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- Música Das Sombras - adaptação do livro homônimo. (Fic concluída)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Vem comigo, amor - Capítulo 21

AQUISIÇÕES

Eu sentia uma carícia muito gostosa em meio seio, embora eu ainda estivesse no reino de Morfeu, sabia que era o toque de Ed em minha pele. Sua mão deslizava suavemente e brincava com o mamilo que já estava durinho. Despertei por completo e sorri mas fingi que dormia só pra ele não interromper o que fazia. Edward me beijou com volúpia ... Naquela hora da manhã eu já estava sendo deliciosamente mimada pelo meu amor. Correspondi ao beijo e agarrei em seus cabelos na intenção de grudar nossos corpos. O oxigênio nunca dura o bastante nessas horas, então cessamos o beijo mas eu ainda tinha um sorriso nos lábios.
- Bom dia, amor. – ouvi sua linda voz e sua mão agora acariciava meu rosto.
- Hum ... bom dia, amor. Que jeito doce de ser acordada ... – falei com a voz de sono e me espreguicei.
- Eu tive que usar de meios ‘menos convencionais’ para acordar a minha Bella adormecida ... – seu sorriso torto já me derretia toda.
- Adoro seus meios menos convencionais! – me arrastei mais na cama pra poder ficar juntinho dele e lhe dei um selinho – Que horas são? – lembrei dos compromissos da vida real.
- Quase oito.
- Caraca! – me sentei na cama – Dormi muito. Daqui a pouco os advogados chegam e ...
- Calma, amor. Ainda temos tempo, as empregadas já chegaram e providenciaram o nosso café. – ele também sentou e falou calmamente enquanto apontava para uma bandeja.
Olhei para a mesa e vi uma linda bandeja com comida. Somente nessa hora percebi o cheiro bom de café, torradas, muffins ... HUM! Um ronco indiscreto ecoou de meu estômago e eu corei de vergonha. Mesmo assim foi engraçado e sorrimos com isso ... Mas ainda bem que estávamos a sós!
- Bella, seu estômago tá protestando ... deve ter uma escola de samba aí dentro. – Ed falou zombeteiro.
- Ele anda meio mal educado ... Vou tomar um banho rápido. – minha boca tava salivando, a fome me abateu naquela hora – Me espera um pouco?
- Sempre, amor. – ele assentiu e respondeu.
Tomei um banho em tempo recorde, corri para o closet e vesti a primeira coisa que vi, uma calça jeans cinza clara e um pulôver preto de tricô e gola alta. Sentei numa cadeira e Ed sentou em outra, de frente pra mim, avancei sobre a comida e ele deve ter percebido que eu estava concentrada em comer porque ficamos em silêncio.
- Um milhão de dólares pelos seus pensamentos, Bella. – ele falou divertido enquanto se inclinava sobre a mesa em minha direção.
Fui tirada de um ‘zilhão’ de pensamentos e me percebi olhando para a delicada pulseira de ouro que aquela velhinha havia me dado lá na Martinica. Mas eu estava atenta às duas medalhinhas dela, Santo Antônio, o santo dos pobres e São Tomás de Aquino, o sábio.
Seria cômico se não fosse trágico. Estávamos pobres! E precisávamos de sabedoria!
E eu também tava lembrando daquele sonho estranho ... Fiquei tentando juntar as peças ... Ed respirou fundo, esperava impaciente por uma resposta minha.
- Ah ... – tentei me recompor – Eu tava lembrando do sonho que tive ...
- Bom ou ruim? – ele foi taxativo em perguntar.
- BOM!
Menti descaradamente e eu sei que ele percebeu. Quem, nesse mundo, me conhece melhor do que ele? Mesmo sabendo que seria inútil mentir, eu o fiz. O que eu ia dizer a ele? Que sonhei com angústia, medo e um sentimento de amor muito grande? Isso só serviria pra aumentar as suas preocupações. Como explicar a Edward o que eu sinto se nem mesmo eu entendo isso tudo? Já tivemos uma conversa parecida com essa há um tempinho atrás, eu me justifiquei dizendo que não queria preocupá-lo com coisas sem sentido e não concretas. Ele se justificou dizendo que tudo em mim lhe interessava, mesmo esses sonhos amalucados que me ocorrem ...
- Foi só um sonho, Edward, não precisa se preocupar.
Esperava uma resposta dele, superando o assunto, algo do tipo ‘Tudo bem, amor’ ou que ele falasse de uma outra coisa. Mas ele ficou calado. Numa tentativa de acalmar a fera, levantei e sentei em seu colo, aproximei nossos rostos e lhe dei um selinho, depois toquei em seu rosto com minhas mãos. Eu tenho consciência do apelo erótico que meu corpo exerce nele, sei que ele adora quando sento em seu colo e isso se mostrou evidente quando ele envolveu minha cintura em suas mãos, como ele sempre faz.
– Eu acordei depois do sonho e não consegui mais dormir ... Desci e fiquei conversando com Alice. – falei fazendo cara de paisagem.
- Tudo bem. – tá, ele falou o que eu queria mas NÃO da forma que eu queria.
- Edward ... não foi nada demais.
Tentei me emendar mas seu olhar endureceu e se estreitou, ele respirou fazendo barulho e soltou o ar devagar, suas narinas estavam infladas, demonstrando sua irritação. Seu olhar se fixou no meu, me recriminando ...
Me irritei também! Quanta prepotência a dele!!! O que ele quer? Invadir minha mente? Decidir o que eu posso ou não posso sonhar? Levantei de seu colo num átimo e sentei na cama, de costas pra ele e cruzei os braços.
- Você sempre fica chateado quando não consegue o que quer ... – meu tom de voz expressava meu ressentimento.
- Você sempre esconde coisas de mim. – ele falou seco e levou embora o resto de meu bom-senso e da minha paciência.
- Eu não estou escondendo nada de você, só que não sou obrigada a contar meus sonhos a NINGUÉM. – sibilei e destaquei a última palavra.
PUTA QUE PARIU!!!
Peguei pesado mesmo, eu não queria falar isso. Tá, eu pensei isso mas não posso falar tudo o que penso, principalmente quando penso desaforos e se esses desaforos têm Edward como destinatário. Meu tom de voz também não ajudou em nada, definitivamente, Edward não é ninguém. Ele é meu tudo, sempre.
 - É, você não é obrigada ... O Sr. Howard chegará às nove. Estaremos no escritório de papai te esperando. – sua voz era aquela ‘cortante como aço’ que revela quando ele está MUITO PUTO DA VIDA.
Ele arrastou a cadeira com uma força desnecessária, fazendo barulho, pisou fortemente no chão, abriu a porta e bateu-a com força. Fiquei sentada na mesma posição, olhando para o tapete no chão e percebendo que fiz merda.
Mas que droga, Isabella! Vocês não precisavam dessa briga idiota, principalmente agora.
Tudo mudou tão depressa ... Foram tantas perdas, tudo o que eu tenho agora é Edward. Não posso perder o controle, não posso arriscar nós dois. Nunca. Lágrimas caíram de meu rosto e eu tentei em vão reprimi-las, eu simplesmente não podia ME consolar, eu precisava dele pra isso. Sempre.
Sai do quarto e caminhei devagar em direção ao escritório, a casa estava silenciosa e por uma janela pude observa que Alice e Mansen caminhavam meio sem rumo pelo jardim nevado.
Encontrei-o sentado na imensa cadeira da escrivaninha de seu pai, seus cotovelos estavam sobre a mesa e suas mãos escondiam seu rosto tão glorioso. Embora ele soubesse que eu estava entrando, seu corpo não esboçou nenhuma reação e eu tomei aquilo como uma rejeição. Mesmo assim me enchi de coragem e caminhei os poucos passos que nos separavam. Quando a gente ama, é assim mesmo ... se tudo ainda vale a pena, é melhor engolir o orgulho, pedir perdão e não prolongar a tortura.
Toquei hesitantemente o seu ombro e murmurei.
- Desculpe, amor. Eu fui grosseira com você ...
Ele girou sobre a cadeira, tirou as mãos do rosto, me convidou a sentar em seu colo e me beijou. Naquele momento eu sabia que havia sido perdoada.
Nossos lábios se moviam em sincronia, movimentos suaves e doces ... Mas não sei quem de nós dois começou com uma repentina urgência, só sei que percebi nossas línguas numa dança frenética e insana. Eu me agarrei em seus ombros, como se disso dependesse a minha própria vida, suas mãos envolveram minha cintura, mostrando que eu lhe pertencia. Ansiávamos um pelo outro, como cegos que buscam a luz.
Não dá pra negar, sinto-me uma errante, minha alma definharia até a morte se eu não tivesse Edward ao meu lado. Ele é muito mais que um namorado, é algo que eu nem consigo explicar direito. Ele é tudo o que sei, tudo o que vejo ... é o céu, o mar, o ar! Edward é a força que me domina, é meu dono, minha vida ...
E, no entanto, num momento de exasperação, sou capaz de feri-lo mesmo quando quero somente protegê-lo. Protegê-lo de mim mesma e de minhas maluquices, tentando manter a sua sanidade, impedindo-o de pensar em meus sonhos, minhas cismas. Mas eu acabo fazendo tudo errado e esse sentimento que eu chamo de AMOR acaba ferindo-o mais que o ÓDIO.
Meu tormento se converteu em lágrimas que nos banhavam mesmo quando separamos nossos lábios. Percebi que Edward também chorava, ficamos nos olhando até que ele sorriu e falou.
- Eu te desculpo, princesa ... Me desculpe também. Eu sei que às vezes eu pareço ser muito intrometido e ... controlador mas é que ... eu te amo tanto que ... não sei direito o que fazer ...
Seus olhos expressavam todo o amor e dedicação que ele tem por mim e naquela hora eu aprendi uma grande verdade sobre o amor. Quando amamos, não temos medo de ousar porque o poder do amor é muito grande. Isso não é a ousadia que se confunde com atrevimento e presunção, e sim a ousadia que tem a ver com coragem. Por isso, posso entendê-lo quando ele me desafia querendo saber tantas coisas sobre mim e também posso me entender quando tento esconder dele coisas que podem preocupá-lo à toa.
Eu acho que o amor se revela em muitas faces. Ele é uma fugaz alegria, um fogo que se consome rápido, num momento de luxúria. Mas ele se faz conhecer também numa angústia sem fim quando nos vemos cientes de que não podemos mais existir sem o outro. É aí que o nosso tormento incessante começa. Temos medo de perder o outro e esse MEDO se materializa, quase sempre, em ações equivocadas.
Enquanto eu ouvia suas sinceras desculpas e discorria comigo mesma sobre o nosso amor, aproximei nossos rostos, colei nossas testas e fiz uma coisa que há muito tempo não fazia, dei-lhe um beijo de esquimó.
- Eu também te amo ... muito ... E, às vezes, me perco nesse amor também. Fico meio sem saber como agir, como cuidar melhor de você, como te proteger, Edward. – tentei me justificar – Mas nós temos uma vida toda pela frente, vamos aprender mais ... Sabe, uma vez eu li em algum lugar que o sentido mais amplo, mais abrangente da palavra AMOR é CARIDADE.
- Caridade? – ele parecia curioso.
- Sim, ‘caridade’ vem do latim caritas, que quer dizer praticar o amor, ou seja é o amor colocado em prática no dia-a-dia. Não basta apenas amar, é preciso que esse amor se transforme em ações, em coisas concretas para a pessoa que amamos.
Ele me ouvia com atenção.
- Mas nós somos humanos, limitados, não sabemos de todas as coisas, então, muitas vezes, quando amamos, a gente erra tentando acertar.
O barulho de alguém batendo na porta interrompeu meu raciocínio.
- Pode entrar. – Ed respondeu.
- Sr. Cullen? – a empregada ficou ruborizada quando me viu em seu colo – OH! Desculpe, Srta. Swan, bom dia ... Er... Sr. Cullen, o Sr. Howard chegou.
- Bom dia, Ruth, não se preocupe. – tadinha, ela ficou com vergonha.
- Obrigada, Ruth. Aguarde cinco minutos e conduza o Sr. Howard e a sua equipe até aqui. – Ed respondeu.
- Com licença. – a empregada saiu apressada.
Edward pegou em meu queixo, direcionando meu rosto ao dele de novo e também me deu um beijo de esquimó. Essa era a nossa forma de carinho mais especial quando éramos criancinhas, tipo aos 5 ou 6 anos de idade. Naquela época achávamos que os adultos eram nojentos por se beijarem na boca!
- Amor, será que podemos confiar no Sr. Howard? – vi, de novo, a dúvida no rosto dele.
- Ainda não sei, Ed.Vem, vamos escutá-lo primeiro. - falei com uma falsa calma.
Arrastei Ed até o sofá de couro preto e sentamos lado a lado, ele pegou minha mão,entrelaçando-a a dele. Logo o Sr. Howard entrou, acompanhado de um casal elegantemente vestido.
- Bom dia, Sr. Cullen, Srta. Swan. Em nome de nosso escritório e de nossa família, vim prestar-lhes minhas condolências. – ele nos cumprimentou – Esse é Luke Arns, contador da firma, e essa é Julia Cox, a administradora de bens responsável por administrar os bens de nossos clientes mais importantes.
Cumprimentamos aos três e os convidamos a sentar. O Sr. Howard não mudou muito desde a última vez que o vi, um velhinho gordinho, baixinho e de pele ensebada, vestia num caríssimo terno de corte italiano. O contador que ele trouxe era jovem, devia ter uns 35 anos, talvez. Alto, magro e imponente, carregava uma pasta enorme e um notebook. Também usava um terno caro. Já a mulher era uma mocréia (mas é pena que não era feia), percebi de cara, o olho gordo dela sobre Edward. Ela era alta e magra, ruiva e de cabelos curtinhos num chanel bem formal. Usava um terninho cinza Valentino (suponho que deva ter levado seu salário de 1 mês) mas os sapatos eram um scarpin Prada da estação passada. Eu sei que fui bem cruel em minha observação, mas era verdade.
- Estamos a sua disposição. – o velho advogado interrompeu minha análise.
Bom, eu estava perdida em pensamentos, tentando arranjar mais defeitos para a ruiva enxerida que lançava olhares maliciosos sobre o meu homem e por isso, nem sabia por onde começar. Fiquei ansiosa e comecei a fazer círculos nas costas da mão de Ed com o meu polegar. Ele virou seu rosto em direção ao meu e beijou minha testa.
- Sr. Howard.
OMG! A voz de Ed saiu meio estrangulada, como se ele tivesse nervoso ... Fiquei tensa também e apertei mais a sua mão, ouvi seu pigarrear e ele recomeçou.
- Bom, Sr. Howard, eu e Isabella os chamamos aqui para discutir como a firma de vocês continuará a prestar serviços às famílias Cullen e Swan. Como vocês já devem saber, nós dois somos os únicos herdeiros de nossos pais ... Os patrimônios Cullen-Swan, juntos, devem estar estimados, se eu não estiver enganado, em aproximadamente U$ 3 bilhões. Isso tudo é muito dinheiro, muita responsabilidade, requer atenção total aos nossos investimentos, ao pagamento de impostos ... Enfim, coisas que eu e Isabella achamos por bem contratar serviço especializado.
O jovem contador escutava tudo com atenção, depois pegou a sua pasta, catou uns papéis e falou.
- O patrimônio Cullen hoje é de U$ 2.125.780.945,25. Já o patrimônio Swan é de U$ 2.075.500.723,01. Charlie Swan era um pouco mais conservador em seus investimentos. – engoli em seco diante de tantas cifras, sempre soube que era rica mas não TANTO assim ...
Alguém bateu à porta, Ed murmurou um ‘Pode entrar’ e todos olharam em direção a pessoa que entrava. Era Ruth trazendo uma bandeja com café.
- Sr. Cullen, desculpe interromper. Trouxe um cafezinho.
Ela deixou a bandeja sobre a mesinha de centro, se aproximou de mim e de Ed e cochichou para nós um recado.
- A Srta. Alice Brandon mandou esse bilhete pra vocês dois.
- Obrigada, Ruth. – respondi e peguei o bilhete, me inclinei mais em direção a Ed para que ele também pudesse ler.
“BOM DIA!!!
Desculpem interromper a reunião, mas eu precisava falar com vocês AGORA.
Peçam licença a todos aí e venham até a sala de jantar, a nossa conversa vai ser rápida.
Alice”

Ed entendeu quando eu balancei a cabeça, bem discretamente, pra cima e pra baixo, usando a nossa linguagem própria, dizendo ‘SIM’ para ele.
- Senhores, nós dois precisamos conversar em particular agora. Por favor, apreciem o café e nos esperem aqui. Com licença.
Eles nos assistiram sair e em seus rostos havia muitas perguntas.
- O que Alice quer conosco, Bella? – Ed me olhava de lado.
- Não faço a mínima idéia. Mas acho que deve ser importante. – eu tava pensando em todo aquele dinheiro indisponível para nós.
- A conversa lá no escritório te deixou tensa? – Edward estava hesitante em sua pergunta.
- Você quer dizer mais tensa, não é? – ironizei – Com certeza. Imagine ser a herdeira de mais de U$ 2 bi e não poder tocar em um centavo, imagine ter que viver às custas do governo, morar numa coisa que vai custar em torno de U$ 500 dólares por mês ...
Edward interrompeu meu desespero, parou de andar e me abraçou pela cintura, depois colou nossos rostos e falou bem devagar, usando sua voz rouca e suave.
- Bella ... Amor, eu não imagino isso. Eu estou vivendo isso COM VOCÊ. Tudo vai se acertar, princesa. – ele me deu um selinho – Agora, vamos que Alice está nos esperando.
Alice estava na sala de jantar, sentada diante da imensa mesa, fazendo contas numa folha de papel.
- Bom dia, Bella! Bom dia, de novo, Edward! – seu bom humor não conseguiu me contagiar – Sentem-se, eu prometo ser rápida.
Eu e Ed dissemos ‘bom dia’ em coro e sentamos.
- Bom, eu chamei vocês aqui, interrompendo a reunião, porque não houve tempo de falar antes. Eu e Mansen sabemos que vocês dois têm um patrimônio vultoso e sabemos que vocês precisam de alguém pra administrar tudo isso. Então, pesquisamos sobre a firma de advocacia do Sr. Howard, um amigo nosso, de lá do FBI, consultou no banco de dados e confirmou que essa é uma empresa idônea, que vocês podem continuar a confiar neles ... Então, eu estive pensando que vocês devem, sem receio algum, deixar tudo como está. Ou seja, passar novas procurações, como vocês já haviam planejado antes, para que eles continuem administrando seus bens.
Eu fiquei, tipo, emocionada, Alice não tinha nada a ver com a história, seu trabalho era apenas nos proteger, fôssemos ricos ou pobres. Mas ela estava ali, se metendo, de novo, para nos ajudar.
- OMG! Obrigada Alice! - toquei em seu braço e murmurei meus agradecimentos.
- Sim, sim, não há de que Bella. Mas eu não chamei vocês aqui só pra isso. – de repente ela ficou mais sereia e falou mais baixo – Tenho uma sugestão. Como eu já disse, vocês não poderão acessar suas contas, nem alienar nenhum bem quando entrarem para o serviço ... Mas, vocês podem hoje, agora mesmo, voltar lá e pedir a esse advogado que traga, em espécie, até U$ 250 mil para cada um de vocês.
- Mas ... – eu ia dizer que esse valor era pouco.
- Eles podem sacar, mediante autorização escrita de vocês dois, os rendimentos de seus investimentos, o limite máximo, atualmente, é de U$ 250 mil , se tirarem mais que isso, a burocracia será maior.
Ela olhou pra nós dois por alguns segundos e continuou.
- Bella, Edward, eu estive fazendo uma conta simples. Eu sei que não é muito dinheiro mas, por experiência própria, eu digo que dá pra viver com qualidade de vida com o dinheiro que vocês vão ficar.
Bom, isso depende ...
- Alice, nós precisaremos dar alguma justificativa para o Sr. Howard? – Ed perguntou.
- Bom, vocês podem dizer que após a ... o ‘assalto’ que vitimou seus pais, que vocês querem tirar longas férias, pensar um pouco, traçar novos planos de vida ... essas coisas. Ajam com naturalidade, peçam o dinheiro, façam novas procurações com um prazo de validade de cinco anos.
- Cinco anos? – gritei e assustei Alice e Ed – Essa droga toda vai durar CINCO ANOS?!!!
- Shii ... Calma, Bella.
Ed tentou tocar em minha mão mas eu me esquivei, não sei o que me deu, fechei as mãos em punhos, ergui o queixo e o encarei com raiva.
- Como você me pede calma, Edward? – não reconheci meu tom de voz – Estamos vivendo num inferno, nossos pais foram assassinados por não-sei-quem, esse mesmo não-sei-quem invadiu nosso apartamento e está nos caçando. Temos dinheiro e não podemos tocar nele, vamos ter que deixar tudo para trás e abraçar uma porra de uma vida nova por CINCO ANOS?!
Eu estava de pé, encarando-o com fúria, ele se levantou também e apenas me olhava com surpresa, paciência e ... amor.
- OH! Edw ... ard ...
Eu me lancei em seus braços, chorando desesperadamente. Minhas lágrimas molhavam sua camisa, enquanto eu sentia suas carícias em minhas costas, me consolando.
- Bella ... Amor, chore ... chore tudo o que você puder agora. Você sabe que eu sempre estou com você, não sabe? – seu sussurro foi, aos poucos me acalmado.
- An-ham ... – percebi que ele me carregava no colo até o sofá da sala de estar, me aninhei em seu colo, como uma criancinha.
- De-des-culpe, amor.- ele beijou meus olhos e minha testa.
- Não há nada para desculpar, amor. Agora, que tal se eu te preparar uma porção daquele fitoterápico, só pra você relaxar um pouco?
Eu apenas assenti, já era meu segundo surto e em uma única manhã!
- Alice, você pode ficar um pouquinho aqui com ela? Vou até o quarto e já volto. – foi nessa hora que percebi que ela assistia ao meu deprimente ‘show’.
Edward voltou rapidamente com  o remédio que eu tomei num gole só, depois pedi licença para ir ao banheiro. Lavei o rosto e tentei melhorar meu aspecto, lembrei que devia desculpas também à Alice.
- Desculpe pela grosseria, Alice. Eu sei que você só quer nos ajudar ...
- Tá tudo bem, Bella. – ela falou com naturalidade.
- Onde está Mansen? – dei pela falta do agente mal humorado.
- Oh! Mansen saiu agora a pouco. Foi se encontrar com M, para traçar novos rumos para a investigação e também para trazer reforços ...
- Reforços? – Ed questionou.
- SIM!!! – Alice parecia feliz – Graças a Deus, teremos uma equipe de agentes conosco!
- Alice, nos dê licença, precisamos voltar para a reunião. – Ed lembrou da reunião inacabada.
- Claro, claro. Falo com vocês mais tarde. Vou dar uma volta pelo jardim.
Voltamos ao escritório e percebi olhares de censura, principalmente vindos da mulher que olhava de mim para Ed.
- Desculpem pela demora, tivemos um contratempo. – sussurrei.
-Não precisa se desculpar, Bella. Os honorários deles são pagos por hora de trabalho, querida. – Ed falou com ironia.
- Sr. Cullen. Como poderemos servir melhor à família Cullen e à família Swan, daqui pra frente? – o Sr. Howard falou como se Edward fosse o único a decidir.
- Eu só posso falar pela família Cullen, Sr. Howard. Isabella é quem responde pela família Swan. – adorei a resposta que Ed deu.
- Naturalmente ... Desculpem o meu modo de falar.
- Bom, eu e Bella vamos tirar longas férias. Precisamos nos desligar de tudo, por enquanto ... Então, renovarei a procuração da família Cullen para que seu escritório continue administrando todos os meus bens, inclusive a casa de praia em Martha’s Vineyard, todas as obras de arte daqui dessa mansão e as jóias de família que pertenciam a minha mãe. Vocês se responsabilizarão com o trato com os empregados também. Quero que a procuração tenha um prazo de validade de cinco anos. Mas antes de mais nada, precisarei de U$ 250 mil, em dinheiro.
- Você está anotando tudo, Srta. Cox? – o velho advogado perguntou.
- Sim.
- E quanto a você, Srta. Swan? – ele sorriu pra mim.
- Também vou querer U$ 250 mil, em dinheiro. Minha procuração também terá um prazo de cinco anos e quero que o escritório cuide de meus bens, quero que providenciem a venda da mansão Swan, mas quero que preservem as obras de arte e as jóias que pertenciam à minha mãe. Temos um apartamento em Boston que está em meu nome, quero que vocês também cuidem dele. – falei tudo num fôlego só.
- Amor, você tem certeza que vai querer vender a mansão Swan? – Ed sussurrou pra mim.
- Sim. Nunca mais vou conseguir entrar lá. São muitas lembranças ...
- Mas e aqui? Não te incomoda? – seu olhar tentava penetrar em minha mente – Eu não tenho planos de venda para essa casa ...
- Claro que não, Edward! Nossos pequenos Cullen crescerão aqui.
Falei rápido e me admirei com a resposta. Não que não planejemos ter filhos, mas isso sempre fez parte de nossos planos para o futuro, tipo por volta dos 30 anos quando tivermos nos firmado no mercado de trabalho. O mais bizarro é que eu falei como se ‘nossos pequenos Cullen’ já estivessem por aqui, entre nós.
O Sr. Howard e sua equipe se despediram de nós mas voltariam na manhã do dia seguinte, trazendo o dinheiro, as procurações para serem assinadas e um inventário de nossos bens. Encontramos com Alice, andando de um lado para o outro, feito uma barata tonta, pelo meio da sala, com o celular na mão.
- Algum problema, Alice? – minha voz subiu umas oitavas.
- Não Bella, calma! – ela parou de andar – Eu só to ansiosa mas tá tudo bem.
Uns cinco minutos depois, Mansen interfonou e Alice atendeu, destrancou o portão, Mansen entrou junto com um casal.
O cara era bem grande, musculoso como um levantador de peso profissional, o cabelo era preto e ligeiramente encaracolado. Seus olhos eram de um lindo azul, era difícil não olhar para eles. Vestia jeans escuro e suéter azul marinho, destacando muito bem seu peitoral bem definido. Seu andar ela relaxado e descontraído, assim que nos viu ali na sala, ele esboçou um sorriso e eu puder ver duas lindas covinhas em seu rosto.
Eles se aproximaram de nós e Mansen nos apresentou.
- Pessoal – ele destacava nós três – Esses são Alice Brandon, minha parceira de investigação, Edward Cullen e sua namorada, Isabella Swan.
- Bom, esses dois aqui são Emmett Bernard McCarty, agente do FBI, do escritório de Austin, no Texas e Rosalie Lillian Hale ...
CARACA!!!
Não consegui mais escutar o que Mansen dizia. A mulher era alta e maravilhosamente linda. Ela tinha uma silhueta de modelos de capas da Vogue, exibindo-se num charmoso terninho vermelho púrpura e usando scarpin caramelo. Nada parecia ser de uma marca conhecida mas eu aposto que aquela mulher ficaria bem até mesmo enrolada em folhas de bananeira! Sinceramente, ela era daquelas que detonam com a auto- estima de qualquer outra mulher que estiver ao seu lado. O cabelo dela era dourado, brilhoso e ondulado, com leves cachos que iam até o meio das costas. Ela era uma loira perfeita, devastadoramente e inumanamente linda. Pela minha visão periférica eu pude perceber que a sua beleza não passou despercebida por Edward. De repente todos estavam em silêncio, como eu estava perdida em pensamentos, nem entendi o porquê.
- Mas isso é nepotismo, Jasper Mansen!!! – Alice falou.
O cara alto, o Emmett riu ruidosamente e sua risada era tão contagiante, que eu, mesmo tendo perdido a piada, ri também.
- AH! Gente, eu to brincando, né?!!! – Alice falou de novo.
- Mansen, por que você não nos conta como foi a reunião com M? – Ed perguntou – Venham, vamos todos nos sentar.
Sentei ao lado de Alice e de Ed no sofá, Mansen sentou numa poltrona e Rosalie sentou na outra. Já o Emmett parecia bem à vontade, sentado no chaise.
- Bom, a reunião com M foi bastante proveitosa ...
Mansen começou a falar mas eu me desliguei de novo, olhei para Rosalie que parecia uma princesa, sentada de uma forma tão majestosa. Engoli em seco e olhei para o relógio na parede, me levantei, pedindo licença a todos.
- Gente, preciso orientar as empregadas sobre o que fazer para o almoço. Naturalmente, nossos convidados também ficarão conosco.
Sorri timidamente e me levantei mas pra minha desgraça, Ed resolveu me seguir. Ele murmurou um ‘com licença’ e eu gritei um ‘ora merda’ na minha cabeça. Caminhamos em silêncio até a cozinha.
- Susan. – chamei e a cozinheira olhou de imediato para mim – Teremos dois convidados para o almoço. O que você está fazendo?
- Ah! Er ... Srta. Swan eu estou fazendo costela de boi assada no forno, é que eu sei que o Sr. Cullen gosta muito desse prato e ...
- Tá bom. – cortei seu discurso – E o que mais?
- Arroz com champignon e salada quente de grão-de-bico. 
- Sobremesa? – inquiri mais uma vez.
- Bom ... eu ... ainda não havia pensado em nada.
Essa era a minha deixa pra ficar enfiada naquela cozinha por um bom tempo.
- Ok. Pode deixa isso por minha conta, então.
Tanto Ed como a cozinheira me olharam de soslaio e eu tentei parecer natural.
- Por que você não deixa a sobremesa por conta de Susan, Bella? – ele se aproximou mais de mim e sussurrou enquanto me abraçava – Você não acha mais interessante voltar para a sala e escutar o que Mansen tem a dizer?
- Não. – falei rápido, me entregando de novo – Eu ... prefiro ficar aqui.
Desfiz nosso abraço e tentei passar mas ele bloqueou minha passagem, respirei fundo e ele também.
- Sinto muito, pode ficar com raiva, mas eu não vou sair da sua frente até você me dizer o que está se passando aí, nessa sua cabecinha. – ele estreitava os olhos enquanto falava e uma de suas mãos afagava meu rosto.
Baixei meu olhar e me vi ‘num mato sem cachorro’. O que eu ia dizer a ele? Que fiquei perturbada com a beleza estonteante de outra mulher que ele TAMBÉM achou estonteante e que estava ali, parada na nossa sala de estar? Claro que eu não poderia dizer isso!!! 100% insegurança, nenhum homem gosta de uma amolação dessas.
- Bella, você está ficando pálida, respire.
- É que ...
- Sim? – ele arqueava uma das sobrancelhas.
- É que eu nunca tinha visto uma mulher tão bonita como Rosalie e tenho certeza que você também não. – respirei fundo – Então eu ... não tenho como te censurar por olhar pra ela, só que ... eu não quero assistir a isso.
Baixei meu olhar de novo, me sentia uma adolescente estúpida e idiota. Ele levantou meu queixo com uma mão enquanto a outra envolvia minha cintura com carinho.
- Se acalme, Bella. – Ed beijou a ponta do meu nariz. – Eu acho que você está sendo absurda. – seus olhos eram sinceros - Você está colocando isso fora de proporção. Sabia?
- Sei. – murmurei e baixei meu olhar.
- Lembra da festa na fraternidade? As coelhinhas da playboy? – fiz careta e assenti.
- Então, é a mesma coisa. Não há nenhuma conotação sexual nesse tipo de olhar, Bella. É só surpresa mesmo, por se deparar com algo bonito. – ele sorria torto e sua voz era macia – Mas assim que meus olhos vislumbram a beleza de alguma mulher, meu cérebro manda mensagens de comando, dizendo que ‘Isabella é a única mulher de minha vida’.
Tá, com essa ele me convenceu, fiquei de ponta de pé e o beijei. Quando o ar nos faltou, ele sussurrou ao meu ouvido.
- Você é adorável quando está com ciúmes.
- Te amo, Ed. – sussurrei também – Espero que seu cérebro sempre continue no comando. – ele sorriu, eu beijei o lóbulo de sua orelha e senti seu corpo estremecer um pouco.
- Você é a única que já tocou meu coração, Bella. Ele será sempre seu, meu único amor.
Ele voltou à sala e eu me dediquei a fazer a sobremesa. Optei por uma torta quente de maçã com cobertura de chantilly. O tempo passou depressa e quanto eu vi já eram meio dia, nesse período eu pensava nas palavras de Ed e tentava relaxar. Nosso namoro sempre foi muito calmo, tranqüilo. Temos a sorte de nos amar incondicionalmente, de nos desejar até o limite da paixão mas ... não estamos sozinhos no mundo. Eu sinto ciúmes, claro, mas não necessariamente quando uma mulher olha demais pra ele (embora eu também não goste disso) mas o meu maior medo é que um dia, ele encontre outra melhor do que eu.
Embora não duvide de seu amor por mim, acho que isso é possível de acontecer e ...
- AI!!! – gritei.
- Que foi, Srta. Swan!? – Susan se aproximou de mim.
- Não, nada ... cortei o dedo com a faca. – murmurei sem graça e corei, o grito tinha sido alto demais pra um corte tão pequenininho.
- BELLA!!!? – Ed já estava ao meu lado com cara de espanto – O que houve!?
- Na-nada ... foi só um cortezinho bobo no dedo e ...
Ele pegou meu dedo indicador e começou a chupar o fiozinho de sangue que saia dali. Tudo parecia muito fora do contexto mas aquilo foi muito sensual, senti meus mamilos se enrijecerem ... Corei quando percebi mais quatro pares de olhos me encarando. Todos com olhares questionadores, menos Alice que sorria.
Almoçamos, os seis, ali mesmo na espaçosa cozinha. Entre garfadas e conversas, pude interagir melhor com Emmett e Rosalie.
- Mas é sério, Mansen, ninguém poderia dizer que você e a Hale são irmãos. Não se parecem muito ... – McCarty falou e eu fiquei espantada, então essa deve ter sido a piada que eu perdi.
- Eu e Jasper somos meio irmãos, McCarty. – Rosalie sorria ao olhar para seu irmão – Temos a mesma mãe. Mas o pai de Jasper é o meu pai do coração, foi ele quem me criou ...
- Você está no FBI há muito tempo, Hale? – Emmett perguntou e eu pude perceber um certo interesse dele em saber mais sobre ela.
- Não, estou há pouco mais de cinco anos, assim que terminei a faculdade de T.I.
- T.I.? – questionei.
- Tecnologia da Informação. – ela completou.
- Bella, você perdeu uma parte interessante da conversa que Mansen teve com M. – Alice falou.
- É, devo ter perdido muito mesmo ...
- Mas nós só ganhamos com isso ... Caramba! Essa torta tá uma delícia. – McCarty sorria enquanto comia um pedaço de torta de maçã.
- HUM ... É mesmo! Vou até sair da minha dieta. – Rosalie completou – Parabéns, Isabella.
- Obrigada ... – sorri pra ela – Pode me chamar de Bella. Todos vocês podem me chamar de Bella ...
- Só se me chamarem de Rosalie também!
- Alice! – a baixinha falou olhando especificamente para Mansen e eu pude entender seu recado, segurei o riso nessa hora.
- Por favor, me chamem de Emmett. McCarty faz com que eu me sinta um velhinho gagá.
- Edward. – Ed falou zombeteiro, entrando na brincadeira.
Todos olhamos sugestivamente para Mansen que mastigava um pedaço de torta.
- Que foi? – ele questionou – Ah! Ok. Todos vocês podem me chamar de Mansen. Menos minha irmã, é claro.
Ele falou sisudo e Emmett mais uma vez gargalhou arrastando-nos com ele. Mansen fechou a cara quando percebeu que nós tirávamos sarro da cara dele.
- Gente, eu ... preciso dizer uma coisa. – falei num impulso prendendo a atenção de todos em mim – Eu ... não sei bem, eu apenas sinto que eu e Edward, apesar de tudo, temos sorte porque o FBI e o Sr. M estão empenhados nisso tudo. – senti meus olhos marejados e Ed pegou minha mão – Então, eu tenho esperança que nós dois vamos sair dessa. – olhei dele para os quatro agentes à nossa volta – Em meu nome e em nome de Edward eu quero agradecer a vocês quatro ...
Quando terminei de falar, grossas lágrimas escorriam de meu rosto. Percebi Edward emocionado ao meu lado mas ele não chorava. Rosalie e Alice estavam com os olhos marejados também.
Emmett, pra minha surpresa, chorava!
- Desculpe gente! – ele sorria meio sem graça – Eu choro até quando assisto último capítulo de novela brasileira.
- Não precisa se preocupar, Isa ... Bella. – Mansen se corrigiu – Vamos fazer o nosso melhor.
Depois do almoço seguimos para o escritório, precisávamos ter uma conversa a portas fechadas. Mansen contaria em detalhes, tudo o que M havia dito no encontro deles.
- M Goleman se reuniu conosco hoje, na suíte do Ritz onde ele está hospedado. – Mansen começou – Quando cheguei lá, logo cedo, Emmett McCarty já estava.
- É. Fui designado por M porque faço parte do escritório do FBI em Austin, no Texas. – Emmett esclareceu.
- Mas o que tem o Texas? – perguntei.
- Aro Volturi é senador pelo estado do Texas. A Volturi Holding S.A. tem sede em Washington D.C. mas a Volturi Guardian, o complexo industrial bélico, está localizado em Valentine, uma pequena cidade do Texas, bem próxima à fronteira com o México. – Emmett respondeu.
- Sem contar que os King – Rosalie falou esse nome com desprezo – são do Texas e lá também é a sede do partido conservador. É muita mazela vinda de um lugar só.
- Hei! Alto lá, eu sou da Ilha de Galveston! – Alice guinchou.
- Ah! Desculpe, Alice. Não quis te ofender. – as duas riram e eu também – Desculpe também, Emmett. – Rosalie completou.
- Ah! Não, tudo bem, pode esculhambar à vontade. Eu sou de Dickinson, em Dakota do Norte!
- Voltando ao assunto. – Mansen nos chamou a atenção – M disponibilizou Emmett e Rosalie para trabalharem diretamente conosco. Também contamos com o apoio da polícia de NY enquanto estivermos aqui, é claro. Por isso, Edward e Bella, sem querer abusar da hospitalidade de vocês, precisaremos ficar todos aqui. Não só pela segurança de vocês mas também porque as provas já estão aqui e não queremos colocá-las em risco.
Olhei pra Ed e ele assentiu milimetricamente para mim.
- Não se preocupem. Há mais quartos vagos. – sorri e assenti.
- Eu acho desnecessário porque moro aqui pertinho. Mas M está no comando da operação ... – Rosalie murmurou.
- Gente, quais são os planos? O que será de nós daqui pra frente? – perguntei.
- É aí onde queremos chegar, Bella. – Alice respondeu – M, por enquanto está de mãos atadas ... Alec Hartman, por ser chefe da Divisão de Investigações, autoriza cada pedido de proteção a testemunhas. Então ...
- Ele saberia de nós ... – Ed completou.
- Estamos perdidos ... – murmurei.
- Nada, disso! – Alice continuou – M está POR ENQUANTO de mãos atadas. É só por um tempo, Bella. Dois meses no máximo, é o tempo necessário para que M consiga incluir vocês dois no serviço de proteção sem que haja a menos chance de Alec achar vocês.
- Mas Alice, M é ou não é o Diretor geral do FBI? - Ed questionou.
- Sim, ele é. Mas num órgão público, na maioria das vezes, as atribuições dos cargos são definidas por lei, então um chefe não pode chegar, de uma hora pra outra, e tomar para si as atribuições de seu subordinado. – Alice respondeu.
- Ele até pode. – Emmett sugeriu – Mas isso chamaria muita atenção e Alec se tornou muito forte e influente dentro do FBI. Então, é melhor esperar um pouco e falar com Zafrina Miller pessoalmente.
-Quem é essa? – perguntei.
-É a atual diretora do Marshals Service. Somente ela poderá autorizar a inclusão de vocês ao serviço de proteção a testemunhas com absoluto sigilo. – Mansen completou.
Olhei pra Ed. Vi o pânico de meu rosto refletido em seus lindos olhos verdes. Ele beijou minha testa e sorriu torto.
- Vai ficar tudo bem, amor.
Sorri de volta e senti, de novo, a bexiga cheia e uma imensa vontade de fazer xixi ... deve ser o tempo frio ...
- Gente, licença. – corei – Vou pedir a Susan pra providenciar um cafezinho.
Sai rapidamente, fui ao banheiro e depois passei na cozinha, pedi que servissem um café e voltei para o escritório.
- Perdi alguma coisa? – me sentei ao lado de Ed.
- Nada demais, Bella. Estávamos planejando as próximas duas semanas. – Mansen falou.
- Vamos precisar ir à Boston, amor. – Ed completou – Pra acertar a venda de nossos carros, trancar a matrícula na universidade, nos despedir de nossos amigos ...
- Alice, os quadros ... não esqueça deles. – guinchei e ela apenas assentiu pra mim.
- Será uma viagem de um único dia, Bella. Não podemos nos dar ao luxo de deixar vocês zanzarem por aí sem usando seus nomes verdadeiros. – Rosalie completou.
- Mas não se preocupem. Iremos todos, ainda de madrugada, para que possamos aproveitar bem o dia em Boston e resolver as pendências, voltando NY no final do dia. – Emmett completou.
- E não tem perigo? – Ed questionou.
Emmett flexionou os músculos dos braços e sorriu.
- De forma alguma. Até a baixinha aí consegue dar conta do serviço. – falou apontando pra Alice.
- Engraçadinho. – ela fingiu estar ofendida.
Ouvimos leves batidas na porta e eu disse um ‘Pode entrar’. Ruth entrou rapidamente, trazendo uma bandeja com chá, leite, café e biscoitos. Ela saiu logo em seguida e todos se serviram.
- Chá? – Ed arqueou as sobrancelhas e franziu a testa ao me ver tomando chá de menta – Enjoou de café, Bella?
- Não ... Mas é que deu uma vontade de tomar chá de menta ... – murmurei.
- Voltando ao que interessa. – Rosalie prosseguiu enquanto anotava numa folha de papel – Pelo que Edward nos falou, vocês vão receber a visita dos advogados amanhã de manhã. Então, tecnicamente poderíamos ir à Boston já na quarta-feira, mas eu não acho apropriado.
- Por quê? – Ed perguntou.
- O apartamento de vocês foi invadido e revirado ... Gente dos Volturi está metida nisso. – senti um arrepio na nuca e senti Ed se retesar ao meu lado – Não queremos nos arriscar, sugiro que marquemos essa viagem para a próxima semana. - os demais concordaram com Rosalie Hale e eu cheguei à conclusão que estavam certos.
Involuntariamente bocejei, um bocejo enorme!
- Isso é o que dá ficar vigiando a casa durante a madrugada. – Mansen falou com um meio sorriso nos lábios.
- Aaaahhhh! – sorri depois de meu enorme bocejo – Acho que vou subir e descansar um pouco ... To meio cansada. – dei um selinho em Ed e me levantei.
Subi, vesti moletons confortáveis e me enfiei debaixo das cobertas. Virei pra um lado e tentei relaxar ... Pouco tempo depois senti Edward ao meu lado, me abraçando.
- Hum ... Veio tirar um cochilo também? – perguntei.
Ele beijou minha testa e sorriu.
- Não, amor, vim te acordar. São cinco e meia da tarde ...
- Isso tudinho?
Franzi a testa mas não me surpreendi com o sono acumulado que eu estava sentindo. O estresse sempre me causou sonolência e chamar de ‘estresse’ que vivíamos naquele momento parecia ser um eufemismo.
- Daqui a pouco vamos jantar, Bella adormecida ...
JANTAR!!! Ôba!
- Qual é o menu? – falei enquanto me espreguiçava.
- Alguma sopa cheirosa. – ele sorria torto e minha boca ficou salivando quando ouvi a palavra ‘sopa’.
- Acho que vou tomar um banho, então. – me sentei na cama.
- Posso te acompanhar? – seu pedido era irresistível.
- Claro que sim!!! – sorri.
Foi um banho normal, somente nos tocávamos fazendo carinho um ao outro.
Ed vestiu uma camisa pólo branca de manga longa e uma calça de veludo marrom. Eu peguei um vestido preto e um casaquinho de crochê colorido, prendi meu cabelo num rabo de cavalo e descemos. Alice e Emmett já estavam na sala, conversavam animadamente como se fossem dois velhos amigos.
- Será que Rosalie e Mansen já vão descer para o jantar? – perguntei.
- Rosalie foi ao apartamento dela, buscar umas coisas. – Alice respondeu.
- E Mansen foi com ela. – Emmett completou.
- As empregadas já arrumaram outros quartos, Bella. – Ed me esclareceu.
Aquela primeira semana transcorreu ‘naturalmente’, se é que algo mais em nossas vidas pudesse ser assim daqui pra frente. Os quatro agentes sempre conversavam entre si, analisando aquelas malditas provas de trás pra frente e de frente pra trás. Os advogados vieram, assinamos a procurações e pegamos o dinheiro. Eles se responsabilizariam pela demissão imediata de Nettie já que eu optei por vender a mansão Swan, telefonei pra ela e lhe dei a notícia eu mesma. Meu coração só não se afligiu mais porque eu sabia que ela receberia uma boa indenização e também porque ela já tinha tempo para se aposentar.
Nossos amigos nos telefonaram algumas vezes, tentávamos agir com naturalidade e dissemos que precisávamos de um tempo. Na sexta-feira, 15 de janeiro, lembramos com tristeza que fazia uma semana da morte de nossos pais. Foi difícil enfrentar aquele dia, logo de manhã, eu e Ed rezamos um pouco antes de sair do quarto, seria um dia de duras lembranças, como sempre, então precisávamos de forças. Mas os nossos novos amigos-agentes entenderam e falaram pouco conosco naquele dia, nos dando privacidade em nosso luto. Até pensei em ir ao cemitério e colocar algumas flores sobre os túmulos mas houve uma tempestade de neve no começo da tarde.
No sábado, eu e Ed conversamos bastante com Alice, Mansen, Rosalie e Emmett. Definitivamente, meu coração se aquietou em relação à beleza de Rosalie. Não percebi nenhum olhar dela pra Edward que pudesse me inquietar, pra ser sincera, acho que ela está mais do que acostumada em ser admirada. Agora, não pude deixar de perceber os olhares compridos que Emmett lançava pra ela ...
Decidimos que iríamos à Boston de carro e que chegaríamos lá no começo da manhã de segunda-feira, 18 de janeiro.
- Por que não vamos de avião? – perguntei.
- Não seria seguro emitir passagens aéreas para um Cullen e uma Swan. – Mansen esclareceu.
- Nós temos documentos falsos. – Ed falou e eu me espantei com a sua declaração.
Os quatro se aproximaram de nós com intensa curiosidade e surpresa.
- Como é que é? – Mansen falou exasperado.
- Nós ... – Ed parecia arrependido por ter falado – Nossos pais deixaram pra nós, uma espécie de segunda opção. Se nosso contato com vocês falhasse, teríamos ao menos a chance de tentar fugir do país.
- Isso é crime. – Mansen sibilou e eu me encolhi.
- Nós não ouvimos nada. – Emmett falou e eu fiquei surpresa com a sua reação.
- É, ficamos temporariamente surdos, Mansen. – Alice completou.
- Se fosse para proteger meus filhos, eu faria o mesmo. – Rosalie também nos defendeu.
- Então, continuem seguindo o plano de seus pais. – Mansen se rendeu e pôs uma mão em meu ombro e outra no ombro de Edward – SE ... E SOMENTE SE ... nossa missão falhar, saiam do país e tentem se esconder.
Seguimos para Boston em dois carros diferentes, no carro ‘das meninas’ Alice dirigiu na ida e Rosalie na volta. Não me agradou muito a idéia de Edward ir no outro carro, mas eles disseram que era mais seguro assim ... Mas a viagem foi legal, tive a chance de me aproximar mais de Rosalie e Alice. Apesar da nossa diferença de idade, Alice tem 27, Rosalie 30 e eu 20 anos, conversávamos como se fôssemos velhas amigas.
Em Boston, eu e Edward seguimos direto pra Harvard, conversamos rapidamente com o reitor e trancamos a matrícula de nossos cursos. Senti um nó na garganta enquanto assinava o termo de desistência, ser advogada sempre foi um de meus sonhos ... Edward também sofria, a medicina era sua vocação. Encontramos com Victoria, James e Jessica, nos despedimos de nossos amigos. Explicamos que viajaríamos por uns tempos e fizemos a falsa promessa de manter contato ... Era outra coisa importantíssima que deixávamos para trás, nossos amigos.
Alice e Rose (é, eu comecei a chamá-la assim) me convenceram a entrar no apartamento, disseram que eu poderia me lembrar de pegar mais alguma coisa. Enquanto Edward, Emmett e Mansen foram até a loja de carros do Sr. Dowling, levando o meu New Beetle e o Volvo prata de Ed, eu, Alice e Rose pegamos os quadros e toda a roupa que estava em nossos closets. Faltaram malas, então pusemos o resto em sacolas plásticas de supermercado.
- Nossas, vocês têm muita roupa. – Rose se admirou.
Sorri pra ela e assenti.
- Tudo o que não for viável para a nova vida que vocês terão, poderá ser vendido no brechó da minha tia ... – Alice sorria.
- Sua tia tem um brechó? Onde? – Rose perguntou curiosa.
- No Queens!
- Ôba, vou lá qualquer dia desses. Brechó é uma terapia pra mim. – Rose falou.
A volta para NY foi silenciosa. Eu estava muito triste porque, aos poucos, deixávamos nossa vida para trás, Edward também havia chegado muito abatido da loja do Sr. Dowling, na certa ele sentia o mesmo que eu. Pelo menos ele havia feito um ótimo negócio, graças a Emmett, que conhece muito sobre carros e percebeu que o Sr. Dowling não estava sendo muito honesto. Conseguimos quase U$ 50 mil.
Na terça-feira, o Sr. M havia telefonado para Mansen, perguntando como estávamos passando. A conversa foi longa e nos deixou muito curiosos. Quando Mansen desligou, seu semblante não era dos melhores.
- Fala logo, Jasper. – Rose guinchou.
Mansen estava carrancudo e nos olhava um a um.
- Fudeu! Fala logo, cara. – Emmett falou exasperado.
- M disse que nós precisamos sair de NY. Todos nós. – ele foi taxativo.
- Por quê? – perguntei.
- Como? – Ed falou.
- Pra onde? – Alice completou.
- Reunião. Agora. No escritório. – Mansen sibilou.
Edward me abraçou pela cintura e seguimos em fila indiana, acompanhando nossos novos amigos até o escritório. Meu coração nos dizia que tínhamos problemas muito sérios.
- Eu estou aqui com você. – Ed sussurrou enquanto andávamos.
- Eu sei. - eu respirei profundamente antes de responder.
Isso era verdade. Edward estava aqui, com os seus braços ao meu redor, me amparando. Eu podia enfrentar qualquer coisa contanto que isso fosse verdade. Eu respirei fundo, de novo, consertei minha postura e caminhei em frente para encontrar com nossos novos problemas. Apesar de tudo, eu estava bem, tinha Edward, o meu destino, solidamente ao meu lado.

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