Terror
Isabella tinha desaparecido.
Tudo aconteceu numa curva fechada perto do sopé da montanha. Michael estava cavalgando na frente dela, e Isabella ficou sozinha por não mais do que trinta, mas esse foi todo o tempo necessário.
Michael pensou que ela estava bem atrás dele, pois podia ouvir os cascos de Rogue soando contra as pedras. Ele sabia que a Princesa tinha diminuído a marcha como era seu costume antes de fazer cada curva. De um lado havia um precipício com rochas soltas na borda, se ela apressasse a marcha, Rogue podia se desequilibrar. Do outro lado havia uma enorme pedra. Árvores emaranhadas e espinhosas cresciam em ângulos perpendiculares pelo caminho, e pareciam tentáculos torcidos estirando-se sobre a trilha. A vegetação era tão densa que abafava qualquer tipo de som.
Isabella e o guarda estavam conversando amigavelmente.
— Acho que o Laird vai mandar ampliar esta estrada. — lhe disse — Assim, Lady Cullen não terá se preocupar que seu cavalo possa escorregar.
Esperando uma resposta, Michael olhou por sobre seu ombro. Rogue ainda estava detrás dele, mas Isabella tinha desaparecido. Saltando de seu cavalo, o guerreiro a chamou aos gritos: — Lady Cullen!? Lady Cullen!?
Não houve resposta. Pensando que ela poderia ter caído, Michael voltou para a curva correndo e voltando a gritar:
— Está ferida? Lady Cullen onde a senhora está?
E tampouco obteve resposta. Michael gritou para o sentinela que estava do outro lado do penhasco:
— Você pode ver Lady Cullen?
O guerreiro não podia ouvi-lo, mas os dois sentinelas que patrulhavam a colina atrás dele o ouviram e deram o alarme. Os gritos sobressaltaram Rogue e o assustado animal se virou e partiu como um raio em direção ao topo da colina.
Frenético, Michael deslizou para baixo da encosta para ver se sua senhora tinha caído. Isabella não estava ali. Depois de voltar a subir, usou sua espada para cortar alguns dos matagais, agarrando-se à esperança de que sua senhora, de alguma forma, tivesse ficado presa entre os espinhos e que logo o chamaria para pedir ajuda.
— Ela não está aqui ... Oh! Deus! Nossa Princesa não está aqui! — Michael gritou, com a voz tomada pelo pânico.
Em questão de minutos a área estava tomada por guerreiros Cullen, todos procurando por Isabella. Jasper e Seth, os melhores rastreadores do Clã, tomaram cada um, um pedaço da estrada para procurar rastros.
Michael tinha rastreado a maior parte do caminho e abrira boa parte dos espinheiros, por isso havia pouca evidência de onde e como alguém pudesse ter chegado até Isabella. Jasper afastou-se na direção da encosta até onde o terreno se nivelava, ele fez uma curva brusca no desgastado atalho que se abria para a esquerda onde o caminho tinha uma extensão maior de terra do que rochas. Ele esperava encontrar pegadas ali, caminhou uma boa distância e quando olhou para trás, chamou Seth, que tinha estado procurando no outro lado da encosta, saiu correndo.
— Eu diria que foram ao menos quinze homens — estimou Jasper.
Ele baixou a vista para a terra que tinha sido pisada por rastros de pés e cascos de cavalos.
— Acredito que eram mais. — disse Seth.
Jasper andou na direção contrária. As pisadas faziam uma curva na direção da mata que subia para o penhasco.
— Parece que alguns deles se separaram do grupo aqui.
Seth o seguiu enquanto rastreava os ramos quebrados e cortados. Jasper se deteve o chegar ao topo que estava por cima da curva fechada que havia no caminho.
— Aqui foi onde se esconderam — disse — Eles estavam esperando que Isabella passasse abaixo deles.
— Quem quer que fosse, tinha absoluta certeza que Lady Cullen passaria por aqui. — falou Seth com grande tristeza — Sinto dizer, mas acho que temos um traidor entre nós.
— Este miserável morrerá em minhas mãos, pode ter certeza. — falou Jasper com a voz carregada pelo ódio.
— Olhe! — disse Seth enquanto se agachava e tirava algo preso em um ramo espinhoso.
O guerreiro levou à mão um pedaço de tecido quadriculado. Era o tartan do Clã Cullen.
— Como sempre, Isabella usava um chalé com as cores de nosso Clã. — Jasper falou com tristeza — Você deve organizar grupos de guerreiros para que procurem por esses bastardos, quere que cavalguem a toda velocidade e procurem em todos os lugares. Todos os lugares, Seth.
O guerreiro assentiu com vigor partiu de imediato.
À Jasper coube a missão de ir até a propriedade do Laird Sinclair para dar ao Edward a horrível noticia. Aquela era a missão mais difícil de sua vida, ele sabia que o coração do irmão iria sangrar quando soubesse do ocorrido.
Isabella despertou com uma aguda dor de cabeça, ela abriu os olhos e tentou entender que estava acontecendo. Ela olhou ao redor e viu que estava num quarto desconhecido, assim como numa cama que jazia não era sua. O teto do quarto era baixo e estava tão perto que, se estivesse sentava, poderia tocá-lo com a mão. Ela deduziu que estava num sótão. O ar cheirava a mofo e ranço. O que quer que fosse aquele prédio, não tinha sido usado por um longo, longo tempo. Os pedaços de palha do colchão lhe arranhavam as costas, e sobre o rosto podia sentir a aspereza da manta que alguém tinha atirado sobre ela. Ela sentiu uma espetada no braço e tentou se coçar, quando abaixou a mão, tinha uma mancha de sangue nos dedos. Então viu os arranhões que tinha no braço.
Lentamente sua mente se esclareceu. Rogue. Ela estava montando Rogue. E havia outro animal. Não, não. Ela pensou que o ruído que tinha ouvido era provocado por um animal à procura de comida. E também tinha ouvido um farfalhar. Depois, uma dor excruciante.
No piso inferior, ela ouviu o ranger de uma porta se abrindo, e o sussurrar de gente entrando no prédio. Imediatamente Isabella ficou bem acordada. Ela gostaria de ter podido correr até a beira do sótão para poder olhar para baixo, mas temia que a vissem ou a ouvissem.
E também não estava segura de quantas pessoas havia no andar inferior até que escutou suas vozes, dentre elas, a voz de uma mulher. A porta do sótão estava entreaberta, ela se concentrou em ouvir.
Isabella conhecia aquela voz ...
— Será melhor que você reze para que ela desperte, Leod, porque se não, ele vai te matar e te enterrará justo em cima dela. Nunca vi ninguém tão estúpido!
— Eu só fiz o que você me mandou a fazer — protestou Leod — Você disse que a deixasse sem sentido rapidamente antes que tivesse oportunidade de gritar e que logo a entregasse a ele para que a transportasse, e isso foi o que eu fiz, Leah.
Oh! Deus querido ... Leah ... Não! Como ela poderia fazer isso conosco? Pensou Isabella em profundo desespero.
— Deixei-a sem sentido apenas. Não me importa quanto você se zangue, eu fiz todo o trabalho. Enquanto os outros estavam nos esperando aqui, fui em quem carregou a mulher nas costas, por meio de tantos pedregulhos e espinhos. Tenho a pele das mãos e dos braços arranhados por espinhos. Também tenho cãibras nas pernas. Você não deveria gritar comigo porque eu fiz todo o trabalho sozinho.
— Sei que fez, mas não deveria ter usado o estilingue nela.
Isabella estava nauseada. Aquela era mesmo a voz de Leah ... a antiga empregada do castelo Cullen e filha da doce e querida Sue.
— É o que eu uso para apanhar passarinhos.
— Uma mulher não é um pássaro, Leod. — Leah falou com rispidez.
— Tem razão. Neste momento, eu estou diante de uma mulher mais amarga que a morte. — ele falou com sarcasmo.
— Você poderia ter quebrado o pescoço a ela.
— Usei uma pedra pequena para que isso não acontecesse.
— Certamente espero que ela desperte. Ele não gostará de ver sua prometida quase morta.
Prometida? Isabella arfou em profundo desespero. Quem é ele?
— Pus um capuz nela. Aquele lindo rostinho está intacto. — Leod falou.
— Tínhamos que ter levado Andrew conosco, assim você não precisaria feri-la.
— De que nos serve o garoto? É tão franzino, que parece que tem dez anos, e tão inexperiente que não nos serviria de nada.
Isabella ouviu o som da porta se abrindo novamente e, tanto Leah quando Leod se calaram. Alguém chegou.
— Como ela está? Já acordou?
Isabella fechou os olhos, tentando aquietar seu palpitante coração. Deus do céu! Era ele!
Ela ouviu as botas pisando nas tábuas que formavam a escada, e enquanto o homem se aproximava, ela ficou absolutamente quieta. Ele já sabia quem era, pois reconheceu aquele cheiro repugnante e azedo.
— Por que ela ainda está dormindo. — ele sacudiu-a.
— Está dormindo, apenas. — Leah sussurrou.
Isabella passou de uma atordoada incredulidade à raiva em menos de um segundo. Por que estava Caius ali? O que ele ainda queria dela? Por que Leah resolveu trair seu próprio Clã? Mas não havia tempo para tentar entender os motivos, em vez disso, ela precisava encontrar uma forma de escapar.
— Tem certeza de que ela está dormindo? — demandou Caius, e antes que Leah pudesse responder, disse: — Ela falou alguma coisa antes de adormecer?
— Ela está viva — disse Leah — Mas não está acordada.
— Mande Leod levá-la para baixo. — ordenou Caius.
— Mas ela ainda não está acordada — lhe recordou Leah.
Isabella escutou um ruído, parecia ser uma tapa, e logo: — Sim, senhor. Vou mandar Leod levá-la
O homem subiu ao sótão e levantou Isabella da cama e carregou-a escada abaixo.
— Peguem a cadeira e ponham-na ali. — ordenou Caius — Leah, traga corda e amarre-a.
Isabella continuou fingindo dormir enquanto era empurrada e amarrada. Sua cabeça pendia para frente, e o cabelo cobria seu o rosto. Ela abriu os olhos minimamente e sabia que Caius estava frente a ela. Sentia seus malvados olhos fixos nela, podia ouvir seus ofegos, e aspirou seu asqueroso cheiro de azedo e perfumes fortes.
Leod atou uma corda ao redor da cintura de Isabella, esticando bem as pontas atrás da cadeira. Logo envolveu outra corda ao redor de seus punhos e atou com um nó duplo.
— Está bem atada — ele disse — Não pode se soltar.
Ela apalpou os nós com os dedos e pensou que aquilo poderia ser um truque. Certamente ele sabia que ela era capaz de desfazer os nós. Será que ele estava tentando provar que ela estava acordada? Ou era realmente tão estúpido? Teve sua resposta quando o homem se afastou.
— Tragam um copo com água — ordenou Caius.
Quando o teve na mão disse:
— Saiam. Os dois.
— Ele quer estar a sós com ela. — zombou Leah.
— O que ele vai fazer com ela atada à cadeira? — perguntou Load.
— Saiam e fiquem fora até que eu lhes chame! — gritou Caius.
Assim que a porta se fechou, Caius agarrou Isabella pelo cabelo e lhe atirou a cabeça para trás. Lançou-lhe a água no rosto.
Ela gemeu e lentamente abriu os olhos. Caius tinha seu horrível rosto frente a ela.
— Acorde, Isabella! Acorde!
Leah saiu da sala, mas resolveu escutar atrás da porta e olhar pelo buraco da fechadura da mesma. Caius não havia lhe dito que era o noivo inglês de Isabella? Se isso era verdade, por que ele lhe machucou deliberadamente? Por que ele colocou a palma da mão sobre o rosto dela para lhe empurrar a cabeça contra o encosto da cadeira?
Leah sentiu o amargo gosto do remorso na boca. Aquele bastardo inglês havia mentido para ela ...
Como um louco, Caius se ajoelhou em frente à Isabella e muito gentilmente lhe acariciou o cabelo do com a ponta dos dedos.
Seu contato provocou ânsia de vômito nela.
Ele arrastou uma cadeira e se sentou de frente a ela. Abraçando os joelhos com as mãos, estudando-a com curiosidade.
— Não quero te fazer mal, Isabella.
Ela não lhe respondeu. Viu que ele tinha uma expressão desequilibrada nos olhos.
— Quero te fazer uma pergunta, isso é tudo. — disse afavelmente — Quando tiver me dado uma resposta satisfatória, poderá ir para casa. Só uma pergunta e uma reposta. Você vai cooper, não é?
Ela não respondeu. Ele inclinou a cabeça e a estudou, aguardando. Logo, repentinamente, deu-lhe uma bofetada com o dorso da mão.
— Está pronta para responder minha pergunta?
Ela negou-se a responder. Ele voltou a golpear.
— Onde está o ouro? — ele gritou.
Antes que ela tivesse tempo de reagir, ele disse:
— Quero o tesouro de St. Noah. Onde ele está?
Leah ainda ouvia tudo de detrás da porta. Ela finalmente se convenceu que havia sido usada por aquele que fingia se lamentar pela perda da noiva. Caius nunca teve qualquer compromisso com Isabella ...
— O tesouro não existe. — Isabella disse, preparando-se para receber outra tapa.
Mas Caius não a golpeou.
— Sim, existe. Fui a St. Noah e descobri que o Rei não enviou o ouro ao Papa. Ele o escondeu.
— Se isso for verdade, então o Rei levou o segredo para o túmulo.
Caius balançou um dedo diante dela.
— Não, não! O segredo passou de geração em geração. Sua mãe sabia, não é verdade? E disse o segredo a você.
— Não, ela não poderia ter me dito isso, porque o tesouro não existe.
Irado, Caius voltou a bater em seu rosto, nesse momento, Leah entrou na sala.
— Seu bastardo mentiroso! — ela gritou — Você me disse que queria de volta a sua noiva! — ela gritou mais alto — Você não disse que estava interessado no ouro!
Antes que Leah pudesse terminar de falar, Caius a golpeou duramente, jogando-a ao chão e cortando seu lábio inferior. Mas Leah não se deu por vencida, num salto ficou de pé e tirou do cinto de seu vestido um pequeno punhal.
Caius sorriu demoniacamente e com um gesto de mão, chamou-a para si. Não houve lute. Rapidamente, Caius tomou o punhal da mão da mulher e cravou-o em suas costas. Isabella assistiu aquela cena terrível em grande estado de choque.
— Leod! — Caius gritou e imediatamente o homem entrou na sala — Leve este animal daqui. — ele apontou para o corpo sem vida de Leah.
Menos de um minuto depois do assassinato, Caius voltou a se sentar na cadeira onde estava e voltou a falar calmamente.
— Não acho que compreenda inteiramente minha situação, Isabella. O tesouro me liberará do Rei. Agora os outros Barões me vêem como o lacaio real. Só tenho inimigos e mais nada a perder.
Isabella pensou que ele desejava que ela sentisse lástima por ele.
— Pensei que seria muito simples pedir sua mão em casamento. Tinha ouvido as histórias sobre o tesouro escondido, mas não acreditei até que o Rei me envio a St. Noah para assegurar-se de que seu administrador não o estivesse traindo. No palácio vi várias moedas de ouro com meus próprios olhos. Disseram-me que as conservavam como lembrança, mas que o resto tinha sido enviado ao Papa.
Ele sorriu com sarcasmo.
— Mas ninguém podia dizer quanto ouro havia no princípio. Quanto mais gente eu interrogava, mais me convencia de que o Rei Phillip tinha guardado a maior parte do ouro para si mesmo. E então conheci um ancião que tinha visto… o ouro pilhas e pilhas de ouro que simplesmente desapareceu. Aonde o ouro foi, Isabella?
— A cobiça faz que você se comporte de maneira irracional. O ouro não existe — ela disse.
Ele suspirou dramaticamente.
— Sim, existe. Depois de tudo o que tenho feito ... sim, ele existe.
— Não posso dizer isso porque não sei onde está.
— Então você admite que ele existe. — Caius agia como se acabasse de enganá-la para que confessasse.
Ela sacudiu a cabeça.
— Não.
Ele sentou novamente na cadeira, cruzou uma perna sobre a outra e começou a balançar indolentemente um pé, para frente e para trás.
Passou um longo minuto em completo silêncio. Logo seu temor se converteu em terror.
— Você ama seu pai? — pergunto-lhe.
Ela deixou escapar um grito agudo.
— Onde ele está? O que você fez com ele?
— O que lhe tenho feito eu? Nada, ainda. Seu pai não viajava com tantos homens para se proteger de uma emboscada. Assim, ele facilitou as coisas. Estive observando-o enquanto partia através do território Cullen e soube exatamente onde atacar. Não se preocupe, ele ainda está com vida, embora sua condição está se deteriorando. Diga agora onde está o ouro e deixarei seu pai viver.
Quando não respondeu imediatamente, Caius disse:
— Acha que posso estar mentindo? Como sei que o Barão Charlie estava a caminho daqui? É muito fácil conseguir uma prova. Enviarei alguns de meus homens onde ele está. Se cortarem-lhe a mão direita e lhe trouxerem seu anel com o selo dos Swan, você saberá.
— Não! — gritou — Você não se atreveria a matar a um barão.
— Não? Por que não? Já matei a um Laird.
— Black? Matou ao Laird Black?
Ele encolheu os ombros.
— Não podia permitir que ele vivesse e se casasse com você. Eu tinha que poder falar com você sobre o ouro. Para Mike Newton não importava o que eu fizesse com você, contando que ele obtivesse Finney’s Flat. Vivo, aquele bastardo provou que não me era de nenhuma utilidade mas, agora que está morto, foi de grande ajuda já que nos encontramos numa cabana perdida dentro da fazenda Newton. Seu Clã está tão confuso que não tem nem idéia de que estamos aqui.
— Meu marido virá me buscar. — Isabella sussurrou.
— Primeiro ele terá que te encontrar, e eu me assegurei de que meus homens partissem em todas direções para cobrir os rastros. Quer perder a seu pai e seu marido?
— Não.
— Então me diga onde está o ouro e diga rápido. Não podemos ficar aqui sentados durante dias intermináveis. Dessa forma seu marido certamente nos encontrará, e eu terei que matá-lo.
— Vou dizer.
O ofego de Caius soou como um grunhido:
— Sim, sim, me diga.
— Está em Phoenix — ela mentiu — E bem escondido.
Ele riu.
— O ouro está em Phoenix e seu pai…
— Mamãe não podia dizer a ele. Eu sou a única que sabe onde está. O tesouro pertence à família real de St. Noah.
— Deverá me dizer exatamente onde ele está, já que Phoenix é quase do tamanho de um pequeno país. Está escondido no castelo?
— Não, está enterrado.
— Onde? — demandou.
Caius tinha o rosto distorcido com uma expressão selvagem, tão grande era sua obsessão pelo ouro.
— Devo-lhe mostrar isso. É a única forma. Como lhe disse, a propriedade é imensa.
— Então iremos a Phoenix.
— Se meu marido souber, irá nos seguir, e não deixarei que o mate. Você deve enviá-lo na direção oposta.
— Como lhe faço chegar às notícias?
Isabella falava com cautela, seu plano estava indo bem.
— Meu marido sabe ler e escrever.
— Mas como …
— Eu poderia lhe escrever uma mensagem lhe dizendo que escapei e que agora estou a salvo com meu pai. E pediria que ele fosse para me buscar.
— Os Newton! — Caius disse, assentindo. — Dirá a seu marido que foram eles que a raptaram.
Quando Caius terminou de lhe dizer o que devia contar, pensou que a idéia de enviar essa mensagem tinha sido sua. Ele chamou Leod para que conseguisse algo com que escrever, passou uma hora antes que o homem retornasse com tinta e um pedaço de pergaminho.
Isabella escreveu exatamente o que tinha sido acordado, mas antes de assinar com seu nome, levantou a vista para olhar para Caius.
— Não quero que matem ao mensageiro antes que ele tenha a oportunidade de dar a mensagem a meu marido. Não há algum jovem que possa enviar? Não tão jovem para que não tenha idade para montar e não tão velho que aparente ser um homem. Meu marido não matará um jovem rapaz
— Sim. — disse Caius. — Farei que Andrew leve o pergaminho. Agora, termine logo de escrever.
Enquanto Caius andava nervosamente, de um lado para o outro, Isabella acrescentava suas palavras finais à mensagem: “Por favor, venha depressa e juro que farei tudo como queira”.