ESCOLHAS (PARTE I)
A você que ainda irá nascer
"E o sol que um dia verá brilhar
Um poema que sempre quis fazer
E um dia irei lhe entregar
Um mundo feito de sonhos
Construído por mim, para você
Um mundo, que no qual suponho
Feliz e criança, você irá crescer
Um fruto de minha imaginação
Sem lutas, sem pessimismos
Mas feito de todo meu coração
Uma estrada, sem ter abismos.
Um lugar em que lhe seja possível
Viver para um distante futuro
Onde tudo lhe seja aprazível
Na tempestade, um porto seguro.
Um ponto qualquer do universo
Que pense somente em amores
Onde se fale somente por versos
Um caminho cercado de flores.
Um mundo feito em minha mente
Não como um sonho que aos poucos some
Onde se olhe sempre pra frente
Não importa nem o seu nome.
Pra você que sabe que eu te espero
E que um dia virá ficar.
O mundo que eu mais quero
no qual sorrindo, você vai brincar
Correndo, brincando, sorrindo sem medo
Nesse mundo você irá crescer
Mas cá entre nós, esse é o nosso segredo
Porque esse mundo, eu fiz só pra você!”
(autor desconhecido)
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- Minha menstruação está 15 dias atrasada ...
As duas olharam espantadas pra mim e embora nada mais fosse dito, eu sabia muito bem o que já estava acontecendo comigo. Instintivamente, pousei as duas mãos sobre o meu ventre e sorri e chorei ao mesmo tempo.
Um misto de amor, medo, esperança e preocupação brotaram em meu peito. Eu já me sentia carregando a coisa mais preciosa do mundo ...
- Co-como assim? – Rose se sentou no chão, ao meu lado.
- Atrasada, Rose ... fiz as contas – comecei a contar de novo, nos dedos, dessa vez em voz alta – Eu menstruei pela última vez no dia 11 de dezembro.
- Tem certeza, Bella? Essas coisas podem ser irregulares, às vezes, eu mesma ... – Alice me questionou.
- Absoluta, Alice. – falei cheia de convicção – Meu ciclo sempre foi muito regular, eu deveria ter menstruado de novo no dia último 07 ... mas me esqueci completamente desse detalhe.
Baixei meu olhar e fitei o chão, eu só havia me esquecido da data da menstruação, porque foi justo na madrugada do dia 08 que meus pais e sogros foram assassinados. De repente, senti uma falta de ar terrível e a dor já tão conhecida tomou conta de mim, flexionei as pernas e enterrei meu rosto entre os joelhos ... Fiquei imóvel por um bom tempo até que senti o afago de minhas novas amigas acariciando minhas costas.
Uma série de flashes invadiu a minha mente.
Primeiro me lembrei daquela velhinha que conheci na Martinica, lembro muito bem de suas palavras: “Bom, ele não é seu marido ... ainda. Mas será, eu os vi na missa. Um casal muito bonito, com certeza! Farão filhos igualmente bonitos e fortes ... pequenos guerreiros. Mas haverá muitas dores e lágrimas, muitas pedras serão postas no caminho de vocês. Decisões difíceis precisarão ser tomadas mas não se deixe enganar, o destino de vocês é um só.” Então pedi a Deus que meu bebê nascesse com muita saúde.
Lembrei também do sonho que tive, eu e Edward estávamos quase completando vinte anos de namoro e nele eu podia ouvir vozes de crianças, pareciam ser um menino e uma menina. Ambos me chamavam mas eu não podia vê-los. Sorri um pouco e pensei: ‘Meu Deus, eu não me importo se ele é menino ou menina. Eu já o amo.’
O terceiro flash talvez seja o mais revelador de todos. Quando eu estava conversando com mamãe, papai, Carlisle e Esme, no sonho, eu pedia a eles pra poder ficar lá, naquele lindo jardim. Então mamãe e Esme se aproximavam de mim, tocavam em minha barriga e diziam que ‘NÓS’ precisávamos voltar, porque Edward precisava de ‘NÓS’. Então era isso ... eles já sabiam que eu estava grávida. Oh! Meu Deus! Nesse momento senti mais lágrimas escorrerem sobre a minha face ... Pelo menos eu e Edward demos aos nossos pais essa última alegria ...
A lembrança seguinte foi do sonho que tive há poucos dias, quando eu sabia que existia alguém muito importante, alguém a quem eu amava tanto ou mais até do que Edward ... Um filho! Claro. Só poderiam ser isso! A quem mais eu daria o meu amor de uma forma tão irrestrita, se não fosse a um filho de Edward? Nosso filho! Uma coisinha tão pequenininha ... mas que já existia aqui, dentro de mim ... Um pedacinho de nós dois, feito com amor!
- Bella, não fique assim ... Nada de ficar desesperada. OK? – Rose falou com carinho.
Desesperada? Eu não, não mesmo! Apesar de tudo eu tava imensamente FELIZ! Meu bebê, meu bebezinho ... AAAHHH ... Eu o quero tanto, eu o amo tanto ... Chorei mais ainda e minhas amigas se preocupavam mais e mais.
- Gente, eu to bem ... – elas me olharam com desconfiança - Eu juro. Só to muito feliz ...
As duas sorriram e me abraçaram ao mesmo tempo.
- Parabéns, Bella. – Rose quase chorava também – Apesar das circunstâncias, um filho é sempre motivo de alegria ...
- Sim! Sim! – Alice falou – Mas, sejamos práticas. Que tal se você fizer uns testes de gravidez primeiro? – ela falou já se levantando do chão, eu olhei pra ela e assenti – Fiquem aqui.
Eu e Rose pouco conversamos, ela apenas me abraçou e eu encostei a minha cabeça em seu ombro. Então Alice voltou acompanhada de um funcionário da farmácia, eu acho.
- Tá aqui, Bella. – ela me ajudou a levantar do chão – São três testes de gravidez de marcas diferentes. – quando eu já tava de pé ela me entregou as três caixinhas – Esse aqui é o Matt, dono da farmácia.
- Prazer em conhecer vocês. – o homem de meia idade sorria timidamente e eu corei – Vamos, senhoritas. Isso é comum acontecer aqui dentro, mas como Alice é Alice, vou deixar a mamãe usar o banheiro de funcionárias pra poder ter a certeza ...
- Obrigada. – murmurei e corei mais ainda.
Entrei no banheiro, eu tava mesmo querendo fazer xixi ... Minhas pernas tremiam, minhas mãos também. Aquele era um momento MUITO importante de minha vida, talvez o maior de todos. Por um instante eu lamentei que Edward não estivesse aqui, comigo, mas me dei conta que existem momentos na vida de uma mulher que só devem ser vivenciados por ela, apenas ela.
Abri as três caixas de uma vez só e em todas havia copinhos. Com cuidado, pus um pouco da urina em cada um deles e enfiei a tirinha respectiva, esvaziei a minha bexiga no vaso e me vesti. Li rapidamente as três bulas e vi que em todas só bastavam sessenta segundos pra poder ver o resultado. Felizmente já tinham se passado quase dois minutos ...
- Bella? Tá viva? – escutei Alice do outro lado da porta.
-Bella, tenha calma ... – Rose falou.
-To bem, meninas ...
Com cuidado pra não virar os copinhos, tirei a primeira tira. Mordi e lábio inferior e vi duas tirinhas em AZUL, olhei na bula: POSITIVO. Abri um sorriso enorme e meu coração batia mais acelerado ... O segundo copinho também tinha uma tira AZUL, mas nessa, todo o pedaço da tira que ficou submerso no xixi, ficou azul, olhei na bula: POSITIVO. Respirei fundo e segui para o próximo. Nesse, a tirinha não ficou azul e sim, meio lilás ... Mas na bula dizia que só poderia ficar azul ou vermelho ...
- Meninas! – escancarei a porta do banheiro – Esse deu azul, mostrei a tirinha, esse também, mostrei a outra mas esse ... ficou lilás! – franzi a testa e fiz uma careta.
- Parabéns, Bella! Você está absolutamente grávida. – Rose estava visivelmente emocionada e me abraçou.
- Mas e a tira lilás? – Alice questionou.
- Essa só quer dizer que o teste usado precisava de um nível maior de HCG ... Mas Bella tá mesmo grávida. – Rose respondeu.
OMG!!!!!!!! As duas gritaram e me abraçaram.
Chorei mais ainda, eu não podia imaginar que a notícia de uma gravidez pudesse vir acompanhada de tanta emoção! Mesmo uma gravidez não planejada como a minha ...
- Bella vai ser mamãe ... – Rose sorria.
- ‘Bella vai ter neném, Edward vai ser papai. Alice vai ser titia, ôlêlê ...’ – ela cantarolava e batia palmas.
- Menos, Alice. – Rose falou e eu desatei a rir.
Mas depois meu sorriso desapareceu, mordi o lábio e franzi a testa.
Edward.
O que será que Edward iria pensar disso tudo?
- Qual é o problema, Bella? – Alice perguntou.
- Edward ... – murmurei – Eu, nós não planejamos essa gravidez ... Eu tava usando anticoncepcional e somos jovens ainda ... Sem contar que tudo ...
- Edward vai entender perfeitamente, Bella. Essas coisas acontecem, mesmo pra quem se previne. – Rose respondeu.
- O que eu não entendo é como isso foi acontecer ... Não que eu não queira o meu bebê mas ... eu me cuidava ... as injeções ...
- Vamos ao hospital, então. – Alice respondeu e eu fiz uma cara de quem não gostou muito – Vamos sim, mocinha. – ela me pegou pelo braço – O tio Martin precisa te examinar ...
- ALICE!!! – guinchei – Eu nunca fui a um ginecologista homem ... – murmurei.
- Deixe de choramingar, Bella. O tio Martin é clínico geral, ele vai somente passar uns exames e depois a gente tenta achar uma ginecologista. Satisfeita?
- Sim. – falei num fio de voz.
Saímos da farmácia e entramos no carro de novo. Alice dirigia, Rose ia no banco de trás comigo e eu não tirava as mãos da minha barriga ...
Em menos de dez minutos atravessamos aquela minúscula cidade e chegamos ao Washington Town Hospital, todos ali pareciam conhecer Alice. Eu e Rose sentamos num banco da recepção e esperamos um pouco. Depois de minutos que pareciam horas para mim, Alice aparece de novo, de braços dados com um senhor negro, muito alto e forte, careca, barbudo e vestido num jaleco branco.
- Muito bem. Qual das duas é a mamãe? – ele sorria – Não respondam. É você, minha jovem. – ele estendeu a mão pra mim – Sua cara de felicidade, e surpresa lhe entregou ... Muito prazer em revê-la, sou Martin Armstrong, marido da tia de Alice.
- Isabella Sw ... Smith. Isabella Smith. – me corrigi a tempo, lhe estendi a mão também e lembrei que ele tava no jantar da casa de Alice – Prazer em revê-lo.
Fomos até a sala de coleta de sangue, uma enfermeira sorridente e prestativa tirou três tubos de sangue de meu braço ... CARACA! Que vampira!
- Melanie, por favor, prioridade máxima nos resultados desse exame Beta HCG.
- Sim, Dr. Armstrong. – ela respondeu.
Depois fomos ao consultório do tio de Alice, ele verificou a minha pressão arterial, me mediu e me pesou. Tudo tava absolutamente normal.
- Então, Isabella, qual foi a data da sua última menstruação? – o médico começou o interrogatório.
- 11 de dezembro. – respirei profundamente.
- Seu ciclo sempre foi regular? – assenti com a cabeça – Sua menstruação já atrasou antes? – neguei com a cabeça – Você e seu parceiro usavam quais tipos de métodos contraceptivos?
- Somente a injeção mensal de hormônio ... – corei ao responder.
- Minha jovem! Onde está a sua responsabilidade? Sexo seguro é com camisinha ... – corei mais ainda, tá, fiquei um tomate.
- Ele é meu primeiro e único parceiro ... – murmurei.
- Mas e você, é a única dele? – o médico arqueou uma sobrancelha.
- Sou ... – falei num fiozinho de voz, eu não tinha dúvidas disso, mas falar com um desconhecido sobre a minha vida sexual era prá lá de constrangedor.
- Alice, socorre a Bella ... – Rose cochichou mais eu pude ouvir.
- Tio Martin, ela e o namorado são o que chamamos de ‘caso raro de amor’. – Alice se aproximou e ficou ao meu lado – Aposto o meu salário que eles são monogâmicos ...
UFA! Valeu, Alice.
- Certo, certo. – o médico sorriu – Desculpe, Isabella, não tive a intenção de ser indiscreto. Mas me diga uma coisa, você tomou ou tem tomado alguma medicação?
Pensei um pouco, pensei mais.
- Calmante natural, apenas. – falei.
-Não. Pense mais um pouquinho. – o médico me incentivou.
- Bom, no mês passado, tomei um antibiótico muito forte ...
- O que você teve?
- Faringite ...
- AMOXILINA!!! – o médico deu um salto da cadeira – Foi isso! Em alguns casos, a amoxilina contida em antibióticos pode cortar o efeito de anticoncepcionais.
CARACA! Então foi isso! Eu lembro que tomei os antibióticos num intervalo menor do que o médico havia receitado uma vez. Os comprimidos eram de 500 mg e deveriam ser tomados de 12 em 12 horas mas como eu tava querendo ficar boa logo, porque iríamos viajar, eu os tomei a cada 8 horas.
- Meu Deus ... – murmurei.
- Mas me diga, Srta. Smith. – caramba, não gostei, prefiro Swan – Você tem sentido alguma alteração em seu corpo?
- Não, só sono e muita vontade de urinar. - respondi
- É, isso sempre acontece no princípio. Quanto à sua alimentação, bom ... não sou obstetra mas tente comer regularmente, faça pequenas refeições durante o dia. Equilibre frutas, verduras, carboidrato e proteína, evite muita cafeína e bebidas alcoólicas. – sorri pra ele e assenti - Bom, agora só lhe resta esperar o resultado do exame Beta HCG, deve ficar pronto em meia hora.
Me levantei e ele nos acompanhou até a porta, caminhávamos em silêncio pelo corredor branco do hospital.
- Que tal um lanchinho? – Alice sugeriu.
- Café-com-leite ... – murmurei.
- Descafeínado. – Rose sentenciou.
Sorrimos e seguimos em direção à lanchonete do hospital. As meninas me fizeram comer uma tacinha de salada de frutas ANTES de me liberarem para o café. OMG! Fiquei emocionada porque elas já estavam se preocupando com a minha alimentação ... As duas começaram a falar do valor protéico dos alimentos e fui, aos poucos me desligando da conversa. A cada colherada da salada que eu dava ... HUM ... ia no céu e voltava. Que delícia! Nunca imaginei que morangos, amoras, uvas e mais alguma outra coisa pudessem ser tão gostosos. Depois me deliciei com uma xícara de café-com-leite.
- Mas Alice, se eu entendi bem, a sua tia Jô parecia conhecer o meu irmão ... – Rose falou e eu fiquei mais atenta à conversa.
- É, eu e Mansen estivemos aqui há um tempo atrás. – ela falou meio sem graça.
- Mas seus pais o cumprimentaram como se não o conhecessem. – Rose assinalou.
- Sim. Eu pedi-lhes isso. Eu até pensei que Mansen tivesse comentado com você a meu respeito. HA-HA-HA – ela sorriu com escárnio – Parece que ele realmente esqueceu tudo o que vivemos ...
- Não fale besteira, Alice. – Rose falou exasperada – Você é a causa de meu irmão ter se transformado num cara amargo, frustrado e infeliz.
Caraca! Rose falou isso tudo mesmo?
- Eu? – Alice perguntou irritada.
E eu fiquei ali, no meio das duas, assistindo a tudo, literalmente. Será que iam lava a roupa suja ali mesmo? Mordi o lábio inferior ... não queria que as duas brigassem.
- Vou lhe dizer uma coisa, Rosalie Hale. – caraca, fudeu de vez, Alice tá puta da vida, ela se inclinou mais sobre a mesa pra poder encarar a Rose – Quem transformou Jasper no projeto de ogro que ele é hoje, foi a puta da Maria, que tomou ele de mim, chifrou ele com metade do FBI e ainda disse a todo mundo que o filho que ela tava esperando era dele.
Alice estava visivelmente alterada e seus olhos estavam marejados.
- Quando o bebê nasceu, eu tava na Inglaterra, fazendo meu doutorado. Mas fiquei sabendo que ele era oriental, detalhe, Jasper é loiro e a vadia da Maria é filha de mexicanos ... Aquela puta de beira de cais, se dizia minha amiga ...
- Alice ... Alice ... Desculpa! Não foi isso o que eu quis dizer. – Rose tratou de se explicar – Eu quis dizer que o amor que Jasper sente por você é tão grande, mas tão grande ... que o mata a cada dia, Alice.
Meu Deus, e eu que pensava que só eu tinha problemas! Tadinha de Alice.
- Quando ele e a Maria se separaram, ele passou quase um mês na casa de nossos pais ... Jasper tava arrasado ... – Alice deu um muxoxo em sinal de descrença – Eu pensei na época, que era por causa das chifradas e pelo fato do bebê não ser dele. Mas depois, meu irmão abriu o jogo comigo. Disse que conheceu uma garota incrível, linda, inteligente, cheia de vida ... Era você, Alice, eu vi uma foto sua. – Rose parecia dizer a verdade – Mas depois ele contou a forma como foi fraco e acabou transando com Maria, dias depois você viu fotos deles dois na cama, sua viagem apressada para Oxford ... A notícia da gravidez de Maria ...
Meu Pai do céu ... e essa Maria era amiga de Alice ... Imaginem se não fosse? Alice prestava atenção às palavras de Rose e algo me dizia que naquele momento ela tomava de ciência de coisas importantes.
- Ele se tornou motivo de piada no escritório do FBI, Maria pediu transferência para San Diego, mas o pior de tudo é que ele sabia que havia errado feio com você. – Rose parou de falar e tomou fôlego – Alice, você ama o meu irmão?
- Ora, mas que pergunta! – ela tentou se desviar do assunto.
- Alice, você ama o meu irmão?
- Ele não me ama, Rosalie.
- Porra, Alice! Eu to perguntando se você ama o retardado do meu irmão? – Rose quase rosnou.
- Puta que pariu!!! – ela gritou e um grupo de médicos da mesa ao lado olhou feio pra nós – Eu amo JASPER FRANKLIN MANSEN com cada célula de meu corpo! Satisfeita, Rosalie?
- Muito, cunhadinha! – Rose sorriu.
- Mas eu não. – agora quem rosnava era Alice – Porque tudo o que esse amor tem feito por mim durante todo esse tempo é me ferir, me torturar a cada maldito nascer do sol ...
Alice pôs os cotovelos na mesa e escondeu o rosto entre as mãos, senti um grande aperto no peito. Ela tava sofrendo com aquela conversa toda e eu não queria que isso acontecesse. Alice era minha amiga, Rose também, mas o carinho que sinto pela baixinha é um pouquinho maior (que Rose nunca saiba disso).
- Mas Alice, Jasper te ama ainda. – Rose falou calmamente – O problema é que ele AINDA não conseguiu SE perdoar por todas as merdas que fez com você ...
Alice balançava a cabeça em sinal de negação.
- Alice, eu conheço meu irmão ... Ele se faz de durão porque ele sabe que você, apesar da mágoa, já o perdoou, ele sabe que você não tem ódio dele. O problema está nele ... Eu já disse àquele neurótico que ele tem que procurar um analista. Ele tem medo de falhar de novo com você ...
- Será? – Alice levantou a cabeça.
- Tenho certeza. O maior problema de Jasper é achar que não é bom o suficiente pra você. – Rose afirmou e acenou com a cabeça.
Nessa hora, percebemos que o tio de Alice entrou na lanchonete, ele devia estar nos procurando, ela acenou e ele caminhou até nós.
- Srta. Smith, saiu o resultado do exame Beta HCG. – ele segurava o envelope em sua mão – Você quer abrir agora, ou prefere que voltemos ao consultório?
Minha garganta ficou seca e minhas pernas tremeram de novo, ainda bem que eu tava sentada.
- O senhor pretende fazer mais algum exame? – perguntei.
- Não. Como clínico já fiz o que podia. – ele sorriu e me entregou o envelope lacrado.
Minhas mãos tremiam ao abrir o envelope, eu só ia ter certeza do óbvio mas mesmo assim, tava nervosa.
- Lê logo, Bella. – Rose pediu.
“Isabella Smith.
Idade: 20 anos
Data da última menstruação: 11/12/2009
Dosagem de gonadotrofina coriônica humana (HCG): 12.000 miliUI/ml
Tempo estimado de gestação: 6 semanas”
Grávida! Muito grávida, mesmo! Deixei o papel de lado e as duas se puseram a lê-lo.
- Dr. Armstrong, no papel tá dizendo que eu to grávida há seis semanas. Mas pelas minhas contas, não seriam mais ou menos quatro?
O médico sorriu e sentou na cadeira vaga ao nosso lado, pegou do bolso um papel e uma caneta e começou a rabiscar um gráfico.
- Isso vai ser estranho, Isabella, mas vamos lá ... Um obstetra vai poder lhe orientar melhor, mas o tempo da gestação é contado a partir da data da última menstruação, então ... Aqui, dia 11 de dezembro, de lá prá cá são seis semanas ...
- Que viagem, doutor ... – murmurei e ele sorriu.
- Tio Martin, e quanto aos outros exames? – Alice perguntou.
- Ah! Os outros foram Tipagem de sangue ABO e Rh, Hemograma, Pesquisa de Diabetes, Sífilis, Toxoplasmose, Rubéola, Hepatite e HIV 1 e 2. Só ficarão prontos na quarta-feira.
- Obrigada, por tudo, doutor. – sorri pra ele.
- Ah! Tomei a liberdade de marcar uma consulta pra você com uma de nossas obstetras, a Dra. Audrey Stiller. – ele me entregou um cartãozinho – Você pega os resultados de seus exames na quarta-feira, e em seguida a Dra. Stiller lhe atenderá.
- Mais uma vez, muito obrigada, Dr. Armstrong. – sorri de novo.
– Preciso ir agora, até logo e parabéns aos futuros pais ... – ele se levantou e apertou minha mão.
Peguei o resultado do exame e pus na minha bolsa, guardaria de lembrança aquele pedaço de papel tão importante pra mim. Saímos do hospital e entramos no carro de novo, Alice começou a dirigir meio sem destino pelas ruas da pacata cidade.
- Perdi a vontade de ir ao salão de beleza ... – ela murmurou e eu tive certeza que a conversa com Rose tinha sido muito desgastante para ela.
- Então vamos pra outro lugar. Imagino que não há nenhum shopping aqui ... – deduzi que compras fariam bem a ela, já que pra mim são como terapia.
-Não. Mas tem uma feirinha de artesanato no parque da cidade. Podemos ir lá, esticar as pernas e comprar um pouquinho ...
- Comprar coisas pro nosso sobrinho! – Rose falou e passou a mão a minha barriga.
- Ou sobrinha!!! – Alice sorriu.
OMG! Fiquei emocionada de novo! Imaginei como seria o enxoval do meu bebê ... De repente, senti falta de ar de novo, eram muitas emoções, muita coisa acontecendo de uma vez só. Tentei me concentrar no oxigênio que entrava e no gás carbônico que saia de meu sistema. ‘Meu bebê precisa de ar’, pensei e me acalmei.
Paramos numa espécie de praça (aquilo era muito pequeno pra ser um parque) onde havia muitas barraquinhas de feira. Passamos por algumas que vendiam doce em compota, outras que vendiam souvenires em madeira entalhada e chegamos nas que vendiam jogos de cama em patchwork.
- OMG!!!! – Alice gritou – Que lindo! Olha, Rose! Vou comprar pra meu sobrinho!
Ela estendeu pra nós um pedacinho de pano multicolorido. OMG! Era linda! Uma manta de bebê toda em patchwork ... Uma face dela tinha os vários quadradinhos de tecido colorido e a outra era toda em veludo marfim.
- É linda, Alice! – sorri abobada enquanto pegava na delicada peça.
- Vocês irão para o norte, com certeza. – ela falou um pouco mais baixo – O bebê tem que estar protegido no inverno ...
- Ah! Mas eu não vou deixar barato, não. – Rose falou fingindo decepção – Vou comprar outra mantinha ...
- Rose, não prec... – tentei falar mas ela me surpreendeu com uma mantinha de crochê branca com detalhes em fitas azul marinho.
- Aaaaaahhhhhh! Que linda, Rose. – me derreti toda e esqueci o que ia falar.
A vendedora sorria pra nós, afinal ela tava faturando, mas tenho certeza que quando saíssemos dali, ela iria dizer que éramos três malucas ...
Andamos mais um pouco e vimos outra barraquinha de artesanato, dessa vez fui eu quem comprou dois sapatinhos de tricô ... tão lindos! Um deles era na cor marfim, pra quando o bebê usasse a manta da ‘tia Alice’, o outro era branco e ele (ou ela) usaria em conjunto com a manta da ‘tia Rose’.
O sol começou a ganhar força, esquentando a nossa pele à medida que as horas iam passando. Meu nariz captou um cheiro gostoso de comida ... meu estômago deu um ronco constrangedor e Rose riu.
- Meu sobrinho tá com fome, Bella. – ela falou.
- Senti um cheiro de comida em algum lugar, ele deve ter sentido também. – falei meio sem graça.
- HUM ... São as trutas na brasa do Joe! – Alice falou e olhou pro relógio – Já passa do meio dia, podemos almoçar na barraquinha dele hoje!
- É, truta é rica em ÔMEGA3. Estudos comprovaram que a ingestão desses ácidos graxos durante a gravidez melhora a capacidade sensorial, cognitiva e motora da criança. – Rose falou e eu percebi que era sabia um monte de coisas sobre bebês e gravidez.
- TRUTA?! – guinchei e senti minha boca salivando.
- Você não gosta? – Alice perguntou.
- ADORO! VAMOS LOGO! – as duas sorriram e caminhamos em direção ao cheiro maravilhoso.
A barraquinha de peixe era bem pequena, deveria ter ali uma seis mesas apenas, nos sentamos numa debaixo da sombra de um imenso carvalho. Logo fomos atendidas, Alice pediu duas porções de truta e uma porção de salada de batata com queijo camembert, mas Rose protestou.
- Dá pra substituir o camembert por outro tipo? – ela perguntou ao garçom.
- Qual seria? – ele perguntou de volta.
- Mussarela, cottage ou cheddar. – Rose respondeu, ele anotou o pedido e saiu.
- Você não gosta de camembert, Rose? – perguntei.
-Gosto. Mas queijos conservados e mofados não são o mais indicado para grávidas. - me surpreendi de novo com os conhecimentos dela sobre o assunto.
A comida chegou e tratamos de devorá-la acompanhada de um delicioso suco de uva. Sugestão de Rose também, que disse que uvas pretas são excelentes fontes de vitaminas e sais minerais.
- Rose, não pude deixar de perceber que você sabe um monte de coisas sobre gravidez e bebês ... Você tem filhos? – de repente, só podia ser isso.
- Não, Bella. – seus olhos ficaram tristes e eu me arrependi de ter perguntado, mordi o lábio e esperei ela terminar – Eu ... eu tava tentando há seis meses engravidar mas ainda não deu certo. Devo ter algum problema de infertilidade.
Então ela tinha namorado? Coitado do Emmett quando souber disso.
- Ah! Mas você é jovem, o seu namorado já fez algum exame? – perguntei intrigada.
- Eu não tenho namorado, Bella. Há um bom tempo eu não tenho namorado. – o semblante dela mudou.
- Rose, se você não quiser falar sobre isso ... – Alice sugeriu.
- Não, conversar um pouco sobre o assunto pode me fazer bem ... Sabem, meninas, eu não tenho muitos amigos, Jasper é o único pra quem eu conto tudo mas ele é homem, então tem coisas que ele não entende bem. – ela respirou fundo e continuou – A minha beleza é um grande problema, tipo uma maldição. Eu estou acostumada a ser admirada, contemplada, isso é bom, mas às vezes é um fardo ... A maioria dos homens que se aproximam de mim, me vêem como um troféu, um bibelô, um adorno ambulante que só lhes serve pra dar prazer e fazê-los se destacar ... Já as mulheres, bom, com elas é um pouquinho pior. Elas não se sentem bem ao meu lado, acham que estou ali pra tomar seus homens e isso às vezes pode me complicar seriamente ...
- Desculpe, Rose. – murmurei.
- Hãm? – ela perguntou.
- Eu ... eu morri de ciúmes de você quando Edward te viu ... eu ... eu me senti mal só de estar ao seu lado. – falei tudo num fôlego só – Mas isso foi só no começo, eu juro. – peguei em sua mão – Depois eu percebi que você não daria em cima dele, que não havia clima nenhum entre vocês, embora ele tivesse ficado deslumbrado quando te viu ...
- Obrigada, Bella. – ela falou emocionada – Sua sinceridade só fortalece mais ainda a nossa amizade. – ela demorou um pouquinho e continuou – Então, há dois anos eu terminei o meu noivado com Terence Winslow King, filho do governador do Texas, sobrinho de Royce King II. Uma infeliz coincidência, não é mesmo? – percebi a ironia, já que o caso Volturi investigava a família King também – O safado do Terence me disse, três meses antes de nos casarmos que eu deveria fazer cirurgia de laqueadura.
- Mas isso te impediria de ter filhos pra sempre ... – falei.
- Sim. Ele dizia que uma mulher como eu não nasceu pra ser mãe, ele não admitiria que meu corpo fosse ‘maculado’, usando a palavra dele, com estrias, marcas de cirurgia ... e também que eu não ousaria dividir a atenção e o amor que dava a ele com mais ninguém.
- Que narcisista! – comentei.
- Ele é um doido. – Alice falou.
- Um filho da puta, vocês querem dizer. – Rose completou – Então é isso ... Meu relógio biológico me diz que eu devo ser mãe mas eu já desisti de encontrar um pai para o meu filho, por isso recorri à fertilização in vitro.
- Mas Rose, uma experiência ruim não pode fazer você desistir de encontrar um cara legal. – Alice opinou.
- Terence foi a última experiência ruim, houve outras ...
- Mas e o Emmett? – perguntei curiosa e Rose negou com a cabeça – Não me diga que não notou que ele tenta, a todo custo de aproximar de você.
- Percebi. – ela falou seca.
- E você não se interessou? – arqueei uma sobrancelha – Ele é um gato, Rose.
- Sim. Ele é um gato. – ela sorriu – Mas eu ainda não sei ... tenho medo ...
Fomos interrompidas pelo toque do celular de Alice.
- Fala, Mansen. – ela atendeu e esperou um pouco – Ainda não. – seu rosto se transformou numa careta – Porque houve complicações ... espera um pouco.
- Meninas, com licença. – ela falou e se levantou da mesa.
Eu e Rose terminamos de tomar o suco de uva e eu me sentia satisfeita, a comida tava uma delícia.
- Rose, Bella, por que a gente não dá uma volta pelo parque? O dia está muito lindo mesmo, no lado norte, há um orquidário muito bonito e colorido.
Andamos em silêncio, as meninas trocavam olhares cúmplices e eu apostaria a minha herança (se eu pudesse dispor dela) que as duas estavam escondendo algo de mim. Sentamos num banco de madeira, protegidas do sol, sob um lindo pé de salgueiro.
- Bella ... – Alice estava hesitante – Há uma razão para termos decidido ter um ‘dia de garotas’, precisávamos falar em particular com você, do mesmo jeito que os rapazes precisavam falar em particular com Edward ...
À medida que ela ia falando, meu coração se acelerava mais e mais e o ar entrava com dificuldade pelos meus pulmões. ‘Inspire, expire, pense no bebê’ falei pra mim mesma.
- Sabíamos que o amor de vocês dois é imenso, então queríamos que cada um pudesse pensar com calma, sem a interferência do outro. - Rose completou e eu não tava entendendo nada, mas eu sabia que coisa boa não era.
- Mas agora, com o bebê a caminho ... tudo muda de perspectiva. – Alice completou.
- Meninas. Falem. Logo. – sibilei e mordi o lábio.
- Então, Bella ... O serviço de proteção à testemunha seria melhor executado se você e Edward se separassem por um ...
COMO? Gritei em minha mente e tombei meu corpo no encosto do banco. O que ela estava dizendo? O que ela estava propondo? Que sandice era aquela?
- BELLA?! – Rose passou a mão diante de meu rosto – Bella, se acalme. – ela me abraçou e eu pude perceber que tava chorando.
- Bella, você escutou TUDO o que eu falei? – Alice tocou em meu rosto – Isso não se aplica mais, Bella. A situação mudou, se antes era difícil de isso acontecer, de vocês concordarem com a separação, agora já não faz mais sentido. O bebê precisará de ambos os pais.
Então Alice me abraçou também e ficamos ali, um pouquinho, no abraço coletivo. Sentir o conforto de minhas novas amigas fez com que o choro passasse e a respiração voltasse ao normal. Mas tudo tava tão errado.
Por que, meu Deus? Por que essas coisas têm acontecido de uma só vez? Por que aquele Felix Cudmore veio ao mundo? Pra destruir a minha família? Pra tirar os avós de meu bebê e ainda por cima tentar separar seus pais?
Minha cabeça começou a doer. Não, minha cabeça já latejava de tanta dor.
- Meninas, os rapazes já tiveram essa conversa com Edward? – falei num fio de voz.
- Já. – Alice respondeu.
- Mais isso não que dizer nada, Bella. Vocês têm muito que conversar, com a chegada do bebê ... – Rose falava mas eu a interrompi.
- Não vou deixar que Edward se prenda a mim por causa de nosso filho. – não reconheci minha própria voz, ela estava completamente sem vida – Ele deve fazer o que for melhor para garantir a própria segurança. As investigações não vão durar para sempre ... Enquanto isso, cada um cuida de si.
- Mas Bella ... – Rose guinchou.
- Meninas, o propósito de vocês não era nos fazer pensar? – elas assentiram – Então, deu certo. Já tomei minha decisão. Vou cuidar de nosso filho, sozinha, pelo tempo que for necessário e vocês duas, não ousem contar a ninguém que eu estou grávida. OK?
Não houve resposta.
- OK? – perguntei de novo.
- Ok. – as duas disseram em coro.
Mas a quem eu queria enganar? Aquelas foram as palavras mais infelizes que já saíram de minha boca, Deus até poderia me castigar por ter dito tantas blasfêmias.
- Agora, se vocês não se importam, eu queria voltar pra fazenda. Minha cabeça tá doendo e eu to morrendo de sono ...
Elas assentiram e voltamos em silêncio durante todo o trajeto.
Eu estava confusa, é verdade. Mas de uma coisa eu sei. Eu amo Edward e nunca vou conseguir vencer esse amor. Mas espero que Deus me ajude a controlá-lo, não controlar o amor em si, mas controlar a DOR e a SAUDADE que virão quando Edward não estiver mais comigo. Minha vida só não seria um infortúnio maior por que eu teria o nosso bebê comigo ... um pedacinho de Edward sempre comigo, dissipando o medo, a dor, a saudade e me ajudando a não sentir pena de mim mesma.
Chegamos à fazenda e eu estava exausta física e emocionalmente, pedi licença todos e marchei para meu quarto. Deixei a sacola de compras para o bebê sobre o sofá e marchei para o banheiro. Tomei um banho quente bem relaxante e enquanto me enxugava, olhava para meu corpo, em frente ao imenso espelho do banheiro. Já me imaginava desfilando de barrigão por aí e sorri com esse pensamento. Lembrei dos cuidados que deveria ter com meu corpo e passei meu hidratante de óleo de amêndoas na barriga, pernas, seios e bumbum. Mamãe sempre dizia que uma grávida devia sempre usar sutiã (pra evitar a flacidez nos seios) então tratei de vestir um.
Mamãe ... Eu seria mamãe dali a alguns meses.
Mas eu sentia tanta falta da minha mãe, meu Deus!
Senti as lágrimas novamente e tentei reprimi-las. Pensei no bebê e consegui não chorar. Vesti moletons quentinhos e deitei na cama, eram quase três horas da tarde ... Que sono!
Acordei com vontade fazer xixi ... pra variar. Quando olhei pro relógio, eram quase seis da noite, dei um jeito em meus cabelos e caminhei pela casa em direção à cozinha.
- Oi gente. – Rose, Alice, Jô e Fannie estavam sentadas conversando – O Edward já voltou?
- Não, Jasper ligou há quase uma hora. Eles estão voltando de Atlanta ... – Rose respondeu.
- ‘Dia de garotos, dia de garotos, dia de garotos’ – Jô cantarolava.
- Bella, acabamos de jantar. Ficamos com pena de te acordar, os rapazes disseram que chegariam tarde e meus pais foram a uma festa na cidade mas se você quiser, podemos te fazer companhia.
Sorri e assenti. Fannie me serviu um delicioso suflê de batatas com carne desfiada e uma xícara de chocolate quente. Comi com vontade mais falei pouco, eu me sentia dilacerada por dentro.
- Meninas, há algum problema se eu for dar uma volta pelo jardim um pouco? Preciso de ar fresco. – perguntei.
- Se você quiser a gente pode te fazer companhia. – Alice sugeriu.
- ‘Bella quer ficar sozinha, Bella quer ficar sozinha ... Vocês são tontas e bobinhas ...’ – Jô cantarolou de novo.
As meninas sorriram e assentiram, mas disseram que iriam me acompanhar ‘de longe’.
A noite estava chegando sem nenhuma estrela no céu. Será que as noites da Georgia eram assim tão escuras? Imaginei que a luz da lua sempre transpassasse as nuvens e viesse iluminar a terra. Mas não nessa noite. O céu estava completamente escuro. Talvez não houvesse luar hoje, talvez fosse uma lua nova. Uma lua nova. Senti o vento me atingir e eu tremi, apesar de não estar sentindo tanto frio.
A vida é mesmo cheia de reveses! Eu sempre achei que meu amor por Edward fosse capaz de tudo vencer, de tudo suportar ...
AMOR! Uma palavrinha tão pequena ... Mas palavras não podem mudar o curso da vida. Percebi, com grande pesar, que amar nem sempre é o suficiente. Reconheci que o encanto do amor não pode prevalecer sobre a dor, o medo, a insegurança, a morte ...
É horrível pensar assim, de uma hora pra outra, ruíram os alicerces de minha vida. As coisas que eu achava mais sólidas, amor e família, estão se esvaindo de minha vida, escorregando de meus dedos como se fossem água.
Eu sempre achei que o amor trazia a felicidade. Mas hoje, tudo o que sinto é um grande vazio em meu peito ... Amar dói. Dói porque eu quero que Edward fique bem e parece que ele ficará melhor longe de mim. Na verdade, tenho dificuldades, nesse momento, de manter em ordem a minha linha de raciocínio. Meu coração está oprimido, eclipsando a minha razão ...
Caminhei, caminhei e percebi que estava em outra parte da fazenda, na parte da plantação de algodão. Terminei numa estrada asfaltada e percebi que era um estacionamento, havia alguns caminhões entrando e saindo dali. O movimento dos empregados era intenso.
- BELLA!!!
Ouvi a voz mais doce do mundo e virei meu corpo na direção do som, era Edward. Ele estava parado a uma boa distância de mim, caminhei com alegria em sua direção. Tava morta de saudades dele. Mas tive outro flash, lembrei de outro sonho, não, um pesadelo que tive há um bom tempo atrás.
Eu estava caminhando pelo meio de uma avenida movimentada, carros passavam por mim, outros vinham em minha direção, buzinando estridentemente. Era um mar de carros, indo e vindo e eu só caminhava ... A manhã estava fria, o nevoeiro não me deixava ver nada. Ao longe, muito longe, vi o meu anjo caminhado. Corri para alcançá-lo, quanto mais eu corria mais ele se distanciava de mim. “Edward” – eu gritava para o meu anjo e corria em sua direção. Quando finalmente o alcancei, toquei em seu braço, ele se desvencilhou de meu toque. “Não, Bella, volte. Você não pode ir comigo. Já não é mais seguro ficarmos juntos.” Eu chorava, me desesperava, segurava em sua camisa e já não tinha mais forças pra nada. “Não, Edward. Por favor, não”, era tudo o que eu conseguia dizer.
E então meus passos se tornaram vacilantes, a alegria foi substituída pela dúvida. Meus sonhos nem sempre refletem a realidade. Mas aquela situação daquele momento específico, refletia bem a situação vivida no sonho.
Respirei e fundo e marchei rumo ao desconhecido, rumo à escolha de Edward. O que ele decidisse, eu acataria, não usaria nosso filho como uma arma para prendê-lo. Pela primeira vez na vida, meu encontro com Edward me trazia medo.
‘É isso aí, bebê. Vamos conversar com o papai’. Falei em pensamento.

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