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- Música Das Sombras - adaptação do livro homônimo. (Fic concluída)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Vem comigo, amor - Capítulo 20

CONVERSA FRANCA

* POV ALICE *
Eu tinha colocado o alarme do celular pra despertar às 11:45 da noite, me sentia cansada pois só havia cochilado por menos de três horas. Levantei da cama meio grogue, fui ao banheiro (e que banheiro lindo, diga-se de passagem) lavei o rosto, escovei os dentes porque dizem que ajuda a espantar o sono. Peguei a minhas armas e desci para a sala de estar onde Jasper deveria estar me esperando.
- Como vão as coisas? – perguntei assim que o vi sentado numa poltrona.
- Tudo bem. M solicitou reforço à polícia de NY, há dois policiais numa viatura em frente à casa.
- Menos mau. – Jasper deu um bocejo e coçou os olhos – Você pode ir, Mansen. – falei enquanto sentava em outra poltrona.
- OK. Até daqui a pouco.
Ele se levantou da poltrona meio desengonçado, mas mesmo assim, tão charmoso como só ele sabe ser.
ARGH!!! Droga de amor que não acaba!!!
Se eu acreditasse em simpatia, ‘reza braba’ ou qualquer outra coisa do tipo, já teria recorrido a esse tipo de ajuda. Preciso arrancar Jasper Mansen de mim. Ele, com certeza, já tá em outra e eu fico feito uma idiota, mendigando por seu amor.
Mas como se esquece um grande amor? Como esquecer alguém que te marcou pra valer, alguém que desenlaçou o seu coração para sempre?
E tudo está bem pior agora, desde que começamos essa investigação, tudo tem sido uma tortura pra mim. A nossa proximidade é, ao mesmo tempo, um fogo que me consome e que me alimenta. Jasper Mansen é uma força que faz meu coração bater e apanhar ao mesmo tempo. Ele me preenche com sua presença, seu calor, seu cheiro, sua virilidade, mas também me esvazia. Sinto-me vazia de mim mesma quando estou ao seu lado, nada mais importa. Tudo perde o referencial quando tenho ele ao meu lado.
De tanto pensar nele, meus olhos ficaram úmidos. Droga!
Fui à cozinha pra tentar fazer café mas a cafeteira dos Cullen parece com o R2-D2, de Star Wars, enorme e cheia de botões. Desisti antes mesmo de tentar ...
Voltei à sala e sentei no imenso e confortável sofá, comecei a me concentrar em todas as pistas e provas que o caso agora nos apresentava. Não era de se admirar que M estivesse tão tenso ... nunca vi uma rede de corrupção tão grande, perigosa e tão bem articulada como essa. Isso, com certeza vai sacudir com o país.
Ouvi passos no andar superior da casa e fiquei em alerta.
- Alice! Alice! Sou eu, Bella. – ela sussurrava.
- Estou te vendo, Bella. – falei um pouco mais alto – Pode descer, não vou atirar em você.
- Caiu da cama, Bella? – falei quando ela sentava ao meu lado.
- Mais ou menos ... tive um pesadelo ... Resolvi descer pra tomar uma xícara de chá. Você quer também?
Ela sorria timidamente e eu fiquei pensando: ‘Como ela consegue ser tão forte e controlada quando acabou de perder os pais?.’
- Chá?! Não, de jeito nenhum. Mas se você puder fazer bastante café e colocar numa garrafa térmica, eu e Mansen vamos agradecer.
- OMG! Desculpe, Alice! Eu devia ter pensado nisso antes. Mas você poderia ter feito, não tem problema!
- Eu tentei, mas é que ... aquela cafeteira é muito high tech pro meu gosto. – fiz careta e sorri.
Ela sorriu de volta e se dirigiu à cozinha, depois trouxe uma bandeja com chá, café, leite e biscoitos. Acrescentei mais uma qualidade a ela, apesar de ter sido criada no luxo, ela não é uma riquinha mimada e alienada. Ao contrário, é uma mulher feita, responsável e de pés no chão. Conversamos sobre algumas coisas sem importância mas depois, Bella Swan me bombardeou.
- Alice, preciso perguntar uma coisa. – captei a mudança em seu tom de voz e percebi que viriam perguntas importantes – Como e por que Ben Chenney envolveu vocês dois nessa investigação? Por que tudo isso é tão sério, mas tão sério, que o próprio presidente do FBI está pessoalmente envolvido? Por que tudo isso parece ser tão complicado e demorado? Você acha que nossos pais foram realmente executados?
Meu Deus, ela falava sem parar, perguntou tudo num fôlego só. E o que eu podia fazer, a não ser lhe contar a verdade? Ela merecia isso. Arrumei coragem e tentei organizar meus pensamentos de forma que pudesse me expressar com clareza, bebi um gole de café antes.
- São quatro perguntas, Bella. Para todas elas eu tenho respostas bem longas. – olhei em seus olhos pra tentar captar seu estado de espírito.
- Tenho o resto da noite, Alice. – ela falou decidida e eu me ajeitei melhor no sofá pra poder ficar de frente pra ela.
- OK. Vamos a sua primeira pergunta, então. – continuei encarando seus olhos – Ben Chenney entrou em contato comigo por telefone, no dia 21 de dezembro. Era um domingo à noite e ele estava muito apressado, me disse apenas para estar em sua sala, no dia seguinte, às oito da manhã.
“No dia seguinte, cheguei cedo à sede do FBI, onde trabalho, eu era diretamente subordinada à Ben Chenney na Divisão Oficial de Investigação do FBI. Jasper Mansen também estava esperando por Ben e isso me deixou meio intrigada, não sabia o que Ben queria de NÓS DOIS. Quando ele finalmente chegou, já eram quase nove e meia da manhã, nos convidou a entrar em sua sala e se desculpou pela demora. Foi logo nos dizendo que tinha acabado de ter uma pequena reunião com Alec Hartman, seu chefe imediato e Diretor Executivo do Departamento de Investigações.
Para que você entenda melhor, Bella, Alec Hartman é Diretor de toda a unidade de investigação do FBI e Ben era chefe de uma das divisões dessa unidade. Hierarquicamente, Ben estava abaixo de Alec e este o havia dissuadido naquela manhã, após verificar rapidamente as cópias das provas, a desistir dessa ‘infrutífera e inútil’ investigação, usando as palavras do próprio Alec.
Mas Ben não se deixou convencer por Alec, embora tivesse fingido que escutaria seu conselho. Então ele convidou os seus dois melhores agentes, eu e Jasper, para fazer parte de sua equipe de investigação sobre um suposto esquema de tráfico internacional de armas. Ben também havia conversado com Tyler Crowley, coronel do exército e seu amigo pessoal. A intenção dele era que o exército começasse uma investigação paralela sobre o caso.
Eu e Jasper ficamos boquiabertos com tudo o que vimos nas cópias do pendrive e do diário de Felix Cudmore. Nós dois ficamos, simplesmente, o resto do dia analisando aquilo tudo e conferindo algumas das informações que Felix deixou em seu diário. No dia seguinte, Ben decidiu que nós três não daríamos conta de tudo aquilo e que o FBI precisaria designar mais gente, recursos financeiros e equipamentos para uma operação tão robusta.
Mas na madrugada do dia 22, Tyler apareceu morto em sua casa, supostamente, ele teria se suicidado. Nós três ficamos em alerta máximo pois era muita coincidência que Tyler resolvesse se suicidar logo depois de receber notícias tão bombásticas. Eu e Jasper caímos de cabeça nessa investigação e descobrimos, já de cara, que um general do exército teria falado com Tyler horas antes de sua morte. Também descobrimos que esse general havia ordenado a um grupo de soldados que fizessem uma minuciosa revista na casa de Tyler, em busca de escutas telefônicas.”
- Você está me acompanhando, Bella? – questionei porque ela parecia petrificada.
- To sim, Alice. – ela se serviu do café e deu um gole bem grande – Pode continuar.
“Bom, eu e Jasper passamos a suspeitar desse general mas não podíamos fazer nada de imediato.
Nesse mesmo dia, Charlie Swan e Carlisle Cullen foram até Washington D.C. para se reunirem com Ben e conversarem sobre o que vinha acontecendo, os três passaram a temer por suas vidas. Ben suspeitava que o tal general do exército sabia de seu envolvimento nas investigações mas não se preocupou tanto assim porque não havia como ele saber de seu pai e de Carlisle e também de mim e de Jasper. Nem mesmo Alec Hartman sabe que eu e Jasper estamos investigando o caso Volturi.
Porém, nesse mesmo dia, quando Ben saiu do hotel onde seu pai e Carlisle estavam hospedados, percebeu que uma SUV preta o seguia pelas ruas de Washington. Ele marcou uma rápida reunião comigo e com Jasper, pegou cópias de nossas fichas funcionais e combinou de entregá-las a Charlie e a Carlisle.”
- Essas são as fichas que nossos pais deixaram pra nós? – Bella me perguntou.
- Exatamente. A intenção, Bella, era que seus pais entrassem em contato conosco ou que nós entrássemos em contato com eles. – minha voz falhou nessa hora – Mas nós ... chegamos tarde, Bella. E eu ... sinto muito, mesmo.
Ela tocou em meu braço, me afagando.
- Eu sei que vocês tentaram fazer o melhor, Alice. – ela falava com um fiozinho de voz – Não foi culpa de vocês ...
- Obrigada, Bella. – dei-lhe um abraço.
- Bom, então, deixa ver se eu entendi. Ben chamou vocês dois pra ajudar nas investigações. – ela recapitulava o que eu havia falado – Mas ao que parece, Alec Hartman não queria que ele investigasse. Alice, por que Alec Hartman não se interessou pelo caso, enquanto esse tal de M, que é o presidente do FBI, está tão interessado não só no caso, como em preservar a minha vida e a de Edward?
- M. Goleman é o atual Diretor Geral do FBI, Bella e nós temos muita, muita sorte mesmo de ele estar tão empenhado nesse caso.
-Mas como essa história toda chegou a ele, Alice? É isso que eu to tentando entender. Se ele é o bam-bam-bam, o manda-chuva, como você e Jasper conseguiram chegar até ele e fazê-lo se interessar pelo caso?
- Você está indo muito bem, Bella. – respirei fundo porque as piores partes estavam chegando – Eu e Jasper desconfiamos de Alec Hartman.
“No dia 23 de dezembro, o expediente já estava quase encerrado, a sala de Ben estava vazia porque ele tinha ido ao velório de seu amigo, Tyler. Mas eu e Jasper precisávamos entrar lá e pegar uns relatórios, então entramos no elevador e nele estava um entregador com uma lindíssima cesta de natal. Jasper leu, só por curiosidade mesmo, o nome que estava escrito no cartão: ‘Para Alec Hartman.’  Mas o que mais chamou a atenção de Jasper foi que dentro da cesta havia uma garrafa de vinho tinto, não era qualquer vinho, mas um vinho do Castello Vigneto Volturi.”
- Os Volturi? – Bella guinchou – Eles têm um vinhedo?
- Sim, Bella. Os Volturi estão na América há muito tempo mas eles são originários de Volterra, na Itália. Suas terras são um dos vinhedos mais antigos e tradicionais, seus vinhos são uns dos mais caros e apreciados do mundo. E foi isso que nos intrigou de imediato. A garrafa de vinho era uma reserva especial, da safra de 1945, avaliada em U$ 50 mil.
- Caraca! Co-como vocês sabiam disso tudo? – ela franziu a testa.
- Os vinhedos fazem parte da Volturi Holding S.A. – sorri pra ela – Temos a obrigação de saber disso tudo. Desconfiamos que os vinhos são um negócio de fachada, usado somente pra lavar dinheiro.
“Então, quando vimos que Alec Hartman iria ganhar uma linda cesta de natal, com um vinho raríssimo de U$ 50 mil, do vinhedo Volturi, decidimos seguir aquela pista. O entregador deixou a cesta com Naomi, secretária de Alec, então Jasper entrou em ação porque ele sabia que Naomi vivia arrastando uma asa pra cima dele (ARGH! Aquela mocréia, piriguete, pensei). Chegamos perguntando pelo Sr. Hartman, embora soubéssemos que ele não estava. Naomi disse que ele não voltaria mais naquele dia, então, Jasper fingiu que queria conversar em particular com ela e como eu estava lá, plantada ao lado dos dois, eles saíram e foram conversar no corredor, próximos ao elevador.”
- Puxa, vocês dois trabalham mesmo em sincronia, hein? – Bella sorriu e arqueou uma sobrancelha.
- Mais ou menos. – sorri de volta.  
“Eu abri o cartão e nele estava escrito: ‘Feliz Natal. J.V.’ Aquilo não ajudou muito na hora, então eu comecei a fuçar na agenda de Naomi pra ver se encontrava mais alguma. E a sorte estava do nosso lado, Bella, porque eu achei um envelope dentro da agenda e nele havia passagens aéreas nos nomes de Alec Hartman e de sua esposa, com destino a Las Vegas. As datas eram para 29 de dezembro e retorno em 02 de janeiro e dentro do envelope ainda havia um cartão de um gerente do hotel The Emperor. Aquilo muito me animou porque parecia ser uma pista muito quente.”
- Como assim, Alice?
“Os Volturi também são donos de hotéis de luxo em varias cidades no mundo, Tóquio, Dubai, Istambul, Las Vegas são alguns dos exemplos. Então, só podia ser muita coincidência que Alec ganhasse uma garrafa de vinho dos Volturi e ainda fosse passar o reveillon num hotel de luxo dos Volturi. Eu e Jasper comunicamos isso a Ben e resolvemos também viajar para Las Vegas.”
- Papai sabia disso tudo, Alice? – seus olhos eram tristes ao lembrar de seu pai.
- Bom ... nós contamos tudo a Ben mas ele disse que não adiantava contar para seu pai e para Carlisle porque ambos já estavam muito preocupados e porque não havia a menor possibilidade de Alec chegar até eles. – respirei fundo – Sinto muito, Bella, acho que Ben errou ao ocultar isso de seu pai e de seu sogro.
Ela apenas assentiu pra mim.
“Então, eu e Jasper fomos pra Las Vegas no dia 27 de dezembro, chegamos com dois dias de antecedência porque queríamos bolar um plano de entrar no hotel. Nos hospedamos num motel de beira de estrada e nos passamos por desempregados que tinham sido iludidos por uma falsa promessa de emprego. Usei uma peruca de longos cabelos castanhos e lentes de contato verde, Jasper deixou a barba por fazer e colocou enchimentos no corpo, pra poder ficar mais gordo, esse era o nosso disfarce. Começamos a procurar nas agências de emprego por vagas temporárias em hotéis, mais especificamente, The Emperor. Consegui uma vaga pra trabalhar na festa de reveillon do hotel, como garçonete e Jasper, como segurança. No dia, cheguei cedo e fiz amizade com a minha supervisora, ela explicou o que eu iria fazer e me disse que eu era muito bonita, então, talvez ela conseguisse um serviço extra pra mim.”
- Não precisa fazer essa cara, Bella. – sorri e falei ao vê-la arquear as sobrancelhas – Eu vou explicar.
“Na festa, eu andava de um lado pro outro, servindo champanhe cara e olhando tudo ao meu redor. Não demorou muito para eu ver Alec Hartman, sua esposa, Tess Hartman e Alistair Collins, com a esposa. Os quatro dividiam a mesma mesa e eu passei por eles várias vezes. Da sala da segurança, Jasper olhava tudo pelas telas dos monitores e, conversando com seu colega de turno, descobriu que Alec e Alistair estavam hospedados nas melhores suítes do hotel, cujas diárias custavam U$ 10 mil e também que no 30º andar do prédio estava rolando uma festa particular somente com a família Volturi, dona de 55% do hotel.”
- Quem é Alistair Collins, Alice?
- Oh! Acho que esqueci de mencionar. Ele é o general do exército que visitou Tyler antes desse aparecer morto em sua casa.
- Meu Deus! – Bella arregalou os olhos e parece que a ficha caia pra ela naquela hora – Estão todos envolvidos, Alice ...
- Isso é o que vamos provar, Bella.
“No final da festa, a minha supervisora me disse que no dia seguinte haveria um jantar muito importante no 30° andar do hotel e que eu trabalharia como garçonete lá também. Eu não deveria falar nada e tentar não encarar os anfitriões e os convidados. Perguntei quem eram as pessoas e ela disse: ‘São os donos do pedaço, benzinho. Eles só gostam de coisas boas, então até as garçonetes têm que ser bonitas. Mas não se preocupe, você só vai ser garçonete, MESMO!’ Eu podia imaginar que aquele 30° andar estaria repleto de seguranças e eu estaria lá sozinha porque o serviço extra de Jasper havia sido apenas na noite do reveillon.

FLASH BACK
- Brandon, você tem certeza que quer ir lá sozinha? – ele me perguntou várias vezes.
- E tem algum jeito de você ir comigo? –perguntei de volta.
- Eu vou ficar no cassino do hotel, te esperando. Não tire, em hipótese alguma, o seu colete a prova de balas. E se você perceber que a micro câmera será descoberta pelos seguranças, pelo amor de Deus, se desfaça dela. OK? – ele me olhava sério e apreensivo.
- Ok, Mansen. Não se preocupe.
FIM DO FLASH BACK.

- Hum ... Alice, tá na cara que Mansen ficou super preocupado com você, hein? – Bella sorria pra mim.
- Er ... talvez. Mas acho que era por sermos parceiros de investigação. – falei com desdém.
- An-ham ... sei. – ela falou com ironia.
“No jantar, eu quase tive um troço, Bella. Estavam todos lá, Alec e Alistair com suas respectivas esposas e os Volturi com suas sobrinhas-esposas.”
 - Sobrinhas-esposas? – a voz dela subiu umas oitavas.
“Essa é uma história muito sinistra, Bella. Os Volturi casam-se entre si pra preservar a sua linhagem.”
- O quê? – ela guinchou e arregalou os olhos – Mas isso é incesto! Isso não é sinistro, Alice, é nojento!
“Os irmãos Volturi, Aro, Marcus e Caius, são casados, respectivamente com Renata, Bree e Jane Volturi, suas sobrinhas. Elas são filhas de sua irmã mais velha, Sulpícia, que casou com o primo Giovanni Volturi. Como não havia primas para os irmãos Volturi se casarem, eles esperaram as sobrinhas cresceram e as tomaram como esposas. Na época, Sulpícia se opôs ao que ela chamou de ‘grande pecado’ e prometeu fugir com as filhas, Jane era a mais velha, com 19 anos e Bree, a mais nova, com 15 anos. Mas seu marido e PAI das meninas, apoiava aquela idéia maluca”
- Meu Pai do céu ... – Bella estava boquiaberta.
“Hoje, Jane tem 25 anos e é considerada uma mulher fria, sanguinária, cruel, talvez até mais cruel que seu marido, Caius. Nas investigações que fizemos, podemos perceber que ela é muito importante para os negócios da família. No cartão que Alec recebeu junto com a cesta de natal, estava escrito J.V. , eu e Jasper acreditamos que seja Jane Volturi. Mas pelo que pude perceber no jantar, ela e o marido se olhavam com ódio, nunca vi um casal daquele. Nas nossas investigações, eu e Jasper também descobrimos que Jane e Caius já tiveram três filhos, dois meninos e uma menina. Todos nasceram com Osteogênese Imperfeita, um tipo de doença genética relativamente rara. As crianças tinham uma fragilidade intensa nos ossos, devido à deficiência de colágeno no organismo, todas elas já nasceram com fraturas múltiplas e com o crânio mole, não sobreviveram.”
- Que triste, Alice. – Bella inconscientemente levou uma de suas mãos ao seu ventre, num gesto de proteção – Por que essas crianças nasceram assim?
“São problemas genéticos causados pelos relacionamentos entre parentes consangüíneos. Acho que a busca por um herdeiro 100% Volturi não tem tido muito sucesso, ao que parece, as outras duas irmãs ainda não tiveram filhos. Bom, voltando ao dia do jantar, eu não passei muito tempo lá, mas foi o suficiente pra perceber que todos se conheciam há muito tempo. As conversas eram bem humoradas e descontraídas, Aro e sua esposa, Renata, estavam num maior pega, quase transando ali mesmo. Marcus e Bree pareciam dois estranhos e Jane e Caius, como eu já falei, lançavam olhares homicidas entre si.
Quando voltamos a Washington, Ben ainda estava aqui em NY hospedado na sua casa, Bella. Esperamos ele voltar e na segunda-feira, dia 04, relatamos-lhe tudo o que fizemos, primeiro levamos uma bronca por temos feito isso tudo sem a ajuda de mais ninguém, depois ele nos parabenizou pelo progresso que fizemos.”
- Mas isso foi na semana passada!!! – Bella se admirou.
- Exatamente.
- Alice!!! – ela se levantou do sofá e eu a segui – Essas pessoas matam muito rápido! Estamos condenados, então ...
- Calma, Bella – ela tremia – Estamos tentando consertar as coisas. – pus uma mão sobre seu ombro e nos sentamos de novo.
- Eu ... tenho tanto medo por mim, por Edward ...
E de novo, ela pôs uma das mãos sobre seu ventre. Eu quase ia perguntar se havia a possibilidade de ela estar grávida, quando Jasper chegou na sala para me render.
- Conversa animada, senhoritas? – ele sorria tímido pra nós.
- AI! – Bella gritou.
- Calma, Bella, é só o Mansen. Vem, vamos dormir, amanhã terminamos a nossa conversa – puxei-a pelo braço – Você entende agora porque essa investigação promete ser longa, não é?
- Entendo, Alice. – sua voz parecia cansada.
- Pronto, agora tente dormir por algumas horas. – fiquei plantada na porta de seu quarto até ela entrar.
- Alice, eu já não tenho mais dúvidas. Meus pais e meus sogros foram realmente executados. – seus olhos brilhavam pelas lágrimas prestes a escorrer.
- Sinto muito, Bella. – abracei-a – Vamos tentar dormir. Ok?
Ela assentiu e entrou em seu quarto.

* POV DE EDWARD *
Acordei às sete da manhã, ao meu lado, Bella dormia profundamente. Ela estava em posição fetal porém uma de suas mãos estava pousada sobre sua barriga. Achei muito estranho esse seu modo de dormir mas também achei bonitinho ... tudo nela é bonito. Beijei sua testa de leve e a cobri com o edredom, segui para o banheiro e tomei um banho rápido. Ainda tínhamos um tempinho até o advogado chegar, se Bella não acordasse sozinha, eu faria isso.
Desci à sala e vi Mansen de pé, diante da grande janela que dá vista para o jardim e o portão da propriedade.
- Bom dia, Mansen. – caminhei em sua direção.
- Bom dia, Edward. – ele se virou e me olhou nos olhos - Olha, eu quero me desculpar por tudo de ontem. Eu ... acho que começamos com o pé esquerdo. – ele tentava mesmo se retratar – E eu não quero que isso prejudique o meu trabalho e nem ponha em risco a sua segurança e a de sua namorada.
- Tá tudo bem, Mansen. Não houve danos. – estendi-lhe a mão e ele retribuiu – Vamos começar do zero.
- Vamos sim.
Sorrimos e acho que dali pra frente as coisas entre nós iriam melhorar. Nessa hora o interfone tocou, eram Susan e Ruth, as empregadas da casa. Destranquei o portão e elas entraram.
- Quem são? – Mansen perguntou.
- As empregadas. Esqueci completamente delas mas não se preocupe, vou falar com os advogados pra providenciar a demissão delas. Mas hoje, precisamos fazer um teatrinho básico, Ok? – ele apenas assentiu – Você é meu primo e Alice é sua namorada. Tá bom assim?
Ele estreitou os olhos e pareceu não gostar.
- Tá.
Fomos à cozinha e esperamos as duas entrarem.
-Bom dia, Susan. Bom dia, Ruth. – as duas sorriram pra mim enquanto tiravam seus casacos.
- Bom dia, Sr. Cullen. – disseram em coro.
- Esse é Jasper Mansen, um primo distante meu, por parte de mãe. – elas o cumprimentaram timidamente – Ele e sua namorada, Alice, ficarão hospedados conosco por uns dias.
- Com licença, Sr. Cullen, vou cuidar de meu serviço . – Ruth, a arrumadeira já saia pela cozinha.
- Ruth, evite subir. Não quero barulho lá em cima. Bella está descansando e Alice também. Concentre suas atividades aqui embaixo, às nove horas estaremos recebendo o Sr. Howard e sua equipe de funcionários do escritório de advocacia. – ela assentiu – Susan, prepare o café da manhã e prepare também uma bandeja para eu levar para Bella.
- Sim, Sr. Cullen.
Eu e Mansen voltamos à sala e começamos uma conversa amigável, a primeira, eu acho.
- Acho que Brandon e Isabella vão demorar um pouco a acordar. Quando desci, às quatro da manhã, para fazer meu turno de vigília, as duas estavam conversando.
- Bella deve ter acordado no meio da noite e resolveu vir conversar com Alice. – respirei fundo e sorri – As duas parecem ter uma grande afinidade ...
- Alice Brandon é sempre daquele jeito. – percebi uma mudança no tom de voz de Mansen – Uma criaturinha alegre e falante. Mas é que ela também passou pela dor de perder os pais, então ... ela é muito solidária a vocês.
É, Bella tinha razão, havia muito mais entre Mansen e Alice do que um simples relacionamento de colegas de trabalho. Depois, ele percebeu que começava a falar de assuntos pessoais e voltou ao modo ‘Mansen-agente’.
- Edward, apesar de tudo o que aconteceu, eu estou muito animado com o rumo das investigações. – seus olhos tinham um certo brilho – M está muito empenhado no caso e está disponibilizando todo o aporte necessário.
- Pra falar a verdade, Mansen, eu estou apavorado. Não sei como vai ficar a nossa situação. – eu estava meio envergonhado, não queria admitir minhas fraquezas – Eu ... nunca trabalhei, não tenho experiência em nada e ...
- Você tem uma boa formação, Edward. É bastante viajado, conhece muitos países e culturas diferentes, fala fluentemente três idiomas ...
Caraca! Ele sabe mesmo sobre mim!
- Não se preocupe ... Vocês vão conseguir bons empregos. – ele parecia solidário.
- Eu não temo por mim ... fico pensando em Bella, em como ela deve estar com medo. – baixei meu olhar.
- É terrível ...
- Como? Não entendi o que você falou agora? – franzi a testa e estreitei os olhos.
- É terrível você ver que a pessoa que você ama está sofrendo e você está de mãos atadas, sem poder fazer nada. – ele me respondeu.
- Verdade. – murmurei.
- Sr. Cullen, vai querer que eu ponha a mesa para o café? – Susan perguntou.
- Não, Susan, as refeições serão na cozinha, mesmo. – levantei do sofá – Você preparou a bandeja que pedi?
- Sim, senhor.
- Com licença, Mansen. Vou levar o café de Bella, fique à vontade e tome seu café também.
- Ok, pode deixar.
Peguei a bandeja e percebi que Susan colocou ali comida para duas pessoas, melhor assim, tomaria café no quarto com Bella. Abri a porta com muito cuidado, evitando fazer barulho para que ela não tivesse sobressaltos em seu sono. Minha princesa ainda dormia na mesma posição, sua respiração ainda era profunda mas eu teria que acordá-la. Deixei a bandeja em cima da mesinha do quarto e sentei na cama para acordá-la.
Comecei a beijar sua testa, suas bochechas, o queixo, a pontinha do nariz ...
- Ed ... – ela murmurou, sorriu e virou o rosto pro outro lado.
Sorri também e tive que tentar outra ‘técnica’ para acordá-la, deitei ao seu lado, puxei o edredom e enfiei minha mão por baixo do blusão de seu pijama. Comecei a acariciar um seio dela que, imediatamente ficou sensível ao meu toque, seu mamilo ficou rijo e eu comecei a brincar com ele. Bella esboçou um sorriso maior ainda e eu percebi que ela já havia acordado porque a sua respiração mudara de ritmo. Mas ela continuou de olhos fechados, fingindo dormir. Cheguei mais perto e assaltei seus lábios num beijo muito calmo e molhado, ela imediatamente correspondeu ao beijo e suas mãos se enroscaram em meus cabelos, puxando-me para ela. Cedo demais o beijo acabou porque nossos pulmões se esvaziaram de ar.
- Bom dia, amor. – acariciei sua bochecha enquanto falava.
- Hum ... bom dia, amor. – sua voz era rouca e preguiçosa – Que jeito doce de ser acordada ...
Ela se espreguiçou e sorriu.
- Eu tive que usar de meios ‘menos convencionais’ para acordar a minha Bella adormecida ...
- Adoro seus meios menos convencionais! – ela me deu um selinho – Que horas são?
- Quase oito.
- Caraca! – ela se sentou rápido na cama – Dormi muito. Daqui a pouco os advogados chegam e ...
- Calma, amor. – sentei também – Ainda temos tempo, as empregadas já chegaram e providenciaram o nosso café. - apontei para a bandeja sobre a mesa.
Ela olhou em volta, viu a bandeja e imediatamente escutei seu estômago roncar! Caraca! Isso foi hilário! Sorrimos um pouco.
- Bella, seu estômago tá protestando ... deve ter uma escola de samba aí dentro.
Ela sorriu tímida, corou e assentiu.
- Ele anda meio mal educado ... Vou tomar um banho rápido. – ela se levantou da cama – Me espera um pouco?
- Sempre, amor.
Dez minutos depois ela saiu do closet já vestida com uma calça jeans e um pulôver preto, comemos em silêncio. Depois de se alimentar, Bella olhava atentamente para a pulseira de ouro em seu pulso enquanto a sua outra mão estava pousada sobre sua barriga. Imaginei se ela estava se sentindo bem.
- Um milhão de dólares pelos seus pensamentos, Bella. - eu já tava mais do que curioso.
- Ah ... – seu olhar antes desfocado se encontrou com o meu – Eu tava lembrando do sonho que tive ...
- Bom ou ruim? – arqueei uma sobrancelha.
- BOM!
Ela falou alto demais, rápido demais e eu percebi que estava mentindo pra mim. Apesar de ficar chateado, deixei passar porque, definitivamente, ela não é obrigada a me contar de seus sonhos! Mas ela deve ter visto algo em meu olhar porque depois retificou sua resposta.
- Foi só um sonho, Edward, não precisa se preocupar.
Bella se levantou da cadeira, sentou em meu colo e me deu um selinho. Suas duas mãos envolveram meu rosto enquanto eu lhe abraçava pela cintura.
– Eu acordei depois do sonho e não consegui mais dormir ... Desci e fiquei conversando com Alice.
- Tudo bem. – falei meio sério, ela deve ter sentido minha mudança de humor.
- Edward ... não foi nada demais. – respirou fundo e soltou o ar demoradamente.
Quando viu que eu não iria responder e que eu só olhava em seus olhos com uma expressão não muito amistosa, seu semblante também mudou. Ela se levantou de meu colo e sentou na cama, de costas pra mim.
- Você sempre fica chateado quando não consegue o que quer ... – Bella falou ressentida.
- Você sempre esconde coisas de mim. – retruquei.
- Eu não estou es-con-den-do nada de você, só que não sou obrigada a contar meus sonhos a ninguém.
Lá estava ela, a Bella-birrenta-teimosa. Fechei os olhos, segurei a ponte do meu nariz e contei até dez pra não responder também de forma malcriada, não precisávamos de uma briga boba.
- É, você não é obrigada ... – levantei da cadeira – O Sr. Howard chegará às nove. Estaremos no escritório de papai te esperando.
Sai do quarto e marchei pelo corredor até o escritório. No caminho, encontrei com Alice que me cumprimentou com um ‘BOM DIA’ todo alegre. Coitada, murmurei um ‘bom dia’ meio seco, entrei rapidamente no escritório e fechei a porta.
Sentei na escrivaninha de papai e liguei o seu notebook, li algumas notícias no site do jornal, naveguei na net mais um pouco, porém nada prendia minha atenção. Afastei o equipamento, apoiei os cotovelos sobre a mesa e pousei minha cabeça em minhas mãos.
ISABELLA.
Essa sim levava cativos todos os meus pensamentos, todo o meu ser. Como ela podia se chatear, meu Deus, se eu só quero o seu bem-estar, a sua segurança, o seu conforto, a sua felicidade?
Escutei a porta do escritório se abrindo mas não olhei quem entrava, sabia que era ela. Seus passos e seu cheiro são inconfundíveis pra mim. Embora possa parecer exagero, todo o meu ser tem total noção da presença de Bella, é como se tivéssemos dois ímãs poderosos, duas forças absurdamente grandes que nos unem, nos atraem ...
- Desculpe, amor. – sua voz doce invadiu o ambiente e sua mão delicada tocou em meu ombro – Eu fui grosseira com você ...
Descobri meu rosto, virei um pouco a cadeira e fiquei de frente pra ela, fitei seus olhos e lhe estendi as mãos, convidando-a a sentar em meu colo.
Beijei-a. Tudo começou calmo, nossos lábios se envolviam numa dança suave e erótica mas depois avançaram para um desespero ardente, nossas línguas duelavam por espaço, e enquanto eu apertava a cintura dela com força e urgência, suas mãos se prenderam aos meus ombros com firmeza e um toque de aflição. Parecia que nos segurávamos na intenção de manter um ao outro ali.
Estávamos com medo?
Sim, de minha parte era medo de que algo pudesse acontecer a ela. Que ela, de repente desaparecesse da minha vida, medo de ficar SEM ELA.
Senti lágrimas nos molhando, escorrendo de nossas faces. Um choro aparentemente inexplicável nos invadiu, cessamos o beijo mas não cessamos as lágrimas. Quando nossa respiração se normalizou eu pude verbalizar alguma coisa.
- Eu te desculpo, princesa ... Me desculpe também. – sorri pra ela e ajeitei uma mecha de seu cabelo atrás da orelha – Eu sei que às vezes eu pareço ser muito intrometido e ... controlador mas é que ... eu te amo tanto que ... não sei direito o que fazer ...
Eu não conseguia dizer coisa com coisa, ela aproximou mais nossos rostos e colou nossas testas, me dando um beijo de esquimó.
- Eu também te amo ... muito ... E, às vezes, me perco nesse amor também. Fico meio sem saber como agir, como cuidar melhor de você, como te proteger, Edward. – nossas respirações eram lentas – Mas nós temos uma vida toda pela frente, vamos aprender mais ... Sabe, uma vez eu li em algum lugar que o sentido mais amplo, mais abrangente da palavra AMOR é CARIDADE.
- Caridade?
- Sim, ‘caridade’ vem do latim caritas, que quer dizer praticar o amor, ou seja é o amor colocado em prática no dia-a-dia. Não basta apenas amar, é preciso que esse amor se transforme em ações, em coisas concretas para a pessoa que amamos.
Entendi o que ela quis dizer e assenti.
- Mas nós somos humanos, limitados, não sabemos de todas as coisas, então, muitas vezes, quando amamos, a gente erra tentando acertar. – ela concluiu seu discurso.
Minha Bella é mesmo a pessoa mais fantástica desse mundo. Tudo nela é um convite para o amor, seu coração puro, sua mente brilhante, o jeito simples e bonito como ela encara a vida ...
TOC, TOC, TOC.
Era o barulho de alguém batendo na porta.
- Pode entrar. – falei um pouco alto.
- Sr. Cullen? – Ruth abriu a porta e corou quando viu Bella sentada em meu colo – OH! Desculpe, Srta. Swan, bom dia ... Er... Sr. Cullen, o Sr. Howard chegou.
- Bom dia, Ruth, não se preocupe. – Bella respondeu.
- Obrigada, Ruth. Aguarde cinco minutos e conduza o Sr. Howard e a sua equipe até aqui.
- Com licença. – a empregada murmurou e saiu.
Segurei no queixo de Bella, fazendo-a olhar em meus olhos de novo. Imitei seu gesto e também lhe dei um beijo de esquimó, como fazíamos quando criança.
- Amor, será que podemos confiar no Sr. Howard? – eu estava aflito de novo, sem saber o que fazer.
- Ainda não sei, Ed. – ela se levantou de meu colo e me puxou – Vem, vamos escutá-lo primeiro.
Sentamos no imenso sofá de couro, um do lado do outro, nossas mãos sempre entrelaçadas. Seguiu-se uma batida leve na porta e depois entraram por ela o Sr. Howard e um casal desconhecido.
- Bom dia, Sr. Cullen, Srta. Swan. – o velhinho careca nos cumprimentou – Em nome de nosso escritório e de nossa família, vim prestar-lhes minhas condolências. – ele apontou para o casal ao seu lado – Esse é Luke Arns, contador da firma, e essa é Julia Cox, a administradora de bens responsável por administrar os bens de nossos clientes mais importantes.
Eu e Bella os cumprimentamos rapidamente e os convidamos a sentar.
- Estamos a sua disposição. – o velhinho falou por fim.
Houve um silêncio constrangedor, acho que todos (inclusive Bella) esperavam que EU falasse algo. Pra ser sincero, eu também queria falar algo ... Mas quem disse que meu cérebro funcionava?
Senti que a minha princesa tentava me acalmar, pois seu polegar fazia círculos nas costas da minha mão. Virei meu rosto em direção ao dela, respirei fundo e, não pude evitar, beijei a sua testa, eu precisava de seu toque, de seu contato.
- Sr. Howard.
DROGA! A minha voz saiu mais baixa e mais rouca do que eu gostaria ... parecia um garoto de oito anos, com medo do bicho-papão. Pigarreei e continuei.
- Bom, Sr. Howard, eu e Isabella os chamamos aqui para discutir como a firma de vocês continuará a prestar serviços às famílias Cullen e Swan. Como vocês já devem saber, nós dois somos os únicos herdeiros de nossos pais ... – senti o corpo de Bella se retesar ao meu lado e sua mão apertou mais a minha – Os patrimônios Cullen-Swan, juntos, devem estar estimados, se eu não estiver enganado, em aproximadamente U$ 3 bilhões. Isso tudo é muito dinheiro, muita responsabilidade, requer atenção total aos nossos investimentos, ao pagamento de impostos ... Enfim, coisas que eu e Isabella achamos por bem contratar serviço especializado.
Tentei me expressar bem e torci, fervorosamente, pra não ter falado besteira.
- O patrimônio Cullen hoje é de U$ 2.125.780.945,25. – Luke Arns abriu uma pasta e falou solenemente – Já o patrimônio Swan é de U$ 2.075.500.723,01. Charlie Swan era um pouco mais conservador em seus investimentos.
O contador deu um sorriso tímido pra mim e para Bella. E eu engoli em seco, todo o nosso patrimônio passava dos U$ 4 bi e nós havíamos chegado ao ponto de ter que vender dois carros populares pra poder juntar mais U$ 40 mil.
Isso parece piada, meu Deus!!!
Meus pensamentos foram interrompidos pelo barulho de alguém batendo na porta, murmurei um ‘Pode entrar’ e todos paramos de falar em cifras, até ver quem era.
- Sr. Cullen, desculpe interromper. – Ruth entrou timidamente carregando uma bandeja – Trouxe um cafezinho.
Ela se aproximou e deixou a bandeja em cima da mesinha de centro e sussurrou para mim e para Bella.
- A Srta. Alice Brandon mandou esse bilhete pra vocês dois.
- Obrigada, Ruth. – Bella sussurrou de volta, pegou o bilhete, abriu e inclinou o pedaço de papel de forma que somente nós dois pudéssemos ler.

“BOM DIA!!!
Desculpem interromper a reunião, mas eu precisava falar com vocês AGORA.
Peçam licença a todos aí e venham até a sala de jantar, a nossa conversa vai ser rápida.
Alice”

Olhei pra Bella e ela usou a nossa linguagem própria, balançou a cabeça, bem discretamente, pra cima e pra baixo e eu sabia que isso era um ‘SIM’.
- Senhores. – falei e me levantei, puxando Bella comigo – Nós dois precisamos conversar em particular agora. Por favor, apreciem o café e nos esperem aqui. Com licença.
Eles assentiram embora em seus rostos houvesse uma expressão de dúvida ou de surpresa, talvez.
- O que Alice quer conosco, Bella? – olhei de lado pra ela enquanto caminhávamos.
- Não faço a mínima idéia. Mas acho que deve ser importante. – Bella murmurou, sua voz era tensa.
Eu tive vontade de perguntar qual era o motivo da tensão mas tive receio de levar outra ‘patada’. Fiquei naquele dilema idiota mas fui vencido pelo amor e pela curiosidade, mas resolvi ser cauteloso.
- A conversa lá no escritório te deixou tensa?
- Você quer dizer mais tensa, não é? – ela retrucou – Com certeza. Imagine ser a herdeira de mais de U$ 2 bi e não poder tocar em um centavo, imagine ter que viver às custas do governo, morar numa coisa que vai custar em torno de U$ 500 dólares por mês ...
Bella foi ficando mais e mais estressada, quando percebi, ela estava ofegante, falando rápido e tentando puxar o ar para dentro dos pulmões. Parei de andar e abracei-a pela cintura, colei nossos rostos e falei bem devagar.
- Bella ... Amor, eu não imagino isso. Eu estou vivendo isso COM VOCÊ. –respirei fundo – Tudo vai se acertar, princesa. – dei um selinho nela – Agora, vamos que Alice está nos esperando.
Encontramos a ‘mini-agente’ do FBI sentada na enorme mesa de jantar, rodeada de papéis, uma calculadora e uma caneta.
- Bom dia, Bella! Bom dia, de novo, Edward! – seu sorriso destoava do estado de espírito meu e de Bella – Sentem-se, eu prometo ser rápida.
Murmuramos um ‘bom dia’ e sentamos lado a lado, de frente pra ela.
- Bom, eu chamei vocês aqui, interrompendo a reunião, porque não houve tempo de falar antes. Eu e Mansen sabemos que vocês dois têm um patrimônio vultoso e sabemos que vocês precisam de alguém pra administrar tudo isso – eu e Bella escutávamos tudo com muita cautela – Então, pesquisamos sobre a firma de advocacia do Sr. Howard, um amigo nosso, de lá do FBI, consultou no banco de dados e confirmou que essa é uma empresa idônea, que vocês podem continuar a confiar neles ...
Deus do céu! Quanta consideração dessa baixinha ... Fiquei emocionado com a atenção que ela tem por nós.
- Então, eu estive pensando que vocês devem, sem receio algum, deixar tudo como está. – ela continuou seus conselhos – Ou seja, passar novas procurações, como vocês já haviam planejado antes, para que eles continuem administrando seus bens.
Eu olhava para Bella e seu rosto estava embevecido, enquanto ela olhava pra Alice. Minha princesa devia estar tão emocionada com gesto da baixinha quanto eu.
- OMG! Obrigada Alice!
Bella tocou em seu braço, lhe fazendo um carinho.
- Sim, sim, não há de que Bella. Mas eu não chamei vocês aqui só pra isso. – ela respirou fundo e ficou mais séria e começou a sussurrar – Tenho uma sugestão. Como eu já disse, vocês não poderão acessar suas contas, nem alienar nenhum bem quando entrarem para o serviço ... Mas, vocês podem hoje, agora mesmo, voltar lá e pedir a esse advogado que traga, em espécie, até U$ 250 para cada um de vocês.
- Mas ... – Bella ia falar e Alice fez sinal para ela se calar.
- Eles podem sacar, mediante autorização escrita de vocês dois, os rendimentos de seus investimentos, o limite máximo, atualmente, é de U$ 250, se tirarem mais que isso, a burocracia será maior.
Ela olhou pra nós dois por alguns segundos e continuou.
- Bella, Edward, eu estive fazendo uma conta simples. – ela continuava a nos olhar – Eu sei que não é muito dinheiro mas, por experiência própria, eu digo que dá pra viver com qualidade de vida com o dinheiro que vocês vão ficar.
Seu sorriso me trouxe paz e eu percebi que a baixinha não tava delirando.
- Alice, nós precisaremos dar alguma justificativa para o Sr. Howard? – perguntei.
- Bom, vocês podem dizer que após a ... o ‘assalto’ que vitimou seus pais, que vocês querem tirar longas férias, pensar um pouco, traçar novos planos de vida ... essas coisas. Ajam com naturalidade, peçam o dinheiro, façam novas procurações com um prazo de validade de cinco anos.
- Cinco anos? – a voz de Bella se elevou – Essa droga toda vai durar CINCO ANOS?!!!
- Shii ... Calma, Bella.
Tentei pegar em sua mão mas ela puxou rápido, fechou os punhos, deixando-os sobre a mesa, ergueu o queixo e me encarou.
- Como você me pede calma, Edward? – Bella não falava, rosnava, sua voz era baixa e tensa, toldada pela raiva e pela revolta – Estamos vivendo num in-fer-no (ela falou essa palavra bem devagar), nossos pais foram assassinados por não-sei-quem, esse mesmo não-sei-quem invadiu nosso apartamento e está nos caçando. Temos dinheiro e não podemos tocar nele, vamos ter que deixar tudo para trás e abraçar uma porra de uma vida nova por CINCO ANOS?!
Ela se levantou e me encarou com fúria, me levantei também. Não tive raiva dela, de jeito nenhum, ela só estava desabafando, ela precisava disso. Nenhuma daquelas grosserias era destinada a mim. Esperei que a raiva passasse e as lágrimas viessem ... elas sempre vêm depois que Bella desabafa.
- OH! Edw ... ard ...
Ela se jogou pra mim e me abraçou enquanto chorava muito alto. Enterrou seu rosto em meu pescoço enquanto suas lágrimas molhavam minha camisa. Comecei a acariciar suas costas, como eu sempre faço quando ela precisa de consolo e fiquei sussurrando em seu ouvido até ela se acalmar.
- Bella ... Amor, chore ... chore tudo o que você puder agora. Você sabe que eu sempre estou com você, não sabe?
- An-ham ... – foi tudo o que ela disse.
Peguei-a no colo e caminhei até o imenso sofá da sala de estar, ela se aninhou em meu colo até que parou de soluçar.
- De-des-culpe, amor.- seus olhos ainda brilhavam pelas lágrimas, beijei-os e beijei também sua testa.
- Não há nada para desculpar, amor. – falei e lhe beijei novamente – Agora, que tal se eu te preparar uma porção daquele fitoterápico, só pra você relaxar um pouco?
Ela apenas assentiu. Nessa hora, percebi que Alice havia nos seguido e assistia a tudo, sentada numa poltrona.
- Alice, você pode ficar um pouquinho aqui com ela? Vou até o quarto e já volto.
Ela assentiu e corri em direção ao quarto, voltando logo em seguida com o remédio. Bella tomou num gole só, tentou se recompor e pediu licença para ir ao banheiro.
- Desculpe pela cena, Alice. – sorri pra ela – Bella normalmente não é assim mas é que muitas coisas ruins têm acontecido e ...
- Não se preocupe com isso, Edward. Mais dia, menos dia, todo mundo desaba. – ela sorriu de volta.
Bella voltou mais recomposta, seu aspecto era melhor mas havia vestígios de choro ainda, seus olhos estavam meio vermelhos.
- Desculpe pela grosseria, Alice. - ela sorriu para a nova amiga – Eu sei que você só quer nos ajudar ...
- Tá tudo bem, Bella.
- Onde está Mansen? – Bella olhou ao redor e notou a falta dele.
- Oh! Mansen saiu agora a pouco. Foi se encontrar com M, para traçar novos rumos para a investigação e também para trazer reforços ...
- Reforços? – questionei.
- SIM!!! – a baixinha sorria triunfante – Graças a Deus, teremos uma equipe de agentes conosco!
Lembrei do grupo que nos esperava no escritório.
- Alice, nos dê licença, precisamos voltar para a reunião.
- Claro, claro. Falo com vocês mais tarde. Vou dar uma volta pelo jardim.
Quando Alice se levantou, percebi que estava armada e o ‘dar uma volta pelo jardim’, considerando que só tem neve lá fora, deveria ser ‘vou patrulhar pelo jardim’. Ainda bem que Bella não percebeu, sinceramente, não agüentaria outro surto dela hoje.
Voltamos ao escritório e percebi que o trio já estava meio estressado pela demora. A mulher olhou de mim pra Bella como se tivesse nos recriminando pela demora. Não leio mentes, mas deu pra sacar que ela nos censurava.
- Desculpem pela demora, tivemos um contratempo. – Bella sussurrou.
-Não precisa se desculpar, Bella. – respondi por eles enquanto encarava a administradora de bens – Os honorários deles são pagos por hora de trabalho, querida.
- Sr. Cullen. – o velho advogado se mexeu na cadeira – Como poderemos servir melhor à família Cullen e à família Swan, daqui pra frente?
- Eu só posso falar pela família Cullen, Sr. Howard. – fiz uma pausa e olhei pra Bella enquanto falava – Isabella é quem responde pela família Swan.
- Naturalmente ... Desculpem o meu modo de falar.
- Bom, eu e Bella vamos tirar longas férias. Precisamos nos desligar de tudo, por enquanto ... Então, renovarei a procuração da família Cullen para que seu escritório continue administrando todos os meus bens, inclusive a casa de praia em Martha’s Vineyard, todas as obras de arte daqui dessa mansão e as jóias de família que pertenciam a minha mãe. Vocês se responsabilizarão com o trato com os empregados também. Quero que a procuração tenha um prazo de validade de cinco anos. Mas antes de mais nada, precisarei de U$ 250, em dinheiro.
- Você está anotando tudo, Srta. Cox? – o Sr. Howard perguntou.
- Sim. – foi a resposta seca dela.
- E quanto a você, Srta. Swan? – o velhinho sorriu tímido para Bella.
- Também vou querer U$ 250, em dinheiro. Minha procuração também terá um prazo de cinco anos e quero que o escritório cuide de meus bens, quero que providenciem a venda da mansão Swan, mas quero que preservem as obras de arte e as jóias que pertenciam à minha mãe. Temos um apartamento em Boston que está em meu nome, quero que vocês também cuidem dele.
- Amor, você tem certeza que vai querer vender a mansão Swan? – sussurrei pra ela.
- Sim. Nunca mais vou conseguir entrar lá. – ela murmurou - São muitas lembranças ...
- Mas e aqui? Não te incomoda? – olhei em seus olhos pra ver se captava o que se passava em sua mente – Eu não tenho planos de venda para essa casa ...
- Claro que não, Edward! – ela falou rápido – Nossos pequenos Cullen crescerão aqui.
Ouvimos um pigarrear alto e voltamos à atenção para o grupo à nossa frente. Mas a minha mente vagava na firme convicção de Bella quando ela falou de nossos filhos. Dava a entender que eles já existiam ou que já estavam a caminho. Senti um arrepio na nuca com esse pensamento.
Nos despedimos do grupo com a promessa do retorno deles na manhã do dia seguinte, trazendo um inventário sucinto de nossos bens, as procurações e o dinheiro.
Voltamos à sala e Alice já estava lá, andando de um lado para o outro, com o celular na mão.
- Algum problema, Alice? – Bella guinchou.
Pronto! Fudeu tudo de novo! Ela vai surtar ...
- Não Bella, calma! – Alice parou de andar – Eu só to ansiosa mas tá tudo bem.
Sentamos e a ‘miniatura’ continuou andando pela sala, até que o interfone tocou, ela mesma atendeu, era Mansen e ela rapidamente destrancou o portão.
Mansen entrou trazendo consigo um casal. O cara era muito alto, mais até do que Mansen, muito musculoso, parecia um halterofilista. A mulher era, simplesmente deslumbrante, o tipo de beleza de fazer parar o trânsito. Ela era alta e de corpo escultural, seu andar era elegante, como uma modelo. Seu cabelo era de um loiro-dourado ondulado, longo e lindíssimo. Tive de me concentrar muito para não deixar Bella perceber que a mulher me chamou a atenção. Fiquei até admirado comigo mesmo, em geral, as loiras não me atraem nem um pouco.
Eles se aproximaram de nós e Mansen nos apresentou.
- Pessoal – ele falou para o casal enquanto apontava para cada um de nós – Esses são Alice Brandon, minha parceira de investigação, Edward Cullen e sua namorada, Isabella Swan.
O casal nos fitava com atenção, estavam sérios, mas seus rostos pareciam tranqüilos.
- Bom, esses dois aqui são Emmett Bernard McCarty, agente do FBI, do escritório de Austin, no Texas e Rosalie Lillian Hale, também agente do FBI, daqui mesmo de NY. – ele fez uma pausa e olhou pra todos nós – Emmett foi designado por M para nos ajudar nas investigações e Rosalie foi indicada por mim, além de tudo, ela é minha meio-irmã.
Houve um minuto de silêncio enquanto todos absorviam mais um quinhão de informação.
- Mas isso é nepotismo, Jasper Mansen!!!
Alice falou, fingindo estar indignada e Rosalie lhe lançou um olhar fulminante. O cara grandalhão, o Emmett gargalhou muito alto e todos nós acompanhamos, quer dizer, menos o Mansen e sua meio-irmã.
- AH! Gente, eu to brincando, né?!!! - tá, essa baixinha tem um parafuso frouxo, mesmo.

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