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- Música Das Sombras - adaptação do livro homônimo. (Fic concluída)

domingo, 19 de setembro de 2010

Música das Sombras - Capítulo 03

Investigações
             
O Barão Caius era um dos capachos do Rei Willian, mas ostentava o título de Barão. A fortuna de sua família já não era tão significativa, então se pode fizer que Caius viva uma via de aparências por entre os salões dos nobres ingleses. Não que o Barão estivesse completamente falido, mas do jeito que as suas finanças estavam sendo geridas, em pouco mais de dez anos, ele já não poderia ostentar o seu título de nobre. Todas as noites, antes de dormir, Caius pensava e repensava num jeito de resolver a sua situação, ele sempre chegava à mesma conclusão: Lady Isabella. Somente por meio do matrimônio com a Princesa de St. Noah, ele teria acesso ao tesouro perdido do Rei Phillip, e para isso, Caius estaria disposto a fazer qualquer coisa.   Um casamento não lhe parecia tão mal, embora ele nunca pudesse se imaginar como marido e pai. Entretanto, suportar uma família barulhenta e exigente, em troca de um tesouro inestimável em ouro, parecia ser um bom negócio.
Em seus aposentos, Caius se preparava para dormir, pois no dia seguinte ele partiria para St. Noah, numa importante missão. O Rei William o tinha mandado numa estúpida missão e Caius estava decidido a terminar a tarefa o mais rápido possível, já que o Rei finalmente lhe tinha prometido que, quando voltasse à Inglaterra, Lady Isabella seria dele. Muito embora o pai do Isabella desprezasse Caius, o Rei tinha-lhe assegurado que não teria problemas em forçar o Barão Charlie a aceitar o matrimônio.
Caius também sabia que o Rei tinha enviado o seu rival, o Barão Aro, em uma missão para reunir-se com o Rei Ewan da Escócia nas terras selvagens dos Highlands, ao norte. Suas ocupações demorariam algum tempo a mais, e Caius esperava estar de volta à Inglaterra para casar-se rapidamente com Lady Isabella antes que Aro se inteirasse desse fato.
As ordens de Caius eram específicas e simples. O Barão devia comprovar e verificar que o administrador que o Rei William tinha posto a cargo de administrar St. Noah, um pequeno homem rechonchudo e lamuriento, chamado Jenkins, não estivesse lhe roubando na coleta dos impostos reais.
O Rei William tinha invadido o país vários anos antes, e a feroz batalha pela posse do mesmo quase o tinha destruído por completo. Assim que St. Noah esteve sob seu controle, dedicou-se a saquear o palácio e as igrejas da pequena ilha. William desejava saber se algo de valor tinha ficado para trás. O Rei não confiava em ninguém, nem sequer no homem que tinha escolhido pessoalmente para fiscalizar o país que agora pertencia à Coroa inglesa.
O Rei ainda estava intrigado pelos rumores do ouro escondido, embora quando o questionassem admitia que pensava ser tudo uma tolice; entretanto, ele continuava intrigado e, no remoto caso de que houvesse um lampejo de verdade nesses boatos, queria que Caius investigasse a história. William não confiava nos relatórios de Jenkins.
Quando Jenkins chegou pela primeira vez ao porto de St. Noah, interrogou cada homem e mulher maior de vinte anos que pudesse ter ouvido algo sobre o tesouro escondido do Rei Phillip. Todos eles admitiram ter ouvido os rumores, e todos eles acreditavam que o tesouro provavelmente tivesse existido. Alguns pensavam que o ouro tinha sido enviado ao Papa, outros que o Rei William o tinha roubado. Nada do que Caius descobriu foi conclusivo, e depois de realizar sua própria investigação, as conclusões de Caius não eram diferentes.
Caius pensou que a sorte finalmente havia lhe encontrado, quando num final da tarde e sob um ar muito frio, ele passeava pelos terrenos do palácio do St. Noah para esticar as pernas. O atalho que seguiu atravessava uma suave inclinação para terminar no pequeno porto, e dali ele podia ver os homens carregando suas bagagens para o navio que o levaria de volta a Inglaterra. Seu mesquinho coração se alegrou, antes que caísse a noite estaria em sua cabine esperando a maré subir.
Caius envolveu a pesada capa mais firmemente ao redor dos ombros e puxou o capuz para cobrir os ouvidos, protegendo-se do frio. Mal podia esperar para deixar esse lugar esquecido por Deus e voltar para a civilizada Inglaterra, pegar Lady Isabella para si juntamente com seu inestimável tesouro.
Estava passando em frente a uma das cabanas com teto de palha quando avistou um velho levando galhos secos nos braços, sem dúvida para acender a lareira, para o fogo dessa noite.
O estranho notou que Caius estava tremendo e lhe disse:
— Somente os homens sem sangue nas veias pensariam que este agradável clima é frio demais.
— O senhor é muito insolente! — disse bruscamente Caius. — Não sabe quem sou eu? — evidentemente o homem não sabia que Caius ostentava o poder do Rei William, e que com uma só palavra podia terminar com sua vida. — Até o administrador, Jenkins, faria bem em me temer! — gabou-se Caius.
O velho não pareceu impressionado.
— Isso é verdade, não o conheço. — admitiu, — mas estive no topo da montanha cuidando dos doentes. Acabo de retornar de lá.
— O senhor é médico?
— Não, sou padre. Sou o que cuida as almas aqui, e sou um dos poucos sacerdotes que ficam no St. Noah. Meu nome é padre Alphonse.
O Barão inclinou a cabeça e estudou o rosto do sacerdote. Sua pele era cheia de vincos, curtida pela idade e o clima, mas seus olhos brilhavam como os de um homem jovem.
Uma idéia se passou na mente de Caius e este se aproximou para enfrentar o velho homem, bloqueando o seu caminho.
— Como sacerdote não pode mentir. Não é verdade?
Se o clérigo pensou que essa pergunta era estranha, não deixou transparecer.
— Não, certamente não posso fazer isso. Mentir é um pecado.
Caius assentiu, satisfeito com a resposta e sua boca esboçou um sorriso sarcástico.
— Deixe esses galhos aí e caminhe comigo. Tenho algumas perguntas para lhe fazer.
O sacerdote não discutiu. Deixando os galhos perto da porta da cabana mais próxima, entrelaçou as mãos atrás das costas, e ficou ao lado do Barão.
— Quanto tempo está incumbido do sacerdócio em St. Noah? — perguntou Caius.
— Oh, Meu deus, já aconteceu há tanto tempo que não posso recordar a quantidade exata de anos. Estou muito contente, St. Noah se converteu em meu lar e lamentaria ter que ir.
— Então esteve aqui durante o conflito?
— É assim como chama quando os miseráveis soldados ingleses chegaram, rasgando o nosso país, matando o nosso amado Rei Phillip II, e destruindo a monarquia? Um ‘conflito’? — perguntou o sacerdote ironicamente.
— Cuide de suas palavras e de suas maneiras em minha presença, velho, e responda a minha pergunta. – Caius rosnou.
— Sim, eu estava aqui. – o sacerdote suspirou antes de falar
— Conheceu Rei Phillip antes de morrer?
O padre Alphonse evidenciou seu profundo aborrecimento.
— O senhor não quer dizer antes de o assassinarem? — antes que Caius pudesse lhe responder, disse-lhe: — Sim, conheci-o.
— Alguma vez falou com ele?
— É obvio que sim.
— Conheceu a Princesa Rennè?
A expressão do sacerdote se suavizou.
— Sim, conheci. Era a sobrinha do Rei … a filha de sua irmã mais nova. O povo de St. Noah a amava muito. Não gostaram que o Barão inglês a levasse daqui.
— O Barão Charlie de Phoenix.
— Isso mesmo.
— O casamento foi feito aqui, não foi?
— Exato. E todos os habitantes do St. Noah foram convidados.
— Sabia que a Princesa Rennè teve uma filha?
— Todo mundo aqui sabe. Não estamos tão isolados do mundo. As notícias chegam até aqui tão rápido quanto nos outros lugares. Seu nome é Isabella, e ela é a Nossa Soberana.
— O Rei William é Seu Soberano. — recordou Caius ao sacerdote.
— Por que o senhor está me fazendo tantas perguntas?
— Não lhe interessa. Tendo vivido aqui durante todo este tempo deve ter ouvido os rumores sobre o ouro escondido.
— Ah, então é isso. — murmurou o sacerdote.
— Responda a pergunta, velho padre. – Caius lançou-lhe um olhar intimidador.
— Sim, ouvi os rumores.
— Há algo de verdadeiro neles?
O homem santo considerou a resposta cuidadosamente.
— Posso lhe dizer que uma vez houve uma grande soma de ouro na tesouraria do Rei.
— Disso eu já sei. – Caius falou exasperado - Seus conterrâneos me contaram sobre o oneroso pedágio que seu Rei cobrava àqueles que viajavam através das montanhas, e também me contaram sobre a comemoração a São Noah e a oferenda ao Papa.
 — Ah, São Noah! — o velho assentiu fervorosamente — Nosso santo padroeiro e protetor. Temos um grande amor por ele.
— Isso é evidente — respondeu Caius impacientemente, apontou ao seu redor, fazendo um amplo gesto com a mão. — Olhe este lugar — disse fazendo uma careta de desgosto. — Seu santo está em toda parte. A gente não pode dar um passo nesta miserável terra verde e úmida sem que o persigam esses olhos abelhudos e essa expressão composta. Esse santo não tem um rosto, mas parece uma carranca. – Caius falou com desprezo - Se o Papa ficasse sabendo que este país adora a um santo, excomungaria a todos.
O padre Alphonse sacudiu lentamente a cabeça.
— Não adoramos a nenhum santo. Rezamos a Deus; honramos ao Papa, mas acreditamos ter uma grande dívida com São Noah. É nosso Santo padroeiro, velou por nós em muitas adversidades de nosso povo.
— Muito bem então. — murmurou Caius ironicamente — Em honra de seu santo padroeiro, o ouro foi enviado ao Papa?
O sacerdote não respondeu.
— Me diga — lhe ordenou, — alguma vez viu o ouro?
— Através dos anos vi várias moedas de ouro. A Princesa Rennè tinha uma.
O padre estava sendo deliberadamente impreciso, mas Caius o pressionou.
— Viu o ouro nas arcas do Rei?
— Só uma vez. — disse o padre Alphonse.
— Isso foi antes ou depois da doação feita ao Papa?
O sacerdote fez uma pausa de vários segundos.
— Passaram tantos anos ... Minha mente não é tão clara como uma vez foi.
A resposta evasiva aguçou a curiosidade do Caius e incitou a sua ira, o velho o estava tratando como um idiota.
 — Sua mente está o suficientemente clara, velho. Ordeno-lhe em nome de William, seu Rei, que me diga isso. Quando viu o ouro?
O padre Alphonse não respondeu com a rapidez esperada daqueles que sempre dizem a verdade, parecia pensar no que dizer. Caius o agarrou pela vestimenta sacra e o levantou do chão.
— Se não me disser — rosnou — juro que não verá outro dia em seu amado país, e farei que destruam e atirem ao mar todas as imagens de seu bendito santo.
O padre Alphonse arquejou procurando ar. O olhar insano de Caius lhe dizia que o Barão teria grande prazer em cumprir sua ameaça.
— Vi as moedas de ouro nas arcas do Rei depois que se enviou uma doação ao Papa.
— Estou esperando pelos detalhes. — disse Caius.
O sacerdote suspirou resignado.
— Eu só estava aqui há pouco tempo quando me foi outorgada uma audiência com o Rei Phillip I. Era um homem bondoso e inteligente. Mostrou-me o palácio e os terrenos …
— Mostrou-lhe as arcas?
 — Sim — disse — mas acredito que foi por acidente. Não acredito que o Rei quisesse que ninguém as visse. Enquanto passeávamos por um corredor conversando agradavelmente, passamos pela tesouraria. As portas estavam abertas e dois homens estavam empilhando bolsas de ouro em cima de outras bolsas. As moedas de ouro enchiam as prateleiras e o chão deixando apenas uma passagem estreita para as portas. Nem o Rei nem eu reconhecemos o que tínhamos visto.
— E depois? Continue falando, me diga mais.
— O tempo passou, e fui chamado ao leito do Rei para administrar-lhe os últimos sacramentos, já que estava morrendo. Seu filho, Phillip II, estava ao seu lado e tinha passado as últimas horas com ele, recebendo instruções para cuidar do Reino. Outra vez, as portas da tesouraria estavam abertas no momento em que eu passava de caminho para a capela. Mas então a sala estava completamente vazia. Não havia nenhum ouro, nem sequer uma única moeda, em nenhum lado.
— Quanto havia em ouro?
— Não sei, senhor.
— Adivinhe! — ordenou.
— Especula-se que havia o suficiente para ganhar uma guerra. Ouro é poder. Com ele pode-se comprar tudo… até mesmo um Reino.
— Então onde está o ouro agora?
— Não sei. Só sei que… desapareceu. Talvez tenha sido tudo enviado ao Papa. — separou-se de Caius e fez uma reverência. — Se não tem mais perguntas, eu gostaria de ir para casa para repousar meus cansados ossos.
— Vá — disse Caius. — Mas não comente esta conversa com ninguém.
O sacerdote assentiu fervorosamente e começou a subir a colina sem olhar para trás.
Caius estreitou os olhos e sorriu com desprezo. Como poderia um tesouro tão grande simplesmente evaporar sem que ninguém se desse conta? Gritou ao ancião:
— Então seu estúpido Rei escondeu o ouro e não o disse a ninguém, levou o segredo à tumba. Que há de tão inteligente nisso tudo?
O padre Alphonse girou sobre os calcanhares, respirou fundo, tentando logo controlar o aborrecimento.
— O que o faz pensar que o Rei não o disse a ninguém?
O Barão Caius ainda ficou parado, olhando o velho partir ... Segundos depois, absorveu as palavras do padre e praguejou o velho sacerdote por sua conduta tão insolente. Mas então, suas idéias se aprimoraram mais e mais ... Um sorriso maligno brotou em seus lábios e ele teve a absoluta certeza que Lady Isabella era mesmo a chave para o tesouro perdido. Seu sorriso se alargou mais ainda porque William havia lhe empenhado a palavra, seu matrimônio com a rica herdeira do Rei Phillip de St. Noah já era uma certeza.
Bem, assim pensava o Barão Caius de Axholm.

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