Caçada (Parte I)
POV ALICE
Duas semanas depois, nós quatro voltávamos à França. Meu coração ainda vivia sobressaltado pelos últimos acontecimentos já que eu passei 26 horas em profunda angústia, uma verdadeira agonia, preocupada com Bella, Edward e os bebês e só me acalmei quando o primo de Jasper os alcançou na fronteira do estado de Oregon com a Califórnia. Na minha cabeça, mil possibilidades se abriram e eu temi muito pela vida dos quatro.
Era domingo, 15 de Maio quando eu e Jasper, Rose e Emmett estávamos num avião, a caminho de Paris e de lá, seguiríamos até Sainte Baume, onde fica a Fraternité Sainte Marie-Madeleine, o abrigo religioso onde Renata Volturi está escondida. Ela já está pronta para falar e disse ao padre Gregorio que gostaria de ‘testemunhar’ perante um homem de Deus (o próprio padre) e perante as duas ‘freiras’ que a salvaram.
Tirando a religiosidade exacerbada de Renata, o padre disse que ela tem se mostrado sóbria e tem escrito várias coisas num pequeno diário. Nas palavras dela, ela tem sido um instrumento de Deus para escrever sua santa palavra, pois está perto o dia em que o Deus-vingador trará seu justo juízo sobre a terra.
Bom... de médico e louco, todo mundo tem um pouco...
- No que você tanto pensa, baby? – Jazz sussurrou ao meu ouvido.
- Em tudo que vamos fazer...
Ele não me deixou terminar a frase, colou seus lábios nos meus e imediatamente todas as células de meu corpo relaxaram. Quando o ar nos faltou, cessamos o beijo, ele segurou meu rosto em suas fortes mãos e eu me perdi na imensidão de seus olhos.
- Tenho certeza que essa viagem será muito boa.
Uma comissária de bordo veio até nós e sorriu com uma falsa gentileza.
- Os senhores estão bem acomodados? – ela olhou ao redor – Gostariam de um travesseiro extra ou de um cobertor?
- Não, obrigada... – respondi.
- Então desfrutem desse momento de descanso, ao amanhecer chegaremos a Paris.
Jasper nem se deu trabalho de responder, fuzilou a mulher com os olhos, me puxou para si e me aninhou em seu peito. Ela suspirou e saiu de perto de nós, eu sorri um pouco e sussurrei contra o ouvido de meu amor.
- Acho que ela quer que a gente cale a boca!
- Acho que ela é uma metida. – Jasper beijou o topo de minha cabeça e suspirou – Durma, meu amor...
Acordei grogue, Jazz se mexeu levemente e abriu a janelinha ao meu lado, o sol começava a nascer quando o piloto falou, primeiro em francês, depois em inglês e em espanhol, que já estávamos sobrevoando o território francês.
Do avião, fomos direto para um trem e no final da manhã chegamos a Sainte Baume. Gregorio havia preparado tudo para nós e ficamos hospedados num albergue próximo à fraternidade. No dia seguinte, meu queixo caiu com o que Renata Volturi nos contou. Era tanta informação, com tanta riqueza de detalhes, que resolvemos gravar tudo. Além disso, no caderninho, ela contava como a família trabalhava, narrava reuniões de negócios de seu marido e tios, as atividades de seu pai na Itália e em outros países da Europa, as escusas atividades dos Volturi e dos King na política americana...
Foram três dias de intensas conversas com Renata e tudo foi muito cansativo porque ela simplesmente se recusou a conversar com Jasper e Emmett. Então, no final do dia, quando eu e Rose saíamos da fraternidade, tínhamos que nos encontrar com os rapazes em algum lugar fora do albergue. Nosso disfarce para todo mundo era de mochileiros americanos, mas para Renata, eu e Rose éramos alguma espécie de freiras-defensoras-da-lei.
Bom, isso não importa muito. O melhor de tudo é que Renata falou muito e falou bonito! Tínhamos tanta coisa agora que era até difícil escolher por onde começar. A gente parecia duas duplas de mendigos salivando diante de um banquete!
Era noite quando o trem que nos trouxe de Sainte Baume chegou a Paris... Ah! Paris na primavera era uma coisa linda de se ver, e eu finalmente entendi porque aquela cidade é chamada de cidade luz. Tudo ali reluzia, fazendo a cidade parecer encantada. Assim que chegamos ao hotel, nós quatro pegamos o elevador e seguimos para o 5º andar, estávamos hospedados, os dois casais em quartos lado a lado.
- Jazz, - sussurrei enquanto fazia carinho em seu rosto – nosso vôo é somente amanhã à noite, vamos aproveitar esse tempinho juntos e curtir a cidade?
- Baby, nós estamos trabalhando...
- Tecnicamente estamos de folga até amanhã. – ronronei.
- Ei, pessoal. – Emmett falou para nós enquanto se mantinha abraçado a Rosalie – Eu e Rose vamos somente tomar um banho, trocar de roupa, depois vamos jantar num lugar BBB, ou seja, bom-bonito-e-barato e depois vamos visitar a Torre Eiffel. E aí, vamo com a gente?
- Emmett, eu tinha planejado jantar, descansar e ouvir novamente as gravações que fizemos e... – Jazz respondeu.
O elevador parou no nosso andar e nos pusemos a caminhar pelo corredor.
- Ah! Cara, deixe de besteira, turista que é turista quando vem a Paris tem que conhecer a Torre Eiffel! – Emmett retrucou.
- Você falou bem, só que tem um detalhe: nós não somos turistas. – Jazz respondeu calmamente.
- Ah! Rose, quer saber? – Emmett olhou para a namorada – Se o insosso do seu irmão não que ir, problema dele. – Rose deu de ombros – E você, baixinha, vem com a gente?
Eu olhei dele para Jasper e depois para Rose, pensei um pouquinho e entendi que talvez eu nunca mais tenha chance de conhecer Paris.
- Vou sim! – sorri – Mas, por favor, não me façam segurar vela!
Entrei no quarto sem olhar direito para o rosto de Jasper, pois eu sabia que ele estava desaprovando minha atitude. Marchei para o banheiro, tirei as roupas e me joguei embaixo da água quente, deixando que a temperatura relaxasse meus músculos e tentando esquecer um pouquinho o trabalho. Sinceramente, depois que isso tudo acabar, precisarei de férias...
- Ah! – guinchei quando senti um par de mãos segurando meus ombros.
- Shii... – ele sussurrou – estou seguindo seu conselho, aproveitando esse tempinho juntos e... – ele mordiscou minha orelha e me puxou para si, gemi alto quando senti sua enorme ereção em minhas costas – curtir a cidade...
Jasper me virou para ele e me beijou com volúpia, suas mãos desceram para minha cintura e depois apalparam a minha bunda com força. Eu enrosquei minhas mãos em seus cabelos, puxando-o mais para mim. Quando o ar nos faltou, seus lábios desceram para meu pescoço e aos poucos o meu amor foi me encostando na parede. Eu gemia seu nome e pedia mais, ele desceu seus lábios até um de meus seios, sugando-o com luxúria, fazendo sua língua rodear o mamilo e me deixando louca de tanto desejo. Minhas mãos arranhavam as costas dele, mas aquilo ainda era pouco. Ergui uma de minhas pernas, acariciando a perna dele, ele prontamente segurou minha perna com uma das mãos, enroscando-a em sua cintura. Desci uma de minhas mãos até seu membro duro, acariciando-o e fazendo com que a cabecinha roçasse de leve em meu botãozinho. Jasper gemeu contra meu seio, mordendo-o levemente e eu gritei de prazer.
Num único movimento, ele pegou minha outra perna, elevando meu corpo e me fazendo ficar totalmente enroscada nele, suspensa por seus fortes braços e escorada à parede. Bastou uma única e vigorosa estocada para ele me preencher de vez, seu gemido rouco foi abafado pelo meu gritinho de surpresa, alegria e prazer.
Ah! Que delícia... sentir meu homem entrando e saindo de mim, sentir o roçar de meus mamilos durinhos contra seu peito musculoso, olhar nos olhos de meu amor enquanto ele me ama... Minhas mãos livres serviram para espalmar seu peito, acariciar seus braços fortes, arranhar suas costas... E quando me senti quase lá, puxei Jasper pelos cabelos, tentando trazê-lo mais para dentro de mim, intensificando nosso contato. Comecei a remexer mais os quadris quando senti seu membro mais duro dentro de mim e ele intensificou as esticadas, fazendo minhas costas baterem com um pouco mais de força contra a parede.
O formigamento veio com tudo, do centro do meu corpo até cada extremidade dele, engolindo o membro de Jazz com força, me fazendo gritar seu nome, fazendo-o sussurrar o meu. Durante todo esse tempo, nossos olhares não se desconectaram e finalmente eu pude testemunhar a mudança que ocorre em seus olhos quando ele me ama e se satisfaz em meu corpo... Foi lindo! Foi... mais lindo que todas as luzes de Paris...
- Te amo. – sussurramos em coro e sorrimos.
Depois tomamos banho de verdade e num silêncio confortável trocamos de roupa. Eu pensei que ele ficaria no quarto, mas quando o vi pegar a carteira, abri um largo sorriso. Alguém bateu na porta do quarto, eram Emmett e Rosalie que já estavam prontos para sair.
- Cara, que bate-bate foi aquele na parede do banheiro? – Emmett perguntou zombeteiro – Tem algum pedreiro fazendo reforma aqui?
Jasper não respondeu, mas lhe estirou o dedo médio, já eu fiquei vermelha como um tomate e desviei o olhar.
- É mentira dele, gente! – Rose o fuzilou com o olhar – Não escutamos bate-bate nenhum na parede e...
A-HA-HA-HA-HA
Emmett explodiu numa ruidosa gargalhada.
- O rosto corado da baixinha denunciou tudo! – ele falou entre risos.
- E aí? A gente vai ou não vai? – me aproximei de meu cunhado indiscreto e dei um pisão no seu pé com o salto de minha sandália.
Ele começou a pular de um pé só enquanto Rose e Jasper desataram a rir. Já no elevador, meu amor perguntou.
- Onde vamos jantar?
- O lugar BBB fica a uma quadra daqui. – Rose falou.
Seguimos a pé pela movimentada noite parisiense e chegamos a um charmoso restaurante chamado Othello onde comemos crepes de diversos sabores e ainda pedimos uma garrafa de vinho branco. Depois pegamos o metrô, descemos na estação indicada pelo guia turístico do hotel e logo avistamos a Torre Eiffel. Compramos os ingressos e logo no primeiro andar, encontramos uma loja de souvenir, comprei uns presentinhos para um monte de gente, Rose também comprou umas coisas, Jazz comprou uma garrafa de vinho para o pai e Emm comprou camisetas engraçadas. No segundo andar tinha um restaurante, mas quando a gente viu o preço das coisas, saímos de fininho e seguimos até o último andar, de onde a gente pôde ver a cidade a 320 metros de altura. A cada parada, a gente tirava fotos como todo e qualquer turista, mas quando chegamos a ao topo não teve muita graça, a cidade parecia minúscula a 320 metros. Pelo menos o vento frio fez Jasper me abraçar e a gente namorou um pouquinho ali nas alturas...
No caminho de volta para o hotel, Emmett começou a nos dar uma aula de cultura durante a curta viagem de metrô.
- Vocês sabiam que os franceses comem carne de cavalo?
- ECA! – exclamei.
- E as crianças daqui, por algum motivo misterioso, não vão à escola às quartas-feiras...
- Puxa, queria ter nascido aqui! – Jasper sorriu.
- Eu queria era saber por que as francesas comem tanto e conseguem ser tão magras... – Rose pensou alto.
Já de volta ao hotel, vimos um grupo de turistas pedindo a um motorista de táxi que os levasse ao Favela Chic. Curiosa, me aproximei da recepcionista do hotel e cochichei em seu ouvido, usando o pouco do francês que eu sabia. Ela me disse que o Favela Chic era uma das casas noturnas mais badaladas do momento e ainda fez o favor de anotar o endereço num pedaço de papel para mim. Agradeci e fui saltitando até Jazz, Rose e Emmett, um plano se formava em minha mente.
- Já sei como vamos nos despedir adequadamente da noite de Paris!
- Dormindo... – meu namorado sugeriu.
- Que dormindo que nada! – estendi o papel para Rose – Favela Chic é uma badaladíssima casa de shows com muita música brasileira!
Enfeitei um pouco só pra ver se conseguia convencê-los.
- Será que tem samba? – Rose perguntou.
- E bossa nova? – Jazz perguntou.
- Lá vem você com essas músicas de gente velha... – Emmett falou zombeteiro.
- Não sei o que tem lá, mas eu quero ir! – falei.
Pegamos um táxi e finalmente chegamos ao local, uma mistura de restaurante, bar e boate, muito enfeitado, parecendo mais um circo! Tomamos uma bebida brasileira: caipirinha. A minha tinha gosto de frutas vermelhas, a de Jasper de limão, Emmett escolheu uma de abacaxi e Rose, a de kiwi... O DJ tocava música popular brasileira e embora eu não entendesse muito, o ritmo era maravilhoso. Dançamos muito, mas não tomamos mais caipirinha, afinal aquilo era álcool e AINDA tínhamos que ser responsáveis... Depois começou a tocar samba e como temos juízo, nos sentamos para não pagar mico. Sambar parecia ser difícil...
O dia seguinte começou lindo e ensolarado, passeamos pelas ruas e paramos na Place des Vosges, num bairro chamado Marais. Muitas crianças brincavam pelos jardins floridos, muitos casais se sentavam na grama e nós fizemos o mesmo. Jazz encostou-se a uma árvore, eu me sentei ao seu lado e descansei a cabeça em seu peito. Nos balcões dos requintados apartamentos ao redor da praça, as pessoas tomavam banho de sol em cadeirões, mas ao nosso redor, o sorriso e o barulho das crianças era contagiante e lindo.
No final daquele dia a temperatura caiu e choveu um pouco, já estávamos no aeroporto, protegidos por blusas de lá, suéteres e casacos de couro enquanto aguardávamos para voltar para casa.
De volta a Annapolis, na segurança das paredes de nossas casas, nós quatro traçamos um plano audacioso e muito arriscado porque nossas ações teriam de ser perfeitamente cronometradas. Eu e Emmett estávamos entusiasmados com as possibilidades, Rose estava taciturna, mas não se opôs a nada e Jasper estava concentrado quando falou.
- Vocês entendem que não poderemos falhar, não é?
Ninguém respondeu, mas assentimos fervorosamente para ele e naquela mesma tarde embarcamos de volta para casa.
A caçada havia começado.
Entretanto a gente ia ‘comer pelas beiradas’ logo no começo, as nossas presas de agora não eram os grandes tubarões. Enquanto eu e Jasper deveríamos ir à Albany, no estado de Nova York, Rose e Emmett deveriam descer até Del Rio, no Texas, próximo à fronteira com o México.
Nossa caçada começava em pontos extremos do país e havia dividido a equipe. Estávamos à procura de duas peças-chave, duas pessoas tão importantes, que até então eram desconhecidas e somente por causa do depoimento de Renata descobrimos sobre eles. E embora não fossem tubarões, essas pessoas eram tão importantes, que sua cooperação poderia ser capaz de fazer a justiça aceitar denúncia contra dois ex-presidentes do país, um senador da república e mais uma penca de outros políticos corruptos. Eu e Jasper estávamos à procura de Bill Morian, enquanto Rose e Emmett iriam procurar por Martin W. Applegate e Natalie Silverstone.
Que Deus nos ajude...
POV ROSE
Eu e Emmett voamos de NY até Dallas e de lá, até o aeroporto de Del Rio numa crescente expectativa. Ainda no aeroporto, Emm alugou um carro para nós e pegamos a estrada rumo ao Devil’s Ranch (pois é, eu também odiei esse nome, achei de muito mau gosto) à procura de Martin W. Applegate, um ex-contador do Partido Conservador. Na verdade, ele não era qualquer contador, e sim, o principal contador, o cara responsável pela administração dos fundos do partido, estando presente e contabilizando cada centavo que entrou e saiu para as campanhas presidenciais de Royce King I e Royce King II.
Se o que Renata falou é verdade, então temos nitroglicerina nas mãos!
Assim que eu e Emmett pegamos a rodovia, o ar-condicionado do carro pifou.
- Puta que pariu! – ele exclamou e abriu a janela.
Mas o ar do deserto do Texas, às duas horas da tarde, entrava morno em meus pulmões... Estávamos no Trans-Pecos Desert, no sudoeste do Texas, um lugar feio e árido, cheio de rochas.
- Esse é um dos lugares mais seco do país. – Emm falou – A ação do vento aqui é tão intensa que a mistura da poeira de pedra calcária, cascalho e argila se fixa nos vidros dos carros... Dirigir numa tempestade de areia é um desafio.
- Deus do céu, Emm, respirar é um desafio! – guinchei.
A paisagem ao nosso lado era cheia de cactos e pequenos arbustos secos, naquele lugar quase nada crescia, parecia uma área atingida por uma explosão atômica.
Suado em bicas, a gente seguiu adiante e uma hora depois, chegamos ao rancho de nome infame. O lugar parecia abandonado, um rancho fantasma daqueles filmes western de segunda... Mas por sorte, havia um interfone no portão. Emmett olhou para mim meio desconfiado e interfonou, e eu peguei em minha arma, estando alerta para qualquer movimento.
- O que é? – uma voz rouca e mal humorada rosnou do outro lado e em seguida pigarreou.
Assim que ele pigarreou, sabíamos que era ele, Renata havia nos alertado para uma voz rouca, grave, envelhecida e cheia de pigarros!
- Boa tarde, eu estou procurando o Sr. Martin W. Applegate. – Emm falou.
- O que vocês querem com ele?
Nós estranhamos quando a voz falou no plural e foi então que notamos uma câmera estrategicamente posicionada na soleira do portão. Emm mostrou seu distintivo para a câmera antes de falar.
- Nós somos do FBI. Eu sou Emmett McCarty e esta aqui é a minha parceira Rosalie Hale e estamos aqui para falar com o Sr. Martin W. Applegate a respeito das acusações de caixa dois nas eleições presidenciais do Partido Conservador.
A voz do outro lado fez uma pausa, enquanto meu coração perdeu uma batida e o xixi quase molhou minha calcinha. Agora era tudo ou nada. Emm olhou para mim rapidamente e disse a fala ensaiada por Renata.
- Sr. Applegate, sabemos que o senhor é inocente. – Emm fez uma pausa e o homem não retrucou – Não estamos aqui para acusá-lo e sim para reunir provas que vão incriminar os verdadeiros culpados e...
- A troco de quê vocês querem me ajudar?
- Achamos que o senhor tem documentos importantes para nós e nós temos como fazer a justiça aceitar denúncia de contra Natalie Silverstone, sua assessora e verdadeira culpada pelo esquema de caixa dois.
- POR. QUÊ. VOCÊS. QUEREM. ME. AJUDAR? – o velho sibilou irritado.
- Precisamos de sua ajuda e podemos ajudá-lo também. – Emm concluiu.
Ouvimos um click abrindo o portão e em seguida, o velho falou:
- Podem entrar.
O Sr. Applegate era um homem franzino e de meia idade, sua voz o fazia parecer mais velho, seu rosto era enrugado e os olhos eram tristes, ele nos recebeu com mais educação e logo de cara percebeu que a gente tava dizendo a verdade.
- Estivemos recentemente com um membro da família Volturi, - percebi o velho se encolher na cadeira – essa pessoa se entregou à justiça e está cooperando com as investigações que, na verdade, não giram em torno de corrupção em campanha eleitoral. – falei sempre olhando nos olhos dele, buscando ganhar sua confiança.
- Descobrimos o esquema de caixa dois e queremos usá-lo para por Royce King I e seu filho, além de Aro Volturi atrás das grades. – Emm completou – Só assim a nossa investigação sobre o outro assunto vai poder prosseguir. Como o senhor sabe, os King e os Volturi são muito poderosos, queremos juntar forças para pegá-los.
- Por que vocês têm tanta certeza que eu sou inocente? – ele arqueou uma sobrancelha e percebi que era minha vez de falar.
- O Volturi com quem falamos relatou que conversou pessoalmente com a Srta. Natalie Silverstone e com o senhor em Abril de 2000 quando a campanha presidencial de Royce King II estava começando e o partido tinha outros planos para o senhor...
- Vocês têm Aro Volturi? – a voz do homem subiu umas oitavas.
- Não. – Emm respondeu.
- Renata? – ele jogou uma verde e nós apenas assentimos - Venham comigo.
O velho se levantou e nos levou até a cozinha da casa, nos ofereceu cerveja caseira, nós recusamos, mas aceitamos água, puxamos uma cadeira e começamos a gravar e anotar o que o homem dizia.
- Agora sei que falam a verdade. - ele olhou de mim para Emmett – Aro Volturi e sua esposa Renata, marcaram um encontro comigo e Natalie em 05 de Abril de 2000 e traçou planos para mim dentro do partido. Eu deveria deixar boa parte das atividades da tesouraria com Natalie e me dedicar a correr o país... – ele fez uma pausa – Mas deixem-me contar tudo do começo.
“Eu comecei a trabalhar no Partido conservador em 1987 e dois anos depois, já era o tesoureiro da campanha presidencial de Royce King I. Eu era o manda-chuva das finanças, todos os cheques, todas as notas fiscais, promissórias, ordens de pagamento... cada centavo passava por mim. É claro que eu tinha muitos ajudantes, dentre eles Natalie Silverstone, uma contadora muito inteligente e sagaz, aos poucos ela ganhou minha confiança e passou a ser a segunda em comando. O esquema de caixa dois começou em 2000 quando estávamos fazendo a campanha presidencial de Royce King II.”
- Como funcionava o esquema? – Emm perguntou.
- Absurdo. – ele rebateu – Nojento, descarado e absurdo...
“Nessa época, eu já havia delegado muitas das atividades da tesouraria da campanha presidencial para Natalie e, por ordens de Aro Volturi, me ocupei em percorrer o país, ajudando os tesoureiros locais a otimizar os fundos de campanha de seus candidatos a deputados, senadores e governadores. Naquele ano, uma das diretrizes da base nacional do partido era ‘agir localmente, pensando globalmente’, então eu deveria fazer cursos e palestras pelo país, ensinando os contadores menos experientes a trabalhar em campanha eleitoral. Quando voltei a Dallas, no final de 2000, peguei a campanha presidencial quase no fim e me deparei com muito dinheiro vivo circulando pelos corredores da sede do partido. Num único dia, chegamos a receber $ 2 milhões em dinheiro vivo, somente em notas de $ 100,00 não seqüenciadas. Era tanto dinheiro que a gente teve dificuldade de guardar tudo! E quando perguntei a Natalie de onde tinha vindo aquele dinheiro todo, ela se limitou a dizer que eram doações de campanha. Estranhei o fato de tanto dinheiro vivo entrar assim no final da campanha...”
- Na época o senhor já desconfiava do esquema de caixa dois? – perguntei.
“Eu pensei nisso, mas Natalie disse que aquele dinheiro era para levar contribuintes de campanha para jantar, oferecer presentes a eles e preparar uma grande festa, caso Royce King II fosse eleito.”
- Dois milhões é muito dinheiro... – pensei alto.
“Não foi o que Natalie falou que levantou minhas suspeitas, mas foi a forma com que ela falou, muito nervosa e visivelmente transtornada. Então em fevereiro de 2001, quando Royce King II já era presidente, eu comecei a investigar e como tinha livre acesso a tudo, descobri uma lista com 40 nomes, eram 20 senadores, 10 do partido governista e 10 da oposição, além de 20 deputados de ambos os partidos. Na lista havia números de contas bancárias de cada um deles e eu deduzi que aquilo era uma lista de pagamento de propina.”
- Propina para quê? – perguntei.
- Royce King II não tinha o que chamamos de ‘governabilidade’. – ele fez uma pausa – Até mesmo os senadores e deputados da base aliada sempre o enxergaram como um caipira ignorante e manipulado pelo pai. O jeito, então, era comprar votos e fazer o congresso aprovar o que o governo queria.
- O senhor tem essa lista? – Emm perguntou.
- Tenho e vou lhes entregar tudo, mas primeiro me deixem continuar.
Assentimos e ele recomeçou.
“Então, logo após o 11 de Setembro, o Congresso implantou várias leis para proteger o país e aprovou a decisão do presidente de invadir o Afeganistão em represália ao atentado orquestrado pela Al-Qaeda. Aqueles dias foram frenéticos para todos nós do partido, ninguém sabia ao certo se a oposição iria fechar com a base governista e iria apoiar a ofensiva militar batizada de ‘Guerra ao Terror’. Então para evitar surpresas desagradáveis, a Sra. Stacey Hunt, porta-voz do presidente, telefonou para mim e me pediu simplesmente para fazer uma transferência bancária de $ 1 milhão de dólares para uma conta do então senador Bill Morian, presidente do Partido Liberal e líder de oposição governista. Quando me certifiquei da transação bancária, descobri que estava transferindo verba do partido para uma conta nas Ilhas Caymãs, um paraíso fiscal. Meia hora depois, Stacey me ligou novamente e pediu que eu fizesse outra transferência, dessa vez de $ 500 mil para a conta do Partido Liberal. Dias depois, eu assisti estupefato a um pronunciamento do presidente da república, dizendo que o Congresso americano aprovou por unanimidade que tropas americanas invadissem o Afeganistão.”
- O senhor suspeita de compra de votos? – Emmett perguntou.
- Tenho certeza que foi isso. Venham comigo.
O velho nos levou ao seu escritório e pediu que Emm empurrasse sua enorme escrivaninha, depois ele levantou o tapete e nos levou a um porão. Lá dentro era, ao contrário do resto da casa, refrigerado e muito limpo e havia várias prateleiras cheias de caixas de documentos. Meu queixo caiu... nas caixas haviam etiquetas com inscrições: ‘Contabilidade do Partido Conservador’ e o ano correspondente.
- Esperei quase dez anos para poder mostrar isso ao mundo. – ele apontou para as caixas – Aí tem tudo o que vocês precisam.
- Eu só não entendi uma coisa. – Emm olhou rapidamente para mim – Se os Volturi sempre souberam que o senhor estava aqui, porque nunca vieram atrás do senhor?
- Em 2005, uma comissão de senadores investigou possíveis denúncias de improbidade administrativa no governo King. Na época, eu estive no olho do furacão e como não recebi qualquer tipo de ajuda dos King ou dos Volturi, neguei tudo até o fim, ocultei provas e o processo foi arquivado. – ele sorriu com amargura – Eu menti ao governo dos Estados Unidos, mas agora estou disposto a cooperar se vocês tiverem como pegar os verdadeiros culpados.
- Com o seu testemunho perante uma corte e esses documentos que o senhor tem, nós vamos conseguir. – falei com convicção.
O homem nos deu 10 caixas cheias de papel, disse que a gente podia levar tudo dali. Lutando contra o tempo, eu e Emmett enchemos a mala e o banco de trás do carro com todas as caixas, nos despedimos de Applegate e voltamos para a cidade. Tivemos um problema de logística. Não seria seguro embarcar aquelas caixas num avião, então voltamos à agência de alugamos aquele carro por mais um dia e seguiríamos até Dallas de carro.
Oito horas depois, chegávamos à cidade, era madrugada e Emm achou melhor assim, aquela era a cidade que ele morava e não queria encontrar com nenhum conhecido, muito menos sua irmã e cunhado. Não que ele não tivesse saudades da família, mas seria melhor agir discretamente. Alugamos um quarto num motel de beira de estrada, pedimos uma refeição e uma garrafa térmica cheia de café bem forte e nos debruçamos sobre aqueles documentos. Até que me deparei com uma nova lista de nomes de dez deputados do Partido Liberal seguidos de valores a serem depositados mês a mês, desde Outubro de 2001 até Novembro de 2008. Os valores variavam de $10 mil a $ 35 mil dólares e no rodapé da página havia um nome escrito com caneta vermelha: Violet Gringer.
- Emm, quem é Violet Gringer? – perguntei enquanto lhe mostrava a folha de papel.
Ele pensou antes de responder, abriu seu notebook, procurou por anotações, até que falou.
- Era a dona da agência de publicidade VG Publicity, eles tinham como principal cliente políticos do...
Ele fez uma pausa, franziu a testa e arregalou os olhos antes de completar.
- PARTIDO LIBERAL?! – ele respondeu em forma de pergunta.
Abri meu notebook e nós dois começamos uma pesquisa frenética para saber se aqueles dez deputados haviam mesmo contratado os serviços da VG e quanto custou cada campanha eleitoral. Nos sites dos próprios deputados, descobrimos que todos só haviam contratado a VG Publicity entre 2000-2003. Além do mais, os valores não batiam mês a mês e se somássemos tudo, o total seria muito superior ao valor final dos custos com publicidade e propaganda.
- Alice e Jasper estão seguindo a pista de Bill Morian, o presidente do Partido Liberal, mas deveriam também procurar por Violet Gringer. – sussurrei.
Emm pegou seu celular e telefonou para Jasper, contou-lhe tudo e pediu que em Albany, eles também procurassem pela Sra. Gringer.
No dia seguinte, ligamos para M lhe contamos que tínhamos muitas provas documentais conosco, ele nos mandou ir ao escritório do FBI em Dallas e de lá, despacharíamos os documentos para Washington via correspondência expressa e sigilosa do FBI, endereçada ao próprio M. Esses tipos de correspondências só podem ser despachados por um chefe de departamento e devem ser entregues pessoalmente ao destinatário, então é altamente seguro.
Bem, nós tínhamos o resto do dia agora para procurar a Srta. Natalie Silverstone, a ex-tesoureira do Partido Conservador, ex-braço de direito do Sr. Applegate e verdadeira responsável pelo esquema de caixa dois. Saímos do centro da cidade e fomos para um subúrbio luxuoso de Dallas, onde as ruas são enfeitadas com palmeiras imperiais e na frente das mansões podia se ver um luxuoso chafariz de mármore jorrando água para uma fonte. Enfim achamos a casa de Natalie Silverstone, interfonamos e olhamos para a câmera de segurança, uma voz feminina atendeu.
- Bom dia, estamos procurando a Srta. Silverstone. Eu sou Rosalie Hale, agente do FBI e este aqui é o meu parceiro, Emmett McCarty e...
- Eu não tenho nada para falar, saiam daqui! – ela gritou.
- Srta. Silverstone, estamos investigando a suposta denúncia de caixa dois nas eleições presidenciais de 2000 e queremos lhe fazer algumas perguntas.
A voz do outro lado sorriu estridentemente antes de falar.
- Dezenas de agentes como vocês já falaram comigo nos últimos dez anos e... adivinhem! Ninguém nunca conseguiu provar nada, o processo foi arquivado e as acusações foram retiradas. Sou uma cidadã honesta, por isso caiam fora daqui!!!
Cruz-credo! A mulher gritou a plenos pulmões.
- E se tivéssemos provas matérias contra a senhorita? – Emm a desafiou.
- DU-VI-DO! – ela sibilou – Agora saiam daqui antes que eu chame a polícia.
Olhei sugestivamente para Emmett e saímos de lá com a certeza de que Natalie Silverstone acreditava que seus crimes ficariam impunes, sem contar que o jeito nervoso com que ela falava só aumentava minhas suspeitas. Renata Volturi estava certíssima, Aro foi o mentor do caixa dois e Natalie foi a pessoa que ‘colocou a mão na massa’.
POV ALICE
De Nova York até Albany fizemos um tempo de 2 horas e meia e chegamos lá no final da manhã. Não foi difícil localizar a enorme mansão branca num subúrbio chique da cidade. Lá morava o ex-senador pelo Partido Liberal Bill Morian que, de acordo com Renata, havia recebido muita propina dos King e dos Volturi.
Difícil mesmo foi conseguir falar com o homem...
Na primeira tentativa, nos apresentamos como agentes do FBI para um segurança da propriedade, ele interfonou para alguém lá dentro, sussurrou algumas palavras e nos disse que o Sr. Morian estava descansando e não iria receber nossa visita. Jasper tentou dizer que só queria trocar meia dúzia de palavras com o ex-parlamentar, mas foi em vão. O segurança sugeriu que procurássemos o advogado da família Morian, então demos a volta no quarteirão com o carro e estacionamos na esquina da rua. Meia hora depois, o portão da mansão se abriu, parecia que algum veículo iria sair de lá. Um carro branco, esportivo e conversível saiu e dentro dele estava o ex-senador, Jasper deixou o carro ganhar uma boa distância de nós e passamos a segui-lo.
Percebemos que ele ia escapar quando seu carro parou em frente a um luxuoso clube de golfe, tínhamos que abordá-lo ainda no estacionamento. Eu fui a primeira a tentar.
- Bom dia, senador. – dei a ele o meu melhor sorriso.
O velho alto, magro e careca sorriu também enquanto seus olhos me mediam de cima a baixo.
– Eu sou agente do FBI, - mostrei-lhe meu distintivo, ele arregalou os olhos e se escorou no veículo – e gostaria de lhe fazer umas perguntas sobre...
- NÃO! – ele rosnou e pela minha visão periférica percebi Jasper ao meu lado – Não quero falar nada! Não tenho que...
- Calma, senador. – Jasper tinha a voz contida – São só perguntas informais!
- Falem com meus advogados e parem de me importunar! – ele andou apressadamente e entrou no clube.
- E Violet Gringer?! – falei alto o suficiente para o senador escutar, fazendo-o estacar e em seguida girar nos próprios calcanhares – Será que Violet Gringer teria algo para nos falar?!
O rosto do velho se transformou numa careta de escárnio e ele entortou a boca antes de falar.
- Violet Gringer está acabada. – ele falou pausadamente – E quanto a mim, não existem provas suficientes para me incriminar.
Então ele deu as costas e nos deixou plantados na porta do clube.
- Veremos... – Jazz sibilou.
Atravessamos a cidade e seguimos para um condomínio de luxo onde Violet Gringer morava. O porteiro foi muito atencioso conosco e nos disse que ela se mudou da cidade há cerca de cinco anos, vendeu a mansão, fechou a empresa de publicidade e se mudou sem dizer para onde ia. Jasper insistiu nas perguntas e o homem pacientemente repetiu tudo, eu não achei que ele estava mentindo. Mas tivemos sorte, uma mulher saiu do condomínio, ela era uma empregada e levava um cachorrinho chihuahua para passear. Ela escutou nossa conversa, veio até mim e se intrometeu sussurrando.
- Eu sei para onde a Sra. Gringer foi! – seus olhinhos castanhos brilhavam.
- É mesmo?! – me postei ao seu lado – Ah! Que bom! Nós queremos tanto falar com ela...
- Venham, preciso levar este pulguento para passear. – ela apontou para o cachorro.
Assim que nos distanciamos da entrada do condomínio, ela disse a que veio.
- Bem... na verdade, eu acho que poderia me lembrar de alguma coisa...
Jasper abriu a carteira e lhe estendeu uma nota de $ 20,00 dólares. Ela pegou o dinheiro rapidamente e o colocou no bolso, depois nos lançou um sorriso tímido.
- Eu era amiga da empregada da mansão da Sra. Gringer. – ela sussurrou – Em 2003 a Sra. Gringer tava perdendo muito dinheiro na empresa e juntando muitas dívidas. Minha amiga dizia que a patroa vivia chorosa pelos cantos e muito sobressaltada cada vez que o telefone ou a campanhia tocava.
Chegamos numa praça onde a mulher se sentou e nós sentamos ao seu lado, ela olhou para os lados antes de continuar.
- Ao que parece, a gota d’água para a Sra. Gringer foi quando seu marido saiu de casa. Minha amiga disse que ele descobriu que a esposa tinha um amante, um homem rico e poderoso, um senador.
- Você sabe o nome desse senador? – perguntei.
- Bem... eu não estou muito certa... talvez...
Abri a bolsa e lhe estendi outra nota de $20,00, ela sorriu e continuou.
- Bill Morian. – ela disse simplesmente.
- Você tem certeza disso?! – Jasper inquiriu.
- Absoluta, senhor. – ela assentiu fervorosamente – Eu mesma os vi juntos passeando pelo jardim da mansão dela, tomando banho de piscina... essas coisas.
- Você sabe para onde a Sra. Gringer foi? – perguntei.
- Da última vez que falei com minha amiga, ela me disse que a patroa tinha passado um ano dando aula na Universidade de Syracusa, mas que depois ela tinha pedido demissão. – a mulher sussurrou ainda mais – Parece que o senador não a deixava em paz, então ela foi morar na casa dos pais, na cidade onde nasceu.
Ela fez uma pausa e suspirou.
- O nome da cidade eu juro que não sei.
- Ok. – toquei em seu ombro - Você já ajudou muito. – dei a ela outra nota de vinte – Isso aqui é para você esquecer essa nossa conversinha. – ela assentiu fervorosamente.
Assim que voltamos para o carro, Jasper ligou para M lhe pediu que levantasse informações pessoais sobre Violet Gringer. M ligou meia hora de volta e nos disse que era natural da cidade de Oswego, às margens do Lago Ontário e que atualmente estava lecionando Inglês numa Low School da cidade. Pegamos a estrada e chegamos lá três horas depois, procuramos o endereço dito por M e chegamos numa casa de praia muito pequena e escondida. Assim que nos aproximamos da soleira da porta, um pastor alemão muito raivoso rugiu para nós e se esticou, querendo nos alcançar. Se não fosse sua coleira, ele teria atacado Jasper. Nos afastamos um pouco e a porta se abriu, uma mulher magra, cabelos grisalhos e feições atormentadas sussurrou.
- O que desejam?
- Sra. Violet Gringer? – perguntei.
- S-sim...
- Boa tarde, eu sou Alice Brandon, agente do FBI. – ela tentou fechar a porta, mas Jasper colocou o pé – E este aqui é o meu parceiro, Jasper Mansen. Nós só queremos lhe fazer algumas perguntas...
- Não, não, por favor, vão embora. – ela quase chorou.
- Por favor, Sra. Gringer, precisamos que a senhora nos esclareça alguns fatos sobre Bill Morian. – implorei.
- Ele é um crápula, um desgraçado... ele acabou comigo... – ela choramingou.
- Ajude-nos a colocá-lo na cadeia, então. – Jasper sibilou.
- Homens como Morian não vão para a cadeia. – ela sorriu com amargura.
- Nós estamos perto de conseguir isso. – assinalei – Mas precisaríamos de informações suas.
Ela nos deixou entrar e constatamos que aquilo se tratava de um casebre, sentamos num pequeno sofá e a mulher sentou numa cadeira de palha à nossa frente, eu notei que suas mãos tremiam.
- Sra. Gringer, não queremos importuná-la. – falei com suavidade – A conversa será rápida, por favor, coopere.
Ela assentiu.
Com calma, Jasper lhe perguntou se sua empresa trabalhou nas campanhas publicitárias dos dez deputados do Partido Liberal. Ela confirmou. Perguntamos se ela sabia que fazia parte do esquema de transferência de dinheiro, ela disse que inicialmente não sabia, até que Bill Morian, na época seu amante, começou a ameaçá-la, exigindo que ela superfaturasse o valor dos gastos de publicidade e propaganda de cada deputado. Perguntamos se alguém a havia apresentado a algum tesoureiro do Partido Conservador, ela negou. Então eu bolei uma hipótese.
- Supondo que a senhora não conhecia o esquema e não conhecia o tesoureiro do Partido Conservador, alguém a colocou nesse esquema. Estou certa? – ela assentiu – E este alguém seria o ex-senador Bill Morian? – ela assentiu e percebi seus olhos ficarem marejados.
- Sra. Gringer, sabemos que sua vida não tem sido fácil. – continuei – Mas se tivermos a chance de pedir à justiça que a senhora faça o acordo de delação premiada, a senhora concordará em depor contra Bill Morian?
- Delação premiada? – ela franziu a testa.
- Sim, seu depoimento será muito útil e a justiça levará em conta sua boa vontade de cooperar com as investigações.
Ela assentiu fervorosamente e se comprometeu conosco de não mudar de endereço ou tentar fugir do país. E assim demos a nossa visita, por hora, como encerrada. Mesmo que ela fugisse, o processo poderia se sustentar sem seu depoimento, ela era um peixe pequeno e eu queria pegar os tubarões. De acordo com Emmett, os documentos que o Sr. Applegate juntou por vários anos seriam suficientes para a justiça decretar a quebra de sigilo bancário e fiscal de todos os acusados e isso seria o suficiente para indiciá-los.
No dia seguinte, nos encontramos com M, Rose e Jasper num quarto de hotel em Washington. Nós estávamos evitando, a todo custo, pisar na sede do FBI e correr o risco de encontrar com Alec Hartman. Ele já NÃO corria como um louco atrás de nós, mas se nos achasse, não se faria de rogado. Contamos a M tudo o que descobrimos e ele nos garantiu que já havia se debruçado naquelas caixas que Rose e Emmett lhe mandaram de Dallas.
- As provas que Applegate guardava, - M nos garantiu – são o suficiente para a justiça autorizar o pedido de quebra de sigilo fiscal e bancário.
Ele fez uma pausa e olhou para nós.
- Vou ao gabinete da Procuradoria Federal ainda hoje...
- Não, não! – Jasper o interrompeu – Dê-nos mais um tempo.
- Por quê? – ele inquiriu.
- A caçada ainda não acabou. – Jasper olhou de nós para M – Renata Volturi nos disse onde e como capturar Alec Hartman e Giovanni Volturi, seu próprio pai.