Fanfics da Annablue

Onde achar as Fanfics da Annablue:



- Vem Comigo, Amor

http://www.twilightbrasil.net/fanfics/viewstory.php?sid=4171

http://www.fanfiction.com.br/historia/68149/Vem_Comigo_Amor


- Paradise

http://www.fanfiction.com.br/historia/120648/Paradise



- Música Das Sombras - adaptação do livro homônimo. (Fic concluída)

domingo, 19 de setembro de 2010

Música das Sombras - Capítulo 15

Doce Lar

Jasper estava fustigado, exausto ... adormecido. A viagem até a fazenda Cullen tinha sido muito difícil devido às condições de seu corpo, sua pele estava em carne viva. Deitado, sentado, de pé, de todo jeito o seu corpo doía. Mas ele não reclamava ... guerreiros não reclamam. De vem em quando ele fechava os olhos e se lembrava do doce rosto de sua esposa ... Alice! Ah! Alice!
Como ele tinha sido tolo e infantil quando soube que teria que se casar com uma mulher que mal conhecia! Na manhã de verão quando se conheceram na fazenda Brandon há quase três anos, Jasper parecia uma mula empacada. Sua revolta era tanta que ele mal conseguia mexer os músculos! Seu falecido pai, Gerard Cullen havia jurado que ele se casaria com Mary Alice Brandon por bem ou por mal. Que escolha o jovem Jasper tinha? Não que ele fosse contrário a casamentos, pelo contrário, ele queria ter a sua própria família. Mas o que lhe revoltava era o fato de ter que se casar com uma jovem que ele não conhecia.
- Depois de casados você terá tempo de sobra para conhecê-la! Agora deixe de tolices! – o pai cavalgava ao lado de Jasper e aproximou-se para esbravejar em seu ouvido.
Os cavalos de ambos se assustaram com os gritos do Laird Cullen.
- Depois de casados?! E se eu não gostar dela?! Vou poder devolvê-la?! – Jasper tentava argumentar.
- Não diga besteiras, Jazz ... – Edward também reclamava com o irmão mais novo.
- Você é quem devia se casar com ela! – Jasper dirigiu sua revolta para o irmão – Afinal, você é o mais velho e futuro Laird do Clã! Um poderoso Laird precisa de uma esposa!
- Mas Mary Alice foi prometida a você, irmão! – Edward falou zombeteiro – Eu jamais roubaria a noiva de meu único irmão ... Aliás, eu não preciso de uma esposa para me tornar um bom chefe de Clã!
- Calem a boca os dois! – Laird Gerard Cullen falou rispidamente – Já estamos em terras dos Brandon! Por Deus sejam educados ... Ah! O que Lady Elizabeth diria se os visse assim, parecendo dois cães selvagens?!
O Laird havia tocado no tendão de Aquiles de ambos os filhos: a memória da mãe. Para Jasper, Lady Elizabeth era só uma imagem, afinal ela morrera em seu parto. Jasper amava e respeitava aquela idéia de uma boa mãe. Edward só tinha cinco anos quando a mãe morreu, mas sua mente fez questão de guardar as memórias dela. Então ele se lembrava da mãe amorosa, paciente e alegre, do mingau de aveia e das tortas de amora que ela lhe preparava e dos passeios pelos campos da fazenda ...
Em memória à querida mãe, os dois irmãos se comportaram.
Já na fazenda Brandon os Cullen foram recebidos pelo Laird Brandon e sua esposa. De propósito, Lady Alice não estava na sala. Os olhos de Jasper vagavam de um lado para o outro imaginando que sua futura noiva seria a coisa mais horrível do mundo! ‘Se ela fosse bonita já estaria aqui’, Jasper pensava. ‘Deve ser feia, muito feia.’
- Bem, agora que já descansaram um pouco da longa viagem, creio que Jasper queira conhecer a noiva. – o Laird Brandon falou olhando diretamente nos olhos do futuro genro.
Jasper ficou sem palavras, parecia que o gato tinha comido sua língua. Edward precisou dar uma cotovelada nas costelas do irmão para poder acordá-lo.
- Sim, Laird Brandon! – Jasper respondeu seu nenhum entusiasmo na voz.
Minutos depois uma linda jovem apareceu na sala. Ela caminhava timidamente, acompanhada de sua criada. Jasper rapidamente soube que era Lady Alice porque ela usava um xale com as cores do Clã de seu pai. O queixo de Jasper quase caiu! Alice era linda!
Ela era de baixa estatura, magra na proporção certa, tinha longos cabelos negros que emolduravam seu rosto, seus olhos eram cor de violeta, suas bochechas eram rosadas e seus lábios ... Ah! Seus lábios tinham a cor da mais exótica e suculenta fruta que pudesse existir!
Lady Alice se colocou diante dos Cullen e fez uma discreta mesura. Laird Gerard e Edward cumprimentaram a futura nora e cunhada ... Jasper estava petrificado em seu lugar ... Edward, discretamente, chutou seu pé.
- É um prazer conhecê-la, Lady Alice. – Jasper falou timidamente e tocou-lhe a mão.
Ela tinha um tímido sorriso nos lábios e respondeu com um aceno de cabeça. Alice estava tão nervosa quanto o noivo! A idéia de se casar com um desconhecido lhe atormentava por vários dias. Embora sua mãe dissesse que os Cullen faziam gosto com o casamento, ela tinha seus próprios medos ... Medos que foram parcialmente esquecidos quando ela viu seu futuro marido.
Jasper era muito atraente! Ele era alto, loiro, olhos azuis, ombros largos ... lábios carnudos! Sim, ele era muito bonito! Pequenas cicatrizes de batalhas em seu rosto e braços mostravam que ele era guerreiro ... suas mãos levemente calejadas diziam que ele era trabalhador. Os noivos se sentaram lado a lado num enorme banco de madeira. Jasper observava Alice pelo canto do olho, ela fazia o mesmo quando pensava que ele não estava olhando. Seus olhares se encontraram uma única vez e ambos sorriram.
- Alice, por que você não convida seu noivo para fazer um passeio pela fazenda? – Laird Brandon sugeriu – Está uma bonita manhã de verão!
A filha apenas olhou para o pai e assentiu, depois engoliu em seco e falou.
- O senhor gostaria ... – ela não conseguiu terminar frase, o azul daqueles olhos a fez perder a linha dos pensamentos.
- Sim! – ele levantou-se e ofereceu-lhe a mão.
Ela corou antes de aceitá-la.
Quando o jovem casal já não estava na sala, o Laird Brandon chamou um de seus criados de confiança.
- Siga Alice e Jasper. Seja discreto, finja que está trabalhando. Dei-lhes privacidade. Não muita privacidade. – o empregado apenas assentiu e saiu da sala.
- Creio que o meu amigo entende, não é? – Laird Brandon parecia querer se desculpar com Gerard Cullen – Eles são jovens ...
- Entendo. Não se preocupe. – Laird Cullen sorriu.
Meses depois Lady Alice se tornava sua esposa! Jasper não poderia imaginar que pudesse ser tão feliz no casamento! Alice era perfeita pra ele, sempre tão cheia de vida e alegre, sempre tão disposta em alegrar seus dias ... A casa construída para ela, ao lado do castelo de seu irmão, o atual Laird Cullen, vivia sempre limpa e arrumada. Alice tinha se tornado uma dedicada dona de casa, sempre cuidando para seu marido tivesse conforto e roupas limpas. As noites também eram especiais ... Jasper e Alice desfrutavam do leito matrimonial com muita alegria e prazer ... Eles realmente apreciavam a companhia um do outro.
E então veio a pequena Hannah! Como se Jasper não fosse suficientemente feliz, Alice resolveu lhe dar uma filha! Ah! Jasper sentiu os olhos ficarem úmidos ao se lembrar da pequena filha que ele só conheceu por apenas três dias ... Três dias! E então tudo mudou quando ele foi covardemente emboscado por aquele bando de mercenários! Ele quase morreu, apanhou bastante, se fingiu de morto e deve ter desmaiado. Mas ele foi salvo por alguém. Alguém mandado por Deus cruzou aquele bosque de Finney’s Flat e o tirou dali, levando-o até a Abadia. ‘Que o Senhor proteja e recompense essa boa alma que salvou minha vida’, Jasper pensou e sorriu de canto.
- Já estamos chegando, Jasper! – um dos guerreiros Cullen o despertou de tantas memórias.
- Sim! Eu sinto o cheiro! O cheiro da fazenda Cullen.
Jasper ficou mais atento. A noite não estava tão escura devido ao brilho da lua escura, assim ele pode reconhecer a familiar estrada, logo, logo estaria em casa.
O Clã estava silencioso, a noite já estava muito avançada, a maioria das famílias de trabalhadores já descansava em casa, aproveitando o aconchego familiar. Os cavalos avançavam silenciosamente, Jasper aprumou-se sobre sua montaria. Ao longe ele pode perceber uma tocha acesa e a figura de duas mulheres, uma delas era alta e corpulenta e a outra era pequena. Ele semicerrou os olhos só para ter certeza que a sua Alice o esperava na porta de casa.
O encontro foi difícil. Alice se esforçava para não lançar olhares de pena ao marido, Jasper se esforçava para não gritar de dor. Ambos faziam pequenas caretas e sorriam nervosamente. Carlisle já estava no andar superior da casa, o médico do Clã e primo de Jasper, havia ordenado a Harry, um dos empregados da casa, que arrumasse um quarto para Jasper. A prioridade agora era cuidar de seus ferimentos.
Jasper subiu o lance de escada sem reclamar. Seria, no mínimo, desonroso para um guerreiro ser carregado por alguém. Mas assim que chegou ao primeiro andar, ele deixou-se escorar um pouco na parede.
- Carlisle vai cuidar de você agora, Jasper. – Alice sorriu afetuosamente para o marido e lhe indicou o caminho do novo quarto.
Jasper não disse nada, apenas assentiu. No quarto havia uma tina com água quente, boiando na água havia umas folhas verdes que exalavam um perfume forte e travoso. Numa enorme cama havia sido posto um colchão de palha e lençóis de linho limpos. Na lareira, a lenha crepitava fazendo um barulhinho agradável e enchendo o quarto de luz e calor.
- Oh! Graças a Deus! – Carlisle exclamou ao ver o primo.
- Eu estou bem, Carlisle! – Jasper tentava se fazer de forte – Esses arranhões logo vão sarar!
- Carlisle preparou essas ervas medicinais para você, Jazz! Vão ajudar a cicatrizar sua pele. – Alice falou enquanto apontava para a tina.
O primo de aproximou de Jasper e verificou se o mesmo estava com febre, depois deu uma rápida olhada em seus ferimentos e constatou que o pior já havia passado.
- Lady Alice, vou deixá-lo sob seus cuidados agora. – Carlisle falava com calma – O que meu primo precisa é de uma boa noite de sono e do carinho da esposa. Faça com que ele tome esse banho e depois coloque o emplastro sobre sua pele. Os lençóis devem ser lavados em separado e depois fervidos com água limpa todos os dias. – Carlisle franziu o cenho – Não podemos correr o risco de juntar pus nesses ferimentos.
(n/a: já na idade média, os médicos sabiam que essa secreção nojenta era resultado de infecção)
- Pode deixar! Eu vou cuidar dele. – Alice sorria ao olhar para o marido.
- Eu volto amanhã. - Carlisle se virou para o primo – Não dê trabalho a sua esposa. Obedeça-a.
Jasper apenas assentiu com a cabeça. Alice passou o ferrolho na porta depois que Carlisle saiu e juntou forças para despir seu marido.  Ela não sabia se agüentaria ver tantos ferimentos sem conseguir disfarçar a dor.
- Senti sua falta, Jazz ... – sussurrou e não conseguiu conter as lágrimas – Eu ... pensei que você tivesse morrido ...
- Shii ... Alice! – ele afagou seu rosto com as costas da mão direita, um dos poucos lugares onde não havia ferimentos – Não chore ... Eu também senti sua falta ... Eu te amo, esposa.
Alice se deliciou com aquele simples toque e com a singela declaração do marido, seus lábios sorriram.
- Eu te amo, Jasper.
Eles pouco falaram nos minutos seguintes. Já completamente despido, Alice o ajudou a entrar na tina. Jasper fez uma careta e suprimiu um grito de dor ao sentir a água quente em contato com sua pele. Parecia que arderia mais ainda! Depois ele foi relaxando ao constatar que aquelas ervas estavam adormecendo a sua pele lentamente. Jasper não podia se encostar na tina porque suas costas ainda não estava totalmente cicatrizadas, então ele se apoiou para frente, usando seus braços para isso. Alice pegou uma vasilha de barro e começou a banhar as costas do marido com aquelas águas medicinais. O silêncio entre eles era agradável, Jasper se sentia feliz, Alice se sentia completa. Depois ela resolveu falar.
- Vou pedir a Sue para trazer alguma coisa para você comer. – ele estava de olhos fechados e apenas assentiu para Alice.
Depois do jantar, Alice ajudou Jasper a se deitar de barriga pra baixo e espalhou emplastro sobre seus ferimentos. O marido estava com o rosto virado para o lado oposto, então ela se permitiu derramar algumas poucas lágrimas.
Mas Jasper percebeu na respiração entrecortada da esposa que ela se entregava ao choro. Ele permaneceu quieto, fingiu que dormia e deu a ela a privacidade necessária. Depois foi a vez dele de quebrar o silêncio.
- Esse emplastro fede a bosta de vaca! – falou zombeteiro.
Ela sorriu um pouco antes de responder.
- É verdade! E é tão verde quanto!
- Alice ... eu ainda não vi minha filha. – ele sussurrou.
- Nossa filha está dormindo. Ela está bem. Amanhã você a verá.
Jasper não pode responder à esposa. Ele já dormia profundamente. Alice sorriu, acariciou as madeixas loiras do marido e beijou-lhe a face delicadamente. ‘Durma, meu amor’ ela falou em pensamento e saiu do quarto.

Os guardas de Isabella tinham sido arrogantes, grosseiros e brutalmente honestos ao dizerem com tanta naturalidade que não falaram com Jasper porque não quiseram. Mas Edward não pôde evitar gostar deles! Se não soubesse, teria pensado que tinham nascido e sido criados como Highlanders. E já que ele não considerava nenhuma dessas características um defeito, não havia necessidade de dar um soco no meio da garganta de Embry por sua atitude insolente. Entretanto se aqueles quatro guardas tivessem conversado um pouco com Jasper, talvez a aflição de Lady Alice não tivesse sido tão grande ... Seu irmão, com certeza pediria que enviassem algum mensageiro à fazenda Cullen para dar notícias de seu paradeiro.
Havia muita coisa que Edward desejava saber a respeito do envolvimento daqueles guardas com Jasper, mas decidiu que no momento deixaria de lado. A prioridade agora era Isabella. Quanto antes lhe explicasse o que ia acontecer com ela, melhor. Ele tinha uma dívida a pagar, e por tudo o que era sagrado, ele pagaria sua dívida.
Enquanto os outros se preparavam para recomeçar a viagem, Edward esperou que os guardas voltassem para seus cavalos antes de dirigir-se a ela.
— Princesa?
— Sim, Laird Cullen?
— Caminhe um pouco comigo.
Aquilo não foi um pedido. Foi uma ordem, dada com uma voz ríspida.
— Caminhar? Com o senhor?
Ele assentiu com a cabeça antes de responder.
— Sim.
O Laird estava acostumado a ter as coisas ao seu modo. ‘E por que não seria assim?’, pensou Isabella. Ele parecia ser forte o suficientemente para levantar um cavalo sem suar uma gota. Ela podia sentir o poder que ele tinha na forma em que se movia e em seu andar arrogante. Mas Isabella não se sentia intimidada nem assustada por ele. De certa forma, a força de Edward Cullen a fazia se sentir segura. Mas que sentido fazia aquilo tudo?
Por outro lado, aquele tinha sido um dos piores dias de sua vida, então nada tinha sentido para ela.
— Quando estiver comigo, você só falará em gaélico. — ordenou Edward.
Ela tentou não se ofender com o tom ríspido e não pôs objeções a cortante ordem dele. O Laird estava acostumado que seu Clã seguisse suas ordens sem questionar, mas ele tinha se esquecido que ela não era um membro de seu Clã? Se ele continuasse sendo tão grosseiro, ela teria que lembrá-lo sobre isso.
Sem dizer nenhuma palavra, Isabella caminhou por uma pequena clareira até uma fileira de árvores. Ela sentia os olhos dos guerreiros sobre ela, deteve-se e se voltou para olhar o Laird.
A poucos passos dela, Edward lhe dedicou atenção exclusiva. Sob a luz do luar, ele tentou não deixar transparecer nenhuma reação física, o que foi praticamente impossível. Ela era linda! Isabella tinha o cabelo escuro, longo e levemente ondulado, a pele era bonita e suave como creme, os olhos marrons e expressivos pareciam faiscar, e a boca, Deus meu, aquela boca podia encher a cabeça de qualquer homem de fantasias. Até com o rosto levemente inchado pela tapa que recebera, ela era irresistível.
Mas Edward não podia permitir que sua mente divagasse dessa forma. A última coisa de que precisava era que uma mulher confundisse seus pensamentos. Com o tempo, ele se acostumaria com a beleza dela, mas não tinha certeza se os seus guerreiros fariam o mesmo. Já naquele momento, em tão pouco tempo, seus guerreiros estavam de queixo caído. Bastou apenas um olhar para mostrar sua desaprovação, e nenhum deles voltou a olhar para a Princesa. ‘Melhor assim’, Edward pensou. Se continuassem a olhar, ele faria chocar um par de cabeças entre si … Isso lhes chamaria a atenção!
Isabella esperou pacientemente que o Laird Cullen falasse. A forma tão intensa em que a olhava fazia com que ela se sentisse desconfortável.
Tentando esboçar um sorriso, ela disse:
— O que o senhor deseja me dizer?
Ele não viu razão alguma para amenizar a conversa.
— Você vai para casa comigo.
Isabella tinha certeza de não ter ouvido corretamente.
— Sinto muito. O senhor poderia repetir o que acaba de me dizer?
— Você vai para casa comigo.
— Por quê? — ela perguntou totalmente desconcertada.
— Porque eu decidi assim. — disse ele, franzindo o cenho.
— Mas por que o senhor deseja me levar para sua casa com você? — ela voltou a perguntar.
Ele deixou escapar um longo suspiro. Já deveria saber que não seria fácil! Os negócios com os McCarty sempre terminavam sendo complicados, e obviamente este não ia ser diferente.
— Foi uma sugestão de seu primo…
— O selvagem McCarty?
— Sim …
— O que, exatamente, ele sugeriu?
— Pare de me interromper! – ele franziu o cenho e falou exasperado.
Imediatamente, ela se fez contrita.
— Sinto muito, Laird. A notícia me pegou de surpresa, e eu… — ela parou de fala e empertigou-se — Não, não me desculpo por isso!
O rosto dela ficou vermelho. Isabella estava profundamente irritada por tudo o que lhe havia acontecido! E como se não bastassem todas as suas desgraças, esse Laird aparece e lhe propõe um disparate desses!
Edward sabia que se não deixasse de reparar nas reações dela, nunca terminaria aquela conversa. Ele cruzou as mãos atrás das costas, franziu o cenho e tentou uma vez mais.
— Emmett sugeriu que seria mais seguro de você vivesse comigo para o  meu Clã e sob a minha proteção.
Isabella cruzou os braços e esperou alguns segundos antes de responder.
— E por que o Laird McCarty faria tal sugestão em relação a minha segurança?
— Seu pai não estava na abadia, e como Emmett é seu parente, ele tem o dever de lhe proteger.
— Emmett não é meu guardião. Meu guardião é meu pai.
Edward assentiu com a cabeça.
— Sim, isso é verdade. — disse com impaciência — Mas ele não estava na Abadia, estava? — antes que ela pudesse responder, ele acrescentou — Éramos nós quem estávamos lá.
— Sim, eu sei que estavam. Quando entrei no grande pátio, olhei para cima e os vi, mas pensei… quero dizer, presumi que estavam de partida naquele momento — subitamente ela deu um passo para trás e sacudiu a cabeça, completamente desconcertada. — Por que pensei isso? Por que presumi que estivessem de partida? Nem sequer voltei a olhar para o andar superior depois que a gritaria começou. — frenética, ela sussurrou — Em que momento partiram?
— Depois que você.
Ela sentiu-se nauseada.
— Então quer dizer que testemunharam …? — Isabella não pôde terminar a pergunta.
— Sim.
Ela deu outro passo atrás. Será que todos os guerreiros Highlanders tinham visto e escutado a humilhação que ela tinha sofrido? Sim, é claro que sim! Por isso que todos estavam olhando para ela nesse exato momento. Pensariam que ela era uma prostituta? Uma Jezebel? Por que não estavam gritando obscenidades assim como os outros?
Ela parou de se afastar e empertigou os ombros. Decidiu que não se defenderia e nem declararia sua inocência. Tampouco se acovardaria. Se eles quisessem pensar como os outros que lhe lançaram insultos e quase a esbofetearam. Se queriam pensar o pior dela, que assim fosse. Isabella reuniu o pouco de coragem que possuía, mas era muito pouca mesmo. Mais uma vez ela se viu coberta de vergonha por uma coisa que não tinha feito.
Edward viu os olhos dela serem invadido por uma onda de tristeza e viu que a cor fugia de seu rosto. Ele teve um desejo irresistível de tentar fazer com que ela se sentisse melhor.
— Você me confunde.  — murmurou ele.
Isabella não podia deixar de concordar com ele, já que naquele dia, seus pensamentos giravam em todas as direções. Por que esse homem lhe ofereceria seu lar? O que ele poderia ganhar com isso? Nada fazia sentido!
É verdade que ela e seus guardas precisavam de um abrigo seguro enquanto decidia o que fazer. E viver com os Cullen seria uma boa solução, embora temporária, desde que ela pudesse entender os reais motivos do Laird para fazer a oferta. No estado em que estava, Isabella não se atrevia a confiar em ninguém.  Seria Edward Cullen honesto, ou teria seus próprios motivos retorcidos?
— Imagino que o senhor deva ser um bom homem e um líder honroso … — ela começou a dizer.
— Como é possível que você saiba como sou?
Essa era a brecha que Isabella estava procurando.
— É impossível que eu saiba …
— Mas você acabou de dizer…
— E como é impossível que saiba, o senhor não pode se sentir ofendido com a minha insistência em precisar saber de seus verdadeiros motivos. Volto a perguntar, Laird, por que o senhor deseja que eu …
— Eu não quero você. – Edward apressou-se em dizer - O desejo não tem nada que ver com isto. Estou apenas pagando uma dívida ao Emmett McCarty, só isso.
— Oh! — ela não sabia se devia se sentir aliviada ou ofendida, as coisas estavam acontecendo tão rápido, que Isabella não tinha tempo de pensar. — O senhor não deseja … isto é ... quer dizer, que está pagando uma dívida?
Não foi isto que ele acabou de dizer?! A mulher era a criatura mais desconcertante que Edward tinha conhecido. As emoções dela oscilavam entre a humilhação, o medo e o desespero e agora, ele podia jurar que ela se mostrava desapontada. Edward presumira que, ao ser informada de que teria que viver com ele, ela não se mostrasse favorável, mas ele não tinha suspeitado que ela fosse ter uma reação tão bizarra. Isso sendo ainda mais difícil do que ele tinha imaginado.
— Obrigada Laird, por me oferecer sua casa. Mas não se preocupe pois não abusaremos de sua hospitalidade por mais do que uns poucos dias.
— Não estou lhe oferecendo um abrigo temporário, e você não vai partir dentro de pouco tempo. Virá para minha casa para ficar!
Um de seus soldados o chamou. Edward respondeu levantando a mão para que fizesse silêncio, e lhe respondeu:
— Você terá que esperar que eu termine com isto.
Termine com isto? Aparentemente, pensou Isabella, ela era o “isto” ao qual Edward estava se referindo.
— Fico muito agradecida por sua hospitalidade. — ela disse — Mas não posso ir com o senhor.
Sua recusa ao convite parecia a coisa certa a fazer porque acabava de pensar em outra solução. Ela e seus guardas iriam para a casa do Laird McCarty. Os McCarty podiam mantê-la tão segura quanto os Cullen.
Mas por que McCarty não se ofereceu?
Edward não estava seguro de como proceder. Para falar a verdade, ele estava admirado com o fato de ela ter recusado sua proteção. Será que a tola mulher não se dava conta do perigo que corria? Será que ela entendia o que significava ser ‘proscrita’?
Ele decidiu trazer-lhe um pouco de clareza, mas antes que pudesse lhe explicar quão precária e sombria era sua situação, ela lhe perguntou:
— Por que o Laird McCarty não me ofereceu seu lar e amparo? Afinal, sou prima da esposa dele.
Edward sentia-se muito frustrado! Como estava sendo difícil conversar com aquela mulher! Ele reprimiu o desejo insano de esmurrar a árvore que estava ao seu lado, respirou profundamente e olhou sobre os ombros, viu Emmett entre a multidão de soldados que esticava os ouvidos para ouvir a conversa e inclinou a cabeça na direção de Isabella.
Pela expressão no rosto de Edward, Emmett percebeu que a conversa não estava indo bem. Ele atravessou a clareira, e com o olhar fixo em Isabella, perguntou:
— Por que estão demorando tanto?
— Ela está sendo difícil. — lhe disse Edward.
Imediatamente ela protestou.
— Devo discordar, Laird. Não acho que esteja sendo nem um pouco difícil.
— Então qual é o problema? — perguntou Emmett a Edward — Você lhe disse o que vai acontecer?
Ah, justamente aí, Edward não fizera a coisa certa. Ele deveria ter lhe informado a princípio sobre a sugestão de Emmett em vez de exigir a  obediência dela.
— O Laird Cullen gentilmente me ofereceu…
— Eu, o que? — rosnou ele.
— O senhor gentilmente … — começou ela outra vez.
Quando os olhos dele se estreitaram e as marcas em seu cenho se afundaram mais, ela entendeu. Usar a palavra ‘gentilmente’ era obviamente algum tipo de insulto! De fato, esses Highlanders eram pessoas muito estranhas! Ela se sentiria aliviada quando pudesse se ver livre deles.
Isabella não se atreveu a sorrir.
— O Laird Cullen me ofereceu sua proteção, e eu a recusei. Recusei  educadamente. — ela enfatizou.
— Emmett, ela deseja saber por que você não lhe ofereceu seu lar e sua proteção. — disse Edward.
— Edward, você não explicou a ela todo o plano?
— Nunca cheguei tão longe! Esta mulher se sente inclinada a interromper.
— Isabella — Emmett começou a dizer, usando o que acreditava ser seu tom de voz mais moderado e educado — Eu poderia lhe oferecer meu lar e minha proteção … e devo admitir que minha esposa se sentiria feliz de ter sua companhia. Você estaria segura …
— Seria um prazer aceitar sua oferta, desde que o senhor entenda que só será por uns poucos dias. Está de acordo, primo?
Ela não lhe dera tempo para que ele lhe dissesse que Edward podia lhe oferecer mais que proteção; ela podia lhe dar seu nome. Em vez disso, ela tinha aceitado um convite que Emmett não havia feito.
— Ela está decidida a recusar ajuda. — disse Edward.
Emmett assentiu.
Edward se dirigiu a Isabella.
— E o que vai acontecer depois de alguns dias? O que planeja fazer?
— Primeiro devo encontrar meu pai para avisá-lo do perigo.
— Encontrar seu pai? Você não sabe onde ele está? — perguntou Emmett.
Ela negou com a cabeça.
— Ela ia se encontrar com o Rei Willian para lhe informar do assassinato do Laird Black, e depois ia encontrar-se comigo no caminho para a Inglaterra.
— E você pensa em vagar pelo país até encontrá-lo? — perguntou Edward.
— Ainda que o encontre, você não poderá ir com ele para a Inglaterra. Você foi banida, Isabella. Você agora é uma proscrita — recordou Emmett. — Se lhe apanharem, você será executada, e se for capturada com seu pai, ele também pagará um alto preço.
Eles a estavam forçando a enxergar a realidade, mas ela ainda não podia suportar a idéia de que alguém tivesse que salvá-la de um erro que não tinha feito.
— Meu pai deve ser informado do que me aconteceu.
— Provavelmente ele já esteja sabendo. — sugeriu Emmett. — Ou saberá logo. As más notícias correm rápido. Mas ele também saberá que nós estávamos lá na Abadia. — acrescentou fazendo um gesto com a cabeça para Edward — E posso apostar que ele virá para me perguntar por você.
Isso tinha sentido!
— Sim, é isso o que ele fará! E essa é mais uma razão para que vá para sua casa.
Emmett suspirou frustrado. Ele não sabia como fazê-la entender.
— Sabe, Isabella, essa é uma situação horrível, horrível … se não houvesse nenhuma outra solução possível e se a sua vida não corresse risco — Emmett tentou explicar — Você poderia vir para minha casa, já que é prima de minha esposa. Entretanto…
Emmett foi interrompido por Edward.
— Já perdemos tempo suficiente aqui, Emmett. Se você não vai dizer a ela, eu vou.
Franzindo o cenho, ela perguntou a Edward:
— Dizer o quê, Laird?
Foi Emmett quem respondeu.
— Se você se aproximar de seu pai, o colocará em perigo. É isso o que deseja, Isabella?
— Não! Não, é claro que não, mas eu…
Então ela entendeu. A gravidade da situação finalmente tomou a consciência dela. Deus querido, o que ela ia fazer? Ninguém estava a salvo com ela! Até os McCarty, os Cullen e a sua guarda pessoal estavam em risco.
Edward foi chamado por Seth, o seu primeiro-comandante. O Laird se virou e viu outro de seus guerreiros falando com Seth, e ambos estavam olhando para Isabella. Logo Felix, o comandante de Emmett, uniu-se a eles.
— O que foi? — gritou Edward.
Seth explicou enquanto se aproximava dele.
— Os ingleses. — antes de continuar, ele olhou para Isabella — Ambos os barões estão à procura dela, e ambos têm pequenos exércitos consigo.
Emmett perguntou:
— Estão vindo nessa direção?
— Não, Laird. — ele respondeu — Um dos barões levou seus homens para o sul, e o outro vai em direção para as terras dos Black.
— Mas quando não encontrarem Isabella, voltarão para cá. — disse Emmett.
 Edward estava de acordo. Ele se aproximou de Seth para lhe dar ordens e depois voltou para junto de Isabella.
— Agora você entende? — Emmett perguntou irritado.
Ao que tudo indicava, ela ainda não tinha entendido nada.
— E por que estariam à minha procura? Vocês estavam lá. Ouviram tudo o que disseram, e certamente ouviram que fui condenada em nome do Rei Willian. Eles não disseram que a seus olhos eu já não existia mais?
— Agora, você é vulnerável. — explicou Emmett.
Edward decidiu ser mais direto.
— Agora, qualquer homem que seja forte o suficientemente para brigar e afugentar outros homens terá o direito de ficar com você. Preciso ser mais explícito?
Horrorizada, ela sacudiu freneticamente a cabeça.
— Como você já não responde a nenhum rei e não pertence a nenhum país, não têm ninguém para protegê-la dos predadores. — explicou Emmett, sua voz era muito mais gentil do que a que Edward usara.
Lutando contra o terror que sentia, Isabella abaixou a cabeça.
— Como poderei proteger meu pai e meus guardas? Eles vão matá-los! —  num sussurrou, ela expressou seus medos.
— Com todos os problemas que você tem, como pode se preocupar com outros? — perguntou Emmett.
Ela não lhe respondeu. Em vez disso, respirou profundamente e olhou para os Lairds.
— Os senhores devem partir imediatamente. Sim, é isso o que devem fazer! — agora sua voz dela soava forte e decidida. — Todos vocês correm perigo enquanto estiverem comigo. Vão, me deixem sozinha.
— Quer dizer que ela acaba de nos despedir? — Edward perguntou incrédulo.
— Sim, foi o que ela fez. — disse Emmett — Acho que ela não entendeu nada.
Depois de pensar um momento, Edward decidiu que Isabella não se deu conta que os insultava ao sugerir que deveriam fugir ao primeiro sinal de que haveria problemas. Ambos, ele e Emmett adorariam ter a oportunidade de lutar contra os ingleses, mas nenhum dos dois cederia à tentação enquanto Isabella estivesse com eles.
Edward não foi tomado pela raiva e sim pela surpresa. Aquela pequena e frágil mulher não tinha a intenção de ofendê-los. Ela só estava tentando proteger qualquer pessoa que pudesse ser prejudicada pela sua nova condição de ‘proscrita’. Ao agir dessa forma, Isabella ganhou mais ainda o respeito e a admiração de Edward. Ele tentou falar gentilmente.
— Isabella, no futuro, você não deve questionar minha autoridade.
Ela demorou um pouco a entender.
— No futuro? Que futuro?
— No seu futuro como minha esposa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário