Para Sempre
POV EDWARD
- Estamos em casa, finalmente.
A voz de minha esposa saiu como um sussurrou e estava embargada pela emoção... Nossos lábios se encontraram num beijo cálido, mas solene e cheio de significados... Sim, estávamos em casa... A nossa querida Mansão Cullen...
Num gesto que demonstrava todo o carinho e consideração de nossos amigos, os veículos que lideravam nosso pequeno comboio deram passagem ao nosso e assim que o imenso e centenário portão de ferro foi aberto, nosso veículo entrou. Uma de minhas mãos envolvia o pequeno corpo de Thomas (ele estava no meu colo) e segurava na mãozinha de Anthony que estava no colo da mãe. Minha outra mão segurava firmemente a mão de minha esposa... Meu coração batia acelerado e sei que o de Bella também estava a mil. Olhei nos olhos chocolates de minha esposa, sorri para ela e lhe disse a frase que guardei especialmente para este dia.
- Seja bem vinda ao lar, Sra. Cullen...
Bella sorriu, seu lábios tremeram um pouco e eu pude me ver refletido no marejar de seus olhos. Ela suspirou e descansou a cabeça em meu ombro enquanto o carro percorria o caminho principal do jardim.
Nosso jardim estava lindo, tão lindo como sempre foi!
No primeiro jardim a grama verde e os canteiros de flores já davam sinais de vida, espalhando sua beleza e cor. As árvores ainda não tinham se recuperado plenamente do inverno e exibiam um emaranhado de galhos secos, porém, logo, logo tudo aquilo estaria verde. Não me passou despercebido que a casinha onde ficam as ferramentas de jardinagem estava pintada de branco, como sempre foi. O carro avançou pelo jardim e subimos a pequena rampa de acesso ao segundo jardim que ficava ao redor da casa. Fiquei feliz por ver que as discretas câmeras de segurança captaram nossa chegada e se moveram minimamente conforme o carro seguia. Mas quando paramos em frente à mansão, minha mão apertou a de Bella com mais força, percebi que minha garganta se fechava e que lágrimas escorriam em minha face. Baixei o olhar e vi que Bella chorava, mas tentava disfarçar para não assustar os meninos.
Meus músculos estavam travados e acredito que os da minha esposa também estavam. Os outros carros também pararam e acho que todo mundo esperava que a gente saísse e como não nos mexemos, Lupi e Lilian vieram até nós.
- Vamos, vamos Anthony e Thomas! – Lilian já abria a porta do carro e pegava os dois meninos do nosso colo, dizendo-lhes as palavrinhas mágicas – Vamos passear?! - imediatamente os dois meninos sorriram e jogaram seus bracinhos para a babá e a vovó postiça.
Assim que me vi sozinho com Bella, ignorando a presença dos seguranças, virei meu corpo para ficar de frente para ela, segurei seu rosto em minhas mãos e me perdi, novamente, no chocolate de seus olhos. Aqueles olhos estavam embaçados pelas lágrimas, mas ainda eram lindos, gloriosos, quentes e gentis para mim, beijei cada um deles, bebendo as lágrimas de minha esposa, respirando seu doce perfume e sorrindo contra sua pele.
- Amor, hoje é um dia muito feliz para mim. – afastei um pouco o seu rosto para poder continuar olhando em seus olhos – Há pouco mais de dois anos, quando... – engoli em seco - quando estávamos fugindo daqui, em direção à fazenda dos pais de Alice, eu te fiz uma promessa. – respirei fundo – Eu disse que a gente ia voltar, Bella. – ela assentiu minimamente e esboçou um sorriso – Eu, você e os nossos pequenos Cullen! – seu sorriso se alargou, me fazendo sorrir também – O mais incrível é que na época, Anthony e Thomas já estavam aí dentro. – toquei em seu ventre e a abracei, sussurrando ao seu ouvido – Não vejo a hora de encher esta casa com mais herdeiros Cullen! Reitero minha promessa, meu amor: seremos muito felizes aqui...
Assim que desfizemos o abraço, ela envolveu meu rosto em suas mãos e começou a beijá-lo, me fazendo sorrir.
- Não sei se você lembra o que eu te disse na época, amor. – ela parou de me beijar e me olhou nos olhos – Mas eu te disse que o lugar é só geografia! – ela respirou fundo e olhou ao redor - A minha felicidade está em você, Edward... Meu destino é você... Eu te amo, Sr. Cullen!
Beijei minha esposa mais uma vez, uma de minhas mãos se enroscou em seus cabelos e a outra desceu até sua cintura, trazendo-a para mim. Suas mãos se prenderam em meus cabelos, puxando-me para ela com ânsia e carinho... Nossas línguas dançavam em harmonia, trocando carinho e calor. Meu coração galopava e em meu corpo, aquela já conhecida corrente elétrica passeava, me deixando em alerta, me dizendo que eu estava beijando a mulher da minha vida. Cedo demais interrompemos o beijo porque o ar nos faltou e porque uma certa pessoa, que atende pelo nome de EMMETT, veio até o carro e começou a bater no vidro insistentemente. Olhei para ele com um olhar mortal, ele fez cara de inocente e sorriu.
- Aê mano, se vocês vão ficar de ‘nhem, nhem, nhem’ o dia todo, é melhor procurar um dos duzentos quartos da mansão...
A vontade de estirar o dedo médio para meu padrinho era grande, mas me contive! Bella fez uma caretinha para ele antes de me puxar para fora do carro.
Caminhamos de mãos dadas em direção à nossa casa, nosso destino... E assim que nos vi na soleira da porta principal, contemplamos a imagem do Brasão Cullen, cravado sobre a antiga porta de carvalho. Estendi a mão na tentativa de tocá-lo e suspirei antes de repetir para Bella as mesmas palavras que meu pai e o pai de meu pai disseram a suas esposas sobre nossa família.
- Aquela mão, é a mão de Deus sobre o leão, - toquei na mão de Bella, beijando-a com reverência – e significa que Ele quer que o leão sempre haja com de lealdade, sinceridade e justiça. O leão somos nós, os Cullen, uma família que demonstra coragem sem medida nas horas de adversidade. E as três folhas de trevo que estão sob o leão, significam um caminho de perpetuidade, longevidade, fé...
Virei meu corpo para ficar de frente para Bella, abracei-a com carinho e colei nossas testas.
- Bella, eu desejo que a nova família Cullen cresça e se fortaleza tendo como exemplo o significado deste brasão. – rocei meu nariz no dela, num beijinho de esquimó – Que os nossos filhos vejam neste brasão não apenas um bonito escudo, mas que principalmente eles percebam no caráter de seus pais o significado deste brasão...
- Para sempre... – ela falou emocionada – Toi et moi... Eu e você... e nossos filhos!
E enquanto Bella tentava me abraçar, fui mais rápido que ela! Num único gesto de mãos, coloquei-a no colo e dei um leve chute na porta, abrindo-a para nós. Meu olhar se prendeu ao dela e mesmo nossa conexão sendo perfeita, não teve como não ouvirmos os aplausos e as risadas de nossos amigos e os estridentes assovios de Emmett, claro. Bella corou, eu sorri para ela... atravessamos a soleira da porta, entramos no hall da nossa casa...
Assim que coloquei Bella no chão, uma música imaginária ecoou em meus ouvidos e eu comecei a bailar com minha esposa pelo hall ainda vazio da mansão. Enrosquei um de meus braços na cintura dela, trouxe sua outra mão para pousar sobre meu coração e nos imaginei num baile... Sorrimos, nessa hora a emoção veio com tudo, foi como se eu pudesse ver Carlisle e Esme girando, bailando ao nosso lado.
- Você está muito linda hoje, Sra. Cullen! – sussurrei enquanto nos girava e imaginava minha esposa usando um longo vestido de baile – E se já não fôssemos casados, eu iria me jogar a seus pés todos os dias da minha vida, implorando para que você viesse ser a rainha em meu castelo...
Ela sorriu mais ainda antes de responder.
- E quantas vezes você me pedisse em casamento, Sr. Cullen, eu diria SIM... Mil vezes sim! Para sempre!
Noutro beijo carinhoso e apaixonado, selamos nosso amor eterno tendo como testemunhas os nossos amigos e filhos. Ofegantes, giramos nossos corpos para ele e sorrimos, Bella estava lindamente corada, quando disse:
- Por favor, entrem! – ela fez um gesto de mãos – Sejam bem vindos à Mansão Cullen!
Lilian e Lupi fizeram um gesto muito bonito, elas colocaram os meninos no chão e eles entraram primeiro que todo mundo. Seus passinhos apressados e curtos e seus sorrisos inocentes e meigos para mim e para Bella foram uma coisa muito linda de se ver. Nossos pequenos se jogaram em nós, eu peguei Anthony, Bella pegou Thomas, nós os giramos no ar e dissemos para eles muitas palavras de boas vindas! O imenso lustre de cristal que estava no teto prendeu a atenção dos meninos e quando percebemos as outras pessoas já estavam ao nosso redor. Rose e Emmett, Alice e Jasper, Will, Lilian e Lupi nos cercaram e aquilo tudo virou um abraço coletivo...
Foi a agitação dos meninos que desfez o nosso abraço, eu e Bella olhamos para o relógio e percebemos que eles deveriam estar com fome. Rose deve ter lido nosso pensamento quando falou:
- Bella, eu tomei a liberdade de fazer algumas compras no supermercado. – ela sorriu gentilmente – Espero que tenha comprado as coisas certas...
- Ah, não se preocupe, Rose, tenho certeza que você fez o melhor. – Bella afagou seu braço e olhou para os demais – Venham todos, vou fazer um cafezinho para nós.
Atravessamos o hall e quando chegamos ao living room, percebi que os móveis que deveriam compor o hall estavam amontoados naquela sala, ao lado dos sofás.
- Os caras da limpeza tiveram algumas dúvidas... – Emmett suspirou – Essa casa é muito grande e tem muitos móveis, muitas salas, eu mesmo nem me lembrava direito de tudo isso. – ele apontou para o ambiente - E depois de um certo tempo de faxina e arrastar móveis de um lado para o outro, a gente só sabia diferenciar a cozinha dos banheiros...
- Tá tudo bem, Emmett! – sorri - O importante é que a casa está limpa.
Já na cozinha, eu e Bella entregamos os meninos às madrinhas e foi como num passe de mágica, a gente sabia onde estavam guardados as louças, os talheres e os eletrodomésticos. Quando abri a geladeira, percebi que Rose se preocupou em comprar frutas e iogurte para os bebês e antes que eles começassem a gritar, cortei uns pedacinhos de pêra e maçã numa tigela, joguei o conteúdo de um copinho de iogurte por cima e os alimentei enquanto estavam nos braços das madrinhas. Nessa hora fiz uma nota mental de passar no shopping e comprar cadeirinhas de papinha para eles...
Enquanto isso eu observava minha esposa, toda feliz, toda charmosa, se movimentando pela nossa cozinha, separando xícaras e pires aos pares, e enquanto o café era coado na cafeteira, ela abria uma lata de biscoitinhos amanteigados para servir aos nossos convidados.
De barriguinha cheia, os meninos voltaram a ser mais sociáveis e voltaram a sorrir! Todo mundo se serviu com biscoito e café, mas eu estava emocionado demais para jogar alguma coisa no estômago, a adrenalina era tanta, que eu me mexia de um lado para o outro, fazendo com que meus olhos matassem a saudade de minha casa. Eu estava ansioso para percorrer a nossa casa, entrar em cada cômodo e matar a saudade de tudo. Já que eu deveria começar por algum lugar, aproveitei que todos estavam empolgados numa conversa sobre a cidade de NY e o nosso bairro, peguei os meninos do colo das madrinhas e os levei pelo jardim de inverno, até que cheguei à nossa piscina coberta. Quando meus bebês viram aquilo tudo, disseram em coro:
- Ábua...
- Isso mesmo! – beijei a cabecinha de cada um e sorri – Aqui é a nossa piscina coberta... – me dirigi a uma das cadeiras e sentei com os dois em meu colo – Foi aqui que papai aprendeu a nadar e vai ser aqui que vocês darão suas primeiras braçadas... Mas só poderão fazer isso quando o papai, a mamãe ou a professora estiverem por perto!
Fiz outra nota mental de providenciar uma professora de natação para eles. A toda hora os meninos apontavam para a água e sorriam, depois olharam para mim, como se tivessem me convidando para entrar na água. Eles sempre adoraram piscina!
- Hoje não, mas papai promete que logo a gente toma banho de piscina...
Um pensamento povoou minha mente, sorri com as doces lembranças e sussurrei para meus meninos:
- E quando vocês entrarem na adolescência, com os hormônios em ponto de ebulição, e quiserem trazer suas namoradinhas para cá... – sorri mais ainda ao me lembrar das coisas gostosas que fazia com Bella ali dentro - É só avisar ao papai e à mamãe, que a gente libera a área e não deixa nem os empregados chegarem perto daqui...
- Ah! Então era isso! – a voz de Bella ecoou atrás de nós, me fazendo sobressaltar e arrancando lindos sorrisos dos meninos – Edward Cullen, - ela veio até nós, cruzou os braços e bateu o pé como se fosse uma menina birrenta de cinco anos de idade – então quer dizer que eu ficava morrendo de medo de alguém nos flagrar, mas você tinha a absoluta certeza que ninguém iria aparecer!
A cena foi engraçada, os meninos olhavam atentos para a mãe e quando perceberam que ela esperava uma resposta minha, passaram a me fitar com ansiedade e o sorrisinho deles era como se pudessem dizer: ‘papai, você está encrencado’.
- Eu... ééérrr... Ah, amor! Você vai negar que a adrenalina deixava tudo mais gostoso?!
- EDWARD! – ela sorriu – Seu... seu...
Tá, eu sei que ela queria dizer ‘safado’, mas não diria isso na frente dos meninos, então eu continuei provocando.
- Lindo? Apaixonado? – completei a frase e ela bufou – Perdidamente louco por Isabella?
Ela desfez a distancia entre nós e nos abraçou, beijando cada filho e me beijando levemente nos lábios.
- Te amo, te amo, Edward. – ela falava enquanto acariciava meu rosto.
Depois de acomodarmos Jasper e Alice, Rose e Emmett, Will e Lilian nos três quartos de hóspedes, mostramos a Lupi um dos quartos de empregados e partimos para o meu antigo quarto. Não passou despercebido a Will que eu tive o cuidado de usar uma chave extra para abrir as fechaduras reforçadas da minha suíte. Sim, aquele homem experiente deve ter entendido que o perímetro das três suítes principais da casa tinha proteção extra. Assim que entramos no quarto, Bella ofegou e eu fiquei sem palavras.
- Tudo está exatamente igual... – minha esposa sussurrou baixinho, eu apenas assenti e em seguida, espirrei.
Naquele resto de tarde, todos na casa ficaram entretendo os gêmeos enquanto eu e Bella, munidos de um aspirador de pó e vassouras, limpamos todo o quarto. Rose e Alice apareceram para ajudar, mas minha esposa foi categórica.
- Não, não, de jeito nenhum! – Bella protestava – Vocês já fizeram muito por nós, agora merecem um pouco de descanso!
- O quarto é pequeno. – menti só um pouquinho – Daqui a pouco a gente termina...
As duas assentiram, mas voltaram trazendo jogos de cama e toalhas de banho novas para usarmos, pois os meus antigos deveriam estar cheios de poeira dentro do closet.
- Agora que voltamos, - Bella quase gritava enquanto passava o aspirador no colchão – podemos chamar a mesma empresa de limpeza para vir cuidar das três suítes.
- Sim, acho que não vai ter problema, vou telefonar para eles agora mesmo.
A nossa grande preocupação com as três suítes principais, é porque entrando no closet delas e sabendo exatamente onde mexer, pode-se ter acesso ao bunker da mansão. Eu lembro que mamãe e papai sempre estavam por perto quando as empregadas iam faxinar o meu quarto ou o quarto deles e nenhum empregado nunca ficou fuçando dentro de nossos closets. Isso sem contar que a terceira suíte sempre ficou fechada, já que sou filho único e nunca tivemos necessidade de usá-la.
Lilian e Rose prepararam o jantar naquela noite e capricharam no cardápio! Foi quando me dei conta que agora, quem se sentava na cabeceira da mesa era eu, não como o jovem Edward Cullen que ocupava o lugar do pai quando este viajava, mas como o novo Sr. Cullen, o chefe da família agora... Lembrei muito de papai naquele momento e fiquei pensando se ele teria orgulho de mim ao me ver sentado em seu lugar.
Mas antes de começarmos a comer, falei algumas poucas palavras de agradecimentos a todos os nossos amigos e os convidei a rezar um Pai Nosso.
O aroma do prato que foi servido fez meu estômago rugir e me deu a certeza de que alguém deve ter passado no mercado de peixes da cidade naquela manhã. Quando O salmão ao molho de camarão estava uma delícia e a champanhe super gelada que Alice comprou estava perfeita, combinando bem com o prato!
- Edward, nós devemos dispensar a equipe de seguranças? – Jasper me perguntou entre uma garfada e outra de comida.
- A gente não sabia onde colocá-los e os deixamos na casa de empregados lá nos fundos do jardim da mansão. – Emmett completou.
Fiquei meio atônito na hora e olhei para Bella buscando ajuda, mas ela também estava meio sem palavras.
- Quais são os riscos que corremos? – perguntei.
- São os riscos que qualquer cidadão nova-iorquino corre. – Will foi categórico – Enquanto vocês estavam limpando o quarto, eu fazia contato com alguns amigos e um deles é ex-agente do FBI e consultor especial da polícia de NY. – ele falava com seriedade – A repercussão do Caso Volturi deixou marcas profundas nos americanos, o sentimento vai da perplexidade à vergonha, e para a maioria deles, as famílias Cullen, Swan e Chenney foram as principais vítimas das atrocidades cometidas...
- Todo mundo respeita e admira vocês! – Lilian falou com convicção.
- O FBI garante que todos os criminosos foram presos e a Interpol ratifica esta informação. – Rose completou – As operações criminosas dos King e dos Volturi estão encerradas de vez.
- Por isso não há necessidade de ter meia dúzia de seguranças acampados por aqui. – Emmett falou e fez uma pausa – Como vocês viviam antes, quando eram apenas felizes bilionários?
- Bem, nossas famílias sempre contrataram as melhores empresas de segurança eletrônica... – Bella falou.
- É neste ponto onde queremos chegar! – Jasper falou para nós – Bella e Edward, queremos que vocês não tenham medo de voltar a viver normalmente, voltar a cursar faculdade, passear no shopping, curtir um cinema, fazer compras em Manhattan, andar na Times Square, passear no Central Park, no zoológico ou na praia...
- E por falar em normalidade... com licencinha – a baixinha falou e deu um pulo da cadeira.
O jantar já havia acabado, mas a gente esperou Alice voltar. Menos de dois minutos depois, ela voltou para a sala de jantar, toda serelepe e sorridente, sentou-se à mesa e estendeu um grosso envelope para mim e para Bella.
- Isso daqui faz parte do pacote ‘pegue sua vida de volta’. – Alice falou e todo mundo ficou calado, olhando para nós numa crescente expectativa.
Abri o envelope e joguei seu conteúdo sobre a mesa e a primeira coisa que vi foram dinheiro, eram notas de $ 100,00 separadas em pacotinhos.
- Esse foi todo o dinheiro que ‘os Fields’ investiram no Citibank. – Rose falou – Sabíamos que o montante pertencia aos Cullen e o FBI solicitou a retirada.
Demorei um pouco para lembrar e fiz cara de paisagem.
- Amor, esses são os $ 300 mil que aplicamos no banco em Outubro de 2010, lembra? – Bella recapitulou e eu assenti.
- Agora são um pouco mais que isso... – Emmett acrescentou.
O dinheiro não me deixou emocionado, mas quando vi minha carteira de motorista, meu RG e minha carteira de seguro social, meu coração bateu descompassado. Bella pegou seus documentos também e sorriu enquanto dizia que aqueles eram seus documentos de solteira e logo providenciaria que se acrescentasse o sobrenome Cullen a cada um deles. Um envelope menor chamou nossa atenção ao mesmo tempo e minha mão tocou na de Bella, sorrimos... Eu abri o envelope e engoli em seco, ela se levantou para ver do que se tratava, eu a puxei para meu colo...
- Nossa verdadeira certidão de casamento!!! – ela falou exultante e eu não consegui falar nada, apenas beijei sua bochecha várias vezes.
- Agora podemos registrar nossos filhos... Certidões de nascimento verdadeiras... – murmurei.
A primeira noite na mansão não foi muito confortável, mas entrou para a lista de nossas melhores noites! Dormimos feito sardinhas em lata, eu, Bella e os meninos na minha antiga cama de ‘solteiro’, que era uma king size, na verdade. Não nos sentiríamos bem em dormir na cama que foi de meus pais e também não queríamos que os meninos dormissem noutro cômodo da casa que não fossem as suítes principais. O jeito foi dormir ‘quase no aperto’, mas garanto que não havia quarteto mais feliz que nós! Enquanto Anthony tinha uma das mãozinhas enroscadas no cabelo da mãe, Thomas ressonava sobre meu peito. À meia luz eu e Bella nos olhávamos com intensidade e tínhamos nossas mãos entrelaçadas antes de nos entregarmos ao sono.
O sábado e o domingo foram de muitas providências necessárias para se fazer uma casa funcionar plenamente. O serviço de telefone fixo foi restabelecido, a equipe de limpeza chegou à mansão e, sob a supervisão de Bella, limpou as suítes que faltavam, despedimos os serviços dos seguranças, telefonei para o Sr. Howard, nosso advogado e marquei uma reunião com ele. Eu fui às compras, tendo Rose e Emmett como ajudantes, enquanto ela comprava fraldas descartáveis, carrinhos, berços, cadeiras de papinha e mais algumas coisas para os meninos, eu e Emmett nos encarregamos de comprar um carro para mim. Eu precisava de um carro grande, algo que fosse feito realmente para carregar gêmeos e todas as tralhas que eles demandavam, mas seria um desperdício usar uma pick-up na cidade de NY. Então optei por comprar um Volvo XC90, ele era grande o suficiente, era da marca de carro que eu mais gostava e era prata, minha cor preferida para veículos!
- Mano você fez um excelente negócio! – Emmett falou quando voltamos ao shopping para pegar Rose – Aquele carro é muito seguro para transportar crianças...
Olhei de soslaio para ele e sorri antes de lhe fazer uma pergunta pessoal.
- Você gosta muito de crianças, não é?
- Sim. – ele suspirou – Eu adoro meus sobrinhos e os seus gêmeos já estão no meu coração... eu sempre quis ser pai. Mas agora, depois que conheci Rose, eu quero muito, muito mesmo ter um filho com ela...
Não falei nada, apenas assenti e sorri, mas fiquei pensando se Rosalie poderia mesmo ter um filho. Bella me contou que ela já fez várias tentativas de fertilização in vitro, mas não conseguia engravidar...
Na segunda-feira, Rose, Alice e Jasper precisaram voltar a Annapolis, a cidade onde estavam morando durante as investigações do Caso Volturi. Eles estavam de mudança para seus respectivos apartamentos e precisavam providenciar um monte de coisas, mas prometeram vir passar o final de semana conosco. Passava das nove da manhã quando Emmett levou minha pequena e linda família ao Departamento de Registro Civil do Estado de NY para que eu solicitasse as certidões de nascimento dos meninos. Minhas mãos tremiam um pouco quando peguei aqueles papéis importantes: John Anthony Swan Cullen e Edward Thomas Swan Cullen agora eram, oficialmente, cidadãos americanos!
Emmett registrou o momento tirando várias fotos de nós, tenho certeza que fiquei com cara de ‘pai babão’, olhando atentamente para os nomes de meus filhos naqueles pedaços de papel. Depois passamos na revendedora de carros, pegamos meu carro novo, Bella escolheu um carro também e depois de muita conversa, ela se convenceu de que um Captiva da GM seria o veículo ideal para ela. Mas assim que saímos do prédio, tivemos uma surpresa desagradável, as luzes de flashes de câmera nos cegaram. Havia um grupo de repórteres que quase avançou em nós, querendo saber detalhes de nossas vidas enquanto estávamos no serviço de proteção a testemunhas. Os meninos se assustaram e começaram a chorar, Emmett nos fez recuar e voltamos para dentro do prédio.
- Meu Deus! O que é isso? – Bella sussurrou assustada.
- Eles só vão sossegar quando dermos a eles as notícias que querem ouvir. – Emmett falou – Meu conselho como jornalista é: concedam uma única entrevista, na verdade, uma coletiva de imprensa seria o mais adequado. Depois disso a mídia vai esquecer os Cullen...
- Mas... mas... os Chenney... Por que eles não procuram Lisa Chenney também? – minha esposa falou exasperada.
- Bella, você não viu TV nos últimos dois dias, não é mesmo? – ele perguntou e Bella respondeu com um aceno de cabeça – Lisa Chenney já tem entrevista marcada no programa da Oprah!
- Como é que é?! – perguntei aturdido.
Emmett nos explicou que a coletiva de imprensa nós poderíamos saciar a curiosidade de vários repórteres de uma vez só, disse que poderíamos contratar um Relações Públicas especificamente para este evento e que este profissional estaria apto a filtrar as perguntas que deveriam ser feitas e as que NÃO deveriam ser feitas. E por fim, eu e Bella nos convencemos que depois da coletiva, a mídia se esqueceria de nós e nos deixariam em paz. Meu padrinho (e padrinho de Anthony) fez o favor de ir falar com os jornalistas naquele momento e de dentro da revendedora de veículos, escutamos sua estrondosa voz.
- ESCUTEM, POR FAVOR! O SR. E A SRA. CULLEN CONCEDERÃO UMA ENTREVISTA COLETIVA DAQUI A ALGUNS DIAS, TODOS VOCÊS SERÃO AVISADOS COM ANTECEDÊNCIA. – ele foi interrompido por uma série de perguntas, mas não deu atenção a nenhuma delas – AGORA PEDIMOS A COMPREENSÃO DE TODOS E QUE RESPEITEM A PRIVACIDADE DA FAMÍLIA.
Por incrível que pareça, os repórteres entenderam a mensagem, mas antes de sairmos, Bella se preocupou em puxar para frente a aba dos bonés que os nossos filhos usavam. A gente só queria preservar os rostinhos deles, não seria justo ver a foto deles estampadas em tablóides por aí... Já dentro do carro, eu e Bella acenamos para os repórteres, ‘agradecendo’ a gentileza.
Na terça-feira tivemos uma reunião com nossos advogados, o tema principal foi nosso dinheiro e por iniciativa de Bella, resolvemos fazer um curso de finanças pessoais, assim, dali por diante não seríamos tão leigos quando ao nosso dinheiro. Entretanto posso garantir que nossa fortuna agora, passava dos $ 5 bilhões! O outro assunto foi sobre a coletiva de imprensa, no dia marcado teríamos um advogado e um RP para nos auxiliar com os repórteres.
No dia seguinte, eu telefonei para Jacob e Leah e os dois quase não acreditaram que estávamos vivos e de volta à NY. Contei-lhes rapidamente como tinha sido nossa vida e eles se comprometeram a vir nos ver em breve, mas não puderam marcar uma data porque estavam fazendo provas na faculdade. Bella também fez contatos, ligando para Victoria e James, e ainda para Jessica Stanley que também não acreditou que ‘Bella Swan’ estava de volta!
A coletiva de imprensa aconteceu no sábado de manhã, durou aproximadamente uma hora e foi feita nos jardins externos da mansão, mas ainda dentro de nossa propriedade. Na ocasião, Bella contratou um serviço de coquetel para os jornalistas, mas nós pedimos que eles não passassem nos limites do primeiro jardim, não queríamos que a casa e principalmente nossos filhos caíssem nas lentes deles. Nessa empreitada toda, o apoio de nossos amigos foi fundamental, os meninos ficaram dentro de casa com Lupi, Will e Lilian, enquanto seus parinhos ficaram andando de um lado pro outro, dentro do jardim, se certificando que os jornalistas cumpririam sua promessa. Na hora marcada, eu e Bella estávamos acompanhados de um advogado e um RP contratado pelo advogado, ele teve acesso à lista de perguntas que seriam feitas e não fez objeção a nenhuma delas, mas de última hora, um ou dois repórteres fizeram perguntas muito pessoais que nós não respondemos. Tudo ocorreu como esperado e exceto pela nossa timidez de posar para fotos e aparecer na TV, posso dizer que não foi tão ruim assim...
POV TANYA DENALLI
Eu estava fora de cena já há algum tempo...
A vida tem sido muito ingrata para mim e desde aquele maldito dia que o pneu de meu carro furou e aquela bicha-má apareceu no meu caminho, só tem tido desgraças na minha vida... Até mesmo meu Edward sumiu da cidade...
Eu até tentei puxar assunto com o delegado, o Sr. Greeves, que por sinal era vizinho dos Fields, tudo o que eu queria saber era se eles tinham mesmo se mudado como escutei alguns boatos quando fui ao supermercado, mas o miserável do delegado fazia questão de mentir para mim.
Há quase um ano eu estou fazendo serviço social na prefeitura da cidade e tendo acompanhamento psicológico obrigatório como parte da minha pena por ter ficado um pouquinho nervosa lá no banco... Bando de gente hipócrita! Eu só fiquei um pouco fora de mim por alguns segundos e acidentalmente meu celular feriu uma cliente, depois eu fiquei muito nervosa e devo ter perdido um pouco a razão... Mas nada que justificasse minha demissão do banco e uma pena de serviços sociais comunitários e acompanhamento psicológico por um ano!
- Sra. Denalli, por favor se apresse!
Argh! Por que esse velho nojento tem sempre que implicar comigo?
- Sim, Sr. Mendel. – murmurei entredentes.
Ele é meu monitor e fica fiscalizando se eu estou limpando bem as vidraças da prefeitura, mas ele também pega no meu pé quando eu não lavo os banheiros do jeitinho que ele quer ou quando não rego todas as plantas do jardim... Argh... Sinto uma vontade incontrolável de afogar este velho naquele tanque onde os jacarés gostam de nadar lá no zoológico!
Espantei de minha mente esses pensamentos nada gentis e voltei a limpar as vidraças, afinal eu tinha que me comportar, minha pena vai terminar no final do mês de Maio! Naquela manhã de sábado não havia expediente na prefeitura e só estavam no prédio eu, o Sr. Mendel e Sebastian o porteiro do prédio, um velho com a bunda gorda e uma pança enorme que só sabia ver TV e comer Donuts o dia todo...
Um ano... Um ano trabalhando para não ser presa... Ai, como eu odeio a justiça nesse país que só sabe prender pessoas inocentes e nervosas como eu!!!
Em um ano muita coisa pode acontecer e de fato aconteceu: meu Edward sumiu, levando com ele aquela mulher estúpida e aqueles remelentos que cheiravam a leite azedo... Ela poderia sumir com os fedorentinhos, mas meu Edward, não!
HA-HA-HA... Mas meu dinheiro pode comprar quase tudo! Assim que eu estiver livre desta maldita Forks, vou contratar um detetive particular para caçar meu Edward! Não, não, vou contratar também alguns talibãs para atear fogo nesta droga de cidade... Tenho certeza que meu Edward não gostaria de voltar para cá...
AI QUE ÓDIO DAQUELA ISABELLA!
Eu já estava muito perto de separar aqueles dois, mas tenho certeza que foi ela quem encheu a cabeça dele para que se mudassem daqui! Acho, porém que eles não foram muito longe, afinal ele não tinha muita grana e ainda tinha aqueles três contrapesos que atendem pelo nome de ‘família’... Isabella é como um réptil, tão estúpida e inútil, que só sabe se arrastar por ai, deixando rastros... Eu vou achá-los e salvar meu Edward daquela golpista! Tenho certeza que ele só ficou com ela porque ela ficou grávida...
O velho e o porteiro me deixaram sozinha no saguão da prefeitura porque um foi atender ao telefone e o outro deve ter ido assaltar a geladeira. Do outro lado do imenso saguão, ficava uma TV enorme bem na recepção da prefeitura, e como eu suspeitava que aqueles velhotes fossem surdos aquela porra estava ligada no seu volume máximo quando o cara da CNN anunciou que em três minutos iria começar a coletiva de imprensa dos Cullen...
Cullen? Cullen? Cullen?
Esse nome não me era estranho... Eu já tinha lido na revista Forbes sobre a fortuna da família Cullen... Mas não entendi porque eles fariam uma coletiva de imprensa, se bem que nunca mais eu assisti TV...
Bom, resolvi deixar isso de lado e fui logo limpar aqueles banheiros fedorentos antes de poder voltar para o saguão e limpar as outras janelas da recepção da prefeitura. Tentando ter um comportamento exemplar (isso contava para minha avaliação de pena alternativa), demorei bastante limpando os banheiros e eu até já tinha me esquecido dos Cullen, quando voltei para o saguão. Mendel e o porteiro estavam com as fuças grudadas na tela da TV e nem se deram conta de minha presença. Peguei um pedaço de flanela e o frasco de alvejante, subi num banquinho para limpar as vidraças mais altas quando ouvi AQUELA VOZ...
- ‘Bem, no começo tudo foi muito difícil, mas o Marshall Service cuidou bem de nós.’
NÃO! Não pode ser... Edward?! Quase cai do banquinho para poder me virar, mas quando olhei para a TV, mas só vi um jornalista fazendo uma pergunta para a... Sra. Cullen?
‘Que porra é essa?’ Pensei aturdida e me sentei, segurando o frasco de alvejante numa mão e a flanela na outra...
- ‘Sra. Cullen, é verdade que vocês de casaram na época que estavam entrando no serviço de proteção a testemunhas e que já nessa época a senhora estava grávida?’
- ‘Sim, é verdade.’
‘Não! Mil vezes não... Aquela era Isabella!... Isabella Fi-fields!?’
Minha mente não conseguia articular um pensamento coerente, meu coração bateu descompassado e o ar parecia rasgar minhas entranhas! Olhar para Isabella quase me fez sufocar de ódio! Ela estava tão feliz, tão sorridente... tão... tão... distinta ostentando um sobrenome tão poderoso!
- ‘E como vocês conseguiram lidar com a situação?’ – um repórter perguntou – ‘Deve ter sido muito difícil na época, já que vocês tinham acabado de perder os pais.’
- ‘Foi muito difícil mesmo.’ – uma masculina e sexy respondeu no lugar dela.
SIM! Dei um pulo do banquinho, mas voltei a me sentar, era mesmo meu Edward... Edward Fields era Edward Cullen!
- ‘Foi difícil,’ - ela repetiu – ‘mas desde o começo nos tivemos ajuda de muitos amigos e acima de tudo, temos um ao outro.’ – o cinegrafista apontou a câmera paras as mãos entrelaçadas deles e depois mirou no rosto de Isabella, que sorria timidamente enquanto falava e olhava para Edward – ‘Não foram poucas as vezes que nos sentimos perdidos, mas em todas estas ocasiões, um sempre fortaleceu e apoiou o outro.’
- ‘Desde o começo, nós aprendemos que somos um pacote só’ – Edward sorria para a esposa – ‘e que estamos juntos para sempre.’
Eu estava pasma, ouvindo aquilo tudo e finalmente entendendo que ELES eram o Sr. e a Sra. Cullen, o casal bilionário de NY que tinha sido ameaçado por alguns mafiosos, ou sei lá o que, e tinham fugido, se disfarçando de Fields e entrado no serviço de proteção a testemunhas.
- MENTIROSO! – gritei exasperada – MENTIROSO! MENTIROSO! MENTIROSO!
Os dois homens se assustaram com meus gritos e se viraram para me encarar. O ódio me cegou, joguei o frasco de alvejante na TV, mas não bateu, peguei um vaso de plantas e joguei de novo, acertando em cheio nela. Passos apressados correram em minha direção, mas eu peguei o banquinho de madeira e joguei-i na janela, espatifando a vidraça que eu tinha acabado de limpar.
- Sra. Denalli?! – Mendel veio na minha direção, eu devia estar espumando de raiva.
- Fique onde está! – gritei e peguei outro vaso, jogando-o na direção do velho e acertando em sua cabeça – BINGO! – gritei.
Ops... Acho que fiz besteira de novo!
O velho cambaleou, o sangue começou a jorrar de sua testa e ele desmaiou... Sebastian estava espantado, ele estreitou o olhar antes de falar.
- Sra. Denalli, o que houve com a senhora?
- Eu, eu... – comecei a chorar e cai no chão, eu precisava pensar rápido, tinha que sair dali – Oh! Meu Deus, me desculpe...
Quando ele viu o sangue do velho no chão, correu ao telefone, ligou para a emergência e tentou estancar o sangue da testa do velho. Eu não sabia direito o que fazer, mas achava que estava em apuros de novo, quando ouvi a sirene da ambulância, entrei em pânico, mas tive um plano brilhante. Fui me arrastando até o canto da parede, lá havia o último vaso de planta, Sebastian estava muito desesperado, cuidando do sangramento e não me percebeu ali. Fiquei de pé com muito cuidado, peguei aquele vaso e joguei-o com bastante força na cabeça do porteiro. Errei, não o fiz desmaiar, mas ele caiu sentado e eu consegui puxar a arma de seu coldre, fazendo-o ficar imobilizado e choramingar feito uma mulherzinha, pedindo por sua vida.
Mas uma vez eu me parabenizei pela minha expertise, já era a segunda vez que eu conseguia roubar a arma de alguém!
Mas eu não tinha tempo de matar ninguém naquela hora! Corri até a gaveta da recepção, peguei a chave da pick-up da prefeitura e sai feito uma desesperada, com sorte, eu chegaria a Clallam Bay em 20 minutos e de lá pegaria uma balsa para o Canadá e no máximo em duas horas estaria livre da justiça americana...
Liguei o som do carro e fui cantando uma música da Lady GaGa, Poker Face, a trilha sonora da minha vida, pisando no acelerador, me sentindo livre, linda e poderosa, quando me deparei com um bloqueio policial na WA-112 West...
- To fudida. – murmurei baixinho quando vi o delegado Peter Greeves vindo na minha direção com a arma em punho.
Olhei para um lado, olhei para o outro, vi que estava sem saída, mas a arma que roubei do porteiro estava no banco do carona... Sorri para mim mesma, saquei a arma e apontei para o delegado.
- MORRA, SEU DESGRAÇADO! – gritei e descarreguei o gatilho, ouvi um pequeno click e só isso.
O homem congelou por alguns segundos, mas depois avançou na minha direção, abriu a porta da pick-up e me puxou pelo colarinho do meu uniforme de faxineira.
- Sra. Denalli, a senhora está presa! E não se preocupe esta arma que a senhora não mata ninguém! Já que o porteiro da prefeitura é tão desleixado que nunca se lembra de carregá-la, mas acho que o juiz do condado desta vez não vai ter tanta boa vontade em ajudar a senhora...
Naquele momento eu tive a absoluta certeza que ter saído de Seattle para vir à Forks com o firme propósito de destruir o casamento de Isabella e Edward, tinha sido o meu maior erro, afinal, como ele mesmo disse na entrevista, eles estão juntos para sempre.
POV BELLA
Pelos meus cálculos, eu teria cinco meses para por a mansão em ordem, contratar novos empregados, arranjar uma babá que me inspirasse confiança, comprar alguns móveis, comprar um carro novo... Tudo isso antes de as aulas na faculdade recomeçarem em Setembro... E por falar em faculdade, eu ainda não tinha conversado com Edward, mas a gente ia ter que sair de Harvard já que vamos voltar a morar aqui em NY...
- Señorina? Señorina? – Lupi me tirou dos pensamentos – Acho que a temperatura da água já está boa...
Passava das nove da noite daquela sexta-feira, 30 de Março, todos nós estávamos exaustos por causa da longa viagem e da tarde agitada, os meninos já estavam muito sonolentos e só precisavam de um banho morninho para poder caírem na cama. Isso mesmo! Cair na cama comigo e com o pai, já que não havia quarto pronto para eles e nem para nós... O jeito foi dividirmos a mesma cama...
Ah! Mas isso não tem problema! O importante é que estamos em casa, somos os Cullen novamente e estamos juntos... para sempre...
A babá me olhava meio desconfiada enquanto eu dava banho quase que mecanicamente em cada filho. Ela me ajudava em tudo e como percebeu que eu estava reclusa demais nos meus próprios pensamentos, começou a conversar com os meninos.
O cansaço tratou de fazer com que a cama apertada fosse o melhor lugar do mundo para Edward, Thomas, Anthony e eu... a gente apagou geral...
O sábado e o domingo cobraram de nós muitas providências práticas, Edward foi às compras com Rose e Emmett, enquanto Alice e Jasper me ajudaram em casa. Eu fiquei ‘vistoriando’ a faxina que a equipe de limpeza fazia nas três suítes principais, enquanto Jasper providenciava a instalação de uma linha telefônica e Alice ligava para a agência de empregos, solicitando que mandassem candidatas a babá, cozinheira, arrumadeira, jardineiro e governanta. Numa casa daquele tamanho, eu precisaria mesmo de, no mínimo, sete empregados para poder dar conta de tudo!
Sem contar que mais dia, menos dia, eu e Edward teríamos que descer ao bunker e verificar muita coisa lá embaixo...
Bom, uma coisa de cada vez! A pro atividade fez Rose comprar dois berços móveis para os meninos, depois de duas noites dormindo com eles na mesma cama, eu tava morta de cansada! Era horrível dormir com eles, porque os monstrinhos se mexiam muito durante o sono e porque eu tinha medo que os dois pudessem cair da cama! Mas agora eu já tinha bagunçado bastante o quarto, colocando os dois berços no lugar do sofá e estava muito satisfeita com isso.
Mas Lupi estava me preocupando... Ela parecia tensa, meio que espantada com a casa e muitas vezes eu a pegava suspirando pelos cantos. Aproveitei a oportunidade que ela estava brincando com os gêmeos no futuro quarto deles e fui até lá. Flagrei meus meninos muito entretidos com os brinquedinhos novos que Rose havia comprado para eles... OMG! Que bebês mais lindos, meu Deus!
Sentei no chão com eles e enquanto construía uma torre de pecinhas de montar, tentava puxar assunto com Lupi. Aos poucos ela foi se abrindo, dizendo que tinha achado NY o lugar mais fantástico do mundo e que a mansão era linda e que já estava sentindo falta dos meninos. Por um instante eu pensei que ela estava querendo ficar de vez com a gente, mas por fim ela declarou que só estava preocupada quanto ao seu futuro porque eu e Edward fomos os primeiros patrões dela e ela temia não ter tanta sorte da próxima vez.
Tomei coragem e lhe contei sobre a bolsa de estudos, contei que ela moraria no campus da San Diego University, que todas as taxas estavam pagas e que a única preocupação dela seria estudar muito e conseguir aquele diploma!
- Oh! Minha Nossa Senhora! – a babá exclamou e me abraçou – Muito obrigada, señorina, muito obrigada!!!
Aquela alegria toda chamou a atenção dos meninos, eles deixaram de lado os patinhos de plástico com que brincavam, olharam para nós duas, imitaram o gesto do abraço e sorriram aquele sorrisinho lindo que sempre fazia meu coração perder uma batida.
O dia seguinte foi uma verdadeira ‘sessão aventura’... Alice, Jasper e Rose viajaram até Annapolis, a cidade onde moraram durante os meses mais intensos de investigação do Caso Volturi. Já que estavam de mudança para seus respectivos apartamentos, em Washington e NY, havia muita coisa para providenciarem, mas pelo menos Emmett ficou com a gente. E isso foi muita sorte! Porque quando saímos de casa para registrar os meninos, registros de nascimento verdadeiros, agora como os herdeiros Cullen, fomos perseguidos por um bando de jornalistas. Eu me assustei e minhas pernas bambearam de verdade, mas meus filhos se assustaram também e começaram a chorar. O lado jornalista que estava adormecido em Emmett acordou, ele cuidou dos repórteres e nos convenceu a dar uma entrevista coletiva para eles o mais rápido possível. Meio sem querer, eu acabei concordando com isso...
Depois que compramos carros novos, a sensação de liberdade foi maior, mas mesmo assim, a gente nem tinha muito tempo para sair de casa. Recebemos o advogado, falamos sobre nossa herança, descobrimos que estamos mais ricos (graças a Deus) e nos perdermos em alguns pontos que ele tentava explicar sobre os rendimentos. E para não ser uma completa ignorante sobre o assunto, decidi fazer um curso de finanças pessoais assim que tivesse oportunidade, Edward acatou minha sugestão e vamos fazer esse curso juntos.
Foi somente na quarta, que eu me lembrei de telefonar para nossos amigos e dizer-lhes que estávamos de volta. Jessica foi a pessoa que ficou mais espantada com a história e ela prometeu vir nos visitar em breve! Nesse mesmo dia, recebi três candidatas a cozinheira, fiz entrevistas com elas, chequei suas referências e com a ajuda de Lilian, decidi contratar a Sra. Holmes. Também recebi três candidatas a arrumadeira e embora eu precisasse de exatamente três delas, me agradei apenas de uma, Melina, como ela disse gostar de ser chamada. As outras foram sumariamente eliminadas porque uma se chamava Deliane e, Deus me perdoe, seu nome me fez lembrar Denalli e a outra era uma falsa loira com olhos astutos que também me fez lembrar ‘você sabe quem’.
Passava das dez da noite quando os meninos finalmente dormiram, assim que acomodei meus anjinhos nos berços, dispensei os serviços de Lupi, peguei a babá eletrônica (a casa era muito grande, eu precisava daquilo para poder ouvir se meus filhos chorassem) e desci com a intenção de ir à cozinha para fazer um lanchinho...
Mas... Que lanchinho que nada... Acabei comendo outra coisa...
Quando passei pela porta do escritório de Carlisle (eu sei, eu sei, é a força do hábito ainda me referir à mansão como sendo de meus sogros) me deparei com a visão do paraíso... Edward estava lá dentro, sentado na imponente cadeira de couro preto que tinha pertencido a seu pai, lendo atentamente alguma coisa. Mas o melhor de tudo, é que a boquinha linda de meu marido se projetava num biquinho muito sexy... OMG! Juro que fiquei molhada!
Fui até ele, nos olhamos nos olhos e sorrimos, entrei no escritório sem dizer palavra alguma e tranquei a porta atrás de nós. Deixei a babá eletrônica em cima do móvel e sem perder a conexão de nosso olhar, levantei a saia do vestido que eu usava, tirei a calcinha, nessa hora ouvi meu marido engolindo em seco, e joguei-a para ele. Edward entrou no clima rapidamente, pegou a calcinha ainda no ar e inspirou contra o tecido fino, pude perceber o ‘eddie’ se avolumando em suas calças e o sorriso torto de meu marido quase me fez derreter.
Eu estava morrendo de saudades de Edward! Com tanta agitação, e com tantos compromissos e ainda dividindo o mesmo quarto com nossos filhos, eu mal estava curtindo meu marido lindo!
Sentei em seu colo, de frente para ele, distribuindo minhas pernas ao redor de seu corpo e deixando que nossas intimidades se tocassem... Foi inevitável não sentir o pulo que o ‘eddie’ deu ainda dentro das calças! Ataquei os lábios de meu marido com fome e desejo, invadindo sua boca com minha língua, enroscando minhas mãos em seus cabelos, rebolando sobre seu mastro duro... As mãos de Edward desceram até minha cintura, apertando-a com força e descendo até minha bunda, me puxando mais para ele, nessa hora gemi em sua boca. Minhas mãos ganharam vida própria e foram descendo pelo tórax perfeito, passando pela barriguinha sarada, a virilha e finalmente no meu ‘eddie’... Comecei a massageá-lo, mas achei pouco e rapidamente fiquei de joelhos, puxei a calça e a cueca de Edward e cai de boca naquela maravilha. Meu marido abafou um gemido e sua respiração ficou ofegante...
OMG! A saudade era tanta que eu beijava a cabecinha, massageava aquela extensão volumosa com ambas as mãos e ainda conseguia gemer de alegria...
Mas Edward queria prolongar o momento, ele envolveu meus ombros em suas mãos, me fez ficar de pé e me sentou na mesa. Seus lábios atacaram os meus com voracidade, suas mãos puxaram as alças do vestido... Gritei de prazer quando sua boca gostosa começou a chupar, lamber e mordiscar meus seios... Avidamente, ele levantou mais ainda a saia do vestido e sua boca divina invadiu minha intimidade com beijos molhados e uma deliciosa massagem em meu pontinho mais sensível... Eu agarrei firmemente nas bordas da mesa, me perdi naquela explosão de sentidos e quase cheguei lá...
Prestes a ser jogada no precipício de um orgasmo que já se anunciava, Ed parou com os beijos em meu sexo, se levantou e me penetrou de uma única vez, fazendo-me gritar de verdade quando senti seu membro duríssimo se enterrando em mim...
As estocadas vigorosas de Edward intercaladas com as reboladas intensas de meus quadris, misturadas ao nosso suor e gemidos nos levaram a um orgasmo maravilhoso... Confesso que fiquei mole feito gelatina! Nossas respirações ofegantes pareciam sugar todo o ar do escritório... Colamos nossas testas e por fim, sorrimos.
- Te amo, Bella. – ele sussurrou e tirou uma mexa de cabelo de meu rosto.
- Eu te amo, mais. – sussurrei.
Os orbes verdes de meu marido me olhavam com aquela intensidade que sempre me hipnotizava, por fim ele sorriu e me deu um beijinho de esquimó.
- É a primeira vez que fazemos amor nos escritório de papai... – ele sorriu de novo e se corrigiu – Agora nosso escritório...
Roubei um beijinho dele antes de falar e envolver seu corpo em minhas pernas, puxando-o de novo para mim.
- A casa é grande... ainda temos muitos cômodos para batizar...
Meu marido me deu aquele sorriso torto e me beijou de novo, fazendo com que a chama do amor e do desejo se acendesse novamente. Com minhas pernas ao redor de seu corpo, ele resolveu me levar para batizar o sofá do escritório...
No resto da semana cada minuto do meu dia foi ocupado com mais entrevistas com empregados, contratamos o Sr. Zuchry, um jardineiro que tinha cara de gente boa e tinha ótimas referências. Graças às influências de Will junto ao Departamento de Polícia de NY, a gente conseguia verificar inclusive os antecedentes criminais de cada candidato... A governanta e as outras duas empregadas foram achadas com êxito também, mas nada de achar uma babá que servisse para meus filhos!
Cada candidata que chegava a mim era dispensada pelos mais diversos motivos e mesmo a agência funcionando como um filtro de possíveis babás, não tava fácil. Teve uma que me deixou inquieta demais, ela olhava para todos os cantos da varanda da área de serviço (onde fiz a entrevista) e seus os olhos eram sagazes como um radar. Eu já tinha dado por encerrada a entrevista e quando ela sentiu que não seria contratada, deixou escapar que só veio porque viu a entrevista na TV e sempre sonhou em morar numa mansão como aquela.
Juro que quase disse: ‘vade retro, piriguete’ mas me contive a tempo...
Quando voltei à sala de TV, flagrei meus meninos brincando com Lupi e fazendo graça para Melina, a nova empregada, eles sorriam, dançavam em frente à TV e cantarolavam as músicas que Barney cantava no DVD. Sentei no chão para brincar com eles um pouquinho, mas minha alegria durou pouco, as arquitetas e decoradoras da empresa que eu havia contratado finalmente chegaram para tratarmos do projeto do quarto dos gêmeos e do meu novo quarto.
Depois que avaliar ‘trocentos’ projetos e de ver amostras de muita madeira e tecidos, finalmente escolhi como seria o quarto novo dos meninos e visualizei tudo na minha mente, ficaria perfeito... Já para o meu quarto, eu queria ouvir a opinião de Edward e como ele tinha saído para ir ao banco, deixei para ver isso depois. A prioridade era mesmo o novo quarto dos meninos, já que dormir com eles no mesmo quarto tava foda, ou melhor ‘não-tava-foda’... Meus filhos são mini-empata foda...
Sem contar que o contato constante nos fazia passar por algumas situações, no mínimo, engraçadas. Thomas estava na cama e queria descer dela, Ed estava na poltrona vendo alguma coisa no notebook, eu estava cortando as unhas de Anthony e não podia parar o que estava fazendo. Meu filho mais traquina já tinha percebido que aquela cama era alta demais para que ele pudesse descer sozinho e estava pedindo insistentemente a ajuda do pai.
- Papai... – sim, agora os dois já diziam ‘mamãe e papai’ corretamente.
- Oi Thomas... – Ed murmurou e continuou olhando para o notebook.
- Papai... papai... papai...
Thomas chamava insistentemente e o pai apenas dizia ‘oi Thomas’, então o menino se empertigou, franziu a testinha daquele mesmo jeito que o pai dele faz e chamou a plenos pulmões:
- EEEDDD!
Foi automático, eu e Edward olhamos para o menino meio espantados e quando Thomas viu que conseguiu atrair a atenção do pai, lançou-lhe um sorriso meigo e esticou os brancinhos para o pai.
- Papai... vem cá...
Eu desatei a rir enquanto Edward ia até o filho e o abraçava com carinho, tirando-o da cama... Pois é, esses meninos estão crescendo rápido e aprendendo coisas que a gente nem imagina...
Outro dia, como o nosso quarto estava muito bagunçado, com tantas coisas nossas e dos meninos misturadas nas gavetas e prateleiras, Anthony abriu o armário que ficava embaixo da pia do banheiro e viu ali o pacote de fraldas deles. Mas o garoto também viu um pacote de absorvente e o tirou dali, Ed pegou de volta o pacote e disse:
- Isso, não, Anthony... isso é da mamãe...
Meu bebê olhou para seu pacote de fraldas e para o de absorvente e deve ter feito uma analogia maluca antes de soltar uma pérola:
- ‘Falda de mamãe...’
Aquilo foi o que bastou para Edward ficar o dia inteiro me zuando, dizendo que eu voltei a usar fraldas...
No sábado de manhã, a perspectiva da coletiva de imprensa fazia meu estômago se revirar, minhas mãos suarem e minhas pernas tremerem. Mesmo quando o advogado e a RP chegaram, eu ainda estava surtada e só me senti mais confiante quando percebi que Alice, Jasper, Rose e Emmett estavam ‘rondando’ o jardim para nos dar algum apoio moral. Se bem que com Edward ao meu lado, tudo ficava melhor... Para quebrar o gelo com os jornalistas, resolvi oferecer um coquetel antes da coletiva e aquilo funcionou muito bem, percebi que o ambiente ficou mais descontraído.
As primeiras perguntas foram muito focadas sobre o Caso Volturi e como eu e Edward fomos parar no meio daquilo. Dissemos tudo o que dissemos no tribunal, segurei o choro algumas vezes e percebi que a banda podre do telejornal esperava que eu ou Edward chorássemos a morte de nossos pais diante das câmeras. Houve algumas perguntas pessoais que nós respondemos de boa vontade, mas quando começaram a insistir que trouxéssemos os gêmeos para serem ‘apresentados’ ou que a gente mostrasse pelo menos alguma foto deles, a RP decidiu que a entrevista já tinha durado tempo demais.
No domingo Will e Lilian pegaram o avião com destino a San Diego, assim como Jasper e Alice voaram para Washington, Rose e Emmett foram para o apartamento dela no Brooklin a poucos minutos de nós. Era a vida que voltava a entrar nos eixos para todos... Mas, tadinha de Lupi, ela não pode ir ainda porque não consegui uma nova babá!
O dia seguinte nos trouxe uma linda e ensolarada manhã de Abril, a primavera estava fazendo nosso jardim desabrochar e graças às mãos habilidosas do novo jardineiro, cada canteiro estava magnífico! Depois do café da manhã, eu e Edward levamos nossos meninos para passearem pelo jardim, eles se encantaram com tudo o que viram e por estarem acostumados à natureza, já que moramos tanto tempo numa fazenda, curtiram cada momento, se encantado com todas as pedrinhas, folhas e flores.
Passava do meio- dia quando, meio fora de formas, eu e Edward nos sentamos nos cadeirões à beira da piscina e ficamos observando Lupi correr de um lado para o outro com os meninos.
Filho cansa, sabia?
Meus olhos vigiavam meus filhotes de perto já que a empresa que contratamos para instalar grades de proteção nas janelas, nas escadas e nas piscinas só poderia vir nos visitar no dia seguinte...
Tudo estava calmo e tranqüilo até que a Sra. Carey, nossa governanta, veio avisar que o almoço estava na mesa e que um grupo de pessoas estava no portão, ansiosos para falar com o Sr. e a Sra. Cullen. Edward pegou Thomas nos braços, eu peguei Anthony e fomos para a varanda.
- Quem são essas pessoas? – meu marido perguntou – Repórteres?
- Não senhor. – a governanta respondeu – Eles disseram que são seus amigos de Forks.
- FORKS?! – eu e Ed dissemos em coro.
OMG! Meu coração bateu descompassado... Joguei Anthony nos braços do pai e corri feito uma maluca para ver no circuito interno de TV as imagens da câmera do portão. Sorri de felicidade ao ver quem estava na tela, sorri mais ainda quando Sid percebeu que estava sendo filmado pela câmera, acenou e fez pose e soltou um beijinho no ar...
- Sid? – falei no interfone.
- SRA. FIELDS?! Ah, quer dizer, Sra. Cullen?
- Oh, meu Deus! Isabella? – Charlotte apareceu na tela do monitor, seu lindo sorriso aquece meu coração.
Meus olhos ficaram marejados quando também avistei Jenny e Peter, fiquei meio boba e só consegui dizer:
- Vou abrir o portão...
Edward veio ver o que estava acontecendo e me abraçou por trás, sorriu contra meu pescoço e sussurrou:
- Eu queria te fazer uma surpresa, amor! – olhei para ele incrédula – Telefonei para Peter depois da coletiva de imprensa, todo mundo em Forks ficou surpreso com a nossa história! E ainda consegui falar com Jenny... Tudo indica que ela não se importaria em vir morar em NY e cuidar de nossos gêmeos!
- Oh! Edward! – girei meu corpo de repente – OBRIGADA! OBRIGADA! OBRIGADA!
Eu intercalava palavras de agradecimento e beijos estalados no rosto de meu marido, sorrindo como uma criança feliz!
Fomos para a varanda receber nossos amigos e mal o taxi parou e descarregou algumas malas, eu corri em direção a eles sendo abraçada por Charlotte e Peter, Sid e Jenny ao mesmo tempo.
- Oh! Meu Deus! – exclamei – Que linda surpresa!
Depois da euforia inicial, Charlotte pegou de uma sacola enorme o violão de Edward que segundo ela, viajou em seu colo e envolto num lençol para não arranhar.
- Desculpe o mau jeito, Sr. Cullen, ma sé que eu não tinha uma capa para transportá-lo!
- Oh! Deus... – meu marido ficou sem palavras – Meu violão...
Emocionado, Ed deu um tímido abraço em nossa querida ex-vizinha.
Choveram perguntas para mim e para Edward e em meio a muitas gargalhadas, nos entramos. Assim que viram os gêmeos, nossos amigos de Forks ficaram espantados com eles, afinal, meus bebês estavam mais lindos e crescidos a cada dia! Confesso que os meninos ficaram um pouquinho tímidos com Peter e Charlotte, mas esboçaram um sorriso para Sid e com Jenny, foi outra história.
Assim que fixaram seus olhinhos verdes na ex-babá, os dois caíram num verdadeiro estado de contemplação... Thomas franziu a testinha, fez biquinho e ficou pensando... pensando... Já Anthony colocou um dedinho na boca e enquanto mastigava o dedo, pensava com seus botões... Como se pudessem falar por telepatia, meus filhos trocaram olhares entre si, sorriram e foram até Jenny, esticaram os bracinhos para ela e pediram colo!
OMG! Que cena linda de se ver!
Ela sentou no chão e os abraçou com tanto carinho que as lágrimas começaram a rolar em minha face.
Passados os minutos de pura emoção, convidamos nossos amigos para almoçarem conosco e como Edward já sabia de tudo, ele deve mesmo ter avisado às empregadas que teríamos visitas. Em meio à conversa, Sid soltou uma pérola...
- Sra. Fields... ééérrr... Quer dizer, Sra. Cullen... Meu Deus do céu! – ele olhou ao redor - Essa sala de jantar é quase do tamanho da sua casa de Forks! Jesus... Se eu começasse a fazer uma faxina aqui, só ia terminar no ano de 3025!
Todo mundo começou a rir e eu quase me engasguei com o almoço, Edward aproveitou a deixa e perguntou a Jenny se ela queria mesmo voltar a trabalhar conosco. Houve um minuto de silêncio, ela olhou ao redor, olhou nos meus olhos, nos olhos de meu marido e quando se concentrou nos meninos, viu que ambos comiam uma saladinha de legumes e grão-de-bico com caldo de carne, sua boquinhas estavam sujinhas... e eles pareciam bem concentrados na comida!
- Como poderia NÃO aceitar? – ela sorriu.
Lupi respirou aliviada ao saber que a sucessora era, na verdade, sua antecessora e era uma pessoa que gosta mesmo dos meninos.
Depois do almoço fomos para a sala de música onde Edward começou a dedilhar seu violão recuperado, o café foi servido e quando percebi, Jenny, Sid, Peter e Charlotte estavam aos cochichos. Desconfiada, mas sem tentar ser muito mal educada, perguntei:
- Ah-ham... Qual é o segredo?
Meu queixo caiu e Edward ficou surpreso quando Peter falou o que tinha acontecido com Tanya Denalli desde o dia que ela tinha sido presa há quase um ano atrás até os últimos dias quando ela viu nossa coletiva de imprensa e surtou geral.
Seria cômico se não fosse trágico, segurei o riso várias vezes!
A desgraçada da Tanya Denalli era doidinha de pedra mesmo e eu até teria pena dela se ela não tivesse tentando me separar da razão da minha existência...
Os Greeves e Sid só ficaram cinco dias conosco e como todos já conheciam NY, ninguém fez questão de sair para conhecer a cidade. Na verdade, eles estavam encantados com a mansão e durante nossos passeios diários, a gente ia contando pra eles como tinha sido a nossa fuga, os dias quentes no trailer e os dias de calmaria e aconchego na fazenda, também mostramos as fotos e os DVDs do batizado e do aniversário dos meninos.
Na sexta-feira foi um dia de despedidas, enquanto nossos amigos de Forks seguiam para um portão de embarque, Lupi seguia para outro, com destino a San Diego. Com a certeza de que Jenny iria ficar conosco, ela fez as malas feliz e contente rumo à sua vida de universitária. Prometi àquela garota que nunca me esqueceria dela e que nada iria faltar para seu sustento durante os árduos anos da graduação, ela em contrapartida, prometeu arranjar um emprego de meio período e tirar boas notas na faculdade. Senti um nó na garganta quando ela se foi, seu status de órfã fazia com que eu me visse nela... Apenas uma garota correndo atrás de seu sonho.
Para espantar a tristeza, o sábado de sol trouxe a equipe de arquitetos e decoradores para montar o quartinho dos gêmeos!
Ter dinheiro de novo é bom, viu?
Eles não se esqueceram de nenhum detalhe, dividiram bem o espaço físico, colocando as paredes pré-moldadas nos lugares certos, fazendo uma enorme suíte se transformar em três ambientes perfeitos. O primeiro espaço se transformou num homeplay, um lugarzinho cheio de brinquedos e especialmente decorado para meus monstrinhos gastarem as energias. A porta seguinte dava acesso ao quarto propriamente dito, onde os berços grandes poderiam ser transformados em mini-camas daqui a algum tempo. A decoração foi em tons de azul, laranja, branco e marrom e em cada berço havia dois ursinhos de pelúcia abraçadinhos e com os nomes dos meninos bordados nas patinhas deles. O enorme closet que antes havia ali teve sua parede lacrada por outra parede removível de aço (para impedir um possível acesso ao bunker) e o espaço se transformou num quarto de babá com móveis claros e decorados em branco e azul. Já o banheiro dos meninos ficou uma coisa muito fofa mesmo! A decoração em tons de azul e com algumas bandeirinhas deixou o ambiente alegre e colorido.
Com o quarto dos meninos pronto e a babá já contratada, ou recontratada, eu e Ed conseguimos arranjar um tempinho para descer o bunker e pegar de lá todos os álbuns de fotos, DVDs, as jóias que tinham sido de Esme e que agora eram minhas, as jóias de mamãe, louças e prataria que tinham sido do enxoval de casamento de minha sogra...
Foi uma ‘viagem’ difícil, muitos daqueles objetos nos remetiam a doces lembranças e dolorosas saudades... Percebi meu marido segurando o choro quando viu um lindo porta-retratos com detalhes em ouro e prata, a foto era de Carlisle e Esme no dia do casamento deles. Eu não consegui conter as lágrimas quando abri a caixa de jóias que tinha sido de mamãe e me deparei com a tiara de ouro e pedrinhas de topázio. Vovó Marie usou aquela tiara em seu casamento, mamãe também usou e se não fossem as circunstâncias, eu também a teria usado... Tentei me recompor, engoli o choro e me consolei com a possibilidade de ver uma nora, ou quem sabe, uma filha usando aquela tiara.
Outra coisa que meu mexeu com o meu coração e o coração de Edward foram os nossos retratos que eu mandei pintar em comemoração ao nosso 10º aniversário de namoro.
- Esses quadros são lindos, Bella. – meu marido me abraçou por trás e eu pude sentir ele inspirando contra meus cabelos – Eles merecem um lugar especial em nossa sala de jantar...
- É mesmo... – sorri e me virei para beijá-lo.
Fizemos várias viagens do bunker até o quarto e quando tivemos a certeza que não faltava mais nada, selamos a parede novamente. Eu me encarreguei de guardar as jóias no cofre do closet, mas pedi às empregadas que arrumassem os porta-retratos, os álbuns de fotos e todas as outras coisas que ainda faltavam.
Durante todos esses dias, a gente falava com nossos padrinhos-amigos e com Will e Lilian, quase que diariamente. Mas receber a visita de Rose e de Emmett, principalmente quando eu deveria achar que ele estava em Austin, no Texas, me pegou de surpresa. Era meados de Abril, eu estava conversando mais uma vez com a decoradora, sobre o projeto de meu quarto, enquanto Edward brincava com os gêmeos, quando Rania (uma das empregadas) avisou que o Sr. McCarty e a Srta. Hale estavam entrando.
Confesso que na hora fiquei até meio preocupada e temendo ser notícia ruim (gato escaldado tem medo de água fria), despedi a decoradora e chamei Edward para receber nossos amigos.
OMG! OMG! OMG! Rose e Emmett estavam trazendo o CONVITE DE CASAMENTO deles para nós!
E... OMG! OMG! OMG! (de novo) Eu e Edward fomos convidados para serem os padrinhos de Emmett!
- Parabéns! – sussurrei emocionada enquanto abraçava os noivos – Que Deus abençoe muito vocês dois...
- Puxa vida, Bella, brigadão, viu?! – Emmett já falava com a voz embargada.
- Mas vocês pegaram a gente de surpresa, eu não podia imaginar que mesmo trabalhando tanto nas investigações, pudessem estar preparando também uma festa de casamento! – Ed observou.
- Na verdade não vai ser uma grande festa e mamãe já estava planejando isso há algum tempo... – Rose esclareceu.
Edward também ficou muito feliz e depois de parabenizar os noivos, a gente brindou também a notícia que os dois haviam conseguido transferência para o escritório do FBI em Dover, no pacato estado de Delaware, a menos de três horas de NY.
- A gente queria morar numa cidade mais calma, porque quando os filhos nascerem, queremos uma melhor qualidade de vida pros monstrinhos... – Emmett falou cheio de orgulho e nos mostrou as fotos da casa que eles compraram - Aqui tem o quintal... o jardim... o a CSA tem três quartos e um sótão...
- Graças a um bom financiamento bancário, conseguimos essa excelente casa! – Rose acrescentou – Ela fica num ótimo subúrbio de Dover, próximo a pré-escolas e parques...
Tava na cara que Rose e Emmett tentariam engravidar logo...
Depois que eles nos contaram tantas notícias boas, eu e Ed ficamos tentando arrancar deles o que queriam ganhar de presente. Por fim decidimos dar a eles a viagem de lua-de-mel porque eu me lembrei que durante as investigações do Caso Volturi, Rose falou que achou a Itália e a França lugares lindos e românticos.
- E aí Rose, o que mais se parece com vocês dois: o sul da França ou a região de Toscana na Itália? – fui direto ao assunto, disposta a não perder tempo.
- Não... não... não... Bella! – ela corou – Por favor... não precisa...
- Sim, sim, sim, amiga! – me levantei da poltrona onde estava e fui sentar no braço da cadeira onde ela estava, abraçando-a pelos ombros – Eu quero muito dar a vocês um presente para se guardar na memória e no coração. Por favor, aceitem!
Eles trocaram alguns olhares, sorriram um para o outro e por fim ela confessou:
- Bem, nós vamos tirar uma licença de apenas 15 dias e pensamos que talvez a... Toscana...
Um plano maravilhoso já se formava na minha mente, no dia seguinte eu procuraria uma agência de viagens, disposta a fazer um roteiro bem romântico e fofo para nossos amigos... Um roteiro maravilhoso, para ser percorrido de carro e com bem calma, saboreando aquelas lindas e sinuosas estradinhas, os campos de girassóis e os magníficos vinhedos...
- Eles merecem mesmo serem felizes. – Ed falou quando nossos amigos já tinham ido embora – Desejo de coração que o casamento deles seja tão lindo quando o nosso.
- E vai ser. Afinal, eles se completam de verdade...
Para nossa alegria o quarto que antes pertencia a Carlisle e Esme finalmente ficou pronto, eu e Edward ficamos muito satisfeitos com tudo. E para ser sincera, eu peguei carona no estilo de decoração de minha sogra, pois sempre gostei muito do seu bom gosto em usar móveis claros e paredes em tons pastel. Compramos móveis novos, é claro, mas eu fiz questão de deixar as paredes com a mesma cor e só inovei fazendo com que teto e piso combinassem e escolhendo um tom mais escuro para as cortinhas. No closet eu fiz mais mudanças, pedi que colocassem uma parede pré-moldada para dividir os ambientes, na parte de Edward havia um lindo assento com estofado de couro na cor marfim e na minha parte, um pequeno sofá e um assento em tecido na cor branco gelo. O banheiro foi completamente refeito, pois eu sempre adorei banheiras em estilo jacuzzi e quanto maior, melhor! As cores ganharam um tom de marrom escuro e branco, trazendo ao ambiente um visual arrojado, moderno e jovem.
Nem preciso dizer que eu e Edward tivemos uma estréia de quarto novo em grande estilo... Depois de um jantarzinho romântico à beira da piscina e depois que tivemos a certeza que os meninos já estavam nos braços de Morpheus, constatamos que aquela cama era gostosa demais e que os lençóis de algodão egípcio eram muito macios... Ainda experimentamos as delícias na banheira nova... E aquele sofazinho de nosso quarto derrubou a teoria da matéria que diz que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço...
- Sabe amor, essa noite vai entrar para a lista das nossas dez melhores... – Ed abraçava meu corpo suado e febril depois de mais um poderoso orgasmo – E a propósito, nosso quarto ficou lindo...
Sorri para meu marido, beijei seus lábios levemente antes de me aninhar nele e me entregar ao sono.
Viajamos para Julian no dia 17 de Maio, dois dias antes do casamento, mas não nos hospedamos na fazenda, pois a casa deveria estar abarrotada de parentes de Emmett que viriam não só do Texas, mas de Dakota do Norte também.
O Grande Dia de minha querida Rose começou ensolarado como sempre acontece na primavera californiana... O ambiente tinha cheiro de festa e o semblante de todos, durante o churrasco promovido por Will, era de muita felicidade. Conheci a irmã de Emmett, o cunhado e seus lindos sobrinhos, eles ficaram ‘encantados’ em nos conhecer e disseram que graças a nós aquele casamento estava acontecendo.
Às 18 horas em ponto, eu e Ed chegamos à igreja de Santa Luisa de Marillac (a mesma igreja onde os meninos foram batizados) e logo de cara vimos Alice, usando um lindo vestido lilás e Jasper num terno cinza grafite alinhadíssimos, eles eram os padrinhos de Rose. Eu usei um vestido verde pistache para combinar com os olhos de Edward e o fiz usar um elegante terno escuro. Nossos bebês eram os dois gatinhos mais lindos da igreja, usado calça e colete de risca de giz, camisas azul bebê e sapatinhos Oxford pretos. Quando finalmente a música começou, e depois que nós, os padrinhos entramos, eu quase chorei de emoção quando vi que Emmett já chorava, entrando na igreja, sendo conduzido por sua irmã.
A marcha nupcial começou e Sandy, a sobrinha mais velha de Emmett foi a daminha de honra, ela usava um lindo vestido pérola com detalhes cor de rosa. E quando avistamos Rose, ela estava simplesmente deslumbrante! Seu vestido parecia uma cascata de musselina na cor branca champanhe, envolto em mangas de renda francesa, ela não usou véu e em sua cabeça havia um lindo arranjo em flores naturais, prendendo suas madeixas louras num coque romântico e elegante. Sua maquiagem estava suave perfeita, seu buquê foi adorável e romântico... Sorrido para todos os convidados era gentil e feliz, mas quando ela olhou para o futuro marido, percebi que seus olhos mudaram, eles ficaram exultantes e apaixonados.
A festa de casamento aconteceu nos jardins da fazenda, onde eu pude perceber que o talento de Evelyn, a irmã de Emmett, para fazer festas era tão ou mais poderoso que o de Alice. Ela usou de muita criatividade para espalhar centenas e centenas de luzinhas pelas árvores e plantas e dispôs as mesas ao redor, enfeitadas por lindos arranjos de flores. Mas o requinte do cardápio e a linda decoração do bolo ficaram por conta de Lilian. Eu me encantei quando vi que as orquídeas que ornamentavam o bolo eram feitas com massinha de marzipan!
Também me encantei quando revi ‘os primos’ Darcy, Jeremy olhou espantado para mim e para Edward antes de falar:
- Ô primos, a gente viu ‘ocês’ na TV e quase não ‘creditamos’. – ele falou naquele sotaque carregado – A mãe ficou dizendo que era ‘ocês’, mas eu juro que não podia crer que uma situação disgramada daquela pudesse acontecer pr’ocês...
- Mas agora os primos estão bem felizes, pai... – Dorothy me abraçou com carinho e abraçou os meninos também.
Depois da costumeira primeira valsa dos noivos, meu marido tentou me provocar?
- Ô mãe, ocê quer dançar comigo?
- Eu vou pai, não se ocê continuar falando assim, eu te largo no meio da pista... – entrei na brincadeira dele.
A noite de núpcias de Rose e Emmett foi no mesmo celeiro onde eu e Edward comemoramos nossas bodas de algodão e no dia seguinte, eles estavam embarcando para Florença, rumo a sua merecida lua de mel.
Nem bem Will e Lilian casaram uma filha, Jasper e Alice apareceram na nossa frente, nos entregando TAMBÉM o convite de casamento deles que aconteceria no dia 16 de Junho em Zion, a fazenda dos pais de Alice.
- OMG! Amigaaaa... – pulei em seu pescoço, abraçando-a e quase nos derrubando no chão – Você também guardou segredos de mim?! – apertei sua bochecha – por que não me disse logo, Alice?
- Ah, Bella! – ela sorriu – A gente não queria desviar o foco de suas atenções, eu bem sei que você anda muito ocupada com a mansão...
- Mas não pensem que vai ser festão. – Jasper avisou – Será uma comemoração íntima, somente para a família e os amigos... Grace conseguiu refrear os impulsos festivos da filha há tempo...
A baixinha sorriu e estirou a língua para o noivo!
De volta a NY, eu resolvi fazer uma coisa que já estava adiando há dias: sair sozinha de carro. Cada vez que eu me planejava para sair, comprar alguma coisa, ou simplesmente bater pernas nas ruas de Manhattan... eu me acovardava e pedia que Edward ou alguma empregada fosse no meu lugar.
Mas não havia motivos para isso, certo?
Certo. Porque Edward já havia saído várias vezes, porque não havia o menor risco para nós e porque DEFINITIVAMENTE não havia mais Caso Volturi ou qualquer outro criminoso que pudesse nos machucar...
Disposta a tentar, antes de procurar terapia, deixei os meninos com o pai e a babá e numa tarde ensolarada, peguei o carro e ganhei as ruas do bairro. No começo as minhas pernas tremiam e minhas mãos suavam depois o prazer de dirigir e a familiaridade com a minha cidade me fizeram ganhar confiança. E quando me vi indo em direção a Manhattan, sorri para mim mesma! Depois de percorrer algumas ruas e me deparar com o familiar trânsito congestionado de NY, cheguei à Madison Avenue e fui parar na Barneys, onde me deliciei numa tarde frívola de compras na minha loja de departamentos preferida.
Dentre tantas coisinhas que comprei, estavam dois troninhos para os meninos! Já estava na hora de incentivá-los a usar o peniquinho e estes que comprei eram bem coloridos... Só espero que dê certo e eles aprendam a pedir ANTES de sentirem vontade...
Feliz com o meu progresso, eu e Edward passamos a sair com os meninos regularmente, aproveitando o clima ameno e a estação florida, passeando com os meninos pelos parques, zoológicos e às vezes nos shoppings.
Ser gente normal, de novo, era algo que estávamos reaprendendo. E era muito bom ser isso de novo!
No dia 13 deixamos NY com destino a Atlanta e de lá, fretamos uma van para nos levar ao condado de Wilks, onde ficava Zion. Chegamos à fazenda no final do dia e nos hospedamos lá mesmo já que Grace e Solomon não abriram mão de nossa presença. Os meninos chegaram adormecidos em nossos braços e assim que Jo nos viu, ela veio toda serelepe nos receber.
- Oi Edward, oi Bella! – ela sorria e sussurrava para não acordar meus filhos – E o que temos aqui? Os dois são muito lindos mesmo... – ela beijou delicadamente a cabecinha de cada um.
- Eles se chamam Anthony e Thomas. – Ed falou.
- Eu sei! – ela disse – Eles são os irmãos Tom-Tony...
Começamos a rir do apelido de ultima hora, Jo sempre será uma figura mesmo!
Alice estava super-nervosa-agitada-desmiolada naqueles últimos dias que antecederam o casamento e para piorar seu estado, Emmett zuava muito com ela. Por falar em Emmett, Rose trouxe as fotos da lua de mel e somente de olhar para ela a gente podia notar que a felicidade do casal era imensa.
Na manhã do sábado, 19 de Junho, acordamos muito cedo e tivemos um lindo café da manhã em família, onde os primos de Alice fizeram bonito, cantando muitas músicas gospel e alegrando o ambiente para a cerimônia que aconteceria por volta das onze horas.
Eu e Rose fomos as madrinhas e acertamos na escolha de vestidos leves com tecidos fluidos, o meu era florido com uma estampa discreta e o de Rose era rosa bebê, caindo lindamente em seu corpo.
Às onze e meia Jasper já estava doido, no altar, esperando Alice, ele sorria de vez em quando, eu sabia que meu padrinho estava tão nervoso quando eu estive no meu próprio casamento. Poucos minutos depois, Alice surgia diante de nós, linda num vestido branco gelo que caia perfeitamente em seu corpinho de fada. Seu cabelo estava preso num coque alto, a maquiagem foi discreta e seu buquê foi colorido, alegre e romântico.
Ao som de Amazing Grace, cantada na linda voz de Jo e tocada pelos primos de Alice, num terceto de violino, a noiva caminhou pelo jardim, onde aconteceu a cerimônia, sorrindo para todos, mas sem perder o foco no seu noivo... Solomon fez um duplo serviço, levou a filha ao altar e celebrou o casamento, se emocionando várias vezes e sempre interrompendo seu próprio sermão para ressaltar que estava casando sua única filha, sua filhinha linda, mas que estava feliz porque ela estava se casando com um bom homem...
Após a cerimônia, tivemos um delicioso coquetel, seguindo por um almoço muito agradável. Quando Jo fez questão de ficar em nossa mesa, já que ela estava encantada com os gêmeos e com o firme propósito de ensiná-los a dizer o apelido que ela inventou. De sobremesa, nos comemos o lindo e delicioso bolo e brindamos com champanhe bem gelada. De fato o casamento de Alice foi tão lindo e feliz quanto o meu e o de Rose.
Como presente de casamento, eu e Edward também quisemos dar aos noivos a lua de mel, mas conhecendo a fadinha como eu conheço, sabia que um roteiro previsível e até mesmo clichê não iria atraí-la tanto assim.
Por isso, assim que fomos convidados para as bodas, conversei muito com minha amiga sobre as opções de lua de mel e para nosso espanto e desespero de Jasper, ela escolheu Dubai. O sonho de Alice era, pelo menos visitar o luxuoso Hotel Al Burj Al Arab, considerado o hotel mais luxuoso do mundo...
Para fazer surpresa a ela, seu roteiro de lua de mel inclua hospedagem num cinco estrelas muito bom... Mas eles teriam uma diária especial no famoso hotel em forma de flecha que a minha excêntrica amiga sonhava em conhece, com direito a SPA e jantar romântico. A suíte onde se hospedariam tem simplesmente 170 m² e é um duplex, ligada por uma escada interna de mármore branco e um corrimão de ouro. Tadinho de Jasper, depois entendi a razão de seu desespero, porque tenho certeza que Alice iria arrastá-lo para fazer compras por TODOS os lugares que ela descobrir!
De volta a NY, chegamos em casa de madrugada, Jenny levou os meninos para o quarto, eu e Edward tomamos um banho relaxante e caímos na cama, cansados demais da viagem e do casamento. Mas antes de pegar no sono e já aninhada ao corpo de meu marido, suspirei e inspirei em sua pele antes de falar.
- O ‘felizes para sempre’ de Rose e Emmett e o de Alice e Jasper só me fazem lembrar de nós... Eu te amo, Edward...
Ele sorriu e beijou o topo de minha cabeça, me abraçou e me puxou mais para si.
- Te amo, minha princesa, para sempre...