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- Música Das Sombras - adaptação do livro homônimo. (Fic concluída)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Vem comigo, amor - Capítulo 14

LEMBRANÇAS

“De que são feitos os dias? - De pequenos desejos, vagarosas saudades, silenciosas lembranças.”
Cecília Meirelles

...

*POV CHARLIE SWAN*

(Este começo é apenas um reminder do final do cap.9)

O dia da viagem de Bella finalmente chegou, liguei pra ela logo de manhanzinha e desejei-lhe mais uma vez, uma boa viagem e um feliz natal.
- Oi, docinho!
- Oi, Pai! – ela parecia sorrir do outro lado.
- Querida, mais uma vez, tenha uma boa viagem e feliz natal ... Te amo, filha. – a minha voz sempre começa a ficar meio embargada quando eu começo a falar de meus sentimentos, isso sempre é embaraçoso.
- Ô pai, obrigada. Também te amo, muito.
Quando eu estava falando com Bella no telefone, meu celular começou a tocar. Não atendi e ele tocou uma, duas, três vezes ...
-Querida, desculpe mas vou ter que desligar, meu celular tá tocando sem parar. Um beijo e ligue pra nós quando chegar no lugar misterioso.
- Tá, pai. Ligo sim, um beijo.
Olhei no visor do celular e retornei a ligação na mesma hora.
- Oi, Ben! Caiu da cama, amigo?
- Charlie, sou eu também, Carlisle. Estamos os três numa teleconferência.
- Charlie? Desculpe ligar a essa hora mas aconteceu uma coisa ... – Ben parecia nervoso.
- O quê, Ben? Pelo amor de Deus, fale logo!
- Tyler Crowley foi encontrado morto esta manhã em sua casa. – Ben parecia sufocado ao proferir essas palavras.

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- O quê?! Meu Deus ... – isso só podia estar relacionado ao dossiê, eu estava perplexo, aquilo parecia uma verdadeira maldição, quem tivesse acesso a ele corria sério risco de vida.
- Ben, pra quem mais você mostrou o dossiê? – Carlisle estava aflito.
- Alec Hartman, meu chefe e os dois agentes que integram comigo a equipe de investigações ...
- Carlisle, o que você acha de irmos a Washington ainda hoje? Precisamos nos reunir.
- Tudo bem, Charlie. – meu amigo concordou.
- Ben, preciso desligar agora. Carlisle faça reservas em algum hotel para nós, eu vou ligar pra companhia aérea e ver as passagens.
- Estarei aguardando vocês, então. – a voz de Ben não passava de um sussurro.
- OK, Charlie. – Carlisle respondeu.
A porta do banheiro se abriu e Rennè saiu de lá vestida num roupão rosa.
- Bom dia, querido. – veio até mim e beijou minha bochecha.
- Bom dia, querida.
Eu estava com o telefone no ouvido, esperando alguém da companhia aérea atender.
- Up Airlines Company, bom dia e feliz natal. Eu sou Marianne. Em que posso lhe ajudar? – a mocinha falava sem parar.
- Bom dia, preciso de duas passagem para Washington D.C. para agora.
- Nos nomes de quem?
- Charlie Swan e Carlisle Cullen. Já temos cadastro aí.
- Certo. Já localizei. Só temos vôo para as onze da manhã e na classe executiva. O senhor vai querer comprar as de volta também?
­- Sim. Pode ser na classe executiva. Pode ser na classe que estiver disponível. Veja um horário da volta para amanhã, após o meio dia. E pode mandar emitir as passagens.
Assim que desliguei o telefone, Rennè me interrogou.
- Vai viajar, Charlie?
- Sim, meu bem. Eu e Carlisle precisamos ir até Washington mas é uma coisa rápida. Voltaremos amanhã, no máximo.
- OK. Boa viagem, então.
Sorri pra ela e entrei no banheiro, precisava correr. Tomei um banho rápido e arrumei uma mala com três mudas de roupas, um pijama e a minha nécessaire. Quando desci, a mesa já estava posta para o café da manhã mas Rennè já estava de saída.
- Desculpe, Charlie! – ela me beijou rapidamente – Tenho duas cesarianas pra hoje e uma delas pra agora de manhã. A futura mamãe é tresloucada e disse que a numeróloga dela disse que o bebê tem que nascer ANTES do meio dia ...
- Tudo bem, querida. Bom trabalho. – dei um abraço bem apertado nela e um beijo decente – Te amo, Rennè.
- Hum ... Charlie ... assim você me confunde toda ... Também te amo.
Sorri baixinho e beijei a sua testa.
Depois que Rennè saiu, engoli o café da manhã, peguei minha mala, liguei para o serviço de tele-táxi e liguei pra Carlisle.
- To chegando aí em dez minutos, OK?
- OK. – ele parecia tenso.
Praticamente não conversamos dentro do taxi ou do avião, precisávamos de um lugar mais reservado pra poder expor os pensamentos. Mas tava na cara que Carlisle estava tão assustado quanto eu, temíamos por nós e por nossas famílias. Nossos filhos.
NÃO! Não posso pensar no pior para a minha filha ... Ô, meu Deus, no que Felix nos meteu?
Carlisle deu sorte e conseguiu reservas no Hyatt Regency, praticamente ao lado do aeroporto Ronald Reagan. Quando saímos do portão de desembarque, Ben já estava a nossa espera, sua cara não era tão diferente da nossa.
-Olá, meus amigos.
- Oi Ben. Como você está se sentindo? – Carlisle lhe deu um abraço.
- Eu perdi um grande amigo. Isso por si só já é muito ruim, mas a impressão que eu tenho é que alguém está em nosso encalço. – ele lamentava.
- Ben, vamos ao nosso hotel, lá conversaremos com calma. – pus um de meus braços sobre os seus ombros – Eu sinto muito pelo seu amigo.
Já no quarto do hotel, ligamos para o serviço de copa e pedimos café preto e alguma coisa pro almoço. Ficamos no quarto a tarde inteira.
- Ben, agora nos conte. Como Tyler Crowley morreu, exatamente? – iniciei a conversa.
- Tyler foi encontrado morto dentro de seu carro, na garagem de casa. A causa da morte foi intoxicação por monóxido de carbono ... o  motor do carro estava ligado. Foi levantada a hipótese de suicídio, alguns amigos dele de Fort MacNair, a base militar onde serviu por dez anos, antes de ser empossado no cargo de Secretário do Exército, relataram à polícia da base que Tyler vivia em surtos de depressão.
- Você sabia disso, Ben? – Carlisle perguntou.
- Não, nunca vi Tyler com suspeitas de depressão. Nem mesmo quando a sua esposa estava à beira da morte, vítima de câncer. Mas ele era um sujeito durão, sempre escondia seus sentimentos. A perda da esposa e depois a ida do filho para lutar nas forças de coalizão no Afeganistão fizeram dele um homem solitário ...
-Ben, você entregou a Tyler o pendrive e a cópia do diário de Felix?
- Entreguei, Charlie. Naquele mesmo domingo, quando voltei de NY, fiz uma cópia de tudo e fui na casa dele. Passamos umas duas horas conversando e analisando as provas ...
Fomos interrompidos pelo toque do celular de Ben. Ele olhou no visor antes de atender.
- Alô, Mansen. Sim, pode falar. – uma pausa – Sim, estou com eles aqui. – outra pausa maior e eu já tava tendo um AVC de tanto estresse – Fez muito bem, ótimo trabalho. Essa sua fonte é mesmo segura? – mais outra pausa - Bem, então isso explica muita coisa. – uma pausa menor – OK. Tomem cuidado.
Olhei para Carlisle ele também parecia confuso.
- Mansen é um dos membros de minha equipe investigativa. – Ben tratou logo de se explicar – Eles descobriram, por meio de uma fonte em Fort Myer, uma base militar lá mesmo em Arlington onde Tyler morava, que ontem à noite, o General Alistair Collins fez uma visita à casa de Tyler. Essa fonte também relata que alguns soldados fizeram um pente fino (revista) pela casa a mando do Gen. Collins ...
- Quem é Alistair Collins? – Carlisle perguntou.
- E por que devemos acreditar nessa fonte? – perguntei também.
- Alistair Collins é o atual Vice-Secretário de Defesa. Mas antes disso, era amigo pessoal de Tyler, ambos lutaram juntos na guerra do Iraque em 1991.
- E a fonte? –perguntei de novo.
- Mansen não revelou seu nome. Só disse que esse soldado era um dos que fizeram a revista na casa de Tyler.
-Mas isso não faz sentido ... Se ele fez uma revista ilegal, sem ordem judicial, por que ele mesmo admitiu isso? – tentei raciocinar.
- Charlie, ele não fez necessariamente uma revista ilegal. Lembre-se que estamos falando de militares e não de civis. – Carlisle me lembrou desse detalhe.
- Mansen me falou que o soldado é um ‘cara que lhe devia favores’ .Ele ligou hoje de manhã pra esse soldado, perguntando sobre a morte, parece que ele nem se importou de falar o que tinha feito. Relatou que no meio da noite, o Gen. Alistair convocou alguns soldados pra um ‘servicinho extra’. Eles foram até a casa de Tyler e pararam o jipe na entrada da garagem. Alistair saiu do jipe e pediu que o três soldados esperassem por ele, depois de uns trinta minutos, ele voltou ao jipe. Informou aos soldados de o Cel. Tyler não estava em casa e que eles entrassem pra fazer uma varredura completa na casa pois o próprio Tyler estava desconfiado de que seu telefone estava grampeado.
- Eles acharam algo? – Carlisle perguntou.
- O soldado relatou a Mansen que realmente havia uma escuta telefônica.
- Mas e o pendrive? – murmurei.
- Mansen perguntou especificamente se eles acharam algo além da escuta telefônica. O soldado foi categórico em afirmar que não acharam mais nada.
- Mas você entregou a Tyler um pendrive e uma cópia do diário de Felix. – Carlisle afirmou.
- Sim. Com certeza eu entreguei.
- Ben, procure se lembrar da conversa que você teve com Tyler na noite de domingo quando você lhe fez uma visita. – sugeri.
- Bom, naquela noite, liguei pra ele e perguntei-lhe se estava sozinho e se poderia me receber. Ele disse que sim, estava sozinho e que eu poderia ir em sua casa.


FLASH BACK DE BEN CHENNEY: DIÁLOGO COM TYLER CROWLEY

- Olá, Ben. O que o traz aqui num domingo à noite? – Tyler falou enquanto abria a porta para mim – Já sei, Lisa brigou com você e te mandou dormir na casa do cachorro!
- Boa noite, Tyler. Não, vai muito além do gênio de Lisa. Podemos conversar um pouco?
Ele nos conduziu à sala de estar onde a lareira estava acesa e nos serviu uísque.
- Tyler, eu estou com um problema sério. E preciso de sua ajuda, como amigo e como militar. Preciso de seu sigilo também.
- Do que se trata, Ben?
- Posso contar com você, Tyler?
- Mas é claro, Ben! Vamos, homem, fale logo.
- Eu tenho em minhas mãos algumas provas que acredito serem verdadeiras, sobre um esquema de corrupção no mais alto escalão do governo.
- E?
- Isso envolve não apenas civis, militares também estão envolvidos.
- Entendi.
- É um esquema muito bem planejado, Tyler. Acredito que se um inquérito militar fosse instaurado, ele correria muito mais rápido que o civil. Algumas das autoridades civis a serem investigadas possuem imunidades parlamentares e isto daria a eles a oportunidade de destruir provas, ameaçar testemunhas e até mesmo fugir do país.
- Então você propõe que eu tente fazer com que um inquérito militar seja iniciado?
- Sim. Desse jeito, quando essa merda toda se espalhasse pelo país, a pressão popular seria tão grande, que o inquérito civil seria logo instaurado.
- Do que se trata, exatamente, Ben?
- São contratos fraudulentos de empresas com o governo, cópias de extratos bancário, escutas telefônicas, suspeitas de compra de votos de alguns parlamentares ... Enfim, um mar de lama envolvendo os King e os Volturi.
- Os King e os Volturi? Aro, Caius e Marcus Volturi?
- Não só eles, mas também Royce King I e Royce King II.
- Então isso existe há muito tempo!
- Sim, Tyler. Se as provas de que disponho são todas verdadeiras, esses filhos da puta vêm fudendo a América há muito tempo.
- Mostre o que você tem, Ben.
Abrimos os arquivos do pendrive no computador e Tyler ficou bestificado, principalmente com as fotos pois elas eram muito nítidas, não deixando dúvidas quanto às figuras que apareciam nelas. Mas Tyler, assim como eu, não poderia investigar tanta gente importante por conta própria, principalmente dentro da rígida estrutura militar.
- Antes de chegar ao Secretário de defesa, Ben, preciso antes passar por seu vice. Mas quanto a isso não há problema, Alistair é meu amigo há mais de trinta anos. Amanhã mesmo vou marcar um almoço com ele e conversar sobre tudo isso.
FIM DO FLASH BACK.


- Ben, esse amigo, o tal de Alistair. É Alistair Collins? – eu perguntei mas eu já sabia a resposta, só queria a confirmação.
- Sim. Não resta mais dúvida, não depois do que Mansen descobriu.
- E existe a possibilidade desse Alistair estar envolvido no esquema? Porque nós não vimos nenhuma prova que pudesse incriminá-lo. Esse nome sequer foi citado nas anotações de Felix ... – Carlisle inquiriu.
- As anotações de Felix são muito superficiais, elas apontam apenas para os cabeças do esquema. Mas essa rede é ampla, não se esqueçam que a Volturi Holding S.A é um conglomerado de empresas que lucra bilhões de dólares por ano. – Ben respondeu.
- Mas no pendrive apenas foi citada a Volturi Guardian. Você acha que pode haver mais?
- É possível, Charlie. Seria muito conveniente que os irmãos Volturi envolvessem, por exemplo, a Volturi Airways Carrier como o braço logístico do esquema. Uma forma de escoar a produção não-oficial da mercadoria.
- É, faz sentido ... – murmurei.
- Ben? Partindo da premissa que Alistair Collins esteja envolvido nesse esquema. Existe a possibilidade de ele saber sobre você? Sobre nós? – vi pânico nos olhos de Carlisle enquanto ele falava.
- Sobre vocês, eu duvido. Porque eu nem citei seus nomes quando falei com Tyler. Agora, é possível que ele saiba sobre mim. – seus olhos eram tristes enquanto falava – Mas graças a Deus ele não sabe sobre a minha equipe de investigação.
- Alguém mais sabe dessa equipe, Ben?
- Não, Carlisle. Quando eu conversei com Alec Hartman, meu chefe, ele não deu muito crédito a esse material. Disse que, principalmente depois do ‘11 de setembro’, teorias da conspiração aparecem todos os dias. Mas que era dever do FBI investigar, então ele sugeriu que eu não perdesse meu tempo com isso e repassasse o caso pra qualquer agente que não tivesse muito o que fazer.
- Mas ao que parece, você não deu ouvidos ao seu chefe. – questionei.
- De forma alguma. Tanto que escolhi os melhores da minha equipe, dois jovens extremamente inteligentes, perspicazes e íntegros.
Quando percebemos a hora avançada, decidimos pedir o jantar e ligar pra nossas esposas. Passaríamos a noite em Washington D.C. porque ainda tínhamos muito o que falar com Ben.
- Meus amigos, desculpem mas não vou jantar com vocês. Marquei uma rápida reunião com a minha equipe. Mansen deve ter mais algumas coisas para me dizer.
Ben se despediu de nós, jantamos e conversamos um pouco.
- Sabe, Charlie, acho que o natal vai ser bem desanimado prá nós dois. Essa situação toda tem me deixado nervoso ... Graças a Deus, Esme não sabe de nada. Melhor ainda que nossos filhos estão bem longe a essa hora.
- Por falar nisso, você sabe pra onde Edward ia levar a minha filha? – franzi a testa.
- Martinica, no Caribe.
- Puxa! O garoto quis fazer bonito, hein?
- Edward ama Bella. De verdade. Nunca vi duas pessoas tão jovens se amarem com tanta intensidade.
- É, eu sei. Isso me deixa muito tranqüilo. É claro que na frente deles, tento passar por pai-ciumento-super-protetor, mas você não faz idéia, Carlisle, do quanto eu durmo tranqüilo, sabendo que Edward sempre cuidará da minha filhinha ...
É, eu realmente ando meio sentimental (emo, como a garotada hoje me dia fala), quando começo a falar de meus sentimentos, sinto um nó na garganta. Devo tá ficando um velho molenga, um manteiga derretida.
- Mas eu também me sinto assim, Charlie. Não é porque Edward é homem que eu sinta algo diferente do que você sente. Bella também cuida de meu filho, você sabe do que eu estou falando ... Ao lado de um homem feliz e bem sucedido, existe uma boa mulher.

No dia seguinte, mal havíamos acordado, Ben chegou ao hotel. Tomamos café da manhã no quarto.
- O que os seus agentes descobriram, Ben? – perguntei.
- Nada de mais. Eu estou aqui por outro motivo.
- E qual seria? – Carlisle perguntou sério e arqueou uma das sobrancelhas.
Ben tirou um envelope do bolso interno de seu casaco.
- Tenho motivos sérios para acreditar que possa estar sendo seguido. Ontem, quando saí daqui, notei uma SUV preta, de vidros muito escuros, me seguindo até a minha casa ...
Tensionei todos os meus músculos enquanto prestava atenção nele.
- Então, resolvi trazer pra vocês as fichas dos agentes que estão investigando o Dossiê Volturi comigo. Se vocês souberem que algo aconteceu comigo, vocês devem entrar em contato imediatamente, repito, imediatamente com esses dois agentes.
- O que eles sabem? Sabem de nós? – perguntei atônito.
- Eles sabem de tudo, têm cópias do pendrive e do diário. Deixei bem claro a eles que se algo me acontecesse, eles deveriam entrar em contato com vocês também.
Ben nos entregou o envelope, abrimos e vimos as fichas. Dois jovens, não, duas crianças.
- São bem jovens, hein? – Carlisle ‘leu’ meus pensamentos.
- Não julgue pelas aparências Carlisle. Ambos se formaram em primeiro lugar nas suas turmas, são peritos em defesa pessoal, exímios atiradores, possuem um bom senso de observação, criatividade e capacidade aguçada de análise e síntese. Olhem bem pra essa mocinha de rosto tão angelical aí na foto. Ela se formou com louvor em Psicologia pela Berkeley University e tem doutorado da Oxford em Psicologia Social. Vocês precisam vê-la interrogando alguém, a danadinha parece um detector de mentiras ... Já o rapaz, é sagaz, inteligente e com um extinto de sobrevivência e evasão bastante desenvolvido. Quando está numa investigação, parece um caçador rastreando a sua presa.
Senti firmeza nas palavras de Ben mas quando olhei pra foto do tal do Mansen, senti um arrepio na nuca. O rapaz tinha cara de encrenqueiro.
- A que horas será o vôo de vocês? – Ben já se levantava para sair.
- Uma da tarde. – Carlisle respondeu.
- Bem, então fico feliz por nós não termos aparecido juntos em público. Não se esqueçam, se algo de anormal acontecer, entrem em contato com os meus agentes. Mas não sejamos pessimistas nem paranóicos ... vamos continuar com as nossas vidas. – Ben tentava ser confiante.
- Mais uma vez, obrigada, meu amigo. – dei-lhe um abraço.
- Bom, preciso ir agora. Acho que isso é tudo. O velório de Tyler será daqui à uma hora no Arlington National Cemetery. Ele vai ser enterrado com honras militares e o Gen. Alistair Collins – ele falou o nome com desprezo – fará um discurso especial.
Voltamos a NY na tarde do dia 23 de dezembro e graças aos céus, Rennè não me bombardeou com perguntas. Ela me disse que havia falado com Bella e que eles estavam super bem, curtindo um clima super romântico e blá, blá, blá ...
Acho que a minha finada sogra Marie deve ter dado água de janeiro* prá Rennè tomar quando ela era bebê!
Meu Pai do céu! Eu amo a minha esposa mas ela fala de-mais!
Na véspera do natal fomos, os quatro, para a missa na Saint Patrick’s Cathedral e, em seguida, para um jantar especial de natal no Plaza Hotel. Aqueles miseráveis ... Cadê o espírito natalino? Cobraram ‘somente’ U$ 350 por cabeça pelo jantar!
Não sou mão-de-vaca mas isso é um assalto.
- HO-HO-HO, meu filho. Feliz natal! – um papai noel com cara de meliante nos saudava na entrada do salão de festas.
Mas Esme e Rennè queriam muito ir a esse jantar porque dali a alguns dias, o jantar beneficente em prol da construção da nova ala de quimioterapia infantil do MS Hospital seria naquele mesmo lugar. A direção do hotel cedeu o espaço, o hospital fez campanha com a comunidade e todos os endinheirados de NY foram convidados. Elas duas trabalharam duro nos últimos meses na organização desse jantar, até cantor famoso conseguiram convidar.
Os dias se passaram rápido, eu e Carlisle não alteramos nossa rotina e também não fomos seguidos por ninguém. Bom, pelo menos achávamos isso.
No dia 29, acordei feliz da vida, afinal minha filhinha já havia voltado do Caribe e chegaria a NY no começo da noite. O expediente na Procuradoria Federal tava naquele lenga-lenga de órgão público às vésperas de um feriadão. Lá fora o céu já estava bastante escudo por conta do rigoroso inverno, embora só fosse cinco e meia da tarde. Eu estava jogando paciência no computador quando Carlisle aparece na minha frente com ‘cara de enterro’.
- Charlie? – ele sussurrou enquanto sentava na cadeira em frente a minha mesa – O administrador da marina acabou de me ligar, informando que o meu iate acabou de explodir.
- Hãn ...? Co-como foi isso? – gaguejei a pergunta.
- A seguradora vai avaliar tudo. As suspeitas são que o motor tenha sofrido um superaquecimento e tenha explodido.
- Sozinho?
- Sim.
- Isso é possível?
- As probabilidades são mínimas, mas é possível.
- Carlisle, vou ligar para o Ben, agora. Você deve ligar pra Esme antes que ela fique sabendo por outra pessoa.
Chegamos ao iate clube por volta das sete da noite.
- Charlie, o que Ben te disse? – Carlisle perguntou enquanto caminhávamos pelo estacionamento do clube.
- Disse que a gente tente que se acalmar. Que talvez tenha realmente sido um acidente. Mas que se isso fosse criminoso, seria apenas pra nos dar um susto, porque quem quer matar, mata, não explode embarcações sem ninguém dentro.
- Puxa! Isso é mais do que reconfortante. – Carlisle falou sarcasticamente.
Nossas esposas já estavam lá na marina, nos esperando. Tava cheio de gente lá, a polícia, o pessoal da seguradora ...
Por uns instantes esqueci que Bella e Edward chegariam naquela noite.
- Gente, Edward acabou de me ligar. Eles estavam tentando falar com algum de nós, já estão na mansão Swan. – Esme falou pra todos nós.
- Já não há mais nada a fazer aqui. É melhor irmos pra casa e receber nossos filhos. – Carlisle estava muito triste.
- Não fique assim, querido. – Esme afagava seu braço – A seguradora vai lhe ressarcir e mesmo se não fizessem, teríamos dinheiro, graças a Deus, pra comprar outro igualzinho.
Ele sorriu e beijou o topo da cabeça de sua esposa.
Na mansão Swan nossos filhos já nos esperavam. Bella parecia muito tensa então fiz questão de não tocar mais no assunto do iate, Carlisle parece que leu meus pensamentos e fez o mesmo.
Eles trouxeram para nós umas garrafinhas de rum. Sinceramente, a minha vontade era de tomar todas elas de uma só vez, cair na inconsciência e só acordar no ano 3025!
Conversei um pouco com a minha filha e o meu futuro genro mas depois fingi dor de cabeça e arrastei Rennè para o quarto. Ela não se opôs, até porque seu dia no hospital tinha sido muito cansativo. Carlisle e Esme também se recolheram cedo.
O dia 30 foi bastante corrido, eu, Carlisle e Edward saímos cedo pra acertar alguns detalhes com a empresa contratada para a queima e fogos e depois seguimos para o iate clube. Lá, conversamos com o corretor de seguros, com um representante da empresa fabricante do iate e com um policial gorducho e preguiçoso. O representante da lei se limitou a colher meia dúzia de depoimentos, enquanto mastigava um donuts enorme. Parecia um leão-marinho uniformizado.
- Mas isso é um absurdo! – Edward se queixou - Um iate não explode assim, do nada ... Vocês deveriam pedir à polícia que investigue melhor o caso e ...
- Filho, tá tudo bem. Foi realmente um acidente, os técnicos da empresa disseram que alguns desses motores podem ter saído de fábrica com um defeito insanável. – Carlisle pôs uma mão no ombro do filho, prendendo sua atenção – Devemos agradecer a Deus, Edward, porque nenhum de nós estava a bordo. Tem males que vêm para o bem. A empresa fabricante do motor agora será obrigada a fazer um recall. Imagine quantas vidas serão salvas, graças à explosão desse iate!
Edward sorriu e assentiu.
- Tem razão, pai.
Almoçamos lá mesmo no clube e, meio que inconscientes, resolvemos ter uma tarde de ‘clube do bolinha’. Fomos ao bar do clube, que estava lotado. Jogamos sinuca, tomamos umas cervejas, falamos de beisebol e basquete e rimos de piadas ruins ...
De vez em quando, uma garota tentava flertar com Edward. Bom, tenho que admitir que o garoto é bonito, puxou a mãe. Mas a minha Bella também não fica atrás, ela é linda. Os dois formam um bonito casal. Sim, mas como ia dizendo, de vez em quando, alguma garota passava um ‘rabo de olho’ em Edward. Ele, por sua vez, dava uma de desentendido. Mas ele que não se meta a besta em magoar minha filha, sou capaz de terminar de entronchar aquele nariz dele e de desentronchar seus dentes. Umpf!
A festa de final de ano passou tão rápido que quando percebi, já estávamos em 2010. Nesses últimos dias, conversei muito com Carlisle sempre a portas trancadas em meu escritório ou no dele. Estávamos prestes a tomar uma importante decisão, mas era uma coisa muito, muito pessoal, então não conversamos com Ben sobre isso.
No dia 03 de janeiro, Esme fez um almoço na mansão Cullen. Ben, Carlisle e eu conversamos bastante sobre o andamento das investigações. Mas tudo ainda estava no início, embora o agente Mansen já tivesse descoberto algumas coisas interessantes. Ben fez um relatou sucinto.
- Na ficha, o legista que examinou o corpo de Tyler, diz que ele morreu entre duas e três da manhã do dia 22 de dezembro. Quando Mansen conversou pela primeira vez com o soldado amigo dele, este lhe disse que o Gen. Alistair convocou ele e os outros soldados por volta das duas da manhã e que eles ficaram na casa de Tyler até quase quatro da manhã. Da base militar Fort Myer até o nosso quarteirão, não dá mais do que dez minutos. Eles usaram um jipe mas não era um veículo oficial, pertencia a um dos soldados. O interessante é que Mansen procurou de novo esse amigo e este ressaltou que estiveram na casa de Tyler às nove da noite do dia 21 de dezembro. Que fizeram uma visita ao próprio Tyler, conversaram, assistiram a um jogo de futebol pela TV e tomaram algumas cervejas. Ele negou que houvesse qualquer tipo de ordem pra vasculhar a casa, negou o grampo telefônico e diz que por volta das onze da noite, todos eles se despediram de Tyler ...
- Mas ele tá mentindo. – murmurei.
- Claro que sim. Ele pediu a Mansen que não o procurasse mais porque ele não queria encrencas.

No final do dia, eu e Carlisle levamos Ben e sua esposa ao aeroporto, na volta, trocamos umas idéias.
- Sabe, Carlisle, eu tava pensando ... Se vamos levar o plano adiante, devemos contar com a possibilidade de ele não dar certo.
- Hãn?
- Veja, ele é o plano A, mas se não der certo, não podemos deixar nossas esposas e filhos desamparados. Devemos ter um plano B.
- E qual seria? – Carlisle arqueou as sobrancelhas.
- Sabe a J.Jenkins Acessoria Jurídica?
- Aquele antro de ladrões? – Carlisle falou com desprezo.
- Os Jenkins têm uma espécie de dívida de honra com os Swan. Isso é coisa antiga, da época de meu avô, Caleb Liam Swan e de Joseph Jenkins, o fundador da empresa. É claro que eu nunca precisei pedir nenhum tipo de favor a eles mas diante da situação que nós estamos, eu pediria favor até para Ali Babá e os 40 ladrões.
- O que você tem em mente, Charlie?
- Devemos chegar na procuradoria amanhã e pedir a semana inteira de folga. Vamos usar nosso banco de horas. – Carlisle apenas assentiu com a cabeça – Depois vamos na J.Jenkins Acessoria Jurídica, encomendamos ao próprio J tudo o que vamos precisar. Ligue para o banco assim que chegar em casa, precisamos levar para J, algo em torno de U$ 1 milhão, se quisermos que o serviço seja feito em até 48 horas.
- U$ 500 mil pra cada um? Em dinheiro vivo?
Sorri, um sorriso de desânimo, e assenti.
- Mas devemos sacar, cada um U$ 750 mil. Os U$ 500 mil restantes serão para o plano inicial.
- Você não acha U$ 500 mil pouco?
- Tenho que concordar com você, Carlisle. Só que mais do que isso, em dinheiro vivo, chamaria muita atenção. – meu amigo apenas assentiu, me dando razão.

- Charlie Swan?
Um gordinho e baixinho sorria hesitante para mim,atrás de sua mesa de mogno num imponente escritório. A J.Jenkins Acessoria Jurídica tomava todo um prédio de seis andares no centro de Manhattan, estávamos no sexto andar, na sala do próprio J.
- Sim, sou eu. – sorri pra ele e lhe estendi a mão – Desculpe vir sem avisar, J, espero na estar atrapalhando nada.
- Não, não. Um Swan nunca atrapalha, sentem-se, por favor. E esse seu amigo, quem é?
- Carlisle Cullen. – J ficou pálido ao ouvir o nome – Meu amigo, quase um irmão. Não se preocupe J, estamos aqui porque o assunto é realmente sério.
- Imagino que sim, Charlie. Durante todos esses anos, os Swan nunca nos pediram nada, mas nós sabíamos que esse dia chegaria.
- E você vai honrar a palavra de seu avô, não é J? - perguntei, apreensivo.
- Claro, Charlie. Um homem deve ter palavra, não importa de que lado esteja. – tá aí, gostei desse cara.
- J, vamos precisar de quatro ‘novas vidas’.
- Adulto ou criança?
- Adulto.
Eu e Carlisle escrevemos num papel todas as informações necessárias e deixamos um envelope que as fotos a serem usadas.
- Mais uma coisa, J, precisamos disso pra quarta-feira, no máximo ...
- Mas, mas isso é impossível, Charlie!
- Se esforce, J.
- Mas eu teria que parar a produção das outras encomendas pra poder honrar este prazo ...
- Sabemos disso, J, por isso, vamos indenizá-lo. Que tal U$ 500 mil agora e U$ 500 mil na tarde de quarta-feira. Às quatro horas, aqui mesmo, nesse escritório? – ele sorriu e assentiu.
- Tem mais uma coisa, Sr. J. – Carlisle se pronunciou pela primeira vez – Gostaríamos que o senhor mesmo fizesse o acabamento final do trabalho.
J franziu a testa, pensou um pouco e assentiu.
- É razoável o que vocês me pedem. Não se preocupem. Um Jenkings não desonra um outro Jenkings. Vou fazer o meu melhor. – dito isso nos despedimos e saímos rapidamente de lá.
De volta ao carro, Carlisle me perguntou.
- Mas qual foi o favor que seu avô fez ao avô de J pra fazê-lo te respeitar tanto, Charlie?
- Meu avô era juiz da 8ª vara criminal de Chicago na época. Joseph Jenkins era estelionatário, agiota, falsificador e advogado de um bando de outros ladrões. Tinha inimigos por todos os lados, era procurado pela polícia e pela máfia. Ele passou três anos preso, meu avô foi o juiz que lhe deu esta sentença. Mas a esposa de Joseph, nessa época, estava grávida e tinha outros seis filhos, todos pequeninos. Como se não bastasse, a máfia queria se vingar de Joseph, matando toda a sua família. Caleb Swan juntou a esposa e os filhos de Joseph e os escondeu por três anos na fazenda da família Swan, no norte de Illinois. Durante esse tempo, nada faltou pra eles e quando Joseph Jenkins saiu da prisão, prometeu ao meu avô que um dia pagaria essa dívida de honra com os Swan.
- UFA!!! Graças a Deus que seu avô tinha um bom coração. – Carlisle sorriu, aliviado.

Na tarde de quarta, chegamos ao escritório de J com o restante do dinheiro. A transação foi rápida, todos queriam logo terminar com aquilo.
- J, contamos coma sua absoluta discrição. – falei pra ele.
- Claro, Charlie. No meu negócio, discrição é fundamental e mesmo que não fosse, eu também tenho família. Sei como são essas coisas. – ele sorriu e apertou a minha mão e a de Carlisle - Espero que tudo dê certo pra vocês.
Bom, o plano B já estava pronto. Achamos apropriado não perder tempo e deixar o material já no bunker, por questão de segurança. Afinal, no dia seguinte voltaríamos lá pra por em prática o plano A.
Acontece que no caminho, o carro de Carlisle foi seguido de perto por uma SUV, toda preta, de vidros pretos. Ficamos apavorados, mas depois ela passou por nós e não a vimos mais.
- Você viu? – perguntei a Carlisle – Mais um motivo pra seguirmos com o nosso plano.
Carlisle apenas assentiu.

Escolhemos a quinta-feira, 07 de janeiro pra fazer o plano A porque nesse dia era o jantar beneficente do MS Hospital. Nossas garotas estariam ocupadíssimas e não nos incomodariam. Até que foi mais rápido do que esperávamos, aprontamos tudo em cerca de cinco horas.
- Carlisle, você tem certeza que ninguém mais sabe sobre este bunker?
- Tirando eu, Esme e Edward, você é o único que sabe. Esme nem mesmo contou a sua falecida mãe e fizemos Edward jurar que só contaria sobre ele a Bella num caso de extrema necessidade.
- OK. Parece sensato. Edward vai vir aqui? Tem certeza?
- Tenho, Charlie. – sua voz estava audivelmente emocionada – Já é uma tradição dos Cullen. Ele pode não vier no primeiro dia, virá no segundo ou no terceiro, no máximo.
- E não tem perigo dele desprezar essa tradição? – eu ainda estava incrédulo.
- Edward é muito sensato. Mesmo assim, Esme o lembraria disso.

O jantar beneficente foi um sucesso, nossas esposas estavam lindas, irradiando felicidade porque o Hospital conseguiu dinheiro suficiente para a construção. Por volta das duas da manhã, as pessoas começaram a ir embora, foi justo quando a neve que caia do lado de fora deu uma trégua. Os convidados saíram quase que em comboio. Aquela tempestade parecia que não ia ter fim, até nossos celulares estavam sem sinal devido ao mau tempo.
Eu e Carlisle tivemos que esperar por nossas garotas, como elas eram as principais organizadoras do evento, sobrou muita coisa para as duas fazerem depois da festa. Por volta das quatro da manhã do dia 08 de janeiro, saímos todos em direção à entrada do hotel. Estávamos esperando o manobrista trazer o meu carro, a rua na ‘cidade que nunca dorme’ (N/A: esse é um dos apelidos de NY) parecia que tirava um cochilo naquele momento.
Dois motoqueiros surgiram do nada e pararam a nossa frente. Eu já podia sentir o pior ... tudo foi muito rápido... segurei firme na mão de Rennè, entrelacei nossos dedos.
Só deu tempo de ouvir o grito agonizante de Esme e ver que ela se jogou à frente do corpo de Carlisle. O primeiro tiro foi dela, seu esposo foi o próximo.
Rennè começou gritar mas levou o tiro seguinte, caiu em meus braços e sussurrou.
- Charlie ... cuide ... Isabella. Te amo.
- Te amo, Rennè. Isabella ficará bem, eu juro.
Aquele lindo par de olhos azuis foi tudo o que vi pela última vez.

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