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- Vem Comigo, Amor

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- Paradise

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- Música Das Sombras - adaptação do livro homônimo. (Fic concluída)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Paradise - Capítulo 09


Carpe Diem (Parte II)

O silêncio confortável foi quebrado pelo som de meu riso. Edward deitou de lado e me olhou nos olhos, enquanto Emmett se sentou no tapete.
- O que foi? – ele perguntou.
Minha risada se intensificou.
- Qual é a graça, princesa? – Edward tocou na pontinha de meu nariz.
- Não, não é engraçado... – esclareci e ri mais ainda, fazendo os dois rirem comigo – É apenas... lindo!
Minha risada continuou enquanto eu olhava para aquele teto bege e bobo, os dois olhavam para o teto, olhavam para mim e riam também. Tentei me controlar antes que eles pensassem que eu tinha ficado maluca!
- O dia está lindo, esse tapete é muito fofinho... o teto bege é lindo... – percebi que ainda estava completamente sem noção – Tudo isso é lindo e maravilhoso porque eu AMO VOCÊS!
Olhei para Edward, seus orbes verdes vibravam nos meus e sorriam assim como seus lindos lábios. Emmett estava tão absorto em mim quanto eu nele e quando seus olhos azuis varreram meu rosto, vi uma emoção diferente ali. Ele sorriu e colou sua testa na minha.
- O mundo se tornou uma coisa mais bonita para mim desde o dia em que você começou a fazer parte do meu mundo! – ele me deu um beijinho de esquimó – E isso é... é maravilhoso! Amar você tem sido um grande presente para mim... Puxa vida! – ele falou emocionado – Agora eu entendo a intensidade do amor que papai sentia pela mamãe...
OMG... Meu Emmett tinha os olhos marejados, eu o abracei e depositei selinhos em seus olhos, bebendo as lágrimas que não chegaram a cair.
- Te amar também é um presente para mim. – sorri e olhei para Edward – Amar os dois me fez ter uma perspectiva diferente da vida. – entrelacei minhas mãos nas deles – Antes de vocês eu... eu vivia minha vida um dia de cada vez. Eu não tinha muitas perspectivas... Eu namorei outro cara, dos 14 aos 17 eu namorei com um único garoto, ele... ele era legal, atencioso e tudo o mais. Foi com ele que eu perdi a virgindade e... escutem, eu não quero falar do meu ex, eu só quero dizer o quanto vocês mudaram a minha vida. – os dois assentiram – Peter era um namorado perfeito, daqueles que toda garota quer. Mas eu o magoei, sabem? Eu, bem... eu estava com ele, mas ao mesmo tempo eu era distante. Ele queria fazer planos, noivado, casamento, casa, cachorro, crianças...
Percebi que chorava quando Edward enxugou uma lágrima minha com as pontas dos dedos. Emmett me abraçou com mais força e beijou minha bochecha.
- E eu não conseguia embarcar nesses sonhos, não conseguia compartilhar com ele dessas mesmas perspectivas. Para mim, o amor e a felicidade eram coisas dispostas numa vitrine, eram coisas inalcançáveis. Aos poucos eu fui destruindo o nosso relacionamento porque eu simplesmente não acreditava que a felicidade pudesse existir para mim... – falei com a voz embargada, mas depois respirei fundo – Você, Emmett e você, Edward fizeram em mim uma mudança. Eu passei a sonhar, a acreditar, a desejar um futuro... Isso só pode ser por causa do amor que eu sinto por vocês...
Edward levou minha mão aos lábios, beijando-a com carinho e sorriu antes de falar.
- Antes de você, Bella, eu tinha medo de amar. Cada namoradinha que eu tive era só alguém para passar o tempo e quando eu sentia que estava me apaixonando de verdade, saltava do barco... – ele sorriu torto – Amor era sinônimo de dor, porque papai falava de nossa mãe com tanto carinho e devoção, que suas palavras chegavam a doer e eu... eu tinha medo disso. – ele respirou fundo e colocou uma mecha de meu cabelo atrás da orelha – Mas agora eu sei que amar você é o meu destino...
Nos abraçamos e nossa bolhinha de amor e cumplicidade só foi quebrada porque meu estômago roncou tão forte que fez com que Edward gargalhasse alto, eu corei, é claro. Emmett uivou de tanto rir e enquanto esmurrava uma almofada, encostou a cabeça na minha barriga.
- Minha nossa senhora... tem um motor de barco velho aí dentro...
Corei intensamente e dei um soco leve em seu ombro, peguei a primeira camisa que vi na minha frente e a vesti, levantando do tapete.
- Vou preparar alguma coisa pra gente comer...


Os dois assentiram e se levantaram também, mas pela minha visão periférica eu vi que não estavam catando suas cuecas apenas. Depois de vestidos, eles cataram também as camisinhas usadas que formavam umas bolinhas num cantinho da parede. Sorri com a lembrança em minha mente e as sensações de prazer que ainda estavam em meu corpo. Fiz um coque no cabelo, marchei para a cozinha e decidi preparar macarrão ao molho mediterrâneo com verduras e camarão. Liguei o rádio que estava numa prateleira perto da pia e comecei a cantar uma música de Bob Marley que tocava.
Meus anjinhos chegaram na cozinha e... G-ZUIS... Ambos só usavam suas cuecas...
- Quer ajuda, amor? – OMG... Ed me chamou de amor!
Sorri largamente para ele enquanto cortava uns pedacinhos de cebola. Quando me preparava para respondê-lo, dei um gritinho e um pulinho de susto.
- Ai!!! Que susto, Emm! – gritei e o palhaço desatou a rir.
Tinha que ser Emmett!!!
Ele se aproximou de mim pelo outro lado, sem que eu entendesse suas reais intenções e, por cima da camisa, beliscou minha bunda!
- Eu tava vendo se a carne tava boa...
Ele me deu um sorriso sem vergonha e eu não pude me controlar, gargalhei com vontade, arrastando Ed comigo. Brincadeiras à parte, enquanto cantarolávamos ‘Is this love? Is this love? Is this love? Is this love that I felling?’, eu preparei o macarrão, fiz o molho e cortei as verduras, Emm fez um camarão ao alho e óleo muito cheiroso e Ed fez uma salada verde com pedacinhos de queijo e presunto. Separei uma garrafa de vinho branco e a coloquei para gelar, enquanto a comida ficava pronta, nossa conversa foi sobre Paradise Island.
- Deve ser um lugar muito bonito mesmo... – suspirei.
- Sim, princesa! – Ed falou com orgulho – O lugar mais bonito da terra...
- E mais feliz também! – Emm completou – Não vejo a hora da gente terminar logo a faculdade para poder voltar pra casa.
- Você vai amar a nossa casa da ilha, Bella. – Ed falou e olhou para o nada à sua frente, como se estivesse visualizado o lugar.
- Sim! A casa é meio antiga, mas é muito confortável... – Emm falou – Ela foi construída por nosso bisavô no começo do século passado e ainda preserva muita coisa...
- E você vai amar as nossas praias... nosso jardim...
Enquanto eles falavam, eu imaginava nossa vida... Em poucos segundos eu visualizeis nossas criancinhas correndo pela beira da praia, um cachorro barulhento e lambão correndo atrás delas, um pôr-do-sol... minhas mãos entrelaçadas às deles. E nos vi numa linda rotina de muito amor e felicidade. Aquilo perecia bom demais para ser verdade!
- Bella? O que você acha? – Ed perguntou.
- Hã? – acordei do sonho – Ah! Desculpe, o que você disse?
- Ih, mano, eu acho que a gente assustou Bella com essa história de morar na ilha! – Emm falou.
- Não, não! – tratei de responder – Eu adoraria morar em Paradise! – falei com convicção.
- A gente não ta colocando os carros na frente dos bois, princesa... – Ed acariciou meu rosto – Mas adoraríamos voltar a viver na nossa ilha!
- E onde mais eu poderia viver? – sorri para os dois – Uma ilha, uma cidade, uma fazenda, um deserto... tanto faz, desde que eu esteja com vocês.
Devo ter corado, por timidez, baixei o olhar para a panela e verifiquei se o macarrão estava cozido.
- Bom, isso é bom. – Emm colocou os camarões numa tigela – Porque eu não quero ficar longe de você, bebê.
- Então o que você diz de passarmos o feriado de Ação de Graças na ilha? – Ed perguntou cheio de expectativa – Nossa família vai adorar conhecê-la.
Ele falou com naturalidade, mas eu senti meu coração perder uma batida.
Família? Ai meu Deus!!!
E se eles não aprovarem nosso namoro?
E se eles não gostarem de mim?
- Família? – guinchei e me livrei do olhar dos dois enquanto escorria o macarrão e o misturava com as verduras, o molho mediterrâneo e o camarão – Pensei que vocês tinham dito que não tinham mais pais...
Ed ergueu meu rosto com suavidade enquanto Emm se apossava das minhas mãos.
- Nós temos uns tios e primos, além de amigos que são quase da família. – Ed sussurrou – E eu sei que todos adorariam te conhecer.
- Mas... mas se eles não aprovarem nosso namoro? – falei num fiozinho de voz.
- Eles não desaprovarão. – Emm me assegurou.
- Mas eles podem não gostar, não podem? – insisti.
- Gosto é feito nariz: cada um tem o seu. – Emm respondeu – E mesmo assim, se não gostarem, eles respeitarão nossa decisão.
- Com certeza! – Ed beijou minha bochecha.
‘Tomara’, pensei comigo mesma e mudei de assunto.
- Se é assim, não vejo a hora de viajarmos! – respondi.
Almoçamos e tomamos vinho em meio a muitas risadas e carinhos.
- A comida tá ótima, Bella. – Emm sussurrou.
- Tá mesmo, princesa!
- Obrigada! - sorri meio sem graça – Aprendi a cozinhar com vovó Marie.
A toda a hora os dois me contavam fatos engraçados de sua infância na ilha enquanto eu desatava a rir, achando graça de tudo.
- Mas também teve aquele episódio do morcego na igreja... a-ha-ha-ha-há – Emm já chorava de tanto rir.
- Crescemos freqüentando a Igreja Metodista de Paradise. – Edward esclareceu – Todos os domingos, durante o culto noturno, um morcego começava a fazer uns vôos rasantes sobre as nossas cabeças.
- É, ele entrava por uma fresta do telhado e fazia a festa, assustando as senhoras... Tanya, a nossa madrasta, morria de medo dele. – Emm tinha duas covinhas lindas no rosto enquanto sorria – Aí, um dia, sem que papai visse, nós levamos nossos estilingues para a igreja.
- E esperamos o culto começar. Justo na hora que o coral começou a cantar Amazing Grace, o morcego começou sua exibição. Ele voou uma, duas vezes, enquanto isso eu preparava meu estilingue e uma pedrinha... – Ed recordava.
- Mas fui eu quem deu o primeiro tiro, não derrubei o bicho, mas acertei nele, deixando-o cambaleante. Papai ainda não tinha visto o que fazíamos, mas Tanya viu e segurou riso...
- Quando o morcego voou de novo, eu dei um tiro certeiro, fazendo-o se estatelar no chão, bem no meio da igreja. – Ed riu com gosto.
- O Reverendo Clayton Young começou a gritar, dizendo que Deus havia tirado o demônio do meio de seu povo! – Emm gargalhou – Todo mundo começou a gritar ‘aleluia’ e Tanya nos abraçou, beijando-nos como forma de gratidão.
- Meu Deus! Vocês deveriam ser dois santinhos hein? – disparei.
- Depende do ponto de vista. – Ed sorria torto, mas depois fechou a cara – Nossa tia Lilian nos chamava de ‘coisa 1’ e ‘coisa 2’.
- Hum... vocês deviam aprontar muito... – deduzi.
- Não, não é isso. – Emm franziu a testa – Lilian é irmã de nossa mãe e ela, sei lá, parece que ela nunca gostou de nós. Não que eu vá morrer por causa disso! Mas ela não gosta simplesmente por não gostar, entende?
- Entendo! E como entendo...
Lembrei de Jessica, Victoria e Jane.
- Crescemos entendendo que os Hale não gostavam dos Cullen. – Ed esclareceu – Ainda bem que os Mansen não se envolvem em inimizades.
- Hale? Mansen? – franzi a testa.
- Paradise foi uma ilha particular por mais de um século. – Ed fingiu desenhar o perímetro da ilha sobre a mesa – Nosso tataravô, Aaron Carter, foi um ilustre general da União e ao final da guerra de secessão, ele ganhou do governo federal a ilha de presente.
- Hoje em dia, a ilha é dividida em quatro partes, a parte oeste pertence ao Estado onde estão construídos todos os prédios públicos e alguns imóveis residenciais de terceiros. – Emm fingiu desenhar a ilha na palma da minha mão – Ao norte estão os Mansen, à leste os Hale e nós, os Cullen, ao sul.
- Puxa, isso é meio... latifundiário. – sussurrei.
- Seria, mas nós temos muitos imóveis alugados e as três famílias já venderam muitas terras! – Emm sorriu e continuou – Nosso tataravô fez uma colônia de pescadores na ilha, atraindo muitos trabalhadores e comerciantes para a região. Décadas depois, o único herdeiro da ilha era Damien Carter, nosso avô. Ele e vovó só tiveram três filhas: Olivia, Esme e Lilian. Tia Olivia casou com Ernest Mansen, um cara gente boa que é o atual delegado da ilha. Esme casou com papai, um simples pescador de camarões. Tia Lilian acusou papai de querer dar o golpe do baú na mamãe e depois se casou com Tim Hale, um empresário fracassado que vivia metido em negócios falidos. Em decorrência dos respectivos casamentos, os Mansen, os Cullen e os Hale são os maiores proprietários de terra da ilha.
- Caraca... – sussurrei – É muita história.
- Pode crer! – Ed sorriu e bebeu um gole de vinho – Aos poucos a gente vai te contando tudo...
Depois do almoço, eu me levantei e comecei a lavar a louça, os dois me ajudavam, enxugando tudo e guardando no armário. A conversa ainda fluía sobre Paradise e eu entendi que os Cullen são donos de uma frota de barcos pesqueiros. Eles tiveram de arrendar a pequena empresa para poderem vir estudar na Universidade e é daí que vem a fonte de renda deles. Conversa vai, conversa vem... o palhaço do Emm começou a esguichar água em mim.
- Ah é? – joguei água nele também – Toma isso!
Mas ele se esquivou e eu acabei molhando Ed, este sorriu torto e me molhou também! Incorporamos três crianças e quando dei por mim, a camisa que usava estava colada em meu corpo, exibindo minhas curvas e o contorno de meus mamilos rijos. Aquilo foi o que bastou...


Edward se aproximou de mim e tomou meu rosto em suas mãos, seus olhos estavam cheios de desejo. Ele me beijou de uma forma que deveria ser considerada crime. Na hora eu senti as pernas bambearem, o coração disparou e meu sexo pulsou ao sentir aquela língua se apoderar da minha. Suas mãos desceram até minha cintura, rodeando-a com possessão, me icei nele e entrelacei minhas pernas em seu corpo.
Sem interromper o beijo, ele me levou para o tapete de novo, tirou a camisa molhada que eu usava e me deitou ali. Inverti a posição de nossos corpos, estendi uma perna de cada lado de seu corpo e passei a distribuir pequenos beijos molhados sobre seu peito. Suas mãos percorriam minhas costas e apalpavam a minha bunda com força.
Quando senti a enorme excitação de Ed, não resisti e tirei sua boxer, jogando-a num canto qualquer da sala. Ele urrou de prazer quando sentiu seu pau ereto em minha boca. Comecei a chupá-lo com vontade, passando minhas mãos naquele enorme e roliço patrimônio, deixando beijinhos molhados em toda a sua extensão, rodando minha língua naquela cabecinha macia e trabalhando bastante com as mãos.
Gemi contra sua pele quando percebi que Emmett estava atrás de mim, acariciando minha bunda. Fiquei úmida na hora e me empinei mais para ele que prontamente passeou seus dedos pela minha outra entradinha! Continuei com os movimentos em Edward, mas estava enlouquecida em ter Emmett em mim novamente.
Tirei minha boca daquele pau doce e ergui um pouco a cabeça.
- Emm? – falei em meio a arquejos.
Ele aproximou seu rosto do meu e eu sussurrei contra seu ouvido.
- Amor... tem camisinhas e um gelzinho especial ali dentro da minha nécessaire.
Ele sorriu maroto e me deu um beijo quente, rápido e profundo, sugando minha língua numa única investida.
Voltei minha atenção para Edward e comecei a chupá-lo de novo, arrancando novos gemidos dele.
- Aaahhh... Bella... – ele gemia gostoso.
Pouco tempo depois, senti a enorme excitação de Emm contra meu corpo e passei a rebolar para ele. Senti o frescor do gel contra minha outra entrada, senti seus dedos mágicos acariciando meu clitóris e numa única investida, seu pau grosso entrou em mim.
- Ah! Bella... Aqui você ainda é mais apertadinha... – ele sussurrou.
Gemi de prazer contra a pele de Ed e na mesma hora me lembrei daquela música de Rihanna.
 ‘Porra, esse é o meu rude boy...’, gemi ofegante.
Emm ainda ficou um tempinho parado dentro de mim, talvez esperando que eu me acostumasse ao seu volume. Quando me senti mais à vontade, comecei a rebolar e foi o que bastou para ele me pegar de jeito, estocando firme, mordendo meu ombro bem de leve e acariciando meu grelinho com uma das mãos.
As firmes e vigorosas estocadas de Emm eram sincronizadas com as chupadas que eu dava em Ed. Meu corpo estava em combustão, os gemidos deles me deixavam ainda mais louca. Edward urrou mais forte, seu pau ficou mais duro em mim e eu chupei com mais vigor. Lá trás, Emm estocava com força, irradiando pequenos espasmos dentro de mim.
Não se deve falar com boca cheia, por isso eu não gritei e nem gemi quando gozei... de novo!
Um orgasmo intenso, poderoso e avassalador (daqueles que fazem a gente esquecer o próprio nome) veio para mim na mesma hora em que Ed se derramava na minha boca. Engoli seu gozo, chupei tudinho, acariciei suas bolas com carinho ao mesmo tempo em que me sentia flutuar numa outra dimensão e sentia meu interior segurar com força a anaconda de meu Emm.
- PORRA, BELLA! – os dois urraram o meu nome ao mesmo tempo quando gozaram.
- Aaahhh... – gemi ofegante e deslizei contra o corpo de Ed, totalmente sem noção de mais nada.
O que era aquilo, G-ZUIS?
Tá, eu não era mais virgem, mas não sabia que aquilo TUDO pudesse existir!!!
Ainda com os pensamentos embaralhados, me senti deslizar de Edward para Emmett, este me acomodou contra seu peito, beijou minha testa e afastou os cabelos de meu rosto.
- Te amo, Bella... – sorri de felicidade – Minha gostosa!
Edward chegou mais perto e beijou delicadamente o meu pescoço, depois sussurrou em meu ouvido.
- Te amo, princesa.
- Eu amo vocês! – me aninhei contra Emm, mas sentia Ed colado a mim e bocejei – Muito... amo... vocês...
Um silêncio gostoso e confortável preencheu a sala, nos aquietamos um pouquinho, meu corpo suado se grudou ao deles, o cheiro de sexo era maravilhoso.
Extremamente relaxada, devo ter cochilado um pouquinho.
Quando abri os olhos, vi que a luz do sol já entrava meio alaranjada pela janela, deduzi que o dia estava acabando. Meu Edward ressonava sossegado e tinha um lindo biquinho nos lábios. Sentei no tapete e me inclinei um pouco sobre ele, depositando um selinho leve em seus lábios. Ele sorriu e sussurrou ‘hum... Bella’.
Mas Emmett era outra coisa linda de se ver. Ele também sorria, mas seu sorriso era o de quem estava se divertindo, talvez ele estivesse sonhando. Sim, ele estava sonhando! Seu membro antes adormecido começou a ganhar vida, erguendo-se majestoso e fazendo com que meus mamilos se enrijecessem diante de tão gloriosa visão.
- Emmett Cullen, é melhor que você esteja sonhando comigo! – sussurrei.
Comecei a acariciar a anaconda, fazendo movimentos bem leves para não acordar meu Emm. Ele sorriu mais ainda e sussurrou.
-Isso... ah... Bella.
Aquilo mexeu com meus hormônios revoltos, me inclinei sobre ele e abocanhei seu pau. Eu estava muito curiosa para sentir seu gosto também e saber se ele era tão doce quanto Edward.
- BELLA! – ele gritou e levantou um pouco a cabeça, depois sorriu para mim.
- Psiu... isso é um sonho... – ronronei.
O tamanho dele me fez trabalhar com mais afinco, minhas mãos subiam e desciam por sua extensão em sincronia com meus lábios e língua naquela gostosa cabecinha. Emm gemia, urrava e mexia os quadris, empurrando contra minha boca. Nosso chamego acordou Ed que me olhou de um jeito sem vergonha e começou a se masturbar.
Caraca! ‘Se eu não morrer hoje, não morro mais’, pensei.
- Não, Ed... – gemi quase sem fôlego quando tirei a anaconda da boca – Sozinho, não!
Ele entendeu o recado, foi até a nécessaire e pegou uma camisinha e o gel, depois se grudou em mim, comecei a rebolar em seu mastro duro, enquanto isso, eu acariciava e chupava meu Emm, mexendo minhas mãos nele. Senti o gel e a picanha de Ed em mim, entrando sem qualquer cerimônia e dessa vez eu não pude evitar de gritar.
A loucura veio com tudo em nós três, os movimentos frenéticos e erráticos, mas sincronizados no nosso próprio ritmo, nos levaram a uma terceira dimensão. Firme, eu chupava minha anaconda, firme, Ed investia em mim com vontade enquanto sussurrava palavras soltas no ar.
- Gostosa... quente... apertada...
- Vai, Bella! – Emm urrou e eu senti seu pau mais duro, chupei com força e bebi seu melzinho com gosto.
E sim, ele era tão gostoso quanto Edward. Diferente. Mas igualmente gostoso.
As investidas de Ed em mim continuavam com vigor e eu sentia o espasmo se aproximando, empinei mais a bunda, convidando-o para mim. Uma última estocada, meu interior se contraiu com vontade, engolindo seu pau. Gritamos de prazer em sincronia e por uma questão se segundos, vi tudo colorido na minha frente.
Edward saiu de mim e beijou minhas costas, quase sem forças, escorreguei sobre Emm feito uma gelatina, ele me abraçou com carinho e beijou minha testa suada. Ed se deitou ao meu lado e sorriu para mim. Ofegante, eu apenas sorria, não conseguia falar nada ainda.
- Fantástico, Bella. – ele sussurrou e afagou minha bochecha.
- Fodástico. – Emm falou e sorriu.
- BFF. – sussurrei.
- Hãn? – Emm perguntou.
- Best friend forever – Ed tentou explicar.
- Não! – sussurrei – Best fuck forever.
Nós três desatamos a rir e ficamos deitadinhos, tentando recuperar o fôlego.
Eu estava feliz, plena, realizada. E não é só de sexo que eu estou falando, mas de sexo com amor, de carinho, de compreensão, de cumplicidade.
As coisas pareciam que poderia dar certo na vida de Isabella Swan e eu senti uma coisa inédita. Não me senti um acidente de percurso, filha de uma drogada e um alcoólatra, não me senti uma deslocada, um peixe fora d’água ou uma perdida. Não me senti indigna de ser feliz e amada, não me senti estranha.
Ergui um pouco o meu corpo, me apoiando nos cotovelos, para poder olhar para eles e sorri.
- Edward, Emmett, eu sou a mulher mais feliz desse mundo. – eles sorriram – Isabella Swan hoje não tem mais dúvidas! Eu encontrei meu lugar nesse mundo e é no meio de vocês. Eu encontrei minha o sentido da vida, que é amar vocês. Eu reencontrei as batidas de meu coração no coração de vocês. Eu encontrei o prazer, não como uma simples conseqüência do ato, como eu antes achava que deveria ser, mas eu encontrei o verdadeiro prazer somente pelo fato de dar prazer às pessoas que eu amo.
Eles ainda me fitavam cheio de expectativas, carinho e ternura.
- Tudo isso é inédito para mim! – sorri mais ainda – É como eu já disse: vocês mudaram as perspectivas de tudo e sacudiram a minha vida para sempre! – tomei fôlego – Eu amo vocês, muito!
Edward me abraçou, me fazendo deitar entre eles e passou a distribuir selinhos em meu rosto.
- Te amo, te amo. – ele intercalava as palavras entre beijos.
Emmett acariciava meu corpo e sorria, depois beijou delicadamente o meu pescoço.
- Te amo, meu bebê.
Sorri e fechei os olhos um pouquinho enquanto desfrutava do meu momento sanduíche com os meus gostosos Cullen.


Vem comigo, amor - Capítulo 53

Reflexo


POV BELLA

 ‘Deus do céu! Obrigada!’
Sorri emocionada para o meu reflexo no espelho e quase chorei de tanta emoção.
Intocável, a minha família estava intacta. Meu casamento, minha felicidade, meu amor... tudo estava protegido.
Eu estava no quarto, escovando meus cabelos, os bebês já estavam dormindo e o barulho da chuva era agradável. Edward ainda estava no sótão assistindo às aulas da faculdade, mas já eram dez horas da noite, ele desceria a qualquer momento.
‘Oh, Deus! Obrigada de novo’, fechei os olhos e agradeci mais uma vez. Afinal, os dias tinham sido muito difíceis para mim e para Edward. O tempo de guerra se foi...
- No que a minha doce esposa tanto pensa? – ele pousou uma mão sobre meu ombro, me despertando.
- Em nós. – respondi.
Ele me abraçou por trás e o nosso reflexo no espelho era lindo, como uma pintura feita pelo mais talentoso artista.
Girei meu corpo para ele e enrosquei minhas mãos em seus cabelos, fiquei na ponta dos pés e lhe dei um selinho. Ele apertou seu abraço em minha cintura, puxando-me para si.
- Pensando em nós. – continuei – Em nosso amor, em nossa família, em nossa felicidade...
Ele suspirou antes de falar e franziu a testa.
- E pensar que eu quase coloquei tudo isso a perder! Eu... eu tenho vontade de...
Colei seus lábios com meus dedos e intensifiquei nosso abraço.
- Shii... Já passou. – sussurrei – Já passou, ficou para trás...
Nossos olhares se encontraram e eu me senti estremecer. Aqueles orbes verdes em mim pareciam escanear minha alma, minha mente e meu coração
- Ah! Bella... – ele sussurrou – Nós vamos ficar juntos para sempre, não é?
Envolvi seu rosto em minhas mãos e lhe dei um beijo cálido nos lábios.
- Eu estou presa a você para sempre! – sorri – Eu te amo, Edward.
- Para sempre, eu e você. – ele nos girou no quarto – Eu te amo, minha Isabella.
Delicadamente, eu fui deitada na cama, depois ele foi até a porta do quarto, fechando-a e se voltou para mim, sorrindo como uma criança feliz. O colchão afundou um pouco com o peso de seu corpo e quando ele ia tirar a camisa que usava, eu me sentei na cama e sussurrei.
- Deixa que eu faço isso. – ele sorriu e assentiu.
Sem pressa, eu desnudei o corpo de meu marido, beijando cada pedacinho de sua pele, me sentindo feliz só por estar ali com ele. Gestos cálidos de suas mãos fizeram minha camisola cair no chão, suas mãos quentes e macias percorreram meu corpo e invadiram minhas curvas. Seus lábios doces me provaram com carinho: minha boca, meus seios, meu sexo. Seu corpo másculo me aqueceu, me invadiu, me amou com ternura, me preencheu e me completou, fazendo-me chegar ao céu.
Ofegantes, suados, exaustos e satisfeitos, descansamos nos braços um do outro e adormecemos felizes.
Os dias que se seguiram eram não apenas o reflexo de minha reconciliação com Edward, mas a minha reconciliação com o mundo. Tudo parecia melhor, mais bonito, mais fácil... O sorriso voltou ao meu rosto e de repente eu me vi interagindo com Sid e Jenny, participando das conversas do dia-a-dia como qualquer pessoa normal.
É engraçado, não, não, não é engraçado, é IMPRESSIONANTE o que um coração despedaçado pode fazer com uma pessoa. Percebi que nos últimos dias eu não estava fazendo compras de uma forma racional. Por exemplo, todo mundo em Forks sabe que o Thriftway vende tudo mais caro em relação ao Newton’s, mas eu não me importei muito com isso. Eu acabava indo ao supermercado mais vazio, com menos filas nos caixas, com mais vagas de estacionamento e com menos gente pra tirar minha paciência. Enquanto cantarolava uma música qualquer, eu estava olhando o que tinha nos armários e na geladeira, fazendo uma lista do que estava faltando.
Na mesma tarde, fui ao Newton’s e enchi o carrinho, boa parte dos produtos estava em promoção. E de uma vez só, eu me encontrei com Charlotte, Tia, Emily e mais alguns outros conhecidos. A gente conversava sobre os preços das comidas, trocava receitas e sorria muito quando me deparei com uma figura que eu já não via há um bom tempo.
- Sr. Hobbes! Há quanto tempo! – Charlotte exclamou – Como foi de viagem?
Viagem? Ele tava viajando?
- Ah! Fui bem, muito bem! – ele sorria enquanto cumprimentava cada uma de nós.
- Parabéns pelo prêmio! – Tia sorriu – Todo mundo aqui assistiu ao campeonato.
- Eu tive que ir para a casa da minha vizinha, porque estávamos sem internet no dia. – Emily esclareceu - O senhor mereceu, aquela rosa era a mais bonita de todas!
De repente, um monte de gente fez uma roda, todo mundo queria cumprimentar e parabenizar o Sr. Hobbes. Eu me senti um peixe fora d’água, sem saber qual era o assunto até que ele mesmo explicou.
- Mas como eu não poderia ganhar?! – ele sorriu e apontou para mim – Se a musa inspiradora, com todo respeito, Sra. Fields, - ele falou e corou, acho que corei também – consegue ser mais linda que a própria rosa?!
G-ZUIS! Corei mais ainda e sorri. Foi aí que eu me dei conta do que era. No ano passado, quando eu ainda estava grávida, ele disse que fez uma rosa híbrida inspirada em mim. Lembro até de ele me dar um buquê dessas mesmas rosas e de eu ter posado para umas fotos: eu, meu barrigão de gêmeos e as rosas.
- Não?! – falei embasbacada – O senhor ganhou o campeonato de rosas da Califórnia?! – ele assentiu e sorriu, me abraçando logo em seguida.
- Parabéns, Sr. Hobbes! – eu disse por fim.
As pessoas sorriram e aos poucos se dispersaram. Aprendi que numa cidade pequena, alguns moradores, por mais simples que sejam, ganham o status de cidadão ilustre. O Sr. Hobbes e suas rosas tinham um lugar especial no coração de cada foforkiano, ao ponto da cidade inteira (menos eu e Edward, eu acho) parar para assistir à final do campeonato de rosas. Detalhe: todo mundo viu pela internet porque não foi transmitido pela emissora de TV local.
- Como vão os gêmeos, Sra. Fields? – ele perguntou.
- Ah! Vão bem! – mostrei uma foto deles no celular – Veja como estão lindos!
- Oh! Meu Deus! Como eles cresceram! – ele se admirou.
Nos despedimos com o convite que lhe fiz para aparecer lá em casa qualquer dia desses para ver os meninos e conversar um pouco comigo e com Edward. Mas o ‘qualquer dia desses’ foi logo no dia seguinte, quando ele me viu passeando com os meninos pela calçada de casa, ele atravessou a rua, sorridente e animado. Os meninos desataram a rir e balançar os bracinhos e quando eu percebi que estava sobrando na conversa, aproveitei a oportunidade para aguar as plantas do jardim enquanto os três conversavam sob a sombra da árvore de nossa casa.
Eu fingia não ouvir, mas não tinha como evitar, até porque a cena era muito bizarra. O Sr. Hobbes narrava para os meninos como tinha sido sua longa viagem à Califórnia, detalhando que havia ficado hospedado num motel onde uma os canos cantavam uma música engraçada. Os meninos sorriam para ele e diziam ‘bú-ú-a-bá-bá’, às vezes davam gritinhos, sorriam ou faziam besourinho. Ele entendia aquilo como um incentivo a mais e continuava com sua detalhada narração. Eu tinha ‘um olho no padre e outro na missa’, enquanto cuidava do jardim, prestava atenção à conversa. Por fim, os meninos dormiram, o Sr. Hobbes me agradeceu pela agradável manhã e foi para casa feliz e contente.
Enquanto empurrava o carrinho dos meus bebês para dentro de casa e os colocava no berço, percebi o quanto os meus amores estão lindos. Sim, Anthony e Thomas cresciam rapidamente e por mais que eu me esforçasse para estar ao lado deles em tempo integral, parecia que nunca era o suficiente. Meus amores já balbuciavam ‘mamãe’, já me olhavam com amor e ternura, me aquecendo com aqueles olhinhos verdes... E o mais impressionante de tudo é que a maternidade é uma coisa fantástica mesmo. Que amor é esse, capaz de nunca me fazer cansar de meus filhos? Que amor é esse, capaz de me fazer achar graça em tudo o que eles fazem? O som de suas risadas, os ensaios das primeiras palavras, tudo aquilo me dava prazer. Eu vivia em estado de graça ao lado de meus gêmeos e sabia que era uma mãe de muita sorte por me sentir assim.
Porque, embora o vínculo mãe-filho seja indissolúvel, eu sei que existem muitas mães por aí que não sentem a mesma alegria que eu. Amar um filho é intensificar o amor por si mesmo, é estender para outro ser, um ser que é um pedacinho de você, tudo o que você tem de melhor e fazer dele, daquele bebezinho inocente, uma pessoa melhor que você. E isso é um compromisso tão grande, mas tão grande, que muitas mães por aí desistem logo de cara.
- Mas a mamãe tem muita sorte, meus amores. – beijei a cabecinha de cada um – Eu nunca desistiria de vocês...
A primeira páscoa de Anthony e Thomas chegou com muita alegria, fantasias de coelhinhos pra eles e muitos ovos de chocolate. Cada vez que Edward ia a algum supermercado comprava um ovo de páscoa pra cada um! Na sexta-feira santa, eu caprichei num almoço especial para nós. Enquanto Edward distraia os meninos e se distraia também, eu fiz bonito na cozinha.
Como prato de entrada, escolhi fazer uma Salada de Bacalhau, uma receita muito saudável e prática que eu aprendi com Esme há alguns anos. Por incrível que pareça, o bacalhau, nessa receita, se come cru, dessalgado, é claro, mas cru. A delícia está em misturá-lo, todo desfiado com as azeitonas pretas, as cebolas cortadas em rodelas bem fininhas, o azeite de oliva, a pimenta e o orégano. Para acompanhar a salada, eu servi fatias de pão italiano numa cestinha. O prato principal foi um autêntico Bacalhau à Portuguesa, um prato muito bonito e gostoso com gomos do peixe cozido e depois levado ao forno com pimentão, tomate, cebola, palmito, azeitonas pretas, azeite e orégano. Para acompanhar o prato, eu fiz arroz branco e comprei um vinho tinto português leve e frutado, mas com um discreto aroma amadeirado.
Ainda faltava preparar o menu dos meninos... e isso foi uma coisa que eu pesquisei com bastante antecedência. Há três dias eu cuidava especialmente de um pedaço de lombo de bacalhau, dessalgando-o com cuidado. Na sexta-feira, eu tirei todas as espinhas dele, procurei de novo por mais espinhas e preparei uma Papinha de Bacalhau com Batata. Tive medo de eles não gostarem, mas segui em frente, até porque eles precisam experimentar todos os tipos e alimentos.
Almoço pronto, eu corri para o banheiro pra tomar um banho bem caprichado e lavar meus cabelos (duas vezes!) com meu xampu de morango... Bacalhau tem cheiro forte...
Tivemos um almoço tranqüilo, feliz e em família, onde a gente agradeceu não apenas por Cristo ter morrido por nós, mas inclusive porque nossa família existe. Porque, contrariando todas as circunstâncias e expectativas, nós estávamos vivos, juntos e felizes.
- Hum... Bella, que comida deliciosa! – Edward sorriu e bebeu um gole do vinho.
- Obrigada! – me derreti toda para ele.
Enquanto isso a gente dava papinha aos meninos, os dois comiam com gosto, quase devorando a colher também!
- O que é isso que eles estão comendo? – Edward cheirou uma porção da papa – É... é bacalhau?!
- É sim, papa de bacalhau com batata! – sorri orgulhosa – Descobri essa receita na internet e perguntei ao Dr. Molina se podia fazer pra eles.
- Que bom, amor! – ele sorriu torto – Batata e bacalhau são excelentes fontes de potássio!
Após o almoço bateu uma preguiça... Imitamos os meninos e cochilamos também. Nosso feriado tinha sido perfeito! No sábado fomos à missa e lá, na casa de Deus, eu agradeci novamente pela minha família. Não teve como eu não me lembrar de Tanya, depois dela eu nunca vou deixar de agradecer pela minha família e pelo meu casamento!
O domingão ensolarado foi marcado pelo churrasco na casa dos Greeves, nossos vizinhos. Nas palavras de Peter, depois de um dia inteirinho só comendo peixe, ele precisava de muita carne! Sid, Paolo, Jenny, Sr. Hobbes, Tia, Benjamin e Joshua também foram convidados além de nós. Charlotte comprou duas piscinas plásticas, uma enorme, para os adultos e outra menor para os bebês. Confesso que me senti uma autêntica farofeira, comendo churrasquinho no espeto, usando biquíni e esparramada dentro da piscina! O que o domingo teve de alegre, teve de barulhento e engraçado, ao final do dia, todo mundo estava acabado. Meu corpo só pedia cama...
Mais um dia 27 chegou, meus meninos estavam agora com oito meses de vida! OMG... Anthony e Thomas estavam tão inteligentes!!! Eu sei, eu sei, sou mãe coruja ‘modo on’ 24 horas por dia! Mas eu não podia deixar de me encantar com meus meninos dizendo ‘ma-ma’ o tempo todo para mim!
Sem contar que agora eles engatinhavam, sentavam, engatinhavam de novo, se seguravam em algum móvel ou nas grades do berço, ficavam de pé, sentavam de novo... Mas isso também me deixava em alerta, com medo de quedas e tropeções. Embora meu coração perdesse uma batida a cada pequeno tombo, eu não reprimia os movimentos deles. É difícil admitir, mas por mais que me doa, eu não posso protegê-los de tudo! Por isso eu fiz uma revolução na primeira sala (a sala onde a gente nunca ficava), pedi que Sid tirasse alguns móveis de lá, coloquei um cercado para dividir o ambiente em dois e na parte dos meninos, eu enchi de brinquedos, bolas, peças de encaixe, bichinhos fofinhos... Foi um santo remédio porque comprei um tapete emborrachado e colorido, ali eles podiam engatinhar e escorregar à vontade!
OMG... De novo! Foi em meio a essas brincadeiras deles que eu percebi já começavam a usar alguns objetos para a finalidade correta: escova para cabelo, copinho para beber, telefone de brinquedo para encostar no ouvido...
Agora, eles já sabiam mandar beijinhos para as pessoas, passei uma semana inteirinha ensinando isso e o biquinho que ambos faziam e depois estalavam os lábios, era a coisa mais linda de ser ver. Encantado, Edward filmou com a câmera do celular vários beijinhos dos filhos!
Mas à medida que cresciam, Anthony e Thomas nos davam mais trabalho! Eles choramingavam todos os dias pela manhã quando Ed saia para trabalhar, aquele chorinho já era sagrado! Se eles estavam engatinhando no chão e viam o pai com as roupas usuais de trabalho, como duas flechas, eles deslizavam pelo chão de linóleo até se postarem na frente do pai. Era uma cena de partir o coração! Às vezes eles seguravam na perna de Edward na tentativa inútil de prender o pai.




Se eu fosse sair também, eles choravam mais ainda! O jeito foi conversar com eles, conversar de verdade, a gente sempre se despedia deles com beijos, abraços e promessas do tipo ‘não chore, a mamãe vai voltar’. É claro que dava vontade de chorar junto, MAS... isso não iria ajudá-los. A separação entre nós era importante, aprendi isso no curso de pais. Minha ausência ajudava no desenvolvimento da confiança deles com outras pessoas, como Jenny e Sid, por exemplo.
Por falar em Sid, eu nunca mais vou me esquecer da sexta-feira, 29 de Abril: o dia do Anjo Vingador!
Jenny havia ligado para mim logo cedo, me dizendo que seu carro estava quebrado e que ela iria pegar carona dom Sid. Edward saiu para trabalhar e eu não pensei duas vezes, entrei no espaço de brincar dos meninos e ficamos ali na primeira sala, sentados no tapete emborrachado, brincando, sorrindo, cantando, chacoalhando os brinquedinhos...
Tanto a babá quanto o faxineiro estavam demorando demais para chegar e eu estranhei o fato, mas deixei passar, afinal os dois eram muito pontuais, talvez estivesse acontecido algo.
E de fato aconteceu!!!
Jenny chegou toda desconfiada, meio espantada, meio constrangida, como se fosse uma criança que tivesse feito alguma traquinagem. Mas Sid entrou naquela sala toda poderosa, muito elegante, usando jeans, jaqueta, bota de salto alto... uma diva. O grande detalhe é que ele tinha um sorriso vitorioso nos lábios e aquele sorriso se intensificou mais ainda quando me viu.
- Bom dia, Sra. Fields. – Jenny sussurrou – Desculpe a demora.
Ela falou e eu apenas assenti, depois ela começou a brincar com os gêmeos.
- Bom dia! Bom dia! Bom dia! – Sid cantarolou para mim e para os meninos, depois rodopiou pela sala, sacudindo a echarpe cor de rosa que usava, arrancando boas risadas minhas e gritinhos dos meninos – Ah! Que dia lindo! Que dia ensolarado! Que dia fantástico...
- O que é isso tudo, Sid? – perguntei curiosa – Qual é o motivo de tanta alegria?
- AH! Nem queira saber... – Jenny desconversou.
Mas Sid gargalhou alto e bateu palmas três vezes enquanto se contorcia de tanto rir.
- Ela vai querer saber sim! – ele falou – Sra. Fields, prepare-se! – ele parecia um daqueles apresentadores de TV, prestes a falar do grande prêmio da loteria – O que é, o que é? Um pneu furado, uma loira biscate no meio da estrada, Sid, um guaxinim e um gambá: qual é o nome do filme?
- Filme? Gambá? Loira? Guaxinim? Sid? – repeti curiosa.
- Anjo Malvado! – ele sorriu triunfante – Mas a senhora pode ainda escolher A Garota de Rosa Shocking... – ele apontou para sua baby look cor de rosa - Fique à vontade!
- Eu não to entendendo nada... – murmurei.
- Foi assim...
Então Sid me contou com riqueza de detalhes o que ele havia feito com Tanya Denalli, desde a hora em que ele desceu da moto, disposto a lhe oferecer uma falsa ajuda, passando pela hora em que ele derrubou o estepe, quando o guaxinim rosnou para ele e rasgou seu blazer, até a apoteótica cena, quando o gambá (OMG... Agora eu adoro gambás!) deu um banho nela com sua secreção fétida.
G-ZUIS! Eu chorava de rir e me contorcia, minha barriga ficou doendo de tanto que eu ri, chorei de tanto rir só imaginando a cena! Quando consegui me recompor, percebi que Jenny e Sid também gargalhavam, mas meu Anthony e meu Thomas olhavam para mim como se eu fosse louca! Depois eles olharam para Sid, deram uns gritinhos e bateram palmas, sorrindo de alegria.
- Ta vendo? Até os bebês sabem que a aquela Tanya Denalli é uma piriguete de ‘catiguria baixa’! – Sid falou zombeteiro, fazendo a gente gargalhar de novo.


POV EDWARD

Eu estava feliz, muito feliz!
Embora eu me achasse indigno de tanta felicidade e não merecedor do amor dela, Bella me amava e isso fazia de mim um idiota muito sortudo.
Puta que pariu!
Parece que eu tinha passados dias e dias fumando maconha estragada, ou sob efeitos de outro tipo de droga qualquer pra poder justificar as merdas que eu vinha fazendo.
Por sorte não houve danos!
Por sorte a minha esposa é a melhor mulher do mundo e seu amor e sua sabedoria não permitiram que a gente se estatelasse no chão e agora, eu via a minha vida entrando nos eixos novamente. Até mesmo a babá e o faxineiro, que antes olhavam para mim com uma fúria (contida) assassina, agora estão me tratando melhor!
Tentando resgatar um pouco da decência, boa educação e caráter que meus pais me deram, meti o rabo entre as pernas e fui ao Forks Hospital para pedir desculpas ao Dr. Molina pelo meu comportamento execrável de dias atrás. Ainda bem que o médico não empatou minha vida, ele foi cordial, me escutou com atenção e aceitou minhas desculpas. Sai dali me sentindo um pouco mais leve e quando entrei no carro, encostei a cabeça contra o volante e tive uma visão do que seria a minha vida com Tanya.
Bella pediria o divórcio por já não mais agüentar viver comigo, eu aceitaria seu pedido de bom grado porque já não agüentaria ouvir suas queixas e crises de ciúme. Os meninos sofreriam vivendo com pais separados. E numa noite qualquer, depois de chorar minhas mágoas numa mesa de bar, eu acabaria na cama daquela vagabunda (ou de qualquer outra). Mas meses depois, ela me trocaria por outro cara e eu ficaria na merda... Sim, porque mulheres do tipo de Tanya são incapazes de amar, são como uma praga de gafanhotos, destruindo toda a vida que vêem pela frente.
‘Deus do céu! Quanta coisa ruim aconteceu por culpa daquela diaba!’
Hoje eu sei que aquela mulher é uma pessoa nocivamente doente. Uma criatura que deve passar cada minuto de sua vida procurando o momento oportuno para conseguir satisfazer seus desejos por meio de mentiras e intrigas. E só de pensar que aquela desgraçada saiu dos quintos dos infernos para desassossegar minha pequena e já tão sofrida família, eu tenho gana de torcer seu pescoço de ema psicopata!
Com sua beleza e voz de anjo, aquela praga conseguiu se aproximar de minha vida, tramando cada pequena ação e eu dei o espaço que ela queria. Fui covarde, prepotente e egoísta, achando que poderia, sozinho, me livrar de sua astúcia. Tanya provou ser descarada e inescrupulosa e eu, vestido de orgulho, sem me desculpar ou me explicar com Bella, a fiz sofrer muito.
Mas aprendi uma lição importante: existem milhões de Tanyas por aí. Pessoas que se deixam levar por seus desejos obscenos e egoístas, nunca demonstrando honestidade ou remorso, dominando as táticas de ludibriar as pessoas com seus rostinhos bonitos. Essas pessoas são umas terroristas acima de qualquer suspeita, fingem ser defensoras da boa-fé, simpáticas, prestativas, amigas para todas as horas, mas no final das contas, elas só querem passar por cima de você, te engolindo, te destruindo e te matando no final. Essas pessoas são como vampiros, sugam sua vida e depois te deixam jogado numa sarjeta.
Seguindo em frente, em meio ao corre-corre do trabalho, visitando alguns possíveis clientes e tentando vender serviços bancários, eu ainda estudava feito um doido, fazendo o dinheiro da mensalidade da faculdade ser bem pago, mas estava me dando bem nas provas (pelo menos isso!). E quando encontrava um tempinho a sós com meus filhos, sem que Bella visse, eu os ensinava a dizer ‘papai’. Aos poucos eles mostravam algum progresso, enquanto Thomas balbuciava ‘pa-pa’, Anthony ensaiava um ‘ba-bai’ meu desajeitado.
Tive um sonho estranho. Eu estava numa sala grande, meio retangular, eu acho. Havia espelhos cobrindo todas as paredes, o chão era muito liso e atravessando os espelhos havia uma longa barra dourada. Aquilo era um estúdio de balé, mas o mais interessante é que havia um imponente piano de calda no meio da sala. Eu fiquei intrigado com aqueles espelhos, eles não refletiam minha imagem, mas refletiam a imagem do piano. Eu me aproximei do piano, desejoso de tocar alguma música, mas quando meus dedos pareciam poder tocá-lo, ele desapareceu como fumaça. Meu sonho também desapareceu e eu acordei.
O sonho estranho me deixou inquieto, meu coração estava descompassado. Mas era manhã de domingo e eu fiz questão de aproveitar cada minutinho do dia com minha esposa e filhos. Enquanto os meninos tomavam a mamadeira de mingau (sim, agora eles já comiam uma mistura de farelo de cereais e leite todas as manhãs), eu convencia Bella para irmos à praia em La Push.
- Vamos amor, o dia hoje está lindo! – eu dizia.
- Mas Edward, eu pensei que você iria passar o dia todo estudando! E aquela prova que você vai fazer na terça?
- Amor, o sol está nos convidando para a praia. – sorri torto – E eu me recuso a ficar longe de você e dos meninos no dia de hoje!
Nesse meio tempo, enquanto os meninos comiam o mingau, olhavam para a mãe com um olhar pidão quase dizendo: ‘vamos, mamãe’.


Por fim, Bella se rendeu, arrumamos as malinhas dos meninos, colocamos tudo na pick-up e em menos de 20 minutos chegamos à First Beach. Lá, nos encontramos com Samuel, Emily e Claire e tivemos um dia bastante agradável. Tiramos algumas fotos dos meninos na praia.


A primeira páscoa dos meninos foi um fim de semana de muita alegria para nós, fomos à missa, agradecemos por nossa família, almoçamos com nossos amigos, deixamos os meninos comerem um pouquinho (muito pouco) de chocolate. A cena foi linda! Thomas fez uma pequena caretinha ao experimentar uma lasquinha de chocolate e depois comeu com gosto, mas Anthony comeu com gosto logo de cara e ficou pedindo mais. Para evitar ceder aos pedidos deles, Bella saiu distribuindo chocolates com nossos vizinhos e amigos.
O sonho estranho se repetiu. Novamente eu estava no mesmo estúdio de balé e o mesmo piano estava lá. O meu reflexo não aparecia no espelho porque eu descobri que aquilo não era um espelho e sim uma tela, como uma gigantesca televisão. E naquela tela passava um filme, um filme lindo meu e de Bella. Nós dois crianças, nossos pais, sorrisos, abraços, beijos, nossa adolescência, nosso namoro, as lágrimas, a dor, o casamento, o verde de Forks, nossos filhos... E de repente o sonho mudava. Agora eu, Bella e os meninos estávamos atravessando um deserto, deixando Forks para trás. A imagem na tela foi desaparecendo aos poucos e eu acordei.
Acordei para a realidade de mais um dia de trabalho. Deixei minha esposa e meus filhos lindos na segurança de nossa casa e parti para o banco. Cheguei cedo e na mesma hora o telefone de minha mesa tocou, era a intratável da Tanya dizendo que iria se atrasar porque o pneu de seu carro havia estourado.
- Por favor, Eddie, dê o recado ao Harry, sim? – ela ciciou feito uma cobra.
- Edward. – falei seco – Meu nome é Edward. Pode deixar, eu darei o recado.
- Obrigada, Eddie...
Argh!
Dei o recado a Harry e rapidamente me entreguei ao trabalho, o tempo foi passando e eu esqueci de Tanya. Samuel e Mark chegaram, Donna também chegou e por volta das dez da manhã, Margot, a copeira, foi até a nossa sala. Ela estava ofegante, parecia estar correndo numa maratona.
- Gente, gente! – ela falou – Ta rolando o maior bafão lá na agência!
- Barraco? – Mark falou.
- An-ham... A Sra. Denalli tá gritando feito uma maluca lá em baixo.
Todo mundo desceu as escadas correndo, em menos de trinta segundos eu cheguei à agência e me deparei com uma Tanya muito surtada. Pra começar, o cabelo dela estava totalmente desgrenhado, sua calça estava suja de terra, o salto de um de seus sapatos estava quebrado, ela segurava o pedaço de seu blazer na mão, sua blusa branca de seda estava toda suja e o pior de tudo era o odor insuportável que ela exalava.
- O que está acontecendo aqui? – Kate chegou junto de mim e perguntou.
- Uma cliente olhou para a Sra. Denalli dos pés à cabeça e sugeriu que ela tomasse um banho. – Margot esclareceu – Aí, a Sra. Denalli pegou seu celular e tacou na cabeça dela, cortando seu supercílio.
- Meu Deus! Cadê a cliente? – perguntei aflito.
- Ta ali. – Margot apontou para a mulher assustada, sentada no chão da agência.
Foi aí que eu pude visualizar melhor a cena. Tanya estava no meio da agência, distribuindo seu olhar assassino para todo mundo, a pobre mulher estava tentando estancar o sangue de seu rosto e todo mundo estava congelado nos seus lugares. Eu tive que agir.
- Margot, por favor vá lá em cima e pegue o kit de primeiros socorros. – ela olhou para mim e assentiu – Kate, por favor, ligue para a emergência e para a polícia.
Cerca de dois minutos depois, eu já estava cuidando dos ferimentos da mulher. Enquanto isso, Tanya dirigia a nós uma série de insultos e palavrões, dizendo que Forks era o fim do mundo, que todos nós éramos caipiras ignorantes e que desejava que todos fossem para o inferno. Quando o segurança da agência tentou intervir, pedindo a ela que ficasse calma, as coisas saíram de vez de controle.
Tudo foi muito rápido! Tanya conseguiu sacar a arma do segurança e fez a todos nós de refém. Foram cinco minutos de pânico, algumas pessoas começaram a gritar, alguns clientes passaram mal, dois deles tentaram desarmá-la, ela apontou a arma para eles, fazendo-os parar. Meu sangue congelou, meu coração perdeu uma batida e eu só conseguia pensar em Bella e nos meus filhos.
‘Deus, preserve a minha vida, meus filhos e minha esposa precisam de mim...’, essa era a única coisa que vinha à minha mente.
Mas do mesmo jeito que ela pegou a arma, o segurança conseguiu desarmá-la com um único golpe, imobilizando-a rapidamente. Na mesma hora Peter chegou e deu voz de prisão à Tanya, era se sacudiu no chão, gritou, chorou e disse alguns desaforos a ele. Meu vizinho leu os direitos dela e ali mesmo, na frente de todo mundo, algemou-a dizendo que agora ela teria de responder à justiça por lesão corporal leve, ameaçar pessoas com arma de fogo, resistência à prisão e insultar autoridade policial.
Quando ela abriu a boca de novo, só conseguiu de complicar mais ainda.
- Você sabe quem eu sou, seu imbecil? – ela rosnou – Eu posso muito bem comprar minha liberdade! Diga! Quanto você quer? Eu posso pagar!
- Eu sem quem a senhora é, mas se a senhora não sabe, o problema é seu. E agora, a senhora também terá de responder à justiça por corrupção passiva na forma tentada, visto que eu jamais aceitei suborno de ninguém. E vamos logo! – ele rosnou e ela se encolheu – Sugiro que a senhora usufrua de seu direito de ficar calada, já cansei de ouvir sua voz!
Depois que o barraco acabou, a cliente agredida foi para o hospital e Harry convocou uma reunião de emergência conosco. Mark ficaria na chefia da Unidade por enquanto até que a sede do banco decidisse o que fazer. Um advogado do banco deveria procurar a cliente agredida nos próximos dias para oferecer a ela uma indenização pelo triste ocorrido. E todos nós deveríamos voltar ao trabalho imediatamente.
Naquele mesmo dia, quando cheguei em casa na hora do almoço, narrei para Bella tudo o que havia acontecido. Ela arregalou os olhos e ficou muito espantada quando eu disse que Tanya apontou uma arma de fogo para nós por alguns minutos, mas ficou imensamente feliz por ninguém ter se ferido seriamente.
- Só não sei o que poderia desencadear reações tão extremas naquela maluca... – murmurei.
Jenny estava dando papinha de legumes na boca de Thomas e começou a tossir de uma forma estranha. Bella se engasgou com um gole de suco e Sidclayton, que limpava as vidraças da sala e jantar, desatou a rir descontroladamente. Quando ele riu daquele jeito, Bella, Jenny e até mesmo os bebês começaram a rir também. Eu fiquei espantado com cara de leso.
- Amor, é que... – Bella não falou mais nada, voltou a gargalhar.
- Sr. Fields, é que aconteceu uma coisa e... – Jenny também não conseguia falar.
Sidclayton girou o corpo, colocou as mãos na cintura e disse.
- Tá legal, eu falo...
Caralho! Esse faxineiro é foda mesmo!
Como ele conseguiu ser tão astuto, criativo e engraçado assim? E além de tudo, super fiel à Bella e à nossa família. Só sei que chorei de rir, imaginando a cena, o guaxinim, o gambá, o chilique de Tanya... Quando voltei ao banco naquela tarde, resolvi abrir o jogo com Kate e contei a ele o que Sidclayton havia aprontado. Ela chorou de rir também e disse que se visse Sid daria um beijo nele!
No sábado, dia 30 de Abril eu estava muito inquieto. Não sei o que me deu, mas parecia que as coisas estavam prestes a mudar de rumo... Minha mente, meu subconsciente, meus instintos me faziam prestar atenção a tudo o que pudesse se relacionar à nossa segurança. Naquele dia, eu me sentia um animal acuado, prestes a se encontrar com o sagaz caçador. Depois do almoço, os meninos cochilavam sossegados, Bella estava lá fora cuidando do jardim e eu estava deitado no sofá. Fechei os olhos, estava quase cochilando quando a voz de papai encheu minha mente.
‘Filho, esteja pronto!’
Hãn? Abri os olhos espantado, mas voltei a fechá-los.
‘Vamos, Edward, você precisa se mexer!’
Mamãe falou afetuosamente para mim e eu dei um pulo do sofá, mas depois de deitei de novo.
‘Edward, levante daí!’
‘Mas o que é isso? Uma reunião?’ Pensei com sarcasmo ao me deparar com a voz de Rennè em meus ouvidos!
‘Droga, garoto! Tire essa bunda do sofá! Minha filha e netos estão sob sua responsabilidade!’
Nem preciso dizer que essa voz aí foi a de Charlie... Eu devo ter ficado maluco mesmo, porque ainda ouvi Rennè ralhar com o marido.
‘Calma Charlie, ele vai entender’
Entender?
Não, eu não entendi, mas senti. A sensação daquele dia era a mesma da de meses atrás, quando eu e Bella estávamos deixando NY. Era uma sensação de despedida, de perda. Mesmo sem entender porque, eu fui até o quarto e me embrenhei dentro do closet, parecia que eu estava tendo um dejà vu. Lá dentro, eu vi onde Bella guardava nosso cofre portátil, dentro dele estavam suas poucas jóias, nossos documentos falsos e os $ 130 mil, que eram nosso lastro de segurança. Ainda com a sensação de dejà vu, eu subi ao sótão e arrumei minha mesa de estudo, separando num único lugar o meu notebook e meus pendrives. Vagando pela casa, prestei atenção aos porta-retratos espalhados pelos móveis, rastreando cada um, eu contei doze porta-retratos. Dentro da estante baixa onde ficava a TV, eu achei nosso DVD do casamento e dois álbuns recheados de fotos nossas.
Sim, agora eu sei onde estão todas as coisas.
Já era madrugada quando eu tive o mesmo sonho. O mesmo estúdio de balé, as mesmas paredes, o mesmo piano. Mas dessa vez eu me apressei e sentei na bancada, escorri meus dedos pelas teclas do piano e comecei a tocar uma das canções preferidas de minha mãe, Lullaby  de Johannes Brahms.


Percebi que já não estava sozinho, mamãe e papai estavam sentados ao meu lado. Sorri para eles, eles sorriram para mim. Quando tentei parar de tocar para abraçá-los, papai falou.
- Não filho, não pare.
- Toque para nós, filho. – mamãe falou afetuosamente.
Eu não desobedeci e à medida que eu tocava, os espelhos sem reflexos mostravam minha Bella e meus filhos.
- Eles são lindos, filho. – papai falou emocionado – Sua família é linda. Parabéns!
Quando eu tentei falar algo, percebi que não tinha voz, era como se minhas cordas vocais tivessem desaparecido.
- Sim, Anthony e Thomas são a sua cara, meu amor! – mamãe sussurrou para mim.
Eu tentei falar de novo e me desesperei por não achar minha voz. Meus pais tocaram em meu ombro e descansaram suas cabeças em mim enquanto cantavam a antiga canção de ninar que tanto embalou minha infância.

“Boa noite e boa noite,
Adornado com rosas,
Coberto de lírios,
Meu bebê vai deslizando sob as cobertas.
No início amanhã, então se Deus quiser,
você vai acordar mais uma vez.

Boa noite e boa noite.
Guardado por anjos,
Que lhe mostram em seu sonho
a árvore do Menino Jesus.
Durma em paz, meu docinho,
e sonhe com o paraíso.”

As cenas nos falsos espelhos se alteraram e eu vi novamente o deserto, por onde eu, Bella e os meninos passávamos. Fiquei desesperado, eu queria falar...
- Ta tudo bem, filho! – mamãe falou.
- Sim, Edward, tudo vai ficar bem! Você só precisa ter calma e sangue frio. – papai me alertou.
- Às vezes as coisas parecem piorar, mas na verdade, elas só estão se resolvendo. – mamãe me instruiu - Dê tempo ao tempo e faça o que deve ser feito.
- E nunca duvide que as coisas darão certo! – papai apertou  meu ombro – Vocês vão conseguir! Nada de mal vai acontecer!
- Essa é só mais uma etapa, não é o fim... E lembre-se, Edward, nós nunca estivemos tão próximos de você como agora. – mamãe sussurrou.
Eu tentei falar de novo. Queria dizer o quanto sentia a falta deles, queria dizer de meu amor por eles, da saudade...
- Nós estamos com você... para sempre. – papai sussurrou – Ninguém vai tocar num fio de cabelo de vocês!
- Estamos com você...
A voz de mamãe foi desaparecendo, assim como a imagem dela e a de papai, a sala espelhada desapareceu, o piano também e eu acordei ofegante, suado e desorientado.
Respirei aliviado quando vi minha Bella dormindo tranquila ao meu lado, beijei de leve a sua face e me levantei da cama. Fui ao quarto de meus filhos e beijei cada um, entregando a Deus em pensamento a vida deles. Inquieto, fui à cozinha na intenção de preparar uma xícara de café, mas errei a medida e acabei fazendo muito café, enchendo a garrafa térmica.
Tomei um pouco do café e voltei ao quarto. Eu não estava com sono, mas queria ficar junto de Bella. Assim que pus os pés dentro do quarto, meu celular prateado tocou. Meu coração perdeu uma batida e minhas pernas fraquejaram, Bella se remexeu na cama, incomodada com o barulho. Atendi antes do segundo toque.
-Alô. – sussurrei.
- Edward, sou eu, Jasper. – respirei aliviado ao reconhecer a voz de meu amigo.
- E eu, Emmett. – reconheci a voz de meu padrinho de casamento.
- O celular de Bella também vai tocar, Edward. – Alice também falou.
- Estamos numa teleconferência. – Rosalie concluiu.
Fiz o que eles pediram e acordei Bella, mexendo em seus ombros, na mesma hora seu celular prateado começou a tocar. Ela deu um pulo da cama, ficando de pé num átimo!
- O que foi? – minha esposa falou assustada para mim e pegou seu celular – ALÔ!!!
- Bella, somos nós. – Alice falou – Eu, Rose, Jazz e Emmett estamos numa teleconferência.
- Precisamos conversar. – Jasper falou.
Instintivamente, Bella entrelaçou sua mão livre à minha e me olhou com cara de medo. Apertei sua mão com força antes de falar.
- O que foi que aconteceu? – eu temia pela resposta.


- O sistema do Marshall Service foi violado por hackers há cerca de uma hora. – Jasper falava com calma – Então as identidades de todas as pessoas inscritas no serviço de proteção à testemunha estão vulneráveis.
- Deus do céu... – Bella sussurrou.
- Calma, Bella. – Alice advertiu – Temos fortes indícios de que vocês não estão sendo procurados por ninguém.
- Mas o que isso significa, então? Corremos algum risco? – reencontrei minha voz.
- Há poucos dias conseguimos uma pessoa muito importante para testemunhar sobre o caso e achamos que essa pessoa é quem está sendo procurada. – Emmett esclareceu.
- Vocês não são o alvo. – Rosalie reforçou a idéia.
- Santo Deus... – Bella já estava chorando.
- Vocês tem certeza que não corremos perigo? – rosnei.
- Se eles quisessem achar vocês, já teriam tentado isso há mais tempo. – Jasper foi categórico – Mas agora, vocês podem ser descobertos e...
- O que vai acontecer? Meu Deus! Meus filhos... – Bella entrou em pânico.
- FOCO, BELLA! – Alice gritou do outro lado – Deixe Jasper falar. Ok?
- Ok. – Bella respondeu.
- Como eu dizia, vocês podem ser descobertos a qualquer momento. – Jasper falava – Nós não acreditamos mais na eficácia o sistema de proteção a testemunhas, por isso vocês vão sair daí ainda essa noite.
- Para onde? – perguntei.
- Vocês vão para o sul, seguindo SEMPRE pela rodovia I-5 Sul, passarão por todo o estado e passarão por Oregon. Esse trajeto deve ser feito em no máximo dez horas, o tempo é importante. Na divisa do Oregon com a Califórnia, vocês irão parar na estação rodoviária de Hilt. – Jasper falava com calma, enquanto eu anotava tudo na minha mente – Lá, haverá um carro da polícia e um xerife acompanhado de dois outros policiais em duas motos, funcionando como batedores, eles os levarão por toda a Califórnia até o destino final. Quando chegarem lá, eu ligarei novamente.
- Como vou saber que é o xerife? – perguntei.
- Benício Rosas, meu primo, chefe de polícia. Ele usa botas de cowboy, um lenço vermelho amarrado no pescoço e tem um ridículo dente de ouro. – Jasper falava – Ele já sabe sobre vocês e vocês o reconhecerão também.
- Essa é a melhor opção que temos? –Bella sussurrou.
- Por volta das oito da manhã, o Marshall Service deverá mandar um agente especial até a casa de vocês. Ele deverá conseguir um novo local, novas identidades, um novo emprego... – Rose explicava – Mas minha amiga, eu não confio mais nesse sistema.
- Nem eu. – os outros disseram em coro.
- É melhor vocês seguirem nossas instruções, Bella. – Alice sussurrou - Confiem na gente.
- Tudo bem, nós confiamos. – eu falei e Bella assentiu para mim.
- Agora prestem atenção a alguns detalhes. – Emmett falou – Limpem a casa, não deixem fotos, celulares, computadores, documentos... Nenhum vestígio de vocês.
- A partir de agora, vocês devem usar suas identidades falsas – Rose advertiu – Aquela que seus pais forjaram. Vocês lembram?
- Sim. – eu e Bella dissemos em coro.
- Levem apenas comida e roupas necessárias para a viagem. – Alice ordenou.
- Assim que saírem da cidade, passem numa revendedora de carros de outra cidadezinha qualquer e, usando as novas identidades, comprem um carro novo. Esses daí de vocês estão nos nomes dos Fields e isso não é bom. Não usem cartões de crédito ou débito, não usem os outros celulares, não atendam ligações do telefone fixo. – Jasper advertiu.
- Tentem se movimentar pela casa sem acender muitas luzes. – Emmett sugeria – Assim os vizinhos não notarão a partida. São duas da manhã ai, certo?
- Certo. – respondi.
- Muito bem, vocês devem deixar a cidade daqui a, no máximo, duas horas. – Jasper sentenciou – Boa sorte.
- Boa sorte. – os outros disseram.
Quando a ligação se encerrou, eu e Bella nos olhamos intensamente por alguns segundos. Lágrimas escorriam pela face de minha esposa, seu corpo inteiro tremia e eu também chorava. Nos abraçamos com força, eu afagava suas costas enquanto buscava as palavras certas para o momento. Foi quando me lembrei do sonho que tive com meus pais. Desfiz nosso abraço, nossas mãos continuavam entrelaçadas e olhei nos olhos de Bella.
- Amor, você se lembra de quando estávamos em Zion e eu fiquei muito chateado um dia, dizendo que eu nunca sonhava com nossos pais e que eles nunca me mandavam nenhuma mensagem? – ela assentiu, meio desorientada, mas assentiu – Pois bem, eu sonhei com eles essa noite. Eles diziam que nada iria nos machucar e que... – tomei fôlego – Quando as coisas parecessem piorar, é porque na verdade elas estavam se resolvendo. – ela assentiu de novo – Você acredita nisso, amor? – ela assentiu – Diga Bella, você acredita nisso?
Eu queria ouvir a voz dela, sua certeza me dava certeza também.
- Sim, Edward, eu acredito. – sua voz era firme.
- Então vamos ter fé juntos. – sussurrei – Nada de mal vai nos acontecer, eu prometo.