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- Música Das Sombras - adaptação do livro homônimo. (Fic concluída)

domingo, 19 de setembro de 2010

Música das Sombras - Capítulo 13

O Início do Fim

No alvorecer daquele fatídico dia, o Barão Caius tinha feito uma chegada pomposa à Abadia com sua comitiva de parasitas e bajuladores. Tinha uma verdadeira multidão arrastando-se atrás dele, vinte e três no total. O grande número era proposital, já que Caius esperava intimidar e afligir Aro.
Caius se sentia incrivelmente poderoso. Levava uma ata proclamando que ele e só ele falava em nome do Rei naquelas terras longínquas.
Mas Aro não estava nem intimidado nem afligido. Do mesmo modo que Caius, ele também tinha espiões, e embora ainda não soubesse sobre o ata, Aro tinha se informado de que seu inimigo ia tentar de uma vez por todas tomar posse de Finney’s Flat e o futuro de Lady Isabella. Aro pensou que Caius planejava usar a força bruta para conseguir o que queria.
Aro estava preparado para aquilo. Sua própria horda de patifes desordeiros o seguiu quando entrou precipitadamente no salão para confrontar Caius. Aro não estava disposto a retroceder nem a fazer qualquer tipo de acordo, e não estava preocupado ante a possibilidade de não conseguir o que queria afinal ele ainda tinha Jane em suas mãos. Além disso, tinha uma ata assinada pelo Rei que dizia que ele e só ele podia falar em seu nome. O Rei o tinha enviado à Abadia para testemunhar o casamento de Black e Isabella, mas agora que o noivo estava fora do caminho, Aro estava seguro de que poderia decidir o futuro de Isabella.
Cada um dos dois homens famintos de poder tinha um ou dois truques na manga, nenhum deles, nem por um minuto sequer pensou no bem estar de Isabella.
Os dois Barões se encontraram no centro do salão principal que tinha acesso ao grande pátio. As portas que davam para este pátio foram abertas, de forma que aquela não seria uma disputa privada. Ambos queriam que houvesse testemunhas que os escutassem.
Aro atacou primeiro, apunhalando o ar entre eles com um dedo longo e ossudo, disse:
— Não se atreva a intervir nas decisões que tomarei hoje ou farei que lhe expulsem daqui. Eu falo em nome do Rei William, e vou decidir o futuro de Lady Isabella.
— Você? Vai decidir o futuro dela? — zombou Caius. — E Finney’s Flat está em suas mãos também? Por certo não será assim. Eu me encarregarei de cuidar do futuro da Princesa.
— Você não tem poder, Caius. Vou escoltar a dama de volta a Inglaterra. Sim, ela irá comigo! — Aro astutamente ocultou o importante intento de que antes planejava forçá-la a casar-se com ele.
Caius se aproximou.
— Você já não é o porta-voz do Rei, já que eu possuo uma ata assinada por William, me dando plenos poderes neste lugar. Falarei e atuarei em nome do Rei.
Aro se sentiu ultrajado. As veias de seu rosto incharam quando respondeu.
— Não, eu tenho a ata, e está verdadeiramente assinada pelo Rei William. Você não pode me enganar, Caius. Sei o que você quer, e não a terá.
A disputa verbal se incrementou até que ambos os Barões estivam gritando o um ao outro ininterruptamente. A briga se transportou para fora do salão, chegando até o pátio, já que cada vez mais curiosos se uniam à multidão.
 A linha divisória entre os dois campos estava marcada por uma cruz de pedra que estava no meio do pátio: Aro e seus seguidores estavam a um lado, e Caius e seus partidários do outro.
— Você gostaria de ver a ata? — perguntou Caius. — Tem o selo do Rei, assim como também a data, Aro. Se não sair do meu caminho, farei que lhe expulsem daqui.
Aro bufou e rosnou.
— Quando foi assinada essa ata? — exigiu saber e antes que Caius pudesse responder, adicionou — Sei onde você esteve, e sei tudo sobre o negócio sujo que fez com um certo Laird.
Caius ignorou o comentário. Estalou os dedos para um de seus seguidores, e prontamente apareceu o pergaminho, depois aproximou o documento do rosto de Aro.
— Aqui está! O Rei William atribuiu o poder a mim.
Edward e Emmett tinham os braços apoiados sobre o parapeito da sacada do primeiro andar, e estavam observando e escutando o debate que se desenvolvia debaixo deles. Edward simplesmente estava passando o tempo até que chegasse o Padre Erick. O Abade lhes tinha indicado que não levaria muito tempo a localizá-lo, mas obviamente se equivocou.
Impaciente por levar sacerdote dali e escapar desses tolos Barões ingleses, Edward murmurou:
— Onde está esse maldito sacerdote Erick?
— Certamente está em caminho. — respondeu Emmett – Tenha calma, Edward, ele é um homem de Deus.
Edward praguejou em voz baixa e examinou a multidão que estava abaixo. Notou o número de homens consagrados que vestiam batinas e disse:
— Há tantos deles! Se eu soubesse quem é esse Erick, já o teria levado  arrastado pela batina.
Emmett sorriu.
— Lembre-se que mencionei que não poderia começar uma guerra contra os sacerdotes. Bom, tampouco pode arrastar um deles para fora daqui, a não ser que o sacerdote esteja disposto a ir, e duvido que Erick esteja. Você e eu…
— Você e eu o que?
— De acordo com minha esposa, tendemos a assustar as pessoas.
Outro grito atraiu a atenção dos Lairds.
— Estes ingleses sim que são barulhentos, não é verdade? — comentou Emmett. — É uma pena que não tenhamos nossos arcos e flechas. Poderíamos livrar o mundo de alguns desses nobres maricas.
Edward sorriu.
— Sim. Seria ótimo!
Nesse momento Caius bateu palmas para que lhe dessem atenção e gritou:
— Tragam Lady Isabella. Vamos resolver isto aqui e agora. — voltou-se para grupo que tinha atrás de si, fez uma rápida inclinação de cabeça, e logo se girou para enfrentar Aro — Tomei uma decisão. Ainda esta noite, Lady Isabella estará casada.
O Abade encontrou Isabella passeando com o Padre Erick pelo jardim. Ela já tinha expressado sua gratidão ao Padre Berty e estava a ponto de fazer o mesmo ao Erick por guardar seu segredo quando o Abade entrou precipitadamente no jardim chamando-a.
— Lady Isabella, temos um problema. — o rechonchudo homem estava resfolegando pelo esforço da corrida, mal conseguia respirar e falar ao mesmo tempo.
Isabella o conduziu para um banco de pedra e sugeriu que se sentasse um momento.
Assentindo, deixou-se cair e ofegou.
— Ah, assim está melhor.
Erick entrelaçou as mãos atrás das costas.
— O senhor mencionou um problema?
— Oh, sim, Milady. Você foi convocada ao pátio. Padre Erick, talvez devesse acompanhá-la. Oh!Que disputa! Terrível, é simplesmente terrível a forma com que se estão comportando ... E de tantos lugares possíveis, fazem aquela disputa infame dentro deste sagrado mosteiro ... A desonra cairá sobre suas almas.
— Quem está brigando? — perguntou Isabella.
— Dois Barões da Inglaterra. Acredito que alguém se chama Caius, e o outro…
— Aro. – Isabella falou desanimada.
— Sim, assim é, Milady. Barão Aro.
— E esses dois Barões convocaram Isabella? — perguntou Erick.
— O Barão Caius exigiu.
Isabella estava indignada. Quem este Barão pensava ser para ousar exigir algo da Princesa de St. Noah?
— Eu não respondo a nenhum deles, e não tenho nenhum desejo de vê-los nem de falar com eles. Já estou pronta para ir para casa, e não vejo razões para demorar a partir.
O Padre Erick mostrou sua concordância com um rápido assentimento antes de falar.
— Neste mesmo momento seus guardas estão levando os cavalos à porta principal, já que Isabella pensa partir da Abadia imediatamente. Suas malas já foram empacotadas.
O Abade negou com a cabeça.
— Não acredito que os Barões lhe permitam partir.
— Há mais nisto do que aparenta ser, não é verdade? — perguntou o Padre Erick.
O Abade suspirou.
— Sim, há. Cada Barão tem uma ata proclamando que fala e atua em nome do Rei. A ata de Caius é mais recente que a de Aro, mas ambas as atas tem o selo do Rei. — de súbito o Abade ficou de pé num salto. — Oh, Senhor, esqueci-me! Com toda a comoção e a gritaria, esqueci completamente de meu encargo … Padre Erick, quando o Barão Caius me chamou estava indo em sua procura.
— Por que estava me procurando? — perguntou-lhe.
— Prometi mandá-lo ao andar superior do muro. Lá há dois… — fez uma pausa.
— Dois? Dois o que? — perguntou Erick.
— Lairds — respondeu relutantemente. — McCarty e Cullen. Não disseram o que queriam falar com você, mas o Laird Cullen mencionou algo referente a seu irmão. Sabe algo disso?
 O pânico e o espanto percorreram as feições de Erick.
— Tenho uma leve idéia.
— Explicará isso a mim mais tarde já que tenho feito os Lairds esperarem por  muito tempo. Não parecem ser pacientes. — sorriu e acrescentou: — Também ouvi que um deles… acredito que foi Cullen, mas não posso estar seguro… mencionava algo a respeito de levar-lhe com ele.
O Padre Erick engoliu a saliva com força.
— Sério?
 — Possivelmente um deles deseja lhe oferecer a oportunidade de unir-se a seu Clã como líder espiritual. Sei que deseja ter sua própria igreja algum dia, não é verdade? E também deseja salvar tantas almas como é possível. Não é isso certo também?
O Padre Erick assentiu freneticamente. Realmente, ele sempre sonhou em ter sua igreja e sua congregação. Que sacerdote não o queria? Mas Erick não queria passar o resto de sua vida entre esses brutais Lairds e seus turbulentos clãs, ele não desejava viver o resto de sua vida em um estado de constante terror.
— Eu me sinto feliz rezando pelas almas perdidas neste lugar, Abade — disse em um sussurro — Quer que eu escolte Lady Isabella até os Barões, ou quer que eu vá falar com os Lairds?
— Eu irei com ela. Você deve apressar-se a ir ter com os Lairds. Cada vez entram mais homens de seu Clã pelos portões da Abadia. Quanto mais rápido falar com eles, mais rápido sairão.
O Padre sabia que não havia forma de evitar seu encontro com os Lairds.
— É melhor que eu termine logo com isto — disse.
Despediu-se de Isabella pela última vez e foi cumprir sua pavorosa missão.
Isabella ia continuar negando a se encontrar com os Barões, mas abruptamente trocou de opinião. A Princesa não desejava pôr o Abade na delicada posição de ter que explicar o motivo pelo qual ela ignorava a convocatória.
— Verei o que querem os Barões, e logo deixarei a Abadia o mais rápido possível. Abade, eu queria lhe agradecer mais uma vez pela hospitalidade e a generosidade que demonstrou comigo e com meu pai. Estamos muito agradecidos.
Isabella começou a caminhar em direção ao pátio, mas o Abade bloqueou seu caminho.
— Vou escoltá-la, Milady, mas não deveríamos esperar seus guardas? Certamente é missão deles estar a seu lado quando você for falar com esses Barões.
Isabella fez um gesto negativo com a cabeça.
— Meus guardas estão muito ocupados para incomodá-los com esta tolice, e estou segura que a reunião não levará muito tempo.
O Abade não conseguiu fazer a Princesa mudar de opinião. Porém Isabella tinha outra razão para manter seus guardas afastados dos Barões. Seu pai não confiava nesses homens, e tampouco ela, então ela preocupava-se que Caius e Aro pudessem dizer a seus subordinados que provocassem uma briga. Embora seus guardas fossem bem treinados, poderiam ser superados pelo elevado número de opositores.
Isabella desejava ter seu pai ao lado naquele momento. O Barão Charlie sabia do que eram capazes esses homens, e sabia o que esperar então ela também se preparou para esperar pelo pior. Mas nunca, nem em seus mais selvagens pesadelos ela poderia imaginar o que a esperava.
Não muito longe daquele jardim, o Padre Erick subiu a escada arrastando os pés e rezando. Quando chegou ao último degrau e deu uma boa olhada a seu redor os joelhos tremiam. Ele teve que escorar-se contra a parede para evitar que caísse para trás.
Bom Deus, há tantos deles! E todos estavam olhando-o.
Quando falou, sua voz soou como o chiado das dobradiças enferrujadas de uma porta.
— Alguém desejava falar comigo?
Dois Highlanders se aproximaram dele. Seus longos passos logo consumiram a distância que os separava. Alguém deu um leve empurrão no Padre e assombrado, o sacerdote se virou. Havia outro Highlander parado nas escadas atrás dele. Como o homem tinha chegado ali tão rápido?
— Você é o sacerdote Erick? — perguntou uma voz ensurdecedora no alto da escada.
O Padre olhou para cima de novo, havia dois gigantes parados um junto ao outro. Eram de igual estatura, e ambos traziam as cicatrizes de batalhas passadas. Erick deu um passo hesitante para eles.
— Sim, eu sou o Padre Erick.
Emmett notou que o sacerdote se movia nervosamente e que rapidamente estava perdendo a cor do rosto.
— Não vamos fazer nenhum mal ao senhor. — disse com o intento de ajudar o Padre Erick a superar seu medo.
 — Eu sou o Laird Cullen. — disse Edward.
O Padre assentiu.
— Sim, o senhor se parece com seu irmão.
— E eu sou o Laird McCarty.
O sacerdote conseguiu esboçar um meio sorriso enquanto elevava a vista para Emmett.
— Sim, sei. Você é o selvagem McCarty ...
— Como me chamou? — Emmett estava muito surpreso para zangar-se.
— Ela o chama de o selvagem McCarty.
Emmett arqueou uma sobrancelha.
— Quem me chama assim?
— Lady Isabella. — respondeu. — Não sabe quem é ela? — apressou-se a continuar — É a filha do Barão Charlie de Phoenix! Eles são seus familiares através de sua esposa, não é?
Emmett perdeu o humor rapidamente. Sentiu como se lhe estivessem recordando constantemente que tinha parentes ingleses. E isso era muito humilhante.
— Tenho algumas pergunta a lhe fazer. — disse Edward perdendo a paciência.
— Sim?
— Pelo que sei, você cuidou de meu irmão quando foi trazido para cá.
— Não, não cuidei dele, já que não sou médico. Foi o Padre Berty que atendeu Jasper, e eu o ajudei o quanto pude. Suas feridas eram graves, e por um tempo, envergonha-me admiti-lo, não pensei que fosse sobreviver.
Edward assentiu.
— Quem o trouxe aqui?
— Isso eu não posso dizer.
Edward inclinou a cabeça e por vários segundos ficou olhando fixamente Erick.
— O senhor não pode ou não vai dizer? — exigiu.
— Não posso.
Erick pôde olhar o Laird diretamente nos olhos porque estava dizendo a verdade. Não podia dizer. Tinha prometido a Lady Isabella que guardaria seu segredo, e não podia faltar com a palavra dada. Ele não entendia porque ela não desejava que ninguém soubesse que ela e seus guardas tinham ajudado Jasper, mas respeitava seus desejos.
As perguntas continuaram, mas Erick sabia que o Laird Cullen não acreditava que estivesse dizendo tudo o que sabia, porque ele insistia em voltar para a mesma pergunta: Como Jasper tinha chegado à Abadia?
— Alguém mais viu Jasper entrando? — perguntou Emmett.
— Não. Não acredito, e fiz tudo o que pude para manter sua presença em segredo.
— O senhor o levou para dentro, Padre? — Edward cruzou os braços sobre o peito e esperou sua resposta.
O Padre Erick estava se sentindo nauseado. O que ia fazer? Para proteger a promessa que tinha feito, teria que mentir ao Laird! Que confusão! Desejou ter tempo para falar com seu confessor, já que não tinha nem idéia de que classe de pecado estava a ponto de cometer. Poderia ser um pecado mortal? Não, ele achava que não. Erick pensou que teria que fazer algo muito mais sério, como matar a um homem, para ter uma mancha mortal na alma. O Padre estava se afundando em um atoleiro, e não via como escapar.
— O que os senhores diriam se lhes dissesse que fui eu quem carregou Jasper para dentro?
Edward olhou para Emmett.
— Ele está brincando?
Emmett sacudiu a cabeça.
— Não acredito.
Erick perguntou:
— E se lhes dissesse que não me lembro?
Edward deixou que o sacerdote percebesse sua irritação.
— O senhor não se lembra de ter carregado um homem que pesa ao menos duas vezes mais que o senhor? – Edward arqueou as sobrancelhas - Não consegue se lembrara de um feito tão extraordinário?
O Padre inclinou a cabeça e desistiu de tentar ser esperto.
— Sinto muito, Laird, mas não posso lhes dizer nada mais. Dei minha palavra de que guardaria silêncio, e devo cumpri-la.
Edward estava furioso.
— Deu sua palavra aos homens que tentaram matar meu irmão?
— Não fiz tal coisa! E não tenho nem idéia de quem são esses homens terríveis. Não guardaria seus segredos a não ser que me houvessem dito isso durante a confissão. — rapidamente levantou as mãos. — E nenhum deles se confessou comigo. Juro que não sei nada a respeito deles. Nem sequer sei o que aconteceu com seu irmão. Só vi o resultado do castigo que o infligiram.
A atenção de Emmett foi desviada para os ruídos que vinham do grande pátio. Um guerreiro McCarty o chamou.
— Ali abaixo há uma grande agitação.
Felix, um de seus guerreiros, abaixou a vista observando às pessoas que estavam reunidas no pátio.
— Meu Laird, o senhor deveria ver isto.
— Por que eu deveria me preocupar com os ingleses e seus problemas? — perguntou Emmett enquanto se inclinava sobre o parapeito.
— A filha do Barão Charlie, primo de sua esposa, é o motivo dessa grande agitação.
Isabella seguiu adiante até chegar ao grande salão. Ela estava decidida a terminar aquela estúpida reunião e ir embora o mais rápido possível para Phoenix, para a companhia segura de seu pai. O Abade a seguia enquanto se apressavam a subir pela pequena rampa que havia atrás do corredor onde estavam os dormitórios dos monges e rodeava a capela menor próxima à padaria. Isabella estava prestes a entrar no grande salão através de uma arcada quando viu uma mulher que estava parada nas sombras observando-a. Instintivamente Isabella sorriu e a saudou com a cabeça, mas a mulher não lhe respondeu a gentileza. Havia aversão em sua expressão, e os olhos azuis, parecidos com uma grande tempestade, destilavam ódio.
Isabella ficou tão sobressaltada, que se deteve bruscamente. Embora nunca antes tivesse visto aquela mulher, tinha uma leve idéia de quem poderia ser. Uma reação tão ruim assim só podia provir de uma Black. Seu pai lhe disse que a maior parte do Clã Black a culpava pela morte de seu Laird. A ridícula idéia não tinha sentido para ela, e estava pensando em dizer algo à mulher, mostrando que sua atitude era muito irracional, mas antes que pudesse falar, a estranha mulher segurou as saias e saiu apressada.
O Abade parecia intrigado com a mulher.
— Conhece essa mulher, Princesa?
— Não, não a conheço — ela respondeu — Mas ela parecia muito transtornada, não é verdade?
— Sem dúvida! A julgar pela expressão de seu rosto, ela parecia estar aborrecida com Milady.
Isabella assentiu.
— Ela deve ser uma Black. Eu sei que os Black passaram a me detestar intensamente após a morte de seu Laird.
— Oh, não, Lady Isabella, isso não é verdade.
— Não mesmo? — perguntou ela, um pouco aliviada. A idéia de que um Clã inteiro a odiando era muito assustadora. — Os Black não me odeiam? — perguntou ansiosamente.
— Oh, sim eles a odeiam. Com certeza a odeiam! — o Abade respondeu de maneira casual, soando quase alegre. — Mas essa mulher não é uma Black. Não posso recordar seu nome, mas lembro que me apresentaram a ela, e acredito que seja aparente com um dos Barões. Com tantos hóspedes que conheci nos últimos dias, não posso recordar de todos. Todos os ingleses são muitos parecidos.
‘Que encantador!’ pensou ela. O ódio dos Black se espalhou até a Inglaterra.
— Não vou me preocupar com as tolas opiniões de pessoas ignorantes.
O Abade continuou a conduzi-la pelo atalho que levava ao pátio.
— Sim, você está certa. Vamos continuar?
— Sim — concordou Isabella — Mas não era necessário que o senhor viesse comigo. Estou certa de que tem coisas mais importantes a fazer, e não quero que perca nem um minuto a mais se preocupando comigo. Posso enfrentar os Barões sozinha.
Ela atravessou um curto corredor e caiu em meio a uma briga de cães. Era difícil para Isabella localizar os dois Barões porque o pátio estava cheio de gente, cada um daqueles homens gritava mais alto que os demais. Era um pandemônio. A Princesa pensou que devia estar acontecendo algo muito grave, para provocar tão grande alvoroço. Ela ficou um pouco afastada, esperando que o barulho diminuísse.
No meio da multidão, ela se esticou um pouco para procurar os dois Barões e quando levantou à vista, sua respiração ficou presa na garganta, ela quase perde o equilíbrio. O irmão de Jasper estava no andar superior olhando para baixo. Agora ele lhe parecia ainda maior e mais glorioso que quando o tinha visto pela primeira vez na colina. Não era só o tamanho que fazia Edward Cullen ter uma presença tão marcante, mas também a postura rígida e a expressão inflexível de um guerreiro. Para todos, ele era o homem mais temido de toda a Escócia. Para Isabella, ele era o homem mais maravilhoso, enigmático, bonito, forte ... inalcançável que tinha visto na vida. Ela afastou de si tais pensamentos ... Por hora, havia dois Barões imbecis que a importunavam.
O Laird que estava ao lado de Cullen também era uma figura intimidante. Também o reconheceu. Esse era o selvagem McCarty, esposo de sua prima Rosalie.
Preocupada em talvez perder a coragem caso continuasse a olhar fixamente para os dois Highlanders, Isabella voltou sua atenção para a agitação à sua frente.
De repente um homem notou sua presença, logo outro e mais outro e depois de alguns segundos a multidão se calou. O Barão Caius a viu antes que Aro. Ele fez uma profunda reverência e estendeu a mão convidando-a a se aproximar.
— Lady Isabella, estou feliz por você ter se unido a nós. Já tivemos a oportunidade de nos encontrar na corte do Rei William. Tenho certeza de que se recorda, não é verdade?
Isabella não deu atenção à pergunta de Caius. Simplesmente o olhou e esperou que lhe explicasse o propósito da reunião.
— Eu falo em nome do rei. — Caius gaguejou, visivelmente desconcertado pelo silêncio dela.
Calada, Isabella caminhou na direção dele. Quando Caius viu a linda figura feminina, caminhando em toda a graça e delicadeza, amaldiçoou a si mesmo em silencio pelo diabólico pacto que tinha feito com o Newton. No que ele estava pensando? Como poderia dá-la a outro homem? Desde a última vez que a tinha visto, tornou-se ainda mais linda.
Todo o mundo permaneceu em silêncio enquanto a Princesa caminhava para o centro do pátio.
Do andar superior, Edward Cullen observava a agitação que se desenvolvia debaixo dele com uma mescla de diversão e aborrecimento. Que imbecis eram os ingleses, discutindo a respeito de quem tinha o direito de falar! Pareciam mais um bando de asnos ensandecidos! Quando repentinamente cessou a gritaria, Edward perguntou-se o que poderia ter sossegado aquele bando de animais.
E então Edward a viu ... Ela caminhava de cabeça erguida e com as mãos ao lado do corpo. Em toda a sua vida, ele nunca havia visto uma mulher como aquela. Ele inclinou-se mais ainda sobre o parapeito para poder contemplar tão bela visão. A mulher usava um lindo vestido azul escuro, fazendo um perfeito contraste com sua pele tão alva. Seus cabelos eram castanhos e estavam trançados, seus lábios eram delicados e rosados ... Ele se deu conta que aquela mulher era diferente.
- Aquela ali é Lady Isabella. – Emmett falou ao amigo enquanto apontava para a jovem.
- Deduzi que fosse. – Edward ainda estava concentrado nela.
No pátio, Barão Aro quebrou o silêncio.
— Milady, posso ver que não se recorda de Caius — disse com um tom de voz zombeteira — Nós também nos conhecemos antes, quando foi apresentada ao Rei William.
Aro não cometeu o engano de perguntar se ela recordava tê-lo conhecido, pois tinha o pressentimento que receberia a mesma resposta fria e silenciosa que ela tinha dado a Caius.
— E Caius está enganado. — continuou Aro — Sou eu e não ele quem  fala em nome do rei.
A afirmação foi a faísca que serviu para reacender a disputa acirrada.
Caius agitou o documento no ar.
— Tenho uma ata assinada pelo Rei William me outorgando o poder de decidir seu futuro. – ele falava olhando para Isabella - A ata de Aro já não tem validade. A data marcada pelo rei é mais recente que a que consta na ata de Aro, provando que eu sou o encarregado.
Aro não estava disposto a deixar que a mulher lhe escapasse dos dedos.
— Como é de seu costume, o Barão Caius está dizendo tolices. Já decidi que já que o Laird Black morreu, Isabella retornará a Inglaterra comigo. Devemos deixar que o Rei William decida seu futuro.
Caius se virou-se para Aro.
— Todo mundo sabe o que você está planejando. Planeja se casar com a Princesa antes de deixar a abadia, mas ela não irá a nenhuma parte com você.
— Ela fica comigo! — gritou Aro.
Isabella mal podia acreditar em seus ouvidos. Acaso estavam ambos os Barões loucos? Aquilo lhe enojava! Como se atreviam a brigar por ela como se ela fosse um pedaço de carne atirado aos cães famintos? Mas ela sabia que não podia ser tão importante para nenhum deles. Não! Finney’s Flat o que ambos cobiçavam, os Barões queriam a valiosa terra.
Vários guerreiros Cullen e McCarty se uniram a seus Lairds no andar superior para observar a agitação no pátio, mas o olhar de Edward estava fixo na mulher que estava no centro da discussão. Ele perguntava-se o que estaria ela pensando. A educação e a compostura da Princesa o deixaram muito impressionado.
Caius bateu palmas para recuperar a atenção de todos. Logo se virou para grupo de homens que estava atrás dele, fez um rápido gesto de assentimento com a cabeça, e disse:
— Esta questão será resolvida aqui e agora.
A multidão se dividiu e o Laird Mike Newton deu um passo adiante. Ao passar saudou vários homens com a cabeça. Ao levantar a vista viu no andar superior, o Cullen e o McCarty observando-o, e reagiu retesando o corpo.
— Veja quem acaba de arrastar-se da toca. — disse Emmett. — É nosso velho amigo.
— O porco arrogante. — zombou Edward.
O Barão Aro não conhecia o Laird Newton.
— Quem é esse homem que se atreve a interromper esta reunião?
— Sou o Laird Newton, e concordei em me casar com Lady Isabella e a aceitar o seu dote. Desse dia em adiante, Finney’s Flat será chamada Vale Newton.
Caius ficou com cara de bobo.
— Sim, Finney’s Flat será sua.
Acima, Edward reagiu com susto.
— De jeito nenhum. – rosnou.
— Não, não podemos permitir isso! - Emmett empertigou-se.
Ele olhou para Isabella e se perguntou por que ela ainda não tinha protestado contra os métodos arbitrários dos Barões. Sentia-se lisonjeada ou insultada? Pensou que se a Princesa se parecesse em algo com seu pai, por dentro devia estar queimando de raiva. Mas Emmett também estava preocupado, aquilo estava indo longe demais ...
Newton se aproximou de Isabella com um sorriso falsamente afetuoso. Ela não lhe devolveu o sorriso, parecia estar olhando através dele, e Newton pensou que devia sentir-se emocionada por toda a atenção que estava recebendo. Afinal, estava a ponto de casar-se com um poderoso Laird. Sim, muito mais poderoso do que o pobre defunto Black poderia ter esperado ser. E Newton era muito mais atraente. As mulheres gostavam dos homens atraentes. Talvez ela ainda não tivesse percebido sua boa sorte.
— O Laird Newton e Lady Isabella se casarão ao amanhecer. — anunciou Caius.
Outro grito proveniente do meio da multidão interrompeu a proclamação.
— Newton não tem direito a ela! Sou Harold Black, e logo serei o novo Laird do Clã Black. É meu dever e meu direito me casar com esta mulher. É meu direito de herança!
A multidão se afastou para deixá-lo passar. Isabella reconheceu o homem. Era o que tinha estado no funeral com a mulher rancorosa. Enquanto Black avançava para eles, Newton o desafiou.
— Você não é o filho primogênito do Laird Black. Ele não tinha filhos. Portanto, você não pode reclamar sua herança.
— Sou o filho primogênito de sua irmã. — gritou — E já que agora meu tio está morto, reclamo Lady Isabella e Finney’s Flat para mim. De agora em diante, a terra se chamará Vale Black.
Caius estava decidido a recuperar o controle.
— Pode reclamar tudo o que queira, mas a ela você não conseguirá e não conseguirá Finney’s Flat.
— Vale Newton. — corrigiu Newton. — De hoje em diante, é Vale Newton.
— Que tramóia é esta? — perguntou Aro a Caius — Que tipo de pacto fez com este homem? Por acaso ele sabe que você a deseja para si mesmo?
— Você é um idiota, Aro, um maldito idiota. – Caius falou mas percebeu que nenhum dos dois ia tê-la.
Caius tinha renunciado à possibilidade de casar-se com Isabella. O Rei tinha posto um obstáculo atrás de outro em seu caminho, e por mais luxúria que Caius sentisse por Isabella, queria o ouro acima de tudo. Sim, ele cobiçava o tesouro! E por isso tinha feito um pacto com Newton. O Laird ficava com ela e com a terra, e em troca Caius teria acesso a ela, ele estava convencido que sabia algo do tesouro de St. Noah. Por meio de charme ou tortura, ela falaria.
Felizmente para ele, nem Aro nem Newton sabiam da existência do tesouro e tampouco o Rei William. Newton era um porco ambicioso que não tinha demonstrado nenhuma curiosidade quando Caius insistiu em ter acesso Isabella cada vez que quisesse. Tudo o que interessava ao Laird era o controle de Finney’s Flat.
Caius não se preocupava que Newton pudesse quebrar sua parte no pacto. Se fosse necessário, Caius podia convocar inúmeros soldados para destruir todo o Clã Newton.
Mas Harold Black não iria queria se calar. Teve que gritar para fazer-se ouvir sobre o caos que tinha se instalado novamente no pátio.
— Reclamo o direito a me casar com Lady Isabella e que me seja dado o Vale Black!
Cada pessoa da multidão parecia ter uma opinião e estava decidida a expressá-la.
Caius levantou a mão pedindo silêncio. O pedido foi ignorado.
— Silêncio todo mundo! O Barão Caius quer que façam silêncio para que o escutem.
Com a intenção de ser de útil, Alec Willis, um dos capangas de Caius, gritou sua exigência bem atrás das costas de Caius. E acrescentou vários juramentos obscenos quando a multidão não o obedeceu imediatamente. Ante o som da voz de Alec, Caius retrocedeu, logo girou bruscamente para olhar com fúria para seu empregado.
— Não grite no meu ouvido. — exigiu com um rosnado.
Alec cerrou os dentes. Não gostava que lhe corrigissem diante de uma audiência, e especialmente não gostava de decepcionar seu Barão. Caius era seu libertador, o homem que o tirara da forca, e Alec o idolatrava, porque o Barão lhe tinha dado uma identidade e tinha feito dele um homem importante. Mas mesmo assim, ele não gostava de ser repreendido. Ele sabia que Caius o usava e os outros capangas para fazer o trabalho sujo, mas recebiam um bom pagamento por isso. Levar gritou e reprimendas não fazia parte do contrato.
Alec ouviu a debochada de Demetri, o empregado de Aro e olhou-o com ódio. Caius recuperou a atenção de Alec:
— Não voltarei a gritar, mas Barão — continuou apressadamente para redimir-se — Se usássemos a força, o senhor conseguiria fazer sua vontade.
Caius estava exasperado.
— Tivemos que deixar nossas armas do lado de fora da Abadia, você lembra? Ah, se tivesse minha espada neste momento, eu a atravessaria em Aro só para calá-lo.
— Me sentirei honrado de fazer isso em seu lugar! — disse bruscamente Alec — Por que não faz entrar mais gente sua na abadia? Ainda sem armas dariam a Aro uma mensagem de quão poderoso o senhor é. Além disso, olhem esses Highlanders passeando por aqui como se fossem donos do lugar. Perdi a conta, de tantos que são! — disse Alec.
— Eles não são importantes e não têm nenhum interesse neste processo. A mim realmente não interessam em nada. Agora você fique calado enquanto termino isto.
Alec inclina oua cabeça.
— Sim, Barão.
Aro estava se esticando para escutar a conversa entre Caius e seu capanga, mas o clamor de vozes que o rodeava o impedia. Quando Caius se virou para ele, gritou:
— Você não decidirá nada!
Caius pensou que Aro chiava como um pássaro na armadilha.
— Já decidi o futuro dela.
O rosto do Aro ficou avermelhado.
— Não, o futuro dela quem decide sou eu!
Isabella tinha escutado o suficiente. Não podia tolerar ouvir outra palavra de nenhum desses homens repulsivos.
— Posso ter a atenção dos senhores?
Isabella não tinha levantado a voz, e só uns poucos homens que estavam parados junto a ela escutaram o que disse. Um deles gritou.
— A Princesa deseja sua atenção, Barão.
Tanto Caius como Aro se voltaram para ela. Newton permanecia no meio dos dois. Os três lhe sorriram como pretendentes com olhos sonhadores.
— Com qual dos Barões Lady Isabella deseja falar? — disse Aro com voz melosa.
— Com ambos.
Todo mundo esperou ansiosamente que ela falasse. Certamente escolheria a um deles, e Caius estava seguro que obedeceria a ata do rei e que estaria de acordo com suas decisões. Aro pensava da mesma forma, seguro de que ela poria seu futuro em suas mãos.
— Sim, Lady Isabella? — disse Caius.
— Parece que há uma certa confusão aqui. — começou ela.
— Sim, com tudo o que Aro está gritando! — interrompeu Caius.
— Deixe-a falar! — gritou alguém da multidão.
— Está bem, está bem. — concordou Caius. — O que dizia, Milady?
— Acredito poder solucionar facilmente esta disputa. Quero que todos saibam que por hora não me casarei com ninguém.
— Mas concordei em me casar com você! — disse Newton, aturdido por sua negativa.
— Sim, mas eu não concordei em me casar o senhor.
Ele ficou boquiaberto. Atônito, virou para Caius procurando ajuda.
— Ela pode recusar?
— Não, não pode! — disse Caius com brutalidade. — Não ponha dificuldades, Isabella, já que falo em nome do Rei William…
Isabella estava cansada de suas pomposas declarações.
— Sim, o senhor já mencionou esse fato várias vezes.
Ela estava brincando com ele? Caius semicerrou os olhos. Ele não podia acreditar nisso! Ela tinha um ar extremamente angelical, e não havia agressão em sua voz.
— O Barão Caius está equivocado. Eu falo em nome do rei! — insistiu Aro.
Ela voltou sua atenção para ele.
— O senhor também tem dito isso inúmeras vezes! Posso fazer uma pergunta aos dois? Onde estava meu pai quando tomaram todas estas decisões?
Ninguém respondeu.
— Os senhores esperaram a partida de meu pai para prosseguir com esta obscenidade?
— Obscenidade? — rugiu Caius — Como se atrevem a me falar dessa forma?
Aro estava igualmente ultrajado por sua atitude, e Newton a olhava como se quisesse lhe dar uma surra, mas ela manteve-se firme.
Newton considerou a possibilidade de agarrar Isabella pelo braço e forçá-la a ficar ao seu lado, mas levantou a vista e viu que Cullen e McCarty ainda estavam olhando. Decidiu que era melhor não tocá-la, já que não tinha intenção de provocar uma cena. Dessa vez, viu-se forçado a tratá-la com cortesia. Mais tarde, prometeu a si mesmo, quando estivesse a sós com Isabella, lhe ensinaria a ter mais respeito.
— Lady Isabella, temo que esta não seja uma decisão que possa tomar. — disse Aro.
— Estou de acordo. – ela disse sem elevar o tom de voz.
Caius e Aro se olharam.
— Está de acordo? — disse Caius. — E então a que se deve todo este alvoroço?
— Não é minha decisão e sim de meu pai. Certamente é seu direito decidir meu futuro, não vocês.
— Nega-se… — começou Newton.
‘Deus, ele é tão estúpido como os dois Barões’. Ela pensou e se endireitou ainda mais.
— Quero esclarecer minha posição de uma vez por todas para que não haja mais confusões. Será meu pai o quem decidirá meu futuro.
Quantas vezes ela teria que dizer isso para que acreditassem em suas palavras? Não ia se casar com ninguém sob essas circunstâncias.
— Você iria contra os desejos de seu rei? — demandou Aro.
Ela olhou-o nos olhos.
— Não sei quais são os desejos de meu rei. Ele ainda tem que me informar.
— Acabo de lhe dizer que falo em nome do Rei! — gritou Aro.
— Sim, o senhor fez isso, mas também o Barão Caius. Em quem devo acreditar? Decidi que devo esperar que meu pai tome uma decisão.
Ainda no andar superior, Edward estava absorto. Os ridículos ingleses não lhe interessavam, mas depois que Isabella entrou naquele pátio, o Laird Cullen não se desconcentrou da discussão. Por um lado ele estava enojado pela forma como aqueles homens a tratavam, tramando o casamento pelas costas de seu pai. Por outro lado estava encantado com a coragem, a educação, a elegância e a inteligência daquela bela dama.
Isabella fez uma reverência a ambos os Barões e tinha toda a intenção de sair dali, mas o súbito grito de uma mulher a deteve.
— Isto é ridículo! Ridículo! Ela está nos fazendo de tolos. Isto não pode continuar.
Isabella se virou para ver a mulher. Era a mesma que a tinha olhado de maneira má fora do grande pátio. Jane correu para Caius. Que parecia horrorizado pela intrusão.
— O que está fazendo? — sibilou em voz baixa.
Não pôde olhá-lo. Baixando a cabeça, Jane gritou:
— Peço que me desculpem por não ter falado antes, mas não podia... é… é tão horrível ...
— Quem é esta mulher? — perguntou um dos homens do grupo do Aro.
— É a sobrinha do Barão Caius. — respondeu Aro.
— Jane, o que deu em você ? — espantado por seu comportamento, Caius tomou Jane pelo braço, apertando o mais forte que pôde.
Em que a sua sobrinha estava pensando para fazer uma cena daquelas?
— Tio, peço desculpas! Mas a verdade deve ser dita antes que você ou o Barão Aro decidam o futuro dela. Não deixarei que ela os humilhe. — embora não tivesse lágrimas nos olhos, Jane soltou um alto e dramático soluço — Seria uma blasfêmia que um homem honrado se casasse com ela.
 — Por que? O que está dizendo? — Aro perguntou numa falsa confusão — De que blasfêmia você fala?
Jane apontou para Isabella e gritou.
— Ela é impura. É … é uma prostituta!

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