Dignidade
POV BELLA
Na terça-feira eu acordei muuuuito relaxada... Parecia que todas as células de meu corpo estavam em estado de graça! Tudo isso graças aos meus anjinhos... Meu corpo ainda sentia os prazeres da tarde do dia anterior! Eu nunca pensei que pudesse amar tanto e ser IGUALMENTE amada! Deus do céu, isso é um paraíso...
Paradise! Não tem como não associar a nossa vida ao nome da ilha, meu futuro lar, seu Deus quiser!
Ainda na cama me espreguicei enquanto sonhava acordada, mas depois resolvi me levantar, tomei um banho, troquei de roupa, fui ao refeitório para tomar o café da manhã e quando voltei ao quarto para escovar os dentes, Jessica ainda dormia. Percebi que estava cedo ainda e aproveitei para telefonar para Rennè, eu estava tão feliz que queria dividir com ela a minha felicidade.
- Oi Bella... – ela atendeu com uma voz cansada e em seguida tossiu.
- Olá mamãe... Como você está?
- To bem, só estou um pouco cansada. Esses remédios acabam comigo...
Dentre os muitos problemas de saúde que as drogas trouxeram a minha mãe, um deles foi uma severa insuficiência respiratória e o outro foi a depressão, então todos os dias ela toma uns antidepressivos que a deixam muito sonolenta. Escutei quando ela bocejou.
- A senhora tem um tempinho?
- Claro, filha, pode falar. – ela pareceu mais despertada - Tá tudo bem com você?
- TÁ TUDO ÓTIMO! – minha voz não conseguia disfarçar a alegria – E sabe... eu liguei pra dizer que consegui um emprego!
- Ah! Bella, isso é maravilhoso! Onde? De que é? – ela perguntou de uma vez só.
- Numa livraria, vou trabalhar como vendedora por meio período na sessão infantil. – fiz uma pausa – O salário é legal...
- Bom, muito bom! – ela tossiu – Mas eu acho que essa felicidade toda não é só por causa de um emprego. Não precisa me contar se não quiser, mas acho que você está apaixonada...
Minha voz atropelou os comandos do meu cérebro e eu respondi a verdade num fôlego só.
- To sim! – sorri ao me lembrar de meus amores.
- OMG! E aí, como é ele? Atleta? Lindo? Rico?
- Bom, mamãe...
Como eu ia dizer que estava namorando dois caras ao mesmo tempo?
- Eu, ééérrr... É complicado? – me esquivei.
- Ele não é casado, não é Bella? Pelo amor de Deus! Homem casado é um atraso de vida! E também não é nenhum viciado, não é? Por Deus! Veja como sua mãe se acabou no pó e...
Tadinha, surtou de vez!
- NÃO, MAMÃE! – ela se calou – Fique calma, sim? Eu estou muito feliz, sendo muito amada e esse amor é verdadeiro e sincero. Ninguém aqui é casado ou viciado em nada ilícito. E... Eu estou muito feliz!
- Oh! Bella, me desculpe. É que, embora eu não tenha nenhum direito sobre você, eu te amo e só quero a sua felicidade...
Oh! Oh! A conversa já estava ficando sentimental demais. Sempre foi difícil ter conversas sentimentais com Rennè, afinal ela não me criou, não cuidou de mim e eu sempre senti que havia um abismo intransponível entre a gente. Eu sempre me senti posta de lado, afinal ela preferiu as drogas do que a mim.
- Eu sei, mamãe. – minha garganta já estava se fechando – Vamos fazer assim, no domingo eu vou aí te visitar e...
- Traga seu namorado!
- Sim, era isso mesmo que eu ia te dizer. Daí você vai ver o quanto eu estou feliz e o quanto o meu namoro é lindo...
- Ok. Ok – ela tossiu de novo – Agora preciso desligar porque tenho Terapia Ocupacional daqui a cinco minutos. Até o domingo, então. Te amo.
- Também te amo.
Eu não mentia quando dizia que a amava, mas era um amor partido... Bem, no domingo eu apresentaria meus namorados a minha única parente viva. Eles mereciam isso e ela também. Mesmo assim eu não podia parar de me preocupar com a reação que Rennè teria. Olhei para o relógio e vi que dali a alguns minutos os meus amores chegariam, então marchei para o estacionamento para esperá-los.
Meu coração começou a querer saltar pela boca quando vi meu Emmett descendo da pick-up lindo usando jeans claro e uma camisa pólo azul marinho. Deus do céu! Acho que nunca vou me acostumar com tanta beleza e perfeição, quando nossos olhares se encontraram, ele sorriu, exibindo as lindas covinhas de seu rosto. Ofegante, olhei para o lado e vi meu Edward caminhando na minha direção, lindo, glorioso, parecendo um felino, seu peito musculoso muito bem definido sob aquela camisa bege de gola V estava me tirando do sério...
‘Se controle Isabella, você vai pra aula daqui a pouco...’, disse para mim mesma mas não pude evitar de sentir minha calcinha molhada!
Trocamos alguns beijinhos inocentes e depois da briga do dia anterior eu percebi que as pessoas já não nos encaravam mais. Gostei disso. Devido à hora avançada, nos falamos rapidamente e combinamos de almoçar juntos, como sempre, depois cada um seguiu seu caminho.
No intervalo entre uma aula e outra, contei a Angela sobre meu primeiro emprego e ela ficou muito feliz por mim. Também lhe contei que falei com mamãe e prometi que levaria ‘meu namorado’ para que ela ‘o’ conheça no próximo domingo.
- Mas você não contou a ela?
- Não, Ang... – suspirei – Acho que por telefone seria meio... difícil. Mas não vou esconder a verdade. Edward e Emmett não merecem isso e de certo modo, Rennè também não.
- É mais complicado do que você imaginava, não é?
- Sim. – suspirei de novo – Por que as pessoas precisam ser tão preconceituosas e metidas?! A vida é minha e nós três somos maiores de idade e vacinados! – desabafei irritada.
- Pessoas fofoqueiras, com a mente cheia de sujeira e o coração vazio são assim mesmo! – ela afagou meu braço – Talvez esse seja o preço que vocês tenham que pagar para viver esse amor.
- Então vale a pena, Ang... – suspirei me lembrando de meus anjinhos.
A manhã passou voando e na hora do almoço Emm trouxe um colega para a nossa mesa e eles estavam meio ocupados fazendo um estudo de caso entre uma garfada e outra de comida. Mesmo assim meu amor me apresentou ao seu colega, Derek como ‘sua namorada’ e eu sorri internamente com isso. Então eu e Edward conversamos baixinho (para não atrapalhar a dupla) e almoçamos em paz. Depois eu passei no quarto, escovei os dentes, troquei de roupa, me despedi de Emmett (ele me desejou boa sorte no trabalho) e Edward foi me levar à BlackBooks.
- Boa sorte, princesa. – ele me deu um beijo calmo, molhado e apaixonado – Passo aqui pra te pegar às seis...
- Edward! Não quero dar trabalho a vocês e...
Ele grudou meus lábios com os dedos.
- Você não vai voltar de ônibus!
Percebi que era uma discussão perdida, suspirei e lhe dei um selinho.
- Te amo. – envolvi meus braços nele – Vou morrer de saudades...
Meio tonta e com a respiração ofegante, desci da pick-up e senti seus olhos em mim, me virei, sorri e acenei para ele. Assim que entrei na loja, lembrei das orientações da Srta. Jones e fui para a sala restrita aos funcionários, a sala estava vazia e tomei um susto.
- Ei, Bella!
O cara alto e moreno de ontem me surpreendeu e eu percebi que a sala não estava tão vazia assim... Ele se aproximou de mim em duas passadas só.
– Seja bem vinda à BlackBooks e isso aqui é um presentinho de boas vindas!
- Ah! Oi... – falei atordoada – Eu... ééérrr... obrigada?
A resposta saiu em tom de pergunta, ele estendeu um livro para mim (era uma edição de luxo de O Morro dos Ventos Uivantes) e eu percebi que dentro do livro havia um marcador de página e uma rosa vermelha. Corei.
- Eu vou te ajudar enquanto você estiver em treinamento.
Ele se aproximou mais de mim e colocou aquele crachá enorme de ‘estou em treinamento’ na gola da minha blusa. Senti minha pele esquentar com a proximidade de nossos corpos e ele se aproveitou da situação roçando as costas da sua mão em minha face. Mas aquilo não foi bom. Minha pele não esquentou da forma que esquenta quando Edward ou Emmett me tocam, esquentou de vergonha e até mesmo de raiva. Quem ele pensa que é para me tocar sem pedir permissão?
- Obrigada senhor...
- Black, Jacob Black. - ele se apresentou e fez drama – Ah! Não acredito que você esqueceu meu nome, gatinha...
- Meu nome é Isabella Swan, nunca mais me chame de gatinha. – falei irritada – E como eu estava dizendo, obrigada pelo presente, mas – devolvi o livro, depositando-o em sua enorme mão e usando força a mais que o necessário – não posso aceitar um presente do senhor, Sr. Black!
- Ah! Por que não? – ele arqueou as sobrancelhas e me deu um sorriso cínico.
- Por que isto não está certo. Nós não nos conhecemos e não temos nenhum tipo de relacionamento e acho que determinados presentes – apontei para a rosa vermelha – são pessoais demais.
O sorriso cínico se intensificou e sua boca se contorceu num esgar.
- E qual é a diferença entre mim e aqueles caras? Eu vi tudo ontem. – ele sussurrou, mas sua voz era cortante – Vi quando dois caras vieram te buscar e vi você beijando os dois dentro da pick-up. E aí eu fiquei pensando: que porra é essa?
Meu sangue ferveu... Ah! Desgraçado, filho da puta!
- Minha vida pessoal não te interessa. – sibilei entredentes.
Ele sorriu de novo, e cada vez que ele sorria a perversidade e o escárnio brotavam de sua boca, ele deu dois passos em minha direção, me prensando contra a parede.
- Ah, gatinha... – ele segurou com força nos meus ombros, me prendendo ali e me deixando em pânico – Você fica um tesão bravinha desse jeito...
Pensei rápido e em míseros segundos abri o fecho da minha bolsa, minha mão ágil procurou pelo que eu queria e me coloquei a postos. Ele fez o que eu achava que ia fazer, aproximou seu rosto do meu, senti sua respiração contra a minha pele, ele ia me beijar. Dei uma joelhada em sua virilha, fazendo-o se encolher na minha frente e logo em seguida, borrifei o spray de pimenta várias vezes em seu rosto.
Enquanto ele grunhia e se contorcia, senti meus olhos lacrimejarem de tanto ódio. Sai dali a passos largos e muito atordoada, esbarrei com um cara ainda no corredor da área estrita a funcionários.
- Senhorita, você está bem? – ele me segurou, me livrando de uma queda, ele me olhou rapidamente e viu o crachá em minha roupa – Srta. Swan?
Como eu não respondi de imediato, ele se apresentou.
- Sou Paul Black, gerente financeiro da loja. – meus olhos se arregalaram – Qual o problema, Srta. Swan?
Eu não precisei falar, Jacob Black abriu a porta e esclareceu tudo.
- Ah! Você ainda está aí, sua putinha! Vou... – ele se calou de imediato quando percebeu que o outro cara estava ali.
- Paul? – Jacob sussurrou.
- O que houve com seus olhos? – Paul Black perguntou – Ah! Entendi. Spray de pimenta? – ele perguntou para mim e eu assenti – Venha, Srta. Swan, vamos esclarecer isso.
Ele começou a me arrastar de volta para a sala, mas meus pés se grudaram no chão e eu gritei.
- NÃO! NÃO! NÃO!
Mil coisas se passaram na minha mente naquela hora e o meu estardalhaço fez com que um par de portas de abrisse atrás de nós. De uma delas um casal de meia idade saiu assustado e da outra porta, a Srta. Jones apareceu segurando um celular na mão.
- O que está acontecendo aqui? – o homem de meia idade falou.
- Jake aprontou de novo, pai. – Paul Black falou e apontou para mim.
Confusa, eu percebi que a mulher de meia idade e a Srta. Jones se aproximaram de mim e me conduziram para uma sala, ambas sentaram ao meu lado num imenso sofá de couro preto. Jacob Black entrou atrás de nós, seguido por Paul e o senhor de meia idade, ambos fizeram o desgraçado sentar na poltrona.
- Srta. Swan, - o homem de meia idade falou – Eu sou Billy Black e estas são Sarah Black, minha esposa e Leah Jones, nossa gerente de RH. – ele apontou para as duas mulheres ao meu lado e na mesma hora Paul Black me deu um copo com água – Paul é o meu filho mais e velho e Jacob, que a senhorita teve o desprazer de conhecer, é o meu filho mais novo.
Bebi um pouco da água e tentei me acalmar.
- Por favor, Srta. Swan nos diga o que de fato aconteceu.
Bebi outro gole da água, respirei fundo, ergui os ombros e lhes contei tudo. À medida que eu falava, ouvia a Sra. Black chorando baixinho ao meu lado e via na cara do pai e do irmão dele a vergonha estampada. Quando eu terminei, o Sr. Black olhou para Jacob e rosnou.
- Você não tem vergonha de fazer sua mãe chorar, seu desgraçado?!
- Mas pai...
- Mas pai nada! E quanto a esta garota? Ela é pouco mais que uma adolescente, Jake! Você não tem vergonha?
- Mas pai... – ele guinchou e apontou para mim – Ela tem dois namorados! Eu os vi ontem depois da entrevista de emprego!
Numa fração de segundos, Paul voou para cima de Jacob e desferiu-lhe um soco, fazendo um jato de sangue voar para o tapete, ouvimos o estralar de um osso se partindo.
- Seu idiota, você quebrou meu nariz! – ele berrou.
- Eu deveria quebrar você todinho, seu merda! – Paul falou enquanto seu pai tentava lhe segurar – De que lhe interessa se ela tem ou não dois namorados?
Corei e baixei meu olhar, senti a Sra. Black afagar meu braço e sussurrar.
- Desculpe por isso, filha... – eu apenas assenti.
E quando ergui o olhar, vi que Jacob Black tirou a camisa que usava e começou a tentar estancar o sangue e Paul falando ao celular com alguém, depois ele me fitou por alguns segundos e suspirou pesaroso.
- Srta. Swan, eu peço que nos desculpe por tudo isso e apesar de tudo, eu estou feliz por você ter usado seu spray de pimenta nesse desgraçado. – sua voz era bastante tranqüila, ele se sentou na mesinha de centro à minha frente – Nosso advogado já está vindo aqui para nos ajudar a resolver esse... hãn... incidente.
- Advogado? – sussurrei atordoada.
- Não se preocupe, faremos um bom acordo, você não sairá perdendo.
Acordo? Sair perdendo? Meu cérebro tava meio devagar... Tomei mais água e me deixei encostar no sofá, minha cabeça começou a latejar e o silêncio desconfortável de instalou na sala.
Depois de um tempo enorme, a porta abriu e um senhor baixinho, gordo e careca entrou na sala, ele carregava uma pasta preta e tinha um sorriso tenso nos lábios. Depois de cumprimentar os Black e a Srta. Jones, ele estendeu a mão para mim e me cumprimentou educadamente. Não houve muitas trocas de palavras, parecia que todos ali sabiam o que fazer, o homem se sentou na outra poltrona, abriu a pasta e sorriu de novo para mim.
- Bem, Srta. Swan, geralmente nesses casos nós costumamos ser rápidos e discretos.
Ele estendeu um pedacinho de papel para mim e meus olhos quase saltaram das órbitas quando li $ 250.000,00. Confusa, estreitei o olhar e lhe devolvi o papel, na certa ele tinha se esquecido de escrever o que queria escrever.
- Não... – murmurei aturdida.
- $ 300 mil é a nossa oferta final. – ele sussurrou numa crescente expectativa.
- Oferta? – repeti.
- Para que a senhorita... ééérrr... bem... passe uma borracha sobre este lamentável incidente.
- Passar uma borracha... – repeti para mim mesma.
- Entenda, Srta. Swan. – o homem se inclinou em minha direção – Processos trabalhistas motivados por assédio sexual costumam ser lentos, desgastantes e imprevisíveis. Nem sempre a suposta vítima ganha indenização e além do mais, a senhorita é muito jovem para se submeter a uma coisa tão constrangedora.
Foi aí que eu fui juntando as peças. Ele estava supondo que eu iria processar Jacob Black e falou duas palavrinhas nas quais eu nunca havia pensado antes: assédio sexual. Mas meu cérebro parecia uma folha em branco, eu não conseguia ainda ter um pensamento coerente!
- Então, Srta. Swan, vamos fechar em $ 300 mil, sim? Será melhor para todos nós.
Ele estendeu uma folha de papel para mim e nela tinha um monte de coisa escrita. Vi meu nome, número de minha conta bancária e uma linha para eu assinar. Mas também vi que eu aceitava fazer acordo com a empresa e me comprometia a não processar Jacob Black ou a BlackBooks.
- Se eu assinar isso, o que vai acontecer? – perguntei aturdida.
- Vamos dar o assunto por encerrado e seguir com nossas vidas. – o advogado esfregou as mãos nervosamente – Seja sensata, Srta. Swan...
Eu não sabia se estava fazendo a melhor coisa, mas assinei e na mesma hora vi quando Paul Black ligou para alguém e escutei o que ele disse em alto e em bom som. O advogado me deu uma via do ‘acordo’ e ficou com a outra, dobrei a folha de papel e guardei-a na bolsa.
- Morris, aqui é Paul Black, por favor, faça imediatamente uma transferência bancária para a conta da Srta. Isabella Marie Swan...
Ele pegou o papel que estava com o advogado e leu para o cara do telefone meus dados bancários e depois finalizou com um pedido.
- Por favor, Morris, esse valor deve estar na conta da Srta. Swan o mais rápido possível.
Num piscar de olhos, Jacob Black, seu pai e irmão saíram da sala, seguidos pelo advogado e eu fiquei ali com a Sra. Black e a Srta. Jones. Depois de um tempinho e quando me senti mais calma, ergui o olhar e encontrei as duas me encarando.
- Eu... já posso ir para casa? – perguntei.
- Ainda não, querida. – Sra. Black sussurrou e afagou meu joelho – Morris vai nos telefonar para dizer se a transferência para sua conta foi feita com sucesso.
- O que vai acontecer a Jacob Black? – murmurei.
- Como assim? - a voz da mãe dele subiu umas oitavas.
- Ela está perguntando se o seu filhinho vai sair impune de mais essa. – a Srta. Jones falou com sarcasmo – Vai sim, Isabella, enquanto os Black tiverem dinheiro, o Jake vai se safar de todas!
- Leah! - a mulher falou num tom de voz cortante como aço – Você deve ter muito trabalho em sua sala, não?
Ela se levantou e olhou para mim, seus olhos pareciam sinceros.
- Eu sinto muito, de coração, Isabella. Toda mulher se sente ofendida quando isso acontece com outra mulher. – ela estendeu a mão para mim e eu aceitei – Desejo toda a sorte do mundo para você. E... – ela olhou para a Sra. Black rapidamente – Compraram sua dignidade hoje, mas seja sábia, use seu dinheiro para construir um bom futuro parta você.
Ela não me deixou responder, saiu rapidamente e fechou a porta atrás de si. A Sra. Black se levantou, pegou um copo com água e tomou uma aspirina, eu me encostei no sofá novamente e fiquei pensando nas palavras da Srta. Jones: dignidade comprada.
Eu contei quantos botões havia no sofá, observei os desenhos rebuscados do tapete, percebi que a bainha da minha calça estava se descosturando em uma perna, notei que meu tênis estava sujo... enrolei e desenrolei uma mecha de cabelo até que o telefone na mesa da Sra. Black tocou. Ela falou rapidamente e depois me disse com uma voz monótona:
- A transferência já foi feita. Você já pode ir...
Meu corpo reagiu à notícia e quando olhei o relógio vi que já passava das cinco da tarde. Sussurrei um ‘boa tarde’, mas a mulher não respondeu, sai de fininho e quando já me preparava para sair da loja, a Srta. Jones me alcançou.
- Srta. Swan! – eu girei em meus calcanhares, ela me estendeu um pedacinho de papel – Minha amiga Charlotte é dona de um albergue aqui mesmo no centro da cidade, eles estão precisando de gente pra trabalhar...
Ela mais uma vez não me deixou agradecer, se virou rapidamente e desapareceu. Assim que coloquei os pés na calçada, chamei um táxi e pedi que o motorista me levasse até o apartamento de meus anjinhos... eu precisava muito deles naquela hora. Peguei o celular e liguei para Edward, ele atendeu no primeiro toque.
- Oi princesa! – pelo tom de voz, eu acho que ele sorria – Já estava entrando na pick-up para ir te buscar!
- Não precisa. – guinchei – Eu to chegando aí.
- Bella? O que houve? Você ta chorando?
- To chegando. – sussurrei e desliguei o telefone.
Assim que o motorista parou o carro na frente do prédio, vi Edward ansioso me aguardando no portão, eu estendi ao motorista uma nota de vinte e nem esperei pelo troco. Voei para fora do carro e me joguei nos braços de meu Edward.
- Oh... Ed... – sussurrei e o abracei com força.
- Shii... O que houve, meu amor? - ele correspondeu ao meu abraço e afagou minhas costas com carinho.
Inspirei o cheiro de seu corpo e me senti melhor, ele enxugou as lágrimas de meu rosto com as pontinhas dos dedos e beijou minha testa.
- Emm já chegou? – sussurrei.
- Já. Ele deve estar no banho... – ele estreitou o olhar – Vem, vamos entrar e assim você nos diz o que houve.
Edward me abraçou pela cintura e não desgrudou de mim até que chegamos ao apartamento, assim que entramos, Emm estava na sala, seus cabelos curtinhos ainda estavam molhados. Ele me olhou nos olhos e deu um pulo do sofá.
- Bebê você chorou? – seus braços me envolveram e eu me senti flutuar de Edward para ele – O que aconteceu?
Eu não desabei no choro, mas meu coração estava apertado. Sentada no colo de Emmett e com minhas mãos entrelaçadas a Edward, contei-lhes tudo o que me aconteceu.