SR. & SRA. (...)
Eu acordei mais cedo do que esperava. O dia anterior foi muito, muito intenso. Foi o dia de nosso casamento! Eu sempre achei que uma cerimônia de casamento, daquelas bem tradicionais, fosse um desejo tipicamente feminino. Eu sempre achei que eram apenas as garotas quem sonhavam com a festa de casamento. Eu estava enganado! Desde o dia em que Alice nos garantiu que a cerimônia religiosa e a festa de casamento iriam acontecer, não teve um único momento em que não ansiei pela festa. No dia que fui à Atlanta com Rose e Emmett, provar o meu terno e levar as alianças na Tiffany para serem polidas e terem os nossos nomes gravados, eu percebi o quanto o sonho do casamento estava se tornando concreto. Tudo foi perfeito, nos mínimos detalhes, nossos amigos se esforçaram em nos proporcionar um casamento muito bonito. Até álbum de fotos e DVD nós vamos ter! Se bem que tudo está gravado na minha memória! Até o cheiro das flores está impregnado em minhas lembranças ... Mas nada se compara a ela ... Isabella. Ver a minha Bella, vestida de noiva, linda, segurando um buquê, caminhando em minha direção ... foi tudo. Seu sorriso de emoção, seus olhos brilhantes, não há tesouro no mundo que possa se comparar a ela. Então, estava feito! Ela era minha, afinal! De todas as formas possíveis, diante das leis de Deus e dos homens, Isabella era minha ... Minha esposa! Eu olhava a pessoa linda, maravilhosa dormindo sossegada ao meu lado e ainda nem podia acreditar!
Estávamos confortavelmente deitados na imensa cama de madeira rústica com dossel (Bella adora camas com dossel), um grosso cobertor cobria nossos corpos nus e estávamos abraçadinhos de conchinha. Desde que a barriguinha de Bella começou a ficar mais evidente, eu tenho preferido dormir desse jeito, com ela de costas pra mim, porque tenho medo de me mover bruscamente durante o sono e machucar nossos bebês. Lembrei de uma vez, assim que fomos morar juntos em Boston e passamos a dividir a mesma cama todas as noites. Eu devia estar sonhando que jogava beisebol, eu acho, por sorte, Bella estava acordada na cama. Ela disse que eu girei o braço, como se estivesse me preparando para fazer um arremesso, e acertei o abajur ao meu lado. Acordei assustado com o barulho e um gritinho de Bella! Desde esse dia, eu passei a ter mais cuidado com ela, talvez o meu subconsciente tenha entendido que eu não dormia mais sozinho na cama. Pelo menos, essa cama, onde estávamos agora, era king size. Aproximei mais o meu corpo do dela e beijei seus cabelos bem de leve, aquele não era o cheiro de seu xampu de morangos mas mesmo assim era bom. Como se percebesse o calor de meu corpo, Bella virou seu corpo, ficou de frente pra mim e sorriu um pouco. Por um instante eu pensei que ela havia acordado, por que o ritmo de sua respiração se alterou um pouco, mas depois ela murmurou ‘Edward’ e eu lembrei que às vezes ela fala durante o sono, seu sorriso se alargou e ela murmurou de novo ‘Ed ... marido ... amor’ e sorriu de novo. Aquilo me fez ganhar o dia, ela estava sonhando comigo, seu marido!
Beijei delicadamente a sua testa e de imediato, um calor gostoso se espalhou pelo corpo. Basta um simples gesto como esse para que Bella acenda meu corpo! Na nossa noite de núpcias nos amamos com intensidade ... amor, paixão, prazer e carinho ... todos os sentimentos e sensações estavam misturados, assim como nossos corpos. Só de pensar nisso, meu corpo fica em chamas! Eu queimo por ela todos os dias, são chamas de desejo, de ternura. Resolvi sair da cama, antes que acordasse Bella, ela dormia profundamente ainda. Seu corpo deveria estar cansado, não só por conta do casamento e da noite deliciosamente mal-dormida, mas principalmente pela gravidez. Resolvi tomar um banho frio pra poder acalmar meu amigão lá de baixo, era como se ele dissesse: ‘Hei, eu vou ficar na mão?’. Eu olho pra ele e respondo: ‘Nem na mão você vai ficar, vai ser na água gelada mesmo! Bella precisa descansar, fique quieto!”
Depois do banho, vesti um moletom e uma camiseta e vi no relógio que já eram sete horas da manhã. Dali a algum tempo, Bella acordaria faminta! Eu havia combinado com Alice que dispensaria o serviço de quarto da pousada enquanto estivéssemos no chalé, então, ela me disse que a dispensa e a geladeira da cozinha estariam abastecidas. A cozinha do chalé era minúscula, rústica e muito bonita. Não sou um PHD em decoração mas nada ali combinava! Os armários da parede eram de um tom de verde meio desbotado, a mesa e as cadeiras eram em mogno, as cortinas da janela eram amarelas ... Mas a mistura daquilo tudo ficou bonita. Sobre a mesa havia um jarro com muitas margaridas. Bella iria adorar aquelas flores! Peguei um raminho das flores, voltei ao quarto e deixei-as ao lado de Bella, em cima do meu travesseiro. Já de volta à cozinha, abri a geladeira e me concentrei na comida, como não sou um expert na cozinha, decidi fazer o que sei. Peguei ovos, bacon (já fazia tempo que Bella não comia bacon e eu julguei que um pedacinho só não faria mal), queijo branco, pão integral, algumas frutas, leite, mel, fiz suco de laranja ...
Enquanto minhas mãos davam um jeito de fazer um café da manhã decente, minha mente vagava no nosso futuro imediato e pós-lua-de-mel. De um certo modo, Zion se transformou em nosso refúgio secreto e nossos novos amigos eram uma fortaleza para nós. Deixar tudo isso, dali a alguns dias, seria difícil. Eu teria que trabalhar muito o meu emocional para evitar passar qualquer tipo de medo e insegurança para a minha esposa. Como seria a nossa vida em Forks? Como seria o meu primeiro emprego? Como nos arranjaríamos com um novo orçamento? Eu e Bella nunca fomo riquinhos mimados e fúteis mas tínhamos o bastante pra não pensar em dificuldades financeiras. Quando se nasce herdeiro de U$ 2 Bi, você não imagina que de uma hora pra outra, terá que fazer contas durante o mês inteiro para que seu orçamento não fique no vermelho. Fiz uma nota mental de comprar um livro de finanças pessoais assim que passasse numa livraria. Há dias atrás, eu vi uma entrevista na TV de um consultor financeiro, ele estava lançando um livro que orientava as pessoas a administrarem suas finanças pessoais. Era disso que eu precisava: orientação. Dali por diante teríamos muitas responsabilidades, não era como antes, quando nossas despesas caiam no débito automático das contas correntes de nossos pais. Nós não teríamos mais aquele cartão Visa, preto e reluzente (com um limite de crédito gigantesco) em nossas carteiras. Para tudo, agora haveria limites! E eu que nem faço idéia de quanto gastávamos por mês! Eu nem sei quanto custa um quilo de arroz ... Mas eu iria aprender tudo! Por Bella e pelos nossos bebês, eu iria fazer de tudo para ser um bom chefe de família. Eu não gosto muito dessa expressão ‘chefe de família’, ela soa meio antiquada e prepotente. Mas em certo ponto é verdade. Eu e Bella sempre conversamos sobre tudo, sempre tentamos decidir as coisas em comum acordo mas tem horas em que ela olha pra mim e não sabe o que fazer. É nessas horas que ela espera que eu tome as rédeas da situação ... é nessas horas que eu tenho mais medo de fazer merda. Em muitos desses momentos nossos, eu recorria ao meu pai ou à minha mãe, pedia conselhos ... Agora, éramos só nós dois e mais dois bebezinhos, frágeis e inocentes que dali a alguns meses estariam conosco. ‘Você vai ter que se virar, Edward’, pensei.
Percebi que minha testa estava franzida porque ao sentir um par de mãos macias me abraçando por trás, meu rosto se suavizou e eu, antes de virar meu rosto para ela, esbocei um sorriso.
- Bom dia, meu marido! – ela beijou minhas costas e suas mãos acariciaram minha barriga.
Nossos olhares se encontraram e ela sorria também. Tudo em mim se transformou quando mergulhei no chocolate quente e aconchegante dos olhos de Bella. Os problemas se foram! Além do mais, eu não me permitiria estragar aquela manhã especial, a primeira de muitas, se Deus quiser, de nossa nova vida.
*FIM DO POV EDWARD*
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*POV BELLA*
Aquilo tudo era muito diferente. Eu me sentia em outro planeta, tudo era muito, muito verde. O verde era bom! O cheiro gostoso de pinho e de grama molhada nos acompanhava por onde quer que andássemos. Já o vento gelado e a chuva fina ainda eram algo meio desconfortável. Mas ao meu lado, segurando minha mão e me aquecendo com seu corpo, estava Edward, meu marido, meu amor. Caminhávamos a passos lentos, por uma rua estreita e pouco movimentada, não havia placas, mas eu sabia que estávamos em Forks. Um enorme guarda-chuva nos abrigava e enquanto andávamos, minha barriga de grávida seguia adiante ... Aos poucos, as pessoas apareciam na rua, acenavam e sorriam pra nós.
- Bom dia, Sr. e Sra. (...) – uma menininha sorridente nos cumprimentou.
Abri os olhos, ainda meio grogue. Droga! Quando ela ia dizer o nosso sobrenome, esse cheiro de bacon me acordou ... Hum! Bacon, ovos ... senti o rugido de meu estômago! Sorri e me espreguicei na cama. Só então me situei melhor. Aquele era o quarto da noite de núpcias! Olhei para a grossa aliança de ouro amarelo, ouro branco e diamantes em meu dedo anular esquerdo e sorri. ‘Agora é oficial!’, girei um pouco a aliança em meu dedo, só para constatar, mais uma vez, que ela estava ali.
‘Puxa vida, cadê meu marido?’, pensei e fiquei um pouco decepcionada, gostaria que ele estivesse ao meu lado na nossa primeira manhã de casados. Suspirei e olhei pros lados, em cima do travesseiro dele havia um raminho de margaridas ... O cheiro do bacon se intensificou e minha barriga protestou, a fome já tomava conta de mim. ‘Ele está preparando seu café, sua boba’, combati o ímpeto de ir direto à cozinha. Entrei no banheiro e tomei um banho quente, penteei os cabelos (eles estavam muito assanhados) e vesti apenas um robe de seda branco. Durante esse processo todo, relembrava o nosso momento de amor mais recente. Eu fiz amor com meu marido! Essa foi uma noite mágica, especial, foi tudo! A entrega foi total, cheia de carinhos e significados, não tivemos pressa. Só queríamos ter e pertencer um ao outro.
O minúsculo e charmoso chalé se resumia a uma salinha, cozinha e suíte mas era perfeito para nós. Ele tinha a simplicidade do campo e a privacidade que tanto precisávamos. Os últimos dias em Zion foram maravilhosos, de certa forma, muita coisa boa aconteceu mas sentíamos falta de nosso cantinho ... ‘Tá perto, Bella. Logo vocês estarão em Forks’, pensei e senti um frio na barriga ... Forks ... O que esperar dessa nova cidade? Será que seríamos bem recebidos num lugar tão pequenininho? Será que o emprego de Edward seria legal mesmo? Para quem almejava ser médico, trabalhar num banco parecer ser meio diferente. E nossos novos vizinhos? Será que serão legais conosco? Será que vão nos encher de perguntas? Eram muitas questões ... respirei fundo e tentei relaxar. Eu não queria pensar em problemas, não naquela manhã, a mais perfeita de todas as manhãs. Edward não merecia que eu estragasse o nosso momento, afinal de contas, o que não tem remédio, remediado está. O cheiro bom de comida invadiu minhas narinas de novo, minha boca se encheu de água e eu sabia que os bebês estavam com fome também. Avistei meu amor, ele estava lindo, como sempre, e tão concentrado na panela à sua frente que nem percebeu a minha presença. Abracei-o por trás, acariciei sua barriguinha tão linda e gostosa e beijei suas costas.
- Bom dia, meu marido! – sorrimos um pro outro.
- Bom dia, esposa! – ele virou seu corpo e me abraçou, ergueu meu rosto e me beijou.
Fiquei na ponta dos pés e correspondi ao beijo dele. Tudo começou muito calmo, Edward me abraçou pela cintura e eu enrosquei minhas mãos em seus cabelos. Nossas línguas se encontravam numa dança erótica e suave mas de repente, um fogo tomou conta de nós. Não era apenas o fogo da paixão, esse era um pouco diferente, era tenso. O beijo se acelerou, o abraço se apertou e nossa ansiedade transbordou. Embora uma parte de meu cérebro se rendesse àquele beijo sedutor, outra parte dele processava o outro sentimento que pairava no ar. Eu não preciso ser telepata para perceber os pensamentos de Edward, tenho certeza que ele estava tão apreensivo quanto eu. Quando o ar nos faltou, colamos nossas testas e nos encaramos um pouco. Eu sabia que Edward não quebraria o silêncio.
- Toi et moi.
- Para sempre, Bella. – ele sorriu.
Graças a Deus, minha barriga roncou audivelmente, e isso fez a tensão entre nós se dissipar, sorrimos um pouco e nos sentamos à mesa para comer. Tudo estava uma delícia, pelo menos para mim. Edward nunca foi um bom cozinheiro mas aqueles ovos com bacon e queijo e aquele suco de laranja estavam uma delícia. Se bem que, com meu apetite de grávida (duplamente grávida) até pedra com sal poderia ser delicioso ... O silêncio entre nós dois não era incômodo mas era estranho ... E eu fiquei me perguntando se já houve uma lua de mel como aquela, quando os nubentes eram protegidos do FBI. Balancei a cabeça minimamente e esbocei um sorriso, ‘não, não houve’. Mas eu também duvido que haja um casal com nós dois, não quero me gabar mas ... não há, no mundo, um amor como o nosso.
- No que você está pensando? – ele inclinou seu corpo sobre a mesa um pouco e uma de suas mãos afagou meu rosto.
Antes de respondê-lo, fechei um pouco os olhos e me deliciei com o seu toque.
- Em nós dois! – abri os olhos e sorri pra ele – No nosso amor, na nossa lua de mel ...
Edward geralmente sabe quando estou mentindo, então agradeci aos céus porque eu estava dizendo a verdade. De jeito nenhum eu queria preocupá-lo, não naquele dia. Ele pegou minha mão, me fez levantar e sentar em seu colo, seus braços me envolveram e os meus envolveram seus ombros. Colamos nossas testas de novo.
- Essa noite foi maravilhosa. – a voz dele era baixa e rouca, muito sedutora.
- Sim ... – sorri e lhe dei um selinho – Entrou na minha lista das melhores ...
- Lista? – ele sorriu torto e franziu a testa.
- É, amor, a listinha das minhas melhores noites!
- Quando você diz ‘minhas melhores noites’ ...
- Nossas melhores noites! – me corrigi.
- Ah! Sim! Por um minuto imaginei que você tinha tido uma ‘melhor noite’ sem mim. – seu sorriso era presunçoso e brincalhão.
- Convencido! - fiz careta, ele gargalhou e eu fiquei feliz, ele realmente riu com vontade.
Edward me beijou de novo e dessa vez, só havia paixão, nada de medo. Quando o ar nos faltou e separamos nossos lábios, ele ainda tinha aquele sorriso convencido nos lábios.
- Mas eu estou curioso, princesa. – ele pegou uma mecha de meu cabelo e colocou-a atrás de minha orelha – Quais são as noites que estão nessa sua listinha?
Ah! Não! Mordi o lábio inferior e corei! Ele me acharia uma boba se contasse todas elas.
- Bella ...
Respirei fundo e sorri sem graça.
- Princesa, você vai deixar seu marido morrer de curiosidade? – ele fez carinha de cachorrinho pidão e eu não resisti, dei um selinho nele.
- São só coisinhas bobas de adolescente, Ed ... – me esquivei.
- É mesmo?!
Ele partiu pro jogo sujo, uma de suas mãos desceu até a minha coxa e começou a acariciá-la com volúpia, depois foi subindo até a minha intimidade. Todo o percurso dele foi facilitado por mim, eu só vestia o robe branco e ainda abri um pouco as pernas, me oferecendo.
- Sr. Cullen ... – gemi – Isso é jogo sujo, sabia?
- Não estou fazendo nada demais. – ele sussurrava ao meu ouvido enquanto massageava o pedacinho mais sensível de mim – Só estou seduzindo a minha esposa.
- Ah! – gemi mais alto e tentei falar – Você está ... Ah! Ed ...
Ele parou com as carícias de repente, meu clitóris protestou e latejou. Seus lábios quentes roçaram o lóbulo da minha orelha.
- Quais foram as melhores noites, Bella?
Ah! É assim?! Se ele iria me provocar, eu também faria o mesmo! Ataquei seus lábios com força, ele foi pego de surpresa mas correspondeu ao beijo, uma de minhas mãos apalpou o seu membro e ele gemeu em minha boca. Mas não foi um gemido de dor, não mesmo! Então eu diria tudo, mesmo que ele achasse que não passavam de bobagens de criança.
- Vou dizer ... Mas não vale rir da minha cara. – eu sabia que tinha corado.
- Eu juro! – ele levantou uma das mãos, num sinal de solenidade mas ainda sorria torto.
- Ed ... você já está rindo! – fiz biquinho.
- Como não vou rir, Bella?! As melhores noites de sua vida foram comigo, você cora e fica mais linda ainda quando faz isso e ainda faz esse biquinho sedutor pra mim! – ele me deu um selinho - É muita alegria pra um homem só ...
- Tá bom. Vou falar. – colei nossas testas e olhei em seus lindos olhos verdes – A primeira noite foi no Halloween de 1995. – ele franziu a testa – Estávamos fantasiados, mas o nosso destino era uma festa de aniversário ...
- A minha fantasia era de Conde Drácula. – ele sorriu e tocou a pontinha de meu nariz – E a sua era de vampira também ...
- Sim, nossas mães nos coordenaram! – sorri – Então Stella Dellamare, você lembra dela? – ele assentiu – Ela disse que estávamos na ‘festa dela’ e que Bella Swan não era bem vinda ali mas Edward Cullen poderia ficar ...
- Rixas bobas de criança ... – ele completou.
- Sim, você olhou pra ela e disse: ‘Eu e Bella só estamos aqui porque fomos convidados por seus pais. Se Bella não pode ficar, eu também não posso.’
- Eu lembro ... lembro que você ficou triste ... lembro que peguei em sua mão e te arrastei até os pais de Stella, pedi que ligassem para papai para que ele viesse nos buscar. – ele sorriu com a lembrança – Lembro que você ficou muito envergonhada. Mas eu não poderia imaginar que aquela noite estaria na sua lista ...
- Foi a primeira noite! – ele me olhou cheio de interrogações – Aquele incidente nunca saiu de minha mente, com o passar dos anos, percebi que aquela foi a primeira noite de nossas vidas. Naquele momento, Ed, você me escolheu! Você escolheu a mim, ao invés de um monte de gente, de nossos amiguinhos e de uma festa de aniversário.
- E poderia ser diferente?! – ele sorriu torto – Aquela noite também foi especial para mim. Eu me senti, aos seis anos de idade, um homem de verdade. Depois do incidente, papai nos levou para jantar e recolher doces pela vizinhança. Quando chegamos em casa e eu lhe contei todos os detalhes da festa, ele me olhou com orgulho e disse: ‘Você agiu bem, Edward. Um Cullen não abandona seus amigos.’
Eu estava fascinada! Então aquela noite também foi especial para ele ...
- É claro que na hora eu nem pensei nisso direito. A questão da amizade foi o que menos importou pra mim. – ele ainda se explicava – Desculpe, princesa, mas eu sempre achei que você era minha ... minha ‘alguma coisa muito importante’ porque aos seis anos de idade, eu ainda não sabia que te amava tanto.
- OMG! Ed ... eu sempre achei que você era meu também! – distribui selinhos por seu rosto – Meu ‘alguma coisa mais que importante’!
- E quais foram as outras noites? – ele sorriu torto e arqueou uma das sobrancelhas.
- Hum ... o natal de 1999 quando começamos a namorar. – ele sorriu e assentiu, me incentivando a continuar – Depois, a nossa primeira vez, em Mastic Beach, a nossa primeira noite no apartamento em Boston ... – eu corava e Ed sorria ainda mais – O último natal, na Martinica ...
Edward segurou meu rosto em suas mãos e me beijou novamente. Nossos beijos sempre são maravilhosos, sempre provocam em mim deliciosas reações, irradiando calor ... Quando o ar nos faltou, Ed me pegou no colo e nos levou até o quarto. Eu olhava em seus olhos verdes e brilhantes, por mais que nos conhecêssemos há tanto tempo, eu sempre me perdia no verde mar de seu olhar. Edward me deitou na cama com cuidado e puxou o laço de meu robe, expondo meu corpo desnudo para si. Invariavelmente eu me senti corar ao vê-lo me devorar com os olhos. Quando seus orbes pousaram sobre minha barriga, a volúpia cedeu lugar à ternura, ele passou uns cinco segundos olhando para o meu ventre com aquele olhar de pura contemplação. Mas depois seu olhar cheio de luxúria encarou meu sexo e ele sorriu com malícia. Rapidamente, ele se despiu e seu corpo pousou sobre o meu com cuidado. Nossos olhares eram febris, apaixonados, ardentes ... Seus lábios encontraram os meus novamente e uma de suas mãos explorava meu seio com delicadeza. Minhas mãos não pararam um segundo, eu puxava seus cabelos, arranhava suas costas e gemia. Minha sanidade já tinha se esvaído há muito tempo.
Edward passou a apoiar o peso de seu corpo em seus joelhos. Seus beijos sedutores passaram a explorar meio seio, ele sugava levemente, beijava com carinho e sua língua serpenteava freneticamente sobre meu mamilo tão rijo. O outro seio era acariciado por uma de suas mãos, meu sexo era visitado pela outra .... Santo Deus! Meu marido queria me enlouquecer ...
Meus gemidos eram abafados, parecia que minha voz tinha sumido. Arfei quando senti sua língua em meu outro seio e depois seus beijos foram descendo pelo corpo, sempre se encaminhando à minha intimidade.
-Ed ... Ed ... amor ... – eu gemia e dava pequenos gritinhos de prazer.
Quando chegou a minha virilha, Ed separou as minhas pernas com delicadeza e suas carícias molhadas invadiram a minha intimidade.
- AH! – gritei de prazer ao sentir sua língua quente me acariciando.
Seus movimentos eram leves e delicados, depois alternando para algo mais intenso e forte. Meu corpo se contorcia na cama, eu fechava os olhos e mordia os lábios, passei a agarrar o lençol com força, se não, eu iria gritar muito!
Ed invadiu minha intimidade com sua língua, e um de seus dedos passou a fazer uma delicada mensagem em meu pontinho de prazer. Este pedacinho de mim já pulsava e latejada diante de tanta excitação. Pouco tempo depois, senti os espasmos me invadirem e todo o meu ser se explodiu numa luxuriante satisfação.
- Ed ... – gemi ofegante, o ar estava escasso em meus pulmões.
Meu marido continuou em minha intimidade, absorvendo todo o meu prazer molhado. Quando Ed terminou, deu a tão familiar fungada em meu sexo e sorriu, pude sentir o movimento de seus lábios nos meus outros ‘lábios’. Ele levantou a cabeça, olhou pra mim e sorriu de novo, seu sorriso era o de um menino travesso.
- A ‘bellinha’ é muito gostosa ... e cheirosa ...
Meu G-ZUIS! Acho que assumi todos os tons de vermelho e de roxo com essa declaração dele! Ed voltou a deitar dessa vez ao meu lado, nossos olhares se prenderam e me vi espelhada nele. Meu marido me abraçou com carinho e só então eu pude sentir seu membro bastante duro empurrando minha barriga. Num rápido movimento, fiquei por cima dele, beijei-o com volúpia e depois sussurrei.
- Eu te amo Sr. Cullen.
Sorri pra ele e comecei a espalmar minhas mãos sobre seu peito musculoso, meus beijos faziam o mesmo caminho. Na barriga dei leves mordidinhas e beliscões e como eu continuo ‘perversa’ (embora esteja duplamente grávida e seja uma ‘senhora’) comecei a rebolar o meu quadril e a empinar a minha bunda pra ele pudesse ver. Meus lábios chegaram ao ‘eddie’ e eu, de repente, senti a vontade de fazer o ‘melhor oral da vida de Edward’. Podia até ser que eu falhasse na minha missão, mas eu iria me empenhar ...
Engoli seu membro com vontade, minha língua passeava devagar, de cima para baixo e de baixo para cima ... depois o passeio era mais rápido, e depois, devagar. Minha língua chupava a cabecinha do ‘eddie’ em movimentos rápidos e intensos para em seguida se transformarem em movimentos lentos de novo (só assim eu conseguia respirar direito). Edward gemia, urrava e sua respiração já estava entrecortada de novo. Minhas investidas se tornaram mais intensas, com uma das mãos eu apalpava a base de seu membro, com a outra eu fazia uma delicada massagem em suas bolas. Senti o ‘eddie’ mais duro ainda (às vezes me pergunto como Edward consegue fazer isso tããão bem) e intensifiquei o mais que pude os ritmos dos movimentos
- Bella! – meu marido gozou em minha boca e gemeu meu nome.
Suguei sua semente até a última gotinha e, imitando o gesto de Edward, dei um selinho no ‘eddie’. Ergui meu corpo um pouco e deitei na cama, completamente exausta e ofegante. Nossos olhares se encontraram e sorrimos.
Edward me abraçou com carinho e beijou minha testa, nossas respirações eram entrecortadas. A dele contra meu cabelo, a minha, contra seu pescoço. Ficamos nesse delicioso estado de abandono por alguns minutos, depois uma de suas mãos começou a passear, levemente sobre as minha costas, descendo até a minha bunda ... Foi o que bastou para reacender a chama em meu corpo. Comecei a beijar seu pescoço e Edward sorriu um pouquinho. Como se não bastasse, comecei a esfregar meu corpo no dele. O ‘eddie’ se mostrou presente de novo e num movimento, fiquei sobre meu marido. Beijei-o com vontade, acho que pela intensidade, nossos lábios ficariam um pouco inchados depois, minha língua capturou a de Ed e tudo foi ficando mais e mais quente. Senti meu corpo pronto para recebê-lo e num único movimento de meu quadril, juntei nossos corpos. Nossos lábios se separaram, mas nossos olhares se encontraram. Eu não sei o que ele via, mas no verde de seus orbes eu vi paixão ... entrega ... amor.
Meus movimentos de vai e vem eram substituídos por reboladas intensas, às vezes eu subia e descia, sempre fazendo o que nós dois mais gostamos. Edward segurava em minha bunda, apalpado-a com vigor, a cada movimento meu, ele intensificava as carícias. O nosso suor há muito tempo já estava misturado e a nossa respiração já era falha. A pulsação em meu centro veio na mesma hora em que senti o ‘eddie’ mais rígido, então tratei de rebolar mais e mais rápido. Com esse segundo orgasmo eu pensei que meu coração ira parar de vez! A onda (não, uma tsunami, mesmo) de prazer me invadiu ...
- Edward ...
Meu marido ainda me prendeu ali, me fazendo rebolar mais um pouco, e então, senti seu gozo quente. Pousei meu corpo sobre o dele e delicadamente separei nossos corpos. Edward nos fez deitar de lado e me abraçou, uma de suas mãos afagava meu rosto.
- Eu te amo, Bella. – seus olhos se fecharam levemente e ele sorriu.
- Como eu te amo, Edward.
Nosso abraço se estreitou e eu relaxei no calor do corpo de meu marido.
- Descanse, princesa.
Seus lábios quentes pousaram em minha testa.
Acordei.
Definitivamente gravidez e misturada ao prazer do sexo me deixam nocauteada. Mais uma vez eu estava sozinha na cama ... Espreguicei meu corpo e senti um cheiro gostoso vindo da cozinha. ‘Caraca! Será que Ed tá cozinhando?! Não acredito!!!’ Pensei e sorri. Olhei no relógio e já era quase meio-dia, resolvi tomar um banho quente, eu me sentia meio ... melada. Vesti um vestidinho solto, prendi os cabelos num rabo de cavalo frouxo e calcei uma sandália rasteirinha. Quando cheguei à cozinha, Edward estava ... lindo! Vestia bermuda cáqui e camiseta marrom, mas estava usando um avental!!! OMG!
- Tisc, tisc, tisc ... – sorri e ele virou a cabeça por sobre o ombro – Que delícia!
- Oi amor! – Ed voltou a encarar a panela – Não sei se tá gostoso ... espero que sim.
Dei três passos em sua direção, abracei-o por trás e apalpei a ‘delícia’ a qual me referia. Ele arfou e sorriu.
- To falando disso aqui ...
- Bella ... – ele desligou o fogão e tampou a frigideira – Seja boazinha ... sente-se, preparei nosso almoço.
Sorri zombeteira pra ele e assenti. Pra minha surpresa, Edward havia feito um delicioso omelete com queijo brie e cogumelos. Na mesa também havia uma salada verde e suco de laranja. Seus olhos estavam cheios de expectativas, esperando que eu provasse a comida.
- Hum ... – tava bom mesmo – Quem é você? E o que fez com o meu marido?! – sorri, Edward nunca soube cozinhar.
Ele sorriu torto, pegou uma de minhas mãos e beijou-a.
- Maridos que sabem cozinhar ganham pontos com as esposas!
Comecei a gargalhar e ele me acompanhou.
- Quem foi que te disse isso?!
- Jô!
Gargalhamos mais ainda, mas tratamos logo de comer antes que a comida esfriasse. O mais irônico disso tudo é que Jô estava dando conselhos matrimoniais para Edward!
- Brincadeiras à parte, Bella, foi a Fannie quem me ensinou. – franzi a testa pra ele – Nas tardes em que você dormia, ela me ensinava alguma receita básica ... Pra quando os bebês nascerem, naturalmente você não vai pilotar o fogão logo ...
Enquanto Edward falava aquelas coisas, meu ser se enchia de orgulho e de admiração por aquele homem tão maravilho que Deus havia colocado em minha vida. Todos os seus pensamentos eram dirigidos para mim e para os nossos filhos ... seu amor por nós é maravilhoso.
O resto do domingo foi delicioso. À tarde, Edward acendeu a lareira da sala e descobrimos que na estante de TV havia alguns DVD’S, escolhemos um filme de comédia romântica pra assistir. Era um musical antigo, eu acho ... Mas em meio ao filme, nossa conversa se encaminhou para Forks, começamos a fazer pequenos planos práticos, como comprar um carro econômico, encontrar uma boa casa para morar ... O mais impressionante nisso tudo é que havia um brilho diferente nos olhos de Edward, eu podia ver esperança e força em seus orbes verdes. Absorvi a força e a segurança de meu marido, naquele momento, não temi o nosso futuro. O jantar ficou por minha conta, eu não inovei, fiz uma massa rápida com queijo e suco de uva. A lareira crepitava na sala e depois do jantar, Edward ligou o som (eu nem sabia que havia um aparelho de som no chalé) e dançamos umas músicas lentas de rostinho colado. O clima entre nós era maravilhoso, havia muito tempo que não ficávamos assim tão juntinhos ... tão ... só nós dois. Naquela noite, dormimos abraçadinhos e em paz.
Na manhã de segunda-feira, Edward me acordou e eu quase fiquei chateada, eu ainda não tinha matado todo o sono ... Eu nem tive tempo de protestar, ele me deu um selinho, saiu da minha frente e foi para a sala. Entrei no banheiro, tomei um banho, passei hidratante no corpo e me vesti, o dia estava mais frio, então eu escolhi uma leging preta e um suéter vermelho.
- Já acordei ... – fechei a cara e eu sabia que estava fazendo um biquinho.
Ele sorriu torto, se levantou do sofá e me abraçou.
- Tão linda, quando está assim ... bravinha! – ele sussurrou e mordeu o lóbulo de minha orelha, me fazendo esquecer porque estava com raiva – Princesa, nós vamos viajar!
- FORKS?! – minha voz subiu uma oitavas, ele separou nossos corpos e sorriu.
- Não, Bella! É a nossa viagem de lua de mel!
- Mas ... mas ... e não estamos em lua de mel? – franzi a testa.
- Vamos para um lugar diferente, agora. – seu sorriso diminuiu um pouco – Desculpe, amor. Não é nem Paris, nem Roma ... ou Grécia ... mas é o melhor que pude arranjar no momento.
Envolvi seu rosto em minhas mãos e olhei em seus olhos.
- Amor, lembra da Martinica? – ele assentiu – Lembra da nossa noite de aniversário de namoro? Quando você preparou aquilo tudo pra nós? – ele assentou de novo – Então você deve lembrar que eu te disse que tudo aquilo era maravilhoso, mas que nada se comparava ao seu amor por mim. – dei um selinho nele – O lugar é geografia, Edward ... Você é quem faz de qualquer lugar o melhor lugar do mundo ...
Seu abraço nos uniu, ele colou as nossas testas, sorriu e me beijou.
- E você faz de mim o homem mais feliz do mundo.
Pegamos as duas malas que Alice tinha feito para nós, tratei de guardar meus objetos pessoais na nécessaire e em poucos minutos, Ed pegou o celular que Jasper havia dado, discou um número e falou.
- Já estamos prontos.
- Não vamos tomar café?! – perguntei.
- Todos na casa grande estão a nossa espera ... devemos passar lá, pegar todas as nossas outras malas e ...
Quando eu ia perguntar para onde iríamos e se estávamos deixando Zion em definitivo, alguém bateu na porta e falou.
- Edward, mano, é o Emmett! – reconhecemos a voz de nosso padrinho e Ed se dirigiu à porta.
Emmett e Rose entraram rapidamente,Ed pegou as nossas malas e entramos no carro que já estava na porta do chalé. Já no carro, olhei pra Edward e sussurrei.
- Pra onde vamos?
- Surpresa! – ele sorriu torto e beijou minha mão.
Na grande casa dos pais de Alice, todos nos esperavam na varanda, parecia que não nos víamos há anos. Corei antes de sair do carro e pensei ‘Meu Deus, que vergonha!’ todos sabem o que estávamos fazendo ...
Depois seguimos para a sala de jantar e tomamos um delicioso café da manhã, sempre me meio a uma conversa alegre e descontraída. Jô e Emmett não pararam de fazer palhaçadas, fazendo brincadeiras com todos nós. A Sra. Jones nos informou que todas as nossas malas já estavam feitas, mas que nós deveríamos subir pra ver se não tínhamos esquecido nada importante. Entrelaçamos nossas mãos e subimos as escadas. O quarto estava impecavelmente arrumado e nossas malas estavam dispostas sobre a cama. A nossa mochila com o dinheiro, os documentos falsos que nossos pais haviam deixado e as minhas poucas jóias estavam no cofre do quarto (cada quarto da pousada tinha seu próprio cofre). Edward colocou-a em suas costas e pediu a ajuda de Emmett e Jasper para carregar o restante das malas.
Olhei para aquele quarto de paredes amarelas e móveis marrons ... sorri e senti meus olhos úmidos. Eu não queria ir embora ... Aquele lugar tinha sido tão maravilhoso, aqui eu descobri minha gravidez, aqui Edward me pediu em casamento, aqui nos casamos ...
- Eu também gostaria de ficar. – Ed me abraçou por trás e sussurrou – Mas poderemos voltar um dia ...
Tentei recompor as feições de meu rosto, sorri e virei meu corpo para ele. Eu precisava repetir aquela frase muitas e muitas vezes.
- Qualquer lugar é bom, Edward, desde que você esteja comigo ...
Nos beijamos outra vez, fiquei de ponta de pé e agarrei em seus cabelos, suas mãos contornaram a minha cintura. Quando o ar nos faltou, suspiramos e colamos nossas testas.
- Pronta?!
Sorri pra ele e assenti, de mãos entrelaçadas, fizemos o caminho de volta, até a varanda onde mais uma vez, todos nos esperavam. Falei com Fannie, Jô, e outros empregados da fazenda. Abracei o Sr. Jones com carinho, ele me desejou uma boa viagem e fez uma rápida oração, rogando a Deus que nos protegesse e cuidasse de nós. Com a Sra. Jones foi tudo muito mais difícil, ela era o que eu tinha, no momento, a figura mais próxima de uma mãe. Se Rennè pudesse me ver, de onde estivesse, saberia que uma boa e dedicada mãe cuidou de meu casamento, me ajudou a vestir meu vestido de noiva ... me deu conselhos ... me abraçou com amor ...
Grossas lágrimas ameaçaram cair de meu olhos, resolvi entrar no carro rapidamente, Ed me acompanhou, sentou ao meu lado e me abraçou. Uma de suas mãos afagava as minhas costas, a outra acariciava meu ventre. Minutos depois, Emmett e Rose entraram no carro, Alice e Jasper seguiriam no carro da frente. O motor foi ligado e eu me arrisquei a olhar pra trás e ter uma última visão daquela linda casa e de seus adoráveis moradores. Foi uma péssima idéia, meu choro ficou descontrolado porque lembrei do dia em saímos da mansão Cullen como fugitivos ... de nossa própria casa.
Abracei Edward com força e fechei os olhos, eu não queria chorar mais, as lágrimas não resolveriam nada. Mas não pude banir de minha mente o pensamento de que éramos como errantes sem destino ... ‘Quando isso tudo vai acabar?’
- Edward, ela tá bem? – ouvi Emmett sussurrar.
- Está. – senti os lábios de Edward em meus cabelos – Só está um pouco emocionada.
Devo ter cochilado, mas quando acordei, ainda estava abraçada ao meu marido. O sol brilhava firme no céu e pelo que percebi, nos aproximávamos de Atlanta. Não me mexi de imediato, eu estava muito envergonhada por ter chorado daquele jeito, pela minha visão periférica, percebi que Edward olhava para o nada através do vidro do carro. Eu me xinguei mentalmente, com todos os palavrões que conhecia, ele devia estar triste assim por minha causa. ‘Mas que tipo de esposa eu estou sendo? Em vez de mostrar segurança ao meu marido, eu me desmancho em lágrimas?!’
- Desculpe. – murmurei.
Ele rapidamente saiu do transe, virou seu rosto e me encarou.
- Não motivos para se desculpar, Bella. – uma de suas mãos afagava meu rosto.
- Eu não queria estragar as coisas ... eu ... você preparou essa viagem e tudo mais ...
- Princesa ... – ele me beijou – Eu só não quero que você triste.
Sorri pra ele e assenti antes de falar.
- Eu não estou mais triste.
- Ah! Que bom! – Emmett, que dirigia o carro, falou alto e ligou o som – Vamos cantar!!!
Imediatamente, começou a tocar I Will Survive de Gloria Gaynor e eu e Rose começamos a cantar bastante entusiasmadas. Mas depois nos surpreendemos com Emmett cantando numa voz fininha, imitando voz de mulher!
Quando ele notou que havia sido notado, corou e parou de cantar. Foi o que bastou para Edward explodir numa ruidosa gargalhada ao melhor estilo Emmett.
- Porra, cara, não sabia que você fazia cover de música gay ... – Ed se esticou e socou de leve o ombro de Emmett.
Emmett corou mais ainda e baixou o volume do som antes de falar.
- Eu gosto muito dessa música, a letra é muito bonita, eu não tenho culpa se todos os gays do planeta gostam dela e ...
Quando ele percebeu o que tinha falado, Edward explodiu noutra ruidosa gargalhada e dessa vez, eu e Rose o acompanhamos. Depois de zoarmos muuuito da cara dele, finalmente chegamos ao nosso destino. Emmett estacionou o carro na entrada de um bonito hotel e eu procurei pelo carro de Jasper e Alice, Rose notou e tratou de me esclarecer.
- Eles pararam em Atlanta, Bella. – ela afagou o meu braço e sussurrou – M marcou uma rápida reunião com eles para entregar os novos documentos de vocês, as passagens aéreas, a ajuda de custo inicial ...
- Vamos, meninas. - Emmett abraçou nós duas ao mesmo tempo, virou o rosto e falou zombeteiro – Edinho, carrega as malas ...
Pela minha visão periférica, vi quando Edward estirou o dedo médio pra ele. Mas rapidamente um carregador de malas do hotel apareceu, Ed me puxou para si e caminhamos até o saguão do hotel.
- Bom dia, temos reservas em nome de Emmett McCarty e Rosalie Hale. – Emmett falou para o recepcionista enquanto lhe estendia a sua carteira de identidade, mas este babou enquanto olhava para Rose – Hei, meu chapa?! Tá surdo?!
Emmett deu um leve soco no balcão, retesou os músculos do antebraço e fez cara feia. O cara, magrinho e franzino, piscou os olhos varias vezes, engoliu ruidosamente e deu um sorriso amarelo. Segurei o riso e notei que Rose fazia o mesmo.
- McCarty?! Hale?! – ele murmurou e passou a olhar pra tela do computador.
- Foi o que eu disse. – Emmett rosnou.
- Achei, quartos 701 e 702. – o homem olhou pra mim e pra Edward – E vocês?!
- Estão conosco. – Emmett ainda rosnava.
- Eu ... eu ... pre-preciso ver seus documentos de identidade e ...
- Olha aqui, meu rapaz ... – Emmett já ia perder a paciência, mas Rose foi mais rápida.
- Fred ... – Rose usou uma voz bem aveludada enquanto lia o nome do funcionário do hotel em seu crachá – Olha, nós estamos muito cansados, dirigimos por muitas horas, minha amiga está grávida. – ela apontou pra mim – E tudo o que ela mais quer agora é poder deitar numa cama bem fofinha ...
O cara voltou a babar, ele olhava pra Rose e assentia, completamente embasbacado, Emmett ainda tentou falar alguma coisa mais foi impedido pelo braço de Rose.
- Infelizmente, eles esqueceram as carteiras deles em uma daquelas oito malas ali. – ela apontou para o carrinho onde o carregador tinha colocado nossa bagagem – Então ... – ela sorriu mais ainda e eu juro que o cara estava prestes a ter um AVC – Anota aí os nomes deles, ok? Assim que localizarmos os documentos, traremos aqui.
O cara ainda ficou parado, hipnotizado por uns bons vinte segundos, depois ele sorriu e assentiu.
- Tu-tudo bem, Srta. Hale. Que nomes devo preencher então?
- Sr. Edward Fields e Sra. Isabella Fields.
Sr. e Sra. Fields!!! Abri um largo sorriso e olhei para Edward, ele também sorria.
- Gostou dos nossos nomes?! – ele sussurrou.
- Sim ... – seu abraço em minha cintura ficou mais apertado – Você já sabia?
- Não, mas gostei mesmo assim ...
Seguimos até o elevador, o carregador nos acompanhou, percebi que Emmett não largou a cintura de Rose mas ele tava de cara feia ...
- Desculpe, Emm ... foi necessário. – ela sussurrou pra ele.
- Eu sei, ursinha ... mas foi um tormento pra mim.
Rose nos entregou a chave do quarto 702, Alice e Jasper ficariam no 703, então eu e Edward estaríamos absolutamente protegidos. O quarto era muito bonito, a cama era enorme e todos os móveis eram de madeira, em estilo colonial. A vista da varanda foi que me deixou abismada, até então eu estava tão atônita que nem me lembrei de perguntar onde estávamos. Eu só sei que podia avistar o topo de uma montanha de pedra.
- Estamos em Stone Mountain, Bella. – Ed me abraçou – Nos arredores de Atlanta, ali, naquela montanha, há um parque ecológico, um lugar muito bonito.
- É lindo. – murmurei – Nunca tinha visto uma pedra tão clara e tão lisa ... – virei meu rosto pra ele e sorri – Obrigada, amor, eu amei a surpresa.
Edward ligou pro serviço de quarto e pediu que servissem nosso almoço, dali à uma hora. Depois me levou para o banheiro, que era muito grande e tinha uma banheira enorme. Tomamos banho juntos, sempre em meio a muitas carícias, depois ele fez questão de passar a loção hidratante em meu corpo. Nos vestimos e nesse exato momento, o nosso almoço chegou. Após a refeição, eu literalmente apaguei, meu corpo estava cansado e eu não quis preocupar Edward, mas a minha cabeça doía um pouco. Eu devo mesmo ter dormido bastante porque quando acordei, o céu já tava meio alaranjado, procurei por Ed mas não o achei logo. Quando estiquei meu corpo e olhei para a varanda, ele estava lá, sentado numa das cadeiras e tomando uma cerveja, ao perceber que eu me aproximava, sorriu e puxou a outra cadeira para mim.
- Dormi muito ...
- Sim. – ele afagou meu rosto – Alice e Jasper já chegaram ... e eu já levei as nossas identidades para o recepcionista do hotel.
- Você já viu nossos novos documentos?!
- Sim. – ele sorriu torto – Estou dois anos mais velho e você, um ano.
- Então agora eu tenho 21 e você 22 ...
- Mas as nossas datas de aniversário são as mesmas. – Ed se levantou – Vem, vamos ver tudo.
Edward pegou um grosso envelope amarelo que estava sobre o console do quarto e despejou todo o conteúdo dele sobre a mesa. Havia duas identidades, passaportes, carteiras de motorista, cartões de banco ... nossa certidão de casamento (a falsa). Suspirei resignada enquanto passava os dedos pelo papel da certidão de casamento. A verdadeira, que eu só tinha visto na hora da cerimônia, quando assinei Isabella Marie Swan Cullen a essa altura já devia estar em poder do FBI.
- É só um papel ... não é real – Ed tocou em minha mão e me mostrou a aliança – Veja, isso é real. – rapidamente, ele tirou a aliança de meu dedo – Eu tinha me esquecido de te mostrar uma coisa.
Edward & Isabella 27/02/10
- Os nossos nomes estão gravados! – sorri pra ele.
- Assim como a data de nosso casamento, na minha também tem. – ele tirou a aliança de seu dedo e me mostrou uma inscrição idêntica - O que é um simples pedaço de papel, diante da gravação de nosso amor em ouro e diamantes?!
Edward me abraçou com carinho e naquele momento eu jurei pra mim mesma que não me deixaria abater por mais nada nessa vida. Eu tinha um marido maravilhoso, que me amava e que fazia tudo por mim, eu tinha dois lindos bebês crescendo dentro de mim, eu tinha amigos maravilhosos ... ‘o medo confunde os sentimentos, faz o amor murchar’ mamãe me disse em sonho. Naquela primeira noite nós jantamos no quarto e nossos amigos não ligaram nenhuma vez, na certa, queriam nos dar privacidade.
Na terça feira nos encontramos todos no restaurante do hotel e tomamos o café da manhã juntos. Pela graça de Deus, meu ânimo estava bem melhor e eu pude realmente desfrutar de uns dias de lazer. Pegamos um carro e fomos até o Parque Stone Mountain e o lugar era realmente muito bonito, tinha pequenas cachoeiras, lagos, jardins e a imensa rocha branca, a principal atração do lugar. Nada era realmente exuberante e exótico, aquele não era um roteiro para lua de mel, mas eu não me deixei levar por nenhum sentimento de tristeza. Passeamos pelo parque, almoçamos num restaurante italiano e enquanto todo mundo comia macarronada, eu pedi uma pizza, metade de chocolate, metade de frango com cogumelos. Os meninos resolveram fazer trilha, enquanto eu, Alice e Rose visitamos o pequeno comércio local. Compramos algumas bugigangazinhas e também demos muitas risadas, conversamos sobre nossos homens tão lindos e maravilhosos e conversamos sobre Forks.
Os outros dias se seguiram de maneira semelhante, nós sempre nos entregávamos ao amor, acordávamos tarde, passávamos o dia com Alice, Jasper, Rose e Emmett. Eles sempre avançavam nos assuntos sérios e nós dois já estávamos bem inteirados sofre Forks, sobre o emprego de Edward e sobre as nossas finanças. O medo foi cedendo lugar à esperança, a cada dia eu me sentia mais forte, mais decidida. Edward parecia fazer o mesmo, de repente nos vimos fazendo planos de procurar uma casa arejada e bem iluminada, com um quintal grande para os bebês brincarem. Eu tinha planos de fazer um jardim e quem sabe uma pequena horta, no curso de culinária que fiz uma vez, eles deram noções básicas de como fazer uma hortinha no quintal de casa.
No sábado de manhã bem cedo, fechamos a conta no hotel, carregamos os carros com as malas e seguimos com destino ao aeroporto de Atlanta. Lá, nos despedimos de nossos amigos e dessa vez, eu não chorei. Jasper entregou a mim e a Edward dois celulares pequenos e prateados.
- Se esses números forem rastreados, aparecerá um sinal de Pensacola, na Flórida. – ele sorriu – São linhas 100% seguras. Na agenda deles só há os nossos números de telefone. Prestem atenção - ele falava sério – Só liguem para nós num caso de extrema emergência, só atendam as nossas chamadas ...
- Se outro número aparecer no visor, não atendam. – Emmett completou – Nós sempre entraremos em contato com vocês. Afinal, quero saber quando os ogrinhos nascerem ...
- Bella, daqui a uma semana, vocês receberão um depósito na nova conta corrente de vocês. Vai aparecer como depositante um nome qualquer, mas você saberá que fui eu. O valor é referente às coisas que a minha tia de NY vendeu no brechó dela. – Alice já segurava o choro.
- Assim que vocês estabelecerem residência, vão receber pelo FedEx um pacote com o álbum de casamento e o DVD. – Rose já chorava – Então, isso é tudo ...
Emmett abraçou a namorada e ela escondeu o rosto em seu peito. Dei dois passos na direção deles e os abracei, por incrível que parece, eu não chorava.
- Isso não é tudo, Rose. Nós seis ainda vamos estar juntos de novo, afinal vocês são da família, agora. Foram nossos padrinhos de casamento e serão os padrinhos de nossos bebês!
Tá, eu não sei de onde sai com aquilo! Não que eu não quisesse que eles batizassem meus filhos, mas é que eu não havia combinado isso com Ed.
- Ah! Meu Deus!!! – Alice e Rose disseram em coro e me abraçaram.
Pela minha visão periférica vi Ed abrir um largo sorriso e apertou a mão de Jasper e de Emmett. Terminamos os abraços de despedida justo na hora em que a moça do aeroporto dizia o número de nosso vôo e o correspondente portão de embarque. Seguimos até o local designado, nos abraçamos mais uma vez e entregamos as passagens ao funcionário da companhia aérea. ‘Daqui pra frente somos só nós dois’ pensei, entrelacei minha mão na de Edward e não olhei para trás. Das últimas duas vezes que eu fiz isso, me arrependi amargamente. Afinal de contas, quem olha para trás vira estátua de sal.
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