo.
Deixei passar, eu não ia me abalar por causa de uma besteira daquela. Depois de muitas conversas e comes e bebes, dei muita risada em companhia de Kate, Emily e Irina. Antes do jantar ser servido, fui ao banheiro para lavar as mãos e retocar a maquiagem. Enquanto estava na cabine, fazendo xixi, escutei uma conversa desconcertante.
- Você viu como ela ficou gorda? – não reconheci a voz.
- Que nada! Para quem teve gêmeos, o corpo dela está perfeito.
- E aqueles peitões?!
- A mulher está amamentando, Donna! O que você queria?
Ah! A ficha caiu! Era a tal da Donna e mais outra mulher que eu não conhecia, tentei olhar pela abertura da porta e reconheci a figura, era a esposa de Mark, o colega de trabalho de Ed. Pelo menos ela ainda não tinha falado mal de mim.
- Queria que ela não tivesse dado o golpe da barriga nele! – Donna falou exasperada – Tá na cara que eles só se casaram porque a sonsa engravidou ...
- Tá maluca?
- Maluco foi ele por ter se casado tão jovem!
- Deixe de tolices! – a outra falou – Mark me disse que Edward vive espalhando para os quatro ventos que a mulher e os filhos são tudo pra ele.
Donna bufou e resmungou alguma coisa, depois as duas saíram do banheiro. Eu ainda fiquei mais um pouquinho, tentei controlar a respiração e me refazer daquelas intrigas. Por fim, retoquei a maquiagem e me concentrei em fazer uma cara feliz, sai do banheiro pisando firme, sentei ao lado de Edward e beijei-o com carinho. Se aquela vaca invejosa estivesse vendo, teria a oportunidade de se engasgar com o próprio veneno.
Depois eu parei pra pensar naquele incidente. Eu pensava que numa cidade pequena, uma Bella e um Edward ‘não-bilionários’ não despertariam a inveja das pessoas. Afinal somos gente comum, temos filhos, babá, contas para pagar e mais um monte de obrigações. Por que sentir tanta inveja? Inveja porque Edward me ama? Inveja porque somos felizes? Felicidade não se compra, nem se ganha de Papai Noel, dia após dia a gente tem que lutar por ela. Eu queria poder dizer para Donna: ‘corra atrás de sua felicidade, se você tiver coragem para isso, mas não inveje ninguém’.
(apenas trilha sonora)
(apenas trilha sonora)
No dia 24 as ruas de Forks amanheceram cobertas por uma crosta de gelo, fazia muito frio, o vento era impetuoso. Desfrutamos de uma linda e rica ceia de natal na casa dos Greeves, dessa vez Charlotte e Peter não abriram mão de nossa presença.
Os meninos estavam lindos! Depois de um banho morno e relaxante, vestimos fantasias de Papai Noel neles. OMG ... Meus bebês ficaram as coisas mais fofas do mundo! Depois do meu banho, levei os meninos para o quarto, tomei conta deles enquanto me vestia. No melhor estilo ‘recordar é viver’, escavei em meu closet um Chanel curto de tweed lilás, mas por causa do frio, vesti meias calças preta. Deixei meus cabelos soltos, fiz uma maquiagem leve e calcei mini botas pretas de salto alto. Eu estava um pouco insegura com o look, afinal aquele vestido não era novo. Quer dizer, aquela era a terceira vez que eu o usava. Fiquei imaginando o que Edward diria ...
- Linda!
Ouvi a voz de amor e eu me virei. Ele estava na porta do quarto, vestia um roupão de banho, seus cabelos cor de bronze ainda estavam molhados. Sorri pra ele.
- Não é novo ...
- Aspen, inverno de 2008. – ele recordou – Você usou esse vestido naquele fim de semana que comemoramos o aniversário de Leah ...
Recordar é viver mesmo! Jacob, Leah, Victoria, James ... Alice, Jasper, Emmett e Rose. O que eles estariam fazendo? Como seria o Natal de nossos amigos? Será que sentiam nossa falta?
- Bella? – ele desfez a distancia entre nós e tocou em meu rosto – Tá tudo bem, amor?
- Tá sim! – sorri – Só me lembrei de nossos amigos. – dei um selinho nele e me afastei, empurrando o carrinho dos meninos – Vamos te esperar lá na sala.
Eu não queria atrair melancolia, por isso liguei a TV e ficamos assistindo desenhos animados de Natal. Em menos de dez minutos Edward estava pronto, lindo e charmoso na minha frente. Ele escolheu um look perfeito, calça de alfaiataria preta, camisa de linha preta e um blazer cinza grafite. Meu deus grego fez minha melancolia ir para o espaço!
Aquela foi a ceia dos ‘longe da família’. O Sr. Hobbes apareceu com um lindo buquê de suas rosas especiais de inverno. Nossos vizinhos se empenharam em decorar a casa, uma imensa, colorida e brilhante árvore chamou a atenção dos meninos. Eles sorriam cada vez que um papai Noel de brinquedo batia palmas e dava cambalhotas.
Sidclayton e Paolo levaram uma torta de merengue com morangos. Eu preparei um lombo assado com molho de laranja, Jenny escolheu passar a véspera de Natal conosco e fez estrogonofe de frango. Charlotte havia preparado salada de folhas verde com frutas vermelhas, arroz à grega e chester recheado com farofa de avelãs. Também havia duas opções de vinho e champanhe na mesa. O clima foi alegre e descontraído, fizemos amigo-oculto e trocamos muitos presentes. Os meninos foram a sensação do jantar, todos queriam tirar fotos com meus ‘papais noel’, que foram devidamente paparicados por todos até que se renderam ao sono.
O dia 25 seria especial.
Onze anos de namoro!
Acordei em meio aos braços de Ed e sorri. Duas crianças começaram a namorar há onze anos, se casaram, fizeram uma família ... Fiquei hipnotizada por alguns segundos, olhando para meu marido. Tenho certeza que eu tinha um sorriso bobo nos lábios. Afinal aquele era Edward Cullen, meu amor, meu amigo, meu tudo. Afinal ele me ama!
Com cuidado para não acordá-lo sai da cama, fiz minha higiene matinal e me apressei para preparar um café da manhã bem gostoso para nós. Enfeitei a mesa com pães, muffins, frutas e flores, fatiei panetone, fiz café, suco de laranja e waffers com queijo e geleia de uva. Depois voltei ao quarto, deitei na cama e comecei a beijar o rosto de meu amor.
- Bom dia minha vida! – sorri – Feliz Natal! – enchi seu rosto de beijinhos e escutei seu sorriso – Feliz 11 anos de namoro!
Num único movimento Ed me abraçou e beijou minha testa, meu corpo ficou sobre o dele e suas mãos envolveram minha cintura enquanto as minhas se enroscaram em seus cabelos cor de bronze.
- Feliz Natal! Feliz aniversário de namoro, amor. – sua voz rouca e sedutora me fez hiperventilar – Eu te amo, minha Bella ...
Ficamos nos olhando por algum tempo, mergulhados nos olhos um do outro, parecia que eu podia ver através de Edward e ele, através de mim. Selei nossos lábios num beijo de amor, desejo e felicidade, nossas línguas se encontraram com furor, então o beijo se tornou quente e luxuriante, quando o ar nos faltou, ofegamos e sorrimos.
- Vou pegar seu presente. – falei por fim e sai de cima dele.
Na noite anterior eu não havia lhe dado nenhum presente, deixamos para fazer isso longe das outras pessoas. Entrei no closet e sai logo em seguida segurando uma caixinha na mão, ela tinha uma fita de cetim azul formando um laço.
- Pra você, amor.
- Então, espera um pouquinho, vou pegar o meu também. – ele também entrou no closet e saiu carregando uma sacola da Victoria Secret.
- Eu espero que você goste ... – ele me estendeu o presente.
Abri a sacola com grande ansiedade, eu parecia uma criança.
- Amor, é ... é linda!!! – sorri e me joguei nos braços dele.
Ganhei uma camisola curta de seda estampada e enfeitada com renda cor de rosa, muito chique e sensual.
- Já imagino você dentro dela ... – ele sussurrou e mordiscou o lóbulo da minha orelha, me senti úmida na mesma hora.
Edward sorriu malicioso ao escutar meu gemido, depois ele pegou a caixinha e abriu seu presente. Era um relógio de aço inoxidável, na parte de trás dele havia uma inscrição: ‘Edward, feliz onze anos de namoro. Eu te amo. Para sempre sua, Isabella’
Ele sorriu mais ainda me abraçou e me girou várias vezes no quarto, parecíamos duas crianças.
- Obrigado, amor! – ele me beijou novamente.
O dia foi delicioso e em família. Tomamos café da manhã, brincamos com os gêmeos e lhes entregamos seus presentes de Natal. Edward havia comprado mordedores de plástico dos personagens da Disney, tudo muito colorido e molinho. Eu tinha certeza que Mickey, Minnie, Donald, Margarida, Pateta e Pluto iriam adorar ser mordidos por meus filhotes! Eu comprei pantufinhas de bichinhos e pijaminhas de flanela, afinal o inverno estava muito rigoroso e como os meninos cresciam do dia para noite, roupas eram sempre bem-vindas.
À tarde nós aproveitamos a horinha do cochilo dos meninos e tomamos um gostoso banho quente. Preparei sais de banho, coloquei o mini som sobre o balcão do banheiro, sintonizei numa rádio de baladas românticas e carreguei meu amor para a banheira. Em meio a muitas carícias, beijos, sussurros e gemidos, renovamos novos votos de amor, fidelidade e cumplicidade.
A noite de Natal começou fria, mas era um friozinho aconchegante que nos convidava a ficar na sala de TV. Edward acendeu a lareira e fez pipoca de micro-ondas, assistimos desenho animado com os gêmeos. Estávamos sentados, lado a lado e bem abraçadinhos, os meninos estavam em nosso colo e envolvendo nós quatro havia um edredom gigante. Aquele era um momento mágico. Não havia glamour, não havia muito romantismo ou sensualidade, mas havia coisas maravilhosas. Amor, carinho, proteção, calor ... Levantei um pouco a cabeça e fitei Edward.
- Amor, eu descobri que amo mais ainda o Natal! – ele sorriu e beijou minha testa.
- Mais ainda?
- Há exatamente um ano atrás nossa família começou. – sorri e olhei para os gêmeos.
Nossos bebês estavam bem calminhos e entretidos em nosso colo, eles mordiam seus novos presentinhos.
- É mesmo! – Ed se inclinou e beijou os meninos – Anthony, Thomas, vocês sabiam que foram feitos hoje?! – ele falou zombeteiro e os meninos sorriram.
- Edward! – acho que corei – Não fale essas coisas pra eles!
- É sério, meninos! – ele continuou – O papai teve a brilhante ideia de levar a mamãe para a Martinica. – ele falava como se os meninos pudessem entender – E no dia 25 de Dezembro, depois de uma noite de muito amor, nós fizemos vocês dois! – os meninos sorriram e eu acho que corei mais ainda – Vocês são o melhor de nós dois ...
Anthony abriu a boquinha, fazendo um O bem redondo, depois foi a vez de Thomas bocejar. Quando os meninos dormiram e tivemos um pouco mais de privacidade, arrumei sobre a mesinha de centro da sala uma surpresinha para Ed.
- Fondue!? – ele sorriu torto.
- Comprei pronto! – sorri – Mas eu cortei as frutas e o queijo!
Sentamos sobre o tapete da sala, de frente para a lareira. Ed nos envolveu no edredom, tomamos vinho tinto e entre beijos, demos pedacinhos de fruta e queijo na boca um do outro.
- Te amo, Sra. Cullen. – os olhos verdes de meu marido eram quentes e aconchegantes.
- Te amo, Sr. Cullen.
Outro beijo nos calou, aos poucos fui deitando sobre Edward, nossos corpos pegaram fogo. As peças de roupas foram sendo jogadas ao chão e então o contato de nossas peles foi como rastilho de pólvora. Fizemos amor no chão da sala de TV, aquecidos pelo fogo da lareira e pelo desejo, envolvidos num grosso edredom e na chama eterna que muitas pessoas chamam de AMOR.
Os últimos dias de 2010 vieram com mais frio e neve. Na segunda-feira, 27 de Dezembro, por volta das nove da manhã eu estava fazendo o almoço quando Jenny entrou na cozinha.
- O Sr. Fields acabou de chegar.
- Edward?! – perguntei surpresa.
A babá olhou para mim e não respondeu, mas deve ter pensado: ‘e existe outro Sr. Fields?’. Caminhei apressada até a varanda, Ed vinha em minha direção com um sorriso febril no rosto.
- PASSEI!!! – ele me pegou nos braço e nos girou no ar – Eu passei, meu amor! Passei na prova do banco!!!
- Oh! Edward ... Amor! – sorri – Parabéns, querido!
Nos beijamos com intensidade até que o ar fugiu de nossos pulmões.
- Emprego garantido agora! – falei.
- Espero que sim. – ele suspirou e sussurrou – Mas você deve se lembrar de que não podemos sair de Forks. Então se eles quiserem me transferir, eu ...
- Não pense nisso. – levantei uma de minhas mãos, fazendo- se calar – Vai dar tudo certo.
-Tem razão. Agora preciso ir, só vim te dar a notícia pessoalmente. – ele beijou minha testa – Ah! Samuel também foi aprovado.
- Que bom!
Ele me abraçou novamente e me beijou, depois entrou no carro e voltou para o banco.
O réveillon foi em clima de festa e conquista para nós e para os Uley. Fomos convidados a participar do baile de ano novo da Tribo Quileute em La Push. No centro comunitário da reserva indígena havia um grande salão de festas onde participamos de um gostoso e descontraído jantar. Mas na hora da virada de ano, voltamos para a casa de Samuel e Emily, onde nossos bebês e a pequena Claire dormiam sossegados em companhia de uma baby sitter. De forma alguma eu queria receber 2011 longe de meus filhos! Fizemos contagem regressiva, brindamos com champanhe e fizemos votos, felicitações e juras de amor. Beijei meu marido nos primeiros minutos de 2011, beijamos nossos filhos logo em seguida.
Ano-novo, tudo novo de novo! Por volta das 3hs da manhã voltamos para Forks, os meninos mamaram e voltaram a dormir. Eu e Edward estávamos exaustos, caímos na cama também. Devo ter apagado em trinta segundos!
’Edward’, eu chamava desesperada por ele. Em meus braços, os nossos bebês choravam e mexiam os bracinhos, chamando pelo pai. Mas Edward não olhava para nós, ele caminhava em direção dela ... Uma mulher horrível, um monstro! Uma coisa demoníaca com enormes serpentes douradas na cabeça e olhos vermelhos. Ela ciciava que nem uma cobra. ‘Por favor, Edward, não nos deixe’, eu chorava e sentia minhas pernas fraquejarem ... Ele não falava e se distanciava de nós. A mulher olhou para mim e sorriu.
- EDWARD, NÃO! – pulei na cama, ofegante e suada.
- O que foi?! – ele acordou atordoado.
Eu me joguei em seus braços e chorei feito uma criança. Meu coração estava acelerado e meu corpo todo tremia.
- Bella ... shii ... o que foi, amor? – ele afagava minhas costas com carinho – Um pesadelo?
- Oh! Edward ... – assenti com a cabeça – Foi ... foi horrível ...
Ele enxugou minhas lágrimas e me aninhou em seu colo. Depois de alguns minutos, eu consegui me acalmar.
- Quer me contar o que foi? – ele perguntou cauteloso.
- Uma ... uma coisa, uma medusa, eu acho. Uma mulher com serpentes amarelas na cabeça ... ela ... ela ... – solucei – Tirava você de nós ... Eu chorava, os meninos choravam, a gente te chamava mas ...
- Shii, amor! – ele me abraçou de novo – Ninguém vai me tirar de você e dos meninos. Ouviu? – assenti com a cabeça – Não tem mitologia ou feitiço capaz de me fazer deixar vocês. Eu te amo, Bella e amo nossos filhos também.
Fiquei aninhada nele, sentindo seus afagos e ouvindo minha canção de ninar saindo de seus lábios. Tudo o que eu queria era esquecer o pesadelo. Mas estava difícil. Medusa, de acordo com o que eu sabia de mitologia grega representava todo o tipo de perversões. Ela tinha sido transformada em monstro e era o símbolo da mulher rejeitada e incapaz de amar. Ela era lasciva, desejava todos os homens, mas na verdade os odiava, queria apenas destruí-los. Medusa era a própria infelicidade.

