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- Música Das Sombras - adaptação do livro homônimo. (Fic concluída)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Vem comigo, amor - Capítulo 18

À PRIMEIRA VISTA

* POV ALICE*
Assim que soubemos do assassinato de Carlisle Cullen, Charlie Swan e suas respectivas esposas, eu e Jasper travamos uma luta contra o relógio e o rigoroso inverno da costa leste. Os aeroportos de Washington D.C. estavam fechados na tarde de sexta feira, 08 de janeiro, devido ao intenso nevoeiro e à iminência de cair uma nevasca, então pegamos o primeiro trem disponível, rumo à NY.

Tempestade de neve daquele dia
Durante todo o percurso, embora estivéssemos sentados lado a lado, ficamos em silêncio. Não que Jasper Mansen seja o cara mais falante e carismático do mundo mas é que eu também estava hiper calada. No dia anterior havíamos perdido o cara que era como aquele tio gente boa que todo mundo tem.
Ben Chenney, além de nosso chefe imediato, na Divisão Oficial de Investigação, foi nosso professor no curso de formação, quando ingressamos no FBI. Também era nosso amigo, nosso mentor e alguém em quem, acima de tudo, podíamos confiar.
Acredito que ele também confiava muito em nós e em nossa capacidade pois havia nos dado esse caso importante e também a incumbência de procurar o Cullen e o Swan se algo de mal lhe acontecesse. O problema é que na manhã do dia anterior, quando Ben foi assassinado, Jasper estava ainda tentando investigar mais sobre o suposto suicídio de Tyler Crowley. Enquanto eu tinha ido até o antigo apartamento que Gianna Lombardi (a amante de Felix Cudmore) dividia com uma colega, num subúrbio bem barra pesada de Washington D.C. Infelizmente, o fim daquele dia também foi trágico para as famílias Swan e Cullen. Eu e Jasper tentamos por diversas vezes, entrar em contato com eles durante o resto da tarde mas foi inútil. Os telefones em Washington D.C não funcionavam direito devido ao mal tempo e depois ficamos sabendo que as linhas de transmissão telefônica em NY também estavam prejudicadas. Quando ligávamos para o celular deles, dava sempre fora de área.
Tempestade de neve naquele dia

Mas a morte desses dois casais também foi um choque pra mim e para Jasper. No começo, ele até pirou um pouco ... achando que nós havíamos falhado. Mas, por Deus! O dia foi de caos nos meios de comunicação e nós não podíamos imaginar que o poder de reação desses assassinos seria tão rapidamente letal, não podíamos imaginar que eles iriam agir em duas frentes, eliminando vários alvos ao mesmo tempo. Por fim, Jasper se conformou.
O apartamento de Gianna era um cafofo, um chiqueiro. ECA!!!
Paguei U$ 50 para a antiga colega dela me deixar entrar lá, me passei por uma prima distante e tentei enrolar um sotaque italiano. Vi algumas fotos de Gianna e ela era mesmo muito bonita, seus olhos verdes e seu tipo físico me fizeram lembrar de minha mãe biológica. Senti um nó na garganta de imediato e tentei exorcizar essa lembrança.
Fucei em seu guarda-roupa, cômoda e debaixo do colchão. Só achei mais algumas fotos, nada de interessante, exceto por uma foto grande, que parecia ter sido tirada num castelo, em algum lugar na Itália. A tal da Gianna estava ao lado de dois homens, um era alto, musculoso, cabelos pretos e aparentava ter uns trinta anos. O outro era mais velho, tipo uns sessenta anos, mais baixo, muito barrigudo, careca e este abraçava Gianna pela cintura, denotando ter alguma intimidade com ela.
Peguei as fotos (paguei mais 50 dólares por elas) e sai daquele muquifo antes que percevejos pudessem pular em meu lindo cabelo.
AH! Por falar em cabelo, preciso urgentemente fazer uma hidratação nele, esse tempo frio é muito ruim para a fibra capilar. Também preciso passar no salão da Eileen e pedir pra ela repicar mais as pontinhas deles para acentuar este corte de cabelo mega desfiado que estou usando. Vou fazer também uma limpeza de pele e ...
- Vai ficar aí sentada por muito tempo, Brandon? Esse trem não vai para o pólo norte, a terra dos duendes de papai noel. Ou vai?
O mega-simpático do Jasper falou sarcasticamente e arqueou as sobrancelhas, interrompendo os meus pensamentos e me fazendo ver que já havíamos chegado em NY.
- Não, não vai. Mas se fosse, você deveria ir pra lá, pra matar as saudades de seu irmão gêmeo, o Grinch.
Abri um lindo sorriso e depois gargalhei.
- Do que você ta rindo, agora? – ele me perguntou desconfiado, enquanto saíamos do trem e caminhávamos pela estação.
- Eu só tava te imaginando todo verde, da cor da pele do Grinch e vestido com uma roupa de papai noel, fazendo cara feia e assustando as criancinhas ...
- A-HA-HA-HA-HA, Brandon. – ele falou zombeteiro – To chorando de rir.
Nos hospedamos no Morningside Inn, no centro de Manhattan. É um hotel que eu costumo classificar como BBB (bom, bonito e barato) além de ser estrategicamente bem localizado.
- Ô Brandon ... parece que – Jasper hesitava um pouco – Vamos ter que dividir o mesmo ... er ... quarto.
- Eu sobrevivo, Mansen. – tentei disfarçar o nervosismo, a expectativa e a visível tensão entre nós.
Por ironia do destino, o hotel estava praticamente lotado, a intensa nevasca que tem atingido a costa leste nos últimos dias provocou o cancelamento de vôos, adiamento de viagens e a superlotação de hospedagens baratas próximas a aeroportos.  Então, eu e Jasper teríamos que dividir o mesmo quarto. Por pouco dividiríamos a mesma cama ...
ALICE!!! PÁRE JÁ COM ISSO! O PASSADO FICOU PRA TRÁS!
Forcei a minha mente a ter pensamentos coerentes enquanto estávamos no elevador, em direção ao quarto. Tomei um banho quente, descansei um pouco e aproveitei pra telefonar pra tia Mandy (irmã de papai), ela é dona de um brechó de roupas, sapatos, acessórios e mais um monte de coisas, no Queens, o M. Jones’ Good Things. Conversamos um pouco e ela me fez prometer que a visitaria assim que possível.
Eu e Jasper jantamos no restaurante do hotel e depois seguimos pra delegacia de homicídios da polícia de NY. Não podíamos chegar e ir dizendo logo que éramos de FBI e que exigíamos saber detalhes sobre o caso Swan-Cullen. Aquela rixa que se vê em filmes de Hollywood, polícia local e FBI se odiando, é meio exagerada mas tem um fundo de verdade. Então combinamos de chegar ‘devagar’, puxar conversa e dizer que éramos apenas amigos da família.
Quando chegamos, nos identificamos e fomos recebidos por um jovem policial loirinho e com cara de bebê (recém saído da academia, eu acho) que nos disse que o delegado de plantão estava ‘tirando um cochilo’ e não queria ser incomodado por besteira. Jasper olhou pra mim e eu sabia que era a minha vez de entrar em ação.
Dei o meu melhor sorriso, no estilo ‘vou te seduzir’, pro jovem policial enquanto lia o seu nome no crachá. Me inclinei um pouco sobre a sua mesa de trabalho e falei bem próximo ao seu rosto.
- Sr. Tunner ... (caraca, ele piscou os olhos várias vezes quando viu o meu sorriso) Olha, nós sabemos que não estamos envolvidos na investigação (eu sorria mais e mais e o bobinho quase babava) Mas, será que você não poderia no fazer o favor de nos mostrar os inquéritos Cullen e Swan?
Eu fiz a minha melhor cara de cachorrinho pidão, depois apelei pra cara do gatinho de Shrek e por fim, toquei DE LEVE nas costas de sua mão (mas eu tava de luvas)
- Por favor ... Sr. Tunner ...
Ele ainda tava hesitante, tadinho. Resolvi jogar sujo.
- O tio Charlie e a tia ... Rennè (fingi voz embargada de choro), além de meus tios eram meus padrinhos ... E a minha prima, Isabella está ... tão abalada ...
Jasper entrou no jogo e passou um braço protetoramente sobre os meus ombros. E embora ele estivesse de casaco e eu também, nem preciso dizer que me encolhi diante daquele toque, embora nossa história tenha acabado há milênios, eu não sou imune a ele ... infelizmente. Então foi inevitável, meu coração começou a bater mais forte, minhas pernas tremeram um pouco e a minha garganta ficou seca. Ah! Como eu queria mais daquele toque em cada pedacinho de meu corpo ...
FOCO, ALICE!!!
- Vamos embora, Alice! (OMG! O meu nome fica tão lindo quando é dito por ele) Eu tenho certeza que o Sr. Tunner gostaria muito de te ajudar mas isso está fora de suas atribuições. Não queremos que ele faça algo que lhe prejudique e ...
- NÃO! NÃO! Olha, Srta. Brandon, eu vou ... eu vou ver o que posso fazer.
- Alice. Você pode me chamar de Alice ...
Me derreti só um pouquinho pra ele mas na verdade eu queria me derreter pro Jasper.
MERDA! MERDA! MERDA!
FOCO! ALICE BRANDON!
- Você devia fazer novela brasileira. – Jasper sussurrou ao meu ouvido, AINDA me abraçando – Mas um pouquinho e vocês se beijavam.
- Hum ... Tá com ciuminho? – provoquei.
- Vá à merda, Brandon – Jasper sibilou e cortou nosso abraço.
PQP, Alice! Que boca grande que você tem! Precisava provocá-lo?
O jovem policial voltou com as pastas dos inquéritos e sorria tímido pra mim.
- Alice, vocês só podem ficar por aqui por mais um tempinho. OK?
- Claro, Sr. Tunner! Não se preocupe.
Pisquei o olho pra ele, fazendo-o sorrir.
Inquéritos normais, nenhuma novidade, nada que pudesse ser interessante à nossa investigação, então não achamos necessário solicitar à polícia local a transferência das investigações. Isso nos daria mais trabalho e seria inútil, quando a nossa investigação terminasse, chegaríamos aos assassinos, de qualquer jeito. Saímos de lá por volta das dez da noite e voltamos para o hotel. A manhã do sábado foi um marasmo total, só estávamos esperando a hora de ir ao velório e tentar falar com Edward Cullen e Isabella Swan.
Coitadinhos! Eles nem imaginam o que realmente está acontecendo.
Como Jasper não fazia questão da minha presença ao seu lado, depois do café da manhã, liguei de novo pra tia Mandy e lhe disse que estava a caminho de sua casa.
- Mansen, estou indo visitar uma tia minha lá no Queens. – falei enquanto me levantava da mesa onde tomávamos o café - Se precisar me encontrar, é só ligar para o celular ...
- Você não me deve satisfações, Brandon. – falou seco.
Puta merda! Às vezes eu me sinto açoitada pelas palavras de Jasper. Respirei fundo e tentei sorrir.
- Nós ainda não sabemos onde será o velório, Mansen. Você ainda está esperando a ligação daquele seu conhecido do instituto de medicina legal. Lembra?
- Tem razão, Brandon. Desculpe. – ele deu um meio sorriso – Qualquer coisa, a gente se fala. Eu vou aproveitar pra passar numa agência de automóveis e locar um carro pra gente. Ficar pegando táxi o tempo todo não é legal.
Assenti e sai da mesa.
Peguei o metrô e cheguei à casa de tia Mandy em menos de meia hora. O velho duplex com fachada de tijolinhos vermelhos ainda estava enfeitado com temas natalinos, embaixo era o brechó, em cima, o quarto e sala que ela morava desde que ficou viúva. Minha tia parecia bem de saúde e de aparência também (todas nós somos muito vaidosas). Seus cabelos estavam impecavelmente escovados e pintados na cor chocolate, pra disfarçar os fios brancos. Suas unhas estavam lindas num esmalte rosa chiclete, sua maquiagem era suave, contrastando com a sua bem cuidada pele negra. A tia Mandy é a que tem a pele mais escurinha, mais até que a de papai. Ela é alta, meio gordinha e de seios fartos, seu sorriso é contagiante e seu abraço é muito fofinho.
Conversamos muito, sorrimos bastante e ela me fez experimentar várias roupas, nem preciso dizer que adorei essa parte. O seu brechó é muito famoso em NY, vários estilistas de vanguarda vão lá pra trocar idéias, comprar e vender peças. O negócio é tão rentável que ela tem duas funcionárias pra lhe ajudar. Passamos o resto da manhã ‘tricotando’ e acabei ficando pro almoço porque Jasper ligou e disse que o velório seria às 15 horas e que nós nos encontraríamos no Cemetery of the Holy Rood em Old Westbury, o bairro onde os Cullen e os Swan residiam . Tomei um banho na casa da tia Mandy e ela me fez vestir um tailleur preto muito bonito e quase novo.
Já no cemitério, eu fiquei dentro do táxi até Jasper chegar num sedã preto e de vidros escuros. Nós dois esperamos que todos entrassem na minúscula capela e entramos depois, ficamos de pé quase na saída porque não queríamos ser notados ainda. Mesmo de longe, era fácil perceber o lindo casal Edward e Isabella, porém as fotos que Ben nos deu deles não fizeram jus à beleza de ambos. Eles estavam inconsoláveis e me senti muito mal por eles, pareciam tão frágeis, tão indefesos. Choravam abraçados e era quase palpável o carinho e a afeição que tinham um pelo outro. Assim que a missa terminou e as pessoas dentro da capela começaram a se levantar, eu e Jasper saímos rapidamente e nos dirigimos até o cemitério, propriamente dito. Tentamos passar despercebidos, entre os mausoléus e depois nos aproximamos um pouco quando já estavam todos reunidos novamente, embaixo de um enorme toldo branco.
Havia uma quantidade razoável de pessoas no enterro, todas impecavelmente bem vestidas. Dava pra notar que os amigos dos Swan e dos Cullen também eram pessoas ricas, até as coroas de flores eram diferentes, mais bonitas que o normal. Uma linda jovem cantou uma música sacra, a Ave Maria, eu acho, algumas pessoas jogaram rosas brancas sobre os caixões e Isabella Swan chorou muito nessa hora. Seu namorado a abraçou, amparando-a, ele também chorava mas parecia mais controlado. Meus olhos se encheram de lágrimas, senti um nó na garganta, baixei meu olhar e encarei o chão coberto de neve sobre meus pés ... lembrei da dor de se sentir órfã.
Parece que às vezes, quando ele não está ocupado no ofício de ser rabugento, Jasper tem o dom de identificar os sentimentos das pessoas. Ele pôs seu braço sobre meus ombros novamente e sussurrou ao meu ouvido, bem discretamente.
- Desculpe, Brandon. Não havia necessidade de você vir aqui ... Você não precisava lembrar de certas dores.
- Tá tudo bem, Jas ... Mansen.
Levantei meu olhar e nesse momento, meus olhos se encontraram com os olhos castanhos de Isabella Swan. Tudo nela era o reflexo de uma grande dor e de um vazio imensurável.
Naquele momento, meu compromisso com Ben Chenney ficou ainda mais solene. Eu me comprometia agora, não só com o FBI e com a justiça, eu me comprometia também com aquela jovem, daria o meu melhor pra preservar a vida dela e a de seu namorado e também para pôr os canalhas que mataram seus pais atrás das grades.
Foi à primeira vista, talvez até eu estivesse enganada, se bem que, dificilmente eu me engano com as pessoas ... mas eu senti que ‘o meu santo bateu bem com o dela’.
Mas eu e Jasper fomos notados não só por ela, mas por seu namorado também, que nos lançou um olhar questionador.
- Brandon ... – Jasper sussurrou – acho que devemos ir embora agora. Esse não será o melhor momento de conversarmos com eles.
Caminhamos rapidamente em direção à saída do cemitério e entramos no carro que Jasper havia locado. Liguei o aquecedor assim que sentei no banco.
- Putz! Que frio ... argh! – estendi as mãos até o aquecedor.
Já no hotel, deitei na minha cama. A minha cabeça tava me matando, Jasper tinha razão, ir àquele velório só me fez ter lembranças tristes. Cobri o meu rosto com o travesseiro pra ver se me escondia da dor.
- Brandon, tá tudo bem? – ele tocou de leve em meu braço.
‘BRANDON, UM CARALHO!’ Eu tive vontade de responder. Juro.
Será que pra ele eu sou apenas um sobrenome?
Não, Jasper Mansen. Eu não sou um sobrenome, eu sou ALICE. Entendeu? ALICE, a mulher que te ama desesperadamente e que você insiste em repelir porque você é muito teimoso, muito orgulhoso, muito intransigente, muito ... muito Jasper, meu Jasper.
- Brandon ... – ele insistiu.
- To bem, Mansen. – é, eu também passei a chamá-lo pelo sobrenome por exigência dele – Só to com dor de cabeça.
- Vamos fazer assim ... – senti o colchão da minha cama afundar, ele com certeza havia sentado ao meu lado, meu corpo travou por completo – Por que você não toma um banho quente, pra tentar relaxar? Eu vou ligar para o serviço de quarto e vou pedir uma comida quente e decente pra nós. OK?
- Ok.
“Vou pedir uma comida quente e decente pra NÓS.” Essa frase ficou martelando em meus ouvidos enquanto eu tomava banho ... OMG! Foi tão lindo da parte dele, querer fazer alguma coisa pra nós. Vesti roupas confortáveis, penteei meus cabelos e tentei fazer uma cara mais alegre. Quando sai do banheiro, ele estava ao telefone.
- Não querida, não fique assim ...
QUERIDA???!!!
Minha cabeça voltou a doer e eu me senti uma idiota. Jasper Mansen só tava com fome, por isso ele resolveu pedir comida. Não era por mim e nem pra mim que ele fazia isso. ARGH!
- Sim, eu prometo que te ligo assim que puder. Mas pense com carinho na proposta que te fiz. Vai ser bom pra nós dois.
PROPOSTA?!
G-ZUIS!!! Será que ele pediu alguma mocréia em casamento? Será que Jasper ta namorando alguém? Ai, meu Deus!
- Tapeando a namoradinha, Mansen? – ele me olhou feio.
- Não. Consolando a minha irmã que mais uma vez tentou fazer fertilização in vitro e não deu certo.
Ai, meu Deus, por que eu não mordi a língua ao invés de falar uma merda dessa?
- AH! Desculpa ... – queria que a terra se abrisse e me engolisse de vez.
Jantamos sopa de abóbora, torradas de alho e café preto. Tava tudo uma delícia mas era o tipo de comida para ‘não beijar ninguém depois do jantar’. O gosto do alho ainda ficou por um tempo em minha boca, mesmo depois de eu ter escovado os dentes.
- Brandon, eu estou a dois quarteirões do apartamento de minha irmã. Vou até lá, visitá-la.
- Tá. – ele me olhou desconfiado – O que é? – perguntei desconfiada.
- Você, respondendo a uma pergunta monossilabicamente. – falou zombeteiro e eu estirei a língua pra ele.
Deitei na cama e tentei dormir, embora ainda fossem sete horas da noite, eu tava esgotada.
Acordei ofegante, gritando, chorando, o rosto estava coberto de suor e lágrimas. Senti um par de mãos me segurando, me sacudindo de leve e um corpo me abraçando no escuro.
-Calma, Alice! Foi só outro pesadelo ... acabou ... calma ...
Meu coração parecia uma escola de samba, ou será que era o de Jasper. O calor e o cheiro de seu corpo, aliados a sua linda voz, me acalmaram um pouco.
- Des-descul-pe. – murmurei – Te acordei, não foi?
- Não, querida. Não me acordou.
Sua voz, por incrível que pareça era muito terna e eu não pude deixar de perceber o ‘querida’. Ainda bem que o quarto tava escuro, porque eu sorri.
- Eu cheguei a poucos minutos da casa de minha irmã. - ele se afastou um pouco e acendeu a luz – Vou pegar um copo com água pra você.
Fui me acalmando aos poucos, mas é sempre o mesmo sonho, um terrível pesadelo.
 “Eu estava completamente ensopada e tremia de frio, abraçada aos meus joelhos e toda encolhida. Meus pais demoraram a voltar e eu comecei a chorar, depois de um tempo eu fui até a janela e vi que a chuva tinha passado. Peguei um banquinho e tentei abrir a janela com muito cuidado pra não me cortar com os cacos de vidro.
Eu estava com fome e com sede, comecei a beber das gotas da chuva que pingavam pela janela. Em cima do banquinho, me inclinei mais enquanto bebia a água. Foi quando eu os vi, meus pais, boiando sobre as águas.
Na hora, eu não entendi muito e comecei a gritar.
- MAMÃE! PAPAI! EU TO AQUI! EU TO AQUI ... MAMÃE ...
Meu choro recomeçou com muita força enquanto eu via meus pais ‘nadando e se afastando de mim’, era assim que eu pensava na época. Até que homens do corpo de bombeiros me acharam e me levaram ao ginásio da cidade.”
...
Em 1988, eu tinha quase seis anos de idade e morava na Ilha de Galveston, Texas, onde meus pais eram donos de uma linda pousada. Em setembro daquele ano, o furacão Gilbert passou pelo México, Jamaica, Guatemala, Nicarágua, e Golfo do México, atingindo o Texas, mais especificamente a nossa linda ilha, deixando um saldo de centenas de mortos.
Mamãe e papai me levaram até o porão da pousada, enquanto o Gilbert, um furacão F-5, lambia tudo o que via pela frente, com ventos de mais de 150 Km/H. Depois de horas, o furacão deu lugar a uma intensa tempestade, parecia um dilúvio. A casa ainda estava de pé mas tudo tava inundado, lembro que a água batia em meus joelhos e papai dizia que seu nível ia aumentar ainda mais. Mamãe e papai me levaram até o sótão da casa, no terceiro andar da pousada e voltaram até a cozinha pra pegar alguns mantimentos enquanto esperávamos por ajuda.
Após a morte de meus pais, fui levada ao ginásio da Galveston High School onde havia outros órfãos. Por três dias eu não falava nada e mal me alimentava, tiveram que colocar soro em mim. Até que num dia claro de sol, uma linda enfermeira de pele bem morena como chocolate e dona de um sorriso de marfim, apareceu pra cuidar de mim.
- Menina linda, se eu te contar uma história bem bonita, você promete tentar comer só um pouquinho? – ela tinha um sorriso meigo.
Eu apenas assenti com a cabeça.
- O que você gosta de comer? – seu sorriso ficou maior.
- Purê de batata e carne assada. – falei num murmúrio bem fraquinho.
Ela chegou mais perto de mim e tocou em minha testa, depois afagou minha bochecha.
- Princesinha, qual é o seu nome?
- Alice ...
- Muito bem. Princesa Alice. – ela beijou minha testa – Eu volto já.
A mulher voltou com um prato de carne assada, arroz branco e purê de batatas. Enquanto me dava a comida na boca, contava uma história da ‘Princesinha Alice e do cachorrinho Pimpão’. Anos depois descobri que mamãe Grace tinha inventado essa história só pra me fazer comer.
Os Jones me adotaram quando descobriram que eu não tinha parentes próximos mas o juiz que autorizou a minha adoção disse que seria por tempo determinado até algum parente meu aparecer.Por isso, ele não autorizou que acrescentassem o sobrenome Jones ao meu nome. Ele sempre dizia que uma criança branca deveria ser criada por outros de sua mesma raça. Somente quando papai ameaçou denunciá-lo à Comissão de Direitos Humanos da cidade, é que ele autorizou a adoção.
Desde 1988, o pastor batista Solomon Jones e sua esposa, a enfermeira Grace Jones são os meus pais e meus melhores amigos. Junto com meus novos pais, ganhei tios, tias, primos e primas e no natal de 1988, mamãe Grace me deu um filhotinho de beagle, o Pimpão.

- Brandon? Você tá se sentindo melhor? – Jasper me trouxe ao presente de novo.
- Sim, Mansen, obrigada. Que horas são?
- É tarde. Eu tava pensando ... Que tal se a gente fosse na mansão Cullen e na mansão Swan agora?
- Agora?
- É, pra ver se a gente acha as provas e, quem sabe, aqueles dois. Não podemos perder tempo.
Pensei um pouco e assenti. Com sorte, nós os acharíamos lá, e talvez poderíamos procurar com calma pelas provas. Mas talvez eles tivessem resolvido passar a noite na casa de algum parente ou amigo próximo.
- É, boa idéia.
Fomos primeiro à mansão Cullen. Que casa bonita! Já do portão da propriedade, tivemos que desligar o sistema de alarme, bastante caro e sofisticado, por sinal. Mas nada impossível para agentes bem treinados do FBI.
O lugar parecia um palácio, todas as paredes eram de tijolos vermelhos e, mesmo à noite, sobre o umbral da porta principal da casa, pude ver um brasão, que deveria ser o brasão da família Cullen e uma data, 1875, talvez, o ano de sua construção.
Entramos com facilidade e, mais uma vez, desativamos os outros alarmes, Começamos a vasculhar tudo com calma e com bastante agilidade.
NADA!
Subimos ao primeiro andar e entramos em alguns quartos, por fim, no quarto que deveria ser do jovem Cullen e a cama estava desforrada. Havia marcas sobre o colchão e os lençóis, como Jaspe havia deduzido, tinha alguém na casa.
O jovem casal deveria estar por ali, em algum lugar, mas se estavam escondidos de nós, não seria prudente forçar a nossa presença daquele jeito, o resultado poderia ser muito pior, eles poderiam fugir e desaparecer. E eu não duvidava disso, supondo que eles eram inteligentes, suspeitariam da execução dos pais. E com o dinheiro que ambos tinham, poderiam sair do país num passe de mágica. E isso seria a derrota iminente deles pois os sobrenomes Cullen e Swan poderiam ser rapidamente rastreados pelos Volturi.
Só perdemos tempo em ir á mansão Swan, eles não estavam lá, voltamos ao hotel. Precisávamos pensar melhor e no dia seguinte, telefonaríamos para M. Goleman, o presidente do FBI e também o nosso chefe imediato nessa investigação. M havia assumido a chefia da operação após a morte de Ben e depois que eu e Jasper demos sorte de conseguir uma hora com ele em seu gabinete e lhe contarmos algumas novidades sobre o caso.
M ficou muito preocupado, indignado e fez questão de assumir tudo. Atualmente, ele espera nossos avanços e ainda está terminando de tomar outras providências para melhorar a nossa equipe investigativa, conseguir mais suporte financeiro e conseguir apoio irrestrito do Secretário de Defesa.
No hotel, dormimos feito pedra pelo resto da noite, bom, eu pelo menos dormi. No domingo de manhã, Jasper ligou pra M e conversamos um pouco, numa teleconferência, levamos uma brinca sutil porque ainda não havíamos achado o Cullen e a Swan.
Depois da conversa, Jasper tava com cara de cachorrinho que caiu do caminhão de mudança e acho que eu também. Abri meu notebook e fiquei estudando o caso de novo enquanto Jasper ‘brincava’ com o seu cubo mágico. Mas eu o conheço bem, ele faz isso quando tá muito concentrado pensando em algo.
O celular dele tocou umas quatro vezes.
- Atende essa merda, Mansen. – falei irritada.
- ALÔ? – ele quase gritou.
Puta merda, que mau humor!
- Depende. – ele não falava, rosnava.
Ficou calado por um bom tempo e depois seu semblante mudou, ficou eufórico e deu um pulo da cadeira.
- Sim, sou eu mesmo. Você e sua namorada estão bem? Estamos à procura de vocês, vocês estão feridos? Olha, precisamos ...
Ele falou muito rápido mas pude entender com quem falava, fiquei de pé também e me aproximei dele.
- Claro. Faz parte da minha missão. – olhou em meus olhos – Precisamos nos encontrar logo. Onde vocês estão? – esperou mais um pouco - Em vinte minutos, eu e minha colega, Alice Brandon estaremos aí.
Nós nem contávamos com essa, foi mais fácil encontrá-los do que eu poderia imaginar. Sorrimos um para o outro e seguimos ao encontro de ‘nossos protegidos’.

* POV DE BELLA*
Depois que terminamos de ler a imensa carta que nossos pais haviam escrito, eu acho que tava num estado semi-catatônico. Tinha a vaga noção que Edward me carregava no colo, chegamos ao banheiro e ele começou a me despir e depois fez o mesmo com ele. Nos levou ao box e abriu o chuveiro, deixando a água quente nos cobrir, abracei seu corpo em busca de um calor diferente do da temperatura da água.
Edward afastou um pouco os meus cabelos e começou a beijar meu pescoço e meu ombro. Instintivamente apertei mais o meu abraço nele e senti o tão familiar calor de meu corpo reagindo ao dele. Comecei a beijar seu peito e, não satisfeita, fiquei na ponta dos pés e avancei ao seu pescoço, queixo e lábios. Tudo o que eu mais precisava era do toque e do amor de meu Ed me fazendo esquecer de tudo, mesmo que fosse por um curto espaço de tempo. Senti suas mãos em minha cintura e depois em minha bunda, seu membro já dava sinais de vida e eu muito me alegrei com isso. Não queria que aquele momento não acontecesse.
- Amor ... você quer? – a voz baixa e rouca dele me enchia de tesão.
- Sim, Edward. Preciso de você...
Sua mão foi até a minha coxa e depois à minha intimidade, me acariciando em meu ponto mais sensível, arrancando pequenos gemidos de mim. Edward me encostou na parede e levantou meu corpo um pouco. Enrosquei minhas pernas em sua cintura e minhas mãos travaram em seus ombros, mantendo-me firme entre ele e a parede. A penetração foi rápida e ma-ra-vi-lho-sa, a água quente ainda caia sobre nós. O vapor dentro do box estava impregnado com o nosso cheiro, o cheiro do nosso amor.
Edward investia em mim deliciosamente e a cada movimento de sobe e desce que meu corpo fazia, meu clitóris entrava em contato com a base de seu membro, essa fricção era um prazer a mais para mim. Meus seios intumescidos e bastante sensíveis alisavam bem de leve o seu peito e eu me dei conta que já estava muito perto de me sentir plena. Ele intensificou seus movimentos e seu membro avançou mais rígido dentro de mim, me possuindo com paixão e volúpia.
- Ah! Edward ...
Era uma coisa inexplicável, eu me derramava e me entregava pra ele ao mesmo tempo em que me sentia completa, unida a ele de uma forma mágica, como se fôssemos um só. Mas nós éramos um só, sempre fomos. Sorri com esse pensamento.
Suas estocadas ainda permaneceram um pouco e eu continuei ‘abraçada’ a ele com braços e pernas. Seu gozo quente me invadiu, ele me beijou e disse a frase que eu mais amo ouvir de seus lábios.
- Bella ...  Te amo, amor.
Depois tomamos banho de verdade e eu me senti mais relaxada, acho que era falta de endorfina (hormônio do prazer) em meu sistema. Trocamos de roupa e Edward resolveu preparar o nosso almoço.
OMG!!!
Não importava em que situação nos encontrávamos, não importava que talvez tivéssemos alvos em nossas testas. O que realmente importava é que Edward Cullen estava diante de mim com um lindo sorriso nos lábios, perguntando se eu queria comer macarrão instantâneo com tempero de carne ou de frango.
- O de frango. Tem certeza que não quer que eu faça? – perguntei, porque não sabia se ele sabia fazer macarrão instantâneo.
- Absolutamente. – ele chegou mais perto e me deu um selinho.
Enquanto Ed preparava a nossa refeição, eu pensava no conteúdo daquela carta. Pensava no certo e no errado, no fácil e no difícil, em fugir pra Nova Zelândia ou em procurar os agentes do FBI ... Comemos calados, sobre o saco de dormir e tomamos uma bebida energética com gosto de limão. Respirei fundo e pedi a Deus que Ed concordasse com a minha decisão.
- Edward, estive pensando ... acho que devemos fazer exatamente o que os nossos pais nos mandaram ...
Ele sorriu e envolveu minhas mãos nas dele.
- Eu acho exatamente isso, Bella. E acho que devemos ligar pra eles o quanto antes.
- Nossos pais não nos mandariam fazer algo que nos prejudicasse. Então ... acho que devemos confiar nesses agentes. – ponderei.
Seu sorriso ficou ainda maior e ele beijou calidamente as minhas mãos, beijou também o anel de compromisso que me deu. Consciente ou inconscientemente, Edward sempre beija esse anel. É como se existisse um dispositivo, um alarme biológico nele que o fizesse se lembrar dessa jóia.
Toi et moi.
Você e eu. Minha mente se encheu de doces lembranças e meu coração se inflou de amor e felicidade pelo homem maravilhoso que eu tenho.
- Vem, amor. Vamos ligar pra eles, então. – ele me puxou pela mão e fomos até a mesa onde estavam as pastas com os dados dos agentes.
Edward ficou meio tenso enquanto discava o número do celular de Jasper Mansen. Nossas mãos estavam entrelaçadas, era tudo ou nada pra nós naquela hora.
O cara atendeu o telefone e Ed começou a falar com ele, fitei seu rosto tentando captar suas emoções. A curiosidade tava me matando, então me estiquei toda e me encostei nele pra poder escutar, ele se solidarizou comigo e se abaixou um pouco, facilitando minha vida.
- Eu sou Edward Cullen. – sua voz já tava meio ríspida e impaciente – E aí, você é ou não é Jasper Mansen?
- Sim, sou eu mesmo. Você e sua namorada estão bem? Estamos à procura de vocês, vocês estão feridos? Olha, precisamos ...
O cara do outro lado começou a falar freneticamente.
- Sr. Mansen, calma. – o cara se calou – Nós estamos bem mas precisamos de sua ajuda. Podemos contar com o senhor?
- Claro. Faz parte da minha missão. Precisamos nos encontrar logo. Onde vocês estão?
Edward olhou pra mim e eu entendi o que ele queria perguntar, assenti.
- Na mansão Cullen. Em quando tempo vocês podem chegar aqui?
- Em vinte minutos, eu e minha colega, Alice Brandon estaremos aí. - o homem falou apressado.
- É isso aí, amor. Seja o que Deus quiser. - Edward falou e olhou em meus olhos
- Vai dar tudo certo, amor. Eu sei. – o envolvi num abraço, orgulhosa por sua atitude e falei em seu ouvido.
O nosso abraçou foi muito gostoso era como se transmitíssemos confiança, paz e apoio um ao outro.
Lembrei da sacola que ele havia trazido com as jóias de Esme e dos álbuns de fotos. Lembrei também que precisávamos combinar as atitudes que teríamos diante do casal de investigadores.
- Amor – desfiz nosso abraço – acho melhor pegar as jóias de Esme e colocá-las junto com as minhas e as de mamãe naquela bolsa de viagem. Por hora, prefiro que elas fiquem aqui no bunker.
- Bem pensado, Bella. – ele me deu um selinho – Afinal, agora elas são suas.
- Não! – falei e fiz um movimento de negação com a cabeça e com o indicador – São da nossa família, Ed, essas jóias são para as futuras gerações Swan e Cullen. Teremos filhos, um dia, se Deus quiser!
- Ou filhas. – ele sorria pra mim.
Arrumei todas as jóias na imensa bolsa de viagem que havia pego no closet de mamãe. Tive que tirar os álbuns de lá, acomodei-os sobre uma cadeira da mesa.
Peguei novamente a carta que estava sobre o saco de dormir e olhei bem pra ela, uma carta escrita pelo próprio Carlisle (reconheci sua caligrafia) e pelo meu querido papai (sua caligrafia era inconfundível pra mim). No final dela ainda tinha um pedacinho que Ed tinha esquecido de ler.
“New York, tarde de 07 de janeiro de 2010.”
Respirei fundo, eles haviam preparado aquilo tudo horas antes de morrerem. Dobrei a carta, pus no envelope de novo e guardei-a na gaveta.
- Bella, já está na hora de sairmos daqui para recebermos os nossos ‘visitantes’ adequadamente ...
Senti um frio na barriga e assenti pra ele que sorria torto pra mim, mas seu sorriso era forçado, sei que Edward tava tão tenso quanto eu.
- Se bem que ... Eu ficaria mais tranqüilo se você ficasse aqui dentro enquanto eu ia lá em cima pra falar com eles ...
Será que eu ouvi bem ou os meus ouvidos estavam entupidos de cera? Semicerrei os olhos e juntei as sobrancelhas, pus as mãos na cintura e falei sério com ele.
- Não. Tem. Graça. Edward. Cullen. – sibilei olhando em seus lindos olhos verdes e fiz cara feia.
Ele chegou mais perto de mim e suas mãos contornaram a minha, puxando-me pra ele.
- Eu precisava tentar, Bella ... Não gosto de arriscar a sua integridade ...
- E a sua? – perguntei desafiadoramente.
- Não é a mesma coisa ...
- Claro que é! Você e eu – afundei meu dedo em seu peito – Um pacote só, como o papai falou na carta. Lembra?
Envolvi seu rosto em minhas mãos e falei sério com ele.
- Edward, de uma vez por todas, eu quero que você jure. – ele juntou as sobrancelhas e franziu a testa – Quero que você jure pelo amor que sente por mim ... Jure que nunca vai pensar somente em mim. Você tem que pensar em NÓS! Em nós, Edward, porque sem você eu não sou nada. Entende?
Ele colou nossas testas e me olhou nos olhos, respirou prolongadamente antes de responder.
- Eu juro. – sussurrou.
- Você jura o quê? – provoquei.
- Juro não te matar de estresse. – chutei de leve a canela dele e ele sorriu – Juro que vou pensar em nós, em nossa segurança e que vou ficar inteiro pra você. Satisfeita?
- Muito. – sorri e beijei seus lábios.
- Amor, precisamos combinar bem o que devemos conversar com esses agentes. – ele falou quando o beijo acabou.
- Hum ... Acho que devemos ouvir primeiro, Ed. Será que devemos confiar neles?
- Eu acho que sim, porque antes de sair eles religaram o sistema de vigilância e também porque eles foram recomendados por Ben Chenney.
- É ... – suspirei – Vamos logo, então.
Peguei em sua mão e comecei a andar mas Edward empacou ao meu lado.
- Amor? – me virei pra olhar pra ele e vi medo em seus olhos – OH! Edward, venha. – abracei-o novamente – Vai dar tudo certo. OK?
Ele parecia não me ouvir. Tive um flash de memória, no meu sonho quando me encontrei com nossos pais, no lindo jardim, papai dizia que eu não devia confiar em todo mundo mas também que eu não devia desconfiar de todo mundo.
Decidi confiar em Jasper Mansen e em Alice Brandon. Pedi a Deus pra que estivesse decidindo certo e sorri pra Edward.
- Ed, vamos, está na hora.
Dessa vez ele desempacou, peguei o celular não rastreável do bunker e pus em meu bolso. Olhei pelas telas do monitores e vi que eles ainda não haviam chegado, ligaria para Jasper Mansen assim que subíssemos até a sala de estar.
Assim que subimos ao mundo real, meus olhos demoraram um pouco a se acostumar com a luz do sol, as cortinas das janelas da sala de estar estavam todas amarradas. Peguei o celular e disquei para o numero gravado no registro de chamadas recentes, um homem atendeu e quando eu ia falar, Ed tomou o telefone de minha mão.
- Sr. Mansen? – uma pausa – OK. Mas uma coisa, quando vocês chegarem, por favor interfonem, não queremos ser surpreendidos de novo.
- Eles estão perto? – perguntei.
- Mais cinco minutos.
Edward falou e se postou diante de uma grande janela que proporcionava uma vista ampla para o jardim e o grande portão de entrada da mansão. Fiquei ao seu lado, de pé, olhando para o grande campo coberto de neve e o portão de ferro. Entrelaçamos nossas mãos e esperamos.
Os minutos pareciam horas ...
Finalmente, um táxi parou na entrada da mansão e um casal desceu dele.
O interfone tocou e Ed atendeu.
“Boa tarde. Somos Alice Brandon e Jasper Mansen.”
Uma voz de sinos, feminina e bem bonitinha ecoou pelo aparelhinho grudado na parede.
- Vou destravar o portão mas entrem SEM o táxi. – Edward foi categórico e eu nem entendi o porquê.
“OK. Entraremos a pé.”
- ED, por que ...
- Eles ficam mais vulneráveis ... eu acho, se entrarem sem o veículo. Depois é só chamar outro táxi.
Ele falou sem tirar os olhos da janela.
- Agora, pelo amor de Deus, Bella, suba e fique no alto das escadas. Você os verá de longe e se ... tudo aqui der em merda, corra até meu quarto e entre no bunker.
Seu semblante era muito sério e concentrado, sua voz era aquela toldada pelo estresse, baixa e cortante como aço. Decidi não contrariá-lo, mas é claro que eu não o deixaria. Se algo desse errado, aquele ‘errado’ que eu tenho certeza que passou em sua mente, eu morreria ali, com ele naquela sala mas jamais o deixaria.
- OK, Ed. – dei um selinho nele – Te amo.
- Eu te amo mais.
Fiz o que ele pediu e fiquei no alto da escada. Escutamos uma leve batida na porta e Ed ainda olhou pra trás pra ter certeza se eu estava onde ele tinha indicado.
Meu coração galopava e as minhas pernas tremiam que nem bambu ao vento. Segurei no corrimão da escada com muita força, os nós de meus dedos quase saltaram de minha pele.
Edward abriu a imensa porta de carvalho e se deparou com o lindo casal de agentes.
CARACA!!!
Jasper era muito alto e forte e Alice era muito pequenina mesmo, parecia uma boneca Polly, sendo que de cabelos curtinhos e pretos e usando um terninho cor de vinho por baixo do imenso casaco preto.
- Boa tarde, Edward Cullen. – cara estendeu a mão pra Ed e meu coração perdeu uma batida nessa hora – Eu sou Jasper Mansen, agente do FBI.
Ele sorriu um pouco e mostrou seu distintivo e sua carteira de agente.
- Eu sou Alice Brandon.
A moça de linda voz mostrou um sorriso tímido e também estendeu a mão pra Edward e lhe mostrou sua identidade. Mas ela olhava por cima de seu ombro, diretamente pra mim, ela já tinha me visto ali.
- Vocês estão armados? – Ed ainda estava na porta, impedindo a entrada deles.
- Claro. Que pergunta! – Jasper respondeu ríspido e me deu a impressão que ele acordou com o pé esquerdo naquele dia.
- Ora, ora, Jasper Mansen! Seja um pouco mais complacente. – a mulher falou recriminando-o e eu, apesar de todo o estresse do momento, quase não consegui reprimir o riso.
- Nós estamos armados sim, Edward Cullen. – ela falou e sorriu – Mas nós vamos, com bem calma, tirar as nossas armas e entregá-las a você. OK?
Ed apenas assentiu.
- Eu não vou ... – o cara começou a protestar.
- Manual de Treinamento, página 637, item 2, subitem 2.89: ‘quando uma testemunha em potencial está hesitante quando a sua segurança e se recusa a conversar com os agentes, estes devem, APÓS AVALIAR O GRAU DE PERICULOSIDADE DA TESTEMUNHA’ – ela frisou bem essa parte – ‘trabalhar para ganhar a sua confiança’.
CARACA!!! Essa baixinha era foda mesmo. O cara murchou na hora mas ainda tentou argumentar.
- E quanto à garota? – ele olhou feio pra mim.
Alice Brandon suspirou enquanto entregava duas pistolas para Edward.
- Fala sério, Mansen. A pobrezinha tá se segurando no corrimão da escada pra não cair ... ela iria nos atacar com o quê? Um vaso de porcelana chinesa?
O cara desistiu e entregou duas armas pra Edward.
Relaxei de imediato e quase fiz xixi nas calças, foi aí que me lembrei que tava muito apertada.
Ed deixou que eles entrassem e lhes indicou o sofá para que se sentassem, pôs as armas deles em cima da mesinha de centro. Mansen sentou numa poltrona, Alice (desisti de me referir a ela pelo sobrenome) sentou em outra poltrona e Edward sentou no sofá.
- Bella, pode vir agora.
Desci as escadas bem devagar enquanto três pares de olhos me filmavam. Alice sorria? Parecia que sim. Edward ainda tava preocupado e Mansen me olhava com indiferença.
- Boa tarde, eu sou Isabella Swan. – estendi a mão para Mansen e depois para Alice.
- Boa tarde. – foi a resposta curta do agente.
- Boa tarde, Isabella. Lamento que tenhamos de nos conhecer sob circunstâncias tão difíceis ... – o sorriso de Alice parecia sincero.
- Bella, você pode me chamar de Bella, Srta. Brandon. – retribui ao seu sorriso.
- Então você pode me chamar de Alice, Bella! – percebi, de cara, que iríamos nos dar muito bem.
Jasper Mansen pigarreou alto, acho que pra chamar a nossa atenção e eu corei, sentei ao lado de Edward que entrelaçou nossas mãos. Houve um minuto de silêncio muito, muito tenso e depois Alice falou.
- Nós estamos envolvidos nessa investigação desde o dia 21 de dezembro quando nosso chefe, Ben Chenney nos entregou cópias das provas e iniciou oficialmente as investigações.
- Vocês sabem do que se trata? – Mansen perguntou.
- Tráfico internacional de armas. – Ed respondeu.
- Isso mesmo. Entretanto as coisas se complicaram rapidamente. – Mansen prosseguiu – Tyler Crowley, coronel do Exército e amigo pessoal de Ben, teve acesso às provas no domingo dia 20 de dezembro e na madrugada do dia 22 apareceu morto em sua casa.
- Ficamos em alerta e avançamos mais nas investigações. Ben suspeitava que seus pais corriam perigo e nos incumbiu de entrar em contato com eles se algo acontecesse. – Alice falou.
- Tudo foi muito rápido. – Mansen prosseguiu – Na manhã do dia 07, na última quinta-feira, Ben Chenney foi assassinado. Nós passamos o resto da tarde tentando telefonar para os pais de vocês, mas o celular deles só dava fora de área e ...
- FOI POR ISSO, EDWARD! – minha voz subiu várias oitavas – Ah! Meu Deus! – meus olhos se encheram de lágrimas.
- O que foi, Bella? – ele arregalou os olhos e o casal de agentes me olhou como se eu fosse louca.
- Os agentes não conseguiram falar com nossos pais porque eles estavam em você-sabe-onde, preparando você-sabe-o-que pra nós e isso foi na tarde do dia 07. – cochichei em seu ouvido.
- Uma infeliz coincidência, Bella. – ele lamentou e beijou minha testa.
- Mas do que vocês estão falando? – Alice perguntou.
- Nossos pais estavam ‘escondidos’ durante a tarde do dia 07. Tomando providências quanto à nossa segurança – Ed falou e fez um sinal apontando dele pra mim – Por isso, vocês não os localizaram. Eles nos deixaram instruções claras, devemos lhes entregar as provas e vocês devem nos incluir no ... Serviço de Proteção a Testemunhas. É isso?
- Exatamente. – Mansen respondeu.
- Eu não entendi uma coisa. – olhei pra Alice, era melhor olhar pra ela do que olhar para o seu colega – Por que nós seremos inseridos no Serviço de Proteção à Testemunha, se nós não testemunhamos nada?
- O serviço é muito abrangente, Bella. Vocês não são testemunhas oculares de nada mas têm as provas concretas de todo o caso. Tudo o que vocês têm em mãos é extremamente importante e por causa disso, mais de dez pessoas já morreram. O FBI está preocupado e comprometido em assegurar a vida de vocês. – Alice respondeu, seu olhar vagava entre mim e Edward.
- Vocês entrarão no Marshals Service, o programa específico ao caso de vocês. Esse programa lhes ajudará a obter uma oportunidade de trabalho, subsidiará uma moradia no valor máximo de U$ 500 por mês, fornecerá ajuda financeira para subsistência de até U$15 mil por ano, para cada um de vocês, fornecerá documentos de identidade e suporte de psicólogos, psiquiatras ou assistentes sociais quando a necessidade for constatada.
Jasper Mansen começou a falar como se aquilo fosse a coisa mais maravilhosa do mundo. Mas eu acho que ele não fazia por mal, só estava tentando ser menos antipático, nos mostrando que a nossa nova vida não seria tão nefasta.
Enquanto ele falava tudo aquilo, entrelacei minha mão na Edward e pensei: “Nova vida. Eu e Edward. Não vou deixar que o medo escureça a minha visão, mamãe (lembrei de nossa conversa no sonho) e também não vou desistir de ser feliz Esme, eu e Edward (lembrei também de minha adorável futura sogra).”

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