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- Música Das Sombras - adaptação do livro homônimo. (Fic concluída)

sábado, 24 de dezembro de 2011

Vem comigo, amor - Bônus Final


Notas

FELIZ NATAL!

A fic chega ao fim...
Os 3 links são apenas para trilha sonora.
Boa leitura :)

......................



Turning Page

POV BELLA

‘Uma página virada’, era assim que mamãe se referia ao meu namoro com Edward depois que acontecesse a nossa primeira vez. ‘Nada será como antes, Bella. O namoro de vocês vai mudar. Sempre muda’, ela dizia com toda a calma do mundo.
- Página virada... – repeti e senti um friozinho na barriga.
- Ah, meu bebê, mas isso não quer dizer que serão mudanças ruins! – ela sorriu e envolveu minhas mãos nas suas – Não tenha pânico do desconhecido, Bella! Ainda acho que você e Edward são muito novos para um passo importante desses, mas como não consegui fazer você mudar de idéia, posso apenas te aconselhar a fazer as coisas da melhor maneira possível.
Dona Rennè era a mãe mais maravilhosa do mundo porque além de limpar a minha barra com um Charlie-pai-amoroso-e-ciumento, ela era a minha ginecologista me explicando como tomar a tal pílula anticoncepcional e como aquelas bolinhas cor de rosa funcionavam em meu corpo. Rennè ainda era minha melhor amiga, me explicava tudo sobre sexo (me fazendo corar muitas e muuuuuuitas vezes), me dando apoio e sempre me dizendo que eu não era obrigada a transar com Edward logo, eu poderia esperar, se eu quisesse. Estávamos no meu quarto conversando, deitadas na minha cama e ouvindo uma musiquinha gostosa. Eu sempre amava esses nossos momentos de mãe-e-filha porque sempre podia conversar com Rennè sobre tudo, eu encontrava carinho e conforto não apenas nos seus braços maternos, mas também naquele jeitão alvoroçado e engraçado dela.
- Eu estou mesmo certa do que quero, mãe... – sussurrei pela milésima vez – Tipo, as coisas entre nós já estão meio difíceis... – me praguejei em pensamento, não era isso o que eu queria dizer – Quero dizer, eu e Edward já chegamos num... ééérrr como eu vou dizer, num...
- Estágio? – ela me ajudou.
- Sim! Num estágio que ansiamos por isso, queremos muito que aconteça, mas queremos planejar, ter responsabilidade... fazer direito.
- Oh, meu bebê! – ela me abraçou apertado e sorriu – De primeira, ninguém faz direito!
- MÃE! – minha voz subiu umas oitavas.
- Hahaha... – ela desfez nosso abraço e me olhou nos olhos – Bella, minha primeira vez foi quase um caos, no banco de trás do carro do Roger, meu primeiro namorado... Eu lembro que além de tudo, meu pescoço doeu pra caramba, e embora o Roger tenha sido muito carinhoso, foi atrapalhado!
Nem preciso dizer que eu já estava corada até a raiz dos cabelos!!!
- Não seja boba, Bella! – sim, mamãe estava me zuando, mas depois ficou séria e afagou meu rosto – Acho lindo que a sua primeira vez seja com o Edward porque tanto eu quanto Esme temos certeza que vocês nasceram um para o outro...
- Obrigada, mamãe... – abracei-a apertado, meu coração estava disparado, eu estava ansiosa.
- Só quero que você seja feliz, meu bebê. – ela sussurrou e beijou minha bochecha – Você e Edward tem conversado muito sobre isso não é?
- Constantemente, mãe. – corei de novo – E da parte dele as coisas estão bem encaminhadas, não vamos preocupar vocês...
- Oh, meu bebê, - ela ronronou – os filhos, não importa a idade que tenham, sempre preocupam os pais. Quando você for mãe, você vai entender isso...
- BELLA? RENNÈ? – papai, bateu na porta do quarto e entrou logo em seguida – Vamos, garotas?
Meus pais iriam para a bilionésima lua de mel, dessa vez em Bora Bora, enquanto eu passaria as férias com os Cullen em Martha’s Vineyard. Para mim, isso estava mais do que ótimo! Ficar com meu Edward, fosse onde fosse, estava perfeito, porque o lugar era pura geografia e desde que o meu amor estivesse comigo, eu me sentia completa. Dez minutos depois eu já estava na mansão Cullen com minhas malas e com os braços de Edward envolvendo minha cintura. Sim, nossas mãos não se deixavam...
- Garoto, - papai fez uma voz ameaçadora para meu namorado – sei que você tem juízo, cuidado com a minha filha...
- Pode deixar Charlie, eu vou cuidar dela. – Ed falou com a voz mais segura do mundo – Eu amo a sua filha...
Papai vez uma voz meio esquisita e rosnou de uma forma quase inaudível:
- É desse amor que eu tenho medo...
Eu e Edward nos olhamos e seguramos o riso!
Meus pais se despediram mais uma vez de mim, se despediram de Carlisle e Esme e seguiram para o aeroporto. Naquele mesmo dia, fui com os Cullen para a casa de praia e chegamos lá no finalzinho da tarde.
Embora Esme e Carlisle fossem mais discretos que meus pais na vigilância de nosso namoro, eu percebia que o amor cuidadoso deles em nós também era cheio de preocupações. Apesar de serem dois pares de olhos vigilantes, eu gostava disso, afinal, quem ama cuida.
- Ed? – sussurrei para meu namorado quando ele me ajudava a subir com as minhas malas – Você já... conversou com seu pai?
- Sim! – ele sorriu torto para mim, provocando as famosas borboletas em meu estômago – Papai ficou meio preocupado, mas depois foi sincero comigo e muito amigo mesmo...
- Ah, que bom. – sorri também e me sentei na cama daquele lindo quarto azul – Eu tenho uma novidade.
- Qual? – meu amor se virou e me encarou curioso.
- Comecei a tomar a pílula.
- Foi mesmo!? – ele sentou na cama ao meu lado – Mas por que tomar com tanta antecedência? Ainda estamos em julho...
- Ideia de mamãe.
Mal terminei de falar e meu namorado atacou meus lábios num beijo calmo e apaixonado. Quando o ar nos faltou, percebi que já estávamos deitados na cama, nossas pernas estavam enroscadas, Ed envolvia minha cintura com possessividade, sua ereção empurrava minha barriga e meu sexo latejava de uma maneira ainda nova para mim.
Ofegantes, sorrimos como duas crianças traquinas... Ultimamente, começávamos nos beijando e terminávamos assim, deitados na superfície plana mais próxima, com nossos corpos entrelaçados e nossos sexos pulsando de desejo!
- Mamãe queria que eu começasse a tomar pílula logo agora para ver se eu me acostumaria com a ideia... – sorri – Ela tem me ajudado muito.
- Papai também. – Ed suspirou e me abraçou – Andei vendo um chalezinho bonito e confortável para alugar por uns dois ou três dias, assim não perderemos muitos dias de aula e nossos pais não vão surtar tanto assim.
- Chalé? – fiquei intrigada – Eu pensei que a gente iria a algum hotel ou motel...
- Você não gosta da ideia, princesa? – ele desfez nosso abraço e me olhou nos olhos – Eu pensei que você gostaria mais da privacidade de um chalé.
Enquanto meus olhos de perdiam no verde aconchegante dos olhos dele, eu me dava conta de que meu Edward sempre pensava no melhor para mim. Envaidecida por tanto amor carinho, desfiz a mínima distância que nos separava e colei meus lábios nos dele. Minha língua invadiu sua boca, se enroscando na língua dele, ansiando por mais contato, mais prazer. Uma das mãos de Edward que antes segurava possessivamente na minha cintura começou a explorar meu corpo, traçando desenhos erráticos em minhas costelas, depois entrando por baixo da blusa, alcançando um dos meus seios, me deixando mais louca de desejo quando ele acariciou gentilmente o meu mamilo.
Ansiosa por mais, gemi em sua boca e ousada como não achei que pudesse ser, desci minha mão que antes estava espalmada em seu peito, passando por seu abdome definido e chegando até a virilha. Dessa vez Ed grunhiu contra a pele de meu pescoço! A mão dele voltou para minha cintura, traçando um caminho erótico até meu quadril, acariciando com força a minha bunda e me puxando mais para si. Afoita, alcancei a barra da sua bermuda, a boxer e toquei de leve em seu membro avolumado. Sim, meu namorado gemeu em meu ouvido e mordiscou o lóbulo de minha orelha, mandando para o meu sexo uma corrente elétrica de... de prazer... Ofegante, voltei a beijar meu amor de uma forma insana como se seus lábios fossem o oxigênio para meus pulmões! A mão dele desceu para minha coxa e ali ele parou, apertando minhas carnes com força e desejo. Talvez ficasse uma macha roxa, mas quem disse que eu me importava?
Quase levei um susto quando o membro dele saltou em minha mão e por um breve instante eu quase entrei em pânico quando imaginei aquilo tudinho... tudão... dentro de mim! Meus pensamentos ficaram dispersos quando Edward puxou minha perna para cima dele, envolvendo-o. Foi então que eu parei de respirar. Naquele ângulo ousado e diferente, o membro enorme e pulsante dele tocava em meu sexo e mesmo com tantas camadas de roupas entre nós... foi gostoso. Como se houvesse um imã, uma eletricidade diferente, um calor, um tesão descontrolado, eu comecei a rebolar para ele, me esfregando mais e mais na sua ereção, me deliciando naquele vai-e-vem inédito. Nesse meio tempo, nos concentramos nos nossos olhares... se aquilo fosse ‘quase a coreografia de fazer amor’ era muito, muito gostoso! E fazer aquilo me perdendo no verde mar de seus orbes era melhor ainda...
- BELLA? EDWARD?
Porra! Puta que pariu!
Esme!!!
Agora a eletricidade era outra!
Eu e Edward levamos outro tipo de choque e rolamos nossos corpos para as extremidades da cama! Cada um foi para um lado, ele pegou uma almofada e colocou sobre a ereção bem na hora que Esme entrou no quarto.
Caralho, a porta estava aberta!
- Crianças... – Esme falou com uma voz e um sorriso de ‘sim, eu não nasci ontem’.
Meus olhos pareciam que iam saltar das órbitas e nem mesmo pela minha visão periférica ou ousava olhar para meu Edward. Eu tinha medo de desatar a rir!
- Bom, - ela girou em seus calcanhares e eu podia jurar que minha ‘quase’ sogra estava sorrindo – eu só vim avisar que o jantar será servido em uma hora. Tomem banho, troquem de roupa e arrumem juízo!
- Ai meu Deus! – sentei na cama espantada – Foi por pouco!
Edward sorriu presunçoso e deu um pulo da cama.
- Podia ser pior. – ele sorriu torto – Podia ser seu pai...
Fiz uma careta de pavor e ele gargalhou, depois em deu um selinho e marchou para o quarto dele, me deixando ali, ardendo de desejo.


POV EDWARD

A música chegava aos meus ouvidos com uma certa dificuldade porque os gemidos de Bella abafavam qualquer outro som... Estávamos nus na minha cama, nossos uniformes da escola estavam jogados pelo chão, espalhados de qualquer jeito, Bella arranhava minhas costas enquanto eu me movia dentro dela...
- Aaahhh... Edward... – ela sussurrava.
Eu me sentia quase um selvagem, entrando e saindo dela em movimentos rápidos, dessincronizados, me deliciando naquela carne molhada e quente, me inebriando de amor, desejo e suor... Bella sorria e se remexia embaixo de mim, correspondendo aos meus movimentos, ansiando por mais, me dando mais.
Tudo aquilo era novo para nós dois, na verdade, era inédito! Eu já nem sabia até quando podia me agüentar, porque tudo o que eu mais queria, tudo o que eu mais ansiava, era extravasar logo naquela grutinha apertadinha e marcar aquele lugar como meu. Meu para sempre. Mas eu sabia que tinha que esperar por ela!
Como é que posso me agüentar? Porra, Bella, você é muito gostosa!
Entrando e saindo da minha namorada, agora minha mulher, eu me sentia ‘o cara’! Bella parecia gostar, gostar muito... e eu? Eu estava nas nuvens! Cada vez que ela intensificava os arranhões nas minhas costas, eu entendia que ela estava mais perto de gozar e intensificava as estocadas, até que ela me beliscou tão forte e gritou logo em seguida... Pronto! Com um gemido rouco, me derramei dentro de Bella e cai sobre seu pequeno corpo, completamente suado, inebriado, extasiado. Encostei minha testa no vão de seus seios, nossas respirações estavam entrecortadas e pesadas. O silêncio era gostoso. Bella apenas fazia um cafuné gostoso em mim, enquanto eu ainda mergulhava no mar das delícias de seu corpo, cheirando aquela pele gostosa...

- EDWARD!? EDWARD? FILHO?
Hãn?
- EDWARD, FILHO, - alguém gritava do outro lado da porta – ACORDE MEU BEBÊ, VOCÊ VAI SE ATRASAR PARA O PRIMEIRO DIA DE AULA DO SEMESTRE!
Hãn? Hum? Mãe? Bebê?
PORRA! Mãe, bebê não...
Quando abri os olhos me percebi com uma puta ereção e diversos pontinhos molhados manchados no lençol. Ainda bem que a porta estava trancada.
- Já vou, mãe...
Porra de novo! Que voz rouca era essa? Quase não me reconheci!
- Filho!? – dona Esme insistia em bater na porta – Bebê, você está bem? Que voz é essa Edward!?
Ai, meu Deus! Por que é que TODAS as mães são assim desse jeito? E por que a minha ainda insiste em me chamar de bebê? Fiz 15 anos em julho, poxa!
Pigarreei antes de falar.
- TO BEM, MÃE! – dei um pulo da cama e enrolei o lençol sujo numa bola enorme – DAQUI A 15 MINUTOS DESÇO PRA TOMAR O CAFÉ!
Mamãe pareceu se contentar com a resposta e se desinstalou da porta de meu quarto. Corri para o banho e só de ficar nu, eu comecei a pensar em Bella. O jeito foi ‘bater uma’ durante o banho, pensando nela, me imaginando dentro dela... com certeza era bem melhor que minhas mãos...
- Que saudade, Bella... – murmurei enquanto me aliviava sob a água fria.
Nós dois havíamos combinado que a nossa primeira vez seria depois que ela completasse 15 anos... E com a proximidade da data, eu não conseguia pensar em outra coisa! Nosso namoro infantil que começou há quase 5 anos foi evoluindo e ficando mais quente conforme a adolescência foi nos enchendo de hormônios. A cada ano as coisas ficavam mais íntimas, as carícias se intensificavam, os beijos se tornavam mais profundos, os corpos eram explorados aos poucos...
Uma delícia!
Conhecer Bella aos poucos me fazia amá-la e respeitá-la cada vez mais, desejá-la como um cego anseia pela luz, querer devorá-la como se ela fosse (e na verdade era) a mais deliciosa e exótica fruta.
Eu me sentia como um viciado e ansiava por minha Bella todos os dias. Ela era a única para mim, eu não sentia esse desejo, esse furor, esse calor por mais nenhuma outra garota. Mesmo tão jovem, eu suspeitava que jamais desejaria outra mulher e que quando nos casássemos, eu seria para Bella o que meu pai é para minha mãe: um amigo, um marido, um eterno namorado.
Viver ao lado de Bella me fazia sempre pensar no futuro, no nosso futuro.
Perdido nas minhas divagações, vesti o uniforme da escola, arrumei a bagunça de meus cabelos, coloquei aquele perfume que Bella me deu de presente e me olhei no espelho. Tava legal. Peguei a mochila e desci correndo, quase tropeçando numa das empregadas da mansão e ganhando um ‘bom dia, Sr. Cullen, tome cuidado, menino’. Sorri, me desculpando para ela e cheguei à mesa a tempo para o café da manhã. Agitado, falei com papai que lia um jornal despreocupadamente e dei um beijinho na minha mãe. Comi feito um condenado (eu vivia com fome) e depois segui para a garagem, onde Sebastian, motorista da família, me aguardava.
- Bom dia, Sebastian, por favor...
- Sim, Sr. Cullen, - ele sorriu – já sei. Vamos passar na mansão dos Swan.
- Exatamente! – sorri.
Dez minutos depois eu já avistava minha Bella no jardim da mansão Swan, seus cabelos castanho-acobreados estavam soltos e balançavam ao vento. Aquele uniforme sem graça da escola se transformava numa roupa linda no corpo dela... Tudo em Bella era maravilhoso!
Porra! Só de vê-la caminhar, remexendo delicadamente aqueles quadris, eu ficava duro como pedra! Como é que vou conseguir agüentar até o final do dia? Que dirá esperar até depois de seu aniversário que acontecerá em... 9 dias...
Noite sim, noite também, eu sonhava com a nossa primeira vez...
- Oi, amor! – ela entrou no carro e sorriu para mim, me dando um selinho logo em seguida.
- Oi, princesa. – sussurrei.
-Bom dia, Sebastian. – Bella cumprimentou o motorista.
O caminho até a escola foi, irremediavelmente, cheio de pegações e beijos molhados, de língua, de todo jeito... Se o motorista reparava, a gente não tava nem aí! O que não dava era pra ficar sem beijá-la, não, não dava!
- Edward? – nossas mãos estavam entrelaçadas e nos olhamos com intensidade.
- Sim?
- Sonhei com você essa noite. – ela sussurrou, abaixou a cabeça e corou – Com nós, na verdade...
Cheguei mais perto dela e colei nossas testas, suspiramos em sincronia.
- Eu sonho com você todas as noites... Com nós...
Imediatamente senti meu rosto esquentar também. E sorrimos felizes, satisfeitos com o nosso amor e cheio de expectativas quanto ao futuro próximo.


POV BELLA

Minha festa de 15 anos foi linda! Começou com um baile de debutantes bastante tradicional, onde dancei a primeira valsa com papai, a segunda com Edward... e depois dancei com Carlisle, tio Billy, Jake... O jantar foi requintadamente organizado por mamãe e Esme que capricharam em tudo. Eu até desconfiava que as duas não fossem médicas e sim, donas de um cerimonial! Na segunda parte da festa, nossa enorme sala se transformou numa pista de dança, eu troquei de vestido e cai na balada com meu namorado e amigos da escola.
Sempre vou me lembrar de minha festa de 15 anos com muito carinho. Mas aquilo não era tudo, nunca seria dali para frente... O dia 13 de setembro foi lindo, o dia 14 foi mágico, maravilhoso, perfeito...
Ainda era madrugada quando eu e Edward seguimos para Mastic Beach, um charmoso balneário a apenas 110 km de nosso bairro. Sebastian, o motorista dos Cullen nos levou até a praia e combinou de nos buscar dali a dois dias.
Durante a viagem eu e Edward não conversamos muito, eu fingi dormir, encostada em seu ombro e aconchegada em seu abraço gostoso. Eu tinha a boa desculpa de estar cansada da festa, mas na verdade eu estava com medo... com medo não, em pânico mesmo.
Eu me sentia o leão covarde de ‘O Mágico de Oz’!
Cedo demais chegamos à praia e Edward me ‘acordou’ delicadamente.
- Princesa, - ele sussurrou – chegamos.
Abri os olhos e me deparei com o verde dos olhos dele. Sorrimos. Mas eu pude perceber que Ed estava tão nervoso quanto eu...
Sebastian ajudou meu namorado a descarregar as malas enquanto eu estava na varandinha no chalé, olhando as ondas do mar se quebrando nas pedras. Estávamos na verdade, num condomínio privado, onde os chalés eram alugados nas temporadas de verão. Sorri. Edward pensava em tudo! Não estávamos em qualquer lugar, ali parecia ser seguro o suficiente para nossa... primeira lua de mel... Sorri com a junção das palavras em minha mente.
Eu andava sorrindo à toa, de felicidade, de nervosismo, de ansiedade...
Perdida nos meus pensamentos, remoendo minhas dúvidas e medos, comecei a olhar as estrelas naquele céu limpo de fim de verão. Senti um par de mãos envolvendo minha cintura, encostei meu corpo naquele corpo que seria dali para frente sempre meu... suspirei.
- Enfim sós, Bella... – ele beijou o meu pescoço, provocando arrepios gostosos em mim.
Quando eu falar uma coisa, percebi um clarão rasgando o céu.
- Uma estrela cadente!!! – falamos em coro e depois de um minutinho de silêncio, sorrimos como duas crianças bobas.
Edward girou meu corpo para ficar de frente para ele e beijou a pontinha de meu nariz.
- Você fez um pedido? – ele sorria.
- Sim! – sorri também – E você?
Ele balançou a cabeça, dizendo que sim.
- VOCÊ PEDIU O QUE? – dissemos em coro.
- Ah, não, não posso contar! – em coro de novo e rimos que nem duas hienas.
Quando a graça passou, o olhar de meu amor prendeu minha atenção, ele foi se aproximando e me beijou com carinho e ternura. Minhas mãos envolveram seus ombros, as dele envolveram minha cintura com ansiedade. Quando o ar nos faltou, ele colou nossas testas e falou numa voz rouca e solene.
- Eu sei o que você pediu, meu amor... – eu assenti – Eu pedi o mesmo.
Quase me matando do coração com o susto que levei, soltei um leve gritinho quando Edward me pegou no colo e nos conduziu para a porta do chalé.
- Edward! – gargalhei – Isso é mesmo necessário?
- Claro, princesa! – ele se gabava – Quero que tudo seja completo!
A salinha do chalé era muito fofa, tinha uma lareira, um sofá e todos os outros móveis que uma sala deve ter. Minha mão ainda estava entrelaçada a Edward quando ele nos guiou até o quarto. Então de repente a minha respiração começou a ficar pesada, o ar não entrava direito em meus pulmões, minhas mãos e pés suavam... Era o pânico!
Meus olhos quase saltaram das órbitas e meus pés quase fraquejaram quando eu vi a linda e enorme cama... Sobre ela uma delicada colcha branca e enormes travesseiros, apenas isso... A sensação de noite de núpcias se tornava mais e mais real quando eu me dava conta de que dali a alguns instantes seria a mulher de Edward Cullen!
Meu coração batia tão forte que parecia que ia saltar pela boca!
- Princesa, - Ed me abraçou pela cintura e beijou minha têmpora – acho que... – ele parecia hesitante - a idéia de tomar um banho com você agora me parece tentadora demais...
NÃO! ENTREI EM PÂNICO!
- Mas, - ele completou – acredito que o melhor agora seria cada um ter seus minutinhos a sós... – ele desfez nosso abraço – Você pode ficar aqui na suíte, vou tomar uma chuveirada no outro banheiro.
Então meu namorado girou em seus calcanhares, pegou sua nécessaire e marchou para fora do quarto, me deixando ali... sozinha!
Quando Edward saiu, eu cai, covardemente e me sentei na poltrona que até então eu nem havia notado que existia.
G-ZUIS! Você espera ansiosamente para fazer 15 anos, achando que depois disso você vai ter todas as respostas para tudo e que vai ser altamente segura de si e depois descobre que não é nada disso! Olhei para os lados assustada e pensei: ‘E agora?’
Respirei fundo ‘trocentas’ vezes e depois, num pulo, resolvi me mexer. Edward poderia voltar para o quarto e me encontrar tremendo feito um cordeirinho estúpido! Procurei pela coragem dentro de mim e tudo o que achei foi amor... Lembrei que li em algum lugar que ‘o amor lança fora todos os medos’, decidida, peguei a nécessaire e segui para o banheiro, fechei a porta atrás de mim e tentei fazer as coisas direito.
Prendi os cabelos num coque alto e tomei um banho quente e relaxante, senti meu corpo durante o processo e agradeci aos céus por minha mãe ter me levado naquela clínica estética para fazer a tal da depilação ‘à brasileira’ com cera quente. Doeu pra caralho, mas ficou legal...
Droga! Entrei em pânico de novo quando pensei em ‘doer pra caralho’.
Droga! Pensei de novo!
Depois do banho, escovei meus cabelos para desfazer melhor o penteado da festa e ainda escovei os dentes meticulosamente. Então chegou a hora de vestir ‘a lingerie’... Ai, G-ZUIS! Choraminguei quando o vi o finíssimo e transparente pano da mini-camisola e da calcinha que eu mesma havia escolhido há quase dois meses atrás!
Eu havia comprado um conjuntinho cor de rosa muito lindo e delicado, ele era ao mesmo tempo sensual, fofo, romântico... Como eu sempre sonhei que a nossa primeira vez seria...
Usando a coragem e o autocontrole que eu nem sabia que tinha, vesti as peças de lingerie e me olhei no espelho. Corei. Corei muito! Respirei fundo mais uma vez e abri a porta do banheiro. Antes que meus olhos pudessem captar qualquer imagem, me perdi na doçura de uma música que começava a tocar. 
Mas quando meus olhos encontraram os de Edward, tudo ao nosso redor parecia deixar de existir. Meu amor estava sentado na beirada da cama e quando me viu caminhar em sua direção, ele se levantou e veio ao meu encontro, estendendo uma de suas mãos para mim. Ele usava apenas uma boxer preta e por alguns instantes meus olhos se fixaram em seu membro... tenho certeza que os orbes verdes de meu amor varriam meu corpo também!
- Linda! – ele sorriu e me abraçou.
Giramos no quarto, ao som daquela delicada canção, nossos olhos não se deixavam um segundo, nossos corações martelavam contra nossas peles. As respirações estavam pesadas, ansiosas, entrecortadas... Edward segurou meu rosto em suas mãos e me beijou com doçura, sua língua invadia minha boca com carinho, buscando, convidando minha língua para um passeio erótico. Pouco a pouco, ele foi nos guiando até a cama e me deitou nela.
Então eu me dei conta de onde e em que situação eu já me encontrava. Sob o corpo do meu namorado, o meu corpo se remexia de desejo e ansiedade, ele me beijava com mais avidez agora e enquanto minhas mãos envolviam seus ombros com força, uma de suas mãos fazia uma massagem deliciosa num dos meus seios. Quando o ar nos faltou, ele me olhou nos olhos e falou numa voz rouca de desejo.
- Eu te amo, Bella... você será minha esta noite...
As palavras se prenderam ao meu cérebro com uma certa dificuldade, mas quando entendi o significado delas, sorri e sussurrei.
- Sua... porque te amo...
Edward então me surpreendeu mais uma vez, rolando para o lado e me deixando por cima dele, quase que automaticamente, como se houvesse um comando dentro de mim, coloquei uma perna em cada lado de seu corpo. Nossos olhares se encontraram e sorrimos, sem saber muito o que fazer (ou talvez com medo demais de fazer algo errado) apenas inclinei meu corpo e nossos rostos ficaram a poucos centímetros de distância. Ele segurou meu rosto em suas mãos e me beijou com carinho, meu coração saltava e minha respiração deveria estar tão alta quanto a dele.
O beijo que começou carinhoso ficou insano quando as nossas línguas se encontraram, o sangue bombeou de vez em minhas veias, perdi o juízo quando comecei a rebolar sobre Edward, esfregando meu sexo em seu membro já duro... constatando, surpresa, que eu estava úmida e com muito desejo de senti-lo dentro de mim...
Lentamente, Edward rolou nossos corpos novamente até ficar por cima de mim, ele se inclinou e me beijou mais uma vez. Meu coração parecia nunca se acostumar com os nossos beijos, voltou a bater desenfreado quando seus lábios se moldaram aos meus. Meu amor apoiou o peso de seu corpo sobre seus joelhos para que eu não sentisse nenhum desconforto e gemeu em minha boca quando eu abri as pernas, envolvendo seu corpo no meu.
Se na primeira vez ‘as coisas’ podiam ser atrapalhadas, até agora tudo ia muito bem! Pensei e sorri, fazendo meu amor sorrir também contra a minha boca. E por falar em boca... Que boca era aquela, G-ZUIS!? Eu não sabia que o meu namorado tinha uma boca daquela!
Quando nosso beijo cessou, Ed começou a beijar meu pescoço, descendo seus lábios pelo meu colo e me fazendo gemer durante o processo. Meus olhos buscaram os dele e encontraram aquele par de verde-mar bastante concentrado no meu corpo, Ed puxava delicadamente as tiras da minha camisola e me despia com cuidado. Sua boca então se apossou de um dos meus seios, me beijando ali de uma forma que nunca fui beijada, me fazendo gritar, gemer e enlouquecer quando uma de suas mãos acariciava o outro seio.
- Aaahhh... Edward... – gemi desfalecida.
Meu amor desceu seus lábios por minha barriga e provocou em mim sérios arrepios quando beijou minha virinha e meu sexo ainda sobre o fino tule da calcinha. Aquela tal umidade se concentrou mais ainda em minha vagina, mas eu me encolhi um pouco quando senti os dedos de meu amor acariciando a entradinha de meu sexo. Me praguejei em pensamento porque Ed percebeu a minha hesitação e rapidamente tirou suas mãos dali. Tentando contornar a situação, me estiquei um pouco e puxei suas mãos de volta, ele aceitou de bom grado, mas levou seus dedos até as laterais da minha calcinha, me despindo por completo.
Depois Edward se distanciou um pouco e pareceu congelar por alguns segundos. Eu fiquei confusa, depois insegura, depois em pânico.
‘Será que ele não gosta do que vê?’ e quando lágrimas pensavam em invadir meus olhos, ele se inclinou mais sobre mim e me acariciou como se estivesse tocando um piano...
- Linda... minha... minha Isabella...
Suas mãos desciam calmamente da base de meu pescoço, passando pelos meus seios, barriga e chegando até meu sexo, onde seus dedos (agora eu já não tinha medo) fizeram um delicado passeio de reconhecimento sobre aquele montinho de Vênus. Delicadamente, ele abriu as minhas pernas, acariciou as minhas coxas, voltou-se para o meu sexo novamente e se inclinou. Assustada, virei uma estátua quando percebi seu rosto a poucos centímetros do meu sexo.
- Edward! – gritei de susto e de prazer quando senti que ele beijou meu sexo.
Sorrindo um sorriso glorioso, meu amor se deitou novamente ao meu lado e me beijou intensamente. Inebriada com o prazer daquele beijo íntimo, eu comecei a tentar tirar sua boxer e percebi que ele me ajudou durante o processo. Quando o ar nos faltou, ele sorriu e senti quando uma de suas pernas delicadamente separou as minhas. Uma de suas mãos buscou o meu sexo novamente, acariciando meu clitóris, me estimulando... Eu já estava muito, muito louca porque a ereção dele empurrava minha barriga com vigor! Desejo e medo duelavam em mim.
Tudo o que eu queria era pertencer ao meu amor, tudo o que eu mais temia já estava ali, apontando na entradinha de meu sexo. Embora soubesse que fisicamente aquilo era possível, eu ainda me perguntava como uma coisa tããão grande ia entrar num lugar tão pequeno...
- AH!
Gritei de medo, de susto, de dor...
Puta que pariu! Que foi isso?
- Shii, Bella, - Ed ronronou e ficou imóvel sobre mim – vai passar, princesa... vai passar...
Eu ainda to viva? Eu ainda posso respirar? O que foi isso que me rasgou agora? Ai, meu Deus, vou morrer!?
Eu queria gritar! Mas sabia que não podia. Depois senti vontade de morder o ombro dele, e me contive a tempo...
Lágrimas estúpidas e teimosas escaparam de meus olhos e quando pisquei freneticamente para espantá-las, percebi o olhar de medo e dúvida de Edward e me senti uma idiota.
‘Bella, seu cordeiro estúpido’, murmurei em pensamento e tentei sorrir, mas aposto que só consegui fazer uma careta.
- Eu to bem, Edward... – menti.
- Mesmo? – ele respirou aliviado.
- An-hãn... – ele sorriu e beijou a pontinha de meu nariz, então me dei conta que aquela dor dilacerante já tinha passado – Amor? E agora? A gente fica assim? Parados?
Ele se mexeu dentro de mim, como se estivesse entrando-e-saindo devagar... Gostei e sorri, ele também parecia gostar e se mexeu mais rápido...
- Aaahhh... Ed... faz mais... rápido...
Falei aos arquejos e meu amor sorriu ao mesmo tempo em que as coisas começaram a acelerar, eu comecei a remexer embaixo dele, meus seios roçavam em seu tórax, meu interior recebia seu membro enorme (e gostoso) com mais prazer e parecia se alargar mais a cada investida.
- Ah, Bella... – Ed escondeu seu rosto no vão do meu pescoço enquanto ainda se arremetia contra mim - Tão gostosa, minha princesa... tão molhadinha... quente e apertada...
Eu apenas gemia umas coisas que nem entendia direito, minha respiração estava entrecortada, pesada... O membro de Edward parecia saber exatamente onde ir dentro de mim, porque cada vez que ele estocava, eu quase ia no céu e voltava... Contrações engraçadas começaram a surgir em meu ventre, a visão foi ficando embaçada... os dedos dos pés começaram a formigar...
Isso é um AVC?
Que AVC que nada!
Na estocada seguinte, parecia que eu tinha tirado na loteria porque aquele membro enorme achou um pontinho dentro de mim que me fez gritar, me convulsionar e perder todos os sentidos ao mesmo tempo...
- Edward! – gemi por fim e me deixei ficar inerte na cama.
Meu amor ainda precisava de mais um pouco e na estocada seguinte, senti seu sêmen se espalhando dentro e fora de mim.
- Oh... Bella... – ele rosnou baixinho e sorriu o sorriso mais bobo do mundo.
Extremamente exaustos e ofegantes, não parávamos de sorrir, Ed rolou o corpo um pouquinho e ficou deitado ao meu lado, mas a gente ainda não conseguia parar de se olhar. Delicadamente, ele puxou meu corpo para ficar abraçadinho ao dele, eu me aninhei ao redor de seus braços e escondi meu rosto no vão de seu pescoço. O silêncio era gostoso entre nós e eu o senti beijar o topo de minha cabeça duas ou três vezes.
- Bella? – ele sussurrou.
- Hum... – murmurei, eu ainda não me sentia preparada para falar, todas as sensações eram muito novas para mim.
- No que você está pensando, amor?
Sorri contra a pele de seu pescoço antes de responder.
- Em nada... na verdade, eu só consigo sentir... nenhum pensamento me vem à mente...
- Mas... se você pudesse pensar...
Senti a pontinha de dúvida, inquietação e insegurança na voz do meu... homem... Sorri em pensamento com esse novo conceito... ‘meu homem’. Afastei um pouco o meu corpo do dele para poder olhar em seu rosto, acariciando-o com uma de minhas mãos.
- Se eu pudesse pensar, - entrei na brincadeira e sorrimos – eu pensaria que essa foi a melhor de todas as noites nesses meus 15 anos... que você é o amor da minha vida e que eu... eu quero fazer amor com você de novo...
- De novo!? – ele arregalou os olhos e sorriu aquele sorriso torto que me deixava sem ar.
- De novo... – encostei meus lábios ao dele, dando um beijo estalado - ...e de novo... e de novo...
- Eu te amo, Bella...
- Eu te amo mais, Edward...
E assim voltamos a nos amar, dessa vez com mais desembaraço, menos pudor e mais prazer...
Se antes eu tinha dúvida que os pedidos feitos às estrelas cadentes fossem bobagem, agora eu estava certa que não. Tudo o que eu pedi à estrela foi que meu amor por Edward e o dele por mim fosse eterno e que aquela primeira noite fosse não apenas especial, mas que fosse um reflexo de muitas e muitas noites de amor.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Paradise - Capítulo 18


18. Talvez

POV BELLA

Sim, eu teria um dia muito longo pela frente...
Como presente de formatura, resolvi me dar um dia num salão de beleza e eu estava, tipo, super nervosa... Borboletas faziam cambalhotas no meu estômago, afinal, eu não era muito de freqüentar salões de beleza nem nada desse tipo. Na adolescência nunca sobrou muita grana pra isso e quando eu pegava nuns trocados, evitava ir no salão do meu bairro... as pessoas olhavam feio para mim, se achavam... sim, se achavam superiores a mim.
Ri comigo mesma, tentando espantar o nervosismo e as tristes recordações, mas eu mordia o lábio inferior a cada cinco segundos! Enfim cheguei ao prédio bonito num subúrbio chique de Orono, estacionei o carro e sai pisando fundo pelo estacionamento.
O sol daquela manhã de primavera era gostoso, no jardim do prédio eu via gérberas de todas as cores, além de uma grande variedade de outras flores, também havia um delicioso perfume de jasmim que me fazia lembrar dela... mamãe...
Rennè faleceu seis meses depois do meu casamento. Sua saúde se agravou rapidamente, mas graças ao dinheiro que eu tinha, minha mãe foi muito bem cuidada e os médicos me fizeram crer que ela não sentia muita dor porque os remédios caros agiam em seu sistema. O que mais me consola é que estive presente quando ela morreu, sim, meu rosto foi a última coisa que aqueles lindos olhos azuis viram antes de se fecharem para sempre.
Mamãe sorria, um sorriso tímido e tranqüilo... eu tentava sorrir em meio às lágrimas e segurava em sua mão, Edward e Emmett também estavam no quarto, mas cochilavam nesse momento. Foi melhor assim... a hora de mamãe foi muito tranqüila e especial para nós duas, uma coisa de mãe e filha mesmo. Dias antes, quando Rennè ainda falava, ela me pediu perdão. Tivemos uma conversa sussurrada quando ela me disse que tudo o que fez, o fato de ter me dado ao papai para que ele me criasse, foi porque me amava muito.
- Bella... – ela falou com dificuldade – deixar você foi meu inferno pessoal aqui nesta terra. Mas acredite, eu fui fraca demais para deixar as drogas e forte demais para abrir mão de você. – ela fez uma longa pausa – Quando você for mãe vai entender... Tem coisas que só o amor de mãe justifica...
Aquelas palavras martelaram na minha cabeça por vários dias. Confesso que eu não conseguia entender a amplitude das palavras... não conseguia entender um amor que abandona, um amor que não cuida... Resignada, eu pensava que talvez, quando fosse mãe, pudesse entender tudo.
- Bom dia. – falei para a recepcionista do salão de beleza e lhe entreguei um recibo.
- AH, bom dia Sra. Cullen!
A moça simpática sorriu para mim e eu alarguei meu sorriso porque cada vez que alguém me chamava de Sra. Cullen, eu sentia uns quase-orgasmos deliciosos! Mas devo confessar que quando fiz as reserva no salão de beleza fiz questão de me apresentar como Isabella Cullen. Embora soubesse que oficialmente eu nunca poderia adotar o sobrenome dos meus maridos, eu gostava a idéia de ser a Sra. Cullen.
- Queira me acompanhar Sra. Cullen.
Ela continuou enquanto eu a seguia e ouvia o roteiro de minha programação: massagem relaxante nos pés, mãos e corpo, manicure, esfoliação e hidratação no corpo, máscara hidratante no rosto,  nos cabelos eu teria hidratação, escova, baby liss e um penteado chique, além de uma maquiagem decente no rosto.
O dia da formatura seria um dia muito especial para nós... Tanto eu, Edward e Emmett estávamos nervosos, não tínhamos muitos parentes (na verdade, eu não tinha mais nenhum) mas todos eles, além dos nossos amigos, prometeram comparecer à festa de formatura.
Enquanto mãos habilidosas massageavam cada pontinho tenso de meu corpo, a mente voltava ao passado novamente.
Depois que mamãe morreu, eu passei uma semana em casa antes de voltar a trabalhar na creche e estava arrasada, por dentro e por fora. Perdi peso, olheiras fundas marcavam meu rosto, meus cabelos tinham nós irritantes, eu estava sem motivação para muita coisa. Meus aluninhos queridos percebiam meu estado de torpor e passaram vários dias tentando ser bem comportadinhos. Agradeci aos céus por ter dado àquelas lindas crianças uma sensibilidade tão pura!
- Isabella, posso falar com você? - a Sra. Stell se dirigiu a mim numa sexta-feira quando meu expediente já havia acabado e eu juntava meu material para poder ir embora.
- Sim, pois não. – me espantei com o tom mórbido de minha voz.
Ela se sentou ao meu lado, envolveu minhas mãos nas suas, suspirou e foi direto ao assunto.
- Querida, eu conheço você. – de início não entendi nada – Eu te vi nascer, - ela estendeu a mão e afagou meu rosto com ternura – eu conheci Rennè...
Quando ela falou o nome da mãe, foi como se todo o sangue de meu corpo escorresse para meus pés, devo ter ficado gélida.
- Co-conheceu? – gaguejei debilmente.
- Sim. – ela arrulhou e sorriu – Rennè era um amor de pessoa.
A Sra. Stell fechou os olhos e começou a contar uma história como se estivesse voltando ao passado.
“Conheci Rennè num mês de fevereiro gelado, nevava muito quando eu me apresentei à Clínica de Reabilitação para Dependentes Químicos. Eu ainda era a Srta. Taylor, assistente social recém formada, doida para arranjar um emprego.
E lá estava ela, a linda jovem, loira e com cabelos levemente cacheados, olhos azuis meigos e alegres, sorriso cativante.
- Olá, eu sou a Rennè Swan – ela estendeu a mão para mim e sorriu – paciente em recuperação, feliz e saudável, - ela afagou o ventre – estou grávida e pelo meu bebezinho eu resolvi me internar espontaneamente.
Rennè era um exemplo de paciente em recuperação, participava de todas as sessões de terapia, seguia a dieta recomendada e não criava problemas. Como gestante ela era ainda mais cuidadosa, fazia o pré natal certinho e nos cativava com a perspectiva da chegada de um bebê. Todos os pacientes amavam a jovem grávida e o bebê que ela carregava em seu ventre.
E quando ela soube que carregava uma menina!? Oh, que alegria esse dia foi...
- Isabella, - ela disse – minha filha se chamará Isabella... Bella... bela como a vida é...
Quando o ex-marido soube do paradeiro de Rennè foi à clínica para buscá-la, nós não queríamos que ela deixasse o tratamento. Médicos, enfermeiros, terapeutas e assistentes sociais... todos nós fomos contra a interrupção do tratamento. Mas Rennè e Charlie queriam que a pequena Isabella nascesse num lar... um lar de verdade...
Rennè sempre me mandava cartas ou telefonava, no começo ela parecia feliz, mas depois começou a se queixar da vida. Numa das cartas ela dizia que Charlie costumava beber todos os dias e chegava em casa muito tarde. Às vezes ela me telefonava feliz, como no dia em que Charlie pintou o quartinho da bebê com tinta de cor de rosa e comprou cortinas brancas de renda e uma confortável cadeira de balanço.
No dia do parto ela queria que eu estivesse presente e eu vi nascer aquele lindo bebé, forte, saudável, boquinha rosada, bochechinhas coradas... Isabella... A única menina nascida naquele dia... a rosa do berçário!
Do que vi no primeiro ano de vida da bebê foi uma mãe muito zelosa e dedicada, uma mãe feliz, muito ligada à filha. Mas o pai não era presente e aos poucos Rennè perdeu aquela paixão que sentia por Charlie, o casamento já não funcionava.
Quando você fez três anos de idade, Charlie deu uma surra na Rennè porque ela te deixou numa creche para poder arranjar emprego. Sua mãe fugiu de casa naquela noite e conseguiu, infelizmente, voltar para as drogas.
De todas as más influências na vida de Rennè, havia um peruano chamado Pablo, ele era um dos traficantes mais poderosos da região. Pablo não apenas deu abrigo à Rennè, como lhe deu emprego numa boate como garçonete, a fez voltar para o vício e lhe disse que ela poderia buscar a filha para viver com ela.
Rennè me telefonou, chorou, chorou muito... ela me prometeu inutilmente que não iria se drogar, mas eu... eu sabia que ela não poderia lutar contra o vício vivendo daquele jeito. Mas ela me disse uma coisa importante.
- Não vou buscar a Isabella... Prefiro saber que ela cresce feliz e saudável com um pai razoavelmente bêbado do que ser criada por... por mim...
Depois daquele dia, eu perdi o contato com Rennè por anos e anos e quando a revi ela estava muito mudada. O vício devastou sua vida, mas eu sempre soube que a boa Rennè, a Rennè que amou e cuidou da bebê... a Rennè que desejou Isabella como um sonho lindo, puro e divino ainda estava ali em algum lugar.”

- Isabella, – a Sra. Stell abriu os olhos e me encarou – você foi muito amada... e se Rennè não foi tudo aquilo que você gostaria que ela fosse, eu posso te assegurar que ela foi muito mais do que ela mesma poderia imaginar... Você entende isso, querida?
Eu não tinha condições de falar, lágrimas banhavam meu rosto e um imenso bolo de choro, dor e tristeza se avolumava na minha garganta. Eu apenas assenti com a cabeça.
- Rennè lutou por você, Isabella. – seus olhos não deixavam os meus – E se alguém um dia já te disse que ela te abandonou, não veja as coisas dessa forma... ela abriu mão de você porque te amava muito. – assenti – E Charlie, bem, o que posso dizer dele? Depois eu fiquei sabendo que ele estava cuidando de você, que você freqüentava escola e que sua avó funcionava como... como uma mãe pra você...
Eu permanecia muda, suspeito que naquele momento pensamento algum se prendia em mim.
- Desculpe, querida, - a Sra. Stell continuou – a verdade não é bonita, mas acredito que todos nós a mereçamos.
Quando finalmente consegui falar, eu me senti LIVRE... Livre da dor, do abandono e da tristeza de não ter tido mãe em muitos momentos importantes da minha vida.
As palavras que meus lábios articularam saíram em forma de um trecho da Bíblia e eu que nunca fui muito religiosa, me espantei por constatar que sabia aquela passagem bíblica decorada.
- E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará... – tentei sorrir enquanto enxugava as lágrimas – Obrigada, Sra. Stell, a senhora me ajudou a compreender uma parte da minha vida que vivia sob a cortina da culpa... Eu sempre me culpei...
- Oh, minha querida. – ela me abraçou carinhosamente.
Desde aquele dia a minha dor nunca mais foi a mesma. A dor ressentida e sufocante que a morte de Rennè me trouxe deu lugar à dor tranqüila da saudade. Dor é sempre dor, mas quando nosso coração dói pelo motivo verdadeiro, o sofrimento se torna mais consciente. Fui uma pessoa mais feliz depois da conversa com a Sra. Stell.
E lá estava eu, outra vez no presente, me olhando no imenso espelho do salão de beleza. Sorri encantada. A beldade que eu via ali tinha a pele cremosa e aveludada, sim, a maquiagem estava impecável... Sombras cor de rosa e prata, olhos esfumaçados, blush delicado, batom cor de rosa. Nas unhas havia um esmalte cor de ostra, eu escolhi fazer francesinhas bem discretas. Meus cabelos estavam lindos, macios e brilhosos presos num coque meio-solto, delicadas madeixas cacheadas caiam até meus ombros. Eu me sentia bonita!
Passava das cinco da tarde quando cheguei em casa, o caminho de volta foi feito com cuidado porque de forma alguma e queria estragar a maquiagem, as unhas e o penteado. Para a minha agradável surpresa Edward e Emmett tinha saído (sim, eu não queria que eles me vissem antes de eu estar pronta) para cortar o cabelo e ainda não tinham voltado. Mas nem bem terminei de formular o pensamento, eles chegaram. Corri em direção à porta e a tranquei.
- Bella? – Edward batia na porta do nosso quarto de vestir – Posso entrar?
- Não, amor! – sorri sapeca – Coloquei as roupas de vocês na sala de estudos, não quero que vocês me vejam antes de eu terminar de me arrumar!
Troquei de roupa, vestindo o delicado e caro vestido lilás que meus maridos me presentearam, usei brincos discretos, calcei sandálias prateadas de saltos finíssimos... peguei a bolsa certa para combinar.
Quando abri a porta do quarto e fui até a sala, me espantei! Dois anjos lindos, gloriosos, vestidos com smokings elegantes sorriam e estendiam as mãos para mim.
- Linda. – os dois sussurraram ao mesmo tempo.
Os olhares de ternura e os doces sorrisos de meus Cullen simplesmente me levavam ao paraíso. Os dois se inclinaram e beijaram delicadamente as minhas bochechas e inspiraram contra a minha pele, quase me fazendo perder o equilíbrio naqueles saltos finíssimos.
- Vocês também estão lindos. – falei por fim.
De braço dado com meus homens fui conduzida até a portaria do prédio onde, para minha surpresa, uma luxuosa limusine branca nos esperava.
- EDWARD! EMMETT! – falei abobada – O que... o que...
- Alugamos! – Ed falou.
- Porque hoje é nossa noite especial. – Emm estava radiante – Queremos que tudo seja perfeito.
- Tudo já é perfeito! – falei seriamente, fitando cada um deles – Vocês fazem as coisas serem perfeitas... Amo vocês...
- Também te amo. – Ed beijou minha testa.
- Te amo pra sempre. – Emm levou uma de minhas mãos aos lábios.
Já na limusine, enquanto o motorista nos guiava até o salão de festas onde aconteceria o baile, percebi que Emm tirava de um balde com gelo uma garrafa de champanhe. Ed pegava de uma cestinha de vime três taças lindas e por fim as erguíamos ao alto, num brinde.
- À nossa formatura. – Emm estava eufórico.
- Ao futuro! – Ed bradou e sorriu.
- Ao nosso amor. – sussurrei emocionada, feliz, simplesmente feliz.


POV EDWARD

A festa de formatura foi muito bonita, eu me sentia realizado e ao mesmo tempo emocionado... Papai sonhou muito com este dia!
O nosso pequeno grupo de parentes e amigos veio para nos prestigiar: tia Olivia, tio Ernest, Jasper e uma morena boazuda, ou seja, sua peguete da semana. Além dos amigos de Bella: Rebecca, Billy e o pequeno Seth, Sam e sua noiva Emily. Ocupamos duas mesas do imenso salão de baile e curtimos a noite com muita animação.
- Oh que alegria, que alegria... – tia Olivia bradava – Ver meus sobrinhos e sobrinha formados!
- Hoje seria um dia muito especial na vida de Carlisle. – tio Ernest falou saudoso.
- Sim, seria. – Emm ficou pensativo.
- Então vamos comemorar por eles! – Sam tentou nos animar – Vamos beber, dançar e festejar aos pais por derem dado a oportunidade de os filhos cursarem universidade!
E assim o assunto foi facilmente superado, ao menos em sua superfície.
- Edward? – Bella sussurrou enquanto dançávamos – Você parece distante.
- Oh, princesa, desculpe. – beijei levemente os seus lábios enquanto a girava – Estou tão feliz que gostaria de dividir isso com... papai... Tanya, minha ‘segunda’ mãe e por que não com Esme, minha mãe.
- Sim, eu sei. – ela sorriu levemente e uma de suas mãos afagou meu rosto, esquentando meu corpo e coração – Eu também sinto o mesmo... Acho que papai, vovô Marie e Rennè estariam orgulhosos também.
Os orbes chocolates de minha esposa facilmente me fizeram deixar a dor de lado, me prendi neles onde encontrei consolo e amor, me deixei envolver nos braços de Bella e curti nossa noite.
Emmett também teve seus momentos na pista de dança com a nossa Bella e pelo sorriso deles, percebi que estavam tão felizes quanto eu. O jantar estava delicioso, o clima de ‘sou formando’ contagiava nossos colegas, Alec, meu brother fez questão de vir cumprimentar nossos amigos e parentes, assim com Angela e Ben (amigos de Bella), Derek e Albert, os colegas mais chegados de Emm.
Lá pelas tantas, bem depois do jantar, Seth já dormia o ‘sono dos justos’ no colo do pai... mesmo assim a gente ainda tava no maior pique! Atolamos o pé na jaca... estávamos enchendo a cara e dançado feito uns doidos (até a tia Olivia tomou uns gorós e resolveu sacudir o esqueleto) até que os Hale se aproximaram do nosso grupinho.
- Ih, fudeu... – Emm sussurrou.
- Não diga essa palavra feia, menino. – tia Olivia deu um beliscão nele, nos fazendo rir.
- Boa noite... boa noite...
Tim Hale ciciou como uma cobra, instintivamente tensionei meus músculos e coloquei umas das mãos sobre os ombros de Bella, trazendo-a para o abrigo de meu corpo. Pela minha visão periférica, percebi quando Emmett enlaçou sua mão à de Bella, colocando-as sobre a mesa, à vista de todos... dizendo aos Hale que ela era nossa. Não me passou despercebido que tia Lilian e Rose estavam diferentes... estavam sem brincos, sem maquiagem, sem todos os enfeites que as mulheres usam para se sentirem mais bonitas, embora seus vestidos fossem bacanas, elas estavam menos bonitas que o normal. Também percebi a figura muito alta, loira e super estranha do marido da Rosalie.
Sim, nossa prima havia se casado há seis meses com um cara esquisito, de uma religião estranha, tipo aqueles evangélicos ‘aleluiados’ super fanáticos de cidadezinhas perdidas nos desertos de Utah. Sem querer parecer preconceituoso (e já sendo), o cara era realmente isso. Seu nome era Adam Macabeus! Lembro como se fosse hoje quando Emm se embolou no chão de tanto rir quando ficamos sabendo que Rose, toda cheia de pompa-e-circunstância seria a Sra. Macabeus! Nós não fomos convidados para o casamento porque a religião deles não permitia que ‘impuros’ (quem não fosse da mesma fé) entrasse no templo. Mas mesmo que fôssemos ‘puros’, a gente não ia se descambar para o fim de mundo por causa do casamento de uma garota que não nos quer bem. Não mesmo!
- Queridos parentes, - tia Lilian grasnou e me trouxe ao presente – creio que vocês ainda não conheciam meu novo filho pessoalmente... – ela olhou para Rose e depois para o genro – Eu lhes apresento Adam Macabeus, meu genro. Não sei se vocês sabem, mas minha amada filha e meu querido genro irão morar em Paradise conosco.
- Muito prazer, jovem e seja bem vindo à nossa ilha! – tia Olivia falou com a voz um pouco alegre demais devido às caipirinhas de tangerina que tomou.
Educadamente tio Ernest se levantou e estendeu a mão para o cara, mas este não devolveu o cumprimento e permanecia calado, sisudo, olhando cada um de nós como se fôssemos a escória da terra. A essa altura do campeonato, Jasper já cheio de todos os gorós, levantou uma latinha de cerveja, embolou a língua como um russo e mandou ver.
- Feliz natal!...
Porra, a gente tava em junho! Mas pelo tom de voz forçada dele, percebi que meu primo tava trollando os Hale. Segurei o riso a muito custo.
- Feliz formatura priminha Rose, feliz casamento... Seja bem vindo à família primo... primo... primo... Maca... Macabeus!
A cada palavra proferida por Jazz, o Macabeus ficava mais e mais vermelho, como um pimentão... Seus olhos pareciam injetados em ódio, sim, ele nos odiou.
- BASTA! – Rose falou.
- Rosalie, - seu marido falou num tom baixo e com a voz dura – você não deve elevar sua voz, querida.
O silêncio que se seguiu foi segurando a muito custo porque só de olhar pra cara do meu irmão e vê-lo segurando o riso, eu queria me mijar de tanto rir.
- Caros parentes, - o Macabeus falou – nós já estamos de saída, esta festa já começou a ficar indecente para pessoas de bem como nós. – seu olhar de pedra deve ter causado algum desconforto em Bella, percebi como ela se encolhia sob meu braço – Só viemos até a mesa de vocês para expressar os nossos sinceros protestos de estima e de congratulações pela formatura.
Meu pai do céu! De onde foi que ele tirou esse vocabulário estranho? Ele fez uma pausa e olhou diretamente para mim, Bella e Emmett antes de continuar.
- Ah, também queremos lhes entregar esta proposta de compra, - ele me deu um envelope – temos planos divinos para as suas terras, Cullen. Leia, por favor.
Peguei o envelope com desdém e olhei para Emm, meu irmão balançou a cabeça minimamente, sim, ele já sabia o que eu ia fazer. Rasguei o envelope em dezenas de pedacinhos e os coloquei dentro do arranjo de flores em nossa mesa. Depois olhei para o Macabeus, encarando-o com o toda a potência do meu olhar de desprezo.
- As terras dos Cullen não estão à venda. – falei de uma vez – Também temos planos para elas...
- Planos de pecado. – o desgraçado olhou para minha Bella – Se vocês acham que vão praticar a sodomia nas terras que Deus escolheu para ser o Novo Paraíso, estão enganados... Porque no paraíso...
- No paraíso... – Jasper voltou a falar com a vos de russo bêbado – no paraíso... todo dia eu vou pegar uma virgem...
Então essa foi a gota d’água para Emmett!
Meu irmão explodiu numa ruidosa gargalhada, arrastando todos ao riso mais espontâneo e fazendo os Hale e os Macabeus saírem de perto de nós. 
Todos gargalharam, eu apenas sorri, embora tivesse achado muita graça nas palhaçadas do Jazz. Posso até ser preocupado demais, mas eu realmente fiquei desconfiado daquele olhar insano do Macabeus sobre nós... principalmente sobre minha esposa. Desde aquele dia comecei a ficar precavido com o Macabeus, alguma coisa nele me dizia que ele era muito, muito mais do que apenas um homem religioso.
E então terminamos a noite nos comportando como ‘arroz de festa’... só saímos de lá quando o dia já estava clareando. A festa foi muito agradável (tirando a parte dos Hale-Macabeus) e quando chegamos em casa, mal tomamos um banho refrescante e nos jogamos na cama. Bella enroscada em mim e em Emm... nós três apagamos em cinco segundos!
Depois que nossos parentes retornaram à ilha, os dias foram muito movimentados porque estávamos providenciando nossa mudança para Portland, a cidade mais desenvolvida do estado do Maine. Após a graduação engatamos na pós-graduação porque tínhamos pressa... pressa em terminar os estudos e voltar para Paradise.
Lembro do dia quando concluímos esse plano, seis meses antes da formatura, numa noite gostosa de dezembro. Nevava muito lá fora, dentro casa, Bella estava enroscadinha em mim e em Emmett, tínhamos acabado de fazer amor e conversávamos amenidades.
- Eu acho que a gente deveria providenciar logo a pós-graduação. – Bella sussurrava enquanto acariciava o rosto de meu irmão e uma de minhas mãos passeava por seu quadril – Tipo... se a gente não se mexer logo, vamos perder os prazos de inscrições e...
- Por que tanta pressa, princesa? – perguntei despreocupado.
- Não é pressa, amor... – ela se virou e sorriu com doçura – eu apenas quero que nos mudemos logo para Paradise!
- Ah, concordo com você, bebê! Morro de saudades de minha terra. – Emm falou.
- Sim, Paradise é um lugar lindo. – concordei.
- Mas não é só porque Paradise é um lugar lindo, - Bella retrucou – é porque já estamos casados há três anos, - ela olhava de mim para Emm enquanto falava – e eu tenho a necessidade urgente de começar a viver num cantinho que seja nosso. Não sei se vocês vão entender a minha perspectiva, mas morando aqui ou ali, estudando e estudando, dividindo nosso tempo entre salas de aulas e trabalho... eu vivo feliz com você, mas sinto cada vez mais o desejo de viver em nossa casa em Paradise. Desejo pertencer mais ao lugar de vocês... desejo... – ela corou e baixou o olhar, sussurrando logo em seguida - ...desejo aumentar nossa família!
- Aumentar nossa família!? – eu e Emm falamos e coro.
- Filhos? – a voz de meu irmão se elevou e ele sorriu, mostrando as covinhas de seu rosto.
- Nossos filhos... – eu apenas falei abobado, meu coração já se derretia com a idéia.
- Vocês... vocês... – ela gaguejou um pouquinho – ...querem?
- BELLA! – Emm falou em sincronia comigo novamente e começamos a encher o corpo de nossa mulher de beijinhos.
- Filhos, muitos filhos! – Emm falava com alegria.
- Menininhas lindas para mimar... – sonhei em voz alta
 Bella apenas sorria, enquanto seu delicioso corpo se remexia ao redor de nós. Fizemos amor novamente... ensaiando para fazer um lindo bebê Cullen.
Desde aquele dia começamos a pesquisar sobre os cursos de pós-graduação. Eu queria fazer um MBA em Administração Hoteleira, Bella ansiava por Psicopedagogia e Emm queria um curso estranho de Aquicultura, já que o sonho de meu irmão era espalhar fazendas marinhas pela costa da ilha. Meu sonho era o de construir um hotelzinho charmoso e lindo na nossa ilha e o sonho de Bella... bem, minha princesa tinha o sonho lindo de ser professora de crianças. Aos olhos de outra pessoa, Bella talvez parecesse simplória demais, mas não era isso! Minha princesa era pura, seus sonhos eram simples como a vida deve ser e delicados como o amor.
Em conjunto, decidimos ir para Portland e cursar pós graduação na University of Southern Maine. Duas semanas depois da formatura nos despedimos de nossos amigos de Orono, formalizamos a demissão em nossos empregos, empacotamos nossos móveis e pegamos a estrada. Era meados de junho quando chegamos à linda cidade costeira, a rua onde iríamos morar era muito tranqüila e estrategicamente próxima ao campus da universidade. O apê novo era muito arejado e espaçoso, passamos três dias arrumando os móveis da melhor maneira possível quando Bella nos presenteou com uma surpresa num envelope branco. Juro que na hora pensei se tratar de um exame positivo de gravidez, meu coração perdeu uma somente com essa idéia.
- Isso aqui é um presente para os meus amores...
Eu e Emm pegamos o envelope ao mesmo tempo e sorrimos quando vimos o conteúdo.
- New York, Bella? – indaguei surpreso.
- SIM! – ela sorria.
- Puxa vida, férias em New York? – Emm parecia criança em manhã de natal.
- Não só férias... – Bella sentou no colo dele e colocou as pernas sobre mim - ...são férias, lua de mel, presente de formatura...
- Eu nunca estive em New York! – de novo, eu e meu irmão falamos em coro.
- Eu também não! – ela gargalhou – Na verdade, eu nunca nem viajei de avião!
Gargalhamos junto com nossa princesa.
Passamos duas semanas de férias-lua-de-mel... New York foi maravilhosa para nós.


POV EMMETT

Passamos dois anos morando em Portland, a maior cidade do Maine, onde vivia 1/3 da população de todo o estado. Era uma cidade grande para mim, podem me chamar de caipira-pescador, eu não ligo, mas confesso que Portland a princípio me deixou meio perdido.
E o que dizer de New York, então!?
Bella nos deu de presente uma viagem de duas semanas para a Big Apple, achei bacana a cidade, gostei de verdade, mas não me imagino morando num lugar tão alvoroçado! O povo lá é meio desesperado, parece mesmo que nunca dorme! O que faria um pescador de lagosta e camarão em NY? Fiz essa pergunta várias vezes a mim mesmo e dou graças a Deus porque sou de Paradise.
Mas Portland não foi ruim para nós!
Morar numa cidade que começou no século 17 como uma colônia de pescadores foi algo que me chamou a atenção logo de cara. A tradição pesqueira do estado era forte e isso só me dava mais prazer em fazer pós-graduação em Aquicultura! Arranjei um trampo, na verdade, um estágio não remunerado na Netunus Seafood, a maior empresa de pescados do país e embora não ganhasse um puto para trabalhar, eu estava aprendendo na prática, tudo o que via em sala de aula.
Minha Bella também estava trabalhando numa pré-escola particular e vivia encantada com os pestinhas que ela chamava de alunos e com o seu curso de Psicopedagogia. E Edward tava trabalhando na rede de hotéis Hilton, conciliando a isso o seu curso de MBA em Administração Hoteleira. Ou seja, ainda éramos um bando de estudantes e proletários!
Alugamos um apartamento que ficava no nono andar de um prédio moderno com vista para a Casco Bay. Era realmente um bom imóvel, onde coube nossos móveis e não nos deu muito trabalho para arrumar. Mas o grande diferencial no prédio era o fato de que cada apartamento possuía três vagas de garagem! Se em Orono cada um precisava ter seu próprio carro, imaginem numa cidade cinco vezes maior!?
Nossa nova rotina nos empurrava para lados distintos de Portland. Agora a gente vivia ocupado demais, estudando demais e o jeito foi contratar uma diarista para dar uma mãozinha na arrumação da casa. A Sra. Benett vinha três vezes por semana, tadinha dela, no começo foi difícil pra ela aceitar nosso relacionamento! Alguns vizinhos também estranharam um pouco mais não criaram muito caso, na verdade, meu amor por Lucille chamou mais atenção do que meu casamento com Bella e o dela com Edward. Um vizinho veio me perguntar de eu não tinha condições de comprar um carro melhor!
Sorri com a lembrança e olhei para o relógio... a tarde enfadonha de sábado já estava chegando ao fim e eu estava meio cansado depois de um dia inteiro de aulas. Respirei aliviado quando estacionei a Lucille na garagem, eu só queria duas coisas: banho e jantar, não necessariamente nessa ordem. Entre uma aula e outra, devo confessar, passei cada minutinho pensando em minha esposa! Que vou fazer? Sou doido por ela. O elevador subia lentamente enquanto meu coração já batia descompassado... olhar nos olhos da minha mulher, mesmo que pela trocentésima vez na vida, ainda me deixaria apaixonado!
Quando cheguei ao nosso andar entranhei ouvir o som de vozes e constatar que a porta do apartamento estava entreaberta. Apressei os passos e quando ia entrar, reconheci a voz de Tim Hale e minhas narinas inflaram na mesma hora.
- Apartamento bonito... você se deu bem, Swan... – ele envenenou a sala.
Fiquei intrigado com o teor da conversa e confesso que quis ouvir a reação da Bella.
- Pra você ver como são as coisas! – sim, minha esposa estava no modo sarcástica.
Isso mesmo, bebê! Bote pra fuder! Pensei comigo mesmo.
- Então o Edward e o Emmett não estão? – ele tinha a voz rude.
- Edward só vai largar mais tarde e Emmett daqui a pouco está chegando. Então, você ainda não me disse o que quer aqui? – Bella não estava interessada no papo.
- Você fala como se isso aqui fosse um lar. – ele falou – Mas na verdade, isso é um antro de pecado e você é apenas uma prostituta sem vergonha...
- COMO É QUE É? – bradei ainda da soleira da porta, fazendo tanto Bella como o Hale saltar de susto.
- QUEM VOCÊ CHAMA DE PROSTITUTA?
Sim, eu fiquei fora de mim! Sacudi o velho pela gola do casaco, encostei-o na parede e usando de uma força que eu nem sabia que tinha, suspendi aquele puto safado no ar.
- Ca-calma, sobrinho! – ele gaguejou.
- Calma uma porra! – dei-lhe um soco no queixo que fez com que um dente caísse no chão e o sangue daquele porco esguichou em meu rosto.
Bater uma vez foi pouco, bati de novo.
- EMMETT! EMMETT! PARE! – Bella gritou – Pare! Você vai matá-lo!
Minha esposa chorava e tentava inutilmente me segurar, embora sua força física fosse mínima, o poder de suas palavras era imenso.
- Oh, Emm... pare... por mim...
Quando Bella falou com a voz embargada pelo choro voltei a mim e respirei fundo, vi meu reflexo nos olhos do Hale... eu parecia um monstro! Larguei aquele monte de bosta e ele foi escorregando, encostado na parede como um maricas e saiu de nossa sala ‘andando’ de quatro. Juro que tive vontade de dar um chute naquela bunda seca e mandá-lo voando para Paradise, mas minha Bella não iria aprovar.
Assim que o safado passou pela soleira da porta, bati-a com muita força, fazendo Bella soltar um gritinho de susto e quando me virei aturdido, ela se jogou em mim com tudo.
- Oh, Emm, desculpe, me desculpe...
Bella me abraçou com urgência, correspondi ao abraço e meu cérebro passou cinco segundos a mais para processar as palavras dela. Afastei nossos corpos minimamente para poder olhar em seus olhos.
- Por que você pede desculpas, bebê?
- Porque eu fui boba e ingênua e deixei aquele idiota entrar aqui. – sua voz parecia amargurada – Eu não queria que vocês brigassem...
- Shii... – ronronei – não foi culpa sua, bebê, mas me diga, por que raios você deixou aquele puto entrar aqui?
- Ele trouxe aquela cesta ali. – ela apontou para a mesa da sala de jantar – E disse que era um presente da Hale-Macabeus, a pequena empresa de produção de blueberry que eles criaram na ilha, ele disse que estão produzindo não apenas as frutas, mas estão vendendo o doce em compota também. – ela fez uma pausa e baixou o olhar – Mas assim que ele entrou, seu tom de voz mudou e ele começou a dizer que as terras dos Cullen tinham que pertencer aos Hale. Ele... ele começou a me destratar e dizer que eu tinha de convencer vocês dois a venderem as terras.
- Desgraçado. – rosnei.
- Eu só queria que as duas famílias passassem a se entender melhor, - ela se lamentava - pensei, talvez, que um pequeno gesto fosse capaz de destruir essa rivalidade e...
Mas que droga, Emmett, por que você não chegou em casa meia hora mais cedo? Arrastei Bella para o sofá e a fiz sentar em meu colo.
- Bebê, deixa eu te contar uma coisa. – toquei em seu rostinho delicado, fazendo-a olhar para mim – Os Hale são e sempre foram alma-sebosa, nenhum deles é capaz de um gesto de bondade sem esperar algo em troca. Eles nunca gostaram dos Cullen, sempre desdenharam de nossa família de pescadores e sempre estiveram metidos em negócios escusos na vã tentativa de mudar de vida. Quando formos morar em Paradise, você vai perceber... ninguém gosta dos Hale porque eles são mau caráter mesmo, entende? Nunca confie num Hale, Bella... nunca.
Ela me abraçou com força, beijou meu pescoço e sussurrou:
- Não vejo hora de viver em Paradise... sinto uma necessidade muito grande de pertencer a algum lugar...
Desfiz nosso abraço e sorri, fazendo-a sorrir também.
- Amo o fato de você amar Paradise. – sussurrei.
- Como eu não podia amar!? – ela deu um meio sorriso e arqueou uma das sobrancelhas – Como eu não podia amar algo que você e Edward amam? – ela envolveu meu rosto em suas mãos – Eu amo tanto vocês dois que não consigo não amar o que lhes faz bem...
Meus olhos se perderam no chocolate dos olhos dela... Levitei de tanto amor nessa hora e quando seus lábios macios, róseos e carnudos entraram no meu campo de visão, passei a levitar de luxúria e tesão.
Beijei minha bebê com amor, carinho e desejo, minha língua invadiu sua boca com a fúria dos apaixonados, procurando sua língua. Bella correspondia ao beijo com ânsia e quando percebi, ela passou uma de suas pernas sobre mim, me envolvendo. Instintivamente nossos sexos começaram a se buscar, mesmo tento tantas roupas entre nós, Bella rebolava sobre mim e eu puxava seu quadril para baixo, querendo que ela sentisse minha ereção.
Quando o ar nos faltou, colamos nossas testas e sorrimos... Mas então minha bebê, franziu a testa e tocou no meu maxilar.
- Aqui está sujo de sangue, você se feriu!?
- Não bebê, foi o sangue daquele mané.
- Sua camisa também está suja. – ela fez biquinho e resmungou enquanto me despia – Venha, Sr. Cullen, vamos tomar um banho?
Apenas assenti enquanto minha linda esposa nos guiava até o chuveiro, a água fria estava deliciosa, mas as mãos de Bella, acariciando e lavando meu corpo estavam melhores ainda. Minha ereção apontava pro alto, em alerta, eu ardia por dentro, doido pra me meter dentro de Bella. Abracei-a com carinho e beijei seus lábios mais uma vez, ela envolveu meu corpo com suas pernas e eu a sustentei, escorando-a na parede. Quando meu pau encostou em sua entradinha, ela gemeu contra a minha boca.
- Bebê? Te machuquei? – falei preocupado, tentando puxar ar para os pulmões.
- Aaahhh...
Ela gemeu quase sem ar e fez uma caretinha, fiquei tenso... não, não, fiquei estressado e quase brochei!
- Amor... – ela ronronou - ...por favor...
Cobri seu corpo com o meu e mordisquei o lóbulo de sua orelha enquanto meu membro ainda apontava na entrada de sua bocetinha.
- O que você quer, Bella?
- Oh, Emm... – ela mordeu meu ombro - ...me fode logo!
Sorri baixinho contra a pele de seu pescoço, eu sempre ficava mais excitado quando ela usava essas palavras na hora do sexo, ergui seu quadril, baixando-o logo em seguida e afundando minha carne na dela. Gememos de prazer enquanto eu investia contra a minha Bella, suas pernas continuavam firmes ao redor de meu corpo e eu ainda a escorava na parede, com cuidado para não machucá-la.
Nossos gemidos eram uma coisa de louco, melhor do que eles somente o prazer de sentir toda a extensão do meu pau entrando e saindo dela... Ah... A cabecinha já estava louca, latejando de tanta vontade de se derramar ali dentro. O calor era sufocante, mas era gostoso morrer sem ar daquele jeito, nossas peles ardiam, se desejavam. Senti o gozo se aproximando, mas me segurei um pouco, Bella ainda pedia mais de mim, ela rebolava, esfregava seus seios em mim, fazendo com que aqueles biquinhos róseos acariciassem meu peito. Mais uma investida e outra, minhas mãos desciam do quadril dela e seguiam para aquela bundinha deliciosa onde eu apertava e beliscava levemente, nossas bocas não se deixavam e nossas línguas dançavam na sincronia de nossos sexos. Até que me meti com tudo dentro de Bella e senti sua boceta me apertar e me mastigar com vontade, ela deu um gritinho abafado e seus braços caíram molengas sobre meu peito, suas pernas quase fraquejaram, mas eu as segurei a tempo... Sim, para ela já tinha sido muito bom... Ergui mais o seu quadril e me meti com tudo dentro dela, explodindo logo em seguida num gozo delicioso, daqueles que me faziam flutuar no espaço. Um grunhido abafado se seguiu a isso e eu encostei minha testa na dela. Sorrimos. Ficamos paradinhos por alguns instantes, recuperando o fôlego, sorrindo como duas crianças travessas!
- Te amo. – sussurramos ao mesmo tempo.
Abraçadinhos, deixamos que a água do chuveiro nos lavasse e eu tenho certeza que a mente de Bella ainda estava como a minha... como uma folha de papel em branco. Não pensávamos, não falávamos, apenas sentíamos nos nossos corpos aquele estado de contemplação que sexo-com-amor provoca nos apaixonados.


POV BELLA

Portland foi uma fase muito gostosa em nossas vidas!
Nos dois anos que moramos lá, aproveitamos a oportunidade para aprimorar os estudos nos cursos de pós-graduação, trabalhar muito para adquirir experiência e para amadurecer os planos de mudança definitiva para Paradise.
Paradise!
Não entendia direito o que se passava no meu coração, mas eu me sentia já pertencendo àquela ilha e passei a contar os dias para a nossa mudança. Seis meses antes de nos mudarmos, tia Olivia e tio Ernest fizeram a gentileza de cuidar da reforma da Casa Cullen para nós.
- Bella, querida, - ela sempre me telefonava – já terminamos a restauração do telhado e do piso, as paredes estão sendo pintadas com tinta anti-mofo da melhor qualidade... Você tem preferência de cores, meu anjo?
- Não tia! – sorri com a alegria na voz dela – Confio no seu bom gosto!
- Oh, querida, não vejo a hora de vocês se mudarem! A vida toda eu sempre quis ter uma filha e daí Deus só me deu meu Jasper... Não que eu esteja reclamando, amo meu filho baladeiro! – nós duas gargalhamos - Depois a Esme engravidou e quando finalmente pensei que ganharíamos uma menininha, os gêmeos nasceram... É verdade que a Rosalie nasceu, mas aquela dali... – tia Olivia deu uma risadinha -...só G-ZUIS na causa... Então não vejo a hora de ter você aqui perto, meu bem...
- Ah tia! – falei abobada – Não fala essas coisas senão eu choro... Eu também gosto muito de você e tenho muita sorte de tê-la em minha vida!
As conversas com tia Olivia sempre eram assim! A mulher transbordava de alegria e amor, sempre preocupada com todos, cuidando de todos. Pelo menos eu podia relaxar quanto à casa, ela estaria pronta no prazo correto.
As monografias dos cursos quase acabaram com nós três... Dividir o tempo entre trabalho, pós-graduação e casamento não foi nada fácil, mas no final, deu certo! Receber o diploma de pós foi tão emocionante quanto o de graduação...
- A nós! – brindamos em casa com champanhe gelado no dia em que oficialmente estávamos pós-graduados.
- A nós! – meus anjinhos repetiram enquanto nossas taças faziam um tilintar alegre.
Decidimos fazer um garage sale para vender muitas coisas que não queríamos levar para a ilha. Na verdade, a gente ia vender quase tudo porque depois de quase seis anos de casamento eu queria mesmo era comprar coisas novas para a casa nova (nova para mim!). Edward achou prudente que trocássemos de carro, a topografia da ilha exigia veículos mais arrojados que um Sentra e um Camry, acatei seu conselho. Ele comprou uma Dodge Dakota cabine dupla cor de prata e eu consegui um lindo e charmoso Land Rover Defender muito charmoso na cor preta. Sempre curti carros utilitários com design meio antigo! Emmett não precisou se desfazer de Lucille, afinal, ela tinha vindo da ilha e já estava habituada ao lugar. Às vezes eu ria comigo mesma, passei a imitar meu marido, me referindo à velha pick-up vermelha como se ela fosse uma pessoa da família!
Numa manhã ensolarada e quente de julho, usamos nossas vagas na garagem do prédio e expomos móveis, eletrodomésticos, objetos de decoração e mais um monte de quinquilharias. O movimento era grande, as pessoas do bairro realmente curtiam um bazar... Mas o calor estava tão intenso, eu suava em bicas e parecia que o ar entrava quente em meus pulmões! Prendi os cabelos num coque alto, tomei muita água gelada, coca-cola gelada, limonada gelada, mas o mal estar só aumentava.
Passava das duas da tarde e o movimento de pessoas foi caindo conforme as melhores coisas iam sendo vendidas. Eu já agradecia aos céus porque o calor diminuía, embora meu mal estar não passasse. Num movimento rápido me levantei da cadeira e... pra que eu fiz isso? Vi tudo como num borrão, minha cabeça rodou, meus pés fraquejaram e não sei que treco me deu... Só lembro de meus anjinhos gritando meu nome e de braços fortes amparando minha queda...
BELLA!
Acordei sonolenta, acomodada no colo de Ed enquanto Emm jogava gotículas de água em meu rosto. Meus maridos tinham olhares de pânico e eu tentei sorrir para não lhes preocupar. Tentei sentir as partes de meu corpo, não percebi nenhum machucado... respirei fundo e não senti mais nenhum mal estar.
- Eu... eu já estou melhor...
- Amor, você passou uns dois minutos desacordada. – Emm ainda estava alarmado.
- Os piores minutos de nossas vidas! - Ed tinha voz turvada pelo medo.
- Amores... eu já estou bem. – olhei ao redor, os poucos clientes nos espiavam meio de longe – O bazar, meninos, - sussurrei – vamos continuar com ele, sim?
- Que se dane o bazar! Vamos agora pro hospital. – Ed falou decidido.
- Não, não, - choraminguei – eu juro que já estou bem. Foi o calor! Ta muito quente hoje... Se me sentir mal, eu aviso.
- Promete, Bella? – Emm inquiriu com seriedade.
- Prometo. Eu juro. – assegurei – Vou passar o restinho da tarde aqui sentadinha, - Ed levantou e eu tomei seu lugar – se sentir algo eu digo.
Meus maridos voltaram suas atenções para os clientes, mas sempre me olhavam, me estudavam e me ofereciam muito líquido. Quieta e sem ter muito o que fazer, comecei a cuidar das coisinhas que ainda faltavam ser vendidas, quando me deparei com um calendário numa gaveta do móvel que estava junto a mim. Estávamos no dia 23 de julho. Fiquei estática. Talvez o sangue tivesse caído para os pés, respirei fundo e pisquei os olhos várias vezes...
23 de julho. Fiz as contas, refiz... será, meu Deus!?

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Notas:
Não sei se vcs perceberam, mas aqui tivemos um avanço de tempo para que as coisas acelerassem um pouco.
Prox post será bonus d presente de natal para minhas keridas leitoras, ele vai ter os detalhes dessa viagem à NY do trio...
Ah, pra quem acompanha/acompanhou VCA teremos o ultimo bonus no natal, como um presente pra vcs!
Gente, meu twitter é AnnablueStein e vcs podem chegar lá p/ saber qndo teremos posts novos. Twitter d minha beta é MireVidi e ela me susbtituirá nas postagens sempre que necessário.
Já falei demais, bjs pra vcs!