ÚLTIMOS DIAS
No dia seguinte acordamos tarde, muito tarde, o sol brilhava dentro do quarto, entrando pela janela entreaberta. As nuvens do mosquiteiro que fechavam a cama, suavizavam o brilho. Abri os olhos e inspirei, sentindo o cheiro da maresia. Os únicos sons eram as ondas do mar e o canto dos pássaros lá fora, nossa respiração, as batidas do coração de Edward em meu ouvido…
Eu estava confortável, deitada em seu peito musculoso, com os braços dele ao meu redor. Seus dedos percorriam as minhas costas, se movendo pra cima e pra baixo, quase sem me tocar enquanto ele acariciava a minha pele. Ele sabia que eu havia acordado.
Lembrei que estávamos completamente nus e agradeci aos céus que aquele mosquiteiro era de renda e não de tule ...
Corei com esse pensamento e com a lembrança da noite passada.
Caraca!!!
Foi tudo verdade, a noite encantada realmente aconteceu. Tudo. A orquestra, a tenda, o jantar ... o anel ...
Sorri. O movimento de meus músculos deve ter chamado a sua atenção.
- O que é engraçado? – sua voz era doce e serena.
Ergui minha cabeça e beijei a pontinha de seu queixo.
- Bom dia, minha vida! É que eu me dei conta que tudo ontem aconteceu ...
Ele franziu a testa, me sentei na cama.
- Tudo parecia um sonho, Edward! – meu olhar foi de seu rosto ao meu anel.
Ele sorriu e também sentou na cama.
- Princesa, tudo é real. – uma de suas mãos afagava meu rosto. – Você e eu, a noite passada ...
Uma brisa suave entrou no quarto, balançando o véu do mosquiteiro, puxei o lençol ao redor de meu corpo.
- Hum ... Acho melhor a gente tomar um banho e vestir alguma roupa. – fiz careta e sorri pra ele – Além do mais, to morrendo de fome. – beijei de leve seus lábios e sai em direção ao banheiro, enrolada no lençol.
Tomei um banho e vesti uma bermuda cáqui, uma batinha verde e sandálias rasteirinhas marrons, prendi o cabelo num rabo de cavalo. Edward entrou no banheiro em seguida, enquanto ele tomava banho, olhei no relógio. Puxa! Já passava das onze da manhã, dormimos muito ...
Sai pela porta de vidro da sala íntima e fui ao jardim. Nenhum vestígio da noite anterior, tudo limpo e arrumado, o piano já deveria estar na sala de novo. A única coisa que me fazia crer que a noite passada realmente existiu era o anel em minha mão direita.
Anel de compromisso ...
Edward Cullen me deu um anel, não qualquer anel mas um que diz a todos que ele tem um compromisso comigo. Agora já não é apenas um namoro, é algo mais. Se bem que, na minha cabeça sempre foi algo mais. Edward não é simplesmente o homem da minha vida, ele o amor da minha existência. E embora eu não consiga explicar pra ninguém, posso apenas sentir que eu nunca vou amar alguém como eu o amo.
Senti um par de mãos me envolvendo, virei meu corpo. Ele juntou nossos lábios num beijo calmo e gostoso, suas mãos me envolveram pela cintura, me puxando pra ele. Fiquei na ponta dos pés e agarrei em seus cabelos, trazendo seu corpo para mim. Quando o ar nos faltou, ele deu selinhos em meu pescoço e mordiscou o lóbulo de minha orelha, se afastou um pouco e sorriu.
- Que tal se entrarmos , to morrendo de fome ...
- Bom dia Sr. Cullen e Srta. Swan. – Gabrielle nos cumprimentou assim que entramos na sala de jantar.
- Bom dia, Gabrielle. – respondi enquanto Edward puxava a cadeira para eu me sentar.
- Bom dia. Hum ... Que cheirinho bom ... Panquecas?
- Sim, senhor. São panquecas de banana.
Quando ela me viu, seus olhos caíram sobre minha mão direita, ela abriu um sorriso enorme. Corei. A mesa estava posta para um brunch, àquela hora da manhã não fazia sentido tomar café ou almoçar. Comemos em silêncio. Eu estava lembrando da noite passada e acho que Ed também porque de vez em quando nossos olhares se encontravam e sorríamos.
- Bella, porque não tiramos a tarde para fazer um passeio pela ilha? Tem umas lojinhas aqui perto e alguns museus da cultura local.
- Ah, sim! Por favor, imagine se eu chego em NY sem nenhum presentinho pra Dona Rennè? – sorri pra ele.
Visitamos Les Trois-Îlets, um pequeno balneário a trinta minutos de St. Anne, onde está localizado o Museu La Pagerie. Napoleão Bonaparte casou com uma nativa da ilha em 1776, Marie-Joséphe Rose Tascher de La Pagerie, o museu foi feito em homenagem a sua ilustre imperatriz. Pudemos ver um quadro da bela mulher e ler algumas cartas que seu esposo escreveu pra ela enquanto estava na guerra.
Ao sair do museu, entramos num mercado de artesanato. Abri um largo sorriso ao me lembrar do meu cartão Visa, pulando dentro de minha carteira.
Compramos para Charlie e Carlisle mini garrafas de rum da Martinica e também de um tipo de rum aromático, eram várias garrafinhas, algumas com melaço de cana dentro, outras com bagos de arroz vermelho.
Entramos numa joalheria que vendia somente peças de designers locais.
Para Esme nós já tínhamos compramos um terço de ouro e madrepérolas rosa mas eu não resisti quando vi uma gargantilha, também em ouro, repleta de mini pérolas. Eu já podia imaginar aquela jóia no pescoço delicado de minha futura sogra.
Mamãe iria amar o bracelete que escolhi pra ela, todo em ouro branco e amarelo. Centenas de mini lascas do precioso metal, entrançadas entre si, lembravam o trabalho de um artesão com a palha de vime. Pra completar o conjunto, comprei o anel também.
Pus os olhos num par de anjinhos da guarda, um em ouro branco e o outro em ouro amarelo. Eram broches. Eu não tenho costume de usar broches mas não resisti, comprei os dois, mesmo que eu não usasse ... queria tê-los.
Por volta das cindo da tarde, Ed ligou para a casa e disse a Gabrielle que não jantaríamos lá naquela noite. Paramos num pequeno restaurante, ainda em Les Trois-Îlets e tivemos uma ajuda da garçonete para escolher o menu.
Pedimos ciriques (caranguejos), accras, uma fritura a base de bacalhau e purê de inhame (uma raiz tropical muito saborosa) gratinado com queijo gruyère. Para beber, experimentamos o tradicional Creole Shrubb, um drink local feito com rum branco, melaço de açúcar e raspa de limão verde, Edward ainda bebeu outra dose. De volta ao carro, resolvi dirigir porque o teor alcoólico daquela bebida era consideravelmente alto.
Chegamos na casa exaustos, ainda pelo dia anterior, Ed tomou banho primeiro e vestiu somente uma boxer branca. Tomei um banho quente bem gostoso e vesti short doll de chiffon semitransparente, rosa bebê, com alças finas. A blusa tinha abertura nas laterais com duas tiras, fiz dois lacinhos.
Quando voltei ao quarto, a janela estava entreaberta e o mosquiteiro já fechava a cama. Edward estava deitado de bruços, sua respiração era suave, devia ter adormecido já. Deitei devagar para não acordá-lo, beijei de leve os seus cabelos. Minutos depois senti seu abraço me chamando, me aninhei em seu peito quentinho.
Lembrei do sonho da noite anterior. Nele, eu e Edward estávamos prestes a completar vinte anos de namoro! Juntos e felizes ...
Havia crianças?! Sim. Eu ouvia vozes de crianças ... Nossos filhos. Sorri com esse pensamento.
O dia 27 de dezembro começou lindo, acordamos cedo e a mesa do jardim, à beira da piscina, já estava posta. Tomamos banho juntos, sempre em meio a carinhos e marchamos até o jardim.
O mar azul do Caribe estava vem convidativo então, após o café resolvemos dar um mergulho. Usei um biquíni novo, o sutiã era tomara-que-caia de tecido verde e estampado com florzinhas coloridas, a cor da calcinha era verde também, mas sem estampas. Ed tava todo gato numa sunga azul marinho. (G-ZUIS ME ABANA!).
O nosso programa para a última tarde na ilha era um passeio pelo Monte Pelée, um vulcão que não está ativo há um bom tempo. No final da manhã trocamos de roupa, vestimos jeans, camiseta e tênis. Peguei uma bolsa enorme e coloquei dentro dela repelente de insetos, kit de primeiros socorros e a câmera fotográfica.
Allan nos explicou qual rota pegar até o Monte Pelée, o trajeto durou mais de uma hora. Chegamos por volta da uma hora da tarde mas achamos que estava cedo pra começar o tour e paramos em Le Morne Rouge, um vilarejo próximo, para almoçar num pequeno restaurante. Sentamos numa mesinha ao ar livre e pedimos peixe frito na brasa e coca, ainda compramos água mineral pra levar.
Meia hora depois, chegamos ao Monte Pelée, alugamos um jipe e os serviços de um guia, subimos uma boa parte do trajeto e paramos.
- Estamos a 500 metros do nível do mar ... – o guia explicava.
Descemos do jipe e ficamos fascinados, a vista já era magnífica, tiramos algumas fotos e seguimos viagem por mais umas duas horas. Finalmente chegamos até o ponto máximo até onde era possível subir com segurança.
- Agora, estamos a 1060 metros do nível do mar.
Descemos do jipe e nos juntamos a um pequeno grupo de turistas, muitos casais. Alguns em ‘lua de mel’, como nós. Tiramos muitas fotos, lá de cima a gente podia ver o céu e o mar mudando seus tons de azul conforme o dia se despedia de nós. Esperamos o pôr-do-sol e era muito lindo mesmo. Ed me abraçou por trás, suas mãos envolveram a minha cintura e ele beijava os meus cabelos enquanto assistíamos o crepúsculo.
- Daqui de cima temos uma perspectiva diferente das coisas ... Percebemos o quanto somos pequenos e o quanto estamos ligados a um ser superior ...
- Deus ... seja lá qual for o nome dele, em qualquer religião. – completei seu pensamento.
Descemos o monte assim que anoiteceu, a viagem de volta pareceu ser mais curta. Encostei minha cabeça no ombro de Edward e acho que cochilei, a paisagem estava tão escura ... não tinha graça nenhuma olhar pra nada.
Os empregados esperavam por nós quando chegamos na casa por volta das sete da noite.
- Srta. Swan, vai querer que sirva o jantar? – Gabrielle perguntou assim que entramos.
- Sim, Gabrielle, por favor. Daqui a meia hora – olhei pra Ed e ele assentiu – você leva o jantar até a sala íntima. Leve também um pouco de café preto, por favor.
Tomamos banho juntos e nos vestimos rapidamente. Eu sempre levo moletons nas minhas malas pra qualquer lugar que eu vá e naquela noite, era tudo o que eu precisava. Vesti a calça de moletom cinza e uma camiseta regata vermelha. Ed também usou moletom e camiseta, ambos pretos.
Jantamos na minúscula mesinha da sala íntima, salada de camarão e kani kama, de sobremesa, bolo de laranja com calda de rum e chocolate amargo. Tomei uma xícara de café depois.
- Amor ... – sentei no colo dele.
- Hum ... – Ed afagava o meu rosto com uma das mãos.
- Tá a fim de um passeio pela praia?
- To a fim de café.
Beijou meus lábios com malícia, sua língua invadiu minha boca e eu me entreguei. Uma de suas mãos se enroscou em meus cabelos e a outra apertava a minha coxa. Gemi em sua boca quando ele acariciou meu sexo por cima de minhas roupas. A falta de ar nos fez interromper o beijo.
- Vamos, vamos caminhar um pouco. – ele sorria torto enquanto nos levantava da cadeira.
A noite tinha uma brisa agradável e o céu era iluminado pelas estrelas. As ondas quebravam em nossos pés descalços, a água era morninha.
- Ed, que tal um banho de mar? – sorri pra ele a arqueei as sobrancelhas.
- De roupa e tudo?
- Praia privativa, amor! Lembra?
Comecei a fazer um strip-tease pra ele.
Tudo bem que moletom e camiseta não estão incluídos no quesito ‘roupa sexy’ mas eu não havia planejado nada. Porém em nenhum momento seus olhos deixaram o meu corpo. Quando eu estava completamente nua, ele me abraçou.
- Hum ... Amor, eu já te disse que você é muito gostosa? – ele sussurrava em meu ouvido.
Fiquei na ponta dos pés e mordi o lóbulo de sua orelha.
- Hoje, não! – respondi enquanto tirava sua camiseta.
Edward rapidamente se despiu e entramos no mar. Entrelaçamos nossas mãos e avançamos, a água morninha acariciava nossos corpos, mergulhamos juntos e emergimos em sincronia.
Ele capturou meus lábios, me beijando lentamente, saboreando cada toque, enquanto as pontas de seus dedos exploravam minhas costas da base da nuca até a curva do quadril. Sua língua passeava por meus lábios sem pressa, entreabrindo-os e tocando a minha língua, esse movimento irradiava fogo no centro de meu corpo, entre as pernas. Ele deslizou uma mão pela lateral do meu quadril até a minha perna, erguendo-a ao redor de sua cintura, fiz o mesmo com a outra perna, fazendo-o sustentar todo o peso de meu corpo.
Encostei meus lábios em seu pescoço, a pele estava salgada, úmida, e fui beijando e mordiscando sua nuca com a língua, até o lóbulo de sua orelha, senti seu membro enrijecer.
- Ah! Edward ... – gemi e chupei o lóbulo de sua orelha - Agora, amor, por favor ...
Ele juntou nossos corpos e passou a sustentar meu peso apenas me segurando pelo quadril enquanto meus braços envolviam seu pescoço com firmeza.
Seus movimentos intensos e vigorosos, aliados às carícias e leves apertos em minha bunda, me levavam à loucura ... Meus mamilos rijos acariciavam seu peito musculoso. Enquanto o vai-e-vem da água morninha nos envolvia, parecia que o mar também participava de tudo, nos amando, nos acolhendo.
O melhor é que não perdíamos o contato visual. Às vezes eu capturava um beijo seu e mordiscava de leve o seu lábio, fazendo-o gemer. Senti o interior de meu corpo se contraindo e eu sabia que estava perto, comecei a rebolar em cima dele, aumentando o nosso atrito. Ele percebeu e estocou com mais força até que me derramei por completo e pude ver um céu muuuuuuuuuito estrelado ...
- Edward! – chamei seu nome.
Ele ainda se movimentou um pouco mais e eu me esforcei pra rebolar até que senti sua explosão dentro de mim.
- Ah! – um gemido rouco escapou de seus lábios.
Colamos nossas testas e sorrimos, ficamos paradinhos até que a respiração se controlasse. Com carinho, ele nos separou e me pôs de pé, ainda me segurando.
No nosso último dia na ilha, acordamos cedo e arrumamos as malas, o vôo para Miami seria às duas da tarde. Gabrielle e Allan chegaram cedinho na casa, então almoçamos super cedo. Eles nos levaram ao aeroporto e nos despedimos daquele casal tão gente boa.
- Façam uma boa viagem. – Allan sorria.
- E venham outras vezes à nossa ilha. – Gabrielle acenava e sorria.
O vôo para Miami foi bem tranqüilo, estávamos abraçadinhos e de vez em quando nos beijávamos. Eu não podia evitar de olhar para o meu anel e sorrir. A caminho de Boston, por volta das seis da noite, devo ter cochilado no avião porque tive um flash. Era tipo, uma visão. Um grande clarão no mar escuro, era noite, uma bola de fogo flamejava rapidamente e afundava nas águas profundas.
Arfei!
Abri os olhos rapidamente e quase dei um pulo da cadeira.
- Bella? – Edward, ao meu lado se assustou. – O que foi, amor?
- Não, nada ... Ah! – puxei ar para dentro de meus pulmões e tentei relaxar – Falta muito para chegarmos em Boston?
- Umas duas horas ... Você tá mesmo bem? – seu olhar era desconfiado.
Olhei em seus olhos pra tentar lhe acalmar.
- To sim, Ed. Foi só um pesadelo rápido. Já passou. – me aninhei em seu peito e ele começou a beijar meus cabelos.
Chegar em nosso apartamento foi um alívio. A ilha era maravilhosa mas, sinceramente, não tem lugar melhor do que a casa da gente ...
Mesmo cansada, desarrumei as malas pra poder separar as roupas sujas. No dia seguinte, quando Sue viesse, as roupas já estariam no cesto para serem lavadas. Minhas mãos eram hábeis em trabalhar porque eu queria mesmo era ficar muito exausta, cair na cama e não sonhar. Nos últimos dias, não enquanto estávamos na ilha, mas no último mês, tenho tido uns sonhos perturbadores. E o que me estressa mais é que fico angustiada não só nos sonhos mas também quando acordo ...
- Fiz sanduíches de presunto de peito de peru. – Ed entrou no quarto e começou a me ajudar com as malas.
- Hum ... obrigada, amor. Mas, sinceramente, eu não to com fome! – dei um selinho nele.
- Mas vai comer, Bella. Nem que seja meio sanduíche e meio copo de suco. Sua última refeição foi um bocado de folhas hoje às onze da manhã.
Ele estava no modo ‘não discuta comigo’ e resolvi não mostrar resistência, de fato o almoço foi muito leve, uma salada de peixe preparada por Gabrielle. Tomamos banho e fomos à cozinha, comemos ali mesmo na bancada e eu me surpreendi quando comi um sanduíche inteiro. A preocupação mascarava minha fome.
No dia seguinte, enquanto Sue cuidava de nossas roupas sujas (eram muitas), fomos à galeria onde eu havia encomendado os nossos quadros. Todos ficaram lindos com as molduras de madeira pintadas em ouro velho. Liguei pra mamãe pra confirmar que chegaríamos a NY no começo da noite.
A mansão Swan estava completamente escura quando o táxi parou em frente ao imenso portão. Achei estranho, pois tanto meus pais quanto os de Ed já deveriam estar lá para o comitê de boas vindas. Peguei as minhas chaves e entramos, liguei pro celular de papai, tava desligado. O de mamãe também tava.
Edward não conseguiu falar com Carlisle e depois de ter ligado três vezes, Esme atendeu o celular.
- MÃE?!!! – Ed parecia aliviado – O que aconteceu?
Seu olhar alarmado me deixou em alerta.
- Sim, entendi. Mas vocês estão bem? – ele perguntava rápido e ouvia com atenção – Nós vamos até vocês. – uma pausa – OK. Tudo bem. Mas a polícia vai investigar a causa da explosão?
Explosão?
Meu Deus, o sonho! Eu devia estar próxima a alguma parede (por sorte) , porque meu corpo mole começou a escorregar e eu caí sentada no chão.
- Bella? - Ed parecia um raio, largou o telefone e se prostrou ao meu lado – Querida, o que foi?
Continuei calada.
- Pelo amor de Deus, Bella. Fale. – ele sacudia meus ombros de leve.
- Oh! Edward ...
Comecei a chorar compulsivamente, grossas lágrimas escorriam por meu rosto e eu comecei a tremer.
- Bella, amor ... se acalme. Todos estão bem, Rennè, Charlie, mamãe e papai. Ninguém se machucou.
- O qu-que aconteceu? – gaguejei e solucei.
- Parece que houve uma falha no motor do iate novo de papai. – ele parecia editar o que dizia – Estão suspeitando de que o motor tenha explodido acidentalmente. Foi perda total. O iate explodiu por completo ...
Fechei os olhos mas abri rapidamente, na minha frente só veio a visão que tive.
Meia hora depois, mamãe e papai, Carlisle e Esme chegaram. Elas pareciam preocupadas enquanto papai e Carlisle, visivelmente faziam ‘cara de paisagem’. Beijamos e abraçamos nossos pais e entregamos seus presentes, naquela noite ninguém mais comentou o ocorrido. Papai e Carlisle pareciam evitar o assunto, fingiram cansaço e estresse. Esme e Carlisle foram para o quarto de hóspedes, papai arrastou mamãe e eu ainda fiquei meio parada no meio da sala.
- Vamos dormir, Bella? – Ed veio até mim e me abraçou.
- Não to com sono ... – balancei a cabeça em sinal de negação.
- Princesa ... você quer um chá?
Assenti. Eu queria qualquer coisa, menos dormir. Na cozinha, Ed fez um chá de camomila e tentou em vão me animar.
- Amor, essa cozinha te lembra alguma coisa? – ele falou enquanto afagava meu rosto.
Seu sorriso era cauteloso, não era fingido, mas ele fazia um certo esforço pra sorrir. Tentei me animar e sorri também, sentei em seu colo.
- Sim, me lembra de uma certa loucura ... – dei um selinho nele.
Edward bocejou e eu sabia que tinha que ir pra cama. Mesmo cansado, ele não iria sem mim, tomamos banho juntos e dormimos abraçadinhos. Charlie Swan parece estar evoluindo, já não implica mais por eu e Ed dormimos juntos sob o mesmo teto que ele.
Graças a Deus, não sonhei. Acordei bem disposta e todos na casa já estavam em movimento, os preparativos para a festa de reveillon, no dia seguinte, já estavam bem adiantados. Tomamos café da manhã rapidamente.
Mamãe e Esme me arrastaram para a cozinha, enquanto Carlisle e papai levaram Ed para resolver não-sei-o-quê da queima de fogos.
- Filha, não pude deixar de reparar nesse adorno em sua mão direita ...
- Ah! Mamãe, desculpe. Esqueci de te contar ... Ed me deu um anel de compromisso.
Tanto Esme quanto mamãe se aproximaram mais de mim e contemplaram o lindo anel de rubi, safira e diamantes em meu dedo.
- É lindo, minha filha! Vocês já marcaram o noivado?
- Não, mamãe. Ed quer fazer isso da forma mais tradicional possível.
- Bella, eu sabia que ele ficaria perfeito em você ... – Esme sorria – Parabéns, querida.
- ESME!!! Você, você ... você sabia de tudo?!!! – mamãe, indignada, pôs as mãos na cintura.
- Desculpe, Rennè. Edward me pediu sigilo total ...
- Mas eu sou a mãe da noiva ... eu, eu merecia ter alguma informação privilegiada e ...
- Mamãe, nós ainda não estamos noivos. – abracei Rennè antes que ela surtasse – Deixe de ser birrenta. – beijei sua bochecha e ela sorriu.
Resolvi ligar logo para alguns amigos porque no dia seguinte tudo seria mais corrido e eu poderia esquecer de alguém. Liguei pra Paris pra falar Jacob e Leah que resolveram passar o reveillon na cidade do amor. Liguei pra Kim, Amanda, Theresa e Victoria mas com essa eu não consegui falar, deixei um recado no celular, e por fim, liguei pra Jess.
- Oi, Jess. Feliz 2010.
- Pra você também, Bella.
- Jess, você vai trabalhar no ano novo?
- Não, Bella. O extra que eu tinha arrumado era só para o natal. – sua voz era, por incrível que pareça, desanimada.
- E vai passar o ano novo com alguém? – ela demorou a responder.
- Na verdade, não.
- Então, por que você não pega o próximo trem e vem passar o reveillon conosco aqui em Long Island?
- Puxa, Bella! Sério? – sua voz subiu umas três oitavas.
- Olha, meus pais e os pais de Edward vão fazer uma festa aqui em nossa casa e ...
- Mas Bella, a festa vais ser chique? Porque se for, eu acho que não tenho roupa e...
- Isso não é problema. Anota aí o endereço.
Ela anotou e eu expliquei que quando descesse na Penn Station, era só pegar o táxi até Old Westbury e em vinte minutos chegaria aqui.
O resto do dia passou depressa, o pessoal do buffet mandou um decorador pra ver como seria a decoração do dia seguinte, mandou também provas da comida a ser servida, etc, etc. O DJ telefonou pra falar das músicas, essa tarefa foi incumbida a mim. Os rapazes almoçaram na rua, ainda resolvendo coisas da festa e nós comemos rocambole de carne.
Após o jantar, Jess chegou e foi logo fazendo amizade com mamãe e Esme. Levei-a até um quarto de hóspedes onde ela descansou um pouco.
- Puxa, Bella, sua casa é linda ... Ah! Meu Deus, Bella! Você ficou noiva? – ela pegou minha mão direita e levou-a até a altura de seu rosto.
- Ainda não, Jess. É um anel de compromisso.
- Parabéns, Bella.
- Obrigada! – seu sorriso parecia ser verdadeiro.
- Hum ... eu fico pensando se o meu existe, se ele está por aí. – ela, de repente começou a fitar o vazio.
- O seu o quê, Jess?
- O meu príncipe encantado!
- Jess, senta aqui. – fiz sinal pra que ela sentasse na cama, ao meu lado – A gente fala em tom de brincadeira, príncipes não existem. O que existem são caras legais que estão por aí em busca de garotas legais ...
- Mas Bella, não fique com ciúmes de mim, por favor, Edward parece um príncipe encantado.
- Parece, Jess, mas não é. – ri um pouco do jeito engraçado e ingênuo que ela falou - Edward é o amor da minha vida mas é gente de carne e osso como eu e você, com defeitos e qualidades. O que eu to querendo te dizer é que o cara legal vai aparecer pra você, de maneira natural, como acontece com todo mundo. Ele não vem montado num cavalo branco ou numa Ferrari vermelha ... ele vem com o que ele tem de melhor, amor.
- É, em 2010 eu quero amor, não vou sentir saudades de 2009.
Deixei Jessica no quarto e fui dormir também.
- Hoje a gente mal se viu. – Edward me abraçava na cama – Ficamos o dia quase todo na marina, tomando providências quanto aos destroços do iate e...
Meu corpo ficou tenso ao lado do dele e ele percebeu, se calou.
- Continue, Edward. – tentei parecer normal.
- Não quero te preocupar.
Ele beijou meus cabelos, levantei meu rosto e o encarei. Ele suspirou e continuou.
- Não há mais nada a dizer. Foi um acidente, a seguradora vai cobrir tudo. Desculpe, amor. Não queria falar dessas coisas justo na hora de dormir e ... Ah! Esqueci de dizer, achei bom você convidar Jessica. Rennè parece que gostou muito dela ...
- Eu to bem, Ed. Não precisa tentar me distrair. – menti, dei um beijo nele e virei meu rosto pra baixo, tentei pegar no sono sentindo o seu cheiro.
O dia 31 de dezembro amanheceu nublado e extremamente frio em NY. Sai da cama e tomei um banho quente, vesti jeans preto e suéter rosa, deixei Ed dormindo e fui tomar café da manhã. A mesa estava posta, Jess, mamãe e Esme estavam nela, conversando e comendo animadamente.
- Bom dia, docinho. Dormiu bem? – mamãe se virou em minha direção, ainda sentada.
- Bom dia, mamãe. Bom dia, Esme. Bom dia, Jess. – dei um beijo em mamãe e sentei – Sim. Dormi como uma pedra.
- E Edward? – Esme perguntou.
- Dormindo ainda. Tive pena de acordá-lo. – fiz careta e sorri.
- Hum ... Bella, você não acha que está cansando demais o meu futuro genro?
Tinha que ser mamãe!
- Não, mamãe! – corei – Na verdade, ele me cansa também ...
- Oh! Esme, eu já fico imaginando ... nossos netinhos serão tão lindos ... Ah! Não vejo a hora de ser avó ... Bella cresceu tão rápido, eu devia ter tido mais filhos ...
- Mamãe, mamãe ... pare de sonhar acordada!
- Ah! Bella mas eu também vivo sonhando com esse dia, ver crianças correndo novamente pelos jardins da mansão Cullen ... – dessa vez era Esme quem viajava.
- Bom dia, meninas! – a voz mais linda do mundo ecoou pela sala.
Ed tava lindo, usava calça clara e suéter marrom e seus cabelos ainda estavam molhados. Me deu um selinho e quando ia se sentar, Esme protestou.
- Filho, não quero bancar a mãe carente mas você poderia me dar um beijo também? – ela sorria descontraída e Ed deu um beijo bem afetuoso nela.
- Onde estão papai e Charlie? – ele perguntou a mamãe.
- Mancomunados no escritório. Eles praticamente engoliram o café, pediram licença a nós duas e se mandaram. Bella – mamãe falou diretamente pra mim – seu pai anda meio esquisito ... se isso tiver a ver com alguma mulher, eu ... eu ...
- Mãe! Você tá meio surtada hoje! – tentei logo distraí-la daquela idéia maluca – O papai te ama muito e mesmo se não amasse, ele morre de medo de você. Agora, você fica falando essas maluquices na frente de Jess, ela vai pensar que somos todos pirados ...
A-HA-HA-HA-HA
Mamãe gargalhou.
- Filha, de família pirada, Jess entende muito bem. – gargalhou ainda mais – Ela tava aqui contando histórias hilárias de sua família! Como é mesmo aquele ditado que você disse, Jess?
- Aquele ‘Família Stanley, se cobrir vira um circo e se cercar vira um hospício’?
- Esse mesmo, Jess. A-HA-HA-HA-HÁ – mamãe achou muuuita graça nisso.
Tá, com essa todos riram e eu imediatamente relaxei.
- Pra quantas pessoas será o jantar, Rennè? – Ed tentou mudar o assunto.
- Nós sete, os Black, os Hamilton, os Rogers, os Burton e os Chenney .
Tirando os Black, que são praticamente da família, Sarah Hamilton e Patrick Rogers são amigos de trabalho de mamãe, ambos trarão suas respectivas famílias. Charlize Burton e Ben Chenney são amigos de papai e Carlisle.
- Caraca! Isso deve dar umas cinqüenta pessoas. – murmurei.
- Contando com os filhos e respectivos pares, 48 pessoas, querida. – Esme esclareceu.
- A festa vai bombar ... – Ed falou sem nenhuma animação.
- Você acha muita gente, querido? – Esme perguntou.
- Não, mãe, tudo bem. Eu só pensei que seria uma reunião mais íntima. Eu nem trouxe roupa muito formal e ...
- Filho, eu trouxe seu smoking, ele está lavado e pendurado num cabide do closet de Bella ...
- E eu comprei um vestido perfeito pra você, anjinho. – era a vez de mamãe atacar – E não precisa me agradecer agora, Edward mas você vai amar o vestido dela.
G-ZUIS!!! As duas são uma força incontrolável da natureza quando o assunto é festa. Pelo menos daqui a alguns anos elas irão se divertir e me ajudar na festa de casamento.
Casamento ... Edward ...
Se eu não cuidar, vivo sonhando acordada.
- Hum ... Bella. – Jess tentou cochichar – Sobre aquele lance da roupa – ela cochichou mesmo.
- Tá tudo OK, Jess. Termine seu café e eu chego no seu quarto em dez minutos. – ela sorriu e assentiu.
Dei um selinho em Ed e pedi licença a todos.
TOC,TOC,TOC.
- Pai? Posso entrar? – bati na porta do escritório.
- Um momento, querida. – esperei – Bom dia, meu anjo. – ele disse quando abriu a porta.
- Bom dia, papai. – dei um beijo nele e entrei no escritório – Bom dia, Carlisle.
- Bom dia, Bella.
Os dois pareciam ocupados, então saí rapidamente.
Fui até o quarto de Jessica levando cinco vestidos pra ela escolher, tentei selecionar os que eu raramente usava pra não ter a chance de alguém, além de mamãe e Ed, perceber que ela usava uma roupa minha. Ela escolheu um vestido rosa, longo, de veludo, e alças largas. Scarpins pretos nos pés e bijuterias douradas discretas, no cabelo, dei a idéia dela deixá-los soltos, ao natural, usando apenas uma finíssima tiara dourada. A maquiagem seria suave, em tons rosa.
- Jessica, querida. Posso entrar? – mamãe batia na porta.
- Pode, Sra. Swan.
- Querida, me chame de Rennè. Oh! Esse vestido ficou perfeito! Vai usá-lo mais tarde?
Jess sorriu e assentiu.
- Depois que você trocar de roupa, quer me ajudar com a decoração?
- Quero sim! – as duas pareciam amar fazer festas.
- Tá se divertindo, hein, Jess? – perguntei depois que mamãe saiu.
- Muito, Bella. Sua mãe é demais!!!
Depois que sai do quarto de Jess, atravessei o jardim coberto de neve e fui até a estufa, adoro as flores, lá é o local onde elas sobrevivem no inverno. Alguns botões de rosas vermelhas me fizeram lembrar do natal, também vi girassóis imensos e outras flores coloridas. Lembrar da Martinica fazia um bem danado ...
A manhã passou rápida com tantos afazeres para a festa, almoçamos tarde e depois pedi licença todos, subi ao meu quarto pra tirar um cochilo. Edward me acompanhou e nós realmente dormimos bem abraçadinhos.
Acordei com o meu celular tocando, olhei pela janela e já era noite.
- Alô? – sentei na cama.
- Bella, sou eu Victoria. – sua voz era animada.
- Oi, Vic! Amiga, onde você está?
Quase acordei Ed, ele resmungou alguma coisa, puxou o meu travesseiro, cobriu seu rosto com ele e virou pro outro lado. Sai da cama e fui pro closet.
- To ótima, Bella. Estamos em Wichita, na casa da mãe de James e ...
- OMG! Amiga, e aí? As sogras são gente boa?
- Muito, Bella. Todas elas são e James tá sendo maravilhoso ... – ela suspirava.
- Vic, me conta. Já rolou? – eu tava quicando de curiosidade dentro do closet, ela demorou um pouco a responder.
- Já.
- E?
- Demais, Bella. To muuuuito feliz!
- Ô, amiga! Que bom!
- Mas me conta. E a viagem? Pra onde foi? Como foi?
- Fomos pra Martinica, no Caribe. Ah! Vic, foi ... foi demais! Em Boston eu te conto tudo mas eu posso te adiantar que Edward me deu um anel de compromisso.
- OMG! Amiga!!! Parabéns ... – ela parecia muito surpresa – E feliz 2010 pra você, Edward e todos aí.
- Feliz 2010 pra você e James, também pra mãe e tias dele.
- Beijo, Bella.
- Beijo, Vic.
Sai do quarto e fui até a cozinha, a casa tava silenciosa. Provavelmente mamãe, Jess e Esme estivessem no salão de festas, arrumando tudo e papai e Carlisle, no escritório. Fiz um bule de café preto bem forte e tomei, sem açúcar mesmo. Já passava das sete da noite quando Esme entrou na cozinha, seguida por mamãe e Jess.
- Bella, nós já iríamos acordá-los ... hum, que cheiro bom, querida. – Esme se serviu do café – Preciso de cafeína em meu sistema, preparar uma festa é cansativo ...
Jess também tomou café e pediu licença a nós pra ir se arrumar e ligar para os pais.
Mamãe estava ao celular com alguém falando de outra festa. Captei o teor da conversa, era sobre o jantar beneficente em prol das crianças com câncer do MS Hospital. Pelo que eu percebi, seria na quinta, dia 07 de janeiro e o cantor convidado seria Rod Stewart. Quase tudo desse jantar tava sendo feito por elas.
Caraca!!!
Mamãe e Esme são demais mesmo!
Subi e tomei um banho, lavei meus cabelos com meu xampu de morango e vesti um roupão. Fui até a cama e acordei Ed.
- Amor ... acorda. – balancei de leve seu ombro.
- Hum ...
- Hora de acordar, amor. Jantar de reveillon daqui a pouco.
Ele abriu os olhos, franziu a testa e fez cara de poucos amigos (acho tão lindo quando ele faz essa carinha). Dei um selinho nele e fui pro closet me arrumar.
Mamãe comprou pra mim um vestido tomara-que-caia, seu comprimento ia um pouco abaixo dos joelhos, em seda azul petróleo, sua saia era em evasê e levemente drapeada, com uma faixa em veludo cinza azulado na cintura e um casaqueto de renda semitransparente e com alguns apliques de lantejoulas, também cinza azulado. Nos pés, eu escolhi um de meus sapatos preferidos, um scarpin Gucci, de prata velha, com saltos de 10 cm. Sequei o cabelo com secador e depois enrolei as pontas com baby liss, prendi uma parte dele com uma presilha discreta de strass, deixando uma mexa caída na lateral e fiz uma maquiagem leve com olhos esfumados e sombra prateada, blush rosa e batom vermelho cereja. Além de meu anel de compromisso e da pulseira de ouro que ganhei daquela velhinha, eu usava a correntinha com o pingente de ametista que Ed me deu e um par de brincos de ouro e strass.
Edward estava muito elegante, usando um smoking clássico e seus cabelos ficaram comportados com a ajuda de um pouco de gel, penteados pra trás.
- Bella, você está linda. Já que Rennè escolheu este vestido, então eu preciso realmente agradecê-la. – sorri , dei um selinho nele e o abracei.
- Você também tá muito gato ... gostoso ...tesão ... – apertei o abraço pra que nossos corpos se juntassem mais, senti suas mãos contornarem minha cintura – Será que alguém vai sentir a nossa falta de nós ficarmos aqui?
- Bella? Edward ? – Carlisle falava bem alto do outro lado da porta – Já são dez da noite e alguns convidados já estão chegando.
- Já estamos indo, pai. – Ed fez careta e respondeu, seguimos de mãos dadas em direção ao salão de festas.
Todos já estavam lá, inclusive Jess, adorando cada momento.
A decoração estava perfeita. Muitas rosas brancas enfeitavam as mesas em pequenos buquês e vários tecidos finos e esvoaçantes pendiam do teto em tons de branco, dourado fosco e prata. Uma equipe de garçons estava elegantemente uniformizada e pronta para servir. Havia uma mesa repleta de mini canapés de todos os tipos, cores e formatos. No meio dessa mesa, se destacava uma imensa cascata de camarões. Ali próximo, foi montado um bar, de onde os garçons começaram a entrar e sair sem parar.
Mais atrás do bar, estava a mesa improvisada para o DJ. A música, no começo da noite era bem suave.
Os primeiros a chegar foram Billy Black e sua esposa, Rachel, depois chegaram quase que de uma vez, os Burton, os Chenney, os Hamilton e os Rogers. Como eu e Edward mal conhecíamos as outras pessoas mais jovens, que estavam tão desentrosados quanto nós, Jess tratou de fazer uma integração.
Essa é uma característica dela. Depois que você percebe que Jess não é um poço de futilidades, enxerga nela uma pessoa animada e extrovertida.
O DJ começou a tocar umas músicas mais dançantes e todos caímos na pista. Os garçons sempre passavam servido champanhe e mais champanhe, às vezes, uísque e suco de frutas.
Percebi que Jess conversava bem animada com o filho de Sarah Hamilton, aquele que eu não conseguia lembrar do nome. Eles dançaram por um bom tempo e quando o jantar foi servido, sentaram juntos.
Faltando cinco minutos pra meia-noite, papai convidou a todos pra que fôssemos ao terraço, lá brindamos com mais champanhe e recebemos o ano de 2010 assistindo a cinco minutos de queima de fogos e a uma chuva de prata.
- Feliz ano novo, Bella. – Ed sussurrou ao meu ouvido segundos antes da meia-noite.
- Feliz ano novo, amor. – beijei seus lábios.
O beijo continuou até a explosão dos primeiros fogos, depois fomos separados por nossos pais e todas as outras pessoas ao redor que queriam nos cumprimentar.
No domingo, dia 03 de janeiro, Esme fez um almoço de ano novo na mansão Cullen. E dessa vez foi uma coisa mais íntima, somente nós seis e Ben Chenney, junto com sua esposa. Jessica havia voltado para Boston no começo da tarde do dia 02 porque ela iria trabalhar na pizzaria.
Depois do almoço, estávamos todos na sala de estar tomando uma xícara de café enquanto Ed tocava uma música no piano. Carlisle, papai e Ben pediram licença a nós e foram para o escritório. Mamãe ficou irritada.
- Mas isso é um abuso, Esme. Tudo bem que Charlie e Carlisle vivem de segredinhos mas o que é que Ben tem a ver com isso? Você sabe de algo, Lisa?
- Não, Rennè. Não sei, deve ser coisa de trabalho. - a pobre da Lisa Chenney estava sem graça, coitada.
- Rennè deixe os rapazes ... Olha, vamos mostrar a Lisa as dependências da mansão Cullen, assim nós podemos escutar uma terceira opinião sobre as cortinas da biblioteca.
As três saíram da sala e eu me sentei na banqueta do piano ao lado de Edward.
- Amor ... Espero que a comparação que eu vou fazer não te ofenda. Mas eu acho que Rennè é a mãe biológica de Jessica Stanley. – ele sorria torto enquanto tocava uma melodia suave – As duas falam muuuito ...
- Não, não me ofende. – sorri também, era uma boa comparação mesmo.
Sentada ali, ao seu lado, comecei a beijar seu braço e seu ombro. A cada beijo ele fechava os olhos, sentindo o meu toque.
- Amor, isso te atrapalha? – falei entre beijos.
- Hum... Nem um pouco.
Fiquei de joelhos em cima da banqueta e passei a beijar seu pescoço, bochecha, queixo e lóbulo da orelha. A cada beijo, as notas no piano pareciam vacilar até que ele me tomou em seus braços e me beijou com paixão.
- Ed ... Temos que subir e arrumar a sua mala e depois passar na mansão Swan e pegar a minha ...
- Faculdade. Amanhã.
- Pois é.
Nos despedimos de nossos pais e dois Chenney, passamos na mansão Swan pra pegarmos minha mala e seguimos para o aeroporto. Chegamos a Boston no começo da noite, debaixo de um frio de -11°C, parecia que meu nariz ia congelar ...
Segunda-feira. Volta às aulas. Argh!!!
Que frio! Que preguiça! Parecíamos dois zumbis zanzando pelo apartamento, lá fora a paisagem era toda branquinha. Edward insistiu que eu não dirigisse naquele dia por causa da quantidade de neve nas ruas,fomos em seu volvo prata pra faculdade. O clima de ano novo ainda pairava no ar, nos corredores, todo mundo se falando e se confraternizando ainda. Muitos com aspecto de cansaço devido às viagens, assim como eu, outros, como Jessica, super empolgados com o gostinho de tudo novo, de novo.
Na hora do almoço, sentamos na mesma mesa eu, Vic e Jess.
- Bella, sabe quem me ligou hoje? – o sorriso de Jess ia de orelha a orelha.
- Não.
- Phillip Hamilton!!!
Hamilton? Hamilton? Ah! Lembrei.
- NÃO!!! Phil, o filho de Sarah Hamilton?
- Ele mesmo. Sabia que ele faz direito em Yale?
- Ótimo, Jess. Vocês estão a pouco mais de duas horas de carro ... E aí? Ele te chamou pra sair?
- Sim! No próximo fim de semana ...
OMG! Fiquei tão feliz por Jess. Depois o assunto se arrastou por tudo o que rolou na Martinica (bom, quase tudo) e como foi o natal e o ano novo de Vic e James. Ah! Que bom, nós três estamos in love!
O restante da semana foi gelado, a neve não deu trégua mesmo. Muita matéria pra estudar (bando de professores sem coração ...), estágio, pilates e mais matéria pra estudar.
Na tarde de quinta-feira, dia 07, cheguei mais cedo em casa e resolvi fazer um jantar bem gostosinho pra Ed. Eu tava com saudades de namorar o meu namorado!
Como a temperatura tava de congelar, optei por um cardápio de inverno, com pratos quentes. De entrada, eu servi terrine de ricota, para o prato principal, preparei carne assada com champignons, arroz branco e batata assada com catupiry. A sobremesa foi bem simples, peguei morangos, pêssegos, uvas, maçãs verdes e amoras, piquei tudo e as servi flambadas junto com calda quente de chocolate meio amargo. Separei um vinho do porto porque a carne e as frutas pediam um vinho tinto de aroma frutado e ligeiramente doce, não quis complicar muito e ter que servir dois tipos de vinho.
- Bella, amor, você tá na profissão errada. Em vez de fazer Direito, você devia fazer Gastronomia ... O jantar tava uma delícia!
Já estávamos na cozinha, ele tava colocando a louça na lavadora e parou pra afagar meu rosto com uma mão. É, o jantar tava gosto mesmo, sem querer me gabar, eu cozinho bem.
- Mas acho que isso é um problema. – franzi a testa – Eu posso ficar mal acostumado, gorducho ...
Aproximei nossos corpos e dei um selinho nele.
- Amor, você ainda não entendeu nada. – esfreguei meu corpo no dele – As calorias que eu te faço ganhar hoje, faço você perder amanhã ...
- Só amanhã?
Ele me beijou com muita paixão, suas mãos contornaram a minha cintura e passearam pela base da minha coluna, descendo até a minha bunda, eu me agarrei em seus cabelos e o puxei pra mais perto.
Como tudo o que é bom dura pouco, o celular dele tocou.
- ARGH! – Ed chiou antes de ver quem era – Fala, James.
- Não, tudo beleza. Daqui a cinco minutos, OK? Falou. – desligou o celular.
- Amor, vou terminar a louça aqui e vou passar um e-mail pro James, ele perdeu a anotação da matéria hoje.
- OK. Vou estudar um pouquinho também. O meu professor de filosofia pensa que eu tenho um processador pentiun no lugar do cérebro! O miserável passou um livro de 600 páginas pra gente ler! – arqueei as sobrancelhas e dei um selinho nele.
Naquela noite fomos dormir um pouco tarde, cada um estudando a própria matéria. Tava tão frio, mas tão frio que ligamos o aquecedor do quarto, vestimos moletons, nos cobrimos com um edredon e estávamos abraçadinhos.
TRIN-TRIN-TRIN-TRIN
- Ed ... telefone ... – acho que eu ainda tava dormindo.
- Hum... atende, Bella ... pra você ...
TRIN-TRIN-TRIN-TRIN
Argh! Me sentei na cama, passei meu corpo por cima do dele e atendi.
- Alô – falei e bocejei ao mesmo tempo.
- Srta. Isabella Swan? – a voz desconhecida do outro lado me despertou por completo.
- Sim, sou eu mesma.
- Srta. Swan, aqui quem fala é o Tenente Stevenson, Divisão de Homicídios da polícia de New York. – a cada palavra dele, eu gelava – Lamento informar, Srta. Swan, mas seu pai, Charlie Swan e sua mãe, Rennè Swan foram assassinados nessa ...
Meu coração parou de bater, meu sangue fugiu das veias e o ar desapareceu de meus pulmões.
- NÃO!!! NÃO!!! NÃO!!! Por Deus, não! – Ed pegou o telefone da minha mão e depois não prestei atenção em muita coisa, meu rosto foi lavado por lágrimas e eu só conseguia chorar baixinho.
Deitei na cama e me encolhi numa bola de dor.
*POV EDWARD*
O telefone tocou no meio da noite, Bella atendeu. Quase voltei a dormir de novo mas ela começou a chorar e a gritar. Tomei o telefone de sua mão.
- Quem está falando? – fui ríspido.
- Aqui é o Tenente Stevenson,da Homicídios da polícia de New York. Suponho estar falando com o Sr. Edward Cullen.
- Sim, sou eu. Explique o que você disse a minha namorada pra deixá-la nesse estado. Se isso for algum tipo de brincadeira eu ...
- Sr. Cullen, isso não é uma brincadeira, sou o Tenente Mark Stevenson da Divisão de Homicídios da polícia de New York. Eu mais uma vez lamento informar que Charlie e Rennè Swan foram assassinados nessa madrugada. – meu sangue gelou.
- Sr. Cullen, o senhor ainda está aí?
- Sim. Estou.
- Sinto muito, Sr. Cullen mas seus pais, Carlisle Cullen e Esme Cullen também foram assassinados. A polícia trabalha com a hipótese de ...
Depois disso eu não consegui escutar mais nada, por um bom tempo.
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