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- Música Das Sombras - adaptação do livro homônimo. (Fic concluída)

domingo, 19 de setembro de 2010

Música das Sombras - Capítulo 08

Luta

Medonhos gritos de batalha, seguidos de bramidos sofridos rasgavam o ar. Mais gritos de tortura enchiam aquela verde campina com o cheiro da morte.
Os soldados do Clã Cullen haviam se juntado para a batalha. Avançavam, formando uma linha impenetrável, quem estivesse em seu caminho não tinha alternativa a não ser esperar a morte chegar. Os soldados McCarty seguiram o seu líder pelo lado oposto do vale, e em questão de minutos os dois Clãs tinham emboscado o inimigo entre eles. Não mostraram piedade, nenhum Laird era benevolente. O código de conduta nas Highlands era olho por olho, dente por dente, e quando terminaram, o campo estava literalmente coberto de corpos.
Em seguida, começou a frenética busca pelo corpo de Jasper Cullen. Edward saltou de seu cavalo e correu para o buraco que seus inimigos tinham preparado para seu irmão. Sentiu um grande alívio quando viu que o fosso estava vazio. Perto dali só havia um corpo no chão, Edward não o reconheceu. Estava examinando as desconhecidas marcas da flecha afundada no peito do homem quando o Laird Emmett McCarty se juntou a ele.
— Quem diabos é esse pobre infeliz? — perguntou Edward.
Emmett sacudiu a cabeça.
— Nunca tinha visto esse bastardo antes.
Edward tirou a flecha do peito do homem morto.
— É uma flecha dos soldados McCarty?
— Não. Pensei que fosse dos seus soldados. – Emmett respondeu.
— Aposto meus dentes que o Newton está por trás disso — disse Edward.
Emmett negou com a cabeça.
— Esses homens mortos que estão no chão não são soldados do Newton, e esta não é uma de suas flechas. Estas marcas … nunca tinha visto uma flecha como esta antes. Não há sinais dos Newton aqui. — Emmett levantou um pedaço de corda, havia sangue nela. — Usaram isso para amarrar Jasper.
— Emmett, eu ainda penso que isto de alguma forma está associado ao filho da puta do Mike Newton. — Edward falou entredentes, em seu rosto havia cólera e o desejo ainda não aplacado de vingança.
— Sem provas, você não pode acusá-lo, Edward. — raciocinou Emmett – Dou-lhe a minha palavra que se houver provas contra aquele bastardo covarde, os soldados McCarty estarão em aliança com o Clã Cullen. – ele pôs a mão sobre o ombro do amigo – Rasgaremos todos os Newton ao meio.
— Obrigado, Emmett. – Edward suspirou - Jasper não pode ter ido longe. — Edward examinou os bosques que o rodeava. — Continuaremos procurando até que o encontremos. Eu simplesmente não posso voltar para casa sem Jasper.
Com muito pesar, Edward se lembrou de sua cunhada, Alice. Ele havia aprendido a amar e respeitar aquela baixinha de longos cabelos negros e olhos cor de violeta. Alice havia sido prometida a Jasper desde a mais tenra infância. O Laird Franklin Brandon era muito amigo do Laird Gerard Cullen, seu pai. Também ouve uma menininha, Victoria, do Clã McGregor, que havia sido prometida a Edward. Mas a pobrezinha morreu de varíola aos 9 anos de idade. Edward lamentou a morte da criança, pois ele não tinha um mau coração, mas sempre acreditou que Deus escreve certo por linhas tortas.  Ele jamais seria um bom marido. Nasceu para ser líder, chefe de Clã e guerreiro! A cada dia o jovem Laird, que já contava com 25 anos de idade, se convencia de seu papel nesta terra. As lembranças de cinco anos atrás, quando seu coração floresceu com a alegria do primeiro amor, vieram com força e o Laird sentiu em gosto amargo em sua boca.  Antes de morrer, o Laird Gerard queria deixar seu primogênito, Edward, casado, pois o velho sabia que um bom líder precisava de uma esposa. A filha dos Denalli, a jovem Tanya parecia ser um bom partido para seu Edward.  A aliança entre os Clãs foi feita, Edward e Tanya se conheceram e de cara, mostraram mútuo interesse. Nos seis meses seguintes, Edward cortejou a moça enquanto os planos de um próspero casamento se desenrolavam. A notícia veio como um ferro quente, descendo-lhe goela abaixo ... Tanya Denalli havia dissuadido seu pai a desfazer o compromisso! Laird Denalli quase morreu de desgosto e de vergonha quando soube que Tanya, sua filha mais velha, havia se deitado com um nobre inglês ... O Barão James Scott se casou às pressas com Tanya, não sem antes desonrá-la e manchar o nome de sua família. Edward não chorou, um Laird não chora.
Antes de morrer, o Laird Gerard presenciou o casamento de Jasper. Há dois anos, Alice havia entrado para a família Cullen, uma nova irmã, como Edward a considerava. Três dias atrás, o Clã Cullen havia sido abençoado com mais uma vida. Hannah Cullen era a filha de Jasper e Alice, aquela pequena criatura já corria o risco de crescer órfã de pai ... Esses tristes pensamentos corroíam o peito do Laird Cullen.
— Os McCarty estão com você. — Emmett reafirmou sua lealdade ao amigo — Pelo tempo que for necessário para vingar este ato desumano.
Os dois Lairds dividiram seus homens em grupos menores para rastrear cada palmo do bosque, mas depois de horas de busca, cada grupo concluiu que tinham coberto exaustivamente a planície e os bosques de Finney’s Flat, sem nenhum resultado.
Jasper Cullen simplesmente desapareceu no ar.
O desespero quase tomou conta do Laird Cullen novamente. Seria muito difícil contar para Alice o que tinha acontecido ao esposo. O parto tinha sido difícil, Alice estava fraca ... precisava de repouso ... Mesmo sendo um homem considerado por todos, bruto e insensível, Edward achava difícil a tarefa de dar a luz. Deus, Nosso Senhor poderia ter arranjado um modo mais fácil das crianças nascerem, sem causar tanto sofrimento às suas mães ... (n/a: eu tb acho) Sua própria mãe, Lady Elizabeth, havia morrido no parto de Jasper. Edward era uma criança de 5 anos de idade mas tinha sólidas lembranças de sua adorada e carinhosa mãe que também tinha olhos verdes e cabelos cor de bronze como os seus. A parteira, Lady Esme, esposa de Carlisle, o médico do Clã, havia recomendado repouso absoluto a Alice ... E agora?! Como Edward lhe daria a notícia?
Não muito longe dali, Jasper Cullen estava num estado deplorável. Alguém tinha chicoteado tanto as suas costas que fiapos de sua capa estavam misturados às tiras de sua pele, formando um único farrapo sujo e sangrento. O jovem Cullen também havia apanhado bastante nas pernas e nos pés, e ainda lhe gotejava sangue de um corte profundo no lado direito da cabeça.
Isabella sabia que poderia obter ajuda para o guerreiro na Abadia de Arbane, pois em todas as Abadias havia pelo menos um Padre que fosse médico. Mas embora estivesse com pressa por chegar lá, as necessidades mais imediatas do homem ferido deviam ser atendidas primeiro. A Princesa Isabella decidira, ao disparar aquela flecha na campina, lutar pela vida daquele homem e para tanto ela iria até o fim, mesmo que isso lhe trouxesse desgraçadas conseqüências.
Cavalgaram ao longo da margem do riacho até que ficaram longe o suficientemente da batalha. Samuel tirou o corpo inerte de Jasper Cullen do cavalo e o colocou no chão perto de Isabella. Gentilmente, a Princesa pôs a cabeça do homem ferido em seu colo e pressionou um pedaço de pano no corte da têmpora, tentando deter a hemorragia. Assim que o sangue parou de jorrar da face daquele pobre homem, Isabella não pensou duas vezes, rasgou uma tira de pano de sua roupa de baixo e molhou-a na água fria do riacho, limpando rapidamente as outras feridas do melhor jeito que pôde. Mas o homem necessitava de medicamentos para afastar o risco de uma infecção e um bálsamo para lhe aliviar a dor dos cortes em suas costas. Precisava também de alguém com agulha e linha para costurar os pedaços de sua pele exposta. Embora Isabella tivesse sido instruída a fazer curativos rápidos, não queria fazer o serviço, primeiro porque sabia que os ferimentos não estavam bastante limpos, segundo porque não queria lhe causar mais dor.
Depois de quase duas horas de jornada, bem longe de Finney’s Flat o grupo de viajantes fez a curva do riacho e seguiu por entre os pinheiros do bosque, a Abadia de Arbane e o socorro ao homem ferido estavam mais próximos do que nunca. Como cavalgavam isolados, Isabella imaginou que estavam a salvo de intrusos, enquanto Jared e Embry faziam guarda, Samuel e Paul ficaram perto dela. Justo quando estava a ponto de chamar seus guardas para que movessem o corpo do pobre homem, a ferida da cabeça dele começou a sangrar novamente. Isabella ficou aflita.
— Princesa, seu vestido está muito cheio de sangue — assinalou Samuel.
— Isso não me incomoda. — respondeu. — Mas o estado desse pobre home me preocupa, ele perdeu muito sangue.
— Não acredito que vá sobreviver. — disse Paul — E devemos estar preparados para essa possibilidade. O que a Princesa quer que façamos com o corpo?
Isabella não se horrorizou ante a objetividade de Paul. Ele não estava sendo insensível apenas prático. Ele era um homem compassivo, mas também era o mais pragmático dos quatro guardas.
— Se este homem morrer, será por vontade de Deus, mas farei tudo o que esteja em meu alcance para ajudá-lo a sobreviver.
— Assim como nós também o faremos. — assegurou Samuel. — Mesmo assim, Paul tem um argumento válido. Este guerreiro Cullen não a viu.
Ela sorriu gentilmente.
— Como poderia me ver? Ele ainda não abriu os olhos.
— Parece que a Princesa não entende o que queremos dizer. — disse Paul — Pode ser que esteja correndo um grave perigo.
Samuel assentiu de acordo e completou:
— Não sabemos quem são estas pessoas ou se algum deles pode nos viu. Sua flecha matou o líder dos homens que estavam junto ao buraco onde este guerreiro seria enterrado, mas os outros escaparam. Se descobrirem que a Princesa é a responsável pela morte de seu comandante, poderão tentar vingar-se. Jamais alguém deverá saber que a Princesa esteve ali.
Isabella fitou os rostos preocupados de seus guardas e percebeu que Samuel tinha razão. A preocupação afligiu seu coração ao pensar não somente na própria segurança. Se os homens que prenderam e torturaram Jasper Cullen descobrissem que ela tinha matado um dos seus, eles não só viriam em seu encalço, mas também se vingariam contra seus guardas. A Princesa não podia permitir que isso acontecesse.
— O que vocês sugerem eu que faça? — perguntou Isabella sem deixar transparecer na voz o seu nervosismo.
— Quando nos aproximarmos da Abadia de Arbane, Jared e Embry a acompanharão para dentro e a escoltarão a seus aposentos. — sugeriu Samuel.
— A Princesa pode usar a capa para esconder o sangue do vestido — disse Paul.
— E que faremos com o homem ferido? — perguntou Isabella.
— Encontraremos outra forma de colocá-lo para dentro da Abadia, uma forma que não envolva a Princesa. Os monges certamente terão os remédios que o homem necessita.
Paul assentiu e expôs sua opinião novamente.
— Se este homem morrer existe a possibilidade de que o Laird Cullen possa culpar a Princesa. Todos nós ouvimos o que aqueles covardes disseram a respeito dele.
— Eles o chamaram de desumano. — lembrou Isabella — Ainda assim aqueles homens iam enterrar vivo um homem inocente. Por que eu deveria acreditar em uma só palavra do que disseram?
Antes que os soldados pudessem argumentar, Isabella continuou.
— Este homem agora é nossa responsabilidade. Não o entregarei a ninguém. Encontraremos uma forma de entrar na Abadia sem chamar a atenção. Somente quando eu tiver a certeza que os monges estão cuidando bem dele eu sairei de seu lado.
— Mas Princesa… — começou a dizer Paul.
Ela continuou sem lhe dar atenção.
— Os monges são homens de Deus, não é verdade? Simplesmente lhes pedirei que mantenham o segredo de como Jasper Cullen chegou à Abadia. Se conseguir fazer que o prometam, tenho certeza que jamais quebrarão sua palavra.
— Há mais implicações nisso. — disse Samuel — Não podemos permitir que a Princesa se coloque no meio de uma guerra, mesmo que seja no intuito de salvar a vida de um homem. A sua segurança é a razão principal de estarmos aqui.
Enquanto Samuel falava os outros guardas assentiam fervorosamente, Isabella sabia que não dariam o braço a torcer.
— Então devemos chegar a um acordo. Uma vez que Jasper esteja a salvo e sob cuidados médicos, sairei de seu lado.
— E não dirá a ninguém o que aconteceu? – Samuel questionou.
— Não direi a ninguém, prometo que não.
Foi muito fácil entrar na Abadia sem serem vistos. Não apenas a porta do final do corredor sul da muralha exterior que rodeava o edifício monástico estava destravada, como também estava totalmente escancarada. Um Padre tinha colocado uma pedra em frente à porta para mantê-la aberta e tornar mais fácil o transporte de sacos de grão de uma carroça que estava na entrada da Abadia até o outro lado do muro.
Isabella e seus guardas o observavam, escondidos atrás das árvores do bosque que havia atrás da Abadia. Então lhe ocorreu uma idéia, os sacos pareciam pesar mais do que pesava o Padre. Ele não era um homem tão velho, possivelmente estivesse próximo dos quarenta anos, mas não era muito forte. Primeiro o Padre tentou colocar o saco sobre o ombro e quase caiu de bruços, por isso terminou envolvendo os braços ao redor do saco, deixando que a parte de baixo arrastasse entre suas pernas.
Levando seu cavalo pelas rédeas para campo aberto, Isabella o chamou:
— Padre, o senhor me permite ajudá-lo?
Ao princípio, o Padre pareceu surpreso, mas depois assentiu vigorosamente.
— Eu ficaria muito agradecido. — respondeu.
Jared e Embry já tinham desmontado e estavam dirigindo-se para a carroça. Jared notou como o Padre lutava para segurar o saco e o agarrou.
— Onde o senhor gostaria que eu pusesse isto? — perguntou-lhe.
— Assim quer você cruzar aquela porta à esquerda há um armazém. Se empilhar o saco ali, estarei muito agradecido.
O Padre tirou um pano do cinto da batina e secou o suor da nuca. Sorrindo, começou a caminhar para Isabella.
— Bem-vinda, meu nome é Padre Erick.
Ele acabava de cruzar o pátio quando notou o homem ferido pendurando atravessado sobre o cavalo.
— Mas o que temos aqui? — demandou o Padre.
O homem santo se apressou para o lado de Samuel e assim poder olhar melhor, ficou tão impressionado pela condição do homem que rapidamente fez o sinal da cruz.
— O que aconteceu com este pobre homem? Ele está vivo?
—Ainda está. —respondeu Paul.
Samuel desmontou e carregou Jasper nos braços.
— Como claramente pode ver, este homem necessita de assistência. Há algum médico na Abadia?
— Sim, há mais de um — respondeu o Padre Erick com urgência. — Por favor, me sigam.
Jared e Embry descarregaram rapidamente os sacos de grão. O sacerdote caminhou apressado para uma porta que estava em frente a eles.
— Sabem o nome deste homem?
Isabella respondeu.
— O nome dele é Jasper Cullen.
A reação do Padre Erick foi imediata. Parou de caminhar tão abruptamente que quase perdeu o equilíbrio, girou nos calcanhares de repente e segurou nas paredes para não cair. Sua expressão era primeiro de incredulidade, depois de desespero, tinha-lhe desaparecido toda a cor de seu rosto.
— Escutei dizer Cullen? — estava tão emocionado, que gritou a pergunta. — Digam-me que ouvi errado, sim?
— Padre, por favor, baixe a voz. — rogou Samuel.
O sacerdote levou a mão à testa. Isabella notou que todo o seu magro corpo tremia.
— Meu deus! Vocês tem Ja-Jasper Cullen sob seus cuidados e ele está quase morto. Se ele morrer…
Isabella deu um passo à frente.
— Temos esperanças de que com a ajuda de Deus e do médico este homem não mora. — ela sussurrou.
O Padre Erick forçou a si mesmo a acalmar-se.
— Sim, sim, não devemos perder as esperanças — balbuciou — Posso, entretanto lhes assegurar isto: será um inferno se Jasper Cullen morrer, principalmente se ele morrer aqui. – o Padre tomou fôlego – Rápido, levem-no para dentro. A cela ao lado da minha está vazia, vamos colocá-lo ali. Assim que vocês estiverem devidamente instalados, irei à procura do Padre Berty. Acredito que ele seja o médico com mais experiência que os outros.
Jared e Embry ficaram com os cavalos enquanto Samuel e Paul entravam com Jasper na Abadia atrás de Isabella e do Padre. O corredor por onde o Padre os guiou era escuro, estreito e cheirava a mofo. Todas as portas eram de treliça de madeira formando arcos abobadados. O Padre indicou com a cabeça enquanto passava rapidamente frente a uma porta e disse:
— Essa é minha cela.
Deteve-se frente à porta seguinte, puxou o trinco e abriu-a devagar para assegurar-se de que o cômodo ainda estava desocupado. Empurrou a porta, entrou e a sustentou aberta para que Samuel carregasse Jasper.
O quarto era pequeno, com uma pequena janela localizada muito alta sobre o catre de madeira que servia como cama. Uma manta de lã cinza cobria o fino colchão de palha. Um banco e um pequeno baú eram as únicas outras peças de mobília do quarto. Em cima do baú havia uma bacia, uma jarra com água e duas velas de cada lado.
— Ponham-no na cama. Devagar. — disse o sacerdote — Deitem este pobre homem de lado já que suas costas … Oh! Bom Deus, suas pobres costas… — tomou fôlego e o deixou sair lentamente. — Acredito que o Padre Berty está atendendo na igreja. Direi a ele que traga todos os seus remédios. Quando eu voltar, pegarei minha estola e os Santos óleos e darei os últimos sacramentos a Jasper Cullen.
Isabella protestou.
— Mas esses sacramentos são somente dados a pessoas que estão morrendo.
— Pode então me dizer que ele não está morrendo?
Ela abaixou a cabeça.
— Não, não posso.
— Então é meu dever que este homem receba o sacramento da extrema-unção para que possa ir direto para o céu.
O Padre se virou para sair, mas Paul se plantou frente à porta, bloqueando-lhe a saída.
— Padre, seria muito melhor se ninguém soubesse como Jasper Cullen chegou até aqui.
— Então, antes de mais nada, devo saber se algum de vós teve alguma coisa a ver com suas feridas. É uma pergunta difícil, mas devo obter uma resposta agora.
— Ele já estava nestas condições quando o encontramos. — disse Paul.
— Isso foi o que pensei. Do contrário não lhes faria sentido carregar semelhante fardo. — o sacerdote declarou em seguida — Prometo que não direi nenhuma palavra a ninguém sobre como o irmão de Laird Cullen chegou aqui, mas eu gostaria de saber o que aconteceu.
— O senhor também manterá isso em segredo? — perguntou Paul — Entretanto seria melhor que o senhor não soubesse quem somos.
O sacerdote negou com a cabeça.
— Acho que já é muito tarde para isso. No mesmo instante em que vi esta bela jovem soube quem era.
— Faz semanas que circula os rumores a respeito de sua vinda, Princesa. – o Padre virou-se para ela e fez uma profunda reverência — É um prazer conhecê-la, Lady Isabella. Não se preocupem se no futuro nos apresentarem, estarei encantado de lhe conhecer então como se fosse a primeira vez que a visse, juntamente com sua escolta. Seus segredos estão em segurança comigo.
— Obrigada, Padre — disse ela, mas duvidou que ele a ouvisse, já que tinha saído apressadamente da cela.
— É melhor que se retire para seus aposentos, Princesa — disse Samuel.
Paul assentiu.
— Sim, já é hora.
Os dois guardas se viam preocupados, e Isabella lamentava muito ter que decepcioná-los.
— Ainda não posso deixá-lo. Este homem está muito vulnerável. Alguém deve cuidar dele enquanto está neste estado de debilidade. Antes de ir, devo me assegurar de que o deixo em mãos capazes e que tenha os remédios adequados.
Isabella não permitiria que seus soldados a convencessem do contrário.
— Princesa, quanto mais gente souber mais possibilidades existirão que os outros homens que escaparam sigam o rastro de Jasper Cullen até esta Abadia e nós tememos que saibam que você está envolvida no … — começou a dizer Samuel.
— A vida deste homem é mais importante.
— Não podemos estar de acordo nisso, Princesa, mas acataremos sua vontade. — disse Paul.
Jasper ainda não tinha aberto os olhos nem emitido som algum, nem sequer um gemido quando o Padre Berty, que Isabella teve que admitir ser um médico muito capaz, costurou-lhe a pele. O Padre quis deixar de lado os pontos e cauterizar a ferida com um espeto ardente, mas ela não o permitiu. Não lhe parecia haver necessidade dado que a hemorragia por fim se estancara. Havia outra razão também. Embora duvidasse que o guerreiro se preocupasse com a própria aparência, ele era muito bonito e a cicatriz deixada pelos pontos não seria tão terrível como a cicatriz de uma queimadura. Isabella esboçou um discreto sorriso ao imaginar que em algum lugar nas Highlands, uma jovem donzela, ou quem sabe uma linda esposa esperasse ansiosamente pelo retorno de Jasper Cullen. ‘Lute’ ela pensou e rogou a Deus que o jovem guerreiro tivesse forças para sobreviver.
Quando finalmente, Isabella se convenceu que nada mais podia fazer pelo homem ferido, ela consentiu em deixá-lo sob os cuidados dos dois sacerdotes.
O sol já estava se pondo quando Isabella se separou de Jasper Cullen e se encaminhou para os seus aposentos. 

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