Revelações
Passaram dois dias sem que Edward honrasse sua promessa de se reunir com Isabella, tudo o que ela queria era a oportunidade de falar com ele em particular. Todos os dias a Princesa tinha se levantado cedo pela manhã, mas ele já havia saído. E quando o Laird retornava tarde da noite, jantava sozinho e logo desaparecia, caminhando ao ar livre pela fazenda.
“Ele está me evitando ... Na certa eu sou um estorvo em sua vida”, a insegurança sempre batia à porta do coração de Isabella. E quando o Laird a via, das duas uma, ou a ignorava ou reclamava de algo que ela tinha feito de errado.
Isabella já estava convencida de que seu noivo a evitava deliberadamente, mas Alice a fez mudar de idéia. Na terceira manhã, a Princesa encontrou sua futura cunhada em companhia de outra mulher, as duas conversavam e sorriam animadamente no grande salão.
— Bom dia, Isabella! — Alice falou animada — Venha, junte- se a nós. — a Princesa atravessou o grande salão — Quero que você conheça Esme, ela é a parteira do Clã e esposa de Carlisle, o nosso médico.
— Bom dia, Princesa! — Esme fez uma mesura — Finalmente eu estou conhecendo a noiva de nosso Laird ...
— Bom dia ... É um prazer conhecê-la ... — Isabella tentou sorrir, mas seu semblante era meio triste.
— Oh-oh ... Algum problema, Isabella? — Alice se levantou da cadeira e afagou o ombro da amiga.
— É ... Edward ... Ah! Deixa pra lá, Alice, ele é um homem difícil mesmo ...
— O que foi que aquele cabeça dura fez agora? — Alice franziu o cenho.
— O problema é este: ele não fez nada. — Isabella suspirou — Há dias eu venho tentando ter uma conversa decente com ele, mas ele me evita ...
Isabella mirou os próprios pés e tentou reprimir o choro.
— Isabella, o nosso Laird não teve sequer um minuto de paz desde que Jasper foi raptado. — Esme falou docemente — Ele diz que não descansará até que encontre os responsáveis, ele tem saído todos os dias com seus homens procurando alguém que saiba de algo. E além disso faz três dias que chegaram notícias de que uns ladrões tinham roubado gado da fazenda dos MacAlister. Nosso Laird e seus homens se juntaram aos MacAlister e também saíram à procura desses delinqüentes. Não os encontraram até ontem… e como se não bastasse, ontem à noite houve uma briga entre Heckert o ferreiro e Edwin o açougueiro. Esses dois estão sempre batendo boca ...
Esme continuou conversando a respeito de vários incidentes que envolviam o Laird, e Isabella a escutou pacientemente. A Princesa até sentiu-se aliviada ao descobrir que ela não era a razão da ausência de seu noivo, mas também se sentia ansiosa por encontrar um momento para falar com ele. Isabella estava desesperada para revelar-lhe toda a verdade.
— Edward também tem outro motivo para se manter distante. — Alice sentenciou e atraiu a atenção das duas outras mulheres — Ele está apaixonado por você, Isabella. — a Princesa tentou negar — Ele está tão apaixonado que está assustado com o próprio sentimento. Quando Edward finalmente admitir o que sente, a convivência entre vocês será mais tranqüila.
Isabella assentiu e sorriu para a cunhada. Havia sinceridade e sabedoria nas palavras de Alice, pois Isabella podia entender o dilema do Laird. A paixão também era um sentimento novo para ela. E de repente, Isabella se deu conta de que podia confia em Alice e compartilhar com ela seus problemas.
A Princesa se sentiu melhor e pediu licença às duas mulheres porque queria passear pelo campo. Mas seu coração ainda estava apertado. Tudo o que ela queria era contar a verdade a Edward. Ela poderia ter contado tudo a Jasper e Alice, afinal eles também eram pessoas interessadas no assunto. Mas Edward era o Laird, o homem que a tinha acolhido, o homem que se casaria com ela, ele merecia ser o primeiro a saber da verdade.
Ela colocou de lado a preocupação com os sentimentos do noivo e pôs-se a pensar no pai. Será que o rei já o teria encarcerado? Oh Deus, ela rezou, por favor, mantenha-o a salvo. O Barão Charlie teria tido tempo de juntar seus vassalos, e se o tinha feito, brigaria contra os principais barões do rei e seus exércitos? Emmett tinha dito que assim que seu pai soubesse que Isabella ainda estava nas Highlands, se apressaria a ir à fazenda dos McCarty. Mas ela não tinha tido notícias deles. Se seu pai estava a salvo, por que ele não lhe tinha mandado notícias? Isabella não podia esperar mais tempo. No dia seguinte iria aos McCarty. Emmett conhecia seu pai, e talvez lhe desse alguma sugestão de como encontrá-lo. Para ela, tanto fazia que Edward lhe negasse a permissão para sair da propriedade porque ele não ia impedi-la.
Isabella andava de um lado para o outro enquanto formulava o plano de fuga. Gritos e saudações vindos do alto da colina lhe chamaram a atenção. Ela olhou para o topo. Várias pessoas — algumas anciãs, outras jovens — estavam reunidas debaixo da árvore onde recentemente ela se sentou com Embry para olhar o treinamento de Edward e seus soldados.
Um jovem que corria para reunir-se com os outros se deteve o tempo suficiente para fazer uma reverência a Isabella, logo se foi correndo enquanto um garotinho gritava.
— Jasper voltou para o treinamento hoje! Ele está se sentindo melhor que nunca!
A Princesa se sentiu feliz, afinal ela tinha ajudado a salvar a vida de Jasper! Algum tempo depois da caminhada, seu estômago rosnou, lhe recordando que já era meio-dia. Na cozinha, Sue havia lhe servido um caldo de carne, pão preto e alguns legumes cozidos. A comida parecia gostosa, mas a Princesa tinha pouco apetite. Emily tinha pedido encarecidamente a Isabella que comesse tudo, alegando que ela poderia ficar doente e Laird ficaria muito preocupado se isso acontecesse.
Após o almoço, ela procurou por Alice e Esme, mas Sue havia dito que sua cunhada estava em seus aposentos, amamentando a pequena Hannah e Lady Esme tinha ido socorrer uma jovem do Clã que estava prestes a dar a luz. Isabella resolveu caminhar novamente. Ela tinha quase chegado ao pátio quando uma mulher se aproximou por trás e tocou seu ombro.
— Lady Isabella?
Isabella se virou.
— Sim?
Antigamente, ela costumava sorrir facilmente, mas já não era tão espontânea. Desde que Isabella tinha experimentado na própria pele a crueldade do mundo, ela tinha aprendido a ser precavida e agora era cautelosa quando conhecia alguém.
— Não tive oportunidade de conhecê-la — disse a mulher — Meu nome é Irina, e venho do Clã Denalli. Casei-me recentemente e Devin meu marido, é um dos membros do Clã e um dos homens de confiança do Laird Cullen.
— É um prazer conhecê-la. — a resposta do Isabella foi educada, mas cautelosa.
Irina não sorriu. Ela era uma mulher robusta, de face corada, sardas e olhos verdes da cor da grama nova. Seu longo e ruivo cabelo encaracolado era sem dúvidas seu mais belo traço. Mas, seus olhos enviesados lhe davam um aspecto de falsidade.
— A esta altura, tenho certeza que a Princesa já sabe quem é minha prima.
— Não, não sei. Ela também está casada com um guerreiro Cullen?
Irina mostrou-se surpresa e arregalou os olhos, mas Isabella pôde ver através de sua simulação.
— O que você deseja me dizer? — perguntou Isabella.
— Minha prima Tanya foi comprometida em casamento ao Laird Cullen.
Se a intenção da mulher era chocar Isabella, ela alcançou seu objetivo. Mas Isabella se recuperou rapidamente.
— Não se esqueça de fazer chegar meus votos de felicidade à sua prima.
Irina arregalou os olhos.
— Sim … pode deixar.
Quando Isabella se afastou, Irina gritou:
— Logo você poderá conhecê-la. Tanya estará aqui em poucos dias.
Isabella fingiu não ouvi-la. Viu Jared esperando-a no pátio e se apressou para encontrá-lo.
— A Princesa está passando bem? — ela olhou pra ele sem entender — Seu rosto está vermelho, mas hoje o sol não está suficientemente forte a ponto de queimar sua pele.
— Foi o vento. — ela explicou e se surpreendeu ante o tom calmo de sua voz, porque por dentro ela estava fervendo de raiva — Por acaso você sabe onde está o Laird Cullen? — “Desejo matá-lo”, ela acrescentou mentalmente.
— Não, não sei. A Princesa gostaria que eu fosse a sua procura?
Ela negou com a cabeça.
— Não, vou deixá-lo viver um pouco mais.
Sua raiva era tanta, que ela não se deu conta de que tinha expressado seu pensamento em voz alta até que Jared pediu que repetisse.
— Mais tarde vou procurá-lo. — ela disse — “E então, o matarei.” — completou em pensamento.
— A Princesa gostaria de ir cavalgar esta tarde?
— Não, vou terminar meu bordado. É relaxante e me dá algo útil que fazer.
— Se não necessita de mim, irei ajudar Embry. Ele está fabricando flechas à maneira dos Cullen. As deles são muito mais longas e finas, o que permite alcançar maior distancia e mais velocidade. Deve experimentar uma, Princesa. Sei que ficará impressionada.
— Há tanta diferença assim?
— Vou pegar uma das minhas e uma das deles para lhe mostrar.
Pouco depois Jared entrou no salão levando duas flechas. Colocou-as sobre a mesa. Isabella acabava de comer uma fatia de pão preto com mel, empurrou seu prato para o lado e pegou a flecha Cullen nas mãos para perceber seu peso.
— A haste é mais fina, mas parece ser forte. Mas desconheço a cor das penas.
Sue escutou o comentário da Princesa e apressou-se a ir para a mesa para limpar os farelos de pão, inclinando-se sobre o ombro de Isabella, disse:
— Para mim parece que são penas de ganso.
A atenção delas se desviou para as escadas, Edward e Jasper entraram juntos no salão. Isabella deixou a flecha sobre a mesa e se virou para os irmãos.
— Temos boas notícias — disse Jasper — Sua roupa e muitas outras coisas chegarão dentro de pouco tempo. Há uma caravana conduzindo seus baús. Certamente não podem ser todos vestidos, podem?
Isabella estava confusa e dirigiu suas perguntas a Edward.
— Como isso é possível? Os criados de meu pai levaram minhas coisas de volta a Phoenix. Como é possível que agora estejam aqui?
— Seus baús vêm da abadia. — Edward explicou.
— Meu pai os mandou de volta? Você tem notícias dele? — o rosto dela se iluminou pela emoção.
Edward praguejou em pensamento, ele não queria entristecê-la.
— Não, não há notícias de seu pai.
Em um instante os olhos dela se encheram de lágrimas.
— Eu tinha esperanças…
Edward precisou agir rápido, ele não suportaria vê-la chorando. Com dois passos largos, ele chegou até ela e se sentou ao seu lado. Isabella piscou os olhos para conter as lágrimas e endireitou os ombros. Edward tocou em sua mão antes de falar.
— Talvez amanhã eu tenha notícias de seu pai.
— Talvez. — disse ela fracamente. “E talvez amanhã o sol se escureça também”, ela pensou.
Edward levantou o queixo dela com delicadeza.
— Emmett e eu estamos procurando por ele. Sei que é difícil, mas tenha paciência e não perca as esperanças.
— Ele ainda poderia estar em Phoenix.
Ele fez um gesto afirmativo com a cabeça.
— Enviei um mensageiro à Inglaterra.
— Você fez isso?
Ela estava tão surpreendida pela delicadeza dele, que não sabia o que dizer ou pensar. Tinha se equivocado ao julgá-lo tão cruel? Talvez ele não fosse tão ogro assim ...
Mas Isabella se lembrou de Tanya ... Então, seus os olhos cheios de lágrimas se estreitaram e ela franziu o cenho, Edward ficou perplexo.
E agora, qual era a queixa de sua noiva? Ele nunca a entenderia ...
Edward pensava que ela ficaria feliz ao saber que ele estava tentando encontrar seu pai. Sim, ela deveria estar feliz! Com certeza não deveria estar olhando para ele como se quisesse estrangulá-lo.
Isabella decidiu que esse não era o momento para falar a respeito de Tanya. Também precisaria de privacidade para tratar desse assunto delicado.
— Edward, você se lembra que te pedi um momento a sós? Precisamos conversar.
— Sim, eu lembro.
— Vou precisar de um tempo maior.
Jasper saudou Jared com a cabeça e logo foi para a mesa e se serviu de uma taça de água. Ele reparou nas flechas.
— O que fazem estas flechas aqui?
Jared respondeu.
— Eu queria mostrar as diferenças que há entre as duas. Princesa, se não se importa, agora irei ajudar Embry. — seu guarda fez uma reverência e saiu do salão.
Edward levantou da cadeira e pegou as duas flechas que estavam sobre a mesa.
— A quem pertence esta aqui? — ele perguntou.
— De que cor são as marcas das penas? — perguntou ela.
Edward girou a flecha em suas mãos examinando-a.
Pensando que não entendia o que queria dizer, ela aproximou-se dele, inclinou-se a seu lado e mostrou a cor que havia no centro de cada pena.
— Açafrão, vê? O açafrão é a cor de Jared.
— Por que a marca? — perguntou Jasper.
— Para saber a quem pertence. Às vezes, quando praticamos, nossas flechas ficam tão juntas no alvo, que a única forma de saber quem atingiu o centro é pela cor.
— Você sabe usar um arco? — perguntou Edward.
— Sim, sei. Nem sempre pratico com meus guardas, só algumas vezes. Se me desculparem, eu gostaria de subir para meu quarto e terminar meu bordado.
Ela estava a meio caminho quando Edward lhe ordenou que parasse.
— Com que cor Embry marca suas flechas?
— Vermelho.
— Paul?
— Verde.
— E Samuel?
— Púrpura.
— E as suas? — ele perguntou.
— Azul. Marco as minhas com azul.
Edward ficou olhando as escadas por um longo tempo depois que ela se foi. Em seguida, ele foi até o suporte de pedra da lareira e pegou a flecha quebrada que tinha extraído do homem morto em Finney’s Flat.
A marca da flecha quebrada era azul.
Edward tinha a prova em suas mãos, mas mesmo assim não podia acreditar. Seria possível? Será que Isabella tinha estado em Finney’s Flat e testemunhado o rapto de sei irmão?
Sua doce, linda e delicada Isabella pegara uma de suas flechas, tensionara seu arco, e acertado o peito daquele bastardo?
Não, ela não poderia ter feito isso. Sua Isabella não tinha estômago para matar.
Entretanto a prova estava em suas mãos ...
— Edward, o que há de errado com você? — perguntou Jasper — Você está olhando fixamente para essa flecha quebrada há muito tempo.
Os pensamentos de Edward galoparam e ele não respondeu a seu irmão. O Laird se lembrou que quando tinha pressionado o sacerdote para que lhe dissesse como Jasper tinha chegado à abadia, Isabella tinha ficado muito nervosa.
Ela estivera ali … e também seus guardas. Samuel ou algum dos outros poderia ter usado uma de suas flechas para matar o homem? Sim, é isso! Isabella não teria coragem para tirar a vida de alguém.
Rapidamente, ele avançou pelas escadas em direção ao quarto da noiva e bateu na porta com impaciência.
— Isabella, preciso falar com você. Posso entrar?
A Princesa se sobressaltou. O que seu noivo queria falar de tão urgente? Ela que estivera se consumindo com o “assunto Tanya”, reprimiu o choro e falou com a voz embargada.
— Sim, pode entrar.
Ela tentou se recompor e logo voltou sua atenção para Edward. Ele tinha o cenho franzido e suas duas mãos estavam atrás de seu corpo.
— Deseja falar comigo? — ela perguntou.
Entretanto, todas as palavras fugiram da mente do Laird quando ele mirou o rosto da noiva. “Ela esteve chorando ... O que foi agora? Deve ser por causa de seu pai”
Sem que a Princesa percebesse, Edward colocou a flecha sobre uma mesinha e sentou no banco ao seu lado.
— Isabella, não fique assim ... eu imagino o quanto você sente a falta de seu pai. Mas eu juro que vou encontrá-lo. — ele ergueu o rosto da noiva com delicadeza e olhou em seus olhos castanhos — Vamos minha Princesa, sorria! Seu pai não queria lhe ver assim ...
Isabella sentiu seu coração se aquecer ao perceber que seu noivo se importava com seus sentimentos. Além disso, ela ficou encantada quando ele a chamou ‘minha princesa’ ... Mas havia Tanya ...
— Edward, por favor ... — ela se lamentou — Não fale assim ...
O Laird estreitou os olhos, ele se enfureceu de repente, afinal, sua noiva era uma pessoa muito difícil de entender. Ele fechou os olhou, segurou a ponte do nariz e inspirou profundamente antes de falar.
— Isabella, por Deus, o que foi agora?
Ela se empertigou.
— O que foi? Hoje eu fiquei sabendo de Tanya, sua outra noiva! — ela falou exasperada.
Edward abriu os olhos de repente e arqueou as sobrancelhas.
— O que foi? O gato comeu sua língua? Você não vai falar nada? Até quando você iria me enganar, Edward ... — a voz dela ficou embargada — No final das contas, você nem iria se casar comigo, não é?
Ele se levantou num salto e falou com aspereza.
— Não admito que você duvide de minha palavra.
Ela se levantou também e o encarou com fúria.
— Não admito ser tratada como uma idiota.
Os dois ficaram se encarando por alguns segundos ... A tensão no ar era palpável. Por fim, Edward percebeu que cabia a ele corrigir aquele mal entendido. Com as duas mãos, ele envolveu os ombros de Isabella e falou.
— Que fique claro uma coisa: eu não minto. — as palavras dele surtiram pouco efeito no semblante da noiva — Tanya era filha do Laird Denalli, nós ficamos noivos há alguns anos atrás. Cerca de dois meses antes de nosso casamento, ela fugiu com um Barão inglês, cobriu seu pai de vergonha e me livrou de um mau casamento. Só isso. — quando ela tentou interromper, ele continuou — Pouco tempo depois de casada, ela ficou viúva. Isso é tudo o que eu sei dela, há anos não nos vemos.
Isabella viu sinceridade nos orbes verdes do noivo e pouco a pouco ela foi relaxando, instintivamente, suas mãos pousaram sobre o peito másculo de Edward.
— Mas ... mas, Irina ...
— Quem é Irina? — Edward perguntou e sem perceber, suas mãos desceram dos ombros dela até sua fina cintura, puxando o corpo da noiva para si.
— Ela disse que é prima de Tanya e esposa de Devin, um de seus homens de confiança. Ela também disse que Tanya virá ao nosso Clã daqui a alguns dias.
— Essa Irina está mentindo. — Edward sentiu o coração se aquecer quando percebeu que Isabella disse nosso Clã — Meus homens de confiança são Jasper e Seth, os outros são bons guerreiros apenas ... E quanto a Tanya vir ao Clã, eu não posso impedi-la de visitar a prima, mas ela não será bem vinda em nosso castelo, Isabella.
O coração da Princesa se aqueceu novamente quando ele falou ‘nosso castelo’, rapidamente o assunto Tanya havia sido superado. Edward pegou o rosto dela com ambas as mãos e se inclinou para beijá-la levemente nos lábios. E como sempre, o Laird não conseguiu se conter, o beijo se aprofundou quando Isabella deu-lhe passagem. As línguas se encontraram avidamente, a Princesa ficou na ponta dos pés e suas mãos se enroscaram nos cabelos cor de bronze do noivo. Cedo demais, Edward interrompeu o beijo. Seu membro viril estava rígido de tanto desejo por Isabella, aliás, eles estavam no quarto dela, a meio metro de sua cama. Edward não queria macular sua noiva ... precisava esperar até o casamento.
“Inferno” ele pensou e separou seus corpos.
— Não duvide de meu respeito e de meu compromisso com você, Isabella. — os rostos de ambos estavam muito perto, ela sentiu seu hálito quente e constatou que sua voz rouca era muito sedutora — Em minha vida só existe você.
— Não duvido ... — a voz dela não passou de um sussurro.
Edward respirou profundamente várias vezes, recobrou a razão e se lembrou do motivo da visita, com um sinal, pediu que ela se sentasse novamente.
— Eu tenho algo que para lhe mostrar. — ele pegou a flecha quebrada e esperava uma reação imediata dela, mas ela só se mostrou ligeiramente curiosa. — Reconhece isto Isabella?
Ela se inclinou um pouco, viu as marcas, e disse:
— É uma de minhas flechas.
— E está quebrada.
— Posso ver que está quebrada. — concordou — Onde a encontrou? Não cacei com arco e flecha desde que cheguei aqui.
— Encontrei-a em Finney’s Flat.
— Em Finney’s… — ela arregalou os olhos — Disse em Finney’s Flat?
— Quer saber exatamente onde e quando a encontrei?
Isso ela já sabia, suas pernas tremeram e ela agradeceu por estar sentada. Edward continuou.
— Esta é a flecha que tirei do homem morto em Finney’s Flat, o homem que estava estendido no chão junto ao buraco que os bastardos tinham cavado para enterrar Jasper.
Isabella olhou para ele desesperada e disse:
— Eu já lhe disse que é minha flecha, Edward ...
— Agora quero que responda minhas perguntas sem hesitação — ordenou Edward. — Estava em Finney’s Flat naquele dia?
— Sim.
— Quando Jasper foi feito prisioneiro?
A impaciência deixou a voz dela aguda.
— Pelo amor de Deus, Edward! Sim, eu estive ali quando Jasper estava para ser enterrado vivo.
— Qual de seus guardas matou o bastardo com sua flecha?
— Nenhum deles. Eu o matei.
Ela viu Edward arregalar os olhos, inclinou-se em sua direção e despejou de uma vez:
— O homem realmente merecia ser morto!
Edward passou os dedos pelo cabelo, agitado.
— Todo este tempo estive tentando descobrir… por que em nome de Deus você não me disse? — ele sacudiu a cabeça em uma vã tentativa de esclarecer as idéias — Algum dia, você iria me dizer a verdade?
— Eu estive tentando. Pedi-te várias vezes que me dedicasse um momento de seu tempo.
— Há uma grande diferença entre pedir docemente um pouco de meu tempo e me dizer que o assunto é de suma importância.
Ela se irritou e cravou o dedo em seu peito.
— Como eu ia saber quais eram a palavras mágicas que devia usar para chamar sua atenção?
Os dois estavam falando muito alto, Samuel, que já estava na porta do quarto de sua Princesa, quando soube que o noivo estava lá com ela, não hesitou e abriu a porta num rompante. Mas ele escolheu um momento inoportuno para isso.
— Há algum problema, Princesa?
Ela não lhe respondeu. Edward o fez:
— Pode apostar que sim.
Isabella se virou para Samuel.
— Ele já sabe. — ela disse com um suspiro.
— Ah! — seu guarda olhou para Edward por um momento e perguntou a ela — A Princesa contou a ele?
— Ele deduziu. Era minha flecha, Samuel. Esquecemos de tirá-la.
— A flecha. É obvio! Nem cheguei a pensar nas marcas. Não posso acreditar que tenha sido tão descuidado.
— Você estava ocupado tirando Jasper do meio do campo de batalha. Não se culpe. Edward estava destinado a descobrir com o tempo, e eu já tinha decidido que era hora de lhe dizer a verdade.
Edward olhou para os dois com ceticismo.
— E por que mantiveram isto em segredo?
Foi Samuel que respondeu.
— Não sabíamos quem eram os homens nem de onde vinham, e por isso não sabíamos das conseqüências da morte de um deles.
— Você estava preocupado por que você matou o homem? — perguntou Edward a Samuel.
— Não, porque que eu matei o homem. — respondeu Isabella.
— Isso é verdade? — Edward perguntou a Samuel.
— Sim — Samuel disse com orgulho — A Princesa Isabella tem mais pontaria com o arco que nós. Não havia tempo a perder nem para considerar as conseqüências. O covarde tinha levantado a espada e tinha a intenção de partir Jasper ao meio. Ela o deteve, foi uma morte limpa e rápida. — disse Samuel, fazendo um gesto de assentimento com a cabeça.
Isabella observou atentamente o rosto de Edward enquanto refletia sobre o que Samuel estava lhe dizendo. O que ele pensaria dela agora? Desde que a tinha conhecido, tinha passado de uma prostituta a uma assassina a sangue frio. Que encantadoras palavras para descrever a mulher com que ia se casar!
Edward pôs as mãos nos ombros de Isabella e a forçou a permanecer de pé frente a ele.
— Quero que me explique tudo o que aconteceu. E quando terminar, Samuel me dará sua versão.
Isabella se sentiu aliviada de finalmente poder deixar tudo vir à tona. Rapidamente falou tudo, começando com seu objetivo de ver Finney’s Flat.
— Quando nos aproximamos da clareira, ouvimos vozes, por isso nos escondemos sem anunciar nossa presença.
— Viu algum dos rostos?
— Ao princípio não. Usavam túnicas com capuzes. Mas dois deles tiraram os capuzes, e então os vimos.
— E sabe os seus nomes?
— Sim, estavam discutindo entre eles, e usavam seus nomes, mas não ouvimos os nomes de nenhum Clã nem sobrenomes. O nome do líder era Gordon. Era o homem que matei.
— Por que discutiam?
— Queriam que Jasper despertasse para que soubesse que estava sendo enterrado vivo, e discutiam sobre como deviam pô-lo no buraco.
— Mas não o iriam enterrar até que vissem o senhor no topo da montanha, Laird — interveio Samuel.
Edward entrelaçou as mãos atrás das costas e caminhou pelo quarto. Ficou olhando fixamente pela janela, mergulhado profundamente em seus pensamentos.
— Disseram por que queriam me ver ali?
— Sim, Laird. — respondeu Samuel — Jasper era uma isca. Estavam usando seu irmão para apanhar o senhor.
Edward jurou que encontraria os bastardos que armaram aquela emboscada. Não importava quanto tempo levasse, um ano, dez ou uma eternidade, seguiria caçando-os até que tivesse matado até o último deles. E antes de morrerem, diriam o nome do homem que deu-lhes as ordens, já que certamente um ataque tão deliberado, cometido por estranhos, tinha sido planejado por alguém com algo a ganhar. Por tudo o que era sagrado, haveria justiça.
Mas da maneira como as coisas se desenrolaram, no decorrer daqueles dias, Edward não teve que caçá-los. Os infelizes vieram a ele.
Depois que Samuel e Isabella relataram o que tinham ouvido em Finney’s Flat, Edward levou Isabella até o grande salão onde Jasper estava e mandou Sue chamar Alice. A verdade finalmente foi revelada à família Cullen.
Jasper andava de um lado para o outro e praguejava:
— Ouviu o que disse Samuel. Falavam nossa língua, mas o sotaque era diferente, mais gutural. Devem ter vindo das Lowlands ou da fronteira. Queriam me enterrar vivo? Me partir ao meio? Filhos de puta! — a ira de Jasper e sua impaciência se refletiam em cada uma de suas palavras.
Com os braços cruzados, Edward permanecia quieto. Permitiu que seu irmão expressasse sua fúria até que Jasper começou a descrever como acreditava que devia morrer cada um de seus atacantes.
— Isabella e Alice não precisam escutar isto, Jasper.
— Sofrerão. Juro Por Deus, que gritarão pedindo piedade — jurou solenemente.
Depois de esgotar todo seu estoque de blasfêmias, Jasper se deixou cair em uma cadeira.
— Você sabe que os encontraremos. — disse Edward.
— Sim. — respondeu Jasper. — Sei.
Com o temperamento finalmente sob controle, os dois irmãos começaram a formular planos.
Isabella estava feliz, mas também se sentia aliviada porque finalmente tinha contado a verdade. Ela sentou-se ao lado do noivo, recostou-se contra seu peito musculoso e relaxou. A terrível carga tinha sido dissipada e passada a ele. Ela não tinha dúvidas de que Edward encontraria aos homens que tinham ferido a Jasper e em seu coração agradecia a Deus por ter impedido a morte de seu cunhado.
Quando Edward deixou que Samuel retornasse, ele achou que poderia finalmente externar sua gratidão à sua noiva.
— Isabella… — começou.
Sue os interrompeu.
— Peço que me perdoe, Laird, mas ela está aqui. Se não tiver tempo agora, posso mandá-la esperar.
Atrás de Sue havia outro criado.
— O elevador de carga está quebrado, e os homens não podem subir as pedras grandes até o topo. Acho que o Laird deveria dar uma olhada.
Edward assentiu.
— Estarei lá em um momento, Eleazar.
Isabella observou que Sue meio que arrastava, meio que empurrava sua filha Leah, ela estava de cabeça baixa. Edward dispensou Sue e ordenou que Leah falasse.
—Gostaria de passar uns tempos na casa de minha tia Rebecca.
— Por que Leah? Alguma coisa aqui em nosso Clã tem lhe desagradado?
Leah suspirou pesadamente antes de falar.
— Não meu Laird.
— E sua tia Rebecca mora no Clã Clearwater, não é?
— Sim, senhor ...
— Leah, você sabe que não poderá ver seus pais com tanta freqüência. Não lhe passou pela cabeça que sua mãe sentirá sua falta?
— Ela já entendeu minhas razões, senhor?
— Tudo bem. Alguns dias de descanso lhe farão bem, pode ir.
— Obrigada, meu Laird. — com uma mesura, Leah se despediu de todos e saiu da sala.
— Peço que me perdoe, Laird, mas a respeito do elevador de carga… — disse Eleazar, que tinha estado esperando pacientemente.
— Já vou. — respondeu Edward.
Jasper e Alice se levantaram da cadeira e se aproximaram de Isabella. Edward estava se dirigindo para as escadas, mas se deteve quando presenciou o abraço coletivo que Jasper e Alice deram em Isabella. Ele sorriu levemente e ficou emocionado com a cena. Mesmo assim, Edward sentiu ciúmes. Ele não queria que nenhum homem tocasse em sua noiva, nem mesmo seu irmão. Mas o Laird ciumento respirou fundo, afinal o abraço tinha sido rápido e a esposa de seu irmão estava bem ali, do lado deles. Mesmo assim ... ele não gostou.
Ele sentiu a necessidade de expressar sua gratidão também, girou em seus calcanhares, agarrou a noiva e a envolveu com seus braços. Começou a dizer algo, logo mudou de opinião e em troca a beijou. Sua boca tomou posse absoluta da dela, em um beijo que estava destinado a derreter qualquer resistência que ela poderia ter.
Cada beijo era mais maravilhoso que o anterior, mas o que acontecia depois continuava igual. Edward se apartou dela rapidamente, deixando-a deslumbrada. Isabella o olhou fixamente enquanto ele desaparecia de vista. Pensou que nunca chegaria a entendê-lo.
Depois de tantas emoções, ela decidiu tomar um pouco de ar fresco e caminhou para os estábulos para passar um pouco de tempo com Rogue. Logo foi em busca de Embry e Jared. Encontrou-os sentados no topo de uma colina atrás da torre do castelo, trabalhando com suas flechas. Jared estava usando um pedaço de pano para besuntar a haste de uma flecha enquanto Embry adicionava penas a outra. Sentou-se junto a Embry e o ajudou com as penas. Os dois homens falavam em sua língua materna, e ela os escutou enquanto Embry contava a Jared que Edward já sabia que tinham estado em Finney’s Flat. Depois de passar uma prazerosa hora, Isabella perguntou aos dois guardas se cavalgariam com ela para fora da propriedade. Jared queria continuar trabalhando, assim Embry selou dois cavalos para eles.
Isabella se deu conta de que Rogue estava ansioso por correr. Assim que estiveram fora das muralhas da fortaleza, virou para o norte, indicou-lhe a direção, e o deixou correr até o topo da primeira colina, logo diminuiu o passo e saiu a campo aberto cavalgando junto a Embry.
— Devemos voltar? — perguntou Embry depois de alguns poucos minutos — A caravana com seus baús deve chegar logo. Pergunto-me se o abade lembrou de enviar a estátua de St. Noah. O padre Erick irá querer colocá-la à frente da capela.
— A capela ainda não existe. — disse ela — Podemos pô-la no depósito até que se construa uma.
— Possivelmente algum dia seu pai mandará a estátua maior de nosso santo, a que está no pátio de fora do quarto de sua mãe. Foi um presente de seu avô antes que ela partisse de St. Noah. — uma fugaz expressão de tristeza passou por seus olhos quando ele acrescentou — Nesta época do ano, dever haver neve nas montanhas de St. Noah.
Isabella podia ver que o guarda estava ficando nostálgico e possivelmente tinha um pouco de saudades de casa, e sentiu uma pontada de culpa por arrastá-lo ainda mais longe de sua terra natal.
— Penso que você retornará logo. — ela disse.
Ele sorriu.
— Isso é o que Samuel diz, mas a Princesa deve estar casada antes que eu vá…
— E você deve saber que estarei a salvo.
— Já confiamos que o Laird não deixará acontecer nada de mau com a nossa Princesa.
— Então logo, logo você estará se queixando do frio cruel e da neve.
Ele sorriu e assentiu.
— Logo.
Cavalgaram até o alto das colinas e continuaram para um cume que se levantava sobre Finney’s Flat. Isabella sabia que os sentinelas não permitiriam que ela fosse mais longe. Diminuiu a marcha para tomar a curva que havia no caminho. Rodearam uma colina e repentinamente Isabella deu um forte puxão nas rédeas de Rogue. Uma comitiva vinha em sua direção. A um passo de distância havia três carretas estreitas carregadas de baús e pacotes, guiadas por uma meia dúzia de homens a cavalo.
— Oh, Deus! — ela sussurrou.
Antes que Embry pudesse lhe perguntar o que acontecia, ela puxou as rédeas para que Rogue desse a volta e o esporeou para que galopasse.
Embry saiu apressado em acompanhá-la. Quando quase tinham chegado novamente às muralhas do castelo, gritou-lhe:
— Princesa, o que aconteceu?
— Esses homens … estão aqui. Não posso acreditar no que meus olhos viram. Chame os outros. Se apresse, Embry.
Quando chegaram aos estábulos, Isabella saltou do cavalo e entregou as rédeas de Rogue a um tratador. Se estivesse mais tranqüila teria cavalgado até o pátio, mas em vez disso correu até lá. As perguntas afluíam rapidamente a sua mente. Devia assegurar-se. Eram estes os mesmos homens? E se eram, o que estavam fazendo na propriedade Cullen? Aquilo não tinha nenhum sentido.
Isabella devia estar segura antes de condená-los. Embry não os tinha reconhecido porque ficou com os cavalos no bosque, mas os outros tinham ido com ela até a clareira de Finney’s Flat. Tinham visto alguns dos homens, mas não tão claramente como ela. Se apenas pudesse ouvi-los falar, então poderia ter a certeza. Reconheceria suas vozes.
Embry chamou os outros guardas com dois longos assobios. Samuel estava instruindo os jovens guerreiros Cullen e acabava de colocar uma flecha no arco quando escutou os assobios. Sem dar nenhuma explicação, deixou cair o arco e a flecha e saiu correndo. Paul estava a ponto de mostrar a um soldado como usar o sistema de alavancas contra um oponente em um combate corpo a corpo. Quando ouviu os assobios, jogou o jovem no chão e saltou sobre ele em seu caminho para o som. Quando Samuel e Paul chegaram, Jared e Embry já estavam com Isabella. Com seus guardas rodeando-a, narrou o que tinha visto.
Samuel estava de acordo que deviam assegurar-se antes de dizer ao Laird.
— Seriam uns idiotas ao vir aqui. — disse Jared.
— Isso é exatamente o que eu estava pensando. — disse ela.
— Mas Princesa, por que teriam medo de vir aqui? Não sabem que os vimos. — assinalou Paul.
— Algum de vocês viu seus rostos com clareza? — perguntou ela.
— Eu não os vi. Fiquei com os cavalos — disse Embry.
— Eu não vi a todos. — respondeu Samuel.
— Não sei se poderia recordar seus rostos. — admitiu Jared.
— A Princesa viu a todos e se lembrará deles. — disse Paul — Confie em seu julgamento. — ele disse a Isabella.
— Quando escutar suas vozes, terei segurança em acusá-los ou não.
O som de cascos de cavalos atravessando a ponte levadiça e captou a atenção deles. A caravana tinha chegado. Os sentinelas os detiveram na porta. Só os cavalos que puxavam as carroças puderam entrar, os homens que montavam seus próprios cavalos receberam ordens de deixá-los fora das muralhas e caminharam o resto do caminho. Os homens entraram na frente das carroças e subiram a encosta em direção a Isabella e seus guardas. Quanto mais se aproximavam, mais acelerava o coração de Isabella. Quando estavam perto o suficiente para que pudesse ver seus rostos claramente, o medo se apoderou dela.
Sem saber que foram a caminho de sua perdição, os homens riam e falavam entre eles. Isabella pôde escutar suas vozes, mas já certeza: eram os mesmos homens.
Samuel não tirou os olhos deles enquanto perguntava:
— Princesa?
— Sim, agora tenho certeza segura. São eles. — ela sussurrou.
Os guardas se aproximaram dela de forma protetora.
— Embry, vá procurar o Laird. — ela ordenou.
— Essa é ela? — perguntou um dos homens.
— Disseram-nos que tem o cabelo castanho-avermelhado e que é muito bonita. — disse outro — Se esses homens saíssem da frente dela, eu poderia vê-la bem.
— Não podemos entregar os baús até que estejamos seguros de que é ela.
Um dos homens baixou a voz para dizer sussurrando:
— Vamos terminar rápido com isso. Não quero ficar para conhecer o Laird Cullen.
Edward estava trabalhando com o cortador de pedras no elevador de carga que havia ao lado da torre do castelo. Quando Embry o chamou, estava dobrando a esquina com uma corda desfiada nas mãos.
Os visitantes formaram uma linha em frente à primeira carreta. O mais alto deu um passo à frente e com atitude presunçosa anunciou:
— Trouxemos os baús de Lady Isabella. Os deixaremos se nos confirmarem que essa mulher é ela. — apontou para Isabella.
Ninguém lhe respondeu.
Edward se aproximou de Isabella, passou braço por sua cintura e perguntou.
— O que está acontecendo?
Sua proximidade devolveu as forças dela, mas ela não pôde evitar que sua mão tremesse quando lhe tocou o braço.
— Eu gostaria que você conhecesse os homens que trouxeram minhas coisas. — ela deu um passo, mas Edward e Samuel impedirau que desse outro — Eu sou Lady Isabella.
O porta-voz olhou nervoso para o Laird Cullen, enquanto dizia a Isabella:
— Então estes são seus baús.
— Sim, são.
— Os trouxemos da abadia. — o homem engoliu em seco.
Isabella se esticou para sussurrar no ouvido de Edward.
— Estes homens lhe interessam.
Edward os olhou sem entender nada.
— Por que? — ele perguntou.
Ela deu as costas para os traidores, olhou nos olhos do noivo e sussurrou:
— São eles, Edward! São os homens que emboscaram Jasper em Finney’s Flat.