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- Música Das Sombras - adaptação do livro homônimo. (Fic concluída)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Vem comigo, amor - Capítulo 24

ESCOLHAS (PARTE II)

O sábado, 23 de janeiro, começou bonito, o sol dava sinais que iria brilhar e esquentar um pouquinho o nosso dia. Eu nunca vou esquecer esse dia, ele ficará pra sempre guardado na minha memória como o ‘dia D de Edward e Bella’. Eu sei, parece coisa de adolescente bobo fazer esse tipo de classificação, mas ano após ano, quando eu virar a página do calendário e me deparar com o dia ‘23 de janeiro’, vou respirar fundo e reviver as emoções desse dia que foi um dos mais longos de minha vida ...
Como é difícil tomar uma decisão! Eu que sempre me achava um cara seguro, confiante em meus julgamentos, tenho me saído um grandessíssimo mané!
Mas desafio qualquer pessoa a passar pelo que eu passei (não, eu não to falando da morte de meus pais). Quero ver quem tem a coragem de tomar uma decisão dessas! Ou a falta de coragem se você olhar por outro ângulo.
Bom, voltando ao início do dia, acordei um pouco mais cedo que Bella e fiquei abobado, olhando-a dormir. Tão linda, a minha princesa ... Sua pele marfim fazia um lindo contraste com o edredom azul claro, seus cabelos castanho-avermelhados se espalhavam sobre o travesseiro, formando um leque bonito, brilhoso e cheiroso ... Hum ... Cheguei mais perto e inalei o gostoso perfume do xampu, que não era o seu xampu de morangos mas mesmo assim, era cheiroso.
Sai da cama com cuidado pra não acordá-la e fui tomar banho mas ela nem se mexeu, lembrei da expressão ‘dormir como uma pedra’ e sorri. Engraçado, antes Bella tinha um sono muito sensível, sempre acordava primeiro que eu. Muitas e muitas vezes eu só não me atrasei feio para a faculdade, porque ela sempre acordava antes de mim e adiantava o nosso café da manhã ... Mas isso é decorrência do estresse dos últimos dias. A vida não tem sido fácil pra nós.
Depois do banho, vesti a primeira calça e a primeira camisa que vi pela frente, calcei minhas chuteiras adidas muito surradas e, relutantemente, fui acordá-la. Já tava meio tarde mas aqui somos hóspedes, então a boa educação manda que sigamos os horários dos donos da casa. ‘Mas isso vai acabar, minha Bella. Logo, logo estaremos na nossa nova casa, vivendo uma nova vida.’, pensei e imediatamente senti um arrepio na nuca. Eu sei, isso parece boiolice mas fico apavorado (isso também parece boiolice) com o nosso futuro. As coisas só não são piores porque eu tenho Bella comigo, ela faz com que tudo ao meu redor se tranforme numa coisa melhor.
- Isabella. – murmurei baixinho – Minha Isabella.
Só de pronunciar seu nome eu me sinto melhor, é como se as minhas esperanças se renovassem a cada dia, da mesma forma que o nosso amor e o nosso compromisso se renovam. É como se ela fosse o meu sol particular, sua beleza, bondade e graça lançam sobre mim uma claridade e um calor tão grande que se faz sol na meia-noite dos meus dias de luto. 
Amar é bom, é um presente de Deus. Apesar de todas as adversidades, sinto-me vivo, apesar das dúvidas, tenho em meu coração as raízes de nosso amor. São raízes profundas, fortes, que se enlaçam em nós dois, distribuindo a mesma seiva. Dois corpos, dois músculos cardíacos, duas mentes, um único amor capaz de nos unir em todos os sentidos, pensamentos e desejos.
- Bella? – beijei a sua testa.
- Hum ... – ela murmurou e fez biquinho.
- Amor, ta na hora de acordar. – distribui beijos por seu rosto.
- Nã-não ... – ela choramingou mas seu estômago deu um ronco estridente.
Ela abriu os olhos e fez careta.
- A escola de samba acordou! – falei zombeteiro enquanto passava a mão em sua barriga e lhe dava um selinho.
- Vou tomar um banho, então. – ela se levantou da cama e entrou no banheiro.
Caraca! Acho que ela não queria mesmo ser acordada, ficou com um lindo biquinho no rosto. ‘Paciência, amor, daqui a pouco estaremos em nossa casa e você vai acordar na hora que quiser’, pensei de novo. Dez minutos depois ela já estava pronta, vestia uma calça jeans escura, tênis all star preto e uma blusa cheia de florzinhas ... Adoro essa blusa que ela tem, fica tão feminina ... Cheguei mais perto dela e a abracei pela cintura.
- Você fica linda com essa blusa. – sussurrei em seu ouvido – Mas fica melhor sem ela ...
Colei mais os nossos corpos e beijei o lóbulo de sua orelha, ela sorriu baixinho e seu estômago rosnou, parecia um leão da montanha.
- Hora do café. – ela falou mas seu humor ainda não era dos melhores.
Saímos do quarto e caminhamos em silêncio até a cozinha, a mesa estava posta mas somente Fannie estava lá. Lamentei pela mancada que demos, não somos hóspedes da pousada, a mesa não pode ficar no esperando sempre. Fiz uma nota mental de conversar com Bella sobre isso mais tarde, naquela hora, não. Ela comeu com vontade, com vontade mesmo, e pouco a pouco a sua cara foi melhorando. Então o problema era sono e fome.
- Alice e os seus amigos estão lhes esperando na varanda ... – Fannie murmurou.
- Tá, beleza. Obrigada, Fannie. – sorri pra ela, enquanto Bella somente assentiu.
Alice, Emmett e Rose andavam de um lado pro outro pela imensa varanda da mansão, na certa estavam esperando por nós há um bom tempo.
- Vamos, Bella ... – Rose falou.
- Pra onde? – ela franziu a testa.
- Bella, você é muito bobinha ... – Jô falou e eu segurei o riso, do jeito que Bella tava meio sem querer conversa, se eu risse da piada, ela me fuzilaria com o olhar – No jantar você concordou que hoje iria ao Cora’s Coiffure ...
- Foi? Falei? – ela retrucou.
Cora’s Coiffure? Que porra é essa? Pensei.
- É, Bella. A tia Cora e minhas primas Mary Violet, Mary Hellen e Mary Dayse são proprietárias de um salão de beleza ... – Alice respondeu pacientemente.
- Numa fazenda? – meu Deus, cadê o cérebro de minha namorada?
- Nossa! Alice, onde você encontrou uma amiga tão bobinha?  
Jô devia ter o dom de ler pensamentos, pois eu pensei quase isso. Então o palhaço do Emmett desatou a rir. Ele tava rido de Bella e bem na minha frente! Cheguei junto e dei um soco não tão de leve em seu ombro, por sorte ele guinchou um ‘Ai’ e eu abri um imenso sorriso.
- Em Washington, Bella, a cidadezinha mais desenvolvida do condado. – Alice ainda explicava.
- Hoje será um dia só de garotas!!!!!! – era a Jô, de novo.
- Dia de garotas? – falei.
Tá, por essa eu não esperava. Pra onde aquelas duas levariam a minha Bella?
- E de garotos também, cara. Vamos sair por aí, espairecer um pouco ... Tomar umas cervejas ... Afinal, estamos numa casa de pastor! Nada de álcool ... – tinha que ser o Emmett pra falar uma leseira dessa.
- EMMETT! Por que você não vai ver se Jasper já está pronto?
Rose parecia dar ordens para uma criança de cinco anos. Hilário!!! Mas o melhor de tudo, é que ele obedeceu. Fiz uma nota mental de guardar esse episódio pra usar contra ele no futuro, caso eu precisasse.
Bella deu uns dois passos e me abraçou e eu senti a tão conhecida eletricidade que emana de nossos corpos. Ela me deu um selinho e eu sussurrei de novo em seu ouvido.
- Vou morrer de saudades ...
- Eu também. Te amo.
- Eu te amo mais. – usei a frase padrão que roubei dela.
Mansen e Emmett apareceram e seguimos para um dos carros.
- Eu dirijo agora e você na volta. – Emmett falou.
-Por quê? – Mansen arqueou uma sobrancelha e perguntou, desconfiado.
- Porque eu quero tomar umas cervejas quando chegarmos em Atlanta. – ele respondeu com naturalidade – Eu li uma frase em algum pára-choque de caminhão que dizia ‘Se beber não dirija.’
- E quem disse que vamos pra Atlanta? – nós já estávamos na estrada de terra, próximos ao portão principal da fazenda.
Engraçado ...  Não, não é nada engraçado. Muito chato, eu quis dizer. O diálogo deles se seguia como se eu não estivesse ali. Com pesar eu percebi que eles me viam como ‘uma missão a ser cumprida’. O relacionamento de Bella com Rose e Alice parecia ter se desenvolvido anos-luz se comparado ao meu com Mansen e Emmett. Não que eles não fossem caras legais, mas é que eles me tratavam como um ser menos desenvolvido, eu acho. Talvez esse lance de estar sob proteção possa desencadear esse sentimento.
- Porra, Mansen, estamos a duas horas da maior cidade da Georgia. O que é que custa irmos pra lá? – Emmett falou exasperado – Eu não conheço Atlanta ...
- Nem eu. Não perdi nada lá. – Mansen falou – Você conhece Atlanta, Edward?
Aleluia!!! Se lembraram de mim aqui no banco de trás.
- Sim. – respondi.
- Então, cara? – Emmett virou a cabeça pra poder me encarar – O que tem de bom lá?
- Olha pra frente! – Mansen rosnou.
- Depende. Durante o dia tem alguns museus. – vi a careta de Emmett pelo espelho do carro – Zoológicos – sua careta aumentou e eu segurei o riso – Ah! Tem o Georgia Aquarium, o maio aquário indoor do mundo.
- AQUÁRIO?! – sua careta se transformou num imenso sorriso – Pronto. Na falta de um bom bar, é para o aquário que nós vamos!
- Que programa de velhinho-viado! – Mansen falou exasperado.
- Programa de velhinho-viado é brincar com esse cubo mágico que você tem aí. – verdade, Mansen tava com um cubo mágico - Vamos votar. OK? – hilário, tinha que ser o Emmett pra propor uma coisa dessas, acabou que ele venceu.
Mansen tava ‘andando e cagando’ pra escolha do lugar, ele parecia perdido nos próprios pensamentos enquanto brincava com o cubo mágico. E eu votei para irmos a Atlanta, preferi tentar me socializar com eles, começaria com Emmett que parecia ser um cara menos anormal.
Houve alguns minutos de silêncio, Emmett ligou o rádio numa estação local que só tocava country. Eu olhava a paisagem, meio disperso em pensamentos, olhava o verde, olhava o céu, mas só pensava em Bella. Eu já tava morrendo de saudades de minha princesa. Quando tivéssemos nossas novas identidades, faria de tudo para tentar levar uma vida o mais normal possível. Alugar um apartamento, procurar um emprego, buscar alguma qualificação profissional, quem sabe. São muitas as possibilidades! E dentre as possibilidades, eu escolho a felicidade, eu escolho uma vida segura para mim e para Bella. Não vou me deixar abater pelo medo do desconhecido, não vou deixar Bella absorver essas minhas hesitações, preciso dar segurança à minha mulher.
Tem uma música dos Beatles que eu gosto muito, aquela que diz que tudo o que nós precisamos é de amor. Mas isso é uma meia-verdade, apesar de o amor ser a coisa mais importante do mundo, Bella também precisa de outras coisas, coisas que eu me empenho em lhe proporcionar todos os dias. Diante das circunstâncias vividas nos últimos tempos, da nossa fuga para a Georgia, da nossa mudança de vida ... SEGURANÇA é o que Bella mais precisa. Volturi, King, quem quer que tenha dizimado a nossa família, esse perigo não pode chegar até Bella. Nunca. E eu vou fazer o que for necessário, custe o que custar, para garantir a segurança dela.
- Mansen, tem uma coisa que eu não entendi. Por que o nome da fazenda dos pais de Alice é ‘Jones’ Farm’, se antes ela havia falando que viríamos para ZION? – Emmett perguntou.
- Zion era o antigo apelido da fazenda, nela havia uma igreja batista,a Mount Zion, construída especialmente para os ex-escravos da fazenda. – Mansen parecia fazer um resumo da história – Susannah Jones, a esposa do dono da fazenda, era uma ex-escrava muito religiosa, então ela mandou que construíssem uma igreja para que os negros da região pudessem se congregar. A fazenda sempre se chamou Jones’ Farm mas com o passar dos anos, se tornou mais conhecida como Zion.
- E a igreja? – Emmett perguntou.
- Ah! A igreja cresceu tanto que precisou sair da fazenda, atualmente ela está construída num bairro de Washington, a maior cidade do condado. O pai de Alice foi pastor de lá por mais de 30 anos, até se aposentar, agora ele só administra a cooperativa de algodão e a pousada junto com seus sobrinhos.
- Puxa Mansen, você sabe tudo sobre a fazenda ... E sobre os donos dela. – Emmett murmurou.
- Só não sei como me acertar com a filha dos donos ... – Mansen murmurou.
- Como? – Emmett guinchou.
- Nada!
- Nada, porra nenhuma, Mansen. – resolvi falar, cansei daquela pose toda dele – Afinal de contas, o que você e Alice têm afinal?
- O caso Volturi. – ele falou enquanto encarava a estrada – Só isso.
- Só isso, um caralho! – Emmett falou – Edward, ele tá mentindo, não tá?
- Está. – respondi.
-Vocês dois parecem duas velhinhas fofoqueiras. – Mansen parecia na defensiva.
- Êpa, êpa, êpa, velhinhas fofoqueiras, não! Você pode até não querer falar do assunto mais tá na cara que vocês dois já tiveram um lance.
Emmett falou mas Mansen não respondeu nada, parecia um esquilo acuado, sentado no banco do carro. Resolvi me solidarizar com ele, bati em seu ombro de leve.
- Mansen, se você não quiser falar, cara, tudo bem. Mas se você quiser conversar a respeito, estamos aqui.
Ele respirou fundo e começou a falar.
- Eu e Alice, sei lá, somos um caso perdido. – ele fez uma pausa – Não, eu sou um caso perdido pra ela. Não sou bom pra ela, vocês entendem?
- Não. – respondi.
- Também não. A não ser que você seja um serial killer, agressor de mulheres, maníaco, doido, pervertido ... – Emmett respondeu.
- O negócio é o seguinte. Eu e Alice tivemos um relacionamento. – sua voz era tensa e baixa – Mas eu cometi um grande erro, causei a ela muito sofrimento. Eu sofri também mas só porque o sofrimento dela refletia em mim multiplicado por dez. Então, por ironia do destino, depois de quase dois anos separados, fomos parar na mesma unidade do FBI, e pior ainda, fomos designado para trabalhar no mesmo caso ...
- Pior, nada, essa é a sua chance, cara. – Emmett opinou.
- Concordo. – falei.
- CHANCE? – Mansen rosnou – De acabar com a vida dela de novo? De infligir-lhe mais sofrimento, vergonha e humilhação?
- Chance de acertar, Mansen. – Emmett falava calmamente – Ou você é algum idiota pra cometer o mesmo tipo de erro?
- Uma segunda chance, Mansen. Não seja tão rigoroso com você e com Alice. – opinei – Do jeito que ela fala de você e principalmente, o jeito que ela olha pra você, me faz crer que, seja lá qual foi a merda que você fez, ela já te perdoou.
- Mas. Eu. Não. Me. Perdoei. – ele sibilou cada palavra.
- Então, mano, você tem três opções. Primeira, procure uma ajuda espiritual, sei lá, sessão de descarrego, essas coisas ... Segunda, converse com Alice e deixe-a decidir se quer ou não tentar de novo. Terceira, foda-se com a sua culpa e assista outro cara aparecer na vida dela. – Emmett falou de novo com extrema simplicidade e eu tive a certeza absoluta que ele não era tão anormal assim.
- Eu ficaria com a segunda opção. – falei por fim.
Mas Mansen ficou calado e começou a brincar freneticamente com aquele cubo mágico idiota, acho que é algum tipo de TOC que ele tem. Sei lá.
O tempo passou rápido e quando percebi, já estávamos em Atlanta, olhei pro relógio e já eram quase onze da manhã.
- Emmett, lembrei de um bar muito legal onde a gente pode jogar uma sinuca, tomar umas cervejas e jogar conversa fora.
- ONDE? – sua voz subiu umas oitavas.
- Vire à esquerda na próxima rua. – ele fez o que eu pedi – Ali, onde estão aquelas mesas. – apontei pra calçada do bar.
- Mas ainda tá fechado. – Mansen falou.
- Não, eles abrem o bar pontualmente às onze da manhã. – respondi.
- Valeu, Edward! Preciso de uma Heineken urgentemente! – Emmett sorria feito uma criança – The Porter Beer Bar – ele leu o nome do bar em voz alta – Puxa, lembre do Harry Potter, adoro aquela saga!
Tá, retiro o que eu disse. Emmett não é um cara normal.
O bar estava vazio quando chegamos, só havia um funcionário limpado umas mesas e uma garçonete de cabelo laranja e com um sorriso afetado no rosto. De cara, não gostei do olhar dela. Com é mesmo que Bella chama esse tipo de mulher? Piri ... pigui ... ah, piriguete! Lembrei e sorri com isso. O pior é que a mulher pensou que eu havia sorrido pra ela!
Pedimos duas Heineken, uma coca pro Mansen e uma porção de fritas e outra de camarões ao alho e óleo. A TV tava ligada no ESPN e logo a conversa da gente fluiu para o torneio de basquete e a liga principal de beisebol. A garçonete chegou trazendo as cervejas e fez questão de nos servir com bastante ‘dedicação’, de onde eu tava sentado percebi que o decote de seu uniforme ia até o umbigo dela. Vulgar! A definição mais adequada para ela é vulgar.
- Trago as fritas e os camarões em cinco minutos. – seu sorriso era nauseante – Posso lhes servir mais alguma coisa?
- Não, obrigado. – Emmett deu gole na cerveja e respondeu.
- E você? – ela se virou e se inclinou mais em minha direção, não pude não ver que seu sutiã era vermelho.
- Não, obrigado. – respondi sério.
- E você? – ela quase sentou no colo de Mansen.
- Privacidade. – ele respondeu sarcástico.
- Como? – ela arqueou as sobrancelhas.
- Privacidade, sossego e a sua ausência, é claro.
Caraca! Ela pediu pra ouvir isso. Ela fechou a cara e saiu rapidamente.
- Pô, Mansen, tu parece um cão raivoso! Precisava espantar a menina assim desse jeito? – Emmett perguntou.
- Edward é comprometido, não quis saber. Eu não to a fim, não gosto desse tipo de mulher. Agora, você, que eu saiba é livre. Por que não deu bola pra ela? – Mansen respondeu.
- Quem disse que eu to livre? – ele sorriu e arqueou uma sobrancelha.
- E quem é a vítima? – Mansen perguntou.
- A sua irmã – Emmett respondeu com uma naturalidade tremenda e eu vi fogo nos olhos de Mansen.
- COMO? – Mansen quase se engasgou com a coca.
- A sua irmã, Rose. – ele fez uma pausa – Bom, nós ainda não temos nada. Ainda. Mas eu não desisti, não mesmo. Rose é o tipo de mulher que você tem que conquistar aos poucos, dia após dia, ela ...
- Você não sabe nada sobre ela. – Mansen semicerrou os olhos e fechou as mãos em punho.
- Estou empenhado em saber.
- Você não sabe do passado dela ...
- O presente é o que importa, o futuro é o que faremos. – Emmett parecia seguro em sua resposta.
- Você não imagina o quanto a Rose já sofreu ... Ela, ela não tem sorte em seus relacionamentos. – sua voz endureceu mais ainda – Eu amo a minha irmã, Emmett McCarty ...
- Eu também a amo ...
Puta que pariu! Emmett tá cutucando onça com vara curta.
- Escute aqui, seu idiota. – caraca, ele se levantou e Emmett também, os dois ficaram se encarando por uns dez segundos, pensei que iam sair nos socos – Eu não sou um irmão ciumento. Se a Rose quiser algo com você, eu vou respeitá-la e torcer pra que tudo dê certo entre vocês. Mas – ele fez uma pausa – Se você magoar a minha irmã, se eu a encontrar chorando pelos cantos por alguma merda que você fez ... Eu juro que acabo com a sua raça e em seguida, acabo com você.
- Se eu fizer alguma merda ... Mas eu não farei, Mansen – ele estendeu uma mão e tocou no ombro de Mansen – Quando eu conheci Rose algo em mim mudou, de repente eu encontrei aquela que eu sempre procurei. Eu não falo da beleza dela, isso é detalhe, falo da mulher maravilhosa que ela é.
UFA! Nada de brigas. Eles se sentaram de novo e garçonete voltou trazendo o nosso pedido. Começamos a conversar feito gente de novo.
- Mas a Rose não me falou nada, Emmett.
-Claro! Você não é bem o cara mais sentimental do mundo. – Emmett gargalhou, eu também e até o próprio Mansen – Mas é sério, nos dias em que ficamos estudando as provas do caso, entre uma xícara de café e outra, a gente sempre conversava.
- E? – Mansen questionou.
- Ela me deu um ‘talvez’, o que na linguagem feminina quer dizer um ‘sim’ bem pensado. – ele fez uma pausa e olhou nos olhos de Mansen – Quando ela perceber que eu só quero fazê-la feliz, ela mesma irá destruir aquela barreira ...
- Rose já foi muito ferida ... Mas então, quais são seus planos?
- AHAHAHAHA – Emmett gargalhou muito alto – Tá querendo pegar carona nas minhas idéias pra poder reconquistar a Alice?
Meu Deus, Emmett não tem jeito mesmo.
- Vai te fuder, porra! – Mansen falou exasperado e eu comecei a rir.
- Bom, eu sei que na próxima sexta é o aniversário dela. – os olhos dele brilharam – A gente podia sair pra comemorar, sei lá, Alice deve conhecer um lugar legal pra gente ir.
- Boa idéia , Emmett! – sorri, encorajando-o.
Mansen olhou pro relógio, cutucou alguma coisa no celular e olhou pra Emmett de um jeito meio estranho.
- Edward ... Eu e Emmett precisamos falar um assunto sério com você. – não gostei do tom de voz dele – É sobre os detalhes do serviço de proteção.
- Não. Esse é o tipo de assunto que eu devo tratar junto com Bella ...
- Edward, mano, escute. – Emmett fez uma pausa – Existem algumas decisões a serem tomadas, então gostaríamos que você pensasse com calma ... A essa altura, as meninas já devem estar conversando com Bella.
- Então, as cidades já foram escolhidas, Helena, em Montana e Portland, no estado do Oregon ...
- Eu não vou decidir isso sem ouvir a opinião de Bella. Não posso simplesmente arrastá-la pra um lugar qualquer, ela é quem vai escolher ...
- Não, cara. – Emmett parecia relutante – O Marshall Service escolheu a cidade de Helena para Bella e Portland para você.
- O QUÊ? – falei exasperado, dei um pulo da cadeira, fazendo-a cair – Como ousam? De quem foi essa idéia estúpida?
Eu já estava fora de mim, meus olhos deviam refletir ira porque os dois me olharam espantados.
- Edward, sente-se, por favor. – Mansen pediu e eu tentei me acalmar – Isso não é uma ordem, é apenas uma das opções. O programa realmente NÃO pode obrigá-los a tomarem rumos diferentes ...
- Ainda bem. – respondi seco.
- Mas você deve avaliar as opções. – ele fez uma pausa – Se cada um for pro seu lado, por uns tempos, é claro, será mais seguro porque será mais discreto ... sem contar que o dinheiro de vocês vai render mais ...
- Mas que porra é essa? – falei exasperado – Então é por causa de alguns míseros dólares que vamos economizar por mês?
- Não, Edward ... é pela segurança de vocês dois também. Fica mais fácil esconder vocês, no meio de uma multidão, se estiverem separados.
- Mansen, eu disse que essa idéia não ia dar certo ... – Emmett falou.
- Eu não quero o mais fácil. – minha respiração estava descompassada, meu coração parecia que ia saltar pela boca – Eu quero o que eu preciso. E eu preciso de Bella ao meu lado. Será que vocês podem entender isso?
- Só pense a respeito, Edward. Pense na segurança dela também ... Pense que serão poucos meses. O que é alguns meses de separação comparados a garantia da segurança dela? – cada palavra de Mansen era como se um punhal fosse cravado em meu peito.
- Qual é a outra opção? – não reconheci a minha voz, parecia um zumbi.
- Bom, o serviço pode conseguir pra vocês as novas identidades como um casal, entende? – Emmett falava mais baixo – Falsa certidão de casamento ... ‘oficialmente casados’ é a segunda opção de disfarce.
Senti minhas mãos tremerem e fechei-as em punho, eu não precisava demonstrar minha fraqueza ... Respirei fundo e fiquei perdido, era como se meu cérebro fosse uma imensa folha de papel em branco. Por alguns segundos, parecia que toda a atividade cerebral havia parado, eu não conseguia pensar em nada.
- Preciso de ar.
Sai do bar caminhando a passos largos, deixei os dois lá e nem olhei pra trás.
- EDWARD! – Emmett gritou.
Não respondi, continuei andando feito um andarilho errante.
- Vá atrás dele, Emmett. Eu vou pagar a conta e alcanço vocês ...
Só escutei isso e caminhei rapidamente, olhava apenas para o chão, para meus pés. Não sabia pra onde ia, não sabia o que fazer, tive a vaga noção de que Emmett me seguia.
- Edward, mano ... espera ...
Caminhei. Chorei. Lamentei essa minha vida desgraçada.
Tropecei na calçada, continuei andando, bati em alguém e acho que derrubei umas sacolas porque escutei uns xingamentos. Continuei andando e de repente ouvi um som de buzina de carro e uma leve pancada me derrubou no chão ...
- EDWARD! NÃO!
Eu havia travessado uma movimentada avenida sem ao menos olhar onde pisava. O sinal abriu e um carro freou em mim, o motorista era muito habilidoso mesmo, senão eu acho que estaria morto ... ou seriamente ferido. Mas eu só caí no chão devido à freada brusca, rasguei a calça na altura do joelho esquerdo, arranhei a palma da mão direita no asfalto e cortei a palma da mão direita, mas foi um corte pequeno, só sangrou um pouco. Me levantei rapidamente mas estava um pouco aéreo.
- Seu filho da puta! Quer morrer, viado? – o cara desceu do carro e veio pra cima de mim.
- Ah! Vá tomar no cú, seu porra! – falei sem olhar pra ele e continuei andando.
- Edward ... porra, cara. – Emmett murmurou ao meu lado, não dei atenção.
Comecei a olhar pra frente e percebi que caminhava em direção ao Centennial Olympic Park. Sorri e apressei meus passos. Em julho de 1996, eu, Bella e nossos pais tínhamos vindo pra cá, na abertura das olimpíadas de Atlanta. Na época eu tinha sete anos e essa viagem tinha sido um dos meus presentes de aniversário e como não poderia deixar de ser, Bella estava comigo.
Senti lágrimas em meus olhos ... A lembrança era doce e amarga. Naquela época, nosso amor infantil não tinha desafios ... Éramos os melhores amigos do mundo e nada podia nos separar. Minha caminhada continuou e eu me vi procurando por algo, atravessei todo o parque e me vi num pequeno bosque de carvalhos e salgueiros. Procurei, procurei e achei o que eu queria.
Num sábado de sol nossos pais nos trouxeram aqui. Eu e Bella começamos a correr junto com outras crianças que havia no parque.

FLASH BACK
- Olha, Edward, um salgueiro-chorão! – Bella apontava para a imensa árvore de ramos longos que pendiam até o chão.
- É mesmo, Bella. Vem , vamos até lá – peguei em sua mão e corremos – Lembra que a professora disse que essa é uma árvore que veio da China?
- An-ham ...
Ela sorria pra mim enquanto corríamos, seus lindos cabelos balançavam ao vento e eu lembro que era usava um colorido vestido de verão. Chegamos perto e passamos por debaixo de suas folhas enormes e caídas, parecia uma cachoeira verde. Junto ao tronco havia uma sombra muito agradável.
- Olha, Bella, tem um buraco no tronco dela. – falei e entrei nele – Vem cá.
- Eu não ... e se tiver um bicho aí dentro?
O pior é que tinha, dois esquilos saíram de lá e ela deu um gritinho de susto. Então resolvemos somente admirar a árvore do lado de fora dela. Peguei o canivete suíço que havia ganhado de meu avô e comecei a escrever no tronco da árvore.
Fiz um coração e dentro dele escrevi EB.
- Lindo, Edward ... – ela disse quando viu a escrita.
FIM DO FLASH BACK.

Era a mesma árvore, só podia ser. Procurei e vi vários outros monogramas, outros corações, várias letras, parece que aquela era a árvore dos amantes, devido a quantidade de declarações de amor que havia lá. Finalmente achei o nosso coração, ele estava um pouco mais abaixo, óbvio, eu tinha sete anos de idade quando o fiz. Minhas pernas fraquejaram e eu me sentei ali mesmo na grama, ao longe, percebi que Emmett e Mansen me vigiavam.
Tormento. Meu coração era puro tormento naquela hora, tomado pelo medo, assaltado pela angústia ...
Não deixá-la seria mais uma prova de amor? Ou seria a maior prova de meu egoísmo e covardia? Deixá-la seria altruísmo? Ou seria abandoná-la para que estranhos cuidassem dela?
O que fazer? O que fazer, meu Deus?!
Como vou conseguir ficar longe de Bella? Se o amor que sinto por ela é o começo e o fim de tudo. Não posso esconder, aplacar, sufocar um sentimento que grita das minhas entranhas ... Grita por Isabella a toda hora, mantendo todos os meus sentidos ocupados nela.
Deus sabe, entretanto, que a segurança dela é a minha prioridade. E eu continuo aqui, pensando no certo e no errado ... tentando não fazer besteira com a vida DELA!
Será que a nossa pena seria maior se déssemos uma chance ao nosso amor? E se eu a convencesse a ficar comigo? E se algo acontecesse a ela por causa dessa escolha minha?
‘Esse tipo de anel se chama Toi et Moi, Edward.’ – mamãe falou pra mim no dia e que me ajudou a escolher o anel de compromisso de Bella.
‘Você e eu, em francês’ – sorri enquanto pegava o anel e olhava-o mais de perto.
‘Ele é a cara de Bella. Na verdade, esse anel é a cara de vocês dois’ – ela respirou fundo – ‘Nunca, meu filho, eu vi em casal como você e Bella. O amor de vocês é a coisa mais sólida que já vi na vida’ – outra pausa e mamãe tocou em meu rosto – ‘Um não existe sem o outro.’
‘Obrigado, mamãe’ – falei em pensamento agora. Mesmo minha doce mãe não estando mais aqui, seus conselhos me ajudam.
Olhei pro relógio e me dei conta que passei quase duas horas sentado ali no chão. Mansen e Emmett ainda me olhavam de longe. Sai de debaixo da árvore e olhei ao redor, sabia que ela estava ali por perto, eu só precisava me lembrar da localização correta. Sorri quando vi, do outro lado do parque, após uma movimentada rua, a placa dourada e chic que eu procurava.
- Eu já decidi, Bella. – murmurei baixinho e me dirigi até Mansen e Emmett.
- Edward, tá tubo bem, cara? – Mansen perguntou desconfiado.
- Agora, sim. – falei – Preciso de um favor de vocês. – fiz uma pausa e continuei – Preciso de dinheiro. Só tenho U$ 200 na carteira mas tenho dinheiro lá na fazenda. Vocês têm cartão de débito oude crédito aí? – eles assentiram desconfiados – Então, por favor me ajudem. Quando chegarmos na fazenda, eu devolvo cada centavo.
- OK. – Mansen respondeu.
- Quais são os planos, cara? – Emmett perguntou.
- Ali. – apontei para a placa dourada.
- Muito bem, Edward! Eu sabia que você ia tomar a melhor decisão. – Emmett sorriu e seu sorriso me fez sorrir mais ainda.
Passamos um bom tempo dentro daquela loja, duas vendedoras bem solícitas e experientes me ajudaram a escolher tudo. Emmett e Mansen olharam também, mas tudo pra eles era bonito, então, não ajudavam muito. Sai daquela loja U$ 18.983,25 mais pobre. Mas isso não tem problema, não hoje. O problema foram os cartões de Mansen e de Emmett, cada um deles usou cartões de débito e de crédito pra poderem pagar toda a compra. Muito convenientemente, ao lado da loja havia uma farmácia e Emmett me lembrou de um detalhe importante.
A aliança de Bella era de ouro amarelo nas bordas, no meio havia um perfeito trabalho em ouro branco. Raminhos de flores e folhas ornavam a aliança num desenho vazado, junto com vinte pequenos diamantes cravejados, imitando as flores. Toda a aliança tinha 12 mm de largura num primoroso trabalho em ouro e diamante. Já a minha era mais simples, tinha 6 mm de espessura, ouro amarelo nas bordas, ouro branco no meio e sete pedrinhas de diamantes. As vendedoras ainda me deram um cupom, dizendo que em até um ano, eu poderia levar as alianças lá na loja pra polir e agravar os nomes dos noivos, antes do casamento, sem nenhuma taxa adicional.
- Mano, tu parece que foi atropelado ... Vamo entrar aí e comprar pelo menos um band-aid. – ele sorriu zombeteiro – Afinal, pedir uma mulher em casamento nesse estado de pós-guerra que tu tá ... ninguém merece.
- CASAMENTO?!!! – Mansen guinchou.
- Não, Mansen ... Halloween ... Edward gastou quase U$ 20 mil em jóias agora só pra levar Bella ao Halloween ...
- Valeu, Emmett, tinha esquecido desse detalhe. – entramos na farmácia, um vendedor trouxe algodão, água oxigenada e band-aids, fez um curativo e eu me lembrei do xampu de morango de Bella, procurei nas prateleiras até achar o frasco certo.
- Mano, que sujeira é essa? Que xampu de viado é esse? – Emmett fez careta enquanto me via pegar três frascos de uma só vez.
- É prá Bella, seu mané! Ela gosta desse xampu ...
Eu me sentia melhor agora, não, eu me sentia o cara mais feliz do mundo, depois que tomei a decisão. Olhei pro relógio e já eram mais de quatro horas da tarde. Já não agüentava mais, precisava ver Bella.
- Mansen, para Zion agora, por favor. – lancei-lhe um olhar suplicante e graças a Deus ele assentiu.
Caminhamos até onde havíamos deixado o carro, entramos nele rapidamente e logo estávamos na auto-estrada de novo, rumo ao meu futuro com Bella.
Ao meu lado estavam a sacola da farmácia e a sacolinha chic da loja, cheia de frufrus e outras frescurinhas que mulher gosta. Reclinei minha cabeça no encosto do banco, fechei os olhos e descansei um pouco. Aquele dia chegaria ao fim da melhor maneira possível ... para mim e para Bella.
- Muito estresse, mano ... – Emmett murmurava.
- Foi foda mesmo. Ele a ama demais ...
Percebi que eles falavam de mim e continuei de olhos fechados.
- Mas hoje eu percebi que ele definitivamente não é um playboy, filhinho de papai ... é um homem de verdade. – Emmett falou.
- Tem que ter coragem e maturidade pra fazer isso. – uma pausa – Eu tentei convencê-lo, mas no lugar dele, eu faria o mesmo.
- Ui, ui, ui ... Será que o Mansen-coração-gelado vai finalmente se declarar pra Alice? – esse Emmett não se ajeita mesmo.
- Emmett, se eu ainda não falei de sexo com você hoje, então vamos lá: vai te fuder, porra!
AHAHAHAHA
A gargalhada ruidosa de Emmett me fez rir também, quando abri os olhos, percebi que já era noite e que estávamos nos limites do condado.
- Mansen, será que as garotas já chegaram? – perguntei.
- Eu liguei pra Rose há quase uma hora atrás, Bella estava no quarto, descansando.
Quinze minutos depois chegamos aos portões da fazenda, eu quase arranquei a porta do carro quando Emmett estacionou. Peguei as duas sacolas e sai correndo pela casa.
- BELLA! – gritei.
- ‘Elas estão passeando, elas estão passeando ...’ – Jô respondeu e eu girei em meus calcanhares.
- Mansen, ligue para Rose! Veja em que parte da fazenda elas estão.
Ele ligou e falou um pouco, quando escutei a palavra ‘plantação’ saí em disparada na direção dos pés de algodoeiro. Eu devia estar correndo porque cheguei onde Rose e Alice estavam em menos de dez minutos.
-Onde ... ? – falei ofegante.
- Ali, Edward, no estacionamento dos caminhões. – Alice apontou na direção certa.
A noite estava fria e escura mas logo vi Bella caminhando no acostamento da estrada, ela estava de costas pra mim, seus braços deviam estar cruzados em seu peito.
- BELLA! – gritei, aflito.
Ela girou seu corpo na minha direção e eu travei quando a vi ali, meus pés se plantaram no chão contra a minha vontade. O certo seria eu estreitar a distância ente nós, porque essa distância poderia ser entendida por ela como um sinal da escolha que eu não fiz. Mas Bella não parou de andar. Minha Bella, sempre tão corajosa! Seus passos eram mais lentos mas ela não parou de caminhar pra mim.
- Edward, eu ...
- Bella, eu ...
Falamos ao mesmo tempo e sorrimos mas o meu sorriso era tenso e o dela era triste, seus olhos não sorriam. Respirei fundo e pedi a Deus que tudo desse certo, dei dois passos, coloquei as sacolas no chão e peguei nas mãos dela, nossos rostos estavam a poucos centímetros e nossos olhos não se deixaram.
- Bella, normalmente eu deixaria você falar primeiro. Mas ... o que eu tenho pra dizer é ... – senti suas mãos tensas dentro das minhas – Que eu te amo, meu amor ...
Juntei nossos lábios num beijo muito, muito necessário ...  Minhas mãos envolveram seu rosto enquanto as dela se enroscaram em meus cabelos. Senti lágrimas nos banharem, estávamos chorando ...
- Perdão, Bella ... – murmurei com meus lábios encostados nela.
- Oh! Edward ... – seu choro se intensificou e eu percebi que ela tinha entendido errado.
Afastei nossos rostos e segurei em seus ombros com firmeza.
- Perdão, Bella, porque eu não consigo viver sem você – minha voz saia entrecortada e ela me olhava meio sem entender – Embora a razão tenha me dito que seria mais seguro a nossa ... separação ... Perdão, Bella, eu não aceito isso ... Vem comigo, amor. Vamos para Portland juntos.

- Edward ... – ela tentou falar e eu interrompi.
- Porque nada pra mim faz sentido sem você ... De que me valeria a vida, Bella? Pra que viver se eu não teria pra QUEM viver? E isso não seria vida ... – minhas lágrimas ainda caiam – Seria um tormento, seria ser queimado vivo, todos os dias ... Eu conheço os riscos, Bella ... Me perdoe, mas eu prefiro enfrentá-los com você ... Porque eu acredito que está escrito, em algum lugar do universo, que eu não conseguiria viver sem você.
Ela me olhava atônita, seus olhos estavam arregalados, sua respiração entrecortada e a sua expressão não me dava pistas de sua decisão. Respirei fundo de novo e pensei: ‘é agora, ou nunca.’ Me ajoelhei, peguei em sua mão e não tirei meus olhos dos dela.
- Isabella Marie Swan, eu te amo com um amor leal, juro por minha vida, te amar, te respeitar, te proteger ... até o fim de meus dias. Você quer se casar comigo?
- Oh! Edward ... amor! – ela se ajoelhou também e tocou em meu rosto com suas mãos – Eu aceito, meu amor!
Nos beijamos de novo, meu coração parecia que ia saltar pela boca. Meus lábios tocavam os dela com muita delicadeza e ternura, não aprofundamos o beijo. Naquele momento eu só queria matar as saudades daqueles doces e macios lábios. Quando o ar nos faltou, colamos nossas testas e nos olhamos por uns instantes.
- Eu te amo. – dissemos em coro e sorrimos.
- Eu tive tanto medo Edward ...
- Shii ... – to toquei em seus lábios – Agora ... preciso fazer tudo como manda o figurino.
Sorri e peguei a sacola que estava ao meu lado. Só nessa hora me lembrei da dor em meu joelho, onde a calça havia rasgado. Me levantei e puxei-a também. Ali, num estacionamento de caminhões, não era o lugar mais romântico pra se pedir alguém em casamento ... Mas eu já tinha começado. Abri a sacolinha da Tiffany, peguei a caixinha de veludo azul, puxei sua tampa e entregue-a a Bella.
- Amor, quero o mais rápido possível colocar essa aliança em sua mão esquerda. – falei enquanto olhava para a grossa aliança de casamento que havia comprado pra ela.
- Edward ... – seus olhos brilharam – É linda, meu amor. – ela beijou minha bochecha.
- As vendedoras me ajudaram ... Eu havia explicado que já tinha te dado uma aliança de compromisso.
Falei enquanto tirava de sua mão direita o anel toi et moi que havia lhe dado no natal e colocava-o no dedo anular da mão esquerda. Peguei a aliança que havia comprado e coloquei-a no dedo anular da mão direita e beijei-o.
- Minha noiva ... futura esposa ... – sorri e dei um selinho nela.
Ela estirou a mão direita e contemplou a grossa aliança de ouro branco e ouro amarelo que agora brilhava em seu dedo.
- Amor, mas cadê a sua? – ela perguntou.
- Ah! Sim ... ta aqui, mas ...
Ela não me deixou terminar de falar, pegou a segunda caixinha de veludo azul, abriu-a e contemplou por alguns instantes a outra aliança, depois pegou minha mão direita (graças a Deus que ela não reparou nos arranhões) e olhou em meus olhos.
- Edward Anthony Cullen ... Eu me sinto a mulher mais feliz do mundo por você ter me escolhido para ser sua esposa. Essas alianças de noivado não significam apenas a proximidade de nosso casamento, mas que estamos confirmando nosso compromisso mútuo. Você tem total direito ao meu corpo, ao meu coração, à minha vida ... E você tem razão – ela beijou minha mão – A minha vida e a sua estão entrelaçadas e tecidas uma na outra. Meu corpo poderia ir pra um lado, mas meu coração estaria sempre com você ...
- Ah! Bella ... Eu também tive tanto medo ... Medo de você querer que nos separássemos, medo de te perder ...
Dessa vez foi ela quem colocou um dos dedos em meus lábios.
- Eu sofreria muito, Edward ... Mas eu estava disposta a acatar a escolha que você fizesse. – fiquei alarmado com as palavras dela – Eu também pensava na SUA segurança.
- NUNCA ... Nunca mais pense em me deixar, Isabella. – minha voz tremia – Isso está fora de questão, ouviu? – ela assentiu – Você e eu: um pacote só. Como Charlie escreveu na carta, lembra? – ela assentiu de novo e sorriu – Você e eu.
Envolvi de novo o seu rosto e minhas mãos e comecei a beijá-lo, bochechas, nariz, testa, lábios. Ela dava pequenos risinhos e parecia mais relaxada.
- Edward ...
- Hum ...
- Amor ...
- Não terminei ainda, amor ...
- ED! – ela afastou um pouco e seu rosto, pegou uma de minhas mãos e colocou-a sobre sua barriga – AMOR! – ela guinchou – O pacote ... Somos um pacote só mas ... agora ... somos três!
- HÃM ... ?! – meu cérebro demorou um pouco pra processar a informação mas quando em entendi, abri um sorriso tão largo que parecia que ia rasgar minhas bochechas.
Ignorei novamente a dor em meu joelho, fiquei de joelhos de novo, levantei um pouco o seu moletom e olhei pra sua lisa barriga.
- GRÁVIDA?!!! – ela me olhava surpresa e assentiu com a cabeça – Oh! Meu Deus ...
Beijei a sua barriga como se eu beijasse a coisa mais sagrada, mais importante, mais pura do mundo ... Meu filho, nosso filho ...  E cada vez eu beijava mais e mais ... ‘Obrigado, meu Deus’, pensei.
- Ed ... – ela sorria – Tá fazendo cócegas, amor ...
- Obrigado, Bella. – me levantei - Hoje eu sou o cara mais feliz do mundo ... Um filho ... – abracei-a e girei nossos corpos, suspendendo-a um pouco, depois pensei melhor – UM FILHO! Amor, você não pode se cansar ...
Parei de girá-la e ajeitei as sacolas na mão.
- Vem, amor ... Tá frio aqui e você precisa descansar. - ela sorria pra mim e assentia, abracei-a pela cintura e caminhamos até o final do estacionamento.
Nossos amigos nos esperavam, seus olhares eram de expectativa. Mansen e Emmett já deviam ter contado tudo às meninas porque as duas sorriam muito.
- Pensei que vocês iam passar a noite toda naquele nhém-nhém-nhém ... – Rose deu uma cotovelada nas costelas de Emmett – AI, Rose!
- E então? – Alice perguntou, ela quase quicava no chão.
Bella abriu um lindo sorriso e estendeu a mão direita pra eles poderem ver a grossa aliança em seu dedo anular.
- U-HU ... – Emmett pulou e socou o ar – É isso aí ... Viva os noivos!
- Oh! Meu Deus! – Rose e Alice disseram em coro e abraçaram Bella ao mesmo tempo.
- Parabéns, Edward e Bella ... – Mansen nos cumprimentou sorrindo – Não só pelo casamento mas pelo bebê também.
Foi aí que eu percebi que as meninas já deviam saber da gravidez. Eu precisava falar com Bella sobre isso ... Apesar da imensa felicidade, do momento maravilhoso, tínhamos muito o que conversar ainda. Voltamos para a mansão mas dessa vez eu fiz questão de caminhar com calma, o pior já tinha passado e Bella estava grávida, então tínhamos que tomar cuidado.
- Amor, preste atenção onde pisa ... – apertei meu abraço em sua cintura, ela apenas assentiu.
- Amor, tem pedras ali na frente, cuidado pra não tropeçar. – falei depois de uns minutinhos.
- Princesa, aqui tem lodo, aqui escorrega ... – ela assentiu de novo e sorriu.
- Princesa, respire devagar ... Se não você pode se engasgar! – Emmett falou zombeteiro e todos riram de mim, até Bella.
- AH! Vão catar coquinho ... – respondi.
Entramos na imensa mansão branca, Jô e Fannie estavam perto da lareira montando um quebra cabeças. Eu tava morto de cansado, cumprimentei-as rapidamente, tudo o que eu queria era subir, tomar um banho e conversar com Bella. Mas eu também tava com fome ...
- Edward, você, Emmett e Mansen não jantaram ... – Alice me olhou com atenção e deve ter entendido como tinha sido o meu dia – Mas acredito que você esteja muito cansando. – olhei pra ela e assenti – Vou pedir a Fannie pra levar uma bandeja com o seu jantar até o quarto.
- Obrigado, Alice ...
Eu e Bella nos dirigimos até a escada e de repente eu estanquei. CARACA! Escadinha alta, aquela ... Num ímpeto, tomei Bella em meus braços e comecei a subir as escadas com ela em meu colo.
- EDWARD! – ela guinchou – Não precisa, amor ... Eu não to doente!
- Shii ... Não quero que você se canse ...
Ela assentiu, cansada demais para protestar. Deitou a cabeça em meu peito e descansou em mim ... Isso era tudo o que queria fazer por ela, que ela descansasse em mim todos os dias.
Abri a porta do quarto com o pé, entramos e eu coloquei-a, com cuidado, sentada na cama, depois voltei e tranquei a porta. Foi só nessa hora que ela viu o estado deplorável de minhas roupas, um band-aid numa mão e um curativo na outra.
- EDWARD! O QUE HOUVE COM VOCÊ?
- Calma, Bella. Eu to bem. – girei meu corpo – Foi só uma quedinha boba ...
TOC, TOC, TOC
Ah! Salvo pelo gongo! Era Fannie com uma bandeja de comida.
- Alice mandou o jantar para o senhor e um pequeno lanche para Bella ... - agradeci e ela saiu apressada.
- Olha, amor. – levei a bandeja até a cama – Acho que essa xícara de leite e essas torradas com queijo cottage são pra você.
Enquanto eu comia uma coisa gostosa (acho que era purê de batata com carne), Bella fazia sua pequena ceia meio calada, sempre olhando pras minhas mãos e para minha calça rasgada. Eu tive a absoluta certeza que estava encrencado ... Ah! Mas eu tava tão feliz, então lembrei da terceira caixinha de veludo azul e do xampu de morango.
- Hum ... Bella, eu te trouxe mais algumas coisas. – afastei a bandeja e peguei as sacolas – Seu xampu de morango ...
Ela pegou os frascos e sorriu.
- Obrigada, amor! Sabe, hoje eu entrei numa farmácia disposta a comprá-los mas ... Foi justo nessa hora que a ficha caiu, Edward ... – ela chegou mais perto de mim e tocou em meu rosto com ambas as mãos – Eu tava com a menstruação atrasada há 15 dias e nem tinha me lembrado disso. Fiz três testes de farmácia e dois deles deram positivo ...
- Nosso bebê ... – murmurei e toquei em sua barriga.
- Daí, eu, Alice e Rose fomos ao hospital ... O tio de Alice me atendeu, fez um monte de perguntas. Perguntou se eu tomava anticoncepcional, eu disse que sim. Então ele perguntou se eu tinha tomado algum tipo de medicação e eu me lembrei dos antibióticos que tomei pra faringite ...
- AMOXILINA! – entendi tudo e ela assentiu – A amoxilina cortou o efeito do anticoncepcional, Bella!
- Sim, amor. – ela respirou fundo – Edward, escuta ... eu já amo o nosso bebê mais que a minha própria vida ... Ele é a coisinha mais preciosa do mundo inteiro. – ela baixou seu olhar – Ele não foi planejado ...
- Mas será bem vindo, Bella ... – ergui seu rosto e olhei em seus olhos – Ele é a coisinha mais preciosa do meu mundo também ... Ele e você.
Dei um selinho nela.
- Então, fiz o exame de sangue e deu positivo, claro ... Tenho consulta marcada na próxima quarta, com uma obstetra ...
Esperei que ela falasse tudo o que era importante. Porque tinha uma coisa que tava martelando na minha cabeça desde a hora em que conversamos no estacionamento.
- Bella ... você me disse agora há pouco, no estacionamento, que estava disposta a acatar a minha decisão, qualquer que fosse ela. – olhei fixamente em seus olhos – Então, Bella, você iria me esconder essa gravidez? – seu rosto ficou triste e ela assentiu milimetricamente – Você iria permitir que eu me afastasse de você e do nosso bebê? – ela confirmou de novo.
Eu respirei fundo e fiz a pergunta básica.
- Por que, Bella?
- Porque ... Ah! Edward! – ela começou a chorar baixinho e eu me praguejei em  pensamento por fazê-la chorar – Eu te amo, amor ... Eu ... perdão. Eu preferiria ficar longe, se essa fosse a sua vontade, a ter que te por em risco ...
- Mas Bella! Então você acha que nosso casamento será um erro? – agora quem não entendia nada era eu.
- NÃO! – sua voz subiu umas oitavas e ela segurou meu rosto com força – Prefiro sofrer ao seu lado ... prefiro dividir TUDO com você, Edward. Eu não desprezo os perigos mas não desprezo o nosso amor também.
Nos olhamos com intensidade e nesse olhar, tudo dissemos.
- Eu te perdôo, Bella. – afastei uma mecha de seu cabelo de seu rosto – Eu também fiz uma besteira hoje. – mostrei minhas mãos e meu joelho – Não prestei atenção onde andava ... eu tava fora de mim ... sem saber o que fazer. Você me perdoa?
- Sim. – ela sorriu e assentiu, me dando um beijo de esquimó – Venha, vou te dar um banho e depois refazer esses curativos.
Ela encheu a banheira e me mandou entrar lá, sentou na borda e começou a esfregar uma esponja macia em minhas costas, depois lavou meus cabelos ... A água tava morninha e o toque das mãos de Bella me fez relaxar. Vesti moletons e voltamos para a cama, o dia tinha sido exaustivo mesmo e daqui a pouco já era dormir ...
- Ah! Lembrei de uma última coisa. - levantei da cama e peguei a outra caixinha de veludo azul da Tiffany – Mais um adorno para a sua pulseirinha de ouro.
Bella abriu a caixinha e viu ali um pequeno coração todo lapidado em granada vermelha. Era um pingente.
- Lindo, Ed ... Obrigada.
Abri o fecho da pulseira e coloquei rapidamente o pingente, entre as duas medalhinhas de Santo Antonio e de São Tomás.
- É granada, Bella. – beijei seu pulso - A granada significa constância, como o nosso amor é constante ... – beijei de novo o seu pulso – A vendedora me explicou tudo isso, dizendo também que antigamente, essa pedra só era usada por mulheres porque era o símbolo do ventre materno. – toquei em sua barriga.
- Que coincidência ... – ela murmurou.
– O vermelho vivo dessa pedra também é um símbolo da lealdade e do amor profundo ... como o meu por você. – dei um selinho nela.
- Eu também lembre de uma coisa, Ed. – ela sorriu – Eu não fui a única a ganhar presentes hoje, o nosso bebê também ganhou.
Olhei pra ela sem entender nada.
- Ali. – ela apontou para o sofá – Tem uma sacola. Pega pra mim, por favor?
Votei pra cama rapidamente com uma sacolinha na mão. Ela abriu os embrulhos e eu sorri abobado. Eram dois paninhos, um deles era bem colorido e o outro era branco, de tricô, eu acho ... E havia dois sapatinhos minúsculos também, pareciam ser de tricô mas esse era um pouco diferente.
- Olha, amor ... Essa mantinha aqui é de patchwork e foi Alice quem deu de presente ...
Ah! Fiz uma nota mental do nome. Então um pano quadrado e que parece um lençol mas não é ... é uma MANTA (pra cobrir o bebê, disso eu tenho certeza). Eu seria pai ... Sim, eu seria PAI dali a alguns meses, tinha que saber logo das coisas.
- Essa daqui é crochê e fitas, foi Rose quem deu.
Beleza! A outra manta era de crochê e não de tricô.
- Agora ... – ela fez uma pausa – Esses sapatinhos de tricô aqui, foi a MAMÃE quem comprou pra combinar com as mantinhas do bebê ...
Bella fez uma linda voz infantil enquanto ‘calçava’ um par dos sapatinhos em seus dedos. Fiz o mesmo com o outro para e percebi que o tal do tricô era mesmo diferente do que ela chamava de crochê ...
 - São lindos, Bella. – dei um selinho nela – Tá vendo, bebê, o quanto você já é amado? – me inclinei um pouco e beijei sua barriga, Bella sorriu e bocejou – Hora de mamãe e bebê dormirem ...
- Hora de mamãe fazer xixi ... – ela falou, fez careta e sorriu – To parecendo o Bob esponja ... filtrando água, literalmente.
Enquanto Bella tava no banheiro, dobrei as pecinhas de roupa do bebê, do melhor jeito que pude e pus na sacola de novo. Ela se deitou e puxou o edredom, eu apaguei a luz, deixei só um abajur, o do meu lado aceso. Deitei ao seu lado e a abracei.
- Ed ...
- Hum ...
- O que te fez escolher essa aliança pra mim? – ela estendeu a mão direita.
- Bom ... Ela é de ouro branco e amarelo, metais nobres. Tem esse detalhe floral que me fez lembrar de você e tem vinte pedrinhas de diamante ... a sua idade. – beijei a pontinha de seu nariz.
- E a sua?
- A minha foi escolhida de modo que combinasse com sua. Você acha que eu escolhi bem? – virei meu rosto pra ela.
- Eu nunca imaginei que teria uma aliança tão linda ... Obrigada. – ela me deu um selinho – Eu te amo.
- Eu te amo mais.
Apaguei a lâmpada do abajur, abracei-a e deixei que ela descansasse seu rosto em meu peito. Aquela não era a melhor posição para EU dormir. Mas eu não me importava ... Olhar o rosto de Bella, mesmo no escuro (não tão escuro) era tudo o que queria naquela hora.
E só de imaginar que eu poderia ficar sem seu rosto, sem o calor de seu corpo ... sem nosso bebê! Minha respiração quase se acelerou e eu quase tive AVC só de pensar nisso. Contei até dez, controlei a respiração e beijei de leve em sua testa.
Antes de pegar no sono, fiz uma rápida oração: ‘Obrigado, meu Deus, pela minha pequena nova família ... Por tudo.’

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