O Beijo
O Laird Cullen alcançou Isabella perto do sopé de sua montanha. Ela ainda estava em suas terras, mas quase tinha atingido a fronteira. Se ele tivesse chegado lá uma hora mais tarde, Isabella já estaria em Finney’s Flat e seria um alvo perfeito para os predadores que esperavam o cair da noite para rastejar para fora de suas tocas.
O que, em nome de Deus, essa mulher tinha na cabeça para sair a campo aberto com apenas quatro homens para protegê-la? Será que ela não se dava conta do quanto era linda e ... frágil?
O coração de Edward estava aos pulos ... Ele não a perdoaria se nada de mal lhe acontecesse ... Ele não se perdoaria se algo ou alguém pudesse feri-la! ‘Oh, Deus, não’, ele fazia uma prece silenciosa enquanto cavalgava.
‘Ela esta a salvo’, disse a si mesmo enquanto cavalgava na direção dela. A salvo de todos menos dele, considerou, seu estado de ânimo o fazia pensar seriamente em atirá-la sobre seu ombro e levá-la de volta ao seu castelo. Arrastá-la também não lhe parecia ser uma má idéia ...
Isabella ouviu o tropel dos cavalos atrás de si. Ela parara para dar água ao seu cavalo e afastou-se o suficiente de Rogue para saber que não teria tempo de chegar a ele antes que Edward a alcançasse.
Ela também não duvidava como estaria o humor dele. O fogo que tinha nos olhos e a mandíbula travada eram indicadores óbvios. Edward saltou do cavalo antes que o animal parasse por completo, e embora sentisse um forte desejo de sair correndo dali, Isabella se manteve no lugar, de queixo erguido, enquanto ele se aproximava pisando forte.
Numa reação natural, seus guardas assumiram posições defensivas para bloquear o Laird, mas Isabella sabia que Edward não retrocederia. Ela tinha passado tempo suficiente em sua companhia para saber disso. Mas seus guardas também não retrocederiam. Cabia a ela evitar o confronto antes que ele começasse.
— Por favor, saiam do caminho. Preciso falar com o Laird.
Embry estava preocupado.
— Princesa — ele sussurrou —, é nosso dever termos certeza que ele não a machuque.
Samuel era um bom juiz de caráter, ele já tinha percebido como o Laird era querido e respeitado pelo seu povo. Todos no Clã Cullen estavam verdadeiramente felizes em vê-lo, e não viviam assustados pela presença dele. Seus lares eram bem construídos, havia lenha do lado de fora de cada porta, e as crianças não correram para se esconder quando o Laird Cullen e seus guerreiros subiram pela colina. Edward protegia o seu Clã, e o alívio que Samuel viu nos olhos do Laird quando avistou Isabella disse ao guarda que ele se preocupava, embora fosse só um pouco, por ela.
Samuel bateu no ombro de seu amigo e ordenou:
— Saiam do caminho do Laird. Nossa Princesa está a salvo com ele.
Edward não prestou atenção aos guardas. Ele tinha o olhar fixo em Isabella, e parou a poucos centímetros dela.
— Quero falar com você, Isabella. — sua voz não conseguia esconder sua irritação.
O Laird se avolumau sobre ela, que deu alguns passos para trás de modo a não precisar levantar a cabeça para olhá-lo.
— O que o senhor deseja falar comigo?
— Que parte da conversa desta manhã você não entendeu? Eu gostaria de saber para poder esclarecer.
— Conversa? Não acredito que aquilo foi uma conversa. O senhor me deu ordens.
— Que eu esperava que você obedecesse.
— Por quê?
A pergunta dela tinha um tom insolente, mas ele não acreditou que essa fosse sua intenção. Realmente ela não entendia, e embora ninguém nunca pedisse explicações ao Laird, ele concordou em responder.
— Porque eu disse que seria assim.
— Essa não é uma explicação suficiente para mim. Por que o senhor pensa que devo obedecer suas ordens? Não sou um membro de seu Clã.
Edward estava decidido a não perder a paciência com ela.
— Isabella – ele tentou falar com bastante calma – Você deve obedecer minhas ordens porque logo se tornará minha esposa e, então, logo será uma Cullen.
Ele não poderia ter sido mais claro e sucinto, e era impossível que ela tivesse mais perguntas ou argumentos, já que não havia nada mais que discutir.
— Mas Laird, eu nunca concordei em me tornar sua esposa.
— Você é uma mulher irritante — ele falou exasperado —, e acho que é mais teimosa que todas as mulheres do Clã juntas.
Os insultos dele tinham a intenção de fazê-la entender que quem mandava ali era ele. Mas a resposta dela o pegara completamente desprevenido.
— O senhor também não é nada fácil, Laird Cullen. Mas, ao contrário do senhor, eu não acho necessário fazer uma lista de seus defeitos.
Ela ainda teve a ousadia de sorrir para ele! Ele também quase chegou a rir, de tão aturdido que estava pelo comportamento insolente dela. A mulher não era de brincadeiras! Edward imaginou se, depois de tudo, ia ter que arrastá-la de volta a seu castelo. Ele deu um passo ameaçador para frente mas ela não retrocedeu. Olhou-o diretamente nos olhos e esperou para ver o que ele faria.
Isabella não se acovardou, e isso o agradou muito. Na verdade, a coragem daquela pequena e linda mulher tinha o poder de deixá-lo excitado ... ‘Inferno’, foi o que ele pensou a se dar conta das reações de seu corpo por ela ... E mais uma vez, ele decidiu que tentaria fazer com que ela cooperasse antes de arrastá-la de volta ao castelo e exigir que ela se submetesse a seu mando.
— Embora eu possa compreender que você não quer se casar comigo e por isso tenha deixado o castelo, quero que entenda…
Ela o interrompeu.
— Esse não foi o motivo que me fez partir.
— Então, em nome de Deus, qual foi o motivo?
— O senhor ordenou que meus guardas se fossem, e eu não podia permitir que isso acontecesse. Tentei lhe explicar porque deviam ficar comigo, mas o senhor não quis me escutar.
— E por isso partiu.
— Sim, parti. E que outra opção eu tinha? — replicou, e antes que Edward pudesse começar outra vez, acrescentou: — E sim, eu estava indo para a fazenda dos Buchanan com a intenção de implorar a meu primo que o liberasse de sua promessa. Minha esperança é que o senhor encontre outra forma de pagar sua dívida, seja ela qual for.
Edward ficou estarrecido! Ela iria falar com Buchanan a seu favor? Impensável … e espantoso.
— Você não falará com ninguém em meu nome. Está entendido?
Sem ter tido a intenção, ela percebeu que o tinha insultado. Recebeu a raiva dele com um breve assentir de cabeça.
— Sim, eu prometo não dizer nada. Na verdade, nem sequer mencionarei o senhor. Simplesmente explicarei a ele que o senhor não permitiu que meus guardas ficassem, e que devido a isso deixei sua fazenda. — ela virou-se e se afastou dele.
Edward a seguiu.
— Eu ficaria mais satisfeito se você não falasse com ele.
Então ele não teria a chance de ficar satisfeito, ela decidiu, enquanto apressava o passo.
— Você disse que me neguei a escutar sua explicação sobre o motivo por que seus guardas devem ficar com você.
— Sim, eu disse.
— Pois bem, escutarei seus motivos agora. — anunciou ele — Mas vou lhe dizer uma coisa, Isabella. Soldados ingleses vivendo com meus guerreiros é uma coisa que não dará certo.
— Eles não são soldados ingleses, e se sentiriam muito insultados se o ouvissem dizer isso. Eles são de St. Noah e o emblema que carregam no peito significa que são membros da Guarda Real.
Isabella estava tão absorta tentando fazer com que o Laird Cullen entendesse, que não se deu conta que estava entrando num denso bosque. Edward se mantinha imediatamente atrás dela, e por duas vezes estendeu a mão por cima de sua cabeça para afastar uns galhos de árvore de seu caminho.
— Minha mãe era Lady Rennè, Princesa da Casa Real de St. Noah. Quando ela se casou com meu pai, seus guardas a acompanharam ao seu novo lar na Inglaterra, e só quando se convenceram de que seu marido podia protegê-la adequadamente voltaram para seu país. Minha mãe me disse que no princípio meu pai não estava muito feliz de tê-los em sua casa, mas que com o tempo não só os aceitou, mas acabou também confiando neles.
— Quanto tempo os guardas demoraram para se convencerem de que sua mãe estivesse bem protegida?
Ela se virou para lhe responder.
— Três anos. Eles ficaram por três anos.
Edward se colocou na defensiva. Irritada por sua reação, Isabella estava a ponto de lhe cutucar o peito com o indicador, mas pensou melhor e se deteve a tempo … embora ele tivesse ficado intrigado sobre aquele indicador, já apontado para ele. Ela colocou as mãos atrás das costas.
— Meu pai lamentou vê-los partir.
— Penso que talvez você esteja exagerando.
— Papai confiava neles. — insistiu Isabella.
— Você disse que os guardas retornaram a St. Noah depois de três anos de permanência com sua mãe, e entretanto agora há quatro guardas com você.
— Um mês depois de meu nascimento, quatro guardas chegaram a Phoenix. Tinham sido enviados para me proteger. Com o passar do tempo os guardas mudaram. Samuel é o que esteve comigo por mais tempo. Logo chegou Jared. Paul e Embry chegaram uns anos depois.
— Quem os mandou? Já faz muitos anos que a Inglaterra governa seu país.
— O povo de St. Noah. Os ingleses podem ocupar nossas terras, mas o povo ainda é muito leal à família de minha mãe.
— Você fala como se não fosse inglesa ...
— Eu sou meio inglesa. Não me orgulho muito disso. Somos governados por um Rei insano, prepotente, mentiroso e ganancioso. Ele roubou a família de minha mãe, roubou o povo de St. Noah. – ela fez uma pausa e suspirou – Eu me orgulho de ser filha de Lady Rennè e do Barão Charlie de Phoenix.
— Samuel se referiu a sua mãe como Lady Rennè, mas você é chamada de Princesa Isabella. Ela também não era uma princesa?
— Em St. Noah não se dirigem a uma Princesa pelo seu título. A mim deveriam chamar Lady Isabella. Quando eu era criança, os guardas me chamavam de Pequena Princesa. Então o apelido se manteve. De qualquer forma, isso agora não importa, não é?
— Não, não importa. — Edward concordou antes de passar para a seguinte pergunta.
— Por que foi necessário quatro guardas para cuidar de uma menina pequena?
— Um guarda teria sido suficiente. — ela disse — Embora meu pai não estivesse de acordo com isso. Ele insistia em dizer que eu gostava de fazer travessuras, e que necessitava dos quatro juntos para poder me proteger. Mas eu não era teimosa. — Isabella apressou-se em dizer — Só era um pouco curiosa.
Ela esperou que Edward fizesse algum comentário. Ele apenas sorriu torto e arqueou uma sobrancelha, mas permaneceu em silêncio. Por um momento, Isabella considerou atraente aquela expressão do rosto dele ... ‘Que meio-sorriso bonito’, ela pensou, ‘zombeteiro, mas bonito’.
— Desde que eu estivesse acompanhada de meus guardas, meu pai não se preocupava sempre comigo. – ela retomou a linha do raciocínio — Perdi a conta das vezes que salvaram minha vida.
Isabella acabava de dar-se conta que não tinha idéia de onde estava. O bosque se fechava sobre ela.
— O que aconteceria se eu me negasse a permitir que ficassem? O que eles fariam? — perguntou Edward.
— Ficariam de qualquer maneira. Fizeram um juramento, e estão comprometidos por um código de honra.
— Embora ficar significasse sua morte?
— Ainda assim. — ela sussurrou — Mas morreriam com honra, e quem quer que os matasse não teria honra alguma.
‘Inferno’, Edward pensou. Ele ia ter que ficar com os guardas.
— Eles podem ficar, mas será melhor que não levem três malditos anos para se darem conta de que eu posso protegê-la.
Isabella estava muito contente. Edward Cullen era um homem bom e razoável.
— Então me casarei com o senhor, Laird, dentro de seis meses. O senhor tem a minha palavra.
E, ficando na ponta dos pés, ela selou a promessa com um beijo. Seus lábios mal tocaram os dele, mas a surpresa sentida por Edward ficou evidente.
— Oh, meu Deus! Não é apropriado beijar assim? — ela perguntou aflita.
Isabella podia sentir o rosto ardendo de tanta vergonha. Ela tinha agido de forma impulsiva e, era evidente que tinha ultrapassado os limites do decoro. Deveria apenas ter feito uma reverência para selar sua promessa.
— Sim, é apropriado. — Edward disse em voz baixa. — Mas eu prefiro beijar assim.
Ele não a agarrou nem a abraçou. Não, ele simplesmente abaixou a cabeça e a beijou até deixá-la sem fôlego. A boca dele cobriu a dela completamente. Seus lábios quentes se abriram e quando Isabella o imitou e abriu os lábios, aprofundou o beijo. Ao acariciar a língua dela com a sua, Edward enviou calafrios por todo o seu corpo.
Isabella estava ... atordoada ...
Ela se sentia flutuando no céu ao mesmo tempo em que seu corpo era assaltado por emoções interessantes e desconhecidas. O tempo não estava frio, mas ela sentiu seus mamilos enrijecerem por baixo de seu corpete. Suas pernas bambeavam, seu coração galopava ...
‘Deus, amado’, aquilo era escandaloso e emocionante ao mesmo tempo. E pecaminosamente excitante.
Foi só um beijo, entretanto quando ele levantou a cabeça, ela pode enxergar em seus olhos verdes um brilho diferente. ‘Será que pra ele também foi assim?’, então ela sentiu o coração palpitando mais ainda e as pernas tremiam de tal forma, que teve medo de cair no chão. Aquele era seu primeiro beijo.
Isabella continuou a ler a expressão nos olhos de Edward. Quando ele se deu conta de que ela o sondava, tratou de desviar o olhar. Ela suspirou. Evidentemente, o beijo não tinha tido o mesmo efeito nele.
Ela abaixou a cabeça.
— É bom que estamos sozinhos. Não me parece correto beijar como acabamos de fazer, antes do casamento. Talvez seja pecado.
Ele notou que ela não parecia estar muito preocupada com isso. Ela parecia ... decepcionada? ‘Inferno. Será que ela não gostou do beijo?’, para ele tinha sido ... bem, tinha sido o melhor beijo de sua vida!
— Logo nos casaremos, por isso não estamos cometendo pecado. Além do mais, não estamos sozinhos. — sem se virar, ele disse: — Samuel?
— Sim, Laird?
— Quantos guerreiros estão nos observando agora?
— Eu contei sete.
Edward se sentiu decepcionado. Esperava que o guarda experiente fosse mais observador.
— Não, são oito.
Samuel deu um passo à frente.
— Havia oito observando, mas agora são apenas sete.
— O que aconteceu com o oitavo?
Ao responder, havia satisfação na voz de Samuel.
— Paul cuidou dele. Seu guerreiro quis seguir a nossa Princesa muito de perto. Paul pensou que ele não deveria se comportar dessa forma, e então o deteve. Ele não o matou. — acrescentou — Apenas o colocou para dormir.
Edward murmurou alguma coisa em voz baixa e começou a voltar a passos largos par onde estavam os cavalos. Isabella teve que correr para consegui seguir seu passo. Quando ele se deu conta que ela não estava atrás dele, esperou-a, logo segurou sua mão, forçando-a a manter o seu ritmo de caminhada.
— Laird, se o senhor sabia que seus homens estavam nos observando, por que me beijou tão… - ela sussurrou e corou.
— Tão o quê?
— Profundamente!
— É meu direito — ele respondeu com a voz branda — E Isabella, já que vamos nos casar, você pode me chamar de Edward — ele não olhou para ela enquanto falava — E outra coisa, quando retornarmos a minha fazenda, você nunca mais voltará a discutir comigo. Você e eu chegamos a um acordo em relação aos seus guardas, mas isso será tudo o que concederei. Não posso passar meus dias correndo atrás de uma esposa teimosa. Tenho muitos assuntos para cuidar.
— Nunca poderei discutir nem discordar do senhor?
Para Edward, aquilo pareceu razoável. Ele assentiu com a cabeça.
— Quero seu consentimento, agora, Isabella.
Ela inclinou a cabeça e vez uma reverência.
— Como queira.
Ao retornarem ao castelo, Sue esperava por notícias. Ela andava de um lado para o outro, em frente à grande construção, enquanto torcia e retorcia as mãos.
— Por favor, Sue, se acalme. – Lady Alice pediu gentilmente — Ela voltará ...
— Mas Lady Alice, ela era minha responsabilidade. – Sue murmurou — O Laird Cullen ficou transtornado com a notícia ...
— Transtornada fiquei eu! – Alice fez uma cena — Como é que você não teve coragem de me dizer que tínhamos hóspedes em casa? Como é que você sequer mandou alguém me avisar que a futura esposa de meu cunhado ... minha cunhada, pode-se assim dizer ... estava aqui?
— Por favor, Lady Alice. – Sue parou de andar e sussurrou — O Laird Cullen ainda não fez o anúncio oficial do casamento! E eu ... eu não tive tempo de lhe contar nada porque Lady Isabella chegou há dois dias apenas. A senhora estava ocupada cuidado de seu marido e filha e ela estava descansando da longa viagem ...
— Como ela é Sue? – os olhos de Alice brilhavam de curiosidade e expectativa.
— Oh, ela é linda! E me parece ser uma boa jovem ... O Laird fará um casamento muito feliz ...
— Já não era sem tempo! – as duas mulheres sorriram.
Ao longe avistaram uma caravana e distinguiram a figura imponente de Edward. Alice estreitou os olhos na intenção de poder enxergar sua futura cunhada. E se tudo desse certo, e a convivência de ambas fosse pacífica, Isabella seria sua futura irmã.
Isabella cavalgava concentrada em sua condição de noiva novamente e nem se deu conta da presença de Sue e de Alice na frente da grande porta do castelo. Ela se concentrava em tentar não discordar muito de Edward quando percebeu que ele já havia descido de seu cavalo e a ajudava a desmontar Rogue. A sutil aproximação dos dois corpos e o toque gentil dele em sua fina cintura, a fez ficar ruborizada.
— Oh! Graças a Deus. – Sue murmurou e se dirigiu ao Laird — Perdoe a minha falha, eu ...
— Está tudo bem, Sue. – Edward falou gentilmente.
— Seja bem-vinda novamente, Milady. – Isabella corou de vergonha por ter dado tanta preocupação àquela gentil senhora e apenas acenou com a cabeça.
Alice, que não se agüentava de tanta alegria e curiosidade, se aproximou do pequeno grupo, fez uma mesura e se apresentou.
— Seja bem-vinda, Lady Isabella. – ela sorria — Eu sou Lady Alice, esposa de Jasper, o irmão mais novo do Laird Cullen.
Isabella olhou para Alice atônita, e dela olhou para Edward.
— Mas, mas ... eu não sabia que ...
— Oh! Sim, sim. – Alice se apressou em dizer — Tenho certeza que meu cunhado se esqueceu de lhe apresentar ao restante da família! E não era de se admirar, afinal, ele é um homem muito ocupado com tantos afazeres da fazenda. E como Jasper não pode ajudá-lo por enquanto, a situação está ...
— Alice! – Edward falou impaciente — Como Jasper está?
— Oh! Ele está dormindo ... Sim, agora parece que tenho dois bebês em casa. Jasper dorme o dia inteiro, Hannah dorme o dia inteiro ...
— Hannah? – Isabella interrompeu — Lady Alice, a senhora tem uma filhinha?
— Sim! Eu e Jasper temos uma linda menininha! – e num ímpeto, Alice abraçou Isabella — Oh! Eu sinto que seremos grandes amigas, Lady Isabella!
Ela ficou surpresa e emocionada com tão grande demonstração de carinho. Até então, fazia tempo que alguém não abraçava Isabella com tanta ternura. Lady Alice parecia ser uma ... irmã?
Rapidamente, Alice convidou Isabella para conhecer o anexo do castelo onde ela, Jasper e Hannah tinham seus aposentos íntimos. Isabella se sentia bem ... ela se sentia em casa ... Mas havia outro motivo que fez Isabella querer se aproximar de Alice, ela queria saber mais sobre Edward. ‘Por Deus, deveria haver um motivo para esse homem ser tão arredio e selvagem e teimoso e ... ‘
— Seu castelo é muito bonito, Lady Alice! – Isabella olhava para as cadeiras e a mesa de madeira ao lado da grande lareira.
— Oh! Não, não diga isso. – as duas pararam de andar — Eu não sou a castelã! O Laird do Clã é Edward, não Jasper. Quando você se casar com meu cunhado, você será a castelã. – Alice sorriu e abraçou Isabella mais uma vez — Santo Deus! Eu nem acredito que Edward finalmente vai se casar!
Lady Alice mal podia conter seu entusiasmo, mas a conversa das duas foi interrompida pelo choro da criança.
— Venha, Lady Isabella. – Alice a puxou pelo braço — Venha conhecer minha filhinha.
As duas subiram um lance de escadas e entraram no quarto de Lady Alice, lá havia o bercinho de Hannah.
— Eu já estava indo chamá-la, Lady Alice. – Emily se apressou em dizer.
— Oh! Não foi preciso, ela chora mais alto a cada dia! – Alice falou divertida, enquanto fazia um sinal para que Isabella se sentasse na cadeira próxima. Depois ela pediu que Emily se retirasse.
Isabella ficou encantada com o quarto, a enorme cama de dossel e com a belíssima colcha que estava forrada. Mas acima de tudo, ela ficou encantada com a linda menina que tinha olhos muitos azuis e bochechas muito rosadas.
— Ela é linda. – Isabella sussurrou enquanto olhava a menina.
— Você gostaria de segurá-la, Lady Isabella?
— Você pode me chamar de Isabella. – ela sorriu gentilmente para a cunhada — E sim, eu gostaria de segurá-la.
— Só se você chamar de Alice! – as duas sorriram afetuosamente.
Alice se levantou da cama com Hannah e foi até Isabella, ela se inclinou um pouco e colocou a criança no ninho desajeitado que Isabella havia feito com seus braços.
— Ela é muito linda mesmo ... – Isabella sussurrava — Oh! Mas é tão pequenina ...
— Já se vê que você será uma boa mãe ...
Isabella corou e baixou o olhar.
— Alice, há quanto tempo você conhece Edward? – ela corou mais ainda ao perguntar.
— Há pouco mais de três anos. – Alice inclinou um pouco a cabeça, a pergunta a tinha pego de surpresa.
— E ele sempre foi assim?
— Assim como?
Isabella suspirou antes de responder.
— Assim, mandão, autoritário, teimoso ...
— Oh! Isso ... – Alice tentou segurar o riso — Ele é o Laird do Clã, Isabella, pressupõe-se que suas ordens sejam seguidas.
— Mas eu não sou um de seus soldados, eu ...
— É a futura esposa dele! – mais uma vez Isabella viu um enorme sorriso no rosto de Alice.
Ela sentiu um pouco de frio na barriga ao ouvir a palavra esposa e tentou desviar o assunto.
— A colcha que está forrada em sua cama é muito bonita ...
— Jasper comprou de um mercador cigano! – o sorriso de Alice morreu — Você soube o que acontece com ele, não soube?
— Sim, eu soube ...
— Deus abençoe a boa alma que salvou meu Jasper e o levou até a Abadia ...
E então Isabella se sentiu muito feliz e emocionada. Ao salvar Jasper ela também havia salvado um marido e um pai ...
— Alice, você já sabe por que eu estou aqui, não é?
— Sim, é claro que eu sei! – Isabella corou de vergonha — Vocês já marcaram a data do casamento?
— Quer dizer então que Edward ainda não contou a vocês? – Isabella estava atônita.
— Contar o quê? – Alice não estava entendendo nada.
— O que aconteceu comigo. A verdade de como vim parar aqui.
— Não, Edward não contou nada. – Alice parecia cautelosa — Quando ele quer tratar de assunto sério, ele fala com Jasper. Mas meu marido ainda está se recuperando ...
— Alice, eu fui considerada uma proscrita. – Isabella soltou de uma vez só.
— Mas, mas ... qual foi a acusação?
— Prostituição. – Isabella falou num fio de voz e seus lábios tremeram um pouco.
Alice pegou a criança dos braços de Isabella e a aninhou no berço, depois se sentou na cadeira ao lado dela, respirou fundo e falou.
— Conte-me tudo.
Isabella também respirou fundo e começou a contar sua triste história desde o dia em que tinha tomado conhecimento que se casaria com o Laird Black até ao final daquela manhã, quando da sua tentativa frustrada de fuga.
— Oh, meu Deus! – Alice ofegou — Ele a beijou!?
Isabella estava atônita com a reação da futura cunhada. Ela tinha ouvido tudo em silêncio, mas quando Isabella falou da parte do beijo, Alice quase deu um pulo da cadeira.
— Alice, eu acabei de contar que fui considerada criminosa! Será que você entendeu?
— Sim, sim, mas isso não importa ...
— Como não importa?
— Porque você é inocente ...
— Como você tem tanta certeza assim?
— Porque Edward não se casaria com uma mulher impura. – ela falou com naturalidade.
— Então você confia cegamente no julgamento dele? – Isabella arqueou as sobrancelhas.
— Edward é o nosso Laird, ele julga com sabedoria ... e nós devemos seguir seus passos.
Isabella revirou os olhos em sinal de discordância.
— Isabella, antes do meu casamento, minha mãe me disse uma coisa muito importante. – Alice sussurrava — A Igreja nos ensina que o homem é a cabeça da família e que a mulher sábia não o desobedece. – Alice falava com um ar conspirador — A mulher sábia é o pescoço da família, Isabella. E a cabeça só olha na direção que o pescoço indicar.
Isabella sorriu e assentiu ao entender as palavras de Alice.
— Com você e Jasper também é assim?
Alice assentiu antes de responder.
— Devo admitir que Jasper tem o temperamento um pouco mais fácil que o de Edward. – ela sorriu — Mas em sua essência, os Cullen são homens justos, bons e gentis. Edward será um bom marido, Isabella ... E vocês serão felizes ... O casamento é algo muito bom, principalmente as alegrias do leito matrimonial ...
Isabella corou vários tons de vermelho e Alice gargalhou.
— Oh! Não precisa corar! – Alice provocou — Agora, me conte. Como foi o beijo?
— A melhor coisa do mundo! – ela sussurrou e corou novamente.
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