SOB PROTEÇÃO
Eu e Edward escutávamos a explicação de Jasper Mansen com bastante atenção, nossas mãos não se largaram nem um segundo. Eu escorei meu corpo no dele enquanto senti seu outro braço me envolver pela cintura.
- Sr. Mansen, ainda tenho algumas dúvidas ... – falei e depois mordi meu lábio inferior, o estresse já tava tomando conta de mim de novo.
- Eu também. – Ed acrescentou.
- Estamos aqui para isso. Mas antes de mais nada, queremos ver as provas. – ele respondeu.
- Não. Antes de mais nada vamos tratar da nossa segurança, Sr. Mansen. – Ed respondeu de imediato.
O agente estreitou os olhos e seus lábios se transformaram numa linha rígida, enquanto sua parceira deu um meio sorriso.
- Nós não iremos a lugar nenhum antes de ver essas provas, Cullen. – Jasper Mansen se inclinou pra frente e fez uma cara muito mais feia que a de uns minutos atrás, se é que isso fosse possível.
Fiquei tensa e olhei pra Alice que revirou os olhos.
- E nós também não iremos a lugar nenhum enquanto não discutirmos os termos dessa proteção oferecida pelo Estado, Mansen.
A voz de Edward estava no modo ‘baixa e cortante como aço’, eu nem precisava olhar em seu rosto pra saber que ele fazia cara de poucos amigos.
- Mansen, por favor!
UFA! Alice interveio. Eu tava tão tensa que tava mordendo meu lábio de novo.
- Eles só estão preocupados com a própria segurança e isso é perfeitamente natural devido às circunstâncias. – ela sorria pra nós – Nós só estamos preocupados, Edward e Bella, com a integridade das provas. Elas estão bem guardadas? Estão num local onde possam ser preservadas?
- Sim. Podemos lhes garantir que as provas estão intactas e em perfeito estado. Agora, queremos os detalhes de como será feita essa proteção. – Ed foi simpático com ela, ainda bem.
- Muito bem. Perguntei o que quiserem, serei o mais sincera e objetiva possível. – OMG! Acho que eu e Alice seríamos boas amigas.
- Alice, Mansen falou que o Estado nos dará até U$ 15 mil por ano. – respirei fundo, temendo a resposta dela – Por quê? Nossos bens estarão sob algum tipo de custódia?
- NÃO! Não é isso. Não há razão para que o Estado confisque nada de vocês. Mas vocês não usarão seus verdadeiros nomes, não poderão usar suas contas correntes, vender ou onerar qualquer bem em seus nomes ou em nome de suas famílias depois que entrarem oficialmente para o serviço de proteção. – ela respondeu pacientemente.
- Para a própria segurança de vocês. – Mansen completou – Estamos lidando com uma organização muito eficiente. Então seria fácil rastrear qualquer conta bancária de um Swan ou de um Cullen, em qualquer lugar do mundo.
-. Eu sei que ... será uma mudança drástica na vida de vocês. Não só em termos financeiros mas em tudo o mais. – Alice completou.
- Co-como assim? – tá, eu tenho sempre que gaguejar na hora errada ...
- Isabella, você não será uma Swan por um bom tempo. Vocês terão outros sobrenomes, se mudarão pra outro lugar, de preferência bem longe daqui. Vão ter que largar a faculdade e ficar longe de seus amigos nesse período. Lamento, mas o programa de proteção funciona dessa forma e para que seja bem sucedido, vocês têm que cumprir as regras à risca. – Mansen me respondeu.
Eu tava perplexa, olhei pra Edward e ele deve ter visto e sentido meu estado de nervos. Seu abraço se apertou mais a mim e ele beijou minha testa.
- Isso tudo é para a segurança de vocês. Uma nova vida pra cada um, mas quando o caso terminar e as pessoas envolvidas forem a julgamento, vocês serão livres pra retomar com as suas vidas. – Alice tentava nos consolar.
- Vocês têm razões concretas para desconfiar que nós realmente corremos risco de vida? – foi a vez de Ed perguntar – Nós não queremos, de forma alguma, correr qualquer tipo de risco. Mas eu quero saber se isso tudo é realmente necessário. A mudança de vida seria ...
- TERRÍVEL! – guinchei – Eu não sou uma dondoca nem nada disso mas é que viver da ajuda do governo, orçada em U$ 15 mil por ano, é uma mudança grande. – fiz uma conta rápida na minha cabeça e vi o tamanho do problema que teríamos.
- Edward, nós temos razões mais do que concretas para acreditar que vocês correm risco de vida. – Alice falou pausadamente – Em menos de dois anos, muita gente já morreu por causa dessas provas. Quem matou estava interessado não apenas em eliminar testemunhas mas também em recuperar as provas que estão COM VOCÊS agora. – ela destacou bem essa última parte.
- E sim, o dinheiro parece pouco, considerando o padrão de vida que vocês têm. – Mansen olhou de nós para a confortável sala de estar da mansão Cullen – Mas acreditem, sem querer forçar a barra, essa é a melhor escolha pra vocês e pra nós. O FBI precisa garantir a vida de vocês e também precisa trabalhar com rapidez no caso. Quanto melhor vocês cooperarem, melhor e mais rápido trabalharemos. E assim vocês voltarão para a antiga vida de vocês.
- E o que diremos aos nossos amigos, aos empregados, na faculdade? – perguntei.
- Despeçam os empregados, tranquem a matrícula na faculdade e digam aos amigos que farão uma longa viagem sem data marcada pra voltar. – Mansen respondeu com naturalidade.
- Muito fácil, não é? – falei sarcasticamente.
Alice se levantou da poltrona onde estava sentada e veio se sentar ao meu lado, uma de suas mãos tocou em meu braço.
- Não, Bella. Nós sabemos o quão difícil tudo isso está sendo pra vocês. – ela me olhava nos olhos – Mas acredite, é o melhor pra vocês. – ela respirou fundo e eu também – Agora, vamos ser práticos. OK?
- Será que poderemos, antes de mudar de vida, conversar com nosso advogado? – Edward perguntou.
- Ele é de confiança? – Mansen perguntou de volta.
- Absolutamente. O Sr. Howard é advogado de ambas as famílias, seu escritório de advocacia também administra nossos bens há mais de trinta anos. O escritório possui uma equipe composta também por contadores e administradores. Só precisamos lhes passar uma nova procuração.
- Sim, Edward. – virei meu rosto pra encará-lo – Será que durante esse tempo de ... exílio, haverá algum problema se o escritório dele cuidar de nossas propriedades fora do estado também? Eu não quero me desfazer de nosso apartamento assim, de uma hora pra outra.
Ele sorriu torto e beijou minha testa de novo.
- Problema nenhum, amor. Nem que o escritório dele tenha que contratar outro escritório em Boston ... Até porque ainda temos a casa de praia em Martha’s Wineyard, também não quero me desfazer dela, está na família Cullen há quase cem anos. – ele sorria torto pra mim enquanto seu polegar contornava meu lábio inferior.
- Quando vocês podem ver esse advogado? – Alice perguntou.
- Vou ligar pra ele agora. – Ed falou já se levantando do sofá – Vocês nos dêem licença, eu e Bella vamos até o escritório.
Fui com ele mas na verdade eu entrei no lavabo, ainda tava morrendo de vontade de fazer xixi.
- Amor, vou ao banheiro. – ele assentiu pra mim – Depois eu vou pro escritório, me espere lá. OK? – ele me deu um selinho e sorriu.
Já no escritório, captei o final da conversa que Edward tinha com o próprio Sr. Howard em pleno domingo à tarde. Só mesmo um Cullen (ou algum outro sobrenome forte) pra interromper o domingão de um advogado todo poderoso.
- O Sr. Howard e uma equipe de seu escritório virão aqui amanhã às nove da manhã. Tá bom pra você? – ele falava enquanto caminhava em minha direção, me abraçou e sussurrou – Acho que podemos confiar nesses agentes, Bella.
- Também acho. – sussurrei de volta – Mansen parece um velhinho mal humorado e cheio de reumatismo, mas acho que ele é do bem.
- Você gostou de Alice. – ele afirmou.
- Sim. E você também. – desfiz nosso abraço e olhei em seus olhos.
- Eu gosto de qualquer pessoa que goste de você e eu acho que ... vocês duas vão fazer de tudo pra serem amigas. – ele sorria torto e uma de suas mãos acariciava minha bochecha.
- Te amo, Edward.
Juntei nossos lábios para o beijo da comemoração. Parecia insano ter o que comemorar naquele momento, mas meu coração dizia que com Alice e Mansen ao nosso lado, ficaríamos bem. As coisas para nós jamais seriam as mesmas, mas pelo menos tinha alguém pra nos orientar.
- Amor, vamos voltar pra sala. – falei quando paramos de nos beijar – Acho que devemos oferecer pra eles um cafezinho.
Ele apenas assentiu e voltamos à sala de mãos dadas.
- Conseguiram falar com o advogado? – Mansen perguntou mas ele olhava para as nossas mãos juntas.
- Sim. Ele e sua equipe estarão aqui, amanhã, às nove. – Ed respondeu.
- Vocês aceitam um chá, café, água? – tentei ser uma boa anfitriã.
- Eu aceito um café. – Alice respondeu de pronto e Mansen lhe lançou um olhar recriminador.
- Eu aceito, obrigada.
Ele fez cara feia pra ela mas também aceitou. É estranho o relacionamento desses dois, parecem um casal de namorados que acabaram de brigar. Reprimi o riso novamente.
- Com licença, vou à cozinha. – girei meus calcanhares.
- Eu vou ajudar. – Alice falou alegremente.
Meu pai do céu! Ela veio, tipo saltitando ao meu lado. Não, ela veio quicando mesmo! Eu não sabia que o FBI tinha agentes desse tipo, tão legais e fofinhas!
- Nossa sua cozinha é linda! – ela exclamou.
- Oh! Não é minha, é de minha ... sogra, Esme. – minha voz falhou no final.
- Eu entendo a sua dor. Tudo é muito recente ainda.
Ela tocou de novo em meu braço e em seguida me abraçou. De início, fiquei surpresa mas depois correspondi ao abraço, me senti amparada por ela, me senti melhor.
- Obrigada, Alice.
Enquanto ela me ajudava a fazer o café e a pôr uns biscoitinhos numa bandeja, conversamos bastante.
- Você e Edward namoram há muito tempo? – ela fez a pergunta que todo mundo faz.
- Fizemos dez anos de namoro no dia 25 de dezembro! – falei toda orgulhosa.
- Quantos anos vocês tem? Pensei que ambos tinham vinte!!! – ela arregalou os olhos.
- Vocês sabem quase tudo sobre nós, não é mesmo? – ela assentiu – Nós começamos a namorar aos dez anos de idade.
- OMG! Que fofo!!! Suponho, então que todas as suas experiências foram com ele. – sorri e assenti pra ela - Quer dizer então que você nunca beijou outra boca?
Tá, com essa eu ri pra valer. Ela falava como se aquilo fosse o maior absurdo do mundo.
- Não!!! Nunca tive vontade de beijar mais ninguém.
- G-ZUIS! Apaga a luz! Que mega-ultra-romântico!!! – ela deu três pulinhos e bateu palmas.
Meu Deus!!! Essa anãzinha é mesmo agente do FBI ou isso é alguma pegadinha? Estreitei meu olhar e ela se recompôs.
- Oh! Desculpe, Bella. É que eu sinto como se nós duas fôssemos amigas desde sempre. – ela apontou de mim pra ela e sorriu.
Não pude evitar de sorrir também.
- Eu também sinto isso, Alice. Mas ... – hesitei e não terminei a frase.
- Mas? – ela me incentivou.
- O Sr. Mansen, ele ... parece meio estressado ...
- Meio? AHAHAHAHA – ela gargalhou - Um e meio, você quer dizer! Mas não se preocupe, Bella. Jasper Mansen é um agente muito competente.
- Não, eu não duvido da capacidade dele como profissional. É que ...
- Ele parece um chiuaua, Bella! Só faz latir!!!
CARACA!!! Ela é maluquinha mesmo! Rimos muito com essa.
- Ok, Alice, entendi. Agora vamos, se não o café esfria.
Quando voltamos à sala, Ed e Jasper Mansen estavam mudos. Acho que o relacionamento deles não havia evoluído tanto assim. Coloquei a bandeja na mesinha de centro, ao lado das quatro armas deles.
- Você demorou, Brandon. (N/A: alguém aí duvida quem disse isso?)
- É, a gente tava falando de você!!! – putz, essa baixinha é invocada mesmo.
- Açúcar ou adoçante, Sr. Mansen? – perguntei.
- Açúcar. Vamos fazer assim, vocês podem me chamar apenas de Mansen. Ok?
OMG! Ele tava tentando ser mais simpático mesmo. Sorri pra ele e lhe servi o café.
- Bella, eu tava aqui combinando com Mansen que ele e Alice irão passar a noite aqui, não só a noite mas todo o tempo que ainda ficarmos em NY. – Ed falou enquanto se servia do café.
Olhei pra ele e não entendi nada.
- Já é por conta da segurança do Estado, Bella. – assenti pra ele mas sua cara não era das melhores.
- É melhor, Bella. O hotel onde estamos está lotado e, sinceramente, considerando o sistema de alarme que vocês têm aqui, estarão mais seguros que em qualquer outro local de NY. – Alice me esclareceu.
- Sem contar que eu Brandon estaremos nos revezando para lhes assegurar a segurança necessária. – Mansen completou.
- Revezamento? – a voz de Alice subiu um pouco.
- Sim. – Mansen arqueou uma sobrancelha – Enquanto você tricotava na cozinha, M me ligou pra saber das novidades. Ele nos deu ordens expressas de grudar no casalzinho aqui. – ele apontou de mim pra Edward – M pegará o primeiro avião pra NY amanhã, ele disse que devemos ficar aqui e esperar por reforços.
- Quem é M? Ele vai se hospedar aqui também? – guinchei e sentei no sofá.
- M. Goleman é o Diretor Geral do FBI, Isabella. Acima dele, só o Secretário de Defesa e presidente da república. Ele não vai se hospedar aqui, mas quer conversar pessoalmente conosco e não quer que nós deixemos vocês sozinhos.
Mansen me explicou e eu quase tive um piripaqui, ainda bem que eu já estava sentada. O ‘cacoete’ devia ser grande mesmo, eu e Edward nem tínhamos idéia do tamanho da bronca.
- Bom, tenho que voltar ao hotel e pegar as nossas coisas, Brandon.Eu vou com Jamhal mas volto com o carro que aluguei. – Mansen falou e se levantou da poltrona – Você fica e espera por mim.
- Ok! Mansen, por favor não se esqueça de pegar tudo o que é meu. Tá?
Ele não respondeu a ela, pediu licença, pegou suas armas e se retirou.
- Edward, quando eu voltar, será que você pode nos mostrar as provas? – ele perguntou quando já estava na porta.
- Posso. – Ed falou sem entonação alguma na voz.
- Quem é Jamhal, Alice? – perguntei.
- É o agente do FBI que nos trouxe.
- Pensei que vocês tivessem vindo num táxi.
- Sim, é o disfarce dele. Nós não poderíamos vir aqui sozinhos ... Ele ficou do lado de fora da casa o tempo todo.
Assenti pra ele e pela minha visão periférica, vi que Edward ainda continuou sentado no sofá, fitando o vazio, seu rosto não tinha expressão, parecia uma linda escultura.
- Ed? Amor? – me levantei de onde tava e sentei ao seu lado com o meu corpo todo voltado pra ele – Tá tudo bem?
- Não, Bella. Tá tudo uma merda! – ele falou exasperado e virou seu corpo também – Pareço um prisioneiro e minha própria casa.
Quem não nos conhecesse e nos visse naquela hora, pensaria que ele me dava alguma bronca. Cheguei mais perto dele e abracei seus ombros enquanto suas mãos contornavam minha cintura. Eu tinha uma vaga noção que Alice estava em algum lugar da sala mas nem me importei muito.
- Tudo vai dar certo, amor. – sussurrei – Vamos tentar ter calma, a guerra só está começando. – beijei sua bochecha – Agora, preciso subir e arrumar dois quartos de hóspedes.
- Você sabe quais quartos evitar, não sabe? – assenti pra ele – Espere um pouco.
Edward se levantou e abriu a cristaleira de Esme, pegou um chaveiro com três chaves e me deu. Entendi seu recado.
- Alice? – ela fazia cara de paisagem pra nós – Venha, vou te mostrar o seu quarto e o de Mansen.
Ela pegou suas armas e subiu as escadas calada, até estranhei um pouco.
- Tá tudo bem, Alice? – perguntei desconfiada.
- Tá, é que o seu relacionamento com Edward é algo que me deixa ... intrigada. – ela sorria, tentando se desculpar.
- Ah! Já to acostumada com esse tipo de comentário ... – sorri pra ela e lhe mostrei um quarto de hóspede – Esse quarto tá bom pra você?
- Está perfeito, Bella ... Desculpe, isso não é uma crítica ao namoro de vocês. É só que ...
- Pode falar, Alice. – pus uma mão sobre seu ombro.
- É só que é tão bonito, tão sólido, tão ... certo. É como se vocês dois gravitassem um na direção do outro. São como duas forças que se atraem, eu nunca vi nada igual.
- Eu já vi parecido, Alice. – minha voz falhou um pouco – Nós dois crescemos vendo o relacionamento de nossos pais e acho que aprendemos muito com eles.
-Entendo. – ela falou pensativa.
- Alice? – ela virou seu rosto pra mim – Posso te perguntar uma coisa também? – ela assentiu – Você e Mansen ... parecem que têm ou tiveram algo mais do que um simples relacionamento de trabalho.
- Isso não é uma pergunta, Bella. – ela respirou fundo e mirou o chão – Nós tivemos um rolo que nem chegou a virar namoro. Foi muito ... intenso e forte ... Mas acabou.
Senti que ela não ficou à vontade e mudei logo de assunto.
- Bom, vou te deixar descansar um pouco. A porta da direita é a do banheiro e a da esquerda, o closet, nele tem roupas de cama e de banho limpas. Se precisar de mim, estarei lá embaixo.
- Obrigada. – ela murmurou.
Uma linda melodia ecoava pelo andar de baixo da casa, o doce som do piano trazia alguma vida ao ambiente e também trazia lembranças de Carlisle, uma das pessoas mais fantásticas que já conheci, meu sogro, um quase-pai pra mim. Edward estava sentado na banqueta do piano de cauda, ele estava tocando de olhos fechados e seus lábios se mexiam um pouquinho, como se estivesse cantando bem baixinho.
A música era Smile de Charlie Chaplin. Caminhei bem devagar, ao ritmo da música, e me sentei ao seu lado. Ele percebeu a minha presença mas não abriu os olhos, sorriu um pouco e continuou a tocar e a cantarolar.
Enquanto Edward viajava um pouco na música, eu viajava nele, nessa pessoa maravilhosa que Deus me deu. Eu sei que para as outras pessoas o nosso amor até parece meio absurdo, insano, mas pra mim, é tão natural e espontâneo quanto respirar. Cheguei mais pertinho dele e beijei seu ombro, ele abriu os olhos e sorriu pra mim, recomeçou a tocar a música e dessa vez, nós dois cantamos e até que ficou bem bonitinho.
Corei quando percebi que Alice nos observava do alto da escada. Ela sorriu pra nós e falou.
- Edward, Mansen me ligou dizendo que está no portão, está pedindo pra você destrancá-lo.
- Pode deixar, amor, eu vou.
Me levantei da banqueta e fui até o painel de segurança, destranquei não só o portão mas a porta da sala também e fui logo abrindo-a pra ele entrar. Me espantei quando ele entrou carregando quatro malas, jogou três delas no hall e praguejou.
- Não sou seu carregador, Brandon! Tá aqui suas coisas.
Eu não gosto de me meter na vida de ninguém mas não pude me conter naquela hora.
- Sr. Jasper Mansen, eu não admito que você fale assim com nenhuma mulher. – ele me olhou feio e eu o encarei - Você devia se envergonhar de ser assim. E vou logo lhe avisando, enquanto você for nosso hóspede nessa casa, vai ter que ser mais educado. Deu pra entender?
Ele não me respondeu mas se seu olhar fosse um raio laser, eu já estaria ‘mortinha da silva’. Edward parou de tocar a música, se levantou rapidamente e ficou de pé ao meu lado, numa postura protetora. Mordi o lábio e me arrependi de ter falado, não queria que Ed se indispusesse com Jasper Mansen.
- Minha namorada lhe fez uma pergunta, Mansen. – de novo Ed falava com a sua voz de aço.
- Entendi. – ele cuspiu – Vou. Tentar. Me. Lembrar. – sibilou cada palavra.
Nesse meio tempo, Alice já estava na sala conosco, tentando acalmar os ânimos. Ela pegou no braço de seu parceiro, puxando-o um pouco para trás.
- Edward, será que você poderia pegar as provas agora? – Alice perguntou.
Ed demorou um pouco pra responder, ainda estava encarando Jasper Mansen em seus quase dois metros de altura e de mau humor.
- Sim, volto já, vocês dois esperem aqui. – ele olhou para o casal de agentes e me puxou pela mão - Venha, Bella.
Alice olhou pra mim e sorriu, eu apenas sorri de volta, em gratidão.
- Mansen, para chegar ao seu quarto, suba as escadas e pegue o corredor da direita, é a última porta. No closet há jogos de cama e de banho. – falei sem olhar em seu rosto.
- Obrigada. – ele falou seco e subiu carregando TAMBÉM as malas de sua colega - Brandon, quando eles voltarem, vá até meu quarto com as provas.
- Não liguem pro Mansen. Tirando a cara e a língua ferina, ele tem um bom coração ... – ela tentava se desculpar.
- Tudo bem, Alice, com licença. – Ed falou e subimos em direção ao seu quarto.
- Alice, se vocês vão se revezar na vigília da casa, descanse um pouco antes do jantar. Daqui a uns cinco minutos a gente leva as provas pra você.
- Ok, Bella. Obrigada.
Já no bunker, eu e Edward fomos rápidos. Enquanto ele pegava toda a gaveta, eu pegava as nossas mochilas que tinham ficado sobre o saco de dormir. Coloquei dentro da minha mochila o envelope amarelo com nossos documentos falsos e os U$ 150 mil, a carta que nossos pais tinham escrito pra nós, e o pequeno cofre que trouxe comigo de Boston, com nossos documentos verdadeiros e as minhas poucas jóias. Decidi que era mais seguro e mais sensato deixar as jóias de Esme e as de mamãe dentro do bunker, também peguei os nossos celulares. Batemos na porta do quarto de Alice e lhe entregamos todo o conteúdo da gaveta.
- Alice, nós não tocamos em nada disso. Somente abrimos um envelope amarelo que nossos pais tinham deixado pra nós. Eu também trouxe o MP3, nele há uma mensagem em Código Morse. Essa mensagem continha a senha de acesso para poder abrir a gaveta.
Enquanto Edward falava, Alice arqueava as sobrancelhas.
- CÓDIGO MORSE!!! Caramba! Seus pais deviam estar com muito medo dessas provas caírem em mãos erradas.
- Bom, vamos deixar você e Mansen à vontade pra poder ver tudo isso. – falei puxando Ed pela mão – Amor, vou ao nosso quarto deixar essa mochila e depois, à cozinha para ver o que faço pro jantar. Que ir comigo?
- Daqui a pouco eu chego lá, Bella. Vou ao escritório fazer umas ligações. – dei um selinho nele e assenti.
Fui pra cozinha e abri a geladeira, olhei pro que tinha disponível e como eu tava com preguiça, apelei pra um risoto de carne com creme de leite. Era prático e numa panela só, eu fazia TODO o jantar. Comecei a pensar em dinheiro, em nossa futura situação financeira, isso me preocupava.
Enquanto pegava os ingredientes na geladeira e no armário, Ed chegou e sentou numa cadeira próxima.
- Esse Mansen me dá nos nervos ... é muito ... beligerante. – ele reclamou.
- Pra mim, isso é paixão reprimida. Ele é doidinho por Alice, tenho certeza. – falei sem tirar os olhos do pedaço da carne que eu picava em cubinhos.
- Bella ...
- Oi, amor.
Continuei olhando para os ingredientes à minha frente e ele não me respondeu. Entendi que o assunto era sério, então.
- O que foi, Edward? – olhei pra ele.
- U$ 15 mil por ano não é nada, Bella. – ele fazia careta enquanto franzia a testa.
- Edward, por quanto você acha que venderíamos nossos carros? Assim, de uma hora pra outra?
- O meu C30 e o seu New Beetle?
- An-ham ...
- U$ 20 mil cada um, talvez.
- E em quanto tempo você acha que conseguíramos vendê-los? – um plano se formava em minha mente.
- Acho que você pensou o mesmo que eu, Bella. – ele sorria torto pra mim – Acabei de telefonar para John Dowling. Lembra dele? Dono daquela concessionária em Boston? – assenti - Pelo que ele me disse agora, nossos carros poderão ser vendidos em menos de uma semana.
- Então isso já nos deixa com U$ 190 mil. E ainda temos os carros de nossos pais que poderemos ...
- Não, Bella, devemos contar somente com a venda de nossos carros no curtíssimo prazo. – olhei pra ele sem entender muito – Vender um Mercedes SLR, um Cupê Audi A5, um BMW X5, e um Mercedes AMG C63 não seria assim tão fácil e tão rápido. Só o carro de Charlie, que seria o mais barato de todos, poderia ser vendido por U$ 100 mil, e o de papai, por U$ 400 mil.
- É, isso daria trabalho ...
- Mas não vamos sofrer por antecipação. – ele se levantou e ficou ao meu lado, no balcão da cozinha – Os U$ 150 mil, que já temos em mãos, os U$ 40 mil dos dois carros, e os empregos que arranjaremos, serão o suficiente. – Ed respirou fundo – Até porque eu acho que essas investigações não devem durar muito ...
- É, se o FBI já tem todas as provas, o que mais faltaria pra concluir o caso? – murmurei.
- Comprovar a veracidade de todas as provas, buscar testemunhas e protegê-las, conseguir abrir processos contra parlamentares, militares, altos executivos e pessoas que já fizeram parte do mais alto escalão do governo levará um bom tempo, Bella. – Alice estava na porta da cozinha e respondeu à pergunta que eu tinha feito pra Edward.
Nós dois nos viramos pra ela ao mesmo tempo.
- Desculpe ... er ... eu escutei a conversa de vocês.
Corei, ela deve ter escutado quando eu disse que Mansen era doidinho por ela.
- Mansen me expulsou do quarto dele. Ele gosta de fazer do seu primeiro contato com qualquer prova investigativa, um momento íntimo. – ela sorriu com desdém – Diz que não quer ser influenciado pelo pensamento de ninguém. – ela sentou na cadeira que Ed tava sentado antes – Mas eu não vim aqui só por causa disso. É que ...
Ela juntou suas mãos sobre a mesa e olhou pra elas enquanto tentava falar algo que eu deduzi ser notícia ruim.
- O que foi, Alice? Fale logo! – guinchei.
- Bom é que ... a polícia de Boston estava atenta para o retorno de vocês dois pra lá ... um pedido que o Chefe do FBI em Massachusetts havia feito. Então ... – ela engoliu em seco – Eu acabei de ser informada que o apartamento de vocês foi invadido por ladrões, tudo foi revirado.
- AH! – foi o meu grito, enquanto deixava cair no chão da cozinha a faca que eu segurava – Meu Deus ...
Em segundos, senti os braços de Edward me envolvendo, me amparando. Comecei a chorar baixinho, enquanto ele não dizia nada.
- Mas ainda bem que vocês estão aqui ... Graças a Deus! – Alice veio até nós, apanhou a faca do chão e colocou-a sobre o balcão, em seguida, nos abraçou – Nada foi roubado, eles apenas bagunçaram tudo ... Eu sinto muito ... Quem esteve lá só queria as provas e talvez, vocês dois.
- Alice, então eu acho que não é seguro voltar pra lá. – Ed falou.
- De forma alguma. Mas para que o sumiço de vocês não levante muitas suspeitas, eu e Mansen estávamos combinando algumas coisas. – ela voltou a se sentar na cadeira – Quando vocês retornarem à Boston pra trancar a matrícula na faculdade, iremos com vocês. Daí vocês poderão também voltar ao apartamento pegar tudo o que for de valor ...
- Eu não quero voltar lá. – falei rápido – Não quero ter em minha mente a visão de meu lindo apartamento todo bagunçado. Eu já peguei tudo o que tinha de valor quando viemos pra cá. Mas faltou uma coisa ... Alice você pode me fazer um favor? – ela franziu a testa e assentiu – Quando voltarmos à Boston, quero que você vá até o apartamento e pegue quatro telas que estão na sala de estar.
- Nossos quadros ... – Ed murmurou – De presente de aniversário de namoro, Bella me deu quatro quadros, são retratos de nós dois em diferentes fases de nossa vida. O valor sentimental deles é muito grande pra nós.
- Farei isso, não se preocupem. – ela respirou fundo – Eu também não pude deixar de perceber que vocês estão preocupados com dinheiro. De fato, o auxílio do governo é muito pouco. É uma boa idéia vocês venderem seus carros e ... Bella ... eu também tive uma idéia que poderá lhes ajudar ...
Alice estava hesitante, parecia ter cuidado com as palavras, acho que estava envergonhada.
- Pode falar, Alice. – Ed a encorajou.
- Bom, isso definitivamente não é da minha conta. Os agentes do FBI não devem se meter nisso, mas é que ... eu to falando como se fosse uma amiga e ...
- Mas você é uma amiga, Alice. – sorri e também lhe encorajei a continuar.
- Bom, parece que Deus escreve certo por linhas tortas, Bella. – ela fez uma pequena pausa e continuou – Eu tenho uma tia que tem um brechó no Queens, lá ela vende de tudo um pouco. Então ... parece uma coisa meio mórbida o que eu vou dizer e eu peço, desde já, mil desculpas, mas é que ela poderia ...
- Vender tudo o que temos!!! Tipo um ‘garage sale’? – abri um imenso sorriso.
- Quase isso, Bella! Sendo que as peças não seriam vendidas aqui e sim na loja de minha tia. Eu fiquei com receio de propor isso mas é que parece ser uma boa idéia.
- Eu sei, parece ser algo meio sinistro ... – olhei pra Edward que parecia não entender nada – Amor, estamos falando em vender roupas, sapatos e tudo o mais que puder ser vendido ... coisas que pertenciam aos nossos pais. Desculpe, mas a idéia e boa mesmo.
- Ah! Entendi. – ele beijou minha testa – Tenho certeza que eles não se importariam com isso,Bella.
- Bom, pode ser que não renda muita coisa mas qualquer trocado ajuda, né? – Alice sorria, satisfeita por poder ajudar.
Enquanto conversávamos, eu olhava a panela do risoto e Ed me ajudava, guardando alguns ingredientes na geladeira. Finalmente o risoto ficou pronto, coloquei-o numa travessa e Alice se ofereceu pra pôr a mesa. Edward foi até o quarto de Mansen, chamá-lo para o jantar. Já passava das seis da noite quando nos reunimos, ali mesmo, na mesa da cozinha.
Eu não fiz questão de comer na sala de jantar e Ed tampouco, sei bem que isso nos traria doces e dolorosas lembranças. Doces porque era em nossas salas de jantar que nossas famílias sempre se reuniam, bastava ter um motivo bobo que nossas mães faziam questão de ‘um jantar especial’ e, dolorosas porque essas lembranças são de um tempo que nunca mais vai voltar.
- A comida estava muito boa, Isabella. Eu não podia imaginar que você cozinhasse tão bem ... – Mansen falou enquanto tomava uma xícara de café, após o jantar.
- Obrigada. Cozinhar é como um hobby pra mim. – falei e me levantei - Com licença, gente. Vou lavar logo essa louça, antes que a preguiça me detone. – fiz careta e sorri.
- Eu ajudo. – Alice se levantou na mesma hora e pôs os restos de comida na lixeira, enquanto eu colocava a louça na máquina.
Os rapazes saíram da cozinha.
- Alice, você tava mesmo falando sério em pedir a sua tia que nos ajude a vender algumas coisas? – eu tava tão feliz com a idéia que nem podia acreditar nisso.
- Sim, Bella. É claro que ela não vai poder vender tudo de uma vez mas eu sei mais ou menos, como o negócio dela funciona. Quando alguém deixa alguma coisa lá pra ser vendida, tia Mandy combina com essa pessoa um preço mínimo, anota a conta corrente para depositar o dinheiro, lhe dá um recibo e informa que 40% do valor da venda é da loja e 60% para o dono da peça. Ás vezes, quando o valor é pequeno, a pessoa vai até a loja e recebe a quantia lá mesmo.
- Mas nós vamos poder sacar o dinheiro, depois que ela fizer os depósitos? Por que você disse que nossas contas ...
- Contas Swan e Cullen, Bella. Mas vocês receberão novas identidades por parte o Marshals Service, então, não haverá problema algum. Agora, me diga, o que você acha que poderá ser vendido?
- Bom, todas as roupas de nossos pais, jogos de cama, bijuterias, perfumes, bolsas, sapatos, objetos da casa, CD’s, DVD’s ... Quadros e objetos de decoração, exceto as obras de arte, claro. Também temos meus vestidos de festa ... enfim, muita coisa que eu e Edward poderemos abrir mão ...
Um novo horizonte se apresentava à minha frente e eu me via fazendo planos. Eram planos de sobreviver, de escapar daquilo tudo e nos manter em segurança. Eu e Edward, sempre.
-Vejo que você está pensando com mais coerência agora, Bella.
- Sim, Alice. – falei enquanto enxugava a louça – Sobreviver é a prioridade. Mas isso não quer dizer que eu não esteja com medo.
Quando terminamos de arrumar e limpar a cozinha, Alice subiu ao seu quarto para descansar um pouco, porque ela ficaria acordada a partir da meia noite, até que Mansen viesse rendê-la. Edward estava novamente ao piano, tocando somente para ele uma melodia muito suave. Mansen estava do lado de fora da casa, caminhando sobre a neve,acho que tava ‘ruminando’ sobre o caso Volturi, como eles mesmos batizaram a investigação.
- Amor, vou até a biblioteca, arrumar alguma coisa pra ler. – dei um beijo na bochecha de Ed, ele sorriu e continuou sentado ao piano.
Ler sempre me proporcionou um efeito relaxante. Era disso que eu precisava pra poder manter minha sanidade. Não queria nada muito difícil, nem complicado, optei pelos clássicos. Peguei um exemplar de Tristão e Isolda, me estirei num chaise bem fofinho e comecei a folhear suas páginas. Quando dei por mim, já eram nove e meia da noite e eu dei um imenso bocejo. Edward entrou na biblioteca com cara de sono.
- Bella ... – bocejou – Vamos dormir, amor? Já avisei a Mansen que iríamos nos deitar.
Ele me estendeu a mão e seguimos até o nosso quarto. Meu amor havia preparado a banheira pra nós, a água quente já estava com sais de banho. Reconheci o suave cheiro da alfazema e sorri pra ele, pensei rápido e prendi meus cabelos num coque meio desajeitado.
- Obrigada, Ed. Adoro esse cheiro ...
Ele veio ao meu encontro e me beijou com muita delicadeza. Minhas mãos se enroscaram em seus cabelos enquanto as dele, tiravam meu moletom. Seus beijos desceram ao meu pescoço e ombro, enquanto ele tirava meu sutiã. Tirei sua camisa e beijei seu peito tão bem esculpido, ele foi rápido em tirar a minha calça e minha calcinha de uma vez só.
- Hum ... pensei que você tava com sono ...
- Era só uma desculpa pra te seduzir ... – ele sorria torto.
Edward se livrou do resto de suas roupas e entrou na banheira, oferecendo-me sua mão. Aceitei seu convite e meus pés entraram em contato com a água quente, gostosa e perfumada.
- Ah! ... A água tá deliciosa, Edward ...
Ele me abraçou e sussurrou.
- VOCÊ está deliciosa.
Em seguida seus lábios mordiscaram o lóbulo de minha orelha, meus seios, quase que automaticamente ficaram rijos de tanta excitação. Meus lábios famintos procuraram os dele e minhas mãos se envolveram em seus cabelos. As mãos dele passeavam por minha cintura e desciam até a bunda, apalpando-a com força. Quando o ar nos faltou e o beijo cessou, Ed nos fez sentar na banheira um de frente pro outro, envolvi meus braços em seus ombros, enquanto ele me puxava pra si pela cintura. Minhas pernas envolviam seu corpo e ele fez o mesmo com as dele.
A delícia de seu toque tão sedutor, aliado à temperatura morninha da água, mandavam para a minha pele pequenos choques de prazer. Seus lábios buscaram os meus com voracidade e desejo, minha língua também lhe invadia com ... fome. Sim, tínhamos fome um do outro. Fome de sexo, de toque, de sensações, de amor. Pressionei mais o meu corpo no dele na intenção de fazer com que nossas intimidades se encontrassem, ele gemeu em minha boca, enquanto eu sentia o “eddie” todo alegrinho.
Em seguida, uma de suas mãos desceu pelo corpo, me tocando em meu sexo. No começo foram carícias suaves, mas depois ele me invadiu com um dedo, enquanto meu clitóris era delicadamente massageado. Sua boca se apossou da minha novamente e de repente, eu era duplamente invadida. Os movimentos de entra e sai de seu dedo, a gostosa massagem e o beijo luxuriante me fizeram ir ao céu.
Eu movimentava meu quadril na esperança de melhorar a sua penetração e aumentar o prazer, gemia em sua boca alucinadamente.
- Oh! Edw ... ard ...
Ele só fazia intensificar os movimentos, mais ... mais ... mais ... era tudo o que a minha mente pedia. E ele me deu muito mais.
Afrouxou o nosso abraço e se sentou de pernas cruzadas, como um índio e num único movimento, ele ergueu um pouco o meu corpo, fazendo-me sentar em seu colo, de frente pra ele e passar as minhas pernas em volta de sua cintura . Senti o bico de meus seios mais rígidos ainda, quando ele se encaixou dentro de mim.
- Ah! Bella ... tão ... quente ...
Travei meus braços em seus ombros e comecei com movimentos de sobe e desce, num vai e vem muuuuuuito gostoso. Alternei os movimentos, balançando-me pra frente e pra trás, ora rápido, ora devagar. Mais uma vez, tive que me controlar pra não chegar ao orgasmo tão rápido, embora isso fosse tudo o que o meu corpo pedisse, eu ainda queria mais de nosso contato tão íntimo. Juntei mais os nossos corpos, esfregando meus seios em seu peito. Olhava em seus lindos olhos verdes e às vezes, mordia o meu lábio inferior só para provocá-lo. Aproximei meus lábios de sua orelha e comecei a mordê-la, bem de leve, passei a chupar o lóbulo de sua orelha também, bem devagarzinho. Edward foi à loucura com esse meu toque e passou a gemer meu nome enquanto suas mãos foram ao meu quadril, auxiliando-me nos movimentos, aumentando o nosso ritmo. E à medida que a dança de nossos sexos avançava, eu chupava com mais força o lóbulo de sua orelha, mais e mais ... Até que senti o formigamento pelo centro do meu corpo, minha intimidade se contraiu e seu membro ficou mais duro dentro de mim.
- Agora, Bella ... comigo ...
Edward gemeu, me fazendo olhar em seus olhos mais uma vez, enquanto a deliciosa explosão de seu gozo me invadia ao mesmo tempo em que eu me derramava pra ele.
- Aaaahhh ...
Um gemido baixo escapou de meus lábios e sorrimos um pro outro. Ficamos assim, ainda conectados, tentando controlar a respiração, com um sorriso bobo nos lábios, curtindo o nosso momento de amor, paixão e entrega mútuo. Quando paramos de ofegar, Edward separou nossos corpos, delicadamente e me beijou com a paixão, a ternura e a adoração que eu sem que ele tem por mim. Colou as nossas testas, entrelaçou as nossas mãos sob a água e ficamos ainda nos olhando, nos paquerando.
- Te amo, Bella. – ele sorria torto e eu podia sentir seu hálito maravilhoso e sua quente respiração em minha pele – Desculpe por ser tão repetitivo, mas eu te amo ...
- Eu te amo também. – sorri de volta – E eu vou ser muito repetitiva até ficar bem velhinha ...
Depois do amor, vestimos pijamas bem fofinhos de flanela, o meu era rosa, com desenhos da Minnie, o dele era cinza, com desenhos do Mickey, um mimo que havia comprado pra nós algumas semanas atrás, quando tudo era ... normal e mais feliz.
- Amor, você não comprou isso pra mim. Ou comprou? – ele segurou a camisa de mangas compridas do pijama e fez cara de nojo.
- OMG!!! Comprei sim, amor! – sorri pra ele – Olha, o meu é da Minnie!
Ele sorriu torto e balançou a cabeça, vestiu o resto de seu pijama, verificou a temperatura do aquecedor, trancou a porta do quarto e se deitou ao meu lado, abraçando-me.
- Boa noite, Bella. – ele beijou meus lábios de leve.
- Boa noite, amor.
...
Eu estava com muito medo, meus lábios tremiam um pouco e minhas pernas também. Sentia a garganta seca e o ar não entrava direito pelos meus pulmões. Eu olhava ao redor e não via ninguém. Não havia simplesmente ninguém que pudesse nos ajudar. A estrada estava escura e deserta, Edward dirigia calado, e embora parecesse calmo, eu sabia que ele estava tão ou mais apavorado do que eu.
Eu temia não pela minha vida, eu temia por Edward, o meu grande amor. Mas algo que parecia impossível de acontecer, se tornava real. Meu coração já não pertencia exclusivamente a Edward, eu não sabia quem era, mas eu sentia um grande, imensurável e incondicional amor por mais alguém. E era pela vida desse alguém que eu tremia de medo, que eu chorava silenciosamente e pedia a Deus, em pensamento, que esse alguém ficasse bem.
...
Abri os olhos e acordei ofegante ...
Graças a Deus eu estava deitada, ao lado de Ed que dormia tranquilamente. Depois de alguns segundos, me situei, me lembrei de onde estava e de tudo o que tinha acontecido. Olhei pro relógio e era uma e vinte da manhã, me mexi com cuidado e sai da cama. Fui ao banheiro, lavei o rosto, prendi o cabelo e resolvi descer pra tomar uma xícara de chá. Já do corredor, chamei por Alice várias vezes, lembrei que ela estava de ‘tocaia’ na sala de estar.
- Alice! Alice! Sou eu, Bella.
- Estou te vendo, Bella. – ela riu baixinho – Pode descer, não vou atirar em você.
Desci as escadas e sentei ao seu lado, no sofá.
- Caiu da cama, Bella? – ela arqueou uma sobrancelha.
- Mais ou menos ... tive um pesadelo ... Resolvi descer pra tomar uma xícara de chá. Você quer também?
- Chá?! Não, de jeito nenhum. Mas se você puder fazer bastante café e colocar numa garrafa térmica, eu e Mansen vamos agradecer.
- OMG! Desculpe, Alice! Eu devia ter pensado nisso antes. Mas você poderia ter feito, não tem problema!
- Eu tentei, mas é que ... aquela cafeteira é muito high tech pro meu gosto.
Sorrimos um pouco e eu fui à cozinha, voltei minutos depois carregando uma bandeja com chá, café, leite e biscoitos.
Começamos a conversar sobre amenidades mas depois, a curiosidade se apossou de mim.
- Alice, preciso perguntar uma coisa. – ela me olhou com atenção – Como e por que Ben Chenney envolveu vocês dois nessa investigação? Por que tudo isso é tão sério, mas tão sério, que o próprio presidente do FBI está pessoalmente envolvido? Por que tudo isso parece ser tão complicado e demorado? Você acha que nossos pais foram realmente executados?
Ela sorriu um pouco e bebeu um pouco de seu café, respirou fundo e falou.
- São quatro perguntas, Bella. Para todas elas eu tenho respostas bem longas. – ela me olhou nos olhos.
- Tenho o resto da noite, Alice.
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